Controle de Pragas e Doenças Agrícolas
Controle de Pragas e Doenças Agrícolas
Manual do Formando
AUTOR
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(Engenheiro Agrónomo)
Joaoconde4@[Link] ou joaoconde3@[Link]
REVISÃO GRÁFICA
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APROVAÇÃO
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(Engenheiro Agrónomo)
Istitutomakhetele2016@[Link]
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 9
RESULTADO DE APRENDIZAGEM-1 .................................................... 10
DEMONSTRAR COMPREENSÃO SOBRE AS CARACTERÍSTICAS E
BIOLOGIA DOS PRINCIPAIS GRUPOS DE PRAGAS E DOENÇAS DAS
CULTURAS ........................................................................................... 10
1.1. PRINCIPAIS GRUPOS DE PRAGAS AGRÍCOLAS ........................... 11
1.1.1. Conceitos de praga ................................................................. 11
[Link]. Tipos de pragas ................................................................... 11
1.1.2. Métodos de observação de pragas ........................................... 13
1.1.3. Principais grupos de pragas ................................................... 13
[Link]. Classe Molusca ................................................................... 13
[Link]. Classe aracnídea ................................................................. 13
[Link]. Roedores ............................................................................. 14
[Link]. Pássaros ............................................................................. 14
[Link]. Infestantes .......................................................................... 15
[Link]. Classe insecta ..................................................................... 16
[Link]. Características morfológicas das pragas da classe insecta ... 21
1.2. CICLO DE VIDA DOS INSECTOS ................................................. 22
1.2.1. Metamorfose completa ........................................................... 22
1.2.2. Metamorfose Incompleta ........................................................ 23
1.3. PRINCIPAIS GRUPOS DE DOENÇAS DE PLANTAS ....................... 24
1.3.1. Conceito da doença das plantas ............................................. 24
1.3.2. Classificação das doenças das plantas ................................... 24
[Link]. Doenças fúngicas ................................................................ 25
[Link]. Doenças Bacterianas ........................................................... 25
[Link]. Doenças virais..................................................................... 26
[Link]. Doenças causadas por nematoides ...................................... 26
[Link]. Doenças fisiológicas ............................................................ 26
1.4. FACTORES AMBIENTAIS QUE INTERFEREM NO
DESENVOLVIMENTO DE PRAGAS E DOENÇAS ................................. 26
1.4.1. Temperaturas do ambiente ..................................................... 26
1.4.2. Humidade relativa do ar e chuvas .......................................... 26
1.4.3. Tipo de solo combinado com as chuvas .................................. 27
1.4.4. Cobertura morta do solo......................................................... 27
1.5. MÉTODOS DE CONTROLO DE PRAGAS NAS CULTURAS ............ 27
1.5.1. Método cultural...................................................................... 28
1.5.2. Método biológico .................................................................... 28
1.5.3. Método químico...................................................................... 29
1.5.4. Método físico .......................................................................... 29
1.5.5. Método Mecânico ................................................................... 29
1.5.6. Controlo por Comportamento ................................................. 30
1.5.7. Métodos Legislativos .............................................................. 30
1.5.8. Maneio Integrado de Pragas (MIP) ........................................... 31
3
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO ........................................................ 32
RESULTADO DE APRENDIZAGEM-2 ................................................. 33
IDENTIFICAR E DESCREVER AS PRAGAS E DOENÇAS E SINTOMAS
QUE CAUSAM NAS CULTURAS PRINCIPAIS DA REGIÃO ................... 33
2.1. PRINCIPAIS PRAGAS DAS CULTURAS EM MOÇAMBIQUE ........... 34
2.1.1. Principais Pragas da Cultura de Milho .................................... 34
[Link]. A lagarta-do-cartucho ......................................................... 34
[Link]. Lagarta-de-espiga ................................................................ 34
[Link]. Broca-do-colmo ................................................................... 35
[Link]. Lagarta-rosca ...................................................................... 35
2.1.2. Principais pragas do Arroz...................................................... 36
[Link]. Broca-do-colmo - Diatraea saccharalis (Lepidoptera) ............ 36
[Link]. Lagarta-da-folha - Spodoptera frugiperda (Lepidoptera) ........ 36
[Link]. Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus) .................................... 37
[Link]. Lagarta-da-panícula (Lepidoptera) ....................................... 37
[Link]. O pardal do bico vermelho (Quelea quelea)........................... 38
2.1.3. Pragas das Liliáceas ............................................................... 39
[Link]. Tripes do Alho e Cebola - Thrips tabaci (Thysanoptera) ........ 39
[Link]. Moscas-da-cebola – (Ordem Diptera) ................................... 39
[Link]. Lagarta rosca - Agrotis ipsilon (Ordem Lepidoptera) ............. 40
2.1.4. Principais pragas da Batata.................................................... 40
[Link]. Larva alfinete ou Vaquinha - Diabrotica speciosa (Coleoptera)
........................................................................................................ 40
[Link]. Traça da batata - Phthorimaea operculella (Lepidoptera) ....... 41
[Link]. Pulgões - Cavariella aegopodii (Ordem Hemiptera) ............... 41
2.1.5. Principais pragas das brássicas .............................................. 41
[Link]. Lagartas desfolhadoras (Ordem Lepidoptera) ....................... 42
2.1.6. Principais pragas da cultura de tomate .................................. 44
[Link]. Mosca Branca - Bemisia tabaci (Ordem Díptera) ................... 44
[Link]. Tripes ou Lacerdinhas (Frankliniella schultzei) ..................... 45
[Link]. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae) ....................................... 45
[Link]. Traças e Brocas do tomate .................................................. 46
[Link]. Mosca minadora (Liriomyza sp.)........................................... 46
2.1.7. Principais pragas do feijoeiro .................................................. 47
[Link]. As vaquinhas (Coleoptera) ................................................... 47
[Link]. Falsa-medideira - Chrysodeixis includens (Lepidoptera) ....... 48
[Link]. Lagarta-das-vagens - Spodoptera cosmioides (Lepidoptera)... 49
2.1.8. Principais pragas dos citrinos................................................. 49
[Link]. Moscas-das-frutas............................................................... 49
[Link]. Bicho Furão ........................................................................ 50
[Link]. As Cochonilhas ................................................................... 50
[Link]. Lagarta mineira ................................................................... 51
[Link]. Broca-do-tronco (Ordem coleóptera) .................................... 52
2.2. PRINCIPAIS DOENÇAS DAS CULTURAS EM MOÇAMBIQUE ........ 52
2.2.1. Principais Doenças da Cultura de Milho ................................. 53
4
[Link]. Mancha de anthracnose (Colletotrichum graminícola)............ 53
[Link]. Ferrugem polissora (Puccinia polysora) ................................ 53
[Link]. Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) .............................. 53
[Link]. Fusariose (Fusarium graminearum e F. moniliforme) ............. 54
2.2.2. Principais doenças da cultura de arroz ................................... 55
[Link]. Mancha-parda..................................................................... 55
[Link]. Queima das glumelas .......................................................... 55
[Link]. Carvão ................................................................................ 56
[Link]. Podridão da bainha ............................................................. 57
[Link]. Vírus do enrolamento do arroz ............................................ 58
2.2.3. Principais doenças das Liliáceas ............................................. 58
[Link]. Mancha púrpura ou Queima das folhas............................... 58
[Link]. Podridão branca .................................................................. 59
[Link]. Podridão-mole ..................................................................... 60
[Link]. Ferrugem ............................................................................ 60
2.2.4. Principais doenças da Batata ................................................. 60
[Link]. Requeima da batata ............................................................ 60
[Link]. Pinta Preta ou Mancha de Alternária ................................... 61
[Link]. Rizoctoniose ou Crosta Negra .............................................. 62
[Link]. Murcha bacteriana .............................................................. 63
[Link]. Canela preta ou podridão mole ............................................ 63
[Link]. Sarna comum ..................................................................... 64
2.2.5. Principais doenças das brássicas ........................................... 64
[Link]. Podridão negra .................................................................... 64
[Link]. Podridão mole ..................................................................... 65
[Link]. Mofo branco ........................................................................ 65
[Link]. Ferrugem branca................................................................. 66
[Link]. Hérnia das crucíferas .......................................................... 67
[Link]. Oídio ................................................................................... 67
[Link]. Míldio.................................................................................. 68
2.2.6. Principais Doenças da cultura de tomate ................................ 68
[Link]. Pinta-preta do tomateiro...................................................... 68
[Link]. Requeima do tomateiro (Phytophtora Infestans).................... 69
[Link]. Murcha-bacteriana (Ralstinia solanacearum) ....................... 70
2.2.7. Principais doenças do feijoeiro................................................ 70
[Link]. Murcha de Fusarium (Fusarium oxysporum) ......................... 70
[Link]. Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) .................................. 71
[Link]. Nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) ............................ 71
[Link]. Mosaico comum e necrótico................................................. 72
2.2.8. Principais doenças dos citrinos .............................................. 72
[Link]. Cancro cítrico...................................................................... 72
[Link]. Pinta Preta .......................................................................... 73
[Link]. Gomose ............................................................................... 73
[Link]. Tristeza ............................................................................... 74
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO ........................................................ 75
5
RESULTADO DE APRENDIZAGEM-3 ................................................. 76
MONITORAR, REGISTAR E REPORTAR AS PRAGAS E DOENÇAS
PREDOMINANTES NUM CAMPO AGRÍCOLA ESPECÍFICO ................. 76
3.1. MONITORIA DE PRAGAS E DOENÇAS ......................................... 77
3.1.1. Conceito e importância de monitoria ...................................... 77
3.2. PROCESSO DE MONITORIA DE PRAGAS E DOENÇAS ................ 77
3.2.1. Selecção da amostra............................................................... 78
[Link]. Época e Frequência de Amostragem .................................... 78
[Link]. Planos de amostragem ........................................................ 78
[Link]. Tipos de amostragem .......................................................... 78
3.2.2. Técnicas de amostragem ........................................................ 81
[Link]. A observação visual ............................................................. 81
[Link]. A técnica das pancadas ....................................................... 82
[Link]. As armadilhas ..................................................................... 83
3.3. REGISTO E CÁLCULO DA OCORRÊNCIA DE PRAGAS E DOENÇAS
.......................................................................................................... 84
3.3.1. Contagem de indivíduos presentes por planta......................... 84
[Link]. Métodos directos ................................................................. 84
[Link]. Métodos indirectos .............................................................. 85
3.3.2. Definição do nível de severidade de danos causados ............... 85
[Link]. Nível de dano económico ..................................................... 85
[Link]. Índices de tomada de decisão de controlo ............................ 86
3.3.3. Factores favoráveis à ocorrência de pragas ............................. 86
3.3.4. Contagem de plantas infestantes ............................................ 88
[Link]. Método de quadrados isolados ............................................. 88
[Link]. Método de quadrados sobrepostos ....................................... 89
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO ........................................................ 92
RESULTADO DE APRENDIZAGEM-4 ................................................. 93
DEMONSTRAR COMPREENSÃO SOBRE OS PRINCIPAIS GRUPOS DE
PESTICIDAS E SEUS USOS .............................................................. 93
4.1. OS PESTICIDAS ........................................................................... 94
4.1.1. Conceito e finalidades do seu uso ........................................... 94
4.2. CLASSIFICAÇÃO DOS PESTICIDAS ............................................. 94
4.2.1. Classificação de acordo com a natureza da praga a controlar.. 94
[Link]. Insecticidas ......................................................................... 96
[Link]. Acaricidas ........................................................................... 96
[Link]. Nematicidas ........................................................................ 96
[Link]. Muluscicidas ....................................................................... 97
[Link]. Rodenticidas ....................................................................... 97
[Link]. Fungicidas .......................................................................... 97
[Link]. Herbicidas........................................................................... 98
4.2.2. Classificação dos pesticidas de acordo com a toxicidade ......... 98
4.3. FORMULAÇÃO DOS PESTICIDAS ................................................ 99
4.3.1. Tipos de formulações............................................................ 100
[Link]. Pó seco (P) ......................................................................... 100
6
[Link]. Pó Molhável (PM) ............................................................... 100
[Link]. Pó Solúvel (PS) .................................................................. 100
[Link]. Granulado (G) ................................................................... 100
[Link]. Concentrado Emulsionável (CE) ........................................ 101
[Link]. Soluções concentradas (SC) ............................................... 101
[Link]. Aerossóis .......................................................................... 101
[Link]. Gasosos ............................................................................ 101
[Link]. Suspensão líquida (F) ........................................................ 101
[Link]. Pastas ............................................................................. 102
[Link]. Microencapsulada ........................................................... 102
4.3.2. Métodos de Aplicação de pesticidas ...................................... 102
[Link]. Aplicação via sólida ........................................................... 102
[Link]. Aplicação via líquida ou Pulverização................................. 102
[Link]. Aplicação via gasosa ou Fumigação ................................... 102
4.3.3. Factores a ter em conta na aplicação dos pesticidas ............. 102
[Link]. Época adequada de aplicação ............................................ 103
[Link]. Boa cobertura ................................................................... 103
[Link]. Dosagem correcta.............................................................. 103
[Link]. Segurança na aplicação..................................................... 103
4.4. RISCOS NO USO DOS PESTICIDAS ........................................... 103
4.1.1. Riscos para a saúde humana ............................................... 103
[Link]. Vias de Intoxicação ........................................................... 105
4.4.2. Riscos para o meio ambiente ................................................ 105
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO ...................................................... 107
RESULTADO DE APRENDIZAGEM-5 ............................................... 108
PREPARAR A APLICAÇÃO DE PESTICIDAS USANDO PULVERIZADORES
MANUAIS ...................................................................................... 108
5.1. RÓTULOS DOS PESTICIDAS ...................................................... 109
5.1.1. Principais componentes do rótulo ......................................... 109
5.2. ESCOLHA DO EQUIPAMENTO DE PULVERIZAÇÃO MANUAL .... 110
5.2.1. Pulverizador costal manual .................................................. 111
[Link]. Constituição do pulverizador costal manual ...................... 111
5.2.2. Pulverizador a pilhas com discos rotativos manual e costal ..... 112
5.2.3. Pulverizador costal motorizado ou atomizador ...................... 112
5.3. REGULAGEM E CALIBRAÇÃO DO PULVERIZADOR MANUAL .... 113
5.3.1. Regulagem do pulverizador................................................... 113
[Link]. Tipos de bicos ................................................................... 113
5.3.2. Calibração do pulverizador ................................................... 115
5.3.3. Quantidade de calda por unidade de área............................. 115
5.5. LOCAL DE PREPARAÇÃO DO PULVERIZADOR E DA CALDA ..... 117
5.4.1. Cuidados a serem tomadas antes das aplicações .................. 117
5.4.2. Durante as aplicações .......................................................... 117
5.4.3. Após as aplicações ............................................................... 118
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO ...................................................... 119
RESULTADO DE APRENDIZAGEM-6 ............................................... 120
7
APLICAR O PESTICIDA USANDO PULVERIZADORES MANUAIS ...... 120
6.1. TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DOS PESTICIDAS ............................ 121
6.2. CRITÉRIOS DE APLICAÇÃO DOS PESTICIDAS .......................... 121
6.2.1. Velocidade de deslocação e o ritmo de bombagem do operador
...................................................................................................... 121
6.2.2. Altura do bico ...................................................................... 121
6.2.4. Direcção do movimento do operador ..................................... 121
6.3. MEDIDAS DE SEGURANÇA ....................................................... 122
6.3.1. Uso de equipamentos de proteção individual ........................ 122
[Link]. Principais EPI’s ................................................................. 122
6.3.2. Medidas de higiene durante e após a aplicação dos pesticidas
...................................................................................................... 123
6.4. CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO DOS PESTICIDAS ............. 124
6.4.1. Construção dos armazéns .................................................... 124
6.4.2. Localização dos armazéns .................................................... 124
6.4.3. Regras de armazenagem ....................................................... 125
6.4.4. Higiene e segurança ............................................................. 125
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO ...................................................... 127
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ............................................................. 128
8
INTRODUÇÃO
As culturas agrícolas sofrem o ataque de pragas e doenças que ocorrem ao
longo do seu desenvolvimento, desde a sementeira, colheita até o
armazenamento. A produtividade dessas culturas será comprometida
significativamente se essas pragas e doenças não forem controladas
adequadamente.
A importância que cada uma das espécies pragas ou organismos
causadores de doenças nas plantas assume, varia de acordo com a região e
a época de cultivo, sendo a correcta identificação um ponto-chave dos
programas de maneio integrado de pragas e doenças. Produtos agrícolas
com lesões ou feridas provocadas por pragas ou doenças perdem imagem,
atractividade e valor comercial. Caso os mesmos se destinem a ser
armazenados seguramente terão perdas avultadas durante esta fase.
Assegurar a boa sanidade das culturas agrícolas e proteger as colheitas são
assim duas actividades de grande relevo no combate à subnutrição e à fome,
nas quais, os pesticidas, desempenham um importante papel. Sem eles não
há, de facto, garantia de segurança alimentar para populações de várias
zonas do mundo.
Como qualquer outro profissional, um agricultor sente-se mais realizado
quando consegue maiores produções e de melhor qualidade, no entanto,
isto somente torna-se possível através de uma melhor e mais racional
fertilização, irrigação, amanhos e cuidados fitossanitários, factores capazes
de garantir que as culturas expressem as suas potencialidades, com
equilíbrio e de forma sustentável.
Sendo assim, este manual tem como objectivo principal, facilitar ao caro
formando no reconhecimento desses patógenos e pragas nas culturas
agrícolas, bem como a adopção e a operacionalização racional de medidas
de controlo, buscando, com isso, a redução das perdas e o aumento da
rentabilidade dos cultivos.
9
1
RESULTADO DE APRENDIZAGEM
Demonstrar compreensão sobre as
características e biologia dos principais
grupos de pragas e doenças das culturas
Demonstrar compreensão sobre as características e biologia dos principais grupos de pragas e doenças das culturas
10
1.1. PRINCIPAIS GRUPOS DE PRAGAS AGRÍCOLAS
1.1.1. Conceitos de praga
Convencionalmente, um organismo é considerado praga, quando é
constatada sua presença na cultura, mas já no Maneio Integrado de Pragas
(MIP), um organismo só é considerado praga quando causa danos
económicos.
Portanto, no geral, organismos-praga, são aqueles capazes de reduzem a
produção e/ou a qualidade dos produtos agrícolas ao atacar nas culturas e
serem transmissores de doenças nas plantas. Eis alguns exemplos de
organismos pragas, lesmas, caracóis, gafanhotos, ácaros, pássaros,
infestantes, ratos, cochonilhas, etc.
[Link]. Tipos de pragas
a) De acordo com a parte da planta que é atacada
✓ Praga directa: Ataca diretamente a parte comercializada. Por
exemplo a Broca do tomateiro (Neoleucinodes elegantalis) que ataca
os frutos do tomateiro.
✓ Praga indirecta: Ataca uma parte da planta que afecta
indirectamente a parte comercializada. Por exemplo a Lagarta da soja
(Anticarsia gemmatali) que causa desfolha em soja.
b) De acordo com sua importância
✓ Organismos não-praga: São aqueles que sua densidade populacional
nunca atinge o nível de controlo. Correspondem a maioria das
espécies fitófagas encontradas nos agroecossistemas.
Onde:
PE - Ponto de equiíbrio que
corresponde a densidade
populacional média do
organismo ao longo do tempo.
ND- Nível de dano
11
✓ Pragas chaves: São aqueles que frequentemente ou sempre atigem o
nível de controlo. Esta praga constitui o ponto chave no
estabelecimento de sistema de maneio das pragas, as quais são
geralmente controladas quando se combate a praga chave.
✓ Pragas frequentes: São organismos que frequentemente atigem o
nível de controle. Exemplo: Cigarrinha verde (Empoasca kraemeri) em
feijoeiro.
