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Plano Municipalde Saneamento Basico Prognostico

O documento apresenta o prognóstico do Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas, MG. Inclui a projeção populacional até 2035, cenários alternativos para os serviços de saneamento e alternativas de concepção dos sistemas para atender às metas definidas. O objetivo é estabelecer o planejamento das ações visando melhorar as condições sanitárias e a qualidade de vida da população.

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Guilherme Gomez
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Plano Municipalde Saneamento Basico Prognostico

O documento apresenta o prognóstico do Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas, MG. Inclui a projeção populacional até 2035, cenários alternativos para os serviços de saneamento e alternativas de concepção dos sistemas para atender às metas definidas. O objetivo é estabelecer o planejamento das ações visando melhorar as condições sanitárias e a qualidade de vida da população.

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PLANO MUNCIPAL DE SANEAMENTO

BÁSICO
PMSB
DO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS - MG

1
TERCEIRA ETAPA

PROGNÓSTICO

JULHO DE 2015

2
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

2. METODOLOGIA ADOTADA

3. PROJEÇÃO POPULACIONAL
3.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
3.2 MÉTODOS DE ESTIMATIVA POPULACIONAL
3.3 POPULAÇÃO NO MUNICÍPIO
3.4 PROJEÇÃO POPULACIONAL PARA O MUNICÍPIO

4. CENÁRIOS ALTERNATIVOS DE METAS E DEMANDAS


4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
4.2 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA
4.2.1 Considerações Iniciais
4.2.2 Cenários do Serviço de Abastecimento de Água
4.2.3 Análise Comparativa dos Cenários do Serviço de Abastecimento de Água
4.2.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários do Serviço de Abastecimento de Água
4.3 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO
4.3.1 Considerações Iniciais
4.3.2 Cenários do Serviço de Esgotamento Sanitário
4.3.3 Análise Comparativa dos Cenários do Serviço de Esgotamento Sanitário
4.3.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários do Serviço de Esgotamento Sanitário
4.4 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE LIMPEZA URBANA E MANEJO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
4.4.1 Considerações Iniciais
4.4.2 Cenários do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos
4.4.3 Análise Comparativa dos Cenários do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos
Sólidos
4.4.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos
Sólidos
4.5 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE DRENAGEM URBANA E MANEJO DAS ÁGUAS PLUVIAIS
4.5.1 Considerações Iniciais
4.5.2 Cenários para a Drenagem Urbana e o Manejo de Águas Pluviais
4.5.3 Análise Comparativa dos Cenários para a Drenagem Urbana e o Manejo de Águas Pluviais
4.5.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários para a Drenagem Urbana e o Manejo de Águas Pluviais

5. ALTERNATIVAS PARA OS COMPONENTES DO SISTEMA DE SANEAMENTO


5.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
5.1.1 Objetivos e metas pretendidas com a implantação do PMSB
5.2 ALTERNATIVAS DE GESTÃO DO SISTEMA DE SANEAMENTO
3
5.2.1 Modelo de gestão dos serviços de saneamento básico
5.2.2 Estimativa de demandas por serviços de saneamento básico para o período do PMSB
5.2.3 Alternativas para o atendimento das demandas dos 4 (quatro) eixos dos serviços
5.2.4 Definição de responsabilidades dos serviços de saneamento básico tratados no PMSB para atendimento das
carências existentes, de acordo com a lei 11.445/07
5.2.5 Modelo de fiscalização e regulação dos serviços locais de saneamento básico
5.3 VIABILIDADE FINANCEIRA PARA IMPLEMENTAÇÃO DAS ALTERNATIVAS
5.3.1 Análise da viabilidade técnica e econômico-financeira da prestação dos serviços considerando os cenários
dos objetivos, metas, programas, projetos e ações

6. ARTICULAÇÃO COM OUTROS SETORES CORRELACIONADOS


6.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
6.2 SAÚDE
6.3 MEIO AMBIENTE
6.4 HABITAÇÃO
6.5 EDUCAÇÃO

7. ANEXOS

8. RELATÓRIO FOTOGRÁFICO

4
1. INTRODUÇÃO

O objetivo geral do Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas é estabelecer o


planejamento das ações, com participação popular, buscando atender aos princípios da Política
Nacional de Saneamento Básico, da Política Estadual de Saneamento Básico e da Política
Municipal de Saneamento, com vistas à melhoria das condições sanitárias e ambientais do
município e, consequentemente, da qualidade de vida da população.

Como alicerce do planejamento das ações, foi elaborado e apresentado o Produto II –


Diagnóstico que apresenta o estado presente dos serviços de saneamento básico em Três Pontas.

O ato de planejar consiste, portanto, em partir desse estado presente do objeto para definir o
estado futuro desejado.

É neste contexto que se insere o presente relatório de Prognósticos e alternativas para a


universalização, condicionantes, diretrizes, objetivos e metas que tem como objetivo definir o estado
futuro desejado a partir da construção de cenários alternativos para os serviços de abastecimento
de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana.

Dessa forma, o PROGNÓSTICO parte do estado presente apresentado anteriormente para


definir o estado futuro dos serviços de saneamento.

O presente relatório está estruturado com os seguintes tópicos principais:


_ Metodologia;
_ Projeção populacional;
_ Cenários alternativos de metas e demandas;
_ Alternativas para os componentes do sistema de saneamento;
_ Articulação com outros setores correlacionados.

Para melhor visualização da estrutura definida para o PMSB de Três Pontas, dividida em
produtos que abordam, cada um, temas específicos, foi elaborado o FLUXOGRAMA apresentado a
seguir:

5
DIAGNÓSTICO PROJEÇÕES
D
I ESTUDO
A POPULACIONAL
G
N P2
O
S
T DEMANDAS DEMANDAS
I
C
O

CENÁRIOS
P
R
O
G TENDENCIAL POSSÍVEL IDEAL
N
Ó
P3
S
T UNIVERSALIZAÇÃO
I
C
O
ESCOLHA DO CENÁRIO

OBJETIVOS E METAS CONDICIONANTES E DIRETRIZES


A
Ç
Õ EMERGÊNCIAS E
E P4 CONTINGÊNCIAS
S
PROGRAMAS PROJETOS E AÇÕES

AÇÕES PREVISÃO DE CUSTOS CRONOGRAMA

C
O
N MECANISMOS DE CONTROLE
T P5
R
O
L
E

P6 RELATÓRIO FINAL CONFERÊNCIA

6
2. METODOLOGIA ADOTADA

A metodologia de trabalho utilizada no presente relatório de PROGNÓSTICO foi traçada em


quatro itens principais conforme quadro abaixo:

Seqüência metodológica do prognóstico

 Projeção Populacional
As projeções populacionais têm como principal propósito subsidiar os planejadores, tanto das
esferas públicas quanto dos setores privados, na delimitação de cenários futuros de atuação e na
formulação de políticas de curto, médio e longo prazo.
A projeção populacional foi a base para a construção dos cenários alternativos de metas e
demandas do Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas. Foram adotadas projeções
existentes de órgãos oficiais ou de estudos correlatos de prestadores de serviço.
A projeção abrangeu toda a área de planejamento das ações e foi desenvolvida para um
horizonte de 20 anos, no período compreendido entre 2015 e 2035, devendo ocorrer a primeira
revisão e atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas em 2019.

 Cenários alternativos de Metas e Demandas


Após o desenvolvimento da projeção populacional para a área de planejamento das ações do
Plano, partiu-se para a construção de cenários alternativos de metas quantitativas com suas
respectivas demandas por serviços de saneamento.
Em resumo, esses cenários tiveram como objetivo principal identificar e comparar as
alternativas de intervenção, observado o sistema territorial, os aspectos demográficos e os aspectos
operacionais específicos de cada serviço de saneamento.
A abordagem de cenários adota a incerteza como elemento central e pressuposto para o
trabalho de formulação de alternativas, uma vez que considera que o futuro não é determinado e
nem inteiramente previsível. Desta forma, no estudo de cenários não se propõe eliminar as
7
incertezas, mas sim delimitar as alternativas prováveis, visando orientar o processo decisório e
iluminar as escolhas estratégicas de desenvolvimento.
Assim, os cenários procuram descrever os futuros plausíveis para apoiar a decisão e a
escolha de alternativas, destacando-se, portanto, como ferramenta eficaz de planejamento.
A atividade de construção de cenários constitui um processo de reflexão estratégica sobre as
possibilidades de desdobramentos futuros da realidade presente e de suas implicações para a
sociedade e atores envolvidos com o saneamento básico.
Utilizou-se de diversas variáveis ou condicionantes para a construção dos cenários definidos
neste relatório.
As variáveis traçadas contemplaram aspectos operacionais e específicos de cada de serviço
de saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de
resíduos sólidos e drenagem urbana e manejo das águas pluviais.
Para cada variável/condicionante específica foram elaboradas hipóteses, otimistas a
pessimistas, do futuro. Os cenários produzidos resultaram então da combinação das variáveis e
hipóteses.

 Alternativas e Concepção dos Sistemas que atendam as Metas e demandas


O presente relatório apresenta a proposição de alternativas de concepção dos sistemas de
saneamento que atendam às metas e demandas traçadas no item anterior.
É importante destacar que não cabe a este Plano apresentar alternativas de concepção
detalhadas para cada serviço, mas sim compatibilizar as disponibilidades e necessidades desses
serviços para a população, associando alternativas de intervenção e estabelecendo a concepção
macro e geral dos sistemas.
A existência de estudos e projetos para cada serviço é o ponto de partida para a
determinação das alternativas de concepção. Contudo, observa-se, em geral, a carência por estes
estudos e projetos na área de saneamento. Desta forma, as alternativas de concepção aqui
apresentadas foram focadas em parâmetros usuais e metodologias simplificadas de forma a estimar
e quantificar as necessidades futuras de intervenções.

 Articulação com outros setores correlacionados


Setores como saúde, habitação, meio ambiente, recursos hídricos, educação estão
correlacionados com os assuntos relativos ao saneamento básico. Sendo assim, torna-se
necessário a formulação de mecanismos de articulação e integração das políticas, programas e
projetos de saneamento com estes outros setores para eficácia, eficiência e efetividade das ações
preconizadas.

 Gerenciamento dos resíduos sólidos


Visando também a formulação de estratégias para a elaboração do Plano Municipal de
Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, foram providenciadas as seguintes ações:
a) identificação de área para disposição final de rejeitos;
b) identificação das possibilidades de implantação de soluções consorciadas ou compartilhadas com
outros Municípios;
c) identificação dos resíduos sólidos e dos geradores sujeitos a plano de gerenciamento específico;
d) sistema de cálculo dos custos da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo
de resíduos sólidos, bem como a forma de cobrança desses serviços, observada a Lei nº 11.445, de
2007;
e) metas de redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a
quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final;
f) medidas saneadoras para os passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos.

8
3. PROJEÇÃO POPULACIONAL

3.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Em geral, as projeções populacionais têm como principal propósito subsidiar os planejadores,


tanto das esferas públicas quanto dos setores privados, na formulação de políticas de curto, médio
e longo prazo.
Neste Plano, definida a população para o horizonte de planejamento que é de 20 anos e de
posse das informações levantadas no diagnóstico da situação dos serviços de saneamento, serão
avaliados os balanços entre oferta e demanda destes e serão estabelecidas as ações que visem à
minimização dos déficits dos serviços nos diferentes cenários de metas e demandas.
Portanto, a projeção da população é parâmetro essencial na definição das demandas futuras
que visam à universalização dos serviços relacionados ao saneamento no município de Três
Pontas.
Na projeção da população concorrem inicialmente três fatores fundamentais: os dados do
IBGE, principalmente os dos censos mais recentes; a tendência histórica de crescimento; e a
distribuição espacial da população ao longo dos anos até o horizonte de projeto.
O município de Três Pontas possui extensa área territorial com 663 km2, e é subdividido em
área rural, urbana e de expansão urbana. A área urbana e de expansão urbana estão dentro do s
limites do perímetro urbano, definido em lei. Na área ocupada (malha urbana) encontra-se
significativa oferta de lotes vagos e na área de expansão urbana, passível de parcelamento, ainda
ocorrem atividades agrícolas.
Em síntese, observa-se que a sede municipal de Três Pontas não tem limitação à expansão
territorial.

3.2 MÉTODOS DE ESTIMATIVA POPULACIONAL

Os estudos de projeção populacional são normalmente bastante complexos. Devem ser


analisadas todas as variáveis (infelizmente nem sempre quantificáveis) que possam interagir na
localidade específica em análise. Ainda assim, podem ocorrer eventos inesperados que mudem
totalmente a trajetória prevista para o crescimento populacional.
Tendo em vista a dificuldade de se obter todas as variáveis que podem interagir com o
crescimento da população, normalmente são utilizados métodos matemáticos de estimativa
populacional, utilizando para tais, valores históricos da população.

3.3 POPULAÇÃO NO MUNICÍPIO

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, através dos censos demográficos,


oferece uma base histórica confiável para subsidiar a projeção populacional de Três Pontas - MG. O
quadro apresentado a seguir mostra os dados censitários para a sede do município.

9
População Urbana da População Rural
Ano
Sede (hab) (hab)
1991 33.631 12.201
2000 40.670 10.354
2007 43.966 8.155
2010 46.280 7.580
Fonte: IBGE – Dados dos Censos Demográficos

Em 2007, houve apenas contagem da população, não sendo os dados tão precisos e
confiáveis como naqueles anos em que foi realizado censo demográfico.
Para os anos em que houve censo, ou seja, 1991, 2000 e 2010 a população de Três Pontas
foi de 33.631, 40.670 e 46.280 habitantes, respectivamente. As taxas geométricas anuais de
crescimento foram de 2,13% para o período de 1991/2000, 1,72% para o período de 2000/2007 e
1,12% para o período de 2007/2010.
Os últimos dados censitários no Brasil têm indicado uma tendência geral de redução nas
taxas anuais de crescimento populacional. O município de Três Pontas não foge a esta tendência,
sendo observada uma taxa declinante no crescimento populacional.
Para os anos de 1991, 2000, 2007 e 2010 a população rural de Três Pontas foi de 12.201,
10.354, 8.155 e 7.580 habitantes, respectivamente. O êxodo rural é irreversível e crescente no
município. A mecanização agrícola e a abertura de crédito para construção de unidades
habitacionais, através dos programas do governo, são os principais fatores que trazem o homem do
campo para a cidade. Porém optou-se pela inclusão da zona rural nos cenários normativos
escolhidos para este plano uma vez que as normas previstas são de universalização dos quatro
serviços hora abordados. Outro fato que induziu a inclusão da zona rural neste trabalho foi o
atendimento as reinvindicações da população que foram expostas nas diversas reuniões
participativas realizadas durante a elaboração deste plano.

3.4 PROJEÇÃO POPULACIONAL PARA O MUNICÍPIO

No que diz respeito à população devem ser considerados dois itens fundamentais, quais
sejam, a população atual e a evolução desta mesma população ao longo do alcance do plano.
O alcance do Plano foi definido para 20 anos e a seguir está demonstrada a estimativa da
evolução da população urbana de Três Pontas, ao longo deste tempo previsto.
Para a estimativa da população foram utilizados quatro diferentes métodos algébricos de
projeção: as projeções, aritmética e geométrica e os métodos da taxa decrescente de crescimento e
do crescimento logístico. Os dois últimos impõem a necessidade de populações de no mínimo três
períodos distintos, sendo que o último impõe ainda que os dados sejam eqüidistantes no tempo.
Esse motivo somado à necessidade de se ter anos mais espaçados entre si levou à escolha dos
anos de 1991, 2000 e 2010.

De acordo com o quadro têm-se as seguintes nomenclaturas:


to= 1991 P0= 33.631 habitantes;
t1= 2000 P1= 40.670 habitantes;
t2= 2010 P2= 46.280 habitantes.

10
Projeção Aritmética
O coeficiente Ka de crescimento é calculado da seguinte forma:
P  P0 46.280  33.631
Ka  2   665,73
t2  t0 2010  1991

A população em um ano t qualquer é dada pela equação:


Pt  P0  K a  (t  t 0 )  33.631  665,73  (t  1991)

Projeção Geométrica
Cálculo do coeficiente e da população:
ln P2  ln P0 ln 46.280  ln 33.631
Kg    0,017
t2  t0 2010  1991
K g ( t t0 )
Pt  P0  e  33.631 e 0,017(t 1991)

Taxa decrescente de crescimento


A população de saturação da cidade é dada da seguinte forma:
2  P0  P1  P2  P12  ( P0  P2 ) 2  33.631 40.670  46.280  40.670 2  (33.631  46.280)
Ps    57.124
P0  P2  P12 33.631 46.280  40.670 2
Cálculo do coeficiente e da população:
 ln[( Ps  P2 ) /( Ps  P0 )]  ln[(57.124  46.280) /(57.124  33.631)]
Kd    0,041
t2  t0 2010  1991

Pt  P0  ( Ps  P0 )  [1  e  Kd (t t0 ) ]  33.631  (57.124  33.631)  [1  e 0,041(t 1991) ]

Crescimento Logístico
Verificação do atendimento ao pressuposto para utilização da equação do crescimento logístico:
 Dados censitários eqüidistantes no tempo: OK (espaçamento entre os dados de 09 e 10
anos);
 P0 < P1 < P2: 33.631 hab < 40.670 hab < 46.280 hab – OK;
 P0.P2 < P12: 33.631 . 46.280 < 40.6702 →[Link] < [Link] – OK.

Cálculo dos coeficientes:


2  P0  P1  P2  P12  ( P0  P2 ) 2  33.631  40.670  46.280  40.670 2  (33.631  46.280)
Ps    57.124
P0  P2  P12 33.631  46.280  40.670 2
( P  P0 ) (57.124  33.631)
c s   0,699
P0 33.631
1  P  ( Ps  P1 )  1  33.631  (57.124  40.670) 
Kl   ln  0   ln    0,055
t 2  t1  P1  ( Ps  P0 )  2010  2000  40.670  (57.124  33.631) 

Equação da projeção:

11
Ps 57.124
Pt  Kl ( t t0 )

1 c  e 1  0,699  e 0,055(t 1991)

Interpretação dos Resultados


No Quadro que segue são apresentadas as projeções populacionais realizadas utilizando-se
os diferentes métodos citados.

Projeções Populacionais
População
Ano
Aritmética Geométrica Decrescente Logística
2000 39623 39122 40835 40023
2001 40288 39785 41484 40670
2002 40954 40459 42108 41302
2003 41620 41144 42707 41919
2004 42286 41842 43281 42521
2005 42951 42551 43833 43107
2006 43617 43272 44363 43676
2007 44283 44005 44872 44230
2008 44949 44751 45361 44767
2009 45614 45509 45830 45288
2010 46280 46280 46280 45792
2011 46946 47064 46712 46280
2012 47611 47862 47128 46752
2013 48277 48673 47526 47207
2014 48943 49498 47909 47647
2015 49609 50336 48276 48071
2016 50274 51189 48629 48479
2017 50940 52057 48968 48872
2018 51606 52939 49293 49251
2019 52272 53836 49605 49614
2020 52937 54748 49905 49963
2021 53603 55676 50193 50298
2022 54269 56619 50469 50620
2023 54935 57579 50734 50928
2024 55600 58554 50989 51223
2025 56266 59547 51234 51506
2026 56932 60556 51469 51777
2027 57598 61582 51694 52036
2028 58263 62625 51911 52283
2029 58929 63686 52119 52520
2030 59595 64766 52318 52746
2031 60260 65863 52510 52961
2032 60926 66979 52694 53167
2033 61592 68114 52870 53364
2034 62258 69268 53040 53551
2035 62923 70442 53203 53730
12
O gráfico a seguir apresenta as diferentes projeções de população.

Gráfico das diferentes projeções populacionais estudadas

Projeção Populacional - Três Pontas / MG


70000
68000
66000
64000
Aritimética
62000
60000
58000
Geométrica
56000
54000
52000
Decrescente
50000
48000
46000 Logística
44000
42000
40000
38000
36000
34000
32000
30000

Pelo gráfico e pela tabela, observam-se os seguintes pontos, específicos para esse conjunto
de dados:
Visualmente nota-se que os métodos logísticos e taxa decrescente de crescimento não se
ajustam bem à tendência crescente apresentada pelas populações utilizadas na projeção.
A projeção geométrica conduz a valores estimados futuros bastante elevados, que poderão
ou não vir a ser verdadeiros, mas que se afastam bastante das demais projeções.
A projeção aritmética ficou visualmente na média das demais projeções, apresentando
valores compatíveis com as populações medidas e índices de crescimento com tendência a
estabilizar em torno e 1,2% dentro de uma taxa compatível com cidades do mesmo porte sendo,
portanto, a considerada neste Plano.

É apresentada no Quadro que segue a projeção populacional urbana a ser usada no Plano
Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas – Projeção Aritmética.

13
Projeção Populacional
Ano População (hab) Ano População (hab)
2000 39623 2018 51606
2001 40288 2019 52272
2002 40954 2020 52937
2003 41620 2021 53603
2004 42286 2022 54269
2005 42951 20223 54935
2006 43617 2024 55600
2007 44283 2025 56266
2008 44949 2026 56932
2009 45614 2027 57598
2010 46280 2028 58263
2011 46946 2029 58929
2012 47611 2030 59595
2013 48277 2031 60260
2014 48943 2032 60926
2015 49609 2033 61592
2016 50274 2034 62258
2017 50940 2035 62923

Projeção Populacional Curto – Médio – Longo prazo


14
Da mesma forma, é apresentada no Quadro que segue a projeção populacional rural a ser
usada no Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas – Projeção Aritmética.

EVOLUÇAO DA POPULAÇÃO RURAL DE TRÊS PONTAS PERÍODO 2015 - 2035

ANO POPULAÇÃO
2015 6365
2016 6121
2017 5877
2018 5634
2019 5391
2020 5148
2021 4904
2022 4661
2023 4418
2024 4175
2025 3932
2026 3688
2027 3445
2028 3202
2029 2959
2030 2716
2031 2472
2032 2229
2033 1986
2034 1743
2035 1500
PROJEÇÃO ARITMÉTICA

4. CENÁRIOS ALTERNATIVOS DE METAS E DEMANDAS

4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Os cenários produzidos em um processo de planejamento visam uma descrição de um futuro


– possível, imaginável ou desejável –, a partir de hipóteses ou possíveis perspectivas de eventos,
embasadas no conhecimento da situação atual do município.
Os cenários de planejamento devem ser divergentes entre si, desenhando futuros distintos.
O processo de construção de cenários promove assim uma reflexão sobre as alternativas de
futuro e, ao reduzir as diferenças de percepção entre os diversos atores interessados, melhoram a
tomada de decisões estratégicas por parte dos gestores.
Neste Plano, o percurso metodológico adotado para o desenvolvimento dos diferentes
cenários de atendimento orientou-se pela elaboração de uma matriz de interação das principais
variáveis de interesse para os serviços de saneamento, relacionadas às hipóteses que vislumbram
diferentes horizontes de planejamento e, conseqüentemente, ao atendimento às metas futuras.

15
 _Definição das variáveis
As variáveis utilizadas para os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e
limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos são ilustradas na figura a seguir.

