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Importância da Literatura no Ensino Médio

Este documento é um projeto de pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso da autora Janaina de Souza Rocha da Silva no curso de Licenciatura em Letras - Português/Inglês da Faculdade Integrada Faveni. O objetivo principal do trabalho é defender a importância da literatura no ensino da língua portuguesa no Ensino Médio, argumentando que a literatura deveria ser o ponto inicial para o ensino desta disciplina. O trabalho também busca orientar professores de língua portuguesa sobre a relevância

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Importância da Literatura no Ensino Médio

Este documento é um projeto de pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso da autora Janaina de Souza Rocha da Silva no curso de Licenciatura em Letras - Português/Inglês da Faculdade Integrada Faveni. O objetivo principal do trabalho é defender a importância da literatura no ensino da língua portuguesa no Ensino Médio, argumentando que a literatura deveria ser o ponto inicial para o ensino desta disciplina. O trabalho também busca orientar professores de língua portuguesa sobre a relevância

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UNIFAVENI

2ª LICENCIATURA EM LETRAS - PORTUGUÊS/INGLÊS

JANAINA DE SOUZA ROCHA DA SILVA

LITERATURA NO ENSINO MÉDIO: Quando tudo começa a fazer sentido

São Bernardo do Campo

2022
JANAINA DE SOUZA ROCHA DA SILVA

LITERATURA NO ENSINO MÉDIO: Quando tudo começa a fazer sentido

Projeto de pesquisa apresentado ao


curso de 2ª Licenciatura em Letras
Português /Inglês, da Faculdade
Integrada Faveni, a ser utilizado como
diretrizes para manufatura do Trabalho de
Conclusão de Curso.

São Bernardo do Campo

2022
JANAINA DE SOUZA ROCHA DA SILVA

LITERATURA NO ENSINO MÉDIO:


Quando tudo começa a fazer sentido

(Trabalho, manografia, dissertação, tese) aprovado coo requisito parcial par


obtenção do título de: (bacharel, mestre, doutor) no curso de 2ª graduação em
Letras – Português/Inglês.

Banca examinadora

Orientador

____________________________________________

Professor orientador

Co orientador

______________________________________________

Professor

Membro

_______________________________________________

São Bernardo do Campo, 2022.


RESUMO

Entre as matérias obrigatórias no Ensino Médio, se destaca a Literatura Brasileira e


as de outros países, como a inglesa, africana e portuguesa. Porém essa importante
matéria está coligada à Matéria de Língua Portuguesa o que faz com que, por
muitas vezes, fica esquecida e não ensinada como deveria ser. O objetivo principal
desse Trabalho de Conclusão de Curso é o de classificar a Literatura como a parte
essencial da matéria de Língua Portuguesa, principalmente por trazer autores
importantes e não menos importantes suas obras que são fundamentais para o
ensino da língua e que por algum motivo não é aplicado no ensino das mesmas. Ao
olhar da autora desse trabalho, a literatura deveria ser o ponto inicial para o ensino
da língua portuguesa, uma vez que traz linguagem de difícil compreensão por se
tratar de usos antigos e de origem do português de Portugal. Ao concluir o 3º ano
do ensino médio, muitos alunos não levam a literatura na bagagem, e são cobrados
sobre elas nos exames de inclusão para a Faculdade. Outros objetivos desse
trabalho é a orientação dos professores de Língua Portuguesa sobre essa
importante matéria, a Literatura. Em outras palavras, um povo que não conhece sua
Literatura, não conhece a História de seu país, não fala adequadamente, torna-se,
simplesmente, mais um na multidão.

Palavras Chave: Literatura. Língua Portuguesa. Ensino Médio.


ABSTRACT

Among the compulsory subjects in High School, Brazilian Literature and those from
other countries, such as English, African and Portuguese, stand out. Howeveer, this
importante subject is linked to the Portuguese Language Subject, which measns thar
it is often forgotten and not taught as it should be. The main objective of this Course
Conclusion Work is to classify Literature as the essential part of the Portuguese
Language subject, mainly by bringing importante authors na not least their woeks
that are fundamental for the teaching of the language and that for some reason do
not is applied em their teaching. In the eyes of the author of this worl, literature
should be the starting point for the teaching of the Portuguese language, since it
brings language that is difficult to understand because it deals with ancient uses and
origin of Portuguese from Portugal. Upon completing the 3 rd year of high School,
many student do not take literature in their luggage, and are charged for them in the
inclusion exams for the Faculty. Other objectives of this work are about the
orientation of Portuguese Language teachers on this importante subject, Literature.
In other words, a people that does not know its Literatures, does not know the History
of its country, does not speak properly, simply become one more in the crowd.

Keywords: Literature. Portuguese Language. High School.


SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO........................................................................................................07

2.DESENVOLVIMENTO............................................................................................09

2.1.Tudo começa na primeira infância ......................................................................09

2.2. Os interesses literários mudam na adolescência ...............................................11

2.3. Entre a teoria e a prática ....................................................................................13

2.4. Ensino da Leitura e da Literatura .......................................................................15

2.5.Textos discursivos sem conhecimento literário ...................................................18

2.6. Literatura no Ensino Médio..................................................................................20

2.7 A Literatura e a Internet .......................................................................................28

2.8 O Teatro e a Literatura ........................................................................................30

2.9 Quando tudo começa a fazer sentido................................................................. 33

3.CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................36

4.REFERÊNCIAS ......................................................................................................38
7

1. INTRODUÇÃO

Desvincular a Literatura da Língua Portuguesa não é o ideal, porque a


segunda sobrevive da primeira, ou seja, só se compreende bem a Língua
Portuguesa quando compreender bem a Literatura. É o mesmo que tirar a gramática
da língua portuguesa e depois ser cobrado no ENEM e Vestibulares. A internet dá
uma ideia de como a Língua Portuguesa perdeu valor nas ultimas décadas.
Dizer que a intenção é apenas se comunicar, é um erro e agora comum
entre os usuários. As pessoas não tem noção do erro que sempre cometem e que
faz com que a bela Língua Portuguesa, a 2ª mais linda do planeta, perca seu valor.
Se alguém disser a um aluno do 3º ano que ele escreve os verbos do
infinitivo de maneira errada, provavelmente ele vai perguntar: O que é verbo
infinitivo?
O presente trabalho foi concluído com o objetivo principal de orientar ao
professor de língua portuguesa ao uso da literatura não apenas nos exemplos
gramaticais, mas que incentivem seus alunos a ler os bons livros existentes,
principalmente os escolhidos no ENEM e vestibulares.
Muitos professores dizem que os alunos não gostam de ler, mas sequer
experimentaram promover a leitura compartilhada com seus alunos. A leitura
compartilhada traz a experiência do uso adequado do dicionário, outro auxiliar de
grande importância para o aprendizado da Língua nativa.
As redações são os meios mais eficientes para verificar se os alunos estão
se influenciando pela literatura. Esse é o método de maior eficiência para a boa
compreensão da literatura e língua portuguesa
Outros dois objetivos que nortearam esse trabalho foram o de despertar no
professor habilidades de ensino da literatura, sem deixar de dar prioridade ao ensino
da língua portuguesa e despertar no aluno o interesse pela leitura de bons textos,
bem como, através dessas leituras poderem estar habilitados a expressar-se com
compreensão sobre a gramática e os textos literários.
A metodologia aplicada para tal evento é conhecer o que alguns autores
discorrem sobre esse assunto através de trabalhos já expostos na internet bem
como outros autores que apresentam a Língua Portuguesa através do uso de textos
8

literários antigos, ou seja, textos que são expressamente exigidos em exames como
o ENEM e vestibulares.
A pesquisa foi essencial para que se possa entender que a melhor forma de
incentivar alguém a ler, é lendo e compartilhando conhecimentos.
O teatro e as aulas de leitura, introduzidas nas aulas de Língua Portuguesa,
com questões em que alunos e professores resolvem juntos são os melhores
métodos para desenvolver o habito de leitura e desenvolver aprendizado literário.
Espera-se que com a finalização desse trabalho os resultados sejam
evidentes, e que possa ser útil para algum professor ou aluno, porque para ser
professor de Língua portuguesa para o Ensino Médio, tem de ter dedicação, tem de
saber diferenciar os alunos dos pequenos do ensino fundamental, ensinar com
exatidão, ter empatia por todos e principalmente ter amor à profissão.
9

2. DESENVOLVIMENTO

Será elaborada uma análise sobre o trabalho desenvolvido nas instituições de


ensino em que a autora do mesmo realizou sua pesquisa de campo tendo como
objetivo a ampliação da visão investigativa que possibilite o entendimento coerente e
a possibilidade de criar caminhos, a partir dos problemas identificados, para a
formação de alunos do Ensino Médio como assíduos leitores de textos literários.
Como parte dessa análise será apresentada no decorrer do trabalho as
principais assertivas de alguns autores, sendo observadas suas sugestões para a
formação de leitores literários.

