Aspectos Técnicos dos
Citros em Sergipe
Editores Técnicos
Marcelo Brito de Melo
Luiz Mário Santos da Silva
DEAGRO
DEPARTAMENTO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO
AGROPECUÁRIO DE SERGIPE
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Tabuleiros Costeiros
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Departamento Estadual de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe
Aspectos Técnicos dos
Citros em Sergipe
Editores Técnicos
Marcelo Brito de Melo
Luiz Mário Santos da Silva
Embrapa Tabuleiros Costeiros
Aracaju, SE
2006
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:
Embrapa Tabuleiros Costeiros
Av. Beira-Mar, 3250, Caixa Postal 44, CEP 49001-970, Aracaju, SE
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Albuquerque Rangel, Julio Roberto Araujo de Amorim, Ronaldo Souza
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Supervisão Editorial: Maria Ester Gonçalves Moura
Editoração eletrônica: Diego Corrêa Alcântara Melo
Capa: Diego Corrêa Alcântara Melo
Fotos da capa: Fernando Luis Dultra Cintra
Revisão de texto: Luiz Mário Santos da Silva
Normalização bibliográfica: Josete Cunha Melo
1ª Edição
1ª Impressão (2006): 200 exemplares
Todos os direitos reservados.
A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610)
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Tabuleiros Costeiros
Melo, Marcelo Brito de
Aspectos técnicos dos citros em Sergipe / editores, Marcelo
Brito de Melo, Luis Mário Santos de Silva - Aracaju : Embrapa
Tabuleiros Costeiros, Deagro, 2006.
1 CD-ROM
ISBN 978-85-85809-23-2
1. Citricultura. 2. Citros – Sergipe. 3. Citricultura – Manejo
do Solo. 4. Citricultura – Irrigação. I. Melo, Marcelo Brito de. II.
Silva, Luis Mário Santos da. III. Título CDD 634.3
© Embrapa 2006
AUTORES
Antonia Fonseca de Jesus Magalhães
Eng. Agrônoma, Pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical
antonia@[Link]
Antônio Carlos Barreto
Eng. Agrônomo, Dr., pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: barreto@[Link]
Fernando Luiz Dultra Cintra
Eng. Agrônomo, Dr., pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: fcintra@[Link]
Ivandro de França da Silva
Eng. Agrônomo, Professor Dr., Centro de Ciências Agrárias, UFPB
E-mail: ivandro@[Link]
Joézio Luiz dos Anjos
Eng. Agrônomo, Dr., pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: joezio@[Link]
José Unaldo Barbosa Silva
Eng. Agrônomo, Supervisor do DEAGRO
unireg@[Link]
Lafayette Franco Sobral
Eng. Agrônomo, Ph.D., pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: lafayete@[Link]
Luiz Francisco da Silva Souza
Eng. Agrônomo, MSc., Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical
lfranc@[Link]
Luiz Mário Santos da Silva
Eng. Agrônomo, MSc., pesquisador do DEAGRO - Departamento Estadual de
Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe / Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: lmario@[Link]
Luzia Nilda Tabosa
Eng. Agrônoma, MSc., pesquisadora do DEAGRO - Departamento Estadual de
Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe / Embrapa Tabuleiros Costeiros.
E-mail: tabosa@[Link]
Marcelo Brito de Melo
Eng. Agrônomo, MSc., pesquisador do DEAGRO - Departamento Estadual de
Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe / Embrapa Tabuleiros Costeiros.
E-mail: mbrito@[Link]
Marcelo Ferreira Fernandes
Eng. Agrônomo, Ph.D., pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: marcelo@[Link]
Marcelo da Costa Mendonça
Eng. Agrônomo, MSc., pesquisador do DEAGRO - Departamento Estadual de
Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe / Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: marcelom@[Link]
Ronaldo Souza Resende
Eng. Agrônomo, Dr., pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: ronaldo@[Link]
Roosevelt Menezes Prudente
Eng. Agrônomo, MSc., pesquisador do DEAGRO - Departamento Estadual de
Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe / Embrapa Tabuleiros Costeiros
E-mail: prudente@[Link]
APRESENTAÇÃO
O Brasil soube muito bem aproveitar as oportunidades de mercado
para citricultura e temos hoje a maior estrutura voltada para a produção
e processamento de frutos cítricos do mundo.
Nesse panorama, Sergipe se destaca por ter o segundo maior pólo
citrícola do país produzindo uma média anual de setecentas mil toneladas
que têm destino para o mercado interno e externo, neste caso como
suco concentrado. São cerca de 50 mil hectares, bem distante, deve-se
frisar, do primeiro que está em São Paulo, mas, de uma imensa
importância social e econômica para o Estado.
A partir de 1970 até 1990 tivemos uma citricultura pujante e
crescente, porém, não evoluímos em todos os elos da cadeia produtiva
e os entraves apareceram.
Hoje nos deparamos com o desafio de mudar para sobreviver.
Precisamos identificar bem os gargalos e os meios de superá-los para
assegurar o futuro dessa importante cadeia produtiva. De antemão,
sabemos que os problemas são muitos e entre os quais os aspectos
tecnológicos são uma parte importante.
O Deagro e a Embrapa Tabuleiros Costeiros têm atuado em conjunto
em diferentes frentes com o objetivo de levar tecnologia ao campo para
a promoção de um desenvolvimento rural sustentável. A presente
publicação é um dos frutos dessas ações em parceria e tem como
proposta oferecer ao assistente técnico pelo menos uma pequena parte
de todo cabedal de conhecimentos que ele deve se munir para promover
a necessária mudança tecnológica da nossa citricultura.
Edmar Ramos Siqueira
Chefe-Geral
Embrapa Tabuleiros Costeiros
Roberto Alves
Presidente
Deagro
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1
Caracterização da Região Produtora: Solo e Clima
Fernando Luis Dultra Cintra 11
CAPÍTULO 2
Manejo do Solo em Citros
Joézio Luiz dos Anjos, Fernando Luis Dultra Cintra, Antônio Carlos
Barreto, Roosevelt Menezes Prudente e Ivandro de França da Silva 19
CAPÍTULO 3
Uso de Leguminosas
Antônio Carlos Barreto, Joézio Luiz dos Anjos, Marcelo Ferreira
Fernandes e Lafayette Franco Sobral 25
CAPÍTULO 4
Nutrição e Adubação da Laranja
Lafayette Franco Sobral, Joézio Luiz dos Anjos, Antonia Fonseca de
Jesus Magalhães, Luiz Francisco da Silva Souza, Antonio Carlos
Barreto e José Unaldo Barbosa Silva 29
CAPÍTULO 5
Porta-enxertos Cítricos
Roosevelt Menezes Prudente e Luiz Mário Santos da Silva 41
CAPÍTULO 6
Aspectos da Irrigação em Citros
Ronaldo Souza Resende 51
CAPÍTULO 7
Pragas dos Citros em Sergipe
Marcelo da Costa Mendonça e Luiz Mário Santos da Silva 61
CAPÍTULO 8
Principais Doenças da Citricultura em Sergipe e seu Controle
Marcelo Brito de Melo e Luzia Nilda Tabosa Andrade 71
INTRODUÇÃO
Marcelo Brito de Melo e Luiz Mário Santos da Silva
A citricultura que temos atualmente estado, de Itaporanga d’Ajuda até a fron-
em Sergipe teve seus primórdios há cerca teira da Bahia em Tomar do Geru. A nova
de oitenta anos passados quando mudas de citricultura avançou sobre os espaços an-
laranja Bahia (laranja de Umbigo) enxertadas tes ocupados por pastagens, matas secun-
em laranja Azeda (L. da Terra) foram trazidas darias e remanescentes da mata atlântica.
por tropeiros de Alagoinhas-BA. As plantas Sustentados pelas novas tecnologias
formadas por essas mudas certamente fo- aportadas pela pesquisa e pela extensão os
ram dizimadas pelo vírus da Tristeza. Con- produtores aproveitaram com grande êxito
tudo, os marcos da antiga citricultura que a oportunidade de um mercado demandante
perduraram até o final da década de 60 foi o de frutas cítricas nos principais centros ur-
sitio Garangau, do saudoso Raimundo banos do Nordeste e da oferta farta e bara-
Fernandes Fonseca e o começo da produ- ta de crédito agrícola para implantarem na
ção de mudas em Sergipe, implantada pelo região o segundo pólo citricola do país.
engenheiro agrônomo Chastinet no antigo
posto de fomento agropecuário de Boquim, A partir de 1990 uma conjunção de
então pertencente ao Ministério da Agricul- fatores como a falta de investimento públi-
tura. co na pesquisa e na extensão, saturação do
mercado, períodos de seca, falta de evolu-
Na década de 70 dois outros marcos ção tecnológica dos produtores, principal-
ficaram gravados na história da citricultura mente no setor de comercialização e organi-
do Estado. Na verdade uma nova fase se zação, resultou em anos de inadimplência no
iniciou ainda no final dos anos 60 quando a crédito, no desânimo, na estagnação.
então ANCARSE passou a incentivar o plan-
tio de citros trazendo os clones nucelares Juntamente com a área contígua da
produzidos em Cruz das Almas-BA. Logo em região de Rio Real-BA, o pólo citricola de sul
seguida, como resultado dos estudos bási- de Sergipe é constituído por um grande em-
cos realizados no CONDESE, o governo do preendimento formado por milhares de pe-
estado decidiu apostar no desenvolvimento quenos agricultores, talvez o maior de toda
da cultura dos citros e implantou no antigo a citricultura tropical do mundo, no qual es-
posto de fomento do Ministério a Estação tão centrados direta ou indiretamente, em-
Experimental de Boquim, vinculada à SUDAP, prego e condição social de milhares de pes-
contando com a colaboração da SUDENE e soas. É necessário que ações sejam empre-
do IPEAL que logo se transformou no Cen- endidas para que uma nova etapa venha a
tro da Embrapa Mandioca e Fruticultura. ser trilhada por essa importante região pro-
dutora.
De 1970 a 1985 a citricultura
sergipana tomou um vulto surpreendente na Essa publicação não tem o propósito
agricultura nordestina. Os dois mil hectares de ser um manual tecnológico, mais foca
de citros, implantados em Boquim, principal- apenas alguns pontos importantes para se
mente, Pedrinhas e Riachão do Dantas, le- analisar e discutir como contribuição ao pro-
vantados pelo CONDESE em 1968, se trans- cesso de geração de uma nova necessária
formaram em 50 mil hectares distribuídos citricultura em Sergipe.
por cerca de 14 municípios do centro sul do
Capítulo 1
CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO
PRODUTORA: SOLO E CLIMA
Fernando Luis Dultra Cintra
Em todas regiões produtoras de As camadas coesas nos solos dos
citros o pressuposto básico para explora- tabuleiros são um dos principais entraves
ção competitiva dessa cultura é a presen- à produção dos citros nas regiões produ-
ça de solos profundos, sem impedimento toras do Estado pelas alterações que cau-
físico, com boa drenagem e sam no movimento de água e ar no solo e
preferentemente ricos em nutrientes. So- pelo aumento que promovem na resistên-
los rasos e áreas susceptíveis ao cia mecânica à penetração das raízes. Es-
encharcamento não são indicados para a sas camadas, que se apresentam duras a
exploração de citros. Para que sejam faci- muito duras quando o solo está seco, são
litadas as operações mecanizadas e redu- responsáveis por grande parte dos proble-
zidos os riscos de erosão, o relevo deve mas ligados à produtividade dos pomares,
ser, preferencialmente, plano à suave on- peso e qualidade dos frutos, como tam-
dulado. Na prática, no entanto, é muito di- bém à redução da vida útil das plantas. Sua
fícil conciliar esse conjunto de variáveis em formação tem origem pedogenética, sem
uma mesma localidade, sendo que, o mais a participação do homem, portanto, e re-
comum é a exploração da cultura em áre- sulta das manifestações climáticas e
as onde as plantas apresentem bom de- morfopedológicas existentes nas diferen-
senvolvimento vegetativo e produtivo o que tes unidades geoambientais que compõem
pode incluir condições nem sempre favo- a unidade de paisagem dos tabuleiros cos-
ráveis mas que, no balanço total, permi- teiros.
tem produtividades elevadas e/ou compa-
Na Figura 1, são apresentados um
tíveis com as exigência de mercado.
solo com camada coesa e, no detalhe, a
No estado de Sergipe nas regiões posição dessa camada no perfil. Na maio-
produtoras de citros do Centro sul e do ria das vezes há dificuldade para identifi-
Norte os pomares estão concentrados nos cação da camada coesa, desde quando, a
solos dos tabuleiros costeiros que apre- simples observação visual não leva à
sentam desvantagens e vantagens. Esses constatação da sua existência. Profissio-
solos são, em geral, arenosos, pobres em nais mais experientes, pedólogos na maio-
ria das vezes, conseguem distinguí-las das
nutrientes e em matéria orgânica e são
outras camadas do solo observando o es-
caracterizados pela presença de camadas
tágio de dureza, entre outros recursos. No
adensadas (camadas coesas) em muitas
entanto, para se ter a confirmação defini-
classes de solo, localizadas quase sempre
tiva da existência dessa camada, é neces-
entre 20 e 60 cm de profundidade
sário a amostragem de solo para determi-
(Jacomine, 2001). No entanto, apresentam
nação da densidade global ou a realização
como condições favoráveis à exploração
da medida da resistência à penetração,
dos citros a topografia, predominante pla-
feita diretamente no campo, com equipa-
na a suave ondulada, o que facilita bastan-
mento especial, denominado penetrômetro.
te as operações mecanizadas, a precipita- Outras determinações a exemplo da taxa
ção pluvial total ao redor de 1200 mm anu- de infiltração de água no solo,
ais, apesar de ser bastante concentrada condutividade hidráulica saturada e não
na maioria dos anos, e a proximidade do saturada e porosidade, entre outras, con-
mercado consumidor. tribuem para identificação da existência de
12
camadas coesas e do seu grau de raízes foi inferior à resistência mecânica
adensamento. oferecida pelo solo impedindo-as assim de
Outro problema recorrente na iden- se aprofundarem e, em muitos casos, cau-
tificação das camadas coesas no solos dos sando danos expressivos em parte ou na
totalidade do sistema radicular das plan-
tabuleiros é a sua localização no perfil do tas.
solo que, na maioria das vezes, é bastante
variável podendo situar-se, mesmo que em
áreas muito próximas umas das outras, a
20, 30, 40, 50, ou 60 cm de profundida-
de. Em casos mais graves resultantes de
processos erosivos devido a uso intensivo
do solo ou posição no relevo, a camada
coesa pode localizar-se muito próximo à
superfície do solo. Na Figura 1 a camada
está localizada a 20 cm de profundidade
logo após a camada arável a qual pode ser
identificada pela coloração mais escura do Fig. 2. Distribuição superficial das raízes de
laranjeira Pêra em solo com camada coesa da
região Centro sul do Estado de Sergipe.
Fotos: Fernando Luis Dultra Cintra
(Umbaúba, SE).
Fig. 3. Alterações morfológicas no sistema
radicular de raízes de laranjeira Pêra cultivada
em solo com cama coesa. (Umbaúba, SE).
Na Tabela 1 estão apresentados os
resultados de algumas características fí-
sicas de um solo de tabuleiro da região Cen-
tro Sul do Estado. A existência de uma pos-
sível camada coesa pode ser observada,
principalmente, a partir dos dados de den-
sidade do solo e porosidade total. Toman-
do-se como referência a densidade do solo
Fig.1. Perfil de solo de tabuleiro com camada coesa com detalhe da do horizonte Ap (1,52 kg dm-3), nota-se
localização da camada dentro do perfil. que houve um aumento em torno de 17%
entre os horizontes Ap e BA. Esse mesmo
Na Figura 2 é possível observar a comportamento pode também ser obser-
superficialização das raízes de laranjeira vado com os dados de porosidade total os
Pêra imposta pela presença de camadas quais tiveram queda expressiva entre os
coesas no solo, enquanto que na Figura 3, horizontes Ap e BA. É possível prever,
pode-se verificar alterações no sistema portanto, que o elevado adensamento da
radicular, provocadas pela dificuldade que camada coesa, com menor quantidade de
as raízes encontram ao tentar penetrar a poros, promoverá alterações sensíveis na
camada de solo adensada. Quando a situ- dinâmica da água no solo, vital para o cres-
ação apresentada nessas Figuras aconte- cimento e desenvolvimento das plantas
ce, significa que a pressão exercida pelas cítricas.
13
Tabela 1. Granulometria (g kg-1), densidade do solo (kg dm-3) e porosidade total (%), em solo de tabuleiro
com camada coesa da região Centro Sul do Estado de Sergipe.
Horiz. Prof. Frações de Areia* Areia Silte Argila Densidade Porosidade
(m) AMG AG AM AF AMF Total do solo Total
Ap 0,00-0,20 37,00 200,45 303,00 196,65 61,50 798,60 60,90 140,50 1,54 40,95
BA 0,20-0,42 26,40 155,30 249,00 173,60 63,90 668,20 65,25 266,55 1,72 33,88
Bt 0,42-0,85 29,30 130,15 196,70 147,80 63,55 567,50 79,75 352,75 1,63 36,76
Btx1 0,85-1,40 19,30 105,30 170,70 130,60 71,20 497,10 153,80 349,10 1,55 39,08
Btx2 1,40-2,00 22,50 94,25 153,30 130,60 75,80 476,45 203,85 319,70 1,53 40,00
*AMG - Areia muito grossa (2 a 1 mm), AG - Areia grossa (1 a 0,5 mm), AM - Areia média (0,5 a 0,25 mm) AF - Areia
fina (0,25 a 0,1 mm), AMF - Areia muito fina (0,1 a 0,05 mm).
O conhecimento por parte dos superficialização das raízes de citros na
citricultores da existência das camadas co- presença de camadas coesas. Nessa Fi-
esas nos solos dos tabuleiros e de como gura observa-se que 61 % das raízes lo-
elas interferem nos processos físicos, calizaram-se nos primeiros vinte centíme-
hídricos, químicos e biológicos, contribui- tros do solo o que deixará as plantas vul-
rá para que adotem práticas de manejo neráveis ao regime hídrico, com possível
ajustadas às características dos seus po- reflexo na redução da produtividade e na
mares. Trabalho conduzido por Cintra et vida útil.
al. (2004), em dois lotes próximos entre si
no projeto de irrigação Platô de Neópolis,
indicaram que apesar de situarem-se per- 2 1
to um do outro, as propriedades físicas e
hídricas dos solos variaram bastante em
função da posição das camadas coesas no 40 - 60 cm
perfil e do grau do adensamento que apre- 7%
sentaram. Os autores recomendam cuida-
dos especiais na seleção das práticas de
manejo do solo e da irrigação nos tabulei-
ros, as quais devem levar em conta as
especificidades dos solos utilizados mes-
mo que a paisagem se apresente muito 20 - 40 cm
homogênea. 0 - 20 cm
29%
61%
Nas regiões onde as camadas coe-
sas coexistem com longos períodos de
chuva e seca, o que acontece na maioria
das áreas cultivadas com citros em
Sergipe, o problema se agrava pois a área
do solo explorada pelas raízes passa da
condição excessivamente úmida na época
chuvosa para a condição de baixo teor de
umidade na estação seca. Nessas circuns-
tâncias, o sistema radicular superficializado
em função da barreira criada pelas cama- Fig. 4. Distribuição em profundidade do sistema radicular de citros, em
solo de tabuleiro da região Centro Sul do Estado de Sergipe. CEU, Embrapa
das coesas, é submetido a condições de Tabuleiros Costeiros, Umbaúba, SE.
má aeração e de falta de água, respecti-
vamente, gerando forte estresse para as
plantas. Os dados apresentados no Figura
4, demonstram essa tendência para
14
O movimento da água no solo, pro- sempre o maior volume de raízes está as-
cesso que regula o suprimento de água sociado a uma maior tolerância das plan-
para as plantas, é outra variável bastante tas ao déficit hídrico. Nesse estudo, fo-
afetada pela presença de camadas coesas ram comparados vários porta-enxertos de
nos solos de tabuleiro e ganha maior im- citros e cujos resultados são apresenta-
portância face à característica de produ- dos na Figura 5, o porta-enxerto
ção de citros no Estado, predominantemen- Tangerineira Cleópatra foi o que apresen-
te, de sequeiro. Neste cenário deve-se tou o maior volume de raízes mas foi tam-
buscar alternativas de baixo custo capa- bém o que promoveu o esgotamento mais
zes de permitir o melhor uso possível dos rápido das reservas de água no solo levan-
recursos naturais existentes. Entre essas do a planta cítrica ao déficit hídrico mais
alternativas, destaca-se a busca por por- precocemente. No lado oposto localizou-
ta-enxertos adaptados e compatíveis com se o Limoeiro Cravo, com menor volume
as variedades utilizadas comercialmente, de raízes e esgotamento mais lento das
na medida em que, se o suprimento de reservas de água, contribuindo assim para
água é irregular nas diversas fases de cres- um suprimento de água para as plantas
cimento da planta a necessidade hídrica mais regular e duradouro. Verifica-se ain-
passa a ser regida, em grande parte, pelo da nesta Figura, a elevada concentração
sistema radicular do porta-enxerto utiliza- das raízes de todos os porta enxertos ava-
do. liados nos 0,2m iniciais da superfície do
solo demonstrando a obstrução da cama-
Trabalho conduzido por Cintra et al da coesa à penetração das raízes.
(1999) sobre esse tema ressalta que nem
2
Comprimento de raízes (cm / 0,01 m )
0 10 20 30 40 50 60
0
0,05
0,1
Profundidade (m)
0,15
0,2
0,25
0,3 V. Palermo
0,35 V. Catânia
L. Cravo
0,4 L. Rugoso
0,45 T. Cleópatra
0,5
Fig. 5. Comparação entre porta-enxertos de citros quanto à distribuição do sistema radicular em
profundidade. Região Centro Sul do Estado de Sergipe. V= Volcameriano; L= Limão; T= Tangerina.
15
Clima promover saturação temporária da cama-
da superficial promovendo má oxigenação
O regime climático onde estão loca- do solo e, no período seco, em geral mais
lizados os pomares de citros em Sergipe, longo, é insuficiente para suprir as neces-
caracteriza-se pela alta concentração das sidade das plantas por água. Pode-se no-
chuvas entre abril e setembro e presença tar na figura que a curva de evaporação
de um período mais seco entre os meses tem comportamento inverso ao da precipi-
de outubro e março (Figura 6), além de tação pluvial o que significa dizer que jun-
apresentar temperatura média de 24oC e tas respondem pelos principais problemas
umidade relativa do ar ao redor de 81%. relacionados com fornecimento de água
As culturas perenes, a exemplo dos citros, para a citricultura desenvolvida sob regi-
sofrem bastante com o regime me de sequeiro nos tabuleiros costeiros.
pluviométrico pois, no período chuvoso a
umidade do solo é alta o suficiente para
Precipitação pluvial e Evaporação (mm)
300
Precipitação pluvial (mm)
250 Evaporação (mm)
200
150
100
50
0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Meses
Fig. 6. Distribuição pluvial e evaporação (média mensal) durante os anos de 1998 a 2002. Platô de
Neópolis, SE.
Junto com o baixo índice solo, sem o que, não será possível desen-
pluviométrico dos meses situados entre volver estratégias que levem à melhoria
setembro e abril, outros fatores como a dos sistemas de produção. Em princípio,
baixa capacidade de retenção de água dos são as reservas de água prontamente dis-
solos e a presença de camadas coesas poníveis e em teores adequados, que per-
imprimem grande vulnerabilidade à mitem às culturas atravessar sem gran-
citricultura praticada nessa região. Esse des danos ao seu desenvolvimento, os
conjunto de variáveis atuando de forma períodos de déficit hídrico. Nas Figura 7 e
integrada, traz problemas ao desenvolvi- 8, verifica-se uma curva de umidade de um
mento da planta cítrica, principalmente solo da região Centro Sul de Sergipe em
durante o período seco, quando as reser- função da precipitação pluvial (Figura 7) e
vas de água na camada superficial, onde estações climáticas (Figura 8). Com pou-
está concentrada a quase totalidade do sis- cas variações, essas Figuras representam
tema radicular, chega a níveis críticos cau- a situação média encontrada em toda a
sando danos, muitas vezes, irreversíveis região produtora de citros do Estado. Com
à produtividade dos pomares. base nas curvas de umedecimento do solo
pode-se inferir sobre os meses do ano
Para avaliar a disponibilidade de água quando a intervenção no manejo para con-
adequada para as culturas é necessário o servação da umidade do solo deve ser in-
conhecimento preciso da sua dinâmica no tensificada. Esse conhecimento gerado no
16
meio real e seguido de ações preventivas, rística de produção, predominantemente de
efetivamente implementadas, é imprescin- sequeiro.
dível para o estabelecimento de pomares
sustentáveis e produtivos. O bom desempenho dos pomares
nas regiões produtoras do Estado está con-
dicionado ao conhecimento das peculiari-
Distribuição da umidade dos solo no perfil (média mensal de cinco repetições) em
relação à precipitação pluviométrica (media mensal)
dades das áreas em que estão implanta-
dos e do ajuste das práticas de manejo do
solo e da cultura às condições específicas
0,35 300
0,3
Precipitação
250
do meio ambiente
Umidade volumétrica (m3 m-3)
Média da umidade do
Média no perfil
Precipitação pluvial (mm)
0,25 solo no perfil
200
É necessária a adoção de cuidados
0,2
especiais na seleção das práticas de ma-
150 nejo do solo e da irrigação na região Cen-
0,15
tro Sul do Estado, as quais devem levar
0,1
100
em conta as especificidades dos solos uti-
lizados e a presença de camadas
adensadas superficiais.
