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Política de Autocomposição no MP

Esta resolução estabelece uma política nacional de incentivo à autocomposição no âmbito do Ministério Público brasileiro, visando promover mecanismos alternativos de resolução de conflitos como negociação, mediação e conciliação. Ela define atribuições para o Conselho Nacional do Ministério Público e as unidades do MP na implementação de programas que estimulem soluções consensuais extrajudiciais.

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Política de Autocomposição no MP

Esta resolução estabelece uma política nacional de incentivo à autocomposição no âmbito do Ministério Público brasileiro, visando promover mecanismos alternativos de resolução de conflitos como negociação, mediação e conciliação. Ela define atribuições para o Conselho Nacional do Ministério Público e as unidades do MP na implementação de programas que estimulem soluções consensuais extrajudiciais.

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(Atualização em 12/02/2021: questões de concurso)

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO

RESOLUÇÃO Nº 118, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2014.

Dispõe sobre a Política Nacional de Incentivo à Autocomposição no âmbito do


Ministério Público e dá outras providências.

O CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, no exercício da competência


prevista no art.130-A, § 2º, inciso I, da Constituição da República Federativa do Brasil e com
fundamento no artigo 147 e seguintes do seu Regimento Interno, em conformidade com a decisão
Plenária tomada na 23ª Sessão Ordinária, realizada em 1º de dezembro de 2014, e, ainda;

Considerando que o acesso à Justiça é direito e garantia fundamental da sociedade e do


indivíduo e abrange o acesso ao Judiciário, mas vai além para incorporar, também, o direito de
acesso a outros mecanismos e meios autocompositivos de resolução dos conflitos e controvérsias,
inclusive o acesso ao Ministério Público como garantia fundamental de proteção e de efetivação de
direitos e interesses individuais indisponíveis e sociais (art. 127, caput, da CR/1988);

Considerando que a adoção de mecanismos de autocomposição pacífica dos conflitos,


controvérsias e problemas é uma tendência mundial, decorrente da evolução da cultura de
participação, do diálogo e do consenso;

Considerando a necessidade de se consolidar, no âmbito do Ministério Público, uma política


permanente de incentivo e aperfeiçoamento dos mecanismos de autocomposição;

Considerando a importância da prevenção e da redução da litigiosidade e que as


controvérsias e os conflitos envolvendo o Poder Público e os particulares, ou entre estes,
notadamente aquelas de natureza coletiva, podem ser resolvidas de forma célere, justa, efetiva e
implementável;

Considerando que a negociação, a mediação, a conciliação, as convenções processuais e as


práticas restaurativas são instrumentos efetivos de pacificação social, resolução e prevenção de
litígios, controvérsias e problemas e que a sua apropriada utilização em programas já implementados
no Ministério Público têm reduzido a excessiva judicialização e têm levado os envolvidos à
satisfação, à pacificação, a não reincidência e ao empoderamento;

Considerando ser imprescindível estimular, apoiar e difundir a sistematização e o


aprimoramento das práticas já adotadas pelo Ministério Público;

Considerando o teor do Acordo de Cooperação Técnica nº 14/2012, firmado entre o Ministério


da Justiça, com a interveniência da Secretaria de Reforma do Judiciário, e o Conselho Nacional do
Ministério Público;

Considerando a necessidade de uma cultura da paz, que priorize o diálogo e o consenso na


resolução dos conflitos, controvérsias e problemas no âmbito do Ministério Público;

Considerando as várias disposições legais (art. 585, inciso II, do CPC; art. 57, parágrafo único,
da Lei nº 9.099/1995; art. 5º, § 6º, da Lei nº 7.347/1985, dentre outras), que conferem legitimidade ao
Ministério Público para a construção de soluções autocompositivas;

Considerando que o Ministério Público, como instituição permanente, é uma das garantias
fundamentais de acesso à justiça da sociedade, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do
regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (arts. 127, caput, e 129, da
CR/1988), funções essenciais à efetiva promoção da justiça;

