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Manual de Treino para Futebol de Rua

Este manual apresenta dinâmicas e atividades para o desenvolvimento de 20 competências essenciais através do futebol de rua. As organizações participantes no projeto podem usar estas ferramentas para trabalhar valores como o autoconhecimento, a comunicação, o trabalho em equipe e a tomada de decisão com os seus participantes.

Enviado por

Bruno Machado
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Manual de Treino para Futebol de Rua

Este manual apresenta dinâmicas e atividades para o desenvolvimento de 20 competências essenciais através do futebol de rua. As organizações participantes no projeto podem usar estas ferramentas para trabalhar valores como o autoconhecimento, a comunicação, o trabalho em equipe e a tomada de decisão com os seus participantes.

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T

futebol
de rua:
Manual de Treino
de Competências

1
A Associação CAIS implementa, desde 2004, o Projeto Futebol de Rua, um projeto que visa a Inclusão
Social, de um público-alvo mais vulnerável, através da promoção do acesso ao desporto
e do desenvolvimento de valores, competências pessoais e sociais, indispensáveis à sua capacitação.
Para o efeito, realiza um conjunto de atividades integradas em 2 eixos, complementares entre si.
No eixo da Inclusão pelo desporto, promove atividades, usando métodos de educação não formal,
que visam especificamente o desenvolvimento pessoal. No eixo do acesso ao desporto, promove
o Torneio Nacional de Futebol de Rua, uma competição de futebol inclusivo, que decorre a nível dis-
trital, nacional e internacional e que coloca em prática as aprendizagens adquiridas.
Para preparar a participação nas atividades, as mais de 100 organizações participantes, realizam sessões
de treino de Futebol de Rua regulares, com os mais de 1000 participantes anualmente envolvidos
no projeto.

Tendo a participação nas atividades um impacto direto e significativo na capacitação dos seus
participantes, a Associação CAIS, acredita que o mesmo poderá ser potenciado caso as competências
pessoais e sociais sejam trabalhadas, regularmente, pelas entidades de suporte dos participantes,
recorrendo a métodos de educação não formal, em simultâneo com a prática de Futebol de Rua.

Para apoiar esse trabalho diário das organizações, a Associação CAIS, elaborou o “Futebol de Rua:
Publicado por: Manual de Treino de Competências”, que pretende ser uma ferramenta de apoio a todos os agentes,
das entidades participantes, de forma a que possam, de forma estruturada, trabalhar o desenvolvimento
Associação CAIS
pessoal e a capacitação dos seus beneficiários, recorrendo a métodos de educação não formal, em
Rua do Vale Formoso de Cima, 49-55 sessões paralelas ou integradas nas sessões de treino de Futebol de Rua.
1950-265 Lisboa

cais@[Link] O Manual será útil para planear um número infindável de sessões com vista ao desenvolvimento
[Link] de um conjunto de 20 valores, competências pessoais e sociais, apresentando para tal um conjunto
de energizers; dinâmicas - havendo um capítulo destinado a cada valor ou competência pessoal
Autores: e social - e indicações de como proceder a um debriefing de cada dinâmica e sessão da forma mais
eficaz possível. Na sua utilização, pode o agente combinar um conjunto de energizers e dinâmicas
Bruno António consoante as competências pessoais e sociais que deseja trabalhar, o número de participantes, o local
José Carlos Oliveira da sessão e a sua duração, devendo sempre salvaguardar tempo, no plano de sessão, para um debriefing
eficaz após cada dinâmica e sessão.
Co-autores:
Gonçalo Pinheiro dos Santos A Associação CAIS deseja que o Manual seja uma ferramenta útil ao trabalho desenvolvido pelas
Helder Correia Neto organizações e que permita, concretamente, aos agentes desenvolver um conjunto de sessões que
Joana Vilela trabalhando as competências pessoais e sociais dos seus participantes, promova o seu desenvolvimento
Nuno Rodrigues pessoal e capacitação, aumentando também o impacto da participação dos mesmos nas atividades
realizadas no âmbito do Projeto Futebol de Rua.

Design
Associação CAIS Gonçalo Pinheiro dos Santos

3
8 CAPÍTULO A:
- O Manual
- Simbologia 58 CAPÍTULO 6:
- Resiliência
120 CAPÍTULO 14:
- Tomada de Decisão
180 CAPÍTULO E:
Avaliação

14 CAPÍTULO B:
Energizers 66 CAPÍTULO 7:
- Compromisso
132 CAPÍTULO 15:
- Respeito
184 CAPÍTULO F:
Identificador de Dinâmicas

20 CAPÍTULO C:
Desenvolvimento
de Competências 72 CAPÍTULO 8:
-Responsabilidade
142 CAPÍTULO 16:
- Motivação
190 CAPÍTULO G:
Bibliografia e Recursos

22 CAPÍTULO 1:
- Autoconhecimento
82 CAPÍTULO 9:
- Comunicação
148 CAPÍTULO 17:
- Autoestima

30 CAPÍTULO 2:
- Controlo
90 CAPÍTULO 10:
- Trabalho de Equipa
154 CAPÍTULO 18:
- Confiança

36 CAPÍTULO 3:
- Conhecimento do outro
96 CAPÍTULO 11:
- Cooperação
160 CAPÍTULO 19:
- Positivismo

44 CAPÍTULO 4:
- Empatia
104 CAPÍTULO 12:
- Resolução de Conflitos
168 CAPÍTULO 20:
- Flexibilidade

50 CAPÍTULO 5:
- Consciência
114 CAPÍTULO 13:
- Liderança
176 CAPÍTULO D:
Debriefing

6 7
8
A
o manual
simbologia

9
manual futebol de rua capítulo a: o manual

O Futebol de Rua como ferramenta No total serão 20 competências chave a ser trabalhadas:
para desenvolvimento de competências
1. Autoconhecimento;
É incontornável o papel que a prática desportiva assume no desenvolvimento de competências essenciais 2. Controlo;
para uma vida em sociedade. O desporto, e a prática desportiva, assume-se como uma fonte de saúde 3. Conhecimento do Outro;
e bem-estar e valores, fomentando as capacidades de criar e aprender, agindo como um fator de transformação 4. Empatia;
social. 5. Consciência;
6. Resiliência;
Além de promover o acesso ao desporto e a inclusão pelo desporto, o Futebol de Rua é um instrumento 7. Compromisso;
de capacitação, fundamental no desenvolvimento de competências pessoais e sociais, transcendendo o 8. Responsabilidade;
que é a prática do desporto como forma de ocupação do tempo livre ou de competição. O reconhecimento 9. Comunicação;
desta modalidade enquanto ferramenta de transformação positiva quer a nível pessoal como coletivo, 10. Trabalho em Equipa;
em especial junto de jovens e públicos em contextos vulneráreis tem sido identificada e aplicada atualmente 11. Cooperação;
em todo o mundo. 12. Resolução de Conflitos;
13. Liderança;
O contexto onde se desenvolve a prática do Futebol de Rua, não se limita a promover a saúde e o 14. Tomada de Decisão;
bem-estar através da prática desportiva mas apresenta todo um potencial para o desenvolvimento das 15. Respeito;
aptidões, dos conhecimentos e dos valores essenciais para uma vida plena em sociedade e para a vida 16. Motivação;
ativa, assente em princípios de igualdade de oportunidades, cidadania e participação social. 17. Autoestima;
18. Confiança;
O Futebol de Rua permite trabalhar todo um conjunto de competências, onde se entende competência 19. Positivismo;
como a combinação de conhecimento, aptidão e atitude aplicados num determinado contexto. Entendemos 20. Flexibilidade.
como competências-chaves aquelas que permitem que todo o indivíduo tenha sucesso a nível de
desenvolvimento pessoal e profissional. Estas condições são essenciais para a obtenção de satisfação Os planos de sessão disponibilizados, permitem trabalhar as diversas competências de forma individual
pessoal, para conseguir uma cidadania e participação ativa na sociedade, e para ter acesso e sucesso ou em simultâneo, permitindo, a quem utilize este Manual, escolher entre diversos exercícios que possibilitam
relativamente ao emprego. trabalhar e aprofundar determinada competência ou conjunto de competências. Cada plano de sessão
foi desenvolvido para trabalhar especificamente uma competência em particular. Contudo, existem
Este manual tem como objetivo disponibilizar de forma prática e acessível junto de treinadores de exercícios sugeridos que possibilitam trabalhar mais do que uma competência-chave, o que permite
Futebol de Rua, profissionais da área do desporto, a dinamizadores e animadores socioeducativos criatividade e flexibilidade de quem esteja a implementar os diversos exercícios presentes no manual.
todo um conjunto de ferramentas educativas que permitem trabalhar competências chave para a O utilizador deste Manual poderá ainda encontrar dois capítulos com um conjunto de atividades de
inclusão social. introdução à sessão (energizers) e de avaliação da sessão. Em cada um dos planos de sessão, em alguns
exercícios de maior grau de complexidade poderá ainda encontrar notas para discussão/reflexão final
No desenvolvimento deste manual, foram identificadas 20 competências chave, consideradas como (debrifing) – a ser utilizadas pelo facilitador da sessão, de forma a melhor explorar o exercício.
essenciais para que cada cidadão, de uma forma individual ou coletiva, consiga encontrar o seu potencial
transformador - a sua capacidade intrínseca de estar consciente do seu papel e responsabilidade no seu Sendo essencialmente um instrumento de apoio ao trabalho de competências, o Manual foi concebido
desenvolvimento pessoal quanto pessoa, profissional e enquanto membro de uma comunidade. de forma a que cada uma das sessões e/ou exercícios possam ser utilizados autonomamente, dando
ao utilizador deste manual uma certa flexibilidade na sua utilização.
Ao longo do Manual iremos trabalhar, através de um conjunto de exercícios práticos assentes em princípios
metodológicos de educação não formal, competências tais como o compromisso, o respeito e a responsabilidade, No final do mesmo, o utilizador do manual poderá igualmente encontrar um conjunto de referências
enquanto pilares da sociedade. Serão igualmente trabalhadas competências essenciais como a capacidade e bibliografia que poderão complementar e aprofundar alguns conhecimentos sobre educação não
de trabalho em equipa, resiliência e comunicação ou a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, formal, competências e inclusão pelo desporto. Este é um manual desenvolvido a pensar na ótica
adaptar-se à mudança, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas. do utilizador.

10 11
capítulo a: semiologia

simbologia

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A TODA A
SE
SS
ÃO

12 13
14
B
energizers

15
manual futebol de rua capítulo B: ENERGIZERS

batam as palmas, os outros números devem ser pronunciados normalmente. Na terceira ronda solicite
Energizers que ao invés de dizer o número 2, que batam com as duas mãos na barriga, o número 3 deve ser pronunciado
normalmente. Começa a complicar no 4º momento: solicite que ao invés de falar o número 3, que
saltem. A situação fica bem divertida.
Um energizer é uma atividade breve que se destina a aumentar a energia de um grupo, envolvendo-os
numa atividade física, divertida e/ou pedagógica. Os energizers podem ser usados em qualquer lugar
Nota: As ações podem ser alteradas a desejo do facilitador ou grupo.
e com um grupo qualquer.
São usados, na maior parte das vezes, no início d cada sessão procurando unir o grupo e descontrair o
mesmo. Os energizers podem também, ser usados no reinicio da sessão após o intervalo. Não devem
ser usados mais que duas vezes durante uma sessão completa.
Os Energizers podem servir também de jogos de nomes para um maior e melhor conhecimento dos
participantes. Podem ser apenas divertidos ou podem também envolver alguma perícia e talento mas
MUDA DE LUGAR
devem envolver todos os participantes em momento descontraídos.
Os energizers não devem ser usados como um jogo competitivo e devem ser de fácil compreensão
Colocar os membros do grupo num círculo e pedir que se sentem nas cadeiras. O facilitador deve estar
para todos. Seguem alguns exemplos que podem ser adaptados ao lugar e ao grupo.
no meio explicando o jogo e não deve ter um lugar. Colocar uma cadeira a menos no círculo.
Diga aos participantes que, para sair do meio, tem que encontrar alguém com os mesmos gostos/interesses.
O sinal de partida é dado pelo facilitador que diz:
“Eu sou o … e gosto muito de esparguete à bolonhesa”
O Rei das Palmas Após a frase dita quem gosta de esparguete à bolonhesa tem que mudar de lugar e encontrar uma
cadeira vazia. Quem ficar no meio terá que dizer a mesma coisa: “Eu sou a … e gosto de hóquei em patins!”
Este é um exercício simples, mas desafiador.
quem gostar tem que mudar de lugar. Se por acaso ninguém se levantar a pessoa que está no meio terá
de dizer outra coisa: “Bom inicio de sessão e aproveita-se para nos conhecermos um pouco melhor.”
Os participantes estão em círculo. O facilitador começa por dizer que é o rei da palma mas que não quer
a palma só para ele e envia uma palma ao redor da roda. Cada palma envolve o receber a palma com
uma palma e passar a palma ao vizinho que recebe a palma e passa a palma.
O grupo tenta mover a palma ao redor do círculo o mais rápido e com a maior sincronia possível. O exercício
fica ainda mais desafiador quando a “dupla palma” é introduzido para mudar a direção do fluxo de palmas.
URSOS, COWBOYS E NINJAS
Aqui um participante terá que passar duas palmas ao mesmo tempo.
Muito parecido com o jogo clássico de pedra, papel e tesoura, cada jogador escolhe entre três poses.
Ursos comem ninjas, ninjas arrasam cowboys, e cowboys matam ursos. Cada jogador ou ruge como
um urso, atira com armas de dedo como os cowboys ou faz uma pose de ninja. Este é um ótimo jogo
SAL & PIMENTA de construção de equipa para que todos se soltem e se divirtam.
O jogo pode ser alterado com outros exemplos de figuras…
Esta atividade é divertida, excelente para energizar seu grupo e também excelente como um exercício
rápido para quebrar o gelo. Como facilitador, pense em pares de coisas como sal e pimenta, yin e
yang, sombra e luz, queijo e fiambre, Mickey e Minnie, macho e fêmea, e assim por diante. Escreva
cada item num pedaço de papel (ou seja, sal num e pimenta noutro) e coloque um papel nas costas
SALADA DE FRUTAS
de cada pessoa, certificando-se de que eles não possam vê-lo. Quando o jogo começa, todos devem
andar pelo espaço fazendo perguntas sim ou não, a fim de descobrir que palavra têm nas costas.
A cada participante é “dado” o nome de um fruto. Ex: Morango, Pêra e Maçã. Com as cadeiras
Depois de descobrir isso, precisam encontrar o outro par. Aprender a fazer as perguntas certas é a
dispostas em círculo, em número idêntico ao número de participantes. É retirada uma cadeira e
chave.
solicitado a um participante que se localize no centro do círculo. O participante, situado no centro do
círculo deverá dizer o nome de um dos frutos em jogo. De seguida, os participantes que tenham o
1,2,3… nome desse fruto deverão trocar de cadeira entre si, sendo que, o participante situado no centro do
círculo deverá aproveitar para ocupar uma das cadeiras vazias. O participante que não conseguir ocupar
Formam-se duplas e então solicite para que os dois comecem a contar de um a três, ora um começa,
qualquer cadeira, ocupará o lugar do colega no centro do círculo. Ao dizer Salada de Frutas, todos os
ora o outro. Na segunda rodada, após estarem confortáveis solicite que ao invés de dizer o número 1,
participantes deverão trocar de cadeira.

16 17
manual futebol de rua capítulo B: ENERGIZERS

SAUDAÇÕES CORDIAIS PÉS MÃOS E COMPANHiA

Os participantes juntam-se em círculo. Pedir ao grupo que ande (ou corra) à volta do espaço e, em seguida, dizer um número e uma parte do
O/a facilitador/a coloca-se no círculo e introduz esta dinâmica: corpo. Por exemplo: 3 pés … 5 cotovelos. Então as pessoas entram em grupos de 3 e tocam os pés,
“Vamos cumprimentar os/as colegas com diferentes atitudes. Vamos começar por passear e andar de de 5 e tocam os cotovelos e ir aumentando progressivamente o tamanho dos grupos.
um lado para o outro, fazendo de conta que estamos numa rua e, de repente, vemos do outro lado da Repetir com números e partes do corpo diferentes. Terminar com 1 abraço e todos se juntam para
estrada um/a amigo/a e cumprimentamo-nos com um sonoro: Olá!” o final (se o grupo for de 20 dizer 1 abraço)

Progressivamente são experimentadas as variantes que se seguem ou outras que se queiram introduzir.
Cumprimentar como se:
-Não se vissem há muito tempo;
-Fosse o/a melhor amigo/a;
-Não quisesses;
-Estivesses com muita pressa;
-Com um abraço;
-Como se o/a amigo/a fosse muito formal;
-Como se o/ outro/a fosse o Presidente da República

Notas sobre a atividade: Os/as participantes devem saudar o maior número de colegas possível.

NOME E GESTO

Jogo de apresentações.
[Link] círculo cada participante diz o seu nome em voz alta e todo o grupo repete.
[Link] a ronda fica completa, cada participante repete novamente o seu nome mas associa-o a um
gesto e todos/as repetem tal como na 1ª vez mas imitando também o gesto.
[Link] final, podemos desafiar uma ou mais pessoas a tentar repetir todos os nomes com gestos sem
se enganar.

MAZUNGA

O grupo fica em círculo. O facilitador estica os seus braços para a frente do círculo e começa com um
sonoro e longo: “Maaaaaaaah…”. O participante á sua direita terá que emitir o mesmo som e por aí
fora até chegar de novo ao facilitador que termina com um estrondoso: ZUNGA!

18 19
20
C
desenvolvimento
de competências

21
22
1
auto-
conhecimento

23
manual futebol de rua capítulo 1: autoconhecimento

primeiras impressões
Este é um jogo divertido que envolve escrever a primeira impressão de alguém que se conhece.
Se algumas pessoas já se conhecerem, não há problema. As pessoas podem simplesmente escrever
algumas palavras ou adjetivos interessantes. Este exercício funciona bem como quebra-gelo quando
há pessoas novas presentes ou quando as pessoas não se conhecem bem.
A partir dos 14 anos Dê aos participantes alguns post-its e peça-lhes para andarem pela sala.
1- O facilitador dá um sinal de stop e todos os participantes devem encontrar um par (pode acontecer
ficar um trio).
2- O facilitador lança ao grupo uma categoria como por exemplo o prato favorito.
3- Os participantes devem adivinhar qual(is) seria(m) a(s) resposta(s) para a pessoa à frente sem fazerem
perguntas. Apenas adivinhando.
4- Anuncie diferentes categorias (cores favoritas, tipos favoritos de leitura, filmes, hobbies, pontos
“reflito logo conheço-me” fortes etc).
5- Após escreverem mostram aos seus colegas. Se a resposta estiver certa colam o post it na frente
- Explorar o conceito de autoconheci-
mento através de exercícios práticos; dessa pessoa. Se a resposta estiver errada colocam nas costas.
Anónimo
- Consciencializar para a definição
de metas, desejos, objetivos e propósitos; Nota: Comece com palpites impessoais e depois passe para traços de personalidade e características.
- Repensar as atitudes;
- Reconhecer e fortalecer qualidades. O autoconhecimento é fundamental para guiar as nossas decisões,
planear, organizar e realizar os nossos objetivos, metas e sonhos. Exemplos:
Conhecermo-nos melhor permite também desenvolver novas
competências e habilidades e administrar as nossas ações - cor favorita;
assertivamente. Muitas vezes, por não termos este auto - viagem dos seus sonhos;
conhecimento, ficamos um pouco perdidos diante de diversas - comida favorita;
situações quer seja na família, no trabalho ou no lazer e - o que faz nos tempos livres (hobbies);
podemos ficar um pouco inseguros e extremamente dependentes - desporto favorito;
dos conselhos e intervenções de outras pessoas. Podemos concluir - melhor qualidade.
Comunicação que o autoconhecimento também é uma forma de conseguir
Auto conhecimento Este exercício ajuda a refletir sobre os próprios gostos e interesses. Quando é lançado um tema os
Cooperação independência e uma ferramenta para fazermos mais e melhor.
Criatividade participantes terão de pensar primeiro nos seus gostos e interesses pessoais e é muito bom que tenham
interesses comuns e que adivinhem os interesses dos colegas. Se o grupo já se conhece, não tem problema,
porque com este jogo pode-se sempre aprender e saber mais. Permitir aos pares alguns instantes para
que troquem informações entre si, mas não dar muito tempo.

Sala/Ar Livre

40 minutos post its grandes Pretende-se que cada participante se conheça melhor e conheça
marcadores melhor os seus pares em contexto de jogo.

24 25
manual futebol de rua capítulo 1: autoconhecimento

Em cada uma das vezes, os demais participantes podem dar o seu parecer e fazer perguntas.
2 verdades e 1 mentira
debriefing
Peça a todos os participantes que se organizem em círculo. Cada participante tem que pensar em
três declarações sobre si. Duas devem ser afirmações verdadeiras e uma deve ser falsa e não podem As histórias que cada um conta são espelho das prioridades, valores e gostos/sonhos das pessoas.
partilhar. Somos um pouco de todos e de tudo e por vezes existem histórias semelhantes à nossas que nos fazem
Em seguida, pedir aos participantes que as escrevam num pedaço de papel, tentando sempre que criar outras redes e outras histórias, que de tão diferentes, nos obrigam a pensar noutras coisas e a
sejam o mais enigmáticos possível. Uma outra variação é que os participantes não escrevam mas que vivermos novas experiências. É preciso refletirmos para nos conhecermos mais e melhor.
apenas partilhem nos grupos oralmente.

Após a fase da escrita, juntar o grupo em sub-grupos de 3 ou 4 e entre eles partilham as afirmações.
E têm direito a 2 perguntas cada um. Depois das perguntas devem tentar adivinhar as mentiras dos
outros.

40 minutos Não é necessário Fortalecer a partilha como ferramenta para a aprendizagem e


qualquer material. para o autoconhecimento.

30 minutos Folhas A5 Pretende-se que cada participante se conheça melhor e conheça


marcadores/canetas melhor os seus pares em contexto de jogo.

Variações: EU ESTIVE ACOLÁ, ESTOU AQUI E IREI PARA LÁ


Em vez de uma mentira os participantes podem escrever um desejo ou um sonho e aqui permite também
uma conversa mais profunda com os participantes no final.
Este exercício é muitas vezes elaborado como agente reflexivo e também de autoconhecimento, no
sentido que ajuda o indivíduo a pensar sobre o seu passado, presente e futuro. Pode ser usado de
diversas formas e em qualquer lugar.

boas notícias O facilitador terá que preparar um flipchart com a seguinte informação:

EU ESTIVE ACOLÁ
O facilitador pode iniciar o exercício da seguinte maneira: Escrever ou descrever um momento marcante do passado (pode ser recente ou mais antigo, mas que
“Diariamente, todos nós recebemos notícias, boas ou más. Algumas delas foram motivo de grande de uma forma ou de outra tenha marcado o participante).
alegria e por isso ficam na nossa memória com perfeita nitidez. Vamos hoje recordar algumas dessas
boas notícias “ ESTOU AQUI
Estas notícias podem estar relacionadas com o desporto e/ou com a vida pessoal. Assinalar uma pessoa que é importante para o participante (pode ser um amigo, familiar, conhecido…).

Logo a seguir explicar como fazer o exercício: os participantes dispõem de 15 minutos para pensarem IREI PARA LÁ
em três notícias felizes das suas vidas. As pessoas comentam uma das notícias em plenário, a começar Descrever um sonho ou um objetivo a médio ou longo prazo (construir uma casa na montanha, ser
pelo facilitador, seguido pelo vizinho da direita e, assim, sucessivamente, até que todos o façam. jogador profissional de futebol, ganhar o mundial).

26 27
manual futebol de rua capítulo 1: autoconhecimento

1. Pedir a cada participante que fique com uma folha de papel A4 e com um marcador.

2. Apresentar o flipchart e deixar os participantes refletirem individualmente sobre estas questões.


Para uns vai ser mais difícil e para outros mais fácil.

