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Metodologia da Pesquisa Científica

Este documento apresenta orientações para leitura, análise e redação de trabalhos acadêmicos e científicos. Aborda o processo de leitura, técnicas de leitura e pesquisa bibliográfica, além de orientações para redação de trabalhos científicos e os gêneros resumo e resenha.

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Francislaine
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Metodologia da Pesquisa Científica

Este documento apresenta orientações para leitura, análise e redação de trabalhos acadêmicos e científicos. Aborda o processo de leitura, técnicas de leitura e pesquisa bibliográfica, além de orientações para redação de trabalhos científicos e os gêneros resumo e resenha.

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METODOLOGIA DA

PESQUISA CIENTÍFICA
Prof.ª ÉRICA DANIELLE SILVA
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA

Autora: Érica Danielle Silva


Graduada em Letras, com habilitação em Português e Inglês e mestre e
doutora em Letras pela Universidade Estadual de Maringá.

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
SUMÁRIO

UNIDADE II........................................................................................................................................................................................04

ORIENTAÇÕES PARA LEITURA, ANÁLISE E REDAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICO-CIENTÍFICOS....................05

CONVERSA INICIAL.........................................................................................................................................................................06

1 ORIENTAÇÕES PARA LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS.................................................................07


1.1 O processo de leitura...........................................................................................................................................................07
1.2 Técnicas de leitura ................................................................................................................................................................09
1.2.1 Sublinhar............................................................................................................................................................................09
1.2.2 Esquematizar....................................................................................................................................................................10
1.2.3 Resumir...............................................................................................................................................................................11
1.3 Técnicas de pesquisa bibliográfica..................................................................................................................................14
1.3.1 O fichamento ...................................................................................................................................................................17

2 REDAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS.............................................................................................................................19


2.1 Objetividade e coerência...................................................................................................................................................20
2.2 Clareza.......................................................................................................................................................................................23
2.3 Impessoalidade......................................................................................................................................................................23
2.4 A revisão...................................................................................................................................................................................23

3 RESUMO.........................................................................................................................................................................................26
3.1 Definições e tipos..................................................................................................................................................................26
3.2 Questões metodológicas de leitura e produção do gênero resumo.................................................................28
3.3 O resumo acadêmico/indicativo......................................................................................................................................29

4 RESENHA........................................................................................................................................................................................31
4.1 Definição e características.................................................................................................................................................31
4.2 Resenha acadêmica/escolar..............................................................................................................................................32
4.3 Da estrutura da resenha acadêmica...............................................................................................................................32

CONCLUSÃO.....................................................................................................................................................................................37

REFERÊNCIAS...................................................................................................................................................................................38
UNIDADE II

04
UNIDADE II
ORIENTAÇÕES PARA LEITURA, ANÁLISE E REDAÇÃO
DE TRABALHOS ACADÊMICO-CIENTÍFICOS
Prof.ª Me. Érica Danielle Silva

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Ao finalizar esta unidade, você deverá ser capaz de reconhecer a importância e as etapas
do processo de leitura, análise e interpretação de textos no meio acadêmico, utilizar técnicas de
leitura, de escrita e de pesquisa bibliográfica de textos científicos e/ou acadêmicos e sistematizar
a estrutura e a função retórica dos gêneros fichamento, resumo e resenha.

Plano de estudo

Serão abordados os seguintes tópicos:

1. O processo de leitura;
2. Redação de trabalhos científicos;
3. O fichamento;
4. Resumo;
5. Resenha.

05
CONVERSA INICIAL
Como você costuma selecionar seu material de leitura?

A complexidade característica dos gêneros pertencentes à esfera acadêmica e/ou científica


exige que múltiplas capacidades sejam desenvolvidas, que ultrapassam a mera organização tex-
tual e o enquadramento da escrita às normas gramaticais vigentes do português padrão. Desse
modo, entendemos que faz parte de seu processo de formação acadêmica, especialmente nesta
disciplina em curso, o desenvolvimento das capacidades de construção de representações ade-
quadas sobre o contexto de produção, bem como da organização global e de conteúdos refer-
entes ao trabalho acadêmico e/ou científico.

