Este plano de aula discorre sobre o conceito de identidade, tendo por
objetivo trazer uma reflexão sobre a origem e a definição desse conceito, bem
como acerca de sua importância em nossa sociedade. Possibilita, ainda,
compreender e problematizar o conceito de cultura e sua relação com o
conceito de identidade, assim como a relevância que tais questões têm nos
dias atuais. Apresenta-nos também a sugestão de uma roda de conversa sobre
o tema “Qual a minha identidade?”, facilitando o diálogo e a compreensão dos
alunos sobre a aplicabilidade do conceito em seu cotidiano. Na finalização
deste plano de aula, sugere-se: a) a sistematização das principais reflexões,
por meio da análise da música “Metamorfose ambulante” de Raul Seixas; b) a
leitura e a interpretação da poesia EU ETIQUETA, de Carlos Drummond de
Andrade; c) a elaboração de uma redação dissertativa sobre o tema “’Deixa
que eu seja eu’: desafios da formação e da valorização da identidade”; e d) a
realização dos exercícios de fixação (questões de múltipla escolha).
● Sensibilização e problematização;
● A origem do conceito de identidade;
● Definição: identidade;
● Roda de conversa “Qual a minha identidade?”;
● Análise da música “Metamorfose ambulante”;
● Sistematização das reflexões: poema Eu, Etiqueta;
Objetivos
● Sensibilizar e problematizar o conceito de cultura e a sua relação com o
conceito de identidade;
● Entender a origem do conceito de identidade;
● Compreender a definição do conceito de identidade;
● Realizar uma roda de conversa sobre o tema “Qual a minha identidade?”,
facilitando a compreensão dos alunos sobre a aplicabilidade do conceito em
seu cotidiano;
● Refletir sobre o conceito de identidade, por meio da análise da música
“Metamorfose ambulante” de Raul Seixas; e
● Sistematizar as principais reflexões, por meio da leitura e da interpretação da
poesia EU ETIQUETA, de Carlos Drummond de Andrade.
Ensine também:
História negra: documentário ‘Emicida: AmarElo – É tudo para Ontem’
O que é democracia?
Palavras-chave:
Cultura. Identidade. Identidade cultural. Diversidade. Diferença.
Previsão para aplicação:
4 aulas (45 min/aula).
1ª Etapa: Sensibilização e problematização
O(A) professor(a) deverá iniciar a aula explorando junto aos alunos os
conhecimentos prévios sobre o assunto “Identidade”. Com o intuito de estimular
a participação e facilitar esse levantamento inicial, o(a) professor(a) deverá
projetar a tirinha abaixo, pedindo que os alunos a leiam com atenção.
(crédito: reprodução/ Mente Vazia) Acesso em: 20.05.2022
Em seguida, o(a) professor(a) deverá realizar a leitura e a interpretação da
tirinha com a turma. O(A) professor(a) deverá direcionar os alunos a refletirem
e a responderem coletivamente às seguintes questões:
• Qual identidade o personagem achava que tinha perdido?
• O segundo quadrinho faz referência a essa mesma identidade?
• Você conhece outro significado para identidade?
• Nossa identidade pode ser definida por um documento?
• Nossa identidade está relacionada à cultura?
Essas questões contribuirão para o(a) professor(a) retomar brevemente com os
alunos alguns conhecimentos relativos à cultura, conceitos esses que já devem
ter sido trabalhados em algum momento com a turma. Espera-se que surjam
questionamentos por parte dos alunos, e o(a) professor(a) deve aproveitar o
momento para aprofundar as discussões.
Para enriquecer ainda mais a aula, o(a) professor(a) poderá utilizar a metáfora
que ficou famosa pela antropóloga Ruth Benedict (1887-1947), “a cultura é
como uma lente através da qual o homem vê o mundo. Homens de culturas
diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das
coisas.” (BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a espada. São Paulo: Perspectiva,
1972). Desse modo, a cultura, ao mesmo tempo em que limita nosso campo de
visão, é o que nos permite enxergar o mundo para interpretá-lo, sendo que não
podemos ver o mundo sem as lentes de alguma cultura.
2ª Etapa: Origem do conceito de “Identidade”
Após essa introdução, será o momento do(a) professor(a) ajudar os alunos a
compreenderem de forma mais clara a temática que será desenvolvida nas
aulas, devendo explicar que “Identidade” é um conceito muito utilizado para
pensar a diferença.