12
1.1.2. Métodos de observação de pragas
Sob ponto de vista do maneio integrado de pragas, a observação é um
método que consiste na identificação da praga através da utilização de
órgãos de sentido (tacto e visão) para examinar as suas características
morfológicas, seja ele da classe insecta, molusca, avícola, etc. a observação
dos organismos pragas para a sua identificação pode ser:
✓ Macroscópica: Consiste na observação a olho nú;
✓ Microscópica: consiste na utilização de microscópios ou lupas
manuais para a identificação dos organismos pragas.
1.1.3. Principais grupos de pragas
[Link]. Classe Molusca
Fazem parte de pragas da classe molusca os caracóis e as lesmas. Os
caracóis possuem concha enquanto as lesmas não possuem. Estas pragas
atacam plantas principalmente em ambientes húmidos e ricos em palhas
como ocorre em cultivos de plantio directo. Eles provocam desfolha e
causam mortalidade das plantas reduzindo a população de plantas
principalmente em culturas em fase inicial.
13
b) Ácaros brancos: Eles possuem corpo em formato de pera, coloração
clara e não produzem teia. Duas de suas pernas estão no início de
seu corpo e as outras duas no meio de seu corpo.
c) Microácaros: Eles possuem corpo em formato de alongado e apenas
dois pares de pernas aparentes.
14
Geralmente os pássaros que se alimentam de cereais, num dado local
geográfico, são de dois tipos: Os residentes na área onde as culturas são
produzidas e os migratórios, que ocorrem apenas sazonalmente na área.
Os pássaros residentes ou locais têm uma dieta variada, que lhes permite
permanecer num lugar mesmo com as mudanças sazonais. Estes
movimentam-se em pequenos números à busca de diferentes fontes de
alimentos e raramente se deslocam para muito longe.
Por sua vez, os pássaros migratórios podem causar elevadas perdas de
rendimento em ambos os agricultores, de subsistência e os de grande
escala, quando estiverem presentes durante a época de cultivo. No entanto,
essas perdas não ocorrem todos os anos.
A B C
Figura 04: Pardal do bico vermelho (A), Rola (B) galinhas d’angola (C)
[Link]. Infestantes
Uma infestante é aquela planta que cresce espontaneamente em áreas de
actividade humana e que interfere negativamente causando prejuízos a essa
actividade. Essas plantas competem por recursos limitantes do meio
(principalmente água, luz, espaço e nutrientes), liberarm substâncias
alelopáticas e hospedam pragas e e organismos causadores de doenças
comuns à cultura e, interferirem no rendimento da colheita.
a) Classificação das infestantes
As infestantes podem ser classificadas de diversas maneiras. A classificação
mais importante é a Taxonómica, em que as espécies são identificadas
através de conhecimentos de Botânica e Sistemática Vegetal, além de
filogenética (baseada nas características genéticas).
15
[Link]. Classe insecta
A classe insecta é a classe que agrupa maior número de organismos pragas.
Os insectos são organismos muito importantes do ponto de vista ecológico,
pois assumem diferentes papéis numa plantação, podendo ser prejudiciais
ou benéficos.
✓ Os insectos prejudiciais: São aqueles que se alimentam de plantas
cultivadas ou que transmitem doenças, causando prejuízos
económicos ao agricultor, e são classificados como insectos-praga.
✓ Os insectos benéficos: São aqueles que polinizam as plantas, que
fazem o controlo de outros insectos, como é o caso dos predadores e
parasitoides, e os que contribuem para a decomposição da matéria
orgânica e ciclagem de nutrientes, alimentando-se de matéria morta
e resíduos, como os detritívoros.
a) Ordem Lepidoptera
Seus adultos são chamados de mariposas (noturnos e de cores não
aparentes) ou borboletas (diurnos e de cores vistosas), possuem asas
membranosas com escamas e aparelho bucal sugador. Suas larvas são
chamadas de lagartas e possuem cabeça visível, três pares de pernas no
início do corpo e pernas no final do corpo. Eles são pragas na fase de
lagartas que possuem aparelho bucal mastigador.
As lagartas podem ser de três tipos básicos dependendo do número de
pseudopatas: lagartas (com quatro pares de pseudopatas, lagartas falsa-
medidoras (com dois pares de pseudopatas) e lagartas medidoras (com um
par de pseudopatas).
Lagarta
Mariposa Borboleta Lagarta
medidora
Figura 05: Insectos-praga da ordem Lepidoptera
b) Ordem Coleóptera (Besouros)
Seus adultos são chamados de besouros, seu primeiro par de asas é
endurecido (élitro). Suas larvas possuem cabeça visível, três pares de
pernas no início do corpo ou não. Eles são pragas tanto na fase de larva
como na fase adulta e aparelho bucal mastigador. Os principais grupos de
besouros pragas são:
✓ Vaquinhas: Os adultos geralmente possuem corpo colorido, antenas
visíveis e causam desfolha. Suas larvas são finas, esbranquiçadas e
16
possuem três pares de pernas e geralmente atacam órgãos subterrâneos
principalmente raízes.
✓ Bicudos: Os adultos possuem um prolongamento no início da cabeça.
Suas larvas são esbranquiçadas e não possuem pernas visíveis.
✓ Carunchos: Possuem um prolongamento no início da cabeça menor que
dos bicudos e suas asas não cobrem totalmente o abdome. Suas larvas
são semelhantes às dos bicudos.
✓ Serra-pau: Os adultos possuem antenas muito longas. Suas larvas são
esbranquiçadas, possuem o início do corpo dilatado e broqueiam caule
de árvores.
✓ Corós: Os adultos são escuros, possuem antenas pequenas, o primeiro
par de pernas é própria para escavação e algumas espécies a cabeça
possuem projecções semelhantes a chifres. Suas larvas são
esbranquiçadas, possuem foramto de “C”, final de seu corpo é dilatado e
elas atacam órgãos subterrâneos principalmente raízes.
✓ Larva arame: Os adultos são escuros, possuem corpo fino, dois espinhos
no final da cabeça e quando os seguramos ao tentarem fugir emitem som
semelhante ao estálo de dedos. Suas larvas são finas, amarronzadas e
atacam órgãos subterrâneos principalmente raízes.
17
✓ Formigas saúvas: Estas formigas pertencem ao gênero Atta e possuem
ninhos com grande quantidade de terra solta e três pares de espinhos
no seu dorso.
✓ Formigas quém-quéns: Estas formigas pertencem ao gênero
Acromyrmex e possuem quatro pares de espinhos no seu dorso e seus
ninhos são pequenos.
Cocho- Mosca
Cigarra Cigarrinhas Pulgões
nilhas branca
Figura 10: Insectos-praga da ordem homóptera
g) Ordem Thysanóptera (Tripés)
Os adultos (0,5 a 13 mm de comprimento) possuem asas franjeadas e
aparelho bucal sugador enquanto as formas jovens (ninfas) não possuem
asas. Quando observados a campo nas amostragens realizadas pela batida
19
de ponteiros de plantas em bandejas plásticas brancas, eles se parecem
muito com um grupo de insetos recicladores da matéria orgânica os
colêmbolas. Entretanto, os colêmbolas possuem maior tamanho e antena
maior que os tripés.
20
Figura 13: Insectos-praga da ordem Isóptera
[Link]. Características morfológicas das pragas da classe insecta
No geral, os insectos apresentam um par de antenas, dois pares de asas e
três (pares de pernas. Os insectos, no estado adulto, apresenta 6 pernas
(hexápodes). Além da locomoção, as pernas são também adaptadas para
escavar o solo, colectar alimentos, capturar presas etc. Há um par de
pernas em cada segmento torácico, isto é, pernas protorácicas ou
anteriores, mesotorácicas ou medianas e metatorácicas ou posteriores
As principais características dos insectos são:
✓ Corpo dividido em três partes;
✓ Pernas e antenas articuladas,
✓ Exoesqueleto e simetria bilateral;
✓ Circulação sanguínea (hemolinfa) livre;
✓ Sistema respiratório formado por tubos que atingem a parte externa
do corpo por orifícios;
✓ Um par de antenas;
✓ Três pares de pernas;
✓ Desenvolvimento por metamorfose;
✓ Asas geralmente presentes nos adultos.
De uma forma geral, o corpo das pragas da classe insecta está dividido em
três (3) partes: Cabeça, Tórax e Abdómen, como ilustra a figura abaixo:
21
O Tórax, por sua vez é dividido em: Protórax, Mesotórax e Metaórax.
22
1.2.2. Metamorfose Incompleta
Os insectos com metamorfose incompleta são chamados hemimetábolos.
Quando eclode o ovo nascem formas imaturas, as ninfas, que precisam
completar o seu desenvolvimento até se tornarem adultos, também
chamados imago. Na fase de ninfa dos hemimetábolos não apresentam
diferencas no hábito de vida em relação ao adulto. como exemplos temos os
gafanhotos, as libélulas, mosquitos, percevejos, etc.
23
1.3. PRINCIPAIS GRUPOS DE DOENÇAS DE PLANTAS
1.3.1. Conceito da doença das plantas
No entanto, considera-se doenças de plantas, ao mal funcionamento de
células e tecidos do hospedeiro que resulta da sua contínua irritação por
um agente patogênico ou factor ambiental e que conduz ao desenvolvimento
de sintomas.
A doença é uma condição que envolve mudanças anormais na forma,
fisiologia, integridade ou comportamento da planta. Tais mudanças podem
resultar em dano parcial ou morte da planta ou de suas partes”.
A diferença básica entre as definições consiste na possível causa da doença
na planta, ou seja, na sua natureza. Algumas definições consideram que
doença é decorrente de alterações fisiológicas acarretadas exclusivamente
por agentes infecciosos, ou seja, de natureza parasitária ou biótica, com
capacidade de serem transmitidos de uma planta doente para uma planta
sadia.
Outras definições incluem causas de natureza não infecciosa, não
parasitária ou abiótica, que não podem ser transmitidas de uma planta
doente para uma planta sadia.
Os agentes de natureza infecciosa incluem fungos, bactérias, fitoplasmas,
vírus e viróides, nematóides, protozoários e plantas parasitas superiores.
Esses patógenos podem causar doenças em plantas:
✓ Debilitando ou enfraquecendo o hospedeiro por absorção contínua de
nutrientes da célula hospedeira para seu uso;
✓ Destruindo ou causando distúrbios no metabolismo da célula
hospedeira através de toxinas, enzimas ou substâncias reguladoras de
crescimento por eles secretados;
✓ Bloqueando o transporte de alimentos, nutrientes minerais e água
através de tecidos condutores;
✓ Consumindo o conteúdo da célula dos hospedeiros mediante contato.
1.3.2. Classificação das doenças das plantas
No geral, as doenças de plantas podem ser entendidas como o resultado de
interação entre o patógeno (agente causador), hospedeiro (a planta
susceptível) e o ambiente (condições favoráveis). Por exemplos de doenças:
A ferrugem, pinta-preta, míldio, murcha bacteriana, mosaico vírus, etc.
a) Classificação da doença quanto ao hospedeiro
Quando o hospedeiro é tomado como referência, a classificação reúne as
doenças que ocorrem numa determinada espécie botânica. Desta forma
tem-se, por exemplo, as doenças do feijoeiro, do tomateiro, da cana-de-
açúcar, etc.
24
Esse tipo de classificação tem um caráter eminentemente prático, pois é de
interesse dos técnicos envolvidos com cada cultura específica. Outra
possibilidade, ainda ligada ao hospedeiro, é classificar doenças de acordo
com a parte ou idade da planta atacada. Assim, as doenças podem ser
agrupadas, por exemplo, em doenças de raiz, de colo, de parte aérea, etc.
b) Classificação da doença quanto a natureza dos patógenos
A classificação de doenças tomando por base a natureza dos patógenos
define os grupos de doenças causadas por Fungos, por Bactérias, por Vírus,
Nematóides, etc. Este sistema de classificação tem como ponto desfavorável
agregar, num mesmo grupo de patógenos que, apesar da proximidade
taxonômica, actuam de forma diferente em relação à planta.
[Link]. Doenças fúngicas
Os fungos são organismos eucariontes, aclorofilados, heterotróficos, que se
reproduzem sexuada e assexuadamente e cujas estruturas somáticas são
geralmente filamentosas e ramificadas, com parede celular contendo
celulose ou quitina, ou ambos. Exemplos de doenças fúngicas: Mancha
de anthracnose, Ferrugens, Pinta-preta, míldio, oídio, etc.
A B C D
Figura 18: Anthracnose (A) e Ferrugem no milho (B) Pinta-preta (C) e
requeima no tomateiro (D).
[Link]. Doenças Bacterianas
As bactérias são seres unicelulares procariotos, baciliformes,
microrganismos diminutos; sem ser possível usar critérios morfológicos
consistentes, como rotina para identificação e taxonomia, são altamente
mutáveis e carregarem consigo alto grau de diversidade fisiológica.
Exemplos de doenças bacterianas: Murcha bacteriana, Podridões moles,
Cancro bacteriano, etc.
A B
Figura 19: Murcha bacteriana no tomateiro (A), Podridão mole no milho (B)
25
[Link]. Doenças virais
Os vírus não têm a organização complexa das células e são estruturalmente
muito simples. Os Vírus são um conjunto formado por uma ou mais
moléculas de ácido nucléico genômico, normalmente envolto por uma capa
ou capas protectora(s) de proteína ou lipoproteína, o qual é capaz de mediar
sua própria replicação somente no interior das células hospedeiras
apropriadas. Exemplos de doenças virais: Tristeza dos citros, Vírus do
mosaico, Viroses, etc.
[Link]. Doenças causadas por nematoides
Os nematódos são animais do Sub-Reino Metazoa e Filo Nemata. Possuem
simetria bilateral e são pseudocelomados, isto é, a cavidade geral do
organismo onde se alojam todos os órgãos não é revestida por um tecido
especializado. A palavra nematóide vem do grego e significa "em forma de
fio". Nematóide é o nome utilizado para os helmintos parasitas de plantas.
Exemplos de doenças provocadas por nemátodos: Nemátodos de galhas.
[Link]. Doenças fisiológicas
As doenças fisiológicas são também consideradas de doenças de natureza
não infecciosas. Dentre as causas de doenças de natureza não infecciosa
destacam-se as condições desfavoráveis do ambiente (temperatura
excessivamente baixa ou alta, deficiência ou excesso de humidade,
deficiência ou excesso de luz, deficiência de oxigênio, poluição do ar), as
deficiências e/ou desequilíbrios nutricionais e o efeito de factores químicos.
1.4. FACTORES AMBIENTAIS QUE INTERFEREM NO
DESENVOLVIMENTO DE PRAGAS E DOENÇAS
A temperatura, a humidade do ar, as chuvas e o período de luz disponível
no local, além do tipo de solo e as plantas que o cobrem (hospedeiros),
afectam o comportamento dos insectos jovens, adultos e organismos
causadores de doenças nas plantas.
1.4.1. Temperaturas do ambiente
Temperaturas mais altas (acima de 30ºC) aceleram o desenvolvimento das
formas jovens dos insectos, aumentando o número de gerações num mesmo
período de tempo. Por exemplo, o número de gerações de lagartas aumenta,
num período de tempo, devido às temperaturas mais altas. Por outro lado,
em temperaturas abaixo da crítica (20 ºC) para cada espécie, os insectos
não se desenvolvem. É o caso dos ovos da cigarrinha-do-milho.
1.4.2. Humidade relativa do ar e chuvas
A humidade do ar e o regime de chuvas podem ser factores favoráveis ou
desfavoráveis para uma determinada espécie, dependendo da fase de
desenvolvimento do insecto ou agente causador de doenças nas plantas.
Por exemplo, para que mariposas passem da fase de pupa para a adulta, a
alta humidade é favorável, pois torna este processo mais rápido. Porém, da
26
fase de larvas até o desenvolvimento das lagartas, a população de inimigos
naturais, com a alta humidade, pode aumentar. Por exemplo, as
tesourinhas que se alimentam das pequenas lagartas e pulgões nas
gramíneas, favorecendo o seu controlo biológico.
Além disso, a maior parte de doenças fúngicas e bacterianas, facilmente
multiplicam-se em condições de altas humidades, favorecendo assim o seu
desenvolvimento nas plantas.
1.4.3. Tipo de solo combinado com as chuvas
O tipo de solo, combinado com as chuvas, pode aumentar ou reduzir o
aparecimento de determinadas pragas. Por exemplo, solos arenosos e com
baixa humidade permitem surtos da lagarta-elasmo, tanto em gramíneas
como em leguminosas, no início do desenvolvimento.
1.4.4. Cobertura morta do solo
A cobertura do solo com plantas daninhas ou restos da cultura anterior
pode abrigar espécies de pragas como lagartas e percevejos, que se
alimentam de várias espécies de plantas, aumentando o potencial de
infestação da cultura subsequente.
No geral, a maior parte das pragas da classe insecta aumentam nas épocas
quente do ano, ou seja, as altas temperaturas e baixas taxas anuais de
precipitação favorecem a reprodução e desenvolvimento da população de
pragas desta classe de animais. Baixas temperaturas e altas taxas de
precipitação, reduzem no geral a população de insectos.
Ao contrário dos organismos insectos, as doenças de natureza infecciosas,
no geral aumentam nas épocas frias e chuvosas do ano, ou seja, as baixas
temperaturas e altas taxas anuais de precipitação favorecem a reprodução
e desenvolvimento da população de organismos causadores de doenças.
Altas temperaturas e baixas taxas de precipitação, reduzem no geral o
desenvolvimento de doenças de natureza infecciosas nas plantas.
27
exterminar tais organismos, o que é muito difícil, principalmente em áreas
de produção agrícola.
Entende-se por controlo, a intervenção pontual não estratégica sobre a
comunidade de pragas a fim de, rapidamente, eliminá-la ou impedir seu
desenvolvimento. Por maneio, entende-se a intervenção não-pontual
estratégica, que pode envolver o uso de um só ou mesmo mais de um
método de controlo (maneio integrado), a fim de reduzir o potencial de
interferência da comunidade infestante em curto, médio ou longo prazo.
Portanto, controlo dá ideia do uso de uma prática de controlo (seja qual for)
em um momento específico, enquanto maneio dá ideia de controlo ao longo
do tempo. Dos métodos de controlo de pragas destacam-se os seguintes
principais:
1.5.1. Método cultural
Consiste no controlo de pragas e doenças a partir de medidas de cultivo,
tais como: semear em épocas com menor abundância de pragas, semear em
associação com culturas que afugentam certas pragas, desinfectar o
material de trabalho, mergulhar as sementes em água inócua ou tratada,
rotação da cultura, entre outras medidas.
1.5.2. Método biológico
Neste método são utilizados inimigos naturais das pragas para o seu
controlo. Por exemplo, uso da vespa Epidinocarsis lopezi para o controlo da
cochonilha purverulenta da mandioca, ou quando o gato é usado para
combater o rato. Os inimigos naturais, também chamados de insectos
entomófagos, são divididos em predadores (orgamismos que se alimentam
do outro) e parasitoides (orgamismos que depositam larvas ou parasitas
no outro).
Tabela 02: Exemplos de predadores e parasitoides
Predador Presa Parasitoides Hospedeiro
Joaninhas Pulgões, cochonilhas
Gatos Ratos
Vespas Cochonilhas, lagartas Larvas,
Aranhas A maior parte de insectos Lagartas,
insectos
Formigas Larvas, lagartas Moscas
e/ou
Moscas Lagartas animais
Percevejos Lagartas adultos
Louva-a-deus Lagartas
Tesourinhas Lagartas
28
1.5.3. Método químico
Consiste no uso de substâncias químicas chamadas pesticidas. A
designação dos pesticidas varia em função das pragas que controlam,
assim, teremos as seguintes designações: Fungicidas- controlam fungos;
Insecticidas- controlam insectos; Herbicidas- controlam ervas daninhas;
Acaricidas-controlam os ácaros; etc.
