INSTITUTO AGRÁRIO DE MOCUBA
Módulo: FISCALIZAR RECURSOS FLORESTAIS E FAUNÍSTICOS
Código: MO AGR034009191
2° Resultado: Demonstrar compreensão sobre a conduta de um fiscal de floresta e fauna
bravia e seus intervenientes
Legislação da biodiversidade e outras legislações de conservação de recursos florestais e
faunísticos.
Decreto n º 12/ 2002 De 6 de Junho
Artigo 107
Competência
1. Compete ao Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, através das suas
estruturas a nível central e local, proceder à fiscalização, visando monitorar,
disciplinar e orientar as actividades de protecção, conservação, utilização, exploração
e gestão dos recursos florestais e faunísticos, sem prejuízo das competências e
atribuições específicas dos outros órgãos do Estado.
2. A Fiscalização, dos parques e as reservas nacionais, as zonas de desenvolvimento do
ecoturismo, os projectos e programas comunitários do ecoturismo, bem como as
coutadas oficiais, deverá ser feita pelo Ministério do Turismo através das suas
estruturas a níveis central e local, sem prejuízo da coordenação nos termos do número
anterior.
Regulamento da Lei n.º 16/2014, de 20 de Junho, alterado e republicado pela Lei n.º
5/2017, de 11 de Maio, Lei da Protecção, Conservação e Uso Sustentável da Diversidade
Biológica.
CAPÍTULO VII
Actividades permitidas e proibidas nas áreas de conservação
SECÇÃO I
Disposições gerais
Artigo 78
Actividades proibidas por categoria de área de conservação
1. Na reserva natural integral são rigorosamente proibidas, excepto por razões científicas e
desde que sem implantação de infra-estrutura, as seguintes actividades:
a) Caçar, pescar, acampar, exercer qualquer exploração florestal, agrícola ou mineira ou
pecuária;
b) Realizar pesquisas, prospecções, sondagens, terraplanagens ou trabalhos destinados a
modificar o aspecto do terreno ou da vegetação;
c) Introduzir ou colher quaisquer espécies zoológicas ou botânicas quer exóticas,
selvagens ou domésticas;
d) Praticar quaisquer actos que prejudiquem a diversidade biológica.
Caça proibida - Lei n° 16/2014, de 20 de Junho alterada e republicada pela Lei n°
5/2017, de 11 de Maio, Art.62º.
1. Está sujeito a pena de prisão maior de doze a dezasseis anos e multa correspondente,
aquele que:
a) abater, sem licença, qualquer elemento das espécies protegidas ou proibidas da fauna
e flora, incluindo as espécies constantes na lista dos Anexos I e II da CITES;
b) chefiar, dirigir, promover, instigar, criar ou financiar, aderir, apoiar, colaborar de
forma directa ou indirecta, grupo, organização ou associação de duas ou mais pessoas
que, actuando de forma concertada, pratique conjunta ou separadamente o crime de
abate ou destruição das espécies protegidas ou proibidas da fauna e flora, incluindo as
espécies constantes na lista dos Anexos I e II da CITES ou a exploração ilegal de
recursos minerais nas áreas de conservação e zona tampão;
c) sem permissão legal, extrair recursos florestais e faunísticos, puser a venda,
distribuir, comprar, ceder, receber, proporcionar a outra pessoa, transportar, importar,
exportar, fizer transitar ou ilicitamente detiver animais, produtos de fauna ou
preparados das espécies protegidas ou proibidas, incluindo as espécies constantes na
lista dos Anexos I e II da CITES.
2. Está sujeito a pena de prisão maior de oito a doze anos e multa correspondente,
aquele que:
a) caçar, nos meses que pelas normas for proibido o exercício da caça, ou que, nos
meses que não forem defesos, caçar por modo proibido pelas mesmas normas;
b) sem permissão legal converter, transformar, mudar o carácter original de partes
orgânicas de quaisquer espécie animal ou arvoredo legalmente protegida, com o
objectivo de ocultar ou dissimular a sua origem ilícita, passagem, transporte, posse,
importação, exportação ou de auxiliar a pessoa implicada nas infracções contra o meio
ambiente a escapar das autoridades da lei e eximir-se das suas responsabilidades;
c) puser veneno ou qualquer substância letal ou nociva a saúde animal no meio
ambiente, em alimentos ou água dos rios, lagos, charcos ou qualquer local onde os
animais possam beber;
d) colocar fogo e por este meio destruir no todo ou em parte, floresta, mata ou arvoredo
dentro das áreas de conservação e ou zona tampão;
e) praticar artes de pesca proibidas por lei, particularmente uso de explosivos,
substâncias tóxicas, venenosas ou equivalentes ou com recurso a rede varredoura ou
armadilha mais estreita que a que for limitada pela entidade pública ou pescar por
qualquer outro modo proibido pelas mesmas posturas ou regulamentos, ou ainda que
pescar espécies protegidas.
Lei n.º 4/2004 de 17 de Junho, aprova a lei do turismo
Artigo 7
1. O desenvolvimento da actividade turistica deve realizar-se respeitando o ambiente e
dirigido a atingir um crescimento económico sustentável.
2. As autoridades publicas de nivel central, local e autárquica favorecem e incentivam o
desenvolvimento turistico de baixo impacto sobre o ambiente, com a finalidade de
preservar, entre outros, os recursos florestais, faunísticos, hídricos, energéticos e as zonas
protegidas.
