Prática Contábil I
PRÁTICA CONTÁBIL I
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
SUMÁRIO 1
Prática Contábil I
GRUPO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul
do Estado do Espírito Santo, com unidades em
MULTIVIX Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova
Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória.
Desde 1999 atua no mercado capixaba, des-
tacando-se pela oferta de cursos de gradua-
ção, técnico, pós-graduação e extensão, com
qualidade nas quatro áreas do conhecimen-
to: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sem-
pre primando pela qualidade de seu ensino
e pela formação de profissionais com cons-
ciência cidadã para o mercado de trabalho.
Atualmente, a Multivix está entre o seleto
grupo de Instituições de Ensino Superior que
possuem conceito de excelência junto ao
Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institui-
ções avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram
notas 4 e 5, que são consideradas conceitos
de excelência em ensino.
Estes resultados acadêmicos colocam
todas as unidades da Multivix entre as
melhores do Estado do Espírito Santo e
entre as 50 melhores do país.
MISSÃO
Formar profissionais com consciência cida-
dã para o mercado de trabalho, com ele-
vado padrão de qualidade, sempre mantendo a
credibilidade, segurança e modernidade, visando
à satisfação dos clientes e colaboradores.
VISÃO
Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci-
da nacionalmente como referência em qualidade
educacional.
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2 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
EDITORIAL
FACULDADE CAPIXABA DA SERRA • MULTIVIX
Diretor Executivo Revisão de Língua Portuguesa
Tadeu Antônio de Oliveira Penina Leandro Siqueira Lima
Diretora Acadêmica Revisão Técnica
Eliene Maria Gava Ferrão Penina Alexandra Oliveira
Alessandro Ventorin
Diretor Administrativo Financeiro Graziela Vieira Carneiro
Fernando Bom Costalonga
Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo
Diretor Geral Carina Sabadim Veloso
Helber Barcellos da Costa Maico Pagani Roncatto
Ednilson José Roncatto
Diretor da Educação a Distância Aline Ximenes Fragoso
Pedro Cunha Genivaldo Félix Soares
Conselho Editorial Multivix Educação a Distância
Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico
do Conselho Editorial) Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial
Kessya Penitente Fabiano Costalonga Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia
Carina Sabadim Veloso Direção EaD
Patrícia de Oliveira Penina Coordenação Acadêmica EaD
Roberta Caldas Simões
BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)
Laffin, Nathália Helena Fernandes
Prática Contábil I / Laffin, Nathália Helena Fernandes – Serra: Multivix, 2019.
Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix Serra
2019 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.
As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com
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SUMÁRIO 3
Prática Contábil I
APRESENTAÇÃO Aluno (a) Multivix,
DA DIREÇÃO Estamos muito felizes por você agora fazer parte
do maior grupo educacional de Ensino Superior do
EXECUTIVA Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a
Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional.
A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoei-
ro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia,
São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999,
no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de
cursos de graduação, pós-graduação e extensão
de qualidade nas quatro áreas do conhecimento:
Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na mo-
dalidade presencial quanto a distância.
Além da qualidade de ensino já comprova-
da pelo MEC, que coloca todas as unidades do
Grupo Multivix como parte do seleto grupo das
Instituições de Ensino Superior de excelência no
Brasil, contando com sete unidades do Grupo en-
tre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-
-se bastante com o contexto da realidade local e
com o desenvolvimento do país. E para isso, pro-
cura fazer a sua parte, investindo em projetos so-
ciais, ambientais e na promoção de oportunida-
des para os que sonham em fazer uma faculdade
de qualidade mas que precisam superar alguns
obstáculos.
Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina
Diretor Executivo do Grupo Multivix Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é:
“Formar profissionais com consciência cidadã para o
mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-
dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança
e modernidade, visando à satisfação dos clientes e
colaboradores.”
Entendemos que a educação de qualidade sempre
foi a melhor resposta para um país crescer. Para a
Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o
mundo à sua volta.
Seja bem-vindo!
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4 SUMÁRIO
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LISTA DE FIGURAS
>>FIGURA 1 - A constituição de uma empresa 16
>>FIGURA 2 - Empresa vs. Empresário 17
>>FIGURA 3 - Qual tipo de empresa devo abrir? 19
>>FIGURA 4 - Tipos de sociedade de acordo com o Código Civil 20
>>FIGURA 5 - Sociedades não personificadas 21
>>FIGURA 6 - Sociedades não personificadas 24
>>FIGURA 7 - Sociedade por ações 28
>>FIGURA 8 - Sociedades cooperativas 30
>>FIGURA 9 - Contas contábeis 40
>>FIGURA 10 - Contas e Planos de Contas 41
>>FIGURA 11 - Movimento das contas em uma entidade
em operação 42
>>FIGURA 12 - Classificações das contas 50
>>FIGURA 13 - Sistema de informação 65
>>FIGURA 14 - Sistema de informação contábil 67
>>FIGURA 15 - Livros contábeis 68
>>FIGURA 16 - Classificações dos livros contábeis 69
>>FIGURA 17 - Livros contábeis e suas classificações 70
>>FIGURA 18 - Característica física de um Livro Diário 71
>>FIGURA 19 - Tipos de fórmulas de lançamento 73
>>FIGURA 20 - Demonstrações contábeis 83
>>FIGURA 21 - Resumo das demonstrações contábeis 86
>>FIGURA 22 - Objetivo das demonstrações contábeis 87
>>FIGURA 23 - Usuários das demonstrações contábeis: externos
e internos 91
>>FIGURA 24 - Características qualitativas fundamentais 96
>>FIGURA 25 - Demonstrações contábeis 101
>>FIGURA 26 - Contas do Ativo 103
>>FIGURA 27 - Ativo biológico 108
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SUMÁRIO 5
Prática Contábil I
LISTA DE FIGURAS
>>FIGURA 28 - Contas do Passivo 109
>>FIGURA 29 - Contas do Patrimônio Líquido 112
>>FIGURA 30 - Esqueleto de uma Balanço Patrimonial 115
>>FIGURA 31 - Esqueleto de um Balanço Patrimonial da
Companhia X 116
>>FIGURA 32 - Demonstrações contábeis e Demonstração do
Resultado do Exercício 122
>>FIGURA 33 - Composição do resultado 123
>>FIGURA 34 - Demonstração do Resultado do Exercício: Receitas
e despesas 124
>>FIGURA 35 - Receitas e despesas e seu impacto no
Patrimônio Líquido 127
>>FIGURA 36 - Receitas e despesas mais relevantes em uma entidade 128
>>FIGURA 37 - Métodos de elaboração da Demonstração do
Resultado do Exercício 129
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6 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
LISTA DE QUADROS
>>QUADRO 1 - Tipos de sociedades personificadas 26
>>QUADRO 2 - Tipos de sociedades a partir do Código Civil 31
>>QUADRO 3 - Passo a passo para o registro de empresas 33
>>QUADRO 4 - Modelo de Balanço Patrimonial 43
>>QUADRO 5 - Extrato do Ativo da Natura Cosméticos S.A 45
>>QUADRO 6 - Demonstração do Resultado da Natura
Cosméticos S.A 48
>>QUADRO 7 - Plano de Contas da Companhia ABC – parte do Ativo 52
>>QUADRO 8 - Plano de Contas da Companhia ABC – parte do
Passivo e Patrimônio Líquido 54
>>QUADRO 9 - Plano de Contas da Companhia ABC – parte do
resultado 55
>>QUADRO 10 - Escrituração no Livro Razão 76
>>QUADRO 11 - Livro Razão 77
>>QUADRO 12 - Conjunto completo de demonstrações contábeis 84
>>QUADRO 13 - Objetivo das demonstrações contábeis 90
>>QUADRO 14 - Conjunto completo de demonstrações contábeis 121
>>QUADRO 15 - Conjunto completo de demonstrações contábeis 128
>>QUADRO 16 - Demonstração do Resultado do Exercício com
base no método da natureza da despesa 130
>>QUADRO 17 - Demonstração do Resultado do Exercício com
base no método da função da despesa 131
>>QUADRO 18 - Demonstração do Resultado do Exercício 132
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SUMÁRIO 7
Prática Contábil I
SUMÁRIO
UNIDADE 1 1 PRÁTICA CONTÁBIL I 14
1.1 INTRODUÇÃO 14
1.2 CONCEITO DE EMPRESA E EMPRESÁRIO 15
1.3 TIPOS DE SOCIEDADES 19
1.3.1 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 21
1.3.2 SOCIEDADES PERSONIFICADAS 23
1.4 PASSO A PASSO PARA A ABERTURA DE EMPRESAS 33
CONCLUSÃO 36
UNIDADE 2 2 CONTAS E ELABORAÇÃO DO PLANO DE CONTAS 39
2.1 CONTAS E PLANOS DE CONTAS 40
2.1.1 O QUE SÃO CONTAS 42
2.1.1.1 CONTAS PATRIMONIAIS 44
2.1.2 CONTAS DE RESULTADO 47
2.2 A ELABORAÇÃO DO PLANO DE CONTAS 49
CONCLUSÃO 58
UNIDADE 3 3 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 61
3.1 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 61
3.1.1 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL 65
3.2 LIVROS CONTÁBEIS 68
3.2.1 LIVRO DIÁRIO 70
3.2.2 LIVRO RAZÃO 75
3.3 CONCILIAÇÃO 78
CONCLUSÃO 79
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8 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
SUMÁRIO
UNIDADE 4 4 CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 82
4.1 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 82
4.1.1 CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 83
4.1.2 OBJETIVO E USUÁRIOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 87
4.1.3 COMPONENTES DAS PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 94
CONCLUSÃO 97
UNIDADE 5 5 BALANÇO PATRIMONIAL 100
5.1 BALANÇO PATRIMONIAL 100
5.1.1 O QUE É O BALANÇO PATRIMONIAL 101
5.2 O ATIVO 103
5.3 O PASSIVO 108
5.4 COMO ELABORAR O BALANÇO PATRIMONIAL 115
CONCLUSÃO 117
UNIDADE 6 6 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 120
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE 120
6.1 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 121
6.1.1 O QUE É A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 122
6.2 COMO ELABORAR A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 129
CONCLUSÃO 133
REFERÊNCIAS 135
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SUMÁRIO 9
Prática Contábil I
ICONOGRAFIA
ATENÇÃO ATIVIDADES DE
APRENDIZAGEM
PARA SABER
SAIBA MAIS
ONDE PESQUISAR CURIOSIDADES
LEITURA COMPLEMENTAR
DICAS
GLOSSÁRIO QUESTÕES
MÍDIAS
ÁUDIOS
INTEGRADAS
ANOTAÇÕES CITAÇÕES
EXEMPLOS DOWNLOADS
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10 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Olá! Seja bem-vindo à disciplina Prática Contábil I! Nesta disciplina, você estudará
as principais informações referentes às práticas contábeis inerentes às empresas. O
objetivo geral desta disciplina consiste em conhecer e compreender quais as práticas
contábeis básicas para as empresas, desde os primeiros passos até a entrega de do-
cumentos para os órgãos competentes.
Para isso, você aprenderá quais são os procedimentos iniciais de uma empresa, co-
nhecendo os trâmites necessários para a abertura legal de uma. Aprenderá, também,
o que é um plano de contas e como elaborá-lo. A partir da construção do plano de
contas, você aprenderá também os procedimentos de escrituração contábil, conhe-
cendo os livros contábeis e os sistemas contábeis. Com esses conhecimentos, você
aprenderá a elaborar as duas principais demonstrações contábeis: o Balanço Patri-
monial e a Demonstração do Resultado do Exercício. Por fim, compreenderá quais
são as declarações e os demonstrativos exigidos pela Receita Federal Brasileira.
Esta disciplina é fundamental para sua formação acadêmica, pois nela você apren-
derá aspectos bastante práticos das rotinas contábeis básicas – o que implica em
conhecimentos relevantes para o seu dia a dia como profissional contábil. Por isso, é
muito importante que você participe dos fóruns de discussão e aprofunde seus estu-
dos com a leitura dos materiais complementares.
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SUMÁRIO 11
Prática Contábil I
Objetivos da disciplina
Ao final da disciplina, esperamos que você seja capaz de:
• Definir o contexto de práticas contábeis empresariais dentro da realidade
brasileira.
• Identificar os procedimentos iniciais para a abertura legal de uma empresa.
• Identificar os tipos de empresas.
• Definir o que é o plano de contas.
• Definir o que são os procedimentos pertinentes ao processo de escrituração
contábil.
• Identificar os aspectos básicos de elaboração das demonstrações contábeis
previstas no conjunto completo de demonstrações contábeis.
• Definir como ocorrem e como são constituídas as práticas contábeis básicas
inerentes à contabilidade.
• Descrever o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício.
• Descrever a contabilidade por meio da escrituração contábil e da elaboração
de demonstrações contábeis.
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12 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
UNIDADE 1
OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:
> Identificar os principais aspectos de prática
contábil.
> Definir os conceitos de empresa e
empresário.
> Definir os tipos de sociedades existentes na
estrutura econômico-organizada do Brasil.
> Identificar as diferenças entre sociedades
personificadas e não personificadas.
> Identificar as principais características das
sociedades comum, empresária, simples
e cooperativas, bem como os principais
detalhes de cada uma dessas sociedades.
> Apontar os trâmites necessários para a
abertura de uma empresa.
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SUMÁRIO 13
Prática Contábil I
1 PRÁTICA CONTÁBIL I
Sabia que você também pode aprender conteúdo prático da ciência contábil por
meio da leitura de materiais? A disciplina de Prática Contábil I tem, justamente, este
escopo: abordar, teoricamente, os principais aspectos de prática contábil.
Para isso, nesta unidade, será abordado o conteúdo sobre o procedimento de aber-
tura de empresas. Você sabia que a contabilidade está envolvida até no processo de
abertura de empresas? É isso mesmo! E, nesta unidade, você aprenderá os principais
aspectos referentes à abertura de empresas. Para isso, primeiro você estudará qual o
conceito de empresa e de empresário, para compreender exatamente do que está
sendo falado. O conceito de empresa não está previsto no Código Civil, mas a norma
trata do conceito do empresário e traz as principais disposições sobre o tema.
Além disso, você estudará quais são os tipos de sociedades previstos no Brasil, de
acordo com o Código Civil brasileiro, compreendendo o que é uma sociedade perso-
nificada e uma sociedade não personificada.
A partir disso, você terá acesso a um passo a passo dos procedimentos necessários
para abertura de empresa.
1.1 INTRODUÇÃO
O objeto de estudo da ciência contábil é o patrimônio, formado pelo conjunto de
bens, direitos e obrigações de uma empresa, certo?! Por meio do registro dos even-
tos econômicos financeiros, a contabilidade tem o objetivo de fornecer informações
úteis, que sejam capazes de subsidiar a decisão no momento adequado para a to-
mada de decisão (MARION, 2009). Nesse sentido, existem diversos pontos iniciais que
devem ser observados pela contabilidade no processo geral de uma empresa.
O primeiro processo se dá na abertura de uma empresa. Certamente, você já perce-
beu que as empresas são identificadas de diferentes formas, reconhecendo os ter-
mos como “LTDA” ou “S.A.” Nesta unidade, você aprenderá como as sociedades são
organizadas a partir do Código Civil: personificadas e não personificadas; quais os
tipos de sociedades existentes: comum, empresária, simples e cooperativas e os prin-
cipais detalhes de cada uma dessas sociedades.
Por último, mas não menos importante, você conhecerá um passo a passo para o
registro de empresas. Bons estudos!
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14 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
1.2 CONCEITO DE EMPRESA E EMPRESÁRIO
Para que você compreenda todos os aspectos referentes à abertura de uma empresa,
é importante que conheça todos os termos relacionados a isso. Portanto, você deve
compreender o que é empresa e o que é empresário.
O termo “empresa” não é mencionado no Código Civil, mas ela se constitui
como organizações que pretendem satisfazer as mais básicas necessidades da
sociedade, como a alimentação, saúde, educação e segurança, além de neces-
sidades de lazer e conforto.
Coelho (2011) aponta que as empresas mantêm, de forma estruturada, a produção
e a circulação dos bens, produtos e serviços. Assim, o autor conclui que as empresas
reúnem recursos financeiros, humanos, materiais e tecnológicos para oferecer aquilo
que o mercado busca.
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SUMÁRIO 15
Prática Contábil I
FIGURA 1 - A CONSTITUIÇÃO DE UMA EMPRESA
Fonte: Adaptado de COELHO, 2011.
Nesse sentido, percebe-se que as empresas se constituem num cenário economica-
mente organizado para fornecer aquilo que seus consumidores demandam. E isso
leva a questionar: qualquer pessoa pode exercer a atividade empresarial, ou seja, abrir
uma empresa?
A resposta para essa pergunta é sim! De acordo com o artigo 972 do Código Civil, “po-
dem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capaci-
dade civil e que não forem legalmente impedidos” (BRASIL, Lei n° 10.406/02, art. 972).
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16 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
• Capacidade civil é a capacidade de uma pessoa reger plenamente sua
vida civil.
• Legalmente impedidos são aqueles que estão impossibilitados de fazer
algo por motivo de lei. Empresários falidos não reabilitados, por exemplo,
estão legalmente impedidos de exercer atividade empresária.
Com isso, há um novo conceito a explorar: empresário!
FIGURA 2 - EMPRESA VS. EMPRESÁRIO
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
O termo empresário, diferentemente do termo empresa, está previsto e conceituado
no Código Civil, disposto no Livro II, denominado “Do Direito da Empresa”, no Títu-
lo I, denominado “Do Empresário”. Conforme o artigo 966 da norma, “considera-se
empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços” (BRASIL, Lei n° 10.406/02, art. 966).
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SUMÁRIO 17
Prática Contábil I
Você sabia que as pessoas que exercem profissão intelectual, de natureza científica,
literária ou artística não são consideradas empresários? De acordo com o Código Civil,
essas pessoas somente se classificarão como empresários caso suas atividades cons-
tituam elemento de empresa.
Um contador, por exemplo, não é um empresário. A não ser que ele se una a
outros contadores e constituam uma empresa.
É importante destacar que, antes de iniciar suas atividades, o empresário deverá reali-
zar sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis (RPEM) do local em que
está inserida a empresa.
De acordo com o artigo 971 do Código Civil, os profissionais rurais poderão re-
querer sua inscrição no RPEM de sua cidade, ficando, assim, equiparados, para
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.
Este, portanto, é, formalmente, o primeiro passo prático que deve ser executado para
abrir uma empresa. Mas, antes disso, você precisa definir uma coisa importante: qual
o tipo de empresa você vai abrir?
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18 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
FIGURA 3 - QUAL TIPO DE EMPRESA DEVO ABRIR?
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
Para poder responder a essa pergunta, deverão ser analisados vários aspectos, como
quantidade de sócios, tipo de sócios, porte da empresa, atividade desenvolvida, etc.
Para ajudá-lo nessa definição, será apresentada a você a classificação das sociedades
existentes no Brasil, de acordo com o Código Civil.
1.3 TIPOS DE SOCIEDADES
Uma sociedade é composta por pessoas com interesses em comum que se compro-
metem a desempenhar atividade econômica conjunta. Nas palavras do artigo 981
do Código Civil: “Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica
e a partilha, entre si, dos resultados” (BRASIL, Lei n° 10.406/02, art. 981).
De acordo com o Código Civil brasileiro, a primeira classificação que se realiza quanto
às sociedades é de acordo com sua personificação: existem sociedades não personi-
ficadas e sociedades personificadas.
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SUMÁRIO 19
Prática Contábil I
FIGURA 4 - TIPOS DE SOCIEDADE DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2002.
As sociedades não personificadas são aquelas que não formalizaram seu registro.
Portanto, embora sejam constituídas por meio documental, não possuem registro
em órgão competente.
As sociedades personificadas, por sua vez, são aquelas legalmente constituídas,
com registro em órgão competente. Ou seja, são aquelas que possuem personalida-
de formal e que podem ser chamadas de pessoa jurídica.
Veja o exemplo de uma sociedade limitada: quando uma sociedade que deseja
limitada ainda estiver em processo de constituição (ainda não obtiver o regis-
tro), mas já estiver em funcionamento, será considerada uma sociedade não
personificada – mais especificamente, como uma sociedade comum. Quando o
registro ocorrer, a entidade passará, de fato, a ser uma sociedade limitada.
Dessa primeira classificação, depreendem-se outros tipos de sociedades, os quais
você estudará a seguir.
