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ApostilaImplementação de PEI, PTS

O documento discute as siglas PEI, PTS, PDI e PIC, que se referem a diferentes tipos de planos individualizados no Brasil. Apresenta as características e contextos de aplicação de cada sigla, mostrando que não há consenso e variam de acordo com a área e localidade.
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ApostilaImplementação de PEI, PTS

O documento discute as siglas PEI, PTS, PDI e PIC, que se referem a diferentes tipos de planos individualizados no Brasil. Apresenta as características e contextos de aplicação de cada sigla, mostrando que não há consenso e variam de acordo com a área e localidade.
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CBI of Miami 1

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legais.

CBI of Miami 2
Implementação de PEI, PTS
Natalie Brito

Olá, caro aluno da pós-graduação em ABA do CBI! Seja bem-vindo a


mais uma disciplina! Essa disciplina é uma agregadora de vários conteúdos
discutidos anteriormente com vocês. Nela, compreenderemos a diferença entre
PEI, PTS, PIC, PDI. Desvendaremos o conteúdo e a estrutura de cada uma
dessas siglas, adicionando a compreensão de que todas elas podem abranger
formas diferentes de um planejamento de intervenção individualizado.
Além disso, discutiremos também sobre a estrutura de uma intervenção
comportamental, desde a procura do cliente pelos serviços até a
descontinuidade do tratamento. Não obstante, não nos aprofundaremos nesses
tópicos, uma vez que todos eles foram imensamente debatidos em módulos
anteriores nessa pós-graduação. Nosso objetivo aqui é o de “costurar” os
conteúdos trazidos, mostrando para vocês como eles se articulam. Por fim, é
importante lembrar que as bases teórico práticas fornecidas não substituem
nem minimizam a importância da supervisão formativa na área.
Sobretudo, é importante dizer que, se você chegou aqui, precisa ter
como base os conteúdos das disciplinas anteriores, principalmente das
disciplinas de avaliação, de mensuração e de planejamento de ensino. Se
não lembrar esses conteúdos, retome as suas anotações e a leitura dos textos.
Preparado então? Vamos lá!

1. PEI, PTS, PDI, PIC... Que Tanta Sigla é Essa?

Todas essas siglas foram cunhadas no Brasil para se referir a diferentes


planos individualizados. Abaixo, segue uma tabela com algumas características
importantes de cada uma delas.

CBI of Miami 3
PEI PTS PDI PIC
Plano de
Plano de
Plano de Ensino Projeto Terapêutico Atendimento
Significado Intervenção
Individualizado Singular Educacional
Comportamental
Especializado
Plano elaborado
“Um instrumento Conjunto de É fruto do trabalho
por analista do
que promove a Propostas coletivo de
comportamento
acessibilidade Terapêuticas competência dos
Conceito com a descrição
curricular” (Pereira articuladas entre professores, família
das metas
& Nunes, 2018, p. sujeito, família e e serviços de
terapêuticas para
01) equipe inter. saúde.
um sujeito.
A literatura A literatura O termo Plano de
brasileira considera brasileira considera Intervenção
Surge como uma
um instrumento um instrumento Comportamental
ferramenta utilizada
escolar, elaborado escolar, elaborado aparece na
no contexto da
Contexto conjuntamente pelo em conjunto pelo literatura brasileira
saúde pública
de professor regente e professor do AEE, como tradução a
brasileira, com
aplicação professor da da educação um dispositivo
vínculo nos
educação especial, regular, família e americano
programas de
alinhado às outros setores da chamado BIP
Saúde da Família.
expectativas da saúde e assistência (Behavior
família social. Intervention Plan),
o qual, a partir de
2004, passou a ser,
Deve ser centrado O objetivo desse Tem como objetivo legalmente, nos
no aluno, conter instrumento é o de identificar as EUA, documento
metas acadêmicas traçar uma necessidades obrigatório anexado
e funcionais para o estratégia de educacionais do ao IEP (Plano de
Diretrizes
aluno com intervenção para o aluno, definir Ensino
importantes
deficiência e usuário, delineando recursos, Individualizado
descrição de os recursos do atividades e o americano). A
objetivos em curto sujeito, da família, percurso do aluno ABPMC coloca o
e longo prazo. do território. em sala regular. PIC como
instrumento
elaborado pelo