3. Quando todos terminarem, pedir que se juntem em trios e que partilhem as suas decisões.
Dar tempo para que possam realmente conversar e partilhar. Relembrar que são assuntos privados
e que merecem respeito. Se alguém não quiser partilhar é legítimo e compreensível.

Não aconselhamos a partilhar em plenário com todo o grupo. Este exercício pode ser somente
a parte 1 em que os participantes refletem individualmente.

60 minutos flipchart com informação Após esta dinâmica os participantes devem reconhecer alguns
folhas A4 obstáculos e/ou momentos importantes no seu crescimento e
marcadores nos seus periodos de aprendizagem bem como reconhecer
pessoas que foram ou são fundamentais nas suas vidas.

a mão da reflexão

Pedir as participantes que desenhem o formato da sua mão numa folha A4 com um marcador e a mão
aberta. Em seguida escrevem como título:
- No dedo mindinho um detalhe que gostam deles próprios…
- No anelar estou comprometido a…
- No dedo do meio uma coisa que queiram melhorar …
- No indicador uma coisa que queiram apontar sobre eles próprios…
- No polegar uma coisa que realmente gostam neles próprios… 60 minutos flipchart com informação Após esta dinâmica os participantes devem conhecer-se
folhas A4 melhor e conseguir apontar elementos/características
marcadores positivas que os definam.
Podemos referir que guardem a mão e que daqui a alguns meses ou anos vejam outra vez
e confiram se alguma coisa mudou.

28 29
30
2
controlo

31
manual futebol de rua

capítulo 2: controlo

CONTAGEM DE GRUPO

A contagem de grupo convida os/as participantes a contar em voz alta de 1 a 20 (ou superior) como
um grupo sem uma ordem designada. Esta estratégia pede que os/as participantes aumentem a sua
consciencialização sobre o grupo, pratiquem a paciência e a escuta, e trabalhem juntos para realizar
A partir dos 14 anos uma tarefa desafiadora.

Peça aos participantes que fiquem num círculo.

Apresente a atividade: A nossa tarefa é contar de 1 a 10 em voz alta, numa ordem aleatória, com cada
membro do grupo oferecendo um número de cada vez. Se duas pessoas disserem um número ao mesmo
tempo, o jogo para e começa novamente com 1.
Explique que qualquer um pode dizer um número sempre que quiser, embora não possa dizer dois
“Nada como o auto-controle, números seguidos.

- Explorar o conceito de controlo o equilíbrio e a razão Para começar, peça a todos que fechem os olhos ou se concentrem no chão no centro do círculo e que
através de exercícios práticos;
- Aprender a gerir e a controlar as para orientar atitudes sãs” comecem quando o/a facilitador/a disser: “Começa a contagem” .
emoções;
- Fortalecer o equilíbrio emocional. O objetivo inicial pode ser chegar a 10?
Maria Angélica Carnevali Miquelin

Em seguida, provoque o grupo para contar até 15 ou mais, se possível. Pode ser produtivo parar
Este valor pode ser associado às medidas que, num campo de o jogo e discutir a estratégia do grupo. Parte da aprendizagem é a descoberta de como resolver
futebol ou fora dele, o indivíduo visa estabelecer para manter os a difícil tarefa.
resultados pensados e os objetivos fixados. É também associado
à forma como domina as suas emoções e os seus sentimentos
trabalhando sempre individualmente, para e com a equipa. VARIAÇÃO 1
LEITURA: Em vez de números, tente recitar o alfabeto uma letra de cada vez.
Comunicação
Controlo VARIAÇÃO 2
Cooperação LEITURA: Em vez de estarem num círculo pode-se pedir ao grupo para fazer uma caminhada.
Criatividade

15 minutos Não é necessário Fortalecer a relação e o trabalho de grupo;


Sala/Ar Livre qualquer material. Controlar e gerir a participação ativa.

32 33
manual futebol de rua capítulo 2: controlo

Notas sobre a atividade: O propósito é trabalhar em equipa o controlo, através deste


CADEIRA DE MÃOS TROCADAS exercício prático. No campo controlamos um objeto mas muito mais que isso, controlamos o corpo,
controlamos a equipa, controlamos as emoções, controlamos a visão de jogo, controlamos o medo,
Os participantes sentam-se em círculo, próximos uns dos outros. Cada participante deverá colocar as vitórias e as derrotas…
a sua mão direita sobre a perna esquerda do jogador da direita e a mão esquerda em cima da perna direita
do/a participante da esquerda.
Com a cadeia formada o/a facilitador/a começa por dar uma pequena palmada na perna do/a vizinho/a
que terá continuidade através de uma pequena palmada na mão que se situa imediatamente a seguir
e pela outra seguinte e assim sucessivamente.
Sempre que um participante bater duas vezes seguidas, o sentido do jogo inverte-se devendo jogar não
a mão seguinte mas aquela que está imediatamente antes. Cada vez que uma pessoa se engana na sua vez
de jogar perde, tendo de retirar a mão com que se enganou.
30 minutos Régua gigante, - Controlar e gerir a participação num grupo;
pode ser uma cana, - Os participantes devem perceber o significado do trabalho
notas sobre a atividade: O jogo prossegue até ficarem apenas três jogadores. tábua, ripa, etc de equipa e da importância do mesmo para controlar as emoções
em situações de stress.
Temas de conversa com o grupo:
- A necessidade de concentração e capacidade de controlo, o sentimento de frustração, a impulsividade…
- Controlamos a nossa vida mas sempre com atenção aos outros?
- É difícil esperar pelos outros?
- Temos a tendência para nos auto-controlarmos, bem como de controlar os outros?
AVIÕES DE PAPEL
Fazer um avião de papel nem sempre é fácil. Todos nós temos experiência em fazer aviões de papel
e todos nós temos formas diferentes de o fazer. Uns dão mais importância ao voar mais longe enquanto
que outros querem que o avião rodopie sem parar.
Em pequenos grupos (máximo 5) pedir aos participantes que construam um avião de papel com uma
folha A4. Pedir aos participantes que, em fila, designem um/a lançador/a do avião. Fazemos com
“pompa e circunstância” a abertura da largada dos aviões.

- Após o lançamento perguntar aos grupos se querem controlar mais o voo do avião para que possa
30 minutos Cadeira para todos Controlar e Gerir a participação num grupo; voar mais longe. Dar mais alguns minutos para que o façam.
os participantes. Os participantes devem aprender a gerir as suas emoções
e a saberem esperar pela sua vez para atuarem. - Após a segunda largada dos aviões perceber se os grupos fizeram melhor ou pior. Se atingiram
o objetivo e se estão satisfeitos. Perceber que o controlo das emoções é um valor que pode e deve ser
trabalhado. Para conseguirmos controlar o voo de um avião ou as nossas emoções é preciso trabalharmos
e limarmos algumas arestas.

RÉGUA MÁGICA
Nesta atividade, o objetivo é que todas as pessoas juntas, ao mesmo tempo, façam chegar a régua mágica
ao chão. O grupo divide-se em 2 e fazem 2 linhas a olhar uma para a outra, colocando a régua mágica
em cima dos dedos indicadores. Os dedos indicadores têm de estar em constante contacto com a régua
mágica. Mesmo que apenas 1 pessoa da equipa perca contato com a régua, têm de começar de novo,
com a régua mágica à altura do peito. A régua mágica só pode estar em cima dos dedos indicadores. 30 minutos Folhas A4 Controlar e Gerir a participação num grupo;
Não podem agarrar na régua com o dedo ou com a mão, etc… Todas as pessoas da equipa têm de estar Os participantes devem aprender a trabalhar em grupo para
o mesmo fim e a gerir as suas emoções.
em pé e o ponto de partida é a altura do peito da pessoa mais alta do grupo.

34 35
36
3
conhecimento
do outro

37
manual futebol de rua capítulo 3: conhecimento do outro

AVIÕES AMIGOS
O facilitador divide o grupo em pares e pede que cada par faça um avião de papel.
Depois de fazer o avião, cada par escreve algumas características que os definem nas asas do avião.
O facilitador então reúne todos os aviões e lança-os para ver qual voa mais longe. Começando com
o avião que viaja mais longe, o facilitador lê as características nas asas de cada avião, e o grupo deve
A partir dos 14 anos tentar adivinhar qual o par que construiu cada um dos aviões.

Ideias a Desenvolver: Este exercício estimula a criatividade nas equipas, ajudando as a aprender
mais sobre os outros. Ele pode ser usado com grupos recém formados ou existentes.
“Conhecimento não é aquilo que
Explorar o conceito de conhecimento do
você sabe, mas o que você
outro através de exercícios práticos;
Introduzir os Conceitos de Identidade,
faz com aquilo que você sabe”
Cultura e Identidade Cultural;
Refletir sobre as diferentes características
que constroem a nossa cultura; Aldous Huxley
Introduzir a reflexão e discussão sobre
estereótipos e preconceitos.
Melhorar a confiança, consciência O conhecimento pode ser aprendido como um processo
e comunicação individual e em grupo.
ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação
de teorias, ideias e conceitos, o conhecimento surge como um
produto resultante dessas aprendizagens, mas como todos
30 minutos Folhas de papel Promover o conhecimento mútuo dos elementos do grupo
os produtos são indissociáveis de um processo, podemos então Marcadores de participantes.
olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através Estimular um ambiente descontraído.
da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa.

Comunicação
Controlo
Cooperação
Criatividade

CEBOLA DA IDENTIDADE

Chamar a atenção para a necessidade de eles serem honestos nas afirmações.

(Devem responder com palavras chave).

Sala/Ar Livre Fase 1 - Distribuir a cada participante 4 folhas de diferentes cores, solicitando-lhes que respondam
às seguintes questões de forma sucinta.

38 39
manual futebol de rua capítulo 3: conhecimento do outro

Folha 1 (Verde): Ideias a Desenvolver


- O que gosto de vestir;
- Que música gosto; Explorar as diferentes dimensões de cultura e identidade cultural.
- Que gosto de comer; No final do exercício, o facilitador deve colocar ênfase no facto de o grupo ter verificado que a identidade
- Um hábito que tenho é ... (cebola) pessoal é:
- multifacetada/ pluridimensional;
- dinâmica;
Folha 2 (Encarnada): - composta por dimensões mais estáveis e outras mais permeáveis à mudançaformada e influenciada
- O que reparo nos outros; pelas nossas experiências de vida incluindo-se aí a socialização feita pela família, escola, etc. (transmissão
- Como é a minha vida social; de valores, crenças, papéis sociais culturalmente definidos, etc.) e as relações sociais. Realçar a
- O que falo com os meus amigos. importância de conhecer o outro nas suas mais diferentes dimensões.

Debriefing
Folha 3 (Azul):
- Uma boa coisa sobre mim é ... - Como te sentiste ao abrir a tua cebola;
- Uma má coisa sobre mim é ... - De que forma este exercício se aplica à importância de conhecer o outro e o quanto é fundamental
- Crescer para mim significa ... conhecer o outro nas suas diferentes dimensões;
- Em 10 anos vou ser ...
Palavra chave deste jogo: Identidade, imagem de nós próprios e dos outros.

Folha 4 (Branco):
- Em que acredito;
- Quais os meus valores;
- O que nunca vou fazer.

Fase 2 (5 minutos) - Solicitar aos participantes que pela seguinte ordem constituam uma bola
de papel. Primeiro amachucam o quarto papel e assim consecutivamente. Fazer uma bola de papel Folhas A4 coloridas Introduzir os Conceitos de Identidade; Cultura e Identidade
60 minutos
com a folha branca; seguidamente colocar a bola (folha branca), no meio da folha azul e amachucar Marcadores Cultural;
a mesma envolvendo a folha branca e assim consecutivamente. Saco de pano Refletir sobre as diferentes características que constroem
Post its a nossa cultura;
Introduzir a reflexão e discussão sobre estereótipos
Fase 3 - Identificar a sua cebola (sem nome – um símbolo). e preconceitos.

Fase 4 - Colocar todas as cebolas num saco. Cada elemento tira uma cebola, lê e escreve um pequeno
comentário (post-it) no meio da cebola, amachuca e coloca novamente no saco.

Fase 5 - Cada um procura a sua cebola e lê os comentários.


BINGO HUMANO
Variantes: Na Fase 4, em vez de colocarem as “cebolas” num saco, os participantes trocam a bola
Cada jogador recebe um cartão de Bingo Humano e um lápis.
de papel entre si, através de passes consecutivos (com a mão).
O cartão é uma grelha de 25 afirmações descritivas, como:
Ao som do apito do facilitador, os participantes lêm e escrevem um pequeno comentário (post-it)
- “Conhece alguém que é famoso”;
no meio da cebola, amachucando e voltando a executar passes entre si. A sequência poderá durar
- “Morou em três ou mais países”;
o tempo que o facilitador desejar.
-“Pode manter uma conversa num outro idioma”.

40 41
manual futebol de rua

Os jogadores devem preencher a grelha/cartão, com nomes de pessoas que correspondam a cada
descrição, fazendo perguntas a outros jogadores (não podendo estes colocar os seus próprios nomes).
Em cada troca, apenas uma declaração pode ser correspondida com sucesso, mas os jogadores podem
continuar a fazer perguntas até encontrarem uma declaração apropriada para essa pessoa.
Uma vez encontrada uma afirmação correspondente, os jogadores devem seguir em frente, passando
a outro colega, e não podem revisitar um ao outro pelo período de três minutos.

Que já tenha morado Assume os seus erros


noutro país e sabe pedir desculpas. Gosta de desafios

Não tem vergonha de falar com Pode manter uma Seja um bom exemplo
pessoas novas conversa noutro idioma na escola

Tem pelo menos 1


Seja confiante sonho/objetivo na vida. Que é famoso/a

Não consome álcool Tem uma alimentação saudável.


Nunca desiste nem tabaco

Faça amizades Sabe perdoar os erros Seja um bom exemplo


com facilidade de outros/as. no campo de futebol.

60 minutos Folhas bingo Promover o conhecimento mútuo dos elementos do grupo


Marcadores de participantes.
Estimular um ambiente descontraído.

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44
4
empatia

45
manual futebol de rua capítulo 4: empatia

O JOGO DA EXCLUSÃO
Divida os participantes em três grupos.
Coloque no terreno de jogo, três balizas (uma para cada equipa) e promova um desafio de futebol,
em que as três equipas se defrontam simultaneamente.
Coloque um ponto na testa de cada participante:
A partir dos 14 anos - Vermelho para um grupo;
- Verde para outro e azul para o terceiro.
- Diga aos participantes (verdes) que eles têm idades entre os 30 e 40 anos e que eles têm todo o poder.
Dê-lhes um equipamento da mesma cor (coletes da mesma cor).
- Diga aos vermelhos que eles têm todos mais de 65 anos de idade e que apenas poderão conduzir
“A grande virtude do a bola com o pé esquerdo. A cada grupo de 3 jogadores dê uma cor de equipamento diferente.
- Diga aos azuis que eles estão todos abaixo dos 18 anos de idade e que eles deverão fazer exatamente
ser humano é o poder o que os verdes dizem. Dê a cada um dos elementos desta equipa, um colete de cor diferente.
Explorar o conceito de empatia através
de exercícios práticos;
de empatia.” Em cada período de 20 minutos, altere as cores das equipas, mudando as regras
Inspirar o sentimento de empatia de cada grupo.
e a integração entre a equipa;
Meryl Streep
Estimular a boa convivência em ambiente
formal, informal e não formal;
Melhorar a confiança, consciência Notas para Facilitador: no final, reúna o grupo em círculo e peça a todos os participantes
e comunicação individual e em grupo. A empatia é uma capacidade que se expressa através
para remover os pontos das suas cabeças, relaxar os braços e pernas e respirar fundo. É fundamental
da sensibilidade. A empatia consiste na capacidade de nos
que os participantes agitem qualquer raiva acumulada no jogo e ter a oportunidade de discutir como
colocarmos no lugar do outro. Ser empático é ver o mundo
o jogo os fez sentir.
com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido
nos olhos do outro.
É a partir da empatia que se originam atitudes de parcerias
Debriefing
e o sentimento pelo que o outro sente.
- Como é que cada participante se sentiu em cada etapa do jogo?
- Este jogo reflete como as pessoas de diferentes idades são tratadas numa comunidade?
- Como é que os jovens e os idosos são tratados?
- Que outros grupos na sua comunidade experimentam a exclusão?
Comunicação
- Onde consideram que a exclusão e a opressão acontece?
Empatia
Cooperação
Criatividade

90 minutos 3 balizas Inspirar o sentimento de empatia e a integração entre


Marcadores a equipa;
Sala/Ar Livre Coletes Estimular a boa convivência em ambiente formal, informal
e não formal.

46 47
manual futebol de rua capítulo 4: empatia

CONSCIÊNCIA DA INCAPACIDADE PROBLEMA NO PAPEL

Promova um desafio de futebol, entre duas equipas, em que cada uma das equipas terá alguns atletas O facilitador distribuirá uma folha A6 e uma caneta para cada participante. De seguida solicitará aos
que irão assumir um papel diferente dos demais, dando a cada participante ao longo do desafio participantes a descrição de um problema pessoal que gostariam muito que fosse resolvido e pede
uma das seguintes características. É importante que todos passem por todas as personagens. aos participantes que o escrevam na folha de papel da forma mais explícita possível.

Pessoa com deficiência visual: a cada atleta a quem for atribuído este papel deverá estar
vendado. De seguida, o/a facilitador/a recolherá os problemas e baralha-os fazendo a sua redistribuição novamente
Pessoa com deficiência auditiva: a cada atleta a quem for atribuído este papel deverá ter com cuidado, para que não aconteça alguém ficar com o seu próprio problema, ou seja, cada participante
headphones nos ouvidos. ficará com um problema de um colega participante.
Pessoa com deficiência física: a cada atleta a quem for atribuído este papel deverá ter um Em seguida, o/a facilitador/a possibilitará uma explosão de ideias (brainstorm), ou seja, possíveis soluções
par de canadianas. dadas pelo grupo para cada problema relatado.
Pessoa com deficiência mental: a cada atleta a quem for atribuído este papel não poderá
falar e apenas se pode movimentar na horizontal ou na vertical – linha reta (não pode fazer diagonais).
No final, o/a coordenador/a dá feedback de todos os problemas, enfatizando a importância
Cada equipa deverá ter um elemento com uma destas características. Os demais participantes de se colocar no lugar do outro para que cada um possa assimilar as diferenças pessoais e a individualidade,
assumem a sua condição. A cada 5 minutos, diga aos participantes para trocarem de personagem. possibilitando maior aceitação e empatia ao próximo.
Deve ficar claro que não deve haver identificação do problema com o respetivo participante, a fim
de evitar constrangimento entre os membros do grupo.
Notas para Facilitador: No final, reúna o grupo em círculo e pergunte como é que cada
elemento se sentiu em cada etapa do jogo e como é que o mesmo reflete a forma como as pessoas com
algum nível de deficiência são tratadas na sociedade.

Nota para o facilitador: Se o grupo for grande, dividir em dois para que seja mais fácil
Debriefing dar feedback aos problemas ou escolher apenas 5 problemas para os quais se devem procurar soluções.

- Como é que cada participante se sentiu em cada uma das personagens?


- Este jogo reflete como as pessoas são tratadas numa comunidade?
- Em que medida os participantes que assumiam um papel diferente foram excluídos da atividade?
- De que forma procurámos incluir todos na atividade?
- Tivemos em consideração as características de cada participante?

90 minutos Bola de futebol Inspirar o sentimento de empatia e a integração entre a equipa;


Indicações em papel para Desafiar preconceitos pessoais e estereótipos. 60 minutos Papel A6 Inspirar o sentimento de empatia e a integração entre a equipa;
facilitador/a Marcadores

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50
5
consciência

51
manual futebol de rua capítulo 5: consciência

ENTREVISTA
Cada atleta deverá possuir dois coletes, presos nos calções. Ambas as equipas disputam um jogo
de futebol. Sempre que algum dos participantes roube o colete a um colega da equipa adversária,
o jogo pára e a bola passa para a equipa contrária. Durante um período de 30 segundos (cronometrado
pelo facilitador), o elemento da equipa que roubou o colete pode entrevistar o colega procurando
A partir dos 14 anos registar o maior número de dados e informações sobre o colega (formação, trabalho, experiência
desportiva, etc…).

De seguida deverá dirigir-se ao facilitador que, num caderno deverá anotar as respostas dadas
e o nome do atleta. Estas servirão de base para no final da sessão serem colocadas perante o grupo,
“A consciência é a voz da alma, de forma a que estes possam adivinhar e conhecer melhor todos os colegas participantes.

as paixões são a voz do corpo”


Explorar o conceito de consciência através
de exercícios práticos; Jean-Jacques Rousseau
Promover uma reflexão estruturada sobre
a inclusão, exclusão, assimilação e as
relações que as sustentam; A consciência de nós próprios funciona como uma forma
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo. de autoconhecimento, exigindo reflexão. Por outro lado,
a consciência do outro concentra-se nos estados externos,
exigindo a atenção do indivíduo para que possa compreender
a existência do outro e da sociedade à sua volta. Podemos
relacionar a consciência com processos como falar, criar, afirmar,
propor e inovar ou escutar, absorver, reformular, rever e renovar. 30 minutos Bola de futebol Desenvolver uma maior consciência
Coletes de si e do outro.

A consciência de nós próprios e do outro são complementares,


na medida em que tendo consciência de nós próprios, absorvemos
a consciência sobre o outro, da mesma forma que sem \o
outro a própria existência não tem sentido. É a harmonia
entre as duas dimensões da consciência que desperta em nós
Comunicação a consciência crítica. Ter consciência crítica é ser capaz
Consciência
Cooperação
Criatividade
de conhecer a si mesmo, criticar os seus próprios atos
e reconhecer os elementos que nos influenciam.
ADREGAS
1. Os participantes são divididos por grupos em quatro áreas de jogo numeradas de 1 a 4. Em cada
campo de jogo existe um conjunto de regras (ver abaixo). Quem vai jogar dispõe de algum tempo
para ler as regras, discuti-las e clarificá-las entre si. Uma vez o jogo iniciado, todos/as os jogadores devem
manter-se em absoluto silêncio (sem falar, escrever ou desenhar) e as regras deverão ser retiradas
das mesas. A seguir dá-se início ao jogo, registam-se os pontos e no final de cada jogo os jogadores
que tiverem mais pontos devem deslocar-se para outro campo de jogo (mas esta regra não deverá
ser inicialmente comunicada os jogadores). O jogo volta a iniciar-se, com os novos jogadores em cada
Sala/Ar Livre
mesa, que ainda assim não devem falar.