2.1. Tudo começa na primeira infância

Alguns autores são unânimes quando abordam sobre a literatura que o início
de tudo deve estar presente na primeira infância, ou seja, assim que a criança entra
para os espaços escolares, o correto é informa-las sobre a existência da literatura,
na década de 1960 os alunos aprendiam na escola que deveriam cumprir com seus
deveres, como por exemplo, a obediência aos pais era um de seus primeiros
aprendizados, respeito aos mais velhos, compartilhar brinquedos e brincadeiras,
alimentos, esses eram os primeiros passos para a compreensão da literatura.
Ferreira (2006) faz essa observação quando diz que em relação à literatura:
[...] até as décadas de 1960, valores como o enaltecimento à pátria, à
família, obediência e respeito aos mais velhos, noções de higiene,
etc. eram intensamente presentes na produção destinada à criança.
Após o processo de renovação da literatura para criança, que no
Brasil ocorreu a partir dos anos 1970. [...], outros valores emergem,
como por exemplo, ser crítico em relação ao modo de ser da classe
dominante, ser criativo, ser bastante informado, ser contestador das
regras tradicionalmente estabelecidas, entre outros. (FERREIRA,
2006, p.146)
10

Seguindo essa mesma linha de pensamento Colomer (2003) diz que os


princípios básicos para que a criança se torne leitora como um ser em formação são
inseridos por adultos, ou seja, a criança não teve participação nessas mudanças,
portanto não deve ser culpada pela não apreciação do ensino de literatura. Segundo
o autor existem dois princípios básicos de adequação dessa literatura: “a). um “duplo
destinatário: a literatura infantil: ” supõe a criação de textos que, embora destinados
às crianças, são sancionados por adultos” e b). Esses adultos podem ser tanto
mães, pais e outras pessoas responsáveis pela educação da criança e a maioria são
professores, bibliotecários, supervisores e, em alguma medida, os próprios
especialistas da área. ( COLOMER, 2003, p. 164)
Contudo, o acolhimento necessário para que uma criança venha a se
interessar por literatura está na perfeição das histórias em quadrinhos. São diversas
histórias e as crianças podem escolher a que mais lhe agrada.
Essa é uma das saídas, quando a criança pode escolher ela se torna
protagonista de suas escolhas, ou seja, suas escolhas, quando crianças vão indicar
o tipo de leitura que farão na adolescência e assim por diante.
Atualmente as crianças também fazem escolhas de literatura através de
desenhos animados e filmes de animação.
Em diversos países autores criam literatura infantil, que na verdade são
literaturas comuns, adaptadas para a leitura infantil. O Brasil foi um dos pioneiros em
literatura infantil, através dos livros de Monteiro Lobato, por volta de 1922. Mais
tarde a literatura que veio para ficar, conhecida como Turma da Mônica, obra e arte
de Maurício de Souza, por volta de 1959.
Monteiro Lobato foi um marco na literatura brasileira. Antes desse estágio a
criança era vista como um adulto em miniatura, portanto os contos eram traduzidos
e entre eles estavam os conhecidos contos de fadas, que na realidade eram
narrativas populares, lendas da Idade Média que foram coletadas e adaptadas por
Charles Perrault, que foi considerado o pioneiro da literatura infantil.
(CADEMARTORI, 1986).
Lembrando que em tempos remotos a literatura infantil alcançou vantagens
para as crianças que puderam ter em seu currículo leituras como A gata Borralheira,
Branca de neve e os Sete anões, O gato de botas, Chapeuzinho Vermelho e tantos
outros contos que foram adaptados após a reforma estudantil.
11

Segundo Cademartori, (1986) A literatura de Monteiro Lobato também sofreu


represálias na década de 1970 por se tratar de obras que denunciavam os maus
tratos, o preconceito, entre outras barbáries vividas nesse período. Mais tarte com a
reforma no ensino foram promovidos a leitura como forma de reestabelecer os
problemas da educação básica que eram as faltas de educadores e pesquisadores
na área da literatura.
A presença dos temas folclóricos também sempre esteve muito presentes na
literatura infantil, como Festa no céu, O Saci, O Curupira, entre outros. Para os já
letrados ou alfabetizados pode-se destacar obras como: A limpeza de Tereza, Uxa,
ora fada, ora Bruxa, Maria vai às compras, A vaca Mimosa e outras.
(CADEMARTORI, 1986)

2.2. Os interesses literários mudam na adolescência

Se na infância, a criança teve a possibilidade de acompanhar as evoluções


do Sítio do Pica Pau Amarelo, as histórias de Emília, e do Visconde de Sabugosa,
bem como as falas erradas do Cebolinha, a falta de banho do Cascão, a comilança
da Magali e o coelho engraçado da Mônica, agora na pré-adolescência eles irão
avançar para as aventuras de Robson Crusoé. Aventuras de descobertas, tudo que
o pré-adolescente necessita para identificar o imaginário e com isso construir suas
expectativas, vontades, criatividade e muito aprendizado.
Apesar da vastidão de manuscritos para esse público e agora em
quadrinhos e até em vídeo game, existe a questão que permeia os meios de
comunicação através da leitura em escolas em geral e sobre isso Frantz 2001 diz:
Com o passar dos anos foi-me convencendo de duas coisas:
primeira, uma proposta de educação que se quer de fato
transformadora, competente, democrática, emancipatória,
construtivista só será possível se a escola tiver sucesso no
empreendimento de formar leitores; segunda, a literatura infantil, por
seu caráter lúdico-mágico é o caminho natural, a chave mágica que
abre a porta de entrada principal que dá acesso ao mundo da leitura e
a tudo o que ela pode proporcionar. (FRANTZ, 2001, p. 14)
12

Embora esse argumento do autor seja válido, é difícil entender o porquê que
até hoje a leitura não é aplicada como uma necessidade básica ao ser humano, seja
criança, seja adulta. O autor ainda argumenta: “A literatura infantil é também
ludismo, é fantasia, é questionamento, e dessa forma consegue ajudar a encontrar
respostas para as inúmeras indagações do mundo infantil, enriquecendo no leitor a
capacidade de percepção das coisas” (FRANTZ, 2001, p. 16).
Nesse sentido Cademartori, (2009) faz uma observação sobre a literatura
infanto-juvenil:
A “Organização Mundial da Saúde, ao estabelecer os conceitos, bem
diferentes entre si de adolescência e juventude”. Para esse órgão, “o
adolescente é definido como um indivíduo entre 10 e 20 anos, que
passa por modificações corporais e por adaptações a estruturas
biopsicossociais”; a explicação acerca da juventude “parte de um
enquadramento social e engloba parte da adolescência e o início da
vida adulta”, abrangendo etapas de idades consideradas “dos 15 aos
25 anos” CADEMARTORI, 2009, p.61)

O interesse literário nessa fase é diferente, a literatura infanto- juvenil ou a


juvenil, ou melhor, os autores, não estão preocupados com gênero literário, com o
indivíduo para qual a literatura se destine, cabe a escola se responsabilizar e definir
a classificação dessa literatura, e a escola didatiza essa literatura que assume
caráter instrumental, dessa forma a literatura juvenil passa a ser direcionada aos
alunos dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio. Documentos, como o
PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) (2010) afirma que não se formam leitores
com textos didáticos, ou seja, em pedaços nos livros didáticos, mas é necessária a
leitura de obras de ficção e poesias, para que seja prazeroso e emotivo.
Na verdade o que ocorre é uma desconstrução na seleção de leitura para
adolescentes.
13