Nesta unidade, então, objetivaremos apresentar algumas estratégias de leitura, de escrita e


de pesquisa bibliográfica que poderão subsidiar e/ou aperfeiçoar seu desempenho acadêmico/
científico.

06
1 ORIENTAÇÕES PARA LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO
DE TEXTOS

1.1 O processo de leitura


Ler é uma habilidade fundamental no curso de graduação essa habilidade não se conquista
da noite para o dia. Aprender a ler não significa que você apenas decodificará o que está escrito,
mas exige que você adote uma postura crítica e sistemática, que só poderá ser desenvolvida com
muita prática e disciplina intelectual.

A leitura de textos de cunho científico visa à aquisição e ampliação de conhecimento. Ao


escrever um texto, o autor (emissor) codifica a mensagem e cabe ao leitor (receptor) a tarefa de
decodificá-la, para então pensar sobre a ideia, assimilá-la, personalizá-la e compreendê-la. Entre-
tanto, em todas as etapas desse processo, o homem sofre uma série de interferências pessoais e
culturais que interferem na objetividade da comunicação. Logo, se faz necessário tomarmos algu-
mas diretrizes metodológicas para a leitura e produção de textos, sobretudo os de caráter científ-
ico/acadêmico. Severino (2007) propõe algumas diretrizes, visando fornecer elementos para uma
melhor abordagem de textos de natureza teórica. Por julgar um processo importante, vamos a
elas:

a. Delimitação da unidade de leitura: o primeiro procedimento a ser tomado pelo leitor é


a delimitação da leitura. A extensão do texto pode influenciar diretamente na compreensão glob-
al da mensagem. Assim, de acordo com Severino (2007, p. 54), “[...] a leitura de um texto, quando
feita para fins de estudo, deve ser feita por etapas, ou seja, apenas terminando a análise de uma
unidade é que se passará à seguinte”. Vale destacar que se deve evitar intervalos de tempo muito
grandes entre o estudo das unidades.

b. Análise textual: nesse momento, preparatório para a análise profunda do texto, o leitor
deve fazer uma leitura seguida e completa da unidade do texto. Objetiva-se, com esse primeiro
contato, formar uma visão panorâmica do raciocínio do autor. É nesse momento também que o
leitor assinala os possíveis pontos de dúvida que podem condicionar a compreensão da men-
sagem. Entre os principais aspectos, destacam-se: dados a respeito do autor, o vocabulário e os
fatos históricos que possam ser pressupostos para o entendimento do texto. A etapa da análise
textual pode ser encerrada com a esquematização do texto, o que permitirá a visualização global
do texto.

c. Análise temática: nesta fase, fazemos ao texto uma série de perguntas que nos ajudarão
a compreender o conteúdo da mensagem. Do que esse texto trata (qual é o assunto e o tema da
unidade?); Qual é a problematização do tema?; Como o assunto está problematizado?; Qual é a
posição do autor frente ao problema levantado (que ideia/tese defende)?; Qual foi o raciocínio ou
a argumentação traçada pelo autor para comprovar sua tese? São essas questões que fornecem
as condições de elaboração de um resumo do texto ou para construir um roteiro de leitura – para
seminários, por exemplo.

d. Análise interpretativa: essa abordagem é a mais delicada, pois são maiores os riscos de
interferência da subjetividade do leitor, o que exige uma maturidade intelectual avançada. Primei-

07
ramente, é necessário relacionar as ideias do autor no conjunto da cultura de sua área, e também
em relação às posições de outros autores que eventualmente o influenciaram ou que foram por
ele influenciados. O passo seguinte é a crítica, que significa uma tomada de posição quanto a sua
coerência interna (que leva em conta a originalidade, a validade e a contribuição dada à discussão
do problema) e quanto ao raciocínio (relacionado à superficialidade ou profundidade do assunto).

e. Problematização: este é o momento de retomada do texto, com o objetivo de levantar


os problemas relevantes para a reflexão pessoal e, principalmente, para a discussão em grupo.
Diferentemente da problematização levantada na etapa da análise temática, essa etapa refere-se
à discussão e à reflexão das questões explícitas e implícitas no texto.

f. A síntese pessoal: o trabalho de síntese pessoal é frequentemente exigido no contexto


de atividades didáticas, tanto como tarefa específica quanto parte de relatórios de pesquisa e
seminários. Trata-se de uma reelaboração pessoal da mensagem da unidade de texto em um novo
texto, com redação própria, discussão e reflexão pessoal.

