EXORTAÇÃO À ALEGRIA E FIRMEZA DA FÉ
(4.1-3)
A alegria de Paulo. O primeiro versículo do
capítulo 4 de Filipenses inicia-se com um
“portanto”, justamente por ser continuação do
capítulo 3, quando o apóstolo tratara do perigo
dos “inimigos da cruz”. Aqui, Paulo diz que os
crentes de Filipos são a sua “alegria e coroa” e
aconselha-os a continuarem firmes no Senhor
(v.1). A permanência dos filipenses em Cristo
bastava para encher o coração do apóstolo de
alegria. Por isso, ele manifestou o seu orgulho e
os mais íntimos sentimentos de amor e carinho
para com os irmãos de Filipos.
A alegria nas relações fraternas. Nem tudo,
porém, era maravilhoso e perfeito na igreja de
Filipos. Ali, estava ocorrendo um grande
problema de relacionamento entre duas
importantes mulheres que cooperaram na
implantação da igreja filipense: Evódia e Síntique
(v.2). Esse problema estava perturbando a
comunhão da igreja e expondo a saúde espiritual
do rebanho.
A fim de resolver a questão, Paulo se dirige a um
obreiro local (Timóteo ou Tito, não sabemos)
que, com Clemente e os demais cooperadores,
procuraria despertar e restabelecer o
relacionamento harmônico e fraterno entre
Evódia e Síntique. Como verdadeiro pastor, o
apóstolo tratou as duas mulheres com o devido
cuidado e respeito, pois as tinha em grande
estima pelo fato de ambas terem contribuído
muito para o seu apostolado.
A alegria de ter os nomes escritos no Livro
da Vida. O versículo 3 demonstra algo muito
precioso para o cristão: a alegria de ter o nome
escrito no livro da vida. Paulo menciona tal
certeza, objetivando reafirmar a felicidade e a
glória de se pertencer exclusivamente ao Reino
de Deus.
Os filipenses tinham cidadania romana porque
eram originários de uma colônia do império. Mas
quando o apóstolo escreve sobre cidadania
refere-se a uma muito mais importante que a de
Roma. Nossa verdadeira cidadania vem do céu, e
o “mesmo Espírito testifica com o nosso espírito
que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Você tem
convicção de que o seu nome está arrolado no
Livro da Vida? Você compreende o valor disso?
A ALEGRIA DIVINA SUSTENTA A VIDA
CRISTÃ (4.4,5)
Alegria permanente no Senhor. A versão
bíblica ARC emprega a palavra “regozijar” no
lugar de “alegria” (v.4). O que é regozijar-se? É
alegrar-se plenamente. A declaração paulina
afirma que a fonte da alegria cristã é o Senhor
Jesus, que promoveu a nossa reconciliação com
Deus (Rm 5.1,11). Através dEle somos
estimulados a permanecer firmes na fé (Rm 5.2).
Que alegria!
É a presença viva do Espírito Santo em nós que
produz essa certeza (Jo 16.7; Rm 14.17; 15.13).
Nada neste mundo é capaz de superar as
vicissitudes da vida como a alegria produzida em
nosso coração pelo Senhor (Tg 1.2-4; Rm 5.3). O
apóstolo sabia da batalha que os filipenses
enfrentavam contra os falsos mestres. Estes
fomentavam heresias capazes de criar dúvidas
quanto à fé. E, por isso, Paulo imperativamente
reitera aos filipenses: “Regozijai-vos sempre, no
Senhor; outra vez digo: regozijai-vos”.
Uma alegria cuja fonte é Cristo. A alegria
cristã tem como fonte a pessoa bendita do
Senhor Jesus. É por isso que, mesmo em meio às
adversidades sofridas em Filipos, o apóstolo teve
grandes experiências de alegrias espirituais (At
16; cf. 1Ts 2.2). Isso só foi possível pelo fato de
ele conhecer pessoalmente Jesus de Nazaré.
Quando o apóstolo foi confrontado interiormente
e pediu a Deus para que fosse tirado o “espinho
de sua carne”, o Senhor lhe respondeu: “A minha
graça te basta, porque o meu poder se
aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9a). Após esse
episódio, Paulo então pôde afirmar: “De boa
vontade, pois, me gloriarei nas minhas
fraquezas, para que em mim habite o poder de
Cristo” (2Co 12.9b).
Uma alegria que produz moderação. O texto
bíblico recomenda que a nossa “equidade [deve
ser] notória a todos os homens”, pois “perto está
o Senhor” (v.5). Na versão ARA, o termo
“equidade” é traduzido como “moderação”.
Ambas as palavras são sinônimas porque dizem
respeito à amabilidade, benignidade e brandura.
Levando em conta o contexto de Filipenses, os
termos referem-se à pessoa que nunca usa de
retaliação quando é provada ou ameaçada por
causa de sua fé.
O apóstolo Paulo espera dos filipenses
autocontrole e não um comportamento
explosivo, próprio de pessoas destemperadas ou
sem domínio próprio. Ele assim o faz, por saber
que, aquele que tem a alegria do Senhor no
coração, possui uma disposição amável e
honesta para com outras pessoas,
particularmente em relação àquelas inamistosas
e más. William Barcklay escreve que “o homem
que tem moderação é aquele que sabe quando
não deve aplicar a letra estrita da lei, quando
deve deixar a justiça e introduzir a misericórdia”.
A SINGULARIDADE DA PAZ DE DEUS (4.6,7)
A alegria desfaz a ansiedade e produz a paz.
Além de gerar equidade, a alegria do Senhor
desfaz a ansiedade, pois esta contraria a
confiança que afirmamos ter em Deus. Nada
pode tirar a nossa paz, perturbando-nos a mente
e o coração. As nossas petições devem ser feitas
humildemente, com ação de graças em
reconhecimento à misericórdia do Senhor (v.6),
ao mesmo tempo em que confiamos na
providência do Pai Celeste.
Uma paz que excede todo o entendimento.
No versículo 7, o apóstolo fala acerca da “paz de
Deus, que excede todo o entendimento”. Ficando
claro que a alegria e a paz são recíprocas entre
si. Não há alegria sem paz interior. Esta é
decorrência daquela. Essa paz vem do próprio
Jesus: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;
não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo 14.27).
Em síntese, a paz de Deus transcende qualquer
compreensão humana, pois não há como discuti-
la filosófica ou psicologicamente. Há casos em
que somente a paz de Deus acalma os corações
perturbados. É a paz divina que excede —
ultrapassa ou transcende — a todo o
entendimento, pois não depende das
circunstâncias.
Uma paz que guarda o coração e os
sentimentos do crente. Ainda no versículo 7,
lemos que essa paz, dada por Cristo, “guardará
os vossos corações e os vossos sentimentos em
Cristo Jesus”. O texto fala de “coração e
sentimento”, cidadelas dos pensamentos e das
emoções que experimentamos no cotidiano.
A paz de Deus é uma espécie de muro em torno
de uma casa, objetivando protegê-la dos perigos
externos. Ela torna-se um guarda fiel para o
crente. Que saibamos, em Cristo, ouvir o belo
conselho do sábio: “Sobre tudo o que se deve
guardar, guarda o teu coração, porque dele
procedem as saídas da vida” (Pv 4.23).
A Carta aos Filipenses, em sua completude,
destaca a alegria do Senhor como uma virtude
de sustentação da vida cristã. Não se trata de
alegria passageira ou meramente emocional. A
alegria do Senhor alimenta a nossa alma e
produz paz e segurança, porque essa “paz é
como uma sentinela celestial” que nos guarda do
mal. Ora, a alegria também é “fruto do Espírito”
(Gl 5.22), pois a presença dela em nós produz
uma vida interior que supera todas as nossas
vicissitudes.