CBI of Miami 4
analista do
comportamento.
1 2 3 4
Referência

Observamos, no quadro acima, que não há consenso no Brasil em


relação ao documento produzido como planejamento de uma intervenção. A
natureza, abrangência e características dos documentos variam muito de
acordo, principalmente, com o seu contexto de execução. Essas variações são
ainda maiores quando consideramos as características e legislações
específicas de cada Estado ou Município.
O PTS, por exemplo, é um dispositivo bastante conhecido por
profissionais da área de saúde e, por isso, pode ser utilizado como sigla para
planos terapêuticos elaborados nesse contexto específico. No entanto, o PTS
carece de maior sistematização para conseguirmos alinhá-los aos
pressupostos analítico-comportamentais.
O PEI, por sua vez, é um documento com diretrizes diferentes em
diferentes países – enquanto na França, por exemplo, ele abrange várias fases
da vida, nos Estados Unidos e na Itália ele compreende apenas o contexto
escolar, mas também fala de transição para a vida adulta5. No Brasil, a
variabilidade acerca da implementação e estrutura do PEI é ainda maior, haja
vista não haver ainda diretrizes sobre a sua elaboração. Vimos ainda que uma
variação do PEI em parte da literatura brasileira é chamada PDI, apontado

1
Pereira, D. M., & de Paula Nunes, D. R. (2018). Diretrizes para a elaboração do PEI como instrumento
de avaliação para educando com autismo: um estudo interventivo. Revista Educação Especial, 31(63),
939-960.

2
da Silva, A. I., Loccioni, M. F. L., Orlandini, R. F., Rodrigues, J., Peres, G. M., & Maftum, M. A. (2016).
Projeto terapêutico singular para profissionais da estratégia de saúde da família. Cogitare
Enfermagem, 21(3).

3
Barbosa, T. C. L., & Serpa, M. J. F. (2021). Plano de Desenvolvimento Individualizado na inclusão
escolar: um Estado da Questão. Ensino em Perspectivas, 2(3), 1-11.

4
Nicolino, V. F., & Zanotto, M. D. L. B. (2010). Revisao historica de pesquisas em analise do
comportamento e educacao especial/inclusao publicadas no jaba entre 2001 e 2008. Psicologia: teoria e
prática, 12(2), 51-79.
5
Tannús-Valadão, G., & Mendes, E. G. (2018). Inclusão escolar e o planejamento educacional
individualizado: estudo comparativo sobre práticas de planejamento em diferentes países. Revista
Brasileira de Educação, 23.

CBI of Miami 5
como Plano do AEE, consonante com a antiga – e ainda vigente, no final de
2022 – política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva de
2009.
Não obstante, ao nosso ver, o PEI e o PIC são os instrumentos que mais
dialogam com a prática de intervenção analítico comportamental, concordando
com Freitas, Benitez & Postalli (2022, p. 204)6:

Ao compreender o PEI como o acompanhamento do


progresso educacional individual, faz-se evidente a
necessidade de auxílio no currículo escolar e na vida em
comunidade com foco centrado nas demandas do
aprendiz de forma supervisionada pelos profissionais da
educação, saúde e assistência social (Tannús-Valadão &
Mendes, 2018). Este entendimento sobre o PEI dialoga
com a concepção analítico-comportamental de
intervenções educacionais abrangentes, podendo-se
afirmar que algumas intervenções comportamentais são
de fato exemplos de planejamento e implementação de
planos educacionais individualizados.

Dessa forma, aprofundaremos, nos próximos tópicos sobre esses dois


documentos.

2. Estrutura de um Plano de Ensino Individualizado

Conseguimos encontrar semelhanças entre o Plano de Ensino


Individualizado (PEI) e o IEP (Individualized Education Plan – IEP), documento
americano obrigatório para todas as crianças em educação especial. O IEP é
um documento que contará com a participação de um analista do
comportamento, principalmente após a publicação norte americana do

6
de Freitas, M. C., Benitez, P., & Postalli, L. M. M. (2022). Contribuições da Análise do Comportamento
para a inclusão educacional brasileira. Perspectivas em Análise do Comportamento, 197-212.

