FUNÇÕES SINTÁTICAS
GRUPOS FRÁSICOS/CONSTITUINTES DA FRASE
No interior das frases, as palavras formam grupos que se organizam em torno de palavras
nucleares. O nome do grupo de palavras está dependente da classe a que pertence a palavra
nuclear.
Grupo nominal
tem como núcleo um nome (ou pronome)
Grupo verbal
tem como núcleo um verbo (ou complexo verbal)
Grupo adjetival
tem como núcleo um adjetivo
Grupo preposicional
tem como núcleo uma preposição
Grupo adverbial
tem como núcleo um advérbio
Exemplo:
A casa amarela foi pintada ontem de manhã.
Grupo nominal: A casa amarela
Grupo verbal: foi pintada ontem de manhã
Grupo preposicional: de manhã
Grupo adverbial: ontem
Grupo adjetival: amarela
FUNÇÕES SINTÁTICAS
As palavras estabelecem relações entre si e com o verbo, desempenhando assim diferentes
funções.
Funções sintáticas ao nível da frase
Sujeito
simples
composto
nulo subentendido
nulo indeterminado
Vocativo
Predicado
Modificador de frase
Funções sintáticas internas ao grupo verbal
Complemento direto
Complemento indireto
Complemento oblíquo
Modificador do grupo verbal
Predicativo do sujeito
(Predicativo do complemento direto)
Complemento agente da passiva
Funções sintáticas internas ao grupo nominal
Modificador do nome
restritivo
apositivo
Sujeito
O sujeito é sobre o que ou quem se declara algo.
Sujeito simples
apresenta um só grupo nominal
O João foi às compras
Eles foram às compras
Sujeito composto
apresenta dois ou mais grupos nominais
O João e a Maria foram às compras
Nem eles nem elas foram às compras
Sujeito nulo subentendido
não aparece na frase mas sabemos quem é o sujeito
Fui às compras. (quem foi às compras? – eu)
Sujeito nulo indeterminado
não aparece na frase e não sabemos quem é o sujeito
Contam-se histórias sobre ele (quem conta as histórias? – não se sabe…)
Vocativo
O vocativo é utilizado em contextos de chamamento ou interpelação do interlocutor. Aparece
separado do resto da frase por vírgulas. Pode surgir no início, no meio ou no fim da frase.
Ana, entra e está à vontade.
Entra, Ana, e está à vontade.
Entra e está à vontade, Ana.
Complemento direto
O complemento direto encontra-se dentro do predicado e responde à pergunta “o quê?” ou
“quem?”.
O Jorge viu um pássaro. (viu o quê? – um pássaro)
A Rita viu o Miguel. (viu quem? – o Miguel)
Complemento indireto
O complemento indireto também se encontra dentro do predicado e responde à pergunta “a
quem?” ou “ao quê?”.
A Cristina ligou à mãe. (ligou a quem? – à mãe)
Não dei importância ao assunto. (não dei importância ao quê? – ao assunto)
Complemento oblíquo
O complemento oblíquo é um constituinte selecionado pelo verbo, o que significa que se o
retirarmos da frase muda-se o seu sentido.
Ele mora em Lisboa. (mora onde? – em Lisboa)
Exemplos de verbos que selecionam o complemento oblíquo:
■ acabar (com) ➞ O Simão acabou com a empresa.
■ beneficiar (de) ➞ A casa beneficiou de algumas obras.
■ brindar (a) ➞ Vamos brindar ao teu novo emprego.
■ candidatar-se (a) ➞ O João candidatou-se a delegado de turma.
■ colocar (em) ➞ Ela colocou os livros na estante.
■ concordar (com) ➞ Os alunos concordaram com as notas.
■ destinar-se (a) ➞ Este avião destina-se a Londres.
■ discordar (de) ➞ Discordo da tua decisão.
■ enamorar-se (de) ➞ A Sílvia enamorou-se do vizinho.
■ encarregar-se (de) ➞ Encarrega-te das sobremesas.
■ encher-se (de) ➞ A professora encheu-se de paciência.
■ engraçar (com) ➞ As crianças engraçaram com o cão.
■ entender (de) ➞ O Ricardo entende de música.
■ enveredar (por) ➞ Ele enveredou por um curso artístico.
■ falar (de) ➞ Fala-me dos teus projetos.
■ gostar (de) ➞ Eu gosto de chocolate.
■ guardar (em) ➞ Guarda o dinheiro no cofre.
■ interessar-se (por) ➞ Eu interesso-me por pintura.
■ ir (a) ➞ Nós vamos a Coimbra amanhã.
