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2756 USO DE AGUA NO BRASIL: Q)PAPEL DO EFEITO TECNOLOGICO JAQUELINE COELHO VISENTIN LEONARDO SZIGETHY ea 2756 Brasilia, marco de 2022 USO DE AGUA NO BRASIL: O PAPEL DO EFEITO TECNOLOGICO JAQUELINE COELHO VISENTIN' LEONARDO SZIGETHY? 1. Pesquisadora do Subprogram de Pesquisa para o Desenvolvimento Nacional (PNPD) na Diretoria de Estudos e Politcas Setoriais de Inovagaoe Infraestru- tura (Diset) do Ipea. E-mail: . 2. Pesquisador do PNPD na Diset/lpea. E-mail: . IP Oa eencmcnpicsda” Funda¢o pablica vinculada ao Ministério da Economia, © Ipea fornece suporte técnico e institucional as agbes governamentais— possibilitando a formulacéo de indmeras politicas piblicas e programas de desenvolvimento brasileiros—e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas estudos realizados por seus técnicos. Presidente ERIK FIGUEIREDO Diretor de Desenvolvimento Institucional "MANOEL RODRIGUES JUNIOR Diretora de Estudos e Politicas do Estado, das Instituigbes e da Democracia FLAVIA DE HOLANDA SCHMIDT Diretor de Estudos e Politicas Macroeconomicas {JOSE RONALDO DE CASTRO SOUZA JUNIOR Diretor de Estudos e Politicas Regionais, Urbanas e Ambientais NILO LUIZ SACCARO JUNIOR Diretor de Estudos e Politicas Setoriais de Inovagdo e Infraestrutura ‘ANDRE TORTATO RAUEN Diretora de Estudos e Poiticas Socials LENITA MARIA TURCHI y Diretor de Estudos e Relacdes Econdmicas e i Politicas Internacionals IVANTIAGO MACHADO OLIVEIRA ‘Assessor-chete de Imprensa e Comunicacso "ANDRE REIS DINIZ Texto para Discussao Publicacao seriada que divulga resultados de estudos e Pesquisas em desenvolvimento pelo pea com o objetivo de fomentar 0 debate e oferecer subsidios a formulacao e avaliagao de politicas publicas. © Instituto de Pesquisa Econémica Aplicada — ipea 2022 Texto para discussao / Instituto de Pesquisa Economica ‘Aplicada.- Brasilia : Rio de Janeiro :Ipea , 1990- ISSN 1415-4765 1 Brasil. 2.Aspectos Econdmicos, 3.Aspectos Sociais. |. Instituto de Pesquisa Econémica Aplicada. DD 330.908 ‘As publicacdes do Ipea estao disponiveis para download gratuito nos formatos POF (todas) e EPUB (ivrose periddicos), ‘Acesse: http/Awwaw.ipea gov.br/portalpublicacoes As opinides emitidas nesta publicacso so de exclusiva € inteira responsabilidade dos autores, no exprimindo, necessariamente, 0 ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econdmica Aplicada ou do Ministério da Economia. E permitida a reproducio deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte, ReproducSes para fins comerciais so proibidas. JEL: Q25; R15; Q55. DOI: httplidx.doi.ora/10.381 16/td2756 SUMARIO SINOPSE. ABSTRACT 1 INTRODUCAO.. 2 METODOLOGIA E DADOS.. 3 RESULTADOS .... 4 CONSIDERACOES FINAIS .. REFERENCIAS. SINOPSE Entre 2013 e 2016, diversas regides do Brasil sofreram com algum evento de escassez, seca e/ ou possibilidade de racionamento de Agua. Porém, a captacio direta de Agua Azul para uso con- suntivo cresceu 6,38% no periodo. Por sua vez, a tecnologia é considerada um fator cada vez mais importante para o uso sustentavel dos recursos naturais. Nesse contexto, 0 objetivo deste artigo é investigar 0 papel do efeito tecnolégico sobre as variagbes no volume utilizado de agua no Brasil entre 2013 e 2017. Para isso, sao utilizadas matrizes insumo-produto ambientalmente estendidas e a andlise de decomposi¢go estrutural. Entre os principais resultados, destaca-se que 0 efelto tecnolégico no tem contribuido para contrapor presséo pelo crescimento do uso de gua em geral.A partir desse tipo de identificagao, 0 método proposto pode gerar informacoes Uteis as politicas piblicas em direcdo ao uso sustentavel da agua. Palavras-chave: efeito tecnolégico; 4gua; insumo-produto. ABSTRACT Between 2013 and 2016, several regions in Brazil suffered from some event of scarcity, drought and/or the possibility of water rationing. However, the direct abstraction of Blue Water for con- sumptive use grew 6.38% in the period. In turn, technology is considered an increasingly important factor