Fiscalidade Empresarial – 2.º Ano, 2.
º Semestre
A Fiscalidade em Portugal
A fiscalidade engloba os conceitos de Direito Fiscal, Técnica Fiscal e Política Fiscal.
Note-se que a fiscalidade é mais concreta, técnica, objetiva e imediata ao passo que a Ciência
Fiscal tem uma visão mais abstrata e científica. [A ciência fiscal investiga e tenta encontrar
falhas]
1) Direito Fiscal: conjunto de normas que regulam as relações que se estabelecem
entre Estado + outros entes públicos e os cidadãos, por via do imposto.
2) Técnica Fiscal: é o modo (técnicas e métodos) como as normas estabelecidas pelo
Direito Fiscal são aplicadas;
3) Política Fiscal: estuda os mecanismos fiscais a utilizar pelo governo para atingir
determinados objetivos.
O que é um sistema? Um sistema consiste na otimização de recursos de modo a atingir os
melhores resultados. Os sistemas fiscais pretendem a maior receita fiscal possível.
Noção de sistema fiscal: conjunto de impostos existentes num certo espaço, reportando-
se, sobretudo, à legislação fiscal existente. Este sistema deve ser aberto, dinâmico,
compreensível. Note-se que um sistema não pode ser fechado pois está em interação com o
meio envolvente e, por isso, deve interagir com o seu público e ser compreensível já que este o
influencia-o e é influenciado por ele.
Domínios de análise de um sistema fiscal:
Normativo: conjunto da legislação que regula matérias sobre o imposto.
Económica: estuda relações entre o sistema fiscal e o sistema económico. Os impostos
são influenciados pela realidade económica, mas também são um instrumento de
intervenção sobre essa mesma realidade. Exemplo: benefícios fiscais ambientais.
Medida do OE sobre IUC em carros de anos anteriores a 2006 – não basta querer fazer
uma intervenção.
Organizacional: constituído pelos serviços centrais ou periféricos encarregados de
administrar os impostos, que estão eles próprios inseridos num sistema mais vasto – o
da administração pública. E comporta também a análise da estrutura e funcionamento
dos tribunais fiscais – sistema judicial.
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Psicossociológico: não somos máquinas e depende da nossa vontade perceber para o
que é que os impostos servem.
Classificação dos sistemas fiscais: a tipologia dos sistemas fiscais pode fazer-se de acordo com
vários critérios:
Critérios sociopolíticos: liberais (“direita”) e socializantes (“esquerda”);
Critérios socioeconómicos: relação entre o nível de fiscalidade e o grau de
desenvolvimento económico – sistemas fiscais dos países industrializados (ex.:
Portugal) e sistemas fiscais dos países em vias de desenvolvimento (ex.: países com
ditaduras. Não são obrigados a emitir faturas, são desorganizados, têm um nível de
fiscalidade baixo).
*Esta classificação é feita tendo em conta o nível de fiscalidade, a estrutura fiscal e a
complexidade técnica do sistema.
o Sistemas fiscais dos países industrializados : nível de fiscalidade
elevado (Receitas fiscais / PIB), embora varie de acordo com o grau de
intervenção do Estado na economia; o IRS tem um peso muito
significativo na estrutura fiscal; do ponto de vista técnico são sistemas
fiscais com um certo grau de sofisticação.
o Sistemas fiscais dos países em vias de desenvolvimento : nível de
fiscalidade baixo (Receitas fiscais / PIB); os impostos indiretos têm um
peso muito significativo na estrutura fiscal; do ponto de vista técnico
são sistemas fiscais com uma organização incipiente e legislação
inadequada.
Face ao Estado Social existente temos alguns apoios (não vistos como “ajudas” pelos
cidadãos, por vezes). Exemplo: quando vamos ao Hospital Público não pagamos consultas;
quando estamos de baixa recebemos o subsídio de doença; quando estamos desempregados
também recebemos reforma.
Adam Smith refere que um “bom sistema fiscal” deve obedecer a 4 máximas: justiça,
certeza, comodidade e economia.
Além disso, os princípios que modernamente são assumidos como devendo enquadrar
um sistema fiscal são: equidade (a parte pessoal influência a forma como somos tributados, é
diferente de igualitário), eficiência e simplicidade (mas suficientemente complexo para as
pessoas não fugiram tanto aos impostos) e minimização dos custos de tributação.
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Importância da equidade: os impostos devem ser estabelecidos de forma justa: princípio do
benefício (equivalence) e princípio da capacidade contributiva (ability to pay) – equidade
horizontal e equidade vertical.
Podem ainda acrescentar-se a estes princípios de tributação e sistema fiscal os seguintes:
Concorrência com sistemas fiscais estrangeiros: tem de haver convenções para evitar
dupla tributação;
Flexibilidade conjuntural: é preciso atender à conjuntura do país (ex.: Troica, pandemia,
guerra na Ucrânia, influencia os juros, poder de compra e, assim, o sistema fiscal deve
ser o que menos contribui para o desequilíbrio. Medida para combater – IVA 0);
Responsabilidade política: vários políticos se demitiram
Eficiência económica (quais são os recursos que o estado tem para atingir o mínimo de
(...) mínimo de recursos possíveis)
A fiscalidade deve ser simples para ser compreendida, mas complexa para ninguém
fugir aos impostos.
Aula 21/02
Tanto a nível individual como a nível empresarial, a fiscalidade tem implicações.
Forma jurídica – IRS e IRC
Organização Empresarial – na fiscalidade importa o tamanho das empresas
Fator de produção – deduzir ou não o IVA
O papel que o imposto tem na sociedade
Simplicidade e minimização dos custos de tributação
Globalização
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O Sistema Fiscal Português porque existe a constituição da república portuguesa ...
IRS – Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares
IRC – Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas
IVA – Imposto sobre Valor Acrescentado
Classificação dos impostos:
Impostos sobre o rendimento e a despesa
Impostos pessoais – atende à nossa condição como pessoas
Impostos reais – atende à pessoa e não à capacidade
Impostos estaduais, locais (municipais e paroquiais), parafiscais (Seg. Social)
Impostos periódicos (períodos específicos, entregar declarações periódicas)
Impostos de obrigação única
Impostos ordinários – são o normal
Impostos extraordinários ~
Impostos proporcionais (IRC), progressivos (IRS – art.º 68), regressivo
Impostos parcelares deixaram de existir