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Intensificação da Produção Pecuária em Moçambique

Este documento descreve o Programa de Intensificação da Produção Pecuária (PIPEC) em Moçambique para 2015-2019. O objetivo geral é melhorar a produtividade e aumentar a oferta de produtos de origem animal de forma sustentável nas regiões com maior potencial. O programa se concentrará em bovinos de corte e leite, pequenos ruminantes, frangos e ovos. Ele introduzirá novas práticas de manejo sanitário, reprodutivo e alimentar em explorações com potencial para aumentar a produção.

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Intensificação da Produção Pecuária em Moçambique

Este documento descreve o Programa de Intensificação da Produção Pecuária (PIPEC) em Moçambique para 2015-2019. O objetivo geral é melhorar a produtividade e aumentar a oferta de produtos de origem animal de forma sustentável nas regiões com maior potencial. O programa se concentrará em bovinos de corte e leite, pequenos ruminantes, frangos e ovos. Ele introduzirá novas práticas de manejo sanitário, reprodutivo e alimentar em explorações com potencial para aumentar a produção.

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República de Moçambique

______

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E SEGURANÇA ALIMENTAR

DIRECCÃO NACIONAL DE VETERINÁRIA

PROGRAMA DE INTENSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO PECUÁRIA (PIPEC)

2015-2019

Agosto de 2015

1
Índice

1. Introdução ................................................................................................................................ 3

2. Objetivo e Contexto ................................................................................................................. 3

3. Conceito e critérios de intervenção ....................................................................................... 5

4. Programa e ações prioritárias ................................................................................................ 8

4.1. Bovinos de corte ................................................................................................................................8


4.2. Bovinos de leite ..................................................................................................................................9
4.3. Pequenos ruminantes .................................................................................................................... 10
4.4. Frangos e ovos................................................................................................................................ 10
4.5. Reforço de Capacidade de Assistência Veterinária .................................................................. 11
4.6. Comercialização e Mercado de produtos de Origem Animal ................................................. 12
4.7. Programa de capacitações de produtores e técnicos ............................................................... 12
4.8. Cooperativismo ............................................................................................................................... 13
4.9. Financiamento e créditos .............................................................................................................. 13
5. Sumario das Intervenções preparatórias .................................... Error! Bookmark not defined.

6. Orçamento Indicativo ............................................................................................................ 14

7. Resultados Esperados .......................................................................................................... 15

8. Projecto de Centros de Engorda (Anexo)

2
1. Introdução

A Intensificação da produção pecuária enquadra-se no contexto do plano quinquenal do


governo 2015-19, é consistente com o Plano Nacional de Investimento no Sector Agrário
(PNISA) e é um dos instrumentos de implementação do Plano Estratégico de
Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA) no subsector Pecuário, que tem como
enfoque direccionar mais atenção e recursos para produtos com maior potencial de
crescimento a médio prazo (cinco anos) nas regiões ou zonas com maior potencial agro-
ecológico ou com vantagens comparativas em relação às outras.

Com excepção da produção de frangos e ovos, os restantes sistemas de produção


pecuária no país são extensivos com níveis de produtividade baixos.

De acordo com o PNISA, as áreas prioritárias do subsector pecuário são: a bovinicultura


de corte e leite, a avicultura (frango e ovos) e os pequenos ruminantes (caprinos e ovinos).
O programa de intensificação da produção pecuária deve abranger as mesmas produções,
considerando os sectores e os animais com capacidade de resposta.

As outras espécies, como a galinha e o porco, embora não eleitas para a intensificação,
continuarão a merecer atenção especial do Ministério da Agricultura e Segurança
Alimentar (MASA), pela sua contribuição nas economias dos pequenos produtores agro-
pecuários e na redução da pobreza rural. As principais limitantes destas duas espécies são
de natureza sanitária e genética, os surtos cíclicos da doença de Newcastle na galinha e
da Peste Suína Africana (PSA) no porco e a fraca capacidade de resposta a intensificação
que a galinha landim tem. No âmbito do PNISA, o MASA continuará a desenvolver
esforços no sentido de alargar a cobertura vacinal contra a doença de Newcastle que
atualmente é de cerca de 15%, e de educação dos criadores de porcos sobre a
importância das medidas de biossegurança na prevenção e controlo da PSA nas suas
explorações, ações já previstas nos programas sanitários de rotina dos Serviços de
Veterinária.

2. Contexto e Objectivos
Desde o ano 1992, após o Acordo Geral de Paz no país, a produção pecuária tem estado a
registar crescimentos significativos em bovinos de corte e pequenos ruminantes. Não
obstante estes crescimentos, o país é ainda dependente de importações em quase todos
os produtos. De acordo com a informação estatística em 2013 o grau de dependência do
consumo nacional em relação às importações foi de 28% para carne bovina, 7% para a
carne de pequenos ruminantes, 24% para o frango e 27% para o ovo de consumo. O grau
mais elevado da dependência de importações está no leite e seus derivados. Os dois
principais sectores de produção de ruminantes em Moçambique praticam sistemas de
produção extensivos com pequenas diferenças:

 O setor familiar com mais de 85% do gado bovino e 96% dos pequenos ruminantes,
cria gado local, bem adaptado as adversidades ecológicas, não tem atitude
comercial, não compra insumos veterinários, o maneio alimentar é baseado em
pastagens naturais e coletivas, a condição corporal dos animais varia com a época

3
do ano, o maneio sanitário é totalmente dependente e limitado ao que os serviços
públicos oferecem e tem, consequentemente, baixa produtividade;

 O setor comercial, ainda pouco expressivo em termos de efetivos, mas ligeiramente


mais produtivo, compra insumos, tenta suplementar o gado na época seca para
evitar grandes perdas de peso e mortes, a pastagem natural em áreas delimitadas
(DUAT), emprega trabalhadores e possui animais cruzados com raças de carne de
melhor crescimento.

