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Teoria Cognitivista de Bruner: Aprendizagem

Este documento discute a teoria cognitivista de Jerome Bruner. Bruner desenvolveu a teoria da aprendizagem por descoberta, que enfatiza que os alunos constroem ativamente seu próprio conhecimento. Ele também defendeu quatro princípios fundamentais para a aprendizagem e influenciou reformas curriculares nos Estados Unidos e na Europa na década de 1960.

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Teoria Cognitivista de Bruner: Aprendizagem

Este documento discute a teoria cognitivista de Jerome Bruner. Bruner desenvolveu a teoria da aprendizagem por descoberta, que enfatiza que os alunos constroem ativamente seu próprio conhecimento. Ele também defendeu quatro princípios fundamentais para a aprendizagem e influenciou reformas curriculares nos Estados Unidos e na Europa na década de 1960.

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“Teoria Cognitivista de Jerome Bruner”

Gambelas, 18 de maio
Índice

Resumo....................................................................................................................................................

1. Contextualização.................................................................................................................................

1.1. Biografia........................................................................................................................................

1.2. Síntese das Obras de Jerome Bruner............................................................................................

2. Desenvolvimento da Teoria de Bruner................................................................................................

2.1. Teoria da Aprendizagem por Descoberta.....................................................................................

2.2. Os Quatro Princípios Fundamentais.............................................................................................

2.3. O currículo em espiral...................................................................................................................

2.4. O Papel da Linguagem e da Cultura..............................................................................................

3. Implicações Teóricas............................................................................................................................

3.1. Reforma Curricular.......................................................................................................................

3.2. Estudo feito com alunos de biotecnologia, no âmbito da Teoria da Aprendizagem por
Descoberta..........................................................................................................................................

4. Principais Críticas...............................................................................................................................10

Considerações finais..............................................................................................................................11

Referências Bibliográficas......................................................................................................................12

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Resumo
O século XX foi um período de tempo onde se desenvolveram diversas teorias
da aprendizagem, entre elas, as teorias cognitivistas da aprendizagem, onde podemos
destacar autores como Jean Piaget, David Ausbell e Jerome Bruner.

Inicialmente, Bruner afirmou-se como teórico neo-piagetiano, guiando-se pelas


influências de Piaget. Todavia, com o passar do tempo, distanciou-se das suas
ideologias iniciais, acabando por desenvolver a sua própria teoria – teoria da
aprendizagem por descoberta.

Na década de 60, dos anos XX – alongando-se para as décadas de 70 e 80 – a


teoria de Bruner ganha destaque no âmbito do ensino, isto é, na reforma curricular
(Academic Reform Movement), nos Estados Unidos da América, sob influência do seu
livro The Process Of Education. Esta obra tornou-se uma das principais inspirações para
as reformas curriculares ocorrentes da época.

A teoria deste cognitivista, incidia na importância do método da aprendizagem


por descoberta, onde os aprendizes passariam a familiarizar-se com as metodologias
utilizadas nas Ciências, assimilando os seus principais conceitos e estruturas, de modo
ativo na aprendizagem. Consequentemente, o professor funcionaria como um mediador
da sua aprendizagem.

Neste trabalho, pretende-se explanar a teoria daquele que foi o elemento


principal para a reforma curricular que se alastrou desde os Estados Unidos à Europa,
tendo em conta o que considera como principais fundamentos para a aprendizagem, a
importância concedida à linguagem e à cultura, e também às implicações teóricas da sua
teoria, bem como as críticas.

______________________________________________________________________

PALAVRAS-CHAVE: Jerome Bruner; Cognitivismo; Aprendizagem por descoberta;


Academic Reform Movement; aprendizagem em espiral.

3
1. Contextualização

1.1. Biografia

Jerome Seymour Bruner nasceu a 1 de Outubro de 1915, licenciou-se na


Universidade de Duke em 1937, e doutorou-se em Psicologia em 1941, na Universidade
de Harvard, onde trabalhou muitos anos como professor. Foi até à data da sua morte
professor na Universidade de Nova Iorque. Pertenceu à Society for Research in Child
Development e à American Psychological Association (Marques, n.d.).
As suas obras aludem não só à área da psicologia, mas também à área da
pedagogia e da educação. Destacou-se na área da educação por ter feito parte da reforma
curricular nos Estados Unidos da América e na Europa, na década de 60 (Marques,
n.d.).