Para esse percurso o(a) professor(a) deverá iniciar sua explicação enfatizando
que, desde o século XX, o tema tem sido trabalhado. A princípio, a identidade
era pensada em fragmentos, tais como, identidade social, identidade étnica,
identidade racial, ou seja, era relacionada à autoimagem de um grupo.
Dando sequência à explicação, o(a) professor(a) deverá explicar que, a partir
da década de 1970, o termo identidade ganhou outra conotação, porque foi
relacionado à intensa fragmentação social produzida pelos avanços do
capitalismo na sociedade. Para exemplificar tal acontecimento, o(a)
professor(a) poderá citar: a) as migrações internacionais, que aumentaram
drasticamente, refletindo na presença de diferentes etnicidades em um mesmo
território; b) a presença das religiões transnacionais; c) o surgimento de vários
movimentos políticos ligados a questões étnicos-raciais; e d) o surgimento de
movimentos políticos com base na identidade de gênero e na orientação
sexual.
O(A) professor(a) poderá, ainda, citar aos alunos que, a partir da década de
1990, as discussões e as críticas sobre o conceito de cultura foram retomados,
com os antropólogos classificados como pós-coloniais, que afirmavam que o
conceito de cultura, principalmente aquele empregado nas teorias
antropológicas norte-americana e europeia, desencadearam uma discussão
estereotipada das sociedades e dos grupos. Nesse cenário, o conceito de
identidade ganhou força na disputa conceitual e, pouco a pouco, foi ficando
mais interessante para pensar as diferenças em um mundo globalizado, pois
traz a identidade enquanto transitória, fluida, nunca pronta ou acabada, dando
conta da complexidade dos dias atuais.
Deve-se explicar também que o avanço tecnológico das formas de
comunicação tornou o mundo muito mais conectado, aproximando as relações,
e que, graças à globalização, as ideias produzidas em um lugar se espalham
pelo mundo, sendo esse processo também responsável por essa sensação de
fragmentação.
Para finalizar esta etapa, o(a) professor(a) poderá ressaltar que essa nova
realidade fragmentada possibilitou o surgimento de um novo conceito, que
pensava as diferenças além dos conceitos de cultura e etnicidade, já que o
conceito de etnicidade tem por referência algum tipo de ancestralidade comum,
imigrantes, populações indígenas, negras etc., de forma que outras diferenças
não tinham mais essa conotação e não estavam respaldadas. O(A)
professor(a) poderá questionar os alunos: “Por meio de qual conceito
poderíamos pensar as diferenças não atreladas às ancestralidades comuns?”,
respondendo que o caminho para analisar essa nova realidade fragmentada e
complexa se findou com o conceito de identidade.
3ª Etapa: Definição de “Identidade”
Para iniciar esta etapa, o(a) professor(a) deverá destacar que o conceito de
identidade não pressupõe uma ancestralidade comum, mas uma prática social,
ou seja, uma experiência de vida é suficiente para produzir identidade entre
grupos e pessoas. O(A) professor(a) deverá explicar para os alunos que a
identidade sempre deve ser entendida como algo transitório, nunca como algo
acabado, é sempre um processo em construção.
O(A) professor(a) deverá continuar a explicação, dizendo que esse conceito é
indispensável para pensar a diferença nas sociedades atuais, em que a
fragmentação dos modos de vida foi ampliada, criando múltiplas possibilidades
aos indivíduos.
Diante disso, o(a) professor(a) deverá explicar que no conceito de identidade
não existe a preocupação com estabilidade, nem com a ideia de completude.
Dessa forma, os sujeitos podem moldar sua identidade pessoal a partir de
várias identidades, combinando e compartilhando várias experiências
identitárias.
O(A) professor(a) deverá, então, apresentar alguns exemplos para os alunos,
facilitando a compreensão, tais como: a) um grupo de homossexuais, em busca
de direitos familiares e na luta contra o preconceito; e b) um grupo de religiosos
budistas, que desenvolvem uma identidade a partir da prática do budismo. O(A)
professor(a) poderá utilizar também como exemplos “um punk negro”, deixando
claro ao aluno que ele possui uma identidade baseada no estilo de vida punk e
também na experiência de ser negro numa sociedade racista. Tal exemplo é
mais complexo e demonstra como a identidade é passível de construção.
