Geometria Decriptiva I
Histórico
Os conceitos da geometria descriptiva constituem a base do
desenho técnico, onde se incluem o desenho arquitetônico, o
desenho industrial, o desenho mecânico e o desenho
topográfico. Ainda que esses conceitos já fossem abordados
intuitivamente desde a antiguidade, as bases da geometria
descritiva foram criadas no final do século XVIII pelo
matemático francês Gaspard Monge.
Histórico
De origem humilde, Monge destacou se desde cedo devido
às suas habilidades como desenhista e inventor.
Frequentando a escola militar de mézières, apresentou
um método inovador para solucionar problemas
relacionados à construção de fortificações, método que
seria o alicerce da geometria descritiva que se conhece
atualmente. Esse método foi mantido como segredo
militar até o ano de 1794, quando Monge foi autorizado a
publicá-lo, revolucionando a engenharia militar e o
desenho técnico.
Geometria Descriptiva
A geometria é um ramo da matemática, e pode ser
definida como a ciência que investiga as formas e as
dimensões das figuras existentes na natureza. A geometria
descritiva, por sua vez, é o ramo da matemática aplicada
que tem como objectivo o estudo de objetos
tridimensionais mediante projeções desses sólidos em
planos.
Geometria Descriptiva
Os elementos fundamentais da geometria são o ponto, a
reta e o plano. O ponto é o elemento mais simples, pois
não possui forma nem dimensão. Contudo, a partir do
ponto é possível obter-se qualquer outra forma
geométrica. Por exemplo, uma linha pode ser construída a
partir do movimento de um ponto no espaço.
Geometria Descriptiva
Uma reta não possui início nem fim, sendo ilimitada nos
dois sentidos. Entretanto, se marcarmos sobre uma reta
dois pontos A e B, o número infinito de pontos existentes
entre A e B constitui um segmento de reta que tem A e B
como extremos. Por outro lado, se marcarmos sobre uma
reta um ponto O, a reta ficará dividida em duas partes
chamadas semi-retas. Assim como as retas, os planos
também se estendem ao infinito. E, da mesma forma que
um ponto divide uma reta em duas semi-retas, uma reta
divide um plano em dois semiplanos.
Sistemas de projecção
O conceito de projecção pode ser entendido com a
utilização de exemplos do cotidiano, uma vez que se trata
de um fenômeno físico que ocorre na natureza e que pode
ser reproduzido pelo ser humano. Por exemplo, a sombra
de um objecto nada mais é do que a projecção desse
objecto sobre uma superfície, sob a acção de raios
luminosos. Da mesma forma, as sucessivas imagens
projectadas em uma tela de cinema são resultado da
incidência de um feixe de luz sobre as imagens contidas
em uma película.
Sistemas de projecção
Um sistema de projecção é constituído por cinco
elementos: o objecto ou ponto objectivo, a projecção,
o centro de projecção ou observador, as rectas
projectantes e o plano de projecção. Do centro de
projecção partem as rectas projectantes, que passam
pelos pontos objecto e interceptam o plano de projecção.
Tipos de projecção
Existe basicamente dois tipos de projeções, as cônicas,
quando o centro de projecção ou observador encontra-se
a uma distância finita do objecto a ser projectado e as
projecções cilíndricas, quando o o centro de projecção
observador está a uma distância infinita do ponto ou
objecto a ser projectado e estas podem ser ortogonal ou
oblíqua.
Projecção cônica ou central
Os pontos onde as projectantes interceptam o plano de
projecção correspondem às projecções dos pontos
objecto. Quando o centro de projecção está situado a uma
distância finita do objecto, as projectantes são
divergentes, dando origem à chamada projecção cônica ou
central.
Projecção cilíndrica ou paralela oblíqua
Ao contrário, quando o centro de projecção está
localizado a uma distância infinita do objecto, as
projectantes são paralelas entre si e, neste caso, tem-se a
projecção cilíndrica ou paralela.
Projecção cilíndrica ou paralela ortogonal
Quando a direção das projectantes é perpendicular ao
plano de projecção, temos a projecção cilíndrica
ortogonal.
Planos de projecção
Uma vez que uma só projecção não permite, a partir das
projecções, definir o objeto que as originou, Monge
desenvolveu um método que recorre não a uma, mas a
duas. Um deles é vertical e designa-se por Plano Vertical
de Projecção (PVP), φo (fi zero) ou (π); o outro é
horizontal e designa-se por Plano Horizontal de Projecção
(PHP), νo (niu zero) ou (π’). Esses planos cruzam-se numa
reta que se designa por linha de terra, o conjunto destes
dois planos é o que denominamos de Espaço.