Podemos destacar obras como: Acts of Meaning, 1990; Actual Minds, Possible
Words, 1986; On Knowing, 1979; The Process of Education,1960; Toward a Theory
of Instruction, 1966 (Marques, n.d.).

Bruner, investigador, psicólogo e pedagogo, acabou por falecer no dia 5 de


Junho de 2016, em Nova Iorque.

1.2. Síntese das Obras de Jerome Bruner

As obras de Bruner não se limitaram somente a uma área, sendo que foram
aplicadas não só à pedagogia, mas também à psicologia.

No livro Acts of Meaning o autor realça a necessidade da Psicologia direcionar


novamente o seu foco para o papel da cultura na formação da linguagem e pensamentos
do ser humano. É também nesta obra, que acaba por se libertar da sua faceta
neopiagetiana, e critica a rigidez dos estágios de desenvolvimento cognitivo de Piaget,
procurando superar as limitações desta teoria.

De acordo com o livro On Knowing, este autor deambula por tópicos como a
psicologia e educação. Mais uma vez, Bruner reforça a importância do papel da
aprendizagem por descoberta, e a relação entre o conhecimento e aplicação do
conhecimento.

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Por sua vez, no livro The Process Of Education, Bruner apresenta, por fim, a
constituição da sua teoria de aprendizagem, sob a influência da teoria cognitiva,
englobando os contextos culturais da aprendizagem. Neste livro, realça-se a ideia de que
os alunos poderão aprender tudo, desde que os procedimentos sejam adequados às
necessidades do aprendiz. Esta obra é também um reforçar dos contornos principais da
sua teoria.

2. Desenvolvimento da Teoria de Bruner

2.1. Teoria da Aprendizagem por Descoberta

De acordo com Bruner (1966), a aprendizagem por descoberta define-se como a


aprendizagem na qual os estudantes constroem os seus próprios conhecimentos, o
que contraria o ensino tradicional, onde o educador tem como função assegurar
que os aprendizes recebem a informação. Este tipo de ensino visa oferecer aos
estudantes terem a oportunidade de aprender por si mesmos (Sprinthall & Sprinthall,
1996; Santrok, 2004, cit in. Eleizalde et. al, 2010). Existem formas diferente de
aprendizagem por descoberta, que vão desde uma descoberta pura, quase autónoma a
um descoberta guiada, que é orientado por um professor. Este último é o mais utilizado
em contexto de ensino e aprendizagem em salas de aula (Shulman y Keislar, 1974;
Wollfork, 1999 cit in. Eleizalde et al.,2010).

Segundo Bruner, a teoria da aprendizagem aborda quatro aspetos importantes


(Präss, 2008):

1. A nossa predisposição inata à aprendizagem.

2. Como se estrutura o corpo de conhecimentos para que seja compreensível para os


estudantes.

3. As sequências criadas para apresentar eficientemente o conteúdo.

4. A forma como premiamos e punimos, durante o processo de aprendizagem e ensino.

Seguindo esta linha de pensamento, há que salientar o papel ativo do estudante


na sua própria aprendizagem, pois o conteúdo aprendido, não é fornecido na sua forma
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final sem ter sido descoberto antes pelo sujeito (Martínez y Zea, 2004, cit in. Eleizalde
et. al, 2010). O ensino por descoberta guiada proporciona aos estudantes a oportunidade
de manipular os objetos ativamente e transformá-los de uma forma direta, assim como
atividade de exploração, busca e análise. O intuito é aumentar o conhecimento dos
estudantes acerca do tema, e a curiosidade é estimulada, o que os ajuda a desenvolver
estratégias para adquirir novos conhecimentos (Good y Brophy, 1995). Visto não haver
uma compreensão real até que o aluno aplique o conhecimento noutras situações, o ato
de aprender implica descrever e interpretar a situação, estabelecer relações entre os
fatores relevantes, selecionar, aplicar regras, métodos e construir as suas próprias
conclusões (Bruner, 1980). Cit, in. Eleizalde et al.,2010).

Por sua vez, o professor revela-se como mediador entre o conhecimento e


compreensões dos alunos. É um facilitador da aprendizagem, pois fornece as
ferramentas necessárias ao trabalho do aprendiz, e ajuda-o a resolver os seus erros.

