GUIA CLÍNICO
DE CREMES DENTAIS
Foto gentilmente cedida pelo Prof. Daniel Rosa.
GUIA CLÍNICO
DE CREMES DENTAIS
ANA CECÍLIA ARANHA • MARIANA BERALDO MAIA
RAQUEL MARIANNA LOPES
Título: Guia Clínico de Cremes Dentais
Autoras: Ana Cecília Aranha, Mariana Beraldo Maia e Raquel Marianna Lopes
Produção editorial e revisão de textos: Rafael Rodrigues
Diagramação: Mauricio Tramonti
Capa: Paulo Roberto R. Salomão
Foto da capa: Ana Cecília Aranha
1a edição
© 2022 Santos Publicações Ltda.
Todos os direitos reservados à Santos Publicações Ltda. Nenhuma par-
te desta publicação pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida
por quaisquer que sejam os meios – mecânico, fotocópia, eletrônico ou
outros –, sem a prévia permissão do Editor.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Aranha, Ana Cecília
Guia clínico de cremes dentais / Ana Cecília Aranha, Mariana Beraldo Maia,
Raquel Marianna Lopes. – – 1. ed. – – São Paulo : Santos Publicações, 2022.
Vários colaboradores.
Bibliografia
ISBN 978-65-86699-93-7
1. Dentes – Cuidados dentários 2. Fármacos e medicamentos 3. Promoção da
saúde 4. Odontologia (Odontologia preventiva e social) 5. Saúde bucal
I. Maia, Mariana Beraldo. II. Lopes, Raquel Marianna. III Título
21-78768 CDD-617.606
NLM-WU-166
Índices para catálogo sistemático:
1. Dentes : Odontologia preventiva : Ciências médicas 617.601
Eliete Marques da Silva – Bibliotecária – CRB-8/9380
Rua Apeninos, 664 – Paraíso | CEP 01533-000 – São Paulo
Tel.: (11) 5574-1200 | [Link]
Autoras
ANA CECÍLIA ARANHA
Ana Cecília Aranha é formada em Odontologia pela Univer-
sidade Estadual de Campinas (FOP/UNICAMP) e fez Mestrado
em Clínica Odontológica (Área de concentração em Dentística)
na mesma instituição. Em 2003, retornou à São Paulo, sua cida-
de natal, para fazer o Doutorado em Odontologia (Área de
Dentística) na Faculdade de Odontologia da Universidade de
São Paulo. Durante o seu doutoramento, participou de estágio
científico na Universidade de Aachen (Alemanha).
Além dos cursos de pós-graduação, stricto-senso, é especia-
lista em Dentística Restauradora pelo CRO/SP. Desde 2006, é
Professora do Departamento de Dentística da Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP), professo-
ra dos Cursos de Graduação e Pós-graduação da mesma insti-
tuição, corresponsável pelo Laboratório Especial de Laser em
Odontologia (LELO/FOUSP).
Em 2013, após concurso público, se tornou professora livre
docente do Departamento de Dentística da FOUSP. Ainda, é
revisora de periódicos nacionais e internacionais, possui mais
de 100 artigos publicados em Revistas Científicas Nacionais e
Internacionais, e é autora de 2 livros e 15 capítulos de livro,
com 18 Prêmios e Menções Honrosas recebidas.
Suas pesquisas focadas no uso do laser em odontologia,
lesões não cariosas, controle da dor de hipersensibilidade den-
tinária, agentes dessensibilizantes e cremes dentais voltaram
com frequência para as perguntas clínicas, com o objetivo de
trazer benefícios diretos para os cirurgiões-dentistas.
VI Guia Clínico de Cremes Dentais
Sua atuação clínica sempre teve como objetivo levar saúde
e qualidade de vida para os seus pacientes, com atendimento
humanizado e baseado em evidências científicas. Coordena o
[Link] (Grupo de Pesquisa, Ensino e Clínica em Hipersen-
sibilidade Dentinária.
Após 15 anos em Regime de Dedicação Integral à Docência
e à Pesquisa, em 2020, solicitou a redução da sua carga horária
na FOUSP. A partir de 01/10/20, passou a ser professora em
regime de turno completo (RTC), inaugurando assim a São
Paulo Dental Studio, um novo conceito de consultório odonto-
lógico, centro de treinamento e espaço de co-working odonto-
lógico. Após o lançamento do guia clínico “Lasers na Prática
Clínica Diária” pela Santos Publicações, apresenta uma nova
obra baseada nas inúmeras perguntas que há anos vem rece-
bendo de colegas dentistas e alunos. Continuando com o seu
propósito de compartilhar conhecimento, apresenta, junto ao
seu grupo, [Link], mais uma obra, agora baseada na pres-
crição individualizada dos cremes dentais.
VIII Guia Clínico de Cremes Dentais
Autoras IX
MARIANA BERALDO MAIA
Mariana Beraldo Maia nasceu na cidade de Varginha-MG, onde
morou até os 17 anos. Nessa idade se mudou para Belo Horizonte,
onde graduou-se em Odontologia pela Faculdade de Odontolo-
gia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com período
sanduíche nos Estados Unidos pela Western Kentucky University
(WKU). Durante um ano e meio vivendo no exterior ainda cursou
um semestre de inglês pela University of Northern Iowa (UNI) e
participou do Multidisciplinary Oral Science Training – MOST Pro-
gram, na University of Illinois at Chicago (UIC), que acontece duran-
te as férias de verão, correspondente ao período de maio a agosto,
e é coordenado pela brasileira Profª Dra. Ana Karina Bedran-Russo,
e desenvolveu um projeto no Center of Wound Healing and Tissue
Regeneration, orientado pela Profª Dra. Luisa DiPietro, que deu
origem ao seu primeiro artigo publicado. Ao retornar para o Brasil
em 2016, através do primeiro livro do Prof. Paulo Vinícius Soares,
conheceu a Profa. Ana Cecília Aranha, e aí surgiu o sonho de realizar
pós-graduação orientada por ela. Entre esse período, fez aperfei-
çoamento em Dentística em Belo Horizonte, coordenado pelos
professores Ricardo Reis e Lincoln Lanza, a quem sempre será grata
por a terem feito se apaixonar por essa especialidade. Em 2018,
após graduar-se, iniciou um curso de aperfeiçoamento em Implan-
te e Prótese sobre implantes na FUNDECTO-SP, coordenado pelo
Prof. Ivo Contin, do qual hoje é colaboradora. Nesse período, ini-
ciou a pós-graduação com a Profa. Ana Cecília Aranha. Hoje, tem
mestrado em Odontologia, com área de concentração em Dentís-
tica pela Universidade de São Paulo (FOUSP) e é doutoranda do
mesmo programa. O foco dos seus estudos são os cremes dentais
dessensibilizantes e antierosivos, e os resultados desse a fizeram se
apaixonar pelo tema e ter o desejo de desenvolver esse livro, em
parceria com os colegas e amigos do [Link] (Grupo de Pesqui-
sa, Ensino e Clínica em Hipersensibilidade Dentinária) e renomados
professores colaboradores, para que todos os cirurgiões-dentistas
tenham a capacidade de conhecer e entender a composição desse
produto que é tão importante.