Severino (2007, p. 64) propõe o seguinte fluxograma sobre essas etapas de leitura:

Fonte: adaptado de SEVERINO (2007)

08
Para perpassarmos todas as etapas apontadas, podemos nos valer de algumas técnicas. Al-
gumas já bem conhecidas, mas nem sempre utilizadas adequadamente. Vamos a elas:

1.2 Técnicas de leitura


Existem várias maneiras e objetivos diversos para se ler um texto. No seu caso, caro(a)
aluno(a), o que interessa é a leitura de estudo ou informativa. Para ajudá-lo(a) nesse processo, va-
mos expor algumas técnicas, entre elas a de sublinhar, a de esquematizar e a de resumir, que, se
usadas adequadamente, podem otimizar sua vida acadêmica.

1.2.1 Sublinhar
Sublinhar é uma das primeiras técnicas que aprendemos no meio escolar. Entretanto, nem
sempre é usada corretamente. Mas, quando utilizada adequadamente, ela é importantíssima tan-
to na revisão ou memorização do assunto abordado quanto na elaboração de esquemas e resu-
mos.

A estratégia de sublinhar é desenvolvida de forma adequada quando compreendemos o


assunto, uma vez que é somente através da identificação das ideias principais e secundárias que
conseguimos selecionar o que é realmente indispensável para o entendimento global do texto.
Para tanto, não é eficaz sublinharmos parágrafos ou frases inteiras. Isso porque, fazendo isso, po-
demos sobrecarregar a memória e o aspecto visual e também apenas reproduzir as palavras do
autor ao fazer um resumo, e não suas ideias.

A respeito desta técnica, Andrade (2010) destaca o seguinte procedimento:

a) Ler o texto integralmente, para termos a ideia global do assunto tratado;

b) Desenvolver uma análise textual, sobretudo do vocabulário desconhecido e dos termos


técnicos;

c) Reler o texto, identificando as ideias principais;

d) Ler e sublinhar, em cada parágrafo, as palavras que correspondem à ideia-núcleo, bem


como os tópicos mais importantes;

e) Assinalar com uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais importantes (usar
palavras-chave ou frases curtas);

f ) Assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os casos de dúvidas, dis-


cordâncias, argumentos discutíveis etc.;

09
g) Ler o que foi sublinhado, verificando se há sentido;

h) Reconstruir o texto, em forma de esquema ou resumo, lembrando de tomar as palavras


sublinhadas como base.

Enfim, lembre-se de que você deve sublinhar apenas o indispensável, porque o acúmulo de
anotações e destaques pode dificultar o desenvolvimento do resumo.

1.2.2 Esquematizar
O esquema é uma apresentação visual do texto; é uma preparação para a produção do resu-
mo. Isso significa que em um esquema não há frases completas, mas apenas palavras-chave, que
podem estar interligadas por símbolos diversos (setas, linhas, círculos, colchetes, subordinação,
mapa de ideias etc.). Veja algumas possibilidades:

Quadro 1 - Possibilidades de Esquemas

Fonte: Elaborado pela autora

Salomon (1977, p. 85 apud ANDRADE, 2010, p. 13-14) destaca algumas características que o
esquema deve conter para ser útil:

10
• Fidelidade ao texto original: o esquema deve conter as ideias do autor, sem alteração de
sentido (se precisar, use as palavras do autor).

• Estrutura lógica do assunto: as ideias devem ser organizadas a partir das mais importantes
para as secundárias.

• Adequação ao assunto estudado e funcionalidade: o esquema deve ser flexível, que significa
adaptar-se ao assunto que está sendo estudado/resumido. Por exemplo, um texto rico em infor-
mações permitirá a construção de um esquema com maiores indicações.

