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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC
CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT
ENGENHARIA ELÉTRICA
WENDEL DE OLIVEIRA ROSSI
FONTE DE ENERGIA ALIMENTADA POR BATERIAS PARA
SOLDAGEM COM ELETRODOS REVESTIDOS
JOINVILLE – SC
2016
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WENDEL DE OLIVEIRA ROSSI
FONTE DE ENERGIA ALIMENTADA POR BATERIAS PARA
SOLDAGEM COM ELETRODOS REVESTIDOS
Trabalho de conclusão de curso
apresentado ao curso engenharia
elétrica, no Centro de Ciências
Tecnológicas, da Universidade do
Estado de Santa Catarina, como
requisito parcial para obtenção do grau
de graduação.
Orientador: Marcello Mezaroba
JOINVILLE – SC
2016
3
WENDEL DE OLIVEIRA ROSSI
FONTE DE ENERGIA ALIMENTADA POR BATERIAS PARA
SOLDAGEM COM ELETRODOS REVESTIDOS
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Bacharelado
em Engenharia Elétrica do Centro de Ciências Tecnológicas da
Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para
obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Elétrica.
Banca Examinadora:
Orientador: ______________________________________________
Prof. Dr. Marcello Mezaroba
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
Membro: ________________________________________________
Prof. Dr. Alessandro Batschauer
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
Membro: ________________________________________________
Me. Eng. Rafael Luís Klein
Supplier Industria e Comercio de Eletroeletrônicos LTDA
Joinville, SC, 06/12/2016
4
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo realizar o desenvolvimento de
uma fonte de energia CC-CC, alimentada através de uma bateria com o
intuito de realizar soldas à arco elétrico com eletrodos revestidos. Esta
fonte de energia trata-se de um conversor Push-Pull, tendo como
característica baixa tensão de entrada e elevada corrente de saída. O
trabalho apresenta as etapas de operação do conversor Push-Pull assim
como suas principais formas de ondas, perdas e esforços nos principais
componentes do circuito, mostra também o dimensionamento dos
elementos magnéticos, que nesse caso é o indutor de saída e o
transformador de potência, do capacitor de desacoplamento, e a
estratégia de controle utilizada. Por fim, para ter a validação do
conversor desenvolvido, são apresentados os resultados de simulação e
resultados práticos obtidos via a implementação de um protótipo.
Palavras-chave: Fonte de energia, CC-CC, bateria, arco elétrico,
eletrodos revestidos, Push-Pull.
5
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, pelo dom da vida, pela saúde e
pela força para superar os momentos de dificuldades
Ao meu orientador, Prof. Dr. Marcello Mezaroba, pela
oportunidade e confiança na realização deste trabalho, por todas suas
correções e sugestões, e por toda sua contribuição para o meu
desenvolvimento ao longo do curso, tanto acadêmico quanto
profissional.
A minha amada esposa, Aline Rossi, por toda sua paciência e
apoio, principalmente nos momentos em que eu mais precisei.
Aos meus amados pais, José Luiz Rossi e Claudete Carvalho de
Oliveira, e irmã Michelly de Oliveira Rossi pelo apoio, dedicação,
incentivo durante toda minha vida.
A minha madrasta Rosimeri Cecconi Rossi, e padrasto
Agostinho Correa, por todos os conselhos e apoio dados durante toda a
minha trajetória acadêmica.
A minha cadela Lola, por toda alegria e descontração que me
proporcionou nos momentos difíceis.
Aos membros e professores do Núcleo de Processamento de
Energia Elétrica e colegas de graduação, que através de seus
conhecimentos tanto me ajudaram ao longo de toda minha graduação.
Em especial aos amigos Alisson Mengatto, Guilherme Paul, Murilo
Rosa, Sergio Nava Jr.
A empresa Whirlpool Latin America pelo fornecimento dos
dissipadores térmicos.
E à FITEJ, FAPESC e principalmente à UDESC por toda a
infraestrutura concedida no laboratório
6
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Região do arco na soldagem com eletrodos revestidos. ........ 20
Figura 2 - Equipamentos para soldagem com eletrodos revestidos. ...... 20
Figura 3 – Detalhe da região do arco para soldagem TIG. ..................... 21
Figura 4 - Equipamentos para soldagem TIG. ....................................... 22
Figura 5 - Processo básico de soldagem Mig/Mag................................. 23
Figura 6 - Equipamento para solda tipo MIG/MAG. .............................. 24
Figura 7 - Representação de um conversor CC-CC ............................... 26
Figura 8 - Conversor Meia-Ponte. ......................................................... 27
Figura 9 - Conversor Ponte-Completa. .................................................. 29
Figura 10 - Conversor Push-Pull. .......................................................... 30
Figura 11 - Primeira etapa de operação.................................................. 32
Figura 12 - Segunda etapa de operação.................................................. 33
Figura 13 - Terceira etapa de operação. ................................................. 34
Figura 14 - (a) Ciclos de operação dos interruptores ; Correntes e
tensões no :(b) Indutor; (c) Diodo 1; (d) Diodo 2; (e) Interruptor 1; (f)
Interruptor 2; .......................................................................................... 38
Figura 15 - (b) Enrolamento primário superior; (c) Enrolamento primário
inferior; (d) Enrolamento secundário superior; (e) Enrolamento
secundário inferior. ................................................................................ 39
Figura 16 - Ondulação da corrente parametrizada no indutor L. ........... 42
Figura 17 - Circuito Térmico Equivalente de um Componente. ............ 52
Figura 18 - Núcleo e Carretel do Tipo E. ............................................... 60
Figura 19 - Gráfico de perdas volumétricas IP12E. ............................... 65
Figura 20 - Circuito de controle. ............................................................ 73
Figura 21 - Diagrama de bloco do controlador UC3846........................ 75
Figura 22 - Circuito do controlador. ...................................................... 76
Figura 23 - Circuito a ser simulado. ....................................................... 81
Figura 24 - Circuito de controle. ............................................................ 82
Figura 25 - Tensão de entrada do conversor. ......................................... 83
Figura 26 - Tensão e corrente de saída do conversor. ............................ 84
Figura 27 - Tensão e corrente nos interruptores de entrada. .................. 85
Figura 28 - Corrente eficaz e média sobre os interruptores de entrada. . 86
Figura 29 - Tensão e corrente no primário do transformador. ............... 87
Figura 30 - Corrente eficaz e média sobre o enrolamento primário. ...... 88
Figura 31 - Tensão e corrente no secundário do transformador. ............ 89
Figura 32 - Corrente eficaz e média em sobre o enrolamento secundário.
............................................................................................................... 90
Figura 33 - Tensão e corrente nos diodos de saída. ............................... 91
7
Figura 34 - Corrente eficaz e média em sobre os diodos de saída.......... 92
Figura 35 - Tensão e corrente no indutor de saída ................................. 93
Figura 36 - Corrente eficaz e média em sobre o indutor de saída. ......... 94
Figura 37 - Visão superior do protótipo. ................................................ 96
Figura 38 - Vista lateral do protótipo. .................................................... 97
Figura 39 - Unidade de potência. ........................................................... 98
Figura 40 - Unidade de controle. ............................................................ 99
Figura 41 - Tensão e corrente de entrada. ............................................ 100
Figura 42 - Tensão nos enrolamentos do primário. .............................. 101
Figura 43 - Tensão nos enrolamentos do secundário. .......................... 102
Figura 44 - Tensão e corrente no secundário........................................ 103
Figura 45 - Tensão sobre os interruptores. ........................................... 104
Figura 46 - Tensão sobre os diodos do secundário............................... 105
Figura 47 - Corrente e tensão de saída. ................................................ 106
Figura 48 - Medições na carga com a ponte RLC. ............................... 107
Figura 49 - Tensão sobre o indutor de saída......................................... 108
Figura 50 - Filtro EMI padrão. ............................................................ 113
Figura 51 - Tensão em relação ao terra. ......................................... 114
Figura 52 - Circuito equivalente para o cálculo do indutor de filtragem
de modo comum. .................................................................................. 116
8
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
média;
9
;
10
11
12
;
13
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................ 17
1.1 PRINCIPAIS TIPOS DE SOLDAS ELÉTRICAS .................... 18
1.1.1 Soldagem à Arco Elétrico............................................... 18
1.1.1.1 Soldagem com eletrodo revestido .............................. 19
1.1.1.2 Soldagem TIG ............................................................ 21
1.1.1.3 Soldagem MIG/MAG.................................................. 23
1.2 ESCOLHA DO PROCESSO DE SOLDAGEM....................... 25
1.3 ESTUDO DE MERCADO ...................................................... 25
1.4 ESCOLHA DA TOPOLOGIA ................................................. 26
1.4.1 Conversor Meia-Ponte ................................................... 27
1.4.2 Conversor Ponte-Completa ............................................ 28
1.4.3 Conversor Push-Pull ...................................................... 29
1.4.4 Definição do Conversor.................................................. 30
2 FUNCIONAMENTO DO CONVERSOR .................................. 32
2.1 Etapas de Operação do Conversor Push-Pull ....................... 32
2.1.1 Primeira Etapa de Operação ........................................... 32
2.1.2 Segunda Etapa de Operação ........................................... 33
2.1.3 Terceira Etapa de Operação............................................ 33
2.1.4 Quarta Etapa de Operação .............................................. 34
2.2 FORMAS DE ONDA .............................................................. 34
2.2.1 Correntes e Tensões do Conversor Push-Pull ................ 35
3 ANÁLISE QUANTITATIVA DO CONVERSOR .................... 40
3.1 GANHO ESTÁTICO ............................................................... 40
3.2 ONDULAÇÃO DE CORRENTE DO INDUTOR DE CARGA 40
3.3 ONDULAÇÃO DE TENSÃO DE SAÍDA ................................ 42
3.4 ESFORÇOS NOS COMPONENTES ...................................... 43
3.4.1 Esforços nos Interruptores ................................. 43
3.4.2 Esforços nos Diodos ....................................... 44
3.4.3 Esforços nos Enrolamento .......................... 45
3.4.4 Esforços nos Enrolamentos ......................... 46
3.4.5 Indutor de Saída .......................................................... 46
14
4 PROJETO..................................................................................... 47
4.1 ESFORÇOS NOS COMPONENTES DE POTÊNCIA............ 48
4.1.1 Tensões e Correntes nos Interruptores .............. 48
4.1.2 Tensão e Correntes nos Diodos ...................... 49
4.2 ESFORÇOS NOS ENROLAMENTOS .................................... 49
4.2.1 Tensão e Correntes nos Enrolamentos Primários
.................................................................................... 49
4.2.2 Tensão e Corrente nos Enrolamentos Secundários
..................................................................................... 50
4.3 DEFINIÇÃO DOS COMPONENTES DE POTÊNCIA .......... 50
4.3.1 Interruptores da Ponte Inversora .................................... 51
4.3.2 Diodos do Secundário .................................................... 51
4.4 MODO DE DIMENSIONAMENTO DO DISSIPADOR......... 52
4.5 CÁLCULO TÉRMICO DOS INTERRUPTORES ................... 53
4.5.1 Dissipador dos Interruptores .......................................... 55
4.6 CÁLCULO TÉRMICO NOS DIODOS ................................... 55
4.6.1 Dissipador dos Diodos ................................................... 56
4.7 CAPACITOR DE ENTRADA ................................................. 57
4.7.1 Definição do Capacitor de Entrada ......................... 58
4.8 PROJETO FÍSICO DO TRANSFORMADOR ........................ 59
4.8.1 Definição do Número de Espiras do Transformador...... 61
4.8.2 Secções dos Condutores do Transformador ................... 61
4.8.3 Possibilidade de Execução do Transformador ............... 63
4.8.4 Perdas do Transformador ............................................... 64
4.9 PROJETO FÍSICO DO INDUTOR DE SAÍDA...................... 66
4.9.1 Definição do Número de Espiras do Indutor de Saída ... 67
4.9.2 Cálculo da Secção dos Condutores do Indutor de Saída 68
4.9.3 Possibilidade de Execução do Indutor de Saída ............. 69
4.9.4 Perdas do Indutor de Saída............................................. 70
4.10 CIRCUITO DE COMANDO .................................................. 71
4.10.1 Comando de Gatilho dos Mosfet’s ................................. 71
4.11 SISTEMA DE CONTROLE .................................................... 72
4.11.1 Diagrama de Blocos ....................................................... 72
4.11.2 Analise do UC3846 ........................................................ 74
4.12 CIRCUITO SNUBBER ........................................................... 76
15
4.12.1 Snubber nos Diodos de Saída ......................................... 77
4.12.2 Snubber nos Interruptores de Entrada ............................ 78
5 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO ............................................ 80
5.1 TENSÃO E CORRENTE DE ENTRADA ................................ 82
5.2 Tensão de Saída ..................................................................... 83
5.3 INTERRUPTORES DE ENTRADA ........................................ 84
5.4 ENROLAMENTOS DO TRANSFORMADOR ........................ 86
5.4.1 Primário do Transformador ............................................ 86
5.4.2 Secundário do Transformador ........................................ 88
5.5 DIODOS DE SAÍDA............................................................... 90
5.6 INDUTOR DE SAÍDA ............................................................ 92
5.7 TEÓRICO X SIMULADO ....................................................... 94
6 IMPLEMENTAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS . 96
6.1 CIRCUITOS ELETRÔNICOS IMPLEMENTADOS ............... 96
6.1.1 Unidade de Potência ....................................................... 97
6.1.2 Unidade de Controle....................................................... 98
6.2 RESULTADOS EXPERIMENTAIS ......................................... 99
6.2.1 Tensão e Corrente de Entrada....................................... 100
6.2.2 Enrolamentos do Transformador .................................. 100
6.2.2.1 Primário .................................................................... 100
6.2.2.2 Secundário ................................................................ 102
6.2.3 Interruptores de Entrada ............................................... 103
6.2.4 Diodos de Saída ............................................................ 104
6.2.5 Tensão e Corrente de Saída .......................................... 105
6.2.6 Indutor de Saída............................................................ 107
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................... 109
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 110
APÊNDICE A - FILTRO EMI......................................................... 113
A.1 TENSÃO ELÉTRICA NA TERCEIRA HARMÔNICA ................ 114
A.2 NÍVEL DE INTERFERÊNCIA ................................................... 115
16
A.3 DIMENSIONAMENTO CAPACITOR ................................. 116
A.4 DIMENSIONAMENTO DE .................................................. 116
A.5 DIMENSIONAMENTO DE .................................................. 118
A.6 DIMENSIONAMENTO DE .......................................... 118
A.7 RESISTOR DE DESCARGA ...................................................... 119
17
1 INTRODUÇÃO
A soldagem é um método de baixo custo, importante e versátil
de união entre os materiais metálicos. O progresso alcançado no campo
da soldagem, bem como o desenvolvimento de processos e tecnologias
avançadas nos últimos anos, é de fundamental importância para a
continuidade do desenvolvimento e progresso industrial.
A soldagem é a operação que visa a união de duas ou mais
peças, assegurando na junta, a continuidade das propriedades, químicas e
físicas (QUITES; DUTRA, 1979). Cada processo de soldagem deve
preencher os seguintes requisitos (HOULDCROFT, 1979):
Gerar uma quantidade de energia capaz de unir dois materiais,
similares ou não;
Remover as contaminações das superfícies a serem unidas;
Evitar que o ar atmosférico contamine a região durante a
soldagem;
Propiciar o controle da metalurgia de soldagem para que a solda
alcance as propriedades desejadas, sejam físicas, químicas ou
mecânicas.
As máquinas utilizadas no processo de soldagem são muito
versáteis e de fácil operação. Atualmente, os antigos processos quase não
são utilizados, pois foram aperfeiçoados e com o tempo surgiram novas
técnicas. Com o emprego de novas tecnologias, atingiram-se elevados
índices de eficiência e qualidade na soldagem. Essas máquinas podem
ser classificadas de acordo com a diversidade de fonte de energia
aplicada, algumas são por fusão, solda por pressão e a que será utilizada
no projeto, a arco elétrico.
A utilização de máquinas de soldas em locais onde não há
energia elétrica ou por falta de equipamentos de solda a gás, sempre foi
um problema para pessoas que necessitam de tal equipamento para
consertar e fixar peças. Agricultores, fazendeiros e pecuaristas
frequentemente necessitam fixar cercas ou outros equipamentos
presentes em suas propriedades. Mecânicos e até mesmo pessoas que
praticam ralis, também necessitam de tal máquina para realizar o
conserto de peças de carros, caminhões e motos.
Visando solucionar tais dificuldades, este trabalho tem como
principal objetivo o estudo e desenvolvimento de uma máquina de solda
que possua uma fonte CC-CC com as seguintes características:
18
Atuar com uma potência de saída de 500W;
Fornecer uma corrente contínua de com baixa ondulação;
Fornecer uma tensão suficiente para abertura e estabilização do
arco elétrico;
Deve isolar o circuito de soldagem da fonte de alimentação;
Utilizar uma bateria de 12 V como fonte de entrada;
Comutar os interruptores em uma frequência de 50Khz;
Ser compacto, e apresentar característica portável;
Ser capaz de atuar em locais distantes de redes elétricas;
Fácil aplicação.