X Guia Clínico de Cremes Dentais
Autoras XI
RAQUEL MARIANNA LOPES
Raquel Marianna Lopes é paulista e formada em Odontolo-
gia pela Universidade de São Paulo em 2012. Ainda na gradua-
ção, fez um estágio científico internacional na Queen Mary Uni-
versity of London (QMUL) em âmbito hospitalar e pôde observar
diferentes formas de atuação em odontologia.
Ao conhecer a professora Ana Cecília Corrêa Aranha, que
era presidente da comissão de relações internacionais, desen-
volveu profunda admiração pela mesma e decidiu que seguiria
a carreira de pós-graduação sob sua orientação. Dessa forma,
realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado sob supervisão
da Profa. Ana Cecília, na Universidade de São Paulo.
Durante o doutorado, com bolsa FAPESP, realizou um está-
gio científico internacional em Indiana University – Purdue Uni-
versity Indianapolis. Essa imersão proporcionou a produção de
inúmeros artigos publicados em periódicos nacionais e interna-
cionais, assim como a participação em congressos nacionais e
internacionais. O estágio realizado no Departamento de Mate-
riais Dentários, sob supervisão da Professora Sabrina Feitosa,
foi focado em caracterizar os cremes dentais para aprofundar os
conhecimentos e complementar seus dados obtidos no estudo
in situ realizado no Brasil.
Estuda cremes dentais, agentes dessensibilizantes e antiero-
sivos, hipersensibilidade dentinária, desgaste dental erosivo e
lasers desde 2012. Possui habilitação em laserterapia pelo Labo-
ratório Especial de Laser em Odontologia (LELO) desde 2013.
Atualmente é professora da graduação de Dentística, Es-
cultura e Anatomia Dental da Universidade Ibirapuera (UNIB),
além dos cursos de extensão “Imersão em Clareamento Den-
tal”, “Lasers em Odontologia”, “Lesões Cervicais não Cario-
sas e Hipersensibilidade Dentinária” e “Escultura Dental” da
mesma instituição. É membro do grupo de pesquisa GPEC.
HD (Grupo de Pesquisa, Ensino e Clínica em Hipersensibili-
dade Dentinária) da FOUSP. Atua como revisora de periódi-
XII Guia Clínico de Cremes Dentais
cos, tem alunos de iniciação científica, de TCCs e participa
de bancas de TCC, mestrado e doutorado e colaborou com
muitos capítulos de livros.
Possui experiência em prescrição individualizada de cremes
dentais desde que iniciou seus estudos na pós-graduação em
2013. Esse encantamento com cremes dentais fez com que
surgisse o convite para desenvolver esta obra. O grande desa-
fio de levar ao público informação acessível e de qualidade foi
a proposta que a motivou a entregar o melhor conhecimento
que tem acumulado durante todos estes anos sobre seu assun-
to preferido: cremes dentais!
Colaboradores Convidados
JAIME APARECIDO CURY
Graduado em Odontologia pela Universi-
dade Estadual de Campinas. Mestre em
Ciências (Bioquímica) pela Universidade
Federal do Paraná. Doutor em Ciências
Biológicas (Bioquímica) pela Universidade
de São Paulo. Pós-doutorado pela Univer-
sidade de Rochester, EUA. Atualmente é
Professor Titular de Bioquímica da Facul-
dade de Odontologia de Piracicaba (FOP-Unicamp). Tem am-
pla experiência na área de Odontologia, com ênfase em Cario-
logia, atuando principalmente nos seguintes temas: flúor,
biofilme dental.
MARIA LUIZA DE MORAES
OLIVEIRA
Especialista em Dentística e Saúde Coletiva
e em Dentística pela The University of Iowa.
Mestre em Dentística pela The University of
Iowa. Professora da Faculdade de Odonto-
logia da Universidade Federal de Minas
Gerais (FOUFMG).
Autora dos livros “Manutenção Preventiva
em Pacientes com Restaurações Estéticas” e “Adequações no
Protocolo Preventivo em Pacientes com Restaurações Estéti-
cas” (e-book).
XIV Guia Clínico de Cremes Dentais
LUMA FABIANE ALMEIDA
Graduada em Odontologia pela Universi-
dade Estadual de Montes Claros (Unimon-
tes), com período sanduíche na Western
Kentucky University (WKU). Estágio em
Pesquisa Odontológica na University of
Maryland (UM). Mestre em Odontologia,
área de concentração Cariologia, pela Fa-
culdade de Odontologia de Piracicaba
(FOP-Unicamp). Doutoranda em Clínicas Odontológicas na
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG).
Professora da Faculdade de Ciências Odontológicas (FCO).
DANIEL ROSA
Especialista em Dentística. Professor de
Fotografia Odontológica do Instituto ARIA.
Colaboradores [Link]
Grupo de Pesquisa, Ensino e Clínica em
Hipersensibilidade Dentinária
ANDREA TOLENTINO
Graduada em Odontologia pela Faculda-
de de Odontologia da Universidade de
Uberlândia (FOUFU). Doutoranda do De-
partamento de Dentística na Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Pau-
lo (FOUSP).
BRHUNA MAGNAGO
Graduada em Odontologia pela Faculda-
de de Odontologia da Universidade de
São Paulo (FOUSP). Estágio durante a Gra-
duação no Academic Center for Dentistry
Amsterdam (ACTA), Holanda. Mestranda
em Dentística na Faculdade de Odontolo-
gia da Universidade de São Paulo (FOUSP).