Em 2014 os efetivos e as produções das espécies pecuárias ruminantes por sector


produtivo são apresentadas na tabela 1.

Tabela 1. Efetivos e produções pecuárias - 2014


Efectivos (cabeças) Produções (Ton)
Espécie pecuária Familiar Comercial Total Familiar Comercial Total
Bovinos 1 536 356 259 584 1 795 940 8 583,0 3 336,0 11 919,0
% 86% 14% 100% 72% 28% 100%
Vacas leiteiras 834 1 470 2 304 968,0 1 300,0 2 268,0
% 36% 64% 100% 43% 57% 100%
Pequenos ruminantes 5 079 195 249 225 5 328 420 1 788,0 305,0 2 093,0
% 95% 5% 100% 85% 15% 100%

O sector comercial, com apenas 14% dos efetivos de bovinos, contribui com 28% da
produção de carne e, nos pequenos ruminantes, com 5% dos efetivos, produz 15% da
carne de cabrito. Com os dados da tabela 1, pode ser estimada a produtividade das
espécies pecuárias e dos sectores produtivos com base na produção por cabeça por ano,
como ilustrado na tabela 2.

Tabela 2. Produtividade estimada das explorações pecuárias - 2014


Produção por cabeça ano (kg) Níveis médios
Espécie pecuária Familiar Comercial Total a atingir
Bovinos 5,6 12,9 6,6 8
Vacas leiteiras 1 160,7 884,4 984,4 1500
Pequenos ruminantes 0,4 1,2 0,4 2,5

As manadas do sector comercial são relativamente mais produtivas e este sector tem um
potencial para responder aos incentivos para introduzir novas tecnologias para aumentar
os efetivos e a produção. O setor familiar será também integrado para melhorar a
produtividade e a taxa de extração ligado aos circuitos de mercado.

O objetivo geral do programa de intensificação é melhorar a produtividade da produção


pecuária e aumentar a oferta e a qualidade dos produtos de origem animal para mercado
de forma acelerada e sustentável nas zonas e nos segmentos dos sectores produtivos de
maior potencial. Este programa é complementar aos restantes programas de aumento da
produção pecuária.

Os objectivos específicos são:

4
a) Introduzir medidas de maneio sanitário, reprodutivo e alimentar nas explorações de
bovinos de corte e de leite e de caprinos;
b) Fomentar a expansão da exploraçãode frangos e ovos de,
c) Adoptar medidas que facilitem acções de investimentos concertados para eliminar
os constrangimentos da cadeia de valor dos produtos.

3. Conceito e critérios de intervenção

Para uniformizar o entendimento de todos os actores interessados no programa de


intensificação, julgou-se importante clarificar as definições e os critérios.

A intensificação da produção é definida como a aplicação de medidas de maneio


integrado, na melhoria dos sistemas de produção, para maximizar o rendimento das
espécies pecuárias através dos maneios sanitários, alimentar e reprodutivo. Neste
contexto, a intensificação da produção pecuária é escolhida como um dos caminhos para
aumentar a produção e é complementar aos programas em curso de aumento da
produção, como os de fomento pecuário, controlo de doenças e expansão das produções
de frangos e ovos.

Para intervir nos sistemas de produção com sucesso e sustentabilidade a curto e médio
prazos é necessário que os critérios de seleção dos intervenientes priorizem a capacidade
de resposta destes.

Com base nas informações estatísticas dos sectores produtivos, nota-se que um programa
de intensificação dos sistemas de produção de ruminantes deve priorizar as províncias
com um sector comercial instalado e aquelas que podem atrair novos investidores,
associado a estratégia dos corredores de desenvolvimento já definidos pelo MASA.
Entretanto, as oportunidades gerais que forem criadas, beneficiarão os criadores de todo o
País. A figura 1 e a tabela 3, ilustram a seleção das províncias e a ligação com os
corredores de desenvolvimento agrário e a tabela 4 os distritos para o início das
intervenções.

5
Figura 1. Corredores de desenvolvimento agrário
Tabela 3. Províncias e produções para intensificação

Áreas de Corredores de Província eleitas


Intervenção desenvolvimento para Intensificação
Corredor de Maputo Maputo
Bovinos de Corte Corredor do Limpopo Gaza
Corredor da Beira Sofala e Manica
Corredor de Maputo Maputo
Bovinos de Leite Corredor do Limpopo Gaza
Corredor da Beira Sofala e Manica
Corredor do Limpopo Gaza
Pequenos Corredor da Beira Sofala
Ruminantes Corredor do Zambeze Tete
Corredor de Nacala Nampula
Corredor de Maputo Maputo
Avicultura (Frango e
Ovos de consumo)* Corredor da Beira Manica
Corredor de Nacala Nampula
* abrange todas províncias com base nas três eleitas

Tabela 4. Distritos para as intervenções iniciais

Província Bovinos de Bovinos de Pequenos Frangos e


corte leite ruminantes ovos
Maputo Matutuine Manhiça
Moamba Boane
Magude
Gaza Chokwe Chokwe Massingir
Gijá Xai-Xai Chicualacuala
Chibuto Mabalane
Sofala Buzi Beira Dondo Todas
Nhamatanda Dondo Nhamatanda províncias -
Caia Caia identificar
Manica Manica Gondola potenciais em
Sussundenga Chimoio todos os
distritos
Vanduzi Vanduzi
Tete Marara
Changara
Moatize
Nampula Murrupula
Rapale
Nacala

Os mecanismos de intervenções do Estado (MASA) devem ser em dois sentidos:

6
1. Na criação de oportunidades que permitam ao sector produtivo responder com a
melhoria dos sistemas de produção de forma custo-efetiva. As oportunidades
surgem quando se removem os constrangimentos principais para a aplicação de
medidas de maneio mais intensivas e;

2. Em ações de apoio direto nas questões ligadas aos serviços públicos, como no
controlo de doenças que o Estado executa diretamente e no financiamento das
infraestruturas e insumos para modelos pilotos.

