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Civil - 01

O documento resume as principais teorias sobre a desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro: 1) O Código Civil adota a Teoria da Maior Cautela, que exige requisitos específicos como confusão patrimonial ou desvio de finalidade. 2) O Código de Defesa do Consumidor adota a Teoria da Menor Cautela, permitindo a desconsideração com a mera insolvência. 3) O STJ entende que as duas teorias convivem, sendo necessária a demonstração de desvio
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Civil - 01

O documento resume as principais teorias sobre a desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro: 1) O Código Civil adota a Teoria da Maior Cautela, que exige requisitos específicos como confusão patrimonial ou desvio de finalidade. 2) O Código de Defesa do Consumidor adota a Teoria da Menor Cautela, permitindo a desconsideração com a mera insolvência. 3) O STJ entende que as duas teorias convivem, sendo necessária a demonstração de desvio
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DIREITO CIVIL

DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de


direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo
registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as
alterações por que passar o ato constitutivo.

ART. 49-A, CC - A PJ não se confunde com seus sócios.

Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios,


associados, instituidores ou administradores. (Incluído pela Lei nº 13.874, de
2019)

Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas


é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos,
estabelecido pela lei com a finalidade de estimular
empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e
inovação em benefício de todos.

ART. 50, CC - Caso de abuso da personalidade jurídica: desvio de finalidade


ou confusão patrimonial, juiz pode desconsiderar a PJ a pedido do interessado ou
MP, e assim os efeitos de certas obrigações são estendidos aos bens particulares dos
sócios ou administradores que foram beneficiados direta ou indiretamente.

DESVIO DE FINALIDADE: Utilização da PJ com o objetivo de lesar credores e prática de


atos ilícitos de qualquer natureza. - Elemento subjetivo.

CONFUSÃO PATRIMONIAL: Não separação dos patrimônios, cumprimento repetitivo pela


sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; transferência de
ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente
insignificante; e outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. - Elemento
objetivo.

Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da


finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica.

A simples prática de atos ultra vires (excesso de mandato ou poder) pelo


sócio não justifica, por si só, a desconsideração, mas viola a boa-fé objetiva e
gera responsabilidade da empresa – STJ, REsp. 448.471/MG.
Não se exige que a confusão patrimonial tenha culpa ou dolo - ou seja - é
elemento objetivo, o administrador pode ser responsabilizado mesmo que tenha
agido sem intenção.

CC - adota TEORIA MAIOR - objetiva - com requisitos específicos, conforme art. 50,
CC - evita fraudes e abusos.

Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo


desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no
processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou
indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)

§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é


a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e
para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei
nº 13.874, de 2019)

§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de


separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído
pela Lei nº 13.874, de 2019)

I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio


ou do administrador ou vice-versa; (Incluído pela Lei nº 13.874, de
2019)

II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas


contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente
insignificante; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.


(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também


se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de
administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de
2019)

§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos


requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a
desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela
Lei nº 13.874, de 2019)

§ 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a


alteração da finalidade original da atividade econômica específica da
pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

TEORIA MENOR - imputa responsabilidade pessoal aos administradores ou sócios,


independentemente de requisitos específicos. Art. 28, par. 5, CDC - basta o simples
prejuízo ao credor - pode ocorrer a desconsideração da personalidade jurídica em razão da
mera insolvência, mesmo sem a ocorrência de fraude.
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da
sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito,
excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos
ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando
houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da
pessoa jurídica provocados por má administração.

§ 1° (Vetado).

§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as


sociedades controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas
obrigações decorrentes deste código.

§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis


pelas obrigações decorrentes deste código.

§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.

§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre


que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de
prejuízos causados aos consumidores.

Desconsideração da personalidade jurídica. Código Civil: Teoria maior.

Teoria Maior Objetiva da Desconsideração: abuso de personalidade jurídica pela


confusão patrimonial;

Teoria Maior Subjetiva da Desconsideração: abuso de personalidade jurídica pelo


desvio de finalidade.

Macete: Ter em mente que o Código Civil adota a Teoria da MAIOR CAUTELA, ou seja,
há uma cuidado MAIOR em selecionar as hipóteses de cabimento da
desconsideração.

Já o Código de Defesa do Consumidor adota a Teoria da MENOR CAUTELA, pois,


para que haja a desconsideração da personalidade jurídica, basta provar a
insolvência da pessoa jurídica.

O CC é maior em extensão. Portanto, Teoria MAIOR.

O CDC é menor em extensão. Logo, Teoria MENOR.

O STJ entende que no Brasil as duas teorias convivem harmonicamente.

STJ - insolvência não é pressuposto para decretação da desconsideração da personalidade


jurídica, sendo necessária a demonstração de desvio de finalidade ou a demonstração
de confusão patrimonial.
DESCONSIDERAÇÃO ≠ DESPERSONALIZAÇÃO

DESPERSONALIZAR significa anular a personalidade, o que não ocorre na


desconsideração. Na DESCONSIDERAÇÃO não se anula a personalidade, ao
contrário, esta resta mais protegida; não se trata de despersonalização (anulação
definitiva da personalidade), mas de simples desconsideração, retirada
momentânea de eficácia da personalidade.

Desconsideração inversa - Desconsidera a PF e atribui responsabilidade à PJ.


Requisitos: mesmos da desconsideração comum.

Jornada 283: “É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa”


para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens
pessoais, com prejuízo a terceiros.”

Terceiro que se torna parte: defesa por meio de EMBARGOS À EXECUÇÃO, e não
embargos de terceiros.

133 - 137, CPC - incidente processual - devido processo legal. Incidente de


desconsideração da PJ só pode ser instaurado pelo MP ou interessado - possibilidade de
pedido pela própria PJ. Decisão agravável. Pode haver fraude à execução.

Jornada 285: “A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode


ser invocada pela pessoa jurídica em seu favor.”

Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se
e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.

Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida


em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.

TEORIAS QUE BUSCAM EXPLICAR A NATUREZA DA


PERSONALIDADE DA PESSOA JURÍDICA

Teoria individualista (Ihering): A pessoa jurídica não realiza relações jurídicas, isto é, o
destinatário dos direitos e deveres é a pessoa natural que está atrás da pessoa jurídica.
Assim, para a teoria, quem possui personalidade jurídica não é a pessoa jurídica, mas sim
os indivíduos que a compõem.

Teoria da equiparação (Windscheid e Brinz): A pessoa jurídica é um patrimônio


equiparado no seu tratamento jurídico às pessoas naturais.
Teoria da ficção jurídica (Savigny): Considerada a pessoa jurídica um ente abstrato,
criado por lei, que não possui existência real (social), mas somente existência ideal, isto é,
só ganha existência fictícia da lei para que possa realizar atos patrimoniais. Assim, a PJ é
produto de técnica jurídica (da lei), tratando-se de ente fictício (uma abstração sem
realidade social).