1.5.4. Método físico
Baseiam-se no uso de fenômenos físicos visando o controlo de insectos.
Frequentemente os métodos mecânicos de controlo são incluídos junto aos
métodos físicos, mas ambos estão sendo aqui tratados independentemente.
Utilização de temperatura, umidade e radiações eletromagnéticas são os
principais agentes físicos de controlo com exemplos de utilização prática.
1.5.5. Método Mecânico
Consiste na captura (manual ou com armadilhas) dos organismos pragas e
posterior esmagamento. Alguns métodos de controlo mecânicos são
apresentados a seguir:
a) Apanha manual ou catação: refere-se a colecta manual de ovos, larvas
ou ninfas e/ou insectos adultos facilmente visíveis. Muito usado em
agricultura de subsistência, no controlo de pulgas, piolhos e carrapatos
em animais e no controlo de cochonilhas em plantas ornamentais de
interiores;
b) Técnica da batida: É usado como forma de controlo de insectos em
fruteiras, onde são feitas sucessivas batidas no tronco após colocação de
panos ou plásticos sob a copa das árvores para coleta dos insetos caídos
com as batidas. É uma técnica utilizada também para amostragem de
insectos em culturas anuais como a da soja;
c) Barreiras: São dispositivos ou práticas que visam impedir ou dificultar
o acesso do insecto à planta. Existem diversos exemplos de barreiras
usadas na proteção contra insectos que nem sempre são percebidas. Um
exemplo são os mosquiteiros normalmente colocados em janelas e portas
de residência ou recobrindo berços;
d) Impacto: É prática usada em moinhos de farinha para controlo de
insectos de produtos armazenados. Consiste em máquinas (por exemplo,
“Entoleter”) ou dispositivos que lançam os grãos contra um anteparo de
maneira a matar os insectos no exterior ou interior dos grãos. Os grãos
infestados são abertos e os insectos são expostos e removidos por
aspiração ou peneiramento depois de mortos;
29
e) Pós abrasivos: A utilização de pós abrasivos baseia-se na remoção da
camada de cera da cutícula dos insectos, ocasionando a morte deles por
dessecação. Várias substâncias têm sido usadas com esse fim, a exemplo
da sílica gel, magnésia calcinada e argilas.
1.5.6. Controlo por Comportamento
Os insectos utilizam odores para localização de presas, defesa e
agressividade, seleção de plantas, escolha de locais de oviposição, corte e
acasalamento, organização das atividades sociais e diversos outros tipos de
comportamento. As substâncias químicas usadas na comunicação, em
geral, são denominadas semioquímicos (sinais químicos). Podem ser
aleloquímicos ou feromônios.
Tabela 03: Classificação dos Semioquímicos Conforme sua Acção
SEMIOQUÍMICOS
(Substancias químicas envolvidas na comunicação entre os organismos)
Aleloquímicos Feromónios
(Substancias químicas envolvidas na comunicação (Substancias
entre os organismos de espécies diferentes) químicas envolvidas
Crinómios Alonómios na comunicação
(O organismo receptor (O organismo que produz a entre indivíduos da
é favorecido) substancia é favorecido) mesma espécie)
30
1.5.8. Maneio Integrado de Pragas (MIP)
É uma filosofia de controlo de pragas que procura preservar e incrementar
os factores de mortalidade natural, através do uso integrado dos métodos
de controlo selecionados com base em parâmetros económicos, ecológicos e
sociológicos. Por outro lado, este método pode ser visto como a associação
de um ou mais métodos anteriormente descritos. nesta perspectiva, o
método químico é tido como a última alterativa.
De acordo com a parte da planta que é atacada, as pragas podem ser:
✓ Directas: Ataca diretamente a parte comercializada. Exemplo: Broca
pequena do tomateiro (Neoleucinodes elegantalis) que ataca os frutos do
tomateiro.
✓ Indirectas: Ataca uma parte da planta que afeta indiretamente a parte
comercializada. Exemplo: Lagarta da soja (Anticarsia gemmatali) que
causa desfolha em soja.
Os principais componentes do MIP:
a) Diagnose ou Avaliação do agroecossistema: Neste componente
procura-se desenvolver actividades de identificação simples e correcta
das pragas chaves, pragas ocasionais e inimigos naturais-chaves.
b) Tomada de decisão: A tomada de decisão é baseada um plano de
amostragem e nos índices de tomada de decisão.
c) Selecção dos métodos de controlo: Os métodos devem ser selecionados
com base em parâmetros técnicos (eficácia), econômicos (maior lucro),
ecotoxicológicos (preservação do ambiente e da saúde humana) e
sociológicos (adaptáveis ao usuário).
31
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO
1. Explique quando é que pode-se considerar um organismo de pragas?
2. Classifique as pragas de acordo com a parte da planta que é atacada e
sua importância.
3. Descreva os principais grupos de pragas.
4. Explique as características gerais dos insectos, incluindo a divisão do
corpo, número de pares de patas, antenas e asas.
5. Defina plantas infestantes.
6. Qual é a classificação mais usual para identificar as plantas infestantes;
7. Defina doença das plantas.
8. Classifique e descreva as doenças das plantas de acordo com o
hospedeiro e a natureza do patógeno.
9. Em que consiste o maneio integrado de pragas e doenças nas culturas?
10. Classifique os insectos de acordo com as suas peças bucais e hábitos
alimentares.
11. Faça legenda aos números indicados na figura abaixo:
32
2
RESULTADO DE APRENDIZAGEM
Identificar e descrever as pragas
e doenças e sintomas que causam
nas culturas principais da região
Identificar e descrever as pragas e doenças e sintomas que causam nas culturas principais da região
Neste resultado de aprendizagem, os formandos terão oportunidade
de aprender sobre:
a) Principais pragas das culturas em Moçambique
✓ Pragas de Milho
✓ Pragas de Arroz
✓ Pragas das Liliáceas
✓ Pragas da Batata
✓ Pragas das Brássicas
✓ Pragas do Tomateiro
✓ Pragas de feijoeiro
✓ Pragas dos Citrinos
b) Principais doenças das culturas em Moçambique
✓ Doenças de Milho
✓ Doenças de Arroz
✓ Doenças das Liliáceas
✓ Doenças da Batata
✓ Doenças das Brássicas
✓ Doenças do Tomateiro
✓ Doenças do feijoeiro
✓ Doenças dos Citrinos
33
2.1. PRINCIPAIS PRAGAS DAS CULTURAS EM MOÇAMBIQUE
2.1.1. Principais Pragas da Cultura de Milho
O número de insetos encontrados na cultura do milho no campo é bastante
elevado. Entretanto, somente algumas espécies constituem problema para
a cultura, dependendo das condições ambientais reinantes em cada local.
Dentre as pragas do milho, as principais são:
[Link]. A lagarta-do-cartucho
A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é uma Lepidoptera
pertencente à família Notuidae, aparelho bucal do tipo mastigador e é
considerada uma das principais pragas do milho em Moçambique. A larva
desse insecto pode atacar em todas as fases de crescimento da cultura. As
altas temperaturas favorecem o desenvolvimento desta praga.
34
[Link]. Broca-do-colmo
A broca-do-colmo, conhecida por broca de Cana-de-açúcar (Diatraea
saccharalis) é uma Lepidoptera. Os prejuízos ocorrem em decorrência das
galerias abertas nos colmos, que facilitam a quebra e o tombamento das
plantas, e nas espigas, que causam a perda de grãos. Quando o ataque é
no cartucho da planta, algumas folhas se abrem já perfuradas. Além disso,
os orifícios também são portas de entrada para outros insectos e
microrganismos oportunistas causadores de doenças e podridões nas
partes atacadas.
35
2.1.2. Principais pragas do Arroz
[Link]. Broca-do-colmo - Diatraea saccharalis (Lepidoptera)
Os adultos têm hábito noturno, encontrando-se abrigados nas plantas
durante o dia, os quais se caracterizam por apresentarem asas anteriores
de coloração variável do amarelo ao cinza e asas posteriores mais claras.
As posturas são agrupadas, com aspecto de escamas, na parte superior da
planta. As lagartas passam por 6 estágios, num ciclo de 30 dias, perma-
necendo no colmo até completarem o desenvolvimento e se transformarem
em crisálidas.
As lagartas podem deixar o afilho e atacar outras plantas próximas. Os
danos são causados pela ocorrência das lagartas nos colmos na fase vegeta-
tiva, aos 30 dias após a irrigação, onde a folha central morre, provocando o
sintoma conhecido por coração morto, além da panícula branca. Estas
partes das plantas, se puxadas, soltam-se com facilidade.
36
Figura 25: Lagarta-da-folha
[Link]. Percevejo-do-grão (Oebalus poecilus)
Os danos são provocados por ninfas e adultos, onde para um mesmo grau
de infestação, o número de espiguetas danificadas no estádio leitoso, é
aproximadamente o dobro do verificado nos estádios de massa firme ou grão
maduro.
Os grãos atacados pelo percevejo têm menor poder germinativo, são mais
leves, quebram mais facilmente durante o beneficiamento e depois de
beneficiados apresentam manchas escuras.
Em dias com altas temperaturas, muita luminosidade, com muito vento, os
insetos ficam abrigados mais na parte central das plantas.
38
2.1.3. Pragas das Liliáceas
O gênero liliáceas e constituídas por espécies de cebola e alho como culturas
agronómicas. Portanto, nesta secção serão descritas a pragas das culturas
de cebola e alho.
[Link]. Tripes do Alho e Cebola - Thrips tabaci (Thysanoptera)
Os adultos possuem coloração de amarelo claro, 1 mm de comprimento com
2 mm de envergadura. Os ovos são colocados nas folhas dentro dos tecidos
(endofiticamente), nas partes mais tenras. A eclosão ocorre cerca de 4 dias
após. As ninfas têm 1 mm de comprimento e são mais claras que os adultos
e com pernas e antenas, quase incolores.
No início da fase de ninfa e na fase adulta os tripés ficam na bainha das
folhas, onde promovem a sucção de conteúdo celular raspando as folhas. A
parte final da fase de ninfa ocorre no solo. Sob condições de ataque intenso,
causam áreas esbranquiçadas e até de coloração prateada nas folhas,
tornando a planta de coloração amarelo-esverdeada. Podem ser
transmissores de viroses além de suas injúrias serem porta de entrada para
doenças causada pelo fungo Alternaria porri. Portanto, como decorrência
final da acção desta praga tem-se a redução do tamanho e qualidade dos
bulbos.
[Link]. Moscas-da-cebola – (Ordem Díptera)
Os adultos da Moscas-da-cebola apresentam corpo delgado, cor
acinzentada, com asas transparentes de tonalidade levemente amarelada,
e medem aproximadamente 5mm de comprimento. A Moscas-da-cebola, em
contacto com a planta, deposita larvas, responsáveis por causar danos nas
plantas. As larvas são de cor branco-amarelada e medem entre 6 e 8mm de
comprimento.
A B
Figura 31: Larva alfinete (A) e danos causados na batata (B)
40
[Link]. Traça da batata - Phthorimaea operculella (Lepidoptera)
Os adultos são pequenas mariposas cinzentas de 1 cm de envergadura. As
larvas são cilíndricas, apresentam placa protoráxica dorsal retangular
negra. São de cor esverdeada quando alimentam de folhas e hastes, ou de
cor branca a rosada quando se alimenta de tubérculos.
As larvas minam as folhas e broqueiam as hastes no campo, além de formar
galerias nos tubérculos no campo e principalmente armazéns onde causam
danos importantes.
41
[Link]. Lagartas desfolhadoras (Ordem Lepidoptera)
a) Curuquerê da couve (Ascia monuste)
Os adultos são borboletas com asas de cor amarelos claros e bordos
marrom-escuros com 50mm de envergadura. As lagartas medem cerca de
35 mm, são de cor cinza esverdeado, com cabeça preta, listras longitudinais
esverdeadas no corpo e ovipositam conjuntos de ovos. As lagartas causam
desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do
produto no mercado.
A B
Figura 35: Falsa medideira na fase de Lagarta (A) e adulto (B)
c) Traça das brásicas (Ordem Lepidóptera)
A Traça (Plutella xylostella) é considerada a principal praga que ataca as
brassicáceas, sendo a de maior importância económica para essas culturas
no mundo, principalmente nas culturas de couve e repolho. É um
lepidóptero de coloração acinzentada, com envergadura de cerca de 1 cm,
possui uma listra de cor creme na margem interna das asas.
42
Em condições normais, a Traça apresenta ciclo curto com
aproximadamente 18 dias. Isso possibilita que se tenha um aumento
populacional de até 60 vezes na próxima geração. No entanto, o seu ciclo
pode variar principalmente devido às condições pluviais e temperatura,
podendo ocorrer alta fecundidade e crescimento populacional na ausência
de chuvas e temperaturas altas, sendo que, temperaturas em torno de 15
°C, faz com que o ciclo deste afídeo se estenda até um período de 34 dias, e
em 35 °C, o ciclo diminua 12 dias.
Diante dessas condições, as fêmeas podem depositar em média 350 ovos
com menos de 1 mm, dispostos normalmente próximos às nervuras na
parte abaxial da folha. Após a eclosão dos ovos, as lagartas recém-eclodidas
iniciam a alimentação, penetrando o parênquima formando minas por um
período de até três dias, após esse período inicial, as lagartas migram para
a epiderme onde causa perfurações na região abaxial das folhas,
transformando a folha com aspecto rendilhado.
Esses danos são causados pelas lagartas jovens de coloração verde, que ao
se alimentarem, acabam “raspando” o tecido foliar permitindo o surgimento
de “furos” no tecido vegetal e, quando o ataque é intenso, a folha apresenta
característica de rendilhamento.
Durante o período larval, o insecto passa por quatro fases, apresentando
coloração verde e, variando os tons de acordo com alimentação. Para
transformarem-se em pupas, as larvas constroem um detalhado casulo. Os
adultos têm o hábito de voar no período final da tarde ou início da noite e
permanecem o dia escondidos entre as folhas.
A B
Figura 36: Traça-da-couve, na fase larval (A) e fase adulta (B).
[Link]. Pulgões (Ordem Hemiptera)
a) Pulgão das brássicas (Brevicoryne brassicae)
Os adultos são verdes recobertos por puvirulência branca, medem cerca de
2mm de comprimento, temperatura médias baixas favorecem a ocorrência
da praga e apresentam grade números de indivíduos por colônia. Atacam a
gema apical e folhas jovens.
43
b) Pulgão do nabo (Lipaphis erisinii)
Os adultos ápteros são de coloração verde escuro com pernas, antenas e
sinfúnculos pretos e medem cerca de 2,5mm. Os indivíduos alados
apresentas cabeça e tórax escuros e abdômen com manchas escuras na
lateral. A praga ocorre em qualquer época do ano e atacam toda a planta.
c) Pulgão verde (Myzus persicae)
Os indivíduos são de cor verde clara, medem cerca de 2mm de
comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e
apresentam poucos indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas
basais da planta. As três espécies de pulgões causam “engruvinhamento"
das folhas provocado pela sucção de seiva, o que leva a redução no
crescimento e produção das plantas, também secretam uma substância
adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de fungos,
produtores de fumagina, manchando o produto.
44
Figura 38: Mosca branca no tomateiro
[Link]. Tripés ou Lacerdinhas (Frankliniella schultzei)
Dentre um complexo de tripés que atacam o tomateiro, esta espécie é a mais
importante por causar danos directos pela sucção contínua de seiva além
dos danos maiores causados pela transmissão do vírus da importante
doença conhecida por vira-cabeça do tomateiro. Quando o vírus instala-se
nos frutos o sintoma é o aparecimento de anéis concêntricos tanto nos
verdes quanto nos maduros e torna as folhas bronzeadas e a ponteira do
tomateiro fica recurvada (vira-cabeça).
45
As técnicas culturais de controlo até aqui mencionadas para outras pragas
podem também ser recomendadas para o controlo de ácaros. O controlo
químico deve ser feito com acaricidas específicos, evitando inseticidas de
largo espectro que eliminam os inimigos naturais.
A B
Figura 41: Traças (A) e Broca (B) do tomateiro
[Link]. Mosca minadora (Liriomyza sp.)
A mosca-minadora é um inseto pertencente à ordem Díptera, família
Agromyzidae, que também é conhecida vulgarmente como minadora ou
riscadora, é umas das principais do gênero Liriomyza. A principal
característica da mosca-minadora é depositar (minar) larvas que provocam
galerias nas folhas de seus hospedeiros, provocando danos graves para
muitas culturas.
46
Na fase adulta realiza puncturas para alimentação ou oviposição. As larvas
eclodem dentro da folha e apresentam como principal fonte de alimentação
na fase imatura o mesófilo foliar. O ataque causa prejuízo nas folhas,
acarretando na redução da área fotossintética e a produção de metabólitos
por parte da planta ficam comprometidos.
A B
Figura 42: Mosca-minadora (a) sinais da lagarta mineira no tomateiro (B)
2.1.7. Principais pragas do feijoeiro
[Link]. As vaquinhas (Coleoptera)
a) Vaquinha-verde ou patriota - Diabrotica speciosa
O ciclo biológico inicia com a deposição dos ovos (amarelados) nas
proximidades do colo das plantas. As larvas eclodem e se desenvolvem por
aproximados 18 dias. A fase pupal tem duração média de 12 dias. O ciclo
biológico (ovo-adulto) de D. speciosa dura aproximadamente 35 dias.
Adultos de D. speciosa consomem folhas onde abrem perfurações. Na fase
larval (larva-alfinete), se alimenta de sementes e raízes de feijão. Quando
causa dano severo nas raízes do feijão, as folhas basais das plantas se
tornam amareladas.
47
A Vaquinha-preta causa desfolha durante todo o ciclo da cultura e podem
alimentar-se de flores e vagens. Os danos mais significativos ocorrem no
estágio de plântula, pois podem consumir o broto apical e comprometer a
população da lavoura. As larvas, por sua vez, alimentam-se das raízes, de
nódulos e de sementes em germinação, fazendo perfurações no local de
alimentação.
48
[Link]. Lagarta-das-vagens - Spodoptera cosmioides (Lepidoptera)
Lagartas de S. cosmioides possuem o corpo com coloração pardo-negro-
acinzentado, com 3 listras longitudinais alaranjadas, 1 dorsal e 2 laterais,
com pontos brancos. As pupas são de coloração amarronzada e ocorrem no
solo.
Adultos possuem coloração parda com manchas brancas nas asas
anteriores, podendo medir até 40mm de envergadura. A postura é realizada
em massa nas folhas, e os ovos são protegidos por escamas liberadas pela
fêmea. Causam desfolha e no estágio reprodutivo e se alimentam de vagens
e grãos do feijão, danificando-as.
49
Figura 47: Danos causado pela moscas-das-frutas
[Link]. Bicho Furão
Bicho furão (Gymnandrosoma aurantianum), quando adulto é uma
mariposa que deposita um ovo na casca de cada fruto, após a eclosão da
lagarta ela penetra no fruto e se alimenta da polpa. O ataque de bicho furão
provoca excrementos e restos de alimentos na parte externa do local de
ataque e ocorre o endurecimento da casca do fruto.
50
Figura 49: Danos causados pelas cochonilhas
[Link]. Lagarta mineira
As lagartas atacam principalmente as folhas e brotações novas onde
ovipositam, causando prejuízos significativos para as plantas
principalmente em viveiros, com o menor número de flores e frutos na
colheita e a diminuição do seu crescimento. Elas podem atacar também
brotações tenras e frutos pequenos, em desenvolvimento, formando
também nesses locais suas galerias típicas, tais galerias em forma de
serpentina, de coloração prateada.
