DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Competência II
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COMPETÊNCIA II
Este bloco dará seguimento ao estudo da competência. A professora apresenta a relação
dos artigos pois a leitura dos dispositivos legais é extremamente importante para o conteúdo.
Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a par-
tilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação
de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha
ocorrido no estrangeiro.
Obs.: O art. 48 trata do chamado inventário, sendo objeto de cobrança em provas do Exa-
me da ordem por diversas vezes. Na verdade, o foro de domicílio do inventário não
será atribuído ao local em que o sujeito faleceu, mas sim o foro de domicílio do autor
da herança no Brasil. O cumprimento de disposições de última vontade refere-se a
eventuais testamentos que existam.
Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente:
I – o foro de situação dos bens imóveis;
II – havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III – não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.
Art. 49. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu último domicílio, tam-
bém competente para a arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de disposições
testamentárias.
Art. 50. A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu representante
ou assistente.
Obs.: No caso, haverá o representante ao se tratar de menor impúrbere (menor de 16
anos) ou um sujeito relativamente incapaz (maior de 16 e menor de 18 anos), sen-
do assistido.
FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO
Obs.: Ao promover uma demanda contra a União, estados, DF ou municípios ou ao surgir
uma demanda em face da pessoa, a ideia da dinâmica é que o sujeito mais fraco da
relação seja protegido. Por exemplo, um indivíduo morador de Brasília que esteja fa-
zendo uma viagem no Acre, que se acidente e seja socorrido em um hospital sofrendo
um erro médico durante o procedimento poderá ajuizar ação contra o estado do Acre
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no seu foro de domicílio (Distrito Federal), existindo inclusive a possibilidade de con-
vênio entre a procuradoria do DF e do Acre (considerando a representação judicial).
Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União.
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Obs.: A competência em questão considera que o réu é a parte mais fraca da relação, sen-
do a competência em seu foro de domicílio uma forma de protegê-lo.
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio
do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no
Distrito Federal.
Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o
Distrito Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no
foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação
da coisa ou na capital do respectivo ente federado.
COMPETÊNCIAS TERRITORIAIS RELEVANTES
Obs.: O art. 53 apresenta um ponto importante, tratando das ações de família, divórcio,
dissolução de união estável, separação e ações que envolvem a anulação de casa-
mento. Nesses casos, o foro de domicílio será o do guardião de filho incapaz, sendo
considerado o último domicílio conjugal caso não existam filhos menores. Dessa
forma, a opção do legislador no CPC de 2015 foi justamente a de priorizar o melhor
interesse da criança ou do adolescente.
CPC -Art. 53. É competente o foro:
I – para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução
de união estável:
a) de domicílio do guardião de filho incapaz;
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal;
d) de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei n. 11.340, de 7 de
agosto de 2006 (Lei Maria da Penha); (Incluída pela Lei n. 13.894, de 2019)
II – de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos;
Obs.: O “alimentando” é aquele que necessita de alimentos. Se incapaz, será considerado
o domicílio de seu assistente ou represente.
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III – do lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu;
c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem perso-
nalidade jurídica;
d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento;
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto;
Obs.: Não se trata de qualquer ação em que o idoso (maior de 60 anos) seja parte, mas
sim em que ele pleiteia um direito assegurado no próprio Estatuto do Idoso. O sim-
ples fato de o indivíduo ser idoso não é suficiente para pleitear ação em seu foro
de domicílio.
f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato praticado
em razão do ofício;
IV – do lugar do ato ou fato para a ação:
a) de reparação de dano;
b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios;
V – de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão
de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.
ATENÇÃO
Quanto ao inciso V, quando houver uma relação consumerista, será possível considerar
em paralelo o art. 101 inciso I do Código de Defesa do Consumidor (CDC):
Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem prejuízo do
disposto nos Capítulos I e II deste título, serão observadas as seguintes normas:
I – a ação pode ser proposta no domicílio do autor;
Ainda quanto a competência absoluta, ela não poderá ser alterada por vontade das partes,
sendo tal alteração promovida somente pela própria legislação. Por outro lado, com relação
a competência relativa, ela poderá ser alterada sem impedimentos por vontade das partes.
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MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA RELATIVA
A competência relativa poderá ser alterada, sendo considerados os seguintes:
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1. Foro de eleição (art. 63): as partes estão celebrando um negócio jurídico processual
típico (art. 190, CPC). Trata-se de um foro escolhido ou eleito pelas partes, que geralmente
consta no próprio contrato de prestação de serviços assinado por ambas. É importante lem-
brar que o negócio jurídico processual pode ser celebrado durante o curso do processo ou
antes mesmo de o processo existir, sendo celebrados em respeito à autonomia da vontade
(partes capazes e consensuais). É preciso considerar também que, por vezes, o foro de elei-
ção não foi eleito em comum acordo, sendo determinado de forma abusiva e em uma situa-
ção em que as partes estão em uma situação assimétrica. Por exemplo, um negócio jurídico
processual em que o réu não poderá contestá-lo, abrindo mão inclusive do direito ao contra-
ditório. Nesse caso, haveria a violação aos direitos e garantias fundamentais.
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Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes ple-
namente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa
e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou durante
o processo.
Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções
previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção
abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta situação de
vulnerabilidade.
Atípico: É concedida liberdade (vigiada) ao jurisdicionado.
2. Diante da inércia do réu, sujeito demandado ou executado: se a pessoa ajuíza
ação em local (foro) errado, em regra e por se tratar de competência relativa, o juiz não pode
conhecer tal ocorrência de ofício. Dessa forma, espera-se que o réu alegue tal fato na preli-
minar da contestação. Caso não haja qualquer manifestação do réu, aquele juízo que inicial-
mente seria incompetente torna-se competente.
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3. Alegação na preliminar: sujeito ajuíza ação em domicilio incompetente, mas há con-
testação na preliminar alegando tal ocorrência, sendo acolhida pelo juiz (art. 337, CPC).
4. Conexão e continência:
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5. Conflito de competências: são maneiras existentes de se alterar a competência relativa.
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ATENÇÃO
Um negócio jurídico processual pode ser típico ou atípico, podendo ser realizado antes
ou durante o processo:
Típico:
• foro de eleição;
• convenção de arbitragem;
• cláusula compromissória;
• calendário processual (art. 191);
• saneamento consensual e compartilhado (art. 357 §2º e 3º);
• inversão do ônus da prova consensual (art. 373 §3º e 4º); e
• escolha consensual do perito (art. 471).
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pela professora Raquel Bueno.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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