O(A) professor(a) poderá projetar e fazer a leitura com os alunos da citação
abaixo, do sociólogo Stuart Hall:
(crédito: reprodução/ InfoEnem) Acesso em: 20.05.2022
Para finalizar esta etapa, o(a) professor(a) poderá ressaltar que, de acordo com
Stuart Hall, a identidade pode conter tanto aquilo que escolhemos, quanto
aquilo que não escolhemos, ou seja, a parte da vida que não controlamos é
fundamental para a formação da identidade. Desse modo, a exclusão racial, a
discriminação sexual e a intolerância religiosa, são fatores sociais que as
pessoas não controlam, mas que podem moldar suas identidades, e elas
comportam tanto nossas heranças culturais quanto novas formas de pensar o
mundo imerso na globalização.
Textos baseados nas sugestões de leitura elencadas em “Materiais
relacionados”.
O conteúdo presente nesses textos poderá ser trabalhado por meio de aulas
expositivas.
4ª Etapa: Roda de conversa “Qual a minha
identidade?”
Nesta etapa, o(a) professor(a) deverá fazer o exercício de aproximação entre
os conceitos trabalhados na aula e as realidades dos alunos, por meio de uma
roda de conversa. Abaixo selecionamos alguns questionamentos que o(a)
professor(a) poderá utilizar para facilitar o diálogo e a compreensão dos alunos
sobre a aplicabilidade dos conceitos no seu cotidiano:
Você já pensou sobre a sua identidade?
Experimente pensar sua própria vida pelo conceito de identidade.
Qual seria a sua identidade? Ou quais seriam as suas identidades?
Que tipo de experiência social define seu estilo de vida?
E suas crenças, elas definem sua identidade?
Você combina experiências distintas e as experimenta de um jeito individual?
De acordo com os resultados dessa partilha entre os alunos, o(a) professor(a)
pode perguntar à turma:
Tivemos muitas variações das respostas?
Muitos colegas da classe se parecem com você?
Vocês compartilham as mesmas identidades? Ou é justamente o contrário?
Por que o conceito de identidade é importante para pensar as diversidades?
5ª Etapa: Análise da música “Metamorfose
ambulante”
Nesta atividade, sugerimos que o(a) professor(a) projete a letra da música
abaixo e reproduza o áudio. Após, solicite que os alunos realizem uma análise
coletiva, levantando uma discussão crítica sobre a relação da música em
relação aos conteúdos abordados na aula. Em seguida, baseando-se na
análise e nos elementos trabalhados nas aulas, o(a) professor(a) deverá
orientá-los na escrita de uma síntese que contenha as informações mais
importantes destacadas por eles.
Metamorfose Ambulante. YouTube
Acesso em: 28.05.2022.
Metamorfose Ambulante – Raul Seixas.
6ª Etapa: Sistematização das reflexões: poema
“Eu, Etiqueta”.
O(A) professor(a) deverá projetar o poema “Eu, Etiqueta”, de Carlos Drummond
de Andrade, declamado por Paulo Autran. Abaixo estão disponíveis o vídeo e o
poema:
Vídeo – Poema “Eu, Etiqueta”. YouTube
Acesso em: 24.05.2022.
Eu, Etiqueta
Carlos Drummond de Andrade.
O poema acima retoma os principais pontos apresentados neste plano de aula.
A análise deverá abrir um espaço de diálogo com os alunos, relembrando
alguns pontos fundamentais já trabalhados nas etapas anteriores, bem como
trazendo algumas dúvidas e questionamentos para serem sanadas pelo(a)
professor(a). O(A) professor(a) deverá conduzir esse momento de
sistematização com seus alunos fazendo com que eles participem das
reflexões e indagando-os sempre que possível. Abaixo elencamos algumas
questões que podem ser explorados nesta etapa:
a) Ao se definir como etiqueta, o que é denunciado no poema?
b) Como se percebem os produtos anunciados nas peças que se usa?
c) No trecho “[…] homem-anúncio itinerante, / escravo da matéria anunciada”,
por que ele se torna um “homem-anúncio itinerante”?
d) Por que o poema retrata um sentimento de “escravo” dos produtos?
e) No trecho “em língua nacional ou em qualquer língua/ (qualquer,
principalmente)”, qual o provável idioma a que se refere o verso e por quê?
f) Como o poema descreve o homem antes de se transformar em “homem-
anúncio”?
g) Os três últimos versos apresentam o desfecho do poema. O que se critica
nesses versos?
h) O poema faz uma crítica à sociedade atual. Qual é essa crítica?
i) Selecione um trecho da poesia que demonstre a perda da identidade para a
propaganda.
j) Você, assim como o autor da poesia, também se sente “coisificado”? Por
quê?
k) Você procura “estar na moda”? Por quê?
l) Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, “estar na moda” significa abrir
mão da identidade. E na sua opinião?