CBI of Miami 6
instrumento legal IDEA (Individuals with Disabilities Education Act), de 20047.
Esse dispositivo determinou que todos os IEPs devem conter um Plano de
Intervenção Comportamental (falaremos melhor desse plano no próximo
tópico).
O IEP é um plano essencialmente escrito, com a descrição específica
dos serviços e/ou planejamentos de educação para um aluno em situação de
inclusão ou educação especial. O ponto de partida para a elaboração do IEP é
a avaliação do repertório do próprio estudante, expondo suas barreiras,
lacunas e potencialidades.
Vários países ou Estados fora do Brasil apresentam em seus sites
institucionais diretrizes para a construção de um IEP, com base nas
características do local e orientações de estudiosos da área. É obvio que não
podemos transpor um modelo desses para o Brasil antes de estudarmos as
condições sociais, culturais e legais do nosso país, mas estudarmos algum
modelo desses de IEPs pode nos fornecer um norte para a escrita dos nossos
planos individualizados. Por isso, selecionamos um documento que
consideramos um dos mais completos da área, o documento com as diretrizes
para um IEP de Ontário, província do Canadá, de 20048.
No referido IEP de Ontário, as definições do documento abrangem um
plano escrito com os programas e serviços de educação especial para um
sujeito, registro das acomodações individuais, as expectativas modificadas
para esse mesmo aprendiz, registro dos conhecimentos e habilidades
avaliados e as responsabilidades de todos envolvidos no plano (aluno, família,
professores, governo, profissionais).
O documento também descreve o que não é IEP. Afirma que não é uma
descrição de tudo que será ensinado, lista de estratégias e programas diários
de ensino. Geralmente esses pontos são cobertos por um currículo de ensino,
não por um IEP.

7
Nicolino, V. F., & Zanotto, M. D. L. B. (2010). Revisao historica de pesquisas em análise do
comportamento e educacao especial/inclusao publicadas no jaba entre 2001 e 2008. Psicologia: teoria e
prática, 12(2), 51-79.

8
O documento pode ser acessado na íntegra através do endereço:
https://oneca.com/documents/iep%20resource%20guide.pdfcation Plan (IEP) - A Resource Guide, 2004
(oneca.com)

CBI of Miami 7
Dessa forma, quais são as principais informações necessárias em um
IEP? O guia enumera algumas, a saber:
• Forças e lacunas do estudante.
• Dados relevantes de avaliação.
• Nível de desempenho atual do estudante em cada área.
• Dados dos sistemas de suporte de saúde ao estudante.
• Lista das disciplinas e cursos que o estudante precisa de acomodação,
adaptação ou modificação.
• Lista de acomodações específicas necessárias ao estudante.
• Metas anuais por área.
• Métodos de avaliação utilizados.
• Descrição de como o progresso do aluno será relatado aos pais.
• Descrição das revisões do plano.
• Plano de transição para a vida adulta, quando necessário.

3. Estrutura de um Plano para Suporte Comportamental (ou Plano de


Intervenção Comportamental)

Já citamos aqui que o Plano de Intervenção Comportamental é um


documento obrigatório nos EUA, por exemplo e que ele é colocado pela
Associação Brasileira de Medicina e Psicologia Comportamental (ABPMC)
como o instrumento de planejamento da intervenção em Análise do
Comportamento Aplicada ao Autismo. Mas qual a estrutura indicada de um
Plano de Intervenção Comportamental?
Horner, Sugai, Todd & Lewis-Palmer (2000) descrevem essa estrutura
em um artigo chamado “Elementos de um Plano de Suporte Comportamental:
um resumo técnico” (tradução livre)9. No artigo, os autores começam afirmando
que planos comportamentais são desenvolvidos, usualmente, por uma equipe
de pessoas que conhece bem o aprendiz e que o ponto de partida deve ser
uma avaliação funcional.

9
Horner, R. H., Sugai, G., Todd, A. W., & Lewis-Palmer, T. (2000). Elements of behavior support plans: A
technical brief. Exceptionality, 8(3), 205-215.