CAMILA CARDOSO CABRAL
Graduada pela Faculdade de Odontologia
da Universidade de São Paulo (FOUSP).
Doutoranda em Laser em Odontologia
pela Faculdade de Odontologia da Univer-
sidade de São Paulo (FOUSP).
XVI Guia Clínico de Cremes Dentais
LAURA FARIA SCHIMENES
Graduanda da Faculdade de Odontologia
da Universidade de São Paulo (FOUSP).
Aluna de Iniciação Científica pelo Departa-
mento de Dentística da Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Pau-
lo (FOUSP).
MARCELLA RODRIGUES UEDA
FERNANDES
Cirurgiã-Dentista, Especialista e Mestre em
Ortodontia pela Faculdade de Odontologia
São Leopoldo Mandic. Doutoranda na área
de Laser em Odontologia na Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo
(FOUSP). Professora Assistente dos cursos
de Especialização e Mestrado em Ortodontia da Faculdade de
Odontologia São Leopoldo Mandic. Pesquisadora na área de Or-
todontia e Laser em Odontologia.
MARIA EDUARDA PERES
Aluna de Graduação em Odontologia pela
Faculdade de Odontologia da Universidade
de São Paulo (FOUSP). Aluna de Iniciação
Científica pelo Departamento de Dentística
da Faculdade de Odontologia da Universi-
dade de São Paulo (FOUSP). Diretora Cien-
tífica da Liga Interdisciplinar de Odontolo-
gia Digital (LIOD-USP) e da Liga Acadêmica de Endodontia
(LAE-USP). Diretora Científica do Congresso Universitário Brasilei-
ro de Odontologia (CUBO-FOUSP), no período de 2019-2020.
Colaboradores XVII
MARIANA RODRIGUES CESAR
CARNEIRO TEIXEIRA
Graduada em Odontologia pela Faculda-
de de Odontologia da Universidade de
São Paulo (FOUSP). Atualmente, atua em
consultório particular.
MIRIAN LUMI YOSHIDA
Graduada em Odontologia pela Faculda-
de de Odontologia da Universidade de
São Paulo (FOUSP). Estágio Sanduíche du-
rante a Graduação na Queen Mary Univer-
sity of London (QMUL). Mestre em Ciên-
cias, área de concentração Dentística, pela
Faculdade de Odontologia da Universida-
de de São Paulo (FOUSP). Doutoranda em Dentística na FOUSP
e Especializanda em Prótese Dentária (ABO-Osasco).
SAMIRA HELENA NIEMEYER
Graduada pela Faculdade de Odontolo-
gia da Universidade de São Paulo
(FOUSP). Mestre e Doutora pelo Progra-
ma de Odontologia, área de concentra-
ção em Dentística, da FOUSP, com está-
gio científico na Universidade de Berna,
Suíça. Atualmente é dentista assistente
no Departamento de Odontologia Restauradora, Preventiva e
Odontopediatria da Universidade de Berna, Suíça.
XVIII Guia Clínico de Cremes Dentais
STEPHANIE A. GARÓFALO
Graduada pela Faculdade de Odontolo-
gia da Universidade de São Paulo (FOUSP).
Especialista em Periodontia pela FUN-
DECTO USP. Professora Assistente do cur-
so de Especialização em Periodontia da
FUNDECTO USP. Doutora em Laser em
Odontologia pela Universidade de São
Paulo (FOUSP) e pela Universidade RWTH (Aachen, Alemanha).
VICTOR HUGO TORSO
Graduado em Odontologia pela Faculda-
de de Odontologia de Piracicaba (FOP-
-UNICAMP). Mestre em Materiais Dentá-
rios pela Faculdade de Odontologia de
Piracicaba (FOP-UNICAMP). Doutorando
em Dentística pela Faculdade de Odonto-
logia da USP (FOUSP).
VINÍCIUS MAXIMIANO
Graduado pela Faculdade de Odontolo-
gia da Universidade de São Paulo (FOUSP).
Mestre em Ciências, área de concentração
em Lasers, pela Faculdade de Odontolo-
gia da USP. Doutorando em Dentística
pela Universidade de São Paulo (FOUSP),
com estágio sanduíche pela State Univer-
sity of New York at Buffalo (SUNY – Estados Unidos).
Agradecimentos
ANA CECÍLIA ARANHA
Agradecer é uma oração diária. E são tantos agradeci-
mentos neste momento.
Agradeço à Mariana, por me apresentar este projeto, e à
Raquel, que se entregaram neste projeto com coragem e
determinação, aos colaboradores pela parceria e a todos os
membros do [Link], que vibraram com a possibilidade
de ver nosso trabalho de grupo concretizado aqui.
À Santos Publicações, em especial ao Rui e à Vânia que
confiaram, pela segunda vez, no meu trabalho.
Aos meus pais, Luiz Márcio (in memoriam, mas sempre co-
migo) e Lúcia Helena, e aos meus sogros, Carlos Roberto e
Maria do Carmo, minhas inspirações, apoio e ajudas diárias.
Aos amores da minha vida, Eduardo, Isabel e Beatriz.
Com vocês, tudo tem mais sentido, mais cor e amor.
MARIANA BERALDO MAIA
Agradeço a Deus por me abençoar e me guiar em mais
uma etapa.
À Ana Cecília por todo acolhimento, orientação e por fa-
zer este sonho acontecer.
À Raquel por aceitar participar deste projeto e abraçá-lo
conosco.
XX Guia Clínico de Cremes Dentais
Aos amigos do [Link] e aos colaboradores, Maria Lui-
za, Jaime Cury, Luma e Daniel, por aceitarem prontamente
o nosso convite e trabalharem com tanta dedicação.
À Santos Publicações, por confiar e acreditar nesse projeto.
Àqueles que já não estão mais aqui hoje, meu pai Ique,
minha avó Miriam e meu avô Walter, meus anjos da guarda,
fontes de inspiração e coragem. Vocês nunca serão ausen-
tes, vocês são presentes, vocês são eternos.
À minha família, meu cunhado Cadu, meu amor Johnson
e as minhas maiores incentivadoras, melhores amigas e por-
to seguro, minha mãe Carla e a minha irmã Camila.