Outro critério importante é a organização coletiva dos criadores em associações ou


cooperativas, como instituição que facilita a intervenção do Estado e permite estabelecer
um compromisso de resultados com o sector produtivo. Estas organizações de criadores,
quando envolvidas em parcerias público-privadas, permitem que os resultados pretendidos
não fiquem apenas dependentes do orçamento do Estado mas, que este seja
potencializado com recursos coletivos. As organizações coletivas devem ser de portas
abertas e integrar criadores de todos os setores produtivos. Deste modo, os criadores que
forem pioneiros na adoção dos maneios melhorados, servirão de modelo e exemplo para
os restantes filiados na mesma organização.

De uma forma geral a atividade pecuária no país apresenta muitos constrangimentos que
devem ser resolvidos para o sucesso de um programa de intensificação, sendo os mais
importantes indicados na tabela 5.

Tabela 5. Constrangimentos da produção pecuária e seus efeitos na produção

Constrangimento Efeito na produção


 Fraco conhecimento técnico dos criadores e Dificuldades de aplicação de medidas de maneio
seus trabalhadores melhoradas
 Elevada prevalência de doenças Alta mortalidade
 Inexistência de serviços de assistência Alta mortalidade e baixa fertilidade
veterinária privada
 Fraca capacidade dos Serviços de Veterinária Difusão de doenças, baixa produtividade das
de fazer cumprir a legislação em vigor manadas e risco de saúde pública
 Falta de execução das medidas de controlo de Alta mortalidade, baixa natalidade devido a
doenças como a tuberculose e brucelose abortos, baixa produtividade geral e problemas
de saúde pública
 Fraco papel da investigação na resolução dos Baixa produtividade das manadas
problemas dos produtores
 Reduzido número de animais leiteiros e de Fraca produção de leite no país e importações
produtores de leite elevadas de leite e derivados
 Indisponibilidade de subprodutos para rações Pouco uso de suplementação, preços altos das
devido a exportação e consequente especulação rações e baixa competitividade dos produtores
de preços nacionais
 Queimadas descontroladas Perdas de animais na época seca e substancial
redução da produtividade
 Elevado custo de construção de Recurso a currais de pernoita com redução de
infraestruturas de maneio como vedações, devido 30% do rendimento das manadas
a altas taxas de importação de arame farpado e
outros materiais
 Infraestruturas de abate e processamento Baixa qualidade dos produtos e fraca
inexistentes ou sem condições higio-sanitárias competitividade com a dos produtos importados
 Falta de equipamento para conservação de Perdas de animais na época seca e substancial
pastos redução da produtividade

7
 Falta de capacidade financeira para pontos de Perdas de animais na época seca e substancial
abeberamento redução da produtividade
 Difícil acesso a crédito favoráveis a criação de Baixo número de criadores e falta de condições
gado adequadas de criação
 Poucas e fracas organizações coletivas de Dificuldade do Estado orientar as ações para
criadores melhorar os sistemas de produção

4. Programa e ações prioritárias

Para o alcance dos objetivos do programa de intensificação deve ser considerada a


importância da remoção dos principais constrangimentos que afetam a produção pecuária
nas diferentes fases das cadeias de valor, com destaque para o reforço dos serviços de
assistência veterinária a todos os níveis para melhorar a prevenção e controlo de doenças,
capacitação dos criadores e a redução dos fatores que inibem a competitividade e a
intensificação (tarifas aduaneiras e disponibilidade de subprodutos para rações). Neste
sentido, são consideradas várias componentes de intervenção por espécie pecuária e por
instituição.

4.1. Bovinos de corte

A baixa produtividade dos sistemas de produção de bovinos de corte é, principalmente


devido a:
 Total dependência da alimentação natural, pastos espontâneos, escassos ou
mesmo ausentes na época seca e devido as queimadas descontroladas;
 Falta de pontos de abeberamento que obriga os animais a percorrer grandes
distâncias;
 Consequente flutuação da condição corporal, com emagrecimento e mortes na
época seca;
 Perda de capacidade reprodutiva por falta de condição corporal e do maneio das
crias (falta de desmames);
 Indisponibilidade de subprodutos para suplementação e para programas de
engorda, por especulação de preços e preferência a exportação;
 Fraca capacidade técnica de maneio dos criadores e dos seus técnicos;
 Alta prevalência de doenças por falta de programas rigorosos de controlo de
doenças e ausência de serviços de assistência veterinária;
 As principais doenças que afetam a produtividade são a tuberculose, brucelose,
tripanossomose e as doenças transmitidas por carraças.

A intensificação do sistema de produção de bovinos de corte consiste em:


 Treinamento de criadores e dos seus técnicos no maneio do gado;
 Construção de cercados para rotação de pastagem ou, pelo menos, de pernoita.
 Abertura de furos de água ou construção de represas, com os sistemas de captação
instalados, solares ou eólicos, com tanque elevado e bebedouros;
 Equipamento para produção de feno;
 A introdução de raças especializadas para carne, através de reprodutores, de
inseminação artificial ou mesmo de embriões;
 Identificação e registo de animais para seleção dos melhores reprodutores;

8
 Disponibilidade de subprodutos de moageiras e de oleaginosas para rações de
engorda e suplementação na época seca;
 Controlo rigoroso das doenças principais. Para o controlo de tuberculose devem ser
previstas formas de compensação aos criadores que tiverem de retirar animais para
abate.

4.2. Bovinos de leite

A produção de leite é uma das maiores fraquezas do subsetor pecuário no país.