2.2. Os Quatro Princípios Fundamentais

Bruner afirma que o objetivo do ensino é fazer com que o aluno tenha uma
compreensão geral de uma área de conhecimento. Deste modo, salienta quatro
princípios fundamentais (Bruner & Ausubel, n.d.):
a. Motivação: o interesse do aluno, só se mantém quando a motivação é intrínseca,
pelo que Bruner defende que todas as crianças nascem com “desejo de aprender”.
Contudo, acredita que deve existir reforço, ainda que de modo transitório. Ainda assim,
os motivos que levam o aluno a aprender, especialmente nos anos pré-escolares são o
facto da curiosidade ser inata; desenvolver as suas competências para que possa
controlar o seu próprio ambiente; a reciprocidade, determinada geneticamente, reforça a
necessidade de trabalhar em conjunto com os outros.

b. Estrutura: para Bruner a aquisição da estrutura dos conteúdos deve ser o


principal objetivo do ensino, dado que: faz com que a aprendizagem se torne mais
acessível; apresenta as ideias de forma simplificada e estruturada, levando a que a
retenção seja facilitada; permite que a criança, através do fortalecimento destas
estruturas possa fazer ligações com outros conteúdos; permite que a criança aplique os
conhecimentos à resolução de problemas. Por exemplo, a Teoria da Relatividade de
Einstein, embora a criança possa não a descrever ao pormenor, assim que a estrutura da

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mesma esteja adquirida, poderá falar sobre a mesma. Este exemplo vai de encontro ao
que Bruner disse em 1963 “Qualquer assunto pode ser ensinado eficazmente, de alguma
forma intelectualmente honesta, a qualquer criança em qualquer fase de
desenvolvimento” (Bruner, 1963, cit in. Präss, 2008).

Ainda no tópico da estrutura, existem aspetos cruciais, assim como a forma como o
modo de apresentação, ou seja, como a informação é transmitida ao estudante, adaptada
ao nível da criança; a economia de apresentação, de forma mais explícita, a quantidade
de informação apresentada, poupando o aluno aos detalhes, pois o excesso de
informação dificulta a aprendizagem; poder de apresentação, a informação deve ser
apresentada de modo simples, para que os alunos não sintam que informação fácil está a
ser convertida em informação de assimilação mais difícil.

c. Sequência: os conhecimentos devem ser apresentados de forma coerente com o


modo de representação que cada aluno tem no momento. Por consequência, Bruner
defende três fases dentro do desenvolvimento cognitivo: 1. Representação ativa:
desenvolve-se como consequência do contacto da criança com os objetos e problemas
que o meio lhe concede, sendo assim a primeira inteligência prática; 2. Representação
icónica: alude às representações mentais que a criança tem dos objetos para que os
possa reconhecer na realidade, caso mudem algum detalhe; 3. Representação simbólica:
representação dos objetos através de símbolos, traduzidos pela linguagem.

d. Reforço: especialmente nas épocas iniciais de aprendizagem da criança, é


importante reforçar o processo de aprendizagem, corrigindo possíveis erros. Contudo,
com o passar do tempo, o aprendiz deixa de precisar de reforço, tornando-se
autossuficiente.

Além dos quatro fatores acima mencionados, que contribuem para a aprendizagem,
surge um outro de igual importância: o currículo em espiral.

2.3. O currículo em espiral

O currículo em espiral defende que o indivíduo de qualquer idade, tem hipótese


de aprender qualquer ciência, ainda que seja na sua forma mais básica, dado que as
mesmas temáticas serão retomadas e aprofundadas mais tarde. Desta forma, o intuito é a
progressiva modificação das representações mentais que vão sendo construídas pelo

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aluno. Seguindo esta linha de pensamento “esta fundamentação é vista como uma
orientação para adaptar estratégias de ensino aos diferentes modos de ver o mundo em
diferentes idades e não para selecionar ou excluir conteúdos ou conceitos.” (Roldão,
1994, cit in. Marques, n.d.).

2.4. O Papel da Linguagem e da Cultura

Desde o início da sua carreira que Bruner se mostrou interessado pela cultura e
pela forma como esta poderá moldar o nosso conhecimento. A cultura mostrou-se um
conceito importante para a explicação das suas teorias, dado à sua insatisfação das
teorias psicológicas da altura, tanto que chega afirmar "Embora seja óbvio dizer que a
criança nasce em uma cultura e é formada por ela, Não é claro como uma teoria
psicológica do desenvolvimento cognitivo lida com esse fato "(Bruner, 1966, p.6).