Sugestão de gabarito:
a) A excessiva preocupação das pessoas com o consumo e com as marcas
dos produtos que usam.
b) Percebe-os como estranhos, muitas vezes nunca experimentados e que não
fazem parte do seu cotidiano.
c) Ao sair de casa para diversos lugares, está divulgando as marcas dos
produtos impressas nas peças do vestuário que usa.
d) Provavelmente, as pessoas se sentem obrigadas pela mídia a seguir uma
moda ou tendência, com a qual não se identificam ou de que não gostam.
e) A língua inglesa, devido à quantidade de produtos/marcas de origem
americana e de sua influência sob nossa cultura.
f) O poema o define como um ser com identidade própria, que fazia escolhas
considerando suas ideias, gostos e sentimentos e era solidário com outros
seres, também diferentes e conscientes.
g) O poema critica a transformação do homem em objeto, em “coisa”, em mais
um artigo industrial, que só existe para consumir produtos.
h) A crítica é que o homem perde a sua identidade humana. Diante do
consumo, e da publicidade, o homem não é homem é outdoor, o indivíduo, não
é especial e único, é “coisa”. O poema também critica a sociedade de consumo
e a globalização de marcas e produtos.
i) “Em minha calça está grudado um nome/ Que não é meu de batismo ou de
cartório/ Um nome… estranho.”
j) Resposta pessoal.
k) Resposta pessoal.
l) Resposta pessoal.
7ª Etapa: Redação dissertativa
A redação dissertativa é um exercício argumentativo que contribuirá para uma
melhor compreensão do tema trabalhado ao longo das aulas, e tem como
intuito estimular as reflexões e conexões com os temas transversais que foram
citados ao longo das aulas e/ou que fazem parte do contexto histórico, social e
político.
O(A) professor(a) pode solicitar que os alunos façam esta atividade em sala de
aula ou como tarefa extraclasse. É importante que o(a) professor(a) retome as
redações com seus alunos em algum momento posterior, indicando as devidas
correções e destacando os principais pontos apresentados pelos alunos, assim
como as principais dúvidas e dificuldades encontradas nos textos. A partir da
temática desenvolvida nas aulas, a sugestão é que os alunos redijam uma
redação dissertativa que explore o tema:
“Deixa que eu seja eu”: Desafios da formação e valorização da identidade.
8ª Etapa: Exercícios de fixação
Sugere-se, a aplicação de algumas questões de fixação referentes à temática
estudada, que deverão ser corrigidas e comentadas pelo(a) professor(a), de
forma a sanar eventuais dúvidas.
1) O antropólogo inglês Edward Tylor (1832-1917) foi responsável por criar a
primeira definição de cultura. Segundo o estudioso, ela representa: (…) todo
complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou
qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro
de uma sociedade. (TYLOR, E. Primitive culture. Londres: John Mursay & Co,
1871).
Sobre o conceito de cultura, é correto afirmar:
a) a cultura é universal e definida pela política, economia e educação das
sociedades em que se desenvolve.
b) a cultura é sinônimo de educação e envolve o saber sobre a arte, as leis e a
moral.
c) a cultura é conjunto de tradições, crenças e costumes de determinado grupo
social.
d) a cultura representa uma rede de significados que foi imposta pelos povos
da antiguidade.
e) a cultura gera determinados padrões que são considerados corretos e
utilizados por todos.
2) (Unicamp 2021) Como justificar que somos uma humanidade, se mais de
70% estão totalmente alienados do mínimo exercício de ser? A modernização
jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em periferias,
para virar mão de obra em centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas
de seus coletivos, de seus lugares de origem, e jogadas nesse liquidificador
chamado humanidade. Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua
memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade,
vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos. (Adaptado de Ailton
Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo. Apple Books, 2018, p. 10.)
