SOCIEDADE ANONIMA
Simone Helen Drumond Ischkanian
1. Constituição da Sociedade, Comissão de Valores Mobiliários
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma entidade autárquica vinculada ao Ministério da
Economia do Brasil, responsável por regular e fiscalizar o mercado de valores mobiliários no país. Ela foi
criada pela Lei nº 6.385/76 e tem como principal objetivo proteger os investidores, garantir a transparência e
eficiência do mercado, e promover o desenvolvimento sustentável do mercado de capitais.
A Constituição da Sociedade, ou seja, os documentos que formalizam a criação e o funcionamento de
uma sociedade, geralmente incluem o contrato social e outros documentos relacionados. Esses documentos
variam de acordo com o tipo de sociedade (por exemplo, sociedade limitada, sociedade anônima) e as
disposições específicas escolhidas pelos fundadores.
No contexto de uma sociedade de capital aberto (sociedade anônima), que é uma entidade que tem
suas ações negociadas em bolsa de valores, a CVM desempenha um papel fundamental na regulamentação e
supervisão. Empresas que desejam realizar uma oferta pública de ações precisam seguir as regulamentações
estabelecidas pela CVM, que incluem a divulgação adequada de informações aos investidores.
Portanto, ao criar uma sociedade de capital aberto no Brasil, é crucial observar as normas e
regulamentos estabelecidos pela CVM, além das disposições específicas contidas na legislação brasileira
sobre sociedades anônimas.
Constituição da Sociedade:
1. Tipo de Sociedade:
Limitada (Ltda): Para criar uma sociedade limitada, é necessário elaborar um Contrato Social.
Este documento define as regras para a sociedade, incluindo a participação dos sócios, distribuição de lucros,
responsabilidades, entre outros.
Anônima (S.A): Se for uma sociedade anônima, é necessário elaborar o Estatuto Social. Esse
documento estabelece as normas internas da empresa, como funcionamento das assembleias, direitos dos
acionistas, composição do conselho de administração, entre outros.
2. Registro nos Órgãos Competentes:
Após a elaboração do contrato social ou estatuto social, é necessário registrar a sociedade nos
órgãos competentes, como a Junta Comercial do estado em que a empresa será estabelecida.
3. Requisitos Específicos:
Dependendo da natureza do negócio, podem existir requisitos específicos para a constituição da
sociedade. Por exemplo, certas atividades podem exigir autorizações ou licenças específicas.
Relação com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM):
1. Sociedade de Capital Aberto:
Se a sociedade pretende ter suas ações negociadas em bolsa de valores, ela será considerada
uma sociedade de capital aberto. Nesse caso, há regulamentações específicas da CVM que devem ser
seguidas, incluindo a divulgação de informações periódicas e eventos relevantes.
2. Oferta Pública de Valores Mobiliários:
Se a sociedade pretende realizar uma oferta pública de valores mobiliários, como ações,
debêntures, etc., deve observar as normas da CVM para esse processo, garantindo transparência e proteção aos
investidores.
3. Governança Corporativa:
A CVM também estabelece diretrizes relacionadas à governança corporativa, incentivando
boas práticas de gestão nas sociedades de capital aberto.
Considerações Finais:
Para garantir conformidade legal, é essencial buscar a orientação de profissionais especializados,
como advogados e contadores. Esses profissionais podem fornecer assistência na elaboração dos documentos
necessários, no registro da sociedade e no cumprimento das normas da CVM, se aplicável.
2.Órgãos societários
Os órgãos societários são elementos fundamentais na estrutura e governança de uma sociedade, especialmente
em sociedades anônimas (S.A.), onde há a separação entre a propriedade (acionistas) e a gestão (órgãos
administrativos). Abaixo estão alguns dos principais órgãos societários em uma sociedade anônima no
contexto brasileiro, mas vale ressaltar que a estrutura exata pode variar dependendo do estatuto social da
empresa e das práticas adotadas:
1. Assembleia Geral:
Descrição: É o órgão supremo da sociedade, composto pelos acionistas. Existem dois tipos de
assembleias gerais: ordinárias e extraordinárias.
Funções:
o Deliberar sobre as contas da administração.
o Eleger e destituir membros do conselho de administração.
o Deliberar sobre distribuição de dividendos, entre outras decisões fundamentais.
2. Conselho de Administração:
Descrição: Órgão colegiado composto por membros eleitos pela assembleia geral. Não é obrigatório
em todas as sociedades, mas é comum em empresas de grande porte.
Funções:
o Definir a orientação estratégica da empresa.
o Eleger e destituir diretores.
o Fiscalizar a gestão dos diretores.
3. Diretoria:
Descrição: Órgão responsável pela administração cotidiana da sociedade. Pode ser composto por um
ou mais diretores.
Funções:
o Implementar as decisões do conselho de administração e da assembleia geral.
o Gerenciar as operações diárias da empresa.
4. Conselho Fiscal:
Descrição: Órgão de fiscalização independente. Pode ser permanente ou instaurado em assembleias
gerais extraordinárias.
