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Forames e Fissuras do Crânio

[1] O documento discute os forames e fissuras localizados nos ossos do crânio, que permitem a passagem de estruturas como nervos e vasos sanguíneos. [2] As principais fossas do crânio são descritas, assim como os principais forames e fissuras encontrados em cada uma delas. [3] Estratégias de aprendizagem para estudar esses conceitos anatomia são apresentadas.
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Forames e Fissuras do Crânio

[1] O documento discute os forames e fissuras localizados nos ossos do crânio, que permitem a passagem de estruturas como nervos e vasos sanguíneos. [2] As principais fossas do crânio são descritas, assim como os principais forames e fissuras encontrados em cada uma delas. [3] Estratégias de aprendizagem para estudar esses conceitos anatomia são apresentadas.
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Forames e fissuras do crânio

Autor: Dr. Rafael Lourenço do Carmo • Revisor: Dra. Rafaela Linhares


Última revisão: 07 de Novembro de 2023
Tempo de leitura: 18 minutos

Videoaula recomendada: Ossos do crânio [12:20]


Principais ossos da cabeça.
Forame cego do osso frontal
Foramen caecum
1/13
Sinônimos: Buraco cego do osso frontal

Nesse artigo vamos discutir os forames e fissuras localizados nos ossos do crânio. O
termo forame faz referência a um orifício que permite a passagem de várias estruturas,
como, por exemplo, nervos ou vasos.

O número de forames e fissuras localizados na base do crânio pode ser assustador!


Entretanto, compreender esses forames e quais estruturas passam por eles pode tornar sua
aprendizagem muito mais interessante.

Informações importantes sobre os forames e fissuras do crânio

Teste da tabela

Forame cego Veias emissárias

Forames olfatórios Nervo olfatório


Canal óptico Nervo óptico (NC II)
Bainha dural do nervo óptico
Artéria oftálmica

Fissura orbital superior Nervo oculomotor (NC III)


Nervo troclear (NC IV)
Divisão oftálmica do nervo trigêmeo (NC V1)
Nervo abducente (NC VI)
Veias oftálmicas

Forame redondo Divisão maxilar do nervo trigêmeo (NC V2)

Forame oval Divisão mandibular do nervo trigêmeo (NC V3)


Ramo meníngeo acessório da artéria maxilar
Veia emissária
Nervo petroso menor

Forame espinhoso Artéria meníngea média

Forame lacerado Nervo petroso maior

Canal carotídeo Artéria carótida interna

Meato acústico interno Nervo facial (NC VII)


Nervo vestibulococlear (NC VIII)

Forame jugular Nervo glossofaríngeo (NC IX)


Nervo vago (NC X)
Parte descendente do nervo acessório (NC XI)
Veia jugular interna

Artéria meníngeas ramos da artéria

Canal do hipoglosso Nervo hipoglosso (NC XII)

Forame magno Tronco encefálico/medula espinal


Artérias vertebrais
Parte ascendente do nervo acessório (NC XI)

Para compreender a discussão desse artigo é importante estar


familiarizado com os ossos do crânio. Para facilitar seus estudos
sobre esse assunto, assista à videoaula abaixo:

Definições e terminologia

O termo forame vem da palavra em latim para “orifício”. Essencialmente, todos os


forames do crânio são orifícios. Eles são vias de passagem através dos ossos cranianos
que permitem que diferentes estruturas dos sistemas nervoso e circulatório entrem ou
saiam do crânio.

Em português brasileiro, o termo definido pela terminologia anatômica é “forame”. Em


português europeu, entretanto, o termo preferido é “buraco”. Ao longo deste artigo nós
utilizamos a versão brasileira, mas nos nossos testes o termo “buraco” também é aceito
como resposta correta.
Visão geral dos forames e fissuras do crânio

As fissuras do crânio são muito semelhantes aos forames, ou seja, também são
passagens pelos ossos. Elas são chamadas de fissuras simplesmente porque são orifícios
com um formato diferente, possuindo um aspecto semelhante a uma fenda. Além disso,
elas tipicamente estão localizadas entre duas estruturas anatômicas distintas. Por
exemplo, a fissura orbital superior se encontra entre as asas maior e menor do
osso esfenoide. Para visualizar a diferença entre os forames e as fissuras você pode
comparar o formato do forame oval com o da fissura orbital superior. O forame oval é
menor e arredondado, enquanto a fissura orbital superior é alongada e estreita.