Presentemente e com relativa importância, existem um núcleo antigo de produtores
semicomerciais na cidade da Beira e quatro cooperativas de produtores de leite do setor
familiar na província de Manica, estabelecidas nos últimos 7 anos pelo projeto da ONG
Land O´Lakes. A produção destes núcleos ainda é muito pequena para suprir as
necessidades do consumo nacional, os sistemas de produção são de muito baixa
produtividade, a média de produção por vaca por dia é de 5 litros e a percentagem de
vacas em lactação abaixo de 50%. Os programas para aumento da produção de leite
devem, de forma paralela, promover a intensificação dos sistemas existentes e fomentar
animais leiteiros a novos interessados.

São considerados como constrangimentos ao desenvolvimento da cadeia de valor do leite


de forma intensiva, os seguintes:
 Falta de animais leiteiros;
 Falta de conhecimentos técnicos dos produtores e outros interessados;
 Falta de capacidade financeira para melhorar as condições de produção, como
instalações, sistemas de rega, sistemas de ordenha e de conservação do leite;
 Dificuldade de obtenção, a preços aceitáveis, de subprodutos para as rações;
 Alta incidência das doenças, particularmente as zoonoses tuberculose e brucelose;
 Dificuldades no tratamento de mastitis, porque as empresas de medicamentos não
importam antimastiticos;
 Fraca integração da produção com o processamento e o mercado;

A intensificação do sistema de produção de bovinos de leite consiste em:


 Treinamento de criadores e dos seus técnicos no maneio do gado;
 Um programa de cruzamentos para criação de F1 leiteiros, animais mais adaptados
e que produzem leite. Este programa deve integrar anualmente 300 vacas de corte
de criadores contratados;
 Introdução de vacas leiteiras de raças puras através do programa de fomento, em
paralelo com o programa de cruzamento F1;
 Construção de cercados para rotação de pastagem;
 Estabelecimento de forragem cultivada;
 Abrir furos de água ou construir represas, instalar sistemas de captação solar com
tanque elevado e bebedouros;
 Construção de salas de ordenha individuais ou coletivas;
 Instalar sistemas de ordenha mecânica;
 Disponibilizar instrumentos e reagentes para testes de mastitis;
 Criar serviços de inseminação artificial e de transplante de embriões públicos ou
privados;
 Identificação e registo de animais para seleção dos melhores reprodutores;

9
 Disponibilidade de subprodutos de moageiras e de oleaginosas para rações de
engorda e suplementação na época seca;
 Controlo rigoroso das doenças principais. Para o controlo da tuberculose e da
brucelose devem ser previstas formas de compensação aos criadores que tiverem
de retirar animais para abate.

4.3. Pequenos ruminantes

A produção de pequenos ruminantes é feita de forma extensiva e sem nenhuma aplicação


de normas de maneio. Este sistema de produção é de fraca produtividade, com alta
mortalidade. Os serviços de assistência veterinária praticamente não prestam atenção a
estas espécies e o mercado é normalmente informal. Com o efetivo de pequenos
ruminantes que o País possui, poderia haver muito mais disponibilidade de carne de
cabrito e borrego do que existe. O contínuo aumento de preços de cabritos no mercado
informal é indicativo da fraca oferta.

Os pequenos ruminantes têm um potencial de produção e de mercado muito alto e as


raças locais são bem adaptadas e produtivas em boas condições. A intensificação do
sistema de produção de pequenos ruminantes, deve ser feita de forma integrada nos
criadores que aderirem ao programa de intensificação de bovinos e integrados nas
cooperativas, para racionalizar custos e os serviços. O setor familiar tem um papel muito
importante e deve ser integrado no programa e no circuito comercial. Os modelos de
sucesso servirão de incentivo a outros produtores para entrarem no esquema da
intensificação e mercado.

Os aspetos principais a considerar num programa de intensificação dos sistemas de


produção de pequenos ruminantes são:
 Treinamento de criadores e dos seus técnicos no maneio do gado caprino e ovino;
 Construção de capris elevados com pedilúvio a entrada;
 Construção de cercados para rotação de pastagem;
 A introdução de raças especializadas para carne, através de reprodutores e de
inseminação artificial;
 Fomento de pequenos ruminantes;
 Identificação e registo de animais para seleção dos melhores reprodutores;
 Disponibilidade de subprodutos de moageiras e de oleaginosas para rações de
engorda e suplementação na época seca;
 Estabelecer ligações de mercado;
 Controlo de doenças como a riquetsiose, parasitas gastrointestinais, coccidiose,
pasteurelose, paratuberculose, ectima contagioso e língua azul.

4.4. Frangos e ovos

Os sistemas de produção de frangos e ovos já são intensivos, por isso as ações para o
aumento de produção passam pelo aumento do número de produtores e de unidades de
produção. Os problemas principais são:
 Ineficiência da criação, por falta de aplicação das medidas de maneio corretas;
 Elevado custo do investimento inicial nas instalações;

10
 As unidades industriais que fornecem pintos do dia e rações estão localizadas em
Maputo, Manica e Nampula, e os custos de transporte para outras províncias
encarece o produto final;
 Preços altos dos insumos, rações principalmente, devido aos preços das matérias-
primas;
 Os subprodutos de moageiras e de oleaginosas para rações são a preços
especulativos;
 Fraca competitividade com os produtos importados, principalmente em termos de
preço e qualidade;
 Insuficiente controlo de doenças.