Como resultado do ataque as folhas se enrolam, isso porque as lagartas se
alimentam apenas de um lado da folha, que assim não se expande, fazendo
com que o outro lado cresça, produzindo o enrolamento.
Como sintomas gerais, pode-se citar amarelecimento generalizado de
brotos, enrolamento das folhas, necrose de tecidos internervais,
culminando com a queda das folhas, permanecendo só o ramo. Pode
retardar o crescimento de plantas em viveiros e de plantas recém
transplantadas. Pode matar plantas jovens e reduzir a área fotossintética
de plantas adultas.
51
[Link]. Broca-do-tronco (Ordem coleóptera)
É um besouro conhecido por arlequim pequeno, que ataca exclusivamente
o tronco. As larvas são de coloração branco-amarelada com uma mancha
marrom-escura na cabeça, nascem e se alojam entre a casca e o lenho,
abrindo galerias e expelindo parte da serragem em forma de fragmentos de
madeira. O adulto mede 35mm de comprimento por 10 mm de largura, de
coloração cinza, com duas manchas escuras em cada élitro. Quando são
mais desenvolvidos penetram no tronco.
As plantas atacadas ficam com galerias em baixo da casca e no lenho. para
combater as larvas que já penetraram no lenho, injecta-se insecticida na
galeria, tapando o orifício em seguida.
52
2.2.1. Principais Doenças da Cultura de Milho
[Link]. Mancha de anthracnose (Colletotrichum graminícola)
A anthracnose é uma doença fúngica que se manifesta em plântulas e
plantas de milho. Nas plântulas, esta doença incide nas folhas primárias,
causando amarelecimento das bordas e elas gradativamente secam. Nas
plantas, os sintomas surgem nas folhas mais velhas e nas nervuras,
caracterizando-se por pequenas lesões ovais e irregulares, com aspecto
encharcado. Nas nervuras, são observadas lesões elípticas de coloração
marrom-avermelhada, que resultam numa necrose foliar em formato de “V”
invertido. Os sintomas desta podem ser confundidos com deficiência de
nitrogênio, sendo verificada com maior frequência entre as fases V2 a V8.
53
A melhor maneira de reduzir a doença é a utilização de variedades
resistentes, evitar deixar os resíduos da cultura do milho no solo, fazer
rotação de culturas, por exemplo com o sorgo e o girassol que não são
culturas hospedeiras e realizar adubações de maneira que não haja
desequilíbrios nutricionais nas plantas, principalmente na relação
nitrogênio/potássio.
A B
Figura 55: Fusariose da espiga (A) e do colmo (B)
54
2.2.2. Principais doenças da cultura de arroz
[Link]. Mancha-parda
A mancha-parda é uma doença causada pelo fungo Bipolaris oryzae.
Provoca lesões circulares ou ovais surgem no coleóptilo, de coloração
marrom, apresentando os mesmos sintomas nas primeiras folhas. Os
sintomas típicos se manifestam nas folhas, durante ou logo após a fase de
floração e, mais tarde, nas glumelas e nos grãos. Essas lesões são
tipicamente ovais ou circulares, geralmente de coloração marrom, com
centro acinzentado ou esbranquiçado, dependendo da idade da mancha,
circundada por bordas pardo-avermelhadas.
Nos grãos as manchas são marrom-escuras, podendo se juntar, cobrindo
todo o grão. Em ataques severos todos os grãos da panícula ficam
manchados, resultando em espiguetas vazias e, consequentemente, em
redução do peso destes.
A mancha-parda é favorecida por excesso de chuvas e por baixa
luminosidade durante a formação dos grãos. Alta umidade e temperaturas
entre 20 e 30 °C são condições óptimas para a infecção e desenvolvimento
da doença. As espiguetas, logo após a emissão das panículas até a fase
leitosa dos grãos, são mais susceptíveis. Solos deficientes em nutrientes,
especialmente em potássio, manganês, sílica, ferro e cálcio, assim como
deficiência ou excesso de nitrogênio, também contribuem para o avanço
desta doença.
Figura 56: Lesões típicas de mancha-parda nos grãos e nas folhas em arroz
[Link]. Queima das glumelas
O sintoma inicial de queima das glumelas (Phoma sorghina), é observado na
forma de manchas marrom-avermelhadas, sendo o centro da lesão
apresenta coloração esbranquiçada e margem marrom. Quando as
condições são favoráveis ao desenvolvimento do fungo, principalmente com
alta precipitação, ocorre a formação de picnídios no centro da lesão e de
manchas de cor marrom-avermelhada na extremidade apical que,
posteriormente, atingem os grãos.
55
Condições favoráveis para o desenvolvimento da doença: Os maiores
prejuízos ocorrem quando há coincidência entre a emissão das panículas e
períodos de chuva. Temperaturas entre 21 °C a 28 °C e alta umidade, são
consideradas condições ideais para esta doença.
O fungo sobrevive em restos de cultura, no solo e em sementes,
permanecendo viável nas sementes por até três anos, sendo este o principal
meio de disseminação do patógeno.
56
Figura 58: Carvão da folha (Entyloma oryzae) e dos grãos (Tilletia
barclayana) em arroz
[Link]. Podridão da bainha
Os sintomas típicos da podridão da bainha (Sarocladium oryzae) aparecem
na última bainha, abaixo da folha bandeira. As lesões são oblongas, com
centro cinza ou levemente marrom, com bordas vermelhas ou marrons. Em
fase avançada da doença, as lesões coalescem, cobrindo a bainha inteira e
dificultando a emissão da panícula.
Em casos de alta severidade, as panículas não emergem e as espiguetas
apodrecem dentro da bainha. Quando emergidas, as panículas apresentam
espiguetas de coloração marrom a vermelha. Afeta o desenvolvimento dos
grãos, causando esterilidade.
A infecção normalmente está associada à ocorrência de algum inseto na
bainha. Sob alta densidade populacional de plantas e baixo nível de
nitrogênio, a incidência da doença costuma ser maior. Altas temperaturas
(28 ºC) e humidade favorecem o desenvolvimento do fungo.
57
[Link]. Vírus do enrolamento do arroz
Os sintomas do vírus do enrolamento do arroz (Rice stripe necrosis virus -
RSNV), podem ser observados a partir dos 20 dias após a semeadura. As
plantas apresentam listras amareladas nas folhas, as quais ficam
retorcidas, resultando, em muitos casos, na morte da planta. As panículas
também podem se apresentar retorcidas como as folhas, e as raízes podem
se apresentar dobradas e tornarem-se necróticas.
Alta humidade no solo, temperaturas entre 15 ºC e 18 ºC e solos com pH
neutro ou ligeiramente alcalino, são condições favoráveis à ocorrência da
doença.
58
Figura 61: Sintomas da Mancha-púrpura nas liliáceas
[Link]. Podridão branca
A podridão branca é uma das doenças mais importantes e cosmopolitas do
o alho (Allium sativum) e da cebola (Allium cepa). A doença é causada pelo
fungo Sclerotium cepivorum, mitospórico, cuja reprodução sexuada ainda
não foi descrita. O fungo sobrevive no solo ou em restos culturais por mais
de oito anos, na forma de miaoesderódios. Os miaoesderódios são a única
estrutura reprodutiva conhecida deste fungo, pois o mesmo aparentemente
não produz esporos.
A doença no campo se distribui principalmente em reboleiras. O patógeno,
quando ataca plantas de cebola e alho muito novas, pode causar
tombamento e morte. Entretanto, o mais comum são sintomas na parte
aérea das plantas, caracterizados pelo subdesenvolvimento das plantas,
amarelecimento e morte das folhas mais velhas, seguidos de morte da
planta e apodrecimento dos bulbos.
Sob condições de alta humidade, observa-se nas plantas atacadas, na
região próxima ao solo, um crescimento cotonoso branco, correspondente
ao mícélío do patógeno. Este sintoma é que dá nome à doença.
59
[Link]. Podridão-mole
A doença podridão-mole é causada principalmente pela bactéria Gram-
negativa Pectobacterium carotovorum. A infecção causa podridão-mole em
órgãos do tipo carnoso das várias espécies vegetais. Após infectado, o tecido
torna-se rapidamente amolecido, apodrece e é invadido por saprófitas.
Bulbos de cebola ao serem apertados
nestas condições expulsam um líquido
viscoso pelo pescoço com forte
impregnação de odor fétido. O sintoma
de podridão-mole é devido à acção de
várias enzimas pectinolíticas extra e
intracelulares produzidas pelas células
bacterianas, que degradam substâncias
pécticas da lamela média, causando
flacidez do tecido e resultando na doença
conhecida pelo mesmo nome. Figura 63: Podridão-mole
[Link]. Ferrugem
É uma doença causada pelo fungo Pucciniaallii. A ferrugem é considerada
uma das mais importantes doenças foliares do alho, e pode ocorrer em
qualquer fase de desenvolvimento da cultura. Os sintomas iniciais nas
folhas são pontuações esbranquiçadas no limbo foliar, que evoluem para
pústulas pequenas, circulares e de coloração alaranjada e, quando do
rompimento da cutícula, expõe uma massa pulverulenta, de coloração
amarela. À medida que a doença evolui, essa massa passa a apresentar
coloração castanho escura ou preta.
60
Os primeiros sintomas nas folhas são caracterizados por manchas de
tamanho variável, coloração verde-clara ou escura e aspecto húmido. Ao
evoluírem, essas se tornam pardo-escuras a negras, necróticas e
irregulares. Na face inferior das folhas observa-se a formação de um círculo
de esporulação ao redor das lesões. Esse círculo apresenta aspecto
aveludado e coloração branco-acinzentada. À medida que as lesões
coalescem, o tecido foliar exibe um aspecto de queima generalizada.
Nos brotos, a requeima causa a morte das gemas apicais e limita
drasticamente o crescimento vegetativo das plantas. Nos pecíolos e hastes
as lesões são escuras, alongadas, aneladas e, quando muito severas,
causam a morte de tecidos e órgãos posteriores ao ponto de infecção.
Em tubérculos as lesões são profundas, castanho-avermelhadas e pouco
definidas. A requeima é favorecida por temperaturas na faixa de 12 a 25º C
com humidade nas folhas por um período superior a 12 horas.
Figura 65: Sintomas de requeima da batata nas folhas (A) e na haste (B)
[Link]. Pinta Preta ou Mancha de Alternária
A Pinta Preta ou Mancha de Alternária é uma doença causada por fungo
Alternaria solani. Nas folhas as manchas são circulares ou elípticas, pardo-
escuras, necróticas, com a presença de anéis concêntricos, podendo
apresentar ou não halo amarelado ao redor das mesmas. As lesões em
hastes e pecíolos podem surgir em plantas adultas e caracterizam-se por
serem pardas, alongadas, deprimidas e com halos também concêntricos.
Nos tubérculos as lesões são escuras, deprimidas, circulares ou irregulares.
A polpa sob a lesão é seca, coriácea e de cor amarela a castanha. Em
condições de umidade, as lesões podem ser cobertas por um crescimento
acinzentado composto por micélio e conídios.
61
Figura 66: Pinta Preta nas folhas (A) e no tubérculo (B)
[Link]. Rizoctoniose ou Crosta Negra
A rizoctoniose ou crosta negra, causada pelo fungo Rhizoctonia solani, é
uma doença de ocorrência generalizada, típica em áreas intensamente
cultivadas.
Os sintomas em hastes jovens são caracterizados por lesões castanho-
avermelhadas, alongadas, aneladas, que podem ou não estar associadas ao
seu estrangulamento. Outros sintomas relacionados à doença são:
germinação lenta, redução do estande, crescimento desigual de-
senvolvimento limitado das plantas, amarelecimento, enrolamento de
folhas, emissão de tubérculos aéreos, tubérculos pequenos, deformados,
partidos, enrugados e associados a escleródios.
A principal via de disseminação da doença é o uso de batatas-semente
infectadas. A rizoctoniose é favorecida por solos argilosos, úmidos, mal
drenados, matéria orgânica mal decomposta, plantios profundos e
temperaturas em torno de 18º C. O fungo pode sobreviver no solo por
longos períodos, mantendo-se na forma de escleródios ou micélio,
colonizando restos de cultura.
62
[Link]. Murcha bacteriana
É uma doença causada por bactéria Ralstonia solanacearum. As plantas
infectadas apresentam murcha das folhas e dos folíolos superiores. No
início da infecção nem todas as ramas murcham ao mesmo tempo,
entretanto, com o progresso da doença, todas as ramas tornam-se
infectadas, ocorrendo a morte da planta.
As plantas podem recuperar a turgidez durante a noite ou nos períodos
mais frios do dia, mas, com o avanço da doença, a murcha é irreversível.
Via de regra, os sintomas aparecem em reboleiras e vão aumentando
radialmente com o passar do tempo.
Nos tubérculos contaminados, os sintomas podem ser notados nos tecidos
vasculares, quando os tubérculos são cortados transversalmente. A
presença de escurecimento de tecido vascular, com presença de exsudato
bacteriano, facilita o diagnóstico da doença. Em estágios mais avançados,
os feixes vasculares tornam-se escurecidos.
63
Figura 69: Sintomas da canela preta ou podridão mole na batata
[Link]. Sarna comum
É uma doença bacteriana causada por Streptomyces spp. o patógeno afecta
raízes, tubérculos, estolões e a haste em contato com o solo. Essa doença
apresenta como sintomas lesões irregulares nas superfícies dos órgãos
afectados.
Nos tubérculos, os sintomas se caracterizam inicialmente por pequena
elevação na cutícula que, ao se desenvolver, vai tornando a superfície
áspera e suberificada, resultando em dois tipos de lesões. No primeiro caso,
a parte lesionada se apresenta ligeiramente mais elevada que o tecido sadio;
no outro, as lesões são deprimidas, com os bordos ligeiramente salientes.
64
Figura 71: Sintomas da podridão negra
[Link]. Podridão mole
É uma doença bacteriana causada por Pectobacteriumcarotovorum. as
plantas infectadas apresentam no geral amolecimento dos tecidos,
exsudação de odor fétido murcha e apodrecimento.
65
Figura 73: Sintomas do mofo branco do repolho
[Link]. Ferrugem branca
A ferrugem branca é no campo, uma das doenças mais notórias e comuns
das brássicas. Em condições favoráveis de humidade e temperatura, as
perdas de rendimento podem ser de 20 a 90 %. O patógeno infecta diversas
crucíferas incluindo rúcula, brócolis, couve-chinesa, couve de bruxelas,
repolho, couve-flor, couve-japonesa, mostarda mizuna, rabanete, taisoi e
nabo. A ferrugem branca das brássicas é causada pelo oomiceto (fungo)
Albugo cândida.
Os sintomas variam de acordo com o tipo de infecção, podendo ser local,
através da invasão direta das flores, folhas e caule ou sistêmica, mediante
formação de pústulas que recobrem toda a superfície da planta, resultando
em um atrofiamento generalizado.
A infecção localizada caracteriza-se inicialmente, pela formação pústulas de
brancas, situadas na parte inferior das folhas. Na face superior da folha, é
observada coloração verde ou amarela clara, na mesma zona,
correspondente à existência das pústulas. As pústulas são formadas sob a
epiderme da planta, que com o progresso da doença tornam-se mais
visíveis.
66
[Link]. Hérnia das crucíferas
O patógeno de solo Plasmodiophora brassicae é causador da doença hérnia
das crucíferas, ele pode sobreviver no solo por até 20 anos na ausência de
um hospedeiro suscetível. A doença se desenvolve mais rapidamente em
solos quentes, húmidos e ácidos e causa inchaço e distorção dos sistemas
radiculares.
Caracteriza-se pela formação de galhas nas raízes (maiores que
meloidogynes) subdesenvolvimento e murcha da planta (nas horas mais
quentes do dia). A parte aérea apresenta enfezamento, deficiências
nutricionais, murcha, amarelecimento e no estágio severo, a morte.
67
[Link]. Míldio
Em brássicas, o míldio é considerado de maior relevância quando associada
a locais de clima ameno, especialmente nas épocas de outono e inverno,
pois nessas estações, as condições do ambiente são totalmente favoráveis à
ocorrência da doença.
A doença é causada pelo oomiceto (fungo) Peronospora parasitica. Este pode
ser encontrado causando míldio em praticamente todas as espécies da
família Brassicaceae. O patógeno penetra nos tecidos das plantas em
condições úmidas, através dos estômatos, causando sintomas
característicos como a formação de lesões foliares, de formato irregular, que
iniciam de forma clorótica e evoluem posteriormente para lesões necróticas
e irregulares.
A doença se desenvolve inicialmente nas folhas inferiores, progredindo para
as folhas mais jovens, isso ocorre geralmente ainda na fase de mudas. Na
face inferior das folhas, são observadas frutificações do fungo, de coloração
esbranquiçada e, nas inflorescências ou cabeças, são observadas lesões
húmidas e escuras.
68
A doença pode se manifestar a partir de inóculo presente no solo ou de
semente infestada. Lesões escuras surgem na base do caule (cancro-da-
haste) e podem resultar na morte de plantas jovens. O sintoma comum são
manchas circulares de cor marrom-escura (pinta-preta) nas folhas mais
velhas, delimitadas ou não por um halo amarelado. À medida que as lesões
crescem, formam-se anéis concêntricos na área necrótica, característicos
desta doença.
Ataques severos resultam em secagem das folhas mais velhas pela
coalescência das lesões. que pode expor os frutos à queima pelo sol. A não
ser em condições muito favoráveis à doença, a pinta-preta não ataca folhas
novas. Os frutos infectados, principalmente quando maduros e na região
peduncular adquirem podridão escura, conhecida como mofo-preto. No
caule, aparecem manchas marrons arredondadas ou alongadas, muitas
vezes com os anéis concêntricos bem visíveis.
69
[Link]. Murcha-bacteriana (Ralstinia solanacearum)
A Murcha-bacteriana é uma doença bacteriana que taca centenas de
espécies de plantas de mais de cinquenta famílias botânicas. O seu controlo
é muito difícil devido à alta capacidade de sobrevivência da bactéria no solo.
O primeiro sintoma da doença é a murcha das folhas na parte superior da
planta, observada principalmente no início da frutificação. A doença
aparece quase sempre em reboleiras e em áreas mais baixas e/ou mais
húmidas do solo.
70
[Link]. Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum)
O mofo-branco é uma das doenças mais destrutivas que atacam o feijoeiro
comum. As sementes infectadas morrem durante a germinação e, ao redor
delas, são produzidos três a seis escleródios (estruturas de resistência). Em
geral, os sintomas do mofo-branco iniciam-se na junção do pecíolo com a
haste, aproximadamente de 10 cm a 15 cm acima do solo com a formação
de micélio branco abundante.
O início da infecção geralmente coincide com o fechamento da cultura e o
florescimento, quando pétalas de flores senescentes são colonizadas pelo
fungo que, a seguir, invade outros órgãos da planta. Folhas, hastes e vagens
mais severamente atacadas podem apodrecer e cair. Dependendo do local e
da extensão da necrose, a planta pode amarelecer e morrer.
71
Figura 82: Sintomas de Nematoide das galhas nas raízes do feijoeiro
[Link]. Mosaico comum e necrótico
Caracteriza-se por folhas trifolioladas, com áreas verde-claras e verde-
escuras ao longo das nervuras. Outros sintomas incluem o enrolamento das
folhas e a formação de ápices voltados para baixo, e também a formação de
bolhas e o encrespamento.
As vagens, principalmente as provenientes de plantas originadas de
sementes doentes, são de tamanho reduzido, com menor número de
sementes. As lesões locais podem se desenvolver em cultivares com reações
de resistência ou de suscetibilidade. Em geral, têm tamanho e frequências
variáveis, dependendo da estirpe do vírus e da temperatura.