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20 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
1.3.1 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
As sociedades não personificadas, como você já viu, são aquelas sociedades que não
possuem um registro formal e que operam a partir de contratos orais ou documen-
tais, mas sem formalização. Existem dois tipos de sociedades não personificadas: a
sociedade comum e a sociedade em conta de participação.
Veja, no esquema a seguir, um resumo do que você aprendeu até agora:
FIGURA 5 - SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2002.
Mas fique atento: essa figura ainda se alterará, pois, como você verá mais adiante, as
sociedades personificadas também podem ser observadas sobre diferentes tipos.
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SUMÁRIO 21
Prática Contábil I
A sociedade comum tem uma característica básica: não se pode distinguir a
figura do sócio da personalidade da sociedade, pois não há inscrição formal
dos atos constitutivos. Portanto, suponha que João Carlos abra uma empresa
de venda de meias sob a estrutura de um contrato formal, mas não registrado
em órgão competente. João inicia as atividades da empresa e, em um dado
momento, não paga um de seus fornecedores. Quem responderá por essa dívi-
da será João em sua figura de pessoa física, pois não há nenhuma formalização
que separe responsabilidades e obrigações de João Carlos da empresa que ele
abriu.
Veja o que o Código Civil diz sobre este tipo de sociedade:
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito
podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de
qualquer modo. Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio es-
pecial, do qual os sócios são titulares em comum. Art. 989. Os bens sociais res-
pondem pelos atos de gestão praticados por qualquer dos sócios, salvo pacto
expresso limitativo de poderes, que somente terá eficácia contra o terceiro
que o conheça ou deva conhecer (BRASIL, Lei n° 10.406/02, arts. 987-989).
Nesse tipo de sociedade, portanto, todos os sócios respondem de forma solidária e
ilimitada pelas obrigações sociais. Já na sociedade em conta de participação, exis-
tem duas figuras: a do sócio ostensivo e a do(s) sócios(s) participante(s), conforme
disposto no artigo 991 do Código Civil: “Na sociedade em conta de participação, a
atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo,
em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando
os demais dos resultados correspondentes” (BRASIL, Lei n° 10.406/02, art. 991).
Na sociedade em conta de participação, há um sócio que dirige o negócio e, por ele,
assume todas as responsabilidades; e há um ou mais sócios que atuam apenas como
investidores no negócio.
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22 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Maria, Fernanda e Gabriela são três irmãs que abriram uma papelaria. Maria
subscreveu um capital de R$ 5.000, enquanto Fernanda e Gabriela subscreve-
ram uma capital de R$ 15.000 cada. Na prática, apenas Maria trabalha na em-
presa, gerenciando o negócio, portanto ela fornece capital financeiro e humano.
Fernanda e Gabriela, por sua vez, fornecem apenas capital financeiro.
Nesse sentido, enquanto um dos sócios fornece capital humano, outros sócios forne-
cem apenas capital financeiro.
Para saber um pouco mais sobre as sociedades não personificadas, leia os arti-
gos 986 a 996 do Código Civil. Essa norma está disponível no sítio eletrônico do
Planalto.
Agora que você já conheceu os tipos de sociedades não personificadas que podem
existir, você estudará as sociedades personificadas.
1.3.2 SOCIEDADES PERSONIFICADAS
As sociedades personificadas, como visto, são aquelas registradas em órgão compe-
tente. Os tipos de sociedades personificadas são, de acordo com Iudícibus e Marion
(2010): sociedade empresária, sociedade simples e cooperativas.
Veja, no esquema a seguir, um resumo do que você aprendeu até agora:
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SUMÁRIO 23
Prática Contábil I
FIGURA 6 - SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
Fonte: Adaptado de IUDÍCIBUS; MARION, 2010.
Saiba agora um pouco mais sobre cada uma dessas sociedades.
As sociedades personificadas são sociedades empresárias que têm por objeto
a atividade própria de empresário sujeito a registro em órgão competente. Já
as sociedades simples e todas as demais sociedades, ou seja, aquelas que têm
como objeto de atuação um diferente da atividade empresária. As cooperati-
vas, por sua vez, são um tipo de sociedade que possui forma e natureza jurídica
próprias para prestar serviços a seus associados. Ou seja, enquanto a sociedade
empresária é aquela na qual é realizada atividade própria de empresário que
obtenha registro na Junta Comercial, a sociedade simples é aquela na qual é
realizada atividade de não empresário que obtenha registro no Cartório Civil, e
a sociedade cooperativa é aquela na qual as pessoas trabalham para a obtenção
de um resultado que seja útil e comum a todos.
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24 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
O Itaú S.A., por exemplo, é uma sociedade empresária. Um consultório médico,
por sua vez, é uma sociedade simples. Já o Banco Sicoob é uma cooperativa.
As sociedades empresárias podem ser classificadas como:
• sociedade em nome coletivo;
• sociedade em comandita simples;
• sociedade limitada;
• sociedade por ações;
• sociedade em comandita por ações.
Já as sociedades simples podem ser classificadas como:
• sociedade simples ou sociedade em nome coletivo;
• sociedade em comandita simples;
• sociedade limitada;
• cooperativa.
As cooperativas, por sua vez, classificam-se como:
• sociedades nas quais os sócios detêm responsabilidade limitada;
• sociedades nas quais os sócios detêm responsabilidade ilimitada.
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SUMÁRIO 25
Prática Contábil I
QUADRO 1 - TIPOS DE SOCIEDADES PERSONIFICADAS
• Em nome coletivo
• Em comandita simples
Sociedades empresárias • Limitada
• Por ações
• Em comandita por ações
• Simples ou em nome coletivo
• Em comandita simples
Sociedades simples
• Limitada
• Cooperativa
• Responsabilidade limitada
Cooperativas
• Responsabilidade ilimitada
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Veja a seguir uma apresentação de cada um dos tipos de sociedades empresárias.
• As sociedades em nome coletivo (que podem ser empresárias ou simples) são
aquelas nas quais os sócios respondem solidária e integralmente pelas obri-
gações sociais.
• A sociedade em comandita simples (que também pode ser empresárias ou
simples) apresenta duas figuras: o comanditado, a pessoa física que é respon-
sável solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais da empresa; e os co-
manditários, que têm sua obrigação limitada ao valor de sua quota.
• A sociedade limitada (que também pode ser empresárias ou simples) é aque-
la na qual a responsabilidade de um sócio se limita ao valor de suas quotas.
Entretanto, uma característica importante dessa sociedade consiste na res-
ponsabilidade solidária de todos pela integração do capital social. De acor-
do com Iudícibus e Marion (2010), mais de 90% das empresas brasileiras são
constituídas sob a forma de sociedade limitada.
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Prática Contábil I
Existe uma interessante pesquisa sobre as sociedades limitadas de Filho et al
(2014) que apresenta uma radiografia das sociedades limitadas.
Normalmente, as sociedades limitadas utilizam a abreviação “LTDA” para designar o
tipo da empresa, logo após seu nome.
• A sociedade por ações (também chamada de sociedade anônima), designada
socialmente por S.A. ou S/A, são as sociedades nas quais o capital é dividido
em ações.
Como visto, as sociedades por ações são regulamentadas por uma lei específica,
a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (e suas posteriores alterações), que
dispõe sobre as sociedades por ações (FIPECAFI, 2013).
Nesse tipo de sociedade, a responsabilidade do sócio restringe-se ao preço de emis-
são das ações que subscrever ou adquirir (IUDÍCIBUS; MARION, 2010).
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SUMÁRIO 27
Prática Contábil I
FIGURA 7 - SOCIEDADE POR AÇÕES
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Aqui cabe destacar que as sociedades por ações podem ser abertas ou fechadas. As
companhias abertas têm os valores mobiliários de sua emissão negociados na bol-
sa de valores (B3). Assim, têm também registro na Comissão de Valores Mobiliários
(CVM). As companhias fechadas não realizam esse tipo de negociação.
A Librelato S.A. Implementos Rodoviários é uma sociedade por ações de capital
fechado. Já a Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.) é uma sociedade por ações de
capital aberto.
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Prática Contábil I
Você saberia citar exemplos de sociedades anônimas de capital aberto? Você
pode conferir todas as S/A de capital aberto negociadas no mercado brasileiro
acessando o site da B3.
• A sociedade em comandita por ações, por sua vez, é empresa que tem seu
capital divido em ações e que opera sob firma ou denominação. Isso significa
que apenas um acionista pode administrar essa sociedade e, assim sendo,
responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da companhia (IUDÍ-
CIBUS; MARION, 2010).
• As sociedades cooperativas, por fim, são sociedades que possuem característi-
cas específicas e que possuem uma legislação específica, a Lei n° 5.764, de 16
de dezembro de 1971.
Leia, a seguir, o que o Código Civil fala sobre a sociedade cooperativa:
Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa:
I - variabilidade, ou dispensa do capital social;
II - concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administra-
ção da sociedade, sem limitação de número máximo;
III - limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio
poderá tomar;
IV - intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade,
ainda que por herança;
V - quorum, para a assembléia geral funcionar e deliberar, fundado no número
de sócios presentes à reunião, e não no capital social representado;
VI - direito de cada sócio a um só voto nas deliberações, tenha ou não capital
a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participação;
VII - distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações
efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao ca-
pital realizado;
VIII - indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso
de dissolução da sociedade (BRASIL, Lei n° 10.406/02, art. 1.094).
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SUMÁRIO 29
Prática Contábil I
FIGURA 8 - SOCIEDADES COOPERATIVAS
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
Além disso, esse tipo de sociedade pode compreender dois tipos de responsabili-
dade: aquela na qual o sócio responde somente pelo valor de suas quotas, portanto
suas obrigações e participações serão proporcionais a tal percentual, chamada de
responsabilidade limitada; e aquela na qual o sócio responde solidária e ilimitada-
mente pelas obrigações sociais, dita responsabilidade ilimitada. Essa responsabilida-
de será delimitada no contrato de sociedade.
Agora que você aprendeu as principais características de cada uma das sociedades
previstas no Código Civil brasileiro, veja o quadro-resumo elaborado por Iudícibus e
Marion (2010) e sintetize seus estudos!
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30 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
QUADRO 2 - TIPOS DE SOCIEDADES A PARTIR DO CÓDIGO CIVIL
QUADRO-RESUMO DAS SOCIEDADES
Sociedades pelo CC Tipos Detalhes
Os sócios respondem solidária e
Sociedade comum
No que for ilimitadamente pelas obrigações.
(Sociedade de fato,
compatível, Também conhecida como sociedade
Não personificada (Não sem registro)
em ambas irregular.
inscritos: constituída de
aplicam-se as Um dos sócios é ostensivo
forma oral e documental,
Sociedade disposições (empreendedor, dirige o negócio e
porém não registrada)
em conta de da sociedade assume todas as responsabilidades).
participação simples Outros sócios são participantes, apenas
investidores.
• Sociedade em nome coletivo
Empresária1 • Sociedade em comandita simples
Atividade própria de empresário com • Sociedade limitada
registro na Junta • Sociedade por ações (Lei das S.A.)
Personificada
Comercial • Sociedade em comandita por ações
(Legalmente constituída
(Lei das S.A.)
e registrada no órgão
• Sociedade simples “pura” ou
competente, passando a
Simples 2
sociedade em nome coletivo
ser denominada pessoa
Atividade de não empresário com • Sociedade em comandita simples
jurídica)
registro no Cartório Civil • Sociedade limitada
• Cooperativa
Cooperativas • Responsabilidade dos sócios limitada
(Legislação especial e CC) • Responsabilidade dos sócios ilimitada
2
Quem exerce profissão intelectual de
natureza científica, literária ou artística,
1
Quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada
ainda com auxílio de colaboradores,
para a produção ou circulação de bens ou de serviços.
salvo se o exercício da profissão
constituir elemento de empresa.
Fonte: IUDÍCIBUS; MARION, 2010, p. 10.
Mas, atenção: para que possam adquirir personalidade jurídica, as empresas indivi-
duais e as sociedades empresariais deverão estar inscritas na Junta Comercial. Já as
sociedades simples terão de arquivar seus atos e constituição no Cartório de Registro
Civil de Pessoas, pois não são consideradas atividades econômicas organizadas. As
sociedades cooperativistas, por sua vez, são classificadas como sociedades simples e,
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SUMÁRIO 31
Prática Contábil I
por serem regidas por lei especial, deverão ser inscritas na Junta Comercial (BRASIL,
2002).
A Junta Comercial é o órgão responsável pela formalização, registro e regulari-
zação das empresas, sendo que existe uma Junta Comercial em cada estado do
Brasil.
Existe ainda um tipo de empresa que, cada vez mais, tem atraído os brasileiros para
o empreendedorismo: o Microempreendedor Individual (MEI). Nesse tipo de em-
presa, um profissional autônomo pode regularizar suas atividades. É um incentivo do
governo federal para a regularização das atividades de micronegócios.
Você sabe como funciona o MEI?
Existe uma lista de atividades que são permitidas nessa categoria de empresa, e os
grandes incentivos à abertura de empresa, além da realização de um sonho de em-
preender, são os facilitadores.
No MEI, o empresário poderá ter ganhos anuais de R$ 81.000,00. Os impostos mensais
são bastante reduzidos, se comparados a outros enquadramentos tributários. Além
disso, por meio da contribuição mensal, a pessoa garante participação previdenciária.
Tudo o que quiser saber sobre MEI, você encontra no Portal do Empreendedor.
Agora que você já conheceu quais são os tipos de sociedades que podem existir no
rol de atividades econômicas brasileiras, você conhecerá o passo a passo para a aber-
tura de empresas.
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Prática Contábil I
1.4 PASSO A PASSO PARA A ABERTURA DE
EMPRESAS
Depois de definido o tipo de empresa a ser instaurado, deve-se percorrer algumas
etapas até a abertura da empresa.
Veja, no quadro a seguir, as principais informações necessárias para tal processo.
Sob posse de seus documentos pessoais, comprovantes de residência e casamento
(quando cabível), deve-se:
QUADRO 3 - PASSO A PASSO PARA O REGISTRO DE EMPRESAS
1. Obter o registro legal na Junta Comercial ou no Cartório de Registro de Pessoa
Jurídica da sua cidade.
2. Criar um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).
3. Realizar as inscrições em secretarias específicas, como na Secretaria Estadual da
Fazenda.
4. Solicitar em órgão competente os alvarás de funcionamento.
5. Aparato fiscal para que seja possível a emissão de notas fiscais, por exemplo.
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Assim, o empresário deve, obrigatoriamente, obter sua inscrição do Registro Público
de Empresas Mercantis (RPEM) de sua sede imediatamente antes de iniciar suas ati-
vidades. O requerimento para tal inscrição deverá conter dados pessoais dos sócios, a
firma autenticada, o capital social, o objeto e a sede da empresa, conforme disposto
no artigo 968 do Código Civil:
I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de
bens;
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa que poderá ser substituída
pela assinatura autenticada com certificação digital ou meio equivalente que
comprove a sua autenticidade, ressalvado o disposto no inciso I do § 1o do art.
4oda Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006; (Redação
dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
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SUMÁRIO 33
Prática Contábil I
III - o capital;
IV - o objeto e a sede da empresa (BRASIL, Lei n° 10.406/02, art. 968).
A partir dessa inscrição, o empresário está consolidado como pessoa jurídica. É im-
portante destacar, no entanto, que para os solicitantes de MEI, o processo é facilitado.
Você realiza o primeiro trâmite pelo Portal do Empreendedor (que você já conheceu
anteriormente) e, depois disso, deve-se dirigir ao órgão competente em seu municí-
pio. E pronto!, está aberta e formalizada a sua empresa!
Uma pesquisa realizada com os órgãos competentes de registro de empresas
em todo o Brasil apontou que o processo de abertura de empresas e os valo-
res necessários para tanto variam de região para região, podendo custar de R$
200,00 a R$ 1.200,00 – com exceção do MEI, no qual o custo para abertura não
ultrapassa R$ 70,00 (que corresponde ao pagamento do imposto e eventuais
despesas com cópias e impressões de documentos que devem ser entregues).
É importante destacar que o empresário que estabelecer filial, agência ou sucur-
sal em local diferente ao do RPEM deverá realizar nova inscrição nesse local. De
qualquer forma, conforme previsto no Código Civil, destaca-se que a constitui-
ção de um estabelecimento secundário também deve ser averbada no RPEM.
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34 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Vamos utilizar dois exemplos práticos para compreender todo o conteúdo?
Juliana e alguns outros colegas encerraram sua graduação em ciências contá-
beis e desejam abrir um escritório de contabilidade. A atividade do contador
não se caracteriza como objeto de atividade empresária, portanto os novos con-
tadores abrirão um escritório sob a modalidade de sociedade simples. O grupo
decidiu que a forma jurídica que estabeleceriam seria sociedade limitada. A
partir disso, juntaram toda a documentação necessária e se dirigiram à Junta
Comercial. Ali, protocolaram o pedido de abertura de empresa e devem aguar-
dar, agora, as próximas etapas – que, de acordo com o que explicou o funcioná-
rio da Junta Comercial ao grupo, pode demorar até seis meses.
Camila, por sua vez, encerrou sua graduação em administração e resolveu abrir
uma empresa que preste serviços administrativos gerais on-line. Ela possui ape-
nas um cliente, mas ele exige a emissão de nota fiscal para a contratação dos
serviços.
Como Camila ainda está começando, ela decidiu que seria uma Microempreen-
dedora Individual. Assim, acessou ao Portal do Empreendedor e verificou se,
dentre a lista de atividades permitidas, havia alguma que se relacionava às que
ela atuaria. Verificou que havia uma Classificação Nacional de Atividades Eco-
nômicas (CNAE) com a seguinte nomenclatura: Preparação de documentos e
serviços especializados de apoio administrativo não especificados anteriormen-
te. Camila, então, realizou o registro no Portal do Empreendedor, pagou o valor
referente ao tributo e dirigiu-se à prefeitura de sua cidade, na qual formalizou
o trâmite e foi cadastrada no sistema como MEI, obtendo acesso on-line para
emissão de nota fiscal.
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SUMÁRIO 35
Prática Contábil I
Veja, portanto, que o processo de tramitação do MEI é muito mais rápido e facilitado
que os demais processos de abertura de empresa. Contudo, ele apresenta limitações,
como quantidade de sócios, funcionários e receita anual.
O mais importante é que o empreendedor compreenda suas atividades, quais são as
atribuições de seus sócios (quando houver) para definir o tipo de sociedade e, então,
realizar os trâmites burocráticos.
Assim, encerra-se o conteúdo sobre abertura de empresas. Espera-se que você tenha
aproveitado!
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou os principais aspectos referentes à abertura de empre-
sas. E para compreender o passo a passo para abrir uma empresa, você, primeira-
mente, precisou estudar os tipos de empresas previstos no Código Civil brasileiro.
Empresa é uma organização de pessoas que se unem para praticar uma atividade
econômica e, nessa união, se obrigam, de forma recíproca, a trabalhar e colher os
resultados desse trabalho. Então, em uma empresa, organiza-se o capital, a mão de
obra, os insumos e a tecnologia para produzir bens ou fornecer serviços a um públi-
co interessado. O empresário, por sua vez, é a pessoa que exerce profissionalmente
alguma atividade econômica organizada. Diz-se, da empresa, aquilo que é realizado
como atividade empresarial.
Entre os diferentes tipos de sociedades existentes, pode-se apresentá-las sob socie-
dades não personificadas e sociedades personificadas. Dentro desta classificação,
têm-se, ainda, as sociedades não personificadas: sociedade comum e sociedade em
conta de participação; e as sociedades personificadas: sociedade empresária, socie-
dade simples e cooperativa.
As sociedades personificadas são aquelas reconhecidas como pessoas jurídicas, po-
dem se apresentar sob as seguintes formações: sociedade em nome coletivo, so-
ciedade em comandita simples, sociedade limitada, sociedade por ações, socieda-
de em comandita por ações, sociedade simples e cooperativa – que podem ser de
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Prática Contábil I
responsabilidade limitada ou ilimitada.
Estas são as sociedades previstas no Código Civil. No entanto, há também uma outra
classificação de empresa: o Microempreendedor Individual (MEI), que você aprendeu
que é uma categoria de empreendedorismo que nasceu de um incentivo do governo
à formalização das atividades de profissionais autônomos.