Planos de projecção
A linha de terra divide os planos de projecção em
semiplanos: no Plano vertical de Projecção existe o
Semiplano Vertical Superior (SVS) ou (π’S); e o
Semiplano Vertical Inferior (SVI) ou (π’I); no Plano
Horizontal de Projecção existe o Semiplano Horizontal
Anterior (SHA) ou (πA) e o Semiplano Horizontal
Posterior (SHP) ou (πp).
Planos de projecção
Projecção
Projecção
Planos de projecção perpendiculares Semiplanos
Épura
Rebatendo-se o plano horizontal (π) sobre o vertical (π’),
ou vice-versa, é possível representar uma figura do espaço
tridimensional em um único plano. Assim, pode-se rebater
o plano (π) sobre o plano (π’), girando de 90° o plano (π)
em torno da linha de terra, no sentido horário, fazendo
com que os dois planos de projecção fiquem em
coincidência, obtendo-se o que se chama de épura. A
épura possibilita, portanto, a representação de um objeto
tridimensional em um espaço bidimensional, a folha de
papel, tornando possível a resolução de inúmeros
problemas geométricos.
Rebatimento do plano de projecção
Projecções ortogonais do objeto Épura do objeto
Projecções do ponto
No sistema mongeano, um ponto possuirá sempre duas
projeções: a horizontal e a vertical. Conhecendo-se essas
projecções, é possível determinar a posição do ponto no
espaço. Por convenção, de modo a facilitar o estudo, todo
ponto situado no espaço deve ser designado por uma letra e
devido a várias bibliografias esta designação varia, na qual
pode-se encontrar designados das seguintes formas:
Ponto no espaço: (A), Projecção no plano Horizontal: A,
Projecção no plano vertical A’.
Ponto no espaço: A, Projecção no plano Horizontal: a,
Projecção no plano vertical a’.
Ponto no espaço: A, Projecção no plano Horizontal: A1,
Projecção no plano vertical A2.
Projecções do ponto
Projecções do ponto (A) Épura do ponto (A)
Coordenadas do ponto
A distância de um determinado ponto a cada um dos planos
de projecção recebe um nome característico: a distância de
um ponto ao plano vertical de projecção é denominada
afastamento, enquanto a distância deste ponto ao plano
horizontal de projecção é chamada de cota. O afastamento
é positivo quando o ponto está na frente do plano vertical
de projecção e negativo quando o ponto está atrás deste
plano. A cota é positiva quando o ponto situa-se acima do
plano horizontal de projecção e negativa quando o ponto
está abaixo deste plano.
Coordenadas do ponto
O conhecimento da cota e do afastamento de um ponto não
é suficiente para que um ponto seja individualizado. Como
se trata de um sistema tridimensional, é necessário incluir
mais uma coordenada para que a posição do ponto fique
bem definida. Assim, inclui-se uma terceira coordenada, a
abscissa, tomada sobre a linha de terra a partir de um ponto
“O”, considerado origem, e marcado arbitrariamente
sobre esta linha. À direita deste ponto, a abscissa é
positiva; à esquerda, é negativa.
Coordenadas do ponto
Coordenadas do ponto Épura correspondente
Coordenadas do ponto
As três coordenadas descritas constituem as chamadas
coordenadas descritivas do ponto, e são apresentadas
sempre em ordem alfabética: abscissa (x), afastamento
(y) e cota (z). Assim, para um determinado ponto (P), a
indicação das coordenadas é feita da seguinte maneira:
(P)[ x ; y ; z ].
Exemplo:
Exemplo:
1) representar os pontos
(A), (B) e (C) na épura
abaixo, conhecendo-se as
suas coordenadas (em
mm) e a sua posição no
espaço. Dados:
(A)[ 0 ; 20 ; 20 ],
(B)[ -10 ; 10 ; -20 ] e
(C)[ 10 ; -30 ; 20 ].
Quadro das posições assumidas pelo ponto em
função das suas coordenadas
Projecção
Posições particulares do ponto
1. Ponto no 1°
Diedro
(afastamento e cota
positivos):
2. Ponto no 2°
Diedro
(afastamento
negativo
e cota positiva):
Posições particulares do ponto
3. Ponto no 3°
Diedro
(afastamento e cota
negativos):
4. Ponto no 4°
Diedro
(afastamento
positivo e
cota negativa):
Posições particulares do ponto
5. Ponto no
semiplano
horizontal anterior
(afastamento
positivo e
cota nula):
6. Ponto no
semiplano
horizontal posterior
(afastamento
negativo
e cota nula):
Posições particulares do ponto
7. Ponto no
semiplano
vertical superior
(afastamento nulo e
cota positiva):
8. Ponto no
semiplano
vertical inferior
(afastamento nulo e
cota negativa):
Posições particulares do ponto
9. Ponto na linha de
terra (afastamento
e cota nulos):