RAQUEL MARIANNA LOPES
Agradeço a Deus por me proporcionar essa relação de
amor à minha profissão.
À Professora Ana Cecília por me apresentar esse universo
dos cremes dentais e dar asas ao meu conhecimento e mi-
nha sede de pesquisa.
À Mariana, que me envolveu nesse sonho, que agora
também é meu!
A todos os amigos do [Link] e colaboradores que fa-
zem parte desse lindo projeto com tanto empenho.
À Santos Publicações, por acreditar em nosso potencial.
Aos meus pais, que me ajudam a exercer a função de
mãe, professora, pesquisadora e dentista ao mesmo tempo
e são minhas maiores inspirações.
Ao Leandro, meu marido e grande amor, e à nossa bebê,
Nathalia, que é a luz da nossa vida!
CAPÍTULO 6 – Referências Bibliográficas XXI
Introdução
Atualmente, uma grande diversidade de dentifrícios conten-
do diferentes componentes ativos em suas formulações está
disponível no mercado brasileiro. Por conta da falta de clareza
na composição química e nas indicações clínicas nas embala-
gens desses produtos, somada à falta de informação e conhe-
cimento, muitos cirurgiões dentistas enfrentam dificuldades
em encontrar o creme dental mais indicado para cada situação
clínica.
Talvez você ainda não tenha compreendido a importância
da prescrição dos cremes dentais. Sim, falaremos em PRES-
CRIÇÃO. Essa deve estar sob responsabilidade dos profissio-
nais da odontologia, e não dos profissionais do marketing
das empresas farmacêuticas. Assim, essa obra tem como ob-
jetivo apresentar a composição e as características gerais dos
cremes dentais e olhar para esse produto não somente como
um agente cosmético, mas um produto preventivo e tera-
pêutico. Além disso, fazer entender os efeitos dos inúmeros
ingredientes ativos presentes nos cremes dentais e os riscos
e benefícios de suas adições em diferentes casos e doenças.
Acredita-se que os brasileiros sejam o terceiro maior mer-
cado consumidor de dentifrícios do mundo, com um consu-
mo de 600 gramas por ano, estando atrás apenas dos Estados
Unidos e do Japão1. Quando se trata de dinheiro público
gasto em higiene pessoal, os cremes dentais e as escovas
ocupam um dos primeiros lugares nessa fila de prioridades1.
Introdução XXIII
Porém, diversas são as questões que nos preocupam e nos
fizeram escrever este livro. Qual o método de escolha dos
dentifrícios pelos consumidores (aqui entende-se como con-
sumidores, pacientes e cirurgiões-dentistas)? A embalagem?
Cor? Sabor? Marca comercial? Será que os cremes dentais es-
colhidos pelos nossos pacientes, muitas vezes sem a orienta-
ção profissional, são os ideais para o seu quadro clínico espe-
cífico? Qual a concentração e a forma de entrega de fluoreto
desses cremes dentais? E o princípio ativo principal? São mui-
tas informações, semelhanças e diferenças entre eles, e isso
pode trazer uma certa insegurança na correta prescrição.
Os cremes dentais podem apresentar em sua composição
diferentes componentes ativos (preventivos e terapêuticos),
tipos de flúor, quantidade de flúor, abrasividade e pH. Há
dentifrícios anticárie, antiplaca/antigengivite, antitártaro, re-
movedores de manchas/clareadores, infantis e para dentes
sensíveis. Então como avaliá-los e definir qual será o dentifrí-
cio de escolha?
Quando passarmos a reconhecer todas as especificidades
do produto, como composição química e indicações clínicas,
daremos a devida importância à prescrição individualizada.
Além de darmos ênfase aos componentes preventivos e
terapêuticos e aos componentes ativos adicionados aos cre-
mes dentais, considerando risco-benefícios para a saúde bu-
cal, abordaremos também uma breve história dos cremes
dentais e os seus componentes essenciais, de modo que
você os conheça e entenda a função e importância de deter-
minada composição. Os termos “creme dental” e “dentifrí-
cio” serão usados indistintamente ao longo do livro.
A partir da leitura desta obra, esperamos que você leitor
compreenda a importância da prescrição individualizada e
XXIV Guia Clínico de Cremes Dentais
como as técnicas de prevenção e de tratamento realizados
no consultório odontológico podem ser beneficiados quan-
do entendemos os princípios ativos dos cremes dentais e os
utilizamos a nosso favor. Sem conflitos de interesse ou inter-
venções das indústrias farmacêuticas e cosméticas, idealiza-
mos este livro a partir dos resultados de uma série de pes-
quisas científicas que o nosso grupo de pesquisa, o GPEC.
HD (Grupo de Pesquisa, Ensino e Clínica em Hipersensibili-
dade Dentinária), tem realizado em parceria com pesquisa-
dores nacionais e internacionais a quem desde já agradece-
mos. Da mesma forma, percebemos a grande quantidade
de dúvidas entre alunos e colegas e a falta de um material
de apoio que englobasse as diferentes tipos de cremes den-
tais, suas indicações clínicas e as evidências científicas rela-
cionadas.
O objetivo deste livro não foi criar uma receita simples de
prescrição, mas sim, fazermos o leitor entender os diferentes
ingredientes ativos e prescrevê-los de forma descomplica-
da, individualizada e consciente.
Desejamos a todos uma ótima leitura!
As autoras
Nota das Autoras XXV
Nota das Autoras
As fotos e tabelas apresentadas ao longo desta obra têm
como objetivo ilustrar os dentifrícios disponíveis no mer-
cado brasileiro e facilitar a identificação deles. As fotos
são meramente ilustrativas e muitas vezes não contempla-
rão todos os produtos disponíveis daquele ingrediente
ativo específico. Os dentifrícios estarão ordenados muitas
vezes dentro das suas categorias ou marcas comerciais.
Ao longo do tempo, observaremos mudanças nas compo-
sições, embalagens, nomes ou formas de entrega dos
dentifrícios apresentados. Essas variações são comuns, já
que muitos dentifrícios são modificados depois de um pe-
ríodo e lançados e relançados com uma nova estratégia
de marketing pelas empresas farmacêuticas.
A ideia não é apresentar uma receita pronta aos leitores,
mas sim apresentar os dentifrícios comercialmente dispo-
níveis no mercado brasileiro e entender seus ingredientes
ativos principais, para que assim possamos prescrever in-
dividualmente e com consciência.