50
0,05
0 0
Recomendações
dez/95 jan/96 fev/96 mar/96 abr/96 mai/96 jun/96 jul/96 ago/96 set/96 out/96 nov/96
Meses
Fig. 7. Distribuição da umidade do solo em função do tempo e em
relação à precipitação pluviométrica (media mensal). Umbaúba, SE.
0,40 Nas áreas de produção de citros da
0,35
região Centro Sul do Estado de Sergipe é
Estação seca
imprescindível a utilização de práticas de
manejo do solo que impeçam a perda rápi-
Umidade Volumétrica,ξ ( cm cm )
0,30
-3
0,25 da da água após a estação chuvosa e que
0,20
considerem o baixo volume do sistema
radicular e sua superficialização imposta
0,15
pelas camadas coesas. A seguir alguns
0,10
Estação chuvosa exemplos de práticas que podem ser com-
0,05 patíveis com essa realidade:
Capacidade de campo
Utilização de porta-enxerto adapta-
0,00
out-95 nov-95 dez-95 jan-96 fev-96 mar-96 abr-96 mai-96 jun-96 jul-96 ago-96 set-96 out-96 nov-96
do e com características de resistência a
Data
Fig. 8. Distribuição da umidade do solo em função em função das
estações climáticas. Umbaúba, SE. seca.
Considerações finais Manutenção de cobertura morta na
zona do coroamento utilizando estercos e
A presença de camadas coesas lo- resíduos vegetais de baixo custo cuidando
calizadas próximas à superfície do solo na para evitar amontoa junto ao colo da plan-
região produtora de citros do estado de ta.
Sergipe, associada ao regime climático ca-
racterístico dessa região, pode ser consi- Minimização das práticas mecaniza-
derado um dos fatores restritivos à produ- das para evitar o revolvimento excessivo
tividade dessa cultura pelos efeitos que do solo e a aceleração das perdas de água
causam no movimento e retenção de água da camada arável.
no solo e no e aprofundamento do sistema
radicular. Utilização de coberturas vegetais
leguminosas nas entrelinhas dos pomares,
O impedimento que as camadas co- durante a estação chuvosa, como estra-
esas promove no movimento da água, no tégia para melhoria das características fí-
solo e no aprofundamento do sistema sicas, químicas e biológicas da zona de
radicular ganha grande relevância na re- exploração do sistema radicular das laran-
gião Centro Sul do Estado face à caracte- jeiras.
17
Aumento das dimensões das covas
de plantio e melhoria na qualidade da sua
preparação, para aumentar a possibilida-
de de expansão das raízes além das ca-
madas coesas.
Em situações especificas, devido ao
elevado custo, utilização de subsolagem
como estratégia para promover
aprofundamento do sistema radicular.
Referências bibliográficas
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L. A. C. Distribuição do sistema radicular
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SOLOS DOS TABULEIROS COSTEIROS,
2001, Aracaju. Anais... Aracaju: Embrapa
Tabuleiros Costeiros, 2001. 339 p. p. 19-
45.
Capítulo 2
MANEJO DO SOLO EM CITROS
Joézio Luiz dos Anjos, Fernando Luis Dultra Cintra, Antônio Carlos Barreto, Roosevelt
Menezes Prudente e Ivandro de França da Silva
As técnicas de manejo do solo dos sobre os métodos de manejo do solo em
pomares de citros já vêm sendo estuda- citros pesquisados principalmente na re-
das há mais de 40 anos. Mesmo assim, gião citrícola de Sergipe e Bahia.
na atualidade ainda há pesquisas, indaga-
ções e controvérsias sobre a melhor práti-
ca de manejo que resulte em maior renta-
Preparo do solo na Implan-
bilidade, assegure diminuição de impacto tação
ambiental e promova sustentabilidade.
Desmatamento
Já na década de 60 Gallo e
Rodriguez apresentaram resultados de pes- A área para implantação do pomar
quisa demonstrando a potencialidade da deve ser preparada com antecedência de
adubação verde e do uso de cobertura um ano, ou seja, retirada de árvores, ar-
morta. Na Bahia, Passos et al. (1973) re- bustos, tocos e raízes deve ocorrer bem
latam o potencial da grade e da adubação antes do plantio seja para viabilizar os tra-
verde. Cintra e Coelho (1983) estudaram tos culturais assim como para evitar do-
o efeito do manejo na conservação do solo enças fúngicas nas raízes dos citros cau-
e já tinham preocupação com a escassez sadas pelo apodrecimento das raízes re-
hídrica na citricultura nordestina, com manescentes, por esse motivo não é re-
enfoque na competição entre a vegetação comendável a implantação do pomar logo
espontânea e as plantas cítricas. Em São no ano do desmatamento, e sim o cultivo
Paulo, na década de 90, alguns estudos de plantas anuais ou leguminosas (Koller,
ressaltam o valor das leguminosas no ma- 1994). Não se deve esquecer o combate
nejo do pomar e na disponibilização de N às formigas cortadeiras antes do preparo
para os citros. Outros, porém, não obser- do solo, evitar o fogo na área e também a
varam efeito dos sistemas de manejo na perda da camada superficial do solo du-
produtividade dos citros. rante o desmatamento.
Pesquisadores e professores da Preparo do solo
UFBA e da Embrapa Fruticultura Tropical,
Após o desmatamento, o preparo de
respectivamente, têm orientado muitas dis-
solo mais comum antigamente era com
sertações sobre o tema e divulgado o ma-
uma ou duas arações profundas em toda a
nejo dos pomares com leguminosas,
área seguida de destorroamento e
subsolagem e herbicida, e apresentam
nivelamento com duas gradeações. Atu-
restrição do manejo com grade. Também
almente, com a maior conscientização em
a equipe de solo da Embrapa Tabuleiros
relação a conservação do solo com
costeiros vem pesquisando o uso de
mobilização mínima, realiza-se o
leguminosas e sistemas de manejo em
sulcamento ou se necessário a subsolagem
pomares de citros. Apesar dessa gama de
na linha de plantio, para melhor incorpora-
pesquisa há nuances que precisam ser
ção de calcário dolomítico e fósforo e tam-
detalhadas, por exemplo, localização da
bém visando maior aprofundamento das
subsolagem, umidade do solo etc.
raízes das plantas cítricas.
O objetivo desse capítulo é informar
20
Subsolagem Em áreas citrícolas dos tabuleiros
costeiros da Bahia, Rezende et al. (2002)
Processo de aplicação de subsolador relatam experiência positiva com
a profundidade maior que 30cm para me- subsolagem na implantação de pomar do
lhor arejamento, drenagem, maior tangerina ‘Murcott’. A subsolagem foi apli-
armazenamento de água em profundidade, cada na linha de plantio e houve melhor
e maior penetração de raízes em solos desenvolvimento das plantas aos 2 anos
compactados ou naturalmente adensados de idade. Também Carvalho e Vargas
- a exemplo dos solos dos tabuleiros cos- (2004) relatam respostas positivas de
teiros. A subsolagem serve também para produção em pomar de citros (‘Pêra / ‘Cra-
elevação da fertilidade do solo em profun- vo’) com o manejo na entrelinha com
didade pela maior incorporação do calcário subsolagem e uso de feijão de porco
e fósforo. (Canavalia ensiformis,(L), D.C.) tanto em
Sergipe como na Bahia, em Latossolo e
Na citricultura paulista, a Argissolo. Por outro lado, em pesquisa de
subsolagem é mais utilizada em áreas 10 anos sobre o mesmo assunto, Anjos
comprovadamente compactadas, de reno- (2006) não verificou efeito significativo da
vação ou implantação de pomar novo, pre- subsolagem, aplicada na entrelinha do po-
ferencialmente em faixa larga nas linhas mar isoladamente, no desenvolvimento (Fi-
de plantio devido o alto custo de aplicação gura 1) e produção (Figura 2) da laranjeira
com máquinas de grande potência (acima ‘Pêra’ sobre ‘Cravo’ em Argissolo de ta-
de 100 HP) para o rompimento do solo em buleiro, em Sergipe, apesar de ter verifi-
profundidade. cado efeito positivo da subsolagem quan-
do seguida do plantio de leguminosa em
atributos físicos do solo, assim como Car-
Altura das plantas cítricas-10 anos valho et al.( ).
325
310 Aa
aA aA aA
295 aA aA
280
265
250
235
220
Grade Roçadeira F. porco
co m sub so lag em sem sub so lag em
Fig.1. Altura das plantas cítricas (cm) aos 10 anos de idade sob efeito
de grade, roçadeira e feijão de porco com e sem subsolagem (Anjos,
2006).
Colheita total de frutos em 4 anos
122a 124a
125 117a 117a
110
96b 93b
95
80
65
50
gd c gd s rç c rç s fp c fp s
Fig.2. Colheita de laranja em 4 anos sob efeito de grade
(gd), roçadeira (rç) e feijão de porco (fp) com (c) e sem (s)
subsolagem. (Anjos, 2006).
21
Portanto, há ainda necessidade de Grade de disco
maior aprofundamento de pesquisa sobre
o manejo do solo com subsolador nos ta- Implemento agrícola mais utilizado
buleiros costeiros. nos pomares da Região Nordeste. Na
citricultura paulista vem sendo substituí-
da pela roçagem da entrelinha por não ha-
Como controlar o mato na ver risco de competição da vegetação es-
linha e na rua do pomar? pontânea por água com os citros, por cau-
sa do clima. O tipo de grade mais utilizada
O controle da vegetação espontâ- é a de arrasto com dois eixos em V e 20
nea na linha e entrelinha do pomar visa a discos de 36cm. É um dos métodos mais
obtenção de maior produtividade de citros eficientes para o controle do mato por pro-
pela diminuição da competição da vegeta- mover sua incorporação superficial no solo.
ção espontânea por água e nutrientes.
Outro aspecto importante do manejo do O aspecto negativo da grade é o ris-
solo no pomar é a manutenção ou melhoria co de degradação do solo pela exposição
física, química e biológica do solo que con- ao sol e à chuva, principalmente quando o
tribuirá para a conservação do solo e seu uso é excessivo. A grade também pro-
sustentabilidade da atividade. voca corte das radicelas superficiais pos-
sibilitando infecção por fungos de solo. O
O manejo ideal do solo em pomares seu uso no período seco pulveriza o solo
está em função de fatores como clima, promovendo partículas suspensas ( poei-
solo, topografia e aspectos econômicos ra) que recobrem as folhas de citros dimi-
como tamanho do pomar e disponibilidade nuindo a capacidade fotossintética influ-
de máquinas (Koller, 1994). Segundo Tersi enciando na diminuição da produtividade.
(2003) em termos econômicos não há O uso constante da grade pode estimular
muito impacto sobre o tipo de manejo num o surgimento de pragas por falta de abrigo
pomar de citros. Mesmo assim, deve-se para os insetos predadores de pragas pela
considerar o impacto do tipo de manejo na diminuição da biodiversidade da vegetação
degradação do ambiente(solo,água,etc). espontânea. Por tudo isso, vários autores
Dentre os sistemas de manejo mais utili- não recomendam mais o uso de grade em
zados estão o uso de grade durante todo o pomares, entretanto, o assunto não está
ano, alternância entre roçadeira no perío- ainda esgotado pois, apesar desses aspec-
do de chuva e grade no período seco, atu- tos, a praticidade da grade e boa resposta
almente o mais utilizado na citricultura de produtividade no pomar parecem supe-
sergipana e o consórcio de leguminosa nas rar os inconvenientes sinalizando para o
águas plantadas a lanço e grade no perío- uso racional como uma opção principal-
do seco. mente na Região Nordeste onde a compe-
tição por água é um dos principais fatores
Na linha de plantio ainda é comum na redução da produtividade, conforme fi-
duas capinas com enxada e uma roçagem gura 3 apresentada por Anjos (2006). Nes-
em pequenas propriedades e uso do se caso recomenda-se o uso criterioso,
herbicida glifosato nas médias e grandes de maneira superficial, e no máximo 1 a 2
áreas cultivadas com citros, em média 2 vezes ao ano.
aplicações , uma no início das águas e ou- C o lhe it a t o t a l e m 4 a no s
tra no início do período seco. O uso do 123a
125 117a
glifosato além de evitar o corte de raízes
110
que possibilita o surgimento de doença 94b
95
(gomose), segundo Carvalho (2005), é
mais barato (20 a 30%) e não causa pro- 80
blema ambiental por ser biodegradável no 65
solo. 50
Gr a d e R oç a d e i r a F . p or c o
Fig.3. Produção total de 4 anos de pomar - ‘Pêra/
‘Cravo’ dos 7 aos 10 anos sob efeito de sistemas
de manejo (Anjos,2006)
22
Roçadeira to de N às plantas cítricas quanto a adu-
bação com uréia, promovendo inclusive a
O uso de roçadeira na entrelinha do mesma produtividade média (30 t/ha/ano).
pomar no período das águas em substitui-
ção a grade é recomendado nos pomares
paulistas (Tersi, 2003) e também muito Considerações finais
utilizado na citricultura de Sergipe e Bahia.
Dentre os sistemas de manejo es-
Referindo-se a questão ambiental, esse ma-
tudados e divulgados nas condições
nejo é correto considerando que a manu-
edafoclimáticas da citricultura em Sergipe
tenção da vegetação espontânea no pomar
e na Bahia, mesmo considerando que o as-
promove abrigo para inimigos naturais de
sunto não está esgotado, pode –se con-
pragas, protege o solo contra a erosão e
cluir que:
promove a conservação e melhoria das ca-
racterísticas físicas e hídricas, assim como
O uso de leguminosas na entrelinha
a possibilidade de reciclagem de nutrientes
do pomar no período das águas e incorpo-
e manutenção e/ou adição de matéria or-
ração com grade no início do período seco
gânica.
promove produtividade de 30t/ha, melhoria
física e na conservação do solo;
Cintra et al. (1983) citam a impor-
tância da roçagem da vegetação espontâ-
O uso de grade o ano inteiro tem
nea para a conservação do solo, em po-
produtividade estatisticamente igual ao
mares da Região Nordeste. Entretanto,
manejo com leguminosa, entretanto com
ressaltam que há risco de competição des-
potencial de degradação do solo a longo
sa vegetação por água e nutrientes com
prazo.
as plantas cítricas, no período seco, devi-
do à sua melhor adaptação, por isso reco- A subsolagem aplicada na entrelinha do
mendam a sua incorporação nesse perío- pomar não influencia na produtividade, embora
do. promova alguma melhoria física no solo;
Uso de leguminosas A roçagem do mato na entrelinha do
pomar de citros, mesmo no período da chu-
As leguminosas são bastante va, deve ser considerada com critério e
divulgadas em todo o mundo pela capaci- cautela devido ao risco de competição, nas
dade de simbiose com bactérias fixadoras condições da Região Nordeste.
de nitrogênio, principalmente, na atualida-
de com a conscientização ambiental já no Referências bibliográficas
âmbito tecnológico. As leguminosas tam-
bém são de grande importância para a con- ANJOS, J. L. Sistemas de manejo em
servação do solo pela rapidez da cobertu- argissolo dos tabuleiros costeiros cultivado
ra, proteção do solo contra erosão e pos- com citros. 2006. 86 f. Tese (Doutorado)-
sibilidade de reciclagem de nutrientes de Centro de Ciências Agrárias, Universidade
camadas mais profundas para a superfí- Federal da Paraíba, Areia. 2006.
cie, após a incorporação. Há pesquisa em
São Paulo demonstrando que a sua utili- ANJOS, J. L. Atributos físicos de um
zação como cultura intercalar pode suprir argissolo em pomar cítrico sob sistemas
todo o nitrogênio necessário às plantas de manejo mecânico e biológico nos
cítricas até o quarto ano de idade (Silva, tabuleiros costeiros. CONGRESSO
1995) . Em Sergipe, Anjos et al. (2004) BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 18.,
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leguminosas controlaram totalmente a ve- CARVALHO, J. E. B. Manejo de plantas
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Foram também tão eficientes no suprimen- MAGALHÃES, A. F. de J.; COELHO, Y. da
23
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Capítulo 3
USO DE LEGUMINOSAS
Antônio Carlos Barreto, Joézio Luiz dos Anjos, Marcelo Ferreira Fernandes e
Lafayette Franco Sobral
A prática da adubação verde tem Leguminosas
sido considerada capaz de promover a
melhoria de características físicas, quí- Quando a adubação verde é feita
micas e biológicas dos solos. A litera- com leguminosas, além de outros bene-
tura relata aumento dos teores de car- fícios, quantidades expressivas de nitro-
bono, da capacidade de troca de cátions gênio podem ser adicionadas ao solo após
(Testa et al., 1992; Debarda & Amado, incorporação destas plantas, em função
1997; Bayer & Mielniczuk, 1997a) e da da fixação biológica deste nutriente, re-
formação e estabilização de agregados sultando em menor necessidade de utili-
(Paladini & Mielniczuk, 1991), o que zação de adubos nitrogenados minerais
torna os solos mais resistentes à de- para que altas produtividades sejam
gradação pelo impacto da chuva e alcançadas pelas plantas cítricas. A fa-
incrementa os teores de N total do solo mília das leguminosas compõe-se de nu-
(Bayer & Mielniczuk, 1997 b). Para os merosas espécies que apresentam
solos dos tabuleiros costeiros, que em características diversas quanto ao ciclo
geral apresentam baixos teores de ma- vegetativo, produção de fitomassa, por-
téria orgânica, a adubação verde cer- te e ainda uma ampla diversidade de exi-
tamente tem potencial para promover gências em relação a clima e solo. Na
muitos benefícios. escolha de espécies a serem recomen-
dadas para uma determinada região, de-
Na atualidade pode-se conceituar vem-se procurar combinações desses
a adubação verde como a utilização de fatores que atendam às exigências lo-
plantas em rotação, sucessão ou cais, dando-se preferência as que produ-
consorciação com as culturas, incorpo- zam maior volume de matéria seca, as
rando-as ao solo ou deixando-as na menos sujeitas a pragas e doenças e as
superfície, visando-se a proteção que possuam sementes relativamente
superficial, bem como a manutenção e uniformes e fáceis de semear, tanto ma-
melhoria de características do solo, in- nualmente como através de máquinas.
clusive até profundidades significati-
vas. Eventualmente, partes das plantas Características de espécies de
utilizadas como adubos verdes podem leguminosas, testadas nas condições do
ter outra destinação como, por exem- Estado de Sergipe, entre as quais desta-
plo, produção de sementes, fibras, ali- cam-se o guandu comum, labe-labe e fei-
mentação animal, etc. (Calegari et al., jão-de-porco são apresentadas na Tabe-
1993). la 1 (Barreto & Fernandes, 1999).
26
Tabela 1. Produção média de matéria seca da parte aérea, teor de nitrogênio e características técnicas
para o cultivo exclusivo de leguminosas, avaliadas nas condições dos tabuleiros costeiros do Estado de
Sergipe.
Prod. média de N Densidade Peso de Quant. de
Espaçamento Produção média Floração
mat. seca (MS) 100 sementes para
Espécies na MS entre linhas EC (1) Sem./m(2) de sementes Plena
da parte aérea sementes plantio(3)
(%) (m) (cm) (no) (kg/ha) (dias)
(t ha-1) (g) (kg/ha)
Guandu comum 2,28 0,5-1,0 20 10-15 15-25 45-55 1000 a 2000 146
8,61
Labe-labe 3,50 0,50-0,80 40 8 25-35 45-50 500 a 1000 150
8,21
Feijão-de-porco 3,43 0,5-1,0 40 5 150-170 150-170 800 a 1200 130
7,72
3,26 0,5-1,0 40 5 70-80 70-80 1000 a 1500 115
Mucuna preta 6,27
2,25 0,25-0,50 20 15-20 5-10 25-35 1000 a 1300 56
C. juncea 6,39
C. ochroleuca 2,33 0,25-0,50 20 20-25 3-5 13-18 - 77
6,23
[Link] 2,38 0,25-0,50 20 15-20 3-7 15-20 1000 96
6,08
Calopogônio 2,85 0,5-1,0 20 20-25 2-4 8-15 500 a 800 146
4,34
Mucuna rajada 3,28 0,5-1,0 40 5 55-65 55-65 1500 a 2100 83
4,57
2,41 0,25-0,50 20 15-20 4-7 15-20 - 83
C. breviflora 4,53
Guandu anão 2,26 0,25-0,7 20 10-15 5-15 20-30 1000 a 2000 77
4,04
(1)
EC-Espaçamento entre covas; (2)
Sem/m - Quantidade de semente por metro linear; (3)
Para plantio a lanço usar mais 20%.
Manejo das entrelinhas dos do o manejo de plantas infestantes, tem
contribuído para agravar problemas rela-
citros tivos aos solos dos tabuleiros costeiros,
tais como predominância de teores bai-
A utilização de culturas intercalares
xos de matéria orgânica, baixos valores
nas entrelinhas em nada prejudica a for-
de CTC e baixa capacidade de retenção
mação dos citros, desde que se tomem
de água, que aliado ao adensamento ca-
medidas adequadas, principalmente, no
racterístico da camada coesa
plantio e na manutenção (limpas e aduba-
subsuperficial, tem afetado a dinâmica
ção). Já foram realizados diversos estu-
da água no perfil do solo, dificultando a
dos com feijão, milho, amendoim, inhame,
sua infiltração. Esses fatores restringem
fumo, maracujá, abacaxi, mamão com re-
o desenvolvimento do sistema radicular
sultados bastante positivos. Essa é uma
das plantas, que é fator condicionante
opção atrativa principalmente do ponto de
para obtenção de altas produtividades,
vista econômico e/ou de aumento de ofer-
através da exploração de um maior volu-
ta alimentar, em geral utilizada nos primei-
me de solo. Nos tabuleiros costeiros da
ros anos de implantação do pomar, em fun-
Bahia e Sergipe, vem se obtendo bons
ção do pouco sombreamento exercido pe-
resultados com o manejo do solo nas
las plantas cítricas, sem no entanto, ne-
entrelinhas do citros, utilizando-se cober-
cessariamente promover benefícios, em
tura vegetal com feijão-de-porco (Figura
relação à preservação ou melhoria das
1), associada ao uso de herbicida pós-
características do solo.
emergente à base de glifosato nas linhas
O manejo tradicional das entrelinhas, e de subsolador nas entrelinhas, a inter-
com o uso excessivo de gradagem visan- valos de quatro a cinco anos, para ate-
27
nuar o adensamento característico da ca- Recomendações práticas
mada coesa. Esse sistema tem promovi-
do a melhoria de características do solo, Calagem e adubação
aumento de produtividade e diminuição
dos custos na exploração do citros (Car- Os solos dos tabuleiros costeiros em
valho et al, 1996). geral são de baixa fertilidade e portanto,
necessitam de correção da acidez e de adi-
Foto: Antônio C. Barreto
ção pelo menos dos macronutrientes fós-
foro e potássio nas entrelinhas, para a im-
plantação das leguminosas, o que deve ser
feito sempre quando possível, tomando-se
por base resultados de análises de solo.
Vale ressaltar que essa adubação pode be-
neficiar diretamente as plantas cítricas, à
medida que o desenvolvimento lateral das
Fig. 1. Cultivo de feijão-de-porco nas raízes tenha alcançado as entrelinhas. As
entrelinhas do pomar cítrico. leguminosas naturalmente dispensam o
uso do nitrogênio o qual obtêm através da
Com o plantio de leguminosas nas fixação simbiótica com bactérias dos gê-
entrelinhas, também é possível a redu- neros Rhizobium e Bradyrhyzobium.
ção do uso de fertilizantes nitrogenados
minerais em até 50 % (Tabela 2), o que
Plantio e manejo da biomassa
se reflete positivamente na diminuição de
O plantio das leguminosas deve ser
custos, além de proporcionar condições
feito no início do período chuvoso (abril a
mais favoráveis do ponto de vista
maio), em geral a lanço (Tabela 1), com
ambiental (Anjos et al, 2004).
posterior incorporação das sementes com
uma gradagem leve. No final desse perío-
Tabela 2. Produtividade média de frutos
do, quando a competição por água torna-
em quatro anos (2001-2004) consideran-
se crítica, a massa vegetal desenvolvida
do a fase de maior estabilização do po-
nas entrelinhas é roçada e deixada sobre
mar cítrico (7 a 10 anos de idade).
a superfície.
Produtividade mé- Produção de sementes
Tratamento dia dos citros de
2001 a 2004 A produção de sementes de
t/ha leguminosas na própria propriedade deve
ser incentivada, pois, além da redução dos
A- mato + 100%N mineral 33,76 custos, é uma forma do agricultor se fa-
miliarizar com as principais espécies que
B- Crotalaria juncea + 0% de N mineral 33,87
podem ser utilizadas e gradativamente
C-Feijão de porco + 0% de N mineral 34,56 perceber a importância da adoção da prá-
tica da adubação verde, no aumento bené-
D- Crotalária juncea + 25% de N mineral 38,79 fico da diversidade biológica e na melhoria
da qualidade do solo, incorporando-a ao seu
E- Feijão de porco + 25% de N mineral 36,35
processo produtivo.
F- Crotalária juncea + 50% de N mineral 35,27
Adotando-se as orientações técni-
G- Feijão de porco + 50% de N mineral 37,22 cas da Tabela 1, deve-se planejar a produ-
ção de sementes, em área separada, de
H- Mucuna preta + 50% de N mineral 29,50 acordo com a quantidade necessária para
utilização da adubação verde na proprie-
I- Mato + 0% de N mineral 23,09
Anjos et al, 2004
dade.
