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Reflexões sobre Sofrimento e Expiação

O documento descreve a história de um espírito que encarnou como um mendigo caridoso em Vilna para expiar faltas de uma vida anterior como um rei tirano. Ele sofreu no mundo espiritual por 350 anos até obter permissão para reencarnar e praticar o bem através da caridade."

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Reflexões sobre Sofrimento e Expiação

O documento descreve a história de um espírito que encarnou como um mendigo caridoso em Vilna para expiar faltas de uma vida anterior como um rei tirano. Ele sofreu no mundo espiritual por 350 anos até obter permissão para reencarnar e praticar o bem através da caridade."

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- P.

Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos n�o eram expia��o de
faltas anteriores...

R. - N�o seriam uma expia��o direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento
tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes t�o m�sero foi belo, grande, rico e
adulado. Eu tivera turifer�rios e cortes�os, fora f�til e orgulhoso. Anteriormente
fui
bem culpado; reneguei Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, pri-
meiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos
apenas, nesta �ltima encarna��o, suportei-os eu anteriormente por toda uma
exist�ncia que ralou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a
gra�a do Senhor, o qual me confiou muitas miss�es, inclusive a �ltima, que bem
conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depura��o.
Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha miss�o � de consolar, e n�o
de instruir. H�, por�m, aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas, e essas
ter�o
prazer com a minha presen�a.
Marcel..

Instru��es do guia do m�dium

Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de mis�rias e


l�grimas, quantos gemidos exalados! E como era resignado... e como a sua alma
lobri-
gava j� ent�o o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No al�m-t�mulo,
pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava tam-
b�m por aqueles que n�o tinham resigna��o no sofrimento, pelos que trocavam preces
por blasf�mias!
Foi-lhe lenta a agonia, mas terr�vel n�o lhe foi a hora do trespasse; certo, os
membros convulsos contor-

381
EXPIA��ES TERRESTRES

ciam-se, oferecendo aos assistentes o espet�culo de um corpo disforme a revoltar-se


contra a sorte, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, um anjo bom
lhe
pairava por sobre o leito mortu�rio e cicatrizava-lhe o cora��o. Depois, esse anjo
arrebatou nas asas brancas essa alma t�o bela a escapar-se de t�o horripilante
corpo,
e foram estas as palavras pronunciadas: "Gl�ria a v�s, Senhor, meu Deus!" E a alma
subiu ao Todo-Poderoso, feliz, e exclamou: "Eis-me aqui, Senhor; destes-me por
miss�o exemplificar o sofrimento... terei suportado dignamente a prova��o?"
Hoje, o Esp�rito da pobre crian�a avulta, paira no Espa�o, vai do fraco ao
humilde, e a todos diz: - Esperan�a e coragem. Livre de todas as impurezas da
mat�ria,
ele a� est� junto de v�s a falar-vos, a dizer-vos n�o mais com essa voz fraca e
lastimosa, por�m agora firme: "Todos que me observaram, viram que a crian�a n�o
murmurava; hauriram nesse exemplo a calma para os seus males e seus cora��es se
tonificaram na suave confian�a em Deus, que outro n�o era o fim da minha curta
passagem pela Terra."
Santo Agostinho.

SZYMEL SLIZGOL

Este n�o passou de um pobre israelita de Vilna, falecido em maio de 1865.


Durante 30 anos mendigou com uma salva nas m�os. Por toda a cidade era bem
conhecida aquela voz que dizia: "Lembrai-vos dos pobres, das vi�vas e dos �rf�os!"
Por essa longa peregrina��o Slizgol havia juntado 90.000 rublos, n�o guardando,
por�m, para si um s� copeque. Aliviava e curava os enfermos; pagava o ensino de
crian�as pobres; distribu�a aos necessitados a comida que lhe davam.
A noite, destinava-a ele ao preparo do rap�, que vendia a fim de prover �s suas
necessidades, e o que lhe sobrava era dos pobres. Foi s� no mundo, e no entanto o
seu enterro teve o acompanhamento de grande parte da popula��o de Vilna, cujos
armaz�ns cerraram as portas.

382
2� PARTE - CAP�TULO VIII

Sociedade de Paris, 15 de junho de 1865

Evoca��o: Excessivamente feliz, chegado, enfim, � plenitude do que mais


ambicionava e bem caro paguei, aqui estou, entre v�s, desde o cair da noite.
Agradecido, pelo interesse que vos desperta o Esp�rito do pobre mendigo, que, com
satisfa��o, vai procurar responder �s vossas perguntas.