2.3. Entre a teoria e a prática

No processo educativo segundo Piaget, a matemática é a matéria que mais


traz conhecimento ao aluno, mas sem leitura é impossível entender a matemática.
É evidente se a literatura não estiver presente em sala de aula haverá alguns
obstáculos referentes a sua importância na vida de um aluno. Para Barthes (2007) a
literatura assume diverso saberes:
Num romance como Robinson Crusoé, há um saber histórico,
geográfico, social (colonial), técnico, botânico, antropológico
(Robinson passa da natureza à cultura). Se, por não sei que excesso
de barbárie, todas as nossas disciplinas devessem ser expulsas do
ensino, exceto uma, é a disciplina literária que deveria ser salva, pois
todas as ciências estão presentes no monumento literário. É nesse
sentido que se pode dizer que a literatura, quaisquer que sejam as
escolas em nome das quais ela se declara, é absolutamente,
categoricamente realista: ela é a realidade, isto é, o próprio fulgor do
real. Entretanto, e nisso verdadeiramente enciclopédica, a literatura
faz girar os saberes, não fixa, não fetichiza nenhum deles; ela lhes dá
um lugar indireto, e esse indireto é precioso. Por um lado, ele permite
designar saberes possíveis, insuspeitos, irrealizados: a literatura
trabalha nos interstícios da ciência: ela está sempre atrasada ou
adiantada com relação a esta, semelhante à pedra de Bolonha, que
irradia de noite a luz que aprisionou durante o dia, e, por esse fulgor
indireto, ilumina o novo dia que chega. (BARTHES, 2007, p.18-19)

É indiscutivelmente um pensamento que ao ponto de vista de muitos educadores,


fora da caixinha, isto é, eliminar todas as matérias, e colocar a leitura, seria o avesso
do avesso para o momento educacional. Por outro lado, não deixa de ser verdade,
porque autores consagrados sempre pesquisaram os assuntos debatidos em suas
obras.
Existem no meio acadêmico, pessoas que ignoram a literatura, a grande
prova está na insignificância dada à ruptura e à produção contemporânea. Essas
pessoas acreditam que é muita audácia dizer aos alunos que muitos escritores, de
apenas 50 anos passados se revolucionaram e incomodaram demais com essa
atividade de inovação.
14

Na prática, o professor deve incrementar o processo literário e proporcionar


ao aluno condições para que o mesmo crie o hábito de leitura como uma prática
contínua, ou seja, desenvolver condições adequadas de aprendizado. A evolução na
literatura permite motivação e autonomia quando o foco é a leitura, principalmente
porque ela permite interpretação e o entendimento da escrita, sobre esse assunto
Frantz (2001) diz:
[...] a escola tem, portanto, um compromisso maior que é o de
propiciar ao sujeito o desenvolvimento de sua capacidade de leitura
do mundo. Assim, uma educação que se queira libertadora,
humanizante e transformadora passa, necessariamente, pelo
caminho da leitura. Da mesma forma, na organização de uma
sociedade mais justa e democrática, que vise a ampliar as
oportunidades de acesso ao saber, não se pode desconhecer a
importante contribuição política da leitura. (FRANTZ, 2001, p.21)

Esse é o principal motivo pela desaceleração da leitura nas escolas, a


importância da leitura como contribuição política, ou seja, quem lê, sabe opinar,
sabe escolher seus governantes, sabe interpretar leis de deveres e direitos. Porém é
dado ao professor o poder de descobrir o interesse do aluno, isto é, qual tipo de
literatura que mais interessa. Com esse poder em mãos, o professor pode oferecer
tanto os quadrinhos, os textos de internet, obras consagradas tradicionais e as
novas, pós-rupturas, análise de filmes, interpretação de letras de músicas, existe um
universo de literatura.
Ao estimular o aluno tendo como referência o acervo cultural presente e
como foco a diversidade e as possibilidades de nortear todos os processos que
compõem a literatura, o mesmo está, na visão de Lajolo, (1993), proporcionando ao
aluno que:
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um
texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado,
conseguir relaciona-lo a todos os outros textos significativos para
cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e,
dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se
contra ela, propondo outra não prevista. (LAJOLO, 1993, p.59)

Com essa proposta do autor, a leitura não deve ser decifrada e sim
entendida, por esse motivo é que cada aluno deverá escolher o que deseja ler. Se o
15

único acesso do aluno for o livro didático, as músicas atuais, os filmes de terror, que
o professor componha sua didática com essas referências, ou seja, que inicie seus
trabalhos como prática em sala de aula, com esses elementos, analisando essas
leituras com as produções de textos, baseados nessas referências. Essa seria a
melhor forma de socializar o aluno no universo literário, o seu próprio.
Seria na realidade um processo criativo com o objetivo de construir um aluno
leitor que poderá ir um pouco além das expectativas, promovendo a posição do leitor
no exercício de sua autonomia, deixando um pouco de lado as delícias poéticas,
construindo através da leitura sua prática para a vida. ( COSSON, 2016)

2.4. Ensino da leitura e da literatura

Existem diferenças entre essas duas modalidades, ensinar a ler pode ser
entendido como decifrar os códigos, porém ensinar a ler a literatura é acomodar o
aluno no lugar em que ele deve estar, ou seja, protagonista da própria história.
Para que o aluno seja protagonista é necessário trilhar um caminho
desconhecido, ler é descobrir esses caminhos, isto é, ler é uma prática social que
desenvolve a arte de pensar, criticar e compreender os fatos em seu redor. Na pior
das hipóteses, a realidade é que alguns professores e alunos não demonstram
interesse pela leitura. De acordo com Aguiar; Bordini, (1988), a literatura é:
Uma prática social tanto para quem escreve quanto para quem lê.
Prática social no sentido de atividade humana em intenção
transformadora do mundo, que expressa o peculiar da relação do
homem e mundo, o modo de ser do homem no mundo. (AGUIAR;
BORDINI, 1988, p.23)
Tendo como base a interação social que é a de falar e ouvir, ler deveria ser
entendido na mesma proporção, é a interação do autor com o leitor. Aqui no Brasil,
devido a questão de classes sociais e interferências geográficas a transmissão por
meio de linguagem não é uniforme, varia muito conforme as características. Essas
variações expressam valores culturais diversificadas, nunca se sabe se quem fala
está realmente comunicando o que deseja a quem ouve, a palavra falada implica em
16

análise, ou seja, compreender a fala do outro é inserir-se no contexto, e tudo é


significativo, até as expressões faciais e corporais.
A arte é social nos dois sentidos: depende da ação de fatores do
meio, que se exprimem na obra em graus diversos de sublimação; e
produz sobre os indivíduos um efeito prático, modificando a sua
conduta e concepção do mundo, ou reforçando neles o sentimento
dos valores sociais. (CANDIDO, 2000, p. 20)
O conhecimento produzido pela sociedade forma a interação entre aprendizagem e
o desenvolvimento psíquico social e assim os indivíduos produzem o saber. O
processo evolutivo se dá em função ao convívio social, nesse processo é importante
o aprender e nos convívios mais complexos, ou seja, escolares, serve de base para
os aprendizados de leitura e literatura.
O ensino de literatura no ensino médio está autenticado nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs) basta saber em que espaço ela se encontra na
escola. Muitos irão responder que está embutida nas aulas de língua portuguesa, e
é exatamente nessas aulas que elas se encontram, em diversos formatos, mas é
através da literatura que vozes se tornam audíveis para a construção de um novo
mundo, portanto a busca por um espaço na escola, não é pura ideologia, é
referência. (JOBIM, 2009)
O OCEM (Orientações Curriculares para o Ensino Médio) é um meio de
orientação que visa interferir na formação humana através da arte e da literatura: e
atua:
Como meio de educação da sensibilidade; como meio de atingir um
conhecimento tão importante quanto o científico – embora se faça por
outros caminhos; como meio de pôr em questão (fazendo-se crítica,
pois) o que parece ser ocorrência/decorrência natural; como meio de
transcender o simplesmente dado, mediante o gozo da liberdade que
só a fruição estética permite; como meio de acesso a um
conhecimento que objetivamente não se pode mensurar; como meio,
sobretudo, de humanização do homem coisificado [...] (OCEM, 2006,
p. 52-53)
O que mais interessa para o desenvolvimento desse trabalho é conhecer
como o professor do Ensino Médio lida com os aspectos da literatura.
Sem literatura os espaços educativos não sobreviveriam, ela está presente
desde a antiguidade até atualmente, as circunstâncias históricas e sociais fizeram
que a literatura, privilegiada entre os burgueses, fosse afastada dos grupos menos
17

