Experimento 3
Física Experimental IV
Atividade 2 - Polarização por reflexão em um dielétrico
Novembro/2023
Professor: Yuri Sacha Silva
Equipe:
Aluno 1: Juan Matheus Munoz N° USP: 13688304
Aluno 2: Thiago de Castro Pereira N° USP: 6434102
Aluno 3: Wagner Henrique Marques N° USP: 13688242
1. Introdução
Dando continuidade ao experimento 3, a atividade 2 consistiu em
estudar a polarização por reflexão em um dielétrico (bloco de acrílico), com o
intuito de se obter o índice de refração do material e o ângulo de Brewster do
material. A polarização por reflexão em um dielétrico é um fenômeno óptico
que ocorre quando a luz incidente em um material dielétrico sofre reflexão em
uma superfície. Nesse processo, as ondas eletromagnéticas são parcialmente
polarizadas devido à interação com os elétrons do dielétrico. Isso resulta na
separação das cargas dentro do material, criando um campo elétrico oposto
ao campo incidente e gerando a polarização do dielétrico.
2. Metodologia
O aparato experimental foi montado utilizando três polarizadores: o
primeiro foi posicionado imediatamente após o feixe de laser ser emitido, a
fim de regular a intensidade da luz; o segundo veio logo em seguida, com a
finalidade de estabelecer a direção do feixe de entrada (α = 45º); o terceiro
(polarizador analisador) foi posicionado após colocarmos um objeto refletor
entre ele e o segundo polarizador, de modo que o feixe de luz refletisse no
objeto e incidisse no polarizador analisador, conectado ao sensor ligado ao
Arduino utilizado. Uma vez montado, a intensidade refletida, em função do
ângulo do polarizador analisador, foi estudada em 3 angulações distintas
(θ = 25°, 45°, 65°). Para cada um desses ângulos, utilizou-se a equação
teórica (Eq.1) para obter os índices η e ξ. Isto é, os gráficos foram elaborados,
a partir da Eq. 1. Com esses índices em mãos, foi realizado um cálculo, em
uma planilha fornecida ao grupo, para determinar o índice de refração do
material.
𝐼(θ) = 𝐼0(1 − η𝑠𝑖𝑛2θ + ξ𝑐𝑜𝑠2θ) (𝐸𝑞. 1)
3. Resultados
Com os dados planilhados, utilizando-se o sistema em Arduíno, foram
realizados os ajustes no software “LabFit”, para os ângulos de 25° (Fig. 1),
45° (Fig. 3) e 65° (Fig. 5), sem polarizador e Fig.2, Fig.4 e Fig 6,
respectivamente, com polarizador. Os dados sem polarizador possuem os
mesmos comportamentos de máximos e mínimos em relação aos ângulos,
porém, com uma intensidade, em V, maior.
Fig. 1 – Gráfico Intensidade por angulação do polarizador analisador, com
θ = 25° e sem polarizador
Fig. 2 – Gráfico Intensidade por angulação do polarizador analisador, com
polarizador e θ = 25°
Fig. 3 – Gráfico Intensidade por angulação do polarizador analisador, com
θ = 45° e sem polarizador
Fig. 4 – Gráfico Intensidade por angulação do polarizador analisador, com
polarizador e θ = 45°
Fig. 5 – Gráfico Intensidade por angulação do polarizador analisador, com
θ = 65° e sem polarizador
Fig. 6 – Gráfico Intensidade por angulação do polarizador analisador, com
polarizador e θ = 65°
4. Discussão
Como é possível observar, somente para θ = 25° e θ = 45° foi possível
realizar o ajuste. Com a Eq. 1, foi realizado o ajuste de maneira que 𝐼0 = 𝐴, η = 𝐵
e ξ = 𝐶. Entretanto,
Da planilha, temos, nas Fig.7, Fig. 8 e Fig. 9, os resultados para 𝑛, de cada
um dos ângulos, respectivamente, a partir dos dados com polarizador:
Fig. 7 – Cálculo de n do dielétrico, com θ = 25°
Fig. 8 – Cálculo de n do dielétrico, com θ = 45°
Fig. 9 – Cálculo de n do dielétrico, com θ = 65°
Com o polarizador, no caso em que θ = 25°, a planilha fornece o valor
𝑛 = 0, 669. Analogamente, para os ângulos de 45° e 65°, foram fornecidos
𝑛 = 1, 466 e 𝑛 = 3, 996 , respectivamente.
Como observado na comparação entre os gráficos com e sem polarizador, a
intensidade correspondente a mesma angulação, mas na presença de polarizador, é
reduzida. Dessa maneira, entende-se que a onda refletida estava polarizada
linearmente.
Ainda com base nos gráficos, no caso de θ = 25°, a intensidade máxima
ocorre por volta de uma angulação de 78,8°; para θ = 45°, 103, 4° e para θ = 65°,
93,5°. Isto é, a direção do polarizador é paralela a esses ângulos, em cada um dos
casos. Nesse sentido, os ângulos complementares deles correspondem à
angulação de mínimos. A seguir, há a Tabela 1, que ilustra e compara o valor obtido
e o valor da planilha, para cada ângulo.
Tabela 1 – Comparação entre valores obtidos e os da planilha
θ Angulação de Complementar Complementar Diferença
máximo (x°) obtido planilha percentual, em
(|90°-x°|) (|90°-x°|) módulo
25° 78,8 11,2 24,2 54%
45° 103,4 13,4 16,2 17%
65° 93,5 3,5 18,5 81%
O grupo aponta como motivo da diferença percentual o efeito de
birrefringência do material, alterando a polarização da onda com a variação do
ângulo de incidência.
Com base nos mesmos valores da Tabela 1, percebeu-se que a menor
diferença percentual foi no caso em que θ = 45°. Por esse motivo, acredita-se que,
nesse cenário, o efeito esperado do experimento é melhor explicado, portanto,
comparando os três índices de refração obtidos, determinou-se que o valor do
índice de refração do material utilizado é próximo de 1,466, correspondente à
polarização com θ = 45°, como na Figura 8.
𝑛𝐼𝑁𝐶𝐼𝐷𝐸
O ângulo de Brewster (γ) é definido como γ = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛( 𝑛 ). Logo,
𝑅𝐸𝐹𝑅𝐴𝑇𝐴
considerando 𝑛𝐼𝑁𝐶𝐼𝐷𝐸 = 𝑛𝐴𝑅 = 1 e 𝑛𝑅𝐸𝐹𝑅𝐴𝑇𝐴 = 𝑛 = 1, 466, temos que:
1
γ = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛( 1,466 ) = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛(0. 6821) ≃ 34, 3°
Por fim, considerando o material utilizado sendo o acrílico de índice de
refração nominal de 1,49, fizemos o teste z para estudar a compatibilidade entre os
resultados, para uma incerteza de 0,1° no polarizador.
1,49−1,466
𝑇𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑍 = 0,1
= + 0, 24
Assim, para um intervalo de 99,7% de confiabilidade, em uma curva
Gaussiana, o valor obtido do teste T está presente entre -3σ e +3σ, garantindo,
portanto, uma boa compatibilidade entre o valor esperado e o valor obtido, embora o
2
valor de χ não tenha sido indicador de sucesso, uma vez que ele não possui a
mesma ordem de grandeza do número de graus de liberdade da análise
correspondente(θ = 45° com polarizador).