O sintoma de necrose sistêmica consiste da morte rápida dos tecidos
vasculares, do ápice para a base da planta, que é uma reação de
hipersensibilidade ao vírus. Aparentemente
72
Figura 84: Sintomas do Cancro cítrico
[Link]. Pinta Preta
Pinta preta ou mancha preta dos citrus, é causada pelo fungo Phyllosticta
citricarpa, como o próprio nome diz, ele causa pintas pretas nos frutos e
pode levará queda, assim reduzindo a produção, além disso pode viabilizar
a comercialização dos frutos in natura, pois apresentam manchas em sua
casca, mas não afeta a qualidade do suco.
73
[Link]. Tristeza
É uma doença causada por Vírus (Toxoptera citricidus) que provoca:
✓ Declínio em laranja Azeda: Amarelecimento geral das folhas,
necrose dos tubos crivados do porta-enxerto, podridão de radicelas e
morte da planta;
✓ Stem-pitting: Caneluras, paralisação de desenvolvimento da planta,
redução do tamanho de folhas e frutos, e sintomas de deficiência
nutricionais
Na presença de vetores eficientes do vírus da tristeza, praticamente todas
as plantas de cultivares suscetíveis são infectadas.
74
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO
75
3
RESULTADO DE APRENDIZAGEM
Monitorar, registar e reportar as
pragas e doenças predominantes
num campo agrícola específico
Monitorar, registar e reportar as pragas e doenças predominantes num campo agrícola específico
Neste resultado de aprendizagem, os formandos terão oportunidade
de aprender sobre:
a) Monitoria de pragas e doenças
✓ Conceito e importância de Monitoria.
b) Processo de monitoria de pragas e doenças
✓ Selecção da amostra;
✓ Observação como técnica de identificação de pragas e doenças;
c) Registo e cálculo da ocorrência de pragas e doenças
✓ Contagem de indivíduos presentes por planta;
✓ Definição do nível de severidade de danos causados;
✓ Contagem de plantas infestantes.
76
3.1. MONITORIA DE PRAGAS E DOENÇAS
3.1.1. Conceito e importância de monitoria
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é considerado uma das principais
estratégias na produção agrícola e consiste em agrupar dois ou mais
métodos de controlo, dentro de um sistema harmônico, direccionado a
manter as pragas abaixo do nível de dano económico.
Sob esse aspecto, a base de qualquer sistema de MIP é o monitoramento,
realizado por meio de técnicas de amostragem adaptadas a cada praga, que
seja ao mesmo tempo precisa, rápida e barata, de modo a fornecer dados
seguros para as decisões a serem tomadas, não só para o controlo de pragas
e doenças, mas também para a preservação dos inimigos naturais..
O maior aliado no controlo optimizado nas culturas agrícolas é o
monitoramento da dinâmica populacional de pragas e seus inimigos
naturais, e da evolução espacial e temporal das doenças, aliando
conhecimentos epidemiológicos e climáticos. Dentre as técnicas, destaca-se
a escala de notas, a partir da qual determina-se o grau de infestação para
definir o grau de ataque das pragas.
No entanto, a monitoria é a rotina de recolha, análise e uso da informação
sobre o decorrer da intervenção de actividades de controlo de pragas e
doenças, num determinado campo de produção agrícola. A sua finalidade é
fornecer indicações sobre o grau de progresso e de realização dessas
actividades. A monitoria é realizada por meio de indicadores, produzidos
regularmente com base em diferentes fontes de dados.
Considera-se indicador, às medidas, de ordem quantitativa ou qualitativa,
doptada de significado particular e utilizada para organizar e captar as
informações relevantes dos elementos que compõem o objecto da
observação, ou seja, é um recurso metodológico que informa empiricamente
sobre a evolução do aspecto observado.
A monitoria de pragas e doenças permite estabelecer os níveis para as
tomadas de decisões compatíveis com o controlo e a identificação dos
inimigos naturais obedecendo metodologias de amostragem, visando
utilizar um menor número de aplicações de produtos químicos, reduzindo
assim os custos de produção e preservando o meio ambiente.
3.2. PROCESSO DE MONITORIA DE PRAGAS E DOENÇAS
O processo de monitoria de pragas e doenças inclui a selecção da amostra,
observação, identificação de sintomas e organismos presentes, contagem e
registo dos danos causados.
77
3.2.1. Selecção da amostra
Para se fazer o monitoramento de pragas, é imprescindível a realização de
amostragens criteriosas, em diversos pontos das áreas de produção e nas
diferentes fases fenológicas da cultura.
Considera-se de amostra à parte representativa de uma população. A
população é o conjunto de indivíduos, objectos ou variáveis que apresentam
entre sí pelo menos uma característica em comum.
Por tanto, a amostragem, refere-se ao estudo de relações existentes entre a
população e as amostras dela extraídas.
[Link]. Época e Frequência de Amostragem
A amostragem deve ser realizada com maior frequência em períodos de
maior incidências das pragas e de maior susceptibilidade da cultura.
Geralmente em culturas anuais, hortaliças e ornamentais as amostragens
são realizadas semanalmente. Já em culturas perenes as amostragens são
realizadas quinzenalmente em períodos de maior incidências da praga e
mensalmente em períodos de menor incidência.
[Link]. Planos de amostragem
A amostragem é realizada para verificar-se o nível das populações de
pragas, doenças e/ou dos inimigos naturais nas lavouras. A amostragem
deve ser representativa da realidade, rápida (deve-se gastar no máximo uma
hora/talhão), de fácil obtenção (o agricultor deve executá-la facilmente) e
barata (não deve representar aumento significativo no custo de produção).
[Link]. Tipos de amostragem
a) Amostragem convencional
Os planos de amostragem convencional são mais simples e adequados para
usuários iniciais, e obedece aos seguintes procedimentos:
✓ Dividir a área em parcelas: Mesmo genótipo, idade, espaçamento,
sistema de condução, tipo de solo e topografia.
✓ Definir o tipo de caminhamento: O caminhamento representa a
forma de deslocamento para se fazer a amostragem.
As principais formas de amostragem convencional:
UCX Z M
O O O
O O O
O O O
78
Os retângulos correspondem a uma parcela a ser amostrado. Já as letras
ou pontinhos dentro do retângulo representam a forma de caminhamento
na parcela para colecta das amostras. A forma de caminhamento mais
usada é a em pontos distribuídos de forma regular ao longo da parcela.
b) Amostragem aleatória simples
Na amostragem aleatória simples, todos os elementos da população têm
igual probabilidade de serem escolhidos, desde o início até completo
processo de colecta de dados. A amostragem aleatória simples segue o
seguinte procedimento:
✓ 1º Enumera-se todos os elementos da população;
𝑵
✓ 2º Calcula-se o intervalo da amostragem através da razão 𝒂 = (onde
𝒏
“a” é o valor inteiro mais próximo, “N” é o tamanho da população em
estudo e “n” é o tamanho da amostra);
✓ 3º Efectua-se sucessivos sorteios com reposição até completar o
tamanho da amostra (n), fazendo-se o uso da Tabela de Números
Aleatórios em anexo.
Por exemplo
Precisa-se extrair uma amostra de 17 elementos numa população de 100
plantas. Indique, usando a Tabela de Números Aleatórios (TNA), os números
a serem sorteados.
Dados Resolução
N =100 Plantas 𝑁 100
n = 17 plantas 𝑎= = = 5,88~𝟔
𝑛 17
a =?
CL=n + a = 17+6 = 23.
Ni =?
Isso significa que na TNA, o sorteio deve começar na intercessão entre a 2ª
coluna e a 3ª linha, sendo assim, os números a serem sorteados serão: Ni =
89, 60, 70, 28, 82, 4, 48, 3, 29, 65, 73, 27, 23, 57, 81, 99 e 12.
c) Amostragem aleatória sistemática
É uma variação da amostragem aleatória simples. Sua aplicação também
requer que a população seja ordenada segundo um determinado critério, de
modo que cada elemento seja identificado pela sua posição.
79
Por exemplo
Precisa-se extrair uma amostra de 17 elementos numa população de 100
plantas. Indique os números a serem sorteados.
Dados
N=100Plantas Resolução
n= 17 plantas 𝑁 100
𝑎= = = 5,88~𝟔
a =? 𝑛 17
Ni =?
Para este exercício, escolheu-se k=3, assim teremos:
Xo = 3+0*6 = 3 X6 = 3+6*6 = 39 X12 = 3+12*6 = 75
X1 = 3+1*6 = 9 X7 = 3+7*6 = 45 X13 = 3+13*6 = 81
X2 = 3+2*6 = 15 X8 = 3+8*6 = 51 X14 = 3+14*6 = 87
X3 = 3+3*6 = 21 X9 = 3+9*6 = 57 X15 = 3+15*6 = 93
X4 = 3+4*6 = 27 X10 = 3+10*6 = 63 X16 = 3+16*6 = 99
X5 = 3+5*6 = 33 X11 = 3+11*6 = 69
Tabela 04: Tabela de Números Aleatórios (TNA)
80
3.2.2. Técnicas de amostragem
A avaliação da dimensão de uma praga pode ser feita através da
determinação do número de insectos adultos ou dos seus estados de
desenvolvimento, (ovos, larvas, ninfas ou pupas) ou indirectamente
recorrendo a índices populacionais como exúvias larvares ou pupais,
excrementos ou, mais frequentemente, a estragos causados na planta pela
praga.
As técnicas de amostragem adoptadas na estimativa do risco podem ser
directas ou indirectas.
✓ Nas técnicas de amostragem directas: Procede-se à observação de
um certo número de órgãos vegetais, por exemplo através do método
de observação visual.
✓ Nas técnicas de amostragem indirectas: Efectua-se a captura de
pragas e de auxiliares entomófagos através de dispositivos
apropriados e procede-se, posteriormente, à sua identificação e
quantificação.
Numerosas técnicas de amostragem indirectas são utilizadas, como as
armadilhas de intercepção (a técnica das pancadas, o saco de bater, a
armadilha aspiradora, a armadilha com isco), as armadilhas de atracção,
como a cinta-armadilha, e as armadilhas luminosas, alimentares,
cromotrópicas ou sexuais.
As técnicas de amostragem para determinação da intensidade de ataque
mais utilizadas são a observação visual, para a maioria das pragas, as
armadilhas de atracção, em particular as sexuais e as cromotrópicas e, por
vezes, as cintas-armadilha e as armadilhas de intercepção
[Link]. A observação visual
A observação visual ocupa uma posição privilegiada entre as técnicas de
amostragem utilizadas. É a técnica mais natural e mais fácil de pôr em
prática, pois utiliza os conhecimentos e a experiência do agricultor na sua
própria cultura e permite a adaptação permanente às reais necessidades do
momento.
A observação visual consiste na determinação periódica das pragas e das
doenças, ou dos seus estragos ou prejuízos, bem como dos auxiliares activos
na cultura, através da observação de um certo número de órgãos
representativos das plantas na parcela considerada.
Esta observação efectua-se em geral directamente na cultura, mas em
certos casos pode realizar-se a colheita de um dado número de amostras a
examinar no laboratório.
81
As pessoas que utilizam tais técnicas devem dispor de formação adequada.
Será essencial, em especial, que desfrutem de conhecimentos sobre:
✓ A cultura em causa;
✓ As pragas e doenças em questão e o tipo de estragos e prejuízos que
provocam;
✓ Ciclo biológico dos organismos nocivos, a fim de escolher as épocas
de observação e os órgãos a examinar mais adequados;
✓ Os factores de nocividade preponderantes.
Na verdade, antes de iniciar as observações é indispensável conhecer bem
o que se vai examinar. Assim, as técnicas de amostragem devem ser
adaptadas à cultura, à época e ao organismo a observar.
Consoante as épocas de observação e as pragas em questão, as principais
modalidades de observação visual abrangem:
[Link]. A técnica das pancadas
Esta técnica pode ser utilizada como:
✓ Excelente técnica de amostragem complementar, reservada a
algumas pragas particularmente difíceis de observar de outro modo;
✓ Meio de avaliação da fauna auxiliar, nomeadamente coleópteros,
himenópteros e neurópteros, muito mais difíceis de apreciar pela
observação visual;
✓ Meio de estudo do conjunto da fauna das fruteiras.
Na técnica das pancadas procede-se às capturas com um dispositivo em
forma de funil, de tecido muito liso e resistente, montado numa armação,
com uma abertura superior (40×50 cm) e munido na sua base de um frasco
de vidro ou de um saco de plástico. Com a ajuda de um pau, com uma das
extremidades envolvida por um tubo de borracha ou de plástico, dão-se três
pancadas rápidas e seguidas por ramo. Esta operação é feita em diferentes
pontos de amostragem. Deste modo, obtém-se uma amostra de artrópodos
proveniente de todos os pontos de amostragem da área.
As capturas são anestesiadas, com éter acético, no frasco de vidro ou no
saco de plástico antes da crivagem. Esta é efectuada num conjunto de
crivos, procedendo-se depois à separação e contagem dos artrópodos
presentes. Para facilitar esta operação pode utilizar-se uma placa de
separação com divisórias e reticulado, sobre a qual se agrupam os
artrópodos por famílias ou por espécies. Esta operação é efectuada de
preferência no laboratório, utilizando, se necessário, uma lupa com
ampliação adequada.
A estimativa dos artrópodos muito pequenos e numerosos pode ser
facilitada pela sua distribuição de forma homogénea sobre a quadrícula de
papel milimétrico da placa de separação. Em seguida procede-se à
82
contagem, à lupa, de algumas amostras constituídas pelos artrópodos
presentes nalguns quadrados e depois calcula-se, por extrapolação, o
conjunto da população.
O registo dos resultados de cada captura é efectuado em fichas onde se
diferenciam três categorias de artrópodos: pragas, auxiliares e indiferentes.
[Link]. As armadilhas
A utilização de armadilhas tem importância crescente, em especial após a
introdução das armadilhas sexuais. Estes dispositivos de amostragem são
indispensáveis nos serviços de avisos regionais e amplamente adaptados ao
nível da parcela.
As armadilhas são utilizadas essencialmente para fornecer informações
sobre:
✓ A época de aparecimento e de provável actividade de certas pragas ou
auxiliares;
✓ A intensidade de ataque, servindo de base à utilização dos níveis
económicos de ataque.
As técnicas de amostragem utilizando armadilhas podem agrupar-se em
duas categorias:
a) Armadilhas de intercepção: São pouco selectivas, sendo os artrópodos
capturados por aspiração causada por uma corrente de ar, pela
utilização de redes ou, ainda, através de substâncias pegajosas;
b) Armadilhas de atracção: São baseadas na resposta dos insectos a
estímulos de diferente natureza (tropismos) como o alimento, a luz, a
cor, o sexo e a procura de um local para pupar.
c) Cintas-armadilha: Constituídas por papel canelado colocado à volta do
tronco das fruteiras, permitem capturar as lagartas do bichado que aí
vão pupar. Este método possibilita a obtenção de estimativas do risco
potencial que a população larvar da praga faz correr à parcela;
d) Armadilhas alimentares: O isco utilizado pode ser diferente dos
alimentos normais do insecto, mas a sua actuação fundamenta-se na
atracção de natureza alimentar. São exemplos os vasos ou copos
contendo uma mistura atractiva e as garrafas utilizadas para capturar
as moscas-das-frutas com atractivo (sulfato de amónio ou fosfato de
amónio).
e) Armadilhas luminosas: A atracção de natureza visual é utilizada nas
armadilhas luminosas, através de luzes mais ou menos intensas e
usando sobretudo raios ultravioleta.
83
f) Armadilhas sexuais: Essencialmente baseada na acção atractiva da
fêmea (feromonas). Vários factores condicionam a eficácia de uma
armadilha sexual:
✓ O nível de emissão e a estabilidade da feromona;
✓ O intervalo de concentração da feromona na cápsula, aliás com
exigências variáveis com a espécie a atrair;
✓ A composição das feromonas, nomeadamente quanto à natureza dos
isómeros e à possível ocorrência de oxidações e polimerizações;
✓ O tipo de armadilha, a natureza das substâncias adesivas e das
cápsulas;
✓ A natureza da espécie a capturar;
✓ As condições climáticas, em particular a temperatura e o vento.
As armadilhas sexuais permitem detectar o início da presença de adultos
de bichado, de broca-dos-ramos, de lagartas-mineiras e de machos de
cochonilha.
3.3. REGISTO E CÁLCULO DA OCORRÊNCIA DE PRAGAS E DOENÇAS
Registos de ocorrência de pragas e doencas incluem a contagem de
indivíduos presentes por planta, contagem visual de indivíduos presentes
em diferentes tipos de armadilhas, contagem de plantas infestantes e
infestadas e, definição do nível de severidade dos sintomas presentes.
3.3.1. Contagem de indivíduos presentes por planta
[Link]. Métodos directos
Consistem na avaliação de sinais e sintomas de doenças, ou seja, é o método
de medição de doenças, obtido pela da contagem de plantas doentes ou
órgãos doentes, através do número e/ou percentagem (frequência) de
folhas, folíolos, frutos, ramos danificados ou infectados, sem levar em
consideração a quantidade da populacao de pragas e/ou doença em cada
planta ou órgão individualmente.
Número de plantas infestadas
Pi = x 100 onde:
Total de planta observadas
Pi – Percentagem de infestação ou incidência
Tabela 05: Classificação do grau de infestação
Grau de infestação Percentagem de infestação
Sem infestação 0%
Baixo 1-25%
Moderado 25-50%
Regular 51-75%
Elevado 76-95%
Muito elevado <95%
84
[Link]. Métodos indirectos
Consistem na determinação da população do patógeno, desde a distribuição
espacial, seus efeitos na produção, a desfolha causada. A percentagem de
ataque é classificada da seguinte forma:
Tabela 06: Classificação do nível de danos causados por pragas
Classes Percentagem de ataque (%) Nível de dano
0 0% de folhas com dano Sem danos
1 1% a 20% de folhas com danos Danos leves
2 21% a 40% de folhas com danos Danos ligeiros
3 41% a 70% de folhas com danos Danos médios
4 71% a 100% de folhas com danos Danos sérios
Para calcular a percentagem de ataque (Pa) utiliza-se a seguinte fórmula
(Mesquita et al., 2004):
𝚺 (𝑵 𝒙 𝑽)
𝐏𝐚 = 𝐱 𝟏𝟎𝟎 Onde:
(𝒏 − 𝟏)𝑵𝑻
✓ Pa - Percentagem de ataque (%) ✓ N – Número de folhas por classe
✓ n – Número das classes (5) ✓ V - Classes
✓ NT - Total de folhas amostradas
Por exemplo
Num campo de amendoim danificado por lagartas, são escolhidas ao acaso
300 folhas com objectivo de avaliar a percentagem de ataque pelas lagartas
nas folhas, distribuídas da seguinte forma: Classe 4 (200 folhas), classe 3
(10 folhas), classe 2 (30 folhas), classe 1 (40 folhas) e classe 0 (20 folhas).
Resolução
Σ (N x V) (4x200)+(3x10)+(2x30)+(1x40)+(0x20)
Pa = x 100 Pa = x100
(n−1)NT (5−1)300
800+30+60+40+0 930
Pa= x 100 Pa= x 100 = 77,5%
1200 1200
Neste exemplo a percentagem de ataque é 77,5%, que correspondem a
danos Sérios.
A formula anterimente apresentada pode ser aplicada para determinar a
percentagem de ataque usando outros órgãos da planta como raízes,
bolbos, ramos, colmos, etc.).