Para este cognitivista, a cultura é descrita como o ambiente no qual vivemos e


onde integramos "um conjunto de valores, habilidades e maneiras da vida ", bem como
um " conjunto de ferramentas " que nos permite fazer sentido e comunicar (Bruner,
1996, p.3, cit in. Takaya). Um exemplo deste conjunto de ferramentas é a linguagem
que inclui não apenas a gramática e vocabulário, mas também as crenças e valores
partilhados pelas pessoas de uma mesma cultura.

Também a linguagem se revela como um “amplificador das competências


cognitivas da criança” (cit in. Marques, n.d.), o que contribui para uma maior interação
com o meio cultural. Para Marques (n.d.), é não só através do maturacionismo mas
também através dos princípios ambientalistas que a criança irá organizar as diferentes
formas que compõem a realidade. Ainda de acordo com a sua perspetiva, para que a
criança se desenvolva ao nível cognitivo, fará uso de técnicas de elaboração da
informação, para codificar a experiência, tendo em conta os sistemas de representação
que dispõe. É deste ponto que deriva a afirmação de Bruner “nada é "livre de cultura",
mas também (…) os indivíduos não são meros espelhos da sua cultura (Bruner, 1996,
p.14)”. A cultura acaba por ajudar os indivíduos a viverem uma vida bem adaptada na
cultura, e se for necessário transcender, mas, apenas até certo ponto.

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3. Implicações Teóricas

3.1. Reforma Curricular

O desenvolvimento da teoria de Jerome Bruner, não se confina somente a uma


obra, mas espelha-se em várias. Podemos ressaltar “The Process Of Education”, o livro
impulsionador da sua teoria para o mundo da reforma curricular, que se verificou nos
Estados Unidos da América e na Europa, desde a década de 60, estendendo-se às
décadas de 70 e 80, do século XX. Esta expansão deriva não só da sua teoria da
aprendizagem, mas também dos seus estudos que envolvem o currículo, a pedagogia e a
antropologia, que foram influentes nas décadas mencionadas acima (Marques, n.d.).
Esta teoria destacou-se na reforma curricular por reconhecer o valor da ciência,
como forma aprimorada do conhecimento humano e, pela importância que deveria ser
concedida à área científica no currículo escolar (Marques, n.d.).

3.2. Estudo feito com alunos de biotecnologia, no âmbito da Teoria da


Aprendizagem por Descoberta

Foi realizado um estudo por Eleizalde et al. (2010), no âmbito da teoria da


aprendizagem por descoberta, que avalia a eficácia da aprendizagem por descoberta em
estudantes universitários, nomeadamente no âmbito da biotecnologia. Ao aplicar esta
estratégia durante a aprendizagem por descobrimento não se estimula só a aprendizagem
específica da biotecnologia, mas também ajuda no desenvolvimento da linguagem, visto
que o estudante irá ter que expressar as suas ideias de forma oral e escrita de modo claro
e não apenas como conceitos isolados. Ao exigir uma compreensão dos procedimentos
necessários para efetuar uma investigação, o estudante vai desenvolver a sua capacidade
de análise e compreensão da informação.
Ao oferecer aos alunos novas situações, nas quais eles se sintam livres para
explorar os elementos que estão a conhecer, estimula a aprendizagem por iniciativa
própria. Por outro lado, ao aprender através da experimentação dá segurança e confiança
na capacidade de pensar de forma criativa. Isso aconteceu quando na prática de
laboratório, quando os estudantes conseguiam manusear os instrumentos de uma forma
confiante sem precisar da supervisão direta dos assistentes da prática, bem como refletir
sobre os resultados obtidos.

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O construtivismo apela ao papel ativo do aluno na aprendizagem, onde constrói
ativamente os conteúdos, relaciona a nova informação com a que já tem na sua memória
e o professor é interpretado como o facilitador e promotor da aprendizagem.

Este método baseia-se no pensamento construtivista, pois consegue organizar no


seu pensamento, o conhecimento que adquiriu durante a aprendizagem. O trabalho em
grupo também proporciona maior segurança na compreensão dos conteúdos e confiança
para enfrentar os problemas das práticas de laboratório.