“Seja a vossa equidade notória a todos os
homens. Perto está o Senhor. O termo grego
epieikes, equidade, descreve restrição de
paixões, sobriedade ou aquilo que é apropriado.
Pode significar boa disposição para com as
pessoas (cf. Rm 14). Em 1 Timóteo 3.3 e Tito
3.2, a palavra é usada com um adjetivo que
significa ‘não propenso a brigar’. A ideia é de ser
tolerante, não insistindo em direitos próprios,
mas agindo com consideração uns com os
outros. Em questões que sejam dispensáveis, os
crentes filipenses não devem ir a extremos, mas
evitar o fanatismo e a hostilidade, julgando uns
aos outros com indulgência. Perto está o Senhor
pode ser aviso que a igreja primitiva costumava
usar. Neste caso, Paulo está dizendo: ‘Qual é o
propósito das rivalidades? Sede tolerantes uns
com os outros para que Deus seja tolerante
convosco quando o Senhor vier’. A frase também
era entendida como promessa da proximidade do
Senhor, e interpretada com relação ao versículo
seguinte. Não estejais inquietos por coisa alguma
[...] Embora possamos planejar o futuro (1Tm
5.8), não devemos ficar ansiosos quanto a nada
(Mt 6.25). O segredo desta qualidade de vida é a
oração e as súplicas. ‘Cuidado e oração [...] são
mais opostos entre si que fogo e água’. Oração é
geral e baseia-se nas promessas divinas,
envolvendo devoção ou adoração. Súplicas são
rogos especiais em tempos de necessidade
pessoal e apelam para a misericórdia de
Deus”Notas (Comentário Bíblico Beacon. 1
ed., Vol. 9, RJ: CPAD, 2006, p.277).
“Pessoal (4.2,3). A advertência de Paulo
nestes dois versos marca uma ocorrência
incomum em suas cartas. É comum o apóstolo
enfrentar os problemas, as objeções ou as falsas
doutrinas dentro de suas igrejas. Porém, esta é
uma das poucas ocasiões onde ele realmente
nomeia as pessoas envolvidas (1 Tm 1.20). Na
maioria das vezes, Paulo prefere manter os
envolvidos em controvérsias no anonimato. O
fato de mencionar aqui estes indivíduos reflete a
seriedade da situação, seu relacionamento íntimo
com os filipenses e sua alta consideração para
com as duas irmãs a quem fez este sincero
apelo. Obviamente ele considera estas mulheres,
bem como o restante da congregação, como
suficientemente maduros para lidarem com este
assunto publicamente.
Paulo propõe um sério apelo às duas mulheres
na congregação em Filipos, Evódia e Síntique
(possivelmente diaconisas naquela igreja). As
mulheres desempenharam um papel muito
importante na fundação daquela igreja na
macedônia (veja At 16.14). Paulo fala com cada
uma das mulheres separadamente,
possivelmente para mostrar sua imparcialidade
na situação.
Estas mulheres, juntamente com Clemente e
outros cooperadores, têm combatido com Paulo
como se estivessem em um combate de
gladiadores (1.27), por amor ao evangelho.
Agora, nestas ocasiões em que existem
relacionamentos hostis, Paulo pede a este
‘verdadeiro companheiro’ que seja um parceiro
para estas duas senhoras, a fim de trazer uma
solução. É significativo que os termos
‘cooperadores’, ‘contender’ e ‘ajudar’ contenham
a preposição ‘com’ (syn), enfatizando o papel
vital da comunidade cristã e do trabalho em
equipe, no pensamento de Paulo”Notas
(Comentário Bíblico Pentecostal Novo
Testamento. 4 ed., RJ: CPAD, 2009, p.505).
Alegria dos salvos em Cristo.O apóstolo Paulo
abriu o capítulo 4 reconhecendo que os filipenses
eram sua alegria e coroa. A alta estima que
Paulo tinha à igreja de Filipos fazia com que o
apóstolo não economizasse no vocabulário,
riquíssimo de nobres sentimentos. Por isso, ele
exortava os filipenses a estarem firmes no
Senhor, numa espécie de redundância ao
assunto exposto no capítulo anterior.
Em seguida conclama a Evódia e Síntique que
sentisse o mesmo sentimento no Senhor. Amor,
carinho, ternura e compaixão eram sentimentos
que deviam está no coração dessas duas irmãs,
pois afinal de contas, elas eram crentes
fundadoras daquela comunidade. Estavam no
início de tudo, lado a lado com o apóstolo na
labuta da fé. Mas algo de errado ocorrera com
estas duas preciosas irmãs no cotidiano da
igreja.Imediatamente Paulo pede a um obreiro
local que auxilie essas irmãs, mas não somente
ele, Clemente também e muitos outros
cooperadores no Evangelho. Aquele era o
momento onde os oficiais da comunidade local
deviam socorrer e conciliar o relacionamento
daquelas duas irmãs pioneiras. O objetivo dessa
medida pastoral era que ao final de tudo,
juntamente com toda igreja, Evódia e Síntique
pudessem atender a convocação paulina:
“Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez
digo: regozijai-vos”.
Este relato ensina de maneira singular o quanto
que o discípulo de Jesus deve valorizar o bom
relacionamento com os irmãos. A comunhão
entre irmãos é um instrumento de Deus para
levar alegria ao coração daqueles que se sentem
solitários ou deprimidos. Muitos são os irmãos
que não tem a oportunidade de comungar com o
outro irmão da mesma fé. A luz do relato de
Evódia e Síntique, o crente em Jesus é
estimulado a resolver a diferença com o seu
próximo e viver a alegria de Deus com os irmãos.
O ambiente que promove união e comunhão é
propício para não haver inquietações das almas e
confusão de espírito. Neste ambiente se torna
propício em Deus as petições dos santos serem
conhecidas pelos outros com oração e súplicas e
ação de graças. Então a paz de Deus que excede
todo o entendimento guardará os corações e os
sentimentos dos discípulos de Cristo Jesus, o
nosso Senhor. A igreja local precisa ser este
ambiente. Um lugar de Comunhão, Paz, Oração e
Ação de Graças entre os irmãos.
Uma vida cristã
equilibrada
Filipenses 4.5-9.
5 - Seja a vossa equidade notória a todos os
homens. Perto está o Senhor.
6 - Não estejais inquietos por coisa alguma;
antes, as vossas petições sejam em tudo
conhecidas diante de Deus, pela oração e
súplicas, com ação de graças.
7 - E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará os vossos corações e os
vossos sentimentos em Cristo Jesus.
8 - Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é
verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é
justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável,
tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude,
e se há algum louvor, nisso pensai.
9 - O que também aprendestes, e recebestes, e
ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus
de paz será convosco.
A vida do cidadão do Reino dos Céus é regida
por alguns princípios e valores que transcendem
a vida terrena. A salvação em Jesus não
somente nos garante a vida eterna, ela também
nos proporciona um novo caráter, uma nova
forma de pensar e agir. O crente deve ter os
seus pensamentos e ações pautados segundo os
valores do Reino. Na epístola aos Filipenses,
Paulo exorta os crentes de Filipos a respeito do
cuidado que eles deveriam ter com aquilo que
iria ocupar suas mentes. O apóstolo apresenta
no capítulo quatro, versículo oito, uma relação
do que deve preencher o pensamento do cristão:
“tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto,
tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o
que é amável, tudo o que é de boa fama”. Tais
coisas devem orientar os nossos pensamentos.
Seguinte afirmação de Myer Pearlman: “O
pensamento é o pai da ação”. Discuta com seus
alunos o significado desta afirmação. Explique
que o cérebro é o quartel general do nosso
corpo, por isso temos que ter muito cuidado com
a nossa mente, com os nossos pensamentos,
pois eles antecedem as nossas ações. Em
seguida, peça que os alunos leiam Romanos 12.2
e discuta com eles os efeitos que os
pensamentos têm sobre o nosso caráter e as
nossas ações.