A variável unidade territorial aparece nos quatro serviços relacionados acima. É de suma
importância a definição do território para as ações de saneamento básico, na medida em que este
incorpora, a uma porção da superfície terrestre, o elemento humano e as relações sociais, políticas,
econômicas e culturais que estabelecem. O elemento humano não pode ser ignorado quando da
proposição de intervenções nas áreas, porque se assim o for, haverá comprometimento da
efetividade, eficiência e eficácia das ações. A natureza do acesso aos serviços e soluções de
saneamento básico deve ser vista sob a perspectiva das pessoas e dos lugares.
Dessa forma, no Plano Municipal de Saneamento Básico de Três Pontas a unidade territorial
foi considerada como uma variável para a construção dos diversos cenários. Em um primeiro
momento foi considerada como unidade territorial apenas a área urbana de Três Pontas. Outra
visão considerada foi a zona rural incluída nos cenários, tendo em vista a busca da universalização
do serviço. É plenamente coerente com a realidade do município esta hipótese tendo em vista que o
SAAE não atende a zona rural no tocante ao abastecimento de água potável e tampouco à coleta de
esgoto e a perspectiva de atendimento no horizonte do PMSB deverá ser arduamente perseguida.
Outras variáveis utilizadas na definição dos cenários são específicas aos quatro serviços em
questão e influenciaram na construção dos cenários alternativos de metas e demandas. São elas:
- para o serviço de abastecimento de água, o aumento do volume de captação; o controle do uso
de defensivos agrícolas e os tratamentos alternativos para a zona rural.
- para o serviço de esgotamento sanitário, a retirada de esgoto dos córregos e o tratamento de
esgotos.
- para o serviço de limpeza urbana, a cobertura e eficiência da coleta; a cobertura da coleta
seletiva e a disposição dos resíduos.
- para o serviço de drenagem urbana, a cobertura de microdrenagem; domicílios acometidos
por inundações e o uso do solo.

16
Ainda em relação às variáveis que compõem os cenários alternativos de cada um dos
serviços de saneamento vale ressaltar que não há necessidade de serem as mesmas extraídas
através de índices obtidos a partir da base de dados do SNIS/Autarquia/Prefeitura e mesmo de
outras fontes de referência, visto que, os índices de atendimento/cobertura na área urbana de Três
Pontas são de grau elevado e não requerem acréscimos percentuais ao longo da vigência do plano.
As variáveis adotadas no PMSB de Três Pontas dizem sim respeito aos problemas detectados
no produto 2 (Diagnóstico) e são aqui propostas ações para saná-los no decurso da vigência deste
plano.

 Proposição das hipóteses


Após a definição das variáveis para os serviços de saneamento, foram propostas hipóteses
de variação das mesmas para o futuro esperado. Foram formuladas três hipóteses para cada
serviço, sendo a primeira a mais otimista e a terceira tendendo para um futuro mais pessimista,
conforme ilustrado pela figura a seguir.

 Construção dos cenários


A partir da associação das hipóteses com as variáveis, foram definidos os diversos cenários
passíveis de ocorrência para os serviços de saneamento básico. Para cada serviço em estudo foram
elaborados cenários, conforme exemplo ilustrado na figura a seguir.

HIPÓTESE 1 HIPÓTESE 2 HIPÓTESE 3

VARIÁVEL
1

VARIÁVEL
2

VARIÁVEL 3

VARIÁVEL 4

cenários cenários cenários


17
A partir dos cenários plausíveis de ocorrerem, foi eleito apenas um como referência para a
definição das alternativas e dos programas de obras e ações necessários para o atendimento das
metas. O cenário escolhido indica um futuro possível, e, até certo ponto desejável, constituindo o
ambiente para o qual se desenvolve o planejamento e suas diretrizes e estratégias, metas e
investimentos necessários para alcançar o planejado.
Os demais cenários apresentados são mantidos como referências para o planejamento, de tal
forma que, caso o monitoramento do cenário indique desvios do cenário inicialmente escolhido no
presente PMSB, correções sejam implementadas nas futuras revisões do Plano.

 Horizonte do PMSB
De acordo com o Termo de Referência (TR) do Plano Municipal de Saneamento Básico de
Três Pontas, o planejamento das ações será para um horizonte de 20 anos. Contudo, as demandas
e respectivas ações necessárias para atendimento às metas serão estratificadas em horizontes
parciais, conforme apresentado a seguir e ilustrado pela figura:
_ Curto prazo: até 4 anos;
_ Médio prazo: entre 4 e 8 anos;
_ Longo prazo: entre 8 e 20 anos.

Fica mantido o inicio deste Plano em 2015, o que acarretará a sua primeira revisão em 2019.

4.2 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

4.2.1 Considerações Iniciais


No Produto II do Plano de Saneamento – Diagnóstico - foram apresentadas as condições
atuais do sistema de abastecimento de água do município de Três Pontas, levando em
consideração suas particularidades e capacidades estruturais. Do diagnóstico foram retirados dados
pertinentes à construção dos cenários alternativos de metas e demandas, a saber:

_ Volume de água produzido:


Atualmente a disponibilidade de água do Córrego Custodinho e Ribeirão Espera atende a
demanda da cidade. Apenas em períodos de estiagem, quando diminui a vazão do Córrego
Custodinho, ocorre a utilização das águas dos Córregos Quatis e Formiga.
No Ribeirão Espera, em períodos de estiagem, a vazão mínima é de 900l/s. Atualmente são
retirados apenas 106l/s. A extensão da adutora de água bruta do sistema Sete Cachoeiras é de
aproximadamente12 km. Para demanda futura será necessário construção de nova rede, paralela à
existente, para adução de maior volume de água. Será também necessária ampliação da Estação
de Tratamento de Água 2 – ETA 2 para capacidade de mais 106l/s. O SAAE já possui outorga para

18
esta vazão futura de 212 l/s. A Estação de Tratamento de Água 1 – ETA 1 opera atualmente 100 l/s
e a ETA 2 80 l/s.
O SAAE possui recursos próprios para elaboração do projeto de duplicação do Sistema Sete
Cachoeiras e melhorias do sistema existente. Sendo assim, prevê-se que em curto espaço de tempo
o projeto viabilizará a busca de recursos para sua execução. Será composto de:
-Diagnósticos e estudos de alternativas necessários;
-Levantamentos topográficos e geotécnicos;
-Projeto básico e executivo, ampliação das unidades de captação, adutora e estações elevatórias de
água bruta do Subsistema Sete Cachoeiras da atual vazão de 80l/s para 200l/s;
-Projeto básico de ampliação da capacidade da estação de tratamento de água de 80l/s para 200l/s,
englobando todas as adequações necessárias para seu funcionamento. A princípio contempla-se
um projeto de reestruturação na ETA existente, permitindo um aumento da capacidade nominal de
80l/s para 100l/s e um projeto de uma nova ETA, em paralelo a ETA existente ,com capacidade
nominal de 100l/s;
-Projeto básico da unidade de tratamento de resíduos (UTR) da estação de tratamento de água,
para ETA de 200l/s.
De acordo com estudos preliminares, estima-se um valor de aprox. R$20.000.000,00 para
execução de toda a obra de duplicação do Sistema Sete Cachoeiras e melhorias no sistema
existente.

Dessa forma, uma das variáveis utilizadas na construção dos cenários do serviço de
abastecimento de água é o aumento do volume de água produzido com a estruturação do sistema
para tal fim.

_ Defensivos agrícolas:
A economia do município de Três Pontas está diretamente ligada a atividades rurais, com
predominância da cultura do café. Mas o plantio é diversificado e vemos o cultivo de soja, milho,
alface e outros. São atividades que demandam uso de agrotóxicos, defensivos e outros produtos
considerados poluentes.
As fontes de abastecimento público de água são protegidas com mata nativa a montante da
captação respeitando o limite de segurança de um raio de no mínimo 30m de distância. O SAAE em
parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente realizam constantes trabalhos de
preservação das nascentes. Mas a continuidade dos trabalhos de preservação das áreas
envolvendo as captações de água para abastecimento público é de fundamental importância.

Dessa forma, uma das variáveis utilizadas na construção dos cenários do serviço de
abastecimento de água é a discussão desse tema, visando preservar a qualidade da água e do solo
no município.

_ Tratamentos alternativos:
O abastecimento de água na zona rural de Três Pontas ocorre primordialmente através de
captação direta em minas sem qualquer tipo de tratamento. Na prática observa-se a instalação de
uma tubulação geralmente de mangueira plástica que liga, por gravidade, as nascentes até as
moradias dotadas de pequenos reservatórios localizados nas suas proximidades. Destes
reservatórios a água se distribui para os diversos pontos de consumo. Como tratamento primário
ocorre somente a filtração para água de consumo humano (filtros). Raramente detecta-se um
tratamento por cloração com a assistência do SAAE. Constata-se a utilização de poços e bicas em
algumas localidades.
19
A Secretaria Municipal da Saúde, através da sua Vigilância Sanitária, orienta a população
residente na zona rural quanto aos cuidados básicos com a água a ser consumida e quanto ao uso
da mesma na limpeza de alimentos, principalmente frutas e hortaliças. Orienta também quanto ao
tratamento da água por cloração, mas o resultado destes trabalhos não têm sido satisfatório.
Constata-se que mesmo nos equipamentos urbanos existentes na zona rural, ou seja, nas escolas,
nos postos de saúde não existe um tratamento adequado para a água consumida pela população.
O SAAE não atua na zona rural de Três Pontas, ou seja, a zona rural não está inserida no
sistema de abastecimento de água da cidade, por questões óbvias de operação e custos. Entretanto
pode disponibilizar soluções e orientações aos moradores da zona rural, quanto ao uso adequado
da água para consumo.

Dessa forma, uma das variáveis utilizadas na construção dos cenários do serviço de
abastecimento de água é o tratamento da água na zona rural do município.

A partir das considerações, apresentam-se os cenários plausíveis para o serviço de


abastecimento de água de Três Pontas.

Variáveis Hipótese 1 Hipótese 2 Hipótese 3

Unidade População urbana População urbana e


Territorial rural

Volume Elevação do volume de Elevação do volume de Elevação do volume de captação


captação com implantação de captação com implantação de com implantação de medidas em
produzido medidas em curto prazo medidas em médio prazo longo prazo

Inserir cenários
Defensivos Controle efetivo do uso Controle regular do uso Controle deficiente do uso
agrícolas

Tratamentos Implantação rápida Implantação moderada


alternativos

C1 C2 C3 C4

A seguir serão apresentadas as principais considerações para os quatro cenários definidos.

4.2.2 Cenários do Serviço de Abastecimento de Água

O Cenário 1 é a situação idealizada, onde seriam alavancados investimentos em curtíssimo


prazo e a otimização do serviço de abastecimento de água, em quantidade e qualidade adequada,
seria atingida em um breve espaço temporal.

As principais características deste cenário são as apresentadas a seguir:

A unidade territorial é caracterizada pelo município de Três Pontas, abrangendo a sede,


distrito do Pontalete, povoado do Quilombo de Nossa Senhora do Rosário e a zona rural.
Considera-se, para efeito de cálculo das demandas por água, neste cenário, a população urbana e
rural.
20
Neste cenário pressupõe-se uma intensificação dos estudos e investimentos em curto prazo,
a fim de elevar o volume de água produzido a ser disponibilizado para a população o mais breve
possível.

Outra característica deste cenário é a implantação rápida do controle do uso de agrotóxicos


no município, através de regulamentação municipal. A Cooperativa de Cafeicultores da Zona de
Três Pontas – COCATREL mostra preocupação com a sustentabilidade do setor cafeeiro.

Página de Revista mensal da COCATREL

A considerável parcela da população fixada na zona rural do município, obedecendo ao


direito da universalização do serviço de abastecimento de água deve ser atendida, em curto
período, com a implantação de sistemas de tratamento alternativos, tendo em vista a realidade atual
onde ocorre o consumo de água com qualidade suspeita e sem adição de cloro e flúor, portanto, em
desacordo com a Portaria nº 518/2004 do Ministério da Saúde.
Neste cenário pressupõe-se a desativação destes mecanismos precários de captação,
reservação e consumo de água.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

21
_ Percentual de aumento de volume produzido

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
AUMENTO DO 0% 95 % 95 % 97 % 97 % 99 %
VOLUME
PRODUZIDO

Percentual de aumento de volume de água produzido que se propõe atingir neste cenário.

_ Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DEFENSIVOS 0% 80 % 95 % 97 % 97 % 99 %
AGRÍCOLAS

Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas a ser atingido em conformidade com a


legislação municipal a ser criada.

_ Percentual de implantação de tratamentos alternativos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
TRATAMENTOS 0% 80 % 95 % 97 % 97 % 99 %
ALTERNATIVOS

Percentual que se propõe atingir em relação ao tratamento alternativo de água para consumo
na zona rural.

A partir das informações apresentadas, percebe-se claramente que as ações do Cenário 1


são focadas no horizonte de curto prazo. Dessa forma, nos primeiros quatro anos de vigência do
PMSB, seriam implementadas ações e implantadas infraestrutura de abastecimento de água de
forma a elevar significativamente o volume de água produzido e a garantir a qualidade da água a
ser consumida pela população do município.
Essas ações exigiriam, além de investimentos imediatos maciços no setor, uma base de
estudos e projetos já disponível para direcionamento das ações e captação de recursos. Entretanto,
o que se verifica é uma inexistência de estudos e projetos focados no sistema de abastecimento de
água.
Observa-se também a carência de legislação acerca da regulamentação do uso de
agrotóxicos no município, assunto abordado também no Plano Estratégico de Desenvolvimento
Integrado de Três Pontas – PEDI.

22
A variável “Unidade Territorial” está focada na implantação do tratamento alternativo na zona
rural. Neste cenário busca-se atingir 80% da área do município a ser coberta por este benefício num
curto espaço de tempo.

O Cenário 2 pode ser considerado a situação mais factível, onde a maior parte dos
investimentos se dá em médio prazo.

As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

A unidade territorial considerada é a mesma descrita no Cenário 1, ou seja, é caracterizada


pelo município de Três Pontas, envolvendo a área urbana e a área rural.

Neste cenário pressupõe-se uma intensificação dos estudos e projetos a curto/médio prazo e
a implantação dos mesmos em médio prazo, de forma intensa, buscando a totalidade dos resultados
esperados dentro do horizonte deste plano.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de aumento de volume produzido

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
AUMENTO DO 0% 10 % 80 % 97 % 97 % 99 %
_ VOLUME
Índice de controle do uso de defensivos agrícolas
PRODUZIDO

Percentual de aumento de volume de água produzido que se propõe atingir neste cenário.

_ Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DEFENSIVOS 0% 10 % 70 % 90 % 97 % 99 %
AGRÍCOLAS

Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas a ser atingido em conformidade com a


legislação municipal a ser criada.

_ Percentual de implantação de tratamentos alternativos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
TRATAMENTOS 0% 20 % 50 % 70 % 80 % 99 %
ALTERNATIVOS
23
Percentual que se propõe atingir em relação ao tratamento alternativo de água para consumo
na zona rural.

Diferentemente do cenário anterior, o Cenário 2 tem as ações focadas em curto e médio


prazo. No Cenário 2 prevê-se que as ações a serem implementadas deverão seguir diretrizes de
estudos e projetos a serem elaborados em um curto período de tempo. Ou seja, prevê-se que os
investimentos iniciais priorizem o planejamento das ações a serem tomadas. De posse de projetos
com soluções para os problemas a serem sanados e também de ampliação do sistema de forma a
garantir o abastecimento de água à população futura, em médio prazo, as ações seriam no sentido
de buscar recursos e viabilizar a execução das obras projetadas. No que diz respeito ao controle do
uso de agrotóxicos e implantação de tratamentos alternativos é certa a necessidade de
regulamentação sobre o assunto, a nível municipal, e a necessidade de intenso trabalho de
conscientização da população.

O Cenário 3 leva em consideração as mesmas metas de atendimento estabelecidas no


Cenário 2, entretanto, as demandas são realizadas visando apenas a população urbana de Três
Pontas, ou seja, desconsidera-se o atendimento a população rural, a curto e médio prazos. As
ações na área urbana são priorizadas e a perspectiva é de um êxodo rural crescente.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de aumento de volume produzido

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
AUMENTO DO 0% 10 % 80 % 97 % 97 % 99 %
_ VOLUME
Índice de controle do uso de defensivos agrícolas
PRODUZIDO

Percentual de aumento de volume de água produzido que se propõe atingir neste cenário.

_ Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DEFENSIVOS 0% 10 % 70 % 90 % 97 % 99 %
AGRÍCOLAS

Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas a ser atingido em conformidade com a


legislação municipal a ser criada.

Da mesma forma que o cenário anterior, o Cenário 3 tem as ações focadas em curto e médio
prazo. No Cenário 3 prevê-se também ações que deverão seguir diretrizes de estudos e projetos a
serem elaborados em um curto período de tempo. Os investimentos iniciais deverão ter como
objetivo o planejamento das ações a serem tomadas. Em médio prazo seriam implantadas as
24
medidas necessárias para solução dos problemas dentro das variáveis “Volume Produzido” e
“Defensivos Agrícolas”, tendo em vista que a abrangência deste cenário se resume a população
urbana.

O Cenário 4 é a situação onde prevaleceria a morosidade das ações resultando em


investimentos em longo prazo. Como no cenário 3, as demandas são realizadas visando apenas a
população urbana de Três Pontas, ou seja, desconsidera-se o atendimento a população rural dentro
do horizonte do Plano.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de aumento de volume produzido

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
AUMENTO DO 0% 5% 10% 30 % 70 % 99 %
_ VOLUME
Índice de controle do uso de defensivos agrícolas
PRODUZIDO

Percentual de aumento de volume de água produzido que se propõe atingir neste cenário.

_ Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DEFENSIVOS 0% 5% 15 % 40 % 80 % 99 %
AGRÍCOLAS

Percentual de controle do uso de defensivos agrícolas a ser atingido em conformidade com a


legislação municipal a ser criada.

Diferentemente dos cenários anteriores, o Cenário 4 tem as ações focadas em longo prazo.
As demandas são realizadas visando apenas a população urbana de Três Pontas, ou seja,
desconsidera-se o atendimento a população rural. É um cenário tendencial, ou seja com tendência
de continuísmo da situação atual.

4.2.3 Análise Comparativa dos Cenários do Serviço de Abastecimento de Água

A comparação entre os cenários tem como objetivo apresentar o reflexo das diferentes metas
estabelecidas nas demandas futuras do sistema de abastecimento de água, no controle do uso de
defensivos agrícolas e na implantação de tratamentos alternativos na zona rural de Três Pontas, ao
longo dos anos.

25
Primeiramente, com relação a demandas futuras que estão diretamente relacionadas ao
aumento do volume de água produzido, verifica-se que foram traçadas três hipóteses, sendo que o
Cenário 1 propõe a elevação do volume de captação com implantação de medidas em curto prazo,
de cunho bastante otimista; os Cenários 2 e 3 propõem medidas em médio prazo constituindo uma
evolução moderada e o Cenário 4 propõe a implantação de medidas em longo prazo, tratando-se de
situação bastante pessimista.

Com relação ao controle do uso de defensivos agrícolas verifica-se que foram traçadas três
hipóteses, sendo que o Cenário 1 propõe o controle efetivo do uso num curto espaço de tempo, os
Cenários 2 e 3 propõem o controle regular do uso a médio prazo e o Cenário 4 propõe medidas de
controle a longo prazo, constituindo um controle deficiente de uso.

Quanto à implantação de tratamentos alternativos, verifica-se que foram traçadas duas


hipóteses, sendo que o Cenário 1 propõe medidas para que isso ocorra de forma rápida, ou seja,
em curto espaço de tempo, proposta bastante otimista e o Cenário 2 propõe sua implantação
moderada, a médio prazo.

No que diz respeito à unidade territorial observa-se que os Cenários 1 e 2 abrangem toda a
população do município, ou seja, a população urbana e rural. Já os Cenários 3 e 4 se restringem à
população urbana.

4.2.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários do Serviço de Abastecimento de Água

A adoção do Cenário 1 seria, sem sombra de dúvidas, uma condição a ser perseguida para a
universalização do abastecimento de água em quantidade e qualidade adequadas à população de
Três Pontas, entretanto, no que pese o desejo e necessidade de ações que busquem este objetivo,
o intervalo de tempo para implementação das ações necessárias em curto prazo é pouco
sustentável, tendo em vista que as etapas de estudos e planejamentos seriam atropeladas por um
desejo maior de realizar as ações.
Ainda que factíveis do ponto de vista de engenharia, a implementação das metas em curto
prazo (conforme Cenário 1) esbarram nos aspectos financeiros, que vão além da vontade dos
gestores e prestações e anseios da sociedade.

Por outro lado, o Cenário 4 seria aquele com menores investimentos a curto e médio prazo,
postergando a universalização do abastecimento de água e, portanto, na contramão das políticas
atuais do país. Além disso, a exclusão da população rural no horizonte do plano não é desejável,
apesar da fragilidade financeira da maior parte dos municípios.

Da mesma forma, o Cenário 3 abrange apenas a população urbana, dentro do horizonte do


plano. A proposição deste cenário 3 se faz necessária tendo em vista a escassez de recursos para
novos investimentos, o que obriga o poder público a priorizar ações, o crescente êxodo rural e
considerando a grande extensão da área rural do município.

Portanto, na adoção de um cenário, é importante considerar a capacidade do órgão operador


em cumprir as metas estabelecidas, em nível técnico, operacional, financeiro e administrativo, e
ainda, em uma unidade territorial condizente com a realidade local. De posse do exposto, o Cenário
2 passa a ser o mais plausível de se alcançar, tendo em vista a sustentabilidade do sistema. Propõe
ações focadas em curto e médio prazo, ou seja, prevê-se que os investimentos iniciais priorizem o
planejamento das ações seguindo diretrizes de estudos e projetos elaborados em um curto período
26
de tempo. De posse de projetos, em médio prazo, as ações seriam no sentido de buscar recursos e
viabilizar a execução das obras projetadas, a fiscalização do atendimento as normas legais e a
implantação de programas de conscientização da população quanto ao uso racional da água e
quanto aos cuidados relativos à preservação do meio ambiente. O Cenário 2 apresenta abrangência
da população urbana e rural o que vai de encontro às diretrizes de universalização dos serviços de
saneamento básico.

Ano População (hab) Ano População (hab)


2000 39623 2018 51606
2001 40288 2019 52272
2002 40954 2020 52937
2003 41620 2021 53603
2004 42286 2022 54269
2005 42951 20223 54935
2006 43617 2024 55600
2007 44283 2025 56266
2008 44949 2026 56932
2009 45614 2027 57598
2010 46280 2028 58263
2011 46946 2029 58929
2012 47611 2030 59595
2013 48277 2031 60260
2014 48943 2032 60926
2015 49609 2033 61592
2016 50274 2034 62258
2017 50940 2035 62923

Para as projeções relativas ao Sistema de Abastecimento de Água de Três Pontas foram


utilizados os dados técnicos fornecidos pelo SAAE, relacionados a seguir.