52 53
manual futebol de rua capítulo 5: consciência

- Começa um novo jogo. O/a jogador/a que anteriormente iniciou o jogo é quem agora baralha
Nota: As regras apenas são lidas em cada mesa, no início do primeiro jogo, sendo que, após serem e distribui as cartas. – Joga-se 3 vezes.
retiradas da mesa, ninguém mais poderá ter acesso às regras.
Regras do Jogo – Mesa 4
Regras do Jogo – Mesa 1 - Um/a dos/as jogadores/as baralha as cartas e distribui-as no sentido oposto ao dos ponteiros
– Um dos jogadores baralha as cartas e distribui-as no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio do relógio (8 cartas para cada jogador).
(8 cartas para cada jogador/a). – As cartas são numeradas de 2 a 10, mais os ases, que têm o valor mais alto. Os paus valem mais
- As cartas são numeradas de 2 a 10, mais os ases, que têm o valor mais elevado. As espadas valem do que qualquer outro naipe (são o trunfo).
mais do que qualquer outro naipe (são o trunfo). – O/a jogador/a sentado à direita de quem distribui as cartas inicia o jogo e as outras pessoas vão
- O/a jogador/a sentado/a à direita de quem distribui as cartas inicia o jogo e as outras pessoas vão jogando uma carta do mesmo naipe. Se não tiver uma carta desse naipe, joga paus. Se não tiver paus,
jogando uma carta do mesmo naipe. Se não tiver uma carta desse naipe, joga espadas. Se não tiver pode jogar qualquer carta.
espadas, pode jogar qualquer carta. – O/a jogador/a que lançar a carta mais alta ganha essa ronda e inicia a ronda seguinte.
- O/a jogador/a que lançar a carta mais alta ganha essa ronda e inicia a ronda seguinte. – O objectivo do jogo é ganhar o maior número de rondas possível.
- O objetivo do jogo é ganhar o maior número de rondas possível. – Quando todas as cartas tiverem sido jogadas, ou seja, no final do jogo, cada jogador/a conta as rondas
- Quando todas as cartas tiverem sido jogadas, ou seja, no final do jogo, cada jogador/a conta as rondas que venceu e anota esse número.
que venceu e anota esse número. – Começa um novo jogo. O/a jogador/a que anteriormente iniciou o jogo é quem agora baralha
e distribui as cartas. – Joga-se 3 vezes.
Começa um novo jogo. O/a jogador/a que anteriormente iniciou o jogo é quem agora baralha
e distribui as cartas. – Joga-se 3 vezes. Notas para o facilitador: Tal como se pode verificar, as regras do jogo são ligeiramente
diferentes de mesa para mesa. Isso implica que os/as jogadores/as que mudam de mesa fiquem sob
Regras do Jogo – Mesa 2 regras diferentes embora não o saibam. Com muita frequência, esta situação gera mal-entendidos
- Um dos jogadores baralha as cartas e distribui-as no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio e até mesmo conflitos devido às diferentes regras que cada participante considera como sendo
(8 cartas para cada jogador/a). as corretas.
- As cartas são numeradas de 2 a 10, mais os ases, que têm o valor mais baixo. As espadas valem mais
do que qualquer outro naipe (são o trunfo).
- O/a jogador/a sentado à direita de quem distribui as cartas inicia o jogo e as outras pessoas vão debriefing
jogando uma carta do mesmo naipe. Se não tiver uma carta desse naipe, joga espadas. Se não tiver
espadas, pode jogar qualquer carta. – O/a jogador/a que lançar a carta mais alta ganha essa ronda
e inicia a ronda seguinte. Terminada a terceira etapa do jogo, o formador solicita que os participantes retomem a formação em
- O objetivo do jogo é ganhar o maior número de rondas possível. semicírculo para a discussão em plenário. Conduz a discussão, podendo orientá-la a partir das seguintes
- Quando todas as cartas tiverem sido jogadas, ou seja, no final do jogo, cada jogador/a conta as rondas questões.
que venceu e anota esse número.
Para as pessoas que mudaram de mesa para a segunda etapa do jogo:
Regras do Jogo – Mesa 3 - Como foi a mudança para outra mesa?
- Um/a dos/as jogadores/as baralha as cartas e distribui-as no sentido oposto ao dos ponteiros do - O que foi mais difícil para si?
relógio (8 cartas para cada jogador/a).
- As cartas são numeradas de 2 a 10, mais os ases, que têm o valor mais alto. As copas valem mais do Para os que permaneceram na mesma mesa para a segunda etapa do jogo:
que qualquer outro naipe (são o trunfo). - Como foi quando um novo jogador foi para a sua mesa?
- O/a jogador/a sentado à direita de quem distribui as cartas inicia o jogo e as outras pessoas vão jogando - O que foi acontecendo ao longo da segunda etapa?
uma carta do mesmo naipe. Se não tiver uma carta desse naipe, joga copas. Se não tiver copas, pode - Qual foi a reação durante o jogo?
jogar qualquer carta. - Como se relacionaram entre si?
- O/a jogador/a que lançar a carta mais alta ganha essa ronda e inicia a ronda seguinte.
- O objetivo do jogo é ganhar o maior número de rondas possível. Para as pessoas que mudaram de mesa para a terceira etapa do jogo:
- Quando todas as cartas tiverem sido jogadas, ou seja, no final do jogo, cada jogador/a conta as rondas - Como foi a mudança para outra mesa?
que venceu e anota esse número.

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manual futebol de rua capítulo 5: consciência

E TU, QUE ANIMAL ÉS?


- O que foi mais difícil para si? Desenvolvimento: Aconselha-se este jogo a pessoas que já se conhecem.

Para os que permaneceram na mesma mesa para a terceira etapa do jogo: O facilitador escreve o nome de cada participante numa folha de papel e distribui-as por cada
- Como foi quando um novo jogador foi para a sua mesa? participante, de modo que cada um fique com a folha de outro colega - tantas quantas os participantes.
- O que foi acontecendo ao longo da segunda etapa? De seguida pede ao grupo que desenhe um animal que tenha as características psicológicas
- Qual foi a reação durante o jogo? e comportamentais da pessoa cujo nome se encontra na folha que lhe foi entregue. O desenho deve
- Como se relacionaram entre si? ser claro. O desenho final deve ficar anónimo.
Recolhidos os desenhos, o facilitador deverá fazê-los circular, uma a um, por entre os restantes membros
do grupo. Numa folha grande escrevem-se todas as observações relativas ao desenho e as características
Para todos os participantes: do animal (pessoa). Acabada esta fase, o facilitador distribui novamente a todos os elementos uma folha
- O que é que funcionou? em branco e, desta vez, convida cada membro a desenhar o animal que melhor representa o modo
- O que é que não funcionou? como se perceciona a si próprio.
- O que é que foi mais frustrante? No final, cada participante tem à sua frente dois desenhos de animais: o seu e aquele que o colega
- Poderiam ter lidado com a situação de forma diferente? desenhou. O facilitador deverá ler em voz alta os atributos escritos na folha grande, sugeridos pelo
- Se fosse permitido falar teria sido diferente? Porquê? Qual é a importância da comunicação? grupo, relativos ao animal que cada um escolheu.
Abre-se a discussão e cada um pode avaliar se o animal escolhido pelo colega corresponde e se este
é apropriado à percepção que tem de si próprio. Simultaneamente, o grupo avalia se o animal escolhido
Para o grupo todo, perguntas de conclusão/conceptualização: por cada membro, para se representar a si próprio, é correspondente e apropriado. Deste modo,
- Há paralelismo entre o jogo e as sociedades atuais? Em quê? cruzam-se as perceções, as próprias e as do grupo.
- Já viveram ou presenciaram experiências semelhantes no local de trabalho ou em outros meios?
O que pode fazer?
- Qual foi a coisa mais importante que aprendeu com este jogo? Notas para Facilitador: Durante a observação dos desenhos, é útil solicitar o contributo
de todos na interpretação das características psicológicas que se atribuem ao animal-pessoa e estimular,
durante a comparação dos dois desenhos, a análise de eventuais diferenças na perceção.

Notas para o facilitador: Tal como se pode verificar, as regras do jogo são ligeiramente
diferentes de mesa para mesa. Isso implica que os/as jogadores/as que mudam de mesa fiquem sob Debriefing
regras diferentes embora não o saibam. Com muita frequência, esta situação gera mal-entendidos e até
mesmo conflitos devido às diferentes regras que cada participante considera como sendo as corretas. - Em que medida a perceção que o outro possui de nós coincide com a nossa?
- Porque razão os outros têm uma diferente perceção da nossa?
- O que contribui para a perceção dos outros sobre a nossa pessoa?

90 minutos Baralhos cartas Promover uma reflexão estruturada sobre as dinâmicas 45 minutos Folhas de papel Compreender a relação entre o modo como os outros nos
Instruções de integração, exclusão, assimilação e das relações de Marcadores veem e o modo como nos percecionamos a nós próprios.
Folhas A4 poder que as sustentam através da colocação dos Flipchart
Regras participantes numa situação simulada: um jogo de cartas.

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58
6
resiliência

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manual futebol de rua capítulo 6: resiliência

MALABARISMO NA SALA

Malabarismo pode ser uma palavra complicada e quando pensamos em malabarismo pensamos em
bolas e em garrafas que andam pelo ar e que se mantém numa cadência certa. Malabarismo é também
A partir dos 14 anos
sinónimo de improvisação ou “jogo de cintura”. Nas nossas vidas aparecem situações inesperadas que
nos obrigam a fazer malabarismo.

Este exercício pretender mostrar que podemos enfrentar um problema e encontrar soluções
e não é preciso sermos malabaristas, apenas resilientes.

1. O/A facilitador/a começa por explicar que irá atirar um objeto (ex. bola de andebol) que tem na mão
para alguém no círculo. Essa bola deverá ser atirada e passada por todos/as.
- Explorar o conceito de resiliência através
de exercícios práticos;
- Compreender a importância do
“A melhor defesa não é 2. Assim que a bola for apanhada deve ser atirada para outra pessoa que ainda não tenha recebido
o objeto.
desenvolvimento pessoal em relação
aos aspectos que compõe a resiliência; o ataque. A melhor defesa
- Facilitar a compreensão de como
a resiliência é importante para que se é a resiliência.” 3. Este malabarismo continuará até que o objeto tenha sido passado a toda a gente.
possa aumentar a capacidade de lidar
com problemas, superá-los e aprender 4. Perguntar ao grupo:
com as adversidades; Anónimo
- Como se estão a sentir a dar toques e a passar a bola? As respostas possíveis: confortável, fácil,
-Demonstrar a importância da resiliência
como fator decisivo para atingirmos as divertido, etc.
nossas metas da vida pessoal e profissional; A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, - Podem dar exemplo de malabarismos ou obstáculos nas suas suas vidas todos os dias? Exemplos
-Melhorar a confiança, consciência adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de coisas que somos desafiados a tentar conseguir com atenção, rapidez, em sintonia com outros/as...;
e comunicação individual e em grupo. de situações adversas como o choque, stress..
5. Convidar a que escrevam esses obstáculos num pedaço de fita papel e que as colem na bola - Dar
10 minutos para que todos possam escrever. (Fitas pequenas)

Cada um/a deve memorizar a quem estão a lançar o objeto e de quem o recebem já que a atividade
consistirá em repetir a mesma ordem de lançamento o mais rapidamente possível. Permitir que
o grupo pratique para se familiarizar com a ordem de lançamento.

6. Perguntar: Onde/Em que contextos ou situações nos deparamos com essas exigências? (as respostas
Comunicação a estas perguntas podem incluir: escola, casa, tarefas domésticas, amigos/as, desporto, compromissos
Consciência familiares, clubes escolares, encontros / relacionamentos, etc.)
Cooperação
Criatividade
7. Pedir que escrevam as respostas do grupo em novos pedaços de fita para colar noutros objetos
disponíveis na sala (ex: ténis)

Posteriormente, o grupo deve tentar fazer malabarismos com mais de um objeto, para tornar
a atividade mais “realista” e desafiadora.

8. Começar com um objeto e ir introduzindo progressivamente os outros no malabarismo de grupo,


Sala/Ar Livre seguindo a mesma ordem, até que todos os objetos estejam em movimento.

60 61
manual futebol de rua capítulo 6: resiliência

A atividade normalmente tornar-se-á mais caótica e agitada e os objetos podem cair. Depois de alguns 3. Pede-se 5 minutos ao grupo para que inicie a atividade.
minutos a fazer malabarismos com os objetos, parar a atividade novamente e questionar:
- Como é manipular todos esses objetos? 4. Só pode passar um de cada vez. Este exercício é ótimo para jovens: é uma ótima atividade de resolução
(As respostas podem incluir: mais difícil, mais divertida, etc...) de problemas que empurra os jovens a trabalhar juntos para resolver o enigma do campo minado.
Normalmente, o que acontece é que cada indivíduo memoriza a localização de cada mina conhecida
9. Como podemos melhorar o malabarismo de grupo e lidar com cada vez mais objetos no jogo? e o que eles perceberão em breve é que é mais fácil e eficiente se todos trabalharem juntos para
Permitir que o grupo dê estratégias e compartilhe ideias de como podem melhorar. memorizar certas seções do campo minado. Esta atividade é excelente para incentivar o trabalho em
equipa, cooperação e comunicação.
Pode-se praticar este exercício com uma bola de futebol. Os participantes podem passar a bola
de uma determinada forma (com o peito, de cabeça, com o pé …) NOTA IMPORTANTE:O facilitador aponta num papel as minas no campo, como está no exemplo,
e não pode mostrar aos participantes.
Conclusão: Nas nossas vidas também temos que “equilibrar” lidar/responder a vários desafios,
muitas vezes em simultâneo, que ajudas procuramos?/ou o que fazemos para lidar com essas exigências?
Iniciar uma conversa sentados em círculo e deixar livremente fluir. chegada

70 minutos Bolas de andebol, futebol, Facilitar a compreensão de como a resiliência é importante


ténis para que se possa aumentar a capacidade de lidar com
Fita cola pintor problemas, superá-los e aprender com as adversidades;
Marcadores Sensibilizar os participantes para a importância da resiliência,
enquanto fator descoberta das próprias fortalezas emocionais
Objetos aleatórios
e como agente impulsionador para superar desafios.

partida

CAMPO MINADO
Os participantes devem passar num campo de minas e atravessar sem pisar uma “mina”. Se pisarem
uma “mina” devem voltar ao ponto de partida. A equipa tem permissão para planear e elaborar
estratégias, mas precisa permanecer em silêncio quando o jogo começar.
70 minutos Marcação do campo minado Facilitar a compreensão de como a resiliência é importante para
1. É desenhado no chão um quadrado de 6 por 6. (antes do inicio) Campo minado secreto para que se possa aumentar a capacidade de lidar com problemas,
facilitador/a superá-los e aprender com as adversidades;
Fita cola pintor/corda Sensibilizar os participantes para a importância da resiliência,
2. O facilitador aponta com uma cruz 6 (ou mais) minas dentro do grande campo de minas em segredo enquanto fator descoberta das próprias forças emocionais e
sem o grupo saber. como agente impulsionador para superar desafios.

62 63
manual futebol de rua

PHOTO FINISH
O objetivo do desafio é que todo o grupo atravesse a linha exatamente ao mesmo tempo. Esta dinâmica
envolve planeamento, comunicação e resiliência.

Juntar o grupo em círculo. Peça a um participante que leia em voz alta a seguinte frase:
“O ingrediente individual mais importante na fórmula do sucesso é saber como se dar bem com
as pessoas.” - Theodore Roosevelt

A seguir o/a facilitador/a introduzirá o exercício: Vocês vão trabalhar em conjunto para terminar
uma corrida. Devem trabalhar em conjunto para alcançar o objetivo de cruzar a meta ao mesmo tempo.
Todos os elementos terão que cruzar a meta exatamente ao mesmo tempo.
O grupo tem 15 minutos para fazer cinco tentativas.

Se não cumprirem o grupo deve recomeçar reunir o grupo de um lado da linha de chegada e explicar
as regras. O facilitador deve estar posicionado numa extremidade da linha de chegada para julgar.
Cada vez que alguém cruzar a meta adiantado ou atrasado o/a facilitador/a diz “clique!”
Se o grupo se sentir um pouco perdido juntar novamente em círculo e questionar:
O que está a funcionar? Que ideias ainda não experimentaram?

Nota ao facilitador: Avalie os resultados e ajuste conforme necessário.

40 minutos Fita pintor para Testar a resiliência e a paciência do grupo face a um desafio;
marcação da meta Facilitar a compreensão de como a resiliência é importante
para que se possa aumentar a capacidade de lidar com pro-
blemas, superá-los e aprender com as adversidades;

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7
compromisso

67
manual futebol de rua capítulo 7: compromisso

CONTRATO SILENCIOSO
Numa primeira fase, o facilitador coloca três folhas de flipchart espalhadas pelo espaço e solicita
a cada participante que contribua para cada uma.

A partir dos 14 anos


Na folha 1, o facilitador deverá escrever – compromisso para comigo mesmo;

Na Folha 2, deverá escrever - compromisso para com a equipa;

Na Folha 3, deverá escrever – compromisso para com a organização.

Numa segunda fase, entregar a cada participante uma fotografia da equipa, em formato A5 (Postal)
e solicitar a cada participante que enuncie qual o seu compromisso para com a equipa, organização
Compromisso através de exercícios
“Compromisso, trabalho em equipa e para com ele próprio, ao longo do ano. No final, colocar o postal num envelope, escrevendo a sua
práticos;
Trabalhar e desenvolver a identidade e vontade de aprender, são chaves própria morada no envelope e fechando o envelope. O envelope deverá ser entregue ao facilitador,
devendo este, no final do ano, remeter por correio postal, o mesmo ao seu destinatário.
de grupo através de dinâmicas de
compromisso entre outras dimensões para conquistar a excelência”
que sensibilizam o grupo para uma maior
motivação no dia a dia;
Melhorar a confiança, consciência
Anónimo Nota para facilitador: A primeira fase do exercício serve para que, cada um dos
e comunicação individual e em grupo. participantes possa escrever, partilhar e perceber junto dos outros colegas de equipa quais os diferentes
Compromisso é uma forma de alguém se vincular ou assumir níveis de compromisso que cada um assumirá.
uma obrigação com outro ou com algum objetivo. É uma
responsabilidade adquirida. Mais do que a competência, será Na segunda fase do exercício, o participante é desafiado a escrever uma carta para si mesmo, onde
o nosso compromisso para com o alcançar de um objetivo que identifica os seus diferentes níveis de compromisso. Ao final de 12 meses, o participante, ao receber
nos levará ao sucesso. o postal em casa terá a oportunidade de fazer uma avaliação da sua prestação e do seu compromisso
ao longo do ano.
Um determinado objetivo de equipa ou meta individual
nunca terá o mesmo peso sem que nos responsabilizemos
pessoalmente por fazer com que o mesmo aconteça.
Comunicação
Consciência
Cooperação
Criatividade

60 minutos Folhas Promover o conhecimento mútuo dos elementos do grupo


Flipchart de participantes, suas semelhanças e diferenças;
Fotografias da equipa Estimular um ambiente descontraído.
Sala/Ar Livre Envelopes
Marcadores

68 69
manual futebol de rua capítulo 7: compromisso

NÓ HUMANO REDAÇÃO EM CORRENTE

Com os participantes separados uns dos outros cerca de 2 metros, o facilitador dá um nó com a corda, Numa folha de papel do tamanho de uma folha de flipchart, A1 ou maior, o facilitador deverá escrever
em volta de um dos braços de cada participante (podendo perguntar ao participante qual o braço que uma palavra qualquer para iniciar a corrente da redação (por exemplo: EU, NÓS, SE, TALVEZ, SEI QUE,
quer ver “preso”. ESPERO, etc.), solicitando a cada participante que contribua para a redação, colocando uma palavra
ou pequena frase a que se dê continuidade. Sucessivamente, todos os participantes deverão dar
Posteriormente, pedir a cada participante que encontre um novo colega e que dê a mão que está continuidade ao texto. Em diferentes espaços da folha, o facilitador poderá introduzir novas palavras,
livre a qualquer um dos outros colegas. Após todos os participantes terem dado as mãos, pedir aos conduzindo assim a redação do texto.
participantes que desatem o nó, sendo que apenas poderão utilizar a mão que se encontra livre.

Debriefing
Nota para facilitador: Conduzir o texto, solicitando aos participantes que escrevam um
texto relacionado com os diferentes níveis de compromisso existentes na equipa.
Os nós representam os problemas que o grupo necessita de resolver e a forma como se comportaram,
o compromisso de cada um perante o outro e o desafio total. Quantos grupos diferentes estavam
a trabalhar neste desafio ao mesmo tempo? Quando o seu lado da corda foi desamarrado, ajudou
o outro ou apenas se libertou? Porquê? Existem “nós” na sua equipa que precisam ser desembaraçados?
Qual o papel que tem no desfazer desse nó? Exemplo:

Eu ______________________________ se _____________________.

Sei que ____________________________ eu _________________ talvez

_________________________ nós______________________ .

45 minutos Corda Gigante Praticar a aprendizagem cooperativa;


Estimular um ambiente descontraído.

45 minutos Flip Chart Praticar a aprendizagem cooperativa;


Marcadores Promover o papel de cada um no sucesso do grupo;
Estimular um ambiente descontraído.

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8
responsabilidade

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manual futebol de rua capítulo 8: responsabilidade

CIRCUITO
Dividir os participantes em pequenos grupos de cerca de oito a dez pessoas e pedir para estes se
organizarem em círculo. A cada grupo, dê uma bola de ténis e passe a explicar as regras do jogo:
Cada grupo está em competição com os outros grupos na sala. O grupo que completar a maioria dos
“circuitos” num determinado tempo será o vencedor. Um circuito termina quando todas as pessoas no
A partir dos 14 anos
grupo tiverem tocado na bola de ténis.
Somente uma pessoa no grupo pode tocar na bola de ténis de cada vez.

Nota para facilitador: O facilitador pode querer parar o exercício para obter feedback
dos participantes e perceber se estes se estão a tornar mais eficientes. O facilitador pode ainda adicionar
Explorar o conceito de responsabilidade
através de exercícios práticos;
“A responsabilidade da tarefas, em cada circuito tornando o exercício mais difícil de executar.

Desenvolver capacidades de negociação


e tomada de decisões;
tolerância está com os que têm
Desenvolver a perceção dos benefícios
e desafios do trabalho em equipa e a visão mais ampla.”
cooperação;
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo.
George Eliot

Responsabilidade é ter a capacidade de cada um responder pelos


20 minutos Bolas de ténis Desenvolver capacidades de negociação e tomada de decisões;
seus atos e cumprir com suas obrigações. Não é necessário que Desenvolver a perceção dos benefícios e desafios do trabalho
deixemos de fazer nada daquilo que queremos e pretendemos, em equipa e cooperação.
mas é fundamental que tenhamos a responsabilidade e maturidade
para assumir as consequências das nossas ações. Em conjunto
com o respeito, a responsabilidade é um dos pilares da sociedade.
Comunicação
Responsabilidade
Cooperação
Criatividade

PERDIDOS NA LUA

Este exercício procura demonstrar o quanto um individuo é responsável pelas suas decisões e dos
outros, bem como, de que forma a sua decisão é capaz de influenciar ou ser influenciada pelos outros.
Sala/Ar Livre O facilitador, entrega a cada participante uma folha com a grelha e desafio
apresentado, em baixo.

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manual futebol de rua capítulo 8: responsabilidade

Fase 1. Trabalho Individual (20 minutos)

1. Cada indivíduo deverá estabelecer qual a ordem preferencial e respectiva


classificação e preparar-se para argumentar a suas escolhas perante o grupo. Dividir o grupo grande
em grupos de 4-6 pessoas, procurando encontrar em cada um grupo um observador.

Fase 2. Trabalho de Grupo (35 minutos)

1. Cada grupo deverá agora considerar-se numa situação de reunião de equipa. O objectivo é tomar
uma determinada decisão num tempo limitado.
Tendo por base as classificações individuais a equipa deverá construir e decidir sobre uma classificação
comum. Deverão procurar o consenso e evitar situações de conflito.

Debriefing (25 minutos)

- Conseguiram identificar qualquer processo de liderança?


- Essa liderança foi natural, imposta ou escondida?
- Qual o envolvimento de cada elemento na decisão final?
- Existiram conflitos? Como lidaram com esses conflitos?

És o membro de uma equipa de astronautas, cuja missão inicial é partir numa missão espacial de forma
a continuar um projeto de investigação, numa estação espacial, situada no lado direito da lua. Alguns
problemas mecânicos obrigaram-te a aterrar no outro lado da lua, 320km afastado do ponto inicial
de aterragem.

Durante o processo de aterragem, a maioria do material a bordo ficou danificado. É de extrema


importância que a equipa consiga chegar ao ponto inicial e para tal é necessário que escolhas
o equipamento necessário para essa viagem de 320 km.

No quadro ao lado, encontrarás uma lista de 15 artigos, que ainda se encontram em funcionamento.
A tua tarefa é selecioná-los e classificá-los por prioridades, tendo em consideração a sua
importância para ti, de forma a conseguires chegar ao ponto de encontro. Coloca o número 1 em
frente do artigo que consideras o mais importante e assim consecutivamente.