Considerando que na área penal também existem amplos espaços para a negociação, sendo
exemplo o que preveem os artigos 72 e 89, da Lei nº 9.099/1995 (Dispõe sobre os Juizados Cíveis e
Criminais), a possível composição do dano por parte do infrator, como forma de obtenção de
benefícios legais, prevista na Lei nº 9.605/1998 (Dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente), a delação premiada inclusa na Lei nº
8.137/1990, artigo 16, parágrafo único, e Lei nº 8.072/1990, artigo 8º, parágrafo único, e a Lei
9.807/1999, e em tantas outras situações, inclusive atinentes à execução penal, em que seja necessária
a atuação do Ministério Público, RESOLVE:

CAPÍTULO I

DA POLÍTICA NACIONAL DE INCENTIVO À AUTOCOMPOSIÇÃO NO ÂMBITO DO

MINISTÉRIO PÚBLICO

Art. 1º Fica instituída a POLÍTICA NACIONAL DE INCENTIVO À AUTOCOMPOSIÇÃO NO


ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, com o objetivo de assegurar a promoção da justiça e a
máxima efetividade dos direitos e interesses que envolvem a atuação da Instituição.

Parágrafo único. Ao Ministério Público brasileiro incumbe implementar e adotar mecanismos


de autocomposição, como a negociação, a mediação, a conciliação, o processo restaurativo e as
convenções processuais, bem assim prestar atendimento e orientação ao cidadão sobre tais
mecanismos.

Art. 2º Na implementação da Política Nacional descrita no artigo 1º, com vista à boa qualidade
dos serviços, à disseminação da cultura de pacificação, à redução da litigiosidade, à satisfação social,
ao empoderamento social e ao estímulo de soluções consensuais, serão observados:

I – a formação e o treinamento de membros e, no que for cabível, de servidores;

II – o acompanhamento estatístico específico que considere o resultado da atuação


institucional na resolução das controvérsias e conflitos para cuja resolução possam contribuir seus
membros e servidores;

III – a revisão periódica e o aperfeiçoamento da Política Nacional e dos seus respectivos


programas;

IV – a valorização do protagonismo institucional na obtenção de resultados socialmente


relevantes que promovam a justiça de modo célere e efetivo.

Art. 3º O Conselho Nacional do Ministério Público, com as unidades e ramos dos Ministérios
Públicos, promoverá a organização dos mecanismos mencionados no art. 1º.

CAPÍTULO II

DAS ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO E DO

MINISTÉRIO PÚBLICO BRASILEIRO

Art. 4º Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público fomentar e implementar, com a


participação de todas as unidades e ramos do Ministério Público, os programas e ações de incentivo
à autocomposição.

Art. 5º O Conselho Nacional do Ministério Público tem, entre outras funções, o objetivo de
avaliar, debater e propor medidas administrativas, reformas normativas e projetos que incentivem a
resolução autocompositiva extrajudicial ou judicial consensual de conflitos e controvérsias no âmbito
do Ministério Público.
Art. 6º Para consecução dos objetivos supracitados, o CNMP poderá:

I – Propor e promover a realização de seminários, congressos e outros eventos;

II – Promover a articulação e integração com outros projetos e políticas nesta temática,


desenvolvidos pelos Poderes Executivo, Judiciário, Legislativo e pelas instituições que compõem o
sistema de Justiça;

III – Mapear as boas práticas nesta temática e incentivar a sua difusão;

IV – Realizar pesquisas sobre negociação, mediação, conciliação, convenções processuais,


processos restaurativos e outros mecanismos autocompositivos;

V – Promover publicações sobre negociação, mediação, conciliação, convenções processuais,


processos restaurativos e outros mecanismos autocompositivos.

Art. 7º Compete às unidades e ramos do Ministério Público brasileiro, no âmbito de suas


atuações:

I – o desenvolvimento da Política Nacional de Incentivo à autocomposição no âmbito do


Ministério Público;

II – a implementação, a manutenção e o aperfeiçoamento das ações voltadas ao cumprimento


da política e suas metas;

III – a promoção da capacitação, treinamento e atualização permanente de membros e


servidores nos mecanismos autocompositivos de tratamento adequado dos conflitos, controvérsias e
problemas;

IV – a realização de convênios e parcerias para atender aos fins desta Resolução;

V – a inclusão, no conteúdo dos concursos de ingresso na carreira do Ministério Público e de


servidores, dos meios autocompositivos de conflitos e controvérsias;

VI – a manutenção de cadastro de mediadores e facilitadores voluntários, que atuem no


Ministério Público, na aplicação dos mecanismos de autocomposição dos conflitos.