for the sustainable use of natural resources. In this context, the objective of this article is to investigate the role of the technological effect on variations in the volume of water used in Brazil between 2013 and 2017. To meet this objective, environmentally extended input-output matrices and Structural Decomposition Analysis are used. Among the main results, itis highlighted that the technological effect has not contributed to counteract the pressure for the growth of water use in general. From this type of identification, the proposed method can generate useful information for public policies towards the sustainable use of water. Keywords: technological effect; water; input-output. TEXTO para DISCUSSAO 1 INTRODUCGAO Os recursos hidricos tém papel fundamental para qualquer sociedade, seja para o funciona- mento dos ecossistemes, para a salide humana ou para as atividades econdmicas. Porém, quando 0 uso inadequado e/ou ineficiente desses recursos ocorre, podem ser gerados impactos em sua quantidade e qualidade. O Brasil detém uma das maiores disponibilidades de agua do mundo. Contudo, a distribuigao da populacdo e das atividades produtivas demandantes da &qua nao sequem a distribuiggo natural da agua, gerando problemas de disponibilidade e qualidade. ‘A maior parte da agua doce no Brasil esté na Amaz6nia, cerca de 80%. No entanto, apenas cerca de 5% da populagdo nacional se concentra nessa regido. Ao mesmo tempo, grande parte da populacdo e das atividades econémicas esto nas regides Sudeste, Nordeste e Sul, as quals detém menor seguranca hidrica, seja pela baixa disponibilidade, alta demanda ou alta taxa de poluigdo das aguas (ANA, 2019b)." Destaca-se ainda o alto percentual de perdas de Agua pelas atividades econdmicas no pais, que chega em média a mais de 30% nos sistemas de saneamento e mais de 50% nos sistemas agricolas. Adicionalmente, verficam-se crescentes conflitos em tomo do uso de égua em algumas localidades (Santos e Kuwajima, 2019). Entre 2013 e 2016, diversas regides do Brasil sofreram com algum evento de escassez, seca elou possibilidade de racionamento (ANA, 2019b), Porém, a captacao direta de Agua Azul? para uso consuntivo® cresceu 6,38% no periodo. Nesse contexto,é importante destacar que a tecnologia é considerada um fator cada vez mais importante para o uso sustentvel dos recursos naturais. De acordo com uma das abordagens da 1. Devido 2 Lei n® 14.026, de 15 de julho de 2020, conhecida como o Matco Legal do Saneamento Basico, a ANA ganha a atribuigéo de regulacéo sobre o saneamento, incorporando e Saneamento Basico em seu nome. 2. Agua disponivel nos corpos hidricos superfciais e subterréneos (Hoekstra et af, 2011). 3..05.usos consuntivos se referem ao uso de agua fora do corpo hidrico de modo a nao retornar ao mesmo curso de agua (ANA, 2013). 6 2756 TEXTO para DISCUSSAO economia do meio ambiente,‘ a chamada economia ambiental, pode ser possivel combinar cres- cimento econdmico e sustentabilidade ambiental por meio da utilizacao de tecnologias eficientes no uso desses recursos (Amazonas, 2002), 0 chamado efeito tecnolagico. Nesse contexto, 0 objetivo deste artigo ¢ investigar 0 papel do efeito tecnologico sobre as variacées na captagio direta de Agua Azul para uso consuntivo no Brasil entre 2013 e 2017. Para isso, sdo utilizadas Matrizes Insumo-Produto (MIPs) ambientalmente estendidas, com dados da ANA, e a analise de decomposicéo estrutural, a nivel nacional para o periodo mencionado. Por sua vez, os resultados desta pesquisa podem contibuir para a geracdo de informagbes tteis ao desenvolvimento e aplicacéo de mecanismos de incentivo em dregao ao uso sustentavel da aqua. O restante deste artigo & composto por quatro segdes. Na secdo dois so apresentados a metodologia e os dados utilizados.A secao trés é dedicada aos resultados e na seco quatro sao tecidas as consideracées finais. 