Com base no texto e em seus conhecimentos, assinale a alternativa que
apresenta corretamente os conceitos de “alienação” e “identidade”,
respectivamente, do consumo de uma arte local.
a) dissociação dos seres humanos de algum aspecto essencial de sua
natureza; interações coletivas construídas sobre heranças espaciais e
temporalidades vividas.
b) associação dos seres humanos com a natureza fundamental das
sociedades; enraizamentos em espaços e temporalidades herdados que
constroem nexos coletivos.
c) falta de controle sobre processos sociais capitais para a vida das
pessoasapagamento dos tempos e temporalidades precedentes como forma de
vínculo coletivo.
d) consciência e controle plenos das transformações nas relações sociais;
estranhamento com relação aos espaços herdados e projetos de futuro das
coletividades.
e) criação de uma estética de resistência.
3) (Enem PPL 2020) Uma civilização é a entidade cultural mais ampla. As
aldeias, as regiões, as etnias, as nacionalidades, os segmentos religiosos,
todos têm culturas distintas em diferentes níveis de heterogeneidade cultural. A
cultura de um vilarejo no sul da Itália pode ser diferente da de um vilarejo no
norte da Itália, mas ambos compartilharam uma cultura italiana comum que os
distingue de vilarejos alemães. As comunidades europeias, por sua vez,
compartilharão aspectos culturais que as distinguem das comunidades
chinesas ou hindus. HUNTINGTON, S. P. O choque de civilizações. Rio de
Janeiro: Objetiva,1997.
De acordo com esse entendimento, a civilização é uma construção cultural que
se baseia na
a) atemporalidade dos valores universais.
b) globalização do mundo contemporâneo.
c) fragmentação das ações políticas.
d) centralização do poder estatal.
e) identidade dos grupos sociais.
4) (Enem (Libras) 2017) Para a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), é importante promover e proteger
monumentos, sítios históricos e paisagens culturais. Mas não só de aspectos
físicos se constitui a cultura de um povo. As tradições, o folclore, os saberes,
as línguas, as festas e diversos outros aspectos e manifestações devem ser
levados em consideração. Os afro-brasileiros contribuíram e ainda contribuem
fortemente na formação do patrimônio imaterial do Brasil, que concentra o
segundo contingente de população negra do mundo, ficando atrás apenas da
Nigéria. MENEZES, S. A força da cultura negra: Iphan reconhece
manifestações como patrimônio imaterial. Disponível em: www.ipea.gov.br.
Acesso em: 29 set. 2015.
Considerando a abordagem do texto, os bens imateriais enfatizam a
importância das representações culturais para a
a) construção da identidade nacional.
b) elaboração do sentimento religioso.
c) dicotomia do conhecimento prático.
d) reprodução do trabalho coletivo.
e) reprodução do saber tradicional.
5) (Uece 2019) Sob o ponto de vista da Sociologia, a juventude não é
homogênea, é plural, pois os grupos juvenis da sociedade se distinguem tanto
pelas desigualdades sociais, de raça e de gênero quanto pela diferenciação
cultural.
De acordo com a proposição acima, é correto afirmar que
a) a juventude é definida como um segmento social que partilha uma mesma
faixa de idade e expectativas de vida semelhantes.
b) juventude é o momento de entrar no mercado de trabalho para garantir o
futuro, pois é logo cedo que se aprende uma profissão.
c) os jovens, na sociedade atual, configuram o futuro do Brasil e todos têm
igualdade de oportunidades na sociedade, dependendo apenas do esforço
individual para alcançar sucesso na vida.
d) não se pode falar em juventude, mas em juventudes, devido à diversidade e
pluralidade de situações que definem o lugar e a pertença dos jovens na
sociedade.
6) (Enem PPL 2019) Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado
global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas
imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação interligados, mais as
identidades se tornam desvinculadas – desalojadas – de tempos, lugares,
histórias e tradições específicos e parecem “flutuar livremente”. Somos
confrontados por uma gama de diferentes identidades (cada qual nos fazendo
apelos, ou melhor, fazendo apelos a diferentes partes de nós), dentre as quais
parece possível fazer uma escolha. HALL, S. A identidade cultural na pós-
modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
Do ponto de vista conceitual, a transformação identitária descrita resulta na
constituição de um sujeito
a) altruísta.
b) dependente.
c) nacionalista.
d) multifacetado.
e) territorializado.