Teoria da realidade objetiva ou orgânica (Otto Gierke): A pessoa jurídica é um


organismo social que possui existência (existência social) e vontade própria. Para essa
teoria, jurídica não é uma ficção da lei, mas um organismo social.

Teoria da realidade técnica ou teoria da realidade das instituições jurídicas: A ordem


jurídica (lei) outorga a entes a personalidade jurídica (ficção jurídica) e estes entes passam
a ter existência, vontade e personalidade própria. A teoria da realidade técnica, na verdade,
une a teoria da ficção jurídica de Savigny à teoria da realidade objetiva de Otto Gierke.
ADOTADA

BENS DO AUSENTE

1º Arrecadam-se os bens do ausente, nomeando um curador.

2º Transcorrido o prazo de 1 ano, é aberta a sucessão provisória.

3º Depois da abertura da sucessão provisória, se decorridos 10 anos, abre-se a sucessão


definitiva.

OBS: os prazos se reduzem quando o ausente tiver mais de 80 anos.

DIREITOS DA PERSONALIDADE

A proteção dos direitos da personalidade é diferente da capacidade.

MOMENTO AQUISITIVO: STJ a partir da concepção uterina - alcança o natimorto.


Lei nº 11105/2005 - art. 5º - embrião de laboratório não tem direitos de personalidade,
mas se ele for implantado terá direitos sucessórios.

MOMENTO EXTINTIVO: morte, porém em alguns casos o direito protege o falecido.

CAPACIDADE DE FATO: Praticar atos pessoalmente - teoria das incapacidades - sofre


eventuais restrições.
CAPACIDADE DE DIREITO: Aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações na vida
civil - não sofre restrições.

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE: Art. 11, CC.


Intransmissíveis e irrenunciáveis, ou seja, indisponíveis e não podem sofrer limitação
voluntária, salvo nos casos que a lei permitir.
absolutos - oponíveis erga omnes - valerá para todos.
extrapatrimoniais
impenhoráveis
inatos - inerentes à condição humana
não tem prazo prescricional para defesa dos direitos da personalidade - para pedir
indenização tem prescrição de 3 anos.

Enunciado 139 das Jornadas de Direito Civil - Os direitos da personalidade podem sofrer
limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com
abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes.

Limites dos atos de disposição dos direitos da personalidade: não pode ter caráter
permanente, não pode ser genérica e não pode violar a dignidade da pessoa humana.

São atributos da personalidade civil ou personalidade: nome, estado (status), domicílio,


capacidade e fama.

PROTEÇÃO JURÍDICA

Tutela pode ser preventiva (cessar a violação do direito) e reparatória (pedir


indenização);
Possibilidade de sanção administrativa e penal;

Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da


personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções
previstas em lei.

Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para


requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou
qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.

Personalidade: Qualquer parente até 4 grau.


Imagem: Cônjuge, descendente ou ascendente.

Autotutela - art. 249, CC

Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor
mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem
prejuízo da indenização cabível.

Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor,


independentemente de autorização judicial, executar ou mandar
executar o fato, sendo depois ressarcido.

PROTEÇÃO DA INTEGRIDADE FÍSICA


Proteção do corpo humano - art. 13 - 15, CC.

Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do


próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física,
ou contrariar os bons costumes.

Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para


fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial.

Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição


gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.

Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente


revogado a qualquer tempo.

Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de


vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

Diminuir a integridade física ou contrariar os bons costumes - CC não permite.


ADIN 4275 - DF - Transexual pode ir diretamente no cartório e pedir para alterar o nome e
gênero, sem necessidade de autorização judicial. - se mudar de ideia precisa fazer uma
retificação feita somente com autorização judicial.

Violação da integridade física - caracteriza a violação independente se a sequela for


temporária ou definitiva.

PROTEÇÃO DO CORPO MORTO

É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição GRATUITA do próprio


corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. O ato de disposição pode ser revogado a
qualquer tempo enquanto viva.

O CC não regulamenta transplantes, está regulamentada em lei.

Art. 4o A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de


pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica,
dependerá da autorização do cônjuge ou parente, maior de idade,
obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau
inclusive, firmada em documento subscrito por duas testemunhas
presentes à verificação da morte. - Mesmo que a pessoa tenha
declarado que não gostaria de doar, a família pode autorizar.

A CREMAÇÃO de cadáver somente será feita daquele que houver manifestado a vontade
de ser incinerado ou no interesse da saúde pública e se o atestado de óbito houver
sido firmado por 2 (dois) médicos ou por 1 (um) médico legista e, no caso de morte
violenta, depois de autorizada pela autoridade judiciária. Art. 77 da Lei de Registros
Públicos.
TESTAMENTO VITAL - direito à morte digna - não são obrigadas a se submeter a
tratamento médico e intervenção cirúrgica.

LIVRE CONSENTIMENTO INFORMADO - autonomia do paciente - Art. 15. Ninguém


pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a
intervenção cirúrgica. - não é absoluto - Lei 10216/01 - internação compulsória.

Testemunhas de Jeová - maiores e capazes podem recusar transfusão de sangue -


analogia ao testamento vital.

NOME

Lei de Registros Públicos


O titular pode mudar o prenome - no 1º ano após a maioridade civil - sem precisar
motivar - prazo decadencial. Pode mudar o sobrenome - motivando - sem prejudicar
os apelidos de família.

Art. 19. O pseudônimo (heterônimo) adotado para atividades lícitas


goza da proteção que se dá ao nome. - para atividades profissionais - não
integra o nome, mas tem a mesma proteção.

Art. 57. A alteração posterior de sobrenomes poderá ser requerida


pessoalmente perante o oficial de registro civil, com a apresentação de
certidões e de documentos necessários, e será averbada nos assentos de
nascimento e casamento, independentemente de autorização judicial, a fim
de: (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

I - inclusão de sobrenomes familiares; (Incluído pela Lei nº 14.382,


de 2022)

II - inclusão ou exclusão de sobrenome do cônjuge, na constância do


casamento; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)

III - exclusão de sobrenome do ex-cônjuge, após a dissolução da


sociedade conjugal, por qualquer de suas causas; (Incluído pela Lei nº
14.382, de 2022)

IV - inclusão e exclusão de sobrenomes em razão de alteração das


relações de filiação, inclusive para os descendentes, cônjuge ou
companheiro da pessoa que teve seu estado alterado. (Incluído pela Lei
nº 14.382, de 2022)

§ 1º Poderá, também, ser averbado, nos mesmos termos, o nome


abreviado, usado como firma comercial registrada ou em qualquer atividade
profissional. (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975).