2 METODOLOGIA E DADOS Para o atingir 0 objetivo proposto, sao utilizadas MIPs ambientalmente estendidas, isto a combinacao das MIPs com informagGes sobre o uso de recursos naturais, medido por meio de variaveis fisicas, tal como em metros cibico por segundo (m/s), ¢ a andlise de decomposigao estrutural, a nivel nacional para o periodo entre 2013 e 2017. ‘As analises baseadas em modelos insumo-produto so resumidas na figura 1. Cada linha da matriz Z indica o fluxo intersetorial, isto 6, o consumo intermediario de bens e servicos de cada setor. ‘A mattiz ¥ registra 0 consumo final, dividido em consumo das familias, consumo governamental, exportacdes, formacéo bruta de capital fixo e variago de estoques. As linhas abaixo das matrizes Ze Y registram as despesas com importacdes, impostos indiretos liquidos e o valor adicionado (remuneragao aos servicos dos fatores de producao). Os totais das colunas e das linhas da matriz (vetor X e.X’) registram a producao total de cada setor e devem ser iguais, indicando o equilibrio da economia no qual as despesas de cada setor so iguais as suas respectivas receitas. 4.A economia do meio ambiente é dividida em duas linhas: i) a economia ambiental; e i) a economia ecolégica. A linha de acordo com a qual pode nao haver um trade-off entre o crescimento econdmico @ a sustentabilidade ambiental se refere & economia ambiental Para a economia ecolégica, esse trade-off necessariamente existe (Amazonas, 2002). 7 2756 Was N FIGURA 1 Relac6es fundamentais de insumo-produto Fonte: Guilhoto (2011). Elaboragao dos autores. Os principais pressupostos na utilizagao da metodologia de insumo-produto sao: i) equilbrio econémico a um dado nivel de precos; ii) inexisténcia de iluséio monetéria por parte dos agentes econdmicos; iii) retornos constantes a escala; e iv) precos constantes (Haddad et a/., 1989). No modelo insumo-produto a economia é dividida em n setores, sendo Xi o valor bruto da produco do setor i, ¥ia parcela da producdo do setor / que se destina & demanda final e Zj a parcela da producio do setor i que se destina ao setor j.A partir dessas definigdes, tem-se 0 seguinte sistema de equacbes lineares: MHZ 4 Zt Zy +¥%, Ky ZZ yy tet Zap +My X,=Z)+Zy4o+Z,,+¥, a) KX, HZy + Zip tnt Za tl, . A pattir do referido sistema de equacbes, deriva-se a matriz de coeficientes técnicos A, onde obtém-se cada elemento 4, dividindo-se a parcela de insumo absorvida por cada setor pelo total da producao do setor j, conforme descrito a seguir. Z, a,=Zt. 2 Xx, Se, por exemplo, o setor 1 opera a um nivel de produgao exatamente necessario para satisfa- zet as necessidades de insumos dos n setores, bem como a demanda final, seu nivel de produgdo precisa satisfazer a sequinte equacao: TEXTO para DISCUSSAO Xi ta, X, tot X, HY (3) Reartanjando esta equaco, estimando-a para todos os setores (0 que permite derivar as equacées na forma matricial) e pré-multiplicando os dois lados da equacdo por (J 4)" tem-se: Y=(-4'Y, (4) em que('-a)’é chamada de matriz inversa de Leontief ou matriz tecnolégica. X 6 a quantidade de produgao necesséria para atender 8 demanda intermediéria dos n setores e & demanda final Y. Cada elemento da matrizinversa de Leontief representa a quantidade necesséria de insumos diretos e indiretos do setor/ por unidade monetaria de demanda final para a producéo do setor j. Conforme mencionado, as MIPs ambientalmente estendidas se referem a combinacao dos teferidos fluxos monetarios com informacdes sobre os fluxos fisicos relacionados ao uso de recur- sos naturais. No caso desta pesquisa, os fluxos fisicos se referem ao uso de agua por parte das atividades econdmicas. Para combinar essas informacGes, estima-se a intensidade hidrica dos setores, conforme descrito a seguir. Em seguida aplicam-se esses dados no modelo monetério, como apresentado nna equacao (9). N=M.R (5) M=N.X, (6) em que N & 0 vetor de intensidade hidrica, ou seja, 0 total de Agua Azul captada diretamente para uso consuntivo por setor, dvidido pelo total da producao do referido setor no referido ano, M é 0 vetor do total setorial de captacao direta de Agua Azul para uso consuntivo. X é a quantidade de producdo necesséria para atender 8 demanda intermedidria