Lei n.º 20/97 de 1 de Outubro
Artigo 12
Protecção da biodiversidade
1. São proibidas todas actividades que atentem contra a conservação, reprodução, qualidade
e quantidade dos recursos biológicos, especialmente os ameaçados de extinção.
Artigo 13
Areas de protecção ambiental
2. As áreas protegidas podem ter âmbito nacional, regional, local ou ainda internacional,
consoante os interesses que procuram salvaguardar e podem abranger áreas terrestres,
águas lacustres, fluviais ou maritimas e outras zonas naturais distintas.
3. As áreas de protecção ambiental são submetidas a medidas de classificação, conservação
e fiscalização, as quais devem ter sempre em consideração a necessidade de presevação
da biodiversidade, assim como dos valores de ordem social, económica, cultural,
científica e paizagistica.
4. As medidas referidas no número anterior devem devem incluir a indicação das
actividades permitidas ou proibidas no interior das áreas protegidas e nos seus arredores,
assim como a indicação do papel das comunidades locais na gestão destas áreas.
Conduta de um fiscal de floresta e fauna bravia
Estatuto dos Fiscais de Florestas e Fauna Bravia (aprovado pelo Diploma Ministerial n.º
128/2006, de 12 de Julho)
Princípios gerais
Artigo 6
Neutralidade e imparcialidade
O fiscal deve agir no estrito cumprimento da legislação sobre florestas e fauna bravia e das
demais leis ambientais aplicáveis, com absoluta neutralidade e imparcialidade e, em
consequência, sem discriminação alguma em razão da raça, sexo, religião, opinião, cor,
origem étnica, lugar de nascimento, nacionalidade, filiação partidária, grau de instrução,
posição social ou profissional.
Artigo 7
Integridade
O fiscal deve actuar com integridade e dignidade devendo obster -se de todo o acto que
manche a ética e deontologia requeridas pelas suas funções.
Artigo 8
Dever de disponibilidade
1. O fiscal mantém-se em permanente disponibilidade para o serviço ainda que com o
sacrifício dos interesses pessoais.
2. O fiscal é obrigado a comunicar o seu domicilio habitual ou eventual e no caso da
ausência por licença ou por doença deve comunicai superiormente o local onde possa ser
encontrado ou contactado.
Artigo 9
Poder de Autoridade
1. O fiscal que desempenha funções de comando, direcção ou chefia exerce o poder de
autoridade inerente a essas funções, bem como a correspondente competência disciplinar.
2. O fiscal deve actuar de acordo com a autoridade de que está investido, abstendo-se de
retirar vantagens directas ou indirectas do exercício das suas funções.
3. O exercício dos poderes de autoridade implica a responsabilidade dos actos que por si ou
por sua ordem forem praticados e tem como limites a Constituição da República de
Moçambique e as demais leis do país.
Artigo 10
Obediência
1. O Fiscal obriga-se a cumprir com exactidão e prontidão todas as ordens e instruções dos
seus superiores hierárquicos, desde que as mesmas não sejam ilegais.
2. O não cumprimento de uma ordem ou instrução, por ser considerada ilegal, é
obrigatoriamente seguido de participação da ocorrência pelo fiscal para a autoridade
imediatamente superior.
Artigo 11
Discrição na actuação
O fiscal, no exercício da sua função, deve evitar e impedir qualquer prática abusiva, arbitrária
ou discriminatória que traga consigo violência física ou mental.
Artigo 12
Postura correcta
O fiscal deve observar uma postura correcta e esmerada na sua relação com os cidadãos. A
revista sobre pessoas, veículos e instalações, quando necessária, deve ser conduzida de forma
a causar o mínimo possível de incómodos ao cidadão.
Artigo 13
Oportunidade, congruência e proporcionalidade
O fiscal no exercício das suas funções, deve actuar com a decisão necessária e sem demora
quando disso depender que se evite um dano grave, imediato e irreparável, regendo-se, ao
fazê lo, pelos princípios de oportunidade e congruência na utilização dos meios ao seu
alcance.
Conduta de um fiscal
Inclui o desenvolvimento das seguintes atitudes:
Ser empenhado, idóneo, assumir as suas responsabilidades com profissionalismo, ter
espírito de trabalho em equipa, servir de modelo aos que o rodeiam;
Empreendedor e criativo na sua área de actuação, ser cortês e respeitador da ética
profissional;
Interessado por uma aprendizagem continua;
Ser exemplar na luta por preservar a natureza e incentivar um desenvolvimento
sustentável dos recursos naturais.
Artigo 108
Intervenientes no processo de fiscalização
1. Intervêm no processo de fiscalização dos recursos florestais e faunísticos, os fiscais de
florestas e fauna bravia, fiscais ajuramentados e os agentes comunitários.
2. Poderão intervir na fiscalização, para além dos indicados no número anterior, os
funcionários de florestas e fauna bravia, do turismo os conselhos locais de gestão
participativa de recursos, os agentes de segurança pública, as Forças de Defesa e
Segurança, agentes de pecuária, os funcionários dos serviços de cadastro em trabalhos
de campo e em geral todos os funcionários públicos.
De acordo com o regulamento de florestas e fauna bravia, intervem no processo de
fiscalização, os seguintes: fiscais de florestas e fauna bravia, fiscais ajuramentados,
agentes comunitários, funcionários de florestas e fauna bravia, funcionários do turismo,
agentes da polícia de protecção de Moçambique (PRM), polícia de protecção de recursos
naturais, forças de defesa e segurança e em geral, todo cidadão.