favoráveis, ou seja, para a burguesia era o “gênero mais próximo da linguagem


verbal, que cabia conhecer e saber utilizar” (ZILBERMAN, 2009, p.12) , ou seja, era
contada na educação burguesa como:
[...] sinal distintivo de cultura (logo, de classe social): ter
passado por Camões, Eça de Queirós, Alencar, Castro Alves,
Euclides da Cunha, Rui Barbosa, Coelho Neto e outros eram
demonstração de conhecimento, de cultura (OCEM, 2006, p.
51).
Nesse sentido pode-se observar a importância do ensino da literatura que
assumiu, historicamente, uma característica que marcou o ensino da língua
portuguesa bem como transmitiu regras e princípios que norteou a vida de muitos
cidadãos. No passado, o modelo de ensino da literatura definia um parâmetro a ser
seguido pelos seus leitores, e isso incluía leituras de diversos autores e obras, e até
mesmo as condutas eram valorizadas nos centros culturais, quanto maior o
conhecimento literário, maior o cargo ocupado, maior o respeito dado, era uns dos
prazeres cultivados pela tradição, como considera Candido (2004 p. 175) “Os
valores que a sociedade preconiza, ou os que consideram prejudiciais, estão
presentes nas diversas manifestações da ficção, da poesia e da ação dramática”.
Com o livre acesso à escola, ou seja, depois que a oportunidade foi dada
aos que não faziam parte da burguesia, houve uma ruptura no ensino da literatura.
Dessa forma o ensino passou a ser controverso, que persiste até os dias atuais, ou
seja, de um lado a valorização de obras e autores, e de outro a restrição ao
tratamento dado a esses autores e suas obras tornando as práticas de trabalho com
textos literários apenas como mais um dentro da diversidade de gêneros textuais a
circular socialmente. Essa prática é centralizada na escola atual e fortalecida pelos
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e pelos Parâmetros Curriculares
Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM, 2000) com a finalidade de substituir o
ensino da língua e da literatura, justificando assim o processo do desenvolvimento
do aluno da utilização da linguagem em todas as situações de comunicação.
(PCNEM, 2000).
Por conta dessa visão equivocada, o OCEM estruturou esses problemas
com o texto literário, ou seja, mais um exagero foi criado para incutir a literatura
dentro das aulas de língua portuguesa, mais uma vez a literatura verdadeira estava
afastada dos âmbitos escolares, por conta desses equívocos foi feita uma revisão,
18

ou melhor, atualização especificando que o discurso literário é importante na


formação crítica do ser humano, esse documento elaborado pela OCEM confirma as
ocorrências sociais vivenciadas nas ultimas décadas em virtude da industrialização e
da informatização, ou seja, houve grande concentração no indivíduo, na mão de
obra, por interesses coletivos estimulados pelo consumo. (LYOTARD, 1986)
Percebe-se claramente que esse processo de industrialização e
informatização afastou e muito os estudantes da literatura, da oportunidade de
entender o presente conhecendo o passado.
De fato a literatura nos espaços escolares forma tensões e conflitos, ficando
a cargo do professor, que se deixa levar, muitas vezes por seus gostos pessoais,
salientar a literatura, ou desprezá-la parcial ou totalmente, substituindo por textos
específicos ou resumos. (ZIBERMAN, 2009)
De acordo com a autora, a literatura só vai ocupar lugar de destaque na
escola, como ocupou para os estudos da burguesia, quando a escola a acolher e a
valorizar.

2.5. Textos discursivos sem conhecimento literário

O problema existe e precisa ser resolvido, no ensino fundamental, por falta


de leitura, muitas vezes os alunos escrevem textos grotescos sem nenhuma
coerência, e até mesmo sem coesão textual. Isso se estende ao Ensino Médio e
quando chega a hora de escrever textos como os dissertativos, simplesmente não
conseguem, apesar da orientação dos professores.
De acordo com Antunes (2004):
[...] pela leitura que se aprende o vocabulário específico de
certos gêneros de textos ou de certas áreas do conhecimento e
da experiência. É pela leitura ainda, que aprendemos os
padrões gramaticais (morfológicos e sintéticos) peculiares à
escrita que aprendemos as formas de organização sequencial
(como começam, continuam e acabam certos textos) e de
apresentação (formas que assumem) dos diversos gêneros de
textos escritos. (ANTUNES, 2004, p. 75)
19

Atualmente, escrever um texto tem sido o terror em salas de aula, nesse


contexto o autor não se refere a textos mecânicos, cansativos, mas à leitura
prazerosa que leva o aluno a fazer um passeio por outros mundos e a compreendê-
los e até mesmo interagir com essa leitura.
Zilberman (2009) afirma que a literatura está presente na escola desde o
início, porém a forma de ser transmitida é que mudou, antes era ideal para que o
aluno aprendesse o padrão linguístico e atualmente é para formar o leitor.
Dessa forma os questionamentos que se seguem são oriundos dessas
afirmações, pois desde os tempos antigos e atuais o objetivo principal é formar
leitores, sobre isso a autora diz: “a leitura não como resultado satisfatório do
processo de letramento e decodificação de matéria escrita, mas como atividade
propiciadora de experiência única com o texto literário”. (ZILBERMAN, 2009, P. 16)
Os diversos exemplos sobre textos discursivos são expostos nos livros
didáticos, a prática dessa leitura é cansativa, pois os textos literários são
fragmentados, não tem começo, meio e fim, ou seja, não leva o aluno ao
entendimento a não ser que o professor muito dedicado ao ensino exponha seus
significados.
Para que o aluno seja um assíduo leitor é necessário muito mais que a
apresentação de trechos literários, segundo Zilberman (2009) o processo se inicia
com o estudo dos períodos literários com os autores conhecidos e renomados,
alguns deles serão citados a seguir com suas obras mais lidas, ou seja, os mais
pedidos em vestibulares, que devem obrigatoriamente ser lidos no Ensino Médio:
 Luís de Camões - Os lusíadas
 José de Alencar – Iracema
 Machado de Assis – Dom Casmurro
 Erico Veríssimo – O tempo e o vento
 Graciliano Ramos – Vidas Secas
 Manoel Antônio de Almeida - Memórias de um sargento de milícias
 Joaquim Manuel Macedo – A moreninha
 Mario de Andrade – Macunaíma
 Aluísio de Azevedo – O cortiço
 Clarice Lispector – A hora da estrela
 Euclides da Cunha – Os sertões
20

 Gil Vicente – O auto da barca do inferno


 Vinicius de Morais – Antologia Poética
 Antonio Callado – Quarup
 Nelson Rodrigues – Anjo negro
 Lucia Machado de Almeida – Escaravelho do Diabo
A leitura do texto literário constitui uma atividade sintetizadora,
permitindo ao indivíduo penetrar o âmbito da alteridade sem
perder de vista sua subjetividade e história. O leitor não
esquece suas próprias dimensões, mas expande as fronteiras
do conhecido, que absorve através da imaginação e decifra por
meio do intelecto. Por isso, trata-se também de uma atividade
bastante completa, raramente substituída por outra, mesmo as
de ordem existencial. Essas têm seu sentido aumentado,
quando contrapostas às vivências transmitidas pelo texto, de
modo que o leitor tende a se enriquecer graças ao seu
consumo (ZILBERMAN, 2009, p. 17)
Dessa forma a obra literária atua no subconsciente do leitor e traz situações que os
levam a pensar sobre e a criar caminho de superação bem como reavaliar suas
atitudes, levando ao crescimento intelectual.

2.6. Literatura no Ensino Médio

Todas as obras literárias têm sua importância e função, para que os


estudantes tenham conhecimento devem partir da linha cronológica da história da
literatura, e, reconhecer o valor que elas trazem. Todas, ou a maior parte foram
escritas para denunciar questões sociais, entre essas ou mesmo essas foram
escritas pelo belo prazer de escrever. Ao ler sobre o passado, o leitor,
provavelmente irá contextualizar em vista de sua própria experiência, sobre o que
conhece sobre o mundo, e tornará a leitura atual, assim estará criando seu próprio
texto. (ZILBERMAN, 2009)
21

O objetivo atual da leitura é formar o leitor, para isso é necessário que a


leitura seja uma atividade de experiência para o leitor, principalmente com o texto
literário, nesse sentido a autora ainda afirma que:

A leitura do texto literário constitui uma atividade sintetizadora,


permitindo ao indivíduo penetrar o âmbito da alteridade sem
perder de vista sua subjetividade e história. O leitor não
esquece suas próprias dimensões, mas expande as fronteiras
do conhecido, que absorve através da imaginação e decifra por
meio do intelecto. Por isso, trata-se também de uma atividade
bastante completa, raramente substituída por outra, mesmo as
de ordem existencial. Essas têm seu sentido aumentado,
quando contrapostas às vivências transmitidas pelo texto, de
modo que o leitor tende a se enriquecer graças ao seu
consumo (ZILBERMAN, 2009, p. 17).