dos n setores e & demanda final Y, conforme mencionado na descricao das varidveis da equacao (4) A partir de duas ou mais MIPs para diferentes anos, é possivel desagregar o total de mudangas ocorridas no periodo em alguns aspectos e disciminar as causas dessas mudangas em components. Por exemplo, a variacdo no produto total entre dois periodos pode estar parcialmente asso- ciada a mudancas na tecnologia, refletidas inicialmente em alteragGes nos coeficientes da matriz inversa de Leontief, como também pode estar associada a mudancas na demanda final 2756 9 TEXTO para DISCUSSAO Avancando no processo de desagreqacZo, o total de mudancas nos coeficientes da matriz inversa de Leontief pode ser desagregado, sendo uma parte associado a mudancas tecnolégicas dentro de cada setor, como reflexo de mudancas nos insumos da matriz de coeficientes diretos, e outra parte relacionada a alteracoes no mix de produtos dentro de cada setor. De modo similar, as variagdes na demanda final podem ser, em parte, reflexos de alteracdes no nivel total de demanda final e também relacionadas és mudangas na composicao da demanda final (Dietzenbacher e Los, 2000). As origens da utiizacdo da técnica de andlise de decomposicéo estrutural remontam aos trabalhos seminais de Leontief (Skolka, 1989). Desde entao, essa metodologia tem sido aplicada pata 0 atendimento de distintos objetivos. Haddad et al. (2020) mensuraram o impacto da crise econémica nas diferentes regides da Grécia. Goncalves Junior, Guilhoto Lopes (2015) analisaram as variacbes nas importacdes brasi- leiras no periodo entre 1990 e 2009. Sesso Filho et al. (2010) estudaram as causas das variacoes no emprego no Brasil entre 1991 e 2003. Su e Ang (2012) e Hoekstra e Van den Bergh (2003) apresentam diferentes aplicacées desta técnica, cobrindo um vasto periodo, Adicionalmente, hd experiéncia na literatura com a aplicacdo da anélise de decomposicao estrutural em economia do meio ambiente. Alcantara e Duarte (2004) identificaram as fontes das diferencas na intensidade energética nos paises da Unido Europeia (UE), enquanto Butnar e Llop (2011) analisaram mudangas na emissao de diéxido de carbono (CO,) nos setores de servigos na Espanha para o periodo entre 2000 e 2005. Entre as pesquisas que utilizam essa metodologia para o estudo da mudanca no uso da agua, se destacam as realizadas para a China, Estados Unidos, Europa (com foco na Espanha), entre outras regides (Wang, Small e Dzombak, 2014; 2015; Yang et al., 2015; Duarte, Pinilla e Serrano, 2016; 2018; Wan et al,, 2016; Llop 2019; Gerveni, Avelino e Dall’erba, 2020; Avelino e Dall'erba, 2020). Dentre esses estudos, se destacam os descritos a seguir. Wang et al. (2014) analisaram a influéncia de cinco fatores (intensidade no uso da gua, estrutura tecnolégica, populacao, produto intemo bruto (PIB) per capita e estrutura de consumo) na captacao de dgua durante 1997 e 2002 para 134 setores nos Estados Unidos. Os autores apontam que o aumento na populacdo, no PIB per capita e na intensidade no uso da agua foram 0 responsavels por aumentarem o uso de égua no perfodo, apesar da tecnologia e as mudangas no padrao de consumo mitigarem esse aumento. 10 | “ae 2756 TEXTO para DISCUSSAO Wang, Small e Dzombak (2015), em uma atualizaco do estudo para 2005 e 2010, mostram que a redugdo na captagdo de agua no perfodo foi impulsionada por uma queda na intensidade do uso de agua, devido 8s mudancas na estrutura tecnolégica e & reduco do PIB per capita. Por sua vez, 0 crescimento populacional e as mudancas nos padrées de consumo neutralizaram esses efeitos, contribuindo positivamente para um aumento no uso da agua Wan et al. (2016) utilizaram um modelo insumo-produto multirregional baseado na decom- posicao estrutural para compreender os determinantes do fluxo de Agua Cinza® para 35 setores de 40 paises entre o periodo de 1995 a 2009. Entre os resultados, destacaram a importéncia do efeito tecnologico para frear o aumento de poluicao global da agua, enquanto o efeito escala tradicionalmente um fator dominante no aumento da poluigio. op (2019) analisou as mudancas na intensidade do uso da agua compreendendo dez setores na Catalunha para 2004 e 2007. Os resultados mostram uma redugao da intensidade hidrica regional ‘As mudancas anuais na intensidade do uso da agua sao explicadas no estudo pela menor contti- buigdo da agricultura para o PIB e a reducao no uso residencial de 4gua em relagao ao PIB regional Gerveri, Avelino e Dall'erba (2020) utilizam a decomposicdo para explicar os fatores do aumento do uso de dgua na producao agricola por tipo de cultura nos paises da UE entre 1995 @ 2011. 