Além de forames e fissuras, estruturas contendo os termos canal, hiato ou meato nos
seus nomes também são orifícios no crânio.
Agora é hora de lapidar seus conhecimentos sobre a anatomia do crânio. Experimente
nossa apostila de testes sobre os ossos cranianos!

Estratégias de aprendizagem

Quando se estuda os forames e fissuras do crânio, ou qualquer outro assunto em


anatomia, é melhor dividir as estruturas em grupos. Uma forma de fazer isso é aprender
os forames e as fissuras de acordo com os ossos do crânio onde são encontrados. Uma
outra forma é aproveitar a divisão que já existe da base do crânio em três diferentes
depressões conhecidas como fossas (fossa anterior, fossa média e fossa posterior), e
utilizá-la para organizar os forames e fissuras cranianos. Nós vamos usar essa segunda
estratégia ao longo deste artigo.

Além disso, muitos dos forames e fissuras do crânio servem como passagem para
os nervos cranianos, então pode ser útil começar estudando a parte anterior do crânio e
seguir posteriormente, de forma a seguir a ordem de numeração dos pares cranianos de
uma maneira lógica e intuitiva.

Revisão dos ossos e das fossas do crânio

Antes de começarmos nossa discussão sobre os forames e fissuras, vamos rever


brevemente os ossos e fossas que formam a base do crânio. A fossa craniana anterior é
formada por partes dos ossos frontal, etmoide e esfenoide. A fossa craniana média é
formada por partes dos ossos esfenoide, temporal e parietal. A fossa craniana
posterior consiste principalmente em partes dos ossos temporal e occipital, e por partes
menores dos ossos esfenoide e parietal.
Fossas cranianas (vista superior)
Se você ainda precisa de uma revisão mais detalhada, confira nossa unidade de estudos
e nosso teste personalizado sobre os ossos do crânio.

Ossos do crânioExplore unidade de estudo

Teste personalizado: Ossos do crânioComeçar o teste

Forames e fissuras da fossa craniana anterior


Há apenas dois forames que devem ser mencionados na fossa anterior do crânio, mas
um deles é, na verdade, um grupo de forames que está relacionado ao primeiro par
craniano.

 Forame cego: é o mais anterior dos orifícios da base do crânio. Encontra-se


no osso frontal, anterior ao osso etmoide. Permite a passagem de uma veia
emissária que vem da cavidade nasal e drena para o seio sagital superior, que é
parte do sistema de drenagem venosa do encéfalo. Veias emissárias são veias
que drenam sangue de fora da cavidade craniana (nesse caso, da cavidade nasal)
para dentro do crânio, através de forames. Um ponto interessante sobre essa veia
emissária em particular é que ela pode ser uma rota para disseminação de
infecções do nariz para o interior do crânio.

Forames da fossa craniana anterior (vista superior)

 Forames olfatórios da placa cribiforme: esses orifícios são uma parte importante
do trajeto do primeiro nervo craniano (CN I), o nervo olfatório. Terminações
nervosas no teto das cavidades nasais, responsáveis pelo sentido do olfato,
passam através destes orifícios na placa cribriforme do osso etmoide. Essas
terminações nervosas então se unem dentro da cavidade craniana, acima da placa
cribriforme, para formar o bulbo olfatório, e em seguida o trato olfatório, que
conduz informações sobre o olfato para o cérebro.
Nervo olfatório
Nervus olfactorius
1/3
Sinônimos: Nervo olfativo, Nervo craniano I, mostrar mais...
Forames e fissuras da fossa craniana média

De todas as três fossas do crânio, a fossa média é a que contém maior número de
orifícios. Eles estão listados abaixo:

 Canal óptico: localizado na asa menor do esfenoide, logo anterior e medial ao


processo clinoide anterior desse mesmo osso. O canal óptico é uma via de
passagem entre o crânio e a órbita para duas estruturas muito importantes:
a artéria oftálmica, que irriga a retina, e o segundo nervo craniano (NC II),
o nervo óptico, junto com sua bainha de revestimento dural. O nervo óptico
conduz informações visuais do olho para serem interpretadas no cérebro.
Fissura orbital superior e forame oval (vista superior)