28
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Capítulo 4
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DA LARANJA
Lafayette Franco Sobral, Joézio Luiz dos Anjos, Antonia Fonseca de Jesus Magalhães,
Luiz Francisco da Silva Souza, Antonio Carlos Barreto eJosé Unaldo Barbosa Silva
A citricultura é uma das principais resposta linear ao N. A deficiência do nu-
atividades agrícolas de Sergipe, pois gera triente diminuiu o tamanho dos frutos, não
emprego e renda para a população da re- influenciando na qualidade dos mesmos.
gião Centro Sul do Estado. Na região
citricola de Sergipe, os Latossolos Ama- Apesar das quantidades de fósforo
relos e os Argissolos Amarelos são os requeridas pela planta cítrica serem bem
solos que ocorrem com maior freqüência. menores quando comparadas com as de
Ambos são originários do Terciário, com cálcio, nitrogênio e potássio, em solos tro-
alto grau de intemperização, com baixo teor picais, onde o teor de fósforo é muito bai-
de matéria orgânica e predominância da xo e o mesmo é um fator limitante da pro-
caulinita na fração argila (Jacomine, 1996; dução. Quaggio (1992) observou resposta
Sobral, 1984). São solos de baixa fertili- linear ao fósforo, até a dose de 140 kg ha-
dade e sem a prática da adubação, a pro-
1
de P, quando o teor do nutriente no solo
dutividade dos pomares é muito baixa era 4 mg dm-3 , pelo método da resina tro-
(Sobral et al., 1974, 1998, 2000). cadora de íons. Nos solos onde os teores
de fósforo eram maiores que 9 mg dm-3
Remoção de nutrientes e res- pelo mesmo método, não foram observa-
posta da laranjeira a aduba- das respostas. Em um Latossolo Amarelo
dos tabuleiros costeiros com 1,1 mg kg-1
ção de P pelo método Mehlich 1. Sobral et al.,
(2000) observaram efeitos positivos do P
Cada tonelada de laranja “Pêra”
na produção, porcentagem de suco e na
acumula 2,080 kg de N, 0,185 kg de P,
relação sólidos solúveis/acidez.
1,505 kg de K, 0,456 Kg de Ca, 0,114 Kg
de Mg, 0,137 kg de S, 2,4 g de B, 0,6 g de A adubação potássica é importante
Cu, 0,9 g de Mn, 0,7 g de Zn e 5 mg de particularmente quando o objetivo é pro-
Mo. (Malavolta & Violante Neto, 1989). duzir para o mercado in-natura, pois a de-
ficiência de potássio não somente causa
Embora as recomendações de ferti-
queda de frutos e impede o crescimento
lizantes não possam se basear somente
dos que permanecem, mas também por-
nas quantidades de nutrientes exportados,
que é o nutriente que mais afeta a sua
estes números dão uma indicação do que
qualidade. Quaggio (1992) encontrou res-
necessita ser reposto, pensando-se na ma-
postas lineares ao potássio quando o teor
nutenção da capacidade produtiva do solo
do nutriente em um LE - distrófico era 27,3
e na preservação ambiental. Experimentos
mg dm-3. Em relação à qualidade de fruto,
de adubação tem sido conduzidos com o
Du Plessis & Koen, (1984, 1989) obser-
objetivo de estudar a resposta da laranjei-
varam aumento do tamanho do fruto com
ra aos nutrientes bem como calibrar as re-
aplicação de potássio. Em um Latossolo
comendações de adubação com base na
Amarelo dos tabuleiros costeiros com 47
análise química do solo. Quaggio(1992)
mg kg-1 de K pelo Mehlich 1, Sobral et al.,
observou respostas significativas positivas
(2000) observaram que o K aumentou a
da laranja à aplicação de N. A dose calcu-
produção, o tamanho dos frutos e a aci-
lada para máxima produtividade foi de 220
dez, diminuindo, porém a relação sólidos
kg ha-1. Sobral et al., (2000) observaram
solúveis/acidez.
30
Em Sergipe os micronutrientes cujas Fósforo
deficiências ocorrem com maior freqüên-
cia são o Mn e o Zn. Em vinte e cinco O fósforo é absorvido pelas plantas
porcento dos pomares há deficiência de principalmente na forma H2PO4-1 e o pro-
cobre, enquanto que só raramente cons- cesso de absorção é dependente do pH.
tata-se deficiências de boro. Na planta, o fósforo participa das reações
ligadas ao ADP, as quais envolvem o trans-
Funções e sintomas de defi- porte de energia. A deficiência de fósforo
causa a diminuição do crescimento, sendo
ciência dos nutrientes observado folhas maduras de tamanho au-
mentado, sem brilho e coriáceas. Frutos
Nitrogênio
esponjosos com o columela aberta e áci-
dos (Malavolta & Violante Neto, 1989 e
O nitrogênio é absorvido pelas plan-
Mattos Junior et al., 2005).
tas, preferencialmente, nas formas iônicas
de nitrato NO3- e amônio NH4+. O nitrogê-
Potássio
nio é móvel na planta e é utilizado na sínte-
se de aminoácidos que compõem as pro- O potássio é o único nutriente que
teínas, sendo também necessário para não é um constituinte de estruturas orgâ-
outros compostos, como a clorofila, áci- nicas. O potássio é absorvido na forma
dos nucléicos e enzimas. O nitrogênio tem iônica e tende a permanecer na planta nes-
influencia na fixação de frutos novos e na ta mesma forma. O potássio é essencial
qualidade dos mesmos (Marschner, 1995). para a translocação de açúcares e para a
Os sintomas de deficiência de N caracte- formação de amido e também é necessá-
rizam-se por clorose generalizada (cor verde rio para os processos de abertura e fecha-
pálido evoluindo para amarelecimento das mento dos estômatos. Folhas novas com
folhas), conforme é mostrado na Figura 1, margens secas, diminuição do tamanho dos
retardamento do crescimento das plantas frutos os quais podem cair em caso de
e modificação da morfologia das folhas deficiência severa são sintomas da defici-
tornando-as pequenas. Quando a deficiên- ência de K (Malavolta & Violante Neto,
cia se assevera as folhas velhas senescem 1989 e Mattos Junior et al., 2005). Na
e caem prematuramente e ocorre o citricultura sergipana é comum encontrar-
secamento dos ponteiros dos ramos ( se frutos com a parte superior ou total-
Malavolta & Violante Neto, 1989 e Mattos mente sem suco, popularmente denomina-
Junior et al., 2005). dos “cabeça seca” os quais são resultan-
tes de um suprimento inadequado de po-
Foto: M. Mendonça
tássio.
Foto: M. Mendonça
Fig. 1. Folha de muda de laranja pêra com deficiência de N. Fruto com “cabeça seca”.
31
Cálcio dos de plantas deficientes em B apresen-
tam o albedo mais espesso e bolsas de
O cálcio é absorvido na forma de goma (Malavolta, 1989 e Mattos Junior
Ca+2 e é de reduzida mobilidade. As fun- et al., 2005).
ções do nutriente na planta estão relacio-
nadas à parede celular como constituinte Cobre
da mesma. Na laranjeira, a concentração
de cálcio na folha é maior que todos os O cobre é absorvido na forma de
demais nutrientes. Plantas deficientes em Cu +2
e participa dos processos de
cálcio apresentam folhagem pouco densa, fotossíntese, respiração e regulação
o que pode também esta relacionado a ou- hormonal, sendo pouco móvel na planta
tros nutrientes como é o caso do N. Como (Malavolta et al., 1989). Bolsas com goma
o sintoma não é facilmente encontrado os nos ramos e frutos com erupções
teores de cálcio no solo e na planta devem pardacentas na superfície da pele são os
ser monitorados (Malavolta & Violante Neto, principais sintomas de deficiência de Cu
1989 e Mattos Junior et al., 2005). (Malavolta, 1989 e Mattos Junior et al.,
2005). Em Sergipe observa-se como sin-
Magnésio tomas mais destacados a presença de fru-
tos não maduros com a casca com colora-
O magnésio é absorvido na forma ção verde-pálida e com pontuações
de Mg+2 e faz parte da molécula da cloro- necróticas que vão aumentando com o ama-
fila. Os sintomas de deficiência aparecem durecimento do fruto formando uma cros-
primeiro nas folhas velhas os quais carac-
Fotos: Luiz Mário Santos da Silva
terizam-se por uma clorose interneval em
forma de V invertido ( Malavolta & Violante
Neto, 1989 e Mattos Junior et al., 2005).
Enxofre
O enxofre é absorvido principalmen-
te na forma de SO4-2. Também pode ser
absorvido pelas folhas na forma SO2, es- Fig. 2. Frutos com deficiência de Cu.
pecialmente em áreas onde a atmosfera é
enriquecida através das indústrias. É cons- Manganês
tituinte de três aminoácidos (cistina,
metionina e cisteina), sendo, portanto, es- O manganês é absorvido na forma
sencial para a síntese de proteínas. A de Mn+2 e é pouco móvel na planta, parti-
translocação do enxofre não ocorre das cipando dos processos de fotossíntese,
folhas mais velhas para as mais novas respiração e síntese de proteínas. Folhas
(Marschner, 1995) e em função disto os de tamanho normal com clorose interneval
sintomas de deficiência ocorrem nas fo- caracterizam a deficiência de Mn (Figura
lhas mais novas as quais tornam-se ver- 3)(Malavolta, 1989 e Mattos Junior et al.,
de-amareladas (Malavolta, 1989). 2005).
Fotos: Luiz Mário Santos da Silva
Boro
O boro é absorvido na forma de
H3BO3 e é relativamente imóvel na planta.
O boro tem função no transporte de açú-
cares e na síntese de ácidos nucléicos
(Marschner 1995). A deformação das fo-
lhas novas e a morte da gema apical com
ocorrência de brotações laterais oriundas
de gemas axilares são os principais sinto- Fig. 3. Sintoma de deficiência de Mn em folha
mas de deficiência de B. Os frutos oriun- de laranja.
32
Zinco trientes que se correlacionam com as quan-
tidades extraídas pelas raízes das plantas.
O zinco é absorvido na forma de No Brasil dois mecanismos são utilizados
Zn+2 e é pouco móvel na planta. Participa mais extensivamente. A dissolução ácida
dos processos de respiração, controle representada principalmente pelo Mehlich
hormonal e síntese de proteínas. Clorose 1 (Kuo, 1996; Silva, 1999)e a troca iônica
interneval nas folhas novas as quais são representada pela resina (Raij et al., 1986).
de tamanho reduzido, estreitas e Experimentos de campo são conduzidos
lanceoladas e ocorrem em ramos com para determinar a relação entre as quanti-
internódios curtos são os principais sinto- dades de nutrientes aplicadas, a produção
mas de deficiência de Zn (Figura 4) e o teor do nutriente no solo medido por
(Malavolta, 1989 e Mattos Junior et al., um determinado método.
2005).
Coleta de amostras
A amostragem constitui-se em im-
portante fator de sucesso na análise do
solo, pois, amostras não representativas,
levarão a erros nas recomendações de fer-
tilizantes. Em pomares já instalados as
amostras de solo devem ser coletadas na
projeção da copa das árvores - local de
adubação - tomando-se cerca de 20 sub-
amostras em cada área homogênea do
Fig. 4. Folhas com sintoma de deficiência de Zn. plantio de até aproximadamente 10 ha, as
quais comporão uma amostra. As amos-
tras devem ser retiradas decorridos, no
Ferro mínimo, sessenta dias da última adubação
na profundidade de 0 a 20cm quando a
O ferro é absorvido na forma de amostragem tiver com objetivo a recomen-
Fe+3 e é pouco móvel na planta. Participa dação de adubação e na profundidade de
dos processos de fotossíntese, respiração 20 à 40cm, quando o objetivo for identifi-
e assimilação de nitrogênio e de enxofre. car limitações químicas ao desenvolvimen-
Os sintomas de deficiência de Fe caracte- to radicular, como deficiência de cálcio e
rizam-se por clorose generalizada e tama- presença de alumínio. Para fins de
nho menor das folhas novas cujas nervuras calagem, a amostragem deverá ser efetu-
são verde escuro (Malavolta, 1989 e ada também nas entrelinhas, na profundi-
Mattos Junior et al., 2005). É um sintoma dade de 0 a 20cm. Quando da instalação
raro em condições de campo porém muito do pomar, a área a ser plantada deve ser
freqüente em viveiros telados quando não dividida em talhões uniformes, retirando-
é feito o suprimento adequado desse mi- se também cerca de 20 sub-amostras por
neral. cada talhão, para compor uma amostra.
Na coleta das sub-amostras a área de cada
Determinação da necessida- talhão deve ser percorrida em ziguezague,
buscando cobrir toda a superfície da área.
de de calagem e adubação As amostras assim coletadas servirão tan-
to à recomendação da calagem como da
Análise de Solo
adubação. Na Figura 5 é mostrada uma
Fundamentos seqüência de fotografias do processo de
coleta de amostras de solo em pomar de
A análise de química do solo para laranja.
fins de recomendação de fertilizantes ba-
seia-se no fato de que processos quími-
cos removem do solo quantidades de nu-
33
Interpretação dos resultados da análise
química do solo
A interpretação da análise química
do solo é efetuada comparando-se os re-
sultados analíticos encontrados, com fai-
xas de teores dos nutrientes que repre-
sentam condições de baixa, média e alta
fertilidade e servem de base para as reco-
mendações de calagem e adubação, visan-
do a obtenção de melhores produções.
Estas faixas de teores são estabelecidas
através de experimentos de calibração con-
duzidos no campo. Quando da interpreta-
ção de resultados de análises de solo, as
unidades que expressam os teores dos
nutrientes no solo e os métodos de análi-
se devem ser considerados. Por recomen-
dação da Sociedade Brasileira de Ciência
do Solo, mais recentemente têm sido utili-
zadas as unidades adotadas pelo Sistema
Internacional de Unidades e deve-se estar
atento para o caso do fósforo que agora é
expresso em mg dm-3 mas que e igual a
ppm e para o caso dos cations trocaveis
que agora sao expressos em mmolc dm-3
que e igual a 10 x meq /100g, ou 10 x
cmolc dm-3. Esta unidade facilita o cálculo
da capacidade de troca cationica, pois o
cálcio, o magnésio e o sódio também são
expressos em mmolc dm-3.
Quanto aos métodos o laboratório
do Instituto Tecnológico de Pesquisa do
Estado de Sergipe, utiliza o Mehlich 1 para
P e K, Mn, Zn e Cu, a extração com KCl
1 N para Ca+2, Mg+2, e Al+3. O pH e me-
dido em água e a matéria orgânica e deter-
minada pelo método de Waklley & Black,
cujos métodos foram compilados por Sil-
va(1999). As tabelas de interpretação dos
resultados foram elaboradas para serem
utilizadas quando estes métodos forem
utilizados. Entretanto, parte dos laborató-
rios que efetuam analises de solo para fins
de recomendação de fertilizantes no Bra-
sil, medem o pH em CaCl2 (cujos resulta-
dos são menores que os obtidos quando o
pH e medido em água), utilizam o método
da resina trocadora de íons para P, K Ca e
Fig. 5. Coleta de amostra de solo em pomar
de laranja. Mg e o DTPA para Mn, Zn e Cu (Raij et al.,
1986). Portanto, para interpretação de
análises realizadas por estes métodos, um
especialista deverá ser consultado, pois,
34
os resultados obtidos, são diferentes da- Coleta de amostras
queles obtidos pelos métodos citados an-
teriormente. As amostras de folha da laranjeira
podem ser coletadas em ramos com e sem
frutos. Neste trabalho, sugere-se a coleta
Análise Foliar
em ramos com frutos, pois é mais fácil
Fundamentos identificar a folha a ser coletada. As fo-
lhas devem ser coletadas em cada
A diagnose foliar consiste na deter- quadrante da planta (norte, sul leste e oes-
minação das quantidades dos elementos te); os frutos dos ramos de onde serão
de uma folha previamente estabelecida. O coletadas as folhas devem ter em torno
método baseia-se no fato de que um au- de 4 cm de diâmetro; a folha a ser coleta-
da deve ser a terceira a partir do fruto e
mento na concentração de um determina-
não deve estar danificada, conforme indi-
do elemento ou elementos na folha
cado na Figura 6. Para cada dez hectares
corresponde a um aumento de produção.
de pomar homogêneo, quanto à idade, de-
Essa correspondência, em geral, é medida
senvolvimento das plantas e variedades de
através de coeficientes de correlação e/
copa e porta enxerto, amostrar 25 plan-
ou determinação, de acordo com a forma
tas. As folhas coletadas devem ser acon-
do gráfico obtido quando são computados dicionadas em sacos de papel e enviadas
teores de nutrientes na abcissa (x) e pro- imediatamente ou armazenadas em refri-
dução na ordenada (y). gerador, até o envio ao laboratório.
Fig. 6. Indicação da posição do ramo e da folha a ser amostrada.
Interpretação dos Resultados corporem as variações que por ventura
ocorram. Na tabela 1 são mostradas fai-
Os resultados da análise foliar po- xas de teores dos nutrientes na folha da
dem ser interpretados usando-se o nível laranjeira. O limite inferior da faixa ade-
crítico, valor abaixo do qual, a probabilida- quada corresponde aproximadamente ao
de de resposta ao uso de fertilizantes é nível crítico.
alta. É importante diferenciar nível crítico
biológico, que é calculado procurando-se o As analises químicas do solo e da
ponto máximo de crescimento ou produ- folha são complementares e quando usa-
ção, e o nível crítico econômico, que leva das conjuntamente, fornecem uma visão
em consideração a relação preço do pro- melhor que cada uma separadamente. Os
duto/preço dos fertilizantes. A metodologia resultados das analises devem ser arma-
de cálculo do nível crítico consiste em ob- zenados, preferencialmente na forma digi-
ter um modelo que melhor defina a relação tal, pois a serie histórica de resultados,
entre a quantidade de nutrientes aplicada, juntamente com as anotações de aduba-
o teor deste na folha e a produção. Vale ções realizadas, facilita a tomada de deci-
lembrar que, para o cálculo, são conside- são quanto às adubações futuras (Quaggio
rados períodos de 3 a 5 anos para que in- et al., 2005).
35
Tabela 1. Faixas de teores dos nutrientes na folha da [Link] de Malavolta
& Violante Neto (1989) e Quaggio et al., (2005).
Faixas de Teores
Nutriente Baixo Adequado Alto
g kg-1
N <23 23 - 27 >27
P <1,2 1,2 – 1,6 >1,6
K <12 12 – 17 >17
Ca <30 30 – 45 >45
Mg <3 3 -- 4 >4
S <2 2 -- 4 >4
mg kg-1
Mn <25 25 - 50 >50
Zn <25 25 - 50 >50
B <35 35 - 100 >100
Cu <5 5 - 10 >15
Mo <0,10 0,10 – 1,0 >2,0
Calagem e adubação da laranjeira que 5% e os dolomíticos são aqueles que
contém mais de 5% de MgO.
Calagem
Cálculo da necessidade de calagem
Os solos onde está implantada a
citricultura no Estado de Sergipe, são Método do alumínio trocável
pedogeneticamente ácidos, e essa acidez
pode se agravar em função de um manejo O método do alumínio trocável continua
inadequado do pomar, o que causa a redu- sendo o mais amplamente utilizado em solos tro-
ção da produtividade da laranja em função picais, onde predomina minerais de argila de bai-
da toxidez do Al+3 e dos baixos teores de xa atividade como a caulinita e óxidos de ferro e
Ca+2 e Mg+2 no solo. A calagem é realiza- alumínio, associado a baixos teores de matéria
da para corrigir a acidez do solo através orgânica, nos quais a presença de alumínio
da insolubilização do Al+3 e aumento dos trocável é considerada a principal causa da aci-
teores de Ca+2 e Mg+2. O material utiliza- dez dos solos. O método visa além da neutralização
do é o calcário, que é obtido pela moagem do alumínio trocável, garantir um teor mínimo de
de rochas contendo carbonatos de cálcio 2 cmolc dm-3 de Ca+2 + Mg+2, através das fór-
e de magnésio, cuja qualidade é aferida mulas:
através do PRNT – Poder Relativo de
NC = 2 x Al x f ou NC = 2 – (Ca + Mg) x f
Neutralização Total, o qual depende das
(utilizando a que recomendar maior dose)
quantidades destes carbonatos e da
granulometria. A legislação brasileira exi-
onde
ge que os calcários agrícolas apresentem
Poder de Neutralização (% de equivalente NC = necessidade de calagem em t/ha
em CaCO3) mínimo de 67 %, soma de % (para calcário com 100% de PRNT)
CaO + % MgO mínima de 38% e PRNT
mínimo de 45%. Calcários denominados f = 100/PRNT (correção do PRNT do
calcíticos apresentam teor de MgO menor calcário comercial)
36
Método da saturação por bases (V%) pomares já implantados Entretanto, resultados
obtidos por Anjos (1997) indicam que são neces-
Baseia-se na estreita correlação existen- sárias maiores quantidades de calcário que as
te entre o nível de acidez do solo (pH) e V%, ou obtidas pela formula NC = CTC (V2-V1)/ PRNT
seja, quanto maior o pH, maior o V% do solo. utilizada para o cálculo e que grande parte do
Dessa forma, calculando-se as doses de calcário calcário aplicado e incorporado com grade
para elevar V% até valores adequados, automa- niveladora em um Argissolo Acinzentado de
ticamente se estará elevando o pH do solo e eli- Umbaúba – Se, não ultrapassou a profundidade
minando as consequências indesejáveis do exces- de 10 cm.
so de acidez. Esse método em relação ao anterior
é considerado mais flexível, pois permite calcu- Na implantação do pomar, quando a aná-
lar a quantidade de calagem necessária, para se lise química do solo indicar necessidade de
atingir uma determinada percentagem de satura- calcário, o mesmo deve ser distribuído em toda a
ção de bases, de acordo com as exigências das área antes da aração e/ou gradagem. Entretanto,
culturas. Em geral considera-se que a parte do calcário também poderá ser misturado à
neutralização do alumínio é suficiente apenas para terra superficial que encherá a cova. A quantida-
se alcançar cerca de 40% da saturação por ba- de de calcário a ser aplicado em cada cova deve-
ses, segundo Raij e Quaggio, (1997). Sobral et rá ser calculado com base na proporção volume
al., (1998) observaram, que a elevação dos te- de solo em um há considerando a profundidade
ores de Ca+2 + Mg+2 para 3,0 cmolc dm-3 equi- de 10 cm e o volume da cova.
valeu a uma saturação por bases de 50%.
Correção da acidez subsuperficial
O cálculo da calagem por este mé-
todo é feito através da fórmula: A ocorrência de acidez
subsuperficial, caracterizada por alta satu-
NC = CTC (V2-V1)/ PRNT ração de Al+3 e baixos teores de Ca+2 e de
Mg+2 nas camadas mais profundas do solo,
onde limita o crescimento radicular das plantas.
Dados ainda não publicados pelo autor, ob-
NC-necessidade de calagem em tha-1 tidos em um Argissolo dos tabuleiros cos-
teiros, indicam que a aplicação de gesso
CTC - capacidade de troca de cátions ex- melhora o crescimento radicular da laran-
presso em cmolc dm-3 jeira. Entretanto, como o mecanismo de atu-
ação do gesso baseia-se no carreamento
CTC – quantidade total de cargas negati-
de cátions para camadas subsuperficiais,
vas, ou seja, é a soma das bases (Ca+2,
os teores de Ca, Mg e K devem ser
Mg+2, K+ e Na+) + (H + Al+3). Esta CTC
monitorados através da análise foliar. Têm
é denominada CTC a pH 7,0 pois a análise
sido propostos vários critérios para calcular
do (H + Al+3) é realizada a pH 7,0.
a quantidade de gesso. Malavolta (1992)
sugere que o gesso deve ser aplicado, quan-
V2 - saturação por bases a ser alcançada
do a saturação de cálcio na CTC for menor
V1 - saturação por bases atual do solo – que 40% e quando a saturação do alumí-
análise do solo nio for maior que 20%. Alvarez V. et al.,
(1999) sugerem que o gesso deve ser utili-
PRNT - poder relativo de neutralização total do zado em solos com menos de 4 mmolc dm-
calcário – impresso na sacaria do calcário.
3
de Ca+2 ou mais de 5 mmolc dm-3 de
Al+3 . Em se tratando de citros, os citados
Para citros procura-se elevar a saturação valores devem ser observados na camada
por bases para 70 % na profundidade de 0–20 20 – 40cm. Alvarez V. et al., (1999) su-
cm (Quaggio et al., 1992). Os autores também gerem que a quantidade de gesso a ser uti-
sugerem que o teor de Mg no solo seja mantido lizada seja 25% da necessidade de calagem
no mínimo em 4 ou idealmente em 8 mmolcdm- calculada tanto pelo método do Al+3
3
. O calcário deve ser espalhado em toda a área trocável, quanto pela saturação por bases.
e incorporado através de gradagem superficial em O valor obtido é corrigido para a profundi-
37
dade, multiplicando-se a necessidade de juntamente com o calcário. A aplicação de
gesso pelo quociente obtido da divisão da uma fonte de matéria orgânica na cova de
espessura da camada que se quer corrigir plantio e desejável, observando-se o cus-
por 20 cm, que é a profundidade para a to da mesma. No caso de aplicação de uma
qual foi calculada a calagem. Por exemplo, fonte orgânica na cova de plantio, deve-se
se a necessidade de calagem for 2 t ha-1 a esperar no mínimo trinta dias para o plan-
necessidade de gesso será 500 kg ha-1. tio, pois o processo de mineralização da
Como se quer melhorar o ambiente radicular matéria orgânica é exotérmico, o que pode
até 40 cm, a dose de gesso a ser aplicada prejudicar a muda.
será 1000 kg ha-1 [QG = 500 * (40cm/
20cm)]. Em solos com teor de argila menor Convém lembrar, que o atual proces-
que 20%, com predominância de caulinita so de produção de mudas em ambiente pro-
e baixos teores de matéria orgânica, o que tegido e em sacos plásticos, favorece o
compreende a grande maioria dos solos pegamento das mesmas, pois praticamen-
onde esta implantada a citricultura no Es- te não há estresse durante o processo de
tado de Sergipe, a dose de gesso não deve- transposição do viveiro para o campo, pois,
rá ultrapassar 2 t ha-1. as raízes são envoltas pelo substrato, uti-
lizado na produção da muda.