As intervenções principais para ampliar a cadeia de produção de frangos e ovos:


 Fomento da produção nas províncias com poucos produtores, com financiamentos
favoráveis para as infraestruturas;
 Treinamento dos produtores e seus empregados no maneio dos frangos;
 Estabelecer serviços de assistência veterinária, pública ou privada para assegurar
os programas de vacinações;
 Os Serviços de Veterinária devem fazer cumprir estritamente os regulamentos de
processamento em vigor para melhorar a qualidade;
 Reativar os esquemas cooperativos de produção de frangos e ovos para redução
dos custos intermédios da cadeia de valor;
 Restruturar a UGC, com a integração de pequenos avicultores comerciais, de forma
a tornar funcional toda o investimento que o Estado fez e aumentar a produção;
 Controlo das principais doenças das aves, através da aplicação dos esquemas já
definidos e da aplicação das medidas de biossegurança.

4.5. Reforço de Capacidade de Assistência Veterinária

Um dos constrangimentos comuns a quase todas as produções é a fraca assistência


veterinária aos produtores. Para obter o máximo rendimento das explorações pecuárias em
sistemas de produção mais intensificados, é fundamental priorizar a prevenção e o controlo
de doenças que limitam a expressão do potencial produtivo dos animais.

Presentemente a prevenção e o controlo de doenças é quase exclusivamente feita pelo


Estado que, por diversas razões, não consegue dar a cobertura e a segurança necessárias
aos efetivos pecuários.

Para melhorar a capacidade dos serviços de veterinária e a assistência veterinária aos


criadores, devem ser considerados os seguintes aspetos:

 Aquisição e manutenção de meios de transporte para os níveis provinciais e distrital


e dotá-los de recursos financeiros necessários para os trabalhos de campo;
 Recrutamento do pessoal técnico veterinário para o nível local e facilitar o
aparecimento de serviços de assistência veterinária privada, complementares aos
serviços públicos, privados ou integrados nas cooperativas;
 Construção e reabilitação de infraestruturas de assistência sanitária aos efetivos
pecuários (corredores e mangas de tratamento);

11
 Melhorar a cobertura vacinal de bovinos e de galinhas de 60% para 80% e de 15%
para 30% respetivamente;
 Baixar a prevalência da tuberculose bovina, de 24% para cerca de 1%, através do
abate e substituição de animais positivos ao teste da tuberculose. Fazer uso dos
animais dos programas de reprodutores e de fomento como instrumento de troca
para a substituição dos positivos;
 Melhorar a cobertura de banhos carracicidas, dos atuais 7 para 12
banhos/animal/ano;
 Melhorar os serviços de diagnóstico, através dos laboratórios provinciais.

4.6. Comercialização e Mercado de produtos de Origem Animal

As ações de intensificação dos sistemas de produção devem ser complementadas pelas


fases seguintes da cadeia de valores, como a comercialização e o mercado que
contribuem para a valorização do produto final. Deste modo são de considerar as
seguintes ações:

 Melhorar o circuito de comercialização de animais com a construção de


infraestrutura adequada para o efeito;
 Melhorar e construir estabelecimentos de abate de animais e processamento de
produtos de origem animal;
 Instalar capacidade laboratorial para controlo de qualidade, com destaque para a
qualidade de rações avícolas;
 Assegurar as inspeções e o controlo higio-sanitário dos estabelecimentos de
produção e processamento de produtos de origem animal;
 Apoiar o estabelecimento de circuitos de comercialização de animais, produtos
de origem e insumos veterinários.

4.7. Capacitações de criadores e técnicos

A capacidade técnica dos intervenientes é um dos fatores principais para o sucesso do


projeto de intensificação, por isso foi prevista uma intensa atividade de capacitação a
vários níveis e sobre diversas matérias.

 Treinar os criadores e técnicos sobre o maneio alimentar e reprodutivo. Este


treinamento deve incluir o maneio de pastagem, o sistema de vedações, a
identificação e registo individual de animais;
 Treino sobre o maneio sanitário dos animais com enfoque em vacinações
obrigatórias e facultativas, gestão de infraestruturas;
 Treino sobre controlo do movimento de animais e produtos de origem animal, saúde
pública (zoonoses, erradicação da raiva, higiene e qualidade) e medidas de
biossegurança nas explorações pecuárias. No caso específico das aves deve ser
dado destaque as medidas do vazio sanitário, incineração das aves mortas e
desinfeção de material infetado;
 Capacitar inspetores para o controlo da qualidade de alimentos processados;
 Capacitar em planos de exploração e de negócios, de forma a transmitir o valor da
intensificação da produção nos resultados do negócio;

12
 Treino e reciclagem de inseminadores;
 Produção de manuais para todas as áreas das capacitações.

4.8. Cooperativismo

A organização coletiva dos produtores é muito importante para que, as ações do governo
tenham mais impacto. Muitos países do mundo desenvolveram o setor agropecuário com
base em cooperativas. Estas organizações podem ser um parceiro válido para a
implementação de outros programas, depois de estarem consolidadas. O projeto de
intensificação, vai estimular o estabelecimento e o fortalecimento de cooperativas de
criadores de gado. As cooperativas devem integrar criadores de todos os setores, dando
garantias que os pequenos possam beneficiar dos serviços comuns que forem criados,
como a assistência veterinária, as capacitações, o melhoramento dos sistemas de
produção e o mercado.

As cooperativas são um meio de redução de custos por prestarem serviços comuns,


quando desenvolvidas podem gerir a produção de rações, o matadouro, o processamento
final e a rede de entrega ao mercado. Nestes casos os produtos entram no mercado a
preços competitivos.

O processo da organização coletiva de produtores é fundamental para:


 Facilitar as intervenções do Estado;
 Os criadores terem um representante que pode negociar com várias entidades;
 Organizar e executar as atividades que podem ser feitas coletivamente, como a
aquisição de insumos, capacitações e a engorda de animais;
 Prestar serviços comuns e especializados entre os quais a inseminação artificial, a
produção de feno e assistência veterinária;
 Estabelecer as ligações de mercado.