Relativos à sede do município:


_ Produção atual (L/s): 180
_ Índice de atendimento do sistema público na Área Urbana (%): 100
_ Índice de atendimento do sistema público na Área Rural (%): 0
_ Índice de perdas atual (%): 30
_ Número total atual de economias: 19.294
_ Número total de ligações: 20.858
_ Número total de ligações com hidrômetro: 18.760
_ Extensão de rede (metros): 221.055

27
_ Volume de reservação existente (m³): 6.704
_ Consumo per capita (L/[Link]): 150 **
_ Taxa de ocupação (hab/economia): 2,57
_ Relação economia/ligação: 0,92
_ Relação rede/economia: 11,45
_ Relação rede/ligação: 10,60
_ Relação rede/habitante: 4,45
_ Índice de hidrometração: 100%
_ Índice de substituição de hidrômetros (%): 0
_ Índice de substituição de rede (%): 0
_ Taxa de ocupação Rural (hab/economia): 3,57

** Conforme orientação revisada do órgão prestador de serviço – SAAE - o consumo per capita
diário para projeções de consumo será 150 L/[Link] e não 178 L/[Link] como constou no Produto
2 deste PMSB - Diagnóstico.

Relativos ao povoado Quilombo Nossa Senhora do Rosário:


_ Número total atual de economias: 207
_ Número total de ligações: 255
_ Número total de ligações com hidrômetro: 249
_ Extensão de rede (metros): 3.000
_ Volume de reservação existente (m³): 50
_ Índice de hidrometração: 100%

Relativos ao povoado do Pontalete:


_ Número total atual de economias: 141
_ Número total de ligações: 177
_ Número total de ligações com hidrômetro: 170
_ Extensão de rede (metros): 2.300
_ Volume de reservação existente (m³): 80
_ Índice de hidrometração: 100%

Resumo dos cenários para Abastecimento de Água


ABASTECIMENTO DE AGUA
CENÁRIOS

Cenário Tendencial (3 e 4): considera a manutenção das condições atuais,


desconsiderando-se a população rural e morosidade nas ações.
Cenário Desejável (2): considera a adequação do serviço em curto e médio prazo
sendo este o prazo adequado para execução das obras de duplicação do sistema sete
cachoeiras e elaboração da legislação municipal para controle do uso de agrotóxicos
no âmbito do município.
Cenário Otimista (1): considera a adequação do serviço em curto prazo. Neste caso
as ações se dariam de imediato, o que inviabiliza o resultado principalmente pela falta
de recursos e necessidade a lei municipal para controle do uso de agrotóxicos na
agricultura local.
28
4.3 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO

4.3.1 Considerações Iniciais


Da mesma forma que no item anterior, do Produto II do Plano de Saneamento – Diagnóstico –
foram retirados dados do sistema de esgotamento sanitário do município, pertinentes à construção
dos cenários alternativos de metas e demandas, a saber:

_ Retirada de esgoto dos córregos:

O sistema de esgotamento sanitário de Três Pontas é composto de ligações prediais, rede


coletora, três elevatórias e interceptores. Os efluentes são lançados “in natura” nos corpos
receptores, ou seja, nos córregos, sendo este um dos principais problemas do esgotamento
sanitário nas áreas urbanas de Três Pontas. Interceptores foram implantados ao longo de trecho do
Córrego dos Bambús, ao longo do Córrego Candongas, do Córrego Custodinho e mais
recentemente ao longo do Córrego dos Quatis. Porém a rede ao longo do Córrego dos Bambús tem
que ser complementada, no trecho localizado entre a Avenida Ipiranga e a Avenida Nilson Vilela,
trecho este com aproximadamente 2 Km de extensão. Também os interceptores têm que ser
implantados ao longo do Córrego Formiga. Cabe citar outros problemas identificados na área
urbana de Três Pontas que são as ligações de esgoto sanitário cruzadas com as redes pluviais. Na
zona rural, conforme constatado no produto 2 – Diagnóstico – o destino dos esgotos é diverso,
sendo na maioria dos casos carreados para cursos d’água situados nas proximidades das
comunidades rurais. O SAAE também não atua na zona rural de Três Pontas, ou seja, a zona rural
não está inserida no sistema de esgotamento sanitário da cidade, por questões óbvias de operação
e custos. Entretanto pode disponibilizar soluções e orientações aos moradores da zona rural,
quanto ao destino adequado do esgoto produzido.

_ Tratamento do esgoto:

29
Não existe tratamento de esgoto na cidade de Três Pontas. Os efluentes são coletados e
direcionados para os cursos d’água que cortam o Município. Os córregos e mananciais do Município
pertencem à bacia hidrográfica do Rio Verde, que é uma sub-bacia do Rio Grande.
O destino final do esgoto coletado no município de Três Pontas é o lago de Furnas, onde
alias, deságuam também os principais cursos d’água coletores de esgoto das cidades lindeiras ao
lago. Portanto, este é um problema regional a ser encarado de maneira global envolvendo as três
esferas de governo, os comitês de bacias e através dos programas governamentais ligados ao
saneamento básico.
O Município possui um Projeto para construção de uma ETE que prevê o tratamento de todo
o esgoto sanitário gerado na cidade. Este projeto já foi objeto de contrato de repasse de recursos
entre o Ministério de Cidade e o Município. Porém expirou em 11/09/2013. Houve uma atualização
dos valores da Planilha Orçamentária que faz parte deste projeto e foi feita nova solicitação de
recursos ao Ministério da Cidade. Estima-se um valor aproximado para construção da ETE de
R$20.000.000,00. Lembrando que o SAAE dispõe de terreno próprio para construção da estação,
situado a aproximadamente 3km da malha urbana.
Atualizando o diagnóstico realizado recentemente, relativo aos serviços de saneamento
básico no município de Três Pontas, acrescentamos que o SAAE realizou as obras de coleta
(interceptores) e tratamento de esgoto no Quilombo Nossa Senhora do Rosário que atende a uma
população de 1.500 habitantes.

A partir das considerações, apresentam-se os cenários plausíveis para o serviço de


esgotamento sanitário de Três Pontas.

Variáveis Hipótese 1 Hipótese 2 Hipótese 3

Unidade População urbana População urbana e


Territorial rural

Retirada de
Curto prazo Médio prazo Longo prazo
esgoto dos
córregos
Inserir cenários
Tratamento
Curto prazo Médio prazo Longo prazo
do esgoto

C1 C2 C3

Ações relativas ao esgotamento sanitário para atendimento a população rural estarão


discriminadas no Produto 4.

A seguir serão apresentadas as principais considerações para os três cenários definidos.

4.3.2 Cenários do Serviço de Esgotamento Sanitário

30
Assim como no serviço de abastecimento de água, neste item o Cenário 1 também é
considerado como a situação idealizada, onde seriam alavancados investimentos em curtíssimo
prazo.

As principais características deste cenário são as apresentadas a seguir:

A unidade territorial é caracterizada pelo município de Três Pontas, abrangendo a sede,


distrito do Pontalete, povoado do Quilombo de Nossa Senhora do Rosário e a zona rural.

Depreende-se que as ações do Cenário 1 são claramente focadas no horizonte de curto


prazo. Dessa forma, nos primeiros quatro anos de vigência do PMSB seriam implementadas ações e
implantadas infraestrutura de esgotamento sanitário de forma a elevar significativamente o índice de
retirada de esgoto dos córregos e a viabilizar o tratamento adequado destes dejetos.

Há que se ressaltar que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Três Pontas já adquiriu
terreno para a implantação de ETEs e possui projeto de engenharia elaborado para este fim.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de retirada de esgoto dos córregos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
RETIRADA DE 0% 85 % 95 % 97 % 97 % 99 %
ESGOTO DOS
CÓRREGOS

Percentual de retirada de esgoto dos córregos que se propõe atingir, neste cenário, ao longo
do período de vigência do plano, através de implantação de emissários na zona urbana e de
construção de fossas na zona rural.

_ Percentual de tratamento do esgoto

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
TRATAMENTO DO 0% 80 % 95 % 97 % 98 % 99 %
ESGOTO

A proposta é a revisão e atualização de projeto, implantação e operação da estação de


tratamento de esgoto dentro do horizonte do plano, sendo que a maioria das ações seria realizada
em curto espaço de tempo, conforme percentuais indicados acima.

A partir das informações apresentadas, percebe-se claramente que as ações do Cenário 1


são focadas no horizonte de curto prazo, ou seja, nos primeiros quatro anos de vigência do PMSB.
Essas ações exigiriam, além de investimentos imediatos no setor, uma base de estudos e
projetos já disponível para direcionamento das ações e captação de recursos. Como dito
31
anteriormente, o município dispõe de projetos de engenharia para construção de emissários e para
implantação de ETEs. Entretanto, são projetos a serem reavaliados e cuja implantação requer
recursos vultosos.

O Cenário 2 pode ser considerado a situação mais factível, onde a maior parte dos
investimentos se dá em médio prazo.

As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

As demandas são realizadas visando apenas a população urbana de Três Pontas, ou seja,
desconsidera-se o atendimento a população rural, dentro do horizonte do Plano.

Neste cenário propõe-se uma intensificação dos estudos e projetos a curto/médio prazo,
ressaltando que os projetos existentes deverão ser reavaliados e/ou atualizados. Em médio prazo
ocorreria a implantação dos mesmos, de forma intensa, buscando a totalidade dos resultados
esperados dentro do horizonte deste plano.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de retirada de esgoto dos córregos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
RETIRADA DE 0% 65 % 95 % 97 % 98 % 99 %
ESGOTO DOS
CÓRREGOS

Percentual de retirada de esgoto dos córregos que se propõe atingir ao longo do período de
vigência do plano, através de implantação de emissários na zona urbana.

_ Percentual de tratamento do esgoto

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
TRATAMENTO DO 0% 60 % 90 % 97 % 98 % 99 %
ESGOTO

A proposta é a revisão e atualização de projeto, implantação e operação da estação de


tratamento de esgoto dentro do horizonte do plano, sendo que a maioria das ações seria realizada
em médio espaço de tempo, conforme percentuais indicados acima.

Por fim, o Cenário 3 do serviço de esgotamento sanitário é aquele onde prevaleceria a


morosidade das ações, resultando, portanto, em investimentos em longo prazo.
32
As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

Da mesma forma que no cenário anterior, as demandas são realizadas visando apenas a
população urbana de Três Pontas, ou seja, desconsidera-se o atendimento a população rural,
dentro do horizonte do Plano.

É a situação onde prevaleceria a morosidade das ações resultando em investimentos em


longo prazo.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de retirada de esgoto dos córregos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
RETIRADA DE 0% 5% 15 % 30 % 80 % 99 %
ESGOTO DOS
CÓRREGOS

Percentual de retirada de esgoto dos córregos que se propõe atingir ao longo do período de
vigência do plano, através de implantação de emissários na zona urbana.

_ Percentual de tratamento do esgoto

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
TRATAMENTO DO 0% 2% 8% 25 % 70 % 99 %
ESGOTO

A proposta é a revisão e atualização de projeto, implantação e operação da estação de


tratamento de esgoto dentro do horizonte do plano, sendo que a maioria das ações seria realizada
em longo espaço de tempo, conforme percentuais indicados acima.

Diferentemente dos dois cenários anteriores, o Cenário 3 tem as ações focadas em longo
prazo. As demandas são realizadas visando apenas a população urbana de Três Pontas, ou seja,
desconsidera-se o atendimento a população rural. É um cenário pessimista uma vez que adia
demasiadamente a implantação de obras imprescindíveis para a retirada do esgoto dos córregos,
para o seu devido tratamento e consequentemente para a melhoria da qualidade da água que tem
como destino o Lago de Furnas.

33
4.3.3 Análise Comparativa dos Cenários do Serviço de Esgotamento Sanitário

Como puderam ser observados, os três cenários abordados são uma tentativa de se
quantificar as demandas pelo serviço de esgotamento sanitário segundo os horizontes de
planejamento (curto, médio e longo prazos).

Atenta-se que o cenário 1 considera toda a população do município de Três Pontas, ou seja,
população urbana e rural, enquanto que os cenários 2 e 3 referem-se a população urbana do
município.

Percebe-se que a situação atual de Três Pontas é extremamente precária no tocante ao


tratamento dos esgotos. Para se reverter situação, são necessários esforços e ações expressivas
pelo poder público.

Para o Cenário 1 foi considerado um crescimento elevado em curto prazo, o que exige
investimentos imediatos no setor. O cenário 2 focou nas ações em curto e médio prazos, enquanto
no Cenário 3 há um prolongamento das ações para longo prazo.

4.3.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários do Serviço de Esgotamento Sanitário

Diante dos três cenários estudados, a adoção do Cenário 1 como sendo a condição a ser
perseguida no planejamento das ações seria a mais ideal. Contudo, o intervalo de tempo proposto
para implementação das obras e ações é extremamente curto, exigindo esforços que fogem um
pouco da realidade atual do município de Três Pontas e da conjectura nacional do saneamento
básico, haja vista o exposto no Plano Nacional de Saneamento Básico - Plansab.
Por outro lado, o Cenário 3 ilustra uma realidade bastante pessimista de investimentos,
sendo a universalização do serviço de esgotamento sanitário atingida apenas em longo prazo.
Torna-se, portanto, um cenário não condizente com as necessidades reais da população.
Já no Cenário 2 objetivou-se apresentar metas moderadas, mais condizentes com a
realidade local, contudo apenas para a população urbana do município.

Por fim, de posse do exposto, as metas estabelecidas no Cenário 2 passam a ser as mais
plausíveis de se alcançar, tendo em vista a sustentabilidade do sistema.
Entende-se que o atendimento a zona rural é de extrema importância. Porém, diante da
precariedade da situação relativa a tratamento do esgoto gerado na área urbana e dos autos custos
estimados para as obras que se fazem necessárias no setor, ações voltadas para a área rural
deverão ser realizadas em longo prazo, pós-horizonte do plano, atentando para a forte tendência
existente de êxodo rural, no município.
Entretanto, ações de caráter educativo podem e devem ser realizadas pelo poder público na
zona rural a qualquer tempo. São medidas que demandam baixos custos e que obtêm enormes
resultados no que diz respeito à saúde da população ali residente e aos cuidados com o meio
ambiente. Soluções e orientações quanto ao destino adequado do esgoto produzido devem ser
levadas aos moradores da zona rural juntamente com um trabalho eficiente de conscientização da
importância da preservação dos recursos hídricos e da sua própria qualidade de vida para que
estas melhores soluções sejam concretizadas por eles.

Para as projeções relativas ao Sistema de Coleta de Esgoto em Três Pontas foram utilizados
os dados técnicos fornecidos pelo SAAE, relacionados a seguir:
_ Índice atual de atendimento pela rede coletora do sistema público (%): 100
34
_ Índice atual de tratamento pelo sistema público: (%):100
_ Índice de atendimento do sistema altenativo (%): 0
_ Número de ligações de esgoto: 19.294
_ Número de economias de esgoto: 19.294
_ Extensão de rede coletora (metros): 221055
_ Índice de não atendimento pelo sistema público (%): o
_ Capacidade instalada de tratamento (L/s): 0
_ Coeficiente de retorno – C: 0,8
_ Geração per capita de esgoto Consumo per capita (L/[Link]): 120
_ Taxa de infiltração – qi (L/s.m): 0,0002
_ Taxa de ocupação (hab/economia): 2,57
_ Relação economia/ligação: 0,92
_ Relação rede/economia: 11,45
_ Relação rede/ligação: 10,6
_ Relação rede/habitante: 4,45
_ Taxa de ocupação Rural (hab/unid. residencial): 3,57

Resumo dos cenários para Coleta de Esgoto


COLETA DE ESGOTO
CENÁRIOS
Cenário Tendencial (3): considera a manutenção das condições atuais,
desconsiderando-se a população rural e atraso na retirada de esgoto dos córregos e
postergando o tratamento dos esgotos.
Cenário Desejável (2): considera a adequação do serviço em curto e médio prazo,
sendo este o prazo adequado para execução das obras e obtenção dos recursos
necessários para execução das mesmas.
Cenário Otimista (1): considera a adequação do serviço em curto prazo. Neste caso
as ações se dariam de imediato, o que inviabiliza o resultado principalmente pela falta
de recursos.

4.4 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE LIMPEZA URBANA E MANEJO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

4.4.1 Considerações Iniciais

No Produto II do Plano de Saneamento – Diagnóstico - foram apresentadas as condições


atuais do sistema de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos do município de Três Pontas,
levando em consideração suas particularidades e capacidades estruturais. Do diagnóstico foram
retirados dados pertinentes à construção dos cenários alternativos de metas e demandas, a saber:

_ Cobertura e eficiência de coleta:

35
No atual sistema municipal de limpeza urbana de Três Pontas o serviço de coleta domiciliar /
comercial regular é prestado à população residente na sede do município (índice de cobertura de
100%), na vila de Pontalete, no povoado denominado Quilombo Nossa Senhora do Rosário e na
Escola Agrícola. No centro da cidade e nos bairros mais antigos, melhor dotados de infra-estrutura
urbana, a coleta regular é diária, de segunda a sábado, com início às 6:00 horas e término às 15:30
horas. Nos bairros novos e nos que estão em fase de ocupação, a coleta é feita em dias alternados,
três ou duas vezes por semana.
Na vila de Pontalete, no Quilombo Nossa Senhora do Rosário e na Escola Agrícola, a coleta é
realizada duas vezes por semana, todas as terças-feiras e quintas-feiras.
Em Três Pontas acontecem duas feiras hortifrutigranjeiras, sendo uma aos sábados, no
período da manhã, próximo ao prédio da prefeitura e outra aos domingos, no bairro Padre Vitor. Os
resíduos gerados nestes locais são coletados pela Prefeitura no encerramento da atividade.
Constata-se que o número de lixeiras existentes nos logradouros públicos da cidade é
insuficiente. Andando pelas praças, tanto pelas centrais como pelas periféricas; observando as
principais vias de acesso onde o trânsito de pedestres é intenso, encontramos poucas unidades
instaladas e às vezes em locais inadequados como é o caso de uma lixeira que se encontra sobre o
córrego dos Bambus, fixada na grade de proteção da ponte. O estado de conservação das lixeiras
existentes também é precário e acabam se transformando em focos de contaminação de doenças,
tendo em vista a sujeira que permanece nas mesmas, mesmo após da retirada do lixo.
Atualizando o diagnóstico acrescentamos que se encontra em fase de conclusão a
construção de um barracão com 300 m2 para armazenamento temporário dos pneus inservíveis
coletados em Três Pontas. O barracão está situado em terreno pertencente ao patrimônio público,
próximo às instalações da Secretaria de Meio Ambiente.

Fora das áreas urbanas municipais, a coleta de resíduos sólidos é insipiente. Algumas
propriedades rurais para obterem o certificado de regularidade ambiental fornecido pelo município
se propuseram a encaminhar os resíduos sólidos gerados nas mesmas para o aterro controlado
municipal. Porém não é feito qualquer tipo de controle deste encaminhamento.
Observa-se nas margens de algumas estradas vicinais a disposição de lixo das comunidades
próximas para ser recolhido pela prefeitura. Mas a grande massa de resíduos sólidos gerados na
área rural é incinerado ou disposto na natureza. Existem situações em que valas são abertas em
propriedades rurais para disposição de todo tipo de resíduo sólido, inclusive animais mortos e em
certos casos, próximas de cursos d’água e nascentes.

_ Cobertura de coleta seletiva:

36
A Prefeitura implantou, em 2001, um projeto piloto de Coleta Seletiva, com a criação da
Associação Trespontana de Catadores de Materiais Recicláveis – ATREMAR. Desde a implantação
deste projeto de Coleta Seletiva, o poder público municipal vem dando apoio operacional à
realização dos trabalhos dessa entidade.
Uma parcela dos resíduos sólidos recicláveis de origem domiciliar e comercial gerados em Três
Pontas é coletada pela ATREMAR e por catadores autônomos. Outra parte, que se encontra
misturada aos resíduos orgânicos é coletada pela Prefeitura municipal e disposta no atual aterro
controlado. Não existe mapa com indicação da área de abrangência da coleta seletiva feita pela
ATREMAR. Hoje, trabalham na ATREMAR 12 catadores.
A ATREMAR faz um controle mensal da quantidade de resíduos comercializados, por tipo. As
planilhas com a somatória dos dados do ano de 2012 e de janeiro a agosto de 2013 fazem parte do
Diagnóstico.
Os recicláveis coletados por catadores autônomos são vendidos para proprietários de depósitos
situados em pontos diversos da cidade, onde são triados, acondicionados e/ou prensados e
revendidos. As condições destes depósitos são de um modo geral, precárias, o que acarreta
problemas sanitários e ambientais para a população que reside no entorno dos mesmos.
O poder público municipal construiu recentemente um galpão para sede da ATREMAR com
recursos oriundos da FUNASA. Este galpão conta com mais de 1.200 m2 de construção e é dotado
de infraestrutura adequada ao fim a que se destina. Localiza-se no Distrito Industrial, parte baixa da
área urbana, o que facilita o transporte dos resíduos coletados pelos catadores. Nesta sede,
recentemente construída, foram instalados equipamentos para pesagem e prensa dos materiais
recicláveis. Também foi adquirido um caminhão para auxiliar na coleta seletiva. Os equipamentos
citados e o caminhão foram adquiridos também com recursos oriundos da FUNASA. Neste galpão,
além das atividades já desenvolvidas pela ATREMAR, haverá o recebimento de óleo de cozinha
para reaproveitamento. Existe uma expectativa de que, com estas novas instalações e com os novos
equipamentos para operacionalização da coleta dos materiais recicláveis, a entidade agregue maior
número de catadores ampliando assim a área de abrangência da coleta seletiva.
Encontram-se atualmente cadastradas na Secretaria Municipal de Assistência Social de Três
Pontas 34 famílias de catadores de materiais recicláveis.

_ Disposição dos resíduos:

O lixo domiciliar, comercial e público coletado é conduzido ao aterro controlado, que é


operado diariamente, de segunda a sábado, com compactação e recobrimento sistemático dos
resíduos.
Na mesma área onde está sendo operado o aterro controlado encontra-se implantado um
Aterro Sanitário.
Visando a obtenção da Licença de Operação - LO, para o aterro sanitário, a atual
administração municipal procura sanar as últimas pendências relativas à obra de implantação do

37
mesmo, objetivando o inicio da sua operação. Neste sentido estão sendo executados serviços
diversos em atendimento as solicitações da SUPRAM-Varginha, a saber:
- Limpeza das canaletas de drenagem pluvial;
- Desobstrução da caixa central coletora de chorume da plataforma 1;
- Limpeza da via de acesso e contorno da plataforma;
- Ocupação antecipada da sede administrativa;
- Confecção dos drenos de gases com pneus conforme PCA;
- Aquisição de brita e matacão para os drenos de líquidos percolados;
- Adequação do Projeto de dreno dos líquidos percolados face às alterações de projeto
- Recuperação da manta da vala de enterramento de animais mortos.
. Outras providências estão previstas como a limpeza geral da área e a definição da equipe
de funcionários que trabalharão na operação do aterro sanitário após a concessão da Licença de
Operação, pela SUPRAM.

A partir do exposto, apresentam-se os cenários plausíveis para o serviço de limpeza urbana e


manejo de resíduos sólidos de Três Pontas.

Variáveis Hipótese 1 Hipótese 2 Hipótese 3

Unidade População urbana População urbana e


Territorial rural

Cobertura e Cobertura 100% com total Cobertura 100% com total Cobertura 100% com total eficiência
eficiência em curto prazo eficiência em médio prazo em longo prazo
eficiência da
coleta
Inserir cenários
Cobertura da Cobertura 100% em curto Cobertura 100% em médio Cobertura 100% em longo
coleta seletiva prazo prazo prazo

Disposição LO e operação do Aterro LO e operação do Aterro LO e operação do Aterro


final dos Sanitário em curto prazo Sanitário em curto prazo Sanitário em longo prazo
resíduos

C1 C2 C3
4

A seguir serão apresentadas as principais considerações para os três cenários definidos.