O passo a passo para a abertura de uma empresa deve ser realizado com o órgão
competente do local em que será a sede da empresa, os sócios deverão comparecer
presencialmente para a realização da inscrição que torna formal o registro da pessoa
jurídica – seja para as sociedades previstas no Código Civil, seja para os MEI.
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SUMÁRIO 37
Prática Contábil I
UNIDADE 2
OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:
> Definir o conceito de
contas.
> Identificar contas
patrimoniais e contas
de resultado.
> Definir o que é um
plano de contas,
bem como sua
importância.
> Descrever como é
elaborado um plano
de contas.
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38 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
2 CONTAS E ELABORAÇÃO
DO PLANO DE CONTAS
Todas as empresas, sejam elas grandes ou pequenas, familiares ou industriais, pre-
cisam organizar seus eventos econômico-financeiros. Essa organização ocorre por
meio da Contabilidade. Temos, portanto, que a Contabilidade é uma ciência que tem
como objetivo fornecer informações úteis aos seus usuários. A forma como a Contabi-
lidade fornece essas informações consiste na elaboração e publicação das Demons-
trações Contábeis que refletem a situação econômico-financeira das empresas.
Para que possa de fato ser esse meio de comunicação entre empresa e usuários, a
Contabilidade, por meio de seus instrumentos, apura e registra os atos e fatos que
alteram o patrimônio das empresas. Para realizar esse registro, os dados financeiros
são organizados em elementos contábeis conhecidos como “conta”. Cada empresa
possui um plano de contas específico que apresenta todas as suas contas.
A partir de agora, você vai compreender os conceitos de contas e planos de contas,
conhecendo quais são os principais aspectos que devem ser observados no momen-
to da elaboração de um plano de contas.
Bons estudos!
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SUMÁRIO 39
Prática Contábil I
2.1 CONTAS E PLANOS DE CONTAS
É sempre importante lembrar que o objetivo da Ciência Contábil é fornecer informa-
ções para auxiliar a tomada de decisão.
Mas como a Contabilidade cumpre seu objetivo? Por meio do registro contábil de
todos os eventos que ocorrem em uma entidade.
FIGURA 9 - CONTAS CONTÁBEIS
Fonte: elaborada pela autora (2019).
A Contabilidade deve fazer os registros para poder controlar todos os acontecimentos
que envolvem o Patrimônio de uma empresa.
Patrimônio de uma empresa é o conjunto de bens, direitos e obrigações que
uma empresa possui em um dado momento do tempo.
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40 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Como o patrimônio de uma empresa compreenderá diversos elementos diferentes, é
necessário que todos estes itens sejam organizados de maneira que possam refletir,
de forma ordenada, tudo o que a empresa tem. Para isso, a Contabilidade se utiliza
de contas que consistem em uma organização dos elementos de uma empresa de
acordo com suas características.
Você viu que as contas organizam os itens patrimoniais e de resultado por suas seme-
lhanças e características. Mas quem define quais são as contas existentes?
As contas contábeis são definidas em um plano de contas.
FIGURA 10 - CONTAS E PLANOS DE CONTAS
Fonte: elaborada pela autora (2019).
O plano de contas é um documento que reúne, em um único documento, uma lista
com todas as contas patrimoniais e de resultado de uma empresa. Assim, cada em-
presa possui o seu plano de contas, considerando as contas que melhor representam
suas atividades.
Vamos, a partir de agora, compreender o que são as contas e como as empresas ela-
boram seus planos de contas!
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SUMÁRIO 41
Prática Contábil I
2.1.1 O QUE SÃO CONTAS
Na avaliação de Ribeiro (2013), a conta é um nome técnico que remete aos com-
ponentes patrimoniais e aos elementos de Resultado. Dessa maneira, cada bem,
ou grupo de bens, direitos, obrigações ou situação líquida, terá uma conta específica.
O mesmo acontece com as contas de resultado que alteram o Patrimônio Líquido.
A venda de mercadorias a prazo remete a um direito de a empresa de re-
ceber, em outra data, o valor da receita de vendas. A conta que representa
esses valores é denominada clientes.
As contas são, portanto, o primeiro passo para o registro dos eventos contábeis que
afetam o patrimônio das entidades. A partir da definição de uma conta, é possível
controlar quais alterações ocorreram nela em um período de tempo (SANTOS, 2011).
Toda e qualquer movimentação no patrimônio das entidades, será, então, registrada
pela contabilidade.
FIGURA 11 - MOVIMENTO DAS CONTAS EM UMA ENTIDADE EM OPERAÇÃO
INÍCIO DO PROCESSO
DE INDUSTRIALIZAÇÃO
Compra de
matéria-prima
RECEBIMENTO
Caixa e Produção em
bancos andamento
Duplicatas a Produtos
receber acabados
VENDAS A PRAZO
Fonte: adaptada, Marion (2009, p. 45).
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42 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Posteriormente, esses registros serão evidenciados nas demonstrações contábeis,
que serão disponibilizadas aos usuários da informação contábil para auxiliá-los em
sua tomada de decisão.
Um investidor quer aplicar recursos em uma determinada empresa. Para
decidir se aplica ou não os recursos, ele analisa as informações econômico-fi-
nanceiras da empresa a fim de saber sobre as expectativas de rentabilidade
para o investimento. Este é um exemplo de tomada de decisão a partir das
informações geradas pela Contabilidade.
Quando você visualiza um Balanço Patrimonial, você compreende que as informa-
ções ali dispostas representam tudo o que a empresa possui em um determinado
momento do tempo: os bens, os direitos e também as obrigações para com terceiros.
Percebe, ainda, como é estabelecida a relação com os sócios a partir do capital distri-
buído e das reservas.
QUADRO 4 - MODELO DE BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Passivo circulante
Ativo circulante
Contas a pagar
Disponibilidades
Empréstimos e financiamentos
Contas a receber
Provisões
Estoques
Despesas pagas antecipadamente
Passivo não circulante
Contas a pagar
Empréstimos e financiamentos
Ativo não circulante
Patrimônio Líquido
Realizável a longo prazo
Capital social
Imobilizado
Reservas de lucros
Intangível
Reservas de capital
Total do Ativo Total do Passivo + Patrimônio Líquido
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SUMÁRIO 43
Prática Contábil I
Fonte: elaborada pela autora (2019).
A análise do Balanço Patrimonial permite vislumbrar todas estas informações a partir
da disposição dos elementos em suas respectivas contas.
A FIPECAFI (2013) aponta que algumas contas, com valor insignificante, não devem
aparecer com destaque nas demonstrações contábeis. Assim, o saldo dessas contas será
agrupado em outras contas do mesmo grupo e que possuam natureza semelhante.
A Lei das Sociedades Por Ações (Lei n. 6.404 de 1976) determina que, se
a soma dos saldos de contas semelhantes que tiverem sido agrupadas for
superior a 10% do valor do grupo de contas, então essas contas deverão ser
apresentadas integral e detalhadamente.
É importante destacar que, ao fazer a classificação das contas, o contador deve levar
em consideração a natureza dos elementos patrimoniais, dividindo as contas em pa-
trimoniais e em resultados. Aprenda um pouco mais sobre cada uma delas a seguir.
2.1.1.1 CONTAS PATRIMONIAIS
As contas patrimoniais são aquelas que organizam, por características comuns, os
elementos patrimoniais de uma entidade. Estes elementos são os itens que com-
põem o patrimônio de uma empresa e podem ser: bens, direitos ou obrigações.
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44 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
O rol de contas patrimoniais contempla, por exemplo, os estoques de mer-
cadorias, as máquinas e equipamentos, os recursos – em caixa e no banco.
Veja, no quadro a seguir, um exemplo de contas patrimoniais:
QUADRO 5 - EXTRATO DO ATIVO DA NATURA COSMÉTICOS S.A
CONTA DESCRIÇÃO 30/09/2018 31/12/2017
1 Ativo Total 14.800.487 14.957.462
1.01 Ativo Circulante 6.127.319 7.056.309
1.01.01 Caixa e Equivalente de Caixa 586.752 1.693.131
1.01.02 Aplicações Financeiras 1.179.398 1.977.305
1.01.02.01.01 Títulos para Negociação
1.01.02.01.02 Títulos designados a Valor Justo
Aplicações Financeiras Avaliadas a Valor Justo
1.01.02.02
através de Outros Resultados Abrangentes
Aplicações Financeiras Avaliadas ao Custo
1.01.02.03
Amortizados
1.01.03 Contas a Receber 1.499.830 1.507.921
1.01.03.01 Clientes
1.01.03.02 Outras Contas a Receber
1.01.04 Estoques 1.616.847 1.243.925
1.01.05 Ativos Biológicos
Fonte: Demonstrações Consolidadas da Natura Cosméticos S.A., (2019).
Observe que existem nomenclaturas e também numerações específicas para cada
uma das contas. Este é apenas um extrato referente ao Ativo do Balanço Patrimonial
da empresa nos períodos de 2017 e 2018. No entanto, existem muitas outras contas
evidenciadas.
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SUMÁRIO 45
Prática Contábil I
Você lembra do conteúdo sobre os tipos de sociedades? A Natura é um
exemplo de sociedade por ações de capital aberto, ou seja, possui suas ações
negociadas no mercado de valores mobiliários (a B3, no Brasil).
Além das contas ativas, obrigações também serão evidenciadas em contas
patrimoniais.
Salários devidos aos funcionários podem ser encontrados, geralmente, como
a conta “Salários a pagar”.
Nesse mesmo sentido, os direitos dos sócios a partir dos valores empenhados no ca-
pital social e nos resultados da empresa também serão evidenciados como contas
patrimoniais.
Reservas de lucros, como “reserva legal” e “reserva para contingências” são
exemplos de contas patrimoniais elencadas no Patrimônio Líquido.
Agora que você compreendeu o que são contas patrimoniais, você entenderá mais
sobre as contas de resultado.
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Prática Contábil I
2.1.2 CONTAS DE RESULTADO
As contas de resultado, por sua vez, são aquelas nas quais são registrados eventos que
afetam o patrimônio, mas não são diretamente evidenciados nele. Ou seja: receitas
e despesas.
As receitas e despesas são alterações nos benefícios econômicos de uma
entidade em um período de tempo, sendo que estas alterações se refletem
no Patrimônio Líquido (PL) da entidade. Enquanto as receitas relacionam-se
aos aumentos, as despesas relacionam-se às diminuições que impactam o
patrimônio líquido e que não se relacionam com a contribuição dos deten-
tores de instrumentos patrimoniais.
Utilizando a Natura Cosméticos S.A., você poderá ver todas as contas elencadas na
Demonstração de Resultado de Exercício da empresa. Estas mesmas contas elenca-
das são as que constam no plano de contas da empresa.
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QUADRO 6 - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DA NATURA COSMÉTICOS S.A
Fonte: Demonstrações Consolidadas da Natura Cosméticos S.A., (2019).
Como você pôde vislumbrar no quadro anterior, as contas de resultado são elencadas
na Demonstração do Resultado de Exercício em grupos. Assim sendo, no rol de des-
pesas gerais, nas práticas contábeis, existem outros subgrupos de contas.
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Despesas relacionadas a honorários contábeis, por exemplo, são despesas
gerais ou administrativas. Já as receitas com juros são elencadas em receitas
financeiras.
Compreende-se, portanto, que a escolha de contas deverá refletir a realidade da em-
presa, possibilitando que os registros contábeis sejam realizados da forma mais rápi-
da e clara o possível.
Você compreendeu, até agora, o que são as contas patrimoniais e de resultado, e
como elas são importantes no processo informacional. É importante destacar que,
para fazer os registros contábeis em uma empresa, é necessário ter “contas” as quais
irão abrigar esses registros por meio da escrituração dos atos e fatos que ocorreram.
Para isso, é necessário que o contador tenha uma relação das contas, que estarão
dispostas em um documento chamado Plano de Contas. Entenda um pouco mais
sobre ele a seguir.
2.2 A ELABORAÇÃO DO PLANO DE CONTAS
Um plano de contas consiste em um conjunto de contas que orienta as tarefas do
Setor de Contabilidade, de forma a facilitar e uniformizar os registros (RIBEIRO, 2013).
Cada empresa deve elaborar o seu próprio Plano de Contas, pois as particularidades
e exigências mudam de empresa para empresa, já que cada caso é um caso, porém
deve-se sempre obedecer às normas legais que disciplinam o assunto, constantes na
Lei n. 6.404/1976 e suas alterações.
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SUMÁRIO 49
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Para saber mais sobre o que a legislação fala sobre o Plano de Contas, bus-
que as Leis no site do Planalto: Lei 6.404/76 e Lei 11.638/07.
Até o momento, você aprendeu que as contas são separadas em contas patrimoniais
e contas de resultado. Mas esta não é a única nomenclatura para referenciá-las.
As contas ainda podem ser classificadas de duas formas: contas analíticas, que rece-
bem os lançamentos e o seu saldo é decorrente desses lançamentos; e as contas sin-
téticas, que não recebem os lançamentos e cujos saldos são obtidos pela somatória
dos saldos das contas analíticas similares (FIPECAFI, 2013).
FIGURA 12 - CLASSIFICAÇÕES DAS CONTAS
Fonte: elaborada pela autora (2019).
Em resumo, as contas sintéticas são contas maiores que receberão o somatório de vá-
rias outras contas analíticas. Existem contas patrimoniais sintéticas e analíticas, assim
como existem contas de resultado sintéticas e analíticas.
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Prática Contábil I
Imagine que uma determinada empresa compre suas mercadorias de dois
fornecedores diferentes: um deles é o João e a outra fornecedora é a Maria.
A conta sintética para elencar os registros de compra a prazo de mercadorias
seria “FORNECEDORES”, enquanto cada um deles possuiria uma conta ana-
lítica: Fornecedor João e Fornecedora Maria.
Cabe ao contador, em conjunto com outras pessoas que conhecem as rotinas e ati-
vidades da empresa, planejar a estruturação do Plano de Contas de maneira que se
possibilite o melhor resultado possível ao tratar das informações contábeis, pois ele é
sua principal ferramenta de trabalho.
Para ilustrar a elaboração de um Plano de Contas, conheça as principais ca-
racterísticas e informações da Companhia ABC:
A Companhia ABC é uma empresa que compra mercadorias para revenda.
A empresa possui dois fornecedores (Beta e Gama) e realiza as vendas tanto
à vista quanto a prazo, possuindo conta corrente nos Bancos Alpha e Del-
ta. Em sua estrutura empresarial, conta com dois funcionários administra-
tivos e dois vendedores. A Companhia ABC realiza suas atividades em uma
sala comercial de sua propriedade e suas principais contas fixas são: energia
elétrica, água, telefone e honorários contábeis. No rol de gastos, a empresa
possui, ainda, gastos variáveis com sacolas de papel e com embalagens de
presentes que estão relacionadas às vendas de mercadorias.
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SUMÁRIO 51
Prática Contábil I
Todas essas informações são necessárias para a elaboração do plano de contas da em-
presa. Acompanhe na tabela a seguir a criação de um Plano de Contas para a Com-
panhia Alpha, respeitando os dados fornecidos no enunciado do exemplo anterior.
É importante que você saiba que o Plano de Contas é um único documento
que mostrará todas as suas contas. Mas, para que você possa compreendê-lo,
vamos dividi-lo em três partes: ativo, passivo e patrimônio líquido e resultado.
Confira, a seguir, o Plano de Contas elaborado para as contas do Ativo.
QUADRO 7 - PLANO DE CONTAS DA COMPANHIA ABC – PARTE DO ATIVO
CÓDIGO CLASSIFICAÇÃO TIPO NOME
17 1 Sintética ATIVO
23 1.1 Sintética ATIVO CIRCULANTE
30 1.1.1 Sintética DISPONÍVEL
46 1.1.1.01 Sintética CAIXA
15 1.1.1.01.001 Analítica Caixa Analítico
19 1.1.1.02 Sintética CONTA CORRENTE BANCÁRIA
21 1.1.1.02.001 Analítica Banco Alpha
23 1.1.1.02.002 Analítica Banco Delta
35 1.1.2 Sintética CLIENTES
1.1.2.01 Sintética DUPLICATAS A RECEBER
96 1.1.2.01.001 Analítica Duplicatas a receber em geral
75 1.1.2.02 Sintética PERDAS ESTIMADAS
(-) Perdas estimadas em créditos de liquidação
48 1.1.2.02.001 Analítica
duvidosa
37 1.1.3 Sintética ESTOQUES
86 1.1.3.01 Sintética MERCADORIAS
84 1.1.3.01.001 Analítica Mercadorias para Revenda
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CÓDIGO CLASSIFICAÇÃO TIPO NOME
33 1.1.4 Sintética MATERIAL DE CONSUMO
82 1.1.4.01.001 Analítica Sacolas e embalagens
16 1.1.5 Sintética VALORES A RECUPERAR
49 1.1.5.01.001 Analítica ICMS a Recuperar
11 1.2 Sintética ATIVO NÃO CIRCULANTE
34 1.2.1 Sintética REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
04 1.2.1.01 Sintética CLIENTES
12 1.2.1.01.001 Analítica Duplicatas a receber em geral
03 1.2.1.02 Sintética PERDAS ESTIMADAS
(-) Perdas estimadas em créditos de liquidação
32 1.2.1.02.001 Analítica
duvidosa
21 1.2.2 Sintética IMOBILIZADO
74 1.2.2.1 Sintética IMOVEIS
66 1.2.2.1.01 Analítica Sala comercial
28 1.2.2.2 Sintética (-) DEPRECIAÇÕES ACUMULADAS
07 1.2.2.2.01 Analítica (-) Depreciação Acumulada s/ Sala comercial
Fonte: elaborado pela autora (2019).
Perceba que o Plano de Contas refletiu as principais atividades realizadas pela em-
presa, destacando as contas “estoques” e “clientes”, habituais às empresas comerciais.
Repare que os bancos citados no enunciado do exemplo são contas analíticas e a
conta sintética é “Conta corrente bancária”.
Se houver um saldo de R$ 150.000 no Banco Alpha e R$ 300.000 no Banco
Delta, o valor evidenciado na conta sintética “Conta corrente bancária” deve-
rá ser o somatório desses dois valores: R$ 450.000.
A seguir, você verá a parte do Passivo e Patrimônio Líquido do Plano de Contas da
Companhia ABC.
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SUMÁRIO 53
Prática Contábil I
QUADRO 8 - PLANO DE CONTAS DA COMPANHIA ABC – PARTE DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO
CÓDIGO CLASSIFICAÇÃO TIPO NOME
103 2 Sintética PASSIVO
126 2.1 Sintética PASSIVO CIRCULANTE
134 2.1.1 Sintética CREDORES DIVERSOS
139 2.1.1.01 Sintética FORNECEDORES
140 2.1.1.01.001 Analítica Fornecedor Beta
147 2.1.1.01.002 Analítica Fornecedor Gama
152 2.1.2 Sintética OBRIGAÇÕES A PAGAR
168 2.1.2.01 Sintética OBRIGAÇÕES FISCAIS E SOCIAIS A RECOLHER
170 2.1.2.1.001 Analítica ICMS a Recolher
175 2.1.2.1.002 Analítica IRRF a Recolher
184 2.1.2.1.003 Analítica Pis a Recolher
192 2.1.2.1.004 Analítica COFINS a Recolher
199 2.1.2.1.005 Analítica INSS a Recolher
258 2.1.2.1.006 Analítica FGTS a Recolher
261 2.1.2.02 Sintética OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS A PAGAR
277 2.1.2.02.002 Analítica Salários a Pagar
299 2.2 Sintética PASSIVO NÃO CIRCULANTE
365 2.2.1 Sintética CREDORES DIVERSOS
369 2.2.1.01 Sintética FORNECEDORES
374 2.2.2.1.001 Analítica Fornecedor Beta
378 2.2.2.1.002 Analítica Fornecedor Gama
3881 2.3 Sintética PATRIMÔNIO LÍQUIDO
3921 2.3.1 Sintética CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO
3952 2.3.1.01 Analítica Capital Social
4152 2.3.1.02 Analítica (-) Capital Social a Subscrever
4298 2.3.2 Sintética (-)CAPITAL A REALIZAR
4578 2.3.2.01 Analítica (-)Capital Social a Integralizar
4987 2.3.3 Sintética LUCROS OU PREJUIZOS ACUMULADOS
4998 2.3.3.01 Analítica Lucros Acumulados
4999 2.3.3.02 Analítica Prejuízos Acumulados
Fonte: elaborado pela autora (2019).