Na subseção 1.1, será discutido os tipos de soldas elétricas de
soldagem existentes, e na subseção 1.2, o método a ser utilizado.
1.1 PRINCIPAIS TIPOS DE SOLDAS ELÉTRICAS
Conforme mencionado, a máquina de solda deve ser capaz de
atuar em locais distantes de redes elétricas e possuir características
portáveis. A sua fonte deve possuir as especificações previsto no capítulo
anterior. Tratando-se de soldagens elétrica, os modelos à arco elétrico
são os únicos a atender os requisitos proposto anteriormente. Há outros
modelos de soldagem, como por exemplo soldagem por resistência
elétrica, mas esses trabalham com altos níveis de corrente, podendo
alcançar valores de 12000A ou superior (MODENISI; MARQUES,
2000), sendo então descartado as análises sobre esse método de
soldagem.
1.1.1 Soldagem à Arco Elétrico
As máquinas a arco elétrico são fontes de corrente constante que
possuem núcleo móvel permitindo o ajuste da corrente com regulagem
contínua facilitando o trabalho do soldador. Possuem alta tensão em
vazio, possibilitando fácil abertura e manutenção do arco elétrico. Esta
máquina é ideal para serviços pesados em mineradoras, aciarias,
estaleiros, manutenções, revestimentos pesados, caldeiraria.
O arco elétrico é considerado como uma descarga em um meio
gasoso condutor e a corrente que é conduzida através do meio, gera calor
e luminosidade. Os arcos usados em soldagem podem ser contínuos,
frequentemente intermitentes, devido a interrupções causadas por curtos-
19
circuitos ou descontínuos, influenciados por alternância do fluxo de
corrente ou por fluxo turbulento de gás condutor (JUNIOR, 2003).
A corrente de soldagem presente nas máquinas de solda a arco
elétrico é realizada a partir do eletrodo para a peça de trabalho por meio
de um gás aquecido e ionizado, chamado plasma, que nada mais é que o
estado em que o gás se encontra ionizado e onde o número de elétrons é
aproximadamente igual ao número de íons. A potência nesse tipo de
processo deve ser suficiente para manter a temperatura do arco elevada e
então conseguir realizar o transporte contínuo da corrente. Seu
funcionamento é baseado na temperatura, onde a mesma mantém a
ionização do gás, ou seja, cria partículas eletricamente carregadas que
transportam a corrente.
Dentre os principais tipos de soldagem à arco elétrico que
possam ter características portáveis e não ter custos tão elevados, estão a
soldagem TIG, MIG/MAG e soldagem à base de eletrodos revestidos.
Essas serão melhor explicadas nos próximos subcapítulos.
1.1.1.1 Soldagem com eletrodo revestido
A soldagem à arco com eletrodos revestidos é um processo no
qual a união dos metais é obtida através do aquecimento dos eletrodos
com um arco estabelecido entre um eletrodo especial revestido e a peça a
ser soldada.
O eletrodo é formado por um núcleo metálico, com cerca de 250
a 500mm de comprimento e diâmetro total típico entre 2 e 8mm,
revestido por uma camada de minerais (argila, fluoretos, carbonatos, etc)
e outros materiais como a celulose, ferro ligas (MODENISI;
MARQUES, 2000).
No processo de soldagem o eletrodo possui duas funções
principais. Uma delas é o fornecimento de calor para fundir os materiais.
A outra é o transporte do material de eletrodo derretido para baixo para a
poça de solda (WEMAN, 2006). A Figura 1 mostra a região do arco na
soldagem com eletrodos revestidos.
20
Figura 1 - Região do arco na soldagem com eletrodos revestidos.
Fonte: (MODENISI; MARQUES, 2000).
Os equipamentos utilizados para soldagem com eletrodos
revestidos encontram-se na Figura 1, onde é notável a simplicidade do
equipamento necessário para realizar a solda.
Figura 2 - Equipamentos para soldagem com eletrodos revestidos.
Fonte: (FORTES, 2005)
Sua fonte pode trabalhar tanto em CA como CC, onde trabalha
tipicamente com correntes entre 50 e 600A, onde maiores valores são
aplicados em eletrodos com diâmetros mais elevados (MODENISI;
MARQUES, 2000).
O revestimento presente no eletrodo possui a função de
estabilizar o arco elétrico, produzir gases de proteção da poça de fusão,
gerar escória para evitar contaminação, adicionar elementos de liga e
facilitar a soldagem fora de posição. Isso garante baixo custo ao
procedimento, soldagem em locais de difícil acesso e equipamentos
21
menos volumosos. Entretanto, também existe limitações, como a baixa
produtividade devido à taxa de deposição, onde possui a necessidade de
remoção da escória.
1.1.1.2 Soldagem TIG
O método de soldagem TIG (Tungsten Inert Gas) é um processo
onde a união entre os metais é obtida através do aquecimento dos
materiais por um arco elétrico estabelecido entre um eletrodo não
consumível a base de tungstênio, a peça a ser soldada e uma vareta de
metal para assim ter a poça capaz de realizar a união entre os metais,
conforme mostra a Figura 3.
Figura 3 – Detalhe da região do arco para soldagem TIG.
Fonte: (MODENISI; MARQUES, 2000).
Seu equipamento básico é composto por uma fonte de energia
CC ou CA, tocha com eletrodo de tungstênio, fonte de gás de proteção,
onde esses gases são inertes podendo ser argônio ou Hélio, e um sistema
para a abertura do arco, onde geralmente usa-se um ignitor de alta
frequência conforme mostra a Figura 4. Esse ignitor tem como função
ionizar o meio gasoso, dispensando a necessidade de tocar o eletrodo na
peça para a abertura do arco.
22
Figura 4 - Equipamentos para soldagem TIG.
Fonte: (MODENISI; MARQUES, 2000).
A fonte de energia para esse tipo de solda, pode ser do tipo CC
ou do tipo CA, onde sua corrente elétrica varia de acordo com o
diâmetro, e modelo do eletrodo de tungstênio, conforme mostra Tabela
1.
Tabela 1 - Faixas de utilização de eletrodos no processo TIG.
Fonte: (MODENISI; MARQUES, 2000).
Dentre as vantagens de utilizar a soldagem do tipo TIG estão:
Excelente controle da poça de fusão;
Possui eletrodo não consumível;
Permite soldagem sem o uso de metal de adição;
Usado para soldar a maioria dos metais;
Produz soldas de alta qualidade e excelente acabamento;
Gera pouco respingo;
Exige pouca limpeza após a soldagem;
23
Suas principais desvantagens são:
Proteção do arco é sensível a correntes de ar;
São relativamente mais complexos, caros e volumosos quando
comparados à solda com eletrodos revestidos;
Necessitam de cilindros de gás para ter uma performance segura
e mais eficiente.
1.1.1.3 Soldagem MIG/MAG
O processo de soldagem MIG/MAG (Metal Inert Gas/ Metal
active Gas) é um processo em que o arco elétrico é estabelecido entre a
peça e um consumível na forma de arame. O arco funde continuamente o
arame à medida que este é alimentado à poça de fusão. O metal de solda
é protegido da atmosfera pelo fluxo de um gás (ou mistura de gases)
inerte ou ativo (FORTES, 2005). A Figura 5 mostra esse processo e uma
parte da tocha de soldagem.
Figura 5 - Processo básico de soldagem Mig/Mag.
Fonte: (FORTES, 2005).
Os equipamentos para o processo MIG/MAG são bastante
simples e de fácil entendimento do soldador, onde seus equipamentos
básicos para o devido funcionamento são: uma fonte de energia,
alimentador de arame, carretel de arame, tocha de soldagem e cilindro de
gás de proteção, conforme mostra a Figura 6.
24
Figura 6 - Equipamento para solda tipo MIG/MAG.
Arame
Gás
Tocha de soldagem
Alimentador do
Arame
Fonte de
energia Contato de
acionamento
Fonte: Adaptado de (KHAN, 2007).
A fonte de energia pode ser CA ou CC, onde em geral, possui
uma saída de tensão constante e regulável entre 10 e 50V (MODENISI;
MARQUES, 2000), e corrente que podem variar desde 80A à 185A em
produtos comerciais.
Dentre as vantagens de utilizar a soldagem do tipo MIG/MAG estão:
Permite soldagem em qualquer posição;
Pode soltar diferentes ligas metálicas;
Exige pouca limpeza após a soldagem.
Suas principais desvantagens são:
Possui eletrodo consumível;
Elevada taxa de deposição de metal;
Proteção do arco é sensível a correntes de ar;
São relativamente mais complexos, caros e volumosos quando
comparados à solda com eletrodos revestidos;
Necessitam de cilindros de gás para ter uma performance segura
e mais eficiente;
Pode gerar elevada quantidade de respingos.
25
1.2 ESCOLHA DO PROCESSO DE SOLDAGEM
Para a aplicação prevista do projeto, onde demanda ser portátil,
barato e com volume reduzido, opta-se por utilizar o processo de
soldagem por meio de eletrodos revestidos. Esse processo é considerado
portátil pois necessitam apenas de uma fonte de energia, cabos, sendo
uma para fazer a conexão no local onde deseja-se soldar e outro para
portar o eletrodo revestido. Além disso, é relativamente mais barato ao
ser comparado com os métodos TIG, MIG/MAG , e o arco que é gerado
nele consegue atuar tranquilamente em ambientes externos, não sendo
sensível a correntes de ar.
1.3 ESTUDO DE MERCADO
No mercado comercial existem diversos modelos de máquinas
de solda à base de eletrodos revestidos, porém não foi encontrado
nenhum modelo comercial que utilize como fonte de entrada baterias, ou
fontes CC.
Todos os modelos comerciais encontrados utilizam como fontes
de alimentação tensão em corrente alternada, onde máquinas
monofásicas necessitam de tensão de 127V ou 220V, e trifásicas
trabalham com uma tensão de alimentação de 380V à 440V.
Máquinas monofásicas geralmente trabalham com tensão de
saída CC em vazio que varia entre 40V à 100V e correntes de saída que
variam entre 10A e 160A.
As máquinas de solda trifásicas também trabalham com tensão
CC em vazio na carga, as quais variam de 40V à 100V. Já as correntes
são superiores, onde podem chegar até a 400A.
Contudo, não foi encontrado nada similar no mercado ao projeto
proposto, onde conforme já especificado, utiliza como fonte de entrada
uma bateria de 12V, uma corrente de saída de 100A e uma tensão de
saída suficiente para a abertura e estabilização do arco elétrico.
Como o dispositivo deve ser alimentado por uma bateria de
12V é possível utilizar baterias automotivas, tornando-o capaz de atuar
em diversas localidades, tendo apenas tal fonte para alimentá-lo. Isso
facilitaria a solda de equipamentos e peças presentes em locais distantes
de fornecimento de energia elétrica em situações de emergência.
Para a realização de tal projeto, é necessário utilizar um
conversor CC-CC isolado e realizar um estudo sobre os principais
26
conversores que podem atuar em tal aplicação. Os mesmos serão
discutidos na Subseção 1.4.
1.4 ESCOLHA DA TOPOLOGIA
A representação de um conversor CC-CC pode ser visualizada
através da Figura 7. O conversor consiste de uma fonte de tensão
contínua, denominada como , onde a mesma fornece energia ao
conversor CC-CC, demonstrada por um bloco. Esses conversores podem
ser conceituados como um sistema formado por semicondutores de
potência operando como interruptores, e por elementos passivos, como
indutores e capacitores, onde esses tem por função controlar o fluxo de
energia elétrica da fonte de entrada, para a fonte de saída
(MARTINS; BARBI, 2006).
Figura 7 - Representação de um conversor CC-CC
I1 I2
E1 Conversor E2
CC-CC
Fonte: Do autor.
Os conversores CC-CC podem ser diferenciados em isolados e
não isolados. A diferença entre ambos é a presença de um transformador
que realiza uma isolação galvânica entre a fonte de alimentação e a
carga. O conversor isolado possui tal elemento, e o não isolado a
situação oposta.
Para o projeto em questão, um dos requisitos é utilizar
conversores isolados, onde para isso existem diversas topologias de
fontes chaveadas, cada qual com suas características e aplicações
recomendadas.
Dentre as principais topologias que permitem isolação da rede
elétrica, podem-se citar as dos conversores Flyback, Forward, e Meia-
Ponte, Ponte-Completa e Push-Pull.
Com as especificações da fonte descritas no capítulo 1, algumas
topologias como Flyback e Forward, mesmo sendo conversores isolados
27
são desconsiderados, pois os mesmos são recomendados apenas
potências inferiores, sendo o Flyback recomendados para potências
menores que 100W (BARBI, 2003) e o conversor Forward
recomendados para demandas entre 100W e 200W, onde para valores
superiores a esses tornam o conversor mais volumoso (LIND, 2013).
Contudo, sobram os conversores Meia-Ponte, Ponte-Completa e
Push-pull, onde será feita uma breve descrição nos próximos
subcapítulos, explicando o porquê optou-se pelo o uso de tal conversor.
1.4.1 Conversor Meia-Ponte
O conversor Meia-Ponte é utilizado em aplicações com maior
potência comparado aos conversores Flyback e Forward, geralmente
inferior a 500W (BARBI, 2003). Este conversor é derivado do conversor
Buck, e por característica, sua tensão do barramento CC, deve ser
dividido em dois de mesma amplitude. Sua estrutura pode ser vista
através na Figura 8.
Figura 8 - Conversor Meia-Ponte.
Conversor Meia-Ponte
L
D3
Vin S1 D1
2
NP C R
NP
Vin NS
2
S2 D2
D4
Fonte: Do autor.
O conversor Meia-Ponte nada mais é que uma alteração do
Push-Pull. O Meia-Ponte consegue contornar os inconvenientes em
relação à queda de tensão sobre os interruptores e à necessidade de
condução idêntica, não estressando os interruptores em uso
28
(RODRIGUES, 2013). Assim como os outros conversores isolados, esse
conversor utiliza um transformador para que se otimize a conversão de
energia da fonte para a carga, adequando-se os níveis de tensão da saída
do transformador aos níveis de tensão exigidos pela carga. Seus
interruptores, , operam alternadamente em fase com metade do
período e o mesmo ciclo de trabalho, sendo este inferior a 0,5
(CEZARE, 2010).
Esse conversor seria uma opção interessante para realizar o
projeto, pois não é muito complexo e não estressa tanto os interruptores
devido ao contorno dos inconvenientes, porém como eles são
recomendados atuar em potências inferiores a 500W, logo para o
dimensionamento para potências iguais ou superiores a tal, tornaria os
componentes mais robustos, fazendo com que o conversor se torne
volumoso, e levemente mais caro. Outra desvantagem é a necessidade de
realizar o circuito de disparo isolado dos interruptores, pois os mesmos
não se encontram no mesmo potencial, sendo assim se torna mais caro e
volumoso.
1.4.2 Conversor Ponte-Completa
Dentre os conversores CC-CC isolados, o Ponte-Completa é
considerado o mais complexo e robusto. Também derivado do conversor
Buck , este, suporta potências superiores a 500W (BARBI, 2003), e
assim como o conversor Meia-Ponte, a tensão sobre os interruptores do
Ponte-Completa é igual a tensão de entrada, logo não estressa tanto os
interruptores comparado aos demais conversores. Sua estrutura é
diferenciada dos demais, possuindo dois braços e quatro interruptores de
comutação, conforme demonstra a Figura 9.
29
Figura 9 - Conversor Ponte-Completa.
Conversor
Conversor Ponte-Completa
Ponte-Completa
D1 D3 D5 L
S1 S3
Cs
Ns C R
Vin
Np
Ns
D2 D4
S2 S4 D6
Fonte: Do autor.
Já existe bibliografia em que utiliza o conversor Ponte-
Completa como conversor para máquinas de solda, sendo o conversor
processa uma potência de 2kW, com uma corrente de saída de 80A e
uma tensão de saída de 25V, características que são capazes de gerar o
arco elétrico para a realização da soldagem (SANTOS, 2010).
Este conversor também é uma opção viável para a montagem do
projeto, porém, devido a sua complexidade e sua quantidade de
interruptores, logo torna-se invalido a utilização, pois ocasionaria um
maior volume para o protótipo. Outro fator negativo, é que neste
conversor também é necessário um circuito de disparo isolado, pois os
interruptores não se encontram no mesmo potencial, tornando-o mais
volumoso e caro.
1.4.3 Conversor Push-Pull
Existe um número relevante de topologias do conversor Push-
Pull em mercado, porém, o que será estudado encontra-se na Figura 10.