Em 1997 houve um programa desenvolvido pelo PNBE (Programa Nacional


Biblioteca da Escola) com o objetivo de promover acesso à leitura para que
professores e alunos tenham acesso por meio de distribuição de obras literárias de
pesquisa e referência. Esses programas distribuíram livros de forma alternada para
os alunos das escolas de ensino fundamental e médio, são periódicos e tem como
objetivo apoiar a prática pedagógica dos professores.

É através da literatura que os jovens entram em contato com os temas


sociais e essas leituras capacitam o leitor a compreender e respeitar as diferenças
religiosas e políticas, por exemplo. Quanto mais diversificados forem os textos
literários apresentados aos alunos, maior a possibilidade de experiências reais eles
terão. Sobre isso, Abramovich, (1997) aponta:

É através de uma história que se pode descobrir outros


lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras
regras, outra ética, outra ótica. É ficar sabendo história,
filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc, sem
precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem
cara de aula. (ABRAMOVICH, 1997, p. 17).

No Ensino Médio, a idade do jovem varia dos 13 aos 18 anos, e a


vulnerabilidades nesse período é muito intensa, e acabam deixando se levar pelo
poder persuasivo da mídia, dos amigos, do consumismo e muitas vezes pelas falas
ideológicas. É nessa fase que o aluno para elaborar uma concepção do mundo e a
22

confirmar sua personalidade perante a família, amigos e professores. É justamente


nessa fase que a literatura deveria entrar, pois os benefícios seriam inúmeros.

Porém se faz necessário que em sala de aula a leitura de textos literários


seja organizada de forma a conquistar o aluno para que o mesmo comece a apreciar
a leitura, ou seja, nesse encontro é necessário que o professor faça a mediação
para que o aluno encontre na literatura um meio de construir os sentidos.

Cereja (2005) diz que a maioria dos leitores entra em contato com a
literatura na escola, muito embora nem sempre o objetivo de ensino tenha sido a
compreensão da literatura, desde os primórdios a literatura era utilizada como
instrumento de ensino da língua, isto é, o melhor jeito de se empregar a gramática.

Existem no meio escolar duvidas em como contextualizar uma obra literária


em sala de aula e a essa dúvida é compreendia a única resposta: o professor
precisa ser o mediador e para isso ele tem de se apresentar como leitor, senão não
irá convencer o aluno a ler. O professor já possui uma caminhada de leituras e
domina os saberes dos textos literários e pode promover a interação aluno leitura e
fazer intervenções, ação e reflexão sobre a leitura, dessa forma contribui e
muitopcom a formação leitora do aluno. (ZILBERMAN, 1990)

De acordo com Martins (1986):

A experiência de leitura é de natureza dialógica, coloca o texto


com um desafio para o leitor, inapelavelmente enraizado em
suas vivências anteriores, orientado pelo seu horizonte de
expectativas. E sua realização se desenvolve no fluxo do
diálogo da novidade com o conhecimento, circunstanciado por
sensações, emoções, ideias efêmeras, mas com mil
desdobramentos. (MARTINS, 1986, p.20).

Isso significa que muitas vezes o leitor identifica a leitura com sua vida
pessoal e com isso pode promover diversas saídas antes nunca imaginadas.

Nessa mesma visão, Coelho (1997) diz que a literatura é a área de


conhecimento mais importante para a formação do ser humano, o entretenimento
que as ficções oferecem que possibilitam o leitor refletir e ate escolher caminhos
para sua vida cotidiana, experiências que autores reescrevem da vida do dia a dia
23

de seus personagens ao fantástico mundo maravilhoso das magias, dos amores, da


poesia. A meta é influenciar o aluno positivamente em sua vida social, para que ele
possa encontrar a liberdade almejada.

A literatura permite infinitos conhecimentos além de proporcionar que o


indivíduo obtenha intelecto riquíssimo e possa se transformar através de nova
mentalidade. O contato com a leitura forma nos alunos do Ensino Médio o adulto de
amanhã, através dos conteúdos dos livros, a capacidade de compreensão e
transformadora ajuda o cidadão, a partir da leitura, a transformar o mundo, como
afirma Coelho (1997):

Estamos com aqueles que dizem: Sim. A literatura, e em


especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta
sociedade em transformação: a de servir como agente de
formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no
diálogo leitor/texto estimulado pela escola. [...] É ao livro, à
palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade na
formação de consciência de mundo das crianças e dos jovens.
(COELHO, 1997, p. 15).

A necessidade de alimentar o imaginário e desvelar os mistérios do mundo é


possível através da leitura, essas experiências pessoais são parte dos aprendizados
da literatura que permite desenvolver o autoconhecimento através dos mistérios do
mundo. Quando o indivíduo se torna um leitor, ele coleta experiências na medida em
que se organizam os conhecimentos adquiridos. Quando esse processo ocorre, ele
está preparado para resolver problemas assume o papel que Freire (2006)
apresenta quando diz que a leitura do mundo precede sempre à leitura da palavra e
uma implica sempre com a continuidade da outra.

Portanto, quanto mais leitura, maior segurança o leitor terá para aprimorar o
processo de escrita, que necessita de muita dedicação. Através dessa leitura ele
pode conhecer novas culturas e poderá assim se libertar das ignorâncias ideológicas
que foram infundidas em sua mente. Essa ignorância ideológica por muitas vezes
faz com que o aluno se sinta incapaz de pensar. Por causa desse processo é
essencial que o processo de leitura ocorra desde a infância e que seja um exercício
frequente para que o aluno consiga desenvolver todos os sentidos, ou seja, social,
24

político, intelectual, e só é possível através da palavra escrita, principalmente as de


literatura que informa sobre a realidade do mundo.

A convicção de leitura como atividade de produção de sentidos está grafada


nos PCNs, conforme segue:

A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo


de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus
objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor,
de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de
extrair informação, descodificando letra por letra, palavra por
palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de
seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais
não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que
possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar
decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na
busca de esclarecimentos, validar no texto suposições feitas.
(PCN, 1998, pp. 69:70).

Martins (1986) diz que não se aprende a ler apenas o material impresso ou
apresentado através da mídia, mas com a interação com as diferentes imagens que
dinamizam a comunicação da atualidade, basta ter o domínio da leitura para essa
interação, as redes sociais é um exemplo, ou seja, o leitor se torna automaticamente
personagem e autor das histórias construídas em coletividade.

Para a formação de um público leitor é necessário leva-los ao exercício


dessa função e isso está delegado à escola, ou seja, cabe a ela a competência de
ultrapassar a transmissão de um saber herdado do passado. É exatamente por esse
motivo que a educação possui problemas relativos à leitura, isto é, sua introdução
deve abranger a todos na escola, todos se estende à comunidade da qual pertence.
(ZILBERMAN, 1988)

Nesse sentido Freire (1989) diz que durante todo o processo de formação
educacional, o lúdico deve ser explorado, e atrair parte das aulas em que as
crianças possam se libertar de conceitos já estabelecidos e de regras antigas. No
ponto de vista do autor, a leitura do mundo real precede a leitura da palavra,
portanto todos aprendem a ler o mundo antes de decodificar os sinais gráficos, le o
mundo é tão importante quanto a leitura da palavra, desses momentos surgem o ato
25

de pensar, pois a relação entres esses dois contexto é mutua, isto é, o encontro da
linguagem com a realidade.

O texto literário, além de contribuir para a formação escolar, leva o leitor em


contato com diferentes fatos históricos e dessa forma promove um encontro entre o
leitor e seu eu, bem como fazer descobertas diversificadas de formas de linguagens,
como dialetos, palavras arcaicas, gírias, entre outras. Esse encontro com a leitura
feito através do texto literário servirá de experiência única com esse universo.

Acredito que o processo de formação de leitores literários na


escola está imerso num universo de pseudoverdades, as quais
chamam de mito. São aquelas sentenças que todos repetem
como se verdades fossem, sem questiona-las, sem parar para
pensar se de fato, o que apregoam condiz com a realidade.
(RITER, 2009, p.51).

O habito de ler torna-se indispensável para a compreensão critica do leitor,


esse processo nunca deve se esgotar em sua decodificação, ou seja, na palavra ou
linguagem escrita, mas se estende no conhecimento do mundo, prendendo-se
dinamicamente. (FREIRE, 1989)

Ler é – além da “atribuição de significados à imagem gráfica


segundo o sentido que o escritor lhe atribui – a relação que o
leitor estabelece com a própria experiência”, através do texto.
Assim envolve aspectos sensoriais (ver, ouvir os símbolos
linguísticos), emocionais (identificar-se, concordar ou discordar,
apreciar) e racionais (analisar, criticar, correlacionar,
interpretar). Há, portanto, diferentes níveis de leitura que
extrapolam do texto para o mundo. (YUNES, 2002, p. 58-59).