Declaramos não haver conflito de interesse ou qualquer
intervenção das empresas farmacêuticas nesta obra.
As autoras
Foto gentilmente cedida pelo Prof. Daniel Rosa.
Prefácio
Sinto-me honrada e orgulhosa de fazer o prefácio dessa
obra tão importante, escrita essencialmente por mulheres
admiráveis, modernas e inovadoras.
Quando Ana Cecília Aranha, Raquel Marianna Lopes e Ma-
riana Beraldo Maia me convidaram para esta missão, sabia
que era uma obra que traria enorme contribuição à Ciência e
à Prática Clínica do Profissional da área de Odontologia.
O Guia Clínico de Cremes Dentais é uma ideia fantástica,
pois baseado em consistentes informações científicas expli-
cita realmente que os cremes dentais devem ser prescritos
pelos profissionais, e não simplesmente serem indicados de
forma aleatória.
O Guia conta com colaboradores e estudiosos na área
e, de forma inteligente, foi dividido em cinco capítulos: (1)
Conhecendo os dentifrícios: características gerais; (2) Co-
nhecendo e entendendo as categorias dos dentifrícios; (3)
Descomplicando a prescrição individualizada dos dentifrí-
cios; (4) Inserção dos conteúdos de prevenção e produtos
de higiene oral na grade curricular das faculdades de
odontologia no Brasil; (5) Como conversar com o paciente
e individualizar a prescrição dos dentifrícios?, sendo os ca-
pítulos 1, 2 e 3 compostos por 24 partes. Evidencia-se que
a escolha dos temas, seções e capítulos foi cuidadosa-
mente pensada pelas autoras para agregar valor à prática
clínica e correta prescrição dos cremes dentais.
XXVIII Guia Clínico de Cremes Dentais
Ressalto novamente minha alegria em apresentar uma
obra que certamente fará grande diferença na rotina dos
profissionais da área, beneficiando significativamente nos-
sos pacientes.
Desejo-lhes muito sucesso e considero essa obra uma lei-
tura obrigatória para todos os profissionais.
Abraços afetuosos!
Sandra Kalil Bussadori
Apresentação
Doutor, qual creme dental o senhor indica?
Qual de nós dentistas já não ouviu esta pergunta pelo
menos uma vez em cada um de nossos dias de trabalho? E
durante décadas, a resposta certamente foi guiada por pre-
ferências pessoais, por parcerias profissionais com determi-
nada marca ou até mesmo por uma certa conveniência com
o que a mídia fazia parecer ser melhor e mais indicado. Afi-
nal, por que eu, justo eu, não indicaria “a marca mais indica-
da pelos dentistas”?
Quem diria que chegaria o momento em que ao ouvir
esta pergunta, nós agora responderíamos: depende! Vamos
ver qual o creme dental mais indicado para você. E não só
este dia chegou como estou aqui, tendo o privilégio de pre-
faciar este Guia Clínico de Cremes Dentais, das professoras
Ana Cecília Aranha, Mariana Beraldo Maia, Raquel Marianna
Lopes e que conta ainda com a colaboração de grandes no-
mes, como o Prof. Jayme Cury e a Profa. Maria Luiza de
Moraes Oliveira.
Ao ler a apresentação da obra pelas autoras já fiquei an-
sioso para receber o livro. E imagino que assim será com
todos que lerem e tomarem ciência da diversidade de infor-
mações que deveríamos ter como profissionais para poder
prescrever corretamente um dentifrício a nossos pacientes.
Vivemos um momento de grandes mudanças na Odonto-
logia, onde deixamos de simplesmente abordar a lesão e
XXX Guia Clínico de Cremes Dentais
repará-la, e passamos a pesquisar as causas e os fatores
etiológicos individuais que levaram a sua instalação e, mui-
tas vezes, recidiva. A professora Ana Cecília, inicialmente à
frente do LELO e mais recentemente coordenando o GPEC.
HD, é com certeza uma das profissionais que junto a sua
equipe e orientados trabalha exemplarmente dentro destes
princípios, particularmente na área das lesões cervicais e da
hipersensibilidade dentinária. Com linhas de pesquisas bas-
tante amplas, que incluem diagnóstico e tratamento de le-
sões cervicais, protocolos de dessensibilização, cremes den-
tais, uso de lasers em Odontologia e principalmente, uma
equipe de trabalho absolutamente comprometida e afina-
da, este trabalho intenso e muito bem direcionado já ren-
deu inúmeras publicações entre artigos e capítulos em li-
vros. Nos surpreende agora com esta obra até então quase
que impensável. Um Guia para a prescrição individualizada
de cremes dentais.
Junto às Profas. Mariana e Raquel, pesquisadoras e pro-
fundas conhecedoras de cremes dentais, a Profa. Ana Cecí-
lia, com o lançamento deste Guia Clínico, certamente cau-
sará um grande impacto na classe odontológica. Passaremos
a ter definitivamente muito mais informações sobre um tema
até então considerado secundário, de pouca relevância,
condicionado às informações que recebíamos dos propa-
gandistas das indústrias. Uma obra que já começa interes-
sante e surpreendente na apresentação e que, tenho certe-
za, mudará não só a maneira como o profissional passará a
entender e a valorizar os cremes dentais, mas também como
os pacientes destes dentistas passarão a visualizar e valori-
zar os novos tempos da Odontologia.