3.3.2. Definição do nível de severidade de danos causados
[Link]. Nível de dano económico
Corresponde a densidade populacional do organismo praga na qual ele
causa prejuízos de igual valor ao custo de seu controlo. O nível de dano
económico, embora tomado muitas vezes como um valor fixo, é variável em
função dos seguintes factores:
85
✓ Preço do produto agrícola: Quanto maior o preço do produto menor
será o nível de dano econômico);
✓ Custo de controlo: Quanto maior o custo de controlo, maior será o
nível de dano económico);
✓ Capacidade da praga em danificar a cultura;
✓ Susceptibilidade da cultura à praga.
Além dos índices como o nível de acção ou controlo são usados na decisão
de controlo de pragas o nível de não-acção. Nível de não-acção corresponde
a densidade populacional do inimigo natural capaz de controlar a
população da praga.
[Link]. Índices de tomada de decisão de controlo
Deve-se tomar decisões de controle artificial quando a população da praga
é alta (acima do nível de dado ou do nível de controlo) e a população dos
inimigos naturais é baixa (abaixo do nível de não-ação). Os métodos devem
ser seleccionados com base em parâmetros técnicos (eficácia), económicos,
ecotoxicológicos (preservem o ambiente e saúde humana) e sociológicos
(adaptáveis ao usuário).
3.3.3. Factores favoráveis à ocorrência de pragas
✓ A não adopção de medidas de controlo;
✓ Plantio de variedades susceptíveis ao ataque das pragas;
✓ Diminuição da diversidade de plantas nos agroecossistemas (o
plantio de monoculturas favorece as populações das espécies
fitófagas "especialistas" e diminui as populações dos inimigos
naturais das pragas);
✓ Falta de rotação de culturas nos agroecossistemas;
✓ Adopção de plantio directo (geralmente há um aumento de insectos
que atacam o sistema radicular das plantas);
✓ Uso inadequado de praguicidas (uso de dosagem, produto, época de
aplicação e metodologia inadequados).
Tabela 07: Níveis de controlo de Pragas da Cultura de Milho
Época de Parte
Praga Nível de controlo
ocorrência amostrada
Lagarta-do-
Até 30 dias Plantas 20% de planta atacadas
cartucho
Lagarta elasmo Até 30 dias Plantas 3% de planta atacadas
Lagarta rosca Até 30 dias Plantas 3% de planta atacadas
Larva arame Média 2 larvas/ponto
Início da Amostragem
Bicho bolo cultura preventiva Média 1 larva/ponto
86
Tabela 08: Níveis de controlo para as pragas de hortaliças
Pragas Nível de controlo
Desfolhadores 10% de desfolha
Minadores de folhas 10% de ataque
Insetos sugadores 1 insetos/ amostra
Ácaros 10% das folhas atacadas
Pragas das flores 5% das flores atacadas
Pragas de frutos (excepto moscas-das-
4% dos frutos atacados
frutas)
Moscas-das-frutas em cucurbitáceas 1 adulto/armadilha/semana
87
Tabela 11: Níveis de controlo para as cigarrinhas da Cana-de-açúcar
88
[Link]. Método de quadrados sobrepostos
Este método consiste em demarcar primeiro uma sub-área a partir de um
dos cantos da área, sendo a segunda, terceira, quarta e n…. sub-área
duplica a anterior até atingir-se o número de parcelas a serem amostradas
(Figura z). É nessas sub-áreas onde faz-se o levantamento de plantas
infestantes.
6
3
4
1 2
Figura 88: Esquema de amostragem para o levantamento de plantas
infestantes, onde 1, 2, 3, 4, 5 e 6 são pontos de amostragens.
Após a contagem e colecta de espécies infestantes em cada ponto de
amostragem, determina-se as densidades, frequências, abundâncias e
importância relativa por espécies de infestante, de acordo com as fórmulas
proposta por Mueller e Ellenberg (1974):
a) Densidade absoluta
É obtida pela contagem do número de indivíduos amostrados de uma
determinada espécie por unidade de área, conforme a equação seguinte:
Ni
Da = onde:
A
Da = Densidade absoluta;
Ni = Número total de indivíduos por espécie;
A = Área total das parcelas amostradas (m2).
b) Abundância absoluta
Corresponde às espécies que ocorrem concentradas em determinados
pontos, sendo determinada com base na formula seguinte:
Ni
Aa = onde:
Np
Aa = Abundância absoluta;
Ni = Número total de indivíduos por parcela;
Np = Número de parcelas com ocorrência da espécie.
89
c) Frequência absoluta
Corresponde ao número de vezes que uma espécie é encontrada na área de
amostragem e é calculada da seguinte forma:
Np
Fa = onde:
Nt
Fa = Frequência absoluta;
Np = Número de parcelas com ocorrência da espécie;
Nt = Número total de parcelas.
d) Densidade relativa
É a razão entre o número de indivíduos de uma certa espécie encontrada
nas amostragens e número total de indivíduos das espécies.
Densidade das espécies
Dr (%) = x 100
Densidade total das espécies
e) Abundância relativa
Correspondente ao número de indivíduos de uma determinada espécie
existente numa dada área. É determinada em relação ao número total de
indivíduos de todas as espécies existentes na área amostrada.
Abundância da espécie
Ar(%) = x 100
Abundância total das espécies
f) Frequência relativa
É determinada dividindo-se a frequência de uma espécie pela frequência de
todas as espécies encontrada nas amostragens.
Frequência da espécie
Fr(%) = x 100
Frequência total das espécies
g) Índice do valor de importância
Este valor indica quais as espécies de maior importância dentro da área
estudada, sendo obtido por meio da soma dos valores fitossociológicos
relativos (frequência, densidade e abundância), expressos em percentagem
conforme.
IVI(%) = Fr(%) + Dr(%) + Ar (%)
Por exemplo
A Tabela abaixo apresenta os dados de levantamento de infetantes
presentes no campo de Nhambalo em 5 pontos de amostragem de 4m2 cada.
Pontos de amostragem
Nome de infestante
A B C D E
Rottboellia exaltata L 1 1 1 1 1
Imperata cylindrica L. 0 8 0 5 7
Cyperus esculentus L. 4 6 5 0 3
Sorghum bicolor L. 6 0 0 8 0
Amaranthus deflexus L. 7 3 0 5 6
Digitaria horizontalis L. 0 0 32 0 0
90
a) Determine as densidades absoluta e relativa, frequências absoluta e
relativa, Abundâncias absoluta e relativas e, o Índice do valor de
importância de cada espécie.
Resolução
Aplicando as equações anteriormente descritas, ter-se-á:
Espécie infestante Fa Fr (%) Da Dr (%) Aa Ar (%) IVI (%)
Rottboellia exaltata L. 1,0 26,0 1.25 4,5 1,0 1,8 32,3
Imperata cylindrica L. 0,6 15,5 5.0 18,2 6,7 11,9 45,6
Cyperus esculentus L. 0,8 20,8 4.5 16,4 4,5 7,9 45,1
Sorghum bicolor L. 0,4 10,4 3.5 12,7 7,0 12,4 35,5
Amaranthus deflexus L. 0,8 20,8 5.25 19,1 5,3 9,4 49,3
Digitaria horizontalis L. 0,25 6,5 8.0 29,1 32,0 56,6 92,2
Total 3,85 100,0 27.5 100,0 56,5 100,0 300,0
91
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO
92
4
RESULTADO DE APRENDIZAGEM
Demonstrar compreensão sobre os
principais grupos de pesticidas e
seus usos
Demonstrar compreensão sobre os principais grupos de pesticidas e seus usos
Neste resultado de aprendizagem, os formandos terão oportunidade
de aprender sobre:
a) Os Pesticidas
✓ Conceito e finalidade do seu uso
b) Classificação dos pesticidas
✓ De acordo com a natureza da praga a controlar
✓ De acordo com a toxicidade
c) Formulação dos pesticidas
✓ Pós, Emulsões, Grânulos, Iscos e Fumigantes
✓ Métodos de Aplicação de pesticidas
✓ Factores a ter em conta na aplicação dos pesticidas
93
4.1. OS PESTICIDAS
4.1.1. Conceito e finalidades do seu uso
Os pesticidas são substâncias ou misturas de substâncias químicas
utilizadas para prevenir, destruir, repelir ou inibir a ocorrência ou efeito de
organismos vivos capazes de prejudicar as culturas agrícolas.
Os pesticidas, também são designados por agrotóxicos, produtos
fitofarmacêuticos, defensivos agrícolas ou praguicidas, a sua utilização é
destinada a:
✓ Proteger os vegetais ou os produtos vegetais de todos os organismos
prejudiciais ou a impedir a sua acção;
✓ Exercer uma acção sobre os processos vitais dos vegetais, com
excepção das substâncias nutritivas (exemplo: os reguladores de
crescimento);
✓ Assegurar a conservação dos produtos vegetais, desde que tais
substâncias ou preparações não sejam objecto de disposições
comunitárias especiais relativas a conservantes;
✓ Destruir, reduzir ou impedir o crescimento de vegetais indesejáveis
(plantas infestantes);
✓ Serem utilizados como adjuvantes.
No geral, os pesticidas são produtos destinados à defesa das plantas e da
produção agrícola, com excepção de adubos e correctivos. Na sua
composição entra uma ou mais substâncias activas responsáveis pela
prevenção ou controlo dos inimigos ou organismos nocivos. A maioria dos
Pesticidas são aplicados em pulverização sob a forma de calda e, tal como
foram descritos atrás, têm capacidade para, por si só, resolverem, com
eficácia e eficiência, os problemas para qual foram desenvolvidos e
homologados.
Contudo, no momento da preparação duma calda e com o fim de melhorar
as suas características, pode, por vezes, recorrer-se a determinadas
substâncias, misturando-as nessa calda. Estes agentes extemporâneos são
designados “adjuvantes”, não têm acção biológica, mas melhoram as
características da calda, acentuando ou imprimindo determinadas
características.
4.2. CLASSIFICAÇÃO DOS PESTICIDAS
Os pesticidas são classificados de acordo com a natureza da praga a
controlar e de acordo com a toxicidade.
4.2.1. Classificação de acordo com a natureza da praga a controlar
Quanto a natureza da praga a ser controlada, os pesticidas podem ser
classificados em Insecticidas, Acaricidas, Nematicidas, Muluscicidas,
rodenticidas, Fungicidas e Herbicidas.
94
Tabela 14: Classificação de pesticidas quanto à natureza da praga
Exemplos
Classificação Grupo químico
(produto/substâncias/agentes)
Fosfato de alumínio, arsenato de
Inorgânicos
cálcio
Extratos vegetais Óleos vegetais
Organoclorados Aldrin,* DDT,* BHC*
Insecticidas
Organofosforados Fenitrotion, Paration, Malation,
Carbamatos Carbofuran, Aldicarb, Carbaril
Piretróides sintéticos Deltametrina, Permetrina
Microbiais Bacillus thuringiensis
Inorgânicos Calda Bordalesa, enxofre
Ditiocarbamatos Mancozeb, Tiram, Metiram
Dinitrofenóis Binapacril
Organomercuriais
Acetato de fenilmercúrio
Fungicidas Antibióticos
Estreptomicina, Ciclo-hexamida
Trifenil estânico
Duter, Brestam
Compostos
Triforina, Cloraniformetam
Formilamina
Fentalamidas Captafol, Captam
Inorgânicos Arsenito de sódio, cloreto de sódio
Dinitrofenóis Bromofenoxim, Dinoseb, DNOC
Fenoxiacéticos CMPP, 2,4-D, 2,4,5-T
Carbamatos Profam, Cloroprofam, Bendiocarb
Herbicidas
Dipiridilos Diquat, Paraquat, Difenzoquat
Dinitroanilinas Nitralin, Profluralin
Benzonitrilas Bromoxinil, Diclobenil
Glifosato Round-up
Hidroxicumarinas Cumatetralil, Difenacum
Rodenticidas
Indationas Fenil-metil-pirozolona, pindona
Inorgânicos
Sulfato de cobre
Moluscocida (aquáticos)
s Carbamatos Aminocarb, Metiocarb,
(terrestres) Mexacarbato
Hidrocarbonetos
Dicloropropeno, DD
Nematicidas halogenados
Organofosforados Diclofention, Fensulfotion
Organoclorados Dicofol, Tetradifon
Acaricidas
Dinitrofenóis Dinocap, Quinometionato
*Proibidos em vários países, incluído Moçambique
95
[Link]. Insecticidas
Inseticidas são produtos à base de substâncias químicas ou agentes
biológicos destinados a eliminar insetos. Há três grandes famílias de
compostos químicos: os organossintéticos, os inorgânicos e os botânicos ou
bioinseticidas.
Com base na origem ou no grupo químico, os insecticidas podem classificar-
se em:
a) Insecticidas inorgânicos: Aqueles que apresentam na sua
composição substâncias químicas inorgânicas, como por exemplo: o
ácido cianídrico, o fosforeto de alumínio, o cianeto de cálcio, o
fosforeto de magnésio, etc.
b) Insecticidas orgânicos: aqueles produzidos por substancias
naturais, como por exemplo, o óleo mineral (hidrocarboneto), extratos
vegetais (piretrinas e óleo de soja)
Outra classificação dos insecticidas comumente usada é com base na via
de penetração, sendo assim classificados em:
a) Insecticidas de ingestão: Penetram no insecto através da armadura
bucal, ao alimentarem-se dos vegetais tratados.
b) Insecticidas de contacto: Aplicados no exterior do insecto, penetram
nele através da cutícula e da traqueia.
c) Insecticidas sistémicos: Translocados no sistema vascular das
plantas em que são aplicados, acumulam-se em diversos órgãos e
mostram-se eficazes sobre insectos com armadura bucal picadora
sugadora como por exemplo os afídeos, gafanhotos e tripes.
d) Insecticidas fumigantes: Penetram no corpo dos insectos através
das aberturas do sistema respiratório (estigmata).
e) Insecticidas residuais: Após a aplicação persistem nas superfícies
vegetais tratadas e a penetração no insecto faz-se através de zonas
menos esclerotizadas, como o tarso.
[Link]. Acaricidas
Acaricidas são produtos químicos destinados a controlar ou eliminar
ácaros, especialmente em frutas cítricas, como a laranja.
[Link]. Nematicidas
São produtos químicos destinados a controlar ou eliminar nematoides. Os
nematoides são animais que vivem nos mais diferentes habitats, sendo que
algumas espécies podem causar danos às plantas cultivadas, sendo
parasitos obrigatórios destas.
96
Os nematoides parasitos de plantas são geralmente microscópicos e
filiformes, ou seja, com o corpo em forma de fio, embora algumas espécies
de grande importância para a agricultura apresentem outras formas, na
fase adulta.
Algumas espécies podem atacar caules, folhas e flores e são importantes
para culturas de alho, morangueiro, arroz e crisântemos. Porém, do ponto
de vista económico, as espécies de nematoides mais importantes são
aquelas que parasitam o sistema radicular, bulbos e tubérculos, a exemplo
de nematoides do gênero Meloidogyne, os conhecidos como formadores de
galhas.
[Link]. Muluscicidas
São produtos químicos destinados a controlar ou eliminar os moluscos
(Caracóis e lesmas).
[Link]. Rodenticidas
Os rodenticidas, também designados de raticidas, são produtos químicos
destinados a controlar ou eliminar os roedores, especialmente para os ratos.
os rodenticidas podem ser de acção aguda ou crônicas.
a) Rodenticidas de acção aguda: Caracterizam-se por levar a morte
imediata após a sua ingestão pelo roedor.
b) Rodenticidas de acção crônica: Causam a morte do roedor após
alguns dias da ingestão do raticida. São anticoagulantes que levam a
morte por hemorragia de órgãos internos e posteriormente externa.
c) Rodenticidas de acção crônica e de dose única: Levam a morte do
roedor depois de 8 a 12 dias do consumo, estes rodenticidas de dose
única que são também denominados de 2ª geração.
[Link]. Fungicidas
Fungicidas são agentes físicos, químicos ou biológicos destinados a
combater os fungos (organismos causadores de doenças fúngica). Também
podem eliminar plantas parasíticas e outros organismos semelhantes.
Com base na actuação no Patogénio, os fungicidas podem ser:
a) Preventivos (ou protectores ou profiláticos): Impedem a germinação
dos esporos e evitam a contaminação da planta pelo fungo.
b) Curativos (ou terapêuticos): Actuam após se ter dado a contaminação
pelo fungo.
c) Erradicantes (ou anti-esporulantes): Destroem os esporos já
formados e impedem a formação de novos esporos.
97
[Link]. Herbicidas
Herbicidas são produtos destinados a eliminar ou impedir o crescimento
de plantas infestantes. Com base no modo de acção os herbicidas podem
ser classificados em:
a) Herbicidas de Contacto: Provocam a morte das partes das plantas
que entram em contato com o herbicida. Ex: paraquat (Gramoxone).
b) Herbicidas Sistêmicos: translocam no interior da planta provocando
sua morte. Ex: gliphosate (Roundup).
Quanto à selectividade, podem ser:
98
Por outro lado, sob condições comparáveis de forma física, concentração e
dosagem, podem ocorrer fenómenos químicos e físico-químicos mais tóxicos
que o produto original, como no caso do princípio activo Parathion,
aumenta seis vezes a sua DL-50 no organismo.
Quanto a toxicidade os pesticidas são agrupados em quatro (4) classes
toxicas:
✓ CLASSE I - Extremamente tóxicos: Somente devem ser utilizados
por operadores profissionais licenciados, que tenham um bom
conhecimento da química, usos, perigos e precauções no uso.
✓ CLASSE II - Altamente tóxicos: Devem ser utilizados por operadores
que aplicam, seguindo estritas condições controladas e
supervisionadas por operadores treinados.
✓ CLASSE III - Medianamente tóxicos: Seus operadores devem
observar as normas rotineiras de segurança na aplicação. Esta
categoria inclui pesticidas altamente tóxicos e todos os que possuem
efeitos adversos para o ambiente e aqueles cujo uso descontrolado
não é desejável.
✓ CLASSE IV - Pouco tóxicos: Utilizados por operadores treinados que
observem medidas de protecção rotineiras. Esta categoria inclui
pesticidas comercialmente liberados, excluído o uso pelo público em
geral.
Para a identificação da Classe, os rótulos contêm em sua parte inferior uma
faixa colorida para indicar o grau de toxicidade conforme apresentado na
tabela seguinte:
Tabela 15: Classificação dos pesticidas de acordo com a toxicidade
Classe Toxicidade DL50 (mg/Kg) Faixa colorida
I Extremamente tóxico ≤5 Vermelha
II Altamente tóxico Entre 5 e 50 Amarela
III Medianamente tóxico Entre 50 e 500 Azul
IV Pouco tóxico Entre 500 e 5.000 Verde
99
Portanto, torna-se necessário conhecer-se com segurança suas principais
características físico-químicas como:
a) Solubilidade em água e solventes orgânicos: Em alguns casos, o
ingrediente activo pode apresentar solubilidade nula ou ser altamente
solúvel em água e, em outros casos, é preciso ser diluído em solventes
orgânicos biologicamente compatíveis.
b) Ponto de fusão: Quando o ingrediente activo precisa ser moído para
formulações pó molhável, pó seco ou suspensões concentradas, é
essencial conhecer o seu ponto de fusão.
c) Estabilidade química: O conhecimento da estabilidade química é
importante e útil para definir qual tipo de formulação poderá ser
desenvolvido. É o caso, por exemplo, quando o ingrediente activo tem
facilidade de se hidrolisar. Neste caso, não é seguro uma formulação
caracterizada como suspensão aquosa.
4.3.1. Tipos de formulações
Os pesticidas podem ser encontrados no mercado nas seguintes
formulações:
[Link]. Pó seco (P)
É aplicado conforme vem das fábricas, não devendo ser concentrado,
contendo geralmente de 1% a 10% do ingrediente activo.