Adubação
As sugestões de adubação para o
Adubação para pomar em formação pomar do primeiro ao quinto ano são mos-
tradas na tabela 2. Estas sugestões fo-
Na implantação do pomar, nas áre- ram elaboradas com base em curvas de
as cultivadas com laranja no Estado de resposta ao nutriente para N, enquanto para
Sergipe sugere-se a aplicação de 500 g de P e K, considerou-se a análise química do
superfosfato simples na cova de plantio. solo.
O fertilizante devera ser misturado a terra
superficial que servirá para encher a cova,
Tabela 2. Sugestões de adubação com N, P e K para a laranja em formação. Adaptado de Magalhães
(1989).
Idade P no Solo Mehlich 1 K no Solo Mehlich 1
N
Kg ha-1 g dm-3 g dm-3
Anos 0 - 6 7 - 12 12 - 20 0 - 30 31 - 50 51 - 75
P2O5 kg ha-1 K2O kg ha-1
1 60 40 30 20 60 40 -
2 80 50 30 20 80 60 -
3 100 50 30 20 100 80 40
4 120 60 40 20 120 80 60
5 160 60 40 30 140 100 80
O N e K devem ser fracionados em tabela 3, a qual, contém a primeira aproximação
duas aplicações no inicio e no final do pe- de recomendações de fertilizantes para laranja
ríodo chuvoso enquanto que o P deve ser em produção, fruto de trabalhos desenvolvidos
aplicado de uma só vez (Silva et al 1984). no Estado de Sergipe. O plantio de leguminosas
nas entrelinhas do pomar, é uma opção como fonte
Adubação para pomar em produ- supridora de N, cujos detalhes são discutidos no
ção capítulo. A adubação com enxofre deve ser feita
com base na análise foliar. Quando o teor de en-
A adubação com N deve ser feita com xofre na folha for menor que o teor adequado, o
base na análise foliar e a com P e K com base S deve ser aplicado. A primeira opção é utilizar o
na análise química do solo, de acordo com a superfosfato simples ou o sulfato de amônio, que
38
contém 12 % e 24 % de S respectivamente. O micronutrientes podem ser aplicados na for-
gesso também pode ser utilizado como fonte de ma de sais, quelatos sintéticos e oxi-
S. Neste caso, as quantidades a serem utilizadas silicatos (fritas). Os micronutrientes tam-
são mais baixas que aquelas usadas para corrigir bém podem ser fornecidos através de for-
a acidez subsuperficial. mulas N:P:K, às quais são adicionados. A
adubação foliar também pode ser utilizada,
Quando os teores de cálcio e porém, devido à baixa translocação dos
magnésio estiverem abaixo de 20 e 8 mmolc micronutrientes na planta, precisa ser re-
dm-3 respectivamente, provavelmente o petida nas brotações mais significativas,
solo estará necessitando de calagem, prá- quando as folhas ainda são jovens, com
tica que repõe estes dois nutrientes. Quan- cutícula pouco desenvolvida. As doses re-
do o Mg estiver abaixo de 8 mmolc dm-3 ou comendadas são: Zn na forma de ZnSO4. 7
quando o teor de Mg na folha estiver abai- H2O 5 g L-1 do sal ; Mn na forma de MnSO4
xo do valor adequado, deve-se aplicar 3 g L-1 do sal e B na forma de H3BO4 1 g L-
calcário dolomítico. Como a solubilidade do 1 do ácido. A adição de 5 g L-1 de uréia à
MgCO3 é baixa, tornando a disponibilização calda e recomendada. A presença de Cu
do Mg mais lenta, o mesmo deve ser apli- em fungicidas diminui a probabilidade de
cado no solo na forma de óxido, ou atra- ocorrência de deficiência. Entretanto, ocor-
vés de adubação foliar na forma de sulfa- rendo à deficiência a adubação foliar com
to de magnésio 4 g L-1 do sal. Cu deve ser feita com oxicloreto de cobre
na dosagem de 3 g L-1 do produto. A pulve-
A adubação com Zn, Mn, Cu e B rização com Cu também pode ser feita com
deve ser feita sempre que os teores no solo 3 g L-1 de CuSO4. Entretanto, para prevenir
forem menores que o limite inferior da fai- efeito tóxico do sulfato de cobre, e neces-
xa média ou quando os teores na folha fo- sário adicionar 5 g L-1 Ca(OH)2. Este com-
rem menores que os respectivos níveis crí- posto e denominado cal apagada, pois pro-
ticos. Os micronutrientes podem ser apli- vem da reação do CaO com a H2O, no pro-
cados via solo ou via foliar. No solo os cesso de fabricação da cal.
Tabela 3. Recomendações de N, P e K para laranjeira em produção com base nas análi-
ses de folha e solo. Adptado de Raij et al., (1997), Magalhães (1989) e conforme resul-
tados obtidos para P e K por Sobral et al. (2000).
Nutriente Folha / Solo Densidade de plantio/Espaçamento
416 plantas 555 plantas
(6 m x 4 m) (6 m x 3 m)
N Folha - g kg-1 N kg ha-1
<20 160 200
21 - 23 120 150
24 - 26 80 100
27 - 30 40 50
P2O5 kg ha-1
P solo - Mehlich 1 mg dm-3
0 – 6 60 80
7 - 12 40 50
12 - 20 20 30
K2O kg ha-1
K solo - Mehlich 1 mg dm-3
0 - 30 120 160
31 - 50 80 100
51 - 75 40 50
39
O N e K devem ser fracionados em odo chuvoso enquanto que o P deve ser
duas aplicações no inicio e no final do perí- aplicado de uma só vez (Silva et al 1984).
Tabela 4. Primeira aproximação de classes de teores de micronutrientes no solo. Zn.
Mn e Cu pelo Mehlich 1 e B pelo método da água quente. Adaptado de Ribeiro et., al
(1999) e Quaggio et., al (2003).
Micronutriente Baixo Médio Alto
mg dm-3
Zinco <1,0 1,0 – 2,2 >2,2
Manganês <5 5 - 12 >12
Cobre <0,7 0,7 – 1,8 >1,8,0
Boro <0,6 0,6 – 0,9 >0,9
Agradecimentos
Du PLESSIS S. F.; KOEN, T. J. The effect
Agradecemos ao Assistente de Pes-
of N and K fertilization on yield and fruit
quisa Paulo Sergio Santos da Mota e ao
size of valencia orange. Potash Review,
Assistente de Operações Raimundo Jose
Switzerland, n. 1, p. 1-7, 1989
dos Santos, pela colaboração nas foto-
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Capítulo 5
PORTA-ENXERTOS CÍTRICOS
Roosevelt Menezes Prudente e Luiz Mário Santos da Silva
Com a abertura de mercado, o microenxertia, formação de mudas, testes
citricultor sergipano compete com produ- de viroses, premunização, avaliação agro-
tores de outros estados e até de outros pa- nômica até completar o processo (CARVA-
íses, esses muitas vezes com melhores con- LHO et al., 2001; CARVALHO et al., 2005).
dições edafoclimáticas, de infra-estrutura
e de crédito. Para tanto o citricultor tem Em Sergipe, estima-se que 95% dos
que buscar práticas e tecnologias para me- pomares são de laranja Pêra [Citrus sinensis
lhorar sua competitividade e rentabilidade, (L.) Osbeck] enxertada sobre limão Cravo
entre as quais se destaca a escolha do por- [Citrus limonia (L.), Osb.] e limão Rugoso
ta-enxerto adequado à variedade copa es- da Flórida (Citrus jambhiri Lush.), respecti-
colhida. Para que essa combinação copa/ vamente, 55% e 40%, complementados
porta-enxerto proporcione rentabilidade e pelos porta-enxertos limão Volkameriano
longevidade é indispensável que esteja (Citrus Volkameriana Ten. & Pasquale) e
adaptada às condições de solo e de clima tangerina Cleópatra (Citrus reshni, Hort. ex.
locais. Portanto, a qualidade dessa combi- Tanaka). Essa pequena diversificação ex-
nação é fundamental para o sucesso ou põe a cultura a vários riscos, face às su-
insucesso da exploração. De nada bastará cessivas constatações de problemas
uma excelente muda, do ponto de vista fitossanitários como o declínio dos citros, a
vegetativo e fitossanitário, se a mesma for gomose de Phytophthora, a Tristeza, à mor-
formada com materiais copa e/ou porta- te súbita dos citros e de tantos outros que
enxerto com características indesejáveis, podem inviabilizar as combinações em uso
pois os prejuízos serão inevitáveis. Muitas e colocar todo o parque citrícola estadual
dessas características indesejáveis não são numa situação muito vulnerável (Prudente
percebidas na hora da aquisição das mu- et al., 2004).
das, mas causarão grandes prejuízos ao re-
duzir o desenvolvimento vegetativo, a pre- Influência do porta-enxerto
cocidade, a produtividade e a longevidade na combinação copa / por-
do pomar, dentre outros.
ta-enxerto
Ressalte-se como sendo de funda-
Comercialmente, a planta cítrica é for-
mental importância a escolha criteriosa das
variedades copa e porta-enxerto que irão mada com a borbulha da variedade copa enxerta-
da sobre o porta-enxerto. Essa combinação apre-
fornecer material básico propagativo para
senta efeitos marcantes desse último, que forne-
formação da muda, pois é sabido que plan-
tas doentes ou pouco produtivas resultam ce todo o sistema radicular da planta, e também
é influenciada pelas condições ecológicas do lo-
mudas de péssima qualidade. As plantas
cal do plantio, principalmente. Dessa maneira, o
matrizes fornecedoras desses materiais de-
vem ser, sadias, vigorosas, muito produti- porta-enxerto tem papel fundamental na combi-
nação copa/porta-enxerto, influenciando diversas
vas. Esses materiais devem ser oriundos de
características da variedade copa, tais como o
plantas básicas de organismo de pesquisa,
produzidas em ambiente protegido, após crescimento, vigor, precocidade de produção,
produção, produtividade, no desenvolvimento do
vencidas todas as etapas de seleção, den-
fruto, na maturação e na qualidade do fruto, to-
tre as quais: seleção massal em campo,
lerância à seca, à doenças, à pragas, além de
42
outras (Pompeu Júnior, 1991; Salibe, 1987). A adaptação em relação a diferentes tipos de so-
sua influência sobre a variedade copa pode ainda los, devendo-se escolher os mais adequados para
aparecer através da sua capacidade diferenciada cada situação. Essa plasticidade e adaptação do
de absorção de nutrientes, favorecendo a absor- porta-enxerto é muito importante porque permite
ção de uns e prejudicando a de outros. O porta- ampliar as áreas de exploração da cultura para
enxerto também influencia a definição do grau diferentes tipos de solos, de condições climáti-
de tolerância ou da suscetibilidade do conjunto, cas e de manejo, utilizando-se de porta-enxertos
em relação a algumas viroses, como a Tristeza, a melhores adaptados às condições de cada caso,
Exocorte e a Xiloporose, ou a patógenos do gê- inclusive textura, fertilidade, umidade do solo,
nero Phytophthora que produzem a gomose no além de outras. De modo que o conhecimento
colo da planta e a podridão nas raízes dos citros das características e comportamentos dos porta-
(Pompeu Júnior, 2005). enxertos é fundamental com vistas no aumento
da rentabilidade, seja pelo aumento da produção
A variedade copa também induz variações por área, pelo enfrentamento dos problemas
no comportamento do porta-enxerto, porém me- fitossanitários ou melhoria da qualidade do fruto,
nos visíveis, com relação à tolerância à seca, às além de outros.
doenças e pragas e ao desenvolvimento do siste-
ma radicular. É sabido que o limão Cravo é into- Limão Cravo: [Citrus limonia (L.),
lerante à morte súbita dos citros quando sob copa Osbeck]
da laranja Pêra, mas apresenta comportamento
inverso quando enxertado com laranja Valência. O porta-enxerto mais utilizado no
Recentemente em São Paulo, contatou-se que Brasil devido à sua grande resistência a
quando se intercala a laranja Valência entre o seca, precocidade e alta produtividade sob
limão Cravo e a copa da laranja Pêra, prática diversos cultivares copas, principalmente.
essa conhecida como enxertia dupla, interenxerto Oferece muito bom desempenho em todas
ou ‘sanduíche’, esse mesmo porta-enxerto apre- as etapas, tanto antes como depois da
senta comportamento tolerante à morte súbita dos enxertia, com crescimento rápido, facili-
citros. Também a inserção da laranja Hamlin en- tando a formação das mudas. Compatibili-
tre o citrumelo Swingle e a laranja Pêra permite dade com todas as copas. No campo suas
formar plantas produtivas e longevas (Pompeu plantas oferecem rápido crescimento, in-
Junior, 2005). duzindo precocidade de produção, altas
produções de frutos com boas caracterís-
Características e comporta- ticas e com excelente coloração. Segundo
pesquisa desenvolvida por Prudente et al.
mentos de porta-enxertos
(2004), o limão Cravo ofereceu produtivi-
dade média equivalente aos limões
O porta-enxerto, além de ter suas carac-
Volkameriano, ‘Palermo’ e ‘Catânia 2’, e
terísticas e comportamentos influenciados pela
Rugoso da Flórida, e a tangerina Cleópatra.
copa e vice-versa, é também induzido pelas con-
Média resistência às gomoses de
dições de solo e clima do local onde se encontra
Phytophthora parasitica e P. citrophthora,
instalado. As condições de umidade do solo influ-
portanto um pouco melhor que o limão Ru-
enciam a ocorrência de doenças, a depender da
goso da Flórida. É suscetível ao declínio
tolerância ou suscetibilidade do porta-enxerto, en-
dos citros (Rodrigues et al., 1979) e à
quanto as condições climáticas induzem mudan-
morte súbita dos citros (Gimenes-
ças no comportamento geral da combinação copa/
Fernandes & Bassanezi, 2001). A sua com-
porta-enxerto, em função não só da quantidade e
binação com laranja Pêra tem demonstra-
distribuição da pluviosidade. Dentre as variações
do alta suscetibilidade ao declínio dos
climáticas, a que mais influencia a produção é a
citros. Segundo Pompeu Junior (2005),
disponibilidade de sazonal de água, inclusive po-
baseado em pesquisa com laranja Valência
dendo também variar as características
(Citrus sinensis, Osbeck), “todos os por-
fenológicas do florescimento, da pega do fruto, o
ta-enxertos comerciais apresentam
volume da produção e a qualidade do fruto. O
suscetibilidade ao declínio que se manifesta
solo também exerce influências nas característi-
com o envelhecimento da planta”: limão
cas e comportamentos dos porta-enxertos, por-
Volkameriano – 45%, limão Rugoso –
que apresentam capacidades diferenciadas de
43
43%, limão Cravo – 27%, tangerina senta-se com inexpressiva incompatibilida-
Cleópatra – 23%, tângelo Orlando – 23% de com a laranja Pêra. É muito pouco resis-
e citrumelo Swingle – 7%. É tolerante às tente à gomose de Phytophthora, porém as
raças fracas do vírus da tristeza. Adapta- seleções Palermo e Catânia-2 oferecem
se bem a vários tipos de solos, preferenci- melhor resistência aos fungos Phytophthora
almente aos solos arenosos e de textura citrophthora e P. parasítica que o limão Cra-
média. vo e Rugoso da Flórida. Prefere os solos pro-
fundos e bem drenados.
Limão Rugoso da Flórida: Citrus
jambhiri, Lush. Tangerina ‘Cleópatra’: Citrus
reshni, Hort. ex. Tanaka
Induz a formação de pomares vigo-
rosos e produtivos, mas com frutos com O porta-enxerto tangerina Cleópatra
qualidade inferior ao Cravo, de casca mais oferece produções iniciais mais baixas que
grossa, com menor coloração e porcenta- os porta-enxertos anteriores, razoável a
gem de suco. Tem grande resistência à partir do 5º ano. Apesar de apresentar
seca, porém um pouco menor que a ofere- crescimento lento em todas suas fases,
cida pelo limão Cravo. É tolerante ao vírus desde a sementeira até o início de produ-
da Tristeza, mas suscetível ao declínio dos ção, inclusive na maturação dos frutos, as
citros. Tem média resistência à gomose plantas de tangerina Cleópatra sob copa
de Phytophthora. Induz rápido crescimen- de laranja Pêra não apresentam sintomas
to em todas as fases da formação de mu- de incompatibilidade. Produz frutos meno-
das, da sementeira ao plantio no campo, res que os demais porta-enxertos, porém
inclusive precocidade e volume de produ- com maior porcentagem suco e com me-
ção. Produz frutos com menor porcenta- lhor qualidade (Prudente et al., 2004). Tem
gem de suco que a tangerina Cleópatra e média tolerância à seca, superada apenas
os limões Cravo e Volkameriano, ‘Palermo pelos limões Cravo e Rugoso da Flórida.
e ‘Catânia 2’, apesar de não diferirem es- Oferece melhor resistência aos fungos do
tatisticamente (Prudente et al., 2004). gênero Phytophthora e ao declínio dos
Quando sob copa de tangerina, o limão citros que o limão Cravo (Pompeu Júnior,
Rugoso induz muito negativamente a 2005). Face ao seu nível mais baixo de in-
composição dos frutos. Prefere mais os cidência de declínio torna-se superior aos
solos arenosos. limões Cravo, Volkameriano e Rugoso da
Flórida, porém equiparando-se ao Tângelo
Limão Volkameriano: Citrus Orlando, perdendo apenas para o citrumelo
volkameriana, Tennore & Swingle (Pompeu Júnior, 2005). É resis-
Pasquale tente à morte súbita dos citros, uma vez
ainda não foram encontradas plantas com
Tido como híbrido natural de limão sintomas da doença (Müller et al., 2002;
verdadeiro com laranja Azeda (Citrus limon Pompeu Júnior, 2005) e ao vírus da Tris-
Burm x C. aurantium L.). Mais suscetível teza. É mais recomendado como porta-en-
ao declínio dos citros que o limão Cravo xerto para laranjas de maturação preco-
(Pompeu Junior, 2005), porém produz fru- ce. Prefere solos com textura de arenosa
tos com igual precocidade e qualidade. Com a areno-argilosa e é mais exigente em nu-
relação à porcentagem de suco, em pes- trientes que os demais porta-enxertos.
quisa desenvolvida em Sergipe, equipara-
se ao limão Rugoso, mas é superado pelo Citrumelo Swingle: [Citrus
limão Cravo e pela tangerina Cleópatra. paradisi Macfad. cv. Duncan x
Também é suscetível à morte súbita dos Poncirus trifoliata (L.) Raf.]
citros. Sua boa tolerância à seca é compa-
rável ao limão Cravo e superior ao limão Híbrido de baixa suscetibilidade ao
Rugoso da Flórida, a tangerina Cleópatra e declínio dos citros e resistente a gomose
ao Tângelo Orlando. Em Sergipe, ao con- Phytophthora. É resistente à morte súbita dos citros
trário do que ocorre em São Paulo, apre- (Müller et al., 2002) e à Tristeza. Apesar de
44
moderadamente resistente à seca, o citrumelo Pesquisas com porta-enxer-
Swingle é superado pelos limões Cravo, Rugoso
da Flórida e Volkameriano. É incompatível com
tos em Sergipe
laranja Pêra e tangor ‘Murcott’ (Pompeu Junior, O cultivo das plantas cítricas tem en-
2001), originando plantas pouco produtivas e de frentado desafios permanentes em todas
vida curta. Em São Paulo induziu boa produtivi- as regiões produtoras do globo. O ataque
dade às laranjas ‘Hamlin’, ‘Baianinha’ e de doenças bacterianas, fúngicas e viróticas
‘Valência’, como também à lima ácida ‘Tahiti’. se destacam e a busca de novas opções de
Induz às copas a produção de fruto com qualida- combinações copa/porta-enxerto tem sido
de variando entre bom a ótimo, melhor que os constante para superar um grande número
produzidos pelos limões Cravo e Volkameriano. de problemas fitossanitários. De modo ge-
Prefere solos arenosos ou de textura média. Re- ral, no Brasil e no mundo, os fatores
comendado para plantio irrigado de lima ácida fitossanitários e ambientais são norteadores
Tahiti. do desenvolvimento dos programas de pes-
quisa para seleção de porta-enxertos, sem-
Tângelo Orlando: Citrus tangerina pre respaldadas nos aspectos da produtivi-
Hort. ex. Tanaka x Citrus paradisi, dade e da qualidade do fruto.
Macfad
Em São Paulo, estado maior produ-
Híbrido de tangerina Dancy com tor de citros do Brasil, os principais fatores
pomelo Duncan. Tem baixa suscetibilidade determinantes para a seleção de porta-en-
ao declínio dos citros e à Tristeza. Tem xertos cítricos são a resistência à seca, ao
suscetibilidade moderada à gomose de declínio dos citros, à Morte Súbita, à
Phytophthora e à seca. Induz à copa boa gomose de Phytophthora e à Tristeza. A
produção e fruto de boa qualidade, compa- partir da ocorrência da doença conhecida
rável a tangerina Cleópatra e superior aos por morte súbita dos citros, em 2001, as
limões Cravo, Volkameriano e Rugoso da pesquisas nesse estado foram intensifica-
Flórida. Quanto ao início de produção si- das mais ainda (Cristofani et al., 2005).
tua-se entre o limão Cravo e a tangerina Em Sergipe, embora a sua citricultura es-
Cleópatra. Em São Paulo, produz frutos de teja ainda indene de doenças como Cancro cítri-
boa qualidade quando enxertados com la- co, morte súbita dos citros e Huanglongbing, pes-
ranjas e tangerinas. quisas vêm sendo desenvolvidas com diferentes
combinações copa/porta-enxertos, com vistas na
Tangerina Sunki x trifoliata
seleção de combinações que proporcionem maior
Swingle 314
produtividade e, ao mesmo tempo, assegurem
maior longevidade aos pomares. Nesse estado tem-
Híbrido produzido artificialmente.
se como principal agravante o fato dos porta-
Tem demonstrado maior tolerância ao
enxertos mais utilizados, os limoeiros Cravo (Citrus
declínio dos citros e à gomose de
limonia, Osb.) e o Rugoso da Flórida (Citrus
Phytophthora que os limões Cravo e Rugo-
jambhiri,Lush.) serem suscetíveis ao declínio dos
so da Flórida. Apresenta comportamento
citros e à gomose de Phytophthora, doenças que
vegetativo e produtivo comparável ao li-
resultam na morte de grande número de plantas
mão Cravo, com base em pesquisas de-
e, em conseqüência também a redução significa-
senvolvidas por Prudente et al., (2006).
tiva da vida útil dos pomares. Em muito menor
Tangerina Sunki x trifoliata escala, apesar da sua tolerância à morte súbita
Swingle 256 dos citros, também é utilizada a tangerina
Cleópatra, mas colocada em desvantagem por ser
Híbrido produzido artificialmente. mais suscetível à seca. Essa situação vulnerável
Tem demonstrado maior tolerância ao é muito preocupante porque expõe a riscos cons-
declínio dos citros e à gomose de tantes todo o parque citrícola estadual e alerta
Phytophthora. Apresenta comportamento para a urgente necessidade da diversificação com
vegetativo e produtivo comparável ao li- porta-enxertos tolerantes a essas doenças e que
mão Cravo (Tabelas 2 e 3). proporcionem produtividade compensadora. Nes-
45
se sentido, objetivando enfrentar esses e mais ram: limão Rugoso Vermelho - 21,3
outros entraves tecnológicos, desde 1970 a pes- t/ha; limão Schaub - 12,6; limão
quisa estadual vem desenvolvendo trabalhos Volkameriano - 9,0; limão Cravo -
para disponibilizar opções de porta-enxertos para 8,9; tangerina Sunki x trifoliata
o Estado de Sergipe. Na Estação Experimental English 63.264 – 8,5; citrumelo
de Boquim - E.E.B., foram instalados e conduzi- Swingle - 8,5.
dos trabalhos com porta-enxertos para laranjas
Bahia e Pêra e também para o tangor Murcott.
• Prudente et al. (2004), em experi-
O primeiro estudo de porta-enxerto realizado mento instalado no Campo Experi-
em Sergipe foi colocado em campo em 1970. mental de Umbaúba (C.E.U.), ava-
Nele foram avaliadas 12 combinações de por- liaram a potencialidade da copa la-
ta-enxertos (tradicionais, seleções e híbridos do ranja Pêra [Citrus sinensis (L.)