Para Paulo Freire, sempre a leitura do mundo vem antes da leitura da


palavra, portanto a crise da leitura abrange atualmente muitos letrados que são
incapazes de ler a realidade do mundo. Dessa forma é impossível uma leitura de
agrado próprio, pois existe um conflito de interpretações que se revela na
diversidade rica de um texto, através do próprio texto e da realidade.

Nessa viagem de decodificar e compreender um texto literário, Campos


(2011) diz que para um leitor mais preparado consegue compreender um texto, mas
26

para isso é necessário que o leitor seja proficiente, ou seja, mais que decodificar é
compreender um texto, é interpreta e para isso é necessários as atividades que
envolvem a condição de produção, ou seja, entender como uma coprodução de
leitor- autor pode ser mediada por um texto. Assim, o mau leitor não consegue
superar o nível de decodificação e simplesmente repetem as palavras do texto sem
dar o verdadeiro significado, sem perceber as ironias, as ambiguidades, os jogos de
significados e não atenta para as relações estabelecidas na composição do texto.

Os livros didáticos possuem partículas de textos literários, e o professor


deve interagir com os alunos e referenciar a sequencia de procedimentos para que o
aluno entenda o objetivo da teoria desenvolvida como objeto básico para a
construção de conhecimentos de literatura ou até mesmo para o desenvolvimento de
habilidades de leitura, ainda que seja por textos básicos em livros didáticos. È
necessário que o professor de Língua Portuguesa valorize a importância da leitura
para o ensino e criar mecanismos para tornar os alunos leitores que serão capazes
de processar, criticar, e avaliar as informações do texto dando significado ao que se
lê, dessa forma pondo em contraste o leitor, seus conhecimentos do mundo em
contraste com o autor e seu texto, criando assim a construção de sentidos. (KOCH E
ELIAS, 2008)

Se o professor possui o hábito de ler:

O ato de ler é um ato da sensibilidade da inteligência, da


compreensão e de comunhão com o mundo; lendo,
expandimos o estar no mundo, alcançamos esferas do
conhecimento antes não experimentadas e, no dizer de
Aristóteles, nos comovemos catedraticamente e ampliamos a
condição humana. Esta sensação de plenitude, iluminante,
ainda, que dolorosa a aguda tem sido a constante que o
discurso artístico proporciona. Diante de um quadro, de uma
música, de um texto, o mundo inteiro, que não cabe no relance
do olhar, se condensa e aprofunda em nós um sentimento que
abarca no relance do olhar, se condensa e aprofunda em nós
um sentimento que abarca a totalidade, como se, pela parte
que tocamos, pudéssemos entrever o não visto e adivinhar o
que, de fato, não experimentamos (YUNES, 1995, p. 185).
27

Os professores, principalmente os de língua portuguesa, devem demonstrar


a seus alunos que o habito de ler é algo muito valioso. Para que haja mudança na
sociedade, é necessário que a escola mude, não pelos alunos e sim por parte dos
seus influenciadores, é necessário motivar, e esse trabalho é dos professores.

A leitura melhora o vocabulário, estimula a criatividade e amplia a visão


social, conscientizando o papel da cidadania. ( SILVA, 2014)

Mas é errado jogar a responsabilidade de não leitores nos professores, é


necessária uma investigação profunda para analisar essa falha e recuperar o tempo
que foi perdido, até mesmo do professor não leitor. Sabe-se que uma das causas
está na má formação desses profissionais em cursos universitários ultrapassados e
que falta de foco na formação desses professores como leitor literário, a falta de
reconhecimento e baixa remuneração também são casos de desmotivação, pois
essas forças faz com que o professor muitas vezes tenha uma carga muito grande
de aulas e não disponha de tempo livre para seu aperfeiçoamento pessoal e
profissional, além de que os processos seletivos de algumas universidades impõe
conteúdos obrigatórios sem valor, ou seja, sem a motivação necessária do papel
social de leitura.

Silva (2014) diz que essas falhas não acontecem apenas nas universidades,
mas desde o ensino fundamental influencia negativamente na formação de
professores leitores, no entanto, não se pode utilizar isso como desculpa, existe a
necessidade de combater esses problemas com a proposta que contribuam a
constituição de professor leitor, e através de exemplos os mesmos irão gerar alunos
leitores, não para cumprir o programa didático, e sim para formar leitores assíduos.

Assim, a ausência de ensino interdisciplinar contribui para que o estudo de


texto literário seja isolado das demais disciplinas e dos saberes que comportam as
áreas de conhecimento.
28

2.7. A literatura e a Internet

A internet faz parte do dia a dia de todo o mundo. Aos aparatos tecnológicos,
são as novas formas de se ler e entender, ou seja, tornou-se natural entre toda a
população mundial. Apesar desse avanço, o livro ainda é o primeiro contato com as
leituras e o professor ainda é o mediador desse contato através da escola. (FREIRE
2006)

A literatura sofreu transformação em relação à sociedade por conta da


tecnologia. Hoje existem os criadores de conteúdos e estão inseridos nas
plataformas de entretenimento virtual e representam uma porcentagem considerável
das atividades tecnológicas, alcançam seguidores, ora leitores e muitas vezes
despreparados que interagem por mensagens com muitos erros de língua
portuguesa e argumentos ilógicos. Sendo que o mais provável seria a obtenção de
conhecimento, a leitura valorizada tornou-se escassa. Alguns alunos obtêm
momentos prazerosos quando conseguem os resumos de algumas obras com
agilidade extrema, porém dificulta para o professor saber se realmente o aluno leu a
obra ou não, nesse sentido, os professores necessitam de uma metodologia
eficiente para que a leitura envolva os estudantes, ou seja, que a leitura se torne
algo positivo e nunca uma cobrança, de modo que o aluno possa escolher o que
deseja ler e faça com interesse.

Barbosa (1994, p. 141) aborda que “a escola deve se organizar em função


de um novo conceito de leitura, que supõe a adoção de um novo processo de
aprendizagem”. Existe resistência entre literatura e tecnologia, e isso é
inegavelmente promovido pelas mídias digitais.

Tendo como referencia a tecnologia no ensino Rolim (2015) relata sobre a


relação e a concepção de professores de literatura, sendo ele:

Os indicadores da pesquisa “Concepções dos professores


sobre o ensino de Literatura: as perspectivas docentes”
reafirmam o otimismo com as TIC, ao indicar que a imensa
maioria dos professores entrevistados crê que a tecnologia
pode ter uma influência positiva no ensino de Literatura.
Somente aí os 90% dos professores que acreditam que a
29

Internet pode colaborar para que os alunos se tornem leitores


frequentes (ROLIM, 2015, p. 24).

Com a pandemia, agora em 2020, essa modalidade em algum momento


muitos se tornaram leitores virtuais, porém, segundo alguns dados, foi a rede social
que mais cresceu. Mais uma vez a literatura ficou pra trás. Não se pode negar que a
equipe que ficou responsável pelo desenvolvimento educacional através da mídia
trabalhou arduamente para que nenhum aluno ficasse sem suas matérias normais
que teriam no presencial, bem como os professores envolvidos além de receber e
estudar todo o material, ainda desenvolviam atividades online para seus alunos.

Muitas famílias brasileiras tiveram efeitos dramáticos com o isolamento


social, sobretudo a educação, ou seja, as marcas da desigualdade educacional
foram logo percebidas, crianças e jovens de família mais pobres tiveram mais
dificuldades em continuar o processo de aprendizado que as de famílias mais ricas.
Esse salto de desigualdade ficará conhecido como “geração coronavirus”.

De acordo com Zilberman (2009) para que haja harmonização entre a


tecnologia e o ensino literário é necessário que o professor faça essa mediação para
os alunos nativos digitais, ou seja, desenvolver estratégias que aproxime tecnologia
e leitura, porém algumas dificuldades ainda não foram superadas, principalmente
nas escolas estaduais, como difícil acesso à internet, computadores em quantidades
reduzidos, proibição do uso de celulares, e outros. Esses fatores levam a
compreensão da realidade e tudo volta no mesmo. Portanto, diante desse
lamentável contexto, pode-se ter uma ideia de como foi difícil tanto para professores
como para alunos no ensino remoto.