 Fissura orbital superior: essa fenda na fossa craniana média, que se encontra
imediatamente posterior e lateral ao canal óptico, pode ser melhor visualizada se
observada de uma perspectiva anterior, já que situa-se na parte posterior
da cavidade orbitária. Como mencionado anteriormente, as fissuras geralmente
estão localizadas entre duas estruturas anatômicas, e, nesse caso, a fissura orbital
superior está localizada entre as asas maior e menor do esfenoide. Superiormente
à fissura pode-se observar o canal óptico, mencionado anteriormente.
Importantes estruturas passam pela fissura orbital superior, cursando entre o
crânio e a órbita. O nervo oculomotor (NC III) inerva quatro dos seis músculos
que movimentam o globo ocular. O nervo troclear (NC IV) e o nervo
abducente (NC VI) inervam os outros dois músculos envolvidos na
movimentação do olho. A divisão oftálmica do nervo trigêmeo (NC V1) também
cursa pela fissura orbital superior, conduzindo informações sensitivas da fronte e
das partes da face próximas aos olhos para o encéfalo. As últimas estruturas que
passam por essa fissura são as veias oftálmicas.
Ramo inferior do nervo oculomotor
Ramus inferior nervi oculomotorii
1/6
Sinônimos: Ramo inferior do nervo craniano III, Ramo inferior do NC III, mostrar mais...

 Forame redondo: esse pequeno orifício está localizado na base do crânio,


posteriormente ao canal óptico e à fissura orbital superior. Ele permite a
passagem da divisão maxilar do nervo trigêmeo (NC V2), também conhecida
como nervo maxilar, que entra no crânio levando informação sensitiva da pele
que recobre a maxila (ou seja, da região abaixo dos olhos até o lábio superior).
 Forame oval: este orifício com formato oval se encontra posterior e lateralmente
ao forame redondo. O forame oval constitui a via de passagem para a última
divisão do nervo trigêmeo, conhecida como nervo mandibular (NC V3),
ou divisão mandibular do nervo trigêmeo. O nervo mandibular entra no crânio
pelo forame oval, trazendo informações sensitivas da face e da pele que recobre
a mandíbula. Pelo forame ainda passam, às vezes, o nervo petroso menor (um
ramo do nervo glossofaríngeo, que é o nono par craniano e inerva a glândula
parótida), além de uma veia emissária e o ramo acessório meníngeo da artéria
maxilar.
Forames da fossa craniana média (vista superior)

 Forame espinhoso: este forame é o menor e mais lateral dentre os orifícios


encontrados na fossa craniana média, e encontra-se posterior e lateralmente ao
forame oval. Ele permite que a artéria meníngea média entre no crânio. A artéria
meníngea média (um ramo da artéria maxilar, que por sua vez é ramo da artéria
carótida externa) irriga a dura-máter, que é uma membrana meníngea que
reveste o encéfalo.

 Forame lacerado: também conhecido pelo seu nome em latim (forame lacerum),
está localizado posterior e medialmente ao forame oval, e pode ser preenchido
por cartilagem. Ainda assim, permite a passagem do nervo petroso maior, um
ramo do nervo facial, que é o sétimo par craniano. Fornece ainda inervação para
glândulas localizadas acima do nível da boca, como por exemplo a glândula
lacrimal, próxima aos olhos, que está relacionada à produção das lágrimas.

 Canal carotídeo: situa-se imediatamente posterior e lateral ao forame lacerado.


Esse orifício permite a entrada, no crânio, da artéria carótida interna, um dos
vasos mais importantes na irrigação do cérebro. Ramos da artéria carótida
interna também irrigam o olho, as demais estruturas da cavidade orbitária e a
fronte.
Forames e fissuras da fossa craniana posterior

Na fossa posterior do crânio há quatro orifícios importantes. Eles serão listados abaixo
respeitando-se a ordem numérica dos pares cranianos que entram e/ou saem do crânio
através das suas aberturas. Entretanto, é importante estar atento também à localização de
cada forame e fissura em relação ao forame magno, o maior de todos os orifícios do
crânio.

 Meato acústico interno (meato = passagem): excetuando-se o forame magno,


este é o mais anterior dos orifícios da fossa craniana posterior. Ele constitui uma
das extremidades de uma estrutura que abriga nosso aparato de audição e
equilíbrio. A outra extremidade dessa estrutura é formada pelo meato acústico
externo, que, na verdade, é a abertura da nossa orelha! Há dois nervos cranianos
que entram no crânio através do meato acústico interno: o nervo facial (NC VII)
e o nervo vestibulococlear (NC VIII). O nervo facial possui uma ampla gama de
funções, incluindo a inervação dos músculos da expressão facial, a condução de
impulsos sensitivos especiais relacionados ao paladar, originados na língua,
dentre outras. O nervo vestibulococlear conduz informações sensitivas
provenientes da cóclea (parte do nosso aparelho auditivo) e do sistema
vestibular, ambos localizados nas orelhas.
Nervo facial
Nervus facialis
1/2
Sinônimos: Nervo craniano VII, NC VII, mostrar mais...