Palavra Chave. Mente: Parte incorpórea,
inteligente ou sensível do ser humano;
pensamento, entendimento.
Veremos algumas virtudes que acompanham
aqueles cujas vidas foram transformadas pelo
Evangelho de Jesus. O Evangelho não apenas
proporciona salvação à humanidade, mas
também um conjunto de princípios de vida para
cada crente, seja na igreja, na família, na
sociedade ou com Deus. Não são meras
prescrições ou exigências frias de um código de
leis, mas valores que transcendem a vida
terrena.
Veremos que o Evangelho é poderoso para
mudar o caráter de uma pessoa e torná-la apta a
tomar para si o “jugo suave” e o “fardo leve” de
Cristo Jesus (Mt 11.30).
A EXCELÊNCIA DA MENTE CRISTÃ
Nossos pensamentos. O versículo oito da
leitura bíblica em classe na versão ARA diz: “seja
isso o que ocupe o vosso pensamento”. O
apóstolo quer mostrar que a experiência de
salvação, em Cristo, produz uma mudança
contínua em nossa forma de pensar, a fim de
evitarmos as futilidades mundanas que ocupam a
mente das pessoas sem Deus. Paulo exorta-nos
a preenchermos a nossa mente com aquilo que
gera vida e maturidade espiritual, pois “nós
temos a mente de Cristo” (1Co 2.16).
Aqui surge uma pergunta inevitável: “O que tem
ocupado as nossas mentes no mundo de hoje?”.
Infelizmente, deparamo-nos com uma geração
atraída pela ideologia do consumismo e do
materialismo, onde o ter é mais importante do
que o ser. Tal postura anula o ser humano, e faz
com que os relacionamentos sejam pensados em
termos de vantagens, ou seja, se não houver
algum benefício imediato, logo são descartados.
Esse comportamento nos aproxima do modo de
vida mundano, e nos distancia das coisas do
Alto.
Pensando nas coisas eternas. Além da
epístola aos Filipenses, o tema do processo de
pensar é tratado por Paulo em muitas outras
ocasiões (Rm 12.2; Cl 3.2). Pensar nas coisas
que são de cima, por exemplo, não sugere que
devamos viver uma espiritualidade irreal, e sim
equilibrada, conjugando mente e coração a partir
dos valores espirituais na vida terrena (cf. Jo
17.15,18; 1Co 5.9,10).
Os maus pensamentos são frutos da inclinação
humana para o mal. Daí a recomendação de que
a nossa mente deve ocupar-se com a Palavra de
Deus, com os princípios eternos do reino divino,
“levando cativo todo entendimento à obediência
de Cristo” (2Co 10.5).
Agindo sabiamente. Sabemos que a sociedade
atual é dominada por ideologias contrárias ao
Evangelho. E é exatamente a esse mundo que o
Senhor Jesus nos enviou a fazer a sua obra (Jo
17.18; cf. Mt 28.19). Temos de atender o seu
chamado! Não com medo, mas com coragem;
não com ignorância, mas sabiamente; não como
quem impõe uma verdade particular, mas como
quem expõe e testemunha verdades eternas. À
luz do exemplo de Jesus Cristo, sejamos sal da
terra e luz do mundo tendo “luz na mente, mas
fogo no coração”.
O QUE DEVE OCUPAR A MENTE DO CRISTÃO
(4.8)
“Tudo o que é verdadeiro e honesto”. O
apóstolo Paulo inicia a sua reflexão com a
verdade. Percebemos que, com essa virtude, o
apóstolo entende tudo o que é reto e se opõe ao
falso. É tudo aquilo que é autêntico, não baseado
em meras suposições, ou em algo que não possa
ser comprovado. Lamentavelmente, o espírito da
mentira entrou até mesmo entre os crentes e
vem produzindo grandes males. Difamações e
rumores negativos acabam sendo comuns entre
nós. E isso desagrada profundamente a Deus.
Quando o apóstolo dos gentios afirma que
devemos pensar “em tudo o que é honesto”, de
fato, está nos exortando a desenvolvermos uma
conduta transparente e decorosa, digna de
alguém que age bem à luz do dia (Rm 13.13). O
mundo não pode ver em nós um comportamento
que contradiga os conceitos éticos e bíblicos da
verdade e da honestidade, pois isso é incoerente
aos princípios cristãos. O verdadeiro crente tem
um firme compromisso com a verdade. Ele não
mente nem calunia seu irmão.
“Tudo o que é justo”. Aqui, de acordo com o
Comentário Bíblico Pentecostal (CPAD), as
“coisas que são ‘justas’ obedecem aos padrões
de justiça de Deus” para desenvolvermos uma
relação positiva com os que nos rodeiam.
O padrão de justiça divina deve nortear o nosso
comportamento moral em relação a Deus e às
pessoas. O verdadeiro cristão deve pautar a sua
conduta pela defesa de tudo o que é justo (Mt
5.6), agindo contra tudo aquilo que promove
injustiça e gera opressão.
“Tudo o que é puro e amável”. Pureza sugere
inocência, singeleza ou sinceridade em relação a
algo não contaminado ou poluído. Uma mente
pura significa uma mente casta. A ideia de “ser
puro” é defendia por Paulo na perspectiva de que
as palavras, as ações e os pensamentos dos
crentes de Filipos fossem francos e sinceros.
A fim de que toda impureza seja eliminada de
sua vida, o crente tem de dar lugar para que o
Espírito Santo limpe continuamente o seu
coração e consciência (Ef 5.3). Assim, estaremos
prontos a desejar tudo o que promove o amor
fraternal. Desse modo, “tudo o que é amável” é
aquilo que edifica os relacionamentos entre
irmãos.
“Tudo o que é de boa fama”. O sentido de
“boa fama” é simples e objetivo, pois a
expressão se refere ao cuidado que devemos ter
com as palavras e ações em nosso dia a dia.
Então, podemos afirmar que boa fama é tudo o
que é digno de louvor, de elogio e graça.
Algumas versões bíblicas traduzem a mesma
expressão por bom nome. Tal se refere ao que
uma pessoa é, pois possuir um bom nome é o
mesmo que ter um bom caráter.
A CONDUTA DE PAULO COMO MODELO (4.9)
Paulo, uma vida a ser imitada. No versículo
nove, o apóstolo dos gentios utiliza cinco verbos
que denotam ação: aprender, receber, ouvir, ver
e fazer. Paulo utilizou tais recursos para que os
irmãos filipenses percebessem que poderiam
viver as virtudes da Palavra de Deus.
Ele, inclusive, assume um papel referencial a ser
imitado. Paulo não tem a presunção de uma
pessoa que se acha infalível, mas exorta aos
filipenses a serem uma carta transparente e
exposta a quem quisesse vê-la. Eles deveriam,
pois, ser um modelo tanto aos crentes como aos
descrentes.
Paulo, exemplo de ministro. Os obreiros do
Senhor devem aprender com Paulo uma verdade
pastoral: Todo ministro de Deus deve ser
transparente. Assim como o Deus da graça
chamou os fiéis da terra para serem
irrepreensíveis, Ele igualmente nos chamou para
administrarmos o seu rebanho com lisura, amor
e muita boa vontade (1Pe 5.2,3). Essas
qualidades pastorais são indispensáveis na
experiência ministerial dos líderes cristãos nos
dias de hoje.
O Deus de paz. Se buscarmos tudo o que é
verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de
boa fama, teremos uma preciosa promessa: “E o
Deus de paz será convosco”. A presença do
“Deus de paz” descreve uma segurança
inabalável para aqueles que confiam no seu
nome.