Você recorda dos fornecedores da empresa? Pois bem, veja que eles também foram
trazidos para o Plano de Contas – no circulante e não circulante, e em contas sintéti-
cas e analíticas.
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Prática Contábil I
Se houver um saldo de R$ 20.000 no Fornecedor Beta e R$ 80 no Fornece-
dor Gama, o valor evidenciado na conta sintética “Fornecedores” deverá ser o
somatório desses dois valores: R$ 100.000.
A seguir, você verá a parte do Passivo e Patrimônio Líquido do Plano de Contas da
Companhia ABC.
QUADRO 9 - PLANO DE CONTAS DA COMPANHIA ABC – PARTE DO RESULTADO
CÓDIGO CLASSIFICAÇÃO TIPO NOME
5014 3 Sintética CONTAS DE RESULTADO
5187 3.1 Sintética RECEITA BRUTA DE VENDAS
5194 3.1.1 Sintética RECEITA DE VENDAS
5199 3.1.1.01 Sintética RECEITA BRUTA DE VENDAS DE PRODUTOS
5269 3.1.1.01.001 Analítica Venda de Mercadorias a Vista
5347 3.1.1.01.002 Analítica Venda de Mercadorias a Prazo
5396 3.1.1.02 Sintética (-)DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA
5416 3.1.1.02.001 Analítica (-)Vendas Canceladas
5523 3.1.1.02.002 Analítica (-)Abatimentos Incondicionais
5681 3.1.1.02.003 Analítica (-) ICMS
5708 3.1.1.02.004 Analítica (-) Outras deduções
5800 3.2 Sintética CONTAS DE CUSTOS OPERACIONAIS
5964 3.2.1 Sintética CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS
6066 3.2.1.01 Sintética CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS
6157 3.2.1.01.001 Analítica Custos das Mercadorias Vendidas
6298 3.3 Sintética CONTAS DE DESPESAS OPERACIONAIS
6354 3.3.1 Sintética DESPESAS OPERACIONAIS
6444 3.3.1.01 Sintética DESPESAS ADMINISTRATIVAS
6596 3.3.1.01.001 Sintética DESPESAS COM PESSOAL
6693 3.3.1.01.001.01 Analítica Salários
6720 3.3.1.01.001.02 Analítica INSS
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SUMÁRIO 55
Prática Contábil I
CÓDIGO CLASSIFICAÇÃO TIPO NOME
6841 3.3.1.01.001.03 Analítica FGTS
7120 3.3.1.01.002 Sintética DESPESAS DE OCUPAÇÃO
7235 3.3.1.01.002.01 Analítica Depreciações
7610 3.3.1.01.003 Sintética DESPESAS COM VENDAS
7759 3.3.1.01.003.01 Analítica Devedores Duvidosos
7856 3.3.1.01.003.02 Analítica Sacolas e Embalagens
8105 3.3.1.01.004 Sintética DESPESAS GERAIS
8365 3.3.1.01.004.01 Analítica Água
8456 3.3.1.01.004.02 Analítica Energia elétrica
8690 3.3.1.01.004.03 Analítica Honorários contábeis
8705 3.3.1.01.004.04 Analítica Luz
8904 3.4 Sintética CONTAS DE APURAÇÃO DO RESULTADO
9000 3.4.1 Sintética APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
9054 3.4.1.01 Sintética LUCRO OU PREJUÍZO DO PERÍODO
9637 3.4.1.01.001 Analítica Lucro ou Prejuízo do Período
Fonte: elaborado pela autora (2019).
As contas de resultado, em um Plano de Contas, também evidenciarão aquelas con-
tas que refletem as atividades da empresa. Note que no enunciado foram elencadas
algumas contas da empresa e todas elas foram elencadas no quadro apresentado
(Plano de Contas da Companhia ABC – parte do resultado).
Se houver um saldo de R$ 1.000 em despesas com água, R$ 4.000 em des-
pesas com energia elétrica, R$ 2.500 com honorários contábeis e R$ 500 em
despesas com luz, o valor evidenciado na conta sintética “Despesas gerais”
deverá ser o somatório desses dois valores: R$ 8.000.
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Prática Contábil I
Se você quiser ver um Plano de Contas completo, o Manual de Contabilidade
Societária, disponível na Minha Biblioteca, que apresenta um Modelo em seu
apêndice.
Para criar um Plano de Contas, é necessário entender quais são os aspectos que fa-
zem parte da estrutura dele e a que eles se referem. O código da conta serve para
auxiliar a prática contábil e, geralmente, são elencados aleatoriamente pelo sistema
contábil. Além disso, se você observou com cuidado, pôde observar que existem três
classificações: 1, 2 e 3.
As contas classificadas no nível 1 e seus desdobramentos referem-se ao Ativo. As con-
tas classificadas no nível 2 e seus desdobramentos referem-se ao Passivo e Patrimô-
nio Líquido. Já as contas classificadas no nível 3 e seus desdobramentos referem-se
ao Resultado da empresa.
Um Plano de Contas permitirá, portanto, que a empresa organize os elementos que
afetam seu patrimônio, em suas práticas cotidianas, dando agilidade e reforçando a
eficiência do registro contábil.
Destaca-se, nesse sentido, a importância do Plano de Contas em todo o processo
contábil. “A elaboração de um bom Plano de Contas é fundamental no sentido de
utilizar todo o potencial da contabilidade em seu valor informativo para os inúmeros
usuários” (FIPECAFI, 2013, p. 839).
A partir do exposto nesta unidade, você compreendeu como é elaborado o Plano de
Contas de uma empresa e qual é sua importância. Assim, encerra-se esta unidade.
Esperamos que você tenha aproveitado o conteúdo!
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SUMÁRIO 57
Prática Contábil I
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou os principais aspectos inerentes à elaboração do Plano
de Contas, compreendendo seu contexto, elaboração e importância. Para compreen-
der o que é um plano de contas, você estudou o que são as contas e como elas são
classificadas.
Uma conta é um nome técnico pelo qual são organizados os elementos patrimoniais
e de resultado. Assim, os itens que tiverem características similares dentro de um
contexto de atividade serão elencados em contas específicas. Por exemplo, se uma
empresa possui três computadores em seu patrimônio, ela irá elencar estes compu-
tadores em uma conta chamada “máquinas e equipamentos”. Outros itens, como
impressoras, também poderão contemplar esta conta, pois apresentam característi-
cas similares.
Ainda no que diz respeito às contas, você aprendeu que elas podem ser patrimo-
niais ou de resultado. Enquanto as contas patrimoniais são aquelas que elencam o
conjunto de bens, direitos, obrigações e de capital próprio, as contas de resultado
são compostas pelas receitas e despesas. Relembre alguns exemplos: caixa, bancos,
clientes, estoques, imobilizado, fornecedores, capital social e reservas de lucros, por
exemplo, correspondem a contas patrimoniais, pois figuram em elementos patrimo-
niais. Despesas com salários, receitas de vendas, custo das mercadorias vendidas, im-
postos incidentes sobre vendas, por sua vez, correspondem a contas de resultado,
pois evidenciam receitas ou despesas.
As contas são o primeiro passo para a realização dos registros contábeis, e todas as
contas de uma empresa são apresentadas em um documento denominado “Plano
de Contas”.
Como você já sabe, o Plano de Contas é o foco dos estudos dessa unidade. Ele é,
portanto, um documento que contempla todas as contas de uma empresa. Cada
empresa deverá ter seu Plano de Contas, pois ele se refere às especificidades de cada
uma. Mas, para elaborá-lo, é necessário tomar alguns cuidados: primeiramente, de-
ve-se observar o disposto na Lei n. 6.404/76 e suas alterações, já que esta é a norma
que versa sobre a elaboração do Plano de contas. Além disso, os responsáveis pela
elaboração do Plano de Contas devem conhecer bem as atividades realizadas pela
empresa e as suas rotinas, de modo que o plano reflita, de fato, quais são as contas
necessárias para os registros contábeis.
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58 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Um Plano de Contas é fundamental para que a Contabilidade alcance seu objetivo
de fornecer informação útil aos seus usuários, pois por meio dele é possível organizar
as informações contábil-financeiras de forma ordenada – uma grande ajuda não so-
mente nas rotinas diárias, mas também nas análises de informações e dados.
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SUMÁRIO 59
Prática Contábil I
UNIDADE 3
OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:
> Definir o que é a
escrituração contábil.
> Definir a constituição
de um sistema de
informação contábil.
> Identificar os tipos de
livros contábeis.
> Identificar o que é e
como é realizada a
conciliação contábil.
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60 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
3 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
A Contabilidade é uma Ciência cujo objetivo consiste em fornecer informações que
sejam úteis a seus usuários, de modo que os auxilie em sua tomada de decisão. Para
tanto, seu objeto de estudo é o patrimônio que é composto pelo conjunto de bens,
direitos e obrigações de uma entidade.
Para que a Contabilidade seja capaz de fornecer informações a partir dos bens, direi-
tos e obrigações, ela faz uso de técnicas de registro e controle do patrimônio, como
a escrituração contábil que ocorre por meio de dois livros contábeis principais: o livro
diário e o livro razão.
Todas essas informações compõem o sistema de informação contábil, que reúne os
diferentes controles que possam existir em uma empresa. Em um último processo
referente à escrituração contábil, é realizada a conciliação, na qual os saldos escritu-
rados são verificados e, caso necessário, corrigidos.
Assim sendo, nesta unidade, você irá compreender o que é a escrituração contábil,
qual sua importância para as rotinas contábeis e como ela compreende o sistema de
informação contábil. Ainda nesta unidade, você conhecerá os dois livros contábeis
fundamentais para a escrituração. Além disso, você aprenderá o que é e como é rea-
lizada a conciliação contábil.
Bons estudos!
3.1 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
Para que a Ciência Contábil cumpra com seu objetivo de fornecer informações úteis
a seus usuários, ela faz uso de diferentes técnicas que permitem que o patrimônio
estudado seja registrado e controlado de maneira adequada.
A primeira técnica utilizada consiste no registro das informações contábeis.
Essa técnica é denominada escrituração contábil. Nesse sentido, a escrituração con-
tábil é, portanto, o registro de todos os fatos que alteram o patrimônio das entidades
(MARION, 2009).
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SUMÁRIO 61
Prática Contábil I
A escrituração contábil é prevista tanto em livros fiscais quanto pela legislação co-
mercial. O Conselho Federal de Contabilidade é quem normaliza tais livros. O Código
Civil (2002) possui um capítulo (capítulo IV – Da Escrituração) destinado a tratar sobre
a escrituração contábil. Leia a seguir:
“Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um
sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uni-
forme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva,
e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.
§ 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a cri-
tério dos interessados.
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se
refere o art. 970.
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário,
que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou
eletrônica.
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado
para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico”
(BRASIL, 2002).
Cabe, portanto, compreender que os livros contábeis deverão ser utilizados para evi-
denciar as rotinas contábeis, de forma que apurem os saldos das contas contábeis
em um determinado período de tempo.
As contas contábeis reúnem elementos patrimoniais que possuem similari-
dade entre si. Assim, todos os valores em espécie, por exemplo, são reunidos
na conta “caixa”. Já as obrigações com fornecedores, por sua vez, são conta-
bilizadas na conta “fornecedores a pagar”.
É importante relembrar que os fatos contábeis são aqueles que alteram o patrimô-
nio das entidades. Essa alteração pode ocorrer em quantidades e/ou em qualidades
e podem ou não alterar o resultado do exercício. Assim sendo, tem-se os seguintes
tipos de fatos: permutativos, modificativos ou mistos.
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62 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Os fatos permutativos são aqueles que evidenciam a alteração do patrimônio em
qualidade. O total do Patrimônio pode até ser alterado, mas o valor do Patrimônio
Líquido não.
Compra de imobilizado
A compra, à vista, de uma máquina é exemplo de um fato permutativo. Nes-
se caso, não há alteração no total do patrimônio da entidade, há, apenas,
alteração em duas de suas contas: diminuição no caixa e aumento, em igual
valor, em máquinas e equipamentos. Caso o pagamento fosse realizado a
prazo, haveria alteração no patrimônio da entidade e, ainda assim, esse fato
continuaria sendo permutativo, pois o Patrimônio Líquido não foi alterado.
Aumento de capital
social da empresa
Os fatos modificativos, por sua vez, representam os fatos contábeis nos quais ocorre
a alteração do Patrimônio Líquido não tão somente em qualidade, mas também em
quantidade.
O aumento do Capital Social por meio de integralização de moeda corrente é
um exemplo de fato modificativo. Há um aumento no Patrimônio Líquido de
mesma grandeza que ocorre no Ativo da entidade. A distribuição de dividen-
dos também é um exemplo de fato modificativo, pois diminui o Patrimônio
Líquido e gera uma obrigação (Passivo) de igual valor de pagar tais dividen-
dos. Note que o pagamento de dividendos, no entanto, não é um fato modifi-
cativo, e sim um fato permutativo: sai dinheiro do caixa e quita-se a obrigação.
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SUMÁRIO 63
Prática Contábil I
Os fatos mistos são aqueles que são, ao mesmo tempo, fatos permutativos e
modificativos. Pagamentos com
acrescimos de juros e
multas
O pagamento de obrigações para com fornecedores, sob o qual há a incidên-
cia de juros, configura um fato misto. Veja: debita-se o ativo, debita-se uma
conta de despesa e credita-se o passivo (com a soma dos dois débitos). O fato
permutativo é a quitação da obrigação, enquanto o fato modificativo é a con-
tabilização da despesa com juros, que reduz o Patrimônio Líquido da entidade.
A escrituração contábil, portanto, compreende todo o processo de registro de todos
os eventos que alteram o patrimônio, sejam eles permutativos, modificativos ou mis-
tos. Ela será realizada por um contador legalmente habilitado e será elaborada no
idioma e moeda corrente nacionais. Não é permitido que haja espaços em branco,
entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes de informações para as mar-
gens – de forma que se evite a abertura de espaços para alterações, conforme prevê
o Código Civil.
Como o desenvolvimento da Ciência Contábil, acompanha-se, também, o desenvol-
vimento da sociedade. É notório que esse processo de registro tenha tido diferentes
percepções, como os rabiscos rupestres, os registros manuais e os registros mecani-
zados – como temos atualmente.
Por isso, agora que você compreendeu o que é escrituração contábil, saiba um pouco
mais sobre os sistemas de informação contábil.
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64 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
3.1.1 SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL
Vive-se em uma era na qual a informação acompanha a velocidade da luz. O pro-
cesso evolutivo de sistemas de comunicação demanda que as formas de fornecer
informação também evoluam.
Em uma análise organizacional, inicialmente, os registros eram realizados de forma
manuscrita e os relatórios demandavam grandes e demoradas análises e interpreta-
ções, a fim de gerar informação. Com o advento da mecanização, tais análises podem
ser mais rapidamente obtidas a partir de sistemas de informação.
Um sistema de informação, por si só, remete a um processamento de dados, a fim de
fornecer informações. De acordo com Gil (1999), a junção de recursos – humanas, ma-
teriais, tecnológicos e financeiros – que, organizados sob uma ótica lógica, consistem
em dados que serão processados para gerar uma informação. O autor ainda definiu
um dado como “matéria-prima com que o sistema de informação vai trabalhar” (GIL,
1999, p. 13).
FIGURA 13 - SISTEMA DE INFORMAÇÃO
DADO
SISTEMA DE INFORMAÇÃO
PROCESSAMENTO
INFORMAÇÃO
Fonte: Adaptado de GIL (1999).
Nesse sentido, trazendo à realidade contábil, todos os eventos que afetam um patri-
mônio, serão dados para que se gere alguma informação.
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SUMÁRIO 65
Prática Contábil I
Os sistemas de informação podem ser aqueles que fornecem subsídios às
operações ou aqueles que fornecem subsídios à gestão. Os sistemas de infor-
mação voltados às operações auxiliam os departamentos em suas funções.
Um sistema de informação de estoques, por exemplo, auxilia as rotinas ope-
racionais de uma entidade.
Já os sistemas de informação voltados às decisões auxiliam as rotinas administrativas
e financeiras, permitindo o planejamento, controle e avaliação do desempenho do
negócio.
Um sistema de informação contábil é um exemplo de sistema de informa-
ção de apoio à decisão.
Gil (1999) aponta que o sistema de informação contábil se dá pelo conjunto de re-
cursos humanos e de capital existentes em uma organização, dado que esta combi-
nação é responsável pela preparação de informações financeiras obtidas a partir das
transações realizadas, coletadas e analisadas.
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66 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
FIGURA 14 - SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL
Sistema de Informação Contábil
Transação que altera o patrimônio
Processamento
Informação
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
O sistema de contabilidade compreende um amplo espectro, desde a atividade em-
presarial, necessária para a elaboração do Plano de Contas, até a apresentação da de-
monstração financeira. Nesse caminho, o sistema perpassa a coleta de informações,
o registro dos eventos que alteram o patrimônio e a apuração de saldos e resultados.
Tal sistema é capaz, ainda, de realizar análises, interpretações e até recomendações para
aperfeiçoar o desempenho da empresa (MARION, 2009). Assim, um sistema de infor-
mação contábil compreende todas as rotinas de uma entidade sob as quais são proces-
sadas transações para e escrituração contábil. Esse sistema reconhece, calcula, classifica,
lança e apresenta, sumariamente, tais transações. A partir disso, cria relatórios que in-
formam o que foi alterado patrimonialmente e como ocorreu a alteração patrimonial.
O Sistema de Informação Contábil faz parte do Sistema de Informações Ge-
renciais (SIG) que concilia diferentes sistemas, a fim de fornecer uma infor-
mação gerencial. São exemplos dos sistemas apurados no SIG: sistema de
custos, sistema de centros de custos, sistemas de controladoria etc.
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SUMÁRIO 67
Prática Contábil I
A seguir, você irá estudar os livros Diário e Razão. É importante destacar que esses
livros, ainda que possuam, atualmente, suas versões mecanizadas (a partir dos inú-
meros sistemas digitais de contabilidade), são fundamentais para o controle do pa-
trimônio das entidades.
Agora que você compreendeu o que é um sistema de informação contábil, com-
preenda os livros contábeis.
3.2 LIVROS CONTÁBEIS
Os livros contábeis são documentos nos quais são apresentados os registros dos
eventos contábeis, isto é, aqueles que alteram o patrimônio das entidades. Tais livros
possuem exigência tanto legal quanto fiscal.
FIGURA 15 - LIVROS CONTÁBEIS
Caixa R$1.000
Bancos R$ 6.000
Fornecedores
R$4.000
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Alguns exemplos de livros que são utilizados na escrituração dos fatos são:
• Livro Diário;
• Livro Razão;
• Livro Caixa;
• Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR);
• Livro Contas Corrente.
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68 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Esses livros são classificados a partir de sua utilidade, natureza e finalidade.
A utilidade de um livro refere-se a ele ser principal ou auxiliar. Um livro principal evi-
dencia o registro de todos os eventos de uma entidade, enquanto um livro auxiliar
evidencia registros de apenas alguns eventos ou alguns grupos de eventos.
A natureza de um livro contábil pode ser cronológica ou sistemática. Um livro crono-
lógico é aquele que registra os eventos conforme eles ocorrem; e um livro sistemático
registra todos os eventos de uma mesma natureza.
Por fim, a finalidade de um livro pode ser obrigatória ou facultativa. Livro obrigatório é
aquele que é exigido legalmente, enquanto o livro facultativo é registrado, conforme
prerrogativa das entidades.
FIGURA 16 - CLASSIFICAÇÕES DOS LIVROS CONTÁBEIS
Utilidade Natureza Finalidade
• Principal • Cronológico • Obrigatório
• Auxiliar • Sistemático • Facultativo
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Analise os dois exemplos para compreender melhor a classificação.
Um livro diário tem utilidade principal, possui natureza cronológica e sua na-
tureza é obrigatória. Um livro caixa, por exemplo, tem utilidade auxiliar, sua
natureza é sistemática e sua elaboração é de finalidade facultativa.
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SUMÁRIO 69
Prática Contábil I
O quadro, a seguir, ilustra uma melhor percepção sobre estas informações. Confira:
FIGURA 17 - LIVROS CONTÁBEIS E SUAS CLASSIFICAÇÕES
Nome do Livro Utilidade Natureza Finalidade
Diário Principal Cronológico Obrigatório
Razão Principal Sistemático Obrigatório
Caixa Auxiliar Sistemático Facultativo
LALUR Auxiliar Sistemático Obrigatório
Contas Corrente Auxiliar Sistemático Facultativo
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Compreende-se, portanto, que os livros que evidenciarão todos os registros de uma
entidade são o Diário e o Razão.