38
4.4.2 Cenários do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos

Assim como nos serviços já descritos, ou seja, de abastecimento de água e esgoto sanitário,
neste item o Cenário 1 também é considerado como a situação idealizada, onde seriam
alavancados investimentos em curtíssimo prazo para a adequação dos serviços inerentes a limpeza
urbana e manejo de resíduos sólidos.

As principais características deste cenário são as apresentadas a seguir:

A unidade territorial é caracterizada pelo município de Três Pontas, abrangendo a sede,


distrito do Pontalete, povoado do Quilombo de Nossa Senhora do Rosário e a zona rural.

Depreende-se que as ações do Cenário 1 são claramente focadas no horizonte de curto


prazo. Dessa forma, nos primeiros quatro anos de vigência do PMSB seriam efetivados programas
que ampliassem a abrangência da coleta seletiva, outros que trouxessem maior eficiência ao serviço
de limpeza urbana e, ainda planejamento e ações voltadas ao atendimento à zona rural do
município. Também, em breve espaço temporal seria priorizada a operação do Aterro Sanitário
conforme as determinações constantes no seu Plano de Controle Ambiental - PCA.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de cobertura e eficiência da coleta

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA E 0% 96 % 97 % 97 % 98 % 99 %
EFICIÊNCIA DA
COLETA

Percentual de cobertura e eficiência da coleta de resíduos domiciliares que se propõe atingir,


neste cenário, ao longo do período de vigência do plano através de ações de planejamento
adequadas. Abrangência: zona urbana e rural.

_ Percentual de cobertura da coleta seletiva

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA DA 0% 95 % 97 % 98% 98 % 99 %
COLETA SELETIVA

Percentual de cobertura da coleta seletiva em todo o município no horizonte do plano.

39
_ disposição final dos resíduos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
OPERAÇÃO DO 0% 97 % 98 % 98% 98 % 99 %
ATERRO
SANITÁRIO

Percentual de disposição adequada dos resíduos sólidos gerados em todo o município ao


longo do horizonte do plano.

No Cenário 1 espera-se alcançar os objetivos almejados para a limpeza urbana, coleta dos
resíduos na zona rural e destinação adequada aos mesmos no horizonte de curto prazo. É sem
dúvida a situação ideal, mas uma meta ambiciosa uma vez que demandaria elaboração e
implantação de programas de forma imediata e disponibilidade de recursos, também em curto
espaço de tempo.
Há de se acrescentar que este cenário envolve a população residente na zona rural do
município, de grande extensão territorial, o que poderia chegar a inviabilizar um resultado final e
eficaz, em tão curto espaço de tempo.

No Cenário 2 foram estabelecidas metas a médio prazo de forma a proporcionar um intervalo


de tempo que possibilite a articulação entre diferentes esferas da municipalidade com o setor
empresarial com vistas à cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos
sólidos. Da mesma forma, os trabalhos de mobilização da população, diretamente envolvida no
processo, seriam realizados em médio prazo, acreditando-se assim, em resultados mais
consistentes e permanentes.

As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

As demandas são realizadas visando apenas a população urbana de Três Pontas, ou seja,
desconsidera-se o atendimento a população rural, dentro do horizonte do Plano.

Neste cenário propõe-se uma a elaboração e implantação dos programas necessários para
maior eficiência e abrangência dos serviços de limpeza urbana, inclusive a extensão do programa
de coleta seletiva já implantada. No que diz respeito à operação do aterro sanitário, propõe-se que
aconteça em curto prazo, com total atendimento ao disposto no Plano de Controle Ambiental _ PCA.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de cobertura e eficiência da coleta

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA E 0% 90 % 95 % 98 % 98 % 99 %
EFICIÊNCIA DA
COLETA
40
Percentual de cobertura e eficiência da coleta de resíduos domiciliares que se propõe atingir,
neste cenário, ao longo do período de vigência do plano através de ações de planejamento
adequadas. Abrangência: zona urbana.

_ Percentual de cobertura da coleta seletiva

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA DA 0% 90 % 95 % 97% 98 % 99 %
COLETA SELETIVA

Percentual de cobertura da coleta seletiva na área urbana, no horizonte do plano.

_ disposição final dos resíduos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
OPERAÇÃO DO 0% 97 % 98 % 98% 98 % 99 %
ATERRO
SANITÁRIO

Percentual de disposição adequada dos resíduos sólidos gerados na área urbana ao longo
do horizonte do plano.

Neste cenário objetiva-se alcançar maior eficiência no serviço de limpeza urbana e a


extensão do programa de coleta seletiva na busca de uma abrangência de 100 % da área urbana,
em médio prazo. Deverá haver uma intensificação e extensão do trabalho de mobilização popular,
buscando a conscientização população quanto à importância da separação dos materiais recicláveis
nas residências.
Quanto à operação do aterro sanitário propõe-se que aconteça em curto espaço de tempo.
Este cenário apresenta a situação mais factível.

Por fim, o Cenário 3 do serviço de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos é aquele
onde prevaleceria a morosidade das ações, resultando, portanto, em implantação e/ou
intensificação de programas em longo prazo.

As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

Da mesma forma que no cenário anterior, as demandas são realizadas visando apenas à
população urbana de Três Pontas, ou seja, desconsidera-se o atendimento a população rural,
dentro do horizonte do Plano.

41
É a situação onde prevaleceria a morosidade das ações onde os resultados almejados
aconteceriam em longo prazo.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ Percentual de cobertura e eficiência da coleta

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA E 0% 30 % 60 % 70 % 90 % 99 %
EFICIÊNCIA DA
COLETA

Percentual de cobertura e eficiência da coleta de resíduos domiciliares que se propõe atingir,


neste cenário, ao longo do período de vigência do plano através de ações de planejamento
adequadas. Abrangência: zona urbana.

_ Percentual de cobertura da coleta seletiva

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA DA 0% 30 % 60% 70% 90 % 99 %
COLETA SELETIVA

Percentual de cobertura da coleta seletiva na área urbana, no horizonte do plano.

_ disposição final dos resíduos

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
OPERAÇÃO DO 0% 40 % 70 % 80% 90% 99 %
ATERRO
SANITÁRIO

Percentual de disposição adequada dos resíduos sólidos gerados na área urbana ao longo
do horizonte do plano.

Diferentemente dos dois cenários anteriores, o Cenário 3 tem as ações focadas em longo
prazo. As demandas são realizadas visando apenas à população urbana de Três Pontas, ou seja,
desconsidera-se o atendimento a população rural. É um cenário pessimista que adia
demasiadamente o alcance das melhorias necessárias no quadro do serviço de limpeza urbana de
Três Pontas. Há de se considerar também que a extensão da coleta seletiva em longo prazo não é
42
de forma alguma desejável tendo em vista que a retirada dos resíduos recicláveis do aterro sanitário
contribui significativamente para o aumento de sua vida útil.

4.4.3 Análise Comparativa dos Cenários do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos

A comparação entre os cenários tem como objetivo apresentar o reflexo das diferentes metas
estabelecidas visando à melhoria dos serviços inerentes a limpeza urbana e manejo de resíduos
sólidos segundo os horizontes de planejamento (curto, médio e longo prazos).

Atenta-se que o cenário 1 considera toda a população do município de Três Pontas, ou seja,
população urbana e rural, enquanto que os cenários 2 e 3 referem-se a população urbana do
município.

Considera-se a situação atual de Três Pontas, relativa ao sistema de limpeza urbana,


bastante razoável se comparada à maioria das cidades brasileiras. A abrangência da coleta
domiciliar é praticamente total e os demais serviços de limpeza na área urbana são realizados de
forma constante. Existe a necessidade de maior eficiência o que acredita-se possível através de
programas de capacitação para os funcionários públicos diretamente ligados a estes serviços e
programas que visem maior conscientização e comprometimento da população no que diz respeito à
redução da geração de resíduos, ao acondicionamento dos mesmos e outras questões afins.
Como já dito anteriormente a coleta seletiva encontra-se implantada no município através da
ATREMAR e com o apoio da Prefeitura Municipal necessitando expandir sua abrangência de forma
a atender toda a malha urbana. A obra do aterro sanitário é considerada uma conquista e sua
operação dentro das determinações do PCA é uma realidade próxima.

Comparando os três cenários propostos acredita-se que o Cenário 2 é o mais factível por
propor ações em curto e médio prazos, situação mais condizente com a realidade do município.
Para o Cenário 1 foi considerado um alcance de resultados em curto espaço de tempo o que
poderia comprometer a qualidade, eficiência e permanência dos mesmos. No Cenário 3 há um
demasiado prolongamento das ações, indesejável tendo em vista a urgência em dar o destino
correto os resíduos sólidos, sendo no aterro sanitário ou na sua reutilização (reciclagem).

4.4.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos

De forma análoga à avaliação conclusiva do serviço de esgotamento sanitário, a adoção do


Cenário 1 como sendo a condição a ser perseguida no planejamento das ações seria a mais ideal.
Contudo, o intervalo de tempo proposto para implementação dos programas e ações é
extremamente curto, exigindo esforços que fogem um pouco da realidade atual do município de Três
Pontas.
Já o Cenário 3 ilustra uma realidade bastante pessimista uma vez que os objetivos almejados
para o sistema de limpeza urbana seriam atingidos apenas em longo prazo. Torna-se, portanto, um
cenário não condizente com as necessidades reais da população.
No Cenário 2 objetivou-se apresentar metas moderadas, mais condizentes com a realidade
local, e de forma a atender toda a população urbana do município. Como dito anteriormente, a
situação atual de Três Pontas, relativa ao sistema de limpeza urbana é bastante razoável se
comparada à maioria das cidades brasileiras. Porém existe a necessidade de maior eficiência na
43
prestação dos serviços por parte do poder público. Para atingir este objetivo são de suma
importância o levantamento das deficiências, através de diagnóstico da situação existente e a
definição de ações que visem suprimir os problemas. São os trabalhos de elaboração de planos
municipais como O Plano de Gerenciamento Integral de Resíduos Sólidos Urbanos e o Plano
Municipal de Resíduos da Construção Civil.
Embora o Cenário 2 tenha como unidade territorial a área urbana, buscando 100% de
cobertura e eficiência no serviço de limpeza urbana, entende-se que, ações educativas devem ser
estendidas para a população residente na zona rural, ainda durante o período de vigência do Plano.
A simples mudança no comportamento do cidadão com relação à redução da geração de lixo e
destinação adequada destes resíduos já contribui de forma significativa para melhoria da qualidade
de vida do próprio cidadão e da qualidade do meio ambiente. Se o poder público se mostra em
dificuldades para prestar um serviço eficiente em tão extensa área rural, pode buscar, num primeiro
momento, ter o cidadão como colaborador. Isso é possível com trabalho eficiente e permanente de
educação e conscientização quanto às questões que envolvem a geração e destino do lixo. As
crianças, através das escolas, devem ser priorizadas neste trabalho.

Sendo assim, as metas estabelecidas no Cenário 2 passam a ser as mais plausíveis de se


alcançar, tendo em vista a sustentabilidade do sistema.

Resumo dos cenários para a Limpeza Urbana


LIMPEZA URBANA
CENÁRIOS

Cenário Tendencial (3): considera a manutenção das condições atuais, ou seja,


prevalência de morosidade das ações previstas no PMSB.
Cenário Desejável (2): considera a adequação do serviço em curto e médio prazo
com ampliação da coleta seletiva, do índice de cobertura e a entrada em operação do
aterro sanitário.
Cenário Otimista (1): considera a adequação do serviço em curto prazo, o que
necessitaria de ações imediatas.

4.5 CENÁRIOS PARA O SERVIÇO DE DRENAGEM URBANA E MANEJO DAS ÁGUAS PLUVIAIS

4.5.1 Considerações Iniciais


No Produto II do Plano de Saneamento – Diagnóstico - foram apresentadas as condições
atuais do sistema de drenagem urbana e manejo das águas pluviais do município de Três Pontas,
levando em consideração suas particularidades e capacidades estruturais. Do diagnóstico foram
retirados dados pertinentes à construção dos cenários alternativos de metas e demandas, a saber:

_ Cobertura de microdrenagem:

O sistema de drenagem das águas de chuva na cidade de Três Pontas é composto, em regra,
por escoamento superficial, em sarjetas de concreto, nos pontos mais elevados, onde a
concentração de água é menor. Nos pontos mais baixos, observa-se a existência de bocas de lobo

44
e tubos de concreto para captação e condução das águas acumuladas até os córregos que cortam a
malha urbana. Grandes trechos destes córregos encontram-se canalizados.
A Prefeitura Municipal não possui cadastro do sistema de drenagem existente na área central
e nos bairros mais antigos.
O sistema apresenta problemas em pontos isolados, a serem solucionados. São eles:

1- Avenida João Batista Reis, Avenida Caio de Brito e outras.


2- Rua Projetada e Rua Francisca Pereira Scalioni, no bairro Santana.
3- Avenida Ipiranga, nas imediações da COCATREL.
4- Avenida Urbano Garcia de Figueiredo Neto (bairro Santa Margarida).
5- Rua Sério Tiso (bairro Santa Margarida).
6- Rua Dr. Carvalho de Mendonça, em frente ao clube da AABB (bairro Santa Margarida).
7- Rua Dr. Carvalho de Mendonça entre as Ruas Amélio Garcia de Miranda e Aureliano de Brito
(bairro Santa Margarida).
8- Rua Alagoas, Rua Mato Grosso, Rua São Paulo, Rua Rio Grande do Norte (bairro Santa Inez).
9- Travessa Purcina Scatolino (região da Peret).
10- Avenida José Lagoa, no encontro do Córrego Candongas com o Ribeirão Araras.
11- Rua Alfredo Dixini, Rua Marcílio Ferreira de Brito, Rua Luis Antônio Ribeiro, Rua Bonfilho
Vicentini, Rua Sebastião Xavier de Brito, Rua Rolando Girardelli (bairro Aristides Vieira de
Mendonça).
12- Avenida Senador Josino de Brito.
13- Travessa Dr. Godofredo Rangel
14- Rua Geraldo Barros de Andrade, Rua Amado Barros de Andrade, Rua Benevides Tavares e Rua
Juvenal de Castro, no bairro Vila Rica.
15- Travessa Maria Amélia de Castro com a Rua João Batista Ferreira Filho e Rua Marques de
Abrantes.
16- Rua Barão do Pontal.
17- Rua A do bairro Major Brás.
18- Rua José Cougo (bairro Santa Mônica).
19- Rua Frederico Meimberg.
20- Avenida Olinto Reis Campos (Jardim Brasil).
Há de se acrescentar os problemas causados pela interferência entre os sistemas de
drenagem e de esgotamento sanitário na região central da cidade e nos bairros mais antigos.
O município de Três Pontas é dotado de uma extensa malha viária, com 390 km de estradas
municipais e 510 km de vias secundárias que dão acesso às propriedades rurais. Não existem
sistemas projetados de manejo de águas pluviais para estas vias de circulação.

_ Domicílios acometidos por inundações:

O trecho do Córrego dos Bambus, na Avenida Oswaldo Cruz, compreendido entre a Avenida
Ipiranga e a Rua Boa Esperança, no bairro Peret é o principal problema de drenagem que a cidade
apresenta. Nos dias de verão, com fortes chuvas, o córrego canalizado transborda, causando
muitos transtornos.
Ao longo do córrego Candongas, mais precisamente nos cruzamentos da Avenida Maria da
Conceição Queiroz, que margeia o córrego e as Ruas José Delphino e Regina Célia Vicentini
também há transbordamento de água, nos dias de fortes chuvas.
A enchente acontece também na Rua Dr. Carvalho de Mendonça, no bairro Santa Inez, com
transbordamento do Córrego das Lavadeiras.

45
_ Uso do solo:

O Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo disciplinam o crescimento urbano em


Três Pontas.
Partes das bacias de contribuição do Córrego Custodinho e Ribeirão Araras se encontram
urbanizadas, mas ainda existem áreas com atividades rurais e a Zona de Proteção - ZP, “non
aedificandi”, definida na Lei de Uso e Ocupação do Solo de Três Pontas. A proliferação de novos
empreendimentos imobiliários e a conseqüente impermeabilização do solo nestas áreas e outras
ainda não ocupadas, que se encontram dentro do perímetro urbano, pode agravar a situação
relativa a enchentes, nestes cursos d’água e nos demais que cortam a malha urbana.
Para o dimensionamento dos impactos possíveis decorrentes da impermeabilização do solo e
sua projeção de drenagem através de estudos hidrológicos em simulações de futuras enchentes
seria necessários a existência de banco de dados cartográficos e recursos humanos adequados
para catalogá-los. Não foi detectado na fase de diagnóstico tal banco de dados e nem órgãos
municipais encarregados deste tema.
Observou-se uma preocupação do CODEMA local com esta questão das inundações.
Encontra-se em fase final de elaboração uma legislação ambiental para o município - a
resolução nº. 2 que irá tratar de prevenção contra inundações, estudos hidrológicos e efeitos da
impermeabilização do solo em empreendimentos imobiliários e de medidas que visem atenuar os
problemas de drenagem na área urbana.
Todavia há que se elaborar o PLANO Municipal de Drenagem que englobará todas estas
questões e contemplará não só os estudos e levantamento de dados necessários como também
uma legislação ambiental educativa e um planejamento para prevenção e enfrentamento das
enchentes. Tal ação deve constar do Produto 4 e deverá ser executada no horizonte deste plano.

A partir do exposto, apresentam-se os cenários plausíveis para o serviço de drenagem


urbana e manejo de águas pluviais em Três Pontas.

Variáveis Hipótese 1 Hipótese 2 Hipótese 3

Unidade População urbana População urbana e


Territorial rural

Cobertura de Solução dos problemas Solução dos problemas Solução dos problemas elencados em
elencados em curto prazo elencados em longo prazo longo prazo
micro
drenagem
Domicílios
acometidos Solução dos problemas Solução dos problemas Solução dos problemas elencados em
elencados em curto prazo elencados em médio prazo longo prazo
por
inundações
Legislação em curto prazo Legislação em longo prazo
Legislação em curto prazo
Uso do solo

C1 C2 C3
4

46
A seguir serão apresentadas as principais considerações para os três cenários definidos.

4.5.2 Cenários para a Drenagem Urbana e o Manejo de Águas Pluviais

Neste item, o Cenário 1 também é considerado como a situação idealizada, onde seriam
realizados estudos e alavancados investimentos em curtíssimo prazo para solucionar os problemas
diagnosticados no sistema de drenagem pluvial existente na malha urbana e também na zona rural,
principalmente os pertencentes ao sistema viário ( estradas rurais).

As principais características deste cenário são as apresentadas a seguir:

A unidade territorial é caracterizada pelo município de Três Pontas, abrangendo a sede,


distrito do Pontalete, povoado do Quilombo de Nossa Senhora do Rosário e a zona rural.

Observando o quadro acima, conclui-se que as ações do Cenário 1 são focadas no horizonte
de curto prazo. Sendo assim, o que se propõe é que nos primeiros quatro anos de vigência do
PMSB fossem realizados estudos, projetos e implantadas obras para prevenção e correção dos
problemas advindos da drenagem das águas de chuva.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ cobertura de micro drenagem

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA DE 0% 95 % 97 % 97 % 98 % 99 %
MICRO-DRENAGEM

Percentual de solução dos problemas de drenagem diagnosticados que se propõe atingir,


neste cenário, ao longo do período de vigência do plano. Abrangência: zona urbana e rural.

_ redução do número de domicílios acometidos por inundações

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DOMICÍLIOS 0% 95 % 97 % 98% 98 % 99 %
ACOMETIDOS POR
INUNDAÇÕES

Percentual de equacionamento de problemas de inundações de domicílios em pontos


diagnosticados.

47
_ uso do solo

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
0% 99 % 99 % 99% 99 % 99 %
USO DO SOLO

Elaboração imediata da legislação que vem a garantir a permeabilidade parcial do solo em


novos empreendimentos imobiliários.

No Cenário 1 propõe-se estudos e execução de obras relativos ao sistema de drenagem


urbana e rural no município em curto prazo. Trata-se da situação ideal, uma vez que os problemas
existentes seriam solucionados rapidamente, mas são metas que fogem da realidade tendo em vista
que demandaria tempo expressivo para estudo de soluções e elaboração de projetos e também
tempo e disponibilidade imediata de recursos para a execução dos projetos. É sabido que as obras
de drenagem são as que apresentam custos mais altos, entre as demais que compõem a
infraestrutura urbana.
Diante do exposto conclui-se que o Cenário 1, apesar de desejável, não é o mais provável de
ser adotado.

No Cenário 2 foram estabelecidas metas a curto, médio e longo prazos. Alguns estudos
podem e devem ser realizados nos quatro primeiros anos de vigência deste plano. Algumas ações
devem ser priorizadas e realizadas em médio prazo. Já outras em longo prazo uma vez que os
problemas a serem solucionados são em grande número, conforme relatado no Diagnóstico.

As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

As demandas são realizadas visando à população urbana e rural de Três Pontas, ou seja,
busca-se a universalização deste serviço com abrangência de toda a área do município.

Neste cenário propõe-se a elaboração e revisão de toda e qualquer legislação, a nível


municipal, que disponha ou venha a dispor sobre as questões relativas à drenagem urbana
principalmente no tocante a permeabilidade do solo e cuidados com as Áreas de Preservação
Permanentes e as Zonas de Proteção definidas na Lei de Uso e Ocupação do Solo de Três Pontas.
Constata-se a necessidade da elaboração do Plano Diretor de Drenagem para o município.

Em médio prazo, propõe-se neste cenário, a aplicação de recursos públicos em obras que
venham a solucionar ou minimizar os problemas causados pelas enchentes que ocorrem nos pontos
anteriormente descritos no Diagnóstico, priorizadas pelo fato de domicílios e pontos comerciais
serem acometidos pelas inundações.

As demais demandas relativas ao sistema de drenagem existente ou à carência do mesmo


deverão ser sanadas, neste cenário, em longo prazo, tendo em vista que não são poucas, carecem
de estudos preliminares e projetos e principalmente a alocação de recursos para execução das
obras.
Um trabalho minucioso de drenagem urbana deverá ser feito a montante da captação de
água do Córrego Custodinho. Estudos e projetos das bacias de contribuição das águas pluviais
48
devem ser elaborados visando erradicar contaminações indesejáveis nas águas de abastecimento
público.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ cobertura de micro drenagem

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA DE 0% 25 % 40 % 70 % 90 % 99 %
MICRO-DRENAGEM

Percentual de solução dos problemas de drenagem diagnosticados que se propõe atingir,


neste cenário, ao longo do período de vigência do plano. Abrangência: zona urbana e rural.

_ redução do número de domicílios acometidos por inundações

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DOMICÍLIOS 0% 50 % 80 % 95% 98 % 99 %
ACOMETIDOS POR
INUNDAÇÕES

Percentual de equacionamento de problemas de inundações de domicílios em pontos


diagnosticados.