• Utilidade de seu emprego: o esquema deve ajudar e não atrapalhar. O esquema é um in-
strumento de trabalho. Logo, deve facilitar a consulta no texto quando necessário. Para isso, deve
conter páginas ou relacionar partes do texto.

• Cunho pessoal: um esquema raramente é útil para várias pessoas. Isso porque cada um
desenvolve o esquema de acordo com suas preferências, recursos disponíveis e experiências pes-
soais. Alguns preferem usar recursos gráficos variados, enquanto outros preferem usar somente
palavras.

Dessa forma, Marconi e Lakatos (2010, p. 7) sintetizam que “[...] a elaboração de um esquema
fundamenta-se na hierarquia das palavras, frase e parágrafos-chave que, destacados após várias
leituras, devem apresentar ligações ente as ideias sucessivas para evidenciar o raciocínio desen-
volvido”.

1.2.3 Resumir
Diferente do esquema, o resumo compõe-se de parágrafos com sentido completo. As ideias
do autor do texto original devem ser mantidas e respeitadas. Não é permitido, nesse gênero, que
você, leitor(a) e produtor(a) do resumo, acrescente seus comentários e possíveis acréscimos. Po-
demos redigir um resumo a partir das palavras sublinhadas (conforme vimos sobre a técnica de
sublinhar). Mas, apesar desse processo ter a vantagem de manter a fidelidade ao texto de origem,
isso não é uma regra absoluta. Quanto mais completo for um texto, mas fácil será resumi-lo a par-
tir de um esquema e das palavras sublinhadas.

Segundo Andrade (2010), nos textos bem estruturados, cada parágrafo corresponde a uma
ideia principal. Entretanto, alguns autores, por questão de estilo ou didática (e por que não erro?!)
usam mais de um parágrafo para desenvolver a mesma ideia com palavras diferentes. Vamos ver
dois exemplos de resumo de parágrafo expostos por Andrade (2010):

a) Resumo que não se prende fielmente às palavras sublinhadas:

“Na psicanálise freudiana muito comportamento criador, especialmente nas artes, é sub-
stituto e continuação do folguedo da infância. Como a criança se exprime em jogos e fan-
tasias, o adulto criativo o faz escrevendo ou, conforme o caso, pintando. Além disso, muito

11
do material de que ele se vale para resolver seu conflito inconsciente, material que se tor-
na substância de sua produção criadora, tende a ser obtido das experiências da infância.
Assim, um evento comum pode impressioná-lo de tal modo que desperte a lembrança
de alguma experiência anterior. Essa lembrança por sua vez promove um desejo, que se
realiza no escrever ou no pintar. A relação da criatividade com o folguedo infantil atinge
máxima clareza, talvez, no prazer que a pessoa criativa manifesta em jogar com ideias,
livremente, em seu hábito de explorar ideias e situações pela simples alegria de ver aonde
elas podem levar” KNELLER, 1976, p. 42-43 apud Andrade, 2010, p. 17).

Resumo:

Na concepção freudiana, a criatividade dos artistas é um substituto das brincadeiras infantis.


A criança se expressa por meio de jogos e da fantasia, e o adulto o faz por meio da literatura ou
da pintura, inspirando-se em suas experiências da infância. Essa relação é confirmada pelo prazer
que a pessoa criativa sente em explorar ideias e situações apenas pela alegria de ver aonde elas
podem chegar.

b) Resumo baseado nas palavras sublinhadas:

“Vivemos num ambiente formado e, em grande proporção, criado por influências semân-
ticas sem paralelo no passado: circulação em massa, de jornais e revistas que só fazem re-
fletir, num espantoso número de casos, os preconceitos e as obsessões de seus redatores
e proprietários; programas de rádio, tanto locais como em cadeia, quase inteiramente
dominados por motivos comerciais; conselheiros de relações públicas, que não são mais
que artífices, regiamente pagos, para manipular e remodelar o nosso ambiente semântico
de um modo favorável a seu cliente. É um ambiente excitante, mas cheio de perigos, sen-
do apenas um pequeno exagero dizer que foi pelo rádio que Hitler conquistou a Áustria.
Os cidadãos de uma sociedade moderna precisam, em consequência, de algo mais do
que simples ‘senso comum’, recentemente definido por Stuart Chase como ‘aquilo que nos
diz que o mundo é plano’. Precisam, esses cidadãos, de ficar cientificamente conscientes
do poder e das limitações dos símbolos, especialmente das palavras, se é que desejam
evitar ser levados à mais completa confusão, mediante a complexidade do seu ambiente
semântico. Assim, pois, o primeiro dos princípios que governam os símbolos é este: O
símbolo não é a coisa simbolizada; a palavra não é a coisa; o mapa não é o território que
ele representa (HAYAKAWA, 1972, p. 20-21 apud Andrade, 2010, p. 18).