O livro caixa é um livro auxiliar no qual são registrados os fatos que alteram
o caixa de uma entidade, assim como os livros de contas corrente, como
bancos, contas a receber e a pagar. O Lalur, por sua vez, é um livro fiscal que
busca apresentar a apuração do lucro real de uma empresa.
3.2.1 LIVRO DIÁRIO
O Livro Diário é um livro principal, de natureza cronológica e de escrituração obriga-
tória. Existem diferentes dispositivos legais que requerem seu preenchimento como
o Código Comercial, o Regulamento do Imposto de Renda e o Código Civil. O Re-
gulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), em seu art. 258 determina que, “sem
prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário”. Já o Código
Civil, ao tratar sobre o Livro Diário, explana que:
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70 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
“Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracteri-
zação do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução,
todas as operações relativas ao exercício da empresa” (BRASIL, 2002).
Um Livro Diário será, portanto, um documento no qual serão registrados todos os
fatos ocorridos em um exercício social. Sua elaboração deverá obedecer a um padrão
específico: o registro deve ser realizado em língua nacional e moeda corrente, por
ordem cronológica de acontecimento, não devendo apresentar rasuras, emendas ou
borrões, nem espaços ou linhas em branco. O lançamento deverá conter a data e
local do registro, a informação das contas a serem debitadas e creditadas, um histó-
rico referente à operação e o valor. Em questões gerais, um Livro Diário deverá conter
termos de abertura e também de fechamento, possuir numeração em suas páginas,
deverá ser encadernado e ser registrado em órgão competente.
FIGURA 18 - CARACTERÍSTICA FÍSICA DE UM LIVRO DIÁRIO
• Idioma nacional
• Moeda nacional
Características • Ordem cronológica
• Sem rasuras, sem emendas, sem borrões, sem espaços
ou linhas em branco
• Data e local
• Conta debitada
Lançamento • Conta creditada
• Histórico
• Valor
• Termo de abertura
• Numeração de páginas
Formalidade • Encadernamento
• Termo de fechamento
• Registro em órgão competente
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Suponha que Fabrício e João decidem iniciar um empreendimento em Ribeirão Pre-
to, no Estado de São Paulo. Depois de todas as formalidades para abertura de empre-
sa, iniciam suas atividades a partir da integralização do Capital Social. O Capital Social
subscrito, em 19 de março de 2019, é de R$ 100.000, dividido igualmente entre os
dois sócios. O lançamento de subscrição será:
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SUMÁRIO 71
Prática Contábil I
Ribeirão Preto, 19 de março de 2019 → Local e data
Capital social a integralizar R$ 100.000 → Conta debitada e valor
a Capital social subscrito R$ 100.000 → Conta creditada e valor
Subscrição de capital social → Histórico
Em 20 de março, Fabrício integraliza totalmente sua parte, e João integraliza apenas
R$ 30.000. Ambos os valores foram entregues sob a forma de moeda corrente. O lan-
çamento de integralização será:
Ribeirão Preto, 20 de março de 2019 → Local e data
Caixa R$ 50.000 → Conta debitada e valor
a Capital social a integralizar R$ 50.000 → Conta creditada e valor
Integralização de capital social do sócio Fabrício → Histórico
Ribeirão Preto, 20 de março de 2019 → Local e data
Caixa R$ 30.000 → Conta debitada e valor
a Capital social a integralizar R$ 30.000 → Conta creditada e valor
Integralização de capital social do sócio João → Histórico
Perceba, portanto, que todos os lançamentos, conforme sua ocorrência, foram regis-
trados compreendendo o local e a data, a conta debitada, a conta creditada, o valor
correspondente à transação e o histórico que permite identificar o lançamento.
Todos esses lançamentos, no entanto, envolvem apenas uma conta devedora e uma
conta credora, mas os eventos contábeis, no entanto, nem sempre são assim.
Para que a representação contábil seja fidedigna ao fato que alterou o patrimônio,
existem quatro fórmulas diferentes de lançamento contábil. Veja mais sobre elas.
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72 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
FIGURA 19 - TIPOS DE FÓRMULAS DE LANÇAMENTO
Lançamento de primeira fórmula
Lançamento de segunda fórmula
Lançamento de terceira fórmula
Lançamento de quarta fórmula
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
O lançamento de primeira fórmula ocorre quando um fato contábil envolve um dé-
bito e um crédito. A compra de matéria-prima, à vista, é um exemplo de fato que
demanda um lançamento de primeira fórmula:
Belo Horizonte, 15 de abril de 2019 → Conta debitada e valor
Estoque de matéria-prima R$ 10.000 → Conta creditada e valor
a Caixa R$ 10.000 → Conta creditada e valor
Compra de matéria-prima, à vista → Histórico
O lançamento de segunda fórmula ocorre quando um fato contábil envolve um débi-
to e dois ou mais créditos. Se a compra da matéria-prima for adquirida, parcialmente
à vista e parcialmente a prazo, tem-se um exemplo de fato que demanda um lança-
mento de segunda fórmula. Veja:
Belo Horizonte, 15 de abril de 2019 → Local e data
Estoque de matéria-prima R$ 10.000 → Conta debitada e valor
a Caixa R$ 5.000 → Conta creditada e valor
a Fornecedores R$ 5.000 → Conta creditada e valor
Compra de matéria-prima, à vista → Histórico
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SUMÁRIO 73
Prática Contábil I
O lançamento de terceira fórmula, por sua vez, ocorre quando um fato contábil en-
volve um ou mais débitos e um único crédito. Pode-se citar, por exemplo, a emissão
de um único cheque para o pagamento de três tipos de contas: luz, água e telefone.
Belo Horizonte, 15 de abril de 2019 → Local e data
Conta de luz a pagar R$ 1.000 → Conta debitada e valor
a Caixa R$ 400 → Conta creditada e valor
a Fornecedores R$ 600 → Conta debitada e valor
a Banco R$ 2.000 → Conta creditada e valor
Pagamento de contas de luz, água e telefone → Histórico
referente a março de 2019.
O lançamento de quarta fórmula, por fim, refere-se a um fato contábil que envolve
um ou mais débitos e um ou mais créditos. Se o pagamento das contas de luz, água
e telefone tivesse sido realizado com um cheque de R$ 1.500 e o restante do valor
em dinheiro, teríamos:
Belo Horizonte, 15 de abril de 2019 → Local e data
Conta de luz a pagar R$ 1.000 → Conta debitada e valor
Conta de água a pagar R$ 400 → Conta debitada e valor
Conta de telefone a pagar R$ 600 → Conta debitada e valor
a Banco R$ 2.000 → Conta creditada e valor
Pagamento de contas de luz, água e telefone → Histórico
referente a março de 2019.
Perceba, portanto, que o Livro Diário é uma descrição de todos os eventos que ocor-
rem em uma entidade. Sua escrituração é fundamental para que seja realizado um
adequado controle do patrimônio.
Imagine como seria apurado o resultado de um exercício social ou como seriam ela-
boradas as demonstrações contábeis sem que houvesse um adequado registro de
tudo que a entidade possui? O Livro Diário, a partir de seus registros cronológicos,
permite vislumbrar onde e como ocorrerão as variações no patrimônio.
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Prática Contábil I
Você sabia que a legislação vigente permite que os lançamentos sejam reali-
zados de forma resumida no Livro Diário?! No entanto, este resumo não pode
ultrapassar o período de trinta dias e, para tanto, é necessário que existam
livros auxiliares que registrem todos os fatos.
Agora que você compreendeu o que é o Livro Diário e como ele deverá ser preenchi-
do, entenda sobre o Livro Razão.
3.2.2 LIVRO RAZÃO
O Livro Razão, como você já sabe, é um livro principal, sistemático e obrigatório.
Ao estudar Contabilidade, com certeza você já ouviu falar no termo “razonete”. O razo-
nete é uma forma de escrituração contábil na qual os fatos são registrados em contas.
O Livro Razão, tal qual o razonete, evidencia a escrituração dos eventos que alteram o
patrimônio a partir de suas contas.
Isso significa que este livro apresenta um detalhamento dos lançamentos efetuados
no Livro Diário, apresentando as contas Patrimoniais e de Resultado.
Note que todas as contas evidenciadas no Livro Diário deverão possuir um
Livro Razão específico.
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SUMÁRIO 75
Prática Contábil I
A obrigatoriedade da escrituração em Livro Razão é prevista no Regulamento do Im-
posto de Renda de 1999 e também pelo Conselho Federal de Contabilidade. O artigo
259 do RIR/1999 diz que
“A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa
ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas
utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efe-
tuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na le-
gislação (BRASIL, 1999).
Nesse sentido, todas as empresas que têm o regime de tributação com base no lucro
real deverão manter escrituração contábil no Livro Razão.
A partir deste livro, as empresas são capazes de controlar, individualmente, o movi-
mento que ocorre em todas as contas da empresa. Portanto, destaca-se que a im-
portância deste livro reside no fato de se permitir uma visualização dos saldos de
cada uma das contas da empresa, possibilitando, assim, a apuração do resultado do
exercício e das demonstrações contábeis obrigatórias.
Por se tratar de uma cópia autêntica da escrituração realizada no Livro Diário, não há
obrigatoriedade de autenticação ou registro do Livro Razão em órgão competente.
No entanto, as regras inerentes à legislação comercial e fiscal devem ser observadas
no desenho da escrituração no Razão.
Confira, no quadro a seguir, a formatação obrigatória para o Livro Razão.
QUADRO 10 - ESCRITURAÇÃO NO LIVRO RAZÃO
ITEM ESPECIFICAÇÃO
Nome da conta Apresentar o nome da conta que está sendo evidenciada.
Data Informar a data completa do evento contábil.
Número Número da folha correspondente a este evento no Livro Diário
Contrapartida(s) Explicitar quais as contas que estão envolvidas no lançamento contábil.
Histórico Descrever o evento contábil que está sendo escriturado.
Valor do débito ou crédito Apontar qual o valor será acrescido e/ou diminuído do saldo da conta.
Saldo da conta Apresentar o saldo atual da conta – após o presente registro.
Indicação do saldo Apresentar a natureza do saldo – se devedora ou credora.
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
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76 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Note que essas são as informações mínimas requeridas para a escrituração no Livro
Diário quando da escrituração no Livro Diário.
Para compreender melhor, confira um exemplo.
Suponha que uma empresa comercial realizou três eventos econômico-financeiros
em uma semana, sendo eles:
1) Em 04 de março de 2019, a empresa comprou mercadorias, à vista, no valor de
R$ 15.000,00.
2) Em 07 de março de 2019, a empresa realizou o pagamento, em dinheiro, de obri-
gações com um determinado fornecedor, no valor de R$ 10.000,00.
3) Em 08 de março de 2019, a empresa recebeu, de clientes, o valor de R$ 12.000,00.
Imaginando que o saldo inicial da conta Caixa era de R$ 34.000, observa-se a devida
escrituração no Livro Razão:
QUADRO 11 - LIVRO RAZÃO
CONTA: CAIXA
CONTRAPAR-
DATA NÚMERO HISTÓRICO DÉBITO CRÉDITO SALDO D/C
TIDA
R$
04/03/2019 1 - Saldo anterior 34.000 D
Compra de R$ 15.000 R$
mercadorias 19.000
de acordo com
04/03/2019 1 Estoque NF de compra D
n. 1243 da
empresa XYZ
Ltda.
Pagamento de R$ 10.000 R$ 9.000
obrigações para
07/03/2019 2 Fornecedores D
com fornecedor
Alpha.
Recebimento R$
08/03/2019 2 Clientes R$12.000 D
de clientes 21.000
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
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SUMÁRIO 77
Prática Contábil I
O que se percebe é que o Livro Razão apresenta um detalhamento das contas nas
quais houve alguma alteração no patrimônio da empresa e sua utilização permite
analisar, de forma resumida, as informações referentes a uma conta específica.
Agora que você compreendeu o que são os livros contábeis, com destaque ao Livro
Diário e ao Livro Razão, você aprenderá sobre conciliação.
3.3 CONCILIAÇÃO
A palavra conciliação significa adequar ou ajustar algo. Isso significa que uma conci-
liação contábil consiste em adequar ou ajustar os eventos contábeis. Mais especifica-
mente, a conciliação contábil retrata a conferência de cada uma das contas contá-
beis de uma empresa.
A conciliação contábil funciona como uma atividade interna da empresa
que busca verificar se a apresentação das contas está adequada. Assim, a
partir da conferência dos registros realizados em cada conta, a empresa va-
lida seus registros.
A periodicidade da conciliação contábil varia de acordo com a demanda, com a
quantidade de registros e operações ou com as necessidades da empresa, podendo
ser quinzenal, mensal, semestral ou até anual.
O fato importante é que cada uma das contas será verificada, utilizando, como base,
demonstrativos que possam dar suporte para tal conferência.
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Prática Contábil I
A conciliação contábil da conta corrente da empresa pode envolver, por exem-
plo, a conferência dos valores registrados no extrato bancário da empresa.
Caso seja encontrada alguma discrepância, deve ser efetuado um lançamento para
corrigir tal lançamento, buscando verificar qual o motivo de tal erro e seu impacto
em demais.
Percebe-se, dessa forma, que a conciliação contábil consiste na verificação e valida-
ção dos saldos apresentados nos registros e livros contábeis. Portanto, a realização da
conciliação é fundamental para que os registros contábeis evidenciem adequada-
mente as transações realizadas pela empresa, evitando problemas na elaboração das
demonstrações contábeis.
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou os principais aspectos referentes à escrituração contá-
bil, compreendendo o que ela é e o que contempla.
A escrituração contábil representa a evidenciação de todas as transações econômico-
-financeiras que ocorrem em uma empresa. Assim, todos os eventos que impactam,
isto é, que alteram o patrimônio de uma determinada entidade, devem ser registra-
dos e contabilizados. A escrituração contábil se fundamenta, justamente, na organi-
zação e registro dessas informações.
Você compreendeu, também, o que é o sistema de informação contábil, que con-
siste em um aparato empresarial que possibilita a junção e consolidação de infor-
mações econômico-financeiras acerca de uma empresa. Existem diferentes tipos
de sistemas de informação e, na área da contabilidade, existem também diferentes
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SUMÁRIO 79
Prática Contábil I
fontes de informação, como as informações patrimoniais, gerenciais, administrativas
etc. Assim sendo, em um resumo, um sistema de informação contábil é o conjunto
de recursos existentes em uma organização e tal conjunto é responsável por preparar
informações.
Os livros contábeis são documentos que apresentam tais informações. Eles são exi-
gidos pela legislação comercial e fiscal e, neste material, você conheceu os principais
livros, os quais podemos citar o Livro Diário; o Livro Razão; o Livro Caixa; o Livro de
Apuração do Lucro Real (LALUR); e o Livro Contas Corrente. Em seus estudos, no en-
tanto, foi dada ênfase ao conteúdo do Livro Diário e do Livro Razão.
O Livro Diário é um livro principal, de natureza cronológica e de escrituração obriga-
tória no qual serão registrados todos os fatos ocorridos em um exercício social. Tais
informações são apresentadas de forma diária, a partir do momento em que ocorrem
os eventos. Já o Livro Razão, por sua vez, é um livro principal, sistemático e obriga-
tório. Ele condensa, em um documento, todas as transações inerentes a um fato ou
a uma conta. Assim sendo, todas as contas que envolvem os eventos registrados no
Livro Diário possuirão um livro razão específico para apresentação de suas transações
e seus saldos.
Além disso, você aprendeu o que é a conciliação contábil, compreendendo sua im-
portância na conferência e validação dos saldos das contas contábeis e como ocor-
rem os ajustes necessários.
Assim, encerramos esta unidade. Esperamos que você tenha aproveitado o conteúdo!
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Prática Contábil I
UNIDADE 4
OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:
> Definir o que é uma
demonstração contábil.
> Definir o conjunto
completo de
demonstrações
contábeis.
> Identificar o objetivo e
conhecer os usuários
das demonstrações
contábeis.
> Identificar os
componentes
das principais
demonstrações
contábeis.
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SUMÁRIO 81
Prática Contábil I
4 CONJUNTO COMPLETO
DE DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
A Ciência Contábil tem como objetivo fornecer informações úteis a seus usuários.
Para tanto, suas práticas permeiam o reconhecimento, registro e mensuração dos
eventos econômico-financeiros que afetam o patrimônio das entidades. Assim sen-
do, a Contabilidade transforma dados em informações para que nasça um meio de
comunicação entre a empresa e seus diferentes usuários. Estamos falando das de-
monstrações contábeis!
As demonstrações contábeis são elementos obrigatórios na prática contábil de todas
as empresas, sejam elas de quaisquer áreas ou tamanhos. Pode-se dizer que as de-
monstrações contábeis são os documentos “finais” de uma empresa ao final de um
exercício social, reportando seu patrimônio em um dado momento do tempo e o seu
desempenho em um período.
Atualmente, em nosso país, a Lei das Sociedades por Ações e o Comitê de Pronuncia-
mentos Contábeis trazem uma lista de demonstrações contábeis que contemplam o
conjunto completo de demonstrações contábeis.
Assim sendo, nesta unidade, você irá conhecer quais são as demonstrações contábeis
obrigatórias e facultativas no Brasil, sabendo qual o principal objetivo de cada uma
delas. Além disso, você conhecerá quais são os usuários da informação contábil e quais
os componentes principais das demonstrações contábeis. Vamos lá? Bons estudos!
4.1 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Uma demonstração contábil é um documento emitido por uma empresa e que re-
presenta informações acerca de sua posição econômico-financeira. Diz-se que a de-
monstração contábil é o produto final da Contabilidade e ela funciona como um
meio de comunicação entre a empresa e seus usuários.
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FIGURA 20 - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
DEMONSTRAÇÕES
R$200.000,00
R$50.000,00
R$1.000.000,00
R$47.000,00
Empresa R$23.000,00 Usuários
Fonte: elaborada pela autora (2019).
A partir das demonstrações contábeis, é possível conhecer a realidade econômica da
empresa e também saber como tem sido seu desempenho em seus processos pro-
dutivos. Existem diferentes demonstrações e cada uma delas reporta um tipo espe-
cífico de informação. Para que você possa compreender quais são as demonstrações
contábeis obrigatórias no Brasil, vamos, a partir de agora, conhecer qual é o conjunto
completo de demonstrações contábeis.
4.1.1 CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
Os órgãos responsáveis pela legislação e regulamentação contábil no Brasil têm, cada
vez mais, realizado esforços no sentido de internacionalizar a Contabilidade. Isto é, as
práticas realizadas em nosso país possuem grande sintonia com as práticas contábeis
realizadas em todo o mundo. Isso permite que as empresas e os contadores estejam
em plena capacidade de participar desse mercado globalizado.
De acordo com essa prerrogativa, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis definiu,
em seu Pronunciamento Técnico nº 26 – Apresentação das Demonstrações Contá-
beis, qual é o conjunto completo de demonstrações contábeis que deverá ser elabo-
rado pelas empresas brasileiras.
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SUMÁRIO 83
Prática Contábil I
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC é formado pelo conjunto de
instituições ABRASCA, APIMEC NACIONAL, BOVESPA, Conselho Federal de Con-
tabilidade, FIPECAFI e IBRACON, e foi idealizado para atuar no processo de con-
vergência às normas internacionais de contabilidade, centralização na emissão
de normas e representação na produção de informação na área contábil.
Assim sendo, o conjunto completo de demonstrações contábeis contempla: o Ba-
lanço Patrimonial ao final do período; a Demonstração do Resultado do período; a
Demonstração do Resultado Abrangente do período; a Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido do período; a Demonstração dos Fluxos de Caixa do período;
a Demonstração do Valor Adicionado do período, quando exigido legalmente ou por
algum órgão regulador; as Notas Explicativas; e o Balanço Patrimonial do início do pe-
ríodo mais antigo a fins de comparação quando a entidade aplica políticas contábeis
retrospectivamente ou, então, quando a entidade reapresenta retrospectivamente
itens de suas demonstrações contábeis ou, por fim, quando a entidade reclassifica
itens de suas demonstrações contábeis.
QUADRO 12 - CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Balanço Patrimonial
Demonstração do Resultado do Exercício
Demonstração do Resultado Abrangente
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
Demonstração dos Fluxos de Caixa
Demonstração do Valor Adicionado
Notas Explicativas
Balanços a fim de Comparações
Fonte: adaptado de CPC (2011).