[Link]. Pó Molhável (PM)
O produto recebe um agente molhante (água), a fim de permitir que na
mistura com água forme suspensões doptadas de grande estabilidade. O
produto é aplicado em suspensão aquosa e o veículo é a água. A água ajuda
a adesão do produto na folha, mas o sólido precisa ter pequena dimensão.
Essa formulação apresenta menor problema de decomposição catalítica em
comparação ao pó seco, em virtude de apresentar concentração mais
elevada.
[Link]. Pó Solúvel (PS)
O produto sólido é dissolvido em água, formando uma solução. É a
formulação ideal, uma vez que a mistura é perfeita.
[Link]. Granulado (G)
Formulados em pequenos grânulos, onde o ingrediente activo está
associado ao inerte. São empregados comumente para controlo de pragas
de solo e pragas sugadoras da parte aérea das plantas, por meio dos
sistêmicos granulados, pois eles são absorvidos pelas raízes e translocados
para os brotos, folhas e frutos.
100
Os grânulos são formulados para os seguintes fins:
a) Isca formicida: Para saúvas e quenquéns, possuindo uma baixa
concentração do pesticida. As iscas podem ser de bagaço de laranja,
farinha de mandioca, etc.
b) Insecticida de solo: Usado em concentração máxima de 10% devido
à baixa DL50 do produto.
c) Tratamento de plantas: A cana-de-açúcar e o milho podem receber
granulados para controlo de certas pragas em sua parte aérea, pois
os grânulos ficam retidos nas axilas das folhas.
[Link]. Concentrado Emulsionável (CE)
O produto é dissolvido em determinados solventes, em concentrações
geralmente elevadas, adicionados a substâncias emulsificantes. Em
mistura com água formam emulsões, geralmente de aspecto leitoso.
[Link]. Soluções concentradas (SC)
Existem dois tipos:
a) Para diluição em água ou óleo: Diversos pesticidas sistêmicos são
soluções para diluição em água. Os produtos para diluição em óleo,
geralmente, são herbicidas.
b) Soluções em ultrabaixo volume: O produto é oleoso e exige
aparelhamento especial para sua aplicação. A economia de mão-de-
obra é grande, pois o pesticida é aplicado em alta concentração,
usando-se no máximo 8 L/ha. Por exemplo: malation, fenitrotion,
clorpirifós, dimetoato, carbaril, etc.
[Link]. Aerossóis
Os pesticidas recebem solventes altamente voláteis que em contacto com o
meio ambiente, evaporam-se, deixando os insecticidas em suspensão no ar,
na forma de finíssimas partículas.
[Link]. Gasosos
Os pesticidas são encontrados na forma líquida ou sólida, dentro de
embalagens hermeticamente fechadas e quando entram em contacto com o
ar, transformam-se em um gás fumigante. É utilizado para controlar pragas
de solo e de grãos armazenados. Por exemplo: Fosfina.
[Link]. Suspensão líquida (F)
Formulação de ingrediente activo sob a forma de uma dispersão de
partículas sólidas micronizadas, em meio líquido, para uso no campo após
diluição em veículo líquido, que pode ser água ou uma emulsão de óleo em
água. Por exemplo: Carbofuran 350F.
101
[Link]. Pastas
É o caso da fosfina em pasta, utilizado para controlo de coleobrocas em
fruteiras. É encontrado no comércio em bisnagas. A pasta bordalesa, para
a protecção de ferimentos e cortes, também se enquadra nessa categoria.
[Link]. Microencapsulada
O pesticida é envolvido por uma parede fina e porosa de um material do
grupo dos polímeros (microcápsula) que permite a liberação mais lenta do
produto com maior segurança para o aplicador. Reduz a volatilização, a
fitotoxicidade e a degradação ambiental. Após aplicação, o ingrediente
activo é liberado lentamente por permeação da parede da cápsula.
4.3.2. Métodos de Aplicação de pesticidas
Os métodos de aplicação em uso actualmente podem ser agrupados em
aplicações por via sólida, líquida ou gasosa, de acordo com o estado físico
do material a ser aplicado. Dentre esses, o método predominante é aquele
que usa a água como diluente.
[Link]. Aplicação via sólida
Uma das principais vantagens da aplicação por via sólida é a não utilização
da água, o que dispensa diluição pelo usuário. Nessas aplicações, as
formulações estão prontas para o uso em concentração adequada para o
campo. Entretanto, o transporte de grandes quantidades de materiais
inertes sólidos, que integram a formulação, faz aumentar substancialmente
o custo da unidade do ingrediente activo.
[Link]. Aplicação via líquida ou Pulverização
Existe uma grande diversidade de máquinas pulverizadoras que podem ser
agrupadas de acordo com o sistema de pulverização do líquido, ou seja, pelo
sistema que se utiliza para que uma massa líquida seja transformada em
pequenas gotas, dependendo do tipo de bicos.
[Link]. Aplicação via gasosa ou Fumigação
O produto preparado na forma sólida (pastilhas ou pasta) ou líquida, ao
entrar em contacto com o ar volatiliza, liberando um gás fumigante. A
aplicação por via gasosa é bastante restrita, devido às dificuldades
associadas ao processo.
4.3.3. Factores a ter em conta na aplicação dos pesticidas
O sucesso da aplicação não depende somente de um bom equipamento e do
pesticida usado de forma correcta. Depende também de factores a serem
considerados no campo, com orientação especializada. Quatro são os
factores a serem considerados como fundamentais:
102
[Link]. Época adequada de aplicação
Consiste em escolher o momento ideal para a aplicação de um defensivo,
em razão das características do produto e das condições do campo, tais
como:
✓ Nível de infestação das pragas, patógenos ou plantas daninhas.
✓ Estágio de infecção das doenças.
✓ Estágio de desenvolvimento das plantas daninhas.
✓ Condições climáticas.
[Link]. Boa cobertura
Uma boa cobertura consiste em atingir o alvo biológico com uma boa
uniformidade de distribuição, evitando sobreposições e faixas sem
aplicação.
[Link]. Dosagem correcta
Fator indispensável na aplicação de qualquer defensivo. A manutenção da
dose certa em todo o processo assegura economia. A dose excessiva, além
de provocar danos à cultura pela fitotoxicidade, naturalmente eleva os
custos. A dose correcta assegura maior eficiência no controlo, inclusive com
a garantia de efeito residual do produto.
[Link]. Segurança na aplicação
Durante a aplicação de um pesticida, qualquer que seja sua classe
toxicológica, todas as precauções devem ser tomadas para que não haja
intoxicação do aplicador, cuidando-se para que o meio ambiente seja
preservado.
4.4. RISCOS NO USO DOS PESTICIDAS
Para quem utiliza um pesticida, o perigo reside na sua toxicidade, quase
sempre associada à substância activa e por vezes a alguns formulantes.
O risco define-se como a probabilidade de os efeitos ocorrerem face a uma
dada situação de exposição:
✓ Risco = Toxicidade x Exposição
Para cada produto, a toxicidade expressa-se pelo símbolo toxicológico e é
um valor fixo. Assim, a redução do risco passa pela redução da exposição
via oral, dermal ou inalação ou, no limite, através do uso de equipamentos
de protecção individual (EPI).
4.1.1. Riscos para a saúde humana
Os pesticidas, como visto, são constituídos por uma grande variedade de
substâncias químicas ou produtos biológicos. São produtos desenvolvidos
para matar, exterminar, combater, dificultar a vida. Assim, por actuarem
sobre processos vitais, em sua maioria, os pesticidas têm acção sobre a
constituição física e a saúde do ser humano.
103
Os efeitos sobre a saúde podem ser de dois tipos:
104
✓ Perda do apetite
Fenoxiacéticos ✓ Enjôo e Vômitos ✓ Cânceres
✓ Fasciculação ✓ Teratogênese
muscular
✓ Sangramento
✓ Lesões hepáticas
nasal
✓ Dermatites de
Dipiridilos ✓ Fraqueza
contacto
✓ Desmaios
✓ Fibrose pulmonar
✓ Conjuntivites
[Link]. Vias de Intoxicação
No geral, existem quatro (4) vias de entrada de pesticidas no organismo
humano a saber:
a) Via dérmica: Ocorre não somente pelo contacto directo com os
pesticidas, mas também pelo uso de roupas contaminadas ou pela
exposição contínua à névoa do produto, formada no momento da
aplicação. O produto também pode entrar via ferimentos no corpo do
aplicador;
b) Via oral: É a penetração do produto pela boca. Pode ocorrer durante
o trabalho, quando o aplicador come, bebe ou fuma enquanto
manipula os produtos ou por práticas erradas na execução do
trabalho;
c) Via respiratória: O produto penetra quando o aplicador respira sem
a utilização de máscaras. O indivíduo pode inspirar vapores, gotas
minúsculas da pulverização, partículas minúsculas do pó em
suspensão no ar e gases. Apenas as partículas minúsculas atingem
os pulmões, mas as partículas maiores podem penetrar pelas
narinas, daí para a garganta e serem engolidas em seguida;
d) Via ocular: Alguns pesticidas que permanecem no ar causam
irritação nos olhos e conjuntivite, o que mostra que a penetração dos
agentes químicos pode se dar também pela vista.
4.4.2. Riscos para o meio ambiente
A larga utilização dos pesticidas no processo de produção agropecuária,
entre outras aplicações, tem trazido uma série de transtornos e
modificações para o ambiente, seja pela contaminação das comunidades de
seres vivos que o compõem, seja pela sua acumulação nos segmentos
bióticos e abióticos dos ecossistemas (biota, água, ar, solo, sedimentos etc.).
105
uma população específica de animais ou plantas, a dispersão de agrotóxicos
no ambiente pode causar um desequilíbrio ecológico na interação natural
de duas ou mais espécies. Outro importante impacto ambiental causado
por pesticidas é a contaminação de colecções de águas superficiais e
subterrâneas.
106
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO
1. Defina pesticida.
107
5
RESULTADO DE APRENDIZAGEM
Preparar a aplicação de pesticidas
usando pulverizadores manuais
Preparar a aplicação de pesticidas usando pulverizadores manuais
Neste resultado de aprendizagem, os formandos terão oportunidade
de aprender sobre:
a) Rótulos dos pesticidas
✓ Toxicidade, formulação, organismos que controla e dose
b) Escolha do equipamento de pulverização manual
✓ Pulverizador costal manual
✓ Pulverizador a pilhas com discos rotativos manual e costal
✓ Pulverizador costal motorizado (atomizador)
c) Regulagem e calibração do pulverizador manual
✓ Correcto funcionamento dos bicos
✓ Quantidade de calda por unidade de área
d) Local de preparação do pulverizador e da calda
108
5.1. RÓTULOS DOS PESTICIDAS
O rótulo é considerado como o cartão de identidade do pesticida, pois, ele
sintetiza e reflecte a generalidade dos estudos feitos, que se distribuem por
áreas como:
a) Biologia: Eficácia, fitotoxicidade, possíveis efeitos nas culturas
seguintes e eventuais problemas de resistência.
b) Físico-química: Identidade da substância activa, produto formulado,
impurezas, propriedades físico-químicas, métodos de análise e
adequabilidade das embalagens;
c) Toxicologia e metabolismo: Propriedades toxicológicas e efeitos na
saúde humana.
d) Comportamento no ambiente: Dinâmica de comportamento no solo,
água, ar (degradação, persistência, dissipação, acumulação,
mobilidade ou lixiviação e volatilização), precauções ambientais.
e) Ecotoxicologia: Avaliação de risco para espécies não visadas.
f) Risco para o consumidor: Intervalos de Segurança e Limites
Máximos de Resíduos.
5.1.1. Principais componentes do rótulo
No Rótulo de um produto há que considerar quatro (4) campos com quatro
(4) tipos de informações distintas:
a) Identificação do produto e da empresa
✓ Nome comercial;
✓ Designação da substância activa;
✓ Tipo de formulação;
✓ Composição quantitativa e qualitativa;
✓ Conteúdo líquido;
✓ N.º de autorização de venda (av);
✓ N.º de lote;
✓ Nome, endereço e contacto do titular da AV;
✓ Frase: «Manter fora do alcance das crianças»;
✓ Frases derivadas da Directiva das Preparações Perigosas: «Este
produto destina-se a ser utilizado por agricultores e outros
aplicadores de pesticidas»; «Para evitar riscos para os seres humanos
e para o ambiente, respeitar as instruções de utilização».
b) Finalidades e usos
✓ Que tipo de produto: fungicida, insecticida, herbicida, etc.;
✓ Que patogénios, pragas e infestantes que controla, sua identidade.
109
c) Condições de utilização
✓ Modo de preparar a calda;
✓ Doses ou concentrações preconizadas;
✓ Número de aplicações;
✓ Intervalo entre aplicações;
✓ Fases fenológicas aconselhadas;
✓ Volume de calda.
d) Precauções toxicológicas, ecotoxicológicas e ambientais
✓ Símbolos toxicológicos (homem e ambiente);
✓ Classe toxicológica (faixa colorida: vermelha, amarela, azul ou verde)
✓ Frases de risco;
✓ Frases de segurança;
✓ Intervalo de segurança (IS);
✓ Tratamento de emergência em caso de acidente.
Não haverá tratamentos bem executados caso o operador não tenha lido e
interpretado devidamente o conteúdo do rótulo. Por isso, antes de usar um
pesticida, aconselha-se ler devidamente o rótulo e cumprir integralmente o
que nele se recomenda.
110
Assim, saber identificar tal equipamento também é um passo muito
importante.
5.2.1. Pulverizador costal manual
Também designado de pulverizador a pressão com jacto lançado. Quando
da sua escolha, deve-se fazer opção dentre os vários tipos oferecidos pelos
fabricantes de pulverizadores. Além do custo a ser considerado, algumas
boas características desses pulverizadores também devem ser levadas em
conta.
[Link]. Constituição do pulverizador costal manual
a) Alças: As alças devem ser largas (> 5 cm) para o peso do pulverizador
se distribua de forma confortável sobre os ombros. Necessitam estar
firmemente presas a ambos os extremos do pulverizador e ser
facilmente ajustáveis, sem a necessidade de retirar o equipamento
das costas do operador. As presilhas que ligam as alças ao tanque
não devem estar presas com rebite, pois enfraquecem o tanque e
podem ser uma fonte para vazamentos com o desgaste.
b) Tanque: Os tanques de polipropileno moldados por sopro são
melhores que os moldados por injeção, pois são menos propensos a
trincar devido à queda brusca, tal como queda do pulverizador. O
desenho do tanque deve permitir que ele se esvazie por completo para
evitar sobras de produto fitossanitário no mesmo ou na bomba, após
a limpeza recomendada ter sido realizada.
c) Tampa do tanque: O orifício de abastecimento deve ser largo o
suficiente para facilitar a operação sem derramamento. Além disso
deverá ser de fácil limpeza, possuir um filtro “fundo-de-cesta”, com o
respiro da tampa protegido contra vazamento.
d) Alavanca: Deve-se colocar o pulverizador às costas, ajustar as alças
correctamente e verificar se a posição da alavanca permite um curso
completo da bomba, a uma velocidade constante. Se a alavanca puder
ser trocada do lado direito para o esquerdo, o pulverizador será mais
versátil, adaptando-se aos vários tipos de usuários e permitindo
revezamento do braço do operador.
e) Mangueiras: Recomenda-se que tenham braçadeiras com parafuso
de aperto para fixação nos conectores. O facto das braçadeiras
poderem ser facilmente apertadas, evitará vazamentos.
f) Lança: O bico deve ser facilmente trocável. Alguns pulverizadores
mais baratos podem possuir o bico fixo, que não pode ser substituído,
os quais devem ser evitados. O conjunto de válvula de gatilho deve
ser facilmente desmontável.
111
O peso do pulverizador abastecido deve ser inferior a 25 kg para evitar a
sobrecarga do operador. O peso dos pulverizadores com componentes
plásticos é geralmente menor que o dos pulverizadores com componentes
metálicos. De uma forma geral, o pulverizador deve ser o mais leve possivel,
sem comprometer a resistência.
5.2.2. Pulverizador a pilhas com discos rotativos manual e costal
É um equipamento de duplo mecanismo de acionamento, sendo utilizado
tanto de forma manual (através de alavanca), como de forma elétrica
(através de bateria ou pilha). Esse equipamento é indicado para aplicação
de todos os tipos de herbicidas, insecticidas, pesticidas, fertilizantes e
desinfetantes.
Figura 90: Pulverizador costal manual (A), a pilhas com discos rotativos (B)
5.2.3. Pulverizador costal motorizado ou atomizador
Ao pensar na escolha de um pulverizador costal motorizado em vez de um
pulverizador bombeado manualmente (como no caso do pulverizador costal
acionado por alavanca), os seguintes pontos devem ser considerados:
✓ Alto custo inicial do pulverizador costal motorizado;
✓ Requerem mais manutenção e serviços regulares do que os
pulverizadores manuais;
✓ Produzem uma proporção relativamente alta de gotas pequenas e,
portanto, geralmente não são apropriados para herbicidas;
✓ São muito mais pesados do que os pulverizadores manuais e,
portanto, são mais desconfortáveis e cansativos de se usar por longos
períodos.
112
Figura 91: Constituição de um pulverizador costal motorizado
5.3. REGULAGEM E CALIBRAÇÃO DO PULVERIZADOR MANUAL
O principal objectivo da regulagem e da calibração é diminuir as perdas dos
pesticidas, aumentar a eficiência da aplicação e reduzir ao máximo a
contaminação do operador e do meio ambiente.
5.3.1. Regulagem do pulverizador
A regulagem do pulverizador consiste em ajustar a velocidade do operador
durante a pulverização, tipos de bicos usados e a altura da lança do
pulverizador às características da cultura e dos produtos a serem utilizados.
[Link]. Tipos de bicos
Os bicos de pulverizadores são pequenos equipamentos utilizados para
distribuir defensivos agrícolas nas lavouras. No entanto, sua selecção
adequada é essencial para que a aplicação seja realizada de forma eficaz e
o resultado seja benéfico para a produtividade e qualidade.
Na escolha de bicos para um pulverizador é importante conhecer bem as
suas diferentes opções. Entre as principais, temos o bico de leque, cuja
distribuição se parece com uma abertura de leque, e o bico de cone, com
formato circular.
a) Bico de leque
Esse tipo de bico apresenta duas subdivisões: O leque plano padrão e o
plano uniforme. Suas principais diferenças estão na distribuição de volume.
Os bicos de leques podem ser simples ou duplos.
113
✓ Bico de leque plano padrão é o mais usado em equipamentos
de pulverização de barra, pois necessita do encontro dos jactos para
garantir a aplicação perfeita do produto. Esses são os mais indicados
para a aplicação de defensivos em áreas amplas e, para tal, trabalham
de maneira eficaz com pressões entre 2 e 4 bar.
✓ Bico de leque plano uniforme oferece uma distribuição de dose
consistente para todos os tipos de aplicação, não precisando de
sobreposição. Geralmente é usado com pulverizadores costais
manuais e para tratamentos de áreas específicas.
b) Bicos de cone
Os bicos de cone, por sua vez, são divididos em cone oco ou vazio e cone
cheio:
✓ Os bicos de cone oco ou vazio distribuem o produto de forma uniforme
e radial, evitando a formação de gotículas no núcleo, sendo
amplamente empregado em atomizadores de barra e turbo-
atomizadores. Um exemplo de sua relevância está no facto de alguns
defensivos agrícolas precisarem ser comumente pulverizados em
culturas com grande massa foliar, o que demanda um bico que
proporcione cobertura maior.
✓ Os bicos cone cheio é ideal para a pulverização em áreas de alta
densidade foliar, sendo ideais para aplicação de defensivos sobre o
solo e sistêmicos, pois distribuem o produto de forma circular e no
centro.
114
5.3.2. Calibração do pulverizador
A calibração, por sua vez, consiste em verificar a quantidade de calda a ser
utilizada por unidade de área (hectare).