 Forame jugular: o forame jugular também é fácil de encontrar, já que seu


formato, na verdade, é mais parecido com uma fissura do que com os orifícios
mais arredondados que são encontrados na fossa posterior. Pelo forame jugular
passam os nervos glossofaríngeo (NC IX), vago (NC X) e acessório (NC XI). A
função do nervo glossofaríngeo, como seu próprio nome sugere, é inervar as
estruturas da língua (“glossa” é o termo grego para língua) e da faringe. O nervo
vago, nomeado por causa de seu trajeto vago e tortuoso, inerva muitos órgãos na
cavidade abdominal. O nervo acessório (algumas vezes chamado de nervo
espinal acessório) é um nervo craniano diferente, já que tem origem nos
segmentos superiores da parte cervical da medula espinal. Ele então sobe, entra
no crânio através do forame magno, e em seguida sai novamente através do
forame jugular para inervar dois músculos no pescoço,
o esternocleidomastóideo e o trapézio. Por fim, a veia jugular interna, que drena
parte do sangue da cabeça e do pescoço, também sai do crânio através do forame
jugular, cursando inferiormente até terminar na veia braquiocefálica, que por sua
vez drena para a veia cava superior em direção ao coração.

Forames da fossa craniana posterior (vista superior)

 Canal do hipoglosso: esse orifício é o mais próximo do forame magno. Ele


permite a passagem do décimo segundo par craniano, o nervo hipoglosso. Assim
como o glossofaríngeo, o nervo hipoglosso está associado à língua, e fornece
inervação para quase todos os seus músculos.
 Forame magno: é impossível não encontrar esse forame! O nome em latim
significa “grande orifício”, e ele precisa ser relativamente grande, para permitir a
passagem da extremidade inferior do tronco encefálico e da parte superior da
medula espinal. O forame magno também permite que as artérias
vertebrais entrem no crânio. Essas artérias cursam superiormente de cada lado
da coluna vertebral para entrar no crânio e fornecerem outra importante fonte de
irrigação sanguínea para o encéfalo.
Experimente nosso teste para avaliar seus conhecimentos sobre os forames e fissuras do
crânio:
Estruturas vistas a partir da visão superior da base do crânio (27 estruturas).
COMEÇAR O TESTE

84
Questões básicas sobre identificação de estruturas

27
Questões avançadas sobre identificação de estruturas

60
Questões de prova (Banco de questões)

Nota clínica

Síndrome do forame jugular

A síndrome do forame jugular, também conhecida como síndrome de Vernet, é um


distúrbio que envolve a paralisia dos nervos glossofaríngeo, vago e acessório (nervos
cranianos IX a XI), bem como, algumas vezes, do nervo hipoglosso (NC XII).

A síndrome é causada, mais frequentemente, pela compressão dos nervos mencionados


acima por alguma massa no forame jugular (por exemplo, uma lesão que se origina ou se
estende até a fossa jugular). Alguns exemplos incluem os paragangliomas (tumores
glômicos jugulares), meningiomas, schwannomas e/ou lesões inflamatórias.

Os sintomas da síndrome do forame jugular incluem:

 roquidão (disfonia)
 disfagia (dificuldade na deglutição)
 perda do reflexo do vômito
 paralisia dos músculos esternocleidomastóideo e trapézio
 redução da atividade da glândula parótida
 queda do palato mole
Referências

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medicina e anatomia. As informações que nós fornecemos são baseadas
na literatura acadêmica e pesquisas científicas. O Kenhub não oferece
aconselhamento médico. Você pode aprender mais sobre nosso processo de
criação e revisão de conteúdo lendo nossas diretrizes de qualidade de
conteúdo.

Bibliografia:

 R. L. Drake, A. W. Vogle, A. W. M. Mitchell: Gray’s Clinical Anatomy for


Students, 3rd edition, Churchill Livingstone (2015), p. 855-865, 894-
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 M. McKinley, V. D. O’Loughlin: Human Anatomy, 3rd edition, McGraw-Hill
(2012), p. 167-168, 176-177, 179, 183, 186-187, 190-192, 195-196,
399
 K. L. Moore, A. D. Dalley II, A. M. R. Agur: Clinically Oriented ANATOMY, 7th
edition, Lippincott Williams & Wilkins (2014), p. 21, 822-833, 835.
 K. L. Moore, A. M. R. Agur, A. D. Dalley II: Moore Essential Clinical
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 F. H. Netter: Atlas of Human Anatomy, 6th edition, Saunders Elsevier
(2014), p. 4-12.

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