Ele nos orienta, guarda e protege. Por isso,
devemos experimentar da constante e doce
presença do “Deus de paz”, e manter uma vida
irrepreensível diante dEle, pois nas
circunstâncias mais adversas lembraremos estas
palavras: “E o Deus de paz será conosco”.
Disse alguém, certa vez, que “o homem é aquilo
que pensa”. Devemos, portanto, guardar a nossa
mente de tudo quanto é vil, pernicioso,
egocêntrico e imoral. Só desfrutaremos de uma
vida cristã saudável e equilibrada se
alimentarmos a nossa mente com tudo o que é
do Alto. Por isso, leia continuamente a Palavra de
Deus.
Apesar de a verdade, a honestidade, a pureza, a
justiça, o amor e a boa fama parecerem estar
fora de moda, e até ignorados por grande parte
da sociedade, para o Altíssimo continuam a ser
virtudes que autenticam os valores do seu Reino.
E nós, os que cremos, somos chamados a vivê-
las aqui e agora (Mt 5.13-16).
“Os assuntos do pensar correto.Meus
pensamentos produzem maus modos de viver;
por outro lado, o pensar correto levará a uma
vida correta. Paulo faz uma lista de assuntos que
devem alimentar os pensamentos do cristão.
‘Nisso pensai’. (1) ‘Tudo o que é verdadeiro’. As
coisas verdadeiras se opõem à falsidade em
palavras e conduta. (2) ‘Tudo o que é honesto’.
Honesto aqui significa literalmente o que é
honroso ou reverente. Refere-se às coisas
consistentes com santa dignidade e respeito e
corresponde àquele amor que ‘não se conduz
inconvenientemente’. (3) ‘Tudo o que é justo’. O
trato justo em todos os nossos relacionamentos.
O cristão auferirá todos os seus pensamentos
com a Regra Áurea. (4) ‘Tudo que é puro’
refere-se à pureza no seu sentido mais lato —
pensamentos, motivos, palavras e ações livres
de elementos que rebaixam e maculam. ‘Bem-
aventurados os limpos de coração’. (5) ‘Tudo
que é amável’ se refere à delicadeza, humildade
e caridade que atraem o amor e tornam amáveis
as pessoas. (6) ‘Tudo que é de boa fama’ se
refere às coisas que todos concordemente
recomendam: a cortesia, agradabilidade, justiça,
temperança, verdade e respeito pelos pais. É
impossível realizar coisas boas com modos tais
que lancem opróbrio sobre a causa de Deus. ‘Não
seja, pois blasfemado o vosso bem’ (Rm 14.16).
[...] ‘Se há alguma virtude, [...] nisso
pensai’”Notas (PEARLMAN, M. Epístolas
Paulinas:Semeando as Doutrinas Cristãs. 1 ed.,
RJ: CPAD, 1998, pp.151-52).
“As epístolas escritas na prisão refletem o
casamento da profunda teologia de Paulo com as
preocupações pastorais. Deus triunfa na cruz e
na ressurreição de Jesus. Assim, o Pai estendeu
sua libertação àqueles que vão a Ele pela fé. Isso
quer dizer que os crentes fazem parte do que
Deus usa para refletir a redenção de toda a
criação. Essa esperança suprema quer dizer que
a vida neste mundo também é transformada.
Vida, quer dizer servir a Deus (não a si mesmo),
refletindo a cidadania celestial (não a terrena),
valendo-se da capacitação concedida por Deus
para conquistar o pecado e para resplandecer
como luz em um mundo necessitado. É estar
disposto a sofrer e a permanecer unidos diante
de um mundo de trevas em necessidade, ao
mesmo tempo em que revelamos o evangelho, a
bondade e o caráter de Deus na forma como nos
relacionamos uns com os outros e com os que
precisam da obra redentora de Deus.
Paulo foi um teólogo profundo que escreveu
sobre temas de dimensões cósmicas, mas ele
não estava tão voltado para o céu a ponto de
não ser um bem terreno. Ele era um pastor que
guiava os santos em seu chamado. O desejo de
Paulo para os crentes é simples: seja um bom
cidadão do céu e tenha a mente tão voltada para
o céu de forma a ser bom para a terra. Ele
também lembra aos crentes que Deus os
capacita para realizar a tarefa e que, à medida
que eles mantêm o foco em Jesus, podem ir,
unidos em seu serviço a Ele, no encalço desse
objetivo. Eles nunca devem esquecer que, nEle,
são uma nova comunidade. No contexto da obra
soberana de Deus e à luz da vitória e capacitação
dEle, os crentes devem refletir a presença, o
amor e o caráter dEle até que Ele traga
esperança da realização e todas as coisas que
sejam sintetizadas na restauração que, por fim,
Cristo trará”Notas (ZUCK, R. B. (Ed.)Teologia
do Novo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2008.
p.367).
Uma vida cristã equilibrada.É notório que o
sistema de pensamento do mundo se volta
contra tudo o que tem haver com Deus.
Panoramicamente, três são os pensamentos
predominantes na sociedade atual: Materialismo,
Hedonismo e Relativismo.
O materialismo, ou naturalismo, é um sistema de
pensamento que trabalha com a hipótese de que
não há Deus, não há mundo espiritual, nem
muito menos juízo final. A ideia central deste
sistema é que não há nada transcendente além
da matéria, do físico. As pessoas que adotam
esse pensamento vivem a vida aqui e agora sem
se preocuparem com o além.
O hedonismo é caracterizado por uma busca
intensa e transloucada pelo prazer. E um ponto
de vista utilitário da vida. Os detentores desse
sistema dizem: “Se me dá prazer, eu faço; se me
dá prazer, eu compro; se me dá prazer, eu
quero”.
O relativismo é uma concepção filosófica de
meias verdades. Tudo é relativo. Não há verdade
absoluta. O absoluto se relativiza. O que é
verdade para mim, pode não ser para você. Cada
um tem a sua própria verdade.
A mensagem do apóstolo para os filipenses é
bem atual para a igreja contemporânea. Ela não
nega que a fé cristã tem uma dimensão
naturalista, hedonista e até relativista.
Naturalista porque Deus encarnou na matéria.
Fez-se carne num tempo, numa história e numa
região geográfica. Hedonista porque a fé cristã
possui uma dimensão de prazer em Deus. É o
prazer oriundo de uma vida com Deus, onde o
crente se sente preenchido por Ele. E tem uma
dimensão relativista porque o Evangelho
relativiza a visão de mundo que tínhamos antes
de nos encontrarmos com Jesus. O Evangelho
relativizou a tradição da lei e a tradição gentílica,
trazendo uma novidade de vida indescritível para
todo aquele que crê.
Por isso o apóstolo propõe aos crentes de Filipos
a pensar aquilo que é do alto, pois o que vem de
Deus gera vida. O que vem de Deus é
verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa
fama. Mas o que oriunda de um sistema filosófico
mundano é irremediavelmente oposto. É falso,
desonesto, injusto, impuro, odioso, de má fama.
Uma pergunta que cabe a classe, prezado
professor, é que tipo de pensamento os alunos
tem cultivado nas mentes. E pensamento eterno
ou efêmero? Não deixe de esclarecer que o que
preencher a nossa mente determinará a nossa a
ação. Deus chama os seus servos a relativizar o
relativismo mundano.
A reciprocidade do Amor
Cristão
Filipenses 4.10-13.
10 - Ora, muito me regozijei no Senhor por,
finalmente, reviver a vossa lembrança de mim;
pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis
tido oportunidade.
11 - Não digo isto como por necessidade, porque
já aprendi a contentar-me com o que tenho.