Poncirus trifoliata), enxertadas com a laranja Osbeck], clone D6, enxertada so-
Bahia, então a principal variedade cultivada no bre cinco porta-enxertos em solo
Estado (Silva et al.,1987). de tabuleiros costeiros. Dentre os
vários resultados, destacam-se as
• Silva et al.,(1993) competiram médias das produtividades do 9º ao
dez porta-enxertos para laranja 13º ano do plantio, em t/ha: limão
Pêra D6. Após oito colheitas as Volkameriano ‘Palermo’- 44,1; li-
produções médias em tonelada mão Cravo - 42,9; limão
por hectare foram: limão Schaub Volkameriano ‘Catânia 2 - 42,5; li-
- 31,4; limão Rugoso Vermelho - mão Rugoso da Flórida - 42,5; tan-
30,6; tangerina Sunki x trifoliata gerina Cleópatra - 38,1. Respalda-
English 63.264 - 20,2; limão dos nas análises aplicadas às mé-
Volkameriano - 18,0; limão Cra- dias de produtividade, peso de fru-
vo - 16,9; citrumelo Swingle - to e percentagem de suco, os ci-
15,2; tangerina Cleópatra x tados autores concluem que “as
trifoliata Swingle - 11,6; Karna - seleções do limão Volkameriano,
10,0; tangerina Sunki x trifoliata ‘Palermo’ e ‘Catânia 2’, e a tange-
Swingle - 7,8; e P. trifoliata - 5,3. rina Cleópatra apresentaram com-
Os autores observaram que na co- portamento semelhante aos limões
lheita 1982/83, no auge do rigor Cravo e Rugoso da Flórida, os mais
de grande estiagem, os porta-en- utilizados nas regiões citrícolas de
xertos mais tolerantes à seca fo- Sergipe” (Tabela 1).
Tabela 1. Médias de produtividade e de peso médio de fruto da laranjeira ‘Pêra’ D6 enxertada sobre cinco
porta-enxertos, no período de 1993 – 1997. Embrapa Tabuleiros Costeiros. Umbaúba, SE.
Produtividade (t/ha) Peso médio do fruto (g)
Porta–enxerto
1993 1994 1995 1996 1997 Acumulada 1993 1994 1995 1996 1997 Médias
‘Cravo’ 34,3 a 47,6 b 21,5 ab 34,9 ab 76,0 a 42,9 a 192,2 b 227,3 ab 214,3 a 146,2 a 242,4 a 204,5 ab
‘Rugoso’ 18,3 b 58,2 a 15,5 bc 35,5 ab 85,0 a 42,5 a 237,7 a 250,0 a 227,8 a 153,8 a 252,4 a 224,3 a
‘Palermo’ 28,5 ab 49,9 ab 19,3 abc 40,1 a 82,5 a 44,1 a 186,5 b 222,3 abc 165,2 a 169,5 a 251,4 a 199,0 b
‘Catânia 2’ 26,7 ab 50,8 ab 22,7 a 30,1 b 82,4 a 42,5 a 189,6 b 195,2 c 200,4 a 152,1 a 236,2 a 194,7 b
‘Cleópatra’ 18,2 b 57,0 a 13,6 c 27,4 b 74,3 a 38,1 a 185,0 b 204,7 bc 208,5 a 141,0 a 226,5 a 193,1 b
D.M.S. 16,0 9,0 6,8 8,5 20,5 9,0 37,1 31,4 94,1 33,7 41,8 24,5
(*) Nas colunas, médias seguidas da mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
46
•Prudente et al. (2006), em experi- Pêra com os porta-enxertos tan-
mentos instalados em 1985 na Es- gerina Sunki x trifoliata Swingle
tação Experimental Antônio 314, tangerina Sunki x trifoliata
Martins (E.E.A.M.), em Lagarto/ Swingle 256 e tangerina Cleópatra
SE, e no C.E.U., conduzidos sem apresentam tendência a produti-
irrigação, estudaram o comporta- vidade inicial menor que a forma-
mento das combinações da copa da com limão Cravo, nos dois lo-
laranja Pêra, clone D6, enxertada cais. Contudo, quando avaliadas
sobre 10 porta-enxertos: limão pela produção acumulada dos sete
Cravo, tangerina Sunki, tangerina anos-safra têm comportamento
Sunki x trifoliata Swingle 314, tan- semelhantes. A combinação laran-
gerina Cleópatra x Citrange ja Pêra x tangerina Cleópatra apre-
Carrizo 226, tangerina Sunki x sentou menor porcentagem de
trifoliata Swingle 256, tangerina mortalidade nos dois locais, des-
Swatow, tangerina Cleópatra, tacando-se como a mais promis-
citrange Rusk, tângelo Orlando e sora para o Estado de Sergipe,
laranja Hamlin 20. Utilizaram mu- seguida das formadas com tange-
das do tipo ‘raiz nua’, produzidas rina Sunki x trifoliata Swingle 314
em viveiro a céu aberto. Os resul- e tangerina Sunki x trifoliata
tados dos sete anos-safra indicam Swingle 256 (Tabelas 2 e 3).
que as combinações de laranja
Tabela 2. Produção média, peso médio de fruto e mortalidade da laranjeira ‘Pêra’ D6
sobre dez porta-enxertos, do 5º ao 7º ano do plantio, nos municípios de Lagarto e Umbaúba/
SE.
Produção média em kg de frutos /
Porta- Enxertos Nº índice
E.E.A.M.1 C.E.U. 2
Média
Limão Cravo 94,9 110,1 102,5 100,0
Tangerina Sunki 51,4 77,2 64,3 62,8
Tang. Sunki x trif. Swingle 314 66,1 114,5 90,3 88,1
Tang. Cleópatra x C. Carrizo 226 6,8 17,0 11,9 11,6
Tang. Sunki x trif. Swingle 256 65,4 114,2 89,8 87,6
Tangerina Swatow 35,6 60,7 48,1 47,0
Tangerina Cleópatra 66,6 80,9 73,7 72,0
Citrange Rusk 22,8 40,1 31,4 30,7
Tângelo Orlando 26,1 71,8 49,0 47,8
1/
E.E.A.M. – Estação Experimental Antônio Martins. Lagarto/SE.
2/
C.E.U. – Campo Experimental de Umbaúba. Umbaúba/SE.
Tabela 3. Produção média da laranjeira ‘Pêra’ D6 sobre dez porta-enxertos, do 8º ao 10º
ano do plantio, nos municípios de Lagarto e Umbaúba/SE.
Produção média em kg de frutos /
Porta- Enxertos Nº índice
E.E.A.M. 1 C.E.U. 2
Média
Limão Cravo 97,1 80,7 88,9 100,0
Tangerina Sunki 68,0 76,9 72,5 81,5
Tang. Sunki x trif. Swingle 314 86,8 117,3 102,1 114,8
Tang. Cleópatra x C. Carrizo 226 1,4 12,9 7,1 8,0
Tang. Sunki x trif. Swingle 256 98,2 121,7 109,9 123,7
Tangerina Swatow 84,9 55,3 70,1 78,9
Tangerina Cleópatra 128,5 87,5 108,0 121,5
Citrange Rusk 31,7 60,5 46,1 51,9
Tângelo Orlando 79,4 62,7 71,1 79,9
1/
E.E.A.M. – Estação Experimental Antônio Martins. Lagarto/SE.
47
Além dos trabalhos citados anteri- • Estudo de combinações formadas
ormente, mais outros trabalhos de pesqui- com a tangerina Dancy enxertada
sa vêm sendo conduzidos na região citrícola sobre sete porta-enxertos: tange-
sergipana, a saber: rina Sunki, citrumelo Swingle
70.133, limão Cravo, Sunki x
• Na E.E.A.M. e na Cooperativa dos trifoliata Swingle 314, citrange
Agricultores do 13 (Coopertreze), Morton, tangerina Cleópatra e li-
desde 1995, estão sendo desen- mão Rugoso Vermelho.
volvidos dois estudos de combina-
ções formadas com a laranja Pêra • Estudo de combinações formadas
enxertada sobre 20 porta-enxer- com o limão Tahiti enxertado so-
tos: limão Cravo, tangerina Sunki, bre sete porta-enxertos: tangerina
tangerina Sunki x trifoliata Swingle Sunki, citrumelo Swingle 70.133,
314, tangerina Cleópatra x Sunki x trifoliata Swingle 314,
citrange Carrizo 226, tangerina citrange Morton, tangerina
Sunki x trifoliata Swingle 256, tan- Cleópatra, limão Volkameriano e li-
gerina Swatow, tangerina mão Rugoso Vermelho. Esses tra-
Cleópatra, citrange Rusk, tângelo balhos foram programados com
Orlando, laranja Hamlin 20, base nos resultados de pesquisas
citrange Morton, limão Cravo anteriores, de modo que os resul-
Taquaritinga, limão Volkameriano tados a serem alcançados repre-
Catânia 2, Citrus pectinifera, sentarão um estágio mais avança-
Citrus amblicarpa, laranja Valência do da pesquisas estadual.
VK, limão Schaub, limão Rugoso
Mazoe, laranja Palmeira e limão • Em apoio ao desenvolvimento de
Irã. trabalhos de pesquisa, foi instala-
da em 2005 na E.E.A.M. uma Co-
• Na E.E.A.M. e no C.E.U., desde leção de Porta-Enxertos,
2005, estão sendo desenvolvidos objetivando a produção de semen-
dois estudos de combinações for- tes para a instalação de pesquisas
madas com a laranja Pêra enxer- e o fornecimento de borbulhas para
tada sobre oito porta-enxertos: a formação de mudas de plantas
tangerina Sunki x trifoliata Swingle matrizes. Destacam-se entre as
256, tangerina Sunki, limão Cra- cultivares instaladas: limão Cravo
vo, tangerina Sunki x trifoliata x trifoliata Swingle (1695), tange-
Swingle 314, citrange Morton, rina Sunki x Benecke (1697), tan-
tangerina Cleópatra, limão gerina Sunki x trifoliata Swingle
Volkameriano e limão Rugoso Ver- 256, tangerina Sunki x trifoliata
melho. Swingle 314, tangerina Sunki x
trifoliata Swingle 264, tangerina
Instalados em 2005 na E.E.A.M.: Sunki x trifoliata Swingle 308, tan-
gerina Sunki x trifoliata Swingle
• Estudo de combinações formadas 311, tangerina Sunki Maravilha,
com a tangor Murcott enxertado tangerina Sunki Tropical, tangeri-
sobre oito porta-enxertos: tangeri- na Cleópatra x limão Cravo, tange-
na Sunki x trifoliata Swingle 256, rina Cleópatra x trifoliata Swingle
citrumelo Swingle 70.133, limão 287, tangerina Cleópatra x
Cravo, tangerina Sunki x trifoliata trifoliata Swingle 294, tângelo
Swingle 314, citrange Morton, tan- Orlando, tangerina Cleópatra, limão
gerina Cleópatra, limão Volkameriano Catânia 2, limão Ru-
Volkameriano e limão Rugoso Ver- goso Vermelho, limão Rugoso da
melho. Flórida, limão Schaub, limão Rugo-
so Mazoe, citrumelo Swingle,
48
citrumelo Swingle 70-133, Referências Bibliográficas
citrumelo Swingle 70-83 e
citrumelo Swingle CRC-CN-3, além CARVALHO, S.A.; GRAF, C.C.D. &
de outros. Com exceção dos dois VIOLANTE, A.R. Produção de material bá-
primeiros, que foram obtidos com sico e propagação. In: CITROS. p.279-316,
sementes fornecidas pelo Centro 2005.
APTA Citros Sylvio Moreira /
Cordeirópolis-SP, os demais foram CARVALHO, S.A. et al. Produção de bor-
oriundos de borbulhas fornecidas bulha básica para formação de mudas de
pela Embrapa Mandioca e Fruticul- citros sadias em São Paulo. Laranja, v.22,
tura, em Cruz das Almas-BA. p.185-201, 2001.
Porta-enxertos para região CRISTOFANI, M.; NOVELLI, V.M.; PERIN,
M.S.; OLIVEIRA, A.C.; OLIVEIRA, R.P.;
citrícola de Sergipe
BASTIANEL, M. & MACHADO, M.A. Pro-
grama de melhoramento de citros por
É indiscutível a urgente necessidade de
hibridação controlada no centro APTA
diversificação de porta-enxertos na citricultura
Citros “Sylvio Moreira”/IAC em 1997-
do Estado de Sergipe e no Brasil. Neste sentido
2005. Laranja, v.26, n.1, p.121-134,
vários estados brasileiros, inclusive o Estado de
2005.
Sergipe, vêm desenvolvendo pesquisas, todavia
ainda não foram alcançados resultados conclusi-
FIGUEIREDO, J.O.; STUCHI, E.S.; LARAN-
vos que possam respaldar, suficientemente, a
JEIRA, F.F.; DONADIO, L.C.; TEÓFILO SO-
substituição do limão Cravo em programa de di-
BRINHO, J.; SEMPIONATO, O.R. &
versificação dos porta-enxertos. Essa urgente ne-
MULLER, G.W. Porta-enxertos para lima
cessidade para se enfrentar problemas
ácida ‘Tahiti’ em duas regiões do Estado
fitossanitários como Declínio dos citros, a
de São Paulo. Laranja, v.22, n.1, p.203-
gomose de Phytophthora, a morte súbita
213, 2001.
dos citros, a Clorose Variegada dos Citros
(CVC) e assegurar garantia de rentabilida- GIMENES-FERNANDES, N. & BASSANEZI,
de ao produtor, nem mesmo o Estado de R.B. Doença de causa desconhecida afeta
São Paulo ainda conseguiu atingir. No es- pomares cítricos no norte de São Paulo e
tado de Sergipe, as modestas pesquisas em sul do Triângulo Mineiro. Summa
andamento têm oferecido resultados ani- Phytopathológica, v.27, p.93, 2001.
madores, todavia ainda demandando estu-
dos mais aprofundados com vistas no au- MÜLLER, G.W.; NEGRI, J.D.; AGUILAR-
mento de número de opções na escolha de VILDOSO, C.I.; MATTOS JUNIOR, D.;
porta-enxertos. POMPEU JUNIOR, J.; TEÓFILO SOBRI-
NHO, J.; MACHADO, M.A. & GIROTTO,
Respaldados em resultados de ex- L.F. Morte súbita dos citros: uma nova
perimentos que estão sendo conduzidos doença na citricultura brasileira. Laranja,
em Sergipe e em outros estados brasilei- Cordeirópolis, v.23, n.2, p.371-386, 2002.
ros, destacamos como sendo os mais pro-
missores na atualidade os porta-enxertos: POMPEU JÚNIOR, J. Porta-enxertos para
tangerina Sunki x trifoliata Swingle 314, citros. In: RODRÍGUEZ, O. VIÉGAS, F.C.P.;
tangerina Sunki x trifoliata Swingle 256 e POMPEU JÚNIOR, J.; AMARO, A.A.
a tangerina Cleópatra, limões Citricultura brasileira. 2. Campinas: Fun-
Volkameriano, ‘Catânia 2’, ‘Palermo’, Cra- dação Cargill, 1991. p.265-280.
vo e os Rugosos da Flórida e Vermelho.
Posteriormente, num estágio mais avan- POMPEU JUNIOR, J. Cuidados no uso do
çado dessas pesquisas, os porta-enxertos citrumelo ‘Swingle’. Revista Fundecitrus,
também serão submetidos a testes Araraquara, v.14, n.106, p.4, 2001.
fitopatológicos com relação às principais
doenças dos citros.
49
POMPEU JUNIOR, J. Porta-enxertos. In:
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Dagoberto de Negri, Rose Mary Pio e
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INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON TRO-
PICAL FRUITS. Program and Abstracts,
1993. Vitória, Espírito Santo, Brazil. p.11.
Capítulo 651
ASPECTOS DA IRRIGAÇÃO EM CITROS
Ronaldo Souza Resende
A citricultura sergipana sustenta-se Fatores do solo, do clima e
na sua quase totalidade em plantios sem
irrigação e em pequenas e médias proprie-
da planta considerados no
dades. Embora a região centro-sul do es- manejo da irrigação
tado de Sergipe e noroeste da Bahia, prin-
cipais pólos citrícolas da região nordeste, Para o correto manejo da água, na
apresentem satisfatórios níveis de preci- cultura dos citros devem ser considerados
pitação, estas são, no entanto, concentra- fatores de clima (precipitação
das em um curto período do ano, nos me- pluviométrica e a demanda
ses de abril a agosto. evapotranspirativa do ambiente), do solo
(capacidade de armazenamento de água no
A prática da irrigação, através dos solo, textura, profundidade, além presen-
seus benefícios diretos e indiretos, se im- ça de impedimentos físicos ou mecânicos)
põe como decisiva para aumentar as bai- e características específicas da planta cí-
xas produtividades. A decisão de investir trica que se está irrigando (eficiência de
na tecnologia da irrigação em pomares cí- uso de água, profundidade do sistema
tricos deve ser antecedida de criteriosa radicular, períodos críticos à falta de água,
análise dos aspectos econômicos envolvi- entre outros). As características da plan-
dos. O custo adicional de produção, em ta variam de acordo com a espécie consi-
função da implantação da irrigação, deve derada, combinação copa/porta-enxerto,
ser compensado com um acréscimo de idade e sua adaptação ao ambiente.
produtividade. Um fator importante é a ida-
de do pomar para iniciar a irrigação. Embo- Fatores do clima
ra a maior parte dos citricultores iniciem a
irrigação quando o pomar encontra-se com As informações relativas ao clima
3 anos de idade, o ideal, segundo VIEIRA que mais diretamente afetam o manejo da
(1988) é plantar o pomar para ser irriga- irrigação são a precipitação e a
do, o que além de facilitar o planejamento evapotranspiração de referência – ETo.
da cultura e da irrigação, aumenta a capa- Esta última pode ser definida como a per-
cidade produtiva da planta. da de água por evaporação e transpiração
que ocorre em solo plantado com grama
Além do benefício direto do uso da rasteira, sem restrição de umidade do solo
irrigação em pomares cítricos, ou seja, o e em crescimento ativo. Tais informações
aumento da produção por área colhida, uma devem ser obtidas de estações climáticas
série de benefícios indiretos podem ser ci- situadas o mais próximo possível da área
tados, como: 1. possibilidade de irrigada.
escalonamento da produção (indução de
estresse hídrico para manejo de florada), A precipitação anual para duas re-
ofertando produtos na entressafra, 2. pos- giões produtoras de citros do estado de
sibilidade de aproveitamento de áreas an- Sergipe varia de 1000 a 1200mm. A Ta-
tes consideradas marginais para os citros, bela 1 apresenta os valores de precipita-
3. viabilização da utilização da adubação ção (P) e evapotranspiração de referência
via água de irrigação (fertirrigação). (ETo), para essas regiões.
52
Tabela 1. Dados de precipitação anual (mm) e evapotranspiração de referência (mm dia-
1
) de duas regiões de produção de citros no estado de Sergipe.
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ TOTAL
Itabaianinha 1
P 41 41 91 112 160 106 131 86 55 54 72 51 1000
ETo 5.5 5.5 5.2 4.4 3.5 3.1 3.2 3.6 4.4 5.1 5.4 5.4 -
Platô de Neópolis2
P 80 54 68 104 203 221 175 120 72 57 25 54 1223
1
Fonte: Samani & Hargreaves (1985).
2
Dados obtidos junto à Associação dos Concessionários do Distrito de Irrigação Platô de Neópolis –
ASCONDIR.
O balanço hídrico climatológico, que as quais podem ser obtidas da curva de
é quantificação do volume de entrada (pre- retenção de água pelo solo. A Figura 2 apre-
cipitação) e saída (evapotranspiração) de senta curvas de retenção de umidade do
água do sistema, se constitui em uma das solo para solos das regiões produtoras de
maneiras de se monitorar o citros no estado de Sergipe.
armazenamento de água no solo, ao longo
de um período de tempo, de um determi- A CAD expressa em m³ de água por
nado local ou região (Pereira et al., 1997). m³ de solo, pode ser assim determinada:
Esse balanço, elaborado para o município
de Itabaianinha por Sentelhas (2005) re- CAD = (θCC – θPMP) x Pe x 1000 (1)
vela um déficit hídrico anual de 291mm,
Onde:
sendo os meses de déficit de umidade no
solo distribuídos de setembro a abril e os
θCC – teor de umidade do solo na capacida-
meses de excessos de umidade nos me-
de de campo; em m3 m-3
ses de maio a julho, conforme apresenta-
do na Figura 1. θPMP - teor de umidade do solo no ponto de
150
murcha permanente; em m3 m-3
100
Pe – profundidade efetiva do sistema
50
mm
0
radicular; m
-50
A partir da CAD pode-se calcular a
-100
Lâmina Líquida de irrigação, como sendo
-150
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
DEF(-1) EXC
Fig. 1. Balanço hídrico climatológico para o LL = AFD = CAD x f
município de Itabaianinha – SE considerando uma
capacidade de armazenamento de água de 70 mm (2)
(Sentelhas, 2005).
Onde:
Fatores do solo LL – Lâmina Líquida de irrigação, mm
Para fins de irrigação, o solo pode ser f – fator de consumo de água, decimal
encarado como um reservatório, que arma-
zena uma certa quantidade de água em fun- O uso do fator “f” se deve ao fato
ção das suas características físicas e bioló- de que deve ser utilizada apenas uma par-
gicas. O conhecimento do tamanho desse te do conteúdo de água do solo; essa par-
reservatório, comumente chamado de capa- te é denominada Água Facilmente Dispo-
cidade de armazenamento de água do solo - nível – AFD, e é igual à Lâmina Líquida. O
CAD, é obtido através de informações da fator “f” varia para cada cultura, sendo
umidade do solo na capacidade de campo - que para os citros a Tabela 2 fornece os
CC e ponto de murcha permanente – PMP, valores recomendados para diferentes va-
53
lores de ETo, em mm dia-1 (Doorenbos & LB = [(θCC – θi) x Pe x f x 1000] / Ef
Kassam, 1994). (4)
A Lâmina Bruta de irrigação - LB, ou Onde θi representa teor de umidade
seja, aquela que deve realmente ser utili- no solo, em m3 m-3, no dia anterior ao que
zada, é calculada em função da eficiência se pretende irrigar. Atentar para que no
de aplicação de água do sistema, confor- dia “i” não se tenha utilizado, ainda, a quan-
me apresentado na Tabela 7: tidade de água no solo correspondente à
AFD.
LB = LL/ Ef (3)
O intervalo entre irrigações pode ser,
Onde: então, calculado:
Ef – eficiência do sistema de irrigação, em I = LL / ETc
decimal (5)
Para fins de manejo da irrigação, o ETc é a evapotranspiração de culti-
cálculo da Lâmina Bruta de irrigação pode vo, em mm, conforme apresentada no item
ser assim resumido: referente aos fatores da planta.
Tabela 2. Valores do fator “f”, em função de valores de ETo.
ETo 2 3 4 5 6 7 8 9 10
f 0,80 0,70 0,60 0,50 0,45 0,425 0,375 0,35 0,30
Fatores da planta
Uma vez que as plantas cítricas exi-
gem boa aeração do solo, o manejo da irri- As principais variedades de citros
gação deve ser criterioso, evitando irriga- se caracterizam por apresentar uma ele-
ções excessivas, as quais podem afetar o vada capacidade de regulação estomática,
desenvolvimento das raízes e o rendimen- o que resulta em uma menor variação de
to (Doorembos & Kassam, 1994). demanda de água pela planta mesmo com
0.50
0.45
uma elevada variação da demanda
0.40
evaporativa, quando comparado com ou-
Umidade volumétrica (m3 m3)
0.35
0.30
0.25
tros cultivos (Shalhevet & Levi, 1990). As
0.20
0.15
fases da cultura em que o déficit de água
0.10
0.05
acarreta maior efeito na produção são na
0.00
0.1 1 10 100 1000 0.1 1 10 100 1000
floração e no “pegamento” dos frutos.
Potencial mátrico (kPa)
Potencial mátrico (kPa)
Grade com subsolagem Grade sem subsolagem
A distribuição do sistema radicular
a
é influenciada pelo tipo e regime hídrico
0.350 do solo, combinações utilizadas de copa/
0.300 porta-enxerto, idade da cultura e manejo
Umidade volumétrica (m3.m-3)
0.250 da irrigação. Para fins de manejo da irriga-
0.200 ção, interessa conhecer a profundidade
0.150 efetiva do sistema radicular, a qual é aquela
0.100
em se concentra, aproximadamente, 80%
0.050
das raízes. Esse conhecimento é utilizado
0.000
1 10 100 1000 10000 100000 tanto para a definição do volume de água
a aplicar como para definição do local ins-
Potencial mátrico (-kPa)
Prof ( 0-20cm) Prof (20-40 cm)
talação dos emissores (em irrigação loca-
b lizada) e dos sensores de umidade utiliza-
Fig. 2. Curva de retenção de umidade de um
dos para o monitoramento da irrigação.
solo do município de Itabaianinha-SE (a) nas
profundidades de 0–20 (esquerda) e 20–40cm De um modo geral o sistema
(direita) e do Distrito de Irrigação Platô de radicular citros se mostra pouco profun-
Neópolis-SE (b).