§ 2º Os conviventes em união estável devidamente registrada no


registro civil de pessoas naturais poderão requerer a inclusão de sobrenome
de seu companheiro, a qualquer tempo, bem como alterar seus sobrenomes
nas mesmas hipóteses previstas para as pessoas casadas. (Redação
dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

§ 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)


§ 3º-A O retorno ao nome de solteiro ou de solteira do companheiro
ou da companheira será realizado por meio da averbação da
extinção de união estável em seu registro. (Incluído pela Lei nº
14.382, de 2022)

§ 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

§ 5º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

§ 6º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

§ 7o Quando a alteração de nome for concedida em razão de


fundada coação ou ameaça decorrente de colaboração com a apuração de
crime, o juiz competente determinará que haja a averbação no registro de
origem de menção da existência de sentença concessiva da alteração, sem
a averbação do nome alterado, que somente poderá ser procedida mediante
determinação posterior, que levará em consideração a cessação da coação
ou ameaça que deu causa à alteração. (Incluído pela Lei nº 9.807,
de 1999)

§ 8º O enteado ou a enteada, se houver motivo justificável, poderá


requerer ao oficial de registro civil que, nos registros de nascimento e de
casamento, seja averbado o nome de família de seu padrasto ou de sua
madrasta, desde que haja expressa concordância destes, sem prejuízo de
seus sobrenomes de família.

198 e 203 - Lei de Registros Públicos - Suscitação de dúvida


Súm. 99, STJ

Art. 198. Se houver exigência a ser satisfeita, ela será indicada pelo
oficial por escrito, dentro do prazo previsto no art. 188 desta Lei e de uma só
vez, articuladamente, de forma clara e objetiva, com data, identificação e
assinatura do oficial ou preposto responsável, para que:

I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

IV - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022)

V - o interessado possa satisfazê-la; ou (Incluído pela Lei nº


14.382, de 2022)

VI - caso não se conforme ou não seja possível cumprir a


exigência, o interessado requeira que o título e a declaração de
dúvida sejam remetidos ao juízo competente para dirimi-la.
(Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)

§ 1º O procedimento da dúvida observará o seguinte:


(Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)

I - no Protocolo, o oficial anotará, à margem da prenotação, a


ocorrência da dúvida; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)
II - após certificar a prenotação e a suscitação da dúvida no
título, o oficial rubricará todas as suas folhas; (Incluído pela Lei nº
14.382, de 2022)

III - em seguida, o oficial dará ciência dos termos da dúvida ao


apresentante, fornecendo-lhe cópia da suscitação e notificando-o
para impugná-la perante o juízo competente, no prazo de 15 (quinze)
dias; e (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)

IV - certificado o cumprimento do disposto no inciso III deste


parágrafo, serão remetidos eletronicamente ao juízo competente as
razões da dúvida e o título. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)

§ 2º A inobservância do disposto neste artigo ensejará a


aplicação das penas previstas no art. 32 da Lei nº 8.935, de 18 de
novembro de 1994, nos termos estabelecidos pela Corregedoria
Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça. (Incluído pela
Lei nº 14.382, de 2022)

Art. 203 - Transitada em julgado a decisão da dúvida, proceder-se-á do


seguinte modo: (Renumerado dos arts. 203 e 204 com nova redação pela
Lei nº 6.216, de 1975).

I - se for julgada procedente, os documentos serão restituídos à


parte, independentemente de translado, dando-se ciência da decisão ao
oficial, para que a consigne no Protocolo e cancele a prenotação;

II - se for julgada improcedente, o interessado apresentará, de novo,


os seus documentos, com o respectivo mandado, ou certidão da sentença,
que ficarão arquivados, para que, desde logo, se proceda ao registro,
declarando o oficial o fato na coluna de anotações do Protocolo.

Súm. 99, STJ - O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo em que
oficiou como fiscal da lei, ainda que não haja recurso da parte.

Sobrenome = patronímico
Agnome - pessoas da mesma família e o mesmo nome - filho, neto, sobrinho…

HIPOCORÍSTICOS - nome que designa alguém, não só profissionalmente, mas


também pessoalmente. Ex.: xuxa, cafu, lula e pelé. - pode acrescentar ou substituir. -
Diferente de Pseudônimo - pode ser acrescentado ou pode substituir o nome.

Princípio da inalterabilidade - relativa - nome pode ser alterado em casos definidos


em lei.
DIREITO À IMAGEM

Art. 20, CC. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à


administração da justiça ou à manutenção da ordem pública (função social
da imagem - Ex.: imagem de foragidos na linha direta), a divulgação de
escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a
utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu
requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem
a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins
comerciais.

Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são


partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes
ou os descendentes. COLATERAIS NÃO.

Proteção se houver violação da honra ou se destinarem para fins comerciais. - CC


A proteção constitucional é autônoma, mas o CC estabelece que depende da violação da
honra para fins comerciais.
Direito de ser identificada.

DIREITO À VIDA PRIVADA

Intimidade - toda informação íntima é privada.


Privacidade ou segredo - nem toda informação privada e íntima.

Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento


do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar
ato contrário a esta norma. (Vide ADIN 4815)

Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da


personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas
em lei. - DIREITO À PRIVACIDADE

Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para


requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou
qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
LESADOS INDIRETOS - LEGITIMIDADE AUTÔNOMA.

Depois do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei no 13.146/2015), que alterou os arts.
3º e 4º do Código Civil, não é mais possível declarar como absolutamente incapaz o
maior de 16 anos que, em razão de enfermidade permanente, encontra-se inapto para
gerir sua pessoa e administrar seus bens de modo voluntário e consciente. A partir da
entrada em vigor da referida lei, só podem ser considerados absolutamente incapazes os
menores de 16 anos.
PESSOAS JURÍDICAS - ASSOCIAÇÕES E FUNDAÇÕES

Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito


privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder
Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o
ato constitutivo.

Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a


constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por
defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua
inscrição no registro.

ASSOCIAÇÕES: União de pessoas para fins não lucrativos. O lucro obtido com a
associação deve ser revertido para sua finalidade. Pode se aplicar a desconsideração da
personalidade jurídica. Não há entre os associados uma relação jurídica, pois eles não
assumem direitos e obrigações recíprocos, pois a relação é com a pessoa jurídica.
Taxa cobrada pela associação = fração ideal. TEMA 992 - STF - REGIME DE
REPERCUSSÃO GERAL - NINGUÉM pode ser obrigado a se manter associado ou
associar-se.

Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com
vantagens especiais.

Qualidade de associado - associado que faleceu - personalíssimo, portanto a regra geral


é que a associação é intransmissível, salvo disposição em contrário nos estatutos.

Exclusão do associado anti social - havendo justa causa - conforme quorum estabelecido
no estatuto, respeitado o devido processo legal, contraditório e ampla defesa - eficácia
horizontal dos direitos fundamentais.