CBI of Miami 8
Os autores descrevem 09 partes em um plano de intervenção
comportamental. Criamos um quadro com base nesses componentes, mas
adaptamos, considerando a literatura mais recente na área.
Elementos de um plano de intervenção comportamental
(adaptado a partir de Horner, Sugai, Todd & Lewis-Palmer, 2000)
Componente do Descrição do componente
plano
É o primeiro componente do plano. Começamos
definindo operacionalmente o comportamento. A
Avaliação Funcional coleta de dados pode ser feita de forma indireta ou
direta. Após avaliação funcional, descrevemos a
função do comportamento no plano.
Outros dados importantes relacionados ao
Elementos comportamento são descritos aqui, tais quais:
importantes medicações, rotina da criança, dados de
comunicação e mobilidade.
Nesse tópico, o analista do comportamento
descreverá todas os procedimentos necessários para
Estratégias
tornar o comportamento problema irrelevante.
preventivas
Exemplos de estratégias: controle instrucional, pistas
visuais...
Aqui o analista do comportamento descreve as
habilidades que serão ensinadas com a mesma
Ensino de
função do comportamento problema. Dessa forma, o
habilidades
analista do comportamento tornará o problema
menos eficiente.
Estratégias aversivas, quando utilizadas em um
plano de tratamento, devem ser utilizadas em último
caso ou quando o problema causa risco imediato de
Estratégias aversivas danos para o aprendiz. Sempre que o plano tiver
estratégias aversivas, como extinção, por exemplo,
deve conter avisos sobre possíveis efeitos e um
plano de retirada dos procedimentos.

CBI of Miami 9
A ideia do uso de estratégias consequentes
Estratégias reforçadoras é a de tornar comportamentos
consequentes alternativos mais efetivos. Nesse ponto, é importante
reforçadoras o analista do comportamento estabelecer o esquema
de reforçamento, a qualidade e quantidade de R+.
Esse tópico define crise para o caso específico e
Plano de intervenção
descreve as estratégias utilizadas nos diferentes
em crises
momentos da crise.
Nesse tópico, são descritos as expectativas e os
valores do aprendiz e dos cuidadores, relacionados
Relevância social do
ao comportamento em questão, descreve os custos
plano
para implementação do plano e determina quem irá
implementar cada estratégia.
Avaliação e Nesse tópico, o analista do comportamento lista os
acompanhamento do procedimentos de coleta de dados, frequência de
plano coleta e forma de avaliação do comportamento.

4. Principais Características de Um Plano de Tratamento Comportamental

Independente do nome do documento, planos de tratamento têm


algumas diretrizes importantes a serem seguidas pelo analista do
comportamento. Isso é o que dizem Papatola & Lustig (2016), em um artigo no
qual relatam guias importantes para o analista do comportamento clínicos
seguirem no trabalho com autismo10.
Os autores afirmam que os quatro maiores elementos de um plano de
tratamento devem ser: 1. Desenho e supervisão do plano por um analista do
comportamento competente; 2. Comportamentos-alvo definidos
operacionalmente e com medidas válidas para cada alvo; 3. Descrição
detalhada da participação dos pais e cuidadores e 4. Critérios para alta do
plano.

10
Papatola, K. J., & Lustig, S. L. (2016). Navigating a managed care peer review: guidance for clinicians
using applied behavior analysis in the treatment of children on the autism spectrum. Behavior analysis in
practice, 9(2), 135-145.

CBI of Miami 10
A competência do analista do comportamento que escreve o plano é
relativa à experiência + formação na área. O segundo tópico, sobre objetivos, é
o coração de todo plano de tratamento. O conjunto de objetivos de longo e de
curto prazo é o aspecto mais importante de qualquer plano de ensino. Vimos,
na disciplina de programação de ensino, os quatro componentes importantes
de um objetivo: aprendiz, desempenho, contexto e critério. Cada um desses
componentes deve ser bem descrito, de forma que possamos acompanhar de
fato a evolução de um comportamento durante a intervenção.
O Concil of Autism Service Providers (CASP) é uma organização norte
americana de prestadores de serviço para autismo e, periodicamente, elabora
diretrizes para a prestação de serviço de qualidade na área. Eles possuem um
documento com essas diretrizes, que foi traduzido para o português brasileiro
agora em 2022, pela Daxta11.
No guia, a instituição descreve 15 tópicos importantes em um plano de
tratamento, a saber: informações do paciente; motivo para encaminhamento;
breves informações básicas, entrevista clínica, revisão de avaliações/relatórios;
procedimentos de avaliações e resultados; plano de tratamento; treinamento de
pais/cuidadores; número de horas; coordenação do tratamento; plano de alta;
plano de transição e plano de crise.
Todos os tópicos acima podem estar em um documento só, mas não há
impedimento para estar em planos separados. No Brasil, a depender da
profissão exercida pelo profissional, o relatório de avaliação deve ter tópicos
específicos (o profissional de psicologia, por exemplo, deve seguir a estrutura
preconizada pela resolução do CFP Nº 6/2019). Portanto, optamos por colocar
alguns tópicos dentre os descritos no parágrafo acima no relatório avaliativo e
fazer um outro documento com plano terapêutico.
No tópico específico chamado “plano de tratamento”, dentro do plano
maior, o CASP faz diferentes recomendações de conteúdo, a depender do
formato da intervenção, se focada ou abrangente. Numa intervenção focada, é
importante que o plano contenha: ambiente de tratamento, definição
operacional para cada comportamento e objetivo; especificação dos