Funções:
o Fiscalizar as atividades da administração.
o Emitir pareceres sobre as demonstrações financeiras.
5. Auditoria Independente:
Descrição: Embora não seja um órgão societário, é importante mencionar a figura da auditoria
independente. Empresas de capital aberto são geralmente obrigadas a contratar auditores externos para
revisar suas demonstrações financeiras.
A estrutura de órgãos societários pode variar dependendo do tipo de sociedade (por exemplo, sociedade
anônima, sociedade limitada) e das escolhas específicas feitas pelos fundadores no contrato social ou estatuto
social. A definição clara de papéis e responsabilidades desses órgãos é crucial para o bom funcionamento e
governança eficaz da sociedade. Recomenda-se sempre a consulta a profissionais jurídicos e contábeis para
orientações específicas, levando em consideração a legislação vigente e as características individuais da
empresa.
3. Ações, Lucros e dividendos
No contexto de sociedades anônimas (S.A.), as ações, lucros e dividendos desempenham papéis importantes
no funcionamento e na remuneração dos acionistas. Aqui estão algumas informações relevantes sobre esses
elementos:
1. Ações:
Definição: Ações representam partes do capital social de uma sociedade anônima. Cada ação confere
ao seu detentor uma parcela da propriedade e, por vezes, certos direitos políticos nas decisões da empresa.
Tipos de Ações:
o Ordinárias (ON): Conferem direito a voto em assembleias gerais.
o Preferenciais (PN): Têm preferência no recebimento de dividendos, mas geralmente não têm
direito a voto ou têm voto restrito.
2. Lucros:
Definição: Os lucros representam o excedente do faturamento da empresa após a dedução de despesas
e impostos.
Distribuição de Lucros:
o Os lucros podem ser distribuídos de diferentes formas, incluindo a reinvestimento na empresa,
pagamento de dividendos aos acionistas ou reserva para investimentos futuros.
o A distribuição de lucros está sujeita a decisão da assembleia geral.
3. Dividendos:
Definição: Dividendos são parcelas dos lucros distribuídos aos acionistas como forma de remuneração
pelo investimento na empresa.
Formas de Pagamento:
o Dividendos em Dinheiro: Pagamento efetuado em dinheiro aos acionistas.
o Dividendos em Ações: Os acionistas recebem mais ações em vez de dinheiro.
Política de Dividendos: Cada empresa pode ter sua política de dividendos, que pode variar de acordo
com as necessidades de investimento, situação financeira e estratégias de crescimento.
4. Retenção de Lucros:
Empresas podem optar por reter parte ou totalidade dos lucros para reinvestir no negócio, pagar
dívidas ou para situações de contingência.
O relacionamento entre a emissão de ações, a geração de lucros e a distribuição de dividendos é fundamental
para o funcionamento saudável de uma sociedade anônima. As decisões sobre distribuição de dividendos são
geralmente tomadas em assembleias gerais, onde os acionistas têm a oportunidade de expressar suas opiniões
e votar sobre questões cruciais para a empresa.
É importante notar que a legislação e as práticas relacionadas a ações, lucros e dividendos podem variar de
país para país e devem ser consideradas em conformidade com as normas locais. Consultar profissionais
jurídicos e contábeis é sempre recomendado para garantir conformidade com as leis vigentes e para tomar
decisões estratégicas alinhadas com os objetivos da empresa e seus acionistas.
O Código Civil brasileiro trata de diversos aspectos relacionados às sociedades, incluindo as ações, lucros e
dividendos. Abaixo, destaco alguns artigos relevantes do Código Civil brasileiro relacionados a esses temas:
Ações:
1. Artigo 1.055:
o "Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas
todos respondem solidariamente pela integralização do capital social."
2. Artigo 1.088:
o "O sócio, cuja contribuição consista em serviços, não fica sujeito à reposição de lucros e
perdas, salvo deliberação dos demais sócios, mediante alteração do contrato social."
Lucros e Dividendos:
3. Artigo 1.013:
o "Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das
respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos
lucros na proporção da média do valor das quotas."
4. Artigo 1.078:
o "É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos resultados."
5. Artigo 1.082:
o "A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade solidária dos
administradores que a realizaram e dos sócios que os receberam, conhecendo ou devendo
conhecer-lhes a ilegitimidade."
6. Artigo 1.088:
o "O sócio, cuja contribuição consista em serviços, não fica sujeito à reposição de lucros e
perdas, salvo deliberação dos demais sócios, mediante alteração do contrato social."
Estes são apenas alguns dos artigos do Código Civil relacionados a sociedades, ações, lucros e dividendos. O
contexto específico de uma situação empresarial pode demandar a análise de outros dispositivos legais e
regulamentações, especialmente no caso de sociedades anônimas, que podem estar sujeitas a legislação
específica, como a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76) e regulamentações da Comissão de
Valores Mobiliários (CVM).