30
Figura 10 - Conversor Push-Pull.
Conversor Push-Pull
D1 L
S2
NP2 C R
NS1
Vin
NP1 NS2
S1 D2
Fonte: Do autor.
Conforme a topologia demonstrada na Figura 10, os
interruptores encontram-se no mesmo potencial, dispensando a
necessidade de circuitos de disparo isolados, e além disso, este conversor
em variadas aplicações pode atuar como elevador de tensão, onde o
primário tem baixos níveis de tensão, tornando assim os circuitos de
disparo simples e baratos.
Uma das principais características do conversor Push-Pull é o
fato da transferência de energia para a saída ocorrer tanto no clico de
magnetização quanto no de desmagnetização do núcleo do
transformador, fazendo com que ocorra um melhor aproveitamento do
núcleo, possibilitando utilizar um transformador de menor volume,
facilitando assim a montagem do projeto (NETO, 2010).
Contudo, o Push-Pull por não precisar de circuito de disparo
isolado, ter um bom aproveitamento do transformador e por poder atuar
com uma potência de até (BARBI,2003), torna essa opção um
pouco mais barata em relação as outras e pouco volumosa, sendo então
uma possível topologia a ser utilizada no projeto.
1.4.4 Definição do Conversor
Com os três conversores discutidos anteriormente, opta-se por
utilizar a topologia Push-Pull, devido a sua larga aplicação com baterias,
simplicidade, robustez e versatilidade. Este conversor também é capaz
31
de suprir as características desejadas para a fonte previamente discutido
no capítulo 1.4.
O projeto a ser realizado, é dividido em 7 capítulos.
No primeiro capítulo, tem-se uma breve introdução sobre a
solda, demonstrando os principais métodos de soldagem, uma
comparação dos conversores mais simples que podem ser utilizados em
máquinas de solda, onde definiu-se pelo conversor Push-Pull.
O segundo capítulo trata-se de um estudo qualitativo do
conversor Push-Pull, onde neste é feito um estudo detalhado do
comportamento do conversor trazendo suas etapas de operação e
também suas principais formas de ondas.
No terceiro capítulo é feito uma análise quantitativa do
conversor Push-Pull, onde neste encontra-se os principais cálculos para
o dimensionamento do mesmo.
O quarto capitulo, apresenta os cálculos do projeto, onde neste
está presente a parte de potência, demonstrando o dimensionamento e o
estudo do transformador, indutor e capacitor. Também tem-se o cálculo
dos Snubbers, perdas sobre os interruptores e diodos e a estratégia de
controle utilizada no conversor.
O quinto capítulo apresenta os principais resultados de
simulação.
O sexto capítulo apresenta os resultados experimentais, onde os
mesmos são obtidos após a montagem do protótipo, e através destes, irá
se comprovar a validade do projeto.
Por fim, no sétimo capitulo tem-se as considerações finais do
projeto, onde será feito um breve comentário relatando os resultados e a
importância do mesmo para a sociedade.
32
2 FUNCIONAMENTO DO CONVERSOR
Nas seguintes seções deste capitulo, serão discutidas as etapas
de operação do conversor, e serão demonstradas as formas de ondas que
representam o funcionamento do conversor.
2.1 ETAPAS DE OPERAÇÃO DO CONVERSOR PUSH-PULL
Para a análise das etapas de operação do conversor Push-Pull,
considerou-se o conversor atuando em modo contínuo, desta forma, a
corrente do indutor de saída nunca chegará a zero. Levando em conta tal
situação, o conversor possuirá quatro etapas de operação.
2.1.1 Primeira Etapa de Operação
Na primeira etapa de operação, que ocorre no período no
, o interruptor é acionado e a tensão é aplicada
sobre , com isso a tensão que é refletida nos demais enrolamentos
faz com que somente entre em condução, conforme é apresentado na
Figura 11. Nesse instante, ocorre a carga linear do indutor , realizando
assim a transferência de potência para a carga.
Figura 11 - Primeira etapa de operação.
Conversor Push-Pull
D1 L
S2
NP2 C R
NS1
Vin
NP1 NS2
S1 D2
Fonte: Do autor.
33
2.1.2 Segunda Etapa de Operação
A segunda etapa de operação, presente na Figura 12 ocorre no
período , onde os interruptores e estão abertos,
fazendo com que não haja corrente circulando nos enrolamentos dos
primários e que a tensão nos enrolamentos , , e seja
nula. Com isso, a carga que foi absorvida pelo indutor L na etapa
passada, é descarregada pelo mesmo, gerando uma corrente elétrica que
é dividida entre os diodos , onde ambos os circuitos possuirão a
mesma impedância equivalente.
Figura 12 - Segunda etapa de operação.
Conversor Push-Pull
D1 L
S2
NP2 C R
NS1
Vin
NP1 NS2
S1 D2
Fonte: Do autor.
2.1.3 Terceira Etapa de Operação
Esta etapa ocorre entre , onde é
acionada, fazendo com que a tensão de entrada seja aplicada em .
Neste momento a tensão refletida nos demais enrolamentos faz com que
somente entre em condução. Neste processo, ocorre a carga linear do
indutor L, e por consequência a transferência de potência para a carga,
conforme mostra a Figura 13.
34
Figura 13 - Terceira etapa de operação.
Conversor Push-Pull
D1 L
S2
NP2 C R
NS1
Vin
NP1 NS2
S1 D2
Fonte: Do autor.
2.1.4 Quarta Etapa de Operação
A quarta etapa de operação é similar a segunda etapa, ela ocorre
no período entre , onde novamente os interruptores
estão avbertos, e com isso as tensões presentes nos indutores é zero.
Assim como na segunda etapa de operação, Figura 12, a carga obtida
pelo indutor L no terceiro passo de atuação do conversor, é
descarregada, onde a corrente elétrica do indutor L se divide entre e
.
2.2 FORMAS DE ONDA
Essencialmente, um transformador consiste em dois ou mais
enrolamentos acoplados por meio de um fluxo magnético comum
variável no tempo (FITZGERALD; KINGSLEY; UMANS, 2006). Sabe-
se que o conversor Push-Pull por ser isolado, é acoplado
magneticamente por tal elemento, porém este possui dois enrolamentos
primários e dois secundários. Considerando a quantidade de espiras nos
dois enrolamentos primários e iguais, e a mesma condição se
sucede aos enrolamentos secundários e . A relação referente as
espiras do transformador é demonstrada através da Equação (1).
35
VP1 VP 2 N P I S1 I S 2 1
(1)
VS1 VS 2 N S I P1 I P 2 n
Para realizar uma análise mais detalhada dos principais
elementos do conversor, as formas de ondas de corrente e tensão do
conversor Push-Pull serão detalhadas no próximo subcapítulo.
2.2.1 Correntes e Tensões do Conversor Push-Pull
As principais correntes e tensões presentes no conversor a ser
analisado, são demonstradas através da Figura 14 e da Figura 15, onde as
correntes são apresentadas em linhas tracejadas, e as tensões em linhas
contínuas.
A Figura 14 (a) apresenta os ciclos de operações dos
interruptores , onde cada um conduz pelo intervalo de DT. Vale
ressaltar que o tempo de condução destes interruptores devem ser
idênticos, garantindo que a corrente média de magnetização dos
indutores acoplados seja realmente zero. Isso será possível realizando o
controle por corrente ao invés de tensão, fato que será melhor
apresentado posteriormente.
A Figura 14 (b) apresenta a corrente e a tensão presente no
indutor de saída. Por estar em série com a carga, sua corrente média
( ) é a própria corrente média de saída. Já a tensão, por se tratar de
um indutor, e por estar em regime permanente, sua tensão média é zero.
Na primeira e terceira etapas a tensão sobre o mesmo é positiva (
), onde é da relação de espiras do transformador, produzindo um
crescimento linear de sua corrente. Na segunda e quarta etapas de
operação esta tensão é negativa ( ), com isso sua corrente decresce
linearmente.
Na Figura 14 (c) tem-se a corrente e a tensão do diodo . Sua
corrente é idêntica à corrente do enrolamento secundário , porém,
para o enrolamento, devido as referências utilizadas, apresenta sinal
invertido, visto que o diodo não conduz corrente negativa. A tensão
elétrica sobre o diodo existe apenas na terceira etapa de operação,
quando o mesmo não está conduzindo, e a tensão em seus terminais é o
somatório da tensão dos dois enrolamentos secundário.
Na Figura 14 (d) são apresentados a corrente e a tensão do diodo
. A corrente deste é similar à do enrolamento secundário . Isto
ocorre pelo fato dos dois elementos se encontrarem em série no circuito.
No diodo, a tensão é nula durante a segunda, terceira e quarta etapas,
36
porém, na primeira etapa, é a soma da tensão inversa dos dois
enrolamentos secundários.
Na Figura 14 (e) são apresentados a corrente e a tensão no
interruptor . A corrente elétrica quando existente, é a mesma corrente
de carga refletida no primário. Conforme demonstra a imagem, a tensão
é nula quando a interruptor encontra-se em condução. Quando os
interruptores encontram-se em aberto, a tensão sobre o interruptor
que está sendo analisada é idêntica a tensão de entrada Durante a
condução do outro interruptor , a tensão sobre o interruptor em análise
dobra, passando de para .
A Figura 14 (f) apresenta a corrente e a tensão do interruptor ,
onde os valores e características são similares as do interruptor ,
seguindo o seu sinal de comando. Já a tensão presente no interruptor ,
os valores e características são similares as do interruptor , seguindo o
seu sinal de comando.
A Figura 15 (a) trata-se do ciclo de operação, que já foi definido
através da Figura 14 (a).
A Figura 15 (b) mostra a corrente e tensão do enrolamento
primário inferior . Na segunda, terceira e quarta etapa, a corrente
sobre o mesmo é nula. Na primeira etapa, a corrente elétrica é a mesma
presente que na interruptor , pois devido à disposição do circuito, ela
se encontra em série. Já a tensão no mesmo enrolamento é idêntica a Vin.
Na terceira etapa de operação a tensão sobre é –Vin, porém, as
tensões na segunda e quarta etapas de operação são nulas.
A Figura 15 (c) apresenta a tensão e a corrente do enrolamento
primário . Na primeira etapa de operação a tensão de entrada Vin é
aplicada sobre o mesmo. Como o circuito encontra-se em série com a
interruptor , logo sua corrente é refletida no enrolamento primário
com o sinal inverso, devido ao sentido de corrente . Na segunda e quarta
etapa a tensão sobre todos os enrolamentos são zero, visto a ausência de
corrente nos enrolamentos primários e divisão de corrente entre os dois
enrolamentos secundários. Por fim, na terceira etapa de operação, a
tensão sobre o mesmo será –Vin e sua corrente nula.
A Figura 15 (d) apresenta a tensão e a corrente no enrolamento
secundário . A tensão sobre o mesmo é a tensão do primário
refletida, onde leva-se em conta as relações de espira. Quanto a corrente,
na primeira etapa é a própria corrente do indutor de carga, e na segunda
e quarta etapa metade da corrente de carga circula por este enrolamento,
já na terceira etapa esta corrente é zero.
37
A Figura 15 (e) são apresentadas a corrente e a tensão do
enrolamento secundário . A tensão é similar ao enrolamento
,porém, leva-se em consideração a relação de espiras do transformador.
Já a corrente durante a primeira etapa é zero, na segunda e quarta etapa
similar ao Ns1 sendo a metade da corrente do indutor de carga. Na
terceira etapa a corrente é a mesma presente na carga.
38
Figura 14 - (a) Ciclos de operação dos interruptores ; Correntes e
tensões no :(b) Indutor; (c) Diodo 1; (d) Diodo 2; (e) Interruptor 1; (f)
Interruptor 2;
S1 S2 S1
(a) S1 e S2
Vin*n-Vo Vin*n-Vo
IM IM
Im Im Im
(b) iL e VL
-Vo -Vo
IM
Im Im
IM/2 IM/2
(c) iD1 e VD1
Tensões
Correntes
Im/2 Im/2
-2Vin*n
Im IM
IM/2 IM/2
Im/2 Im/2
(d) iD2 e VD2
-2Vin*n -2Vin*n
2*Vin
(e) iS1 e VS1 IM*n
Vin Vin
Im*n Im*n
2*Vin 2*Vin
(f) iS2 e VS2 Vin
IM*n
Vin
Im*n
0 DT 0,5T (0,5+D)T T
Fonte: Do autor.
39
Figura 15 - (b) Enrolamento primário superior; (c) Enrolamento primário
inferior; (d) Enrolamento secundário superior; (e) Enrolamento
secundário inferior.
(a) S1 e S2 S1 S2 S1
Vin Vin
(b) iNp1 e VNp1 Im*n IM*n
-Vin
Vin Vin
(c) iNp2 e VNp2
Tensões
Correntes
-Im*n
-IM*n
-Vin
Vin*n Vin*n
(d) iNs1 e VNs1
-Im -IM/2 -Im/2 -IM/2 -Im/2
-IM -IM
Vin*n Vin*n
(e) iNs2 e VNs2 Im IM
IM/2
Im/2 Im/2
-Vin*n
0 DT 0,5T (0,5+D)T T
Fonte: Do autor.
40
3 ANÁLISE QUANTITATIVA DO CONVERSOR
3.1 GANHO ESTÁTICO
Conforme citado anteriormente na seção 2.1, considera-se o
conversor em condução contínua, onde a tensão média no indutor com
o conversor operando em regime permanente é zero, conforme mostra a
Equação (2).
1 DT N S T
VLmed 0 in
V Vo dt 2
Vo dt 0 (2)
T N P
DT
Considerando isso, chega-se ao ganho estático do conversor
Push-Pull, o qual depende diretamente da razão cíclica do mesmo, e
também da relação de espiras do transformador, conforme demonstra a
Equação (3).
NS (1 2 D) T V N
Vin Vo DT Vo 0 o 2D S (3)
N P 2 Vin N P
3.2 ONDULAÇÃO DE CORRENTE DO INDUTOR DE CARGA
Sabe-se que no modo de condução contínua, a energia
acumulada no indutor não é completamente transferida, isto é, o fluxo
magnético no indutor não se anula, portanto, a corrente no indutor é
contínua (LARICO, 2011), com isso, analisa-se a ondulação de corrente
do indutor da carga através da equação da ondulação de corrente que
circula através do mesmo:
diL
VL L (4)
dt
Realizando uma análise do circuito presente na Figura 10, nota-
se que , logo substituindo na Equação (4), obtêm-se a
Equação (5).
NS i
Vin Vo L L (5)
NP t
41
Para encontrar a ondulação de corrente presente no indutor, é
necessário correlacionar a Equação (3) com a (5). Realizando tal
operação, obtêm-se então a expressão presente na Equação (6).
N N i
Vin S Vin 2 D S L L (6)
NP NP t
Sabe-se que , substituindo tais valores e
isolando a ondulação de corrente, encontra-se a Equação (7).
NS
Vin D (1 2 D)
NP
iL (7)
fS L
Com o objetivo de observar a máxima ondulação de corrente
no indutor L, deriva-se a Expressão (7) em função da razão cíclica
e igual a zero, logo, seu valor máximo ocorre no ponto onde a razão
cíclica é dada através da Equação (8).
1 4D 0 D 0,25 (8)
Outra maneira de obter tal valor, é parametrizar a Equação (7)
(BALASTERO, 2001), conforme demonstra a seguinte Expressão:
iL f S L
D(1 2 D) (9)
N
Vin S
NP
Com a equação parametrizada é possível traçar o gráfico. O
mesmo é apresentado através da Figura 16, onde também demonstra que
a máxima ondulação de corrente ocorre quando a razão cíclica
, e o parâmetro .
42
Figura 16 - Ondulação da corrente parametrizada no indutor L.
Fonte: Do Autor.
3.3 ONDULAÇÃO DE TENSÃO DE SAÍDA
Sabe-se que o capacitor na saída serve para minimizar a
ondulação de tensão causada pela ondulação de corrente (BALASTERO,
2001). No modo de condução contínua, a ondulação de tensão é
calculada com ajuda da Equação (10), onde, considera-se que a corrente
de saída livre de ondulação.
IC iL (10)
Considerando a razão cíclica de , e decompondo a
ondulação de corrente através da série de Fourier, obtém-se a amplitude
da componente fundamental presente na Equação (11).
4iL
IC (11)
2
Analisando a Expressão (11) pela Lei de Ohm, onde e
, obtém-se a Equação (12).
1 2iL
VC IC (12)
C f s 2 C
Substituindo a ondulação de corrente no indutor presente na
Equação (7), na Equação (12), obtém-se a Expressão (13).
43
NS NS
2Vin D (1 2 D ) Vin
NP NP
VC (13)
f s L C 4 f s CL
2 3 2 3
3.4 ESFORÇOS NOS COMPONENTES
Para qualquer projeto eletrônico é necessário fazer uma análise
das correntes e tensões presentes nos componentes. Com tais dimensões
determinadas, é possível selecionar os componentes adequados e realizar
o cálculo de perdas neles.