12 - Sei estar abatido e sei também ter
abundância; em toda a maneira e em todas as
coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como
a ter fome, tanto a ter abundância como a
padecer necessidade.
13 - Posso todas as coisas naquele que me
fortalece.
Você tem sido generoso para com aqueles que
servem a Deus e a igreja? Então não terá
dificuldade alguma em ensinar a respeito do
tema proposto para a aula de hoje: a
generosidade da igreja para com aqueles que a
servem. Os irmãos de Filipos eram bem
generosos. Eles enviaram os recursos que Paulo
necessitava para sobreviver na prisão (4.10-20).
Vivemos em uma sociedade marcada pelo
egoísmo, todavia o crente tem em seu coração o
amor de Cristo e este amor o leva a ajudar
aqueles que necessitam de socorro. Nossa oferta
de amor para aqueles que realizam a obra de
Deus revelam a graça do Todo-Poderoso em
nossas vidas. Ofertamos não para recebermos
algo em troca, mas o fazemos de coração porque
já temos experimentado das dádivas divinas.
Que não venhamos nos esquecer que “mais
bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At
20.35).
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Saber que as dádivas dos filipenses era
resultado da providência divina.
Compreender que o cristão tem o
contentamento de Cristo em qualquer
situação.
Explicar a respeito da principal fonte de
contentamento do cristão.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, reproduza no quadro de giz os dois
tópicos abaixo. Utilize-os para introduzir a lição.
Discuta com os alunos estes princípios. Explique
que estas duas regras devem nortear a nossa
doação em favor daqueles que trabalham na
obra do Senhor:
• “Ao entregar uma oferta o valor não é o mais
importante, mas sim a disposição de contribuir
para o Reino”.
• “A doação deve ser como resposta a Cristo, e
não pelas vantagens que podemos ter por fazê-
lo. O modo como doamos reflete a nossa
devoção ao Senhor” (Bíblia de Aplicação
Pessoal, CPAD, p.1620).
COMENTÁRIO
introdução
Palavra Chave
Generosidade: Virtude daquele que se dispõe a
sacrificar os próprios interesses em benefício de
outrem; magnanimidade, ato generoso;
bondade.
Aprenderemos a importância da generosidade da
igreja para com aqueles que a servem.
Dependente das ofertas dos irmãos para
sobreviver no cárcere romano, Paulo expressava
uma profunda gratidão à igreja de Filipos pelos
recursos enviados por intermédio de Epafrodito
(4.10-20).O apóstolo estava agradecido aos
filipenses pelo amor que lhe haviam
demonstrado. Ele, porém, destaca que sempre
confiou à providência divina o seu sustento, e
que sua alegria maior estava não nas ofertas
recebidas, e sim no fato de os filipenses terem se
lembrado dele.
AS OFERTAS DOS FILIPENSES COMO
PROVIDÊNCIA DIVINA
Paulo agradece aos filipenses. A igreja em
Filipos já vinha contribuindo com o ministério de
Paulo desde o seu início (v.15). Agora, o
apóstolo fora surpreendido pela segunda oferta
enviada a ele, exatamente quando estava preso
em Roma. Por isso, agradece e regozija-se pela
lembrança dos irmãos (v.10).
Ele declara ainda que a oferta dos filipenses era
o fruto da providência divina em seu ministério,
pois confiava plenamente em Deus, em qualquer
situação.
Reciprocidade entre o apóstolo e a igreja.
Paulo amava a igreja em Filipos. Esta cidade foi a
primeira da Europa a receber a mensagem do
Evangelho. Ali, Paulo enfrentou perseguições,
prisão e muito sofrimento. Porém, agora a igreja,
firmada em Cristo, demonstra sua gratidão ao
apóstolo cuidando dele e ajudando-o em suas
necessidades (vv.10,11,15-18).
A igreja deve cuidar dos seus obreiros.
Nenhum obreiro deve fazer de sua missão um
meio de ganhar dinheiro. Todavia, a igreja
precisa prover sustento digno àqueles que a
servem. Paulo muito sofreu com a falta de
sensibilidade da igreja em Corinto (v.15). Por
outro lado, a igreja em Filipos procurou ajudar o
apóstolo.
A Palavra de Deus nos exorta quanto ao sustento
daqueles que labutam na seara do Senhor: “Não
amordaces o boi, quando pisa o trigo” (1Tm 5.18
— ARA). No mesmo versículo, o apóstolo
completa que “digno é o obreiro do seu salário”.
Por isso, a igreja deve apoiar devidamente
àqueles que são verdadeiramente obreiros,
ajudando-os em suas necessidades (1Tm 5.17).
O CONTENTAMENTO EM CRISTO EM
QUALQUER SITUAÇÃO
O contentamento de Paulo. O apóstolo
aprendeu a contentar-se em toda e qualquer
situação. Seu contentamento estava alicerçado
no fato de que Deus cuida dos seus servos e
ensina-os a viver de forma confiante. Aos
coríntios, Paulo escreveu: “não que sejamos
capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como
de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de
Deus” (2Co 3.5).
Paulo deu o crédito de sua força e
contentamento a Deus. Muitos se gabam de sua
robustez, coragem e até espiritualidade,
esquecendo-se de que a nossa capacidade vem
do Senhor. Para agirmos de forma adequada em
meio às provações e privações é preciso
reconhecer que dependemos integralmente do
Senhor.
“Sei estar abatido” (v.12). Paulo inicia o
versículo doze dizendo: “Sei estar abatido e
também ter abundância”. Ele estava convicto do
cuidado de Deus. Por isso, aceitava as privações
sem se envergonhar ou mesmo entristecer-se.
Precisamos acreditar na provisão divina e
aprender a contentar-nos em toda e qualquer
situação.
Talvez você esteja passando por dificuldades.
Não permita, porém, que elas o abatam. Confie
no cuidado e na bondade do Pai Celeste. Ele é o
nosso provedor. Para que o Evangelho chegasse
aos confins da terra, muitos homens e mulheres,
às vezes sem qualquer sustento oficial, deixaram
suas famílias e saíram pregando a Palavra de
Deus e fundando igrejas. Esses pioneiros não
desistiram, e os resultados ainda podem ser
vistos. Hoje, as igrejas, em sua maioria,
possuem recursos para enviar obreiros e
missionários a outras nações e ali sustentá-los, e
devem fazê-lo. Cumpramos, pois, o nosso dever
conforme a Bíblia nos recomenda.
O contentamento desfaz os extremismos.
Apesar de o exemplo paulino e de a Bíblia
ensinar-nos acerca do contentamento, é
necessário abordar o perigo da adoção dos
extremismos nessa questão. Muitos servos de
Deus são obrigados, pela falta de compromisso
de suas igrejas, a abandonar a obra de Deus.
Para que isso não aconteceça, sejamos fiéis no
sustento daqueles que estão servindo a causa do
Mestre (1Tm 5.18).
Os obreiros, por sua parte, não podem deixar-se
dominar pela avareza e pela ganância. Paulo nos
dá uma importante lição quando afirma: “Aprendi
a contentar-me com o que tenho” (v.11). O culto
ao Senhor não pode ser transformado em uma
fonte de renda. É o próprio apóstolo Paulo quem
ensina a nos apartar daqueles que não se
conformam “com as sãs palavras de nosso
Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é
segundo a piedade”. Isto porque, os tais
apreciam “contendas de homens corruptos de
entendimento e privados da verdade, cuidando
que a piedade seja causa de ganho” (1Tm 6.5).
O ensino paulino demonstra que a piedade, com
contentamento, já é, por si mesma, um “grande
ganho” (1Tm 6.6).
A PRINCIPAL FONTE DO CONTENTAMENTO
(4.13)
Cristo é quem fortalece. Paulo nos ensina,
com a declaração do versículo 13, que sua
suficiência sempre esteve em Cristo. O que fez
com que Paulo suportasse tantas adversidades?