_ uso do solo

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
0% 99% 99 % 99% 99 % 99 %
USO DO SOLO

Elaboração imediata da legislação que vem a garantir a permeabilidade parcial do solo em


novos empreendimentos imobiliários.

O Cenário 2 é sem dúvida o mais factível. Propõe ações relacionadas à legislação municipal
e estudos técnicos em curto prazo. Destaca-se a elaboração do Plano de Drenagem Urbana que
deverá, entre outras questões afins, abordar o assunto relativo à permeabilidade do solo urbano, de
relevante importância e prioridade para a cidade de Três Pontas. Propõe a execução de obras
prioritárias, como as que venham a prevenir e evitar enchentes, em médio prazo e a execução das
49
demais obras para solução dos problemas elencados no Diagnóstico, em longo prazo. Isso porque
estudos e projetos têm que ser elaborados, o que demanda tempo e porque a concretização destas
ações requer disponibilidade financeira do município, o que, em longo prazo se torna mais real.

Por fim, o Cenário 3 do serviço de drenagem urbana e manejo das águas pluviais é aquele
onde prevaleceria a morosidade das ações, resultando, portanto, em medidas a serem tomadas em
longo prazo, para solução e prevenção de problemas consequentes do escoamento das águas de
chuva.

As principais características deste cenário são apresentadas a seguir:

Da mesma forma que no cenário anterior, as demandas são realizadas visando à população
urbana e rural de Três Pontas, ou seja, busca-se a universalização deste serviço com abrangência
de toda a área do município.

É a situação onde prevaleceria a morosidade das ações onde os resultados almejados


aconteceriam em longo prazo.

As metas estabelecidas para este cenário, que levam em consideração os diferentes


horizontes de planejamento, são apresentadas a seguir:

_ cobertura de micro drenagem

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
COBERTURA DE 0% 25 % 40 % 70 % 90 % 99 %
MICRO-DRENAGEM

Percentual de solução dos problemas de drenagem diagnosticados que se propõe atingir,


neste cenário, ao longo do período de vigência do plano. Abrangência: zona urbana e rural.

_ redução do número de domicílios acometidos por inundações

CURTO MÉDIO LONGO PRAZO


PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
DOMICÍLIOS 0% 30 % 50 % 80% 90 % 99 %
ACOMETIDOS POR
INUNDAÇÕES

Percentual de equacionamento de problemas de inundações de domicílios em pontos


diagnosticados.

50
_ uso do solo
CURTO MÉDIO LONGO PRAZO
PRAZO PRAZO
ANO 2015 2018 2022 2026 2030 2034
0% 0% 0% 99% 99 % 99 %
USO DO SOLO
O

Elaboração da legislação que vem a garantir a permeabilidade parcial do solo em novos


empreendimentos imobiliários em longo prazo.

O Cenário 3 tem as ações focadas em longo prazo. É um cenário pessimista que adia
demasiadamente o estudo e execução das obras necessárias para a solução dos problemas de
drenagem existentes, que causam tantos transtornos à população, nos dias de fortes chuvas. Há de
se acrescentar que as medidas legais visando à permeabilidade do solo e o cuidado com as Áreas
de Preservação e Zonas de Proteção são de cunho imediato, e se assim não for, poderá agravar
ainda mais os problemas já existentes.

4.5.3 Análise Comparativa dos Cenários para a Drenagem Urbana e o Manejo de Águas Pluviais

A comparação entre os cenários propostos torna-se importante uma vez que vem mostrar o
efeito e a viabilidade das metas aqui estabelecidas nas demandas do sistema de drenagem urbana
e Manejo de Águas Pluviais, ao longo do horizonte deste plano.

As demandas aqui elencadas são: cobertura de Micro-Drenagem, redução do número de


domicílios acometidos por inundações e adequado uso do solo.

Primeiramente, em relação a cobertura de Micro-Drenagem, verifica-se que foram traçadas


duas hipóteses, ou seja, o Cenário 1 que propõe medidas para solução dos problemas relativos à
micro-drenagem em curto prazo, situação demasiadamente otimista e os Cenários 2 e 3 que
propõem implantação de medidas em longo prazo, tratando-se de situação mais realista uma vez
que não existem nem mesmo estudos e projetos para execução das obras necessárias.

Com relação à redução do número de domicílios acometidos por inundações observa-se que
foram traçadas três hipóteses, sendo que o Cenário 1 propõe medidas a serem concretizadas num
curto espaço de tempo, o Cenários 2 propõe medidas a serem efetivadas a médio prazo e o Cenário
3 propõe medidas visando a erradicação de inundações a longo prazo.

Quanto à questão relativa ao adequado uso do solo verifica-se que foram traçadas duas
hipóteses, sendo que o Cenário 1 e 2 propõem medidas para que isso ocorra de forma rápida, ou
seja, em curto espaço de tempo e o Cenário 3 propõe medidas a longo prazo, situação bastante
pessimista e não desejável diante do quadro existente.

No que diz respeito à unidade territorial observa-se que os três Cenários abrangem toda a
população do município, ou seja, a população urbana e rural.

4.5.4 Avaliação Conclusiva dos Cenários para a Drenagem Urbana e o Manejo de Águas Pluviais
51
A adoção do Cenário 1 seria, sem sombra de dúvidas, uma situação altamente desejada
pelos gestores e também pela população trespontana. Num curto espaço de tempo seriam
implementadas ações que viriam a solucionar os problemas de drenagem diagnosticados e
considerados de maior relevância. Entretanto trata-se de uma condição nada sustentável uma vez
que o município de Três Pontas não dispõe de estudos e nem tão pouco de projetos para execução
das obras necessárias. Demandaria tempo a elaboração dos projetos e respectivos dos orçamentos
que são imprescindíveis para a busca de recursos financeiros. É sabido que obras de drenagem são
as que apresentam os maiores custos, se comparadas às demais obras de infraestrutura urbana e
que os municípios nem sempre possuem recursos disponíveis, principalmente para investimentos
imediatos. A busca de recursos em outras esferas governamentais é quase uma constante e o
município de Três Pontas não foge a regra.

De forma inversa ao Cenário 1, o Cenário 3 apresenta ações a serem implementadas em


longo prazo. Tal condição não é desejável uma vez que a população já sofre com os transtornos
causados por fortes chuvas e projetos e obras que venham a solucionar os problemas de drenagem
existentes não devem ser realizadas com a morosidade proposta neste cenário. Também há de se
pensar que a implementação de novas medidas legais visando o adequado uso do solo, inclusive a
proteção e preservação do mesmo são de cunho imediato para que não haja agravamento dos
problemas já existentes.

Sendo assim, o Cenário 2 passa a ser o mais provável de se alcançar. Propõe ações
preventivas, focadas em maior controle do uso do solo e proteção de Áreas de Preservação em
curto prazo. São ações de aprimoramento da legislação vigente e criação de novas normas que
venham a garantir o direito de se viver bem e em harmonia com o meio ambiente. Em médio prazo,
as ações seriam no sentido de elaborar projetos, buscar recursos e viabilizar a execução das obras
necessárias para redução do número de domicílios acometidos por inundações. Três Pontas possui
um relevo que não apresenta fortes declividades ou extensas áreas planas. Cortam sua área urbana
cursos d’água de pequeno porte. Trata-se de uma condição favorável no que diz respeito à
drenagem pluvial, tanto que, se comparada a muitos municípios, a cidade apresenta problemas
pontuais de inundações e em número reduzido. Em longo prazo, propõe-se a execução das demais
obras necessárias para solucionar os problemas elencados no Diagnóstico. Isso porque estudos e
projetos têm que ser elaborados para as diversas situações diagnosticadas e a realização destas
ações requer disponibilidade financeira do município ou a busca por recursos em outras esferas de
governo, o que, em longo prazo se torna mais real.

Resumo dos cenários dos serviços de drenagem

DRENAGEM URBANA
CENÁRIOS
Cenário Tendencial (3): considera a manutenção das condições atuais, prevalecendo
a morosidade das ações propostas no PMSB.
Cenário Desejável (2): considera a adequação do serviço em curto e médio prazo,
com a elaboração do plano municipal de drenagem e estudos inerentes ao impacto da
impermeabilização do solo e no tocante a inundações. As soluções dos problemas nos
diversos pontos de micro drenagem elencados no diagnóstico viriam em longo prazo.
Cenário Otimista (1): considera a adequação do serviço em curto prazo. É um
cenário ideal onde a cobertura de micro drenagem, o combate às inundações e o
estudo de uso do solo ocorreriam quase que imediatamente.
52
5. ALTERNATIVAS PARA OS COMPONENTES DO SISTEMA DE SANEAMENTO

5.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS


O presente item apresenta as alternativas de concepção dos sistemas de saneamento
(abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos e
drenagem urbana e manejo das águas pluviais) que atendam as metas e demandas traçadas no
item anterior.

Não cabe a este Plano apresentar alternativas de concepção detalhadas para cada serviço,
mas sim compatibilizar as disponibilidades e necessidades desses serviços para a população,
associando alternativas de intervenção e estabelecendo a concepção macro e geral dos sistemas.

Hierarquizar as soluções que atenderão as necessidades do sistema de abastecimento de


água e estimar os seus custos de operação e investimentos necessários não é uma tarefa fácil.
Todavia conforme já diagnosticado e mesmo diante das projeções de demanda futura vislumbra-se
a necessidade de incremento de produção de água potável para consumo da população urbana e
atendimento da população residente na zona rural. Neste sentido o órgão prestador do serviço
(SAAE) trabalha no sentido de duplicar o sistema de sete cachoeiras com a implantação de nova
adutora até a ETA 2. Os investimentos elencados neste trabalho dependem da conclusão do plano
e da disponibilização de recursos possivelmente federais para esta e outras obras de grande porte
como exemplo a implantação da Estação de Tratamento de Esgoto – ETA.

No Diagnóstico - Produto 2 - foram apresentados dados financeiros (receitas/despesas)


relativos aos serviços de água e esgoto. Tais dados e valores monetários foram fornecidos pelo
órgão prestador dos serviços (SAAE).

No que tange aos serviços prestados pela Prefeitura Municipal (Limpeza Urbana e
Drenagem) não foi possível a apresentação de dados financeiros relativos a custos. A
Administração Municipal não conta com orçamentos individualizados para tais serviços, ou seja, a
LOA não contempla dotações especificas para coleta de resíduos domiciliares, limpeza urbana,
aterro sanitário e serviços de drenagem urbana. O município também não arrecada receitas próprias
para cobrir os gastos com estes serviços. Portanto a análise financeira, a sustentabilidade, a
universalização, a qualidade e eficiência na prestação destes serviços ficam prejudicadas pela total
ausência de dados. Sendo assim a apresentação da projeção de dados financeiros para resíduos
sólidos e drenagem, neste momento, não se torna possível.

5.1.1 Objetivos e metas pretendidas com a implantação do PMSB

Os objetivos e metas pretendidos seguirão as seguintes estratégias e diretrizes entre outros:


• Universalização do acesso aos serviços de saneamento básico;
• Integralidade, compreendida como o conjunto de todas as atividades e componentes de cada um
dos diversos serviços de saneamento básico, propiciando à população o acesso na conformidade
de suas necessidades e maximizando a eficácia das ações e resultados;
• Abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos
realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente;
• Eficiência e sustentabilidade econômica;
53
• Valorização social e econômica dos recursos ambientais;
• Controle social;
• Cuidados territoriais;
• Segurança, qualidade e regularidade;
• Programas de Educação Socioambiental;
• Criar um canal de críticas, solicitações e sugestões sobre os serviços de saneamento básico;
• Ações para emergências e contingências.

Entre os objetivos específicos estão:

• Abastecimento de água
- Integração das infraestruturas e serviços com a gestão eficiente dos recursos hídricos;
- Fornecer água de qualidade e em quantidade para toda a população;
- Criar condições para que a fixação das tarifas obedeça a critérios econômicos sadios e a objetivos
sociais justos;
- Aferição na qualidade de água;
- Disciplinar o uso de agrotóxicos no município;
- Estabelecer sistemas alternativos de abastecimento na zona rural;
- Cadastramento das nascentes na zona urbana e zona rural do município visando à revitalização
das mesmas;
-Promover educação ambiental junto à população urbana e rural visando à preservação do meio
ambiente.

• Esgotamento Sanitário
- Garantir que toda a população destine corretamente os dejetos domésticos;
- Garantir que não haverá despejo irregular de efluentes nos corpos hídricos;
- Fiscalizar a destinação do esgoto das residências e indústrias;
- Implantar Estação de Tratamento de Esgoto nas áreas urbanas;
- Retirar o esgoto dos cursos d’água;
-Promover educação ambiental junto à população urbana e rural para evitar poluição dos cursos
d’agua;
-Programa de conscientização da população rural quanto ao uso de instalações sanitárias e fossas.

• Drenagem Urbana e Manejo de Águas Pluviais


- Disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de drenagem e de manejo das águas
pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado;
- Prevenção contra inundações e controle das enchentes;
- Elaboração do Plano Diretor de Drenagem Pluvial;
- Eliminar os problemas de drenagem na área urbana;
- Implantação de Programas direcionados a prevenir erosões na zona rural.

• Manejo de Resíduos Sólidos


- Obter LO para o Aterro Sanitário;
- Programas de orientação e educação na segregação e disposição dos resíduos sólidos;
- Caracterizar, controlar e prevenir os riscos quanto à disposição irregular dos resíduos sólidos;
- Adaptar a infraestrutura disponível para tratamento, reciclagem e disposição final dos resíduos
sólidos a realidade resultante do desenvolvimento socioeconômico do município e a necessidade de
melhoria progressiva da qualidade ambiental;

54
- Implantação de programas educativos visando o incentivo e a conscientização da população
residente na zona rural para separação dos materiais recicláveis;
- Conscientização da importância da destinação correta de embalagens de produtos tóxicos.

• Estrutura Organizacional Municipal


- Criar o Conselho Municipal de Saneamento Básico;
- Criar o Departamento Municipal de Saneamento;
- Criar o Fundo Municipal de Saneamento;
- Aperfeiçoar o Sistema Municipal de Informações de saneamento;
- Articulação e integração das diversas áreas envolvidas.

5.2 ALTERNATIVAS DE GESTÃO DO SISTEMA DE SANEAMENTO

As cidades brasileiras apresentam um alto nível de precariedade do habitat urbano, sendo


marcantes as carências em serviços de saneamento. A redução dos investimentos na década de 90
e os custos tarifários elevados têm contribuído para o agravamento de uma situação de
precariedade no acesso aos serviços, com o consequente comprometimento da qualidade do
ambiente urbano e da saúde da população. O governo federal, os governos estaduais e os
governos municipais enfrentam uma grave questão: qual o modelo de gestão dos serviços mais
adequado para estas áreas, que seja eficaz em termos sociais, no sentido da universalização do
acesso, e em termos ambientais? Duas posições sobre o modelo de gestão de serviços vêm
polarizando os debates:
(1) titularidade municipal e autonomia dos municípios na escolha do modelo de gestão a ser
adotado.
(2) os municípios delegando a gestão as Companhias Estaduais de Saneamento ou serviços
autônomos.
São pontos consensuais: a garantia da gestão pública dos serviços, a necessidade de
ampliação dos financiamentos, tendo como princípio a ideia de que os investimentos em
saneamento são investimentos em saúde pública e, portanto não onera a dívida pública, a
necessidade de definição de uma política nacional de saneamento e de seus instrumentos, a defesa
de uma gestão democrática, garantindo a participação da sociedade civil na definição de políticas e
o controle social da prestação dos serviços.
O exame das diferentes experiências de gestão dos serviços nos mostra que a titularidade
municipal permite de fato um maior controle dos usuários da gestão e a participação dos mesmos na
definição das políticas via Conselhos Municipais ou via Orçamento Participativo. Além disso, é
evidente que estes serviços têm uma ligação estreita com as políticas de regulação do uso do solo e
de saúde, que são políticas locais. A titularidade municipal permite que a política de saneamento se
desenvolva de forma integrada e articula a outras políticas locais, possibilitando de fato a
articulação das ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e coleta de
resíduos às ações regulação do uso do solo. A integração das ações é fundamental para viabilizar o
acesso a um conjunto de serviços em áreas de ocupação irregular, como as favelas. Além disso, a
titularidade municipal permite que se integrem, no nível local, políticas de saneamento e saúde, de
forma a viabilizar ações e programas de caráter preventivo e de caráter corretivo mais focado,
visando doenças de veiculação hídrica.
A maior parte das experiências de gestão regionalizada, dentro do modelo tradicional de
concessões a empresas estaduais, estabelecido na época do PLANASA, se mostraram ineficazes
nestes dois campos: integração de políticas e controle social da gestão. As ações das Companhias
Estaduais se caracterizaram pela opacidade, centralismo e autoritarismo na definição, na
55
elaboração e na implementação de programas e ações específicas. Estas ações, durante muito
tempo, foram reguladas pela imposição de contratos de concessão a um só tempo cartoriais e
leoninos, com vigência de 25 anos, que excluíam a possibilidade de participação dos municípios e
desconheciam mecanismos de controle social.

5.2.1 Modelo de gestão dos serviços de saneamento básico

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO

DIRETA INDIRETA GESTÃO ASSOCIADA

- CENTRALIZADA - TERCEIRIZAÇÃO - CONSORCIOS PÚBLICOS


- PERMISSÃO - CONVÊNIO DE
- AUTORIZAÇÃO COOPERAÇÃO
- DESCENTRALIZADA
- CONCESSÃO

- ÓRGÃO - AUTARQUIA - COMUM - CONTRATO DE


DA - EMPRESA - PPP ADMINISTRATIVA PROGRAMA
ADMINIST. PÚBLICA - PPP PATROCINADA
PÚBLICA - SOCIEDADE DE
ECONOMIA
MISTA
- FUNDAÇÃO

Diante do exposto, o Município possui algumas alternativas institucionais para o exercício das
atividades de planejamento, prestação de serviços, regulação, fiscalização e controle social,
definindo órgãos municipais competentes para criação ou reformulação do existente, devendo-se
considerar as possibilidades de cooperação regional. Assim sendo, a prestação dos serviços pode
se dar:
1- Diretamente – Por Órgão da Administração Direta ou por Autarquia Empresa Pública ou
Sociedade de Economia Mista que integre sua administração indireta, de acordo com os artigos 8º e
9º, II, da Lei 11.445/07 e artigo 38, I, do Decreto 7.217/10.
2- De forma contratada, conforme artigo 38, II, do Decreto 7.217/10, podendo ser:

56
_ – Através de concessão ou permissão precedida de licitação;
_ – Por meio de Contrato de programa autorizado por
contrato de consórcio público ou por convênio de Cooperação (Lei11.107/05).

A prestação dos serviços pode ainda ser realizada, diante dos termos da lei do titular
mediante autorização a usuários organizados em cooperativas ou associações no regime do art.
10, § 1º, da Lei 11.445/07. Segundo Artigo 38, III, do Decreto 7.217/10, este modelo de
administração é limitado para determinados condomínios e localidades de pequeno porte.

Na sequência apresentam-se a descrição de algumas destas possíveis prestadoras de


serviços mencionadas acima:
_ Administração direta: composta por órgãos ligados diretamente ao poder central, federal,
estadual ou municipal. São os próprios organismos dirigentes, seus ministérios e secretarias;
_ Concessão: Em definição, é um contrato administrativo por meio do qual a Administração delega
ao particular a gestão e a execução, por sua conta e risco, sob o controle do Estado, de uma
atividade definida por lei como serviço público;
_ Parceria Público-Privadas: são contratos que estabelecem vínculo obrigacional entre a
Administração Pública e a iniciativa privada visando à implementação ou gestão, total ou parcial, de
obras, serviços ou atividades de interesse público, em que o parceiro privado assume a
responsabilidade pelo financiamento, investimento e exploração do serviço, observando, além dos
princípios administrativos gerais, os princípios específicos desse tipo de parceria;
_ Autarquias: serviço autônomo, criado por lei específica, com personalidade jurídica de direito
público, patrimônio e receitas próprios, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão
administrativa e financeira descentralizada (conf. art 5º, I, do Decreto-Lei 200/67);
_ Fundação pública: entidade dotada de personalidade jurídica de direito público, sem fins
lucrativos, criada em virtude de lei autorizativa e registro em órgão competente, com autonomia
administrativa, patrimônio próprio e funcionamento custeado por recursos da União e de outras
fontes (conf. art 5º, IV, do Decreto-Lei 200/67);
_ Empresa pública: entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio
próprio e capital exclusivo da União, se federal, criada para exploração de atividade econômica que
o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou conveniência administrativa (conf. art
5º, II, do Decreto-Lei 200/67);
_ Sociedades de economia mista: entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
instituída mediante autorização legislativa e registro em órgão próprio para exploração de atividade
econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam, em sua
maioria, à União ou a entidade da Administração indireta (conf. art 5º, III, do Decreto-Lei 200/67).
Empresas controladas pelo Poder Público podem ou não compor a Administração Indireta,
dependendo de sua criação ter sido ou não autorizada por lei. Existem subsidiárias que são
controladas pelo Estado, de forma indireta e não são sociedades de economia mista pois não
decorreram de autorização legislativa. No caso das que não foram criadas após autorização
legislativa, elas só se submetem às derrogações do direito privado quando seja expressamente
previsto por lei ou pela Constituição Federal, como neste exemplo: "Art. 37. XII, CF – a proibição de
acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas,
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público".

Atualmente, por ocasião da elaboração deste trabalho e conforme aferido no Diagnóstico, os


serviços de abastecimento de água e coleta de esgotos são de responsabilidade do SAAE. Os

57
serviços de limpeza urbana e disposição final de resíduos sólidos ocorrem sob a tutela do SAAE e
Secretaria de Obras. Os serviços ligados à drenagem esta vinculada à Secretaria de Obras.
Cumpre destacar a atuação do SAAE na questão dos resíduos sólidos, visto que na forma da
lei cabe ao SAAE tão somente prestar serviços inerentes a água e esgoto.
A Política Municipal de Saneamento norteará esta e as demais questões inerentes à
prestação dos serviços de saneamento definindo as competências e atribuições dos órgãos
envolvidos.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Três Pontas pertence ao Consórcio Cisabsul.


Através da Lei Municipal nº 3.412 de 14 de agosto de 2013, ficou autorizada a ratificação da
subscrição do município no protocolo de intenções.
Pertencem ao Consórcio Cisabsul, além de Três Pontas, as seguintes cidades: Lambari, São
Lourenço, Carmo de Minas, Cambuí, São João Batista do Glória, Guapé, Boa Esperança,
Coqueiral e Nepomuceno. Outras cidades da região podem aderir a qualquer momento, havendo
interesse. A sede do Consorcio está instalada em Boa Esperança.
Objetiva-se com o consórcio, entre outros benefícios para os municípios, a abertura de
processos de licitação em conjunto visando diminuir as despesas financeiras das Autarquias.
O Consórcio Cisabsul tem total apoio da Funasa e os municípios consorciados são também
associados da ASSEMAE. Criou também a Agência Reguladora Arismig, porém o SAAE de Três
Pontas ainda não fez adesão a este órgão.