Kenski (2003) diz que existem benefícios no uso das tecnologias na


educação e um deles está em ser um estudo coletivo, ou seja, o aluno já não
desfruta sozinho de uma obra e sim de forma compartilhada e assim desenvolve
novas habilidades de aprendizagem, e a autora ainda ressalva que:

Os atributos das novas tecnologias digitais tornam possível o


uso das capacidades humanas em processos diferenciados de
aprendizagem. A interação proporcionada por softwares
especiais e pela internet, por exemplo, permite a articulação
das redes pessoais de conhecimentos com objetos técnicos,
30

instituições, pessoas e múltiplas realidades para a construção


de espaços de inteligência pessoal e coletiva. (KENSKI, 2003,
p. 51).

A tecnologia avançou sem moderações no novo século e a sociedade teve


de interagir com essas mudanças de forma rápida e precisa, nesse sentido Lima
(2010) afirma que a transformação ocorreu também em alguns escritores e se
dividiram, ou seja, uns se aderiram ao novo formato enquanto que outros preferiam
a velha máquina de escrever.

Na mudança, em relação ao livro impresso e o eletrônico houve muitas


divergências, e até a presente data as opiniões ainda se dividem, existem pessoas
que se aderem com facilidade ao novo método de leitura, porém, grande maioria diz
sentir falto do livro impresso, o cheirinho que de livro novo ou antigo e a satisfação
de segurar a obra do autor predileto nas mãos, ou mesmo poder carregar para
leituras ao ar livre.

Lima (2010) diz que ao considerar o computador um reprodutor de textos é u


mesmo que negar a criação de um livro impresso, ou seja, diminui, tornou-se raro o
surgimento de novos gêneros literários, para melhor exemplificar, ao acessar um
site, as mudanças são feitas em tempo recorde, já o livro impresso será o mesmo
enquanto existir. Questões abordadas como o fim do livro impresso, ainda deve ser
revista e avaliada, a nova linguagem tecnológica distancia da linguagem materna
nos livros impressos, com isso artistas e escritores têm se aprimorado em conteúdos
exclusivos para a internet, sem excluir a possibilidade dos mesmos serem
impressos.

2.8. O Teatro e a Literatura

O teatro é um método excelente para que o professor estabeleça união entre


aluno e literatura. Normalmente, antes da criação da peça teatral é necessário fazer
31

uma leitura sobre o tema com os alunos, ou seja, coloca-los a par de todos os
aspectos para que as encenações fiquem o mais próximo possível do contexto.

Para o desenvolvimento da peça teatral é necessário que o professor


promova com seus alunos aspectos sobre datas, personalidades, vestuário,
cenários, e principalmente sobre a gramática utilizada na época que o texto foi
escrito. Dar corpo ao texto escrito transformando-o em uma peça teatral deve ser
uma atividade compartilhada em sala de aula.

Para que o teatro seja sucesso é necessário que todos os envolvidos


conheçam a obra, essa sintonia é que vai formar a peça teatral. O professor deve
envolver todos os alunos da sala na peça, alguns não gostam de encenar, e podem
ficar nos bastidores, responsáveis por roupas, maquiagem cenário, entre outros
aspectos. Para a formação do teatro é necessário utilizar quase todas as matérias
do currículo escolar. Uma das peças mais realizadas nas escolas é “O Auto Da
Barca do Inferno” de Gil Vicente. Esse auto é o mais escolhido, talvez pela
quantidade de personagens que ficam entre 17 ou 18, isto é, metade da sala irá
representar o elenco. As falas são distintas, por isso os alunos que mais se
identificam com os personagens pode incorporá-los sem dificuldade. Mesmo que
suas falas sejam trazidas para o contemporâneo, os alunos devem conhecer a
original. (CAMARGO, 2015)

O texto pode ser complementado por elementos cênicos como o cenário, a


luz, a música, os figurinos. A peça escrita deverá levar em consideração os
espectadores, normalmente eles não possuem o conhecimento histórico para
entender a peça se ela não for rebuscada para os sentimentos contemporâneos.

Camargo (2015) diz sobre a necessidade de reavaliar o conhecimento dos


espectadores. Segundo a autora, ao apresentar para o público a peça do O Auto da
Barca do Inferno, é interessante fazer uma troca, por exemplo, com o personagem
judeu que chega ao Inferno com um carneiro nos braços. Poucas pessoas
conhecem os textos bíblicos que trazem essa referência, ou seja, do judeu que traz
o carneiro para expiação do pecado, por isso que uma troca criativa é bem sucedida,
ou seja, pode trazer um drogado oferecendo o que ele consumia para expiação de
seu pecado. É fora do contexto, mas a mudança para o contemporâneo não irá tirar
os propósitos do autor e o público irá entender.
32

A autora diz que diversas obras brasileiras podem ser transformadas para o
teatro, tendo sempre o cuidado de que os alunos envolvidos conheçam a obra
escrita para representa-la de forma que o público aprecie o trabalho.

Boal (1998) adverte que os alunos devem discutir sobre alguns exercícios de
técnica, isto é, sobre as adaptações que serão feitas a partir da leitura dos textos
literários. De acordo com o autor, o caráter interdisciplinar adotado pelo professor
serve para que o aluno aprecie a obra e saiba desenvolver e valorizar trabalhos em
parceria, dinamizar a comunicação, desenvolver atitudes de pesquisa, resgatando o
sentido humano do trabalho.

O ensino da literatura nesse formato traz o sentido de redimensionar o aluno


para uma nova perspectiva e que o mesmo contemple esses aspectos e se
formando como leitor competente. Dessa forma é necessário que a leitura faça
sentido ao aluno leitor e assim dialogar e buscar caminhos que falem de suas
dificuldades e que aponte maneiras de solucionar seus problemas. O teatro tem
essa possibilidade, isto é, incita-os a imaginar outras formas de buscar soluções
através de adequações. (TODOROV, 2012)

A leitura se torna eficiente a partir do momento em que o indivíduo começa a


colocar em prática os conhecimentos adquiridos, ou seja, passa a lidar com as
situações do cotidiano com capacidade de intervir no mundo. Nesse sentido Lajolo
(2004) afirma que a leitura ajuda a compreender o mundo, quanto mais
conhecimento tiver sobre o mundo e sobre a vida, maior a necessidade de ler, de
forma até mesmo frenética, que nunca tenha fim, jamais se encerre.

Cosson (2009) diz que umas das principais características da literatura são
ser atemporal e inespacial e isso permite que o leitor recrie suas emoções,
interpretação, ao mesmo tempo em que incentiva a expressar o mundo por ser uma
experiência a ser realizada, é a presença da própria identidade.

Quando o teatro é utilizado para o desenvolvimento intelectual do


adolescente, serve como uma transição gradativa, em que o aluno transforma em
uma comunicação com gestos espontâneos para a plateia. Sendo que a
apresentação do teatro torna-se um jogo de exercícios e técnicas que são utilizados
33

para a formação do espetáculo e pode ser utilizado também em sala de aula como
um processo lúdico de interação do texto literário com o aluno. (KOUDELA, 1992).

Reverbel (1978) afirma que o teatro auxilia os alunos no aprendizado de um


determinado conteúdo ao mesmo tempo em que oferece possibilidades de diverti-
los.

Para Solé (1988) o texto teatral não é apenas uma leitura comum, é
necessário que o aluno que irá protagonizar a cena, adentre no personagem, tome
posse das atitudes, se aproxime ao máximo, tenha boa tonalidade vocal e
desempenho de palco, ou seja, o texto literário para o teatro é a forma ideal para
que alunos e professores conheçam realmente a obra e a transforme em uma
imensa obra de arte. Alguns elementos teatrais não são possíveis aproximar o teatro
do texto, por isso existe as adaptações, que são primordiais. A leitura é um ato de
desenvolvimento de estratégias, quando não existir a possibilidade de expressar o
que de fato a leitura conta, são as adaptações que irão contar, e isso só será
possível quando o leitor é assíduo na leitura, portanto a estratégia de adaptação só
será possível com o envolvimento do aluno leitor.