Para conseguir a organização coletiva dos criadores é necessário:


 Palestras de indução a nível provincial com os criadores sobre cooperativismo;
 Apoio na elaboração dos estatutos, com base na lei geral das cooperativas;
 Que o Estado canalize todos os apoios e programas de desenvolvimento através
das cooperativas, por forma a incentivar o interesse de filiação;
 Que as benesses fiscais que forem aprovadas, sejam para compras das
cooperativas, de modo a assegurar que os produtos não tenham fins diferentes da
produção pecuária.

4.9. Financiamento

O processo de intensificação da produção obriga a vários investimentos. Enquanto o


orçamento do Estado pode cobrir o trabalho dos técnicos dos Serviços de Veterinária nas
de promoção e fomento da intensificação, os criadores que aderirem deveriam poder
recorrer a um financiamento para instalar a capacidade de maneio melhorado das suas
explorações. Como forma de promover a apreciação dos modelos de investimentos, o
Estado vai apoiar as cooperativas a financiarem as infraestruturas e os insumos iniciais do
modelo piloto de bovinos e caprinos.

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No caso dos frangos e ovos é importante o aumento das unidades de produção e a
entrada de novos produtores, a via mais fácil é o acesso a um financiamento favorável.

O MASA deve encontrar uma forma de estabelecer, com as entidades competentes, uma
linha de crédito adequado para os criadores de gado.

5. Orçamento Indicativo

O orçamento indicativo é de cerca de 310 milhões de meticais (tabela 6), e está integrado
nos programas já existentes da DNSV e do MASA, como o programa de aumento de
produção e o PNISA.

Cerca de 100 milhões de meticais são para atividades a ser desenvolvidas diretamente
pelos serviços públicos como treinamento, organização de criadores, melhoramento do
gado, centros modelos de transferência de tecnologia e estabelecimento de serviços de
assistência de veterinária.

Os restantes 210 milhões devem ser colocados como crédito a ser financiado a criadores
que aderirem aos programas de intensificação e aos projetos cooperativos que visem
melhorar o processamento e a qualidade do produtos de origem animal no mercado,
assegurando a competitividade.

Tabela 6. Orçamento indicativo do setor pecuário e do programa de intensificação

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Orçamento/ Ano (MT)
ACÇÕES PRIORITÁRIAS Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Total

1. PROGRAMA DE VIGILANCIA E CONTROLO DE DOENÇAS 351 481 131 352 222 659 329 006 469 336 257 966 230 956 804 1 599 925 029
1.1. Assegurar a cobertura vacinal de gado bovino em 80% do
efectivo 58 128 131 62 141 739 66 476 429 71 157 894 76 213 912 334 118 105
1.2. Alargamento da cobertura vacinal de galinhas contra a
Doença de Newcatle, de 15 para 80% de cobertura vacinal
2 142 720 2 142 720 2 142 720 2 142 720 2 142 720 10 713 600
1.3. Implementar a Estratégia da Raiva 6 361 280 7 760 000 9 000 000 10 240 000 11 480 000 44 841 280
1.4. Alargamento da cobertura dos banhos carracicidas no
sector familiar, de 7 para 12 banhos/animal /ano – para a
prevenção e controlo de carraças e de doenças por elas
transmitidas 10 992 000 12 091 200 13 300 320 14 630 352 16 093 172 67 107 044
1.5. Construção e reabilitação de infra-estruturas de maneio
produtivo e sanitário 48 195 000 52 333 000 52 333 000 52 333 000 38 833 000 244 027 000
1.6. Redução da prevalência da Tuberculose bovina de 40% para
10% nos distritos de Govuro, Morrumbala, Buzi, Mutarara,
Mecanhelas e Machanga 225 662 000 215 754 000 185 754 000 185 754 000 86 194 000 899 118 000
2. PROGRAMA DE REFORÇO DE CAPACIDADE DOS
SERVIÇOS DE VETERINARIA 143 425 297 167 691 249 135 744 988 120 885 533 122 566 533 690 313 600
2.1. Aumento da Cobertura da Assisténcia Veterinária 116 733 684 154 878 636 122 190 376 111 254 570 111 254 570 616 311 836
2.2. Melhoramento da Rede de Frio dos Serviços de Veterinária
para a Conservação e Distribuição de Vacinas e Biológicos 4 200 000 2 550 000 897 000 897 350 897 350 9 441 700

2.3. Capacitação dos Laboratórios Provinciais de Diagnóstico 14 829 465 3 350 465 4 995 465 3 350 465 4 995 465 31 521 324
2.4. Reactivação da fiscalização veterinária para o controlo de
movimento de Animais, de Produtos e de Subprodutos de
Origem Animal 5 662 148 4 912 148 5 662 148 5 383 148 5 419 148 27 038 740
2.5. Revisão e Actualização da Legislação Veterinaria 2 000 000 2 000 000 2 000 000 - - 6 000 000

3. PROGRAMA DE APOIO A PRODUCAO E


COMERCIALIZAÇÃO 173 065 000 159 268 150 115 265 000 115 265 000 111 915 000 674 778 150
3.1. Construção de infraestruturas de comercialização e de abate
de animais e de processamento de carnes 71 510 000 71 510 000 74 210 000 74 210 000 72 860 000 364 300 000
Orçamento específico para Intensificação 101 555 000 87 758 150 41 055 000 41 055 000 39 055 000 310 478 150
3.2. Melhoramento da Produção Avícola 43 400 000 43 400 000 - - - 86 800 000
3.3. Melhoramento da Produtividade de Caprinos 1 925 000 1 925 000 1 925 000 1 925 000 1 925 000 9 625 000
3.4. Melhoramento da Produtividade do gado de corte no Sector
Empresarial 16 350 000 31 650 000 31 650 000 31 650 000 31 650 000 142 950 000
3.5. Fomento da produção de leite fresco 37 900 000 5 500 000 5 500 000 5 500 000 3 500 000 57 900 000
3.6. Capacitação do Sector Produtivo Comercial. 1 980 000 5 283 150 1 980 000 1 980 000 1 980 000 13 203 150
TOTAL 667 971 427 679 182 058 580 016 458 572 408 499 465 438 337 2 965 016 779

6. Resultados Esperados

Como resultado das ações de intensificação, espera-se que o atual défice no consumo
nacional de carne bovina, carne de pequenos ruminantes e frango seja coberto pela
produção nacional e, o crescimento anual da produção no ano 2015 seja de 12% para
bovinos, 15% para pequenos ruminantes, 20% para as carnes de pequenos ruminantes,
20% para frango, 7% para o leite e 20% para o ovo, como ilustrado na tabela 7.