3.4.1 Esforços nos Interruptores
Os interruptores são dimensionados através da corrente eficaz e
tensão máxima aplicada no componente.
No conversor Push-Pull, os dois interruptores nunca devem
conduzir corrente simultaneamente, ou seja, quando conduz, deve
estar em corte. Nesta situação, a tensão de entrada é inserida em um
dos enrolamentos primários, e devido a fase desses enrolamentos, os
terminais de são submetidos a uma tensão teórica de 2 . Tal
situação também ocorre em , quando o mesmo encontra-se em corte e
conduzindo. Com tal situação, logo a tensão máxima presente nos
interruptores é definida através da Equação (14).
VS1 S2 (max) 2Vin (14)
É necessário dimensionar a tensão média do interruptor para
verificar qual o nível de tensão média considerando todas as etapas de
operação do conversor, logo com o auxílio da Figura 14, é possível
determinar está tensão de acordo com a Equação (15).
1 T
2Vin dt 2 2 Vin dt Vin
DT
VS S (med) (15)
1 2
T0 DT
A corrente através dos interruptores pode ser definida através
Expressão (16).
44
N
I o S , para 0 t DT ,
NP
iS (16)
0, para DT t T .
2
Desprezando a ondulação de corrente no indutor, através da
Expressão (16), e das formas de ondas obtidas através da Figura 14,
encontra-se as definições das correntes média e eficaz dos interruptores,
definidas através das Equações (17) e (18) respectivamente.
1 DT N S N
T 0
I S1 S2 (med) Io dt I o S D (17)
NP NP
2
1 NS NS
DT
IS S (rms)
I o dt I o D (18)
NP
0
1 2
T NP
3.4.2 Esforços nos Diodos
Os diodos são dimensionados através da sua corrente
eficaz e tensão reversa máxima. Logo, quando os diodos estão cortados,
a tensão reversa máxima que surge em seus terminais, é definida através
da Equação (19):
NS
VD1 D2 (max) 2Vin (19)
NP
Por estarem em série com os enrolamentos do secundário, logo,
a corrente eficaz que atravessa os diodos é a mesma corrente que
atravessa tais enrolamentos, logo analisando a forma de onda presente na
Figura 14, obtém-se então uma aproximação dada a partir da Equação
(20).
45
Io , para 0 t DT ,
Io , para DT t
T
,
2 2
iD T T (20)
0, para t DT ,
2 2
T
Io , para DT t T
2
Através da Equação (20), obtém-se então a corrente média e
eficaz dos diodos, dadas através das Equações (21) e (22)
respectivamente.
1 T
Io Io
I o dt 2 2
DT
I D D (med) dt (21)
1 2
T 0 DT
2 2
1 T
Io
2
2D 1
0 I o 2 dt 2 2
DT
I D D (rms) dt I o D (22)
1 2
T DT
2 4
3.4.3 Esforços nos Enrolamento
Como citado anteriormente, no conversor Push-Pull, os dois
interruptores nunca devem conduzir corrente simultaneamente, ou seja,
quando conduz, deve estar em corte. Nesta situação, a tensão de
entrada encontra-se presente nos terminais dos enrolamentos
primários. Logo com tal definição, a tensão nos enrolamentos primários
do conversor é definida através da Equação (23).
VNP1 NP 2 (max) Vin (23)
Considerando a disposição do circuito do primário, nota-se que
os mesmos encontram-se em série com os interruptores , logo as
correntes média e eficaz nos enrolamentos são similares a dos
interruptores previamente definidas pelas Equações (17) e (18).
46
3.4.4 Esforços nos Enrolamentos
A tensão máxima presente nos enrolamentos secundários, é a
mesma que a do primário, presente na Equação (23), porém, refletida
envolvendo a relação de espiras, conforme demonstra a Equação (24).
NS
VNS 1 NS 2 (max) Vin (24)
NP
As correntes média e eficaz presente nos enrolamentos
secundário, são similares às do diodos devido a sua disposição no
circuito, logo já foram previamente definidas através das presentes nas
Equações (21) e (22).
1 T
Io Io
I o dt 2 2
DT
IN S 1 NS 2 (med)
dt (25)
T0 DT
2 2
1 T
Io
2
2D 1
0 I o dt 2DT2 dt I o D
DT
I NS 1 NS 2 (rms) 2
(26)
T 2 4
3.4.5 Indutor de Saída
Como a corrente média que circula no capacitor de saída é zero,
logo a corrente média no indutor é igual a corrente de saída conforme
demonstra a Equação (27).
I L ( med ) I o (27)
Como a ondulação de corrente no indutor é considerada
relativamente baixa, inferior a 10%, logo define-se que a corrente eficaz
sobre o indutor é aproximadamente a corrente média, que é similar ao
valor da corrente de saída, conforme demonstra a Equação (28).
I L( rms ) I L( med ) I o (28)
47
4 PROJETO
O projeto trata-se de um conversor Push-Pull, onde o mesmo
terá como características uma potência de 500W, onde foi projetado para
uma corrente de saída de 100A com uma tensão média de saída de 5V.
Esses valores foram definidos de acordo com a necessidade do arco
elétrico de possuir uma corrente elevada quando ele está próximo da
condição de curto circuito, logo, deve-se dimensionar o circuito de
acordo com essa especificação. O Transformador em questão é um
elevador, onde o eletrodo quando trabalhando em vazio, deve possuir
uma tensão capaz de gerar o arco elétrico, onde essa tensão será a tensão
de patamar do enrolamento secundário. Os interruptores utilizados são
do tipo Mosfet, e sua alimentação de entrada, trata-se de uma bateria
automotiva de 12V com uma pequena impedância nos terminais. O
projeto deve é garantir que a corrente drenada pela fonte seja contínua,
ou seja, deve possuir uma corrente pulsante que é gerenciada por
capacitores. As especificações do projeto podem ser visualizadas através
da Tabela 2.
Tabela 2 - Especificações do projeto.
Tensão de Entrada
Tensão Média de Saída
Ondulação de Tensão de Saída
Tensão do Enrolamento Secundário
Corrente de Saída
Ondulação de Corrente no Indutor de Saída
Frequência de Chaveamento
Com os dados do projeto especificados, torna-se possível
calcular a relação de espiras do transformador a ser utilizado, onde a
mesma dada através da Equação (29).
N P Vin 12 N
n P 0,3 (29)
N S VSec 40 NS
Para cálculos futuros, será necessário utilizar o inverso da
Equação (29), para facilitar, logo define-se tal valor na seguinte
Equação:
48
1
NS NP NS
4 (30)
NP NS NP
Com o valor de relação de espiras do transformador presente na
Equação (29) e através da Equação (3), onde é definido o ganho
estático do conversor, é possível então encontrar a razão cíclica em que
o conversor irá atuar, conforme demonstra a Equação (31).
Vo NS 1V N
2D D o P D 0, 0625 (31)
Vin NP 2 Vin N S
4.1 ESFORÇOS NOS COMPONENTES DE POTÊNCIA
De acordo com os dados fornecidos pelo projeto, e com as
análises realizadas na seção 3.4, é possível então calcular os esforços nos
componentes presente no conversor Push-Pull. O estudo detalhado das
Equações utilizadas nos próximos subcapítulos da seção 4.1, já foram
realizadas na mesma seção de análise, logo, os valores representados
serão mais breves.
4.1.1 Tensões e Correntes nos Interruptores
As tensões máxima e média presente nos interruptores ,
encontram-se nas Equações (32) e (33) respectivamente.
VS1 S2 (max) 2Vin VS1 S2 (max) 2 12 24V (32)
VS1 S2 (med) Vin VS1 S2 (med) 12V (33)
As correntes média e eficaz nos interruptores ,
encontram-se nas Equações (34) e (35) respectivamente.
NS
I S1 S2 (med) I o D I S1 S2 (med) 100 4 0,0625 25A (34)
NP
49
NS
I S1 S2 (rms) I o D I S1 S2 (rms) 100 4 0,0625 100 A (35)
NP
4.1.2 Tensão e Correntes nos Diodos
A tensão reversa máxima nos diodos de saída é apresentado
através da Equação (36).
NS
VD1 D2 (max) 2Vin VD1 D2 (max) 2 12 4 96V (36)
NP
As correntes média e eficaz, que atravessam os terminais dos
diodos , são obtidas através das Equações (37) e (38)
respectivamente.
Io 100
I D1 D2 (med) I D1 D2 (med) 50 A (37)
2 2
2D 1 2 0,0625 1
I D1 D2 (rms) I o D 100 0,0625 53,03 A
4 4
(38)
4.2 ESFORÇOS NOS ENROLAMENTOS
4.2.1 Tensão e Correntes nos Enrolamentos Primários
Conforme comentado anteriormente, na seção 3.4.3, a máxima
tensão presente nos terminais dos enrolamentos primários é ,
substituindo o valor na Equação (23), obtém-se a Equação (39).
VNP1 NP 2 (max) Vin VNP1 NP 2 (max) 12V (39)
Como os enrolamentos encontram-se em série com os
interruptores , logo, eles possuem as mesmas correntes média e
Eficaz, conforme demonstra as Equações (40) e (41).
50
NS
I NP1 NP 2 (med) I o D I N P1 N P 2 (med) 100 4 0,0625 25 A (40)
NP
NS
I NP1 NP 2 (rms) I o D I NP1 NP 2 (rms) 100 4 0,0625 100 A (41)
NP
4.2.2 Tensão e Corrente nos Enrolamentos Secundários
Sabe-se que a tensão presente nos terminais dos enrolamentos
secundários é a mesma presente no primário, porém, refletido conforme
a relação de espiras entre o primário e o secundário. Logo substituindo
os valores na Expressão (24), obtém-se a tensão máxima presente nos
enrolamentos secundários, presente na Equação (42).
NS
VNS 1 NS 2 (max) Vin 10% VNS 1 NS 2 (max) 12 4 48V (42)
NP
Como os enrolamentos encontram-se em série com os diodos
, logo possuem as mesmas correntes média e eficaz, conforme
demonstra as Equações (43) e (44).
Io 100
I NS 1 NS 2 (med) I NS 1 NS 2 (med) 50 A (43)
2 2
2D 1 2 0,0625 1
I NS 1 NS 2 (rms) I o D 100 0,0625 53,03 A (44)
4 4
4.3 DEFINIÇÃO DOS COMPONENTES DE POTÊNCIA
Após definidos os esforços de todos os componentes, pode-se
então fazer a seleção dos mesmos, conforme será mostrado nos
subcapítulos seguintes.
51
4.3.1 Interruptores da Ponte Inversora
Os interruptores necessitam ter uma tensão de bloqueio superior
à 24V e a frequência de operação de no mínimo 50kHz. Visto esta alta
frequência de operação, a baixa tensão e a alta corrente eficaz (100A),
seleciona-se um Mosfet de uso automotivo IRF3205 o qual possibilita
correntes altas de 80A à 100°C, tensão máxima de breakdown de 55V,
baixa resistência de condução e o encapsulamento do tipo TO220AB.
Nota-se que a corrente de 80A não é suficiente para suportar a corrente
no primário do transformador. Portanto, com a intenção de reduzir as
perdas nos interruptores, opta-se por utilizar 3 Mosfests em paralelo.
Tabela 3 – Características do transistor IRF3205.
Tensão de Breakdown
Resistência entre dreno e fonte ,
Temperatura de Junção Máxima
Corrente de pico máxima
4.3.2 Diodos do Secundário
Os diodos nessa aplicação devem ter baixo tempo de
recuperação reversa, visto a alta frequência de chaveamento. Além disso,
a queda de tensão em condução deve ser minimizada, visto que a tensão
de saída é baixa, enquanto a corrente é consideravelmente elevada.
Sendo assim, caso essa queda não seja reduzida, ocorrerão grandes erros
na tensão de saída, bem como, grandes perdas térmicas.
A tensão de bloqueio deve ser superior à 96V e a capacidade de
corrente média superior à 50A e corrente eficaz à 53A. Desta forma,
define-se o diodo APT30D100B.
Suas principais características são demonstradas através da
Tabela 4. Nota-se que ele não suporta a corrente necessária para o
projeto, por esse motivo, optou-se por utilizar três diodos em paralelo,
reduzindo em 1/3 a corrente para cada componente.
Tabela 4 – Características do diodo APT30D100B.
Corrente Média de Condução
52
Tensão Reversa de pico Repetitiva
Temperatura de Junção Máxima
Tensão de Condução V
Tempo de Recuperação Reversa
4.4 MODO DE DIMENSIONAMENTO DO DISSIPADOR
Quando uma corrente circula em um componente, a mesma
produz perdas, tanto em condução quanto na comutação. Esse calor deve
ser transferido para o ambiente, caso contrário, a temperatura da junção
se eleva acima dos limites máximos permitidos e provoca a falha do
componente (BARBI, 2012). A corrente máxima possível em um diodo
de potência ou em uma chave é limitada apenas pela temperatura de
junção.
Assim, a escolha do dissipador e o cálculo das perdas em um
componente são de importância prática fundamental.
Para o cálculo térmico, emprega-se o circuito equivalente
apresentado na Figura 17.
Figura 17 - Circuito Térmico Equivalente de um Componente.
Rjc Rcd Rda
Tj Tc Td Ta
P
Fonte: Do autor.
Considerando então a Figura 17, é possível obter o cálculo
térmico de um componente semicondutor, que é apresentado através da
Expressão (45).
T j Ta R ja PT (45)
Onde é resistência junção ambiente, que é definida através
da expressão (46).
R ja R jc Rcd Rda (46)
53
Substituindo a equação (46) na equação (45), tem-se a
resistência necessária do dissipador a ser utilizado, conforme demonstra
a equação (47).
T j Ta PT Rcd R jc
Rda (47)
PT
As resistências térmicas, geralmente são denominados pelo
datasheet do semicondutor do fabricante.
4.5 CÁLCULO TÉRMICO DOS INTERRUPTORES
Sabe-se que as perdas presentes nos interruptores são
compostas por esforços de comutação e condução. Visando reduzir tais
perdas, utiliza-se interruptores em paralelo, o que deve garantir a mínima
perda nos mesmos.
A perda por comutação para o conversor Push-Pull em
condução contínua é definida através da expressão (48).
fs
Pcom (tr t f ) ip(max) Vsnubber (48)
2
A corrente de pico do primário do transformador, nada mais é
do que a corrente de saída refletida a esse enrolamento, conforme
demonstra a equação (49) .
NS
i p (max) I o 100 4 400 A (49)
NP
Conforme especificado no subcapítulo 4.3.1, os interruptores
selecionados para o projeto foram do modelo IRF3205. Através dos
dados presente em seu datasheet tem-se , logo,
é possível determinar a perda por comutação substituindo os devidos
valores na Expressão (48), conforme mostra a Equação (50).
50k
Pcom (101n 65n) 400 30 49,8W (50)
2
54
Tendo as perdas por comutação, é necessário também encontrar
as perdas provenientes da condução, onde a mesma é apresentado
através da Equação (51), sendo , obtido através do
datasheet do componente.
Pcond I s1 s 2( rms ) 2 RDS (on) Pcond 1002 8m 80W (51)
Com as perdas por comutação e condução já definidas através
das Equações (50) e (51) respectivamente, logo é possível determinar a
potência total presente no interruptor, conforme mostra a Equação (52).
PT Pcom Pcond PT 49,6 80 129,6W (52)
A perda total em cada interruptor é de aproximadamente
129,6W. Somando as perdas nos dois interruptores, tem-se 259,2W, o
que inviabilizaria o conversor, pois as perdas seriam muito elevadas.
Para limitar as perdas nos interruptores, e por consequência
elevar o rendimento do conversor como um todo, tem-se duas
alternativas: escolher um interruptor com menor resistência ou
associar interruptores em paralelo.
Para o conversor em questão, optou-se pela segunda alternativa.
Foram associados 3 interruptores em paralelo. Logo, para essa nova
configuração, calcula-se novamente as perdas.
As perdas em condução são dadas por:
2
I s1 s 2( rms )
2
100
Pcond RDS ( on ) Pcond 8m 8,8W (53)
3 3
Já as perdas devido à comutação, substituindo os valores na
Equação (48) são:
50k (101n 65n) 400 30
Pcom 16, 6W (54)
2 3
Logo, com as perdas por comutação e condução encontradas. É
possível encontrar as perdas, obtida através da Equação (55).
55
PT Pcom Pcond PT 16,6 8,88 25, 48W (55)
Como irá ser utilizado 3 interruptores associados em paralelo, as
perdas em cada interruptor foram reduzidas à aproximadamente 25,48W
por interruptor, como serão utilizados 6 interruptores, a perda total nos
interruptores será de aproximadamente 152,88W.