Resumo:

Vivemos num ambiente formado por influências semânticas: circulação em massa de jornais
e revistas que refletem os preconceitos e obsessões de seus redatores e proprietários; o rádio,
dominado por motivos comerciais; os relações públicas, pagos para manipular o ambiente a favor
de seus clientes. É um ambiente excitante, mas cheio de perigos. Os cidadãos de uma sociedade
moderna precisam ficar conscientes do poder e das limitações dos símbolos, a fim de se evitar
confusão ante a complexidade de seu ambiente semântico. O primeiro princípio que governa os
símbolos é este: o símbolo não é a coisa simbolizada; a palavra não é a coisa; o mapa não é o ter-
ritório que representa.

12
Evidentemente, um resumo de um livro ou de um texto longo não pode ser feito parágrafo
por parágrafo, a partir das palavras sublinhadas. Nesse caso, segundo Andrade (2010, p. 23), o au-
tor do resumo deve adotar os seguintes procedimentos:

a) Ler o texto integralmente, para entrar em contato com o assunto global;

b) Aplicar a técnica de sublinhar, destacando as ideias mais importantes;

c) Elaborar um esquema de redação do resumo, valendo-se das subdivisões organizadas


pelo autor. Importa destacar que nem sempre há a necessidade de manter os títulos e subtítulos
designados pelo autor. A forma de apresentação dos argumentos é que apontará a necessidade
de conservar ou não as divisões.

d) A partir do esquema elaborado, desenvolver um rascunho do resumo – de cada capítulo


ou de unidades do texto;

e) Ler o rascunho, a fim de verificar possíveis omissões ou equívocos. Refazer a redação do


resumo e transcrevê-lo nas normas da materialidade em foco, que pode ser um fichamento, por
exemplo.

É importante ter em mente que um resumo é uma recriação do texto; outras palavras que
mantêm a ideia original. Logo, um bom resumo apresenta de maneira sucinta o assunto da obra,
não apresentando juízos críticos. Além disso, emprega linguagem clara e objetiva, evita a tran-
scrição de frases do original e dispensa a consulta do original para a compreensão do assunto.

Lembramos que o gênero resumo será retomado com mais profundidade ao final desta uni-
dade. Lá, serão abordados os tipos de resumo e algumas questões metodológicas de leitura e
produção desse gênero.

FIQUE POR DENTRO

É importante salientar que o crédito de autoria deve ser SEMPRE atribuído ao autor do
texto original. Se você copiar ou fizer referência às ideias do autor, em algum trabalho
acadêmico, você deve citar a fonte. Se você reproduzir uma ideia sem citar a fonte, você
está cometendo o crime de plágio, ou seja, está se apropriando indevidamente da ideia
de outra pessoa. E plágio pode configurar como crime de violação de direitos autorais,
além de, obviamente, ferir a ética acadêmica. Veja na Unidade 4 as orientações de ci-
tação segundo a Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT).

13
1.3 Técnicas de pesquisa bibliográfica
A pesquisa bibliográfica é o primeiro passo para a atividade acadêmica. Ela é a base para
seminários, painéis, debates, resumos, resenhas e monografias. O problema é que muitas vezes o
aluno, ao ingressar na faculdade, não sabe como fazer essa pesquisa.

A primeira coisa que o calouro deve fazer é entrar em contato com a biblioteca da facul-
dade/universidade, reconhecendo os títulos disponíveis. Hoje em dia, esse levantamento pode
ser feito de forma mais facilitada, visto que o acervo está disponível online, no site da faculdade.