11
Você pode acessar o documento traduzido no link:
https://courses.daxta.com/courses/diretrizes-praticas-para-o-tratamento-baseado-em-aba-casp

CBI of Miami 11
procedimentos de manejo de comportamento, antecedentes e consequentes;
descrição dos procedimentos de coleta de dados e objetivos e metas
propostas. Em um plano para intervenção abrangente, além dos tópicos
descritos acima, é importante haver uma descrição dos métodos instrucionais
utilizados e descrição dos procedimentos de coleta de dados.
Enfim, vimos que existem várias formas de delinear um plano de
comportamento. Que esse plano, no ambiente escolar, é usualmente chamado
PEI e sofre influências da estrutura do IEP. No contexto de terapias, não existe
um consenso sobre o nome desse plano, no entanto, Plano de Intervenção
Comportamental nos parece o mais apropriado, diante todo cenário que
descrevemos. Independente do nome desse documento, alguns pontos são
recomendados pela literatura como fundamentais para o plano, e o maior ponto
de concordância dos autores é a descrição do comportamento,
operacionalizado, e dos objetivos bem descritos.

5. Estrutura de um Currículo de Ensino

Currículos de ensino geralmente são mais robustos e detalhados do que


planos de tratamento. Existem diversos currículos já prontos na área, que
abrange diversas faixas etárias e domínios do desenvolvimento, a maioria
deles em inglês. Esses currículos, geralmente, têm lições de ensino (falamos
sobre a estrutura dessas lições de ensino na disciplina de programação do
ensino). Essas lições são escolhidas para cada aprendiz com base no plano de
tratamento dele e componentes curriculares podem (e devem!) se adaptados
para cada caso. É importante dizer, portanto, que currículos não devem ser
usados sozinhos, adaptando o aprendiz a eles. Aprendiz nenhum cabe em
currículo: o currículo que se adapta a cada cliente!
Os componentes básicos de um currículo são objetivos, metas, conteúdo
de aprendizagem, estratégias instrucionais e avaliação. Existem algumas rotas
possíveis de elaboração de um currículo, descritas abaixo (Hsu-Min Chiang,
2017)12.:

12
Chiang, H. M. (2017). Foundations and development of curriculum. In Curricula for teaching students
with autism spectrum disorder (pp. 1-19). Springer, Cham.

CBI of Miami 12
Rota A de Rota B de Rota C de
desenvolvimento desenvolvimento desenvolvimento
curricular: curricular: curricular:
A partir da avaliação
das necessidades do A segunda rota é igual à A rota C é uma mescla
aprendiz, o profissional primeira, apenas com a das rotas A e B, a
descreve os objetivos, troca de dois elementos: depender do objetivo
seleciona o conteúdo de a seleção das instrucional específico.
ensino, seleciona as estratégias instrucionais
estratégias vem antes da seleção
instrucionais, avalia e do conteúdo de ensino.
implementa o currículo.

É importante ressaltar que nenhuma se sobrepõe a outra, apesar de a


rota C ser preferível, por ser mais flexível. O analista do comportamento, com
base na sua experiência e dados de avaliação, decidirá se escolherá a
estratégia instrucional ou o conteúdo de ensino primeiro.

6. Montando a Pasta do Cliente e Acompanhando o Progresso da


Intervenção

Após avaliação, delineamento do plano de tratamento, seleção das


estratégias de ensino, de avaliação e montagem do currículo, o analista do
comportamento monta as pastas do aluno. Essas pastas podem ser montadas
com os protocolos impressos ou usando uma plataforma digital de coleta de
dados. A montagem das pastas é um dos 20 passos descritos por nós sobre a
intervenção ABA, para facilitar seu entendimento sobre a evolução da
intervenção. Descrevemos cada uma das 20 etapas abaixo, fazendo alguns
comentários com base na nossa experiência. É importante ressaltar que essa
estrutura não é mandatória; ela apenas fornece um norte para organização do
trabalho do prestador de serviço na área.