VII – a criação de Núcleos Permanentes de Incentivo à Autocomposição, compostos por


membros, cuja coordenação será atribuída, preferencialmente, aos profissionais atuantes na área,
com as seguintes atribuições, entre outras:

a) propor à Administração Superior da respectiva unidade ou ramo do Ministério Público


ações voltadas ao cumprimento da Política Nacional de Incentivo à autocomposição no âmbito do
Ministério Público;

b) atuar na interlocução com outros Ministérios Públicos e com parceiros;

c) propor à Administração Superior da respectiva unidade ou ramo do Ministério Público a


realização de convênios e parcerias para atender aos fins desta Resolução;

d) estimular programas de negociação e mediação comunitária, escolar e sanitária, dentre


outras.

§ 1º A criação dos Núcleos a que se refere o inciso VII deste artigo e sua composição deverão
ser informadas ao Conselho Nacional do Ministério Público. (Antigo parágrafo único renumerado
para § 1º pela Resolução nº 222, de 03 de dezembro de 2020)

§ 2º As unidades e os ramos do Ministério Público poderão incluir, a seu critério,


representantes da Ouvidoria, do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional ou de outros
órgãos auxiliares na composição dos Núcleos Permanentes de Incentivo à Autocomposição.
(Acrescido pela Resolução nº 222, de 03 de dezembro de 2020)

§ 3º É vedada a participação dos órgãos mencionados no § 2º em atividades dos Núcleos


Permanentes de Incentivo à Autocomposição que constituam atos típicos de órgãos de execução.
(Acrescido pela Resolução nº 222, de 03 de dezembro de 2020)

CAPÍTULO III

DAS PRÁTICAS AUTOCOMPOSITIVAS NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Seção I

Da Negociação

Art. 8º A NEGOCIAÇÃO É RECOMENDADA para as controvérsias ou conflitos em que o


Ministério Público possa atuar como parte na defesa de direitos e interesses da sociedade, em razão
de sua condição de representante adequado e legitimado coletivo universal (art. 129, III, da
CR/1988); (MPPI-2019)

(MPPI-2019-CESPE): Com base na Resolução n.º 118/2014 do CNMP, assinale a opção que indica
a recomendada prática autocompositiva na qual o Ministério Público pode atuar como parte em
razão de sua condição de representante adequado e legitimado universal na defesa de direitos e
interesses da sociedade: negociação. BL: art. 8º, Res. 118/14,

Parágrafo único. A NEGOCIAÇÃO É RECOMENDADA, ainda, para a solução de


problemas referentes à formulação de convênios, redes de trabalho e parcerias entre entes públicos e
privados, bem como entre os próprios membros do Ministério Público. (MPPI-2019)

Seção II

Da Mediação

Art. 9º A MEDIAÇÃO É RECOMENDADA para solucionar controvérsias ou conflitos que


envolvam relações jurídicas nas quais é importante a direta e voluntária ação de ambas as partes
divergentes.

Parágrafo único. Recomenda-se que a mediação comunitária e a escolar que envolvam a


atuação do Ministério Público sejam regidas pela máxima informalidade possível.

Art. 10. No âmbito do Ministério Público:

I – a mediação poderá ser promovida como mecanismo de prevenção ou resolução de conflito


e controvérsias que ainda não tenham sido judicializados;

II – as técnicas do mecanismo de mediação também podem ser utilizadas na atuação em casos


de conflitos judicializados;

III – as técnicas do mecanismo de mediação podem ser utilizadas na atuação em geral,


visando ao aprimoramento da comunicação e dos relacionamentos.

§1º Ao final da mediação, havendo acordo entre os envolvidos, este poderá ser referendado
pelo órgão do Ministério Público ou levado ao Judiciário com pedido de homologação.