Procedimentos da calibração:
a) Demarcar uma área de 10 m x 10 m (100 m2) na cultura.
b) Abastecer o pulverizador somente com água e marcar o nível no
tanque.
c) Colocar o pulverizador nas costas e ajustar as alças.
d) Pulverizar a área marcada a uma velocidade confortável e que seja
sustentável nas condições normais da área que será pulverizada
(subida, descida, evitando obstáculos etc.) no período de trabalho
normal.
e) Medir a quantidade de água necessária para reabastecer o tanque do
pulverizador até a marca feita anteriormente, com recipiente
graduado.
f) Repetir essa operação por mais duas vezes e calcular a média do gasto
de água.
g) Determinar o volume de aplicação em 1 hectare, multiplicando por
100, o volume aplicado em 100 m2.
h) Ler o rótulo do produto para verificar se este volume está dentro dos
limites recomendados. Se o volume obtido for superior ou inferior a
10% do volume recomendado no rótulo, troque o bico para uma de
vazão maior ou menor, conforme o caso. Caso haja necessidade da
troca do bico, o procedimento de calibração deve ser repetido.
i) Calcular o número de tanques que serão gastos em um hectare,
dividindo a quantidade de água gasta por hectare pelo volume do
tanque do pulverizador.
j) Ler o rótulo do produto para identificar a dosagem recomendada.
5.3.3. Quantidade de calda por unidade de área
A determinação da quantidade da calda é feita mediante as recomendações
patentes no rótulo de cada produto.
Se a dosagem estiver recomendada por hectare, deve-se calcular a
quantidade de produto a ser colocada no tanque a cada reabastecimento
em função do número de tanques por hectare.
Por exemplo 1
Pretende-se pulverizar uma área de 4.5 ha, usando um pulverizador costal
de 16L. Após calibração, a taxa de aplicação foi de 200 L/ha.
115
a) Calcule a quantidade do pesticida a ser colocado em cada
reabastecimento, tendo em conta a recomendação dada no rótulo
para o produto de 1.5 L/ha.
b) Calcule a quantidade do produto a ser usado para cobrir a área toda.
a) Calcule o número de vezes que o pulverizador deverá ser reabastecido
para uma área de 1 ha.
Resolução
a) 1.5 L ----- 200 L de água b) 1.5 L ------- 1 ha
X -------- 16 L de água X ---------- 4.5 ha
X = (1.5 L * 16 L)/200 L X = 1.5 L * 4.5 ha
X = 0.12 L por tanque X = 6.75 L
Ou 1 tanque--- 0.12 L do pesticida
c) 1 tanque -----16 L de água
X ------------1.5 L do pesticida
X ----------200 L de água
X = 1.5 L/ 0.12 L
X = 200 L/ 16 L
X = 12.5 tanques X = 12.5 tanques
Se a dosagem estiver recomendada em concentração, deve-se calcular a
quantidade de produto a ser colocado no tanque a cada reabastecimento
em função da capacidade do tanque.
Por exemplo 2
Pretende-se pulverizar uma área de 3 ha, usando um pulverizador costal de
20 L. Após calibração, a taxa de aplicação foi de 310 L/ha.
a) Calcule a quantidade do pesticida a ser colocado em cada
pulverizador, tendo em conta a recomendação dada no rótulo para o
produto de 75 ml/120 L.
b) Calcule o número de vezes que o pulverizador deverá ser reabastecido
para uma área de 1 ha.
c) Calcule a quantidade do produto a ser usado para cobrir a área toda.
Resolução
a) 75 ml ----120 L de água b) 1 tanque-----20 L
X------------16 L de água X ----------- 310 L
X = (75 ml * 16 L)/120 L X = 310 L / 20 L
X = 10 ml por tanque X = 10.5 tanques
c) 1 tanque ---------10 ml 105 ml ------- 1ha
10.5 tanques ---- X X -------------- 3 ha
X = 10.5 * 10 ml X = 105 ml * 3 ha
X = 105 ml/ha X = 315 ml
116
5.5. LOCAL DE PREPARAÇÃO DO PULVERIZADOR E DA CALDA
O preparo da calda pode ser realizado pela adição directa do produto no
tanque (quando são utilizados produtos na formulação líquida) ou pela pré-
mistura (para produtos na formulação de pó molhável). É considerada a
actividade de maior risco, pois o usuário irá manipular o produto puro,
altamente concentrado.
Sendo assim, os cuidados devem ser tomados antes, durante e após a
aplicação dos pesticidas.
5.4.1. Cuidados a serem tomadas antes das aplicações
✓ Ler o rótulo do produto a ser preparado e seguir correctamente as
suas instruções;
✓ Abrir cuidadosamente a embalagem;
✓ Escolher um local adequado para realizar a operação, com bastante
ventilação, longe de casas, crianças e animais;
✓ Colocar devidamente os Equipamentos de Proteção Individual;
✓ Ao esvaziar embalagens rígidas (plásticas, metálicas e de vidro), de
produtos que são diluídos em água, proceder a tríplice lavagem;
✓ Fechar completamente as embalagens dos produtos;
✓ Realizar a lavagem dos utensílios utilizados, pelo menos três vezes,
colocando a calda dentro do pulverizador;
✓ Encher o tanque até o nível recomendado. Fechar bem a tampa do
pulverizador e certificar-se de que não há vazamentos.
✓ Se ocorrer contaminação, lavar imediatamente com sabão;
✓ Juntar o material após o preparo da calda, como copo medidor, balde,
panos, balanças, água e sabão. Nunca utilizar esse material em
outras actividades;
✓ Calibrar o equipamento de aplicação, colocando apenas água no
tanque;
✓ Seguir rigorosamente as dosagens recomendadas pelo técnico
responsável.
5.4.2. Durante as aplicações
✓ Evitar contaminação do meio ambiente;
✓ Não desentupir o bico do equipamento com a boca;
✓ Estar sempre acompanhado quando aplicar defensivos muito tóxicos;
✓ Não fazer aplicações contra o vento;
✓ Aplicar nas horas mais frescas do dia;
✓ Não beber, fumar ou comer durante as aplicações.
117
5.4.3. Após as aplicações
✓ Caso sobre calda após as aplicações, diluir e aplicar em carreadores
e bordaduras;
✓ Todas as embalagens de pesticidas, quando vazias, devem ser
descontaminadas através da tripla lavagem, tomando-se os devidos
cuidados para que não se contamine rios, lagos ou quaisquer cursos
de águas superficiais ou subterrâneos;
✓ Lavar o pulverizador com água;
✓ Realizar a tríplice lavagem e levar as embalagens vazias perfuradas
até o depósito;
✓ Tomar banho com água fria e sabão e trocar de roupa.
Todos os locais ou áreas usadas para a mistura ou aplicação dos químicos
devem situar-se a 50m dos cursos de água e, para a identificação destas
áreas, deve-se montar placas ou sinais como o propósito específico como:
✓ Perigo;
✓ Entrada proibida;
✓ Não fumar, beber e comer.
ATENÇÃO!
É importante tomar cuidado com os diferentes pesticidas e antes de os
utilizar, leia sempre os rótulos das embalagens e informe-se sobre os efeitos
que podem provocar no organismo humano, os sistemas aquáticos e o meio
ambiente.
118
EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO
119
6
RESULTADO DE APRENDIZAGEM
Aplicar o pesticida usando
pulverizadores manuais
Aplicar o pesticida usando pulverizadores manuais
Neste resultado de aprendizagem, os formandos terão oportunidade
de aprender sobre:
a) Técnicas de aplicação dos pesticidas
✓ Aplicação localizada
✓ Aplicação de cobertura total;
✓ Aplicação pré-emergência e pós-emergência
b) Critérios de aplicação dos pesticidas
✓ Velocidade de deslocação e o ritmo de bombagem do operador;
✓ Altura do bico;
✓ Direcção do movimento do operador
c) Medidas de segurança
✓ Equipamentos de proteção individual
✓ Medidas de higiene durante e após a aplicação dos pesticidas
d) Condições de armazenamento dos pesticidas
✓ Construção dos armazéns
✓ Localização dos armazéns
✓ Regras de armazenagem
✓ Higiene e segurança
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6.1. TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DOS PESTICIDAS
Trata-se de um agrupamento de processos que podem utilizar-se para que
se consiga uma distribuição dos produtos de forma adequada ao objectivo
pretendido. Assim, um dos mais importantes factores de eficácia nas
condições de aplicação, obrigam à adoção de precauções importantes. No
entanto, a aplicação dos pesticidas pode ser feita:
a) Em cobertura total: Quando o pesticida é aplicado por forma a
garantir maior interceptação possível das gotas na superfície das
plantas. No geral, esta técnica é usada para pragas de hábitos diurnos
e de fácil alcance pela pulverização.
b) De forma localizada: Quando o pesticida é direccionado
exclusivamente ao alvo, de modo a alcançar a maior eficácia nos
resultados. Esta técnica é comumente recomendada para as pragas
de hábitos noturnos (por exemplo a lagarta do funil do milho), as
brocas do tronco das fruteiras e todas aquelas de difícil alcance com
a aplicação em cobertura total.
c) Em pré-emergência e pós-emergência: Esta técnica é geralmente
recomendada para o controlo de plantas infestantes usando
herbicidas, conforme explicado no Resultado de Aprendizagem 4
(classificação dos herbicidas quanto ao modo ou momento de
aplicação).
6.2. CRITÉRIOS DE APLICAÇÃO DOS PESTICIDAS
6.2.1. Velocidade de deslocação e o ritmo de bombagem do operador
Durante a aplicação, deve-se manter a velocidade e o movimento da
alavanca (bombeamento) o mais constante possível, de acordo com o ritmo
realizado durante a calibragem, para proporcionar a formação de gotas de
maneira uniforme.
6.2.2. Altura do bico
Durante a aplicação do pesticida, deve-se observar sempre a distância do
alvo para a aplicação. Para isso, deve-se manter o bico da haste à distância
máxima de aproximadamente 30 cm do alvo para garantir a maior eficiência
de controlo.
6.2.4. Direcção do movimento do operador
Antes de começar a pulverizar, deve-se identificar primeiro qual é a direcção
do vento, por forma a definir a sua trajectória do operador durante a
pulverização. A aplicação da calda deve ser feita sempre na mesma direção
do vento de maneira que o operador não tenha risco de exposição pela
pulverização. Evitar caminhar sobre a faixa tratada, para evitar a
contaminação.
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6.3. MEDIDAS DE SEGURANÇA
6.3.1. Uso de equipamentos de proteção individual
Os equipamentos de protecção individual ou simplesmente, EPI’s, são
vestimentas de trabalho que visam proteger a saúde do operador rural que
utiliza os pesticidas, reduzindo os riscos de intoxicações decorrentes da
exposição.
O risco de intoxicação é definido como a probabilidade estatística de uma
substância química causar efeito tóxico. Portanto, é uma função da
toxicidade do produto e da exposição. A toxicidade é a capacidade potencial
de uma substância causar efeito adverso à saúde.
Todas as substâncias são consideradas tóxicas, e a toxicidade depende,
basicamente, da dose e da sensibilidade do organismo exposto. Quanto
menor a dose de um produto capaz de causar um efeito adverso, mais tóxico
é o produto. Como o usuário não pode alterar a toxicidade do produto, a
única maneira correcta de reduzir o risco é diminuir a exposição, através
da utilização dos EPI’s.
[Link]. Principais EPI’s
a) Luvas: Protegem as mãos da contaminação dérmica;
b) Respiradores: Evita a inalação de vapores orgânicos, névoas ou finas
partículas tóxicas por meio das vias respiratórias;
c) Viseira facial: Protege os olhos e o rosto contra respingos durante o
manuseio e a aplicação;
d) Fato-macacão: São apropriados para proteger o corpo dos respingos
do produto formulado e não para conter exposições extremamente
acentuadas ou jatos dirigidos;
e) Boné árabe: Protege o couro cabeludo e o pescoço contra respingos;
f) Capuz ou touca: Peça integrante de fato-macacão, substituem o boné
árabe na protecção do couro cabeludo;
g) Avental: Produzido com material resistente a solventes orgânicos
(PVC), aumenta a protecção do operador contra respingos de produtos
concentrados durante a preparação da calda ou de eventuais
vazamentos de equipamentos de aplicação costal;
h) Botas: Devem ser preferencialmente de cano alto e resistente aos
solventes orgânicos. Sua função é a proteção dos pés.
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Figura 91: Uso correcto dos EPI’s no trabalho com pesticidas
Os EPIs devem ser:
✓ Pessoais e intransmissíveis;
✓ Utilizados só quando os riscos existentes não podem ser evitados;
✓ Perfeitamente adaptados ao trabalhador, não causando incómodo e
sem implicar por si próprios um aumento de risco.
6.3.2. Medidas de higiene durante e após a aplicação dos pesticidas
A higiene pessoal assume grande importância nos cuidados com a saúde
do trabalhador.
Durante a aplicação dos pesticidas, as seguintes medidas de higiene devem
ser tomadas:
✓ Evitar comer, beber ou fumar durante o manuseio ou aplicação do
produto.
✓ Evite tocar em qualquer parte do corpo com as luvas contaminadas;
✓ Não utilizar equipamentos com vazamentos;
✓ Não desentupir bicos, orifícios, válvulas, tubulações com a boca;
✓ Não permita a presença de animais e pessoas não autorizadas e
desprotegidas (sem EPI) na área durante a aplicação da calda;
✓ O operador com ferimentos expostos ou com problemas de saúde, não
deve manusear ou aplicar os pesticidas;
✓ A aplicação da calda deve ser feita sempre na mesma direção do
vento.
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Depois da aplicação dos pesticidas, as seguintes medidas de higiene devem
ser tomadas:
✓ Lave bem as mãos e o rosto antes de comer, beber ou fumar;
✓ Após a aplicação, tome banho com água e sabão, lavando bem o couro
cabeludo, axilas, unhas e regiões genitais;
✓ Use sempre roupas limpas;
✓ Armazenar o material em lugares apropriados e fora do alcance das
crianças;
✓ Manter a embalagem original sempre fechada e em lugar seco e
ventilado;
✓ Inutilizar, enterrando profundamente ou inseminar as embalagens do
produto.
6.4. CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO DOS PESTICIDAS
O armazenamento de pesticidas nas explorações agrícolas e nas empresas
de aplicação, feito em condições de segurança, é fundamental na prevenção
de contaminações do operador e do ambiente.
6.4.1. Construção dos armazéns
Um armazém de pesticidas deve situar-se num local isolado, em espaço
fechado e exclusivamente dedicado ao armazenamento destes produtos,
devendo:
✓ Os materiais serem resistentes e não combustíveis;
✓ Estar devidamente sinalizado e ser fechado à chave, impedindo assim
o acesso a pessoas não qualificadas, crianças e animais;
✓ Ter piso impermeável e ventilação adequada, natural ou forçada;
✓ Ter iluminação suficiente para a correcta leitura dos rótulos dos
produtos;
✓ Ser construídos de modo a proteger os pesticidas de condições
climáticas adversas e a impedir a entrada de pessoas não
autorizadas;
✓ Ter equipamento apropriado para a segurança e protecção de
pessoas, produtos e bens, tanto em situações normais como em casos
de emergência.
✓ Não permitir confeccionar alimentos, comer, beber ou fumar no
interior dos armazéns;
✓ Não permitir a existência de gabinetes de trabalho no interior de
armazéns de pesticidas.
6.4.2. Localização dos armazéns
O armazém deverá ser sempre construído ao nível do solo. As caves são
inapropriadas para armazenar os pesticidas, devendo:
✓ Situar-se a, pelo menos, 100 m de cursos de água, valas e nascentes;
✓ Situar-se a, pelo menos, 150 m de captações de água;
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✓ Não estar situado em zonas inundáveis ou ameaçadas pelas cheias;
✓ Não estar situado na zona terrestre de protecção das albufeiras,
lagoas e lagos de águas públicas;
✓ Situar -se em local que permita um acesso ao fornecimento de água.
6.4.3. Regras de armazenagem
Ao armazém só devem ter acesso utilizadores profissionais devidamente
habilitados. O armazenamento de pesticidas deve ser feito com a
preocupação de manter a qualidade dos produtos e a garantia de segurança
do pessoal que a eles têm acesso.
Os produtos deverão ser armazenados exclusivamente nas suas
embalagens originais e numa posição que permita a sua fácil identificação
através da leitura do rótulo. O armazém deve ser exclusivo para o
armazenamento de pesticidas.
✓ Adubos, sementes não tratadas e alimentos para animais não devem
ser guardados neste armazém.
✓ Armazenar o mínimo e pelo menor tempo possível;
✓ Organizar o armazém de acordo com o sistema “Primeiro que entra -
primeiro que sai”, que significa utilizar sempre primeiro o produto
mais antigo;
✓ Os produtos em formulação sólida devem ser colocados nas
prateleiras superiores e os líquidos nas inferiores;
✓ Dispor de meios adequados para conter derrames acidentais,
preferencialmente, bacias de retenção e material anti-derrame
identificado para o efeito (balde, vassoura e material absorvente inerte
(não utilizar serradura));
✓ Dispor, no mínimo, de um extintor de incêndio;
✓ Dispor de informação com conselhos de segurança e procedimentos
em caso de emergência, bem como contactos de emergência.
6.4.4. Higiene e segurança
Apenas pessoas habilitadas a manusear este tipo de produtos podem aceder
ao armazém, devendo fazê-lo com brevidade. Deve existir indicação explícita
na entrada, visível do exterior, que se trata de um armazém de pesticidas.
As entradas do armazém deverão estar fechadas à chave e existir
sinalização de segurança: proibido entrar, proibido fazer lume e proibido
fumar. As janelas de arejamento devem estar protegidas por forma a evitar
qualquer intrusão.
As pessoas que trabalhem em armazéns de pesticidas devem estar
devidamente treinadas para ó efeito, cabendo aos proprietários dos mesmos
organizar programas de treinamento regular de forma a prevenir práticas
inadequadas no manuseamento de pesticidas, bem como medidas de
mitigação de acidentes.
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A existência de extintor de pó químico é também recomendada. No armazém
tem que existir equipamento para lidar com derrames: areia, sacos de
plástico fortes, baldes, pá e vassoura.
É imprescindível manter um armazém arrumado e limpo e garantir que o
pessoal com acesso a estas estruturas conheça as normas de segurança e
higiene a respeitar. A higiene e utilização de equipamento de protecção
individual (EPI) é fundamental para quem trabalha com pesticidas, mas,
nem a arrumação dos EPI’s nem as instalações de higiene, com fácil acesso
à água, podem estar no mesmo compartimento de armazenagem dos
produtos.
Sempre que o operador vista o EPI no local onde este se encontra arrumado,
deve existir um cabide/compartimento à parte, destinado a guardar a roupa
de uso diário. A limpeza de qualquer derrame num armazém de pesticidas
deve fazer-se com cuidado: conter imediatamente o derrame, arejar bem o
armazém e só depois proceder à recolha do produto derramado e posterior
limpeza.
Quando o produto derramado for um sólido, poderá usar-se um aspirador
industrial com filtro ou, se este não existir, lançar areia fina molhada sobre
o derrame e usar pá e vassoura para o recolher. No caso de derrames de
líquidos deve usar-se um material inerte (areia fina...) para a sua absorção
e recolha. Os materiais resultantes dos derrames devem ser guardados em
sacos de plástico fechados para posterior eliminação.
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EXERCÍCIOS DE CONSOLIDAÇÃO
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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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Picanço, M. C. (2010). Manejo integrado de pragas. Viçosa - MG – Brasil.
Ramos, H. H. (1996). Pulverizadores, o que você deve saber para fazer uma
boa escolha. A Granja.
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