7) (Uel 2015) A sociedade, com sua regularidade, não é nada externa aos
indivíduos; tampouco é simplesmente um “objeto oposto” ao indivíduo; ela é
aquilo que todo indivíduo quer dizer quando diz “nós”. Mas esse “nós” não
passa a existir porque um grande número de pessoas isoladas que dizem “eu”
a si mesmas posteriormente se une e resolve formar uma associação. As
funções e as relações interpessoais que expressamos com partículas
gramaticais como “eu”, “você”, “ele” e “ela”, “nós” e “eles” são
interdependentes. Nenhuma delas existe sem as outras e a função do “nós”
inclui todas as demais. Comparado àquilo a que ela se refere, tudo o que
podemos chamar “eu”, ou até “você”, é apenas parte. ELIAS, N. A Sociedade
dos Indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. p.57.
O modo como as diferentes perspectivas teóricas tratam da noção de
identidade vincula-se à clássica preocupação das Ciências Sociais com a
questão da relação entre indivíduo e sociedade.
Com base no texto e nos conhecimentos da sociologia histórica, de Norbert
Elias, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a noção de origem
do indivíduo e da sociedade.
a) O indivíduo forma-se em seu “eu” interior e todos os outros são externos a
ele, seguindo cada um deles o seu caminho autonomamente.
b) A origem do indivíduo encontra-se na racionalidade, conforme a perspectiva
cartesiana, segundo a qual “penso, logo existo”.
c) A sociedade origina-se do resultado diretamente perceptível das
concepções, planejamentos e criações do somatório de indivíduos ou
organismos.
d) A sociedade forma-se a partir da livre decisão de muitos indivíduos, quando
racional e deliberadamente decide-se pela elaboração de um contrato social.
e) A sociedade é formada por redes de funções que as pessoas desempenham
umas em relação às outras por meio de sucessivos elos.
8) (Unioeste 2012) Quando falamos em identidade, logo pensamos em quem
somos. A construção de identidades como: “ser brasileiro”, “ser português”, “ser
cigano”, “ser gremista”, “ser homem”, “ser mulher” é um processo sociocultural
pelo qual se marca as fronteiras de pertencimento social e/ou cultural. Tendo
por base o anúncio transcrito acima, é correto afirmar que
a) as identidades são estáticas, é algo natural, ela nos acompanha por toda a
vida.
b) as identidades são construídas nas relações sociais, são situacionais,
relacionais e constroem-se na relação entre o “nós” e os “outros”, cria um nós
coletivo.
c) identidades surgem através de um determinismo geográfico que molda o
nosso modo de ser e agir.
d) identidades são produtos de marketing e geram vínculos entre os indivíduos.
e) identidades são heranças genéticas.
9) (Uel 2011) No dia 16 de junho de 2010, o Senado brasileiro aprovou o
Estatuto da Igualdade Racial.
Os senadores […] suprimiram do texto o termo “fortalecer a identidade negra”,
sob o argumento de que não existe no país uma identidade negra […]. “O que
existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes, o preconceito e a
discriminação não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural,
diversa e miscigenada”, defende o relatório de Demóstenes Torres.
(Folha.com. Cotidiano, 16 jun. 2010. Disponível em: Folha de S. Paulo. Acesso
em: 16 jun. 2010.)
Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre a questão da identidade,
é correto afirmar:
a) A identidade nacional brasileira é fruto de um processo histórico de
realização da harmonia das relações sociais entre diferentes raças/etnias, por
meio da miscigenação.
b) A ideia de identidade nacional é um recurso discursivo desenraizado do
terreno da cultura e da política, sendo sua base de preocupação a realização
de interesses individuais e privados.
c) Lutas identitárias são problemas típicos de países coloniais e de tradição
escravista, motivo da sua ausência em países desenvolvidos como a Alemanha
e a França.
d) Embora pautadas na ação coletiva, as lutas identitárias, a exemplo dos
partidos políticos, colocam em segundo plano o indivíduo e suas demandas
imediatas.
e) As identidades nacionais são construídas socialmente, com base nas
relações de força desenvolvidas entre os grupos, com a tendência comum de
eleger, como universais, as características dos dominantes.
Gabarito
1) C.
2) A.
3) E.
4) A.
5) D.
6) D.
7) E.
8) B.
9) E.
Exercício 1