54
do; o desenvolvimento das raízes ocorre Outro fator de planta importante no
nos primeiros 0,6 – 0,9 m de profundida- manejo da irrigação se refere ao coefici-
de e até 1,5 - 2 m de distância do caule. ente de cultivo – Kc, o qual varia para as
diferentes fases da cultura e é utilizado
As áreas de cultivo de citros dos es-
para se obter a evapotranspiração da cul-
tados de Sergipe e Bahia apresentam ele-
tura - ETc, a partir da evapotranspiração
vada incidência de solos com presença de
de referência - ETo. A ETc é a perda de
camadas com adensamento de origem
água que se deve repor para que a planta
pedogenética, denominadas camadas coe-
não sofra elevados déficits hídrico.
sas (Jacomine, 2001), as quais apresentam
restrição ao desenvolvimento do sistema ETc = ETo x Kc
radicular. Em função da existência de tais (6)
camadas, o aprofundamento das raízes se
Os valores de Kc devem ser deter-
mostra ainda mais superficial, com valores
minados através de pesquisa local. Na au-
de 0,30 a 0,40 m, como observados por
sência de dados locais, a Tabela 3 apre-
Cintra (1997) e Anjos (2006) na região Cen-
senta valores do coeficiente para dife-
tro-Sul do Estado de Sergipe. O produtor de
rentes fases de desenvolvimento da plan-
citros pode efetuar observações da distri-
ta (percentual de cobertura do solo levan-
buição das raízes nas diversas fases da cul-
do-se em conta a projeção da copa) e con-
tura, através de trincheiras em plantas re-
dições de cobertura do solo nas entreli-
presentativas.
nhas.
Tabela 3. Valores de coeficiente de cultura – Kc - para diferentes percentuais de cober-
tura do solo pela projeção da copa e condições de cobertura do solo nas entrelinhas.
% de sombreamento Kc inic. Kc médio Kc final
Sem plantas invasoras nas entrelinhas
70 0,70 0,65 0,70
50 0,65 0,60 0,65
20 0,50 0,45 0,55
Com plantas invasoras nas entrelinhas
70 0,75 0,70 0,75
50 0,80 0,80 0,80
Fonte: Allen et al. (1998).
Demanda de água da cultu- a lâmina de irrigação de 442 mm foi a que
ra e efeito do estresse resultou em maior aumento da produção
de laranjeira Pêra, com 4 anos de idade,
hídrico quando utilizando irrigação suplementar à
chuva e nas condições da região nordeste
A demanda anual de água para as
da Bahia.
diferentes espécies de citros é da ordem
de 900 a 1200mm, devendo ser bem dis- O efeito da variação no regime de
tribuída ao longo do ano (Doorembos & irrigação na produção e desenvolvimento
Kassam, 1994). A demanda de água é de árvores de citros é cumulativo e lento.
mais elevada nos períodos de brotação, Já as variações na qualidade do fruto po-
emissão dos botões florais, frutificação e dem ser detectadas dentro de uma esta-
início de desenvolvimento dos frutos, sen- ção, o que faz com que se constitua em
do menor nos períodos de maturação, co- melhor ferramenta para o diagnóstico rá-
lheita e repouso (Pires et al., 2005). pido do efeito de diferentes regimes de ir-
rigação ou variação climática ano a ano. O
Coelho et al. (2003) observaram que
55
tamanho do fruto é considerado a carac- nos diferentes meses do ano e níveis de
terística mais influenciada pela irrigação. desenvolvimento da copa são apresenta-
Embora a ocorrência de estresse reduz a dos na Tabela 4. Nessa estimativa foram
espessura da casca, normalmente aumen- considerados os Kc’s apresentados na
ta a relação casca/polpa (Shallevet &Levi, Tabela 3, para a condição de presença de
1990). plantas invasoras nas entrelinhas, além de
uma eficiência do sistema de irrigação de
Para a região centro-sul do estado 90% e coeficientes de localização, obti-
de Sergipe a demanda estimada de água dos no modelo proposto por Keller &
Bliesner (1990).
Tabela 4. Estimativa da necessidade diária de irrigação ao longo do ano, para diferentes
níveis de desenvolvimento da copa, em % da área de sombreamento, nas condições do
município de Itabaianinha- SE.
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
ETo-mm 172 155 162 131 107 93 98 113 113 158 163 168
Volume, em L planta -1
20% 58 58 55 46 36 32 33 38 46 53 57 57
50% 105 104 99 82 65 58 60 69 84 96 102 102
70% 132 131 124 104 82 73 75 86 105 121 129 128
A ocorrência de déficit hídrico na não irrigados, o período de repouso ocorre
fase de desenvolvimento e maturação dos naturalmente em função de baixas tempe-
frutos pode favorecer a qualidade pelo au- raturas de inverno, na região sudeste, e
mento dos Sólidos Solúveis Totais – SST por estresse hídrico no verão, na região
no suco. No entanto, esse aumento de SST nordeste(Doorembos & Kassam, 1994;
é também acompanhado pelo aumento, em Shalhevet & Levy, 1990).
maior proporção, na acidez, o que provoca
a redução da relação SST/acidez, reduzin- Em plantios irrigados, a possibilida-
do, assim, a qualidade final do suco de de melhor controlar a época e intensi-
(Shalhevet & Levi, 1990). dade de ocorrência do estresse hídrico
podem ser utilizados como ferramenta au-
O período de floração é muito sen- xiliar visando aumentar a produção atra-
sível ao déficit hídrico, o que reduz direta- vés da indução da florada, bem como a
mente a produção de frutos (Doorenbos & obtenção do produto em épocas diferenci-
Kassam, 1994). O período crítico ao défi- adas, as quais resultem na obtenção de
cit hídrico vai da brotação até o fruto atin- melhores preços de mercado.
gir 2,5 cm de diâmetro. O déficit
hídrico,aliado a baixas temperaturas, ou A duração do déficit deve ser avali-
isoladamente, pode desencadear o proces- ada para as condições locais: variedade,
so produtivo (Pires, et al., 2005). A ocor- combinação copa/porta enxerto, tipo de
rência de déficits nesse período pode au- solo, condições climáticas, etc., uma vez
mentar consideravelmente a queda de flo- que a aplicação de um déficit muito seve-
res e o nível de pegamento dos frutos, ro pode ter resultado contrário ao espera-
comprometendo a produção. do, com abortamento excessivo de flores
e conseqüente perda de produção.
Utilização do estresse hídrico no
manejo da produção Efeito do estresse salino
Para o florescimento dos citros é Entre as culturas perenes os citros
fundamental a existência de um período de são considerados como uma das mais sen-
repouso, caracterizado por um baixo de- síveis à salinidade do solo, sendo que essa
senvolvimento vegetativo. Para pomares sensibilidade está mais diretamente rela-
56
cionada aos íons sódio e cloreto e pode da zona radicular que pode ser tolerado
variar de modo significativo para cada com- pela cultura, sem que afete seu rendimen-
binação de copa/porta-enxerto (Shalhevet to (Ayers & Westcot, 1991). De um modo
& Levi, 1990) . A salinidade do solo é geral, a cada aumento de 1 dS m-1 na CEes
medida em laboratório através da ocorre uma redução de 13 a 16% na pro-
condutividade elétrica do extrato de satu- dução potencial da cultura. A redução de
ração, CEes, expressa em dS m-1. Uma produção de laranjeira esperada para dife-
salinidade do extrato de saturação de 1,7 rentes valores de condutividade elétrica do
dS m-1 provoca uma redução de produção extrato de saturação do solo – CEes e da
em torno de 10%, sendo essa considera- água de irrigação CEa, em dS m-1, é apre-
da a salinidade limiar para a cultura, ou sentada na Tabela 5.
seja, o nível máximo de salinidade média
Tabela 5. Rendimento potencial de laranjeira, em %, em função dos valores de
condutividade elétrica do extrato de saturação do solo – CEes e da água de irrigação CEa,
em dS m-1.
Rendimento potencial
100% 90% 75% 50% 0%
CEes CEa CEes CEa CEes CEa CEes CEa CEes CEa
Fonte: Doorembos & Kassam (1994).
Os principais sintomas de toxidade O potencial da água de irrigação cau-
provenientes do excesso de cloro na folha sar problemas de toxidade à cultura au-
são relacionados à queimaduras, ocorren- menta quando da utilização de sistemas
do inicialmente nas pontas e, posterior- de irrigação que molham a folhagem da
mente, nas bordas das folhas. Esses efei- planta, como a irrigação por aspersão.
tos podem ocorrer quando se alcançam Nesse caso, a acumulação é maior para
níveis cloreto na folha de 0,3 a 1%, com irrigações mais intermitentes que contínu-
base no peso seco (Ayers & Westcot, as. Irrigar em horas de menor demanda
1991). Níveis máximos de íon cloreto no evaporativa, como no caso da irrigação
extrato de saturação e na água de irriga- noturna, ajuda a evitar o problema.
ção são apresentados na Tabela 6.
Tabela 6. Níveis máximo de íon cloreto, em mg.L-1, no extrato da saturação do solo e na
Variedade Na zona radicular (Cles) Na água de irrigação (Cla)
Laranjeira 10 6,7
Limoeiro 15 10,0
Tangerineira Ponkan 15 10,0
Fonte: Ayers & Westcot (1991).
Embora, desde que bem manejados,
Métodos de irrigação todos os métodos de irrigação possam ser
utilizados na cultura dos citros, predomi-
A seleção do sistema de irrigação nam no nordeste os métodos de irrigação
que melhor se adapte às condições locais por aspersão e localizada, sendo esse últi-
deve considerar aspectos como tipo de mo o mais comum, o qual engloba os sis-
solo, disponibilidade de energia, disponibi- temas por gotejamento e por
lidade e qualidade da água, relevo e dispo- microaspersão. O custo de produção para
nibilidade e qualidade da mão-de-obra que implantação de um hectare de irrigação
irá operar o sistema. varia com o método escolhido e as condi-
ções locais. Valores médios são apresen-
tados na Tabela 7.
57
Tabela 7. Faixa de eficiência de aplicação de água e de custo médio de aquisição de
diversos sistemas de irrigação.
Sistema de irrigação Eficiência1 (%) Custo(R$/ha)
Aspersão Convencional 60 - 85 1.200 – 2.000
Autopropelido 55 - 75 1.500 – 2.000
Pivô Central 75 - 90 1.500 – 2.500
1
Adaptado de Hoffman et al. (1992).
Irrigação por aspersão comumente acionado por energia elétrica
ou diesel, sendo o primeiro modo geralmen-
Os principais sistemas que se en-
te mais econômico. As tubulações, as
quadram nesse grupo e são utilizados na
quais formam as linhas de distribuição de
irrigação de citros são os de aspersão con-
água principal e secundária, são normal-
vencional, autopropelidos e pivô-central. O
mente de alumínio, aço zincado, aço gal-
sistema por aspersão convencional se
vanizado ou PVC rígido, com comprimen-
adapta melhor em propriedades de menor
to de 6 metros e diâmetro variando entre
área (10 a 15 ha), sendo estas a que pre-
50 e 100 mm, sendo providas de
dominam na principal região citrícola do
acoplamentos rápidos que facilitam a mon-
estado de Sergipe.
tagem e desmontagem do sistema no cam-
po. Os aspersores rotativos podem ser de
Esse sistema apresenta vantagens
giro completo (360°) ou do tipo setorial.
de proporcionar uma boa precisão na apli-
Mais comumente possuem ângulo de saí-
cação das doses calculadas, adapta-se
da do jato de água de 30°. No caso da
bem às diferentes condições de relevo da
irrigação dos citros deve-se dar preferên-
área e é de fácil operacionalização. Como
cia àqueles do tipo sub-copa, os quais pos-
principais desvantagens cita-se o fato de
suem ângulo de jato de 6°, propiciando uma
molhar toda a folhagem, afetando o pro-
melhor distribuição da água e reduzindo o
grama de controle fitossanitário em fun-
efeito do jato na queda de flores.
ção da lavagem dos produtos aplicados,
além de propiciar um ambiente mais favo-
Irrigação localizada
rável ao desenvolvimento de doenças
fúngicas e bacterianas. A Figura 3 apre- Em irrigação localizada apenas uma
senta pomar de citros irrigado por siste- fração da área cultivada é umedecida. A
freqüência de aplicação é alta, normalmen-
te em intervalos de 1 a 2 dias. Devido à
Foto: Ronaldo S. Resende
alta freqüência de aplicação, o solo na zona
radicular das plantas é mantido sob eleva-
do regime de umidade. A fração de área
molhada é definida, em termos de
percentual, em relação à área total ocupa-
da por uma planta. O percentual mínimo
de área molhada pode variar em função da
freqüência de irrigação adotada: quanto
menor o intervalo menor poderá ser essa
área. Para os citros a recomendação mais
Fig. 3. Pomar de laranja Pêra (consorciada com comumente considerada é que a área mo-
mamão) irrigado por pivô-central. lhada não seja inferior a 30% da área to-
tal, podendo atingir até 50%. Para regi-
Os principais componentes de um ões com regime de precipitação anual mais
sistema de irrigação por aspersão são elevado (1000 a 1200mm) sugere-se ado-
motobomba, tubulações, aspersores, e tar o percentual de 30%.
acessórios. O conjunto motobomba é mais
58
O gotejamento e a microaspersão O tipo de tensiômetro que utiliza o
são os sistemas de irrigação localizada mais mercúrio para sua construção está caindo
comumente utilizados. A definição do tipo em desuso devido a maior dificuldade de
de sistema irá depender da característica construção e manuseio, além do risco de
do solo. A microaspersão se adapta me- contaminação humana e ambiental que o
lhor em solos de textura leve. Um aspecto mesmo proporciona.
que deve ser observado é a possibilidade
de se aumentar o potencial de ocorrência O número de tensiômetros que deve ser
da doença gomose de Phytophthora, uma instalado em uma área para fins de manejo da
vez que nesse sistema ocorre um freqüente irrigação está na dependência, principalmente,
molhamento da base do tronco da planta. da homogeneidade da área em termos de carac-
terísticas de solo e relevo e do número de culti-
Embora apresente um maior custo vos que está sendo irrigado. Para áreas homogê-
de aquisição, a irrigação localizada deman- neas podem-se instalar duas ou três baterias de
da menor mão-de-obra, o que reduz seu tensiômetros. O mais comum é instalar 2 ou 3
custo operacional em relação ao sistema tensiômetros por bateria. Quando utilizando 2
de aspersão convencional. aparelhos, instala-se um na profundidade e dis-
tância do tronco onde se concentra a maior parte
Manejo da irrigação utili- do sistema radicular e o segundo no mesmo pon-
zando tensiometria to mas a uma profundidade abaixo do sistema
radicular. O primeiro tensiômetro indica o mo-
Uma maneira eficiente, prática e mento de iniciar ou parar a irrigação e o segundo
econômica de se efetuar o manejo da irri- tem a função de indicar se a quantidade de água
gação é por meio da tensiometria. aplicada na irrigação está em excesso.
Tensiômetros são instrumentos usados
Exemplo de cálculo
para medir a tensão, ou seja, a força com
que a água é retida pelo solo e assim esti-
Nesse exemplo será considerado a
mar o esforço que a planta precisa utilizar
irrigação da cultura da laranjeira, com ida-
para absorver água e nutrientes, desen-
de de 5 anos, plantada no espaçamento
volver suas funções vitais e produzir ali-
de 6,0 x 5,0 m (30 m²), em um solo de
mentos.
textura leve (considera-se que o mesmo
se encontra à capacidade de campo a uma
Basicamente o tensiômetro consiste em
tensão de -10 kPa; a tensão crítica adota-
um tubo preenchido com água, geralmente de
da foi de -30 kPa). Os valores
material PVC, e vedado na parte superior por uma
correspondem à média das umidades obti-
tampa que o mantêm hermeticamente fechado
da nas camadas 0-20 e 20-40cm da Figu-
(cap). Na parte inferior do tubo é instalada uma
ra 2b e a eficiência do sistema de irriga-
cápsula de cerâmica. Através dessa cápsula a
ção é de 90% (microaspersão).
água entra ou sai do seu interior, de acordo com
o teor de umidade do solo, ocasionando uma pres- Assim, tem-se:
são negativa (tensão), a qual é medida no senti-
do de estimar o teor de umidade do solo. A Figu- θcc(-10kPa): 0,109m³/m³
ra 4 apresenta tensiômetros com leitura analógica θcrítica(-30kPa): 0,094 m³/m³
e digital.
Fotos: Ronaldo S. Resende
θcc(-10kPa) - θcrítica(-30kPa) = 0,015 m³/m³
1. Volume de solo por planta:
Em irrigação localizada, podemos consi-
derar a área para fins de manejo da irrigação
a como aquela definida pela projeção da copa da
b planta. Para a planta adulta considerando um
Fig. 4. Tensiômetro com vacuômetro (a) e de
punção, utilizado no manejo da irrigação. diâmetro de copa de 4 m e uma profundidade
59
efetiva do sistema radicular de 0,60m, o volume irrigação decresceu acentuadamente com
de solo por planta seria: o aumento do módulo de área irrigada até
atingir um valor onde praticamente estabi-
12,6 m² x 0,60m = 7,6 m³ de solo (volu- liza-se; para um determinado cenário ava-
me de controle) liado observou-se uma estabilização para
áreas acima de 15 hectares (Figura 5b).
2. O volume líquido de água neces-
sário para deixar o solo na sua capacidade 160
ideal de armazenamento seria: 140
120
preç o da
la r a n ja
incremento(%)
100
80 R $/t
Volume Líquido = 7,6 m³ de solo x 60 40
60
40
0,015m³/m³ = 0,114m³ = 114 L 20
80
0
20 22 24 27 29 31 33 36 38 40 42 44 47 49 51 53 56
t o n e la d a s / h a
3. O volume bruto a ser aplicado, 200
a
considerando a eficiência do sistema de 180
160
% de incremento de
microaspersão de 90%, seria:
produtividade
140
120
100
80
60
Volume Bruto = 114 L / 0,9 = 126 L/ 40
20
planta
0
1 2 3 4 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
M ó d u lo d e á r e a ( h a )
b
Observe que esse não é o volume diário a
Fig. 5. Necessidade de incremento de
ser aplicado por planta e sim o volume necessá- produtividade (em %) em função do preço de
rio para deixar o solo na capacidade de campo, a venda da laranja, a partir da produtividade obtida
sem irrigação (a), e em função da área irrigada
partir da tensão crítica. Dependendo da (b).
evapotranspiração da cultura, esse tempo pode Para maior parte das variáveis ana-
ser maior que um dia. lisadas, a necessidade de incremento de
produtividade de laranja que empata o in-
Viabilidade econômica da vestimento com irrigação esta em torno
adoção da irrigação de 21 toneladas, equivalente a 49,3 kg
planta-1, valor esse bem menor que o de-
Para avaliar a viabilidade econômi- terminado por ZANINI & PAVANI (1998),
ca da implantação de um sistema de irri- o qual foi de 81,6 kg planta-1, para as
gação deve-se considerar que o acrésci- condições do estado de São Paulo.
mo de produtividade sob irrigação deve
cobrir os custos de implantação e manu- Referências bibliográficas
tenção do sistema, ao longo da vida-útil do
mesmo. Fatores como a produtividade, a AYERS R. S.; WESTCOT, D. W. A qualida-
rentabilidade atual e esperada da cultura, de da água na agricultura. Campina Gran-
além do custo de implantação e manuten- de, PB: UFPB, 1991. 218 p. (Estudos FAO.
ção do sistema de irrigação, precisam ser Irrigação e Drenagem, 29).
considerados a fim de se definir o incre-
mento de produtividade necessária para, ALLEN, R. G. et al. Crop
pelo menos, empatar o investimento com evapotranspiration: guidelines for
a irrigação. Analisando diferentes cenári- computing crop water requirements. Roma:
os envolvendo diversos fatores físicos e FAO, 1998. 300 p. (Irrigation and Drainage.
econômicos na produção de laranja, em Paper, 56)
Sergipe, Resende et al. (1999) observaram
que aqueles que mais afetaram a BERTONHA, A. Funções de resposta da
viabilização econômica do investimento laranja Pêra à irrigação complementar e ni-
com a irrigação foram: preço de venda da trogênio. 1997. 113 f. Tese (Doutorado)-
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60
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Capítulo 7
PRAGAS DOS CITROS EM SERGIPE
Marcelo da Costa Mendonça e Luiz Mário Santos da Silva
Na exploração citrícola, o aspecto controle físico, o controle biotecnológico e
fitossanitário como um todo e as pragas o controle químico as quais, serão tomadas
mais especificamente se destacam como isoladamente ou em conjunto, conforme
um desafio para o produtor. Ao contrário cada caso específico.
do que comumente se constata, as medi-
das para superar os prejuízos causados O MIP tem como requisitos básicos
pelas espécies potencialmente nocivas não o estabelecimento de um sistema de
devem ser tomadas somente quando a monitoramento das pragas mais importan-
densidade populacional já tenha alcançado tes de cada cultura e a definição dos níveis
o nível de dano econômico. Dentro desse de ação para cada uma delas. A cultura dos
ponto de vista, o manejo fitossanitário tem citros tem em nível mundial e no Brasil des-
caráter preventivo, e ações devem ser pla- pontado como a que mais avanços foram
nejadas e implantadas no mesmo momen- obtidos nesse sentido, apesar de que, mui-
to do plantio ou até previamente. A mani- to se tem que pesquisar para se obter ní-
pulação das condições ambientais como, veis de ação com base científica.
por exemplo, o plantio de quebra-ventos,
de cercas vivas, a implantação de cober- Nesse capitulo são feitos comen-
turas vegetais em áreas não utilizáveis pela tários sobre as principais ocorrências de
cultura e obviamente a manutenção, o pragas na citricultura estadual, pois na pu-
quanto possível, da vegetação natural, re- blicação Manual de Monitoramento
sultará em barreiras para muitas espécies Fitossanitário dos Citros (Silva et al., 2002)
e também de fonte de abrigo e alimento e no Manual do Manejador Fotossanitário
para os inimigos naturais o que certamen- dos Citros (no prelo) estão descritas com
te fará com que muitos indivíduos potenci- detalhe as propostas para os requisitos re-
almente daninhos se mantenham sempre feridos e outros temas relevantes para o
abaixo do nível de dano. bom manejo fitossanitário dos citros em
nossas condições.
Por outro lado, há necessidade de se
estabelecer um programa tecnicamente Ácaros
bem fundamentado que permita a tomada Ácaro da ferrugem dos citros Phyllocoptruta oleivora
de decisão adequada para solucionar cada
uma das ocorrências fitossanitárias ao lon- Ácaro da leprose dos Citros Brevipalpus phoenicis
go das diferentes etapas da cultura. Com Ácaro Vermelho Panonychus citri
esse objetivo vem sendo desenvolvido para
a maioria das culturas o Manejo Integrado Ácaro das Gemas Aceria sheldoni
de Praga (MIP), o qual, partindo da propos- Ácaro Branco Polyphagotarsonemus latus
ta inicial de se associar o controle químico
com o controle biológico, evoluiu suas ba- Praticamente todas as famílias de
ses teóricas e práticas para um sistema ácaros fitófagos são encontradas nos
abrangente envolvendo desde a manipula- ecossistemas cítricos. Os ácaros citados
ção ambiental, já referida, com diferentes acima pertencem as quatro famílias mais
táticas de ação como o controle biológico, importantes, respectivamente - Eriophyidae,
o controle genético, o controle cultural, o Tenuipalpidae, Tetranychidae,
62
Tarsonemidae. tembro a janeiro. Nesses meses sua pre-
sença deverá ser constantemente inspe-
Das diversas espécies que prejudi- cionada e quando o número de ácaros atin-
cam os citros, o ácaro da ferrugem dos gir um dos níveis de ação preestabelecidos
citros se destaca como a primeira praga medidas de controle devem ser adotadas
chave por estar presente praticamente em para impedir danos aos frutos e perdas de
todos os pomares, por ser uma praga de produtividade.
ocorrência anual e pelos danos provoca-
dos. Prejudica principalmente o fruto, cau- O ácaro da leprose dos citros está
sando o aparecimento de manchas também presente em todos os pomares
escurecidas de aparência enferrujada e de Sergipe. No entanto, não haviam sido
reduzindo seu tamanho, podendo causar, identificadas populações virulíferas desse
também, queda de folhas e frutos. ácaro, recentemente porém, houve a con-
firmação de um pomar com plantas ataca-
O adulto do ácaro da ferrugem dos das com a virose transmitida por esse
citros tem o corpo com formato de cunha, acarino.
coloração amarelada e tamanho reduzido,
aproximadamente 0,13 mm de comprimen- O ácaro Vermelho e outros
to. É possível observá-lo com uma lupa de tetraniquídeos em condições de campo não
bolso com aumento de 10X visando, pre- atingem nível de dano, porém após a pro-
ferencialmente a casca dos frutos verdes, dução de mudas ter sido transferida para
as folhas e os ramos novos. Em altas ambiente telado esses ácaros juntamente
infestações vê-se sobre os frutos uma ca- com o ácaro das Gemas têm causado dano
mada esbranquiçada. em alguns viveiros. O ácaro Branco tem
sido registrado apenas em algumas áreas,
Nas condições de Sergipe o ácaro especialmente, em plantios da lima-ácida
da ferrugem causa danos no período de se- Tahiti.
Fotos: Luiz M. S. da Silva
Ácaro da ferrugem dos citros. Dano do Ácaro da ferrugem dos citros em laranja.
Foto: Marcelo da C. Mendonça
Ácaro da leprose do citros.
63
Cochonilhas em algumas formada por filamentos
(Ortézia, cochonilha Branca ) ou em outras
por uma placa (Saissetia, Coccus). Nesse
Com carapaça grupo está a cochonilha mais prejudicial da
Escama Farinha Unaspis citri nossa citricultura que juntamente com o
Escama Cabeça de prego Chrysomphalus ficus ácaro da ferrugem dos citros desponta
Escama Vírgula Mytilococcus beckii como pragas chaves do pomar adulto – a
Escama Pardinha Selenaspidus articulatus ortézia dos citros. Essa praga, inicialmen-
te identificada nos nossos pomares em
Sem carapaça 1973, foi aos poucos se disseminando e
Ortézia dos citros Orthezia praelonga causa danos em um grande número de
Cochonilha Branca Planococcus citri plantas em todos os municípios citrícolas.