Havia algum segredo? Não! O que fez do
apóstolo um vencedor foi a sua fé em Jesus
Cristo, aquele que tudo pode. A força do seu
ministério era o Senhor. Você quer forças para
vencer os obstáculos em seu ministério? Confie
plenamente no Senhor!
Cristo é a razão do contentamento. Nossa
alegria e força vêm do Senhor Jesus. Segundo
Matthew Henry, “temos necessidade de obter
forças de Cristo, para sermos capacitados a
realizar não somente as obrigações puramente
cristãs. Precisamos da força dEle para nos
ensinar a como ficar contente em cada
condição”. Busque ao Senhor e permita que a
alegria divina preencha a sua alma (Ne 8.10).
O cumprimento da missão como fonte de
contentamento. Uma vez que o objetivo de
Paulo era pregar o Evangelho em toda parte,
nada lhe era mais importante que ganhar almas
para o Reino de Deus. Nenhuma dificuldade
financeira roubaria a visão missionária do
apóstolo.
Ele não se angustiava pela privação material e
social. Pelo contrário, a alegria do Senhor era a
sua força. Paulo regozijava-se com a suficiência
que tinha de Cristo. O descontentamento é como
uma planta má que faz brotar a avareza (Hb
13.5,6), o roubo (Lc 3.14) e a preocupação com
as coisas materiais (Mt 6.25-34). Por isso,
contente-se em Cristo! Ele tomará conta de nós.
A igreja de Cristo deve zelar pelo bem-estar dos
seus obreiros, a fim de que não venham a passar
privações. Todavia, a real motivação para
servirmos à igreja de Deus jamais devem ser as
recompensas materiais. Confiemos na provisão
divina, pois assim seremos felizes em toda e
qualquer situação.Nosso contentamento em meio
às adversidades é resultado da nossa fé e
comunhão com o Senhor Jesus. Que estejamos
na dependência do Senhor, para que Ele nos
conceda alegria e força a fim de vencermos as
vicissitudes e tribulações da vida.
“Graças pelo dom e comunhão deles. A principal
razão para Paulo escrever a essa igreja e de
estar agradecido por esses irmãos é a expressão
concreta deles de apoio a ele (4.1-18). Essa
igreja enviou um presente em dinheiro para
auxiliar Paulo enquanto estava na prisão (4.10-
18). Paulo chama esse presente de ‘comunic[ar]
com ele, usando a forma verbal (ekoinõsen,
v.15) da palavra grega para comunhão
(koinonia). Eles comungam com ele ao participar
de seu ministério por meio dessa expressão
concreta de amor e de preocupação. Paulo não
esperava nem pretendia esse auxílio. Paulo
aprendeu a se contentar seja qual fosse sua
situação, quer na pobreza quer na abundância.
Na verdade, quando Paulo escreve que pode
todas as coisas por intermédio de Cristo que o
fortalece (4.13), ele quer dizer que pode
enfrentar todo tipo de circunstância ou situação
financeira sem perder de vista o propósito de
Deus para ele. Por isso, recebe o presente deles
com gratidão, no qual ele diz ser ‘oferta de
aroma suave’ a Deus (4.18 — NVI). A
preocupação deles faz com que lhes assegure
que Deus também cuida deles (4.19)’”Notas
(ZUCK, R. B. (Ed.)Teologia do Novo
Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2008, p.365).
“Nos versos 15 e 16, Paulo alegremente
relembra o apoio que os filipenses lhe
ofereceram. Relembra os dias anteriores, quando
o evangelho foi proclamado pela primeira vez em
Filipos (At 16.4). Quando o apóstolo passou pela
Macedônia até a Acaia, em sua segunda viagem
missionária, a igreja em Filipos foi a única a
sustentar seus esforços. Na linguagem
emprestada do mundo comercial, o apóstolo
considerou sua parceria como uma questão de
‘dar e receber’ (termos aproximadamente
equivalente aos conceitos de débito e crédito).
Paulo ‘deu’ o evangelho aos filipenses e ‘recebeu’
seu apoio. De fato, o verso 16 indica que por
mais de uma vez enviaram sua assistência a
Paulo antes que deixasse a Macedônia, enquanto
ainda estava na cidade vizinha de Tessalônica (At
17.1-9). Os filipenses, por sua vez, ‘deram’ seu
apoio material e moral a Paulo, tendo recebido a
mensagem das boas novas e agido de acordo
com esta.
No versículo 17, Paulo reitera a pureza de seus
motivos em sua expressão de gratidão aos
cristãos de Filipos. Não está procurando ‘dádivas’
ou agradecendo de alguma maneira que venha a
ser a base para favores futuros. Sua motivação
visa o benefício deles. Sua descrição da
recompensa que terão por associarem-se a ele
na obra de Deus é expressa em termos
financeiros. Sua participação no Evangelho
produzirá juros ou dividendos (literalmente
‘fruto’), o que resultará no ‘aumento da conta’
deles” Notas (ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R.
(Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo
Testamento. 4 ed., RJ: CPAD, 2004. p.510).
A reciprocidade do Amor Cristão.“Amarás,
pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu
entendimento, e de todas as tuas forças; Amarás
o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31).
Estes dois mandamentos eram o estrado da
prática cristã na Igreja do Primeiro Século. Eles
aparecem implicitamente na porção escrita pelo
apóstolo Paulo. Antes o apóstolo havia ordenado
aos filipenses a regozijarem-se, mas agora ele é
quem se regozija em Deus pela atitude amorosa
dos irmãos para com a sua vida. Esses crentes,
através das ofertas, supriram a necessidade do
apóstolo dos gentios.
O amor mútuo e profundo dos irmãos filipenses
pelo o apóstolo Paulo era forjado nas raias do
sofrimento. A alegria de Paulo não se deu pelo
valor da oferta, mas por aquilo que ela
significava. Não era uma oferta negociada pelas
regras comerciais e de mercado, mas geradas
pelo amor recíproco da comunidade de Filipos
para com seu pai na fé. Este ato de amor faz o
apóstolo reviver reminiscências entre ele e os
filipenses. Como sofreram juntos pelo o amor do
Evangelho! Caminharam dia e noite objetivando
demonstrar a verdade que gera vida. Ao receber
a oferta de amor da igreja tais recordações
explodiram como bomba no coração do apóstolo.
O apóstolo não se turbava porque através da
demonstração de amor dos seus filhos na fé, ele
compreendia que o próprio Cristo o fortalecera
no amor partilhado pelos seus irmãos. Paulo vivia
uma vida de grande contentamento em Deus,
pois no amor recíproco ele sente-se
recompensado por Deus em tudo. O
contentamento de Paulo o faz jamais elevar a
sua voz para murmurar das circunstâncias que
lhe rodeavam. Ele compreende e aceita a
vocação de padecer por amor ao Evangelho.
Interessante ressaltar que, apesar de Paulo
receber ofertas dos irmãos de Filipos, a sua
confiança não está nelas, pois o apóstolo estava
instruído em tudo, seja no abatimento, seja na
abundância; a ter fartura como a passar fome.
Esta experiência não o permitia a dissimular e
ser avarento. O apóstolo tinha decidido há muito
deixar o conforto do farisaísmo para padecer por
Cristo. Ele bem sabia o que isto representava.
Por isso, Paulo tinha outro olhar quando recebia
a oferta de amor dos filipenses. Não para o
dinheiro, mas para motivação amorosa que se
escondia por de trás daquele ato filipense.
O sacrifício que agrada a
Deus
Filipenses 4.14-23.
14 - Todavia, fizestes bem em tomar parte na
minha aflição.