Tabela 7: Resultados Esperados (2015-19)

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VOLUME DA PRODUÇÃO PECUÁRIA 2014-2019

Produção/Ano
Produtos Unidade de Medida 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Produto: Carne Bovina
Produção sem Intensificação Tonelada 11.125 12.000 12.960 13.997 15.117 16.326
Produção com Intensificação Tonelada 11.125 12.015 13.096 14.406 15.991 17.910
% Cresc. 3,3% 8,0% 9,0% 10,0% 11,0% 12,0%
Produto: Carne Suina
Produção sem Intensificação Tonelada 1.561 1.670 1.787 1.912 2.046 2.189
Produção com Intensificação Tonelada 1.561 1.717 1.906 2.135 2.423 2.786
% Cresc. 7,0% 10,0% 11,0% 12,0% 13,5% 15,0%
Produto: Carne de Pequenos Ruminantes
Produção sem Intensificação Tonelada 2.050 2.200 2.354 2.519 2.695 2.884
Produção com Intensificação Tonelada 2.050 2.460 2.952 3.542 4.251 5.101
% Cresc. 18,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0%
Produto: Frango
Produção sem Intensificação Tonelada 61.154 66.658 71.991 77.750 83.970 90.687
Produção com Intensificação Tonelada 61.154 68.492 78.081 90.574 106.878 128.253
% Cresc. 9,9% 12,0% 14,0% 16,0% 18,0% 20,0%
Produto: Leite
Produção sem Intensificação 1000 litros 2.114 2.156 2.199 2.243 2.288 2.334
Produção com Intensificação 1000 litros 2.114 2.220 2.342 2.482 2.644 2.829
% Cresc. 4,4% 5,0% 5,5% 6,0% 6,5% 7,0%
Produto: Ovo
Produção sem Intensificação 1000 duzias 8.865 8.870 9.580 10.346 11.174 12.068
Produção com Intensificação 1000 duzias 8.865 10.638 12.766 15.319 18.382 22.059
% Cresc. 18,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0% 20,0%

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7. Projecto de Centros de Engorda

A Intensificação da produção pecuária enquadra-se no contexto do plano quinquenal do


governo 2015-19, é consistente com o Plano Nacional de Investimento no Sector Agrário
(PNISA) e é um dos instrumentos de implementação do Plano Estratégico de
Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA) no subsector Pecuário. A intensificação visa
direcionar mais atenção e recursos para produtos com maior potencial de crescimento a
médio prazo (cinco anos) nas regiões ou zonas com maior potencial agro-ecológico ou
vantagens comparativas.

O programa de intensificação prevê a constituição de, pelo menos, uma Cooperativa de


criadores de gado de corte em cada província, para que as ações do governo tenham mais
impacto. Estas organizações podem ser um parceiro válido para a implementação de
outros programas, depois de estarem consolidadas. O programa de intensificação, vai
estimular o estabelecimento e o fortalecimento de cooperativas de criadores de gado de
todos os setores, dando garantias que os pequenos possam beneficiar dos serviços
comuns que forem criados, como a assistência veterinária, as capacitações, o
melhoramento dos sistemas de produção e o mercado.

Uma das infraestruturas comuns de maior impacto na comercialização de gado e qualidade


da carne é o Centro de Engorda (CdE).

O objetivo do Centro de Engorda é facilitar a comercialização de gado bovino e a melhoria


da qualidade da carne. A melhoria da carne que é oferecida ao mercado pode reduzir
substancialmente as importações.

Os criadores de gado integrados em cooperativas podem vender os seus animais ao CdE,


que melhora os pesos carcaça e a qualidade dos animais para abate, para depois coloca-
los no mercado a preços ligeiramente mais altos. Como tecnicamente é recomendado,
estes centros devem manter os animais em confinamento parcial ou total.

Estes Centros devem ter área, infraestruturas e equipamento que permitam a manutenção
de animais em confinamento por um período entre 3 a 5 meses. A quantidade de animais é
variável consoante o efetivo bovino e do sector produtivo de cada província.

Em princípio os meios de trabalho são os mesmos variando apenas a dimensão, que deve
ser ajustada ao possível número de animais que passam pelo CdE.

A relação dos meios necessários para um CdE são os seguintes:

A. Infraestruturas
 Cercados de adaptação, no mínimo 5;
 Comedouros (0,5 m linear por animal do lote);
 Bebedouros;
 Corredor de tratamento de 10 m com rampa de carga e descarga;
 Armazém para as matérias-primas para a ração;

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 Escritório;
 Local para as misturas das matérias-primas;
 Furo de água com tanque elevado e rede de distribuição;
 Alpendre para feno;
 Alpendre para o equipamento.

B. Equipamento
 Trator (65 HP);
 Atrelado (5 tons);
 Ceifeira e enfardadeira;
 Bomba de água;
 Moinho de martelos;
 Misturados (1 ton);
 Balança de gado com capacidade para 2.000 kg;
 Camião de transporte de animais de 7 tons.

