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AULA
TRABALHO E CAPITAL – SOCIEDADE DE CONSUMO C -4
02. 2
CONCEPÇÕES CONTEMPORÂNEAS
1. GEORGE RITZER – MCDONALDIZAÇÃO DA servem para negar a razão humana, para nos
SOCIEDADE desumanizar. O problema radica no fato de
que quem exerce a crítica nunca tem os
Segundo George Ritzer (2004a), o sucesso da mesmos meios econômicos dos que organizam
cadeia de restaurantes McDonald’s deve-se à a propaganda.
existência de quatro tópicos principais OBSERVAÇÃO: Rizter, em sua teoria, é
aplicados a clientes, trabalhadores e gestores: fortemente influenciado pelo conceito de
1) eficiência, 2) calculabilidade, 3) racionalização de Max Weber - O processo de
previsibilidade e 4) controle. racionalização ao qual Weber refere-se está
Estandardização e homogeneidade são outros relacionado com as mudanças estruturais,
elementos vitais para a McDonaldização – isto culturais e sociais que as sociedades modernas
é, os negócios da McDonald’s oferecem passaram no decorrer do tempo. Essas
produtos e serviços de forma eficiente na mudanças geraram grandes impactos, como a
medida em que existe, para os consumidores, gradual construção do capitalismo e a
uma escolha limitada. Rapidez, linha de monstruosa explosão do crescimento dos
montagem e códigos escritos de conduta dos meios urbanos, que se tornaram as bases da
vendedores da comida McDonald’s situam-se reordenação das organizações tradicionais que
na linha definida por Ritzer de predominavam até então. A preocupação de
McDonaldização. Trata-se, como desenvolvo Weber estava em tentar apreender os
aqui, de uma perspectiva pessimista de olhar a processos pelos quais o pensamento racional,
presente sociedade de consumo. ou a racionalidade, impactou as instituições
Para Ritzer, a McDonaldização infiltrou a modernas como o Estado, os governos e ainda
sociedade na medida em que as pessoas o âmbito cultural, social e individual do sujeito
querem ter gratificação instantânea. moderno.
O mesmo George Ritzer (2004b: 93) acha que
as catedrais do consumo encantam pela sua 2. DANIEL BELL:
capacidade de atrair um número elevado de Criou o conceito de “sociedade pós-
consumidores. Ritzer fala em espetáculo, industrial”, que pretende clarificar a
definido como um dispositivo público de
nova fase de evolução em que as
interesse [dramatic]. Os espetáculos podem
sociedades industriais estariam a
ser criados intencionalmente (as chamadas
entrar. Esta sociedade caracterizar-se-
composições literárias, dramáticas ou musicais
de carácter fantástico) ou parcial e totalmente ia por uma relação mais próxima entre
não intencionais. A premissa básica é que não ciência e tecnologia, pelo primado da
basta abrir uma loja, é preciso produzir um teoria sobre o empirismo, pelo
romance. Feiras e exposições são exemplos do domínio de uma nova elite de
uso de um espetáculo para vender bens cientistas e tecnocratas e pela
[commodities]. Na realidade, o espetáculo é a substituição de uma economia de
base do sucesso de um dos mais importantes e produção de bens por uma economia
imediatos precursores dos novos meios de de serviços, com o consequente
consumo. Já há muito que os armazéns alargamento do setor dos “colarinhos
americanos usavam cor, vidro, luz, arte, brancos” na força de trabalho.
montras, interiores elegantes, mostras
Tais sociedades são frequentemente
temporárias e até encontros natalícios para
marcadas por:
criar espetáculo.
Tudo parece muito racional. Ora, esta pretensa Um rápido crescimento do setor de
racionalidade conduz à irracionalização. serviços, em oposição ao
Significa que os sistemas assim racionalizados manufaturado
Professor Phillipe Castro SOCIOLOGIA
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Um rápido aumento da tecnologia
de informação, frequentemente
levando ao termo era da
informação.
Conhecimento e criatividade
tornam-se as matérias cruciais de
tais economias.
3. DANIEL MILLER:
Daniel Miller, faz uma discussão sobre o
consumo e a cultura material. Inicialmente
o autor faz um apanhado geral de como o
consumo é visto e tratado por muitos
acadêmicos, geralmente de forma
pejorativa. Depois explana algumas
perspectivas disciplinares para depois
entrar na discussão antropológica. Por fim,
o autor trata do consumo através da
abordagem da cultura material,
exemplificando com estudos sobre o carro,
a casa, o vestuário e a mídia.
Vários estudos buscaram compreender o
valor simbólico do consumo e como as
sociedades se adaptam as novas
informações que são passadas através do
marketing e da globalização, uma vez que a
globalização não resultaria num processo
de homogeneização pois cada povo teria
uma forma própria de lidar com novos
bens de consumo. Dentro da globalização,
a internet funciona como elemento de
localização, destruindo fronteiras locais e
nacionais, já que este “lugar” esta presente
em todos os povos e não pertence a
nenhum.
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