15 - E bem sabeis também vós, ó filipenses,
que, no princípio do evangelho, quando parti da
Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo
com respeito a dar e a receber, senão vós
somente.
16 - Porque também, uma e outra vez, me
mandastes o necessário a Tessalônica.
17 - Não que procure dádivas, mas procuro o
fruto que aumente a vossa conta.
18 - Mas bastante tenho recebido e tenho
abundância; cheio estou, depois que recebi de
Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado,
como cheiro de suavidade e sacrifício agradável
e aprazível a Deus.
19 - O meu Deus, segundo as suas riquezas,
suprirá todas as vossas necessidades em glória,
por Cristo Jesus.
20 - Ora, a nosso Deus e Pai seja dada a glória
para todo o sempre. Amém.
21 - Saudai a todos os santos em Cristo Jesus.
Os irmãos que estão comigo vos saúdam.
22 - Todos os santos vos saúdam, mas
principalmente os que são da casa de César.
23 - A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja
com vós todos. Amém!
Com a graça de Deus chegamos ao final de mais
um trimestre. Durante os encontros dominicais
você e seus alunos, com certeza foram
edificados, exortados e consolados por
intermédio da Epístola aos Filipenses. Paulo foi
um homem que colocou sua vida a disposição do
Mestre. Seu ministério esteve sempre em
primeiro lugar. Muitos foram os sacrifícios que
este abnegado servo de Deus teve que fazer
para que o Evangelho chegasse até aos confins
da terra. Nem mesmo a prisão foi capaz de
impedi-lo de levar as boas novas aos perdidos.
Ele pregou, ensinou e fez muitos discípulos,
mesmo estando no cárcere. Paulo padeceu
muito, todavia ele ensinou os crentes de Filipos e
a nós também a termos uma vida cristã feliz.
Sigamos o seu exemplo!
Palavra Chave. Oblação: Oferta sacrifical
comestível; na lição é a oferta que os filipenses
entregaram ao apóstolo Paulo.
Além de apresentar assuntos de ordem
doutrinária, a Epístola aos Filipenses destaca a
gratidão e a alegria do apóstolo Paulo. Nela,
temos uma das mais belas expressões de amor,
confiança e contentamento de toda a Bíblia. Na
última lição deste trimestre, veremos Paulo
apresentando a assistência que recebera dos
filipenses como oferta de amor e sacrifício
agradável a Deus.O apóstolo descreve o quanto
o seu coração se aqueceu com a demonstração
de amor e carinho dos filipenses. No final da
epístola, ele revela a sua total confiança na
suficiência de Cristo, pois esta lhe concedeu força
para desenvolver o seu ardoroso ministério.
A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA NAS
TRIBULAÇÕES DE PAULO (4.14)
Os filipenses tomam parte nas aflições do
apóstolo. Paulo via a participação dos filipenses
em suas tribulações como o agir de Deus para
fortalecer o seu coração. A expressão “tomar
parte” (v.14) sugere a ideia de “partilhar com, ou
coparticipar de”. A igreja de Filipos estava
participando das aflições e tribulações com o
apóstolo. Ela sentia as agruras de sua prisão. Por
outro lado, o apóstolo sentia-se abençoado por
Deus pelo fato de ser lembrado com tamanho
amor e ternura pela comunidade cristã filipense.
O exemplo da igreja após o Pentecostes. A
igreja de Filipos vivia a mesma dimensão de
serviço da comunidade de Jerusalém nos dias de
Pentecostes (At 2.45-47). Com o seu exemplo,
os filipenses nos ensinam que “tomar parte”, ou
“associar-se”, nas tribulações de nossos irmãos é
mostrar-se amorosamente recíproco. Ou seja:
devemos nos amar uns aos outros, pois assim
também Cristo nos amou.
O padrão de amor para a Igreja. O amor dos
filipenses para com o apóstolo Paulo mostra-nos
que esse deve ser o padrão de nosso cotidiano: a
generosidade no repartir constitui-se em
“sacrifícios que agradam a Deus” (Hb 13.16).
REMINISCÊNCIA: O ATO DE DAR E
RECEBER (4.15-17)
Paulo relembra o apoio dos filipenses. O
versículo 15 destaca a generosidade dos crentes
filipenses em relação a Paulo. Mesmo sendo uma
igreja iniciante e pobre, assim que tomou
conhecimento das necessidades do apóstolo, a
comunidade de fé de Filipos o apoiou
integralmente (v.16). Com isso, os filipenses
tornaram-se cooperadores do apóstolo na
expansão do Reino de Deus até aos confins da
terra. É por isso que Paulo não podia esquecer do
amor que lhe demonstraram os crentes daquela
igreja.
O necessário para viver. O versículo 16
revela-nos outro grande fato. Enquanto o
apóstolo estava em Tessalônica, a igreja em
Filipos continuava a enviar-lhe “o necessário” à
sua subsistência. No ato de “dar e receber”, os
filipenses participavam do ministério de Paulo,
pois não tinham em mente os seus interesses,
mas as urgências do Reino de Deus.
Por outro lado, Paulo não se deixava cair na
tentação do dinheiro. As ofertas que ele recebia
eram aplicadas integralmente na Obra
Missionária. O apóstolo bem sabia da relação
perigosa que há entre o dinheiro e a religião
(1Tm 6.10,11). Tal atitude leva-nos a
desenvolver uma consciência mais nítida quanto
às demandas do Reino. Fujamos, pois, das
armadilhas das riquezas deste mundo, pois,
como disse o sábio Salomão, “quem ama o
dinheiro, jamais dele se farta” (Ec 5.10).
“Não procuro dádivas”. Para o apóstolo, a
oferta que lhe enviara a igreja em Filipos tinha
um caráter espiritual, pois ele não andava a
procura de “dádivas” (v.17). Quem vive do
ministério deve aprender este princípio áureo: o
ministro de Deus não pode e não deve permitir
que o dinheiro o escravize. No final de tudo, o
autêntico despenseiro de Cristo deve falar com
verdade: “Não procuro dádivas”! Sua real
motivação tem de ser o benefício da igreja de
Cristo. Assim agia Paulo. Ele dava oportunidade
aos filipenses, a fim de que exercessem a
generosidade, tornando-os seus cooperadores na
expansão do Reino de Deus (v.17 cf. Hb 13.16).
A OBLAÇÃO DE AMOR E SAUDAÇÕES FINAIS
(4.18-23)
A oblação no Antigo Testamento. A palavra
“oblação” está relacionada à linguagem
proveniente do sistema sacrifical levítico. O
termo remete-nos a estas expressões: “cheiro de
suavidade” e “sacrifício agradável e aprazível”
(v.18). E estas, por sua vez, estão relacionadas
às “ofertas de consagração” a Deus identificadas
como “holocaustos” (Lv 1.3-17), “oferta de
manjares” (Lv 2; 6.14-23), oferta de libação e
oferta pacífica (Nm 15.1-10).
Portanto, quando falamos de oblação, referimo-
nos a uma oferta sacrifical comestível — azeite,
flor de farinha etc. Uma parte era queimada para
memorial e a outra direcionada ao consumo dos
sacerdotes (Lv 2.1-3).
A oblação e a generosidade dos filipenses.
Paulo encara como verdadeira oblação a
assistência que lhe ofereciam os filipenses. Tais
ofertas eram-lhe como um “cheiro suave, como
sacrifício agradável a Deus” (v.18). Assim, tendo
em vista a generosidade praticada pelos
filipenses, Paulo declara com plena convicção: “O
meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá
todas as vossas necessidades em glória, por
Cristo Jesus” (v.19).
A expressão “o meu Deus” aponta para aquEle
que haveria de suprir não somente as suas
necessidades, como também as dos filipenses e
também as nossas. Aleluia!