4.5.1 Dissipador dos Interruptores
Considerando a temperatura ambiente como , a
temperatura de junção máxima de , e os dados obtidos
através do datasheet, onde a resistividade térmica entre cápsula e o
dissipador é de , e a resistência térmica entre a junção e
a capsula é de , é possível então obter a resistência
térmica máxima do dissipador necessário para cada interruptor.
Substituindo esses valores na Expressão (47), tem-se que:
T j Ta PT Rcd R jc 130 40 25,48 (0,5 0,75)
Rda 2,28C / W (56)
PT 25,48
O valor encontrado acima, conforme dito anteriormente, refere-
se à resistência térmica máxima do dissipador necessário para cada
interruptor. Opta-se por utilizar dois dissipadores para todos os
interruptores, onde cada um irá suportar 3 interruptores, logo basta
dividir o valor obtido através da Equação (56) pelo número de
interruptores em cada dissipador. Assim tem-se que:
Rda 2,28
Rda 0,76C / W (57)
3 3
4.6 CÁLCULO TÉRMICO NOS DIODOS
Para os diodos, optou-se pelo uso do modelo Apt30d100b, onde
também foi definido utilizar três em paralelo. Assim as perdas nos
diodos são definidas através da expressão (58).
56
2
I D1 D 2( med ) I D1 D 2(rms)
Pdiodo VTO rT (58)
3 3
Através do datasheet do componente, tem-se que
, logo substituindo tais valores e os valores das
correntes média e eficaz, definido anteriormente através das equações
(37) e (38), na expressão (58), tem-se as perdas em cada diodo presente
na Equação (59).
2
50 53,03
Pdiodo 0,7 5m 13,06W (59)
3 3
Como irá ser utilizado 3 diodos em paralelo, as perdas em cada
diodos é de aproximadamente 13,06W, como serão utilizados 6, a perda
total nos diodos será de aproximadamente 78,37W, o que é aceitável
para esse conversor.
4.6.1 Dissipador dos Diodos
Considerando a temperatura ambiente como , a
temperatura de junção máxima de , e os dados obtidos
através do datasheet, onde a resistência térmica entre cápsula e o
dissipador é de , e a resistência térmica entre a junção e
a capsula é de , é possível então obter a resistência
térmica máxima do dissipador necessário para cada diodo. Substituindo
esses valores na Expressão (47), tem-se que:
T j Ta Pdiodo Rcd R jc 130 40 13,06 (0.4 0,61)
Rda 5,88C / W (60)
PT 13,06
O valor encontrado acima, trata-se da resistência térmica
máxima do dissipador necessário para cada encapsulamento. Opta-se por
utilizar dois dissipadores onde cada um irá suportar 3 diodos, logo basta
dividir o valor obtido através da Equação (60) pelo número de diodos
por dissipador. Assim tem-se que:
57
Rda 5,88
Rda 1,96C / W (61)
3 3
4.7 CAPACITOR DE ENTRADA
Em circuitos que utilizam baterias como fonte de alimentação, a
corrente em que é drenada pelas baterias devem ser constante,
permitindo assim uma maior durabilidade e confiabilidade da mesma.
Para que isso ocorra, é necessário a inserção de capacitores de
desacoplamento, visando absorver toda e qualquer oscilação de corrente.
É necessário então calcular esse capacitor, para tal, deve-se utilizar os as
características previstas no projeto.
Inicialmente, deve-se calcular a corrente média de entrada do
conversor, onde é definida através da seguinte equação:
2 DT
T 0
Iin(med) I p (max) dt 2 I p (max) D (62)
A corrente de pico no primário do transformador já foi definida
através da equação (49). Substituindo os valores na equação acima, tem-
se que a corrente média de entrada é:
Iin(med) 2 100 4 0,0625 Iin(med) 50 A (63)
Considera-se a corrente na bateria constante, logo, sua corrente
média, assim como sua corrente eficaz, deve ser idêntica a corrente
média de entrada do conversor, conforme mostra a equação (64).
Iin(med ) I Bat (med ) I Bat (rms ) 50 A (65)
Tendo a corrente eficaz d bateria, é necessário determinar a
corrente eficaz de entrada, onde é definida através da equação (66).
2
2 NS NS
DT
I in (rms) Io dt I o 2 D (66)
NP
0
T NP
58
Substituindo os valores na equação acima, tem-se que a corrente
eficaz de entrada é:
I in (rms) 100 4 2 0, 0625 I in (rms) 141, 42 A (67)
Com as correntes de bateria e de entrada eficaz obtidas através
das equações (65) e (67) respectivamente, logo é possível calcular a
corrente eficaz em que irá circular no capacitor que será inserido em
paralelo, conforme demonstra a equação (68).
I C ( rms ) I in( rms ) 2 I Bat ( rms ) 2 IC ( rms ) 141, 422 502 132, 28 A
(68)
Considerando que a corrente de pico no capacitor de entrada
seja igual a corrente de pico do primário do transformador, definida
através da equação (39), logo, através da equação de corrente de
capacitores abaixo define-se a capacitância necessária para manter a
tensão na bateria constante.
dv D 0,0625
Cin ICin ICin _ pico Cin 400 42 F (69)
dt Vin f s 12 50k
4.7.1 Definição do Capacitor de Entrada
Sabe-se que a corrente que circula pelo capacitor de
desacoplamento é elevada, conforme mostra a Equação (68). A
capacitância calculada é de 42uF logo, portando, seleciona-se
capacitores da Epcos do modelo B32669 de 8uF. O capacitor
selecionado é de polipropileno e suporta até 13A em alta frequência .
Nesta definição, a decisão do número de componentes a ser utilizado, se
dá pela corrente eficaz a ser atendida, ou seja, a capacitância acaba
sendo uma consequência do circuito. Portanto, opta-se por utilizar 14
componentes em paralelo, resultando em uma capacitância equivalente
de .
59
4.8 PROJETO FÍSICO DO TRANSFORMADOR
Os parâmetros a serem considerados no transformador é
apresentado na Tabela 5, onde é um fator que depende da topologia
do conversor, onde para topologia Push-pull considera-se , o fator
de enrolamento de janela para este mesmo conversor é e o de
ocupação do primário .
Tabela 5- Parâmetros do transformador.
Densidade de Fluxo Máxima
Densidade de Correte Máxima 2
Fator do Conversor
Fator de Enrolamento de Janela
Fator de Ocupação do Primário
Potência de Saída
Frequência de Operação
Máxima Razão Cíclica
Tensão Mínima de Entrada
Rendimento
O transformador é normalmente dimensionado pela potência
máxima processada, que é a mesma que a da saída conversor. Para os
cálculos, deve-se considerar a utilização de núcleos de ferrite do tipo E,
sendo é necessário realizar o produto entre a área de perna central ( e
a área da janela do carretel para dimensiona-lo. Essas áreas são
demonstradas através da Figura 18.
60
Figura 18 - Núcleo e Carretel do Tipo E.
Fonte: (BARBI; FONT; ALVES, 2002).
Logo, utilizando os dados fornecidos através da Tabela 5, é
possível então calcular produto entre as áreas e , conforme
demonstra a Expressão (70), onde a potência é dada em Watts (W), a
densidade de fluxo em Tesla (T) e densidade de corrente J em
(DIXION, 2001) (PRESSMAN, 1991) (COELHO, 2006).
1,143
Po 104
Ae Aw
k k k J B f (70)
t p w max s
Substituindo os valores presente na Tabela 5 na Expressão (70),
define-se então o produto entre as áreas através da Equação (71).
1,143
500 104
Ae Aw 31, 06cm4 (71)
1 0, 25 0, 4 500 0,1 50k 0,90
Com o valor do produto das áreas obtido através da Equação
(71),logo, é possível determinar as especificações do núcleo do
transformador e do seu respectivo carretel. Considerando os
componentes presente no laboratório, optou-se por utilizar um núcleo de
ferrite NEE-65/33/26 e três núcleos do mesmo elemento NEE-65/33/13
da Thornton em conjunto, onde realizando o somatório das áreas, tem-se
,e .
61
4.8.1 Definição do Número de Espiras do Transformador
Com valores das áreas definido, logo é possível determinar o
número de espiras do elemento primário do transformador através da
Equação (72).
V in(min) 10,8
Np 104 N p 104 1espira
B max f Ae 0,11 50.000 13,3
(72)
Utilizando a relação de espiras presente na Equação (29),
define-se a quantidade de espiras presente no secundário, conforme
demonstra a Equação (73).
N P Vin N V 1 40
N S P Sec 4 espiras (73)
N S VSec Vin 12
4.8.2 Secções dos Condutores do Transformador
As secções dos condutores do primário e secundário são
definidas respectivamente pelas Equações (74) e (75), onde a densidade
de corrente máxima foi definida através da Tabela 5, e as correntes
primária e secundária, através das Equações (41) e (44) respectivamente.
I Np (rms ) 100
SP Sp 0,200cm 2 (74)
J max 500
I Ns (rms ) 53,06
SS SS 0,106cm 2 (75)
J max 500
Para a utilização de condutores em altas frequências deve-se
levar em conta o efeito pelicular (skin effect). Sabe-se que a medida que
a frequência aumenta, a corrente no interior de um condutor tende se
distribuir pela periferia, ou seja, existe maior densidade de corrente nas
bordas e menor na região central. Esse efeito causa uma redução na área
62
efetiva do condutor. Em outras palavras, o efeito pelicular atua de
maneira a limitar a área máxima do condutor a ser empregado.
O valor da profundidade de penetração pode ser obtido através
da Expressão (76).
7,5 7,5
0,03354 cm2 (76)
fo 50000
Com isso, o condutor a ser utilizado, não deve possuir um
diâmetro superior à .
Respeitando essa regra, e com a seção do cobre definida, pode-
se então definir qual a espessura do fio de cobre poderá ser utilizado.
Para o transformador presente, utilizou-se o fio AWG26, onde sua seção
é de . Com isso, é possível calcular o número de
condutores em paralelo a ser utilizado no primário e no secundário,
através das Equações (77) e (78) respectivamente.
SP 0,200
N p1_ p2 N p1_ p2 152condutores (77)
S 26 AWG 0,001308
SS 0,106
N s 1 _s 2 N s 1 _s 2 81condutores (78)
S 26 AWG 0,001308
Os resultados obtidos anteriormente nas Equações (77) e (78),
são para apenas um único cabo. Porém, para a melhor execução do
projeto, esse único cabo foi dividido em vários cabos com condutores
em paralelo, onde o somatório total desses seja diâmetro igual aos
diâmetros total do primário e secundário. No caso para o primário
definiu-se 11 cabos com 14 condutores em paralelos, e no secundário 5
cabos com 16 condutores em paralelo, como é demonstrado através das
Equações (79) e (80) respectivamente.
N p1_ p2 152
N cond _ primario N cond_ primario 11condutores (79)
14 14
63
N s 1 _s 2 81
N cond _secundário N cond _secundário 5condutores (80)
16 16
4.8.3 Possibilidade de Execução do Transformador
Obtidos o número de espiras do primário, e do secundário,
presentes nas equações (72) e (73), e também o número de condutores
dos mesmos presentes nas Equações (79) e (80), é possível então
calcular o fator de ocupação, que é definido através da Expressão (81).
S 26 AWG (N p N p 1 _p2 N s N s 1 _ s 2 )
Aw necessário 2 (81)
kw
Nota-se que a Expressão (81) possui um multiplicador igual a
dois, isso ocorre devido a presença de dois primários e dois secundários,
que é característica dos transformadores do conversor Push-Pull. Então,
substituindo os devidos valores na Expressão anterior, logo, obtém-se a
definição da área de janela do núcleo necessária para a realização do
projeto, conforme demonstra a Equação (82).
0,001308 (1 152 4 81)
Aw necessário 2 2,49cm 2 (82)
0,5
Tendo o denominado anteriormente, é possível
calcular o fator de ocupação, determinada pela Equação (83).
Aw necessário 2,49
K ocupação K ocupação 0,455 (83)
Aw 5,47
Com o resultado obtido através da Equação (83), nota-se que é
possível realizar o projeto físico do transformador.
64
4.8.4 Perdas do Transformador
As perdas nos transformadores podem ser classificadas como
Perda no Núcleo ou Perda de Excitação ( ), Perda em Carga ou Perda
nas Impedâncias ( ) e Perda Total ( ) que é a soma das Perdas no
Núcleo e em Carga (IEEE, C57-110-1998), conforme a expressão (84).
PTotal PNL PLL (84)
As perdas do cobre presente nos enrolamentos, é definida
através da expressão (85).
PLL 2 N P RP I NP1 NP 2 (rms) 2 N S RS I NS 1 NS 2 (rms) 2
(85)
Onde são respectivamente as resistências do primário e
do secundário. O cálculo destas são demonstrados através das equações
respectivamente (86) e (87).
P
SP
RP (86)
N p1_p 2
S
SS
RS (87)
N s1_s 2
Onde:
.
O comprimento de uma espira é dado através da Equação (88),
onde considera-se o raio da mesma .
2 r 2 2,5 15,7cm (88)
65
Como ambos os enrolamentos, primário e secundário, utilizaram
o fio AWG26, logo a relação deles é igual. De acordo com a tabela de
fiação AWG, considerando uma temperatura de 23 °C,
. Substituindo essa relação e a equação (88) nas
equações (86) e (87), tem-se:
1,339m
RP 15, 7 138,30 (89)
152
1,339m
RS 15, 7 259,53 (90)
81
Substituindo então todos os valores na Equação (85), obtém-se
então as perdas provenientes das espiras presente no transformador,
conforme mostra a Equação (91)
PLL 2 1 138,30 1002 4 259,53 53, 032 8, 60W (91)
A perda do núcleo do tipo IP12E é definida pela relação perda
em Watts para uma determinada frequência por grama, conforme
demonstra Figura 19. Sabe-se que o conversor atua em e que a
densidade de fluxo do projeto do transformador é de
, logo, considerando a temperatura em 23C°, através do gráfico
de perdas volumétricas tem-se . O peso total dos núcleos
utilizados é de 850g, com isso, é possível definir as perdas presente no
núcleo conforme mostra a equação (92) :
W
PNL 17m 850 g 14, 45W (92)
g
Figura 19 - Gráfico de perdas volumétricas IP12E.
66
Fonte: (THORNTON, 2008).
Com as perdas provenientes dos enrolamento e do núcleo, é
possível definir a potência total dissipada no transformador. Substituindo
as equações (91) e (92) na expressão (84), é possível obter as perdas
total conforme mostra a (93).
PT 14, 45 8,60 23,05W (93)
4.9 PROJETO FÍSICO DO INDUTOR DE SAÍDA
Para o indutor, deve-se considerar que sua corrente média, e
eficaz, sejam muito próximas à corrente de saída, conforme demonstra a
equação (94)
I L ( rms ) I L ( med ) I o 100 A (94)
Para a realizar o dimensionamento do núcleo e do enrolamento,
deve-se considerar os parâmetros presentes na Tabela 6.
67
Tabela 6 - Parâmetros do Indutor de Saída.
Densidade de Fluxo Máxima
Densidade de Correte Máxima 2
Fator de Enrolamento de Janela
Corrente Média no Indutor
Ondulação de Corrente no Indutor
Para dimensionar o núcleo do indutor, deve-se primeiramente
encontrar o valor do indutor de saída, que pode ser definido isolando a
indutância L presente na Equação (7), e substituindo os respectivos
valores do projeto presente na Tabela 6, conforme demonstra a equação
(95).
NS
V in D (1 2D )
NP 12 4 0,0625 (1 2 0,0625)
L L 5.25H (95)
Fs i L 50k 10
Com o valor do indutor já obtido, agora torna-se possível
realizar o dimensionamento físico do mesmo. Conforme demonstrado
anteriormente no capítulo 4.8, para dimensionar o núcleo de ferrite “E”,
é necessário determinar o produto entre a área de perna central ( ea
área da janela do carretel , conforme é definido através da Equação
(96) (BARBI; FONT; ALVES, 2002).
L I L( pico ) I L(rms) L I o 2(1 0,5i L )
Ae Aw 104 104 (96)
kw B max J max kw B max J max
Substituindo os devidos valores na Equação (96), obtém-se um
valor especifico em , como é demonstrado abaixo:
5.25 1002 (1 0,05)
Ae Aw 104 9,2cm 4 (97)
0,5 0,35 400
4.9.1 Definição do Número de Espiras do Indutor de Saída
Com o produto das áreas definido, deve-se selecionar o núcleo
com previamente superior ao calculado. Para esse projeto utiliza-
68
se núcleos da empresa Thornton do modelo NEE-55/28/21, onde o
mesmo apresenta os valores de e . Com
o valor da área da perna central, é possível então definir a quantidade de
espiras, que é demonstrado através da equação (98) (BARBI; FONT;
ALVES, 2002).
L I L ( pico ) LI o (1 0.5I L )
N espiras 104 (98)
B max Ae B max Ae
Substituindo os valores na equação (98), obtém-se a quantidade
de espiras, que é definida através da equação (99).