MODELOS DE PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

SERVIÇO MODELO ATUAL MODELO PROPOSTO


ABASTECIMENTO DE ÁGUA SAAE Departamento Municipal de
Saneamento
ESGOTAMENTO SANITÁRIO SAAE Departamento Municipal de
Saneamento
LIMPEZA PUBLICA E MANEJO DE Prefeitura/SAAE Departamento Municipal de
RESÍDUOS SÓLIDOS Saneamento
DRENAGEM E MANEJO DE ÁGUAS Prefeitura Prefeitura
PLUVIAIS

A evolução, diversidade e complexidade das informações e dados aplicados na gestão do


saneamento demandam contínua atualização e domínio das tecnologias de informação e
comunicação, de modo a consolidar um Sistema de Informações Municipal de Saneamento Básico
(SIMSB) com seu respectivo Banco de Dados sinérgico, eficiente e cooperativo.
Estrategicamente torna-se imprescindível a consolidação de uma base cartográfica municipal em
plataforma compatível com o Sistema de Informações e Geoprocessamento (SIG), como o software
ArcGIS 9.3, que possibilitará a conformação de um banco de dados, que possa estar integrado a
todas as áreas municipais. Que seja composto por indicadores de fácil obtenção, apuração,
compreensão e confiáveis, bem como possibilitem a medição dos objetivos e metas previstos no
Plano Municipal de Saneamento.
Cabe destacar que para o presente Plano de Saneamento serão produzidas diversas informações
relativas ao tema saneamento, as quais, de acordo com as exigências do Termo de Referência para

58
o presente trabalho serão entregues em AutoCad. No entanto, posteriormente sugere-se que
componham o banco de dados do SIMSB.
O Sistema de Informações Municipal de Saneamento Básico (SIMSB) deverá ter sua estrutura
organizacional e a forma de funcionamento estabelecidas em regulamento, devendo ter por
finalidade:
- Coletar, avaliar e sistematizar dados relativos às condições da prestação dos serviços públicos de
saneamento básico, de modo a constituir um banco de dados;
- Subsidiar o Conselho Gestor de Saneamento Básico na definição e acompanhamento de
indicadores de desempenho dos serviços públicos de saneamento;
- Disponibilizar estatísticas, indicadores e outras informações relevantes para a caracterização da
demanda e da oferta de serviços públicos de saneamento básico;
- Alimentar o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

ÁGUA ESGOTO

RETROALIMENTAÇÃO

BASE DE DADOS
SISTEMA DE BASE DE
MAPAS (Autocad) INFORMAÇÕES DADOS
PLANILHAS MUNICIPAL DE
TEXTOS SANEAMENTO MUNICIPAL
TOPOGRAFIAS BÁSICO (SIMSB)

DO PMSB

RETROALIMENTAÇÃO

RESÍDUOS
DRENAGEM
SISTEMA
NACIONAL DE
INFORMAÇÕES
SOBRE
SANEAMENTO
(SNIS)

59
5.2.2 Estimativa de demandas por serviços de saneamento básico para o período do Plano

Tabela de Evolução da Produção de Água.


Período Ano Pop. População Vazão Índice de Vazão Vazão Vazão Produção Déficit de Ampliação
do Urbana Atendida Média Perdas de Total máxima Existente Produção de
Plano atendida (hab) (L/s) % Perdas Diária (L/s) horaria (L/s) Produção
(anos) (%) (L/s) l/s
1 2015 100 49609 86,13 30 36,91 123,04 184,56 180 4,56 0

2 2016 100 50274 87,28 30 37,41 124,69 187,04 180 7,04 0

3 2017 100 50940 88,44 30 37,90 126,34 189,51 180 9,51 0


4 2018 100 51606 89,59 30 38,40 127,99 191,98 180 11,98 0
5 2019 100 52272 90,75 30 38,89 129,64 194,46 180 14,46 0
6 2010 100 52937 91,90 30 39,39 131,29 196,93 180 16,93 0
7 2021 100 53603 93,07 30 39,88 132,95 199,42 180 19,42 0
8 2022 100 54269 94,84 30 40,65 135,49 203,23 180 23,23 0
9 2023 100 54935 95,37 30 40,88 136,25 204,37 180 24,37 0
10 2024 100 55600 96,53 30 41,37 137,90 206,85 180 26,85 0
11 2025 100 56266 97,68 30 41,86 139,55 209,32 180 29,32 0
12 2026 100 56932 98,84 30 42,36 141,20 211,80 180 31,80 0
13 2027 100 57598 100,00 30 42,85 142,85 214,27 180 34,27 0
14 2028 100 58263 101,15 30 43,35 144,50 216,75 180 36,75 0
15 2029 100 58929 102,31 30 43,84 146,15 219,22 180 39,22 0
16 2030 100 59595 103,46 30 44,34 147,80 221,70 180 41,70 0
17 2031 100 60260 104,62 30 44,83 149,45 224,17 180 44,17 0
18 2032 100 60926 105,77 30 45,34 151,11 226,66 180 46,66 0
19 2033 100 61592 106,93 30 45,83 152,76 229,29 180 49,29 0
20 2034 100 62258 108,09 30 46,22 154,41 231,61 180 51,61 0

A produção atual de água tratada pelo SAAE atinge 180l/s através da ETA 1 e ETA 2. O
incremento necessário de 51,61l/s a ser requerido no ano de 2034 - último do PMSB - será
amplamente superado com a duplicação prevista do sistema sete cachoeiras que aumentará a
produção em 100l/s bem superior à demanda prevista para o horizonte do plano.

60
Tabela de Evolução do Número de Economias e Ligações de Água.

Período Anos População Economias Ligações Incremento de Índice de Total de


do (hab) (un) (un) Ligações com hidrômetração Ligações
Plano hidrometros. com
(anos) hidrômetro
1 2015 49609 19294 20858 0 100 20858

2 2016 50274 19.561 21125 267 100 21125


3 2017 50940 19821 21375 260 100 21375
4 2018 51606 20080 21634 259 100 21634
5 2019 52272 20339 21893 259 100 21893
6 2010 52937 20598 22152 259 100 22152
7 2021 53603 20857 22411 259 100 22411
8 2022 54269 21116 22670 259 100 22670
9 2023 54935 21375 22929 259 100 22929
10 2024 55600 21634 23188 259 100 23188
11 2025 56266 21893 23447 259 100 23447
12 2026 56932 22152 23706 259 100 23706
13 2027 57598 22411 23965 259 100 23965
14 2028 58263 22670 24224 259 100 24224
15 2029 58929 22929 24483 259 100 24483
16 2030 59595 23188 24742 259 100 24742
17 2031 60260 23447 25001 259 100 25001
18 2032 60926 23706 25260 259 100 25260
19 2033 61592 23965 25519 259 100 25519
20 2034 62258 24224 25778 259 100 25778

O município conta com ligações hidrometradas em todos os domicílios urbanos. O incremento


de ligações leva em conta a oferta de novos lotes através de lançamentos imobiliários seguidos de
novas edificações.

61
Tabela de Evolução da Rede de Abastecimento de Água.

Período Anos População Economias Ligações Incremento Extensão de Incremento Substituição/ Extensão de
do (hab) (un) (un) de Rede de Rede Reforço (m) Rede
Plano Ligações Existente(m) Vegetativo Existente(m)
(anos) (m)
1 2015 49609 19294 20858 0 221055 0 0 221055

2 2016 50274 19.561 21125 267 223885 0 0 223885


3 2017 50940 19821 21375 260 226630 0 0 226630
4 2018 51606 20080 21634 259 229375 0 0 229375
5 2019 52272 20339 21893 259 232120 0 0 232120
6 2010 52937 20598 22152 259 234865 0 0 234865
7 2021 53603 20857 22411 259 237610 0 0 237610
8 2022 54269 21116 22670 259 240355 0 0 240355
9 2023 54935 21375 22929 259 243100 0 0 243100
10 2024 55600 21634 23188 259 245845 0 0 245845
11 2025 56266 21893 23447 259 248590 0 0 248590
12 2026 56932 22152 23706 259 251335 0 0 251335
13 2027 57598 22411 23965 259 254080 0 0 254080
14 2028 58263 22670 24224 259 256825 0 0 256825
15 2029 58929 22929 24483 259 259570 0 0 259570
16 2030 59595 23188 24742 259 262313 0 0 262313
17 2031 60260 23447 25001 259 265060 0 0 265060
18 2032 60926 23706 25260 259 267805 0 0 267805
19 2033 61592 23965 25519 259 270550 0 0 270550
20 2034 62258 24224 25778 259 273295 0 0 273295

De acordo com a legislação federal vigente os novos empreendimentos imobiliários serão


responsáveis pela execução de toda a infraestrutura do local, inclusive a rede de abastecimento de
água tratada. Todas as obras de rede de abastecimento executadas no empreendimento novo terão
seus projetos executados e previamente aprovados mediante diretrizes e posteriores aprovações do
SAAE. Após execução das obras e as mesmas tendo o aceite do SAAE, a rede será considerada
pública e de responsabilidade do SAAE.

62
Tabela de Evolução da Necessidade de Reservação de Água.

Período Anos População Vazão Vazão Volume Total de Reservação Déficit de % Sobre Ampliação
do (hab) Média máxima Reservação Existente Reservação Volume de
Plano diária horária Requerido (m³) (m³) Requerido Reservação
(anos) (L/s) (l/s)
1 2015 49609 86,13 184,56 2355 6704 -4349 284,67 0

2 2016 50274 87,28 187,04 2394 6704 -4310 280,03 0

3 2017 50940 88,44 189,51 2426 6704 -4278 276,34 0


4 2018 51606 89,59 191,98 2457 6704 -4247 272,85 0
5 2019 52272 90,75 194,46 2489 6704 -4215 269,34 0
6 2010 52937 91,90 196,93 2521 6704 -4183 265,93 0
7 2021 53603 93,07 199,42 2553 6704 -4151 262,59 0
8 2022 54269 94,84 203,23 2585 6704 -4119 259,34 0
9 2023 54935 95,37 204,37 2617 6704 -4087 256,17 0
10 2024 55600 96,53 206,85 2649 6704 -4055 253,07 0
11 2025 56266 97,68 209,32 2681 6704 -4023 250,05 0
12 2026 56932 98,84 211,80 2713 6704 -3991 247,11 0
13 2027 57598 100,00 214,27 2745 6704 -3959 244,22 0
14 2028 58263 101,15 216,75 2777 6704 -3927 241,41 0
15 2029 58929 102,31 219,22 2809 6704 -3895 238,66 0
16 2030 59595 103,46 221,70 2841 6704 -3863 235,97 0
17 2031 60260 104,62 224,17 2873 6704 -3831 233,34 0
18 2032 60926 105,77 226,66 2905 6704 -3799 230,77 0
19 2033 61592 106,93 229,29 2937 6704 -3767 228,26 0
20 2034 62258 108,09 231,61 2969 6704 -3735 225,79 0

Verifica-se que a capacidade de reservação existente, sob a responsabilidade do SAAE,


supera as necessidades atuais e mesmo a demanda que ocorrerá até o final do período do PMSB.
Assim sendo não haverá necessidade de aumento de volume de reservação, ou seja, não será
preciso incremento de novos reservatórios.

63
Estimativa da necessidade de atendimento da população rural.
Período Anos População Rural Índice População Número de Índice de Incremento de Incremento de
do não atendida pelo a ser famílias a atendimento atendimento atendimento
Plano sistema público Atendida serem conforme cenário acumulado
(anos) (hab) atendidas adotado
1 2015 6365 100 6365 1728 0 0 100
2 2016 6121 100 6121 1715 0 0 100
3 2017 5877 95 5877 1646 5 5 95
4 2018 5634 80 5634 1578 15 20 80
5 2019 5391 75 5391 1510 5 25 75
6 2010 5148 70 5148 1442 5 30 70
7 2021 4904 60 4904 1373 10 40 60
8 2022 4661 50 4661 1305 10 50 50
9 2023 4418 45 4418 1237 5 55 45
10 2024 4175 40 4175 1169 5 60 40
11 2025 3932 35 3932 1101 5 65 35
12 2026 3688 30 3688 1033 5 70 30
13 2027 3445 28 3445 964 2 72 28
14 2028 3202 25 3202 896 5 75 25
15 2029 2959 23 2959 828 2 77 23
16 2030 2716 20 2716 760 3 80 20
17 2031 2472 15 2472 692 5 85 15
18 2032 2229 10 2229 624 5 90 10
19 2033 1986 5 1986 556 5 95 5
20 2034 1743 1 1743 488 4 99 1

A população rural que tende a decrescer ao longo do horizonte do plano como parte do
processo de êxodo rural, diante da necessidade oriunda da Lei do Saneamento, deverá ser atendida
por serviço público a partir de 2017 com crescimento de atendimento paulatino ao longo do tempo,
através de implantação de serviços alternativos para abastecimento adequado e de qualidade para
os moradores da zona rural de Três Pontas.

Estimativa das necessidades da rede coletora de esgotos sanitários.


Período Anos População Rede Rede Rede a Índice de Incremento Rede total Cobertura
do (hab) necessária existente implantar incremento (m) (m) %
Plano (m) (m) (m) %
(anos)
1 2015 49609 221055 221055 0 0 0 221055 100

2 2016 50274 223713 221055 2658 1,19 2658 223713 100


3 2017 50940 226683 221055 2970 1,19 2970 226683 100
4 2018 51606 229646 221055 2963 1,19 2963 229646 100
5 2019 52272 232616 221055 2970 1,19 2970 232616 100
6 2010 52937 235579 221055 2963 1,19 2963 235579 100
7 2021 53603 238542 221055 2963 1,19 2963 238542 100
8 2022 54269 241505 221055 2963 1,19 2963 241505 100
9 2023 54935 244468 221055 2963 1,19 2963 244468 100
10 2024 55600 247431 221055 2963 1,19 2963 247431 100
11 2025 56266 250396 221055 2963 1,19 2963 250396 100
12 2026 56932 253366 221055 2963 1,19 2963 253366 100
13 2027 57598 256329 221055 2963 1,19 2963 256329 100
14 2028 58263 259292 221055 2963 1,19 2963 259292 100
15 2029 58929 262255 221055 2963 1,19 2963 262255 100
16 2030 59595 265218 221055 2963 1,19 2963 265218 100
17 2031 60260 268181 221055 2963 1,19 2963 268181 100
18 2032 60926 271144 221055 2963 1,19 2963 271144 100
19 2033 61592 274107 221055 2963 1,19 2963 274107 100
20 2034 62258 277070 221055 2963 1,19 2963 277070 100

64
Estimativa de evolução das vazões de contribuição sanitária.

Período Anos População Índice de População Contribuição Vazão de Vazão Capacidade de Déficit de
do abast. c atendimento Atendida média infiltração média tratamento tratamento
Plano água (l/s) (l/s)
(anos) (hab)
1 2015 49609 100 49609 68,90 44,15 113,55 0 113,55

2 2016 50274 100 50274 69,82 44,74 114,61 0 114,61


3 2017 50940 100 50940 70,81 45,34 116,15 0 116,15
4 2018 51606 100 51606 71,73 45,93 117,66 0 117,66
5 2019 52272 100 52272 72,66 46,52 119,18 0 119,18
6 2010 52937 100 52937 73,58 47,14 120,72 0 120,72
7 2021 53603 100 53603 74,50 47,71 122,21 0 122,21
8 2022 54269 100 54269 75,43 48,30 123,73 0 123,73
9 2023 54935 100 54935 76,34 48,89 125,23 0 125,23
10 2024 55600 100 55600 77,28 49,84 126,76 0 126,76
11 2025 56266 100 56266 78,21 50,08 128,29 0 128,29
12 2026 56932 100 56932 79,14 50,67 129,91 0 129,91
13 2027 57598 100 57598 80,06 51,26 131,82 0 131,82
14 2028 58263 100 58263 80,98 51,85 132,81 0 132,81
15 2029 58929 100 58929 81,91 52,45 134,36 0 134,36
16 2030 59595 100 59595 82,84 53,04 135,88 0 135,88
17 2031 60260 100 60260 83,76 53,63 137,39 0 137,39
18 2032 60926 100 60926 84,69 54,22 138,91 0 138,91
19 2033 61592 100 61592 85,61 54,82 140,43 0 140,43
20 2034 62258 100 62258 86,54 55,41 141,95 0 141,95

65
Estimativa de geração de resíduos.

Período do Anos Atendimento Atendimento População População Resíduos Resíduos Resíduos


plano pop. Urbana pop. Rural Atendida Atendida diários mensais anuais
(anos) (%) (%) urbana (hab) rural (hab) (kg) (t) (t)
1 2015 100 0 49609 0 29765,4 892,962 10715,54
2 2016 100 0 50274 0
30164,4 904,932 10859,18
3 2017 100 0 50940 0
30564 916,92 11003,04
4 2018 100 0 51606 0
30963,6 928,908 11146,9
5 2019 100 0 52272 0
31363,2 940,896 11290,75
6 2010 100 0 52937 0
31762,2 952,866 11434,39
7 2021 100 0 53603 0
32161,8 964,854 11578,25
8 2022 100 0 54269 0
32561,4 976,842 11722,1
9 2023 100 0 54935 0
32961 988,83 11865,96
10 2024 100 0 55600 0
33360 1000,8 12009,6
11 2025 100 0 56266 0
33759,6 1012,788 12153,46
12 2026 100 0 56932 0
34159,2 1024,776 12297,31
13 2027 100 0 57598 0
34558,8 1036,764 12441,17
14 2028 100 0 58263 0
34957,8 1048,734 12584,81
15 2029 100 0 58929 0
35357,4 1060,722 12728,66
16 2030 100 0 59595 0
35757 1072,71 12872,52
17 2031 100 0 60260 0
36156 1084,68 13016,16
18 2032 100 0 60926 0
36555,6 1096,668 13160,02
19 2033 100 0 61592 0
36955,2 1108,656 13303,87
20 2034 100 0 62258 0
37354,8 1120,644 13447,73

66
Estimativa de evolução da coleta seletiva (Cenário 2)

Período Anos Atendimento Pop. Pop. Coleta Peso Peso Peso


do plano pop. Urbana urbana Atendida seletiva/ coletado/dia coletado/mês coletado/ano
(anos) % urbana hab Kg (Kg) (Kg) (Kg)
1 2015 50 49609 24804 0,018 444 13320 160000

2 2016 50 50274 25137 0,018 452 13574 162888


3 2017 50 50940 25470 0,018 458 13754 165046
4 2018 90 51606 46445 0,033 1533 45980 551766
5 2019 90 52272 47045 0,033 1552 46574 558892
6 2010 90 52937 47643 0,033 1572 47167 566004
7 2021 90 53603 48242 0,033 1592 47760 573123
8 2022 95 54269 51555 0,035 1804 54133 649599
9 2023 95 54935 52188 0,035 1827 54796 657572
10 2024 95 55600 52820 0,035 1849 55461 665532
11 2025 95 56266 53453 0,035 1871 56125 673504
12 2026 97 56932 55224 0,036 1988 59642 715703
13 2027 97 57598 55870 0,036 2011 60340 724076
14 2028 97 58263 56515 0,036 2035 61036 732436
15 2029 97 58929 57161 0,036 2058 61734 740808
16 2030 98 59595 58403 0,037 2161 64827 777929
17 2031 98 60260 59055 0,037 2185 65551 786610
18 2032 98 60926 59707 0,037 2209 66275 795304
19 2033 98 61592 60360 0,037 2233 66700 803997
20 2034 99 62258 61635 0,038 2342 70363 853167

A coleta seletiva no âmbito do município se dá em percentuais ínfimos da ordem de1% a 2%.


Mesmo com incremento da área de coleta é essencial que se implante nova e mais eficaz cultura de
separação dos resíduos para uma coleta seletiva em níveis maiores e com melhores resultados.

O ritmo da coleta seletiva executado pela ATREMAR sofre ao longo do tempo sensíveis
variações no seu resultado. Isto se dá pela dificuldade de recrutamento de catadores uma vez que,
tendo oportunidade, preferem trabalhar na apanha de café (mão de obra temporária) ou trabalhar na
construção civil, por exemplo. Os únicos dados catalogados no município são oriundos da
ATREMAR, visto que quanto aos catadores autônomos não existem dados concretos e confiáveis.
Por ocasião do diagnóstico a administração levantou dados inerentes aos catadores autônomos
porém de antemão se sabia serem estimados. Trabalhou-se nesta tabela com dados atuais e oficiais
da coleta realizada pela ATREMAR retratando a necessidade de um olhar profundo das autoridades
no sentido de incentivar o crescimento da coleta seletiva, o maior envolvimento da população
inclusive da zona rural na separação dos resíduos sólidos domiciliares, o cadastramento dos
autônomos e, enfim incremento da eficiência da coleta resultando em maior vida útil do aterro.

67
Estimativa de volumes de resíduos domiciliares para destinação final em aterro sanitário.

Período Anos Volume Coleta Volume Volume Cobertura Volume total


do plano gerado seletiva aterro compactado (m3) Acumulado
(anos) (t) (kg) (t) (m3/ano) (m3)
1 2015 10715,54 160000 10555,54 12263,0 4292,1 16555,1
2 2016 10859,18 162888 10696,29 12494,8 4373,2 33423,1
3 2017 11003,04 165046 10837,95 12731,0 4455,8 50609,9
4 2018 11146,9 551766 10594,23 13108,1 4587,8 68305,8
5 2019 11290,75 558892 10731,11 13355,9 4674,6 86336,3
6 2010 11434,39 566004 10867,99 13608,3 4762,9 104707,4
7 2021 11578,25 573123 11004,88 14009,9 4903,5 123620,8
8 2022 11722,1 649599 11072,40 14274,7 4996,1 142891,7
9 2023 11865,96 657572 11207,43 14544,5 5090,6 162526,7
10 2024 12009,6 665532 11343,47 14972,2 5240,3 182739,2
11 2025 12153,46 673504 11479,50 15255,1 5339,3 203333,6
12 2026 12297,31 715703 11581,30 15543,5 5440,2 224317,3
13 2027 12441,17 724076 11717,06 15837,2 5543,0 245697,5
14 2028 12584,81 732436 11852,37 16301,2 5705,4 267704,2
15 2029 12728,66 740808 11987,19 16609,3 5813,3 290126,7
16 2030 12872,52 777929 12094,07 16923,2 5923,1 312973,1
17 2031 13016,16 786610 12229,39 17243,1 6035,1 336251,2
18 2032 13160,02 795304 12364,70 17746,4 6211,2 360208,9
19 2033 13303,87 803997 12500,00 18081,8 6328,6 384619,4
20 2034 13447,73 853167 12593,83 18423,6 6448,3 409491,2

Observa-se o volume final de resíduos em aterro sanitário de quase 410 mil metros cúbicos, o
que exigirá um acréscimo de área para sua destinação. É um processo que envolve licenciamento
ambiental, elaboração de novos projetos e elevado investimento. A área atual onde se localiza o
empreendimento atenderá parcialmente o horizonte do plano. Grande parte do terreno foi ocupado
pelo aterro controlado, desde o inicio deste século. Ainda conta-se com uma área interna ao terreno
passível de ser utilizada mediante novo projeto para uma nova plataforma de disposição dos
resíduos a serem gerados em futuro próximo. O município conta com uma área anexa ao
empreendimento que poderá também ser utilizada para expansão do aterro sanitário, quando da
real necessidade, fruto do esgotamento da capacidade do atual terreno.

