CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS AMÉRICAS
RELATÓRIO DE AUTOMONITORAMENTO
SÃO PAULO- SP
2023
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PATRÍCIA LONGUI PEREIRA
RELATÓRIO DE AUTOMONITORAMENTO
Trabalho desenvolvido no Curso de Psicologia FAM, para a
disciplina Estágio Básico - Análise do Comportamento, sob
orientação da Professora, Dra. Carla Witter.
São Paulo- SP
2023
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RESUMO
Neste estudo, objetivou-se analisar o comportamento de uso excessivo de redes sociais,
com o intuito de reduzir significativamente o tempo dedicado a aplicativos como X, TikTok,
Facebook e Instagram. A abordagem adotada baseou-se em princípios de auto monitoramento,
incorporando estratégias do comportamento operante e respondente. O experimento consistiu em
duas fases: na Fase 1, realizou-se uma observação e registro do padrão de uso de redes sociais ao
longo de uma semana; na Fase 2, implementou-se o uso do recurso "Tempo de Uso" do iPhone,
com a definição de um limite diário de uma hora. A análise dos dados coletados proporcionará
insights sobre a eficácia dessas intervenções no sentido de promover um uso mais equilibrado
das redes sociais, considerando os aspectos comportamentais e emocionais envolvidos.
Palavras-chave: Redes Sociais. Comportamento de Uso. Intervenção Psicológica.
INTRODUÇÃO
O automonitoramento na psicologia comportamental é fundamentado na ideia de que os
indivíduos podem observar e controlar deliberadamente seu próprio comportamento para
alcançar metas específicas. Esse processo envolve a observação sistemática e o registro das
próprias ações, resultando no aumento da autoconsciência e na capacidade de modificar
comportamentos alinhados aos objetivos desejados.
A prática do automonitoramento na psicologia do comportamento tem suas raízes
teóricas no behaviorismo, que se concentra em comportamentos observáveis e mensuráveis. B.F.
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Skinner, uma figura proeminente nesse campo, influenciou a compreensão da modificação
comportamental, destacando a importância das interações ambientais e das consequências na
formação de padrões comportamentais. A teoria da aprendizagem social de Albert Bandura
contribui para a compreensão do automonitoramento como uma forma de auto observação, na
qual o indivíduo aprende por meio da observação e modelagem de seu próprio comportamento.
A teoria da autoeficácia de Bandura também se relaciona com o automonitoramento,
enfatizando a crença do indivíduo em sua capacidade de realizar comportamentos específicos
para atingir metas desejadas. Abordagens cognitivas, como a terapia cognitivo-comportamental,
complementam esses fundamentos ao destacar a importância da compreensão dos processos
cognitivos subjacentes aos comportamentos.
Os princípios de reforçamento, sejam positivos ou negativos, desempenham um papel
central nos fundamentos do automonitoramento, guiando o registro e a análise do
comportamento com base nas consequências que influenciam a ocorrência e a repetição de
comportamentos específicos.
No contexto da psicologia do comportamento, o automonitoramento é crucial para que os
indivíduos avaliem suas respostas a estímulos específicos e identifiquem padrões
comportamentais, contribuindo não apenas para a compreensão pessoal, mas também como
estratégia eficaz no manejo de condições psicológicas, como ansiedade, depressão e transtornos
de comportamento.
Este relatório descreve um experimento de auto monitoramento com o objetivo de reduzir
significativamente o tempo de uso de aplicativos de redes sociais, incluindo X, TikTok,
Facebook e Instagram. O comportamento alvo era limitar o tempo diário nessas plataformas para
uma hora, em comparação às quatro horas diárias antes do automonitoramento. O período de
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observação foi de 7 dias e o de automonitoramento foi de 14 dias, com estratégias específicas de
controle e reforço.
OBJETIVO
Avaliar a eficácia do automonitoramento na redução do tempo de uso de redes sociais ao
longo de 21 dias, aplicando os princípios comportamentais adquiridos na disciplina de estágio do
comportamento. Analisar padrões comportamentais, momentos críticos de utilização e
correlações com estados emocionais, utilizando estratégias de observação e reforço positivo.
MÉTODO
A participante sob investigação é P.L, 27 anos, formada em técnico de enfermagem,
praticante de musculação e cursa bacharelado em psicologia. Atualmente, encontra-se afastada
do mercado de trabalho devido a um pós-burnout não resolvido, originado por sua atuação na
linha de frente da pandemia de COVID-19 em 2021. Esse episódio desencadeou uma persistente
depressão, conduzindo ao isolamento social, no qual o celular se tornou seu principal meio de
conexão com a sociedade, resultando, consequentemente, em um vício no seu uso.
O presente estudo optou por empregar o método de automonitoramento para analisar o
padrão de utilização de redes sociais de P.L ao longo de um período de 14 dias. A coleta de
dados foi realizada por meio do recurso nativo "Tempo de Uso" no iphone, modelo XR,
responsável por registrar o tempo dedicado a aplicativos específicos. Essa abordagem permitiu
uma observação objetiva e sistemática dos hábitos de uso de redes sociais, evidenciando
momentos críticos de utilização.
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A implementação do automonitoramento envolveu a estipulação de um objetivo
específico: limitar o tempo diário dedicado a redes sociais para 1 hora por dia, em comparação
com as 4 horas anteriores ao início do estudo. Como reforço positivo, foi designado o consumo
de um Alfajor da marca Dr. Peanut sabor leite ninho sempre que o objetivo diário fosse
alcançado. Adicionalmente, o recurso "Tempo de Uso" foi configurado para aplicar um bloqueio
automático nos aplicativos de redes sociais após atingir a meta diária, restringindo, assim, o
acesso após uma hora de uso.