José Carlos Garófalo
Sumário
CAPÍTULO 1 – CONHECENDO OS DENTIFRÍCIOS:
CARACTERÍSTICAS GERAIS................................................ 3
PARTE 1 – A História dos Dentifrícios..................................... 4
PARTE 2 – Informações Gerais dos Dentifrícios...................... 10
PARTE 3 – Entendendo como o Fluoreto Interfere na
Cárie Dental: Desmistificando seu Efeito Sistêmico............... 42
CAPÍTULO 2 – CONHECENDO E ENTENDENDO AS CATEGORIAS
DOS DENTIFRÍCIOS............................................................ 59
PARTE 1 – Dentifrícios Anticárie............................................. 62
PARTE 1.1 – Dentifrícios com Alta Concentração
de Fluoretos........................................................................... 70
PARTE 2 – Dentifrícios Antiplaca/Antigengivite...................... 76
PARTE 3 – Dentifrícios Antitártaro.......................................... 85
PARTE 4 – Dentifrícios Removedores de
Manchas Extrínsecas............................................................... 87
PARTE 5 – Dentifrícios Dessensibilizantes.............................. 101
PARTE 5.1 – Dentifrícios Antierosivos..................................... 116
PARTE 6 – Enxaguantes Bucais............................................... 131
Dentifrícios Disponíveis no Mercado Brasileiro...................... 143
XXXII Guia Clínico de Cremes Dentais
CAPÍTULO 3 – DESCOMPLICANDO A PRESCRIÇÃO INDIVIDUALIZADA
DOS DENTIFRÍCIOS
De acordo com o perfil ou grupos
em que o paciente se insere............................................... 167
INTRODUÇÃO – Prescrição e Recomendação
Individualizada........................................................................ 168
PARTE 1 – Pacientes com Lesões Não Cariosas e
Hipersensibilidade Dentinária................................................. 169
PARTE 2 – Pacientes Odontopediátricos ............................... 174
PARTE 3 – Pacientes Atletas Amadores
e Profissionais......................................................................... 183
PARTE 4 – Pacientes com Restaurações em
Resina Composta ou Cerâmica............................................... 188
PARTE 5 – Pacientes em Tratamento Ortodôntico.................. 206
PARTE 6 – Pacientes com Alto Risco de
Desenvolvimento de Lesões Cariosas..................................... 214
PARTE 7 – Pacientes Sistemicamente Comprometidos............... 217
PARTE 8 – Pacientes que Apresentam
Efeitos Adversos a Alguns Componentes
dos Dentifrícios...................................................................... 222
PARTE 9 – Pacientes Realizando Clareamento Dental.............. 225
PARTE 10 – Pacientes com Halitose ....................................... 227
PARTE 11 – Pacientes com Preferências por
Dentifrícios com Componentes Fitoterápicos
e Extratos Naturais................................................................. 232
PARTE 12 – Pacientes Periodontalmente
Comprometidos ..................................................................... 238
Sumário XXXIII
CAPÍTULO 4 – INSERÇÃO DOS CONTEÚDOS DE PREVENÇÃO E
PRODUTOS DE HIGIENE ORAL NA GRADE
CURRICULAR DAS FACULDADES DE
ODONTOLOGIA NO BRASIL.............................................. 247
CAPÍTULO 5 – COMO CONVERSAR COM
O PACIENTE E INDIVIDUALIZAR A PRESCRIÇÃO
DOS DENTIFRÍCIOS?.......................................................... 255
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 267
Foto gentilmente cedida pelo Prof. Daniel Rosa.
CAPÍTULO 1
CONHECENDO
OS DENTIFRÍCIOS:
CARACTERÍSTICAS
GERAIS
PA R T E 1
A História dos Dentifrícios
Mariana Beraldo Maia
Raquel Marianna Lopes
Ana Cecília Aranha
Dentifrícios, cremes dentais ou pasta de dentes, todos se
referem ao mesmo produto, e desde os primórdios de nossa
origem, o ser humano sentiu a necessidade de realizar sua hi-
giene bucal. Por volta de 3.000 a 5.000 a.C, os antigos egípcios
desenvolveram um “creme dental” que continha cinzas em pó
de cascos de boi, mirra, cascas de ovos e pedra-pomes, com o
objetivo principal de remover resíduos dos dentes. Com o
tempo, a composição dos cremes dentais foi passando por
alterações em diversos povos. Os problemas mais comuns dos
cremes dentais antigos eram o alto nível de abrasividade, o
sabor desagradável e o alto custo. Diferente dos dias atuais,
eram produtos pouco acessíveis. Somente com o início da Era
Industrial, no século 18, que se tornaram mais comuns.2
Os cremes dentais foram produzidos pela primeira vez
pela então Colgate & Co em 1873, e colocados em um tubo
flexível em 1892, pelo Dr. Washington Wentworth Sheffield,
de Connecticut. Juntamente com seu filho Lucius, criaram
o dentifrício Dr. Sheffield, o primeiro creme dental que, em
1873, foi produzido pela Colgate.
A introdução do flúor ocorreu apenas em 1914 e foi um dos
avanços mais importantes na história dos cremes dentais. En-
tretanto, acredita-se que o primeiro creme dental com flúor co-
CAPÍTULO 1 – Conhecendo os Dentifrícios: Características Gerais 5
mercializado em massa pelo mundo foi o creme dental Crest®,
introduzido pela Procter & Gamble em 1955 em Indianapolis
nos EUA. Após mais de 10 anos de pesquisa sobre cárie dental
com um estudo em crianças conduzido por Joseph Muhler, o
primeiro creme dental fluoretado recebeu a aprovação e o selo
da American Dental Association (ADA) em 19602. Mas a Crest
se popularizou mesmo em 1981, quando usaram o creme den-
tal na NASA, e sua popularidade aumentou no mundo. As pes-
soas começaram a se sentir seguras em usar o flúor.
No início dos anos 1900 a 1930, a propaganda do creme
dental era associada à figura feminina, como um cuidado de
beleza. Essas imagens aparecem em muitos folhetins e jornais
da época. Com o advento do flúor, os cremes dentais come-
çaram a incluir crianças nos anúncios, pelo seu poder anticá-
rie. Outra forma de comercializar o creme dental foi associar o
cigarro ao anúncio de creme dental. Era uma forma de atrair
o público masculino, com o apelo clareador e antimanchas.
Com o passar do tempo, os fabricantes introduziram a sensa-
ção de hálito refrescante, o que agradou muito o paladar dos
consumidores. Essa era a famosa propaganda do creme den-
tal Kolynos que prometia refrescância com o slogan “Ah!!”
em 1950. No entanto, ela foi comercializada até 1995, quando
mudou de nome para “Sorriso”, prometendo dentes brancos
e hálito refrescante. As formulações dos cremes dentais foram
então aprimoradas, melhorando a biodisponibilidade do flúor
e a capacidade de remoção de manchas, e diminuindo a abra-
sividade. Novos compostos foram introduzidos, e na década
de 1970, surgiram novas marcas no Brasil (Fig. 1.1).