2.9. Quando tudo começa a fazer sentido

Se por um lado o teatro é uma das melhores formas de fazer o aluno se


envolver com a literatura, por outro os exercícios de fixação os ajudam a conhecer
os movimentos literários compreendendo melhor as características de cada
movimento e fazer um estudo comparativo dos vários estilos e épocas. (FARACO,
1982)

Alguns exercícios são extremamente importantes para o desenvolvimento do


conhecimento, Faraco (1982) diz que eles despertam no aluno o interesse pela
leitura, habilitando-o para que se expresse com clareza e correção.
34

Os maiores responsáveis para que a leitura se torne frequente e prazerosa


para os alunos, são os professores. Portanto os mesmos devem participar das
diversas academias especialmente preparadas pelos PCNP que normalmente ficam
alocados nas diretorias de ensino e desenvolvem trabalhos habituais de leitura. A
formação continuada também apresenta méritos em seu desenvolvimento, por isso é
importante a participação de todos os professores.

Muitos atribuem a leitura ao professor de língua portuguesa, mas ela está


vinculada a todos os demais, de outras disciplinas também, pois em um exercício de
vestibular, o aluno só chegará à conclusão da resposta correta se fizer uma boa
interpretação do que se pede. (FARACO, 1982)

Abaixo uma proposta de exercícios preparadas especialmente para


professores, de autoria de Faraco e Moura, (1982):

O ROMANTISMO

Olhai os lírios do Campo – Erico Veríssimo

Eugenio pensava ainda em Margaret. Aquele amor secreto era


a melhor coisa de sua vida. Tinha um gosto de romance, um
romance que ele escrevia com a imaginação, com o desejo Já
que a vida se recusava a dar-lhe um romance de verdade. No
silencio de certa noite, em que o luar entrava pela janela do
quarto, el pensou em Margaret, estendido na cama. De olhos
fechados. Imaginou mais um encontro noturno, debaixo das
árvores do jardim. (Nessas conversas ele perdia a timidez, era
como se a luz da lua conseguisse limpar-lhe o rosto das
espinhas e a alma dos pecados, era como se o luar fizesse até
o milagre de lhe dar uma voz agradável, parelha e máscula).
Os dois ficaram a comtemplar-se em silêncio. Os cabelos dela
pareciam de prata. Os dele de bronze. Um organista misterioso
tocava músicas muito doces na capela. Margaret contou-lhe
histórias do tempo em que sua família morava na China, onde
seu pai foi missionário. Em troca, ele lhe descreveu sonhos,
planos de vida. Pretendia estudar cada vez mais e um dia
havia de se formar em Engenharia. Engenharia? Não.
Medicina. Seria médico para curar o pai daquela doença do
peito, e para ajudar os pobres, como o Dr. Seixas. Ficaria
famoso e rico, deixaria de ser simplesmente o Genoca para se
35

transformar no Dr. Eugenio Fontes. [...] Mas de repente todo


sonho desapareceu e lá estava apenas no quarto nu do
internato, as camas de ferro, o lavatório, a mesinha de pau, a
mala e aquele cheiro ativo de óleo de linhaça. (VERISSIMO,
1976, p. 24-25)

Estudo do texto:

1. Estamos diante de um texto narrado:

a. ( ) em 1ª pessoa

b. ( x ) em 3ª pessoa

Transcreva uma frase do texto que justifique sua resposta:

“Eugenio pensava ainda em Margaret” Atenção


professores, existem diversas possibilidades de resposta.

2. Quais os personagens centrais da narrativa?

Eugenio e Margaret

3. “Um romance que ele escrevia com a imaginação, com o


desejo, já que a vida se recusava a dar-lhe um romance de
verdade.”

a. Ao “escrever” um romance, predomina na atitude de


Eugenio:

( x ) subjetividade ( ) objetividade

b. Copie, do período acima, a frase em que aparece o motivo


pelo qual Eugenio é levado a imaginar um romance com
Margaret:

“... já que a vida se recusava a dar-lhe um romance de


verdade.” (FARACO e MOURA, 1982, p. 10)

Esse pequeno exemplo de auxílio ao professor está introduzindo o livro


escrito por Carlos Emílio Franco e Francisco Marto de Moura, dois professores com
formação em Licenciatura em Letras na Universidade São Paulo (USP) Um
grandioso projeto elaborado para auxiliar professores nas aulas de literatura.

De acordo com os autores, esses testes de literatura servem para


familiarizar os alunos com o conteúdo básico exigido nos vestibulares para ingresso
nas principais faculdades do país.
36

3.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da conclusão desse trabalho percebeu-se que aprender literatura


não é um bicho de sete cabeças, na verdade a literatura é um processo de
desenvolvimento intelectual que deveria fazer parte da vida de todo cidadão. È
através do estudo da literatura que se aprende a ter autonomia, tão necessária para
a sobrevivência em qualquer parte do mundo.

A alternativa que mais se adequa, ultimamente, dentro dos parâmetros


curriculares para o ensino médio talvez seja o medo de se expor erroneamente
sobre determinados assuntos, para aqueles que muito em breve serão as cabeças
pensantes de algumas atividades de referência, ou seja, medo de se expressar de
forma errada, mas a leitura reforça que não existe tal probabilidade de erro, na
verdade, existe dificuldade de interpretar o que se leu.
Essa dificuldade pode ser sanada com muita leitura, os textos literários
existem para isso, é de grande utilidade para a formação do ser humano. Muitas
pessoas passam muito tempo na internet lendo textos mal escritos e se conformam
com isso, e cada vez mais perde a oportunidade de ter opinião própria sobre
determinados assuntos.
Ler e entender são uma escolha, uma escolha que trará benefícios futuros, o
desenvolvimento do conhecimento se dá pela aplicação da leitura. O conhecimento
traz sabedoria e discernimento, portanto é confortante ler e entender.
Existem diversas obras de diversos temas, movimentos literários variáveis,
muitos textos foram adequados para o cinema, novela ou teatro. È um instrumento
inigualável de conhecimento. Um poema desperta no leitor o valor cultural de seu
criador. Um romance coloca o leitor dentro dos parâmetros estabelecidos pelo autor,
podendo trazê-lo para o contemporâneo em apenas algumas páginas. A comédia
irônica traz, apesar da graça, resoluções de problemas estáticos.
A transformação através da literatura é muito obvia, o leitor se depara com
situações e antes mesmo de concluir a leitura ele já tem um final premeditado, que
ele escolheria se fosse o protagonista da história.
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Ler é observar o próximo com a audácia do respeito. Ler é garantir


atribuições específicas a cada ser que faz parte, ou não de seu mundo. A leitura traz
solução para qualquer espécie de problema.
O ensino da literatura pode transformar pensamentos em boas atitudes,
pode promover a facilidade em equilibrar o bem sobre o mal. O desenvolvimento
emocional de quem pratica leitura é dissolvido através do que se lê.
Existe a necessidade de contato do aluno com o texto literário para que
possibilite que o mesmo possa, através da criação de laços com a leitura, construir
suas próprias interpretações e perceber o sentido dos textos. Esse processo de
formação de leitores, na escola, mais especificamente no ensino médio, deve
contribuir para uma aprendizagem significativa.
Os procedimentos de ensino também são significativos para contribuir para a
formação de leitores, e um dos maiores incentivos é através do teatro. Através de
reflexões, os alunos se apropriam dos textos lidos e criam a oportunidade de agirem
de forma ativa para a construção de sentidos. Ao ler um texto literário e executar os
movimentos através do teatro, faz com que o aluno construa um caminho de
usufruto e de prazer.
Apesar de ser uma criação antiga, a literatura tem-se revelado inovadora
para o contexto atual, dos novos leitores. O despertar pela leitura, ou seja, o direito
de adentrar neste mundo de fantasias é essencial tanto para alunos como para
professores.
A abordagem em sala de aula deve ser aperfeiçoada sempre, para que o
aluno consiga fixar o conteúdo sem exaustão, isto é, a utilização de métodos
inovadores e desafiadores. Antes o grande desafio era formar leitores críticos e isso
é algo que encabeça o ensino da literatura até os dias atuais. Dessa forma a escola
desenvolve, com o ensino da literatura, a capacidade de identificação da construção,
da ideologia e da intertextualidade se houver.
Promover novos métodos de ensino a partir do que se conhece de seus
alunos cabe à escola, garantir aprendizado cabe ao professor, ser leitor de boa
interpretação cabe ao aluno. Refletir qual a maneira correta de abordar o tema
literatura e possuir condições para que o exercício pedagógico ultrapasse os
espaços escolares é muito mais que um envolvimento intelectual, é envolvimento
com mudanças que são necessárias para construir um país com organização, para
que a sociedade não se limite aos poderes políticos e sim obtenham através da
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leitura o sentimento de confiança e lealdade. Essa reflexão é individual, mas pode


mudar o mundo.

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