Os dados coletados foram submetidos a análises estatísticas descritivas para examinar a
diminuição do tempo de uso de redes sociais ao longo das 21 sessões de automonitoramento. A
atenção foi direcionada aos momentos de maior utilização, com o intuito de identificar padrões
comportamentais recorrentes e áreas passíveis de intervenção. Além disso, a análise considerou
os relatos subjetivos de P.L, observando possíveis mudanças em suas percepções de bem-estar e
produtividade ao longo do estudo.
RESULTADO
A análise do comportamento de P.L revela uma relação complexa entre seu uso excessivo
de celular e os desafios enfrentados devido à depressão e isolamento social. O celular,
inicialmente uma ferramenta de conexão, transformou-se em um meio de escape e compensação,
impactando sua produtividade e bem-estar geral. A compreensão detalhada de seus padrões
comportamentais proporcionou insights valiosos para o desenvolvimento de estratégias
personalizadas visando a redução do uso excessivo de celular e potencialmente melhorando sua
qualidade de vida.
Ao correlacionar os princípios do automonitoramento com o vício em redes sociais,
observamos uma interação complexa entre comportamento e reforço. Nos três níveis de
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felicidade propostos por Skinner, a busca incessante por reforços positivos, a evitação de
punições sociais e a adesão a comportamentos socialmente reforçados são identificadas como
possíveis impulsionadores do vício online. O automonitoramento oferece insights valiosos sobre
padrões de uso, revelando que momentos de espera e inatividade são pontos críticos para
intervenção. Ao ajustar contingências e reforçadores, é possível moldar comportamentos,
incentivando uma relação mais equilibrada com as redes sociais e mitigando os efeitos
prejudiciais do vício.
No início do automonitoramento, P.L utilizava o celular por aproximadamente 7 horas
por dia, sendo 4 horas destinadas às redes sociais, o que impactava negativamente em seu tempo
produtivo. Observou-se que os momentos de maior utilização ocorriam em situações de espera,
transporte ou quando não era possível realizar outras atividades.
Fase 1 -Semana observação sem intervenção.
Dia Dia 1 Dia 2 Dias 3 Dia 4 Dia 5 Dia 6 Dia 7
segunda terça quarta quinta sexta sábado domingo
Tempo diário 4 horas 4 horas e 4 horas e 3 horas e 6 horas e 6 horas 6 horas e
de uso da e 22 41 9 31 24 e 35 41
redes sociais minutos minutos minutos minutos minutos minutos minutos
Fase 2- 14 dias com uso de reforçador.
Semana 1
Dia Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4 Dia 5 Dia 6 Dia 7
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segunda terça quarta quinta sexta sábado domingo
Tempo diário 1 hora e 1 hora e 1 hora 1 hora 2 horas e 2 horas 1 hora e
de uso da 51 32 4 e 11 43
redes sociais
minutos minutos minutos minutos minutos
Semana 2
Dia Dia 8 Dia 9 Dia 10 Dia 11 Dia 12 Dia 13 Dia 14
Segunda terça quarta quinta sexta sábado domingo
Tempo diário 1 hora e 58 1 hora 1 hora e 1 hora 52 43
de uso da 15 minutos 11 minutos minutos
redes sociais
minutos minutos
CONCLUSÃO
À luz dos princípios behavioristas de B.F. Skinner, a análise do automonitoramento do
uso de redes sociais por P.L. revela nuances interessantes do comportamento online. A
identificação de padrões comportamentais, especialmente em momentos de ansiedade e
resistência a restrições nos fins de semana, sugere a influência significativa do ambiente e das
consequências nas escolhas do participante.
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O aumento no controle percebido ao final do automonitoramento pode ser interpretado
como uma adaptação do comportamento a contingências modificadas. Nesse contexto, P.L., ao
internalizar o processo, demonstra a capacidade do comportamento humano de aprender e se
ajustar em resposta a estímulos ambientais. A resistência aos bloqueios nos fins de semana, por
exemplo, pode ser entendida como a persistência de comportamentos previamente reforçados,
ressaltando a duradoura influência das contingências passadas. A correlação entre o estado
emocional e o aumento no uso de redes sociais alinha-se à teoria skinneriana de que as emoções
podem atuar como estímulos discriminativos, influenciando a probabilidade de comportamentos
específicos.
Dessa forma, este estudo, sob a perspectiva de Skinner, destaca a dinâmica adaptativa do
comportamento humano e a importância de uma abordagem contextualizada para a modificação
de comportamentos online. Ao promover a consciência do próprio comportamento e a
compreensão das contingências envolvidas, abre-se caminho para estratégias personalizadas que
visam não apenas à redução do vício em redes sociais, mas à promoção de escolhas mais
adaptativas e saudáveis no ambiente digital. A ênfase na identificação e análise dos momentos
críticos proporciona uma base sólida para intervenções específicas, alinhadas à compreensão das
contingências ambientais.
REFERÊNCIAS
Bandura, Albert. (1997) Self-Efficacy: The Exercise of Control.
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Moreira, M. B., & Medeiros, C.A. D. (2019). Princípios básicos de análise do
comportamento (2nd ed.). Grupo A. pag 155 - 182
[Link]
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