Segundo Gil (1988, p. 62-5 apud ANDRADE 2010, p. 28), as fontes bibliográficas classificam-se
em:

• Livros de leitura corrente: obras de literatura (romance, poesia, teatro...), obras de divulgação
científica, técnicas (com linguagem própria de uma área, destinadas aos especialistas) e a de vul-
garização (destinam-se ao público não especializado);

• Livros de referência: dicionários, enciclopédias, anuários e jornais especializados;

• Periódicos: jornais e revistas;

• Impressos diversos: publicações do governo, boletins informativos de empresas ou de insti-


tutos de pesquisa, estatutos etc.

FIQUE POR DENTRO

Para compreender melhor esse contexto histórico, assista o documentário “1968” pro-
duzido pela Globo News. Neste documentário você poderá vivenciar o contexto históri-
co da época, principalmente no período pós 1964, durante o regime militar.

Disponível em: [Link]

Spina (1974, p. 12 apud ANDRADE, 2010, p. 28) acrescenta as obras de estudo, que compreen-
dem os tratados, manuais, compêndios, monografias, teses, ensaios, conferências, antologias,
seleções, dissertações etc.

Os textos originais, que originam outras obras para formar uma literatura ampla sobre deter-

14
minado assunto, são consideradas como fontes primárias. Já a literatura originada de determina-
das fontes primárias, interpretando-as e analisando-as, constituem as fontes secundárias.

Mas atenção: uma mesma obra pode ser considerada primária em relação a um assunto e
secundária em relação a outro. Independente de classificações, o mais importante é procurar fon-
tes seguras, confiáveis, de autores renomados e considerados autoridades no assunto abordado.
Você deve prestar atenção também ao nível do seu trabalho. Enciclopédias e revistas não espe-
cializadas, por exemplo, não podem constituir exclusivamente a fundamentação bibliográfica de
seu trabalho acadêmico. O mesmo vale para as apostilas de cursos pré-vestibulares que, uma vez
pautadas no nível do ensino médio, não se configuram como base adequada para trabalhos uni-
versitários.

Hoje em dia, a facilidade que os recursos eletrônicos da internet oferecem na pesquisa bib-
liográfica deve ser olhada com atenção. Isso porque, apesar de o conteúdo ser vasto, nem tudo
é confiável. Como a publicação na internet é livre e não sofre fiscalização, recomendamos certa
cautela na utilização das informações obtidas, sobretudo via sites de busca genéricos, como o
Google, por exemplo. Conforma lembra Andrade (2010, p. 37), “[...] a veracidade e a confiabilidade
das informações, bem como a atualidade e procedência, são de responsabilidade de quem repro-
duz ou usa a informação, mesmo citando a fonte, como recomendado”.

Uma alternativa importante, que pode tornar a busca mais objetiva e confiável, é utilizar os
sites relacionados à área de interesse e também os sites de instituições de ensino superior, que di-
sponibilizam dados da produção intelectual e documentos. É possível encontrar também material
bibliográfico em sites de publicações científicas que mantêm uma versão eletrônica e também em
bancos de dados de órgãos do governo.

Quadro 2 - Alguns exemplos de sites de áreas específicas, de nível universitário


Site Endereço (URL)
Base PERIE [Link]
Biblioteca Pública na Internet [Link]
Biblioteca virtual [Link]
Biblioteca Nacional [Link]
Bibliotecas com catálogos online [Link]
Catálogo de revistas científicas [Link]
Informações em Ciência e Tecnologia [Link]
Metabuscador [Link]
Fonte: Elaborado pela autora

15
Quadro 3 - Alguns sites de universidades públicas
Site Endereço (URL)
UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro [Link]
UNESP – Universidade Estadual Paulista [Link]
UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas [Link]
UPE – Universidade de Pernambuco [Link]
USP – Universidade de São Paulo [Link]
FUA – Universidade do Amazonas [Link]
FURG – Universidade do Rio Grande [Link]
UFAL – Universidade Federal de Alagoas [Link]
UFBA – Universidade Federal da Bahia [Link]
UFCE – Universidade Federal do Ceará [Link]
UFES – Universidade Federal do Espírito Santo [Link]
UFF – Universidade Federal Fluminense [Link]
UFG – Universidade Federal de Goiás [Link]
UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso [Link]
UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul [Link]
UFPR – Universidade Federal do Paraná [Link]
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro [Link]
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul [Link]
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina [Link]
UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos [Link]
UFU – Universidade Federal de Uberlândia [Link]
UnB – Universidade de Brasília [Link]
UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo [Link]
Fonte: Elaborado pela autora