5.25 100 1,05
N espiras 104 5espiras (99)
0,30 3,54
4.9.2 Cálculo da Secção dos Condutores do Indutor de Saída
A secção do cobre a ser utilizada na fiação do indutor, depende
de forma inversa da máxima densidade de corrente, conforme demonstra
a equação (100).
I L(rms ) Io 100
S cobre S cobre 0,25cm 2 (100)
J max J max 400
Geralmente o diâmetro do condutor é superior ao limite fixado
pelo efeito pelicular. Assim, é necessário associar condutores em
paralelo afim de que se possa conduzir a corrente sem superaquecimento
dos fios condutores. O número de condutores pode ser calculado da
seguinte maneira:
S cobre
ncondutores (101)
S AWG
Onde é a área do condutor cujo diâmetro a ser definido.
Para o indutor em questão, considera-se o uso do fio AWG17, onde sua
seção é de , logo, é possível calcular o número
de condutores a ser utilizado em paralelo para atender a secção
69
necessária, substituindo tal valor na expressão (101), conforme
demonstra a Equação (102).
S cobre 0,25
ncondutores ncondutores 24condutores (102)
S AWG 17 0,01037
Visando evitar a saturação do núcleo e diminuir o efeito de
histerese magnética, dimensiona-se um entreferro, onde para cada perna
do núcleo, deve-se calcular o comprimento em milímetros deste
entreferro, conforme mostra a Equação (103) (BARBI; FONT; ALVES,
2002).
N espiras 2 o Ae 52 4 x 107 3,54
lentreferro lg 1,59mm (103)
2L 2 5,25
Nota-se que o valor do entreferro presente na equação (103) é
relativamente pequeno. Isso ocorre, devido à baixa ondulação de
corrente, e também devido ao reduzido número de espiras.
4.9.3 Possibilidade de Execução do Indutor de Saída
Para verificar se é possível a montagem é necessário a
realização do cálculo do fator de ocupação, de forma direta do valor de
área de janela do indutor obtido anteriormente ( .
Para acondicionar o enrolamento calculado anteriormente é
necessário uma janela mínima dada pela equação (104).
Nespiras ncondutores S AWG17 5 24 0,010379
AWnecessario AWnecessario 2, 49cm2
kw 0,5
(104)
A possibilidade de execução é definida pela equação (105) Para
ser possível executar o projeto físico do indutor, é necessário que
.
70
AWnecessario 2, 49
Kocupação Kocupação 0,66 (105)
AW 3,76
Como o valor é inferior a 1, é possível realizar o projeto do
indutor.
4.9.4 Perdas do Indutor de Saída
As perdas no indutor de saída são obtidas da mesma forma que
no transformador, onde inicialmente calcula-se as perdas provenientes
do cobre presente nos enrolamentos, que é definida através da expressão
(106).
PLL Nespiras Rcobre I L(rms ) 2 (106)
Onde é determinado de forma similar ao do
transformador, conforme mostra a Equação (107)
cobre
Scobre
Rcobre (107)
ncondutores
Como o núcleo é o mesmo utilizado no transformador, por
consequência o comprimento de uma espira é o mesmo que o anterior,
demonstrado através da equação (88).
O indutor foi enrolado utilizando o fio AWG27, onde de acordo
com a tabela de fiação AWG, considerando uma temperatura de 23 °C,
tem-se que . Substituindo essa relação e a
equação (88) na (107), obtêm-se então a resistência do cobre no indutor,
conforme demonstra a equação (108).
0,166m
Rcobre 15, 7 108, 60 (108)
24
71
Substituindo todos os valores na Equação (109) , obtém-se então
as perdas no cobre presente no indutor de saída, conforme mostra a
equação (109).
PLL 4 108,60 1002 4,34W (109)
Considerando o mesmo material do transformador, e uma
frequência de 100kHz, através do gráfico de perdas volumétricas
presente na Figura 19, tem-se uma perda por volume de .
Com tal informação e com o peso do núcleo de 218g, a perda no indutor
é de:
W
PNL 110m 218g 23,98W (110)
g
Com as perdas provenientes dos enrolamentos e do núcleo, é
possível definir a potência total dissipada através do indutor de saída,
conforme demonstra a equação (111).
PT 23,98 4,34 28,32W (111)
4.10 CIRCUITO DE COMANDO
O circuito de comando dos interruptores possui um papel crucial
na funcionalidade do conversor. Ele é o responsável pela condução e
bloqueio dos interruptores Mosfet’s previamente selecionado. Eles
garantem também que os interruptores não entrem em condução
espontaneamente, minimizando perdas por condução. Para que eles
tenham um desempenho adequado, deve-se realizar o dimensionamento
do resistor ligado no gate dos mesmos, para que não tenha nenhum surto
de corrente nos mesmo, evitando então a queima do componente.
4.10.1 Comando de Gatilho dos Mosfet’s
Conforme dito anteriormente, o circuitos de comando de
gatilhos dos Mosfet’s devem considerar um resistor previamente
conectado no seu terminal de gate. Para dimensionar tal componente,
72
deve-se inicialmente definir um pulso de corrente , dado pela
Expressão (112) (BARBI, 2003).
V
I g Ciss (112)
t
O conversor deve levar a tensão de gate-emissor de 0V até 12V,
em . Através do datasheet do IRF3205, que é o Mosfet a ser
utilizado tem-se que , logo substituindo tais valores na
Expressão (112), define-se um pulso de corrente realizado pelo Mosfet:
12 0
I g 3, 247n 0,56 A (113)
65n 0
Logo, com um pulso de corrente definido através da Equação
(113), é possível determinar a resistência a ser ligada no gate do Mosfet,
conforme a Equação
tf 65 109
Rg Rg 9,09 (114)
2, 2 Ciss 2, 2 3, 247 109
Denominando um valor comercial para resistor, opta-se por
utilizar .
4.11 SISTEMA DE CONTROLE
O controle para o conversor escolhido é um controle em modo
de corrente, onde é atuante em função do pico de corrente no primário
do transformador de potência. O controle é implementado com o circuito
integrado UC3846 da Texas Instruments, que também é responsável por
gerar dois sinais de saídas defasados em 180°.
4.11.1 Diagrama de Blocos
O diagrama de blocos com o sistema de controle aplicado ao
conversor é apresentado na Figura 20. Por esta figura, nota-se que o
controle é aplicado apenas à corrente do primário do transformador.
73
5.1V
Oscilador
Vref Corrente no
R1 Ampop PWM primário do
0,5V
Comparador R transformador
Vamp d I/d
Verror
Pot S Q Planta
Filtro Passa-Baixas Vshunt I
3x
Vfeed Gshunt
Figura 20 - Circuito de controle.
Fonte: Do autor.
Na Figura 20, através de um resistor Shunt, uma amostra de
corrente no primário do transformador é obtida, obtendo então um sinal
de tensão denominado como , conforme mostra a seguinte
equação
Vshunt I Gshunt (115)
Antes da tensão ser comparada com a referência de
tensão, esse sinal passa por um filtro passa-baixas para a remoção de
ruídos de chaveamentos que possam levar ao mal funcionamento do
circuito de controle. Após a filtragem, é multiplicada por três,
denominando a tensão de feedback , conforme mostra a equação
(116). Essa multiplicação nada mais é que um ganho interno do CI que
irá ser utilizado e explicado posteriormente. Essa tensão de feedback é
aplicado na entrada inversora do comparador interno do CI.
V feed Vshunt 3 (116)
O CI em uso gera uma tensão de 5.1V ao ser alimentado.
Utiliza-se essa tensão sobre um divisor resistivo entre um resistor e um
potenciômetro. A queda de tensão sobre o potenciômetro é aplicada na
entrada não inversora do AmpOp, onde o mesmo atua como buffer, ou
seja, a tensão na saída do AmpOp é a mesma que a tensão aplicada na
entrada não inversora, conforme mostra a equação (117)
74
5.1 Pot
Vamp (117)
R1 Pot
A tensão presente no terminal do AmpOp é subtraída por uma
tensão de – 0,5V, sendo essa queda de 0,5V presente internamente no CI
em uso. Com isso a tensão de referência que é aplicada na entrada
não inversora do comparador é dado pela equação (118).
5.1 Pot (118)
Vref Vamp 0,5 Vref 0,5
R1 Pot
Contudo, na entrada inversora do comparador tem-se tensão de
feedback e na não inversora o sinal de referência, fazendo a saída do
comparador ir a nível lógico baixo sempre que o sinal de feedback for
maior ou igual ao sinal de referência. O sinal de saída do comparador é
usado na lógica que gera os sinais de comando das chaves, e toda vez
que o sinal de saída do comparador vai a nível lógico baixo, o comando
da chave que está em condução é removido, interrompendo a corrente
nesse componente.
O Oscilador presente na Figura 20 indica a frequência fixa de
comutação que é definido através da seguinte Expressão:
2,2
fT (119)
CT RT
Onde fixando em 4,7nF, e adotando uma frequência de
100kHz ( somatório de frequência dos dois interruptores), tem-se o valor
de :
2,2 2,2 (120)
fT RT 4,7k
CT RT 100k 4,7
4.11.2 Analise do UC3846
O controlador selecionado para este conversor foi o UC3846,
ele controla por modo de corrente, conforme já comentado
anteriormente. Seu diagrama de blocos é apresentado através da Figura
21. Este CI é largamente utilizado em conversores do modelo Push-Pull,
pois dentre de suas principais características possui um sistema de
75
correção de simetria automática no acionamento dos interruptores,
fazendo com que os sinais emitidos as chaves possuam o mesmo tempo
de comutação.
Conforme explicado anteriormente, o controle irá atuar tendo
um sinal de referência que pode ser modificado de acordo com a
resistência configurada no potenciômetro. Esse sinal de referência irá
entrar na entrada inversora do comparador e irá ser comparada com a
leitura de tensão do resistor Shunt, onde essa leitura é amplificada por 3
gerando então a tensão de feedback. Essa tensão de feedback ao alcançar
a tensão de referência, faz com que o sinal de saída do comparador ir a
nível lógico baixo, fazendo com que o comando da chave que está em
condução seja removido, interrompendo a corrente nesse componente.
Figura 21 - Diagrama de bloco do controlador UC3846.
Fonte: Datasheet UC3846
Conforme a Figura 21, o CI UC3846 já fornece uma referência
de 5.1V necessária para o controle. Assim, o sistema compreende o
controlador, os capacitores e resistores do circuito de controle.
Considera-se um filtro RC na entrada do sensor de corrente, buscando
suprimir possíveis ruídos provenientes do mesmo.
76
A proteção por sobrecorrente é obtida através do pino 1 do
controlador, onde um divisor resistivo define este limite. Seguindo o
datasheet do UC3846, esse divisor resistivo é dado pela equação (121),
onde define-se um pico de corrente máximo de 400A:
Ry Vref
0,5
Rx Ry
imax 400 A (121)
3 Rsensor
No conversor a ser implementado, o valor do Shunt é de
, com isso, através da equação acima define-se
, e , . Assim, o circuito do controlador é
ilustrado através da Figura 22.
Figura 22 - Circuito do controlador.
V_pot
Vin
2
U1
VREF
15 13 ComandoTop
Vin VIN V_C
R_SY NC ComandoBottom
Cc 10 11
100p 9 SY NC OUTA
0 CT 8 RT 14
V_Sensor 3 CT OUTB
R5 0 Rx
4 CS-
CS+ 10k
1
10k 5 CL_START
C3
100p 6 ERR+ 16
ERR- SHUT Ry
V_pot 7
0
GND
COMP 8.2k
C4 10k
Value = 15k 100p UC3846
12
Potenciometro
0 0
Fonte: Do autor.
4.12 CIRCUITO SNUBBER
Os Snubbers são pequenos circuitos inseridos em conversores
estáticos de potência, cuja função é controlar os efeitos produzidos pelas
77
reatâncias intrínsecas do circuito. Estes podem amortecer oscilações,
controlar a taxa de variação da tensão e ou corrente, e grampear sobre
tensões (TODD, 2001).
Se o Snubber for realizado de forma adequada, os
semicondutores apresentarão uma menor dissipação de potência média e
picos menores de tensão, corrente e potência dissipada. Com isso, resulta
em maior confiabilidade do sistema, maior eficiência, menor peso e
volume, e menor interferência eletromagnética (EMI).
Logo, torna-se necessário dimensionar o Snubber para os diodos
de saída, e para os interruptores de entrada.
4.12.1 Snubber nos Diodos de Saída
Devido a recuperação reserva e a indutância de dispersão do
transformador, indica-se a utilização de um circuito RCD de Snubber
para os diodos de saída.
A potência presente no Snubber, é expressa através da
Expressão (122) (TODD, 2001), onde trata-se da tensão reversa
máxima, capacitor que irá ser utilizado no Snubber e a frequência
de chaveamento adotada pelo conversor em questão.
1
Psnubber VCs 2 Cs f s (122)
2
Através da Expressão (122), nota-se que é necessário calcular o
valor da capacitância do capacitor que irá ser utilizado no Snubber, para
isso, utiliza-se a seguinte Expressão:
t
Cs I (123)
Vcs
Onde I é a corrente máxima que circula no diodo, é o tempo
de subida da tensão no interruptor, onde seu valor é de 101ns, e éa
tensão reversa máxima sobre o diodo. Logo, substituindo os valores na
Expressão (123), obtém-se então o valor do capacitor que irá ser
utilizado, conforme mostra a Equação (124).
101
Cs 53 56 F (124)
96
78
Com o valor do capacitor definido, logo é possível definir o
resistor do Snubber, conforme mostra a Equação (125).
0,1 0,1 (125)
Rs Rs 36
Cs f s 56 50k
Logo, substituindo os valores na Expressão (122), é possível
determinar as perdas sobre o Snubber.
1
PSnubber 962 56 50k 12,90W (126)
2
4.12.2 Snubber nos Interruptores de Entrada
Para o Snubber dos interruptores de entrada, também opta-se
por utilizar um modelo RCD, logo utiliza-se os as mesmas equações
presente no subcapitulo anterior para definir os componentes que serão
utilizados no Snubber.
Para definir o valor do capacitor utiliza-se a Expressão (123),
onde conforme já especificado, I trata-se da corrente máxima que circula
pelo componente, , é o tempo de subida da tensão no interruptor,
onde seu valor é de 101ns, e a tensão máxima sobre o interruptor,
logo o valor máximo do capacitor do Snubber é dado através da Equação
(127).
101
Cs 100 336 F (127)
24
Com o valor do capacitor definido, logo é possível definir o
resistor do Snubber, conforme mostra a Equação (128).
0,1 0,1 (128)
Rs Rs 6
Cs f s 420 50k
Logo, substituindo os valores na Expressão (122), é possível
determinar as perdas sobre o Snubber.
79
1
PSnubber 242 420 50k 6,05W (129)
2
80
5 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO
Neste capítulo serão apresentadas as principais formas de ondas
presentes nos componentes, onde através destas é possível comprovar os
cálculos realizados previamente no capítulo 4. Os circuitos utilizados na
simulação encontram-se presentes nas Figura 23 e Figura 24, onde na
Figura 23 tem-se a estrutura do conversor a ser simulado, e na Figura 24
o circuito do controlador utilizado.
O projeto trata-se de um conversor Push-Pull que tem como
fonte de entrada uma bateria de 12V, sendo necessária uma corrente
constante para garantir uma maior vida útil da mesma. Como o
conversor possuí uma elevada corrente, tanto de entrada como de saída,
através dos cálculos optou-se pelo uso de 3 interruptores em paralelo no
lado do primário do conversor, e 3 diodos cada em paralelo no lado
secundário.
O transformador em uso no conversor é um elevador, tendo uma
relação de 1 para 4. Os valores a serem utilizados na simulação nos
enrolamentos do transformador, são os mesmos obtidos na prática,
assim, tem-se uma melhor precisão nos valores práticos.
Como característica de saída, optou-se por explorar uma
potência de 500W, onde com a carga nominal RL presente na Figura 23,
tem-se uma corrente elevada de 100A, suficientemente capaz de gerar o
arco elétrico para realizar a solda.
Para o circuito do controlador presente na Figura 24, optou-se
pelo uso do controlador UC3846, onde o mesmo possuí uma tensão de
referência de 5.1V. Obtém-se um sinal de tensão através da leitura de
corrente em um resistor Shunt presente no primário do transformador,
esse sinal é comparado com a tensão em cima do divisor resistivo, onde
através de um potenciômetro, é capaz de controlar a corrente de saída.
Para se ter uma melhor leitura do conversor em questão, é
necessário retirar as suas principais formas de ondas, onde essas são
apresentadas através dos seguintes subcapítulos.
81
Figura 23 - Circuito a ser simulado.