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manual futebol de rua capítulo 8: responsabilidade

As diferenças entre os resultados individuais e do grupo são o espelho do envolvimento de cada


participante na equipa e o impacto da equipa nos comportamentos de cada um.

90 minutos Folhas com grelha e desafio Desenvolver capacidades de negociação e tomada de decisões;
Folhas A4 Desenvolver a perceção dos benefícios e desafios do trabalho
Marcadores em equipa e cooperação.

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manual futebol de rua capítulo 8: responsabilidade

A MENSAGEM RITUAL CELTA


Dividir o grupo em pares. Pedir para que um membro de cada par se retire da sala de forma a que Cada participante terá a oportunidade de riscar um fósforo para que fale quem tem vontade. Eis algumas
os demais recebam as instruções. Solicitar àqueles que ficaram na sala que ajudem a arrumar o espaço, regras:
colocando as cadeiras de cada par, uma de costas para a outra, deixando uma certa distância entre os
conjuntos para que não haja interferência entre os grupos. 1. Se não acender ou partir = Não fala. O participante não tem direito de falar.

Instruções para os que ficaram na sala: 2. Se acender = Decide se usa o tempo falando enquanto houver a chama ou se apaga a chama
- Cada um será o recetor de uma mensagem e que o seu colega irá transmitir; no copo com água.
- Sente-se de costas para ele e use a folha de papel para anotar a mensagem que o emissor (colega), irá
transmitir. Não pode fazer perguntas ao emissor nem interrompê-lo; 3. Todos os depoimentos devem ser feitos na primeira pessoa.
- Não emita qualquer tipo de reação que venha a demonstrar a forma como está a receber, ou não,
a mensagem. 4. Se a chama se apagar = o participante deverá parar de falar imediatamente.

Instruções para os que saíram da sala:


- O conjunto de figuras presentes na folha (entregar folha com figuras), é a “mensagem” que você
deverá transmitir ao seu colega. Tanto você quanto o “receptor” deverão sentar-se de costas um para
o outro, de forma que você não perceba como a mensagem será recebida; Notas para o Facilitador: Para terminar, pedir ao grupo para compartilhar sensações,
- Dê indicações/instruções para o seu recetor sobre a forma como deverá desenhar o conjunto ideias, etc... Esta atividade pode ser usada em grupos onde somente os líderes falam e as outras pessoas
de figuras; não têm a oportunidade de manifestar a sua opinião.
- Inicie pela primeira, indicada com o número 1 e descreva cada uma de forma sucessiva, prestando
sempre atenção para a ligação entre figuras;
- Não se esqueça de que o seu receptor deverá passar a mensagem para uma folha de papel
em branco.
- Não é permitido ao receptor fazer perguntas, rir, suspirar, ou qualquer outro tipo de comunicação
que possa transmitir qualquer informação sobre como ele está a receber a comunicação;
- Não deixe que ele veja a folha com as figuras.

Terminada a tarefa, cada colega pode mostrar ao outro, tanto a folha da mensagem original quanto
aquela que foi recebida. O instrutor solicita que cada par fixe a mensagem recebida na parede, 30 minutos Fósforos Estimular a avaliação em grupo;
de forma a que seja selecionada a melhor. Promover a partilha como um momento de aprendizagem
e de responsabilidade.

30 minutos Cadeiras Levar os participantes a refletirem sobre as dificuldades


Folhas de papel e distorções que ocorrem entre o emissor e o receptor
Marcadores da mensagem.
Folhas com imagens

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9
comunicação

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manual futebol de rua capítulo 9: comunicação

CADEIA HUMANA OU A MENSAGEM


O grupo forma uma linha de costas uns para os outros. À primeira pessoa é mostrada uma imagem
pelo/a facilitador/a e deve então informar à próxima pessoa o que é e este processo continua até que
A partir dos 14 anos a última pessoa receba a descrição e ele/a deve então tentar recriar a imagem. O objetivo é tentar
combinar a imagem original mostrada pelo/a facilitador/a.

notas sobre a atividade: Para começar o desafio, deve desenhar-se uma figura
simples, e ir aumentando a dificuldade à medida que se for jogando. Podem usar-se algumas imagens
relacionadas com o valor a trabalhar.
Explorar o conceito de comunicação
através de exercícios práticos;
Compreender a importância da
comunicação e dos diferentes tipos
de comunicação na vida profissional “Comunicação é a arte
e pessoal, assim como adquirir
competências ao nível das estratégias
facilitadoras da comunicação;
de ser entendido”
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo. Peter Ustinov

Comunicação é uma palavra derivada do termo latino


“communicare”, que significa “partilhar, participar algo, tornar
comum”.
Através da comunicação, os seres humanos e os animais 40 minutos Imagens em folhas A4 Conhecer diferentes tipos de comunicação e facilitar
o processo de comunicação entre pares;
partilham diferentes informações entre si, tornando o ato Identificar vários tipos de comunicação.
de comunicar uma atividade essencial para a vida em sociedade.
Comunicação
Cooperação
Criatividade

DESENHO ÀS CEGAS
Divida o grupo em pares. Os participantes de cada dupla devem sentar-se de costas um para o outro.
Um deles receberá um papel com uma figura – círculo, coração, estrela etc. O outro receberá um papel
em branco e um lápis. Peça ao participante que recebeu a figura para passar as instruções para o seu
Sala/Ar Livre parceiro sobre como desenhar aquele objeto, mas sem dizer o que é exatamente. Dê às duplas cinco
minutos para executar essa tarefa. Os dois devem entender-se para conseguirem reproduzir a figura.
No final, devem comparar os desenhos para verificar se conseguiram comunicar de forma efetiva
e conversar sobre o processo e as possíveis falhas na comunicação.

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manual futebol de rua capítulo 9: comunicação

GPS NÃO VERBAL


O grupo é dividido em 4 grupos e cada um escolhe um líder. O líder tem de criar uma estrada
imaginária e guiar os outros elementos sem dizer uma palavra.
Fazem a performance todos ao mesmo tempo. O líder acompanha o “carro” de longe.
Imagens em papel Conhecer diferentes tipos de comunicação e facilitar
No fim do exercício falar com o grupo sobre:
60 minutos
Lápis/marcadores o processo de comunicação entre pares; - Que técnicas usaram, que gestos, foi fácil ? …
Identificar vários tipos de comunicação. - A comunicação foi eficaz?
- O que mais podíamos fazer para melhorar a performance?

Este exercício pode ser usado como início de uma sessão sobre comunicação. Deixar que
RETRATO VERBAL o caos se instale na sala ou no campo. O/a facilitador/a decide se os voluntários já sabem
que vão desempenhar uma tarefa ou não. Decisão consoante o grupo e as necessidades.
Dividir o grupo em três equipas e pedir aos grupos que criem uma lista de formas verbais e não verbais
de comunicação dentro e fora do campo.
Escrevam as ideias em flipcharts e partilhar em plenário.
Pedir ao grupo que se divida em pares e se sentem costas com costas. Dar a uma pessoa do par uma
folha A4 e lápis. Dar à outra pessoa uma foto e dizer-lhe para não mostrar essa foto a ninguém.
Em seguida pedir à pessoa com a imagem para descrever a imagem ao seu parceiro.
Não podem dizer qual é a imagem, apenas dar instruções claras do que desenhar, por exemplo,
“Comece por desenhar um triângulo no meio da página”.
Uma vez que os pares tenham terminado de desenhar, troca-se de papéis.

Perguntar ao grupo:
- Que formas de comunicação verbal usaram?
- O que acharam fácil? 30 minutos Imagens em papel Conhecer diferentes tipos de comunicação e facilitar
Lápis/marcadores o processo de comunicação entre pares;
- O que acharam difícil? Identificar vários tipos de comunicação.

60 minutos Flipcharts para listas Conhecer diferentes tipos de comunicação e facilitar


Folhas A4 o processo de comunicação entre pares;
Marcadores Identificar vários tipos de comunicação e aprender a trabalhar
Imagens com eles.

86 87
manual futebol de rua

TREINADOR DE GOLFINHOS

É pedido ao grupo (TREINADORES) que escolha três voluntários (GOLFINHOS) que abandonam a sala
ou se afastam. Os treinadores decidem uma tarefa simples para que os golfinhos realizem assim que
entram na sala.
Quem entra na sala sabe apenas que vai realizar uma tarefa não sabendo qual. Os treinadores vão ba-
tendo as palmas em crescente se sentirem que o participante está a aproximar-se da tarefa. A energia
das palmas vai aumentando conforme a resolução da tarefa. Se o golfinho estiver longe não existem
palmas.

Notas: A cada elemento no exterior é dada uma tarefa diferente mas também indicações diferentes
por parte do formador. As informações do formador no exterior são cada vez mais completas. Os gol-
finhos que executam as tarefas vão ficando na sala e participando como treinadores.

Nota para o facilitador: O facilitador decide se os voluntários já sabem que vão de-
sempenhar uma tarefa ou não. Decisão consoante o grupo e as necessidades.

Referir que os golfinhos são treinados por palmas e vão reconhecendo atitudes certas. Ao ouvirem as
palmas sentem que fizeram um bom trabalho.

Por vezes na nossa vida é importante que as nossas ações sejam guiadas “por palmas” dos amigos,
treinadores, professores, família. Por vezes também é preciso perdermo-nos um pouco para
encontramos o caminho certo…

Falar no final da comunicação positiva e das diferentes mensagens que temos no nosso dia-a-dia.
Primeiro perguntar aos golfinhos e depois perguntar aos treinadores.

Finalizar o debriefing com a pergunta aos dois golfinhos (que depois se tornaram treinadores).
Permitir que todos falem e que digam os seus sentimentos.

Nota para o facilitador: Este exercício é parecido com o Quente e Frio mas de uma
forma mais refletiva.

80 minutos Não é necessário Conhecer diferentes tipos de comunicação e facilitar o processo


qualquer material. de comunicação entre pares;
Identificar vários tipos de comunicação.

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10
trabalho
de
equipa

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manual futebol de rua capítulo 10: trabalho de equipa

MOLÉCULAS

Criar grupos a partir de um tema comum. Pedir ao grupo que ande pela sala, ou pelo campo, à vontade
e ao sinal do facilitador devem parar e ouvir a seguinte frase:“Juntem-se de acordo com a cor preferida”.
A partir dos 14 anos Em seguida, os participantes têm que procurar alguém cuja cor preferida seja igual. A ideia é que falem
alto e se façam ouvir. Após a criação dos grupos o facilitador deve confirmar se as correspondências
fazem sentido.

Outros temas:
- clube desportivo;
- prato preferido;
- bebida preferida;
- cidade favorita;
Explorar o conceito de trabalho em - país preferido.
equipa através de exercícios práticos;
Trabalhar os aspetos associados ao
trabalho de equipa em ambientes
“Para sobreviver e ser feliz,
profissionais e pessoais;
Identificar os elementos que impulsionam precisa de treinar, Nota para o facilitador: Adicionar temas conforme o objetivo da sessão ou conforme
trabalhar e de viver em equipa”
as equipas a trabalhar mais próximas necessidade do grupo.
e melhor em conjunto;
Sensibilizar para a importância da
responsabilidade individual no trabalho Augusto Cury
em equipa;
Melhorar a confiança, a consciência e a
comunicação individual em grupo. O trabalho de equipa é quando um grupo ou uma sociedade
resolve criar um esforço coletivo para resolver um problema. Por
outras palavras, também pode ser descrito como um conjunto
ou um grupo de pessoas que se dedicam a realizar uma tarefa
ou um determinado trabalho.
30 minutos Não é necessário Facilitar a compreensão de como o trabalho de equipa
qualquer material. é importante para aumentar a capacidade de apreenssão ao
nível desportivo e social.

Comunicação
Trabalho de equipa
Cooperação
Criatividade

BATATA QUENTE DESPORTIVA


Um exemplo de um exercício simples que pode ajudar a desenvolver uma competência específica para
o desporto é o da Batata Quente Desportiva.
As equipas (de 6 ou mais participantes) devem ficar em círculo e passar a bola entre elas.
Sempre que o círculo de passes é completado, as equipas dão um passo para trás. À medida que
o círculo fica maior a dificuldade do jogo aumenta. Depois de alguns minutos, o maior círculo vence.
Sala/Ar Livre

92 93
manual futebol de rua capítulo 10: trabalho de equipa

É um jogo de equipa frenético que envolve diversão, estimulação e competitividade. No fim, deve
existir espaço para os participantes (em plenário) poderem comentar. JOGA +
Podem-se usar balões em vez de bolas de futebol e até mesmo bolas de ténis (mais difícil).
-Dividir o grupo em equipas de 4 ou mais participantes;
NOTA PARA FACILITADOR/A: Podem-se usar balões em vez de bolas de futebol e até mesmo -Fazer uma lista de tarefas desportivas para cada equipa.
bolas de ténis (mais difícil).

Tarefas:

- Jogar uma partida de futebol (com duração de 5 minutos) cujo o resultado final seja 7-5;
- Organizar uma corrida de estafeta (o testemunho é um copo com água);
- Jogar uma partida de andebol com uma bola invisível;
- Jogar uma partida de futebol com uma bola de ténis;
- Jogar uma partida de futebol sem usar os pés.
(…)
30 minutos Bola de Futebol Facilitar a compreensão de como o trabalho de equipa
é importante para que se possa aumentar a capacidade de
aprender e crescer ao nível desportivo e social.
A cada equipa irá dar-se uma lista com três tarefas que devem ser realizadas num determinado período
temporal. Quem completar mais tarefas em menos tempo ganha!
no final, deve-se juntar o grupo em plenário para falarem sobre as decisões e as tarefas realizadas.
Como foi trabalhar em grupo?

JOGO DE POSSIBILIDADES
É um ótimo jogo de construção de equipa.

Primeiro, deve-se dividir o grupo em grupos mais pequenos. De seguida, o/a facilitador/a deve dar um
objeto ao grupo. Para no fim, individualmente (um de cada vez), os participantes darem uma utilidade
a esse objeto. O resto da equipa deve adivinhar o que o/a jogador/a está a demonstrar.

O apresentador não pode falar e as demonstrações devem ser o mais originais possível. 60 minutos Tarefas escritas em folhas
Copos de água
Facilitar a compreensão de como o trabalho de equipa é
importante para que se possa aumentar a capacidade de
Bolas de ténis aprender e crescer ao nível desportivo e social;
Bola de futebol Promover a ação desportiva multidisciplinar como agente
impulsionador de aprendizagem e de aquisição de competências.

40 minutos Vários objetos Facilitar a compreensão de como o trabalho de equipa


é importante para que se possa aumentar a capacidade de
aprender e crescer ao nível desportivo e social;
Pretende-se que cada participante possa ter espaço para
trabalhar a improvisação através do trabalho em equipa.

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11
cooperação

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manual futebol de rua capítulo 11: cooperação

FAZ A TUA EQUIPA


Jogo de apresentações.

A partir dos 14 anos Esta atividade fortalece as competências de comunicação.


Os elementos do grupo devem agir rapidamente para formar equipas pequenas com base nas instruções
que o/a facilitador/a disser. Por exemplo, algumas dessas instruções podem incluir:
- “Entre numa equipa com pessoas que tenham o mesmo número de calçado;
- “Entre numa equipa com pessoas que gostam do mesmo tipo de música”.
Quando a equipa estiver pronta devem anunciar:
- Temos equipa! Repita o exercício quantas vezes quiser.

Explorar o conceito de cooperação


através de exercícios práticos;
Envolver os mecanismos da cooperação para
“A cooperação é a convicção
notas para o Facilitador: Conversar com o grupo sobre como essa atividade os
o desenvolvimento pessoal e profissional;
Despertar a consciência de cooperação
plena de que ninguém pode chegar incentivou a comunicarem. Como é que podem aprender a comunicar de forma mais eficaz em situações
e promover efetivamente a entre-ajuda;
Melhorar a confiança, a consciência e a à meta se não chegarem todos.” de trabalho no futuro?
comunicação individual e em grupo.
Virginia Burden

-Cooperação é uma ação conjunta para uma finalidade e para


um objetivo comum;
-Cooperação é uma relação baseada entre indivíduos ou
organizações através de metódos consensuais;
-Cooperação opõem-se a competir;
20 minutos Não é necessário
Os participantes podem organizar-se em grupos (que cooperam qualquer material.
internamente) e competem com outros participantes de outros
Comunicação
Cooperação grupos.
Criatividade
A cooperação é vista como a forma ideal de gestão das interações
humanas.

BOLA POR CIMA E BOLA POR BAIXO


Este jogo tem como objetivo trabalhar a coordenação motora, concentração, velocidade e também a
cooperação. Através deste pequeno jogo testamos a cooperação das equipas e sentimos a organização
Sala/Ar Livre do grupo, o incentivo de equipa e o trabalho conjunto.
Participantes dispostos em duas colunas, estando o primeiro participante de cada equipa com uma
bola nas mãos.

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manual futebol de rua capítulo 11: cooperação

1- Ao sinal do facilitador, o primeiro participante (de cada coluna) deve passar a bola ( com duas mãos)
por cima da cabeça ao participante que lhe precede, até chegar ao último da fileira. Este último parti- Tarefa 3: Fotografar 10 objetos que simbolizem o futebol de rua;
cipante, deverá agarrar a bola e correr até a frente e garantir a repetição da atividade.
Tarefa 4: Criar uma coreografia sobre o futebol de rua para festejar com um golo;
2- Assim que todos os participantes completarem a tarefa, o/a facilitador/a deve pedir para que todos
fiquem de pernas afastadas e que passem a bola (por baixo das pernas e de mão em mão) até que Tarefa 5: Fazer um desenho numa folha A3 que simbolize o futebo de rua.
todos completem a tarefa.

3- O primeiro participante da coluna deve passar a bola por cima da cabeça, o segundo participante Algumas notas sobre a atividade: Dividir os grupos em espaços diferentes.
deve agarrar a bola e passar por baixo das pernas, o terceiro deve receber a bola e passar por cima
e assim sucessivamente até que todos completem a prova.
Debriefing
No final, reune-se o grupo para se fazer um balanço sobre o que foi feito e como foi feito em cada
mini-grupo. Por exemplo:
- Como decidiram a tarefa?
- Participaram todos? Em equipa faz-se mais? …

Notas para o facilitador: As tarefas podem ser decididas consoante as necessidades


20 minutos 2 bolas de futebol Trabalhar a coordenação motora e a cooperação;
Testar a cooperação das equipas e o sentindo de organização ou interesses do grupo. O facilitador tem que estar atento ao desempenho das equipas e anotar algu-
do grupo e o trabalho conjunto. mas incidências durante a preparação e o desenvolvimento da tarefa.

A MISSÃO
Esta dinâmica pretende desafiar o grupo a realizar tarefas e a promover o espírito de cooperação através
de auto-motivação. 50 minutos Folhas com tarefas Envolver os mecanismos da cooperação para o desenvolvimento
Máquina fotográfica/ smart- pessoal e profissional.
Em primeiro lugar, o grande grupo deve ser dividido em três. Estes três sub-grupos irá receber um phone
envelope com três (ou cinco) tarefas simples que devem ser cumpridas em 15 minutos. Destas três (ou Marcadores/canetas
cinco) tarefas têm que escolher uma. O objectivo é perceber porque escolheram aquela tarefa em Folhas A4 e A3
detrimento de outras.

Tarefa 1: Dar toques numa bola só com os pés (durante 4 minutos) sem deixar que a bola toque no
chão (grupo todo);

Tarefa 2: Escrever uma carta ao presidente da República a explicar a importância do futebol de rua;

100 101
manual futebol de rua

1,2,3 MACAQUINHO DO CHINÊS


Este jogo/exercício é praticado há muito tempo pelos mais novos. Pretende-se que este exercício
promova a cooperação e o trabalho em grupo.
Através de um jogo divertido é possível trabalhar a cooperação de uma forma muito simples e eficaz,
aproximando o grupo da estratégia cooperativa. O grupo é convidado a jogar ao macaquinho do chinês
na versão tradicional.
Escolhe-se uma pessoa para ficar de costas para o grupo e que diga 1,2,3 macaquinho do chinês, de
seguida esta mesma pessoa olha rapidamente para o grupo na tentativa de apanhar alguém ainda em
movimento.

Os outros participantes devem tentar chegar ao local/parede de contagem (a correr ou a andar) mas
quando o contador se vira, devem estar imóveis pois as estátuas não podem fechar os olhos nem se
mexer. A pessoa que conta não pode tocar nas estátuas e nem lhes atirar objetos para que estas se
movam. Ganha quem chegar primeiro à parede e disser stop sem nunca ter sido visto pela pessoa que
está a contar.

Nota para facilitador: O objeto pode variar bem como a estratégia.

De seguida, é proposta uma variação: o grupo deve jogar ao macaquinho do chinês, seguindo as
mesmas regras, mas transportando uma bola que não pode ser vista por quem está a contar.

Debriefing
No final conversar com o grupo sobre:
- Como organizaram o trabalho em conjunto?
- Foi sem querer ou acordaram uma tática?…
- Todos/as colaboraram para conseguir atingir o objetivo comum?

Falar um pouco da cooperação e da importância da mesma no desporto e na vida.

40 minutos Bola ou outro objeto Envolver os mecanismos da cooperação para o desenvolvimento


pessoal e profissional;
Trabalhar a coordenação motora e cooperação;

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104
12
resolução
de
conflitos

105
manual futebol de rua capítulo 12: resolução de conflitos

ISSO IRRITA-ME TANTO


Este jogo de aquecimento dá inicio à sessão, ao reconhecermos de que a raiva é uma emoção que
todos sentimos. Toda a gente fica irritado quando uma situação específica provoca um certo
A partir dos 14 anos sentimento ou pensamento. E isso pode ser uma resposta direta a algo que aconteceu ou uma reação
a experiências anteriores. Os voluntários começarão a refletir na diferença das provocações pessoais,
ao rever as respostas partilhadas pelo grupo.

1. O/a facilitador/a deverá dividir o espaço de jogo ao meio, marcando uma linha central.
Explique ao grupo que vai ler uma série de situações que podem ou não irritá-los. Apresente os dois
lados da sala/campo marcados com as folhas ZANGADO e NÃO ZANGADO e peça aos participantes
para se deslocarem para o lado que melhor reflete os seus sentimentos.

Explorar o conceito de resolução de 2. Os participantes deverão estar todos colocados numa das linhas do campo. Após a leitura da
“Devemos promover a coragem
conflitos através de exercícios práticos;
Promover a participação ativa e a crítica afirmação por parte do/a facilitador/a, deverá posicionar-se progredindo com a bola. Para marcar a sua
construtiva; posição deverá realizar 10 toques.
Os participantes desenvolverão compe-
tências que lhes permitam:
onde há medo , promover o acordo
3. Encoraje o grupo a ser honesto com as suas reações. Sublinhe o facto que a raiva é uma emoção
- Saber como sair das situações de
diálogo difícil;
onde existe conflito, e inspirar tão válida como qualquer outra, e que todos temos o direito de nos irritarmos com certas situações.
- Construir uma solução conjunta
dos conflitos, tirando partido das esperança onde há desespero”
divergências; 4. À medida que a atividade progride, reveja o processo com o grupo. Porque é que uma certa
- Encontrar as soluções equilibradas; situação provoca raiva? Há pontos comuns? Por exemplo, a maioria do grupo fica irritado com
- Melhorar a confiança, consciência Nelson Mandela
arrogância ou desrespeito?
e comunicação individual e em grupo.
O conflito é um fenómeno social e multidimensional que
faz parte integrante da existência humana e essencial para 5. Os participantes poderão argumentar a sua posição, devendo, para o efeito, passar a bola ao/à
o processo de evolução da humanidade e da sua transformação facilitador/a (sendo que o facilitador apenas poderá ter uma bola em sua posse).
social. O conflito faz parte da nossa vivência enquanto
atores sociais que se encontram em constante interação com
os outros, sendo parte integrante da vida dos indivíduos. A sua
gestão eficaz promove o crescimento e desenvolvimento de Exemplo de Afirmações:
Comunicação cada um. - Alguém lhe passa à frente numa fila.
Resolução de conflitos - Vê alguém a ser mau para um animal na rua.
Cooperação - Atrasa-se porque o atrasaram.
Criatividade
- Expressa a sua opinião e alguém se ri e diz-lhe para não ser ridículo.
- Ouve alguém a criticar o seu trabalho.
- A sua equipa de futebol perde.
- Está preso no trânsito e precisa de chegar a casa.
- É apanhado quando diz uma mentira.
- Enganaram-se a dar-lhe o troco numa loja.
- Não ganhou a lotaria por um número!
- Alguém que lhe pede sempre para fazer algo que não quer fazer.
Sala/Ar Livre - Perde as chaves de casa.
- Alguém diz mal da sua família.