- P. Uma carta de Vilna nos deu conhecimento das particularidades mais


not�veis da vossa exist�ncia, e da simpatia que tais particularidades nos inspiram
nasceu o desejo de nos comunicar convosco. Agradecemos a vossa presen�a, e, uma
vez que quereis responder-nos, principiaremos por vos assegurar que mui felizes
seremos se, para nossa orienta��o, pudermos conhecer a vossa posi��o espiritual,
bem como as causas que determinaram o g�nero de vida que tivestes na �ltima
encarna��o.

- R. Em primeiro lugar, concedei ao meu Esp�rito, c�nscio da sua verdadeira


posi��o, o favor de vos transmitir a sua opini�o, com respeito a um pensamento que
vos ocorreu quanto. � minha personalidade. E reclamo previamente os vossos
conselhos, para o caso de ser falsa essa minha opini�o.
Parece-vos singular que as manifesta��es p�blicas tomassem tanto vulto, para
homenagear a mem�ria do homem insignificante que soube por seu Esp�rito caridoso
atrair tal simpatia. N�o me refiro a v�s, caro mestre, nem a ti, prezado m�dium,
nem a
v�s outros verdadeiros e sinceros esp�ritas; falo, sim, para as pessoas
indiferentes a
cren�a, pois, nisso, nada houve de extraordin�rio. A press�o moral exercida pela
pr�tica do bem, sobre a Humanidade, � tal que, por mais materializada que esta
seja,
inclina-se sempre, venera o bem, a despeito da sua tend�ncia para o mal.
Agora, as perguntas que, da vossa parte, n�o s�o ditadas pela curiosidade, mas
simplesmente formuladas no intuito de ampliar o ensino. Visto que disponho de
liber-
dade, vou, portanto, dizer-vos, o mais laconicamente

383
EXPIA��ES TERRESTRES

poss�vel, quais as causas determinantes da minha �ltima exist�ncia.


Faz muitos s�culos, vivia eu com o t�tulo de rei, ou, pelo menos, de pr�ncipe
soberano. Dentro da esfera do meu poder relativamente limitado, em confronto com os
atuais Estados, era eu, no entanto, absoluto senhor dos meus vassalos, como dos
seus destinos, e governava-os tiranicamente, ou antes digamos o pr�prio termo
como algoz.
Dotado de car�ter impetuoso, violento, al�m de avaro e sensual, podeis avaliar
qual deveria ter sido a sorte dos pobres seres sujeitos ao meu dom�nio. Al�m de
abu-
sar do poder para oprimir o fraco, eu subordinava empregos, trabalhos e dores ao
servi�o das pr�prias paix�es. Assim, impunha uma d�zima ao produto da mendicidade,
e ningu�m poderia acumular sem que eu antecipadamente lhe tomasse uma cota
avultada, dessas sobras que a piedade humana deixava resvalar para as sacolas da
mi-
s�ria. E mais ainda: a fim de que n�o decrescesse o n�mero de mendigos entre os
meus vassalos, proibia aos infelizes darem aos amigos, parentes e f�mulos necessi-
tados a parte insignificante do que ainda lhes restava. Em uma palavra, fui tudo
quanto
se pode imaginar de mais cruel, em rela��o ao sofrimento e � mis�ria alheia. No
meio
de sofrimentos horrorosos, acabei por perder isso a que chamais - vida, tanto que
minha morte era apontada como exemplo aterrador a quantos como eu, posto que em
menor escala, tinham o mesmo modo de pensar.
Como Esp�rito, permaneci na erraticidade durante tr�s e meio s�culos, e,
quando ao fim desse tempo compreendi que a raz�o de ser da reencarna��o era intei-
ramente outra que n�o a seguida por meus grosseiros sentidos, obtive � for�a de
preces, de resigna��o e de pesares a permiss�o de suportar materialmente os mesmos
sofrimentos que infligira, e mais profundamente sens�veis que os por mim
ocasionados. Obtida a permiss�o, Deus concedeu que por meu livre-arb�trio
aumentasse os sofrimentos f�sicos e morais. Gra�as � assist�ncia dos bons
Esp�ritos,
persisti na pr�tica do bem, e sou-lhes agrade-