Para uma orientação mais precisa e adequada à sua situação específica, é recomendável consultar um
profissional jurídico especializado em direito societário e empresarial, que pode oferecer informações
detalhadas e aconselhamento legal conforme as leis e regulamentações mais recentes.
4.Dissolução da sociedade
A dissolução de uma sociedade é o processo pelo qual a existência legal da empresa é encerrada. Esse
procedimento pode ocorrer por diferentes motivos, e o processo específico pode variar dependendo do tipo de
sociedade e da legislação aplicável ao local onde a empresa está registrada. Aqui estão algumas informações
gerais sobre a dissolução de uma sociedade:
Razões para Dissolução:
1. Decisão dos Sócios: Os sócios podem decidir dissolver a sociedade por consentimento mútuo.
2. Cumprimento de Prazo: Se a sociedade foi estabelecida por tempo determinado e o prazo expirou.
3. Cumprimento de Objetivo: Se a sociedade foi criada para atingir um objetivo específico e esse
objetivo foi alcançado.
4. Insolvência: Quando a sociedade não consegue cumprir suas obrigações financeiras, ela pode ser
dissolvida devido à insolvência.
5. Decisão Judicial: Em certos casos, um tribunal pode ordenar a dissolução da sociedade.
Processo Geral de Dissolução:
O processo exato de dissolução pode variar, mas geralmente envolve os seguintes passos:
1. Reunião dos Sócios: Os sócios devem se reunir para tomar a decisão de dissolver a sociedade.
2. Elaboração de Documentação: Deve ser elaborado um documento formal que registre a decisão de
dissolução. Isso pode incluir uma ata de reunião de sócios ou outra documentação legal.
3. Notificação às Autoridades: Em muitas jurisdições, é necessário notificar as autoridades competentes
sobre a decisão de dissolver a sociedade.
4. Liquidação dos Ativos e Passivos: Os ativos da sociedade são vendidos e os passivos são pagos.
Qualquer saldo restante após o pagamento das dívidas pode ser distribuído entre os sócios.
5. Cancelamento de Registros: É necessário cancelar os registros legais da sociedade, o que pode incluir
a baixa do registro na Junta Comercial ou órgão equivalente.
6. Notificação a Credores e Terceiros: Os credores e terceiros interessados geralmente devem ser
notificados da dissolução.
7. Relatório Final: Em alguns casos, pode ser necessário apresentar um relatório final às autoridades.
Para entendimento:
A dissolução de uma sociedade é um processo sério e complexo que requer conformidade com as leis locais.
Consultar um advogado ou contador especializado em direito empresarial é crucial para garantir que todos os
procedimentos legais sejam seguidos corretamente e que a dissolução seja realizada de maneira adequada.
Além disso, é importante lidar com a dissolução de forma ética, respeitando os direitos dos credores e outros
interessados.
O Código Civil brasileiro trata da dissolução das sociedades em diversos artigos, especialmente na parte que
versa sobre as sociedades simples e empresárias. Aqui estão alguns artigos relevantes relacionados à
dissolução de sociedades:
Dissolução de Sociedade Simples (arts. 997 a 1.038):
1. Artigo 1.033:
o "Em caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo disposição diversa do contrato, não
se extinguindo a sociedade."
2. Artigo 1.034:
o "A sociedade simples dissolve-se pela morte de qualquer dos sócios, salvo se o contrato
dispuser diferentemente."
Dissolução de Sociedade Empresária (arts. 1.103 a 1.115):
3. Artigo 1.104:
o "A sociedade anônima rege-se por lei especial, aplicando-se-lhe, nos casos omissos, as
disposições deste Código."
4. Artigo 1.113:
o "Não sendo a sociedade anônima dissolvida por deliberação da assembleia-geral, o liquidante
será nomeado pelo juiz, a requerimento de qualquer acionista, do Conselho Fiscal, ou de ofício,
quando a administração, ou deliberações da assembleia-geral, forem conduzidas de modo
manifesto, grave e reiterado em detrimento da empresa, ou lesivos a acionistas, ou, ainda,
quando, em virtude de atos ou fatos verificados na administração, seja impossível ou
impraticável a subsistência da sociedade."
Procedimentos Gerais (arts. 1.102 a 1.116):
5. Artigo 1.102:
o "Dissolve-se a sociedade quando ocorrer (...) a deliberação dos sócios, por maioria absoluta de
votos, na sociedade de prazo indeterminado; na de prazo determinado, pelo vencimento do
prazo."
6. Artigo 1.116:
o "O nome de sociedade que se houver extinguido não pode ser adotado por outra que se
constitua dentro de cento e oitenta dias, contados da publicação da ata de dissolução."
Estes são apenas alguns dos artigos relacionados à dissolução de sociedades presentes no Código Civil
brasileiro. A dissolução de uma sociedade é um processo complexo e pode envolver questões contratuais,
legais e práticas. Recomenda-se que, ao considerar a dissolução de uma sociedade, seja consultado um
profissional especializado em direito empresarial para garantir o cumprimento adequado das leis e
regulamentações aplicáveis.