106 107
manual futebol de rua capítulo 12: resolução de conflitos

- O telefone continua a tocar mas quando atende não está ninguém. Ideias a desenvolver:
- Um grupo de adolescentes bloqueou o seu caminho na cidade. 1. Introduza a ideia que para resolver um conflito numa situação potencialmente difícil precisa de:
- Um amigo continua a pedir-lhe dinheiro emprestado, mas nunca o devolve. - Reconhecer os sinais – afaste-se do jovem e certifique-se que não está a invadir o espaço dele. Tente
- Acidentalmente, dá um encontrão a uma pessoa numa sala cheia, pede desculpa, e eles praguejam. posicionar-se o mais perto da porta possível e não permita que o bloqueiem.
- Lê um artigo num jornal sobre um assalto a uma criança. - Ouvir – ouça cuidadosamente tudo o que é dito e tente não interromper com as suas próprias
- É acusado de algo que não fez. opiniões e recordações.
- Algo que comprou está estragado, você devolve-o na loja mas não lhe devolvem o dinheiro. - Reflectir – reflicta sobre o que o jovem está a dizer para lhe mostrar que o percebe. Clarifique os
- Está a dormir e é acordado por uma música alta da casa ao lado. factos e faça perguntas adicionais para dissipar a raiva e encorajar o jovem a explicar o que está mal.
- Vai fazer uma chamada e apercebe-se que não tem crédito no telemóvel. - Resolver – acorde uma solução ou acção específica com o jovem.

Pode não mudar a situação mas fá-lo-á sentir que algo está a ser feito. Também ajuda o jovem a ter
a situação e a solução controladas. Se isto falhar, precisará de se deslocar para um sítio seguro.

- Certifique-se que o resto do grupo sabe que não lhes está a pedir que se ponham numa situação
de perigo ou que está a confrontar fisicamente jovens agressivos. Esta sessão é, acima de tudo, sobre
reconhecer os sinais e tentar dissipar a situação e, se tudo o resto falhar, afastar-se.
- Pode ainda acrescentar que os participantes não estão a desistir dos seus direitos à segurança e à
protecção – se estiverem numa situação que está a progredir ou a fugir do controle, certifique-se que
sabem o numero da policia local e do gestor do projeto responsável.
40 minutos Folhas Reconhecer a raiva como uma emoção;
(zangados e não zangados) Saber interpretar e saber gerir conflitos;
Frases em folhas A4 Promover a participação ativa e a crítica construtiva;

RECONHECER SINAIS 60 minutos Folhas Desenvolver competências que permitam: saber como
Marcadores sair das situações de diálogo difícil; construir uma solução
A dinâmica que se segue é uma introdução à gestão de raiva e saber lidar com situações agressivas. conjunta dos conflitos;
Embora esta seja uma área complexa e especializada, esta formação oferece uma interpretação e guias
básicos sobre como lidar com os jovens em situações potencialmente difíceis.

1. Divida o grupo em dois e nomeie um relator e um orador por cada grupo.

2. A tarefa tem como objetivo cada grupo elaborar uma lista com 10 sintomas físicos que JOGO DE PAPÉIS
reconhecemos como sendo a expressão corporal da raiva (sinais instantâneos: face vermelha, palmas
suadas, apontar com o dedo, invadir espaço pessoal, gritar / praguejar). O objetivo é construir laços de confiança e ter a oportunidade de pôr em prática novas capacidades
num ambiente seguro.
3. Convide os dois grupos para a plenária e juntos deixem que cada orador partilhe a lista elaborada.
Encoraje o grupo a discutir os sintomas listados. Foi fácil contribuir para a lista? Estes sentimentos são FASE 1 – JOGO DE PAPEIS, NA PRÁTICA.
familiares ao grupo?
Peça ao grupo para pensar sobre quão fácil é reconhecer os sinais de raiva nos jovens. 1. Introduza a ideia de atravessar situações potencialmente difíceis com a ajuda do roleplay.
2. Divida o número de participantes em grupos de quatro. Dois serão as pessoas que trabalham com
jovens e os outros dois serão os jovens que eles estão a tentar aliciar.

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manual futebol de rua capítulo 12: resolução de conflitos

- Ouça o que o jovem está a dizer;


- Observe cuidadosamente a linguagem corporal;
- Avalie o perigo para si próprio e para os restantes participantes;
Distribua um parágrafo semelhante a todos os grupos:
- Aja (resolva a situação) ou afaste-se.
3. Dê 30 minutos para o desenvolvimento do role-play, encorajando os jovens a fazer os voluntários
NOTA PARA FACILITADOR: De acordo com a visão actual do conflito é reconhecida a utilidade
passarem por um mau bocado!
da existência de um certo grau de conflito para a vitalidade dos grupos e para as relações interpessoais.
4. Quando vir que o role-play não traz mais frutos, peça aos voluntários para despirem a pele da sua
O conflito surge porque o grupo é composto por uma variedade de pessoas diferentes onde se
personagem e em pequenos grupos trabalharem as respostas para as seguintes perguntas:
confrontam todo o tipo de atitudes, valores, etc.
- O que é que irritou o jovem?
- Era raiva directa ou indirecta?
a) Conflitos Intrapessoais: são os que surgem no interior do indivíduo quando tem a necessidade de
- É possível resolver o conflito?
dar uma só resposta entre duas, que se excluem mutuamente.
- Elaborem um plano de acção para dissipar a situação.
5. Finalmente, peça ao grupo para se juntar em plenária e para partilharem os seus planos de ação.
b) Conflitos Interpessoais: surgem relacionados com diferenças individuais (sexo, atitudes, crenças,
valores, etc), limitações de recursos (quem ocupa este espaço?, quem tem o poder?, etc.), diferenciação
Questione os diferentes grupos e encoraje-os a desafiarem-se uns aos outros.
de papeis (que dá ordens a quem?)
CARTÕES PARA ROLE PLAY
c) Conflitos Organizacionais: surgem porque as diferentes partes que constituem o grupo têm interesses
e necessidades diferentes.
#1 A Samantha foi proibida de treinar no seu clube durante duas semanas por ter começado uma luta
durante um treino. Hoje, ela aparece no treino e exige que a deixem treinar.
Diferentes formas de lidar com o conflito:
#2 Zak, Isaac, George e Peter estão a trocar a bola entre si, durante o aquecimento. Zak começa a
a) Podemos evitá-lo: na esperança que a situação de conflito desapareça;
gritar com Isaac por este nunca lhe passar a bola.
b) Podemos desactivá-lo: acontece quando uma pessoa implicada no conflito decide parar ou suspender
#3 Na noite anterior descobriste o Jake nas escadas a beber umas latas de cerveja. Lembras-lhe que
o conflito para que as coisas se acalmem.
há uma regra no clube contra o álcool e pedes-lhe para sair do treino. Ele responde-te aos gritos:
“É um país livre não é? Posso treinar aqui se quiser!
c) Podemos enfrentá-lo: confrontar os pontos de vista no sentido de resolver as diferenças. Exige que
as pessoas se coloquem frente a frente, sejam frontais e partilhem da mesma necessidade de resolver o
#4 John está a chorar na casa de banho. Peter tem vindo a ocupar o seu lugar na equipa e isso deixa-o
problema.
frustrado. Quando lhe perguntas se está bem, John grita-te para te **** e te meteres na tua vida!
Para se tratar eficazmente o conflito há que diagnosticar a natureza do conflito, que ambos
os intervenientes se envolvam no confronto, escutem o outro e tenham como principal finalidade a
Debriefing resolução do conflito.
- Sentiu empatia pela perspetiva do jovem?
- Sentiu-se frustrado?
- Conseguiu acordar uma resolução de conflito?

FASE 2 - PERMANECER SEGURO


1. Ainda em plenário, elaborem uma lista de guias de segurança para a gestão de comportamentos
de raiva/ agressivos. 60 minutos Cartões RoleyPlay impressos Construir laços de confiança e ter a oportunidade de pôr em
Folhas prática novas capacidades num ambiente seguro.
Pontos fundamentais a abordar: Marcadores

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vermelho e verde JOGADAS PONTUAÇÃO

> Quatro escolhas verdes: cada equipa ganha 01 ponto;


Estimular a competição entre equipas, focando a importância da sintonia entre as partes para o bom > Quatro escolhas vermelhas: cada equipa perde 04 pontos;
desenvolvimento do todo e discutir processos de confiança entre grupos. Enfocar a relação “ganha X > Três escolhas vermelhas e uma verde: quem jogou vermelho ganha 01 ponto, quem jogou verde
ganha” como processo de desenvolvimento. perde 03 pontos;
> Três escolhas verdes e uma vermelha: quem jogou vermelho ganha 03 pontos, quem jogou verde
1. O facilitador divide o grupo em 04 equipas e informa que trata-se de um jogo de equipa. perde 01 ponto;
> 02 escolhas vermelhas e duas verdes: quem jogou vermelho ganha 02, quem jogou verde perde 02
2. Distribui 2 coletes para cada equipa, sendo um vermelho e um verde. ponto 2.

3. Informa que o jogo consiste na escolha de uma cor por cada uma das equipas (representada pelo
colete que será exibido) e ao final da escolha das equipas será avaliada a pontuação (conforme quadro
de pontuação em anexo, que deve estar exposto na sala). No total o jogo conta com 10 rodadas de Nota para facilitador: Geralmente ao retornar aos grupos, mesmo que o líder tenha
escolha de cores. Explicar a pontuação. acordado com os demais líderes jogar verde, o grupo força-o a jogar vermelho para ganhar mais. Isto
gera conflitos entre os grupos e causa desconfiança. Por vezes a equipa que compreendeu o jogo,
4. As equipas devem definir um nome para sí. passa a manipular o grupo ganhando sempre mais, porém de forma pouco honesta.

5. As equipes são proibidas de comunicar-se uma com as outras.

6. A escolha da cor por cada equipa deve ser em consenso e sigilosa para as demais equipas.

7. Após a escolha das equipas o facilitador pede que um de cada equipa exiba o colete selecionado.
Todas as equipas irão exibir seu colete ao mesmo tempo. O facilitador anota a cor que cada equipa
escolheu na rodada, assinalando-as no flipchart e pontuando-as conforme a tabela abaixo.

É importante tratar esta parte da dinâmica com suspense, pois assim estimulamos a competição.
60 minutos Quadro de pontuações Estimular a competição entre equipas, focando a importância
Proceder desta forma da 1ª a 4ª rodada. Coletes da sintonia entre as partes para o bom desenvolvimento do
todo e discutir processos de confiança entre grupos;
Enfocar a relação “ganha X ganha” como processo de
desenvolvimento.
Nota para facilitador: O que ocorre é que as pessoas vão tender a jogar vermelho por-
que a equipa ganha mais pontos, porém em detrimento de outra equipa. Se as equipas jogarem sempre
vermelho e verde, alguém ganhará e outro perderá; se as equipas jogarem todas verde, todos ganham;
se na vontade de ganhar todos jogam vermelho, todos perderão. Portanto o melhor é jogar verde. Esta
informação não pode ser passada as equipas, elas devem descobrir isto.

8. Na 5ª rodada, como provavelmente haverá equipas perdendo e outras ganhando, propor que as
equipas elejam um líder que irá , fora de sala, em conjunto com o líder das outras equipas discutir qual
será a escolha de cores. O líder deverá trazer para sua equipe a decisão acordada com os outros líderes
e definir a escolha da 5ª rodada com sua equipa.

9. Continuar o jogo até à 10ª jogada, podendo o facilitador promover uma nova reunião de líderes, na
7ª e 9ª rodada.

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114
13
liderança

115
manual futebol de rua capítulo 13: liderança

CARDUME
Um cardume pode ser um bom exemplo de liderança. Porquê? Em diversos cardumes o líder é
escolhido pelo grupo, num misto de votação com acreditação. Após a escolha, o líder é seguido pela
sua família nas viagens, na busca por comida e na defesa dos perigos.
A partir dos 14 anos
É explicado aos participantes que naquele momento vão ser um cardume. O/a facilitador/a explica
que num cardume os peixes têm um líder e que o seguem em todas as movimentações e se sentirem
perigo juntam-se todos para se protegerem.
O/a facilitador/a inicia como líder e depois passado um pouco dá um toque noutro participante que
terá que ser o líder até tocar noutro e por aí fora.
O/a facilitador/a pode criar algumas dificuldades como por exemplo:
PERIGO! = juntam-se todos e ficam parados
FOGE! = têm que correr o mais depressa possível
Explorar o conceito de liderança através
“Liderança é ação, e não posição.”
de exercícios práticos;
Podemos juntar o grupo de novo e tentar que encontrem uma estratégia comum que lhes permita ficar
Adquirir competências para uma a salvo. Dar 5 minutos ao grupo para que encontre uma estratégia.
liderança eficaz em contexto informal;
Compreender a pertinência da liderança Donald McGannon
no cumprimento dos objetivos da vida
Após o recomeço dificultar a tarefa com novas indicações:
pessoal e profissional;
Melhorar a confiança, consciência
A palavra liderança define o processo da influência interactiva TSUNAMI: ficam todos em fila indiana
e comunicação individual e em grupo.
que se tem sobre as outras pessoas, incentivando-as de modo BARCO: rodopiam todos no mesmo lugar
a trabalharem com entusiasmo por um objetivo comum.
Debriefing
- Como se sentiram?
- Foram todos líderes? Foi diferente ser líder ou participante?
- Com encaram o papel de líder? Quando o foram sentiram necessidade de passar logo ou ficaram
confortáveis?
- Como reagiram às mudanças?
Comunicação - Como encontraram uma estratégia?
Liderança - Ser lider de uma equipa ou de um grupo requer trabalho, atenção, concentração. Ser líder é estar
Cooperação
Criatividade
preocupado com o bem estar da equipa, defendê-la e acompanhá-la nos bons e maus momentos , ser
líder é guiar e orientar. Será que todos concordam com estas características de liderança?

Sala/Ar Livre
30 minutos Não é necessário Fortalecer a liderança como ferramenta e valor fundamental
qualquer tipo de material para a aprendizagem e para o autoconhecimento.

116 117
manual futebol de rua capítulo 13: autoconhecimento

LÍDERES NA MINHA VIDA FOLLOW THE LEADER


O objetivo desta atividade é encontrar características de liderança desde a experiência de cada jovem, Usando a metáfora do primeiro traço, como a capacidade de ser líder, apresentamos esta dinâmica
valorizando as histórias pessoais, contando-as e ouvindo as dos/as colegas, e usando-as enquanto cujo objetivo é desenvolver a capacidade de pensar estrategicamente, trabalhar em equipa, lidar com
ferramentas poderosas de aprendizagem sobre este tema. as circunstâncias e solucionar problemas.
Dividir o grande grupo em grupos mais pequenos. Pedir para que em cada mini-grupo partilhem
histórias sobre líderes que conhecem melhor ou sobre pessoas de referência que tiveram influência na O desafio é desenhar um barco em 5 minutos. Dividir o grande grupo em pequenos grupos de 4 ou 5
sua vida. Depois de cada história, devem identificar num flipchart aspetos importantes nas diferentes participantes sendo que 1 pessoa deverá ter o papel de observador/a. Cada grupo terá como tarefa
pessoas fazendo a pergunta: “O que foi que tornou essa pessoa um/uma líder tão eficaz?”. No final, desenhar um barco utilizando uma folha de papel e uma caneta, sendo que cada pessoa irá desenhar
pedir a cada grupo que partilhe e identifique em plenário os traços (comportamentos ou circunstâncias) um pouco de cada vez.
que foram encontrando em comum nas pessoas que foram faladas em cada grupo.
Por exemplo: a primeira pessoa começa com um traço, e a pessoa seguinte completa com outro,
e assim consecutivamente. O grupo de participantes seguirá as seguintes recomendações:
No final das apresentações pedir ao grupo que assinale algumas características comuns entre os grupos.
Traços comuns de liderança que encontraram: - 1 elemento é uma criança de 5 anos
- Foi fácil partilhar histórias? - 1 elemento está quase a dormir
- Essas histórias servem de exemplo para as vossas vidas? - 1 elemento é canhoto/a
- É mais fácil encontrar características de boa ou má liderança? - 1 elemento é um sénior de 70 anos
- 1 elemento é um artista famoso

NOTA PARA O FACILITADOR: O/a facilitador/a é responsável por definir as características


de cada participante. No final, o condutor da dinâmica deve debater as dificuldades encontradas, os
NOTAS PARA O FACILITADOR:Podemos usar as características indicadas pelos grupos desafios superados e as formas de cooperação colocadas em prática.
como um trampolim para explorar mais sobre diferentes tipos de lideranças, o que é ser um líder
e como podemos aprender a liderar e a ser liderados.
Outra opção poderá ser pedir aos grupos para partilhar histórias sobre os piores líderes que eles DEBRIEFING
encontraram e formular alternativas de formas de ser, estar e fazer diferente, conduzindo o grupo de
igual forma à reflexão sobre o que é ser um líder e como podemos aprender a liderar e a ser liderados. - Como é que se sentiram?
- Passar a pente fino os diversos papeis e como dificultaram/facilitaram a tarefa
- De que forma o primeiro traço é importante para o desempenho da equipa?
- A liderança pode ser feita a meias ?

70 minutos Flipcharts Fortalecer a liderança como ferramenta e valor fundamentais 40 minutos Folhas A4 Adquirir competências para uma liderança eficaz em contexto
Marcadores para a aprendizagem e para o autoconhecimento; Marcadores informal;
Canetas Partilhar histórias de liderança valorizando a aprendizagem Desenvolver a capacidade de pensar estrategicamente,
em pares. trabalhar em equipa, lidar com as circunstâncias e solucionar
problemas.

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14
tomada
de
decisão

121
manual futebol de rua capítulo 14: tomada de decisão

MISSÃO IMPOSSÍVEL

FASE 1.1 – MISSÃO IM(POSSÍVEL)

1. Apresentação do desafio: “Vamos começar uma atividade cooperativa, o


A partir dos 14 anos vosso objetivo é encontrar uma carta que está escondida, que terá no seu
interior uma mensagem super secreta para o nosso grupo.” (Introduzir a Música da Missão Impossível)

2. Leitura da Carta: Os participantes lêem a carta, onde lhes é explicado que irão cumprir uma missão,
tendo um tempo definido para tal a missão possível.

Numa sociedade como a portuguesa, onde existe uma preocupação manifestada sobre a importância do
“Nada é mais difícil e, desporto no bem-estar dos cidadãos e cidadãs, a vossa equipa foi reunida para trabalhar num projeto
piloto.
Explorar o conceito de tomada de decisão
através de exercícios práticos; portanto, tão precioso, do que Durante esta manhã/tarde/noite, vocês terão que distribuir recursos, competências e inspiração
Explorar as questões das tomadas de
decisão, do trabalho em equipa, da ser capaz de decidir.” de forma a construir um futuro melhor para a sustentabilidade ambiental em Portugal. A vossa missão
é completar diversos jogos acumulando pelo menos 1.900 pontos de forma a ganharem o estatuto
repartição de tarefas e funções e encontrar
uma metodologia de trabalho para a de projeto exemplar em Portugal e dessa forma mostrar que os jovens de diversas regiões do país
execução das mesmas;
Encontrar um equilíbrio, de perceção Napoleão Bonaparte podem trabalhar em conjunto e alcançar grandes melhorias na sociedade.
das dinâmicas de grupo, de liderança,
de iniciativa, de tolerância e respeito O Instituto Português do Desporto e Juventude disponibiliza recursos extra para premiar as melhores
mútuo pelas diferenças; Tomar uma decisão é algo que exige muito de todos nós.
Melhorar a confiança, consciência práticas na gestão de projeto e informalmente planeia adicionar fardos burocráticos a quem não
É fundamental ter uma boa capacidade de inteligência
e comunicação individual e em grupo. planear apropriadamente o seu trabalho.
emocional, de forma a lidar com o que pode acontecer após
Para alcançar o estatuto de projeto exemplar, pondo em prática os recursos, competências e inspiração
uma decisão tomada. Um processo de tomada de decisão
do grupo, vocês terão que completar o máximo de tarefas listadas dentro do tempo disponível.
pode ser simples ou complexo, dependendo do grau da sua
Alguns jogos requerem todos os elementos do grupo, outros requerem menos pessoas. Algumas tarefas
importância, do objetivo a ser alcançado e dos reflexos da
podem ser realizadas durante todo o tempo disponível, outras serão limitadas no tempo. A tabela no
escolha tomada na vida pessoal ou profissional do indivíduo
flipchart mostra o seguinte:
e da sua equipa. Tomar uma decisão eficaz envolve uma boa
identificação do problema, capacidade de análise, identificação
- O nome do jogo
de soluções e possíveis alternativas e prever o grau de eficácia
- A limitação de tempo
da decisão tomada.
Comunicação - O número de pessoas a serem envolvidas
Tomada de decisão
Cooperação
- Se a tarefa é principalmente física, mental ou criativa
Criatividade - O local onde se realiza
- Qual é o membro da missão possível que facilita o jogo
- Quantos pontos o jogo oferece no máximo

É responsabilidade do grupo planear o trabalho desta manhã/tarde/noite entre as __:__ e as __:__, alo-
car membros para os jogos e monitorizar o progresso da missão até ser completa. Estejam prontos(as)
para o inesperado!
A segurança tem importância fundamental uma vez que o IPDJ tirará o apoio ao projeto se riscos
desnecessários são tomados. É vossa responsabilidade gerir a segurança de todos(as).
Sala/Ar Livre
A vossa primeira tarefa é criar um cronograma com os jogos a realizar, as pessoas envolvidas, os lugares

122 123
manual futebol de rua capítulo 14: TOMADA DE DECISÃO

e tempo em que cada jogo será realizado. O cronograma deve ser escrito num flipchart.
É recomendado que despendam um máximo de 30 minutos a planear quem e quando irão completar DESAFIOS
os jogos selecionados antes que qualquer pessoa deixe esta sala. QUEM SOU EU?
O cronograma deve estar completo até às __:__ e os jogos estarão disponíveis a partir dessa hora. - Desenha o mapa de Portugal e ilhas, limitando os distritos.
- De seguida, marca no mapa, a cidade onde cada um dos participantes no evento e seus familiares
O futuro da sustentabilidade ambiental está nas vossas mãos! Boa Sorte! diretos nasceram (referenciando o nome do participante e graus de parentesco).

3. Apresentação dos flipcharts: 1 flipchart com a tabela de tarefas e 1 flipchart com as regras do jogo. Grupo: 3 pessoas
São apresentados os dois flipcharts ao grupo, onde se poderão ler as seguintes indicações. Tempo: 10 minutos
4. O 1º desafio do grupo consiste em lerem as tarefas que se encontram descritas e a pontuação que
cada uma delas tem. Deverão conseguir um mínimo de 1900 pontos através da concretização das ILUSTRANDO
tarefas por vós selecionadas. Com o material que tens ao teu dispor (tesouras, cola e jornais/revistas), ilustra um dia de um jogador
de futebol.
Grupo: 4 pessoas
Tempo: 15 minutos

De A a Z
Utilizando as 23 letras do alfabeto (excluindo k, y e w), reúne objetos que iniciem por todas elas.
No final deverão apresentar esses objetos.

Grupo: 3 pessoas
Tempo: 10 minutos

HISTORIANDO
Escreve uma história infantil que inclua as seguintes palavras: Abelha Maia, Bola, Direito, Azul,
Maracujá, Campo e em que as personagens sejam os elementos da vossa equipa.