Cochonilha Verde Coccus viridis Por ter um grande potencial biótico a
Cochonilha Marrom Coccus hesperidium
infestação da ortézia, se não controlada,
toma toda a planta e vai se espalhando
As cochonilhas sugam a seiva prin- paulatinamente por todo o pomar. As plan-
cipalmente das folhas, frutos e ramos dos tas atacadas ficam enfraquecidas e per-
citros, algumas espécies também atacam dem a capacidade produtiva.
o tronco e as raízes. Quando o ataque é
intenso as plantas são bastante prejudica- No último grupo, associado ao ata-
das ficando enfraquecidas. Os frutos ata- que de muitas espécies há sempre a pre-
cados muitas vezes perdem o valor comer- sença do fungo preto “fumagina”
cial ou pecam. Capnodium citri que se desenvolve nas
gotículas de seiva expelidas pelos insetos.
As cochonilhas com carapaça per- Esse fungo embora não sendo fitófago, ao
tencem à família Diaspididae e se caracte- revestir as partes verdes com seu micélio,
rizam por apresentar um escudo protetor impede a respiração e fotossíntese con-
que recobre o corpo. Essas placas são tribuindo para enfraquecimento da planta.
constituídas pelos restos de exúvias que
permanecem a cada troca de pele quando
os insetos vão mudando de estágio duran-
te o desenvolvimento. Após uma rápida
fase em que os filhotes caminham na plan-
ta, os insetos se fixam em raízes, tron-
cos, ramos, folhas ou frutos. Ao sugar
constantemente a seiva e em alguns ca-
sos inoculando toxinas, esses insetos cau-
sam depauperamento das plantas, queda
de frutos e perda do seu valor comercial.
Além disso, abrem portas para infecções. Cochonilha Escama farinha em tronco de laranjeira
Geralmente o maior dano é feito pelas fê-
meas, pois os machos adultos são alados
Fotos: Luiz M. S. da Silva
e não sugam as plantas. No entanto, no
caso da Escama Farinha que é a principal
espécie nesse grupo em Sergipe, o maior
dano é causado pela forma jovem do ma-
cho caracterizada pela carapaça branca
com caneluras que se vê recobrindo a cas-
ca do tronco e dos ramos mais calibrosos,
dando-lhes um aspecto de estar caiada.
As cochonilhas sem carapaça estão
classificadas em diferentes famílias e têm
o corpo revestido por uma camada cerosa Cochonilha Cabeça de prego
64
Moscas-das-frutas
Mosca-das-frutas sul-americana Anastrepha sp.
As fêmeas adultas de moscas-das-
frutas fazem a postura no fruto, logo abai-
xo da casca. As larvas passam por três
ínstares no interior dos frutos citricos, ali-
mentando-se da polpa e depois caem ao
solo onde pupam e, posteriormente, pas-
sam para a forma adulta. No local da pos-
Cochonilha Escama vírgula tura verifica-se uma região circular de co-
loração amarronzada e mole. Nesse pon-
to, ocorre a penetração de fungos que as-
sociados ao ataque da mosca, contribuem
para o apodrecimento e queda prematura
dos frutos.
Nos pomares de citros do nordeste
a população de moscas-das-frutas é rela-
tivamente baixa e seus danos raramente
configuram-se de importância econômica.
No entanto, em outras regiões produtoras
de citros os tefritídeos (Anastrepha spp.
e Ceratitis capitata) causam perdas signi-
Cochonilha verde ficativas da produção. Em Sergipe, as es-
pécies já identificadas pertencem ao gê-
nero Anastrepha.
O monitoramento da população das
moscas-das-frutas é importante para o
manejo da praga. Quando o número de adul-
tos atingir níveis de dano econômico reco-
menda-se a retirada dos frutos com sinto-
mas de ataque do pomar e a utilização de
isca atrativa. Além disso, medidas de ma-
nejo devem ser adotadas para preservar
as espécies de parasitóides nativos que
Cochonilha branca contribuem para o controle natural.
Foto: Marcelo da C. Mendonça
Fotos: Luiz M. S. da Silva
Ortézia dos citros Danos de mosca-das-frutas em laranja
65
Brocas Larva minadora dos citros
Broca dos citros Cratosomus flavofasciatus Phyllocnistis citrella
Broca do tronco Trachyderes thoracicus
O adulto da larva minadora dos
Broca do ramo Trachyderes. succintus
citros (LMC) é um micro lepidóptero de
hábito noturno. Preferencialmente, as
Os besouros colocam seus ovos no
fêmeas põem seus ovos junto das
interior de troncos ou nos ramos das plan-
nervuras nas folhas das brotações no-
tas cítricas. Alguns só atacam os ramos,
vas da planta. As larvas se alimentam
e outros os troncos. As larvas das brocas
da folha formando galerias sinuosas em
abrem galerias se alimentando do lenho da toda sua extensão e pupam na sua mar-
planta, impedindo a translocação da sei- gem. O dano da LMC é maior nas mudas
va. Em certas épocas do ano os adultos recém plantadas e nas plantas jovens.
alimentam-se da casca dos ramos poden- As minas abertas pelas larvas impedem
do causar sua morte, além disso, os ra- a passagem de seiva, reduzem a área
mos produtivos podem partir com o peso fotossintética e facilitam infecções se-
dos frutos.
Fotos: Marcelo da C. Mendonça
Broca dos citros Planta armadilha - maria-preta (Cordia curasivica)
Atualmente, das espécies citadas, cundárias causando atrofia e queda foliar
a broca dos citros (C. flavofasciatus) tem retardando o desenvolvimento normal da
a maior ocorrência nos pomares planta. Por esse motivo, juntamente com
sergipanos embora os danos sejam locali- os pulgões, a LMC é uma praga chave no
zados e sem grandes perdas para o pomar em formação. Nas plantas adultas
citricultor. o dano não representa perda significativa.
Em Sergipe, as condições climáticas favo-
A limpeza do pomar e de áreas pró- recem o lançamento de novas brotações
ximas é importante, devendo-se cortar e pela planta durante a maioria dos meses.
queimar os galhos brocados. A planta No entanto, tem sido verificado nos perío-
maria-preta (Cordia curasivica) atrai os in- dos mais quentes do ano que as larvas não
seto adultos podendo ser utilizada como conseguem completar seu ciclo.
planta armadilha. Recomenda-se seu plan-
tio na periferia dos pomares e a catação A preservação do parasitismo na-
periódica dos besouros atraídos. tural e a introdução do parasitóide exótico
Ageniaspis citricola é uma contribuição im-
portante para o controle biológico da larva
minadora.
66
Fotos: Marcelo da C. Mendonça
Minador dos citros Dano do minador em folha de citros
Pulgões Os pulgões são pequenos insetos
sugadores que tem destaque na citricultura
Pulgão Marrom Toxoptera citricida por serem transmissores de doenças, es-
Pulgão Preto Toxoptera aurantii pecialmente de viroses como a Tristeza.
As colônias atacam brotações novas cau-
Pulgões Verde Aphis gossipii, A. spiraecola sando atrofiamento e enrolamento foliar.
Por esse motivo são pragas chaves no
Há na citricultura mundial cerca de pomar em formação. As plantas adultas,
dezesseis espécies de pulgões que causam normalmente não exigem controle. Esses
danos às plantas. Nas nossas condições afídeos expelem um líquido açucarado que
não temos identificação científica das es- atrai formigas e promove a proliferação do
pécies ocorrentes, porém pelo menos duas fungo Fumagina, Capnodium citri.
das espécies citadas T. citricida e
[Link] são encontradas isoladamente Os pulgões são controlados por um
ou em conjunto causando dano significati- grande número de inimigos naturais, por
vo nos fluxos de brotação das plantas em exemplo, a joaninha Vermelha Cicloneda
formação. sanguinea, larvas de sirfídeos e de
crisopídeos, parasitoides e patógenos, es-
Fotos: Marcelo da C. Mendonça
pecialmente fungos.
Foto: Luiz M. S. da Silva
Dano do Pulgão marrom
Pulgão marrom
67
Cigarrinhas sido associadas à transmissão da bacté-
ria Xilella fastidiosa causadora da doença
Embora se tenha registro da ocor- Clorose Variegada dos Citros (CVC). Nos
rência de cigarrinhas de diferentes famíli- nossos pomares tem sido coletadas prin-
as como Cercopidae, Flatidae, cipalmente os gêneros Oncometropia,
Aetalionidae, Membracidae apenas espé- Acrogonia, Dilobopterus e Homolodisca
cies de cigarrinhas da família Cicadellidae (Fotos FUNDECITRUS).
assumiram o status de praga por terem
Oncometopia facialis Acrogonia virescens
Fotos: Fundecitrus
Dilobopterus costalimai Homalodisca ignorata
Moscas brancas ou introduzida na citricultura do Pará ainda não
aleirodídeos foi constatada em Sergipe.
Dialeirodes citri
Foto: Marcelo da C. Mendonça
Dialeirodes citrifolii
Aleurothrixus floccosus
Parabemisia myricae
Das diferentes espécies de moscas
brancas que são encontradas nos poma-
res cítricos apenas a espécie A. floccosus
(Mosca branca cotonosa) tem atingido
ciclicamente níveis de dano exigindo medi-
das de controle principalmente no pomar
em formação. A partir de 2002 tem sido
observada, nos viveiros telados, a presen-
ça da Mosca branca japonesa P. myricae.
A espécie Aleurocanthus woglumi deno-
minada mosca preta dos citros que foi Mosca branca dos citros.
68
Lagartas Outras pragas
Lagarta de Fogo Megalopyge lanata
Além das pragas citadas muitas ou-
Lagarta do Tronco Heraclides spp tras ocorrem nos nossos pomares, des-
tas merecem citação as seguintes:
Lagarta Verde Sibine nesea
Lagarta Aranha Phobetron hipparchia Formigas
Lagarta dos Frutos Eulia dimorpha As cortadeiras dos gêneros
Um grande número de espécies de Acromyrmex (quenquém/boca-de-cisco) e
lagartas periodicamente pode causar danos Atta (saúvas) embora sejam pragas gerais
aos laranjais. Em Sergipe, ultimamente os são uma constante ameaça para os citros,
ataques têm sido bem localizados, indican- principalmente no pomar em formação.
do que o controle biológico tem alcançado Além dessas temos a formiga caçarema
boa eficiência. De um modo geral as lagar- Azteca sp. e uma da espécie Dolichoderus
tas são desfolhadoras, porém algumas como bidens chamada localmente formiga de es-
a E. dimorpha ataca também frutinhos no- talo que não causa nenhum dano direto na
vos podendo causar significativa perda na planta, só aos colhedores, pois faz seus ni-
produção. As espécies citadas são as que
nhos juntando folhas e ataca ferozmente
mais facilmente podem ser encontradas
quando incomodadas.
embora só raramente alcancem nível de
dano.
Caracol branco
Auris bilabiata
Os citros são atacados em outras
áreas citricolas por caracóis do gênero
Helix. Em Sergipe, foram idenficadas algu-
mas outras espécies associadas aos citros
dessas apenas o Caracol Branco tem cau-
sado severos desfolhamentos das plantas
cítricas. O búzio é inteiramente Ninho de Azteca sp.
esbranquiçado (ultimamente foram cons-
tatados alguns especimens róseos) com
quatro espirais projetadas para frente.
Fotos: Marcelo da C. Mendonça
Diferente da maioria das espécies de
caracóis que depositam ovos numa cavida-
de do solo, o A. bilabiata põe ovos nas fo-
lhas onde eles se mantêm aderidos até a
eclosão das formas jóvens. Ainda não fo-
ram identificados inimigos naturais do ca- a
racol, porém em áreas com uso mais inten-
sivo de agrotóxicos os surtos de ataque têm
sido maior.
Adultos de Dolichoderus bidens caminhando
sobre frutos de laranja (a) e o seu ninho sobre
a folha (b).
Caracol branco - A. bilabiata
69
Bicho teia
Foto: Luiz M. S. da Silva
Essa é uma praga que a cada ano
vem aumentando sua disseminação. Os
adultos são pequenos insetos da ordem
Psocoptera (Corrodentia) possivelmente da
espécie Archipsocus brasilianus que cau-
sam um dano indireto às plantas, pois as
recobrem, muitas vezes totalmente, com
uma teia causando seca de folhas.
Foto: Marcelo da C. Mendonça
Danos da esperança em laranja
Tripes
Alguns tripes fitófagos são encon-
trados causando danos na casca dos fru-
tos cujos sinais também podem ser con-
a fundidos com mancha de atrito quando os
frutos têm contato entre si ou com ramos
e folhas. Não foram feitas identificações,
mas aparentemente a espécie mais pre-
sente é a Heliothrips haemorrhoidalis.
Abelha arapuá
É uma abelha pequena e escura sem
ferrão (Meliponidae) da espécie Trigona
spinipes. Prejudica as brotações novas dos
b citros, se alimentando de folhas e ramos
novos, às vezes danificam também os fru-
Adultos de Psocoptera (a) e teias recobrindo a tos maduros. A descoberta e queima dos
copa de laranja (b).
ninhos constitui o melhor controle. Quan-
do isto não for possível, deve-se fazer uso
de isca atrativa.
Gafanhoto e esperança
Foto: Marcelo da C. Mendonça
Esses ortópteros estão sempre pre-
sentes nos pomares. Em alguns anos, o ga-
fanhoto marrom Schistocerca sp. causa da-
nos às folhas e frutos novos. As esperan-
ças encontradas são do gênero
Microcentrum e Scudderia. A primeira é
mais comum e anualmente causa danos ao
se alimentar da parte externa (flavedo) dos
frutos.
Dano de arapuá em brotação nova de citros.
70
Besouro das raízes
Adultos de diferentes espécies do
gênero Naupactus estão presentes na área
citricola, porém somente em 2005 foram
observadas algumas plantas recém plan-
tadas com danos nas raízes causados pe-
las larvas desses besouros.
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Capítulo 8
PRINCIPAIS DOENÇAS DA CITRICULTURA
EM SERGIPE E SEU CONTROLE
Marcelo Brito de Melo e Luzia Nilda Tabosa Andrade
A citricultura brasileira é afetada por desfavorecendo a doença; o hospedeiro:
doenças importantes que reduzem signifi- impedindo o contato direto da planta com
cativamente a produção, a longevidade e o patógeno, a imunização promovendo a
a qualidade dos frutos como exemplo as resistência da planta e a terapia na recu-
bacterioses: o cancro cítrico peração da planta doente; o patógeno: ex-
(Xanthomonas axonopodis), a Clorose clusão, prevenindo a entrada em área não
Variegada dos Citros (Xylella fastidiosa infestada e, a erradicação eliminando o
Wells et al.) e o huanglongbing (HLB); as patógeno no seu estabelecimento.
doenças causadas por fungos como a man-
cha preta (Guignardia citricarpa Kiely); a São apresentadas diferentes práti-
verrugose (Elsinoe spp.), a melanose cas relacionadas ao manejo de doenças de
(Diaporthe citri Wolf), a rubelose ( citros no Brasil: seleção de combinações
Erythricium salmonicolor Berk. & BR.), a varietais - escolha de copas e porta-enxer-
podridão floral (Colletotrichum acutatum tos envolvendo a viabilidade econômica e
Simmons), a “Gomose de Phytophthora”; tolerância das combinações às doenças da
as viroses tristeza e leprose, o gênero cultura; material de propagação sadio - bor-
Marafivirus associado à Morte Súbita dos bulhas e porta-enxertos sadios; utilização
Citros e a doença de etiologia desconheci- de mudas sadias- princípio da exclusão,
da como o declínio dos citros. não levando o patógeno para novos planti-
os; seleção de áreas para plantio - princí-
No presente capítulo apresentare- pio de evasão, reduzindo o inóculo inicial,
mos informações sobre as principais do- evitando lugares com histórico de doenças;
enças que ocorrem nos citros em Sergipe, rotação de culturas - associada ao princí-
como a “Gomose de Phytophthora” que é pio da erradicação, reduzindo o inóculo de
causada por fungos de solo; a Clorose determinada área; práticas de conserva-
Variegada dos Citros (CVC) vulgarmente ção do solo - fatores de regulação que atu-
denominada de “amarelinho” e o declínio am no ambiente, tornando-o menos apto
das plantas cítricas, que ainda permanece ao crescimento de população do patógeno
matando plantas em pomares da região ou desenvolvimento da doença; preparo do
produtora do Estado, cujo agente causal solo - aplicação de práticas
ainda permanece desconhecido. conservacionistas objetivando contribuir
para o controle das doenças; adubação or-
Em um pomar de citros, a manuten- gânica e mineral - prática essencial do prin-
ção e o estado fitossanitário requer vigi- cípio da regulamentação, atuando na redu-
lância sistemática e efetiva. Assim, ção da taxa de progresso das doenças man-
amostragens ou inspeções semanais, ou tendo a planta nutricialmente equilibrada;
quinzenais, devem ser efetuadas nas plan- quebra-vento - princípio da regulamenta-
tas relatando o problema logo no início do ção, funcionando mais para doenças da
ataque. parte aérea; cuidados durante o plantio -
princípios da exclusão, proteção e
Os princípios gerais de controle en- regulação, com mudas de alta qualidade,
volvem o ambiente: com a evasão, envol- evitando o enterrio profundo das mudas,
vendo táticas de fugas à doença e a proteção dos cortes de raízes com
regulação que visa alterar o ambiente
72
fungicidas; prevenção contra ferimentos - Sintomatologia
que favorecem a penetração de agentes
causais de doenças com meios químicos, A doença geralmente ocorre no tron-
físicos e biológicos; manejo de plantas con- co das árvores ao nível do solo e nas raízes.
correntes - auxilia na regulação de aspec- As plantas apresentam a casca rachada,
tos físicos e químicos do ambiente; cuida- escorrimento de goma e cor pardacenta
dos com a irrigação - influenciam direta- na parte interna da casca e no xilema.
mente na regulação ambiental, ainda po- Quando o fungo ataca as raízes, os sinto-
dendo ser agente de disseminação de mas são a podridão de raízes e radicelas.
propágulos dos patógenos, a qualidade da Na copa, a parte correspondente ao lado
água, o sistema de irrigação e a freqüên- da lesão, as folhas ficam de coloração
cia da irrigação apresentam influência na amarela, mais espessa e caem.
incidência e severidade de várias doenças;
Fotos: Fundecitrus
inspeções, erradicações e replantios - vi-
sando a detecção de plantas com CVC de
até três anos de idade fazendo a
erradicação, a poda não soluciona o pro-
blema, quando a planta foi infectada na
fase de muda; controle químico - específi-
co para cada doença, como medida com-
plementar no manejo integrado de doen-
ças, pois afeta os inimigos naturais de pra-
gas, doenças, micorrizas, bactérias que
fixam o nitrogênio e o meio ambiente. Ou-
tras medidas fitossanitárias complemen-
Fig. 1. Sintoma de exudação de goma na base
tares - fiscalizar a circulação de pessoas, do tronco da planta.
veículos, máquinas, desinfestação de ma-
terial de poda e de colheita
(Feichtenberger, 2000; Laranjeira et al.,
2005).
Gomose de fitóftora
O patógeno é um fungo de solo per-
tencente a classe dos oomicetos, que ata-
ca a planta quando encontra ferimentos e
condições climáticas favoráveis ao seu de-
Fig. 2. Desfolhamento da copa no lado das
senvolvimento. lesões, no tronco ou raízes.
O fungo também ocorre em mudas
Epidemiologia
enxertadas em viveiro causando danos nas
O fungo sobrevive no solo na forma
brotações, nas hastes, nas raízes e poden-
de clamidósporos, oósporos, hifas e
do penetrar no local da enxertia causando
esporângios. Os zoosporos que são nada-
a morte do enxerto.
dores penetram por ferimentos e pela zona
de crescimento das raízes onde se encistam
Etiologia
e germinam. Penetram, também, pelas fo-
Os principais agentes causais da do- lhas novas e talos verdes, enquanto que,
ença são as espécies fungo Phytophthora nos ramos e troncos precisam de ferimentos
citrophthora e P. nicotianae var. parasitica. ou rachaduras naturais. O fungo é trans-
portado por implementos agrícolas, duran-
te os tratos culturais, substrato de mudas,
água de irrigação e chuva. O patógeno é
transmitido por sementes e pode ficar la-
tente nas mudas.
73
Controle
Foto: Marcelo Brito de Melo
O controle curativo da doença con-
siste em raspar a área afetada até o lenho
e pincelar com pasta bordalesa a 1% ou
com produto à base de cobre. Porém, esse
procedimento não se justifica quando a
área afetada não for superior a 1/5 do diâ-
metro do caule. Quando o ataque for ao
nível das raízes o melhor é arrancar as plan-
Fig. 3- Botões com podridão floral de cor
tas e fazer o replantio. pardacenta.
Foto: Marcelo Brito de Melo
O controle preventivo baseia-se em
realizar o plantio das mudas em área não
sujeita ao encharcamento, enxertia alta 15
ou mais centímetros do solo; fazer o plan-
tio alto ao colo da planta 5 cm mais alto;
evitar o acúmulo de água na base da plan-
ta; evitar ferimento no caule e nas raízes
durante o coroamento; realizar adubação
orgânica afastada da região do caule; não
realizar adubações fortes com nitrogênio
e fazer poda durante a formação da plan-
ta para melhor arejamento do caule.
Fig. 4. Discos basais, cálices e pedúnculos presos
nos ramos, daí o nome “estrelinha”.
Podridão floral
Foto: Fundecitrus
Conhecida como “queda dos frutos
jovens dos citros”, é causada por um fungo
que ataca as flores durante o período das
chuvas. Ocorre na citricultura sergipana,
chegando a causar prejuízos na produção,
principalmente nos anos em que há coinci-
dência de chuvas intensas no período de
floração.
Etiologia Fig. 5. Lesões em pétalas.
A doença é causada pelo fungo Epidemiologia
Colletotrichum acutatum Simmons.
O agente causal da doença consegue so-
Sintomatologia breviver por longo tempo na parte aérea da plan-
ta. A disseminação dos conídios do fungo ocorre
O fungo causa lesões necróticas nos
principalmente pelo vento e respingos das chu-
botões florais e nas flores de cor
vas.
pardacenta. As pétalas ficam aderidas por
vários dias, os frutinhos ficam de cor ama- Controle
rela e soltam-se facilmente deixando os
discos basais, cálices e pedúnculos pre- Deve ser realizado preventivamente,
sos nos ramos, daí o nome “estrelinha”. antes da abertura dos botões florais, pois,
no estágio de flor, o fungo já teria se insta-
lado.
São recomendadas duas pulveriza-
ções direcionadas às inflorescências, com
74
produto sistêmico . Sendo a primeira, nos Sob condições favoráveis e poma-
botões florais ainda pequenos e verdes, res mal cuidados, a melanose pode acar-
Deve-se acompanhar a florada até realizar retar prejuízos, principalmente devido ao
a segunda pulverização (7 a 10 dias), quan- aspecto dos frutos que são destinados ao
do os botões florais estiverem maiores de mercado de fruta fresca. A doença pode
coloração branca (Melo & Morais, 1999). ser confundida com a mancha na casca
dos frutos causada pelo ácaro da ferru-
É importante saber a intensidade da gem, porém no caso da melanose as le-
florada, se o número de flores é suficiente sões são ásperas.
para justificar o custo da aplicação de
fungicida; o estágio da florada, indicando Etiologia
o início da florada, com poucas flores, com
ou sem a presença de sintomas de podri- Doença causada pelo fungo
dão floral (PFD-FAD System, 2006). Diaporthe medusaea Nitschke (teleomorfo)
(D. citri Faw., A. Wolf.). Os peritécios fi-
Fotos: Marcelo Brito de Melo
cam imersos em um estroma, os
ascosporos são hialinos e bicelulares.
Sintomatologia
A Melanose ocorre nas partes ver-
des da planta, em forma de manchas cir-
culares escuras e pequenas, em pequenas
crostas levantadas superficialmente que
aparecem dispersas na superfície do fruto
ou em estrias. Quando numerosas, as man-
chas formam uma única mancha, toda
fendilhada, e se desenvolvem à medida que
Fig. 6. Aplicação (1a): botões florais pequenos os frutos crescem, acarretando prejuízos,
e verdes. principalmente devido ao seu mau aspec-
to. São secreções gomosas da planta co-
nhecida como óleos essenciais, em reação
à ação do patógeno que não penetra no
fruto. Frutos severamente infectados,
quando muito jovens, podem ter seu de-
senvolvimento interrompido e caírem pre-
maturamente.
O fungo se desenvolve em tecidos
novos causando a morte descendente dos
raminhos e manchas corticentas nas fo-
lhas. No início, manifesta-se na forma de
lesões pequenas, resultante de inoculação
Fig. 7. Aplicação (2a): botões florais brancos e de poucos conídios, menores que 1mm de
fechados.
diâmetro, salientes, de coloração marrom-
chocolate. Folhas com muitas pústulas per-
dem a cor e caem prematuramente.
Melanose
Foto: Luiz M. S. da Silva
A melanose causa danos nos órgãos
verdes no início de desenvolvimento e afe-
ta os frutos em vias de maturação ou após
a colheita causando a podridão peduncular
(Kimati & Galli, 1980).
Fig. 8. Melanose no fruto.