O Balanço Patrimonial retrata o patrimônio da entidade em um determinado mo-
mento do tempo. Já a Demonstração do Resultado do Exercício apresenta a compo-
sição do resultado obtido pela empresa em um exercício social.
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Exercício social é o período de tempo que corresponde ao exercício da empre-
sa para desempenhar suas atividades. Ao final do exercício social, é apurado o
resultado da empresa. Geralmente, um exercício social possui 12 meses, e seu
período coincide com o ano civil – mas isso não é obrigatoriedade.
DRA/DRE/DMPL
A Demonstração do Resultado Abrangente é complementar à Demonstração do Re-
sultado do Exercício e apresenta outros resultados abrangentes que impactam no
patrimônio líquido da entidade, mas que não transitaram pelo resultado. Ainda em
se tratando de patrimônio líquido, temos a Demonstração das Mutações do Patrimô-
nio Líquido, que contempla as alterações que ocorreram no patrimônio líquido em
um exercício social.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa, por sua vez, contempla as entradas e saídas de
caixa e equivalentes de caixa de uma empresa, enquanto a Demonstração do Valor
Adicionado apresenta o modo como a empresa gerou riqueza e como distribuiu tal
riqueza.
Equivalentes de caixa consistem em aplicações financeiras de curto prazo e alta
liquidez (no máximo 90 dias) e que são rapidamente conversíveis em montante
conhecido de caixa e sem grandes riscos de mudança de valor (ou seja: sem alta
volatilidade).
As Notas Explicativas consistem em um documento no qual são apresentadas infor-
mações explicativas acerca das informações numéricas evidenciadas nas demonstra-
ções contábeis.
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FIGURA 21 - RESUMO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido:
Operações que modificaram o
Patrimônio Líquido.
Demonstração dos
Balanço Patrimonial: Fluxos de Caixa:
Posição patrimonial em um Entrada e saídas de caixa e
determinado momento equivalentes de caixa.
do tempo.
Demonstração do
Demonstração do
Valor Adicionado:
Resultado do Exercício:
Como a empresa gerou e
Composição do resultado distribuiu riqueza.
de período.
Demonstração do Notas Explicativas:
Resultado Abrangente: Conteúdo elucidativo sobre
Outras receitas e despesas não informações presentes nas
apresentadas da DRE. demonstrações.
Fonte: elaborada pela autora (2019).
Os balanços comparativos requeridos e contemplados no conjunto completo de de-
monstrações contábeis devem ser apresentados quando houver alterações de polí-
ticas contábeis ou de correções de dados com impactos retrospectivos à publicação
das demonstrações contábeis.
Vale a pena você saber que as empresas de capital aberto têm ainda a obriga-
ção de publicar o Relatório da Administração, que elenca as atividades realiza-
das pela administração e também o Relatório emitido pela Auditoria Indepen-
dente, aprovando ou não as demonstrações contábeis emitidas pela empresa.
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Empresas de capital aberto são as sociedades anônimas que possuem seu capi-
tal divido em ações, e estas ações são negociadas no mercado mobiliário.
É importante ressaltar que cada uma das demonstrações possui um objetivo especí-
fico e apresenta dados importantes para o processo decisório. Para compreendê-los,
no tópico a seguir, serão abordados o objetivo geral de todas as demonstrações con-
tábeis e quem são seus usuários. Logo depois, serão pontuados os objetivos específi-
cos de cada uma delas.
4.1.2 OBJETIVO E USUÁRIOS DAS DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
Como você já sabe, o objetivo da Ciência Contábil consiste em fornecer informações
úteis a seus usuários, de modo a influenciá-los em sua tomada de decisão. As de-
monstrações contábeis, como produto final da contabilidade, possuem também o
objetivo de revelar informações sobre a entidade, principalmente no que diz respeito
à sua posição patrimonial e econômico-financeira, além de apontar o desempenho
da entidade em diferentes aspectos e seus fluxos de caixa.
FIGURA 22 - OBJETIVO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Objetivo das
demonstrações
contábeis
Fornecer informações
úteis que auxiliem na
tomada de decisão.
Fonte: elaborada pela autora (2019).
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Leia o extrato do que diz o CPC 26 acerca do objetivo das demonstrações contábeis:
[...] proporcionar informação acerca da posição patrimonial e financeira, do
desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande
número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas.
As demonstrações contábeis também objetivam apresentar os resultados da
atuação da administração, em face de seus deveres e responsabilidades na
gestão diligente dos recursos que lhe foram confiados. Para satisfazer a esse
objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam informação da entidade
acerca do seguinte: (a) ativos; (b) passivos; (c) patrimônio líquido; (d) receitas e
despesas, incluindo ganhos e perdas; (e) alterações no capital próprio median-
te integralizações dos proprietários e distribuições a eles; e (f) fluxos de caixa.
Essas informações, juntamente com outras informações constantes das notas
explicativas, ajudam os usuários das demonstrações contábeis a prever os fu-
turos fluxos de caixa da entidade e, em particular, a época e o grau de certeza
de sua geração. (CPC, 2011, p. 6)
Depreende-se, portanto, que, além de transmitirem informações econômico-finan-
ceiras e de desempenho da entidade, as demonstrações contábeis contemplarão o
desempenho de seus gestores.
Vamos, a partir de agora, conhecer o objetivo de cada uma das demonstrações con-
tábeis que compreendem o conjunto completo de demonstrações contábeis.
A mais importante das demonstrações contábeis é o Balanço Patrimonial. Seu obje-
tivo consiste em fornecer informações econômico-financeiras sobre o patrimônio da
entidade em um determinado momento do tempo, geralmente no final do exercício
social.
O objetivo da Demonstração do Resultado do Exercício é o de detalhar como foi ob-
tido o resultado do exercício, que pode ser lucro ou prejuízo.
Uma empresa obtém lucro quando suas receitas superam suas despesas. O pre-
juízo, no entanto, ocorre quando uma empresa obtém mais despesas que recei-
tas em um exercício.
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Prática Contábil I
A Demonstração do Resultado Abrangente, apresentada concomitantemente à De-
monstração do Resultado do Exercício, possui o objetivo de evidenciar o lucro econô-
mico da entidade.
Outra demonstração contábil prevista no conjunto completo é a Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido, cujo objetivo consiste em evidenciar as alterações
ocorridas no patrimônio líquido da entidade em um período de tempo.
O aumento de Capital Social é exemplo de alteração ocorrida no patrimônio
líquido. A distribuição de lucros e a utilização de reservas, também!
Já a Demonstração dos Fluxos de Caixa possui o objetivo de evidenciar todas as en-
tradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa ocorridas em um período. A Demons-
tração do Valor Adicionado, por sua vez, possui o objetivo de mostrar como a empresa
gerou valor, e como este valor foi distribuído no ambiente onde ela está inserida.
As Notas Explicativas, por sua vez, possuem o objetivo de elucidar informações que
somente pela análise das demonstrações contábeis não seriam possíveis de serem
obtidas.
O Relatório da Administração, que não está previsto no conjunto completo de de-
monstrações contábeis, mas que é obrigatório às empresas de capital aberto, tem o
objetivo de demonstrar quais foram as posturas e desempenho da administração da
empresa no período.
O Relatório da Auditoria Independente, também obrigatório às empresas de capital
aberto, possui o objetivo de informar aos usuários que as demonstrações apresenta-
das pela empresa refletem os preceitos legais e suas transações registradas.
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Prática Contábil I
Veja um resumo do objetivo de cada demonstração contábil no quadro apresentado
a seguir:
QUADRO 13 - OBJETIVO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
DEMONSTRAÇÃO OBJETIVO
Patrimônio da empresa em um determinado
Balanço Patrimonial.
momento.
Demonstração do Resultado do Exercício. Detalhamento de como foi obtido o resultado.
Demonstração do Resultado Abrangente. Evidenciação do lucro econômico.
Demonstração das Mutações do Patrimônio Lí-
Alterações ocorridas no patrimônio líquido.
quido.
Demonstração dos Fluxos de Caixa. Entradas e saídas de caixa em um período.
Demonstração do Valor Adicionado. Geração e distribuição do valor de um período.
Explicação de informações contidas nas de-
Notas Explicativas.
monstrações.
Desempenho da Administração da empresa em
Relatório da Administração.
um período.
Informar se as demonstrações contábeis estão
Relatório da Auditoria Independente. de acordo com as exigências legais e se refletem
a realidade vivida pela empresa no período.
Fonte: elaborado pela autora (2019).
O que sabemos, até o momento, é que as demonstrações contábeis devem fornecer
informações que auxiliem os usuários em sua tomada de decisão. Mas você sabe di-
zer quem são estes usuários?
Para ajudá-lo, vamos explicar: usuário é a pessoa (física ou jurídica) que possui interes-
se nas informações econômico-financeiras da empresa.
Todos aqueles que pretendem estudar, se relacionar ou analisar as informações
econômico-financeiras de uma empresa são usuários da informação contábil.
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Existem diferentes tipos de interesses, e existem dois tipos de usuário da informação
contábil: o usuário externo e o usuário interno (MARION, 2009). A figura apresentada
a seguir traz um esquema sobre os usuários externos e internos.
FIGURA 23 - USUÁRIOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: EXTERNOS E INTERNOS
Usuários
Externos Internos
Governo Fornecedores Sócios Acionistas
Investidores
Credores Investidores Gestores
em potencial
Funcionários
Fonte: elaborada pela autora (2019).
Os usuários externos são aquelas pessoas, físicas e jurídicas, que não estão inseridas
no contexto interno da empresa, mas que têm algum interesse na informação eco-
nômico-financeira dela.
São exemplos de usuários externos: fornecedores, Governo, credores existentes
e em potencial, e investidores em potencial.
De acordo com o CPC (2011b), as demonstrações contábeis são elaboradas, priori-
tariamente, para os usuários externos, pois estes não estão em posição de requerer
informações específicas para as empresas. Assim sendo, o CPC (2011b) traz como
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SUMÁRIO 91
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principais usuários da informação contábil os credores, fornecedores, investidores e
Governo.
Cada uma dessas entidades possui um interesse específico nas demonstrações con-
tábeis, a saber:
• Credores: são bancos e empresas de financiamento que irão fornecer crédito
para financiar as atividades de uma empresa. Seu interesse consiste em anali-
sar a capacidade da empresa de gerar caixa e administrar seus recursos a fim
de cumprir com suas obrigações.
• Fornecedores: fornecem produtos e serviços para as empresas e seu interesse
reside em saber se a empresa possui capacidade de honrar com seus compro-
missos, isto é, se a empresa é capaz de pagar pelos recursos que adquirir.
Ao analisar as demonstrações contábeis de uma empresa, o fornecedor pode
decidir se estabelece com ela políticas de venda a prazo.
• Investidores em potencial: pessoas interessadas em investir na empresa anali-
sam as demonstrações contábeis a fim de verificar se ela apresenta constância
em seus resultados e se os retornos do investimento parecem promissores.
• Governo: o Governo tem interesse tanto nos resultados apresentados pela em-
presa, no processo de recolhimento de tributos, quanto no andamento das
transações de diferentes segmentos, analisando, revisando e melhorando,
sempre que possível, políticas de regulamentação.
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Prática Contábil I
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reguladora das empresas de
energia elétrica, possui interesse nas demonstrações contábeis das empresas de
energia elétrica para regular as políticas do setor.
Já o usuário interno é aquela pessoa que faz parte da empresa, que está inserida no
cotidiano dela e que possui interesse na informação prestada.
São exemplos de usuários internos: sócios, acionistas e investidores, funcionários
e também administradores e gestores.
O usuário interno, ainda que faça parte do corpo funcional da empresa, não possui
informações gerais sobre ela. Assim sendo, vamos explicar o interesse dos principais
usuários internos de uma entidade:
• Funcionários: um funcionário, apenas por sua prática cotidiana, não tem aces-
so às informações sobre o resultado da empresa, por exemplo. Um gerente
de recursos humanos também não tem acesso aos resultados apresentados
pelo gerente de produção, e, por isso, pode haver interesse, por parte desses
usuários, nas informações contábeis, principalmente porque a empresa é sua
fonte de renda.
• Gestores: demandam informações para planejar e organizar as metas e planos
da empresa, controlando orçamentos para melhorar os resultados.
• Sócios, acionistas e investidores: verificar o desempenho da entidade e como
ela organiza seus recursos a fim de apresentar um retorno aos investimentos
realizados e uma segurança em novas aplicações de recursos.
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SUMÁRIO 93
Prática Contábil I
Agora que você já compreendeu o objetivo das demonstrações contábeis e quais são
seus usuários, vamos apresentar a você informações e características importantes re-
ferentes à elaboração e publicação das demonstrações contábeis.
4.1.3 COMPONENTES DAS PRINCIPAIS
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Neste item vamos abordar os componentes das principais demonstrações contábeis.
Para isso, gostaríamos que você se atentasse a esta informação: o Comitê de Pronun-
ciamentos Contábeis, por meio do Pronunciamento Técnico 00 – Estrutura Conceitual
para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro, emitido em 2011, e
em constante aprimoramento, elaboração e consolidação, orienta que as informa-
ções reportadas pelas empresas devem ser úteis, no sentido de influenciar o processo
de tomada de decisão. Isso você já sabe, não é mesmo? O que queremos que você
compreenda, neste momento, é que um dos principais componentes de todas as
demonstrações contábeis reside justamente neste conceito: utilidade da informação.
Assim sendo, o próprio CPC (2011b) indica que uma informação útil é aquela que
possui, concomitantemente, dois atributos: relevância e fidedignidade – também de-
nominadas características qualitativas fundamentais.
Uma informação relevante é aquela capaz de fazer a diferença na tomada de decisão.
Para tanto, é necessário que ela tenha valor preditivo, valor confirmatório ou ambos.
Conforme trazido pelo CPC (2011b), a informação com valor preditivo é aquela
que pode ser usada para estabelecer mecanismos para predizer futuros resulta-
dos. Já a informação que possui valor confirmatório é aquela capaz de servir de
feedback de avaliações prévias, confirmando-as ou alterando-as.
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A informação fidedigna, por sua vez, é aquela que representa de forma adequada a
informação que se propõe representar. Para que seja fidedigna, uma informação pre-
cisa ter três atributos: ser completa, ser neutra e ser livre de erro.
Uma informação completa é aquela que possui toda a informação necessária
para que o usuário compreenda o fenômeno retratado, com descrições e expli-
cações necessárias. Uma informação neutra é aquela que não possui distorções
e manipulações da realidade. A informação livre de erro consiste em uma in-
formação que não apresenta erros ou omissões no processo geral de registro e
elaboração da informação (CPC 2011b).
A característica de neutralidade da informação contábil mostra-se contrária ao
já extinto princípio contábil da prudência, que previa uma superavaliação de
passivos e subavaliação de ativos, a fim de proteger o patrimônio das empre-
sas. Nesse sentido, ainda que existisse uma resolução contábil que explicasse os
princípios de contabilidade, a prudência não poderia estar contemplada em tal
resolução.
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SUMÁRIO 95
Prática Contábil I
Veja, na figura a seguir, um resumo dessas informações:
FIGURA 24 - CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS FUNDAMENTAIS
Fonte: elaborada pela autora (2019).
Há, ainda, as características qualitativas de melhoria. Elas não são obrigatórias, mas
sua utilização torna as informações prestadas nas demonstrações contábeis melho-
res e de maior entendimento para o usuário.
As características qualitativas de melhoria são:
• Comparabilidade: uma informação pode ser melhorada quando houver com-
parabilidade, isto é, quando ela puder ser comparada com a informação simi-
lar de outra empresa ou quando puder ser comparada com a mesma informa-
ção, mas em períodos diferentes.
• Verificabilidade: a verificabilidade imputa à demonstração contábil uma maior
fidedignidade. Isso porque ela determina que dois observadores independen-
tes entre si e com conhecimento suficiente sobre o tema são capazes de che-
gar à mesma decisão sobre a informação apresentada.
• Tempestividade: uma informação tempestiva é aquela fornecida em tempo
hábil à tomada de decisão. Geralmente, as informações mais recentes são as
mais importantes para a tomada de decisão, mas tome cuidado: em análises
temporais, as informações antigas têm igual valor na análise.
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Prática Contábil I
• Compreensibilidade: uma informação compreensível é aquela que atende às
demandas de usuários com conhecimento satisfatório em negócios e no seg-
mento da empresa avaliada. Ou seja: um estudante de Ciências Contábeis, por
exemplo, conseguirá identificar e analisar as informações apresentadas nas
demonstrações contábeis quando estas possuírem compreensibilidade.
Percebe-se, portanto, que as características qualitativas de melhoria têm a finalidade
de deixar a informação mais atrativa e entendível a seus usuários. A escolha entre
melhorar ou não uma informação será sempre realizada a partir da análise de seu
custo-benefício.
É importante ressaltar que todas as demonstrações contábeis deverão ser elaboradas
a partir dos preceitos de relevância e de fidedignidade. Uma demonstração contábil
que não respeitar essas características não estará de acordo com o que é estabeleci-
do pelas normas vigentes na legislação brasileira.
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou o conjunto completo das demonstrações contábeis,
compreendendo quais são as demonstrações contábeis atualmente exigidas pelas
normas brasileiras e qual o objetivo geral das demonstrações contábeis. As demons-
trações contábeis são o produto final da contabilidade, e o seu objetivo consiste em
fornecer informações úteis aos usuários da contabilidade.
Você conheceu também os principais usuários da informação contábil, compreen-
dendo que as demonstrações contábeis são elaboradas principalmente para os usuá-
rios externos, mas que os usuários internos também têm interesse em conhecer os
dados econômico-financeiros da empresa, pois isso pode impactá-los significativa-
mente em decisões.
Os usuários externos podem ser exemplificados por: credores, fornecedores e investido-
res: eles buscam saber se a empresa possui capacidade financeira de cumprir com suas
obrigações, como pagamento de obrigações; investidores em potencial buscam verificar
se a empresa apresenta resultados satisfatórios e retornos atraentes para investimentos;
já o Governo é usuário das informações contábeis para tributação e regulamentação.
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SUMÁRIO 97
Prática Contábil I
Os usuários internos, como funcionários, por exemplo, interessam-se em saber como
está a saúde financeira da empresa, pois, sendo sua fonte de renda, é fundamental
para seu planejamento; sócios, acionistas e investidores buscam saber se seus investi-
mentos estão sendo adequadamente geridos e apresentam os resultados esperados;
gestores, por sua vez, verificam a partir das demonstrações contábeis os resultados e
o desempenho da empresa, alinhando e reorganizando metas, planos e orçamentos.
Além disso, você conheceu os componentes das principais demonstrações contábeis,
compreendendo que elas deverão ser elaboradas com informações relevantes e fide-
dignas para que cumpram seu objetivo de utilidade da informação. Uma informação
relevante é aquela que faz a diferença na tomada de decisão e deverá ter caráter
preditivo, confirmatório ou ambos. Já a informação fidedigna é aquela que reporta
de forma adequada aquilo que pretende reportar, apresentando as informações de
forma completa, com neutralidade e livre de erros.
Com o exposto nesta unidade, fica clara a importância de conhecer cada uma das
demonstrações, cada um dos objetivos específicos, bem como os dados importantes
para o processo decisório.
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98 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
UNIDADE 5
OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:
> Definir o que é o
Balanço Patrimonial.
> Definir o que é Ativo,
Passivo e Patrimônio
Líquido.
> Identificar a
estrutura do Balanço
Patrimonial.
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SUMÁRIO 99
Prática Contábil I
5 BALANÇO PATRIMONIAL
As demonstrações contábeis constituem-se como meio de comunicação entre as
empresas e seus usuários e possuem diferentes tipos. Atualmente, as normas brasi-
leiras preveem a elaboração e divulgação de seis demonstrações contábeis mais as
Notas Explicativas e, dentre estas demonstrações, está o Balanço Patrimonial. Costu-
ma-se dizer que a mais importante delas é o Balanço Patrimonial.
O Balanço Patrimonial possui o objetivo de evidenciar a posição patrimonial da enti-
dade em um determinado momento do tempo.
A estrutura do Balanço Patrimonial é composta pela apresentação dos dados em um
quadro com dois lados: no lado esquerdo são elencadas todas as contas do Ativo da
empresa e seu respectivo total; já no lado direito são apresentadas as contas perten-
centes ao Passivo e ao Patrimônio Líquido e seus respectivos totais, que devem ser,
juntos, igual ao total do Ativo.