Grupo: 4 pessoas
Tempo: 10 minutos

IDEANDO
Enuncia 15 utilidades que poderás dar ao pino.
Flipchart 2- instruções:
Grupo: 3 pessoas
- Têm no máximo 30 minutos para que todo o grupo decida qual o plano e façam o cronograma dos
Tempo: 10 minutos
próximos trinta minutos (actividade/tarefa; hora; pessoas que irão desenvolver a atividade).
- Têm 30 minutos para atingir no mínimo 1900 pontos.
CARICATURANDO
- Uma vez que comecem a atividade, se quiserem mudar o plano/estratégia terão de voltar a plenário
Faz a caricatura (desenho/ retrato) de cada um dos participantes do grupo e dá a cada um deles
e fazê-lo em conjunto.
o nome de uma equipa de futebol da II liga.
- Um máximo de 3 tarefas pode ser tomadas de cada vez, de acordo com a disponibilidade dos facilitadores.
- Se pararem uma atividade para começar uma nova, o tempo continuará a contar.
Grupo: 4 pessoas
- Todos os participantes devem sempre saber quando uma atividade foi completada.
Tempo: 15 minutos

124 125
manual futebol de rua capítulo 14: tomada de decisão

- Se eu tivesse dois patos a mais, o dobro desse número seria 100. Quantos patos tenho? R: 48 Patos
GEOMETRIA CEGA - Zé tem 24 bolas. Dá 4 ao Luis e ambos ficarão com quantidade igual. Quantas bolas tinha o Luis
Cinco pessoas, de olhos vendados deverão, com uma corda, realizar diferentes formas geométricas. inicialmente? R: 16
- O Pedro tem 6 bolas a mais do que o Chico. Os dois juntos têm 54. Quanto tem cada um? R: Pedrinho
Grupo: 5 pessoas tem 30, Chico 24
Tempo: 10 minutos - Seis pessoas comem 6 biscoitos em seis minutos. Quantas pessoas comerão 80 biscoitos em 48
minutos? R: 10
BD - O Pedro responde: “Daqui a 30 anos, terei três vezes a idade de agora.” Qual a idade de Pedro? R: 15
Cria uma storyboard (história de quadrados), com 6 vinhetas (quadrados). A história deverá retratar - A Mãe é três vezes mais velha que a filha. Juntas têm 48 anos. Qual é a idade de cada uma? R: 36 e 12
a experiência de um adepto de uma claque de futebol, durante um jogo. - Se estivessem numa sala de aula mais 5 alunos, a metade deles seria 20 alunos. Quantos estão lá
realmente? R: 35
Grupo: 4 pessoas - Oito estudantes se encontram e cada um cumprimenta o outro com um aperto de mão. Quantos
Tempo: 15 minutos apertos de mão se trocaram? R: 28

O MONSTRO QUE TINHA TRÊS PERNAS E DUAS MÃOS Grupo: 3 pessoas


Seis participantes têm de conseguir criar um monstro, que tenha no máximo três pernas e duas mãos Tempo: 15 minutos
assentes no chão. Não é permitido usar qualquer objeto.
FOTOGRAFIA
Grupo: 6 pessoas Utilizando a máquina fotográfica do telemóvel, deverão, através de fotografia e de forma criativa,
Tempo: 10 minutos retractar os seguintes provérbios:
- A cavalo dado não se olha o dente;
TEIA - A união faz a força;
Os participantes têm uma série de buracos por onde podem passar, no entanto, não poderão utilizá-los - Aprenda todas as regras e transgrida algumas;
mais do que uma vez. O objectivo é passar todos os participantes de um lado para o outro, sem tocar - Gato escaldado tem medo de água fria;
nas linhas que formam a teia. - Cada macaco no seu galho;
Grupo: 6 pessoas - Chega-te aos bons, serás um deles, chega-te aos maus, serás pior do que eles;
Tempo: 10 minutos - O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute.

CAMPO MINADO Grupo: 4 pessoas


Quem nunca jogou o Minesweeper no computador? Desta vez o jogo torna-se real, embora as regras Tempo: 10 minutos
mudam. Nesta versão a equipa tem de descobrir o caminho correcto, passando por todas a bandeiras
que estão escondidas no caminho perigoso com pequenas bombas pelo meio.

Grupo: 5 pessoas
Tempo: 10 minutos

TAPETE VOADOR
Todos os participantes se encontram em cima do tapete. Sem saír do mesmo, terão que o virar FASE 2.2 – ELABORAÇÃO DO CRONOGRAMA
ao contrário. Os participantes devem elaborar um cronograma, onde descrevem quem é que irá realizar cada tarefa,
Grupo: 5 pessoas de forma que consigam obter os pontos mínimos.
Tempo: 10 minutos

1+1=3 FASE 2.3 – DESENVOLVIMENTO DOS DESAFIOS


- O termómetro subiu 6 graus, o que representa a metade da temperatura de antes. A quantos graus Início das atividades: Os participantes têm de executar todas as atividades que estão no seu
está agora? R: 18 Graus cronograma.

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manual futebol de rua capítulo 14: tomada de decisão

FASE 2.4 - CONCLUSÃO DAS TAREFAS TOMADA DE DECISÕES


- Após a conclusão das tarefas são dados os pontos ganhos na tabela, com uma pequena explicação
do porquê da pontuação dada. O/a facilitador/a entrega a cada participante um post it, e onde cada participante deverá escrever
o seu nome. De seguida pede a cada um dos participantes que cole o post-it numa qualquer parte do
corpo e diz ao grupo de participantes que, aquele que ao fim de 5 minutos tiver mais post its, poderá
FASE 3 - REFLEXÃO SOBRE A ATIVIDADE escolher uma regra de grupo, a vigorar até ao final da presente sessão ou da presente semana.
É feita uma pequena reflexão com o grupo, onde os participantes refletem sobre todo o processo
que levou.
Nota para Facilitador/A: Durante o exercício é possível que aconteça um conjunto de
situações diferentes. Naturalmente, os participantes começaram a “roubar” ou tirar os post-its uns dos
guião de perguntas outros. Talvez, possa existir igualmente a situação que um determinado grupo de participantes se junte
e opte por realizar uma parceria estratégica, no sentido de, em conjunto, posteriormente decidirem
a regra de grupo a vigorar. É ainda possível que um dos elementos do grupo tente convencer os
- Como se sentiram durante o jogo? demais que, caso lhe entreguem os seus papeis (post-its), este venha a escolher uma regra que vá ao
- O que aconteceu? Como foi a definição da estratégia como foram os jogos? encontro dos interesses de todo o grupo.
- Como foram tomadas as decisões no grupo? As decisões foram sempre do grupo?
- Houve liderança no grupo? Foi natural? Ou foi escolhido um líder pelo grupo? Após ser identificado o participante ou grupo de participantes que reuniu mais post-its, solicitar que
- Qual a relação entre o jogo e a realidade? em três minutos diga qual a regra que pretende implementar.
- Houve trabalho coletivo?
- Houve vários canais de comunicação? A comunicação foi fluida?
- Porque é que nós fizemos este jogo no momento do programa? Debriefing
- O que poderia ter sido feito para melhorar a equipa?
- Qual a estratégia utilizada por cada um?
Após feita a reflexão podemos destacar: - Em que medida a minha decisão foi influenciada pelo comportamento dos outros?
- Trabalho coletivo; - Revejo-me a mim e aos meus valores e vontades, na decisão final?
- Papel do indivíduo como parte integrante de um grupo, e a sua importância no mesmo; - Como foram tomadas as decisões no seio do grupo, numa primeira fase e na segunda fase aquando
- Diferentes tipos de comunicação; da definição da regra de grupo?
- Confiança no outro quando nos são transmitidas tarefas; - Na decisão final, foram tidas em consideração as vontades de cada um?
- Respeito pelos objetivos individuais. - Houve intuito e vontade de envolver todos na decisão final?

120 minutos Folhas A4 Explorar as questões das tomadas de decisão, do trabalho em 120 minutos Post its Explorar as questões das tomadas de decisão, do trabalho em
Marcadores equipa, da repartição de tarefas e funções e encontrar uma equipa, da repartição de tarefas e funções e encontrar uma
Flipchart com informações metodologia de trabalho para a execução das mesmas; metodologia de trabalho para a execução das mesmas;
Quadro de pontuações Encontrar um equilíbrio, de perceção das dinâmicas de grupo, Encontrar um equilíbrio, de perceção das dinâmicas de grupo,
Jogos escritos de liderança, de iniciativa, de tolerância e respeito mútuo pelas de liderança, de iniciativa, de tolerância e respeito mútuo pelas
em folhas A4 diferenças. diferenças.
Tapete

128 129
manual futebol de rua capítulo 14: tomada de decisão

3. O homem não pediu dinheiro___V/F?


A história da “Máquina Registadora” 4. O homem que abriu a máquina registadora era o proprietário___V/F?
5. O proprietário da loja de calçado retirou o conteúdo da máquina registadora e fugiu___V/F?
6. Alguém abriu uma máquina registadora___V/F?
O facilitador começa por criar subgrupos de 5 elementos cada, entregando uma cópia da história da 7. Depois de o homem ter pedido o dinheiro e ter apanhado o conteúdo da máquina registadora,
“Máquina Registadora” para elemento. Posteriormente explica que cada elemento terá 10 minutos fugiu___V/F?
para ler a história e assinalar para cada uma das afirmações se considera a afirmação verdadeira, falsa 8. Embora houvesse dinheiro na máquina registadora, a história não diz a quantidade___V/F?
ou desconhecida. 9. O ladrão pediu dinheiro ao proprietário___V/F?
10. A história regista uma série de acontecimentos que envolveu três pessoas: o proprietário, um
Numa segunda fase cada subgrupo recebe uma nova cópia da história da “Máquina Registadora”, homem que pediu dinheiro e um membro da polícia___V/F?
para chegar a um consenso de grupo e para o efeito terão 15 minutos. No final o/a facilitador/a anuncia 11. Os seguintes acontecimentos da história são verdadeiros: alguém pediu dinheiro – uma máquina
as respostas corretas. registadora foi aberta –o dinheiro foi retirado___V/F?

RESULTADOS - “A História da “Máquina Registadora”


Debriefing
Apenas a quarta e a sexta afirmação são verdadeiras. As demais são falsas premissas ou indefinidas.
1- Desconhecida. Foi um negociante que acendeu as luzes da loja, mas não há menção se este negociante
- Como foi viver esta experiência? é o proprietário da loja. Pode ser um funcionário.
- Que os fatores contribuíram para as respostas obtidas? 2- Desconhecida. Não se sabe se houve um roubo, portanto não se pode dizer que houve um ladrão.
- Na fase individual, o que motivou cada um a dar determinada resposta? 3- Falsa. Na história está claro: : “quando surge um homem pedindo dinheiro“.
- Houve alguma mudança nas respostas individuais, no momento da discussão em grupo? 4- Verdadeira. O texto diz: “O proprietário abre uma máquina registadora”.
- O que podemos concluir com este exercício? 5- Desconhecida. O texto não define quem tirou o dinheiro da máquina registadora, nem mesmo se
- Como podemos tirar tantas conclusões sem apurar os reais acontecimentos? era dinheiro, apenas diz: o conteúdo foi retirado.
6- Verdadeira. Alguém (o proprietário) abriu a máquina registadora.
7- Desconhecida. Não há como saber se houve um roubo, nem que o homem fugiu. Só sabemos que
Notas para Facilitador/A: As suposições podem levar a que tomemos decisões erradas. ele correu.
Muitas vezes não conhecemos todos os fatos e tendemos a tirar conclusões, baseadas em suposições. 8- Desconhecida. Não se sabe se havia dinheiro na máquina registadora.
Será que podemos julgar algo ou alguém sem melhor conhecer a realidade? Até que ponto os nossos 9- Desconhecida. Não se sabe se o homem era ladrão ou não.
valores tendem a influenciar as nossas decisões e a proceder a um julgamento? É na interação com 10- Desconhecida. Não se sabe se o negociante é também o proprietário.
o outro e com a ajuda do outro, através de uma conversa, discussão ou na procura de um consenso 11- Desconhecida. Não se sabe se havia dinheiro na máquina registadora.
que podemos tomar as melhores decisões e ter uma visão mais ampla dos factos reais.

“A História da “Máquina Registadora”

Um negociante acaba de acender as luzes de uma loja de calçado, quando surge um homem pedindo
dinheiro. O proprietário abre uma máquina registadora. O conteúdo da máquina registadora é retirado
e o homem corre. Um membro da polícia é imediatamente avisado.
60 minutos Handouts “História Explorar as questões das tomadas de decisão, do trabalho em
Declaração acerca da história: Verdadeiro – Falso - Desconhecido da máquina registadora” equipa, da repartição de tarefas e funções e encontrar uma
Handout dos resultados metodologia de trabalho para a execução das mesmas;
para o/a facilitador/a Encontrar um equilíbrio, de perceção das dinâmicas de grupo,
1. Um homem apareceu assim que o proprietário acendeu as luzes da sua loja de calçado ___ V/F? de liderança, de iniciativa, de tolerância e respeito mútuo pelas
2. O ladrão foi um homem___V/F? diferenças.

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132
15
respeito

133
manual futebol de rua capítulo 15: respeito

DERDIANS
Este jogo representa o encontro entre duas culturas. Consiste em encontrar a chave do comportamento
A partir dos 14 anos cultural estrangeiro e analisar os efeitos do encontro com uma cultura estrangeira. Uma equipa
de engenheiros encontra-se num país para ensinar os seus habitantes a construir pontes.

Fase 1 - Segundo o número de participantes, 4 a 8 pessoas compõem a equipa dos engenheiros que
vão ensinar os derdianos a construir pontes. Os engenheiros recebem as instruções e são levados para
outra sala.
Fase 2 - Os outros participantes, os derdianos, recebem as suas instruções. Se os participantes forem
muitos, podem também constituir uma equipa de observadores encarregue simplesmente de observar
e tomar notas. Os observadores devem permanecer ignorantes quanto à cultura dos derdianos, devendo
Explorar o conceito de respeito através
de exercícios práticos;
“Valoriza os amigos. então no início do jogo estar junto aos engenheiros.

Praticar a comunicação intercultural e a


aprendizagem intercultural;
Respeita os adversários.” Reflexão e avaliação:
Refletir sobre como a cultura pode afetar
No final do jogo, os dois grupos anotam num quadro de papel os seus comentários sobre os pontos
o nosso comportamento; seguintes:
Emmanuel
Reconhecer as diferenças culturais; l.) Factos 2.) Impressões 3.) Interpretação
Refletir sobre estereótipos;
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo. Respeito é um dos valores essenciais nas relações humanas. É Debriefing
fundamental cultivar o respeito por nós próprios e pelos outros,
de forma a que reconhecimento, aceitação e valorização das Os pontos seguintes devem ser discutidos em plenário:
qualidades do outro. - Temos tendência para crer que os outros pensam como nós.
É através do respeito que é possível em sociedade, num clima - Fazemos com frequência interpretações num primeiro contacto, sem estar consciente das diferenças
de paz e de uma convivência saudável. Para tal, é necessário quanto aos comportamentos culturais.
que possamos reconhecer em nós próprios e nos outros, os - Como foram repartidos os papéis? Que papel desempenhei? O que é que isso revelou acerca da
direitos e as obrigações. O respeito leva-nos a focar o potencial minha identidade? Senti-me à vontade no meu papel?
do outro, ao invés de nos focarmos nos seus erros. O respeito - Em que é que os outros perceberam o mesmo que eu?
Comunicação valoriza a individualidade de cada um, permitindo que cada - Que influência exerceram os meus backgrounds culturais no papel que desempenhei?
Respeito individuo possa evoluir, crescer e aprender num clima de conforto
Cooperação
Criatividade e segurança. INSTRUÇÕES PARA OS DERDIANOS
SITUAÇÃO:
Vivem num país chamado Derdia. A aldeia onde moram está separada da cidade mais próxima, onde
se encontra o mercado, por um vale profundo. Ir ao mercado significa caminhar durante dois dias. Se
dispuserem de uma ponte que faça a ligação entre o vale, cinco horas serão suficientes.
O vosso governo assinou um contrato com uma empresa estrangeira para que esta vos ensine a construir
pontes. Os habitantes da vossa aldeia serão então os primeiros engenheiros de Derdia. Depois de terem
construído esta primeira ponte com a ajuda de especialistas estrangeiros, podem construir outras em
Sala/Ar Livre todo o país para facilitar a vida aos vossos concidadãos.
A ponte será construída utilizando cartão, réguas, tesouras e cola. Conhecem o material e as ferramentas
mas não as técnicas de construção.

134 135
manual futebol de rua capítulo 15: respeito

Comportamento social: de desfiladeiros e de rios no país, não podem simplesmente avançar com a construção de uma ponte
Os derdianos têm o hábito de se tocar mutuamente. A sua comunicação baseia-se no contacto físico. e depois retirá-la. Devem ensinar as técnicas de construção aos Derdianos.
Não tocar em alguém com quem falamos é mal interpretado.
Mas não há necessidade de contacto directo. Assim que se juntam a um grupo, a aproximação a um SIMULAÇÃO:
dos membros é suficiente para ser automaticamente incluído na conversação. Cumprimentar as pessoas Comece por ter tempo de ler atentamente estas instruções e decidir como construir a ponte. Ao fim de
que encontra é essencial, mesmo que passe apenas por elas. algum tempo (especificado) dois membros da sua equipa podem passar três minutos na aldeia onde a
ponte vais ser construída (para avaliarem as condições naturais e materiais e contactar com os derdianos,
SAUDAÇÃO: etc.). Em seguida, irão dispor de 10 minutos para analisar a situação e completar os preparativos.
O cumprimento tradicional consiste em beijar o ombro. A pessoa que saúda primeiro beija no Depois a equipa completa dos engenheiros deslocar-se-á à aldeia para ensinar os derdianos
ombro direito e a pessoa saudada retribui com um beijo no ombro esquerdo. Qualquer outra forma a construírem uma ponte.
de cumprimentar é um insulto! Dar um aperto de mão, por exemplo, é um dos insultos mais graves
neste país. Se um derdian for insultado porque não foi saudado como convinha ou tocado durante uma PONTE:
conversa, começa a gritar com muita força. A ponte será simbolizada por uma construção em cartão entre duas cadeiras ou duas mesas separadas
por uma distância de cerca de 80 cm. Deverá ser estável. Depois de terminada deverá suportar o peso
SIM/NÃO: das tesouras e da cola que serviram para a sua construção.
Os derdianos não utilizam a palavra “não”. Dizem sempre que sim e quando querem dizer “não” Cortar as peças da ponte e colocá-las posteriormente na aldeia não será suficiente, pois não permite
acompanham o seu “sim” com acenos de cabeça negativos (deverão treinar). que os derdianos aprendam as técnicas de construção. Estes devem poder assistir a todas as fases da
sua construção. Cada um dos elementos da ponte deverá ser desenhado com lápis e régua antes de
COMPORTAMENTO PROFISSIONAL: ser cortado com a ajuda das tesouras.
No seu trabalho os derdianos também se mexem muito. Algumas ferramentas são próprias do sexo
masculino, outras do sexo feminino: as tesouras, do sexo masculino enquanto que os lápis e as réguas MATERIAL:
são do sexo feminino. A cola é neutra. Os homens nunca tocam num lápis ou numa régua e as mulheres A ponte será fabricada em papel forte/cartão. Para a sua concepção e construção, dispõe de cartão,
nunca tocam em tesouras (penso que isto está relacionado com a tradição ou a religião). cola, tesouras, réguas e lápis.

OS ESTRANGEIROS: TEMPO:
Os derdianos gostam de companhia. Consequentemente, gostam dos estrangeiros. Mas são igualmente Para a concepção e planificação antes de se encontrarem na aldeia: 40 minutos
fiéis a si mesmos e à sua cultura. Sabem que nunca serão capazes de construir uma ponte sem ajuda. Para ensinar aos derdianos as técnicas de construção: 25 minutos
Mas não é por isso que julgam a cultura e a educação dos estrangeiros superior; para eles, a construção
de pontes é simplesmente uma arte que desconhecem. Esperam que os estrangeiros se adaptem à
cultura deles. Na medida em que os seus comportamentos lhes parecem completamente naturais, são
incapazes de os explicar aos peritos (Este ponto é MUITO importante).
Um homem de Derdia nunca entrará em contacto com um outro homem a não ser que este lhe seja
apresentado por uma mulher, quer esta seja de Derdia ou não.

INSTRUÇÕES PARA OS ENGENHEIROS


SITUAÇÃO: Vocês fazem parte de uma equipa internacional de engenheiros que trabalha para uma
empresa multinacional de construção. A vossa empresa acaba de assinar um importante contrato com
o governode Derdia, através do qual se compromete a ensinar os Derdianos a construir pontes. O
contrato estipulaque devem respeitar imperativamente o prazo estabelecido, caso contrário o contrato 120 minutos Instruções Praticar a comunicação intercultural e a aprendizagem
cessará e vocês perderão o emprego. Material para intercultural;
O governo de Derdia mostrou muito interesse neste projecto financiado pela União Europeia. Derdia construção da ponte Refletir sobre como a cultura pode afetar o nosso comportamento;
Instruções para os
é um país montanhoso, cheio de ravinas e de vales profundos, mas sem pontes. Consequentemente, diversos grupos
são precisos vários dias para que os derdianos se desloquem das vilas até ao mercado da cidade mais e para facilitador/a
próxima. Se existir uma ponte o trajecto poderá ser feito em menos de cinco horas. Dado o número

136 137
manual futebol de rua capítulo 15: respeito

A pergunta seguinte foi demais. Toda a minha vida tive problemas com os meus dentes, são o meu ponto
A HISTÓRIA DO CAPUCHINHO VERMELHO sensível, e esta pequena rapariga sentiu necessidade de reforçar isto. Eu bem sei que deveria ter mantido
o controlo, mas saltei fulminantemente da cama e gritei-lhe: com estes dentes consigo comer-te melhor.
Vamos ser honestos eu nunca comeria esta linda rapariga, toda a gente sabe disso, mas ela estava armada
Ler a História e no final debater a mesma com todos os participantes: em bruxa estúpida e começou a gritar e a correr pela casa. Bem tentei acalmá-la, até tirei a roupa que
a avó me emprestou, o que me pareceu ter piorado as coisas.
A História do Capuchinho Vermelho Subitamente, alguém abriu a porta da frente, era um homem enorme que transportava uma grande
caçadeira e nesse momento apercebi-me da alhada em que estava metido. Só tive tempo de saltar pela
Eu sempre de gostei viver na floresta. A floresta faz parte da minha vida e como tal tento sempre a todo janela e pôr-me a correr o mais que podia dali para fora.
custo mantê-la limpa e bonita, como todos vós o fazem na vossa casa. Nos dias de sol, muitas das vezes
lá estou eu a limpar o lixo que as pessoas fazem sempre que resolvem fazer um pic-nic na floresta. Espero que compreendam a minha versão, na realidade nem sei porque a avó nunca contou a verdade.
Desde essa altura que depressa surgiram rumores de eu ser terrível, um animal muito mau. O que é certo
Num desses dias reparei numa miúda que por ali passava, achei fora do normal, estava completamente é que nem eu próprio sei o que aconteceu à rapariga que vestia uma roupa estranha, mas o “viveram
coberta com um capucho vermelho, parecia mesmo que não queria ser reconhecida e transportava um felizes para sempre” não me coube a mim.
cesto na sua mão. Como achei bastante suspeito resolvi colocar-me atrás de uma das árvores e esperar….
Deste estão a minha vida tem sido horrível, todos têm medo de mim e muitas vezes para evitar que as
Na realidade até que ponto nós temos o direito de julgar as pessoas pela sua aparência? Mas o que eu pessoas sintam esse receio acabo por me esconder dentro da minha própria casa, a floresta. Sinto que
pensei foi simplesmente que ela estava a passar na minha floresta e que eu de certa forma teria o direito vivo na clandestinidade e não desejo isto a ninguém.
de saber mais alguma coisa acerca dela. Portanto, dirigi-me a ela e resolvi perguntar-lhe quem era
e o que fazia por ali. Vocês sabem, o tipo de questões que não ofende ninguém…

Primeiro ela disse que não podia falar com estranhos. Isso chateou-me um pouco, confesso. Eu, um
estranho? Santa Engrácia, eu criei os meus filhos nesta floresta. Depois disso ela relaxou um pouco mais
e disse-me que ia ter com a sua avó. A avó encontrava-se doente e ela levava uns bolinhos no cesto para
ela. Pareceu-me ser uma rapariga honesta, mas de qualquer forma achei que apesar de tudo ela não
deveria entrar em propriedade alheia e muito menos com aquele tipo de roupa.
Tomei a iniciativa, e resolvi tomar um caminho mais rápido até á casa da avó dela e falar pessoalmente
sobre o que tinha sucedido. Tivemos uma conversa bastante interessante em relação a esta questão de História impressa Praticar a comunicação intercultural e a aprendizagem inter-
30 minutos
invasão de propriedade e das roupas que a menina usava, e em conjunto, eu e a avó, resolvemos dar cultural;
uma lição á sua neta no sentido de melhorar o seu comportamento no futuro. Pensámos num plano Refletir sobre como a cultura pode afetar o nosso
comportamento.
e resolvemos que a avó deveria esconder-se até ao momento que eu a chamasse. Assim fez, escondeu-se
debaixo da cama e eu vesti-me com a roupa da avó.