75
Epidemiologia esbranquiçados, causados pelo micélio do
fungo, que se tornam brancos com o pas-
O fungo sobrevive como saprófita sar do tempo; ocasiona o rompimento com
de um ano para outro nos ramos cortados escamação na casca dos ramos. Os ga-
durante a poda e deixados no campo e tam- lhos ficam com as folhas secas e quando
bém nas pústulas das folhas caídas, onde atinge grandes proporções causa a morte
forma grande número de picnídios. da planta.
Seu ataque é mais freqüente quan-
Fotos: Fundecitrus
do há altos níveis de umidade nos primei-
ros meses após a frutificação, quando os
conídios produzidos dentro dos picnídios se
entumecem e saem através dos ostíolos
formando massas filamentosas.
Temperatura entre 25-30 °C, ramos
infectados nas árvores ou no solo aumenta a con-
centração de esporos no ar, água livre na super-
fície das folhas ou frutos durante 8-10 horas,
Fig. 9. Sintomas de Rubelose nos ramos formado
favorecem o desenvolvimento da doença. pela camada rosada do fungo.
Controle
Epidemiologia
A poda dos ramos secos das plan-
tas é um controle bastante eficiente, pois Em condições de alta umidade, o fungo
diminui os focos de infeção da doença. se espalha rapidamente nas ramificações, poden-
Quando necessário, deve-se pulverizar as do o patógeno penetrar e destruir a casca, fican-
plantas atacadas com calda bordalesa ou do de cor cinza. O patógeno sobrevive em cima
calda cúprica, após a poda para reduzir a ou debaixo da casca dos galhos mortos.
quantidade do inóculo. O controle deve ser
feito em conjunto com o de outras doen- Não está bem claro o método de dissemi-
ças que afetam o florescimento e a nação do fungo, desconhecendo a presença de
frutificação. basidiósporos no hospedeiro; acredita-se que os
fragmentos de micélio possam ser levados por
Rubelose insetos ou pelo vento para os tecidos suscetíveis
sadios na própria planta ou em plantas vizinhas.
Doença causada por fungo conheci- Temperaturas e umidade relativa altas, prolonga-
da como rubelose ou doença rosada dos do período de chuva e tecidos suscetíveis são
citros. Se não for controlada os galhos prin- condições que favorecem o desenvolvimento da
cipais e o tronco ficam circundados pelo doença.
micélio do fungo chegando a matar a plan-
ta. Controle
Etiologia Não existem variedades, cultivares tole-
rantes ou resistentes ao patógeno. Quando o ata-
O agente causal da doença é o fun- que do fungo é generalizado o tratamento deve
go Erythricium salmonicolor Berk. & Br. ser realizado em todo o pomar através da poda
(sin: Necator decretus Massee.). dos galhos secos (30 a 40 cm) abaixo da mar-
gem inferior da lesão e queimá-los; pulverizar com
Sintomatologia um fungicida cúprico ou com uma pasta sulfurosa,
fazendo um pincelamento no local onde foi reali-
O fungo ataca os galhos produzin- zada a poda; eliminar as ervas daninhas reduz a
do a morte descendente, formando uma incidência da doença.
camada de coloração rosada sobre a cas-
ca e a presença de filamentos
76
Foto: Marcelo Brito de Melo
Fotos: Fundecitrus
Fig. 10. Proteção da região onde foi feita a poda
com pasta cúprica.
Mancha aureolada
Fig. 12. Anéis concêntricos das
Ocorre na citricultura sergipana ge- lesões necróticas e formação
ralmente no período das chuvas, causan- de halos cloróticos.
do o desfolhamento das plantas e, tendo Epidemiologia
importância quando o seu ataque se dá
em viveiros descobertos. O patógeno foi Os basidiósporos são transporta-
apenas relatado em pomares de citros na dos pelo vento e insetos. Alta umidade e
América do Sul. temperaturas de 20 a 25 °C favorecem a
ocorrência da doença. No período de me-
Etiologia nor pluviosidade a doença tende desapa-
rece entretanto, no período chuvoso, ocor-
É uma doença foliar causada pelo re uma alta incidência, onde as lesões nas
fungo Thanatephorus cucumeris (Frank.) folhas crescem e coalescem rapidamen-
Donk. (Pellicularia filamentosa Pat.) D.P. te.
Rogers, é habitante do solo, ocorrendo em
diversas espécies agrícolas e silvestres. Controle
Sintomatologia Fazer a poda dos ramos mais ata-
cados efetuando a queima das folhas e re-
Nas folhas ocorrem lesões alizar semanalmente aplicações preventi-
necróticas em anéis concêntricos e forma- vas de fungicidas à base de cobre.
ção de um halo clorótico ao redor das le-
sões. Verificam-se pontuações escuras Mancha de graxa / falsa
sobre as lesões que são as estruturas de
melanose
sobrevivência do fungo (escleródios).
È uma doença foliar que ocorre tan-
Foto: Luiz M. S. Silva
to em Sergipe como na Flórida e no Japão,
com incidência elevada, podendo ocorrer
a desfolha nas plantas. As manchas de
graxa são muito comuns nas folhas e nos
frutos.
O fungo causa danos nas folhas de
quase todas as cultivares de citros, prin-
cipalmente os pomelos, limões verdadei-
Fig. 11. Lesões necróticas nas folhas.
ros, tangerinas e laranjas doces de
maturação precoce.
Etiologia
Causada pelo fungo Mycosphaerella
citri Whiteside (teleomórfo); Stenella citri-
77
grisea (F. E. Fisher) Sivan (anamórfo) (sin: citricultura nacional. Em Sergipe a doença
Cercospora citri-grisea F. E. Fisher) (Anam.) já foi detectada em toda a região citrícola
(Kimati et al., 1997). do Estado, causando prejuízos a quem de-
pende direta e indiretamente dessa cultu-
Sintomatologia ra. Sua importância decorre do fato de afe-
tar a maioria das variedades comerciais
As lesões ocorrem na face adaxial
de laranja doce, além de causar sérios da-
da folha e o fungo causa a formação man-
nos econômicos devido à redução na pro-
chas cloróticas. Na face adaxial da folha,
dução e qualidades dos frutos (Laranjeira
área correspondente às cloroses, apresen-
& Palazzo, 1999) e diminuir a vida útil dos
ta com saliências que adquirem coloração
pomares (Neto & Lopes, 2003).
marrom-escura ou preta, tornando-se lisas,
brilhantes e com aspecto graxo. Etiologia
Foto: Marcelo Brito de Melo
A doença Clorose Variegada dos
Citros é causada pela bactéria Xylella fas-
tidiosa WELLS et al. (1987-1990), confir-
mada por Leite JR. & Leite (1991).
Sintomatologia
Fig. 13. Lesões de manchas cloróticas no limbo A manifestação da CVC ocorre nos
foliar.
ramos, folhas e frutos. É formada de pe-
Epidemiologia quenas manchas intervenais amarelas na
face superior das folhas. A essas cloroses
Os ascocarpos do fungo são produ- correspondem, na face inferior, a manchas
zidos sobre as folhas caídas no solo; alta de coloração púrpura a marrom. Em plan-
umidade relativa e temperatura elevada fa- tas muito atacadas pela bactéria é comum
vorecem a germinação e penetração do à presença de desequilíbrio nutricional de
fungo. Os ascósporos são disseminados zinco, magnésio e potássio.
pelo vento ou respingos de água, quando
depositados nas folhas são necessárias. Nos frutos, os sintomas ocorrem
após o aparecimento dos sintomas foliares
Controle e, isto é observada nos ramos com uma
tendência a frutificação em pencas
O controle somente é recomendado (Rossetti & De Negri, 1990; Laranjeira,
quando o desfolhamento começar a cau- 1997). Os frutos sintomáticos tornam-se
sar danos econômicos de produção. Deve- pequenos, duros e imprestáveis ao consu-
se adotar o uso de práticas culturais atra- mo in natura e para a indústria e, possuem
vés da eliminação ou a utilização de medi- uma coloração típica de fruto maduro. A
das que proporcionem rápida decomposi- produção de uma planta sintomática é di-
ção das folhas infectadas no solo. minuída em termos de peso de frutos e
número de frutos. Palazzo e Carvalho
A aplicação de fungicida à base de
(1993), afirmam que plantas aparentemen-
cobre após a florada e antes do período
te sadia produziram entre 30 e 35% a mais
chuvoso, diminui a intensidade dos sinto-
que plantas doentes. Em Sergipe (Silva et
mas.
al., 2004; Andrade et al, 2006) obtiveram
resultados semelhantes aos encontrados,
Clorose variegada dos onde as planta sintomáticas tiveram uma
citros-CVC redução de aproximadamente 15% e 14%,
respectivamente, na produção em relação
A clorose variegada dos citros, co- às plantas sintomáticas, em termos de
nhecida por “Amarelinho” é atualmente peso e números de frutos doentes.
considerada o mais sério problema da
78
ervas daninhas e restos de culturais. Tem
Foto: Marcelo Brito de Melo
como vetores cigarrinhas da família
Cicadellidae, com destaque os represen-
tantes potencialmente transmissores da
bactéria em citros: Dilobopterus costalimai,
Acrogonia, sp e Oncometopia facialis, que
transmitem a bactéria para plantas sadias
após sua aquisição, que ocorre durante a
alimentação em plantas doentes (Roberto
et al., 1996, apud Donadio et al., 1997).
Também é muito comum a presença de
Acrogonia sp e Homalodisca ignorata nos
Fig. 14. Sintoma inicial da CVC com manchas pomares da região citricola de Sergipe.
amareladas na face adaxial da folha.
Com relação ao progresso da CVC
Fotos: Marcelo Brito de Melo
em Sergipe, Andrade et al. (2006b) obser-
varam que a doença aumentou de intensi-
dade nos focos pré-existentes e houve
pouca formação de novos focos. Aparen-
temente a epidemia analisada neste estu-
do é similar àquelas estudadas em São
Paulo, chamando atenção a aparente len-
tidão com que a doença vem se desenvol-
vendo em Sergipe.
Controle
Fig. 15. Sintomas de CVC, lesões de cor Não existe uma forma efetiva para
pardacentas na face abaxial da folha.
o controle da X. fastidiosa, mas existem
formas de convivência com essa bactéria.
Foto: Luzia N. T. Andrade
Assim a CVC foi responsável pela mudan-
ça na legislação estadual de produção de
muda cítrica que teve início em São Paulo,
a partir de 2003, e em Sergipe, a partir de
2004, onde ficou estabelecido que toda
produção de muda cítrica só pudesse ser
realizada em ambiente protegido.
A convivência com a doença é feita
através de inspeção realizada nos poma-
Fig. 16. Fruto aparentemente sadio e sintomático. res novos para identificar ramos doentes,
assim, quanto mais cedo forem identifica-
Epidemiologia
dos os sintomas, mais eficientes serão os
resultados da poda. E, o controle do inseto
A CVC ataca, sobretudo plantas jo-
vetor através do monitoramento com ar-
vens, a partir da saída do viveiro até apro-
madilhas adesivas de cor amarela e apli-
ximadamente 6 a 7 anos de idade, e vai
cação de produtos recomendados (Souza
decrescendo quando as plantas atingem 8
et al., 2004).
a 10 anos (Rossetti, 2001). X. fastidiosa
é disseminada a curtas distâncias através
do vento e água da chuva. A longa distân- Feltro ou camurça
cia por meio de plantas doentes e materi-
É provável que tenha sido introduzi-
ais propagativo infectado. A bactéria so-
do em nosso país em mudas de citros im-
brevive a temperaturas entre 20 a 39ºC,
portadas dos Estados Unidos, e já foi assi-
e umidade relativa alta; em folhas caídas,
79
nalado em diversos Estados produtores. Os cam recobertos pelo micélio do fungo. A
vários autores que se têm preocupado com presença do fungo de coloração escura
o estudo do feltro dos citros dão-lhe, às está associada a praga dos citros
vezes, importância de ordem secundária. cochonilha ortézia, a escama verde, a mos-
A associação do fungo com coccídeos é ca branca e o pulgão.
prejudicial aos citros (Viégas, 1940).
Foto: Luis Mário S. da Silva
Etiologia
Causado por Septobasidium
pseudopedicellatum Burt e S. saccardinum.
Sintomatologia
O fungo consta de uma camada so-
bre o córtex dos ramos formado de hifas
septadas, de cor parda, que se ergue como Fig. 17. Camada de fungo preto na superfície da
se fossem colunas. À germinação, tornam- folha.
se multiseptadas e brotam, originando
esporídias secundárias diminutas, mais ou
Epidemiologia
menos elípticas, hialinas. São estas
esporídias que vão ocasionar a infecção das Os ascocarpos do fungo são produ-
larvas dos coccídeos, quando passeiam pelo zidos sobre as folhas caídas no solo, dis-
himênio. As esporídias primárias ao se des- seminados pelo vento ou respingos de água;
tacar dos esterigmas são uninucleadas. Se alta umidade relativa e temperatura eleva-
a eclosão dos ovos do coccídeo coincide da favorecem a germinação e penetração
com a germinação das probasídias, é pro- do fungo.
vável que essa população venha ser inocu-
lada pelas esporídias secundárias do Controle
Septobasidium (Viégas, 1940).
Através do monitoramento das plan-
Fumagina tas com sintomas e realizar práticas cul-
turais através da eliminação ou a utiliza-
Causa prejuízos à produção de citros ção de medidas que proporcionem rápida
prejudicando a realização da fotossíntese decomposição das folhas infectadas no
pelas folhas atacadas. É um patógeno se- solo. Pulverizações com fungicidas à base
cundário que depende da seiva elaborada, de cobre controlam a doença.
expelida por sugadores. O fungo não ata-
ca os tecidos da planta forma uma cober- Verrugose do limão e da
tura preta constituída pelo micélio. laranja azeda
A presença desse fungo preto na
É uma doença que ocorre com mais
planta tem um papel importante como in-
freqüência tanto em sementeiras e vivei-
dicador da presença de homópteros, como
ros como em pomares. Nos viveiros, a
a ortézia dos citros, escama verde, mos-
verrugose ataca espécies de porta-enxerto
cas brancas e pulgões.
como o limão ‘Cravo’ o ‘Volcameriano’ de-
formando as folhas.
Etiologia
Doença causada pelo fungo
Etiologia
Capnodium citri Berk & Desm.
É causada pelo fungo Elsinoe
fawcetti Bit. & Jenkins (Sphaceloma
Sintomatologia
fawcetti Jenkins).
As folhas, os ramos e os frutos fi-
80
Sintomatologia Leprose dos citros
Causa lesões corticosas nas folhas, A presença da doença já foi regis-
cor de palha, mais ou menos salientes. Ata- trada na América do Sul, e focos foram
ca frutos, folhas e raminhos do limão ‘ Cra- identificados também na América Central.
vo’ e laranja azeda quando ainda são mui- No Brasil são gastos anualmente cerca de
tos jovens, causando deformações salien- US$ 80 milhões para controle do
tes, que vão crescendo à medida que a Brevipalpus phoenicis (Geijskes) vetor do
planta se desenvolve. Sobre essas vírus leprose dos citros. Este ácaro pos-
protuberâncias aparecem as lesões primá- sui comportamento polífago, cosmopolita
rias de onde o fungo. e está em diferentes espécies de plantas
junto aos pomares cítricos; possui facili-
Características para diagnose em dade em adquirir resistência a acaricidas.
folhas novas é que estas formações
corticosas aparecem somente de um lado, A Alellyx Applied Genomics, con-
correspondendo a uma depressão do lado cluiu a identificação e o mapeamento do
oposto. Nessas lesões se formam as genoma do vírus da leprose dos citros. O
frutificações do fungo que se propaga para próximo passo é a produção de varieda-
as outras partes do fruto. des cítricas resistentes à doença. Com a
seqüência genética do vírus, as plantas
Foto: Marcelo Brito de Melo
transgênicas resistentes à leprose já es-
tão em desenvolvimento.
Etiologia
Doença causada pelo vírus leprose
dos citros (CiLV).
Sintomatologia
Os sintomas podem ser evidencia-
dos em ramos, folhas e frutos. Nas folhas
surgem manchas claras com halo claro e
o centro necrosado. Nos frutos verdes
aparecem manchas verde-claras, rodeadas
Fig. 18. Folhas jovens com deformações corticosas. por um anel de coloração amarela que so-
Epidemiologia bressai da cor verde do fruto; com o ama-
durecimento as manchas tornam-se par-
A doença ocorre em períodos úmi- das ou escurecidas, ligeiramente deprimi-
dos, cuja disseminação principal é por res- das, de tamanho variável, podendo apre-
pingos de chuva a curta distância e atra- sentar pequenas rachaduras. Os frutos,
vés do vento, a longa distância. pela sua aparência, ficam imprestáveis para
o consumo “in natura”. Nos ramos provo-
Controle ca manchas de cor marrom clara que se
transformam em pústulas salientes cau-
Controlar a doença nos viveiros de sando a soltura da casca. Quando o ata-
mudas. Evitar a irrigação por aspersão no que é intenso ocorre a queda de frutos e
período de floração e de maior brotação folhas.
de folhas novas; realizar podas de manu-
tenção promovendo a circulação de ar.
A verrugose da laranja doce causa-
da pela espécie Elsinoe australis
(Sphaceloma australis) não ataca os fru-
tos nas condições de Sergipe.
81
Foto: Marcelo Mendonça
Fotos: Fundecitrus
Fig. 22. Sintomas em ramos.
Foto: Marcelo Mendonça
Fig. 19. Lesões rasas em ambas as faces da
folha.
Foto: Marcelo Mendonça
Fig. 23. Sintomas na casca dos ramos.
Epidemiologia
O ácaro do vírus da leprose pode ser
disseminado entre as plantas dentro do po-
mar ou para outros pomares pelos ventos,
mudas e borbulhas infectadas. Também,
pode ser transportado em caixas de cole-
Fig. 20. Sintomas em frutos verdes.
ta de frutos.
Foto: Marcelo Mendonça
O ácaro (B. phoenicis) transmite o
vírus em todas as suas fases ativas de
desenvolvimento (larva, ninfa e adulto) com
a mesma potencialidade; ocorre somente
na presença de plantas afetadas e,
consequentemente, através de ácaros tam-
bém afetados. O vírus é do tipo circulativo,
ou seja, ele não somente se acumula no
corpo do vetor, mas também se multiplica
no mesmo. Dessa forma, uma vez adquiri-
do, permanecerá no interior ácaro
Fig. 21. Sintomas em frutos maduros.
(Fundecitrus, 2006).
Controle
Fazer o plantio de mudas produzidas
em condições de telado. Evita-se a disse-
minação da doença através do controle do
“ácaro da leprose”, após inspeções regu-
82
lares, com pulverizações de enxofre e de
Fotos: Marcelo Brito de Melo
acaricidas específicos cobrindo a parte in-
terna da copa. Recomenda-se a limpeza do
pomar de espécies hospedeiras do ácaro
da leprose. Em pomares infestados devem-
se remover os ramos mortos ou toda a
planta, quando estas não são mais produ-
tivas, realizando a queima do material. É
também importante o uso de desinfetan-
tes na limpeza das caixas utilizadas para a
colheita.
Tristeza
Fig. 24. Clareamento das nervuras foliares.
É a principal doença causada por ví-
Fotos: Marcelo Brito de Melo
rus no Brasil. O vírus existe nas plantas
cítricas que são vacinadas com raças fra-
cas do patógeno.
Afeta os pomares enxertados so-
bre porta enxerto de laranja azeda. Em
geral, as tangerinas têm alta tolerância à
tristeza. As laranjas doces e o limão ‘Cra-
vo’, via de regra, não são afetados pelo
vírus, mas podem sofrer danos quando
infectados por isolados fortes. O vírus
afeta principalmente, as limas ácidas Tahiti
e Galego, pomelos e algumas laranjas-do-
ces como a ‘Pêra’ (Gasparotto et al. 1998).
Etiologia Fig. 25. Fruto com engrossamento no
mesocarpo.
Citrus Tristeza Vírus (CTV), doença
causada pelo grupo dos Closterovírus, per-
tencente ao grupo do “sugar beet yellows
Epidemiologia
virus” (Müller & Costa, 1993).
O vírus sobrevive principalmente
nas espécies ou variedades tolerantes, por-
Sintomas
tadoras da doença, que não se manifesta;
Nas folhas causa a palidez nas disseminação por vetores: Aphis gossypii,
nervuras e nos frutos o engrossamento do A. spiraecola, A. craccivora, Dactynotus
mesocarpo. O ataque do vírus em plantas jaceae, Myzus persicae e Toxoptera
de laranja-pêra em qualquer de seus co- aurantii (pulgão preto) sendo que o mais
nes e independentemente do porta-enxer- eficiente é pulgão marrom (T. citricida).
to, seus ramos geralmente mostram sin-
A disseminação a longa distância é
tomas de “caneluras” (“stem pitting”) as-
por material de propagação; o vírus é efi-
sociadas com a presença de goma nos te-
cientemente transmitido por enxertia. Plan-
cidos. Paralisação no crescimento e pro-
tas hiperparasitas, como a cuscuta, são
dução de frutos pequenos e descoloridos
também vetores do vírus. Enxertos sobre
são sintomas adicionais nas plantas ata-
porta-enxerto de laranja-azeda, espécies ou
cadas. Limoeiro galego e pomeleiros tam-
variedades suscetíveis nas proximidades
bém são sujeitos aos mesmos sintomas,
dos pomares e presença de insetos vetores
razão da pequena longevidade dessas es-
são condições que favorecem o estabele-
pécies de plantas cítricas.
cimento e a disseminação da doença.
83
Controle
Fotos: Marcelo Brito de Melo
Não há medidas de prevenção, em
virtude da presença do inseto vetor, que
transmite o vírus de árvore a árvore, como
também pela borbulha, na ocasião da
“enxertia”. O controle é feito através de
resistência varietal; as mandarinas são to-
leráveis; eliminação de insetos vetores;
inoculação cruzada com um isolado fraco
do vírus.
Os pomares estabelecidos sobre
porta-enxerto de laranja-azeda devem ser
substituídos por plantas enxertadas sobre
porta-enxertos tolerantes, como o limão
rugoso, lima Rangpur, laranja trifoliada e
mandarina. As plantas que apresentam Fig. 26. Sintomas na planta.
sintomas devem ser cortadas e retiradas
do pomar. Um programa de quarentena e
Fotos: Marcelo Brito de Melo
certificação de gemas livres do vírus deve
ser observado na hora do estabelecimen-
to de novos pomares, onde teoricamente
não existe a doença.
Sorose
Trata-se de uma doença típica dos
clones velhos de citros que apresenta am-
pla distribuição entre variedades e espéci-
es de citros.
Etiologia
Doenças do complexo sorose
(sorose A, sorose B e mancha anelar dos
citros, causada pelo Citrus ringspot virus
(CtRSV). Fig. 27. Sorose em mudas.
Sintomas
Fotos: Marcelo Brito de Melo
De etiologia viral, a sorose apresen-
ta um período de até doze anos de incuba-
ção antes de expressar sintomas, que são
caracterizados principalmente por
fendilhamento e escamação de tronco e
galhos de laranjeiras doce [Citrus sinensis
(L.) Osbeck], tangerineiras (Citrus
reticulata Blanco) e pomeleiros (Citrus
paradisi Macf) (Müller & Costa, 1993).
Fig. 28. Sorose nas folhas.
84
Epidemiologia a falta de brotação nova, brotação na base
dos ramos da parte interna da planta,
A partir do uso de clones nucelares, clorose e queda das folhas. Internamente
a sorose A, única forma descrita em nos- na planta, ocorrem obstruções amorfas
sas condições, deixou de ser problemáti- nos vasos do xilema e redução do fluxo de
ca para a citricultura, embora surtos even- água.
tuais possam ocorrer, principalmente as-
sociados ao uso de borbulhas originadas Em plantas com declínio, se verifica
de clones velhos. ainda: aparecimento de deficiência de zin-
co nas folhas e excesso nos vasos
Controle lenhosos; florada atrasada com produção
reduzida; Frutos miúdos e sem brilho, im-
O melhor método de controle do próprios para o comércio; A evolução da
complexo sorose é a prevenção, através doença provoca a morte de radicelas
do emprego de borbulhas sadias na produ- (Fundecitrus, 2006).
ção de mudas. A eliminação de patógenos
Foto: Luiz M. S. da Silva
sistêmicos pode ser realizada atualmente
através da microenxertia de ápices
caulinares, sem os inconvenientes da
juvenilidade associada ao uso de clones
nucelares.
A termoterapia é uma maneira efe-
tiva e ecológica de erradicar patógenos de
material propagativo. Esta técnica apresen-
ta importante uso na eliminação de sorose
A, sorose B.
Declínio das plantas cítri-
cas Fig. 29. Brotações internas.
É um dos mais sérios problemas da
Foto: Luiz M. S. da Silva
citricultura, ocorre em plantas com dife-
rentes variedades de copa e porta-enxer-
to.
Etiologia
Até o momento, não se sabe a sua
causa e geralmente aparece nas plantas a
partir de quatro anos de idade. Fig. 30. Desfolha da planta.
É semelhante ao “citrus blight”,
“young tree decline” e “sand hill decline” Controle
descritos nos Estados Unidos desde de
A diversificação de porta-enxerto e
1891 (Flórida, Texas, Louisiana e Havaí),
a eliminação das plantas atacadas são me-
ao “declinamiento” na Argentina, ao
didas recomendadas atualmente.
“marchitamiento repentino” no Uruguai e
ao “sudden decline” na Venezuela
(Fundecitrus, 2006).
Sintomatologia
Os sintomas chegam a ser confun-
didos com o da “gomose dos citros”; são
85
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