Assim sendo, nesta unidade, você irá conhecer as principais informações referente ao
Balanço Patrimonial, compreendendo o que é o Balanço Patrimonial e como ele é
estruturado. Além disso, você conhecerá os elementos do Ativo, do Passivo e do Patri-
mônio Líquido e suas respectivas contas.
Bons estudos!
5.1 BALANÇO PATRIMONIAL
As demonstrações contábeis, conforme previsto pelo Comitê de Pronunciamentos
Contábeis, possuem o objetivo de fornecer informações úteis aos usuários das infor-
mações contábeis a ponto de auxiliá-los em sua tomada de decisão econômica.
Os usuários que possuem tal interesse, também de acordo com o Comitê de Pronun-
ciamentos Contábeis, são primordialmente externos, como credores, fornecedores,
investidores em potencial e Governo. Mas usuários internos também têm interesse
nestas informações.
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100 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Um funcionário tem interesse, por exemplo, em saber sobre a saúde finan-
ceira da empresa em que trabalha, pois isto representa uma tranquilidade a
ele, visto que esta empresa é sua fonte de renda.
O fato é que as demonstrações contábeis transmitem dados fundamentais sobre a
situação financeira e econômica de uma entidade, além de permitirem conhecer o
desempenho desta entidade em um período de tempo.
FIGURA 25 - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Balanço Patrimonial
Demonstração do Resultado do Exercício
Demonstração do Resultado Abrangente
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
Demonstração dos Fluxos de Caixa
Demonstração do Valor Adicionado
Notas Explicativas
Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Dentre as diferentes demonstrações contábeis existentes e exigidas pelas normas
brasileiras, o Balanço Patrimonial é uma delas. Venha saber mais sobre ele?!
5.1.1 O QUE É O BALANÇO PATRIMONIAL
O Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil que fornece informações sobre
a posição patrimonial de uma entidade em um determinado momento do tempo
– geralmente, no final do exercício social. Assim, de uma forma mais fácil de com-
preender, o Balanço Patrimonial funciona como uma fotografia de tudo o que a em-
presa possui naquele momento. (MARION, 2009).
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SUMÁRIO 101
Prática Contábil I
Por meio do Balanço Patrimonial, os usuários são capazes de saber tudo o que a
empresa tem: bens, direitos e também as obrigações. E, por evidenciar tudo o que a
empresa possui, é que esta demonstração é tão importante!
O dinheiro em espécie de uma empresa é um bem, assim como seus equi-
pamentos e máquinas.
Existem três grandes grupos contábeis que são utilizados na Contabilidade e são
explicitados no Balanço Patrimonial: o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido, confor-
me disposto pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2011, p. 23), “Os elemen-
tos diretamente relacionados com a mensuração da posição patrimonial e financeira
são os ativos, os passivos e o patrimônio líquido”.
Esse conceito é corroborado pela Fipecafi (2018, p. 2), que diz que “o Balanço tem por
finalidade apresentar a posição financeira e patrimonial da empresa em determina-
da data, representando, portanto, uma posição estática”.
Perceba, portanto, que esta posição estática relaciona-se à fotografia do pa-
trimônio da empresa.
Como você já viu, um Balanço Patrimonial é formado por três grandes grupos. Vamos
então, compreendê-los e conhece-los melhor.
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102 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
5.2 O ATIVO
O Ativo “é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados
e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade.” (CO-
MITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011, P. 23).
Depreende-se deste conceito que um Ativo é um bem ou direito de uma
entidade e sob o qual ela possua controle dos benefícios econômicos dele
advindos.
Conheça então as principais contas existentes no grupo Ativo.
Veja a figura a seguir:
FIGURA 26 - CONTAS DO ATIVO
PRINCIPAIS CONTAS DO ATIVO
• Disponibilidades – Caixa e equivalentes de caixa
• Contas a receber
• Estoques
• Despesas antecipadas
• Realizável a longo prazo (não circulante)
• Investimentos
• Ativo Imobilizado
• Ativo Intangível
• Ativo biológico
Fonte: Adaptado de FIPECAFI (2018).
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SUMÁRIO 103
Prática Contábil I
Assim sendo, todos os bens e direitos de uma empresa serão evidenciados no Ativo.
As disponibilidades apresentarão os valores que a empresa possui e que estão dispo-
níveis para uso no curtíssimo prazo – isto é, em até 90 dias – e sob os quais, caso haja
alguma aplicação financeira, não há volatilidade considerável em seu valor.
Dinheiro depositado em conta corrente ou na conta poupança são exemplos
de recursos evidenciados no Disponível de uma entidade.
As contas a receber contemplam direitos da empresa frente a terceiros. Na maior
parte das vezes, empresas que operam com vendas a prazo, possuem grandes saldos
nestas contas.
Duplicatas a Receber e Clientes são exemplos de contas a receber de uma
entidade.
Chama a atenção que o valor evidenciado nestas contas será líquido – isto é, são des-
contadas as estimativas com créditos de liquidação duvidosa.
As estimativas com créditos de liquidação duvidosa representam o montante
que a empresa espera não receber em razão de inadimplência de seus clientes.
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104 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Assim sendo, as perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa são contas
redutoras do ativo, isto é, reduzem seu saldo.
Os estoques, por sua vez, representam os itens da entidade que estão disponíveis
para comercialização.
Uma empresa comercial, que vende produtos eletrônicos, contempla em
seu estoque todos esses produtos comercializados. Já a indústria compõe
seu estoque a partir dos produtos fabricados e prontos para a entrega.
Despesas antecipadas são recursos pagos ou devidos com antecedência, mas que
se referem a competência subsequente – isto é, período posterior ao momento do
reconhecimento do ativo.
O pagamento integral de um seguro contra incêndio que possui vigência
de 24 meses, por exemplo, representa uma despesa antecipada. A empresa
efetua o desembolso do recurso, mas as despesas relacionadas a ele serão
registradas de acordo com a sua competência, isto é, mensalmente, até o
24º mês.
Estas contas apresentadas são classificadas no Ativo Circulante da entidade. Você se
lembra o que é o Ativo Circulante? Ele representa os bens e direitos da entidade que
se realizarão até o final do exercício social subsequente. Então, se uma empresa efe-
tua uma venda, em 05 de janeiro de 2019, com valor de entrada e direitos a receber
o restante de clientes em 23 parcelas (mensalmente, a partir de fevereiro), todas elas
ficarão registradas no Ativo Circulante. Veja:
• No ano de 2019 (exercício atual): 11 parcelas – de fevereiro a dezembro;
• No ano de 2020 (exercício subsequente): 12 parcelas – de janeiro a dezembro.
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SUMÁRIO 105
Prática Contábil I
Caso a mesma venda fosse realizada em um número maior de parcelas, 23 delas
seriam registradas no Ativo Circulante e as demais seriam registradas no Ativo Reali-
zável a Longo Prazo.
Contas a receber e despesas antecipadas são exemplos de contas evidencia-
das no Ativo Realizável a Longo Prazo.
Investimentos referem-se a participações permanentes em outras sociedades e direi-
tos de qualquer natureza, que não se enquadram no ativo circulante de uma entida-
de e que não se destinam à manutenção de suas atividades, conforme disposto pela
Lei das Sociedades por Ações.
Há, ainda, investimentos realizados em sociedades coligadas e controladas,
os quais remontam aos conceitos de influência significativa sobre a investida,
controle conjunto sobre a investida e controle sobre a investida.
No Ativo Imobilizado, por sua vez, são evidenciados os objetos corpóreos utilizados na
manutenção das atividades da entidade.
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106 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Máquinas e equipamentos utilizados na produção ou comercialização de
bens e serviços, por exemplo, são itens registrados no ativo imobilizado de
uma entidade.
O Ativo Intangível representa, conforme disposto pela Lei das Sociedades por Ações,
os direitos incorpóreos destinados à manutenção da companhia.
Marcas e patentes são exemplos de ativos intangíveis.
O Ativo biológico não é um ativo comum a todas as empresas. Ele é conhecido como
um ativo vivo e representa animais e/ou plantas vivos.
São exemplos de ativos biológicos evidenciados nas entidades: bois, vacas,
plantações de algodão, cana de açúcar etc.
Neste aspecto, é importante que se saiba diferenciar os ativos biológicos de produtos
agrícolas e produtos resultantes de processamento após a colheita. O produto agrí-
cola decorre do ativo biológico em seu processo natural. O produto após a colheita
demanda um processamento.
Veja a figura a seguir para compreender melhor.
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SUMÁRIO 107
Prática Contábil I
FIGURA 27 - ATIVO BIOLÓGICO
Ativo biológico Produto agrícola Produto agrícola
Fio, tapete
Carneiro Lã
etc.
Cana de Cana Açúcar,
açúcar colhida alcool etc.
Fonte: Adaptado de FIPECAFI (2018).
Entenda agora o conceito de passivo.
5.3 O PASSIVO
O Passivo, por sua vez, é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos
passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade
capazes de gerar benefícios econômicos.” (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁ-
BEIS, 2011, P. 23)
Conheça agora as principais contas existentes no grupo Passivo.
Veja a figura a seguir:
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108 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
FIGURA 28 - CONTAS DO PASSIVO
PRINCIPAIS CONTAS DO PASSIVO
• Fornecedores
• Obrigações fiscais
• Outras obrigações
• Empréstimos e financiamentos
• Dividendos a pagar
• Imposto sobre a renda e contribuição social a pagar
• Provisões
Fonte: Adaptado de FIPECAFI (2018).
Assim sendo, as contas apresentadas representam as principais obrigações que uma
entidade pode ter.
O Passivo, assim como o Ativo, também organiza suas contas a partir do cur-
to ou longo prazo, sendo as obrigações de curto prazo evidenciadas no Passi-
vo Exigível e as de longo prazo evidenciadas no Passivo Exigível a longo prazo
(ou Passivo circulante e Passivo Não Circulante).
Constam nas contas de Fornecedores as compras a prazo de matérias-primas a se-
rem utilizadas no processo produtivo ou de mercadorias para revenda; a compra a
prazo de bens, insumos e outros materiais para uso da empresa (FIPECAFI, 2018). Há,
ainda, recursos de adiantamentos a fornecedores, que representam valores recebi-
dos por conta de entregas futuras de bens ou serviços.
Em outras obrigações, são contemplados valores devidos pela empresa e ainda não
pagos, como despesas incorridas pela empresa em suas operações.
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SUMÁRIO 109
Prática Contábil I
Salários a pagar, comissões a pagar, aluguéis devidos pela empresa, e que
ainda não foram pagas, são exemplos de outras obrigações.
Empréstimos e financiamentos referem-se a valores obtidos com instituições finan-
ceiras para auxiliar nas operações da entidade.
Destaca-se que este tipo de conta está ligado à apresentação de contas redutoras,
como a conta Juros a Apropriar – pois, as operações de crédito que antecipam recur-
sos não o fazem de graça, mas no valor recebido, já podem incorporar juros ao mon-
tante. Dividendos a pagar referem-se a dividendos declarados e aprovados que ainda
não foram pagos aos acionistas.
Já a conta “Imposto sobre a renda e contribuição social a pagar” referem-se a tributos
devidos ao Governo decorrentes do resultado da entidade. Há, ainda, outros valo-
res que podem ser devidos ao Governo que decorrem das atividades cotidianas da
entidade.
São exemplos de impostos que decorrem das operações da entidade os im-
postos pela circulação de mercadorias ou pela oferta de serviços (ICMS e IPI,
respectivamente).
Fazem parte do Passivo, ainda, as Provisões. As provisões consistem em obrigações
incertas, mas com probabilidade de ocorrência. Sua incerteza pode se dar pelo prazo
de ocorrência ou pelo valor, sendo seu registro baseado em estimativas.
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110 SUMÁRIO
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Uma ação trabalhista impetrada contra a empresa, por exemplo, pode fazer
nascer o registro de uma Provisão Trabalhista quando a probabilidade de
perda da empresa for maior que a probabilidade de perda do funcionário
que entrou com a ação.
O Patrimônio Líquido, por fim, “é o interesse residual nos ativos da entidade depois
de deduzidos todos os seus passivos.” (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS,
2011, P. 23)
Interesse residual consiste no valor que sobra quando da diferença entre Ati-
vos e Passivos.
A fórmula básica para conhecer o valor do Patrimônio Líquido é:
Patrimônio líquido =Ativo -Passivo
Portanto, conhecer o valor do Patrimônio Líquido é fácil quando se conhece o valor
do Ativo e do Passivo. No entanto, o Patrimônio Líquido não se resume apenas a um
cálculo. Existem muitas contas e todas elas têm grande importância no contexto de
uma empresa.
Vamos conhecer cada uma destas contas?!
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SUMÁRIO 111
Prática Contábil I
FIGURA 29 - CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
PRINCIPAIS CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
• Capital social
• Reserva de capital
• Ajustes de avaliação patrimonial
• Reservas de lucros
• Ações em tesouraria
• Juros sobre o capital próprio
• Adiantamentos para aumento de capital
• Prejuízos acumulados
Fonte: Adaptado de FIPECAFI (2018).
O Capital Social é o “ponto de partida” para as atividades da empresa. É a primeira
conta registrada e representa o recurso dos sócios que foi prometido e/ou emprega-
do na entidade, ou o investimento dos sócios para o início das atividades.
João e Flavio iniciam uma empresa com um Capital Social integralizado (en-
tregue) de R$ 10.000, sendo que R$ 5.000 advém de João e foi entregue em
moeda corrente e R$ 5.000 advém de Flavio e foi entregue sob a forma de
mercadorias para revenda.
As reservas de capital, por sua vez, constituem valores recebidos pela companhia e
que não transitam pelo resultado como receitas, tendo em vista que se tratam de
reforços de capital, sem que haja qualquer esforço (entrega de bens ou prestação de
serviços) como contrapartida.
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112 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Ágio na emissão de ações, reserva especial de ágio na incorporação, aliena-
ção de partes beneficiárias e alienação de bônus de subscrição são exemplos
de reservas de capital.
Os ajustes de avaliação patrimonial, por sua vez, recebem as contrapartidas de au-
mentos ou diminuições de valor atribuídos a itens do ativo ou passivo em decorrência
de sua avaliação a valor justo, enquanto estas não forem computadas no resultado
(FICPECAFI, 2018).
Esta conta foi introduzida na contabilidade brasileira em 2007 a partir da Lei
11.638.
As reservas de lucros são reservas constituídas a partir do lucro de um exercício, con-
forme previsão legal da Lei das Sociedades por Ações. São exemplos de reservas que
podem ser constituídas a partir do lucro:
• Reserva legal (obrigatória).
• Reservas estatutárias.
• Reservas para contingências.
• Reservas de lucros a realizar.
• Reservas de lucros para expansão.
• Reservas de incentivos fiscais.
• Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído.
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SUMÁRIO 113
Prática Contábil I
As ações da entidade que forem adquiridas pela própria sociedade são de-
nominadas “Ações em tesouraria” e constituem operações entre os sócios,
não afetando o resultado da entidade.
Os juros sobre o capital próprio são uma forma de distribuição de lucro e remunera-
ção de investidores que se torna atrativa tanto para a entidade quanto para seus in-
vestidores. Nele, há uma remuneração extra a partir do desempenho do investimento
ao mesmo passo em que há o reconhecimento de despesas, acarretando na diminui-
ção do resultado final e sua consequente apuração de tributos devidos.
É importante que você saiba que este tipo de distribuição de resultado não
é válido para todas as empresas e que existem regras e limites para o cálculo
dos Juros sobre Capital Próprio!
Adiantamentos para aumento de capital são os recursos que acionistas ou quotistas
entregam às empresas destinados ao aumento do capital. Quando ocorrer a formali-
zação do aumento do capital, é realizada a baixa desta conta e registrado o aumento
efetivo do capital social.
A conta de Prejuízos acumulados, por fim, evidencia o resultado negativo da entida-
de em um ou mais períodos. Ela é uma conta de natureza devedora e seu saldo reduz
o total do Patrimônio Líquido.
Agora que você conheceu os elementos que compõem o Balanço Patrimonial, apren-
da como elabora-lo!
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114 SUMÁRIO
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5.4 COMO ELABORAR O BALANÇO PATRIMONIAL
Você conheceu todos os elementos que são apresentados em um Balanço Patrimo-
nial. A estrutura do Balanço Patrimonial, portanto, compreende: Ativo, Passivo e Pa-
trimônio Líquido.
Veja na figura a seguir o “esqueleto” de um Balanço Patrimonial:
FIGURA 30 - ESQUELETO DE UMA BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO
Fonte: Adaptado de FIPECAFI (2018).
O desenho do Balanço Patrimonial possui um quadro separado em dois lados. No
lado esquerdo são apresentadas todas as contas do Ativo, com seus nomes e saldos.
No final do lado esquerdo, é apresentado o valor total do Ativo.
No lado direito são apresentadas todas as contas do Passivo e também do Patrimô-
nio Líquido, com seus nomes e saldos. No final do lado direito, é apresentado o valor
total do Passivo acrescido do valor total do Patrimônio Líquido. Esse valor deverá,
obrigatoriamente, ser igual ao valor total do Ativo.
Quando o valor total do Ativo é igual ao valor total do Passivo mais Patrimônio
Líquido, diz-se que o Balanço “fechou”.
Todas as contas presentes no Balanço Patrimonial deverão estar de acordo
com o Plano de Contas da empresa.
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SUMÁRIO 115
Prática Contábil I
É importante destacar que existem regras específicas para a elaboração desta
demonstração:
• Ela deverá ser precedida de seu título – que pode ser elaborado à critério da
empresa, mas que é largamente utilizado o título: COMPANHIA X – BALANÇO
PATRIMONIAL.
• Deve-se especificar qual a data de elaboração do Balanço Patrimonial, para
que possa ser identificado o momento em que a empresa apresenta esta si-
tuação econômico-financeira. Assim, pode-se, de fato, ter sua representativida-
de no processo de tomada de decisão.
• A moeda na qual é apresentado o Balanço Patrimonial – que deverá ser a
moeda local da entidade.
• O montante no qual é apresentado o Balanço Patrimonial – se em reais, milha-
res de reais, milhões de reais etc.
A partir do exposto, é possível elaborar a estrutura com as principais contas de um
Balanço Patrimonial. Veja a seguir!
FIGURA 31 - ESQUELETO DE UM BALANÇO PATRIMONIAL DA COMPANHIA X
COMPANHIA X – BALANÇO PATRIMONIAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 2018
(EM MILHARES DE REAIS)
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE
ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
INVESTIMENTOS CAPITAL SOCIAL
IMOBILIZADO RESERVAS DE CAPITAL
INTANGÍVEL AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL
RESERVAS DE LUCROS
AÇÕES EM TESOURARIA
PREJUÍZOS ACUMULADOS
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO
Fonte: Adaptado de FIPECAFI (2018).
Os saldos para elaboração do Balanço Patrimonial são obtidos a partir do registro
contábil realizado em cada uma destas contas. Você já aprendeu que existem livros
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116 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
contábeis nos quais são contabilizados todos os eventos que alteram o patrimônio
das empresas. Assim sendo, se uma empresa apresenta seu Balanço Patrimonial em
31 de dezembro, o valor evidenciado em uma conta será aquele constante nestes
livros de registro nesta data específica.
O que se pode ver, a partir do modelo de Balanço Patrimonial, é que ele é uma de-
monstração contábil bastante completa e que passa informações abrangentes sobre
a entidade. É possível saber como e onde estão sendo alocados os recursos investidos
pelos sócios e acionistas, assim como a saúde financeira da entidade.
Percebe-se, portanto, que o Balanço Patrimonial é tão importante pois apresenta
a situação patrimonial e financeira da entidade em um determinado momento do
tempo, possibilitando que seus usuários conheçam a realidade da empresa.
Muitas vezes, pode-se achar que uma empresa está muito bem pois possui muitos
investimentos e muitos recursos em caixa. No entanto, se esta empresa possuir tam-
bém muitas obrigações, deve-se observá-la atentamente para verificar se ela possui
capacidade de se manter.
Assim, por meio do Balanço Patrimonial, consegue-se conhecer a situação real da
empresa, além de verificar se ela obteve, nos últimos períodos, resultados positivos e
expressivos.
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou a mais importante das demonstrações contábeis: o Ba-
lanço Patrimonial. Ele evidencia a posição patrimonial e financeira de uma entidade
em um momento específico do tempo, geralmente no encerramento do exercício
social – que pode ou não coincidir com o ano civil (31 de dezembro).