Quadro 4 - Alguns sites de utilidade pública, que permitem acesso livre para consulta à base de
dados
Administração RH – SIAP [Link]
Código Defesa do Consumidor [Link]
Comércio eletrônico [Link]
Dados Previdenciários [Link]
Informações – Banco Central [Link]
Informações Sociais [Link]
Legislação Brasileira [Link]
Legislação Comércio Exterior [Link]
Leis Tributárias e Aduaneiras [Link]
Marcas e Patentes – INPI [Link]
Orçamento da União [Link]
Registro Mercantil [Link]
Serviços e Informações [Link]
Fonte: Elaborado pela autora

16
Depois de realizar o levantamento bibliográfico, é preciso localizar as informações úteis para
o desenvolvimento do trabalho e também documentar os dados. Para localizar as informações
necessárias para o desenvolvimento do trabalho, você deve colocar em prática as orientações de
leitura e produção de esquemas e resumos abordados anteriormente neste material.

FIQUE POR DENTRO

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) disponibiliza


gratuitamente publicações periódicas internacionais e nacionais, de todas as áreas de
conhecimento. Acesse: <[Link]

1.3.1 O fichamento
Mas como organizar todas as informações levantadas?

Partimos, então, para a documentação dos dados, que consiste no registro e/ou anotações
para fins de estudo ou pesquisa. Um dos métodos mais indicados é o fichamento, ou seja, a tran-
scrição das anotações em fichas que, por ocuparem pouco espaço, podem ser facilmente trans-
portadas e possibilitam a ordenação do material por diferentes critérios, o que facilita o estudo.

Com o acesso facilitado ao computador, essas fichas podem ser organizadas em arquivos,
sem a necessidade de se imprimir todas elas. Mas lembre-se de salvar em vários lugares e, se pos-
sível, manter um arquivo online (google docs, por exemplo) ou até mesmo em um e-mail destina-
do a arquivar documentos importantes.

O conteúdo das fichas

O conteúdo varia de acordo com o tipo ou a finalidade da ficha. Segundo Marconi e Lakatos
(2010), as fichas podem ser:

A) Bibliográficas: podem referir-se a aspectos como (I) o campo de saber que é aborda-
do; (II) os problemas significativos abordados; (III) as conclusões alcançadas; (IV) as con-
tribuições em relação ao assunto do trabalho; (V) as fontes dos dados (documentação
direta ou indireta, questionário, formulário...); (VI) os métodos de abordagem e de pro-
cedimento utilizados pelo autor; (VII) a modalidade empregada pelo autor; ou ainda (VIII)

17
a utilização de recursos ilustrativos, como tabelas, quadros, gráficos, mapas ou desenhos.
Podem ser divididas em:
- Bibliográficas de obra inteira;
- Bibliográficas de parte de uma obra;
Em ambos os casos, você deve ser breve (se quiser inserir mais detalhes, prefira uma ficha
de resumo ou conteúdo), utilizar verbos ativos (por exemplo: analisa, compara, contém,
critica, define, descreve, examina...) e evitar repetições desnecessárias.
B) Citações: consiste na reprodução fiel de frases ou sentenças consideradas relevantes.
Lembre-se que toda citação deve vir entre aspas e, depois dela, deve constar o número
da página de onde foi extraída e a transcrição deve ser textual, ou seja, se houver erros
de grafia, eles devem ser reproduzidos. Além disso, a supressão de uma ou mais palavras
deve ser indicada, utilizando-se, para isso, de três pontos, que devem estar entre parênte-
ses se estiverem no meio do texto. A supressão de um ou mais parágrafos também deve
ser assinalada, utilizando-se uma linha completa de pontos. Lembre-se também que uma
frase deve ser completa, pois pode acontecer de perder o sentido quando extraída do
contexto. E, por fim, quando o trecho transcrito é de outro autor, isso deve ser assinalado
(muitas vezes, o autor fichado cita frases ou parágrafos escritos por outra pessoa).
C) Resumo ou de Conteúdo: nesse caso, a ficha apresenta uma síntese concisa das ideias
principais do autor. Atenção: não é uma transcrição como a ficha de citações. Deve ser
elaborada pelo leitor, com suas próprias palavras.
D) Esboço: esse tipo de ficha assemelha-se à ficha de resumo, mas é mais detalhada. É a
mais extensa das fichas, pois a síntese das ideias pode ser realizada quase de página por
página. Exige a indicação da página, à esquerda da ficha.
E) Comentário ou Analítica: consiste na explicitação crítica pessoal das ideias do autor.
Nesse tipo de fichamento, é possível comparar a obra com outros trabalhos sobre o mes-
mo tema, bem como explicitar a importância da obra para o estudo em pauta.