CsTop
RsBot1
470n
D_SnubberTop1
M5
IRF3205
10
C_SnubberTop
56n
R_SnubberTop
D_SnubberTop
M3 Vtop
IRF3205
D7
35
D8
D9
D10
M1 Vtop 30D100B
IRF3205
30D100B
Lo
30D100B
13u
RL
L2 0.05
L3 K K1 204u
13uK_Linear
Vtop 1
Vin
204u
Cin Vbottom L4
12 L1 D11
120u 13u
D12
IRF3205
0 Vin 0 D13
30D100B
D_SnubberBottom
Vbottom 30D100B
M2 30D100B
V_Sensor
IRF3205
R_SnubberBottom
Shunt Vbottom 33
M4
1.5m
IRF3205
56n
0
D_SnubberBottom1
C_SnubberBottom
M6
CsBot
470n
RsBot
10
Fonte: Do autor.
82
Figura 24 - Circuito de controle.
V_pot
Vin
2
U1
VREF
15 13 ComandoTop
Vin VIN V_C
R_SY NC ComandoBottom
Cc 10 11
100p 9 SY NC OUTA
0 CT 8 RT 14
V_Sensor 3 CT OUTB
R5 0 Rx
4 CS-
CS+ 10k
1
10k 5 CL_START
C3
100p 6 ERR+ 16
ERR- SHUT Ry
V_pot 7
0
GND
COMP 8.2k
C4 10k
Value = 15k 100p UC3846
Potenciometro 12
0 0
Fonte: Do Autor.
5.1 TENSÃO E CORRENTE DE ENTRADA
A Figura 25, na parte superior mostra a tensão de entrada, onde
a mesma por se tratar de uma bateria, possui uma tensão constante de
Já na parte inferior da Figura 25 é ilustrado a corrente que é
drenado da fonte. Pela configuração do circuito, é possível notar que o
a corrente da fonte é a mesma que circula pelo resistor Shunt em uso,
onde sua corrente de patamar é de 410A. O pico de corrente de 900A é
ocasionado devido a recuperação reversa do diodo presente no
secundário.
83
Figura 25 - Tensão de entrada do conversor.
16V
12V
8V
4V
0V
Tensão de Entrada
900A
750A
600A
450A
300A
150A
0A
2.040ms 2.050ms 2.060ms 2.070ms
Corrente de Entrada
Fonte: Do autor.
5.2 TENSÃO DE SAÍDA
A tensão e a corrente de saída são ilustradas através da Figura
26. Nota-se que, as formas de onda apresentadas estão de acordo com as
especificações do projeto, onde a corrente de saída possuí um valor de
e a tensão de . É possível observar também que há
uma baixa ondulação, sendo inferior a 10% em ambas as medições,
estando dentro da especificação do projeto.
84
Figura 26 - Tensão e corrente de saída do conversor.
5.2V
5.0V
4.8V
Tensão de saída
105A
100A
95A
2.040ms 2.050ms 2.060ms 2.070ms
Corrente de saída
Fonte: Do Autor
5.3 INTERRUPTORES DE ENTRADA
A Figura 27 apresenta a tensão e a corrente presente nos
interruptores de entrada. Como são utilizados 3 interruptores em paralelo
do modelo IRF3205, a corrente em cada um é 1/3 do valor total do
enrolamento primário, que será esboçado posteriormente. Conforme
demonstra a Figura 27, a corrente elétrica possuí uma corrente máxima
de O pico de corrente é proveniente da recuperação
reversa do diodo presente no secundário.
Quando se trata da tensão elétrica, como os interruptores estão
em paralelo, a tensão é a mesma para todos, possuindo um valor médio
de tensão similar à entrada .
85
Figura 27 - Tensão e corrente nos interruptores de entrada.
25V
20V
15V
10V
5V
0V
Tensão no Interruptor Superior Tensão no Interruptor Inferior
300A
250A
200A
150A
100A
50A
0A
2.040ms 2.050ms 2.060ms 2.070ms
Corrente no Interruptor Superior Corrente no Interruptor Inferior
Fonte: Do autor.
A Figura 28 ilustra a corrente eficaz e média que circula sobre
os interruptores, onde a corrente eficaz está em torno de
, e a corrente média .
86
Figura 28 - Corrente eficaz e média sobre os interruptores de entrada.
50A
40A
30A
20A
10A
0A
Corrente Eficaz no Interruptor
20A
15A
10A
5A
0A
2ms 4ms 6ms 8ms 10ms
Corrente Média no Interruptor
Fonte: Do autor.
5.4 ENROLAMENTOS DO TRANSFORMADOR
5.4.1 Primário do Transformador
A Figura 29 ilustra a tensão e a corrente presente no primário do
transformador. A tensão apresenta um valor de aproximadamente 11V,
estando um pouco abaixo da esperada devido à presença de uma
resistência interna da bateria, mas ainda estando dentro das
especificações do projeto. Já a corrente que circula no primário do
transformador, conforme dito anteriormente no subcapítulo 5.3,
apresenta um valor de pico de 410A, ou seja, 3 vezes superior que a
corrente em cada interruptor.
87
Figura 29 - Tensão e corrente no primário do transformador.
15V
10V
5V
0V
-5V
-10V
-15V
Tensão no Enrolamento Superior Tensão no Enrolamento Inferior
900A
750A
600A
450A
300A
150A
0A
2.040ms 2.050ms 2.060ms 2.070ms
Corrente no Enrolamento Superior Corrente no Enrolamento Inferior
Fonte: Do autor.
A corrente eficaz e média do primário do transformador é
ilustrado através da Figura 30, onde a corrente eficaz ,e
a corrente média . Nota-se que os valores encontrados
para a corrente média e eficaz são 3 vezes o valor encontrado para os
interruptores. Esses tiveram uma pequena divergência comparada ao
calculado, mas permanecem no limite de até 10% de variação.
88
Figura 30 - Corrente eficaz e média sobre o enrolamento primário.
150A
120A
90A
60A
30A
0A
Corrente Média no Enrolamento Primário
50A
40A
30A
20A
10A
0A
2ms 4ms 6ms 8ms 10ms
Corrente Média no Enrolamento Primário
Fonte: Do autor.
5.4.2 Secundário do Transformador
A Figura 31 mostra a tensão e a corrente presente no secundário
do transformador. A tensão presente no secundário do transformador
apresenta um valor de 44V, tendo uma variação menor que 10%. A
corrente que circula no secundário do transformador apresenta um valor
de pico de aproximadamente 100A.
89
Figura 31 - Tensão e corrente no secundário do transformador.
45V
30V
15V
0V
-15V
-30V
-45V
Tensão no Enrolamento Superior Tensão no Enrolamento Inferior
160A
120A
80A
40A
0A
-40A
2.04ms 2.05ms 2.06ms 2.07ms 2.08ms
Corrente no Enrolamento Superior Corrente no Enrolamento Inferior
Fonte: Do autor.
A corrente eficaz e média do secundário do transformador é
ilustrado através da Figura 32, onde a corrente eficaz ficou em torno de
, e a corrente média . Os valores obtidos
estão de acordo com o projetado.
90
Figura 32 - Corrente eficaz e média em sobre o enrolamento secundário.
80A
70A
60A
50A
40A
Corrente Eficaz no Enrolamento Secundário
80A
70A
60A
50A
40A
2ms 4ms 6ms 8ms 10ms
Corrente Média no Enrolamento Secundário
Fonte: Do autor.
5.5 DIODOS DE SAÍDA
A Figura 33 apresenta a tensão e a corrente presente nos diodos
de saída. Vale destacar, que como está sendo utilizado três diodos em
paralelo, logo a corrente de saída total seria 3 vezes o valor apresentado
na Figura 34. A tensão máxima presente nos diodos de saída encontra-se
em torno de . Estando abaixo do calculado, devido à
queda de tensão proveniente da resistência interna da bateria. Devido a
essa queda, a tensão no enrolamento primário ficou em torno de 11V,
onde se recalculasse a nova tensão máxima sobre o diodo, seria de
. Para o projeto, como o fator mais importante é a
corrente de saída, logo, a queda de tensão sobre o diodo quanto menor,
melhor, pois evitaria uma possível queima do componente e não
prejudicaria o funcionamento do conversor.
91
A corrente instantânea medida é cerca de 34A, e o pico de
corrente presente na forma de onda é proveniente da recuperação reversa
do diodo.
Figura 33 - Tensão e corrente nos diodos de saída.
90V
75V
60V
45V
30V
15V
0V
Tensão sobre o Diodo Superior Tensão sobre o Diodo Inferior
60A
50A
40A
30A
20A
10A
0A
2.040ms 2.050ms 2.060ms 2.070ms
Corrente sobre o Diodo Superior Corrente sobre o Diodo Inferior
Fonte: Do autor.
A corrente eficaz e média sobre cada diodo de saída são
demonstrados através da Figura 34. Como explicado anteriormente, esse
valor nada mais é que a corrente total dividida por 4, que é o número de
diodos em paralelo, onde a corrente eficaz ficou próximo de
, e a corrente média em torno de .
92
Figura 34 - Corrente eficaz e média em sobre os diodos de saída.
25A
20A
15A
Corrente Eficaz em Cada Diodo de Saída
25A
20A
15A
2ms 4ms 6ms 8ms 10ms
Corrente Média em Cada Diodo de Saída
Fonte: Do autor.
5.6 INDUTOR DE SAÍDA
A tensão e a corrente elétrica sobre o indutor de saída são
apresentadas através da Figura 35. A ondulação de corrente sobre o
indutor está de acordo com o que foi considerado nos cálculos, estando
dentro do padrão do conversor dimensionado. A tensão sobre este
também se comportou de forma esperada.
93
Figura 35 - Tensão e corrente no indutor de saída
40V
30V
20V
10V
0V
-10V
Tensão sobre o Indutor de Saída
105A
100A
95A
2.040ms 2.050ms 2.060ms 2.070ms
Corrente sobre o Indutor de Saída
Fonte: Do autor.
A Figura 36 ilustra a corrente eficaz e média sobre o indutor,
onde estas apresentaram um valor , estando
muito próximo do valor previamente estipulado, que é de 100A.
94
Figura 36 - Corrente eficaz e média em sobre o indutor de saída.
105A
100A
95A
Corrente Eficaz no Indutor de Saída
105A
100A
95A
2ms 4ms 6ms 8ms 10ms
Corrente Média no Indutor de Saída
Fonte: Do autor.
5.7 TEÓRICO X SIMULADO
Para se ter uma noção entre os valores calculados e os valores
obtidos através da simulação, a Tabela 7 mostra uma comparação esses.
95
Tabela 7 - Comparação entre os valores teóricos x simulado.
Teórico Simulado Diferença %
Elemento
I rms (A) I med (A) I rms (A) I med (A) I rms (A) I med (A)
Interruptor 33,33 8,33 36,65 11,50 9,95 38,00
Diodo de Saída 17,67 16,67 18,00 17,00 1,87 2,00
Indutor de Saída 100,00 100,00 99,80 99,80 0,20 0,20
Primário Transformador 100,00 25,00 110,00 34,50 10,00 38,00
Secundário do Transformador 53,03 50,00 54,00 50,00 1,83 0,00
Vale lembrar que os valores obtidos teoricamente, tratando-se
dos interruptores e dos diodos de saída, são os valores totais, onde na
Tabela 7 já foram transformados na configuração do conversor a ser
montado, logo a corrente total do interruptor é dividida pelo número de
interruptores em paralelo a ser utilizado, que no caso 3. O mesmo ocorre
com os diodos de saída, como são utilizados 4 diodos, logo a corrente
total previamente calculada é dividida pela quantidade de diodos em
paralelo, onde nesse caso é 4.
Nota-se que as correntes médias e eficaz tanto dos interruptores
quanto do enrolamento primário, apresentaram valores diferentes aos
obtidos teoricamente. Isso ocorreu devido a presença do pico de corrente
ocorrido devido à recuperação reversa do diodo presente no secundário.
Contudo, é possível notar que os valores teóricos e os obtidos
por simulação estão bem próximos, onde possuem poucas variações,
validando assim a metodologia do projeto e obtendo uma maior
confiança para a montagem do protótipo em laboratório.
96
6 IMPLEMENTAÇÃO E RESULTADOS EXPERIMENTAIS
Esse capítulo abordará os resultados experimentais do projeto,
trazendo resultados providos de uma estrutura física composta por uma
carga, por toda a estrutura eletrônica e pelos elementos magnéticos
construídos para o protótipo.
Para os resultados experimentais, optou-se por utilizar ¼ da
potência nominal de entrada do conversor, pois assim seria possível
utilizar uma única fonte para validar a funcionalidade do mesmo.
Primeiramente são apresentados os circuitos eletrônicos
implementados, seguindo com os resultados experimentais obtidos, e por
fim o capítulo é encerrado com as conclusões da implementação do
dispositivo.
6.1 CIRCUITOS ELETRÔNICOS IMPLEMENTADOS
As Figuras Figura 37 e Figura 38 apresentam respectivamente a
vista superior e lateral do protótipo. Ele pode ser dividido em
basicamente duas placas, a de potência e a de controle.
Figura 37 - Visão superior do protótipo.
Indutor de Saída Transformador Placa de Controle
Snubber de Saída Snubber de Entrada
Fonte: Do autor.
97
Figura 38 - Vista lateral do protótipo.
Diodos de Saída Capacitores de Interruptores de Entrada
desacoplamento
Fonte: Do autor.
6.1.1 Unidade de Potência
A unidade de potência consiste em um conversor CC-CC Push-
Pull, onde no lado do primário do transformador é composto por 14
capacitores de desacoplamento de 10uF em paralelo, totalizando 140uF
de capacitância, três interruptores em paralelo e seu respectivo Snubber
RCD, e 10 resistores Shunt em paralelo de totalizando uma
resistência ôhmica de 1,5m . Já o secundário do transformador possuí
3 diodos em paralelo com seu respectivo Snubber RCD, indutor de saída
e conexão para acoplar a carga. A Figura 39 apresenta o esquema
parcial da placa de potência, com os detalhes citados acima.
98
Figura 39 - Unidade de potência.
Fonte: Do Autor
6.1.2 Unidade de Controle
A unidade de controle, conforme especificado anteriormente,
optou-se por utilizar o controlador UC3846, onde o controle é feito
através da leitura de corrente sobre o shunt no primário do
transformador, este valor é comparado com um divisor resistivo entre
99
um resistor e um potenciômetro, onde a tensão sobre estes provem da
própria tensão de referência do CI (5,1V). Esta unidade é responsável
por jogar sinal ao gate dos interruptores, onde maiores detalhes já foram
discutidos previamente no subcapítulo 4.11.2.
Figura 40 - Unidade de controle.
Fonte: Do Autor.
6.2 RESULTADOS EXPERIMENTAIS
Visando analisar a operação do conversor proposto de forma
numérica, é necessário implementa-lo em forma de protótipo para
realizar testes e validar os resultados numéricos em bancada.
Para os testes em bancadas, optou-se por utilizar uma fonte de
tensão CC modelo FCCT 400-10-I da Supplier, onde suas principais
características técnicas são:
Potência - 4 kW;
Tensão Máx - 100V;
Corrente Máx – 40A;
Isolação em alta frequência.
De acordo com as condições nas quais os resultados foram
obtidos em bancada, tem-se os seguintes parâmetros:
100
6.2.1 Tensão e Corrente de Entrada
Conforme dito anteriormente, a tensão e a corrente de entrada é
um dos pontos mais importantes do projeto, pois por se tratar de uma
bateria, no protótipo final a corrente drenada da mesma deve ser
constante, garantindo assim uma maior vida útil.
A Figura 41 mostra a corrente e a tensão mensuradas na fonte,
onde é possível notar que a corrente eficaz permanece constante com um
valor de , já a tensão há pequenas variações e isso ocorre
devido a indutância de dispersão do transformador. É possível melhorar
esse sinal inserindo uma maior capacitância em paralelo à fonte.
Considerando a tensão eficaz medida de 9,93V, pode-se então considerar
uma potência de entrada de , sendo aproximadamente ¼ da
nominal prevista para o conversor.
Figura 41 - Tensão e corrente de entrada.
Fonte: Do autor.
6.2.2 Enrolamentos do Transformador
6.2.2.1 Primário
A tensão nos enrolamentos do primário encontra-se presente na
Figura 42. Nota-se que a forma de onda em questão possui um pico de
101
tensão logo quando os interruptores deixam de conduzir, isso ocorre,
pois o tempo de descarga da capacitância interna do interruptor está
muito rápido, onde para reduzir esse pico deve-se aumentar o resistor de
gate do interruptor, tornando-o mais lento e por consequência reduzindo
a sobretensão. Inicialmente os interruptores em uso estavam utilizando
um resistor de gate de previamente calculado na área de
projeto, o que levava à uma sobretensão de quase o dobro da atual.
Visando melhorar tal situação optou-se por aumentar o resistor de gate
do interruptor para , reduzindo o pico de tensão para a
condição atual.