Doxologia. Os versículos 20 a 23 trazem a
saudação final do apóstolo à igreja em Filipos. E,
como podemos observar, Paulo não poderia
concluir a sua carta de forma mais adequada: “A
graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós
todos. Amém!” (v.23).
Ele denota, assim, que todo o enfoque da carta é
Cristo, e que nós, seus seguidores, temos de nos
lembrar e viver por sua graça, pois “Deus estava
em Cristo reconciliando consigo o mundo, não
lhes imputando os seus pecados” (2Co 5.19).
Após estudarmos esta tão rica epístola, o nosso
desejo é que você ame cada vez mais o Senhor
Jesus, e dedique-se a ser uma “oblação de amor”
a Ele. O Senhor é o meio providenciado pelo Pai,
a fim de reconciliar o mundo com Deus. Exalte o
Eterno, pois você foi reconciliado com Ele em
Cristo Jesus. A exemplo da igreja em Filipos, não
esqueça: “a alegria do Senhor é a vossa força”
(Ne 8.10).
“Saudações Finais de Paulo (4.21-
23).Considerando que as cartas seculares eram
frequentemente concluídas com um desejo de
boa sorte ou boa saúde, do autor, para o
destinatário, Paulo concluiu tipicamente suas
cartas oferecendo palavras de saudação (por
exemplo, Rm 6.3; 1Co 16.19; 1Ts 5.26). A
epístola aos filipenses reflete este estilo, pelo
fato de o apóstolo concluir esta carta com
algumas saudações finais. Esta parte final da
carta pode ter sido uma observação realmente
escrita pelo próprio Paulo, após seu escriba ter
concluído a parte mais formal da carta. Esta
parte é destinada a várias pessoas dentro da
igreja — possivelmente os líderes mencionados
no capítulo 1.1 (daí o uso do plural imperativo:
‘Saudai a todos os santos em Cristo Jesus’).
No verso 21, Paulo não está somente trazendo
uma saudação coletiva à Igreja em Filipos, no
mesmo sentido em que uma pessoa hoje pede a
alguém que ‘cumprimente a todos’ em seu nome.
Mantendo seu relacionamento afetuoso e sincero
com os filipenses, está pedindo que cada um, e
todos os cristãos da congregação, recebam a sua
saudação.As palavras finais de bênçãos
proferidas por Paulo repercutem suas palavras de
saudação. Seus seguidores são lembrados da
‘graça’ que lhes foi estendida, pela obra vicária
realizada em seu favor pelo Senhor exaltado
(2.6-11)”Notas (ARRINGTON, F. L.;
STRONSTAD, R. (Eds.) Comentário Bíblico
Pentecostal: Novo Testamento. 4 ed., Vol. 2,
RJ: CPAD, 2009. p.511).
“A Origem dos Sacrifícios. Em relação à
origem dos sacrifícios, existem duas opiniões: (1)
que eles têm sua origem nos homens, e que
Israel apenas reorganizou e adaptou os costumes
de outras religiões, quando inaugurou, seu
sistema sacrificial; e (2) que os sacrifícios foram
instituídos por Adão e seus descendentes em
resposta a uma revelação de Deus.
É possível que o primeiro ato sacrificial em
Gênesis tenha ocorrido quando Deus vestiu Adão
e Eva com peles para cobrir sua nudez (Gn
3.21). O segundo sacrifício mencionado foi o de
Caim, que veio com uma oferta do ‘fruto da
terra’, isto é, daquilo que havia produzido,
expressando sua satisfação e orgulho.
Entretanto, seu irmão Abel ‘trouxe dos
primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura’
como forma de expressar a contrição de seu
coração, o arrependimento e a necessidade da
expiação de seus pecados (Gn 4.3,4). [Também
é possível que a razão do sacrifício de Abel ter
sido agradável a Deus, em contraste com sua
rejeição ao sacrifício de Caim, tenha sido o fato
de Abel ter trazido o que tinha de melhor
(‘primogênitos’ e ‘sua gordura’) enquanto Caim
simplesmente obedeceu aos procedimentos
estabelecidos — Ed.]
Em Romanos 1.21, Paulo refere-se à revelação e
ao conhecimento inicial que os patriarcas tinham
a respeito de Deus, e explica a apostasia e o
pecado dos homens do seguinte modo: ‘Tendo
conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus,
nem lhe deram graças’.Depois do Dilúvio,
‘edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de
todo animal limpo e de toda ave limpa e ofereceu
holocaustos sobre o altar’ (Gn 8.20). Muito
tempo antes de Moisés, os patriarcas Abrão (Gn
12.8; 13.18; 15.9-17; 22.2ss), Isaque (Gn
26.25), e Jacó (Gn 33.20; 35.3) também
ofereceram verdadeiros sacrifícios.
Um grande avanço na organização e na
diferenciação dos sacrifícios ocorreu com a
entrega da lei no Monte Sinai. Um estudo dos
diferentes sacrifícios indicados revela seu
desenvolvimento final, visando atender às
necessidades do indivíduo e da comunidade”
Notas (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed., RJ:
CPAD, 2009, p.1723).
O sacrifício que agrada a Deus.Chegamos ao
fim da Epístola do apóstolo Paulo aos Filipenses.
É importante recordar que o tema geral deste
trimestre objetivou aprendermos a humildade de
Jesus como exemplo para a igreja
contemporânea. Em cada lição víamos a
humildade do Meigo Nazareno desdobrando-se
na comunidade cristã antiga. À luz da relação do
apóstolo Paulo com a igreja filipense ao longo da
epístola, pode-se destacar três lições
maravilhosas para vida eclesiástica
contemporânea:
Uma igreja participante das aflições alheias.
Quando estudamos a Epístola aos Filipenses
percebemos que a igreja não se fechava em si
mesma. Incentivada pelo apóstolo, os membros
daquela comunidade eram incansáveis no amor
mútuo. Sua preocupação em repartir o que
tinham com o apóstolo preso denota a
predisposição que os cristãos devem ter em
repartir generosamente com o outro aquilo que
tem. Este é o sacrifício que agrada a Deus: “E
não vos esqueçais da beneficência e
comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus
se agrada” (Hb 13.16).
Dar e receber: um ato amoroso. O apóstolo
mantém o tom de gratidão pelo carinho
dispensado dos crentes de Filipos ao longo de
toda a Epístola. Era uma recíproca permanente.
Paulo tinha as suas necessidades materiais
supridas pelos filipenses, enquanto estes
achavam-se espiritualmente sanados pelo
apóstolo dos gentios. Uma relação como esta é o
que Deus requer para sua igreja. Um
relacionamento baseado no amor, sem interesse
egoísta, mas pelo fato de estarmos ligados com o
outro irmão pelo amor do Pai.
O verdadeiro sacrifício. Se tiver uma igreja que
sabia adequadamente o significado da palavra
sacrifício ou oblação era a de Filipos. Ela
encarnou exatamente o que o apóstolo escreveu
para os crentes romanos: “Rogo-vos, pois
irmãos, pela compaixão de Deus, que
apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus” (Rm 12.1). Os
filipenses encarnaram isso até a última
consequência. Mente, coração e corpo estavam
em plena sintonia para fazer o bem, pois quem
faz o bem em Deus, ama, e “quem ama aos
outros cumpriu a lei” (Rm 13.8). Aqui, não há
sacrifício maior que amar. Deus não o rejeita.
Que a igreja de Filipos nos ensine o verdadeiro
significado de humildade, serviço e amor. Uma
comunidade simples que nasceu a partir de uma
simples mensagem do Evangelho, mas que tem o
poder de, com simplicidade, mudar o mais duro
dos corações. Ouçamos o que o Espírito diz
através da comunidade de Filipos!