C. Área (ha)
 As infraestruturas podem ser instaladas numa área entre 1 a 2 ha;
 5 Cercados de 2 ha como área de pastagem;
 10 a 20 ha para a produção de feno.

No total a área necessária para a instalação de um CdE varia entre 20 a 35 ha.

8.1. Funcionamento
Os cooperativistas (criadores de gado), comunicam a Cooperativa do interesse de vender
animais e esta envia o camião para transportar os animais para o CdE.

No CdE, os animais são pesados e o criador pago, ao preço estabelecido na assembleia


geral da Cooperativa. Os animais entram para um curral de receção no qual são sujeitos a
testes e cuidados sanitários. Depois de aprovada a entrada para a engorda, são colocados
em currais de acordo com o tamanho.

As Cooperativas deve ter um encarregado do CdE para fazer a gestão das atividades do
dia-a-dia. Aspeto importante é o aprovisionamento das matérias-primas para a ração e o
feno na época correta. A área de produção pode estar fora do Centro.

A alimentação é misturada no Centro e fornecida aos animais, de modo a conseguir um


ganho de peso na ordem de 0,750 a 1 kg por dia. Os animais muito pequenos são
colocados nos cercados de crescimento.

A venda é feita aos matadouros das existentes nas provincias ou distritos.

8.2. Programa de ação

Para o arranque da instalação de Centros de Engorda é imprescindível a constituição de


cooperativas de criadores de gado de corte nas províncias, já previstas no âmbito do
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programa de intensificação da produção pecuária. As províncias de Maputo e Gaza têm
cooperativas estabelecidas mas é necessário reativa-las. A província de Sofala é a única
que tem um Cooperativa ativa. Para estas três províncias é necessário apoiar a revisão
dos estatutos para abranger todos os criadores interessados, a luz da nova lei das
Cooperativas.

O papel do Estado (MASA) deve ser:

3. Mobilizar e capacitar os criadores de gado para se constituírem em Cooperativas;


4. Capacitar os cooperativistas nos princípios e vantagens dos Centros de Engorda;
5. Mobilizar os recursos e meios para o estabelecimento dos Centros de Engorda;
6. Assinar um memorando de entendimento (MdE), com responsabilidades das partes
para a gestão do Centro e das formas de pagamento do investimento.

O papel da Cooperativas:
1. Organizar os seus membros para as capacitações;
2. Identificar o local para a instalação do Centro de Engorda;
3. Discutir com o Estado as condições do MdE;
4. Contratar o encarregado do Centro.

A primeira fase do programa prevê a instalação de 5 Centros de Engorda nas províncias


de Gaza, Inhambane, Sofala, Zambézia e Nampula. A segunda fase será para a expansão
para as restantes províncias e mesmo para distritos com criadores organizados.

8.3. Orçamento

Os Centros de Engorda são expansivos a medida que aumenta a capacidade dos


criadores de gado de fornecer animais. Foi definido iniciar com um modelo com
capacidade para acomodar 100 bovinos. Para este modelo, no qual todo o investimento
em equipamento é feito, o orçamento é de 9.120.000,00 mt (nove milhões e cento e vinte
mil meticais), sendo 27% para infraestruturas e 73% para o equipamento. Qualquer
necessidade de expansão incide apenas na infraestrutura. O equipamento tem capacidade
para suportar um crescimento até 1000 animais, precisando apenas de expandir a
infraestrutura.

Para a implantação dos primeiros 5 CdE seria necessário o valor de 45.600.000,00 Mt.

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A tabela abaixo ilustra os detalhes dos custos principais de 1 CdE:

Tabela 1. Custos de instalação de Centro de Engorda


Itens Medida Quantidade Custo unit Custo total %
1. Infraestruturas
Cercados de 2 há - vedações km 2,6 105 000,00 273 000,00
Cercado do feno 20 ha km 1,8 105 000,00 189 000,00
Comedouros (0,5 m linear por animal do lote) m 50 2 000,00 100 000,00
Bebedouros (metros lineares) m 21 5 000,00 105 000,00
Corredor de tratamento de 10 m com rampa de carga e descarga Mt 1 150 000,00 150 000,00
Armazém para as matérias-primas para a ração LS 1 600 000,00 600 000,00
Escritório LS 1 200 000,00 200 000,00
Local para as misturas das matérias-primas LS 1 200 000,00 200 000,00
Furo de água com tanque elevado e rede de distribuição LS 1 350 000,00 350 000,00
Alpendre para feno LS 1 150 000,00 150 000,00
Alpendre para o equipamento LS 1 125 000,00 125 000,00
Subtotal 2 442 000,00 26,77%
2. Equipamento
Trator (65 HP) Mt 1 750 000,00 750 000,00
Atrelado (5 tons) 1 350 000,00 350 000,00
Ceifeira e enfardadeira 1 1 420 000,00 1 420 000,00
Bomba de água solar ou eólica 1 230 000,00 230 000,00
Moinho de martelos 1 170 000,00 170 000,00
Misturados (1 ton) 1 210 000,00 210 000,00
Balança de gado com capacidade para 2.000 kg 1 350 000,00 350 000,00
Camião de transporte de animais de 7 tons 1 3 200 000,00 3 200 000,00
Subtotal 6 680 000,00 73,23%
Custo total do Centro de Engorda 9 122 000,00 100,00%

8.4. Resultados Esperados


Os resultados das ações de um CdE são o aumento da produção de carne pelo aumento
do peso carcaça e a melhoria da qualidade da carne que pode satisfazer mercados que
preferem importar. Os CdE podem incrementar a produção de carne das zonas de
influência em cerca de 30%. As carcaças podem ter um aumento de até 50 kg em 3
meses.

Se todos os animais de abate das províncias de arranque do programa passarem pelos


CdE, a produção de carne pode aumentar em cerca de 1.000 ton, sem alterar o número de
animais abatidos.

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