O Ativo compreende os bens e direitos sob os quais a entidade possui controle e que
vão gerar algum benefício econômico para ela. Dentre esses bens e direitos, podemos
citar as contas: Disponibilidades – Caixa e equivalentes de caixa, Contas a receber, Es-
toques, Despesas antecipadas, Ativo realizável a longo prazo (não circulante), Investi-
mentos, Ativo Imobilizado, Ativo Intangível e Ativo biológico. Já o Passivo contempla
as obrigações da empresa, seja no curto ou longo prazo, sendo estas: Fornecedores;
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SUMÁRIO 117
Prática Contábil I
Obrigações fiscais; outras obrigações; Empréstimos e financiamentos; Dividendos a
Pagar; Imposto sobre a renda e contribuição social a pagar; Provisões, passivos con-
tingentes e ativos contingentes etc.
O Patrimônio Líquido, por sua vez, é apresentado pela diferença entre Ativos e Pas-
sivos da entidade. As principais contas evidenciadas neste grupo são: Capital social,
Reservas de capital, Ajustes de avaliação patrimonial, Reservas de lucros, Ações em
tesouraria, Prejuízos acumulados, Juros sobre o capital próprio e Adiantamentos para
aumento de capital.
A elaboração do Balanço Patrimonial possui um layout específico que remonta às
partidas dobradas: em um quadro, são elencados os itens patrimoniais, sendo que:
ao lado esquerdo, são apresentadas as contas do Ativo, com seu nome e total na data
do Balanço, seguidas do somatório total do Ativo. Ao lado direito, são apresentadas,
primeiramente, as contas do Passivo, com seu nome e total na data do Balanço; logo
embaixo, são apresentadas as contas do Patrimônio Líquido, com seu nome e total na
data do Balanço. Estes dois grupos são seguidos pelo somatório total do Passivo acres-
cido do Patrimônio Líquido – destacando que este valor será igual ao total do Ativo.
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Prática Contábil I
UNIDADE 6
OBJETIVO
Ao final desta
unidade,
esperamos
que possa:
> Definir o que é a
Demonstração do
Resultado do Exercício.
> Definir o que são
Receitas e Despesas.
> Definir a estrutura
da Demonstração do
Resultado do Exercício.
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SUMÁRIO 119
Prática Contábil I
6 DEMONSTRAÇÃO DO
RESULTADO DO EXERCÍCIO
As demonstrações contábeis constituem-se como meio de comunicação entre as
empresas e seus usuários. Você já aprendeu que existem diferentes demonstrações
contábeis exigidas pela legislação brasileira e, mais especificamente, você aprendeu
os principais aspectos sobre o Balanço Patrimonial, que é uma das mais importantes
demonstrações. Outra demonstração contábil tão importante e que, juntamente ao
Balanço Patrimonial, fornece base para todas as demais demonstrações, é a Demons-
tração do Resultado do Exercício.
Esta demonstração produz informações de forma dinâmica, ou seja, apresenta o re-
sultado que a empresa apurou em um período – e não somente em um dia específi-
co. Esse período corresponde ao exercício social, que geralmente coincide com o ano
civil das entidades.
Para entender este demonstrativo, nesta unidade, você irá conhecer as principais in-
formações referente à Demonstração do Resultado do Exercício, compreendendo o
que é este demonstrativo e como ele é estruturado. Além disso, você conhecerá os
elementos de receitas e despesas que compõem o resultado de uma empresa.
Bons estudos!
APRESENTAÇÃO DA
UNIDADE
Quando se fala em demonstração contábil, muitas vezes associa-se o termo ao lucro
de uma empresa. E, de certa forma, essa não é uma ideia equivocada. Como você já
sabe, as demonstrações contábeis possuem o objetivo de fornecer informações úteis
aos seus usuários de forma a impactá-los em sua tomada de decisão. E cada uma das
demonstrações possui uma forma específica de fornecer tais informações.
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Prática Contábil I
Em relação à questão do lucro, existe uma demonstração contábil que possui o obje-
tivo de fornecer informações acerca do resultado das empresas, evidenciando como
as empresas obtiveram seu resultado – que pode ser lucro ou prejuízo, a depender do
desempenho da empresa.
Para compreender melhor este tema, nesta unidade, será abordado o conteúdo De-
monstração do Resultado do Exercício. Para discutir este assunto, você será apresen-
tado a dois importantes conceitos: Despesas e Receitas.
6.1 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO
EXERCÍCIO
Você aprendeu que, de acordo com o pronunciamento técnico n. 26 – Apresentação
das Demonstrações Contábeis, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis
(2011), o conjunto completo de demonstrações contábeis contempla:
QUADRO 14 - CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Balanço Patrimonial
Demonstração do Resultado do Exercício
Demonstração do Resultado Abrangente
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
Demonstração dos Fluxos de Caixa
Demonstração do Valor Adicionado
Notas Explicativas
Balanços a fim de comparações
Fonte: Adaptado de CPC (2011).
Além disso, tal pronunciamento aponta que as empresas devem apresentar todas as
mutações ocorridas no patrimônio líquido que forem reconhecidas em cada exercí-
cio e que não representem transações entre a empresa e seus sócios. Isso corre por
meio de duas demonstrações contábeis: a Demonstração do Resultado do Exercício
e a Demonstração do Resultado Abrangente. Essas demonstrações contábeis pos-
suem um objetivo específico e a demonstração que estudaremos nesta unidade é a
Demonstração do Resultado do Exercício.
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SUMÁRIO 121
Prática Contábil I
6.1.1 O QUE É A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO
EXERCÍCIO
A Demonstração do Resultado do Exercício é uma demonstração contábil que apre-
senta como foi obtido o resultado da entidade. Assim sendo, seu objetivo consiste em
fornecer informações úteis aos usuários da informação contábil acerca do desempe-
nho econômico da entidade em um período.
FIGURA 32 - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E DEMONSTRAÇÃO DO
RESULTADO DO EXERCÍCIO
Demonstração
contábil
Fornecer
informação útil Desempenho
que auxilie na econômico da
tomada de decisão entidade em um
período
Demonstração
contábil
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
O resultado de uma entidade é o lucro ou prejuízo que ela obteve em um determi-
nado período.
Lucro: quando as receitas superam as despesas de um período. Prejuí-
zo: quando as despesas de um período são maiores que as receitas desse
período.
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Prática Contábil I
Portanto, a partir da Demonstração do Resultado do Exercício, é possível compreen-
der se uma empresa obteve lucro ou prejuízo e como este resultado foi obtido. Isto
significa que esta demonstração contábil permite que o usuário conheça como os
gestores da empresa têm gerenciado os recursos, podendo analisar seu desempe-
nho em suas atividades.
FIGURA 33 - COMPOSIÇÃO DO RESULTADO
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Além disso, é possível também conhecer o desempenho da própria entidade em
seus processos produtivos e organizacionais, pois a partir da Demonstração do Resul-
tado do Exercício, pode-se verificar todas as receitas auferidas e despesas incorridas
pela entidade em um determinado período de tempo.
Assim, você consegue perceber os motivos pelos quais esta demonstração contábil é
tão importante, não é mesmo?!
Até o momento, entende-se que a Demonstração do Resultado do Exercício é um
demonstrativo dinâmico que fornece informações sobre o desempenho da entidade
a partir do conhecimento de suas receitas e despesas.
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SUMÁRIO 123
Prática Contábil I
FIGURA 34 - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO: RECEITAS E DESPESAS
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2011b),
“o resultado é frequentemente utilizado como medida de performance ou
como base para outras medidas, tais como o retorno do investimento ou o re-
sultado por ação. Os elementos diretamente relacionados com a mensuração
do resultado são as receitas e as despesas.”
Compreenda a partir de agora estes conceitos e conheça as principais classificações
de receitas e despesas.
As receitas consistem em
“aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a for-
ma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passi-
vos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam re-
lacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais”
(COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011b).
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124 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
A venda de mercadorias representa uma receita!
As receitas podem impactar, ou seja, ter contrapartida, em diferentes ativos, como a
conta caixa, as contas a receber e diferentes bens e serviços recebidos em troca de
bens e serviços fornecidos. Além disso, uma receita também pode decorrer da liqui-
dação de passivos.
Uma empresa fornece um serviço em troca da quitação de um passivo.
É muito importante destacarmos que a definição de receita compreende as receitas
e os ganhos. A receita é aquilo que ocorre no curso das atividades habituais da enti-
dade e é designada por uma variedade de nomes, como você conhecerá a seguir. Já
os ganhos são outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou
não decorrer de atividades normais da entidade, representando aumentos nos bene-
fícios, como, por exemplo, a venda de ativos imobilizados.
As despesas, por sua vez, consistem em
“decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a
forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos,
que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam rela-
cionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais.”
(COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011b).
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SUMÁRIO 125
Prática Contábil I
Juros incorridos são um exemplo de despesa!
Cabe destacar que as despesas abrangem custos, despesas e perdas que ocorrem no
curso das vendas.
As despesas possuem como contrapartida, de maneira geral, o desembolso ou a re-
dução de ativos como, por exemplo, a conta caixa e equivalentes de caixa, a conta
estoques, etc.
As contas de receitas e despesas impactam no patrimônio da empresa, mes-
mo não sendo evidenciadas no Balanço Patrimonial. Isto mesmo! O resulta-
do de um exercício impactará o patrimônio líquido de uma empresa: o lucro,
aumentará seu saldo e o prejuízo o reduzirá!
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126 SUMÁRIO
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FIGURA 35 - RECEITAS E DESPESAS E SEU IMPACTO NO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
A forma como as receitas e despesas são apresentadas no resultado do exercício po-
dem variar, de forma a permitir uma melhor análise de informações para auxilia na
tomada de decisão. Veja o que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis diz:
“é prática comum distinguir os itens de receitas e despesas que surgem no
curso das atividades usuais da entidade daqueles que não surgem. Essa dis-
tinção é feita considerando que a origem de um item é relevante para a ava-
liação da capacidade que a entidade tem de gerar caixa ou equivalentes de
caixa no futuro. Por exemplo, atividades incidentais como a venda de um in-
vestimento de longo prazo são improváveis de voltarem a ocorrer em base
regular. Quando da distinção dos itens dessa forma, deve-se levar em conta
a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades
usuais de uma entidade podem não ser usuais em outras entidade.” (COMITÊ
DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011b).
Dentre as receitas, destacam-se aquelas provenientes das vendas de mercadorias. As
receitas de vendas consistem na principal fonte de receita das entidades e, portanto,
são as primeiras a serem abordadas. No que diz respeito às despesas, o custo das
mercadorias vendidas é o gasto que, teoricamente, é o mais relevante.
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SUMÁRIO 127
Prática Contábil I
FIGURA 36 - RECEITAS E DESPESAS MAIS RELEVANTES EM UMA ENTIDADE
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
A seguir, apresentamos a você os principais itens de receitas e despesas vigentes na
legislação brasileira: receitas de vendas, custo dos produtos, mercadorias ou serviços
vendidos, despesas com vendas, despesas administrativas, outras despesas e receitas
operacionais, despesas e receitas financeiras e despesas decorrentes dos tributos so-
bre o lucro.
Vamos saber o que significam cada uma delas?
QUADRO 15 - CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Decorrem da venda de produtos, mercadorias e/ou serviços
Receitas de vendas
de uma entidade.
Compreende o custo dos produtos, das mercadorias e dos
Custo dos produtos, das mercado-
serviços vendidos e também as despesas com impostos rela-
rias e dos serviços vendidos
cionados diretamente às vendas como, por exemplo, o ICMS.
Compreendem os desembolsos realizados a fim de promo-
Despesas com vendas ver, colocar à disposição do consumidor ou distribuir os pro-
dutos, como, por exemplo, uma despesa com propaganda.
Referem-se a gastos realizados a títulos de cargos adminis-
trativos e funcionamento das áreas administrativas da enti-
Despesas administrativas
dade, como, por exemplo, o salário de funcionários do setor
administrativo ou honorários da Contabilidade.
Outras despesas e receitas opera- Referem-se a outras despesas e/ou receitas com vendas e ad-
cionais ministrativas que não foram elencadas anteriormente.
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128 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Correspondem a valores desembolsados ou recebidos a par-
Despesas e receitas financeiras tir de transações financeiras, como, por exemplo, juros aufe-
ridos e/ou incorridos.
Dizem respeito a gastos com tributos calculados e devidos a
Despesas decorrentes de tributos
partir do lucro da entidade, como, por exemplo, imposto de
sobre o lucro
renda e contribuição social sobre o lucro líquido.
Fonte: Adaptado de CPC (2011b).
Você conheceu todos os elementos que são apresentados em uma Demonstração
do Resultado do Exercício. A estrutura deste demonstrativo compreende, portanto:
Receitas e Despesas, as quais são distribuídas em uma sequência específica.
A partir de agora, você vai compreender qual é esta sequência que deve ser respeita-
da para a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício.
6.2 COMO ELABORAR A DEMONSTRAÇÃO DO
RESULTADO DO EXERCÍCIO
A elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício deverá observar a legis-
lação existente. De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2011b),
existem duas formas de estruturar a Demonstração do Resultado do Exercício:
FIGURA 37 - MÉTODOS DE ELABORAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO
RESULTADO DO EXERCÍCIO
Método da Natureza das Despesas
Método da Função da Despesa.
Fonte: Adaptado de CPC (2011).
Tal representação pode ocorrer por sua natureza ou função nos negócios da entidade
“a fim de mostrar as informações da maneira mais útil aos usuários para fins de toma-
da de decisões econômica” (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011b). O
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SUMÁRIO 129
Prática Contábil I
próprio Comitê de Pronunciamento Contábeis (2011) ainda enfatiza em seu Pronun-
ciamento Técnico n. 26: “As demonstrações contábeis resultam do processamento de
grande número de transações ou outros eventos que são agregados em classes de
acordo com a sua natureza ou função.” E nessa declaração, enquadra-se a Demons-
tração do Resultado do Exercício.
Todas as contas presentes na Demonstração do Resultado do Exercício deve-
rão estar de acordo com o Plano de Contas da empresa. Você lembra dele?!
Para o Comitê de Pronunciamento Contábeis (2011), pelo método da natureza da
despesa, as despesas são apresentadas de acordo com sua natureza, como as depre-
ciações, as compras de materiais, os gastos com marketing e publicidade, os gastos
com transporte etc. Nesse método, os gastos não precisam ser alocados pelas fun-
ções dentro da empresa e, assim, torna-se uma forma mais prática de apresentação.
A seguir temos um exemplo de composição de resultado com base no método da
natureza da despesa.
QUADRO 16 - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO COM BASE
NO MÉTODO DA NATUREZA DA DESPESA
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Receitas
Outras Receitas
Variação de estoque de produtos acabados e em elaboração
Materiais consumidos
Despesas com salários e benefícios
Outras despesas
Total das despesas
Resultado antes dos tributos
Fonte: Adaptado de CPC (2011).
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Prática Contábil I
Já pelo método da função da despesa, estas são classificadas de acordo com a sua
função como parte do custo dos produtos ou serviços vendidos. Assim, quando utili-
zar este método, deve-se divulgar o custo dos produtos vendidos de forma separada
dos demais custos. Além disso, devem declarar informações adicionais sobre a na-
tureza das despesas (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011). A seguir,
temos um exemplo de Demonstração do Resultado do Exercício elaborada com este
método.
QUADRO 17 - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO COM BASE NO MÉTODO
DA FUNÇÃO DA DESPESA
Demonstração do Resultado do Exercício
Receitas
Custo dos produtos vendidos
Lucro bruto
Outras receitas
Despesas de vendas
Despesas administrativas
Outras despesas
Resultado antes dos tributos
Fonte: Adaptado de CPC (2011).
Você consegue perceber que a utilização de um ou de outro método apresenta uma
diferença estrutural na elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício?
A escolha pelo método fica à critério da empresa, devendo refletir as receitas e des-
pesas da empresa da forma mais adequada possível em compatibilidade às opera-
ções da empresa.
Agora que você já entendeu as duas formas de evidenciação da Demonstração do
Resultado do Exercício, vamos verificar como é sua elaboração completa?!
Tanto no método da natureza da despesa quanto no método da função da des-
pesa, as demonstrações apresentadas encerram em “resultado antes dos tributos”.
Em uma Demonstração do Resultado do Exercício completa, após a apresentação
do resultado antes dos tributos, deve-se apurar o valor das despesas que serão de-
sembolsadas com Imposto de Renda e com Contribuição Social. Esses valores serão
registrados imediatamente após o Resultado Antes dos Tributos, valor sobre o qual
serão deduzidos, compondo, então, o Resultado Líquido do Período.
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QUADRO 18 - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Receitas R$ 2.000,00
Custo dos produtos vendidos R$ 700,00
Lucro bruto R$ 1.300,00
Outras receitas R$ 400,00
Despesas de vendas R$ 300,00
Despesas administrativas R$ 200,00
Outras despesas R$ 100,00
Resultado antes dos tributos R$ 1.100,00
Despesa com Imposto de Renda R$ 300,00
Despesa com Contribuição Social R$ 50,00
Resultado Líquido do Período R$ 750,00
Fonte: Adaptado de CPC (2011).
Você lembra quando estudou os tipos de sociedades? As companhias de
capital aberto (aquelas que possuem ações negociadas no mercado de valo-
res) possuem uma última linha da Demonstração do Resultado do Exercício:
o resultado por ação, que é o valor do resultado do exercício dividido pelo
número de ações que a entidade possui.
Percebe-se, portanto, que o resultado contábil apresentado por uma Demonstração
do Resultado do Exercício significa a aferição de lucro ou prejuízo em um determina-
do período de tempo. Para que isso ocorra, a estrutura da Demonstração do Resulta-
do do Exercício proporciona um confronto entre as receitas auferidas e as despesas
incorridas pela entidade em um exercício. O lucro é obtido quando as receitas são
superiores às despesas e o prejuízo é obtido quando as despesas de um período su-
peram as receitas da empresa.
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132 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
Compreende-se, assim, a importância da Demonstração do Resultado do Exercício,
pois ela apresenta a composição do resultado de uma entidade em um determinado
exercício social, permitindo que seus usuários conheçam o desempenho da entidade
e de seus gestores. A partir das informações obtidas na Demonstração do Resultado
do Exercício, é possível definir estratégias para a entidade, principalmente no que diz
respeito à forma como estão sendo organizado os seus recursos.
CONCLUSÃO
Nesta unidade, você estudou uma demonstração contábil muito importante: a De-
monstração do Resultado do Exercício.
A Demonstração do Resultado do Exercício é conhecida por ser um demonstrativo
dinâmico, que contempla as receitas auferidas e despesas incorridas pela empresa
em um período de tempo – que geralmente corresponde a um exercício social.
Você viu que as receitas correspondem aos acréscimos no patrimônio líquido das em-
presas durante um exercício contábil, sendo esse aumento realizado sob a forma de
entrada de recursos, aumento de ativos ou diminuição de passivos. As despesas, por
sua vez, são diminuições no patrimônio líquido das entidades durante um exercício
contábil, sendo que esse decréscimo decorre a partir da saída de recursos, redução
de ativos ou geração de novas obrigações. Em ambos os casos – receitas e despesas –
as alterações no patrimônio líquido não podem estar relacionadas à contribuição dos
detentores de instrumentos patrimoniais.
A elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício deverá seguir algumas
orientações normativas, as quais incluem a existência de duas formas para apresen-
tação: a partir do método da natureza da despesa e a partir do método da função da
despesa. Tal escolha fica a critério da empresa, devendo ser observada as característi-
cas mais preponderantes da entidade para tal definição.
Assim sendo, você pôde compreender a importância da Demonstração do Resulta-
do do Exercício: ela apresenta não somente o resultado de um exercício, mas como
foi obtido tal resultado. Desta forma, encerramos esta unidade. Esperamos que você
tenha aproveitado o conteúdo!
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SUMÁRIO 133
Prática Contábil I
Encerramos, também, nosso livro de Prática Contábil I. Ao finalizar estes estudos, es-
peramos que você tenha aproveitado todo o conteúdo e sinta-se capaz de colocar em
prática todos os conhecimentos adquiridos, pois a conversa entre a teoria e a prática
é fundamental para que um contador atue com excelência no mercado de trabalho.
Boa sorte!
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134 SUMÁRIO
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Prática Contábil I
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