■ ocupar-se (de) ➞ Ele ocupa-se das crianças durante a manhã.
■ olhar (por) ➞ Os avós olharam pelo neto nas férias.
■ opor-se (a) ➞ A Teresa opôs-se à mudança de casa.
■ pactuar (com) ➞ Não podemos pactuar com injustiças.
■ participar (em) ➞ Todos participaram na reunião.
■ pensar (em) ➞ Penso em ti todo o dia.
■ perceber (de) ➞ Ele percebe de computadores.
■ persistir (em) ➞ Ele persiste naquela atitude desagradável.
■ pousar (em) ➞ Pousa a chávena na mesa.
■ precisar (de) ➞ Todos precisam de atenção.
■ preparar-se (para) ➞ Os atletas preparam-se para o jogo.
■ prescindir (de) ➞ Não prescindo da tua opinião.
■ reconciliar-se (com) ➞ Ela reconciliou-se com a Joana.
■ regressar (de) ➞ A Ana regressou do Brasil.
■ render-se (a) ➞ Eu rendi-me aos teus encantos.
■ renunciar (a) ➞ Não renuncio aos meus direitos.
■ sacar (de) ➞ O polícia sacou da arma.
■ simpatizar (com) ➞ Simpatizo com os teus amigos.
■ tratar (de) ➞ Eles trataram dos papéis do casamento.
■ troçar (de) ➞ Não troces dos teus colegas.
■ vir (de) ➞ O Manuel veio do Brasil no domingo.
■ viver (de) ➞ Aquele indivíduo vive de esmolas.
Modificador do grupo verbal
O modificador do grupo verbal acrescenta uma informação opcional, ou seja, se o retirarmos
da frase o seu sentido não muda. Pode aparecer em várias posições na frase e ter diferentes
valores (tempo, lugar, modo, etc…).
Ele foi a Lisboa ontem.
Ontem, ele foi a Lisboa.
O modificador do grupo verbal distingue-se do complemento oblíquo por ser opcional na frase,
ao contrário do complemento oblíquo que é obrigatório na frase para esta manter o seu sentido.
Predicativo do sujeito
O predicativo do sujeito é selecionado por um verbo copulativo. Pode atribuir uma propriedade
ou característica ou uma localização no espaço ou no tempo.
Ela é linda.
Ele está atrás da porta.
Verbos copulativos mais frequentes: ser, estar, permanecer, ficar, continuar, parecer, continuar,
tornar-se, revelar-se…
(Predicativo do complemento direto)
O predicativo do complemento direto é selecionado por um verbo transitivo predicativo. É algo que se refere ao
complemento direto.
Acho este livro interessante. (livro » complemento direto; interessante refere-se ao livro)
Complemento agente da passiva
O complemento agente da passiva surge apenas quando a frase está na passiva e responde à
pergunta “por quem?”.
O teste foi corrigido pela professora. (foi corrigido por quem? – pela professora)
Modificador do nome
Tal como o nome indica, o modificador do nome modifica um nome (ou pronome). No entanto,
como é um constituinte não selecionado pelo nome, pode ser retirado da frase sem que esta se
torne agramatical (sem sentido).
Modificador do nome restritivo
Modificador que restringe/limita a realidade referida pelo nome que modifica. Geralmente
surge à direita do nome que restringe, que pode encontrar-se tanto no sujeito como no
predicado, e nunca está separado por vírgulas.
Vi um filme interessante. (interessante modifica o nome filme)
A casa da Joana é bonita. (da Joana modifica o nome casa)
Cão que ladra não morde. (que ladra modifica o nome cão)
Modificador do nome apositivo
Modificador que não restringe o nome, por isso está sempre separado por vírgulas.
O João, o irmão da Maria, é meu colega. (o irmão da Maria modifica o nome João)
A Inês, ansiosa, foi ver as notas. (ansiosa modifica o nome Inês)
O carro, de valor inestimável, nunca será vendido. (de valor inestimável modifica o
nome carro)
A Joana, que é a minha melhor amiga, vai-me ajudar. (que é a minha melhor
amiga modifica o nome Joana)
Modificador de frase
Função sintática desempenhada por elementos da frase não exigidos por nenhum dos seus
constituintes. Por esta razão, o modificador de frase pode ser eliminado sem alterar o seu
sentido. Pode ser desempenhada por um grupo adverbial, um grupo preposicional ou por
uma oração subordinada adverbial.
Felizmente, o teste correu bem.
De facto, o teste era muito fácil.
Fiquei feliz, quando fui ver as notas.