CBI of Miami 13
20 Passos de uma Intervenção Comportamental

1. Triagem
Na triagem, nos perguntamos se temos competência (experiência e
formação suficientes) para pegar um caso. Esse é um passo
primordialmente ético. Existem algumas informações relevantes para triar
casos, a saber: idade, condições de saúde, mobilidade e comunicação
específicas, dados relevantes sobre comportamentos interferentes,
consentimento e assentimento do cliente e pessoas relevantes, tempo
para intervenção e expectativas.

2. Encontro com o Cliente


O primeiro encontro é um importante momento para alinhar expectativas,
colocar as regras de atendimento e contrato de prestação de serviços.
Esse contrato geralmente descreve os direitos e deveres do cliente, as
obrigações do terapeuta; descreve a estrutura da intervenção e
procedimentos que podem ser utilizados; fornece dados sobre
assentimento e retirada de assentimento e a coleta de consentimento
para a implementação da avaliação.

3. Anamnese
A primeira entrevista comportamental é uma coleta de dados indireta
sobre aspectos relevantes da vida e do contexto do cliente para guiar a
avaliação e o plano terapêutico. A anamnese em ABA não vai detalhar
dados do desenvolvimento, mas sim, coletar dados relevantes sobre o
histórico do caso, dados que subsidiem hipóteses funcionais e avaliação
indireta de preferências. A anamnese vai subsidiar a escolha dos
momentos, instrumentos e distribuição da coleta direta de dados.

4. Planejamento da Avaliação
De posse dos dados coletados na anamnese e na análise de documentos
anteriores do caso, o analista do comportamento planeja a avaliação,
levando em consideração a idade do aprendiz, a carga horária disponível,
a competência no manejo de instrumentos, os domínios que serão
avaliados e a carga horária de intervenção.

CBI of Miami 14
5. Escolhendo e Coletando Dados de Avaliação Normativa
Instrumentos normativos são aqueles que comparam o desempenho do
sujeito com pares da mesma idade. Apesar de não serem o carro-chefe
da avaliação em ABA, muitas vezes são importantes para justificar o uso
e a carga-horária de determinadas intervenções e para comparar os
ganhos de desenvolvimento do aprendiz ao longo do tratamento.

6. Escolhendo e Coletando Dados de Instrumento Baseado em


Critérios
Instrumentos baseados em critério são aqueles que estabelecem critérios
comportamentais para avaliação. VB-MAPP, ABLLS, AFLS são alguns
exemplos mais conhecidos.

7. Linkando a Avaliação ao Currículo – Sumarizando Os Resultados


Nesse ponto, analisamos todos os dados coletados e resumimos dos
dados mais importantes em um relatório avaliativo.

8. Linkando a Avaliação ao Currículo – Escrevendo os Objetivos


Após sumarizar os resultados, determinamos os domínios e objetivos de
ensino. Priorizamos os objetivos relevantes, levando em consideração as
potências e preferências do cliente e regra da relevância do
comportamento.

9. Elaborar Lições (programas) Curriculares

10. Elaborar Plano de Manejo Comportamental (quando necessário)

11. Elaborar Plano de Orientação Parental

12. Selecionar e Programar os Métodos de Coleta de Ados e Folhas


de Registro

13. Organizar Materiais em Pastas e Murais


Nessa etapa, o analista do comportamento organiza todos os materiais
em pastas e “murais” de avisos para o aplicador. O conteúdo das pastas
geralmente é dividido em: programas em instalação, programas em
manutenção, programas em generalização, programas em treino de
fluência, manejo de comportamento e uma pasta com os programas

CBI of Miami 15
adquiridos.
Os murais servem para que o aplicador guarde os registros de supervisão
e as principais orientações fornecidas. Além disso, é importante haver um
checklist dos programas aplicados, para acompanhamento do supervisor
e folhas de registro de integridade de aplicação.