4. Principais Críticas

A teoria da aprendizagem por descoberta, foi essencial para a Academic Reform


Movement, nos Estados Unidos e na Europa na década de 60, do século XX. Ainda que,
tenha sido revolucionária para a época, pouco a pouco, revelou-se uma teoria
impraticável derivado da sua limitação ao método científico, e à aprendizagem
autónoma do aluno, que seria também mais lenta.

Contudo, este não é o único aspeto criticável na sua teoria, uma vez que a
aprendizagem não pode ser limitada somente a um método de ensino, mas ser
abrangente, incluindo, por exemplo o método expositivo. Este método demonstra um
nível superior de autoeficácia, quando comparado à teoria da aprendizagem por
descoberta, uma vez que, o aluno ao revelar-se autónomo na sua aprendizagem, poderá
adquirir conceitos erróneos, que posteriormente será obrigado a desaprender.

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Considerações finais
Conclui-se que é um tipo de ensino difícil de levar a cabo com muitos alunos,
não sendo eficaz com alunos lentos, e requer também o uso de muitos materiais. O
próprio autor afirma que esta não é a única forma de aprendizagem, e defende que os
estudantes não devem descobrir por si mesmos as soluções para todos os problemas, já
que isso seria impraticável. Derivado deste facto, Ausbell (1978, cit. in Marques, n.d.)
teórico que chegou a trabalhar em conjunto com Bruner, afirma que a sobrevalorização
da experiência direta, e preferência de Bruner pelo método de aprendizagem pela
descoberta e do aluno enquanto cientista, limitam a aprendizagem dos factos e teorias,
que devem ser feitas também através de métodos expositivos e por receção.
Bruner revelou-se construtivista afincado nas suas crenças, principalmente a
partir do momento em que desenvolve a sua teoria, deixando para trás a corrente neo-
piagetiana. Reconhece que a aprendizagem por descoberta não poderá ser a única forma
de obter conhecimento, e que “os métodos de pesquisa, que poderão ser certamente
muito apropriados em inúmeras situações de ensino e aprendizagem, não deveriam ser,
quanto a mim, limitados a uma suposta reprodução de uma abordagem empirista do
método científico” (Roldão, 1994, cit. in Marques). Assim sendo, esta pressão para que
os professores se dedicassem somente à aprendizagem por descoberta, levou ao
abandono da transmissão de conhecimentos e métodos de aprendizagem por receção, da
qual uma aprendizagem com qualidade não poderá prescindir, e que leva a maus
resultados (Roldão, 1994, cit. in Marques).
No que diz respeito à cultura, os alunos não adquirem somente factos imutáveis,
os alunos constroem significados, revelando que a cultura está sempre em processo de
mudança. A educação afirma-se como processo de negociação entre o indivíduo e a
cultura. A educação como instituição apresenta conhecimentos úteis e visões de vida
digna, que embora pouco consolidada, aliada aos construtos da cultura, guiam à
formação de significados e valores dos indivíduos.

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Referências Bibliográficas

Bruner, J. (1960) The Process Of Education. Cambridge: Harvard University Press.

Bruner, J. (1964). On Knowing: Essays for the Left Hand. Cambridge. Harvard
University Press.

Bruner, J.(1990). Acts of Meaning.Cambridge. Harvard University Press.

Bruner, J. (1966). Toward a Theory of Instruction. Cambridge. Harvard University


Press.

Elizalde, M., Parra, N., Palomino, C., Reyna, A. & Trujillo, I. (2010). Aprendizaje por
descubrimiento y su eficacia en la enseñanza de la biotecnología. Revista de
Investigación, 71(34), 271-290.

Präss, A. R. (2008). Teorias da Aprendizagem. (monografia publicada). Universidade


Federal do Rio Grande do Sul.

Takaya, K.(2008). Jerome Bruner’s Theory of Education: From Early Bruner to Later
Bruner. Interchange, 39(1), 2-4. DOI: 10.1007/s10780-008-9039-2.

TEMA 6: el constructivismo: Bruner y Ausubell (documentos fornecidos pela


Professora).

Marques, R. A Pedagogia de Jerome Bruner (documentos fornecidos pela Professora).

Wikipédia (2008). Jerome Bruner. Consultado em 05 de Maio de 2017:


http://en.wikipedia.org/wiki/Jerome_Bruner .

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