0s resultados apontam que a tecnologia foi responsdvel pelo aumento no uso da agua nos maiores produtores. Por outro lado, paises produtores que convivem com escassez de agua diminuiram seu consumo de égue devido 4 melhoria na intensidade da agua. Avelino e Dall’erba (2020), seguindo e detalhando os trabalhos de Wang, Small e Dzombak (2014; 2015), analisaram as mudancas do uso da agua em dezoito fatores que abrangem deter- minantes nacionais e estrangeiros, Os autores analisaram a evolucio da captacao de agua para uso em oito culturas diferentes e seis tipos de gado, comparando as tendéncias entre 1995-2005 e 2005-2010 para explicar o papel da crise econémica no segundo periodo nos Estados Unidos. Entre os resultados, concluem que a redugdo na captacdo de agua para a maioria das culturas foi impulsionada principalmente pela diminuicdo da intensidade no uso de agua e pela tecnologia — que pode ser explicada pelo aumento da eficiéncia dos sistemas de irrigagdo -, enquanto a demanda final mitigou essa queda devido demanda externa por produtos intensivos em agua. Apés essas consideracdes, é importante mencionar que a atual pesquisa contribui para a referida literatura uma vez que emprega uma metodologia amplamente utilizada para estudar 0 papel do efeito tecnolégico na evalucao do uso Squa no Brasil 5. Volume de agua necessério para dissipar os poluenteslangados ns recursos hidrics (Hoekstra eta, 2011). 11 2756 > — TEXTO para DISCUSSAO No que se refere as estimacdes, destaca-se que o processo de decomposicSo utilizado nesta pesquisa é 0 mesmo utilizado por Sesso Filho et al (2010) para avaliar mudangas no emprego, e por Goncalves Junior, Guilhoto e Lopes (2015) para estudar as mudancas nas importacGes. Assim, considerando os elementos da demanda final: we (7) yayy®, (8) em que y* 6 a matriz de coeficientes da demanda final. y’é 0 vetor do total da demanda final por categoria. y sao 0s vetores de demanda final de cada categoria. Substituindo 2 equacao (8) na equacdo (4) e, depois, o resultado desta substituindo na equaco (6) tem-se: M=N.Ly*.y", (9) em que L é a matriz (|-A)* inversa de Leontief. Logo, a decomposicao estrutural da mudanga total (AM) na captacao direta de Agua Azul para uso consuntivo entre os anos de 2013 a 2017 pode ser caracterizada como: AM = 0,5ON (Levey? + Lr-a¥é-19£-1) (Efeito intensidade) + 0,5(N,rAbyfyf + NALy?:y8-) (Efeito tecnolégico) (10) +05(M-sbe-sBy"y? + NebeAy*y?-s) (Efeito estrutura da demanda final) +0.5(W,-sbe-iv%1 + Nebeyé)y” (Efeito volume da demanda final) Na literatura de insumo-produto, o efeito intensidade se refere & variacdo no coeficiente de captagéo da Agua Azul, ou seja, 8s mudangas na intensidade de Agua Azul captada para uso consuntivo nacional, O efeito tecnolégico se refere a variagdo da captago de Agua Azul para uso consuntivo causada pela mudanca nos coeficientes da matriz inversa de Leontief, isto &, pela mudanga na composicéo de insumos utilizados para a produco, ou seja, na composicéo estrutural @ tecnolégica da produgéo. 