14. Devolutiva da Avaliação e do Plano de Tratamento


Ao apresentar os resultados da avaliação e o plano de tratamento, o
analista do comportamento deve utilizar uma linguagem compreensível ao
cliente e/ou familiares, livre de jargões. Deverá tirar todas as dúvidas
possíveis e coletar consentimento para a aplicação do plano de
tratamento.

15. Treinar a Equipe no Plano Terapêutico


Nesse momento, é importante que a equipe que aplicará a terapia já
tenha recebido o treinamento de aplicadores. Ela será treinada na
aplicação do plano terapêutico. É importante que esse treinamento
também seja prático e utilize Treino de Habilidades Comportamentais até
o aplicador mostrar competência. Nesse momento, o analista do
comportamento também orienta os aplicadores na elaboração dos
estímulos de terapia necessários.

16. Supervisionar a Equipe na Aplicação


A supervisão de caso é um componente essencial para a aplicação eficaz
da terapia. O CASP orienta, no mínimo, 2 horas de supervisão para cada
10 horas de aplicação. A supervisão servirá em resumo, para coletar
dados de aplicação, avaliar desempenho do aprendiz e do aplicador,
fornecer feedback para o aplicador, fornecer treinamento contínuo para o
aplicador, analisar e fornecer soluções para questões comportamentais,
analisar dados e evoluir o tratamento.
As horas de supervisão nas quais o analista do comportamento observa,
modela, monitora e dá feedbacks da terapia são chamadas horas diretas.
As horas de supervisão nas quais o analista do comportamento analisa os
dados, planeja a intervenção e escreve relatórios são chamadas horas
indiretas.

CBI of Miami 16
17. Orientação Parental
A participação dos pais na terapia é item fundamental para o sucesso
dela. Geralmente, a participação é acompanhada no momento de
orientação parental. O plano terapêutico já deve conter as metas para os
pais, a frequência da orientação parental e as estratégias utilizadas para
esse momento.

18. Tomadas Contínuas de Decisão


Durante todo o processo de intervenção, o analista do comportamento
tomará decisões pertinentes para a evolução do caso. Para tanto, é
importante que ele sempre esteja atento ao bem-estar e preferências do
cliente, aos dados produzidos pela intervenção, ao desempenho do
cliente na sessão, aos feedbacks dos cuidadores e outras pessoas
relevantes e a evolução das metas terapêuticas. As principais decisões
envolvem: parar ou continuar o tratamento; parar ou continuar programas
e protocolos; pausar o tratamento, programas e protocolos; realizar
encaminhamentos pertinentes; encerrar o tratamento; realizar
reavaliações.

19. Colaboração com a Equipe Interdisciplinar


Um bom trabalho em prol do cliente ocorre com cooperação entre os
profissionais. Para tanto, o analista do comportamento deve estabelecer
para a família e/ou cliente qual o papel dele em uma equipe
interdisciplinar e exibir esforços para colaborar com a equipe, de forma
respeitosa, colocando à disposição os horários para trocas entre equipe.
Isso implica também se posicionar quando souber que algum tratamento
pode causar danos ou prejudicar o cliente.

20. Atualização Constante


Se engana quem pensa que estudar não faz parte do trabalho do analista
do comportamento com um cliente! A análise do comportamento é uma
ciência e sofre modificações de paradigmas e avanços no campo. Estar
atualizado com as pesquisas recentes e melhores práticas é o mínimo
que podemos fazer pelos nossos clientes!

CBI of Miami 17
Chegamos ao fim da disciplina! Esperamos que tenham gostado dessa
disciplina e que tenham conseguido costurar os conhecimentos trazidos aqui
com as disciplinas anteriores! Vale a pena ressaltar mais uma vez: toda a sua
prática ficará mais rica com uma supervisão formativa na área! Assim, você
terá condição de articular tudo que tem aprendido aqui com a sua prática!

CBI of Miami 18

CBI of Miami 
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DIREITOS AUTORAIS 
Esse material está
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Implementação de PEI, PTS 
Natalie Bri
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Significado 
Pla
CBI of Miami 
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analista do 
comportamento. 
Referênci
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como Plano do AEE, consonante com a an
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   (https://oneca.com/documents/iep%20resource%20guide.pdfcation%20Plan%20(IEP)%20-%20A%20Resource%20Guide,%
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Dessa forma, quais são as principais
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Os autores descrevem 09 partes em um p
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Estratégias 
consequentes 
reforçador

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