Dissolvida a associação - patrimônio remanescente (como por exemplo as frações ideais)


será restituída aos associados, se ainda sim houver patrimônio remanescente será
encaminhado para outra instituição. Em nenhuma hipótese o patrimônio é dividido entre os
associados.

Compete Privativamente a Assembleia Geral - destituir os administradores ou alterar


o estatuto, nesses casos será exigido deliberação de Assembleia especialmente
convocada para esse fim

FUNDAÇÕES: Elemento essencial: patrimônio - Universalidade de bens. Destinações


patrimoniais para finalidade social, ou seja, um sujeito tem um patrimônio tão grande que
dispõe parte dele para atender uma finalidade social, atenção para não ultrapassar a
legítima, se ultrapassar será nula aquela parte que exceder a legítima. Art. 62, CC - rol
taxativo (de acordo com a lei) - finalidade fundacional é vinculante, não é possível alterar
sua finalidade, para isso é necessário que a fundação seja extinta e seja criada uma nova.
Indicação do modo de administração é facultativa, a finalidade é obrigatória. - Adquire
personalidade jurídica com o devido registro no Ofício de Registro Civil de Pessoas
Jurídicas.
Pode gerar lucro, o que não pode é dividir o lucro entre os administradores ou instituidores.
Se constitui uma fundação através de escritura pública ou testamento.
AFETAR PATRIMÔNIO = SEPARAR PATRIMÔNIO para cumprir a finalidade.

Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o


instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito
real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em
nome dela, por mandado judicial.

Patrimônio afetado for insuficiente para constituição ou manutenção da fundação -


Bens serão destinados a outra fundação que tenha finalidade igual ou semelhante, se o
instituidor não tiver disposto destino diverso.

Elaboração dos estatutos - próprio instituidor pode elaborar o estatuto (direta) ou ele
confia a outra pessoa para elaborar o estatuto (indireta) devendo essa pessoa realizar o
estatuto dentro do prazo estipulado, não havendo, o prazo será de 180 dias - se ela não
fizer: providências judiciais ou o MP elabora.

Aprovação dos estatutos: MP - se o MP não se manifesta em 45 dias, ou se faz


exigências indevidas ou se rejeita a aprovação: suprimento judicial (vara cível).

MP Federal - não fiscaliza fundações, quem fiscaliza é o MP Estadual do Estado que ela
atua.

Alteração de estatuto: Vedada a alteração da finalização. É possível realizar a alteração,


requisitos para modificação:
● Modificação seja autorizada por ⅔ dos competentes;
● Não pode contrariar a finalidade;
● Aprovação do MP - interessado deve requerer a aprovação do MP.

Prazo de 10 dias (decadencial) para minoria impugnar a alteração perante o poder


judiciário.

Extinção da fundação: Patrimônio residual - ato de instituição ou estatuto vai definir.


Havendo omissão - patrimônio residual irá para outra fundação com finalidade igual ou
semelhante indicada pelo juiz.

NEGÓCIO JURÍDICO

Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

III - forma prescrita ou não defesa em lei.

PLANOS:
existência (ser), validade (norma) e eficácia (controle);

PLANO DA EXISTÊNCIA/PRESSUPOSTOS:
agente, objeto, forma e vontade externada.

PLANO DE VALIDADE E SEUS REQUISITOS:


agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, forma prescrita
ou não defesa em lei e vontade externada livre e desembaraçada.

PLANO DA EFICÁCIA E OS FATORES DE CONTROLE: Controle dos efeitos.

Condição: Evento futuro e incerto. Pode ser resolutiva ou suspensiva.


● Resolutiva: Condição finda seus efeitos. Extintiva de eficácia - Faço a
doação até você passar.;
● Suspensiva: Deliberatória. Suspende os efeitos do ato jurídico durante
o período de tempo em que determinado evento não ocorre - Faço a
doação se você passar.

Termo: Evento futuro e inevitável;

Modo ou encargo: Contraprestação imposta em negócio gratuito; Encargo expresso sob


forma de condição - segue as regras da condição suspensiva - faço doação se prestar
serviços no hospital.

Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito
de terceiro. - NEGÓCIO INVÁLIDO, MAS EFICAZ.

** venda a non domino - negócio jurídico portador de defeito na sua origem, pois
representa a transmissão a outrem de direito do qual o alienante não é titular - negócio
existente e válido, mas ineficaz por falta de legitimação do vendedor, embora passível
de convalidação.

Art. 1.561. Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por


ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos,
produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. - NEGÓCIO
INVÁLIDO, MAS EFICAZ.

o
§ 1 Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os
seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão.

o
§ 2 Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento,
os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão.
NULO X ANULÁVEL

NULIDADES, que se refere ao negócio NULO (art. 166 do CC). - NULIDADE - ABSOLUTA
Características:

● invalidade absoluta;
● tudo o que não for anulável;
● por força de lei;
● não produz qualquer efeito jurídico;
● atinge interesse público;
● juiz reconhece de ofício e MP suscitar - NÃO PODE LAVRAR ESCRITURA;
● não admite convalidação;
● ação meramente declaratória - não produz efeitos;
● Imprescritível - toda ação declaratória é;
● cabimento: 166 - 167, CC
● pode ser arguida pelas partes, por terceiro, pelo MP ou pelo juiz “ex officio";

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:

I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;

II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;

IV - não revestir a forma prescrita em lei;

V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial


para a sua validade;

VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;

VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática,


sem cominar sanção.

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado (simulação absoluta ou


relativa), mas subsistirá o que se dissimulou (o que ficou escondido), se
válido for na substância e na forma (simulação relativa).

o
§1 Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:

I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas


daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;

II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não


verdadeira;

III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-


datados.

§ 2º Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos


contraentes do negócio jurídico simulado.
PERGUNTA: o negócio jurídico de consumo também é nulo quando celebrado por agente
absolutamente incapaz. - RESPOSTA: ERRADO - Não se trata de um negócio jurídico (cuja
manifestação de vontade é relevante), e sim um Ato-Fato Jurídico (ou Atos Reais), ou seja,
"um fato jurídico qualificado por uma vontade não relevante juridicamente em um primeiro
momento; mas que se revela relevante por seus efeitos" (Tartuce)

A venda a non domino (no caso a pessoa que não possui a propriedade do bem mas
mesmo assim o vende) não está sujeita ao prazo prescricional (REsp 1.748.504 – PE-
Julgado do STJ).

Mas qual o motivo disto? A venda é nula e, sendo assim, não está sujeita a prazo
prescricional relativo à anulação de atos por vício de consentimento (de 4 anos). Já o
terceiro de boa-fé terá, em ação de regresso, reivindicar eventuais danos.