12 2756 Madera) 4 Na MIP a demanda final 6 composta por: i) consumo das familias; i) consumo das instituicSes sem fins lucrativos; i) exportacées; iv) variacdo de estoques; v) gastos do governo; e vi) formacao bruta de capital fixo.O efeito estrutura da demanda final est relacionado a mudancas na captacio direta de Agua Azul para uso consuntivo causadas por variagSes na composicao da demanda final, isto 6, variagGes na quantidade dernandada por cada uma das categorias mencionadas. Por sua vez, 0 efeito volume da demanda final estd relacionado a variacbes na captacao direta de Agua Azul para uso consuntivo causadas por alteraces na quantidade demandada total, proveniente principalmente do crescimento econdmico. Por fim, a soma desses efeitos corresponde ao efeito total Com relacio aos dados utilizados para a aplicacdo dos métodos descrtos, destaca-se que as MIPs sao as disponibilizadas pelo Nucleo de Estudos Regionals e Urbanos da Universidade de So Paulo (Nereus). As mesmas foram construidas segundo a metodologia proposta por Guilhoto @ Sesso Filho (2005; 2010). Para a aplicagao da andlise de decomposicao estrutural, as referidas mattizes foram deflacionadas pelo deflator implicito do PIB obtido junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE).* No que se refere ao célculo da intensidade hidrica das atividades econémicas, foram utiliza- das informag6es sobre a captacao direta de Agua Azul para uso consuntivo disponiveis em ANA. (2019a). Para que a combinagéo entre as intensidades hidricas e as MIPs nacionais fosse possive, de modo que os setores da matriz passassem a ser correspondentes com os setores reportados pelo estudo da ANA (2019a), foi necessério agregar as MIPs. Esse processo se deu frente & pouca desagregacao setorial dos dados piblicos sobre o uso de gua. Por sua vez, a agregacdo das MIPs seguiu a metodologia descrita em Miller e Blair (2009) @ 0 recorte setorial apresentado a seguir. QUADRO 1 Compatibilizacao das informacées disponiveis no Manual de Usos Consuntivos da Agua no Brasil da ANA e os setores das MIPs nacionais Agrcuturairigada Agricultura Dessedentacio animal Pecusria No identificadot Producio florstal, pesca e aquicutura Mineragdo Indastrias extratvas Caius) 6. Disponivel em: . Acesso em: 2 nov. 2020. 13 2756 Indstas de tansformacio Indias de transformagSo | Geragiotémica Eletricidade e gs | Abastecimento humano rural Abastecimento humano urbana aus eesaot0 Nao identificadot Dems atividades | Elaboracao dos autores. Nota: importante mencionar que no caso das atividades producdo flreta: pesca e aquicutura e demais atividades, assumiu-se que a captacio diteta de Agua Azul para fins consuntivos& igual a ero. Visto que so atividades que . Acesso em: ago. 2020. ODS 6 no Brasil: viséo da ANA sobre os indicadores. Brasilia: ANA, 2019a. . Conjuntura dos recursos hidricos no Brasil 2019. Brasilia: ANA, 2019b. ‘ANA—AGENCIA NACIONAL DE AGUAS; IBGE — INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA; SRHQ — SECRETARIA DE RECURSOS HIDRICOS E QUALIDADE AMBIENTAL. Contas econémicas ambientais da agua: Brasil 2013-2015. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. AVELINO, A. F..; DALUERBA, S. 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Disponivel em: . 23 Ipea — Instituto de Pesquisa Econdmica Aplicada EDITORIAL Chefe do Editorial Aeromilson Trajano de Mesquita Assistentes da Chefia Rafael Augusto Ferreira Cardoso Samuel Elias de Souza Supervisdo Camilla de Miranda Mariath Gomes Everson da Silva Moura Revisdo Alice Souza Lopes Amanda Ramos Marques Ana Clara Escércio Xavier Clicia Silveira Rodrigues Luiz Gustavo Campos de Aratijo Souza Olavo Mesquita de Carvalho Regina Marta de Aguiar Reginaldo da Silva Domingos Brena Rolim Peixoto da Silva (estagiria) Nayane Santos Rodrigues (estagidria) Editoragio Anderson Silva Reis Cristiano Ferreira de Aratjo Danielle de Olivera Ayres Danilo Leite de Macedo Tavares Leonardo Hideki Higa Capa Aline Cristine Torres da Silva Martins Projeto Grafico Aline Cristine Torres da Silva Martins The manuscripts in languages other than Portuguese published herein have not been proofread. Missao do Ipea Aprimorar as politicas publicas essenciais ao desenvolvimento brasileiro por meio da produc&o e disseminacdo de conhecimentos e da assessoria ao Estado nas suas decisGes estratégicas. | PATRIA AMADA Ml ipe raceeaa mstenions TA BRASIL ECONOMIA GOVERN FEDERAL

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