Quando a rapariga entrou, com um capucho vermelho bastante estranho, eu convidei-a a vir até á cama
onde me encontrava deitado. Ela entrou por ali a dentro e logo de imediato fez um comentário bastante
depreciativo acerca das minhas orelhas.
Bem sei que as minhas orelhas são bastante grandes, é de facto algo de que não gosto, mas muitas das
vezes para evitar maiores comentários acabo por responder que tenho assim estas orelhas para poder
ouvir melhor. Em síntese, o que eu pretendia dizer era que eu até gostava dela, mas que ela deveria
evitar fazer esse tipo de comentários. Mas, nesse preciso momento, fez-me outra pergunta de muito mau
gosto, desta vez acerca dos meus olhos. Bem, talvez vocês comecem agora a imaginar o que eu pensei.

Inicialmente, pensei que a rapariga até era bastante simpática e de certa forma um doce, mas após esta
pergunta comecei a pensar que ela era uma grande bruxa. Mas simpático como sou, resolvi com muita
calma responder-lhe que os meus grandes olhos serviam para a ver melhor.

138 139
manual futebol de rua capítulo 15: respeito

3. Quando todos estiverem prontos, estabelecer o tempo de 4’ para que executem a tarefa.
RESPEITO MÚTUO
Observações: O/a facilitador/a deverá permanecer em silêncio, apenas observando o trabalho, não
O/a facilitador/a explica ao grupo que a tarefa será a de desenhar um barco, sendo que irão ser devendo interferir na tarefa do grupo. É provável que a maioria do grupo não consiga realizar a tarefa.
divididos em grupos e caberá a cada participante a execução de uma parte desse barco. Dizer que o O facilitador poderá dar um tempo para que o grupo discuta como poderia melhorar a execução da
grupo que conseguir completar a tarefa primeiro será o vencedor. tarefa, podendo o facilitador pedir para repetir a tarefa duas ou três vezes.

DESENVOLVIMENTO
FASE 1
1. Dividir os participantes em grupos de 5 ou 4 participantes, cada.
Debriefing
2. Entregar para cada grupo uma folha de papel e canetas coloridas.

3. Explicar que cada elemento do grupo só poderá fazer um traço de cada vez para executar o barco 1- Como se sentiram durante a atividade?
e que quando terminar o seu traço deve passar a folha para o próximo colega que por sua vez irá
executar o traço seguinte que lhe cabe. Por exemplo: O primeiro participante faz o traço que se refere 2- Conseguiram executar o barco? Se não conseguiram, porquê? O que faltou?
à parte de baixo no barco, e cabe então ao próximo participante fazer uma das laterais. E assim por
diante até que todos possam ter executado a sua parte e o barco esteja, totalmente, desenhado. 3- Quais as dificuldades que sentiram? Levar o grupo a perceber que foram as limitações impostas que
dificultaram ou fizeram com que não conseguissem executar o trabalho. Lembrar que conseguiram
4. Pedir para que iniciem a atividade. Enfatizar que cada grupo deve ter o seu desenho pronto no facilmente desenhar o barco na primeira tentativa, já que não havia limitações ou deficiências?
prazo máximo de 2 minutos. Enfatizar que deficiências todos temos: não só físicas, ser cego, por exemplo, como podemos ter
outras dificuldades, como relacionamento, aprendizagem, falar em público.
5. Após a execução da atividade verificar se todos completaram o desenho e qual grupo mais rápido
a terminar. (A tendência é que todos os grupos terminem rapidamente e não tenham dificuldade para 4- Por vezes não respeitamos as diferenças individuais e por isso tendemos a enquadrá-las nos nossos
executar a tarefa). padrões. Todos somos diferentes e temos qualidades e aspetos a melhorar e o convívio entre partes
torna-se melhor quanto mais respeitamos essas diferenças. Devemos encaminhar-nos para a ajuda ao
FASE 2 próximo e respeito pelo outro e não para o julgamento.

1. Agora, explicar que isso foi apenas um ensaio e que irão novamente fazer o desenho do barco, só
que agora serão dado a cada participante uma característica diferente.

Participante 1 - É invisual e só tem o braço direito.


Participante 2 - É invisual e só tem o braço esquerdo.
Participante 3 - É invisual.
Participante 4 - É mudo.
Participante 5 - Não tem os dois braços.

Observações: Essas combinações são feitas de acordo com o número de participantes de cada 60 minutos Folhas Praticar a comunicação intercultural e a aprendizagem inter-
Marcadores cultural;
grupo, podendo ser acrescentadas ou retiradas dificuldades. O/a facilitador/a pode levar fitas para Refletir sobre como a cultura pode afetar o nosso comportamento.
prender a mão ou mãos dos participantes que não podem usá-las, pois estes tendem a não respeitar
as instruções. Outras combinações podem ser feitas.

2. Depois de explicadas quais serão as dificuldades dos membros do grupo, pedir para que estabeleçam
quem irá assumir que característica, entregando as vendas para os que serão invisuais, tiras de pano para
amarrar os braços que não deverão utilizar e algo para tapar os ouvidos para os surdos (headphones).

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16
motivação

143
manual futebol de rua capítulo 16: motivação

FOOT-PRINT
Às vezes achamos que conhecemos alguém apenas por olhar para essa pessoa. “Rotulamos”, sem
A partir dos 14 anos querer, e por vezes conseguimos descrever algumas características se olharmos mais do que um
instante para alguém. Por vezes acertamos mas na maior parte das vezes erramos.

Nota para facilitador: O/a facilitador/a diz: andem dois passos para a esquerda e parem.

Este é um jogo divertido que envolve escrever a primeira impressão de alguém que conhecemos
ou não, e de uma forma criativa.
Em círculo é pedido aos participantes que desenhem os seus pés dentro de uma folha de papel A3.
A seguir escrevem o seu nome num canto da folha (visível).
Explorar o conceito de motivação
“Nunca é tarde demais Seguindo as indicações do/a facilitador/a os participantes vão girando no sentido do ponteiro do relógio.
através de exercícios práticos;
Desenvolver competências pessoais para seres aquilo Quando pararem olham em primeiro para o nome e associam a pessoa. Em seguida é-lhes pedido
que coloquem na folha uma característica que acham que essa pessoa tem.
e profissionais através da capacidade
de motivar e se auto-motivar; que sempre desejaste ser.” Em seguida, ao sinal do/a facilitador/a, andam à volta por passos e encontram outra pessoa e o/a
Melhorar a confiança, consciência facilitador/a anuncia outra característica:
e comunicação individual e em grupo;
Oferecer elementos necessários para George Eliot
uma boa prática acerca da motivação [Link] qualidade desportiva
individual e em grupo num ambiente 2.O valor que mais admira
em constantes mudanças; Motivação é um impulso que faz com que as pessoas ajam para
Preparar os participantes para desenvolver 3.O sonho de criança
atingirem os seus objetivos.
a competência no cumprimento de metas 4.O país favorito
A motivação envolve fenómenos emocionais, biológicos
e objetivos pessoais e profissionais. [Link] incentivo
e sociais e é um processo responsável por iniciar, direcionar
e manter comportamentos relacionados com o cumprimento
O exercício termina quando os participantes chegam à sua folha e em seguida são-lhes relembradas
de objetivos.
as perguntas … Será que alguém acertou? Sentar em círculo e permitir a partilha de algumas histórias
Motivação é o que faz com que os indivíduos dêem o melhor
Descobrindo-me a mim mesmo e aos outros, encontro motivação para fazer o que gosto e incentivo
de si, façam o possível para conquistar o que almejam.
para fazer mais e melhor.
Por outras palavras, é o impulso interno que leva à ação.
Nota para facilitador: Apontar apenas referências positivas e/ou engraçadas que não
firam a suscetibilidade dos jogadores.
Comunicação
Motivação
Cooperação
Criatividade

50 minutos Folhas A3 Elevar níveis de motivação individuais e a consciência do que


Marcadores motiva as outras pessoas;
Sala/Ar Livre

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manual futebol de rua capítulo 16: motivação

WALK & TALK


É importante partilhar e experienciar momentos entre pares. Este exercício pretende dar a oportunidade
dos participantes partilharem algumas emoções com alguém em duos ou trios.
Vamos andar…
Fazemos uma caminhada e a meio da mesma, num lugar apropriado, pedimos que se juntem aos 20 minutos Não é necessário Celebrar a motivação em grupo.
qualquer material.
pares.
A ideia é que cada um sinta confiança entre pares e que questionem e partilhem as seguintes questões:
O que é que te motiva a acordar de manhã?
Quem é que te motiva no dia a dia? EU QUERIA... EU QUERO
Sentes que podes motivar os outros? De que maneira?
Ao regressar podem partilhar em plenário se houve alguma descoberta e se se sentem mais motivados.
Esta dinâmica motivacional causa um grande impacto sobre os participantes pois faz com que todos
Nota para facilitador/A: Pode-se dividir o grupo em duos ou trios e entregar uma lista reflitam sobre a tremenda diferença que existe em dizer “eu queria” e “eu quero”. É uma atividade de
de perguntas a cada para discutirem durante uma caminhada livre. reflexão e pode ser dinamizada em pequenos e grandes grupos. Esta atividade estimula o fazer acontecer
e a auto-motivação levando os participantes a se comprometerem em realizar os seus sonhos, os seus
planos, os seus objetivos para curto, médio e longo prazo.
1. Pedir aos participantes para que se sentem, o mais confortavelmente possível, nas suas cadeiras.
2. O facilitador diz: “Experimentem fechar os olhos durante quinze segundos... Durante esse tempo,
procurem pensar em algo, alguma coisa, sonho, objetivo, que vocês possam ‘verbalizar’ mentalmente:
EU QUERIA MUITO... EU QUERIA...”.
3. Dar um sinal para que todos abram os olhos.
4. Facilitador: “Agora mudem de posição nas cadeiras e fechem, mais uma vez, os olhos durante mais
quinze segundos”.
50 minutos Folhas A5 com perguntas Elevar níveis de motivação individuais e a consciência do que
Marcadores/canetas motiva as outras pessoas; 5. “Desta vez, pensem em algo que vocês possam ‘verbalizar’, mentalmente, desta forma: EU QUERO
Envelopes MUITO... EU QUERO...”.
6. Sinalizar para que abram os olhos e fazer alguns comentários sobre a atividade, questionar o grupo
sobre:
- O que foi mais significativo: quando pensaram EU QUERIA ou EU QUERO?
CORREDOR DA ENERGIA - Qual foi o desejo que já realizaram?
- EU QUERIA dá a ideia de quê? EU QUERO dá a ideia de quê?
Observar se os participantes estão motivados a falar sobre os seus sonhos
Vamos celebrar e motivar

Os participantes fazem um corredor ficando frente a frente . As pessoas das pontas iniciam a travessia
do corredor e recebem elogios e incentivos ao longo da sua passagem. Ficam depois no fim e entra
o próximo participante seguido até ao último.
Cada participante é tratado/a como um/a líder e toda a equipa agradece o seu trabalho e incentiva-o/a
durante a passagem pelo corredor tecendo-lhe elogios e palavras positivas.

30 minutos Não é necessário Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual


qualquer material. e em grupo;
Preparar os participantes para desenvolver a competência no
cumprimento de metas e objetivos pessoais e profissionais.

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148
17
auto-estima

149
manual futebol de rua capítulo 17: auto-motivação

AMAS O TEU VIZINHO?

Os nossos gostos e preferências são por vezes analisados e debatidos. Mas todos nós temos gostos
diferentes que nos tornam únicos ou que nos juntam a um grupo. Conhecermo-nos também nos facilita
A partir dos 14 anos realizarmos tarefas com consciência e otimismo.
Este exercício pretende que o grupo se conheça melhor de uma forma divertida e flexível.
Colocar os membros do grupo num círculo e pedir que se sentem nas cadeiras.
O/a facilitador/a deve estar no meio a explicar o jogo e não deve ter uma cadeira para se sentar. Ou
seja existe uma cadeira a menos na sala. A pessoa que não tiver lugar será a mesma que ficará no meio
e responde à questão.

Diga aos participantes que, para sair do meio, o grupo tem que perguntar:
“ (David) amas o teu vizinho?”
Explorar o conceito de auto estima através
de exercícios práticos; “Seja você mesmo, todos A pessoa no meio pode responder:
“Não” e neste caso todos têm que sair do lugar e encontrar um diferente. Não podem ir para o lugar
Despertar no participante as suas
capacidades, as suas aptidões, o poder
de ser capaz e de conseguir chegar ao
os outros já existem” diretamente ao lado. Ou “Sim” e acrescenta:
final das tarefas com otimismo; “Especialmente aqueles que… (têm calças de ganga)”. E então apenas aquelas pessoas que têm calças
Refletir sobre as próprias capacidades de ganga devem mover-se e encontrar um lugar diferente.
e limitações; Anónimo
Outro exemplos:
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo. Especialmente aqueles que…
- já foram à praia este ano;
A auto-estima é a valorização, geralmente positiva, que temos de
- comeram espaguete ao almoço;
nós mesmos. Por outras palavras, a auto-estima é um sentimento
- foram a um jogo de baseball;
valorativo do conjunto das nossas características corporais (físicas),
- têm mais que uma qualidade;
mentais e espirituais que formam a personalidade. Esse sentimento
- se sentem úteis.
pode mudar/evoluir com o tempo e com as nossas ações.
Nota para o/a facilitador/a: Convém que este exercício seja pequeno mas que haja
tempo para que o/a facilitador/a perceba a autoestima de cada um/a e que dê tempo para perceber as
características de cada um/a. Pode e deve apontar algumas características comuns entre os participantes
Comunicação se vir que é necessário.
Autoestima
Cooperação
Criatividade

20 minutos Cadeiras Despertar no/a participante as suas capacidades, as suas aptidões,


Sala/Ar Livre o poder de ser capaz e de conseguir chegar ao final das tare-
fas com otimismo;
Promover o autoconhecimento e conhecimento do outro
e uma forma divertida.

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manual futebol de rua capítulo 17: auto-motivação

2 QUALIDADES 1 SONHO PENSO EM MIM


Este exercício permitirá aos participantes refletirem sobre as suas características mais positivas
Este exercício é um clássico adaptado que pode ser usado para as pessoas se conhecerem melhor. e melhorar a sua confiança individual e em grupo. Distribuir uma folha de papel com as seguintes
Sugerir aos participantes que durante dois minutos pensem individualmente, em duas qualidades questões:
e num sonho. Em seguida cada um apresenta-se e diz as suas qualidades e sonhos. - Eu gosto de mim porque…
O sonho pode ser inventado ou ser verdadeiro, e o resto dos participantes tem que adivinhar qual - Sou especialista em…
é o sonho. - Eu sinto-me bem com…
- Os meus amigos diriam que eu tenho um ótimo…
- O meu lugar favorito é…
Por exemplo, “Olá, eu sou a Maria. Tenho talento para cozinhar, consigo falar três línguas e sou boa - Sou amado/a por…
ouvinte.” Aqui o sonho pode ser cozinhar bem. - As pessoas dizem que eu sou um bom…
Podemos neste exercício conversar sobre os sonhos e como fazem parte da nossa vida mas também, - Disseram-me que tenho bastante…
e mais importante ainda, falar sobre as nossas qualidades que podem ser simples ou mais complexas. - Considero um/a bom/a…
Frequentemente descobre-se que as qualidades de algumas pessoas são mais inacreditáveis do que - O que mais gosto é ...
os seus sonhos. - A pessoa que mais admiro é…
- Eu tenho um talento natural para…
- As metas para o meu futuro são…
- Eu sei que vou alcançar meus objetivos porque eu sou…
- Sinto-me bem quando eu ...
- Eu rio quando penso em…
Nota para o facilitador/A: Não têm que ser coisas íntimas, reveladoras da vida, apenas - As características que mais admiro são…
simples passatempos, interesses ou experiências passadas que tornam cada pessoa única. - Sinto-me em paz quando…

Deixar que os participantes tenham tempo para escrever e pensar sobre a questões e tirarem algumas
dúvidas. É importante que reflitam de uma forma calma. Em seguida pedir para que se juntem em trios
e partilhem algumas informações.

Em plenário pedir para que digam a questão mais fácil e difícil


de responder e depois partilhar.

30 minutos Não é necessário Refletir sobre as próprias capacidades e limitações; 70 minutos Folhas A4 Refletir sobre as próprias capacidades e características
qualquer material. Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual com indicações positivas;
e em grupo. Marcadores Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual
e em grupo.

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18
confiança

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manual futebol de rua capítulo 18: confiança

PONTE HUMANA
Este exercício tem como finalidade promover a confiança entre todos os elementos da equipa. O/a facilitador/a
deverá solicitar aos participantes que se deitem lado a lado formando duas filas, em que as cabeças dos
participantes de cada fila deverão coincidir com as dos colegas da outra fila, constituindo desta forma uma
A partir dos 14 anos
ponte humana (conforme figura). Seguidamente, cada participante, deverá ser transportado pelos colegas.

Explorar o conceito de confiança


“Um acto de confiança
através de exercícios práticos;
Reforçar a importância do trabalho em
dá paz e serenidade”
grupo;
Promover a coesão de grupo;
Reforçar a importância de todos na Fiodor Dostoievski
construção do objetivo final;
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo. A confiança em determinados contextos decorre da
autoestima, ela regula a nossa confiança. A falta de confiança
está associada a sentimentos de medo e ansiedade, podendo tais
sentimentos causar grande sofrimento na vida de uma pessoa. Já
pessoas com elevados níveis de confiança são pessoas seguras,
confiantes. Essas pessoas têm iniciativa, pois ao longo da vida 20 minutos Não é necessário
aprenderam a resolver problemas de maneira efetiva. Essas Promover a confiança no grupo e no colega.
qualquer material.
características são muito importantes não só na vida pessoal
como na vida profissional. Passar segurança, confiança e demonstrar
Comunicação
Confiança
iniciativa pode fazer com que um profissional ganhe destaque
Cooperação
Criatividade
dentro de uma equipa. BALÕES PELO AR
É dado um balão a cada participante. Poderemos solicitar a cada participante que personalize o seu
balão, com um desenho e o seu nome. Seguidamente os balões são colocados todos dentro de um saco.
É dito aos participantes que o objetivo é manter todos os balões no ar, não deixando cair nenhum. (Cada
balão é uma tarefa ou um objetivo do grupo). Seguidamente o facilitador começa por lançar um balão
de cada vez para o centro do grupo, tendo estes de os manter todos no ar.

Variantes: Podemos lançar o desafio de que cada vez que um balão caia ao chão, o participante
Sala/Ar Livre que caracterizou esse balão saia da tarefa. Aumentamos assim o grau de dificuldade e podemos observar
até que ponto os participantes se preocupam mais com o seu balão (com a sua tarefa) que com as
tarefas do grupo e o objetivo do grupo.

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manual futebol de rua capítulo 18: confiança

Nota para o facilitador: À medida que as tarefas vão aumentando (quanto maior o
número de balões), maior vai sendo a disponibilidade e a participação de todos os elementos do grupo.

90 minutos Não é necessário Promover a confiança;


qualquer material. Reforçar a importância do trabalho em grupo;
Promover a coesão de grupo;
Reforçar a importância de todos na construção do objetivo
final.
30 minutos Balões Reforçar a importância do trabalho em grupo;
Marcadores Promover a coesão de grupo;
Sacos Reforçar a importância de todos na construção do objetivo
final;
PÊNDULO HUMANO
Duas ou três pessoas fecham um círculo com os braços e uma outra pessoa fica dentro desse círculo.
FUTEBOL ÀS CEGAS Com o corpo reto, mãos juntas ao corpo e deixando-se cair para os lados, a pessoa que se encontra
no centro do círculo deverá confiar nas demais.
Este exercício tem como finalidade promover a confiança nos outros. O/a facilitador/a deverá formar
duas equipas, sendo que em cada equipa deverão ser formadas duplas. As duas equipas irão realizar Nota para o facilitador: Se alguém não tiver confiado nos que seguraram, discutir
um desafio de futebol, com as seguintes condicionantes:
com o grupo inteiro o porquê da desconfiança, se isso acontece sempre e procurar transportar a dinâmica
Fase 0 (Aquecimento) - Um dos elementos da dupla fecha os olhos e passa a andar guiado pelo outro para o dia a dia e para o relacionamento entre o grupo.
durante dois minutos (teste de confiança). Não é permitido abrir os olhos nem tocar no companheiro,
somente o som da voz do outro o guiará. Logo em seguida, trocam-se os papéis e o que antes era
o guia, passa a ser o guiado. Debriefing
Fase 1 (Primeira parte) – Alternando os elementos da equipa, de 5 em 5 minutos, as equipas - Em que medida confiaram nos colegas?
disputam um desafio de futebol. Cada dupla poderá ter contato físico (podendo o guia, conduzir o seu - Sentiram algum nível de desconforto ou desconfiança?
colega agarrando o mesmo pelos ombros) – A primeira parte dura 20 minutos. - Quais os critérios ou aspetos que nos levam a ter confiança (ou não) nos colegas?
- Em que medida poderemos transferir estes aspetos para o nosso dia a dia?
Fase 2 (Segunda parte) – Idêntico à Fase 1, sendo que nesta segunda parte o guia não poderá agarrar - O que podemos fazer para confiar mais nos outros e aumentar os nossos níveis de confiança no outro?
o seu colega. Deverá conduzir o mesmo, apenas através do tom da sua voz. – A segunda parte dura
20 minutos.

Notas para facilitador: Faça perguntas do tipo: “O que falta em cada um de vocês
para que as pessoas confiem mais no vosso apoio?”; “Qual a maior ajuda que você pode prestar neste
momento de sua vida para as pessoas e para o grupo?”; “O que necessita para confiar mais no outro?”

Debriefing
1- O que você sentiu durante o tempo em que estava sendo guiado pelo colega? 30 minutos Não é necessário Promover a confiança;
qualquer material. Reforçar a importância de confiar no grupo;
2- Aconteceu sentir-se tentado a abrir os olhos? Promover a coesão de grupo;
3- Teve total confiança no seu líder? Reforçar a importância de todos na construção do objetivo final;
4- Pensou em se vingar do outro quando chegasse a sua vez de ser o guia?

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positivismo

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manual futebol de rua capítulo 19: positivismo

FUTEBOL NO ALASCA

Esta dinâmica tem por finalidade promover a cooperação entre atletas. Dividir o grupo em duas equipas,
A partir dos 14 anos
com o mesmo número de jogadores. Numa das partes do campo o facilitador desenha um círculo com
cerca de 2 metros de diâmetro.