ANULABILIDADES refere-se àqueles negócios que são ANULÁVEIS (art. 171, CC). -
ANULABILIDADE - RELATIVA. Características:

● invalidade relativa.
● Incapacidade relativa do agente e Defeito no Negócio Jurídico (erro, coação, dolo,
estado de perigo, fraude aos credores…)
● por decisão judicial;
● produz efeitos jurídicos até que sobrevenha a decisão judicial anulatória;
● interesse privado;
● não pode ser conhecida de ofício pelo juiz ou provocada pelo MP - PODE LAVRAR
ESCRITURA;
● admite convalidação pelos interessados;
● ação (des)contitutiva - ação anulatória;
● cabimento: 171,CC
● atinge interesses particulares;
● não se opera de pleno direito;
● somente pode ser arguida pelos legítimos interessados;
● a sentença é constitutiva negativa e tem efeitos “ex nunc";
● prazos decadencias para propositura da ação anulatória. Atenção à observância
dos arts. 178 (prazo de 4 anos – erro, dolo, coação, fraude contra credores, lesão e
estado de perigo) e 179 (prazo supletivo e genérico de 2 anos – quando o CC dispor
sobre anulabilidade sem estipular prazo, aplica-se o prazo de 2 anos!) - coação para
celebrar casamento - 4 anos a contar da data da sua celebração;
Manifestamente desproporcionaL - Lesão

Excessivamente Oneroso -estadO de perigO

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o


negócio jurídico:

I - por incapacidade relativa do agente;

II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo,


lesão ou fraude contra credores.
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a
anulação do negócio jurídico, contado:

I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;

II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou


lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico;

III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a


incapacidade.

Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem
estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a
contar da data da conclusão do ato.

Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os


outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem
consentido. - 2 anos contados da conclusão.

Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o


consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação
obrigatória.

Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a


outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança.

Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser


anulada pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois
anos depois de dissolvida a sociedade conjugal.

APROVEITAMENTO DA VONTADE (princípio da conservação): ratificação -


art.172, CC; redução parcial - art. 184, CC; conversão substancial - art. 170, CC - só para
nulos e só com decisão judicial;

Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito
de terceiro. - RATIFICAÇÃO.
Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um
negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade
da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz
a da obrigação principal. - REDUÇÃO PARCIAL - Nulo ou anulável - Principal atinge
a acessória - Acessória não atinge principal. Ex.: testamento.

Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro,
(vontade válida) subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor
que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. - CONVERSÃO
SUBSTANCIAL - só para nulos e com decisão judicial. Ex. Doação por contrato
particular, pode-se aproveitar como testamento particular. Cumprir requisitos:
Subjetivo: Vontade válida // Objetivo: Juiz vai transformar em outro ato jurídico.

Súm. 302, STJ - É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que


limita no tempo a internação hospitalar do segurado. - demais cláusulas são
aproveitadas.

FATO JURÍDICO
Fato jurídico: acontecimento natural ou humano capaz de criar, modificar, substituir ou extinguir
situações jurídicas concretas, tendo a potencialidade de produzir efeitos. Fato jurídico pode ser
dividido em: Fato natural ou em sentido estrito e em fato humano.

Fato Natural ou em sentido estrito: Todo acontecimento natural, determinante de efeitos na órbita
jurídica. Pode ser:
● Ordinário: Fatos esperados pelo decurso do tempo. Exemplo: maioridade.
● Extraordinário: Inesperados. Exemplo: Caso fortuito ou força maior.

Fato Humano: Depende da vontade humana para acontecer. Pode ser:


● Ilícito
● Fato jurídico em sentido amplo:
* Ato Jurídico em Estrito Senso: Há manifestação de vontade, mas os efeitos são
pré-estabelecidos pelo legislador. Exemplo: Reconhecimento de filiação.
* Ato Fato Jurídico: Independe da manifestação de vontade das partes, efeitos
encontram-se em lei.

Negócio Jurídico: Os efeitos são eleitos ou escolhidos pelos interessados que possuem, nesta
espécie de fato jurídico, autonomia privada para tanto.

BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS

CLASSIFICAÇÃO

PRINCIPAL X ACESSÓRIO

Principal: existência jurídica autônoma.

Acessório: não tem existência jurídica autônoma - acessório segue o principal.


Pertenças: 93, CC - não são pertença se são parte integrante - se destina ao uso,
serviço ou aformoseamento (embelezamento) - não integra o negócio jurídico, salvo se
estiver pactuado.
Partes integrantes: remoção tornaria o bem principal incompleto - integram o
negócio principal, salvo se estiver estipulado.

Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se
destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.

FRUTOS X PRODUTOS

Frutos: Deriva do bem principal. Ex.: frutos de árvore

Produtos: Destruição parcial ou integral do bem principal. Ex.: vaca e carne.


BENFEITORIAS X ACESSÕES

Benfeitorias: agregados ao bem principal. Podem ser classificadas em:


Voluptuárias: Recreio - deixa os olhos felizes.
Úteis: Não precisa, mas aumenta a utilidade ou uso do bem.
Necessárias: Conservar e evitar que ele se deteriore.

Acessões: 97, CC - Não tem intervenção do proprietário - não se agregam - criações


incluídas ao bem - não são benfeitorias. Ex.: Árvore que está no terreno.

Art. 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos


sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.

BENS PÚBLICOS X PARTICULARES

Públicos: PJ de Direito Público interno pertencente ao domínio particular - tudo que não for
público será particular.

Classificação dos bens públicos:


● Uso comum do povo: bem que pode ser usado de maneira comum pelo povo. Ex.:
Ruas, mares e praças - Inalienáveis, indisponíveis (afetação pública) - Podem ser
onerosos ou gratuitos.
● Uso Especial: Uso específico para determinadas atividades da adm. pública. Ex.:
Escola , DP. - Inalienáveis, indisponíveis (afetação pública).
● Bens dominicais: O que não for comum e nem especial - objeto de direito pessoal
(pessoa e pessoa) ou real (vinculado a uma coisa). Ex: imóvel financiado pela minha
casa minha vida, Caixa é dona do imóvel (bem dominical). - Bens alienáveis,
disponíveis (não afetados) - não possuem destinação. Obs.: Bem imóvel sujeito a
minha casa minha vida não pode sofrer usucapião.

Uso dos bens públicos: Pode ser de graça ou pode ser cobrada.

BENS IMÓVEIS

Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural
ou artificialmente.

Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:

I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;

II - o direito à sucessão aberta.

Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:

I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a


sua unidade, forem removidas para outro local;
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para
nele se reempregarem.

Natural: solo e tudo que se incorpora a ele de maneira natural ou artificial. Ex.: árvore,
casa.