Consta no PCA (Plano de Controle Ambiental) do empreendimento, devidamente aprovado no


órgão ambiental: “Item 2.4 - DIMENSIONAMENTO DO EMPREENDIMENTO - o volume total
acumulado a ser ocupado pelo futuro aterro sanitário municipal de Três Pontas (RSU +
capeamento), e conforme a projeção avaliada corresponde a, aproximadamente, 58% da
capacidade volumétrica do mesmo, estimada em 903.282 m3 com base em medições automáticas
por meio de computação gráfica (AutoCAD, versão 2000) no projeto executivo do mesmo (Anexo
7). Segundo esses números, embora o horizonte de projeto seja de 20 anos, parece-nos possível
inferir que o período de utilização efetiva (vida útil) dessa instalação possa alongar-se por um
período de tempo superior a 35 anos, desde que:
 a evolução populacional e de geração de RSU do município permaneçam compatíveis com as
projeções feitas (com base nas tendências do passado recente); e
 a operação do aterro sanitário seja feita de forma adequada e conforme o pressuposto adotado
como princípio básico para os cálculos desenvolvidos (densidade nominal dos resíduos
compactados  700 kg/m3).”

Neste sentido compreende-se que a capacidade volumétrica total da instalação, estimada em


903.282 m3, comporta os quase 410 mil m3 previstos para o período 2015-2035 (horizonte do

68
Plano), além do volume de 290 mil m3 já dispostos no aterro controlado, no período 2002-2015, de
acordo com a estimativa de geração de resíduos naquele período (2002-2015), constante no PCA.
Portanto a capacidade volumétrica disponível no empreendimento é de aproximadamente 903
mil – 290 mil = 613 mil m3, capaz de atender com folga a estimativa do período do horizonte do
Plano, que é de quase 410 mil m3.
Todavia como a plataforma atual de disposição dos resíduos está em fase final de sua
capacidade volumétrica torna-se necessário, em curto prazo, a elaboração de projeto para nova
plataforma.

Estimativa de evolução da impermeabilização do solo urbano

Período Anos População Economias Área impermeável Área Incremento Incremento


do plano urbana (unid) por economia impermeável (m2) acumulado
(anos) (hab) (m2/unid) (m2) (m2)
1 2015 49609 19294 100 1929400 0 0
2 2016 50274 19.561 100 1956100 26700 26700
3 2017 50940 19821 100 1982100 26000 52700
4 2018 51606 20080 100 2008000 25900 78600
5 2019 52272 20339 100 2033900 25900 104500
6 2010 52937 20598 100 2059800 25900 130400
7 2021 53603 20857 100 2085700 25900 156300
8 2022 54269 21116 100 2111600 25900 182200
9 2023 54935 21375 100 2137500 25900 208100
10 2024 55600 21634 100 2163400 25900 234000
11 2025 56266 21893 100 2189300 25900 259900
12 2026 56932 22152 100 2215200 25900 285800
13 2027 57598 22411 100 2241100 25900 311700
14 2028 58263 22670 100 2267000 25900 337600
15 2029 58929 22929 100 2292900 25900 363500
16 2030 59595 23188 100 2318800 25900 389400
17 2031 60260 23447 100 2344700 25900 415300
18 2032 60926 23706 100 2370600 25900 441200
19 2033 61592 23965 100 2396500 25900 467100
20 2034 62258 24224 100 2422400 25900 493000

A questão da impermeabilização do solo em novos empreendimentos imobiliários em Três


Pontas se apresenta como forte variável agravante para as inundações verificadas na região da
Peret. Considerando-se apenas 100m2 impermeabilizados por economia, ao final do período de
vigência do PMSB serão quase 50 hectares de solo impermeável que gerarão forte torrente de
águas lançadas nos córregos da área urbana de Três Pontas. A resolução 2 do CODEMA veio
objetivando minimizar este indesejável impacto ambiental.

5.2.3 Alternativas para o atendimento das demandas dos 4 eixos dos serviços

As demandas explicitadas nas tabelas inclusas no item anterior(5.2.2) deverão ser atendidas
mediante envolvimento dos diversos entes que tenham algum tipo de relacionamento com a área de
saneamento básico. Em Três Pontas alguns órgãos já existem e outros tendem a ser criados para
suprir a necessidade de gestão eficiente do sistema como um todo. A seguir se relaciona os órgãos
envolvidos nesta área do município de Três Pontas:
69
I - ÓRGÃOS COLEGIADOS DE ACONSELHAMENTO E FISCALIZAÇÃO
1. Conselhos Municipais (saneamento, meio ambiente, educação, habitação, saúde);
II - ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA IMEDIATA
1. Secretaria Municipal de Transportes e Obras e SAAE;
III - ÓRGÃOS DE ASSESSORAMENTO
1. Procuradoria Geral do Município;
IV - ÓRGÃO DE ADMINISTRAÇÃO GERAL
1. Secretaria Municipal de Administração e Secretaria Municipal da Fazenda;
V - ÓRGÃO DE ADMINISTRAÇÃO SETORIAL
1. Secretaria Municipal da Educação;
2. Secretaria Municipal da Saúde;
3. Secretaria Municipal de Assistência Social;
4. Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Funções relacionadas ao saneamento básico em Três Pontas e seus objetivos.

FUNÇÃO ENTIDADE OU INSTRUMENTO OBJETIVO

Gestão Município/SAAE Coordenar a gestão dos serviços de


saneamento básico.
Regulação Entidade Reguladora Regular e fiscalizar a prestação dos
serviços de saneamento básico nos termos
da Lei n. 11.445/2007.
Controle Social Conselho Municipal de Saneamento a ser Realizar o controle social da prestação
criado. dos serviços.
Planejamento PMSB Definir metas e procedimentos em curto,
médio e longo prazo para a prestação dos
serviços de saneamento básico, com vistas
à sua universalização.
Prestação dos Serviços SAAE e Prefeitura Municipal Prestar os serviços públicos de
saneamento básico com regularidade,
continuidade, funcionalidade e
universalidade, com adoção de
mecanismos gerenciais e econômicos que
assegurem a recuperação dos custos dos
serviços prestados, como forma de
garantir sua sustentabilidade operacional
e financeira.
Instrumentos Sistema Municipal de Informações em Coletar e sistematizar dados relativos às
Saneamento Básico − SMIS condições da prestação dos serviços de
saneamento básico, além de permitir e
facilitar o monitoramento e a avaliação da
eficiência e da eficácia dessa prestação.
Ademais, o SMIS acompanhará os
indicadores estabelecidos no PMSB.
Instrumentos Educação Sanitária e Ambiental Promover a utilização adequada dos
serviços de saneamento básico,
notadamente quanto ao uso racional da
água e das instalações prediais.
Instrumentos Tarifas Garantir a sustentabilidade financeira da
prestação dos serviços.

70
5.2.4 Definição das responsabilidades dos serviços de saneamento básico tratados no PMSB para atendimento
das carências de acordo com a lei 11.445/07

De acordo com a atual estrutura organizacional da administração pública municipal de Três


Pontas, observa-se que esta é bastante compacta, ou seja, com poucas unidades funcionais e
consequentemente menores níveis hierárquicos, havendo concentração de algumas áreas de
atuação sob a gestão de um responsável.
Para o caso específico do Plano Municipal de Saneamento Básico – PMSB, verifica-se a
atuação e influência direta do Serviço Autônomo de Água e Esgoto - SAAE e da Secretaria
Municipal de Transportes e Obras que são responsáveis pelos quatro serviços de saneamento
básico no município. A Secretaria de Transportes e Obras é também responsável por outras
atividades como: fiscalização de obras;  outros serviços públicos;  elaboração de projetos; 
aprovação de projetos, etc. Dentre suas competências e atividades relacionadas e correlacionadas
ao tema Saneamento Ambiental, destacam-se aquelas voltadas aos aspectos de drenagem pluvial,
resíduos sólidos, varrição e limpeza pública.

Com a promulgação da Lei Federal nº 11.445/07 (BRASIL, 2007) modificou-se o cenário


normativo de regulação e fiscalização, sendo:
- Regulação, de acordo com o Decreto nº 6.017/2007, art. 2º, inciso XI, pode ser entendida como
"todo e qualquer ato, normativo ou não, que discipline ou organize um determinado serviço público,
incluindo suas características, padrões de qualidade, impacto socioambiental, direitos e obrigações
dos usuários e dos responsáveis por sua oferta ou prestação e fixação e revisão do valor de tarifas
e outros preços públicos".
- Fiscalização, de acordo com o Decreto nº 6.017/2007, art. 2º, inciso XII, pode ser entendida como
"atividades de acompanhamento, monitoramento, controle ou avaliação, no sentido de garantir a
utilização, efetiva ou potencial, do serviço público" dos serviços públicos de saneamento básico,
uma vez que anterior à citada lei, o próprio prestador dos serviços acumulava as funções de prestar,
planejar, regular e fiscalizar sua própria atuação.
Atualmente, essas funções foram separadas e definidas as respectivas atribuições. A regulação
cabe ao titular (Município), podendo realizá-la diretamente ou delegá-la a entidade reguladora de
outro ente federativo ou a formação de entidade reguladora instituída por meio de consórcio público.
Nos casos de delegação só pode ser feita a uma entidade reguladora constituída, criada para este
fim, dentro dos limites do respectivo estado. (art.8º11 e 23, § 1º12, da Lei nº 11.445/2007).
O tema regulação é abordado no Capítulo V, artigos 21 e 27, da Lei Federal nº 11.445/2007 e tem
por princípios “independência decisória, incluindo autonomia administrativa, orçamentária e
financeira da entidade reguladora, transparência, tecnicidade, celeridade e objetividade das
decisões".
Já os objetivos da regulação (artigo 22) são:
- Estabelecer padrões e normas para a adequada prestação dos serviços e para a satisfação dos
usuários;
- Garantir o cumprimento das condições e metas estabelecidas;
- Prevenir e reprimir o abuso do poder econômico, ressalvada a competência dos órgãos integrantes
do sistema nacional de defesa da concorrência;
- Definir tarifas que assegurem tanto o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos, como a
modicidade tarifária, mediante mecanismos que induzam a eficiência e a eficácia dos serviços e que
permitam a apropriação social dos ganhos de produtividade.
Para a eficácia do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) é imprescindível a atuação da
entidade reguladora e fiscalizadora, principalmente quanto ao monitoramento e averiguação do
71
cumprimento dos programas e ações previstos no Plano por parte dos prestadores de serviços como
a SANEPAR e outros.
Ainda, de acordo como artigo 23 (BRASIL, 2007), a entidade reguladora deverá editar normas
relativas às dimensões técnicas, econômicas e sociais de prestação dos serviços, que abrangerão,
pelo menos, os seguintes aspectos:
- Padrões e indicadores de qualidade da prestação dos serviços;
- Requisitos operacionais e de manutenção dos sistemas;
- As metas progressivas de expansão e de qualidade dos serviços e os respectivos prazos;
- Regime, estrutura e níveis tarifários, bem como os procedimentos e prazos de sua fixação, reajuste
e revisão;
- Medição, faturamento e cobrança de serviços;
- Monitoramento dos custos;
- Avaliação da eficiência e eficácia dos serviços prestados;
- Plano de contas e mecanismos de informação, auditoria e certificação;
- Subsídios tarifários e não tarifários
- Padrões de atendimento ao público e mecanismos de participação e informação;
- Medidas de contingências e de emergências, inclusive racionamento;
Ainda, a legislação prevê em seu artigo 25 que "os prestadores de serviços públicos de saneamento
básico deverão fornecer à entidade reguladora todos os dados e informações necessários para o
desempenho de suas atividades, na forma das normas legais, regulamentares e contratuais" além
da publicidade dos relatórios, estudos, decisões e instrumentos equivalentes que estejam
relacionados com a regulação ou à fiscalização dos serviços prestados, de acordo com o artigo 26.

5.2.5 Modelo de fiscalização e regulação dos serviços locais de saneamento básico

Estratégia de Criação do Conselho Gestor de Saneamento Básico O Conselho Gestor de


Saneamento Básico, de acordo com o MINISTÉRIO DAS CIDADES (BRASIL, 2005) deve ser uma
instância colegiada de caráter deliberativo e consultivo, composto por representantes do Poder
Público municipal, dos prestadores de serviço, dos usuários e de outros segmentos sociais,
devendo ser criado por lei municipal. Seu regulamento e suas competências devem ser compatíveis
com os princípios, as diretrizes e os objetivos da Política Municipal de Saneamento Ambiental.
Dentre as competências do Conselho Gestor de Saneamento Ambiental, a ser criado, elenca-se: 
Regular, avaliar e realizar o controle da prestação dos serviços de saneamento ambiental, mediante
apoio técnico de instituição capacitada;  Estabelecer metas e ações relativas à universalização e
qualidade dos serviços de água potável, esgotamento sanitário, resíduos sólidos, drenagem urbana
e controle de vetores; Monitorar o cumprimento da Política Municipal de Saneamento Básico,
especialmente no que diz respeito ao fiel cumprimento de seus princípios e objetivos e a adequada
prestação dos serviços e utilização dos recursos;  Discutir e aprovar, após a Conferência
Municipal de Saneamento, os Planos necessários à implementação da Política Municipal de
Saneamento Básico;  Analisar as propostas de projetos de lei que versem sobre saneamento e
sobre a possível alteração da Política de Saneamento Básico, propondo, quando necessário,
alterações, após os trâmites legais;  Avaliar a aprovar os Indicadores constantes do Sistema de
Informações Municipal de Saneamento;  Deliberar sobre a proposta orçamentária, sobre as metas
anuais e plurianuais e sobre os planos de aplicação de recursos do Fundo Municipal de
Saneamento Básico, bem como controlar sua gestão, aplicação e execução, em consonância com a
legislação pertinente;  Elaborar e aprovar o seu regimento interno, bem como o Regimento Interno
da Conferência Municipal de Saneamento Básico;  Apoiar a realização da Conferência Municipal
de Saneamento Básico;  Solicitar sempre que houver interesse de algum dos membros do
72
Conselho os contratos, balancetes, licitações e projetos dos prestadores de serviço de forma a
garantir o controle social;  Fomentar o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação
tecnológica e a formação de recursos humanos.

A Lei n. 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece Diretrizes Nacionais para o


Saneamento Básico − LNSB, definiu uma série de instrumentos para o avanço institucional do setor
e para a sua universalização, entre os quais o exercício da titularidade, o planejamento, o controle
social e a regulação No caso de Agua e esgoto cujos serviços são prestados pelo próprio titular,
através de entidade da administração indireta (SAAE) ou direta (secretarias e departamentos), os
municípios também são obrigados, a definir o ente responsável pela sua regulação e fiscalização
(Inc. II, art. 9º, LNSB). Esta também é a interpretação do Ministério Público de vários estados que,
por meio de ações civis públicas, está impedindo Serviços Autônomos de Água e Esgoto a
praticarem reajustes ou revisões tarifárias sem que haja entidade reguladora para definição das
tarifas. Já em relação ao planejamento, compete à entidade reguladora a verificação do
cumprimento dos planos de saneamento por parte dos prestadores de serviços, na forma das
disposições legais, regulamentares e contratuais.

Propõe-se a implantação do Sistema Municipal de Gestão do Plano Municipal de


Saneamento Básico de Três Pontas para acompanhamento e avaliação dos resultados, com
competência para:
I – zelar pela realização continuada e eficaz das estratégias, programas e planos propostos;
II – garantir a participação popular no planejamento municipal;
III – promover a instituição da legislação específica decorrente do PMSB.

Propõe-se para o Sistema Municipal de Gestão do Plano Municipal de Saneamento Básico


de Três Pontas a seguinte composição:
I – Conselho Municipal de Saneamento Básico;
II – Equipe Técnica Multidisciplinar;
III – Núcleo Gestor do PMSB.

A Equipe Técnica Multidisciplinar seria o órgão de apoio técnico responsável pela


programação e execução das ações definidas no Plano.
O Núcleo Gestor do Plano seria o órgão administrativo responsável direto pela implantação e
gerência do PMSB e projetos complementares.

O Sistema Municipal de Gestão do Plano Municipal de Saneamento Básico de Três


Pontas deverá atuar nas seguintes etapas do planejamento:
I – formulação dos planos, estratégias, políticas e programas decorrentes da lei (PMSB),
com sua atualização permanente;
II – acompanhamento da execução do Plano, monitorando a implementação dos planos,
estratégias, políticas e programas dele decorrentes;
III – controle dos resultados e reavaliação do planejamento.

5.3 VIABILIDADE FINANCEIRA PARA IMPLEMENTAÇÃO DAS ALTERNATIVAS

O Ministério das Cidades (2009) define saneamento básico como um conceito amplo, sendo
difícil resumir sua abrangência. Importante, não existe cidade se não existir água disponível
73
regularmente, capaz de atender as necessidades básicas do ser humano, para controle e prevenção
de doenças, para a garantia do conforto e para o desenvolvimento sócio econômico. Portanto, ao
consolidar-se um novo paradigma para o campo do saneamento, baseado em princípios não só de
universalidade, mas de integralidade e equidade deve a sociedade civil organizada ter garantias e
obrigações de participação. O conceito de saneamento básico evoluiu, passando a abranger um
maior número de componentes do saneamento ambiental. O Termo saneamento básico até pouco
tempo utilizado no sentido restrito para denominar rede de água e esgoto, ganhou um significado
mais amplo com a lei federal nº 11.445/07, envolvendo ações de saneamento que tem uma relação
mais intensa e cotidiana com a vida das pessoas, na busca pela salubridade ambiental, passando a
denominar os sistemas e serviços que integram o abastecimento de água, o esgotamento sanitário,
limpeza pública e manejo dos resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais.
Para se determinar a viabilidade financeira das alternativas, as seguintes diretrizes devem
ser observadas:
1.º - A definição objetiva do significado de serviço adequado de abastecimento de água e de
esgotamento sanitário (que nessa condição, resulta na formulação de requisitos de qualidade e
desempenho a serem atendidos);
2.º - O diagnóstico dos sistemas e serviços atuais em face de tais requisitos;
3.º - A identificação das desconformidades entre o estado atual e aquele que deveria vigorar
caso os mesmos fossem cumpridos;
4.º - As proposições de medidas de desenvolvimento, melhoria e expansão que levem ao seu
cumprimento;
5.º - O estudo econômico-financeiro e político-institucional de viabilização de tais medidas;
6.º - As escolhas das modalidades institucionais mais adequadas para a prestação dos
serviços;
7.º - A implementação de um marco regulatório para essa prestação e do correspondente
sistema de regulação; e
8.º - A elaboração de documentos técnicos, jurídicos, administrativos e financeiros
necessários à realização das mudanças institucionais a serem implantadas.
O titular dos serviços formulará a respectiva política pública de saneamento básico, devendo,
para tanto:
I - elaborar os planos de saneamento básico, observada a cooperação das associações
representativas e da ampla participação da população e de associações representativas de vários
segmentos da sociedade, como previsto no art. 2o , inciso II, da Lei no 10.257, de 10 de julho de
2001;
II - prestar diretamente os serviços ou autorizar a sua delegação;
III - definir o ente responsável pela sua regulação e fiscalização, bem como os procedimentos
de sua atuação;
IV - adotar parâmetros para a garantia do atendimento essencial à saúde pública;
V - fixar os direitos e os deveres dos usuários;
VI - estabelecer mecanismos de participação e controle social; e
VII - estabelecer sistema de informações sobre os serviços, articulado com o Sistema
Nacional de Informações em Saneamento – SINISA.
Cabe ao Titular planejar os serviços de saneamento básico, estipulando a forma de operação,
regulação, fiscalização e gestão. O Plano de Saneamento destaca-se pela maneira pela qual todos
os titulares dos serviços da federação deverão cumprir sua obrigação de prestação de serviços
públicos de saneamento conforme designa a Constituição Federal em seu Artigo 175: “A prestação
dos serviços de saneamento pode ser realizada diretamente pelo Poder Público ou sob regime de
concessão ou permissão a outra entidade, a qual poderá ser uma entidade governamental, uma
empresa privada ou uma entidade mista governamental / privada”.

74
Em realidade, a prestação do serviço público raramente considera o contexto político-
institucional maior, tal como caracterizado pela Lei Federal n.º 8.987/95, por meio das relações de
direitos e deveres entre os agentes relevantes. Pode-se dizer que o cumprimento, pelo Poder
Público Municipal, das responsabilidades oriundas da descentralização do Saneamento Básico no
país, buscada pelo governo federal quando da promulgação da lei federal 11.445/2007 – Lei de
Diretrizes Nacionais sobre Saneamento Básico, somente é finalizada após a uma sequencia de atos
que se ensejam nas seguintes providências:
• Ter uma Política Municipal de Saneamento Básico;
• Elaboração do PMAE;
• Obter, com base no PMAE, um Estudo de Viabilidade Econômico-Financeiro (EVEF);
• Escolher qual a melhor maneira de prestação de serviços que se encaixa na realidade do
município;
• Pormenorizar ao máximo a maneira que o prestador de serviços deve cumprir as metas
estabelecidas.
Conforme estruturado neste prognostico através dos estudos envolvendo cenários diversos
para cada componente do saneamento básico em Três Pontas, existem investimentos a serem feitos
nos cenários ideais e factíveis com prazos definidos que visam o atendimento do objetivo decorrente
da lei de saneamento. Em termos financeiros surge a necessidade de ampliar a disponibilidade de
água tratada para a população e a construção da ETE como investimentos de grande vulto. A
questão da universalização dos serviços atingindo a zona rural e a expansão do aterro sanitário
também exigirá recursos, além de estudos técnicos especializados. Somente tais estudos com a
apresentação de planilhas orçamentárias com custos de projetos e obras permitirão vislumbrar a
opção por alternativas de gestão e mesmo por possibilidades de captação de recursos para
investimento, sem se esquecer da própria auto sustentabilidade dos diversos sistemas.

Como anteriormente dito, os serviços de abastecimento de água e coleta de esgotos na


cidade de Três Pontas são de responsabilidade do SAAE. Os serviços de limpeza urbana e
disposição de resíduos sólidos ocorrem sob a tutela do SAAE e Secretaria Municipal de Transportes
e Obras. Na forma da lei cabe ao SAAE tão somente prestar serviços inerentes à água e esgoto. A
Politica Municipal de Saneamento deverá nortear esta e as demais questões relativas à prestação
dos serviços de saneamento. Não é cobrada tarifa para a prestação dos serviços de limpeza urbana
e disposição de resíduos sólidos e caso venha a se concretizar a responsabilidade deste serviço
para o SAAE há que se avaliar esta questão tendo em vista o equilíbrio das contas.

Observa-se que a regulação exigirá mudança no status da prestação dos serviços, haja vista
que as normas sobre a prestação dos serviços, elencadas no art. 23 da LNSB, são ditadas
atualmente pelo SAAE e Secretarias Municipais, devendo as mesmas ser revistas e definidas pela
agência reguladora. Isto implicará em alteração de vários padrões e parâmetros da prestação dos
serviços, tais como prazos para atendimento a ligações de água e esgoto, condições de
atendimento aos usuários, requisitos para solicitação dos serviços, entre outros. Também haverá
impactos em relação às tarifas, pois deverão ser fixadas com base em metodologias tarifárias, na
análise de eficiência da prestação dos serviços e no cumprimento dos investimentos definidos no
Plano Municipal de Saneamento Básico. Cabe ressaltar que há diferenças na forma de regular uma
Sociedade de Economia Mista e um Departamento ou Autarquia, haja vista estes últimos não
possuírem contratos de prestação dos serviços. Ademais, os prazos de adaptação destes
prestadores à regulação tendem a ser mais extensos, porém convergindo no longo prazo para o
mesmo formato de regulação em relação aos demais prestadores de serviços.