384
2� PARTE - CAP�TULO VIII

cido por me terem impedido de sucumbir sob o fardo que tomara. Finalmente, preenchi
uma exist�ncia de abnega��o e caridade, que por si resgatou as faltas de outra,
cruel e
injusta. Nascido de pais pobres e cedo orfanado, aprendi a ganhar o p�o numa idade
em que muitos consideram incapaz o racioc�nio.
Vivi sozinho, sem amor, sem afei��es, e desde o princ�pio suportei as
brutalidades que para com outros havia exercido.
Dizem que as somas por mim esmoladas foram todas destinadas ao al�vio dos
meus semelhantes: - � um fato inconcusso, ao qual, sem orgulho nem �nfase, devo
acrescentar que - muit�ssimas vezes, com sacrif�cio de priva��es relativamente
imperiosas, aumentava o beneficio que me permitiam fazer � caridade p�blica.
Desencarnei calmamente, confiando no valor da minha repara��o, e sou premiado
muito mais do que poderiam ter cogitado as minhas secretas aspira��es. Hoje sou
feliz, felic�ssimo, podendo afirmar-vos que todos quantos se elevam ser�o
humilhados,
como elevados ser�o todos quantos se humilharem.

- P. Tende a bondade de dizer-nos em que consistiu a vossa expia��o no


mundo espiritual, e quanto tempo durou, a contar da vossa morte at� ao momento da
atenua��o por efeito do arrependimento e das boas resolu��es. Dizei-nos tamb�m o
que foi que provocou a mudan�a das vossas id�ias, no estado espiritual.

- R. Essa pergunta desperta-me muitas recorda��es dolorosas! Quanto sofri


eu... Mas n�o, que me n�o lamento: - apenas recordo!... Quereis saber a natureza da
minha expia��o? Pois ei-la na sua terr�vel hediondez:
Carrasco que fui de todos os bons sentimentos, fiquei por muito, por longo
tempo preso pelo perisp�rito ao corpo em decomposi��o. At� que esta se completasse,
vime corro�do pelos vermes - o que muito me torturava! e quando me vi liberto das
peias que me prendiam ao instrumento do supl�cio, mais cruel supl�cio me espe-

385
EXPIA��ES TERRESTRES

rava!... Depois do sofrimento f�sico, o sofrimento moral muito mais longo. Fui
colocado
em presen�a de todas as minhas v�timas. Periodicamente, constrangido por uma for�a
superior, era eu levado a rever o quadro vivo dos meus crimes. E via f�sica e
moralmente todas as dores que a outrem fizera sofrer! Ah! meus amigos, que terr�vel

a vis�o constante daqueles a quem fizemos mal! Entre v�s, tendes apenas um fraco
exemplo no confronto do acusado com a sua v�tima. A� tendes, em resumo, o que sofri
durante tr�s e meio s�culos, at� que Deus, compadecido da minha dor e tocado pelo
meu arrependimento, solicitado pelos que me assistiam, permitisse a vida de
expia��o
que conheceis.

- P. Algum motivo particular vos induziu � escolha da �ltima exist�ncia,


subordinada � religi�o israelita?

- R. N�o escolhi por mim s�, mas ouvi o conselho dos meus guias. A religi�o de
Israel era uma pequena humilha��o a mais na minha prova, visto como em certos
pa�ses a maioria dos encarnados menosprezam os judeus, e principalmente os judeus
mendicantes.

- P. Na Terra, com que idade come�astes a vossa obra de expia��o? Como vos
ocorreu o pensamento de vos desobrigar das resolu��es previamente tomadas? Ao
exercerdes t�o abnegadamente a caridade, ter�eis a intui��o das causas que a isso
vos
predispunham?

- R. Meus pais eram pobres, por�m inteligentes e avaros. Mo�o ainda, eu fui
privado da afei��o e carinhos de minha m�e. A perda desta me causou tanto maior e
fundo pesar, quanto meu pai, dominado pela avidez de ganhos, me abandonava por
completo. Quanto aos meus irm�os, todos mais velhos do que eu, n�o pareciam aper-
ceber-se das minhas m�goas. Foi um outro judeu quem, movido por sentimento mais
ego�stico do que caritativo, me recolheu em sua casa e me ensinou a trabalhar.

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