Uma das equipas – Equipa A - começa com a bola e pode pontapear para o mais longe que conseguir,
devendo o jogador, de seguida, entrar para dentro do círculo. Os seus colegas (um de cada vez) correm
ao redor do círculo, contando quantas voltas dão ao círculo. Cada volta é um ponto.
Explorar o conceito de positivismo através
de exercícios práticos;
Desenvolver estratégias/táticas que
possibilitem identificar fenómenos do Por sua vez, a outra equipa – Equipa B - deverá recuperar a bola e formar uma linha. De modo
funcionamento do grupo e de como uma Mente Positiva = Vida Positiva a transportar a bola até ao circulo e entregá-la ao jogador que lá se encontra, os jogadores da Equipa
atitude positiva poderá ter impacto
no resultado final; Anónimo B deverão passar a bola entre si, entre as pernas.
Pretende-se que os participantes
tenham uma maior consciência de como
produzir ideias a partir de um problema;
Melhorar a confiança, consciência Ter uma atitude positiva faz toda a diferença na vida pessoal
e comunicação individual e em grupo. e profissional. Ter uma atitude positiva faz com que tenhamos
uma maior capacidade de enfrentar os nossos desafios,
contribuindo para que possamos visualizar os desafios como
oportunidades ao invés de problemas, influenciando a forma
como “vemos o mundo”. Indivíduos com uma atitude positiva
são pessoas com uma maior orientação para os resultados.

Comunicação 30 minutos Giz para marcação Promover a cooperação entre atletas.


Positivismo de campo
Cooperação Bolas de Futebol
Criatividade

Sala/Ar Livre

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manual futebol de rua capítulo 19: positivismo

CHAPÉUS DE BONO
Pretende-se com esta dinâmica que os participantes tenham uma maior consciência de como produzir
ideias a partir de um problema, sistematizando-as de forma coerente e lógica e tomando uma decisão
no final.

60 minutos Chápeus de diversas Pretende-se que os participantes tenham uma maior consciência
Apresentação das regras de utilização da técnica dos Chapéus de Bono: formas e cores (adaptável) de como produzir ideias a partir de um problema.
Os participantes deverão alterar a postura em função do chapéu colocado nos diferentes momentos de Cartões indicadores
em cada chapéu.
análise do problema (pode ser colocado um chapéu no centro da mesa);

Os participantes vão usar uma sequência de utilização de chapéus previamente


estabelecida:

1º Chapéu branco; JOGO DO FIM DO MUNDO


2º Chapéu verde;
3º Chapéu amarelo;
4º Chapéu preto; Pretende-se com esta atividade desenvolver estratégias/táticas que possibilitem identificar fenómenos
5º Chapéu vermelho; do funcionamento do grupo e de como uma atitude positiva poderá ter impacto no resultado final.
6º Chapéu azul; - É constituído um grupo de 5 elementos que vai ter de trabalhar em equipa;
- A equipa é disposta em “V”, sentados e voltados para o animador e para um quadro branco ou flipchart;
- Figura – Disposição dos participantes no jogo do fim comum. É entregue a cada elemento um conjunto
Posturas relacionadas com os chapéus: de cartas numeradas de “0” a “9”;
Branco - Postura factual; Análise factual da situação apresentada. - É apresentado o objetivo do jogo: ACERTAR 3 VEZES CONSECUTIVAS NO NÚMERO DITO PELO
Verde - Postura criativa; Pesquisa livre de alternativas. ANIMADOR: O animador vai dizer em voz alta, e escrever no quadro, um número entre “0” e “45”,
Amarelo - Postura positiva; Visão racional, e optimista. devendo a equipa conseguir levantar 5 cartas (uma cada elemento) cuja soma seja o número dito pelo
Preto - Postura negativa; Visão racional, mas pessimista. animador e escrito no quadro;
Vermelho - Postura emocional; O que se sente perante as diferentes possibilidades. - Não é permitido haver trocas comunicacionais entre os elementos da equipa – inclui falar, olhar para
Azul - Postura lógica; Sistematização da informação. trás ou para o lado, ou de alguma forma procurar o contacto visual com colegas;
- Antes de se iniciar o jogo a equipa tem 5 minutos para definir uma estratégia para, nas condições
descritas, alcançar o objetivo do jogo. Depois da equipa definir a sua estratégia, dá-se início ao jogo,
PROBLEMAS QUE PODEM SER UTILIZADOS NO EXERCÍCIO: devendo o animador fazer cumprir as regras;
- O Futebol Nacional está em declínio nos últimos 5 anos, o que deve ser feito com esta situação? - Caso a equipa esteja com dificuldades em alcançar o objetivo do jogo, poderá ser dada nova
- Um clube de futebol local está com problemas de liquidez financeira, o que deve ser feito? oportunidade para discussão/definição da estratégia (5’).
- Um indivíduo tem um jogo importante. Antes de sair de casa repara que o seu equipamento de jogo
não está lavado. Tem 5 minutos para tomar uma decisão, quer ajudá-lo?

Notas para o/a facilitador/a: Notas para Facilitador/A: Explorar a estratégia definida, como tendo que ter a participação
- Explorar a forma como as pessoas se sentiram nos diferentes papéis; de todos – mesmo que desempenhando diferentes papéis (uns mais simples e outros mais complexos);
- Analisar todo o processo de exploração dos problemas (sequência de utilização dos Chapéus Explorar a dimensão emocional do desenvolvimento do exercício – nomeadamente se surgiram conflitos
de Bono) e grau de profundidade alcançado; e culpabilizações pelas falhas e que implicações isso teve no funcionamento da equipa.
- Explorar as vantagens da tomada de decisão no seio do grupo.

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manual futebol de rua

60 minutos Quadro branco Desenvolver estratégias/táticas que possibilitem identificar


Flipchart fenómenos do funcionamento do grupo e de como uma
Cartas numeradas atitude positiva poderá ter impacto no resultado final.
Desenvolver competências de trabalho em equipa;
Desenvolver estratégias/táticas para alcançar resultados
no trabalho em equipa;
Identificar fenómenos do funcionamento do grupo.

VENCER, VENCER
O/a facilitador/a entrega a cada participante um balão e um pedaço de cordel. Em seguida pede para que
cada um encha o seu balão e o amarre ao tornozelo. Quando todos tiverem executado o que foi pedido,
o facilitador solicita que todos se encaminhem para o centro da sala e diz: “Aquele que me apresentar
o balão cheio, ganha um bom prémio. Normalmente, ao ouvir a ordem, todos tentam estourar o balão do
colega, ao passo que bastaria que todos apresentassem o seu balão para que todos ganhassem.

Debriefing

- Dentro de um grupo o que é mais importante?


- A competição ou a cooperação?
- Como alcançamos a cooperação?
- Qual a importância da relação vencer-vencer dentro do grupo?
- Quais as possíveis implicações deste tipo de atitude para o indivíduo? Para o grupo? E para a organização?
- Como podemos minimizar a competição natural?

60 minutos Balões Promover um ambiente de descontração e integração entre


Cordel pessoas.

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flexibilidade

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manual futebol de rua capítulo 20: flexibilidade

TERRAMOTO
Neste exercício divertido é permitido aos participantes experienciarem diversos papeis com alguma
flexibilidade.
A partir dos 14 anos
O ideal é que a quantidade de participantes seja um número múltiplo de três, mais uma pessoa. Exemplo:
22 participantes (7×3 = 21 e sobra uma pessoa);
- Divida os participantes em grupos de três pessoas, deixando uma pessoa de fora.
- Cada grupo será composto por duas paredes e um morador. Para cada trio, as pessoas que representam
as paredes devem ficar uma de frente para a outra, dando as mãos. O morador deve ficar entre as duas
paredes.

A pessoa que ficou de fora deverá gritar uma das três opções:

Explorar o conceito de flexibilidade MORADOR: Nesse caso, todos os moradores devem trocar de lugar, saindo de uma “casa” e indo
através de exercícios práticos;
Promover a compreensão para aceitar “Não há que ser forte. para outra. As paredes devem continuar no mesmo lugar, e a pessoa que estava de fora também
deverá entrar numa das casas, de modo a que a outra pessoa sobre. Ela será a próxima a gritar.
ou assumir as opiniões, ideias ou
pensamentos de outras pessoas; Há que ser flexível.”
Sensibilizar os participantes para PAREDE: Dessa vez só as paredes trocam de lugar e de par, enquanto os moradores ficam parados.
a importância da capacidade de conseguir Provérbio Chinês
realizar várias atividades ou ocupações A pessoa que estava de fora também deve assumir o lugar de uma parede, de modo que outra pessoa
ao mesmo tempo; fique sobrando;
Melhorar a confiança, consciência
e comunicação individual e em grupo.
No sentido figurado da palavra, a flexibilidade de um indivíduo TERREMOTO: todos trocam de lugar, e quem era parede pode tornar-se morador e vice-versa.
é a qualidade de compreender, aceitar ou assumir as opiniões,
ideias ou pensamentos de outras pessoas.
DEBRIEFING
A capacidade de um indivíduo conseguir realizar várias atividades
ou ocupações ao mesmo tempo, pode ser considerada um tipo Como se sentiram os que ficaram sem casa? Os que tinham casa pensaram em dar o lugar ao que
de flexibilidade. estava no meio? Passar isso para a nossa vida: como é sentir-se excluído de um grupo.

Comunicação
Flexibilidade
Cooperação
Criatividade

20 minutos Não é necessário Sensibilizar os participantes para a importância da capacidade


qualquer material. de conseguir realizar várias atividades ou ocupações ao mesmo
Sala/Ar Livre tempo;
Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual
e em grupo.

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manual futebol de rua capítulo 20: flexibilidade

UM OBJETO… UMA HISTÓRIA JOGA TUDO!

Este exercício treina a improvisação numa alusão direta à flexibilidade. Este exercício treina a improvisação e a flexibilidade a partir de uma ideia simples de um jogo.
Os participantes têm que mudar quase instintivamente de modalidade o que pode trazer algumas
Podemos improvisar na vida e no campo. Por isso, praticar a improvisação é importantíssimo para confusões e momentos divertidos. O grupo é dividido em duas equipas.
a aquisição de competências de flexibilidade.
Antes do início do exercício, deve-se pedir aos participantes que escolham um objeto disponível
e que durante dois minutos inventem uma história para esse objeto. (Por exemplo: como esse objecto Iniciam uma partida de futebol mas ao sinal do facilitador mudam de modalidade:
apareceu nas suas vidas; ou o que tem ele de especial…etc...) 1 apito = futebol
2 apitos = andebol
Com o objeto nas mãos os participantes devem começar a andar pelo espaço observando os seus 3 apitos = basquetebol
detalhes. Mais tarde, começam a olhar olhos nos olhos enquanto continuam a caminhar. Ao sinal do 4 apitos = rugby
facilitador os participantes devem encontrar um par para ambos trocarem as histórias que construíram
sobre os seus objetos. A seguir cada participante fica com o objeto do seu par e terá que partilhar essa
história com os restantes participantes. Prolongar até sentir que todos estão focados e em equipa.

No final, o grupo deve sentar-se e conversar sobre a experiência e do que sentiram. A ideia é falar
sobre a flexibilidade em campo e fora dela e em como nos podemos adaptar aos diferentes contextos
do desporto e da vida.

NOTA PARA FICILITADOR: Esta atividade pode ser muito divertida mas também muito caótica!

30 minutos Vários objetos Sensibilizar os participantes para a importância da capacidade


de improvisação e flexibilidade;
Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual
e em grupo.

30 minutos Apitos Sensibilizar os participantes para a importância da capacidade


Bolas de Futebol de improvisação e flexibilidade;
Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual
e em grupo.

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manual futebol de rua

TRRRRRR…PRESSÃO NO AR!
A pressão facilita (quase sempre) os indivíduos a pensarem rapidamente e a tomar decisões de uma
forma improvisada. Esta dinâmica sugere a flexibilidade e o pensamento rápido em diversas tarefas ao
mesmo tempo.
O grupo forma círculos de 8 pessoas (max). O facilitador introduz o exercício em todos os grupos.
A pessoa à direita do facilitador, inicia o exercício por exemplo através do tópico: 5 tipos de pizza que
conhece.
Os restantes batem nas pernas como tambores e pressionam o orador a dizer o mais depressa possível
os cinco tipos de pizza. Quando termina passa para o seu colega à direita e este terá que mencionar
por exemplo 5 clubes de futebol. O exercício ternima quando o círculo acabar.

Nota PARA FACILITADOR: Tem que haver sempre pressão para quem está a falar
e celebram no fim. Não existem palavras erradas. Podem inventar o que quiserem mas é importante
que digam qualquer coisa. Por exemplo tipos de pizza: “Lisboa com cogumelos”.

Vão aparecer coisas muito engraçadas! Antes do fim pode-se juntar o grupo todo num círculo gigante
e todos têm que dizer uma palavra sobre esta sessão (por exemplo).

No fim perguntar a grupo em plenário:


- Como se sentiram?
- Foi muito ou pouco pressionante?
- Tiveram ajuda em algumas ocasiões?
- Sentiram apoio dos pares?

A pressão obriga-nos por vezes a cometer alguns erros mas é importante ultrapassar e sermos o mais
flexíveis possível.

60 minutos Folhas A4 Sensibilizar os participantes para a importância da capacidade


Indicações de improvisação e flexibilidade;
Marcadores Melhorar a confiança, consciência e comunicação individual
e em grupo.

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D
debriefing

177
capítulo D: DEBRIEFING

Debriefing

O debriefing é uma ferramenta bastante utilizada para potenciar o conhecimento através da aprendizagem
experiencial. Este conceito é utilizado, de uma forma geral, para se referir às questões de resolução de
problemas, gestão de processos, orientação de desempenho e várias outras situações.
O debriefing precisa ser feito com toda a atenção possível, apresentando uma análise de todos
os resultados de um processo ou pelo menos dos mais importantes.

De modo geral, um debriefing é composto por perguntas como:

- Como se sentiram?
- O que acham que foi este exercício?
- Que elementos e características estavam envolvidas neste exercício/jogo?
- Qual era o resultado esperado?
- Em quais aspetos os objetivos foram ultrapassados e quais falharam?
- Como é que aconteceu?
- Qual o melhor passo a ser dado em seguida?

Importante, no processo de debreifing, é conduzir o grupo para o reconhecimento da aprendizagem


e fazer notar a experiência obtida.
Através das perguntas simples o grupo é conduzido e consegue perceber o que aprendeu e como
aprendeu adquirindo mais competências.

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E
avaliação

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manual futebol de rua capítulo E: AVALIAÇÃO

AVALIAÇÃO E REFLEXÃO
tenham tecido uma teia de aranha. No final, a desfazer a rede cada participante deverá dizer de que
forma está relacionado com a pessoa a quem passam o novelo.

Ideias a Desenvolver: O orientador tem a oportunidade de dizer alguma coisa acerca da importância
A avaliação pode ser entendida como um processo dinâmico, continuo e sistemático. A avaliação pode que cada um desempenha na equipa e de dizer que o sucesso da equipa dependerá da energia positiva
ser também um reconhecimento da aprendizagem. Sabendo como, onde e com quem aprendemos ou negativa transmitida por cada pessoa.
ajuda-nos a crescer mais e a encaramos a vida com mais competências. Na Educação não Formal é
muito importante sabermos avaliar e reflectir sobre as nossas aprendizagens. Os exercícios que se seguem
pretendem ajudar no processo de reconhecimento de aprendizagens e no processo de reflexão individual,
em pares e em grupo. Título: Se eu adormecer nos próximos 10 anos
Objectivo: Perceber qual a perceção de cada um relativamente ao futuro e de como ele vê o seu papel
nesse futuro.
Título: Passeio com um amigo Material a Utilizar: Não é necessário qualquer material.
Objetivo: Promover a reflexão e partilha de experiências entre pares. Ambiente Físico: Indiferente
Material a Utilizar: Bola Número de Participantes: Indiferente
Ambiente Físico: Espaço amplo Duração: 45 minutos
Número de Participantes: Qualquer
Duração: 15 minutos Desenvolvimento: Reunir os participantes em círculo e solicitar aos participantes que pensem e partilhem
como imaginem que será o mundo, caso eles adormecessem e acordassem daqui a 10 anos.
Desenvolvimento: Participantes, dois a dois, trocam a bola entre si. Posteriormente perguntar a cada um que enuncie qual será o seu papel e responsabilidade na criação
1. Os participantes conversam, em pares, entre si, avaliando a sessão nos seguintes aspetos, e em três desse novo mundo, caso ele estivesse acordado.
momentos alternados:
1) análise de factos (o que aconteceu e como cada um se comportou durante a sessão); Variantes: Poderá ser ajustado o exercício a um outro período temporal e contexto. Por exemplo:
2) análise de sentimentos (como se sentiram durante a sessão); Como vê a sua equipa daqui a um ano e como vê o seu papel na equipa e nesse futuro.
3) transferência para a realidade (de que forma a atividade e as aprendizagens adquiridas representam
o que acontece no seio da sua equipa).
2. Apenas o participante que não possui a bola pode falar. O participante com bola, deverá conduzir
a bola, de forma livre, enquanto ouve a opinião do colega. Entre cada ponto, alternam entre si. Título: Ritual Celta
Objectivo: Permitir que todos os participantes se coloquem e se expressem
Material a Utilizar: caixa de fósforos e copo com água
Ambiente Físico: Indiferente
Título: A teia de aranha Número de Participantes: Indiferente
Objetivo: Partilhar objetivos individuais relativamente a uma Acão. Desenvolver a ideia de trabalho em Duração: 30 minutos
grupo e da partilha de objetivos individuais na construção dos objetivos do grupo.
Material a Utilizar: Novelo de lã Desenvolvimento: Cada participante terá a oportunidade de riscar um fósforo para falar o que tem
Ambiente Físico: Sala Ampla vontade. Heis algumas regras:
Número de Participantes: Indiferente 1. Se não acender ou partir = Não fala. O participante não tem direito de falar;
Duração: 20 minutos 2. Se acender = Decide se usa o tempo falando enquanto houver a chama ou se apaga a chama
no copo com água;
Desenvolvimento: 3. Todos os depoimentos devem ser feitos na primeira pessoa
Os participantes formam um círculo. É dado a um participante um novelo de lã, de fio ou de cordão 4. Se a chama apagar = o participante deverá parar de falar imediatamente
e é-lhe pedido que diga o seu nome e algo que tenha aprendido com a sessão do dia. Quando este
termina, deve então segurar na ponta do cordão e atirar ou passar o novelo para outro participante, Notas para o Facilitador: Para terminar, pedir ao grupo para compartilhar sensações,
o qual terá que se apresentar e identificar algo que tenha aprendido com a sessão do dia e passar ideias, etc... Esta atividade pode ser usada em grupos onde somente os lideres falam e as outras
novamente o novelo para outro participante. Este procedimento continua até que todos os participantes pessoas não têm a oportunidade de manifestar a sua opinião.

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F
IDENTIFICADOR
de
dINâMICAS

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manual futebol de rua capítulo E: AVALIAÇÃO

AC CT CO EP CC RS CP RP CM TE CO RC LD TD RE MT AE CF PT FL AC CT CO EP CC RS CP RP CM TE CO RC LD TD RE MT AE CF PT FL

PRIMEIRAS IMPRESSÕES MOLÉCULAS

2 VERDADES E 1 MENTIRA BATATA QUENTE DESPORTIVA

BOAS NOTÍCIAS JOGO DE POSSIBILIDADES

EU ESTIVE ACOLÁ, ESTOU


JOGA +
AQUI E IREI PARA LÁ

CONTAGEM DE GRUPO FAZ A TUA EQUIPA

CADEIRA DE BOLA POR CIMA E


MÃOS TROCADAS BOLA POR BAIXO

RÉGUA MÁGICA A MISSÃO

1,2,3 MACAQUINHO
AVIÕES DE PAPEL
DO CHINÊS

AVIÕES AMIGOS ISSO IRRITA-ME TANTO

CEBOLA DA IDENTIDADE RECONHECER SINAIS

BINGO HUMANO JOGO DE PAPEIS

O JOGO DA EXCLUSÃO VERMELHO E VERDE

CONSCIÊNCIA DA CARDUME
INCAPACIDADE

PROBLEMA NO PAPEL LÍDERES NA MINHA VIDA

ENTREVISTA FOLLOW THE LEADER

ADREGAS MISSÃO IMPOSSÍVEL

E TU, QUE ANIMAL ÉS? TOMADA DE DECISÕES

A HISTÓRIA DA
MALABARISMO NA SALA MÁQUINA REGISTADORA

CAMPO MINADO DERDIANS

A HISTÓRIA DO
PHOTO FINISH CAPUCHINHO VERMELHO

CONTRATO SILENCIOSO RESPEITO MÚTUO

NÓ HUMANO FOOT-PRINT

REDAÇÃO EM CORRENTE WALK & TALK

CIRCUITO CORREDOR DA ENERGIA

PERDIDOS NA LUA EU QUERIA... EU QUERO

A MENSAGEM AMAS O TEU VIZINHO

RITUAL CELTA 2 QUALIDADES 1 SONHO

CADEIA HUMANA PENSO EM MIM


OU A MENSAGEM

DESENHO ÀS CEGAS PONTE HUMANA

RETRATO VERBAL BALÕES PELO AR

GPS NÃO VERBAL FUTEBOL ÀS CEGAS

TREINADOR DE GOLFINHOS PÊNDULO HUMANO

186 187
manual futebol de rua

AC CT CO EP CC RS CP RP CM TE CO RC LD TD RE MT AE CF PT FL

FUTEBOL NO ALASCA

CHAPÉUS DE BONO

JOGO DO FIM COMUM

VENCER, VENCER

1,2,3...

TERRAMOTO

UM OBJETO...
UMA HISTÓRIA...

JOGA TUDO!

TRRRRR...PRESSÃO NO AR!

AC= Auto Confiança


CT= Controlo
CO= Conhecimento do Outro
EP= Empatia
CC= Consciência
RS= Resiliência
CP= Compromisso
RP= Responsabilidade
CM=Comunicação
TE= Trabalho de Equi pa
CO= Cooperação
RC= Resolução de Conflitos
LD= Liderança
TD= Tomada de Decisão
RE= Respeito
MT= Moti vação
AE= Auto Estima
CF= Confiança
PT=Positivismo
FL=Flexibilidade

188 189
190
G
bibliografia
e recursos

191
manual futebol de rua

Bibliografia & Recursos

Manuais e publicações de referência

COMPASS: Manual para a Educação para os Direitos Humanos com jovens. Conselho da Europa. 2016
Dínamo – Associação de Dinamização Sócio-Cultural para a tradução em Língua Portuguesa
[Link]
Education Pack – Ideas, resources, methods and activities for informal intercultural education with
young people and adults. Council of Europe – 2004, 2nd edition. ISBN 92-871-5629-8
Domino - A manual to use peer group education as a mean to fight racismo, xenofobia, anti-semitism
and intolerance. Council of Europe - 2004 – 3rd edition.
FAZ-TE OUVIR! Manual sobre a Carta Europeia Revista sobre a Participação dos e das Jovens na Vida
Local e Regional Dínamo – Associação de Dinamização Sócio-Cultural, Setembro 2015. ISBN 978-989-
99443-0-5
[Link]
REAL SKILLS FC: An approach to coaching that uses street football to enable people to positively
transform their lives.
FIT FOR LIFE: Using sports as an educational tool for the inclusion of young people with fewer oppor-
tunities. 2011. SALTO Inclusion.
[Link]
MOVE And LEARN: Manual for Non-Formal Education Through Sport and physical activities with young
people. 2013. International Sport and Culture Association.
[Link]

Recursos Online

SALTO Tool box of Training: Plataforma online com exercícios e recursos pedagógicos [Link]
[Link]/tools/toolbox/

192
A Associação CAIS agradece à Federação Portuguesa de Futebol, UEFA Foundation
for Children e a todos os parceiros que anualmente acreditam e contribuem para
o crescimento do Projeto Futebol de Rua, um projeto que muda vidas!

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