75
6. ARTICULAÇÃO COM OUTROS SETORES CORRELACIONADOS

6.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Articulação e integração entre as instituições como: a autarquia responsável de


abastecimento de água e tratamento de esgotamento sanitário de Três Pontas (SAAE); o Conselho
Gestor de Saneamento Básico; o Comitê Executivo e de Coordenação; a Entidade Reguladora; o
Departamento Municipal de Saneamento (a ser criado) e demais secretarias e setores correlatos
municipais (saúde, educação, meio ambiente, Obras, entre outros) são fundamentais para a
incorporação de todo o conhecimento e informações visando a implementação e monitoramento dos
programas, ações e metas propostos no Plano Municipal de Saneamento Básico de forma eficiente
e efetiva.
O controle social das políticas públicas tornou-se um imperativo da consolidação da
democracia. Através desse processo, o poder público é fiscalizado, garante-se uma mediação entre
os interesses dos diversos segmentos sociais e proporciona-se uma maior continuidade entre um
mandato público e seu sucessor. Por outro lado, com a mobilização da população, para a sua
intervenção na tomada de decisões relativas aos serviços que lhe dizem respeito, colabora-se com
a prática educativa e com a formação política, portanto contribuindo com a construção da cidadania.
No campo do saneamento, a participação da população e o controle social podem ser
estimulados de diversas formas, por exemplo, através da prática do orçamento participativo,
adotada com sucesso em diversos municípios, e das audiências públicas, previstas em legislação.
Um mecanismo mais permanente, porém, é o da constituição de conselhos para a discussão das
questões de saneamento. Tais conselhos devem ser integrados pelo executivo municipal, pelo
legislativo, pela iniciativa privada e pela comunidade, preferencialmente através de organizações
não governamentais representantes da sociedade civil. É fundamental que tenham poder
deliberativo, relativo ao planejamento das ações, à fixação de taxas e tarifas, ao controle e
fiscalização do executivo, entre outras atribuições.
Funções normativas e consultivas devem complementar as atribuições dos conselhos.
A estratégia de articulação e integração seria por meio de reuniões periódicas e repasse de
informações, sendo o Departamento Municipal de Saneamento e o Conselho Gestor de Saneamento
Básico os atores principais, gerindo e direcionando os recursos do Fundo Municipal de Saneamento
Básico para a implementação do Plano Municipal de Saneamento Básico. Terão ainda a função de
criar e gerir o Sistema de Informações Municipal de Saneamento Básico (SIMSB) que será
alimentado por dados da entidade reguladora, que por sua vez terá dados disponibilizados pela
prestadora de serviços de saneamento (no caso a SAAE e Secretaria de Obras), além do mútuo
monitoramento e fiscalização. Os dados que do SIMSB também alimentarão o Sistema Nacional de
Informações sobre Saneamento.

6.2 SAÚDE

A saúde é definida como o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não
apenas a ausência de doença. Ao se analisar este conceito amplo de saúde pode-se concluir,
apenas observando alguns dados, que o Brasil é um país em estado grave de saúde e que os
investimentos em saúde e saneamento no Brasil têm sido muito abaixo do mínimo recomendado
pela OMS. Pode-se afirmar que se condições de saneamento no Brasil fossem mais adequadas,
haveria uma substancial melhoria no quadro de saúde da população. Além disso, o país
economizaria com a construção e manutenção de hospitais e com a compra de medicamentos.
Diversas doenças infecciosas e parasitárias tem no meio ambiente uma fase de seu ciclo de
transmissão, como por exemplo, uma doença de veiculação hídrica, com transmissão feco-oral. A
76
implantação de um sistema de saneamento, neste caso, significaria interferir no meio ambiente, de
maneira a interromper o ciclo de transmissão da doença. O controle de transmissão das doenças,
além da intervenção em saneamento e dos cuidados médicos, completa-se quando é promovida a
educação sanitária, adotando-se hábitos higiênicos como: utilização e manutenção adequadas das
instalações sanitárias; melhoria da higiene pessoal, doméstica e de alimentos. Uma série de
doenças pode ser associada à água, seja em decorrência de sua contaminação por excretas
humanas ou de outros animais, seja pela presença de substâncias químicas nocivas à saúde
humana.
Os problemas ambientais e de saúde coletiva decorrentes da precariedade da oferta dos
serviços de saneamento básico é, antes de tudo, resultante de processos fundamentalmente
políticos e sociais.
Na perspectiva da saúde coletiva, para a qual os problemas de saúde da população resultam
da forma como se organiza a sociedade, em suas múltiplas dimensões, os programas de promoção
da saúde relacionados com os problemas ambientais devem ser movimentos politicamente
agressivos na perspectiva de uma equidade social, política e econômica. É claro que as baixas
coberturas dos serviços de saneamento no Brasil implicam desdobramentos nefastos para a saúde
das pessoas, principalmente aquelas de mais baixa renda, além das consequências negativas ao
meio ambiente, considerando as inúmeras possibilidades de agravo ao equilíbrio dos ecossistemas.
A indissociabilidade entre saneamento básico, qualidade de água e saúde coletiva, nos remete a
uma reflexão sobre a forma como este tema é tratado no Brasil e a aparente imobilidade da
sociedade em reivindicar um direito que, inclusive, é garantido em nossa Constituição, que é o de
prover a todos os cidadãos direito ao acesso à saúde em todos os seus aspectos.
Em Três Pontas observa-se uma amostragem do relatado em termos nacionais, ou seja, ao
se buscar as causas das doenças frequentes verifica-se uma inter-relação com o saneamento
básico. Consumo de água não tratada na zona rural, esgotos lançados in natura em cursos d’água,
lixo mal estocado e uso de agrotóxicos sem controle são alguns fatores que interferem na saúde da
população local. Há que se destacar também a ocorrência de inúmeros registros de casos de
dengue no município, culminando com a forte incidência da doença verificada no ano de 2014.
Ocorre que persiste a falta de preocupação continuada com as condições que desencadeiam a
epidemia e ainda se verifica expressivo volume de entulhos no interior das casas e lotes vagos.
Vemos, pois intrínseca correlação do saneamento com a saúde da população, mas os resultados a
serem perseguidos dependem das politicas administrativas para esta área de governo.

Vejamos os elementos relacionados à saúde, extraídos do Diagnóstico, fruto de dados


técnicos e participação popular:
- uso indiscriminado de agrotóxicos;
- falta de tratamento do esgoto.
O termo agrotóxico ao invés de defensivo agrícola passou a ser utilizado, no Brasil, para
denominar os venenos agrícolas, após grande mobilização da sociedade civil organizada. Mais do
que uma simples mudança da terminologia, esse termo coloca em evidência a toxicidade desses
produtos para o meio ambiente e a saúde humana.

77
Os inseticidas possuem ação de combate a insetos, larvas e formigas, pertencendo a grupos
químicos distintos, dentre eles os organofosforados, os organoclorados. Os herbicidas combatem
ervas daninhas. Nas últimas duas décadas, este grupo tem tido sua utilização crescente na
agricultura, sendo Três Pontas um dos municípios que mais empregam tais produtos mormente na
cultura cafeeira, carro chefe da economia local. A utilização de agrotóxicos na agricultura ocasiona
o contato, direto ou indireto, do homem com esses materiais. Diretamente, devido ao contato com
estas substâncias e/ou produtos em ambientes por estes contaminados. E, indiretamente, através
da contaminação da biota de áreas próximas a plantações agrícolas, que acaba por desequilibrar os
ecossistemas locais, trazendo uma série de injúrias aos habitantes dessas regiões. As formas de
exposição responsáveis pelos impactos destes agentes sobre o homem são, razoavelmente,
conhecidas. Os processos, através dos quais as populações humanas estão expostas, entretanto,
constituem-se, ainda hoje, verdadeiros mistérios, dada a multiplicidade de fatores que estão
envolvidos.

Os efeitos nocivos do uso de agrotóxicos para a saúde humana têm sido diversos. Tem sido
detectada a presença dessas substâncias em amostras de sangue humano, no leite materno e
resíduos presentes em alimentos consumidos pela população em geral, apontando a possibilidade
de ocorrência de anomalias congênitas, de câncer, de doenças mentais, de disfunções na
reprodutividade humana. A utilização dos agrotóxicos no meio rural tem trazido uma série de
consequências, tanto para o ambiente, como para a saúde do trabalhador rural. Em geral, essas
consequências são condicionadas por fatores intrinsecamente relacionados, tais como: o uso
inadequado dessas substâncias, a pressão exercida pela indústria e o comércio para esta
utilização, a alta toxicidade de certos produtos e a precariedade dos mecanismos de vigilância. Por
78
outro lado, observa-se que as informações sobre saúde e segurança destes produtos são de difícil
apropriação por parte daqueles que os utilizam, uma vez que fazem uso de linguagem técnica
pouco acessível.
Sendo assim, para se contrapor à falta de informação por parte dos setores diretamente
envolvidos, devem os órgãos municipais e os conselhos representativos da sociedade trespontana
buscar implantar uma politica de conscientização visando o uso de equipamentos de proteção
individual (EPI's) no momento do preparo e utilização dos agroquímicos, mesmo não sendo
adequados à realidade e ao clima brasileiros. Uma orientação pertinente aos riscos inerentes a
esta atividade precisa ser incutida no setor agrícola municipal suscitando o pleno conhecimento do
perigo, onde o trabalhador acrescenta ao risco inerente ao processo de trabalho o seu próprio risco,
como forma de minimizar ou simplesmente negar o outro, numa estratégia de ideologia defensiva .

Outra estratégia a ser adotada seria a vigilância incessante por parte do SAAE acerca de
análise química da água fornecida à população bem como das águas dos mananciais e nascentes
responsáveis por abastecer os corpos hídricos de onde é captada a água para suprir a necessidade
da população. Além disto, a regulamentação do uso dos agrotóxicos prevista no Plano Diretor de
2006, quando levada a termo, virá a suprir enorme lacuna neste aspecto de suprema importância
para a saúde e sobrevivência do ser humano.

O Ribeirão Araras recebe todo o efluente líquido produzido em residências e


estabelecimentos comerciais e percorre vasta área do município até desaguar na represa de
Furnas. Neste percurso, o ribeirão corta várias propriedades rurais e suas águas poluídas
comprometem a dessedentação de animais das fazendas ribeirinhas. É de suma importância a
construção da ETE, requerida também para participar da despoluição da represa de Furnas.

79
6.3 MEIO AMBIENTE

Segundo a World Health Organization - WHO (2004), saneamento é o controle de todos os


fatores do meio físico, que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre o seu bem estar físico,
mental e social. Essas definições, e outras formuladas visando a conceituar o saneamento, deixam
claro que saneamento constitui um conjunto de ações sobre o meio ambiente físico, portanto, de
controle ambiental, cujo objetivo é proteger a saúde do homem. Modernamente, a oferta de
saneamento associa sistemas constituídos por uma infraestrutura física (obras e equipamentos) e
estrutura educacional, legal e institucional que abrange os seguintes serviços:
• Abastecimento de água às populações, com qualidade compatível com a proteção de sua saúde e
em quantidade suficiente para a garantia de condições básicas de conforto;
• Coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e sanitariamente segura dos esgotos
sanitários, nestes incluídos os rejeitos provenientes das atividades doméstica, comercial e de
serviços, industrial e pública;
• Coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e sanitariamente segura dos resíduos
sólidos rejeitados pelas mesmas atividades;
• Coleta de águas pluviais e controle de empoçamentos e inundações;
• Controle de vetores de doenças transmissíveis (insetos, roedores, moluscos).
O meio ambiente tem sido degradado através de diferentes formas. Como exemplos verifica-
se que a água é utilizada como meio de transporte para dejetos e rejeitos, o solo é prejudicado pela
disposição de resíduos sólidos a céu aberto e a qualidade do ar é alterada pela emissão de gases
nocivos pelas indústrias e veículos. As ações de saneamento devem ter, dentre outros objetivos, o
de assegurar um meio ambiente favorável à vida humana e de outros seres vivos, através do
controle da poluição da água, do solo e do ar.
O termo poluição vem do verbo latino polluere, que significa sujar. O sentido de sujar, porém, é
muito mais ligado à aparência, à estética, do que a danos reais. De acordo com um conceito mais
moderno e abrangente, poluição é tudo o que ocorre com um meio e que altera prejudicialmente
suas características originais de forma a:
• afetar a saúde, a segurança e o bem estar da população;
• criar condições adversas às atividades sociais e econômicas;
• ocasionar danos relevantes à flora, à fauna e a qualquer recurso natural, aos acervos históricos,
culturais e paisagísticos.
O termo poluição abrange hoje três determinantes básicas:
• introdução de substâncias artificiais e estranhas a um meio, como um agrotóxico despejado em um
rio, ou a contaminação por organismos patogênicos;
• introdução de substâncias naturais estranhas a um determinado meio, como sedimentos em
suspensão nas águas de um lago, ocupando seu volume útil e tornando-o turvo;
• alteração na proporção ou nas características dos elementos constituintes do próprio meio, como a
redução do oxigênio dissolvido nas águas de um rio, devido, por exemplo, à presença de matéria
orgânica.
O município de Três Pontas se apresenta como território predominantemente agrícola, com
ênfase e destaque para a cafeicultura, sendo o maior produtor de café do mundo. Como
consequência prolifera o uso maciço de fertilizantes, agrotóxicos e outros pesticidas de naturezas
diversas. Devido a grande extensão das lavouras que se estendem dos cumes dos morros até os
vales e margeiam cursos d’água e envolvem nascentes, verifica-se alto risco de contaminação das
águas locais. Tal aspecto inclusive faz parte dos cenários estudados para o abastecimento de água
em Três Pontas.
Outro aspecto desta inter-relação do saneamento com o meio ambiente diz respeito ao
lançamento de esgotos sem tratamento nos cursos d’água.

80
Também a impermeabilização do solo com o advento de empreendimentos imobiliários causa
impactos no meio ambiente.
Cite-se ainda o assoreamento dos leitos dos córregos pela supressão de matas ciliares.

6.4 HABITAÇÃO

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o conceito de habitação


saudável se aplica ao desenho da moradia, ao território geográfico e social em que a habitação se
assenta, aos materiais usados para sua construção, à segurança e qualidade dos elementos, ao
processo construtivo, à composição espacial, à qualidade dos acabamentos, ao contexto global do
entorno (comunicações, energia, vizinhança), as condições de infraestrutura de saneamento básico
implantadas na região e à educação ambiental e em saúde de seus moradores sobre estilos e
condições de vida.
Do ponto de vista do ambiente como determinante da saúde, a habitação se constitui em um
espaço de construção e desenvolvimento da saúde da família. Evidências científicas apontam que a
saúde está diretamente ligada ao modo de viver das pessoas e sua relação com o meio ambiente, e
não somente a determinismos biológicos e genéticos. Neste cenário, a habitação traduz-se como
um dos primeiros e mais vulneráveis espaços de promoção da saúde. A Habitação Saudável é hoje
um dos fundamentos para a garantia do bem estar e da qualidade de vida, mas para isso dois
campos de ação necessitam ser trabalhados: a criação de ambientes favoráveis à saúde e a
implementação de políticas públicas saudáveis. No âmbito da criação de ambientes favoráveis, a
habitação é o espaço principal da promoção da saúde na comunidade. Sobretudo em formações
sociais com alta desigualdade sociosanitária é importante que sejam mostrados movimentos que
concretizem, por meio de fundamentos e práticas, a ideia da promoção da saúde.
A Opas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) consideram que o conceito de ambiente e
entorno saudável incorporam a necessidade de se ter equipamentos urbanos com saneamento
básico, espaços físicos limpos e estruturalmente adequados, além de redes de apoio para se
conseguir hábitos psicossociais sãos e seguros. Ressaltam também que a carência e as
deficiências na habitação e a falta de saneamento são questões diretamente relacionadas aos
níveis de pobreza. Analogamente, o conceito de município saudável é uma proposta de promoção
da saúde que só é viável se houver uma política de habitação saudável. Segundo a Opas, o
município saudável é uma estratégia que permite fortalecer a execução das atividades de saúde
como a mais alta prioridade em uma agenda política local, desenvolvendo planos de ação pautados
em princípios de saúde para todos. Em termos globais, a introdução do conceito de municípios
saudáveis aumenta a cada ano.
A ocorrência de doenças infecto-parasitárias, ocorrem devido à falta de infraestrutura e a
ausência de saneamento básico, principalmente. A precariedade habitacional, a deterioração da
qualidade de vida, o impacto na saúde de ambientes e o distanciamento da comunidade científica
da realidade pela falta de estudos e incentivos a pesquisas nessa área - comprovam a necessidade
de aumentar a eficiência das políticas públicas de saúde. As cifras de desigualdade assustam.
Enquanto 80% dos mais ricos no País têm saneamento básico, 32% dos 40% mais pobres não têm
esse benefício, segundo dados recentes do Ministério da Saúde. E embora a população urbana
represente 80% do total do País, 50% deste contingente vivem em áreas de favela, sem as mínimas
condições de saneamento ou saúde.
Isso faz hoje do saneamento básico um problema que só poderia ser solucionado com a
cooperação entre diversos atores sociais como as instituições acadêmicas, ONGs, movimentos
sociais e governamentais que interajam na intenção de implementar um conceito abrangente de
políticas para a habitação saudável. O grande desafio está na intervenção sobre os fatores que são
determinantes para a saúde e o bem-estar, onde biologia humana, meio ambiente e estilos de vida
81
têm a mesma importância e interferência para a garantia da qualidade de vida. A ausência desses
fatores se traduz, no entanto, nas principais causas de enfermidade e morte. Diante deste cenário
preocupante, e com a falta de investimentos em políticas públicas em saneamento e
desenvolvimento, a implementação de espaços saudáveis faz-se cada vez mais urgente. É
necessário o estabelecimento de alianças e propostas estratégicas para concentrar esforços e
recursos a partir das potencialidades das instituições acadêmicas e públicas envolvidas com as
questões sociais da saúde e da habitação.
Enfim, o que se propõe é incentivar a Promoção da Saúde, enquanto estratégia que
ultrapassa o setor da saúde, contemplando as questões ambientais e habitacionais, dentro dos
determinantes sociais da saúde e da qualidade de vida. Uma estratégia que busca junto à
diversidade de atores e sujeitos, um diálogo democrático, participativo e inter-setorial, em prol de
múltiplas ações de melhoria da qualidade de vida e de mudança social.
Em Três Pontas a questão habitacional foi tratada recentemente no PLHIS, onde se verificou
a carência de novas unidades habitacionais e a existência de unidades sem condições ideais de
habitabilidade. No que tange ao saneamento há que se enfatizar que as áreas urbanas contam com
praticamente 100% de abastecimento com água tratada e coleta de esgotos. Todavia nas áreas
rurais estes serviços inexistem. A drenagem de águas oriundas de precipitações pluviométricas se
apresenta também como fator que interfere nas condições de moradia da população. Visto haverem
falhas neste sistema por falta de rede ou maus dimensionamentos de seções dos canais ocorrem
inundações em áreas baixas da cidade causando transtornos e prejuízos aos munícipes.

6.5 EDUCAÇÃO

Estudo brasileiro recente indica que a falta de saneamento básico nas cidades pode afetar a
economia nacional e impactar o aprendizado de crianças e jovens. A pesquisa sugere que a queda
na eficiência de estudantes é causada por doenças provocadas pela ausência de saneamento,
como as infecções gastrointestinais, que levam a diarreia e vômito – resultantes do consumo de
água contaminada. Segundo o relatório "Benefícios econômicos da expansão do saneamento
brasileiro", essa deficiência de infraestrutura influencia a posição do país nos principais índices de
desenvolvimento, como a pesquisa aponta que a universalização do saneamento reduziria em 6,8%
o atraso escolar, com reflexos no ganho de produtividade do trabalho e aumento na remuneração
futura.
"A partir do momento que a pessoa fica doente, ela se afasta do estudo. Isso tem consequência
para a sociedade: se ela estuda menos, seu desempenho no mercado de trabalho será pior e sua
remuneração poderá ser inferior em comparação com a dos demais".
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De acordo com o relatório, alunos sem acesso à coleta de esgoto e água tratada sofrem um
atraso escolar maior em comparação com estudantes com as mesmas condições socioeconômicas,
mas que moram em locais onde há saneamento.
A cidade de Três Pontas conta com uma rede de ensino bastante abrangente, atendendo a
todo o município. Conta inclusive com instituição de ensino superior. A implantação de ensino
inerente ao saneamento básico e proteção da natureza cairia muito bem para garantir o futuro da
população local, porém ainda é uma meta a ser atingida.
O CODEMA – Conselho de Defesa do Meio Ambiente, trabalha com voluntários de diversas
áreas da sociedade e dos poderes públicos e vem buscando criar uma nova mentalidade em termos
de defesa do meio ambiente e, por conseguinte criar uma nova mentalidade em relação à educação
ambiental aliada aos pilares do saneamento básico.
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) tem o papel de fomentar o desenvolvimento de
ações de Educação em Saúde Ambiental.
Reconhece a Educação em Saúde Ambiental como uma área de conhecimento técnico que
contribui efetivamente na formação e o desenvolvimento da consciência crítica do cidadão,
estimulando a participação, o controle social e sustentabilidade socioambiental, utilizando entre
outras estratégias a mobilização social, a comunicação educativa/informativa e a formação
permanente.

Entende a Educação em Saúde Ambiental como um conjunto de práticas pedagógicas e


sociais, de conteúdo técnico, político e científico que no âmbito das práticas de atenção à saúde,
deve ser vivenciada e compartilhada por gestores, técnicos, trabalhadores, setores organizados da
população e usuários do SUS.
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Baseia-se, entre outros princípios, no diálogo, reflexão, respeito à cultura, compartilhamento
de saberes, ação participativa, planejamento e decisão local, participação, controle social,
sustentabilidade socioambiental, mobilização social e inclusão social.

Eixos de atuação da Funasa em Educação em Saúde Ambiental:


-Fomento a Educação em Saúde Ambiental e à Mobilização Social em Saneamento junto ao
Programa Saneamento da Funasa (PAC I e II) e demais programas;
-Estruturação do componente Educação em Saúde Ambiental junto ao Programa Nacional de
Saneamento Rural;
-Fomento às ações de Educação em Saúde Ambiental e à Mobilização Social junto aos estados e
municípios beneficiados com ações do “Programa Água para Todos”: Cisternas do Semi Árido;
-Fomento às ações de Educação em Saúde Ambiental na Cooperação Técnica em Saúde Ambiental
e Saneamento Básico;
-Apoio técnico por meio da Cooperação Técnica em Saúde Ambiental e Saneamento Básico visando
à inserção e o desenvolvimento de ações de Educação em Saúde Ambiental;
-Produção de material educativo, didático e pedagógico em apoio à prática educativa e de
mobilização social em Saúde Ambiental e Saneamento Básico.

MARCELO CHAVES GARCIA


Engenheiro Civil CREA 24.620/D - Coordenador

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