Houve uma mudança do olhar da indústria para o consu-
midor, com necessidades específicas e, então, uma série de
cremes dentais com propostas e ingredientes ativos diferen-
6 Guia Clínico de Cremes Dentais
Figura 1.1 – Cartazes e propagandas antigas dos cremes dentais.
tes. Em 1980, a Sensodyne lançou o primeiro creme dental
dessensibilizante no Brasil. Desde então, uma extensa varie-
dade de produtos, com diferentes composições e ingredien-
tes ativos, está à disposição do consumidor no país.
CAPÍTULO 1 – Conhecendo os Dentifrícios: Características Gerais 7
Figura 1.2 – Dentifrícios antigos. (Agradecimento à Dra. Silvana Frasci-
no, que gentilmente nos permitiu explorar e fotografar sua coleção de
dentifrícios.)
A Figura 1.3 apresenta uma breve linha temporal de alguns
acontecimentos importantes no histórico dos cremes dentais,
para entendermos a cronologia dos acontecimentos.
8 Guia Clínico de Cremes Dentais
Século IV a.c. 1850 1873
Egito antigo EUA EUA
sal, pimenta, DR. SHEFFIELD COLGATE
folhas de menta, ... em pó em garrafas
1930 1954 1955
BRASIL BRASIL EUA
ODOL E EUCALOL PHILIPS CREST 1° com flúor
1968 1971 1972
EUA BRASIL BRASIL
COLGATE COM MFP GESSY LEVER CLOSE UP
1995 2006
2003
BRASIL BRASIL
BRASIL
SORRISO (Colgate SENSODYNE PRO
PharmaKYN
compra Kolynos) ESMALTE
2014
2011
BRASIL
BRASIL
Sensodyne Repair &
EDEL WHITE
Protect e Regenerate
Figura 1.3 – Linha do tempo do histórico dos cremes dentais.
CAPÍTULO 1 – Conhecendo os Dentifrícios: Características Gerais 9
1896
1927 1929
EUA
BRASIL BRASIL
Colgate
COLGATE KOLYNOS
em tubos
1961
1963 1967
EUA, UK
SUÍÇA EUA
SENSODYNE
ELMEX GESSY LEVER
ORIGINAL
1980
1978 1992
BRASIL
BRASIL EUA
SENSODYNE
ORAL B COLGATE TOTAL 12
ORIGINAL
2010
2009
EUA
BRASIL
COLGATE Sentitive
ORAL B (P&G)
Pro-alívio
2015
2018
BRASIL
BRASIL
SENSODYNE
ELMEX
TRUE WHITE
PA R T E 2
Informações Gerais dos
Dentifrícios
Mariana Beraldo Maia
O potencial de limpeza dos dentifrícios por meio de de-
tergentes e abrasivos foi reconhecido há anos, até mesmo
por um possível efeito prejudicial por conta da abrasão rea-
lizada sobre a superfície dental. Porém, atualmente esses
produtos também são considerados um veículo adequado
para a incorporação de produtos químicos, que podem ter
um papel preventivo/terapêutico nas doenças bucais3. A
adição desses componentes permite que os cremes dentais
tenham múltiplas funções, não só permitindo a redução da
cárie dentária, mas objetivando a redução da gengivite e da
periodontite, o acúmulo de tártaro, o controle da hipersen-
sibilidade dentinária, o controle da progressão das lesões
não cariosas, a remoção de manchas extrínsecas e a redução
da halitose, por exemplo. O primeiro ingrediente clinica-
mente comprovado por proporcionar benefícios preventivos
foi o flúor, que pode ser fornecido a partir dos vários com-
postos à base de flúor.
Os cremes dentais contêm em sua composição basica-
mente: abrasivo, umectante, solvente, ligante, detergente/
surfactante, flavorizante, conservante, corante e edulcorante
e componentes ativos. Alguns desses ingredientes forne-
cem benefícios preventivos, outros terapêuticos, enquanto
CAPÍTULO 1 – Conhecendo os Dentifrícios: Características Gerais 11
Foto gentilmente cedida pelo Prof. Daniel Rosa.
12 Guia Clínico de Cremes Dentais
outros ingredientes ou aditivos contribuem para os benefí-
cios cosméticos ou propriedades físicas do dentifrício, ga-
rantindo dessa forma os efeitos desejados à formulação.
COMPONENTES ESSENCIAIS AOS
DENTIFRÍCIOS
Os componentes essenciais são aqueles comuns a todos os
dentifrícios, e eles fornecem efeitos cosméticos e farmacotéc-
nicos. Os efeitos cosméticos são garantidos principalmente
pelos componentes abrasivos, surfactantes e pelos flavorizan-
tes, garantindo limpeza e polimento dental, além de fornece-
rem um hálito agradável ao usuário. Os demais componentes
essenciais têm funções farmacotécnicas, ou seja, garantem os
aspectos físicos da formulação. No Quadro 1.1 é possível ob-
servar todos os componentes essenciais dos cremes dentais.
ABRASIVOS
Os abrasivos são os componentes mais tradicionais dos cre-
mes dentais e são adicionados com o objetivo de melhorar as
características de limpeza e polimento dos dentes4, sendo res-
ponsáveis por remover as manchas extrínsecas. O acúmulo des-
sas manchas extrínsecas nos dentes ocorre devido à pigmenta-
ção da camada de proteínas salivares (película adquirida), que
se forma continuamente na superfície dental. Lembrando que a
deposição de pigmentos é individualizada e pode ser influen-
ciada pela dieta e por hábitos. O processo de limpeza por essas
partículas é determinado por vários parâmetros importantes,
como dureza, forma, tamanho, distribuição de tamanho, con-
centração e carga aplicada durante a escovação.
Atualmente, há uma preocupação relacionada a esses
componentes, pois eles têm sido relacionados ao desgaste
dental. Quanto maior o grau de abrasividade do creme den-
CAPÍTULO 1 – Conhecendo os Dentifrícios: Características Gerais 13
tal, maior a progressão da perda de estrutura dental. Porém,
é importante lembrar que os graus de abrasividade presentes
nos cremes dentais brasileiros são seguros em relação ao es-
malte e à dentina aprovados pela legislação brasileira, e que
a abrasividade dos cremes dentais não é afetada pelo denti-
frício ser apresentado em creme ou em gel, ou seja, o gel
dental não é mais abrasivo que o creme e vice-versa1.