Legal: naturalmente não é imóvel, mas por força de lei considera-se imóvel. Ex.:
direitos/ações de imóveis. Sucessão aberta, edificações removíveis, materiais separados de
um edifício provisoriamente quando vão ser colocados (conserto de porta, retira ela e
depois recoloca consertada). Obs.: Frutos que estão na árvore são considerados um bem
imóvel.

BENS MÓVEIS

Natural: bens com movimento próprio (semoventes) ou que se movimentam por remoção
alheia.

Legal: energias desde com valor econômico (netflix), direitos e ações sobre bens móveis,
direitos/ações pessoais com caráter patrimonial (ação judicial), materiais que são
empregados para construção (porta na loja de construção), material de demolição. Frutos já
retirados da árvore. Posso negociar frutos enquanto ainda estão na árvore, serão um bem
móvel por antecipação, assim como a safra.

BENS FUNGÍVEIS OU INFUNGÍVEIS

Critério de substituibilidade - só vale para bens móveis, pois bens imóveis serão sempre
infungíveis.

Podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade =


FUNGÍVEL.

BENS CONSUMÍVEIS X INCONSUMÍVEIS

Destruição imediata. Capacidade de ser consumido.

Critério de fato - Haverá destruição imediata = CONSUMÍVEL. Ex.: produto único.

Critério de direito: alienabilidade - bem destinado a venda = Consumível.


Bem de família ou inalienável = Inconsumível.

BENS DIVISÍVEIS X INDIVISÍVEIS


Alteração de substância, valor ou uso.

Redução de substância, valor ou uso = INDIVISÍVEL. Ex: Cortei ao meio, vai ter
alteração, se sim vai ter indivisível.

Força de lei: Lei impede que divida. Ex.: Lei impede divisão de terreno com menos de
125m².

Força da vontade: parte estabelecem por força de contrato. Ex.: partes estipulam que
só recebem um saco de laranja e não laranja por laranja - tornando-se um bem divisível em
indivisível.

BEM SINGULAR X COLETIVO

Singular: análise a partir da individualidade - são independentes.

Coletivos: se unem a partir de um critério - universais. Podem ser: iguais ou diferentes. Ex.:
Frota de automóveis

Universalidade de fato: 90, CC - Vários bens singulares que compõem uma coletividade.
Ex.: biblioteca.

Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares


que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária.

Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser


objeto de relações jurídicas próprias.

Universalidade de direito: 91, CC - direito força uma coletividade. Ex.: herança,


patrimônio.

Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas,


de uma pessoa, dotadas de valor econômico.

DOMICÍLIO

Incapaz: o domicílio do seu representante ou assistente

Servidor público: lugar em que exercer suas funções;

Militar: onde servir. Atenção! Se o militar for da Marinha ou da Aeronáutica: sede do


comando a que se encontrar subordinado;
Marítimo: onde o navio estiver matriculado.

Agente Diplomático: Citado no estrangeiro alegar extraterritorialidade - Distrito Federal ou no


último ponto do território brasileiro onde o teve.

Art. 77 do Código Civil: O agente diplomático do Brasil, que, citado


no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o
seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último
ponto do território brasileiro onde o teve.

Complementando:

#O que é o domicílio necessário?

"Domicílio necessário ou legal: é o imposto pela lei, a partir de regras específicas que
constam no art. 76 do Código Civil. Deve ficar claro que o domicílio necessário não
exclui o voluntário.

AFETAÇÃO X DESAFETAÇÃO

● Fins que está sendo utilizado o bem público;


● Desafetado - Não está sendo usado para qualquer fim público - pode ocorrer
desafetação parcial;
● Independem de forma.

DIREITO REAL DE LAJE


Lei 13465/2017

● Proprietário cede a superfície de sua construção (sua laje) a fim de que 3º construa
unidade distinta e autônoma da sua;
● Alienação - Preferência do ascendente e depois descendente;
● Não implica em fração ideal do terreno;
● O titular poderá ceder a superfície de sua construção (sucessivo direito de laje) -
autorização expressa do titular da construção base e das demais lajes.

DOS ATOS JURÍDICOS LÍCITOS

Art. 185. Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos,
aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior.

DOS ATOS JURÍDICOS ILÍCITOS

Contrários ao direito.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência
ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Conduta + culpa + nexo causal + dano - Responsabilidade subjetiva.

● Abuso de direito - ato ilícito por equiparação - responsabilidade objetiva.


● Excede manifestamente os limites: econômicos, fim social, boa-fé e bons costumes.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito


que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo
seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Excludentes de responsabilidade:

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um


direito reconhecido; - Autotutela do direito.

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a


pessoa, a fim de remover perigo iminente.

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente


quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não
excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo.

OBSERVAÇÕES!!

a) Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

b) Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão
quando a lei expressamente a exigir.

c) Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas


consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.

d) Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente
incapaz;

REGRAS DE INTERPRETAÇÃO

Regra principal: boa fé objetiva - art 113, CC

Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-


fé e os usos do lugar de sua celebração.

§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que:


(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração
do negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao


tipo de negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

III - corresponder à boa-fé; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se


identificável; - Ex.: contrato de adesão e contrato de consumo - e
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a


questão discutida, inferida das demais disposições do negócio e da
racionalidade econômica das partes, consideradas as informações
disponíveis no momento de sua celebração. (Incluído pela Lei nº 13.874, de
2019)

§ 2º As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de


preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas
daquelas previstas em lei. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)

REGRAS ACESSÓRIAS COMBINANTES:


Negócios formais (e negócios imobiliários)
Negócios com reserva mental
Negócios celebrados pelo silêncio
Manifestação de vontade no negócios
Interpretação restritiva de negócios
Interpretação do autocontrato (contrato consigo mesmo).

Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz;

II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser
invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos co-interessados
capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da
obrigação comum.

Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio


jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele
estiver subordinado.

Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma


especial, senão quando a lei expressamente a exigir. - Negócios formais
solenes - só se precisa cumprir a forma quando tem a exigência de lei
ou das partes no contrato - forma íntegra substância do ato - negócio
nulo se a forma não cumprida.

Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial


à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência,
modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a
trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. - função social do
contrato.

Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem
instrumento público, este é da substância do ato.

Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja
feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o
destinatário tinha conhecimento. - negócios com reserva mental: uma das
partes não vai cumprir - não sei se o outro tem reserva mental: se ele
não cumprir se resolve em perdas e danos - se eu sei que a outra parte
não vai cumprir: gera nulidade do negócio.

Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os


usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.
- negócios celebrados pelo silêncio.

Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas


consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. - manifestação de
vontade nos negócios.

Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia (também a fiança,


o aval e os negócios sancionatórios) interpretam-se estritamente. -
Interpretação restritiva de negócios.

Súm. 214, STJ - O fiador na locação não responde por obrigações


resultantes de aditamento ao qual não anuiu.

Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o


negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de
outrem, celebrar consigo mesmo. - Interpretação do autocontrato
(contrato consigo mesmo).

Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo


representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes
houverem sido subestabelecidos.

Súm. 60, STJ - É nula a obrigação cambial assumida por procurador do


mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse deste.

DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS - VÍCIOS DE CONSENTIMENTO

ERRO OU IGNORÂNCIA: Arts. 138 a 144 do CC. Falsa ou falta de percepção (causa
determinante da declaração de vontade). o agente se engana sozinho, não atuação da
outra parte ou de terceiros. Erro precisa ser: substancial/principal/essencial/direto e real
(deve causar prejuízo para o contratante), ou seja, o agente só manifestou a vontade pq
ocorreu o erro - torna o negócio anulável.
Erro acidental: De qualquer modo o agente declararia vontade, ainda que de outra maneira -
não torna o negócio anulável.
Ausência de escusabilidade (princípio da confiança) - ausência de conhecimento - boa-fé
objetiva.
Erro de cálculo - não torna anulável o negócio - gera retificação.
Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de
vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por
pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.

Enunciado 12, Jornada Direito Civil - Na sistemática do art. 138, é


irrelevante ser ou não escusável o erro, porque o dispositivo adota o
princípio da confiança.

Art. 139. O erro é substancial quando:

I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou


a alguma das qualidades a ele essenciais;

II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se


refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo
relevante;

III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o


motivo único ou principal do negócio jurídico. - desconhecimento da lei
pode caracterizar erro de direito quando esse for o único ou principal
motivo para realização do negócio - podendo tornar o negócio anulável
- Ex.: pessoa compra um imóvel pensando em construir, mas por conta
de lei municipal não pode realizar a construção, negócio pode ser
anulado, pois ela só comprou porque achava que podia construir.

Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando


expresso como razão determinante. - Nesse caso caracteriza erro.
DOLO: Arts. 145 a 150 do CC. Induzido a erro - erro provocado. Dolo deve ser:
Substancial - causa determinante;
Real - dele deve recorrer prejuízo;

Dolo bonus/acidental: não gera anulável, mas geram perdas e danos.

COAÇÃO: Art. 151 a 155 do CC. Fundado temor de dano iminente e considerável à sua
pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Tratando-se de pessoa não pertencente à família
do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias.

ESTADO DE PERIGO: Art. 156 do CC. Alguém, premido pela necessidade de salvar-se,
ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação
excessivamente onerosa. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o
juiz decidirá segundo as circunstâncias.

LESÃO: Art. 157 do CC. Sob necessidade, inexperiência, se obriga a prestação


desproporcional ao valor da prestação. Anulável.

FRAUDE CONTRA CREDORES: Arts. 158 a 165 do CC.

PRESCRIÇÃO X DECADÊNCIA
DECADÊNCIA: Perda efetiva do direito. Art. 207 e seguintes do CC.

PRESCRIÇÃO: Direito material continua existindo, o que se extingue é o


direito à ação, ou seja, à pretensão. Art. 189 e seguintes do CC.

PRAZOS:

10 anos (A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor)

Única hipótese que prescreve em 2 anos: Prestações alimentares (§ 2º, art. 206)

Única hipótese que prescreve em 4 anos: Tutela (§ 4º, art. 206)

Hipóteses que prescrevem em 1 ano: Hospedeiros, segurado contra o segurador, tabeliães,


auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, credores não pagos (§ 1º, art.
206)

Hipóteses que prescrevem em 5 anos: Cobrança de dívidas, profissionais liberais,


procuradores judiciais, curadores e professores, vencedor para haver do vencido (§ 5º, art.
206)

Por EXCLUSÃO todas as outras hipóteses prescrevem em 3 anos.

MACETE:

10 ANOS - NORMA GERAL (silêncio da lei)/RESP. CONTRATUAL (inadimplemento. Ex.: TV,


TELEFONE)

1 ANO- HOSPEDAGEM/ALIMENTAÇÃO, EMOLUMENTOS

2 ANOS- ALIMENTOS( único caso)

3 ANOS- "DINHEIRO" (aluguel, reparação/RESP. EXTRACONTRATUAL, enriquecimento


s/causa, seguro obrigatório)

4 ANOS- TUTELA( único caso)

5 ANOS - COBRANÇA, HONORÁRIOS (PROF. LIB.), SUCUMBÊNCIA

RESPONSABILIDADE CIVIL

Responsabilidade civil é diferente de ato ilícito.

Ato ilícito: Elementos: Conduta comissiva ou omissiva, culpa, violação da


norma jurídica e dano.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito. - SUBJETIVO

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao


exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. - OBJETIVO -
ATO ILÍCITO QUE INDEPENDE DE CULPA - ABUSO DO DIREITO.

Jornada 37: “A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito


independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico”.

EFEITOS DA ILICITUDE

Nem todo ato ilícito gera responsabilidade civil (reparar danos).


Nem toda responsabilidade civil surge de um ato ilícito.

Alguns efeitos: Efeito depende do caso concreto. É possível que tenha mais de um efeito
simultaneamente.

Indenização: Quando o dano causado pelo ilícito é indenizável.


Caducidade/decadência: Ilícito que gera a perda da possibilidade de um direito. Ex.: pais
no exercício do poder familiar podem aplicar aos filhos castigos moderados, caso o castigo
seja imoderado o pai pode ser destituído do poder familiar.
Invalidade: Nulidade de um ato praticado quando determinado ato é nulo ou anulado. Art.
166, CC.
Autorização: Prática de um ato ilícito gera a autorização para que alguém pratique outro
ato. Ex.: Revogação da doação por ingratidão do donatário, 557, CC (prazo decadencial de
1 ano) - gera autorização para o doador revogar a doação.

EXCLUDENTES DE ILICITUDE

Art.188, CC

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa (legítima defesa putativa


não exclui a ilicitude civil) ou no exercício regular de um direito
reconhecido;

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a


pessoa, a fim de remover perigo iminente. - ESTADO DE
NECESSIDADE

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo


somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente
necessário, não excedendo os limites do indispensável para a
remoção do perigo.

Existem situações em que o ato será lícito, mas gerará responsabilidade civil -
SOMENTE NA HIPÓTESE DE ESTADO DE NECESSIDADE
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art.
188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo
que sofreram. - Se o ato prático em estado de necessidade gerou uma ofensa ao
próprio causador do perigo o ato será LÍCITO, contudo se o bem sacrificado
pertencia a um terceiro, o ato permanece sendo lícito, mas haverá responsabilidade
civil, devendo indenizar o terceiro.

Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de
terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância
que tiver ressarcido ao lesado.
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de
quem se causou o dano (art. 188, inciso I).

RESPONSABILIDADE OBJETIVA

Preocupação da responsabilidade civil: prevenir e reparar danos.


Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa (do agente), nos casos especificados
em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor
do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
- OBJETIVA - É POSSÍVEL DISCUTIR CULPA DA VÍTIMA

Se não está previsto em lei a responsabilidade é subjetiva - vítima prova a culpa do agente.

Hipóteses de responsabilidade previstas em lei se baseiam no risco: Risco integral e Risco


não integral

Risco não integral: risco proveito, risco criado, risco da atividade exercida - não está na lei.

Risco integral: Não haverá exclusão pelo caso fortuito ou força maior. Ex.: culpa exclusiva
da vítima.

Se for possível excluir a responsabilidade por caso fortuito ou força maior o risco é
não integral

Art. 1.218. O possuidor de má-fé responde pela perda, ou


deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual
modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante.

COM RISCO INTEGRAL


● Dano ambiental;
● Dano nuclear;
● Perda ou deterioração de coisa pelo possuidor de má-fé;
● Responsabilidade do comodatário em mora - aquele que deveria ter devolvido e não
o fez.

SEM RISCO INTEGRAL


● Dano ao consumidor;
● Dano causado pelo administração pública - responsabilidade civil do Estado,
abrange também as PJ de Direito Privado prestadoras de Serviço público;
● Responsabilidade do transportador - cláusula excluindo responsabilidade do
transportador é nula;
● Riscos do desenvolvimento.

Fortuito interno não elimina o dever de indenizar. Ex.: Responsabilidade do transportador.


Sum. 479, STJ.
Súm. 479, STJ - As instituições financeiras respondem
objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e
delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os


empresários individuais e as empresas respondem independentemente de
culpa pelos danos causados pelos produtos (ou serviços) postos em
circulação.

Obs.: Juiz de ofício (depois da intimação das partes) ou por requerimento pode tornar
objetiva uma responsabilidade que seria subjetiva, quando a atividade for habitual e de
risco. Ex.: acidente de trabalho.
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.

Súmula 246, STJ: “O valor do seguro obrigatório deve ser deduzido da


indenização judicialmente fixada.”

NOVOS DANOS INDENIZÁVEIS

Dano moral e dano material (patrimonial), historicamente foram as únicas hipóteses de


danos indenizáveis.

Dano material: Danos emergentes: perda daquilo que já se tinha - restituição integral
Lucros cessantes: perda daquilo que se viria a ter - razoabilidade

Dano moral: Dano moral:


Dano imagem:
Dano estético:

Sum. 387, STJ - É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.

Juiz precisa especificar os valores de cada pedido, não é permitido valor genérico.

Perda de uma chance: subtração de uma efetiva oportunidade.

Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras


reparações:

I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral


e o luto da família;

II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia,


levando-se em conta a duração provável da vida da vítima.
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o
ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da
convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.

Responsabilidade contratual (negocial) e extracontratual (aquiliana):

Se o bem jurídico violado é um dever originalmente imposto por lei - responsabilidade


extracontratual - culpa precisa ser provada.

Viola um dever que foi espontaneamente assumido - responsabilidade contratual -


presunção de culpa.

Não há mais distinção entre responsabilidade contratual e extracontratual para imputação


dos incapazes - art. 928, CC.

Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas


por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo (quando for uma
obrigação personalíssima; Ex.: medida sócio educativa do ECA) ou não
dispuserem de meios suficientes. - Responsabilidade do incapaz é
subsidiária

Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá


ser eqüitativa (juiz fixará por equidade e não pela extensão do dano),
não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que
dele dependem (condicionada).

Prazo prescricional

Responsabilidade contratual: 10 anos


Responsabilidade extracontratual: 3 anos

RESPONSABILIDADE CIVIL DO PROPRIETÁRIO

Responsabilidade decorrente da propriedade de bens - Responsabilidade subjetiva.

Prova diabólica - casos que é muito difícil demonstrar a culpa - Imputação da culpa ao
proprietário - nesses casos o proprietário responde de forma objetiva (exceção) -
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA COISA (objetiva). 3 hipóteses:
● Animal - art. 936, CC
● Responsabilidade do proprietário pela ruína de prédio - art. 937, CC
● Coisa caída ou objeto lançado ou effusio et dejectis - responsabilidade do habitador
do prédio - com risco integral. Ex. Vaso de flores caiu. - Se não for possível
identificar a unidade responsável pela queda o condomínio responde, tendo direito
de regresso.
Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este
causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. - pode-se
responsabilizar quem tinha o poder de comando na hora - responsabilidade
objetiva sem risco integral (caso fortuito ou força maior excluem a
responsabilidade).

Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que


resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja
necessidade fosse manifesta. - Ruína = Defeito na estrutura física do imóvel
- proprietário tem direito de regresso contra o construtor (construtor responde
objetivamente por 5 anos, passado o prazo responde subjetivamente, 618,
cc)

Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras


construções consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução
responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e
segurança do trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo.

Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o


dono da obra que não propuser a ação contra o empreiteiro, nos
cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito.

Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar
indevido. - com risco integral.

Súm. 492, STF - A EMPRESA LOCADORA DE VEÍCULOS RESPONDE, CIVIL E


SOLIDARIAMENTE COM O LOCATÁRIO, PELOS DANOS POR ESTE CAUSADOS A
TERCEIRO, NO USO DO CARRO LOCADO. - Mesma lógica é aplicável no comodato veicular.

TRANSMISSÃO DO DIREITO À REPARAÇÃO

Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança. - Se
não houve prescrição - O espólio pode requerer indenização que em vida o falecido deveria ter
requerido.

Art. 1.792. O herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança; incumbe-lhe,
porém, a prova do excesso, salvo se houver inventário que a escuse, demostrando o valor dos bens
herdados.

REDUÇÃO EQUITATIVA DA INDENIZAÇÃO

Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.

Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a


gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente,
a indenização; (O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos
em lei. Art. 140, CPC) - Dano é extenso, mas a culpa é leve, juiz
pode reduzir, equitativamente, a indenização - pode fazer de ofício.
Art. 413. A penalidade (multa contratual) deve ser reduzida
eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida
em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente
excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.

RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DE TERCEIRO


Dever de cuidado.
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: - ROL
TAXATIVO

I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua


autoridade e em sua companhia;

II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se


acharem nas mesmas condições;

III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais


e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão
dele;

IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos


onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos
seus hóspedes, moradores e educandos;

V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do


crime, até a concorrente quantia.

Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo


antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão
pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. -
Responsabilidade objetiva,

Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode
reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do
dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. - Direito de
regresso, exceto pai com relação aos filhos (base no exercício do poder
familiar). - Pontes de Mirando: abatimento do valor que os pais responderam
na herança do filho que causou o prejuízo - tese não vingou - seria um
regresso pela via indireta.

12.5 ok

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