§2º A confidencialidade é recomendada quando as circunstâncias assim exigirem, para a


preservação da intimidade dos interessados, ocasião em que deve ser mantido sigilo sobre todas as
informações obtidas em todas as etapas da mediação, inclusive nas sessões privadas, se houver,
salvo autorização expressa dos envolvidos, violação à ordem pública ou às leis vigentes, não
podendo o membro ou servidor que participar da mediação ser testemunha do caso, nem atuar como
advogado dos envolvidos, em qualquer hipótese.
Seção III

Da Conciliação

Art. 11. A CONCILIAÇÃO É RECOMENDADA para controvérsias ou conflitos que


envolvam direitos ou interesses nas áreas de atuação do Ministério Público como órgão interveniente
e nos quais sejam necessárias intervenções propondo soluções para a resolução das controvérsias ou
dos conflitos.

(MPPI-2019-CESPE): Considerando-se a Resolução n.º 118/2014 do CNMP, acerca da adoção de


mecanismos de autocomposição pacífica dos conflitos, controvérsias e problemas, é correto
afirmar que a conciliação é recomendada para resolver controvérsias relativas a direitos ou
interesses que pertençam às áreas de atuação do MP como órgão interveniente e nos quais sejam
necessárias intervenções que proponham soluções para a resolução de conflitos. BL: art. 11, Res.
118/14,

Art. 12. A conciliação será empreendida naquelas situações em que seja necessária a
intervenção do membro do Ministério Público, servidor ou voluntário, no sentido de propor soluções
para a resolução de conflitos ou de controvérsias, sendo aplicáveis as mesmas normas atinentes à
mediação.

Seção IV

Das Práticas Restaurativas

Art. 13. As práticas restaurativas são recomendadas nas situações para as quais seja viável a
busca da reparação dos efeitos da infração por intermédio da harmonização entre o (s) seu (s) autor
(es) e a (s) vítima (s), com o objetivo de restaurar o convívio social e a efetiva pacificação dos
relacionamentos. (MPPI-2019)

Art. 14. Nas práticas restaurativas desenvolvidas pelo Ministério Público, o infrator, a vítima e
quaisquer outras pessoas ou setores, públicos ou privados, da comunidade afetada, com a ajuda de
um facilitador, participam conjuntamente de encontros, visando à formulação de um plano
restaurativo para a reparação ou minoração do dano, a reintegração do infrator e a harmonização
social.

Seção V

Das Convenções Processuais

Art. 15. As CONVENÇÕES PROCESSUAIS SÃO RECOMENDADAS toda vez que o


procedimento deva ser adaptado ou flexibilizado para permitir a adequada e efetiva tutela
jurisdicional aos interesses materiais subjacentes, bem assim para resguardar âmbito de proteção dos
direitos fundamentais processuais. (MPPI-2019)

Art. 16. Segundo a lei processual, poderá o membro do Ministério Público, em qualquer fase
da investigação ou durante o processo, celebrar acordos visando constituir, modificar ou extinguir
situações jurídicas processuais.

Art. 17. As convenções processuais devem ser celebradas de maneira dialogal e colaborativa,
com o objetivo de restaurar o convívio social e a efetiva pacificação dos relacionamentos por
intermédio da harmonização entre os envolvidos, podendo ser documentadas como cláusulas de
termo de ajustamento de conduta.

CAPÍTULO IV

DA ATUAÇÃO DOS NEGOCIADORES, CONCILIADORES E MEDIADORES

Art. 18. Os membros e servidores do Ministério Público serão capacitados pelas Escolas do
Ministério Público, diretamente ou em parceria com a Escola Nacional de Mediação e de Conciliação
(ENAM), da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, ou com outras escolas
credenciadas junto ao Poder Judiciário ou ao Ministério Público, para que realizem sessões de
negociação, conciliação, mediação e práticas restaurativas, podendo fazê-lo por meio de parcerias
com outras instituições especializadas.

CAPÍTULO V

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 19. CABERÁ ao CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO COMPILAR


informações sobre a resolução autocompositiva de conflitos. (MPPI-2019)

Art. 20. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília/DF, 1º de dezembro de 2014.

RODRIGO JANOT MONTEIRO DE BARROS

Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público

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