Para os tecidos dentários, especialmente para a dentina,
por ser menos resistente à abrasão, o ideal seria a adoção de
cremes dentais que limpem com eficiência e ao mesmo tem-
po possuam baixa abrasividade. Entretanto, não se deve es-
quecer de realizar uma orientação adequada da técnica, as-
sim como demonstrar a força de escovação para o paciente.
Os abrasivos utilizados nos cremes dentais incluem: carbo-
nato de cálcio, sílica, bicarbonato de sódio, dióxido de silício,
dióxido de titânio, fosfato trissódico, óxido de alumínio, silica-
to de sódio e pirofosfato de cálcio. A sílica hidratada e o car-
bonato de cálcio são os abrasivos mais comuns e são normal-
mente usados em concentrações que variam entre 8 e 20%2.
Assim, o grau de abrasividade não deve ser a única e ex-
clusiva característica do creme dental a ser prescrito, mas
uma atenção especial deve ser dada. Principalmente ao
pensarmos na prevenção e no controle do desgaste dental,
lesões não cariosas, tão comum e presente nos dias atuais.
UMECTANTES
Os umectantes são adicionados aos cremes dentais para
evitar a sinérese e evaporação da água, ou seja, para impedir
a desidratação do dentifrício, fornecendo uma aparência lisa,
brilhante e homogênea. Os compostos mais comumente utili-
zados para essa finalidade são a glicerina, o sorbitol, o xilitol, o
isomalte e o eritritol2,5.
14 Guia Clínico de Cremes Dentais
ÁGUA
A água é um solvente importante para ingredientes ativos
inorgânicos e para os fluoretos. Os solventes são responsá-
veis pela dispersão ou solubilização dos componentes da
fórmula, proporcionando uma consistência desejada e man-
tendo o dentifrício fluido2.
LIGANTES/AGLUTINANTES
Os ligantes ou aglutinantes são adicionados aos cremes den-
tais, com o objetivo de realizar uma distribuição homogênea de
todos os ingredientes e evitar que os componentes, líquidos e
sólidos, se separem durante longos períodos de armazenamen-
to, além de promover uma viscosidade adequada aos cremes
dentais. Os ligantes mais comuns são carboximetilcelulose, hi-
droxietilcelulose, carragenina, goma xantana, goma de celulose
e poliacrilatos. Além disso, para auxiliar no aumento da viscosi-
dade, sílicas espessantes são frequentemente adicionadas.
DETERGENTES/SURFACTANTES
Os detergentes/surfactantes são responsáveis pela forma-
ção de espuma dos cremes dentais, auxiliando na dispersão in-
trabucal desses, facilitando a limpeza mecânica dos dentes. O
surfactante mais comumente utilizado mundialmente é o lauril
sulfato de sódio (LSS), que pertence ao grupo dos surfactantes
aniônicos. O LSS foi desenvolvido após a Segunda Guerra Mun-
dial, porém, mais recentemente, seu uso tem sido questionado
e muitos fabricantes deixaram de usá-lo por causar irritabilidade
na mucosa oral. Muitas empresas dentais já extinguiram o LSS
de todas as composições, e outras ainda o mantêm em alguns
produtos. Com isso, o surfactante anfotérico, o cocamidopropil-
betaína (CAPB), tem sido utilizado como alternativo.
CAPÍTULO 1 – Conhecendo os Dentifrícios: Características Gerais 15
FLAVORIZANTES
Os flavorizantes são adicionados para fornecer um sabor di-
ferencial ao creme dental, de forma a modificar o gosto dos
surfactantes, além de ser responsável pela sensação do hálito
fresco. Os sabores de menta são os mais comumente usados,
mas atualmente podemos encontrar disponíveis no mercado
cremes dentais com flavorizantes de ervas, canela, limão, aba-
caxi, gengibre, entre outros.
CONSERVANTES
Os conservantes são adicionados para prevenir o cresci-
mento bacteriano nos cremes dentais durante o armazena-
mento a longo prazo, em formulações com ausência de
um surfactante iônico. Isso porque os surfactantes aniôni-
cos são, inerentemente, antimicrobianos. Além disso, a
adição de compostos flavorizantes e com altos níveis de
umectante também contribui para a estabilidade do creme
dental e impede o crescimento de microrganismos. Dessa
forma, poucos cremes dentais possuem conservantes em
sua composição, mas os mais comumente utilizados são:
benzoato de sódio, etil e metil parabeno (p-hidroxiben-
zoato de metila)2.
SUBSTÂNCIAS EDULCORANTES
As substâncias edulcorantes ou adoçantes são substâncias
artificiais, adicionadas aos cremes dentais para melhorar seu
sabor, eliminando o sabor insípido provocado pelos abrasivos,
e o sabor amargo e irritante proporcionado pelos detergentes,
disfarçando o sabor dos princípios ativos. A maior parte dos
cremes dentais contém sacarina sódica ou sucralose como
edulcorantes (Fig. 1.4).
16 Guia Clínico de Cremes Dentais
Quadro 1.1 – Componentes essenciais dos cremes dentais.
ABRASIVOS SURFACTANTES UMECTANTES
Alumina Metil cocoil taurato de Glicerina
sódio
Alumina tri-hidratada Sorbitol
Lauril sulfato de sódio
Carbonato de cálcio Propilenoglicol
(LSS)
Sílica Xilitol
Cocamidopropil
Bicarbonato de sódio betaína (CAPB) Isomalte
Dióxido de silício Olefina sulfonato de Eritritol
Dióxido de titânio sódio Água
Fosfato trissódico Sulfonato de alquil Pentatol
secundário de sódio
Óxido de alumínio
Polietileno glicol (PEG-8)
Silicato de sódio
Pirofosfato de cálcio
Metacrilato
LIGANTES FLAVORIZANTES CONSERVANTES
Carbabol Anis Benzoato de
sódio
Carboximetilcelulose Óleo de cravo
Etil parabeno
Hidroxietilcelulose Eucalipto
Metil parabeno
Carragenina Funcho
(p-hidroxiben-
Goma xantana Mentol zoato de metila)
Goma de celulose Hortelã-pimenta Formaldeído
Poliacrilatos Hortelã
Vanilla
CORANTES EDULCORANTES
Clorofila Sacarina sódica
Dióxido de titânio Sucralose