É possível notar também na Figura 42, que a forma de onda não
está de acordo com a simulada, tendo uma aparência arredondada, isso
ocorre devido a indutância de dispersão presente no enrolamento
primário do transformador, das indutâncias parasitas na trilha da placa e
possivelmente nas conexões da placa. Isso pode ser ajeitado inserindo
capacitores de desacoplamento no circuito.
Levando em consideração apenas o patamar de tensão
alcançado, nota-se que o enrolamento do primário alcança um valor
próximo de .
Figura 42 - Tensão nos enrolamentos do primário.
Fonte: Do autor.
102
6.2.2.2 Secundário
Conforme descrito no projeto previamente calculado, o
transformador em uso é de 1:4, logo a tensão que deve ser apresentada
no patamar secundário deve ser quatro vezes o valor obtido no
enrolamento primário.
É possível observar na Figura 43, que a tensão de patamar no
secundário alcançou um valor máximo muito próximo à quatro vezes a
tensão lida no primário, que era de aproximadamente 11,7V, sendo esses
valores de 49,6V e o outro enrolamento 52,0V.
Nota-se que há uma diferença na tensão lida nos dois
enrolamentos, isso ocorre devido ao desbalanceamento/não idealidade
nos enrolamentos, o que pode ocasionar tensões diferentes em cada
ponto de leitura.
Figura 43 - Tensão nos enrolamentos do secundário.
Fonte: Do autor.
A Figura 44 mostra a corrente e a tensão no secundário do
transformador, onde a corrente lida está de acordo com o funcionamento
do conversor previsto no capitulo 2.2, possuindo uma corrente máxima
de 14,4A, corrente eficaz de 6,76A e média de 3,61A. Lembrando que
essa corrente é a mesma que circula nos diodos de saída, porém dividida
por três devido ao paralelismo dos componentes.
103
Figura 44 - Tensão e corrente no secundário.
Fonte: Do autor.
6.2.3 Interruptores de Entrada
Conforme detalhado anteriormente, a tensão é nula quando o
interruptor encontra-se em condução. Quando os interruptores
encontram-se em aberto, a tensão sobre a interruptor é idêntica a
tensão de entrada Durante a condução do outro interruptor , a
tensão sobre o interruptor em análise dobra, passando de para
. Como demonstra a Figura 45, o comportamento da tensão lida
nos interruptores é igual ao descrito acima. Inicialmente quando o
interruptor está conduzindo a tensão sobre ele é zero, quando ele abre, a
tensão sobre o mesmo é , e quando o outro interruptor entra
em condução, a tensão sobre o mesmo é de .
Nota-se que o mesmo pico de tensão encontrado no primário do
transformador também encontra-se presente no interruptor. Conforme
explicado anteriormente, esse pico de tensão ocorre quando os
interruptores encontram-se em aberto, onde para reduzi-lo, basta
aumentar o resistor de gate.
104
Figura 45 - Tensão sobre os interruptores.
Fonte: Do autor.
6.2.4 Diodos de Saída
A Figura 46 mostra a tensão elétrica sobre os diodos de saída.
A tensão sobre o diodo é existente apenas na terceira etapa de
operação do conversor, quando o mesmo não está em condução e a
tensão sobre este será a tensão dos dois enrolamentos secundários em
série, ou seja, o somatório da tensões dos secundários e sua corrente é
idêntica à corrente do enrolamento secundário , porém, como possui
três diodos em paralelo, será a corrente em cada diodo de 1/3 da corrente
do enrolamento secundário.
Conforme mostra a Figura 46, a tensão presente nos diodos é
praticamente o dobro da tensão de patamar do secundário, confirmando
a teoria descrita acima.
Devido à disposição do circuito, a corrente sobre os diodos é 1/3
do valor de corrente lido no secundário do transformador apresentado na
Figura 44, pois como há 3 diodos em paralelo, a corrente total é dividida
por 3.
105
Figura 46 - Tensão sobre os diodos do secundário.
Fonte: Do autor.
6.2.5 Tensão e Corrente de Saída
A Figura 47 mostra as formas de onda da corrente e tensão
presente na carga. A corrente está com um funcionamento adequado,
porém a tensão já demonstra um comportamento atípico. Isso ocorre,
pois, o indutor em uso foi projetado para operar na nominal prevista no
projeto, e como esse está trabalhando abaixo da nominal, não consegue
atuar de forma adequada reduzindo a oscilação de tensão na carga.
A corrente medida na carga possui uma amplitude de 28,6 A,
corrente eficaz de 17 A. Já a tensão possui um valor máximo de 12 V, e
eficaz de 15,6 V. Com os valores eficazes, é possível calcular a potência
de saída, onde foi denominada em .
106
Figura 47 - Corrente e tensão de saída.
Fonte: Do autor.
Nota-se que a tensão de saída não possui um comportamento
resistivo, ou seja, a tensão não acompanha a forma de onda da corrente
elétrica. Esse comportamento pode ocorrer devido a uma indutância
presente na carga, onde para comprovar essa teoria, mede-se através de
uma ponte RLC, a indutância sobre a resistência utilizada, conforme
mostra a Figura 48. Com as medições realizadas, obteve-se um valor de
indutância de 5,95uH, onde o mesmo é superior ao valor de indutância
do indutor de saída. Esse resultado comprova que a carga não é
puramente resistiva, confirmando a teoria proposta acima e explicando a
diferença entre as formas de onda de tensão e corrente na carga.
107
Figura 48 - Medições na carga com a ponte RLC.
Fonte: Do Autor.
6.2.6 Indutor de Saída
A tensão sobre o indutor de saída é demonstrada através da
Figura 49. Sabe-se que, por se tratar de um indutor e por estar em regime
permanente, sua tensão média é zero. Levando em consideração as
etapas de funcionamento do conversor já previstas no capítulo 2.2, na
primeira e terceira etapas a tensão sobre o mesmo é positiva ( ),
onde nesse caso, obteve-se uma tensão máxima de 24,8V. Já na segunda
e quarta etapa de operação essa tensão é negativa ( ), onde nesse caso
alcança um valor negativo de -13,2V.
O indutor por estar em série com a carga, sua corrente média
( ) é a própria corrente média de saída que já foi demonstrado
anteriormente no subcapitulo 6.2.5.
108
Figura 49 - Tensão sobre o indutor de saída.
Fonte: Do autor.
109
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A soldagem é, certamente, o meio mais barato, importante e
versátil de união entre os materiais metálicos. O progresso alcançado no
campo da soldagem, bem como o desenvolvimento de processos e
tecnologias avançadas nos últimos anos, é de fundamental importância
para a continuidade do desenvolvimento e progresso industrial.
Atualmente existem dois principais métodos de soldagem para empregar
em locais distantes de redes elétricas, um deles é através de soldagem à
oxigás e o outro através do arco elétrico. Ambos os processos são
eficientes, porém, para a nossa aplicação, optou-se por utilizar à arco
elétrico, que além de ser um procedimento mais seguro, é também mais
eficaz do que a gás. Um ponto muito importante é a escolha da fonte de
energia que irá ser utilizada na máquina a arco elétrico.
Para o trabalho em questão, foi abordado o desenvolvimento de
um conversor CC-CC Push-Pull, onde o mesmo foi projetado para ser
uma fonte de energia alimentada por baterias para soldagem com
eletrodos revestidos. O projeto em si apresentou muita dificuldade em
termos de dimensionamento de componentes, visto a sua baixa tensão e
alta corrente, sendo necessário fazer paralelismo de diversos
componentes do circuito, como os interruptores de entrada, capacitores
de desacoplamento e diodos de saída. Além disso, outra dificuldade em
termos dimensionamento foi a construção dos magnéticos, indutor de
saída e transformador, onde por ser alta corrente, foi necessário associar
diversos fios em paralelo para a construção dos enrolamentos o que
dificultou muito a montagem dos mesmos.
Os resultados obtidos experimentalmente e via simulação
demonstraram a validade do projeto, onde na parte experimental houve
uma pequena diferenciação em termos de formas de onda quando
comparadas com os resultados obtidos via simulação. Isso ocorreu
devido à indutância de dispersão presente nos enrolamentos do
transformador e a indutância presente nas trilhas da placa.
Para trabalhos futuros, deixa-se em aberto a validação do
funcionamento do conversor com a implementação do filtro EMI, onde
neste foi considerado algumas grandezas, como capacitâncias parasitas,
as quais podem ser melhor calibradas através do protótipo, bem como o
desenvolvimento de um sistema de controle mais preciso, possibilitando
controlar a corrente de saída independente da carga.
110
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113
APÊNDICE A - FILTRO EMI
Existem duas maneiras de ocorrer interferências por
radiofrequências em projetos de fontes chaveadas. Uma é por irradiação
direta, a outra é por condução, que ocorre através dos terminais de
entrada e de saída.
As radiações externas podem ser reduzidas, colocando-se a
fonte dentro de uma caixa metálica, ou seja, blindando-a, porém, essa
caixa metálica utilizada como blindagem deve ser devidamente
perfurada para permitir a evacuação de calor.
Já a outra opção, que é o caso a ser considerado no conversor a
ser projetado, são as interferências que são transmitidas pelos terminais
que são mais difíceis de serem suprimidas. A pior das hipóteses nesse
caso, é a interferência que a fonte produz nos terminais de entrada, que
acabam se propagando para os outros equipamentos, podendo provocar
ruídos e um mau funcionamento do conversor.
Considerando então essa última situação, deve-se projetar um
filtro capaz de suprir esse defeito, onde o mesmo tem a estrutura
presente na.
Figura 50 - Filtro EMI padrão.
L2
+ Vout
Cy
L1
Vin Cx
Cy
L1
- Vout
L3
Fonte: Do autor.
Contudo, necessita-se dimensionar os componentes presente no
filtro da Figura 50. Para isso, considera-se a frequência de chaveamento
na terceira harmônica. Os próximos subcapítulos, irá ser realizado os
cálculos necessários para o dimensionamentos dos mesmos.
114
A.1 TENSÃO ELÉTRICA NA TERCEIRA HARMÔNICA
Sabe-se com a comutação do transistor resulta num
aparecimento de uma tensão alternada em relação ao terra, conforme
demonstra a forma ilustrada na Figura 51.
Figura 51 - Tensão em relação ao terra.
T/2
VC
E/2
-E/2
Fonte: Do autor.
Retira-se os coeficientes da tensão presente na Figura 51,
utilizando a série de Fourier, conforme demonstra a Expressão (130).
1
Vn 2 Vin 2 sen2 n sen(n f ) (130)
n f 2
2
Considera-se a terceira harmônica para realizar o
dimensionamento do filtro EMI, com isso, tem-se que:
Seguindo exemplos de bibliografias, estipula-se o tempo de
subida do Mosfet em =35ns, com isso, define-se a tensão na terceira
harmônica. Substituindo os valores na Expressão (130), define-se então
esse valor através da Equação (131).
1 (131)
V3 2 12 2 sen2 3 sen(3 150k 35n) 2,54 V
3 150k 35n 2
2
115
A.2 NÍVEL DE INTERFERÊNCIA
Para o projeto em questão, estipula-se uma capacitância parasita
entre os Mosfet’s e o dissipador de . Inicialmente, deve-se
encontrar a reatância em que esse capacitor oferece na terceira
harmônica. Essa reatância é denominada através da Equação (132).
1 1
X C3 X C3 21, 22k (132)
3Cdisp 2 150k 50 p
Com a reatância capacitiva definida, é possível determinar a
corrente parasita através do capacitor na terceira harmônica que é
definido através da Equação (133).
V3 2,54
IC 3 IC 3 120 A (133)
X C3 21, 22k
Deve-se agora determinar a queda de tensão nos dois resistores
da rede artificial assoados em paralelo. Para isso, considera-se cada
resistor de 150 , com isso a queda de tensão é determinada pela
Equação (134).
R 150
VR 3 I C 3 VR 3 120 9mV (134)
2 2
É preciso encontrar em decibéis, para assim ser possível
determinar a atenuação a ser oferecida pelo filtro. Logo é
definida através da Equação (135).
V 9m dB
VR 3( dB ) 20 log R 3 VR3( dB ) 20 log 79 (135)
1V 1V V
De acordo com as normas, apenas 56dB de nível de
interferência é permitido, logo a atenuação oferecida pelo filtro é
determinada através da Equação (136).
116
dB
V3dB VR3( dB ) 56 V3dB 79 56 23 (136)
V
A.3 DIMENSIONAMENTO CAPACITOR
É necessário definir os capacitores de modo comum. Em geral,
adota-se o valor de para , para limitar as correntes de fuga para a
massa e para proteger os usuários (BARBI, 2003).
A.4 DIMENSIONAMENTO DE
O circuito equivalente para o cálculo do indutor de filtragem de
modo comum é ilustrado na Figura 52, onde, inicialmente deve-se
calcular a impedância capacitiva presente no capacitor , que é
determinada através da Equação (137).
Figura 52 - Circuito equivalente para o cálculo do indutor de filtragem
de modo comum.
C Lf Lf
a a
+ +
V3 IC3 ILf Vf IC3 ILf Vf
2Cy 2Cy
R/2=Rf R/2=Rf
- -
b b
(A) (B)
Fonte: Do autor.
1 1
X Cy X Cy 106 (137)
3 2 C y 2 150k 2 5n
Como , logo a corrente torna-se independente do
filtro de modo comum e o circuito passa a ser representado pela Figura
52 (B).
117
Para obter-se uma , é necessário encontrar a
tensão de saída adequada, que é definida através da Equação (138)
V
54 20 log O VO 631V (138)
1V
Com a de saída definida, e com o valor de resistência, encontra-
se então a corrente de saída do filtro a ser considerado através da
Equação (139).
Vf 631
If If 4, 21 A (139)
Rf 150
Como , logo, a tensão é dada pela Equação(140).
V fb X Cy IC 3 V fb 106 120 12,72mV (140)
Pelos cálculos, sabe-se que , logo, tem-se que:
V fb 0,01272
3 L f 3 L f 3024 (141)
If 4, 21
Assim, encontra-se o valor do indutor , que é denominado
através da Equação (142).
3 L3 3024
Lf Lf 3, 21mH (142)
2 f3 2 150k
A indutância de cada enrolamento do indutor será a metade de
, conforme demonstra a Equação (143).
Lf 3, 21m
L1 L1 1, 65mH (143)
2 2
118
A.5 DIMENSIONAMENTO DE
Para determinar , deve-se encontrar a corrente na frequência
de chaveamento que circula pelo mesmo. Mas para encontrar esse valor,
deve-se inicialmente encontrar a corrente de entrada da fonte, que é
denominado através da Equação (144).
Pent 500
i fonte i fonte 41, 67 A (144)
Vin 12
O valor da corrente que circula pelo capacitor é limitado em
1% da corrente de entrada da fonte, logo esta, é definida através da
Equação (145).
ICx i fonte 1% ICx 41,67 0,01 416,7mA (145)
Com a corrente definida, é possível então definir o valor da
capacitância , que é dada através da Equação (146).
I Cx 416, 7m
Cx Cx 0,1 F (146)
2 f s Vin 2 50k 12
A.6 DIMENSIONAMENTO DE
Considera-se uma queda de tensão provocada pelos
indutores associados em série, onde essa deve ser menor ou igual
a 1% da tensão de entrada . Logo, esta queda de tensão é definida
através da Equação (147).
VLin Vin 1% VLin 12 0,01 0,12V (147)
Com a queda de tensão determinada, logo é possível encontrar
os valores de , que é definido através das Equações
119
1 VLin 1 0,12
L2 L3 L2 L3 4,58nH (148)
2 2 f s i fonte 2 2 50k 41,67
Nota-se que esse valor de indutância é relativamente baixo. Isso
ocorre devido à alta frequência de operação. Logo, por ser tão baixo,
logo não há a necessidade de montagem dos indutores , onde
neste caso utiliza-se a dispersão do indutor de modo comum.
A.7 RESISTOR DE DESCARGA
Necessita-se de um resistor em paralelo ao capacitor para
descarregar a tensão elétrica armazenada no mesmo. Seu valor é
calculado através da Expressão (149).
t
RD (149)
2, 21 Cx
Considerando o tempo de descarga de , logo, define-se
esse resistor, através da Equação (150).
t 1
RD RD 4,5M (150)
2, 21 Cx 2, 21 0,1
Apesar de ter realizado todo o cálculo do filtro EMI, ele não será
implementado no projeto em questão, podendo ser utilizado em projetos
futuros em cima do conversor.
120
ANEXOS
ANEXO A - Top layer, placa de controle.
Fonte: Do Autor.
121
ANEXO B - Bottom layer, placa de controle.
Fonte: Do Autor.
122
ANEXO C - Top layer, placa de potência.
Fonte: Do autor.
123
ANEXO D - Bottom layer, placa de potência.
Fonte: Do Autor.