No computador, essas fichas podem ser organizadas em pastas com arquivos, sem a neces-
sidade de se imprimir todas elas. Segue uma sugestão:

Técnicas de pesquisa
Resenha 1.1 A
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed.
São Paulo: Atlas, 2005.

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Palavras-chave Citações Reflexões
Conceito de resenha É a apresentação do conteúdo de O que diferencia uma resenha de
uma obra, acompanhada de uma um resumo é a crítica fundamentada
avaliação crítica. Expõe-se clara- que ela oferece.
mente e com certos detalhes o con-
teúdo da obra para posteriormente
desenvolver uma apreciação crítica
do conteúdo. A resenha crítica con-
siste na leitura, resumo e comentário
crítico de um livro ou texto (...).
(LAKATOS; MARCONI, 1996, p. 90)
Critérios para elaboração da resenha (...) Para a elaboração do comentário Uma boa estratégia para a escrita de
crítico, utilizam-se opiniões de diver- uma resenha crítica é realizar a leitu-
sos autores da comunidade científica ra de outro autor que trata do mes-
em relação às definidas pelo ator e se mo tema.
estabelece todo tipo de comparação
como os enfoques, métodos de in-
vestigação e formas de exposição de
outros autores (LAKATOS; MARCONI,
1996, p. 90).
Fonte: elaborado pela autora com base em LAKATOS; MARCONI (1996)

Vamos, então, pensar sobre a outra parte constituinte do processo de pesquisa: a escrita
acadêmica e/ou científica.

2 REDAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS


Antes de você, leitor(a), começar a produzir um texto acadêmico, é preciso certificar-se de
que a proposta está clara para você mesmo(a). Construir um raciocínio coerente consiste em con-
tínuas tomadas de decisão, e esse processo começa antes mesmo de escrever a primeira frase do
seu texto.

Você precisa ter consciência de que necessita organizar seus pensamentos e planejar sua
atividade de escrita. Questione-se, primeiramente:

• Quais são os objetivos do texto?


• Em linhas gerais, qual é o assunto do texto?
• Qual é o gênero adequado aos objetivos? (Se o gênero já foi determinado, quais são suas
especificidades?)
• Qual é o nível de linguagem que deve ser usado?
• Qual é o nível de conhecimento que eu tenho sobre o assunto?
• Qual é o grau de subjetividade ou de impessoalidade que deve ser exposto?
• Registrei a origem das informações utilizadas? (Tenho todos os dados bibliográficos?)
• Quais são as condições práticas de produção: tempo, apresentação, formato?

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Enquanto acadêmico(a), você precisa ter em mente que pesquisadores e cientistas têm
um modo particular de estruturar sua escrita. Os textos produzidos por esses sujeitos buscam
promover a circulação do conhecimento e, para isso, utilizam-se da reflexão, da investigação, da
crítica e/ou da análise de questões científicas, artísticas e filosóficas. Por isso, você, leitor(a), que
está no meio acadêmico, tem pela frente um desafio muito maior do que dominar um tema, te-
star hipóteses ou sustentar seus argumentos e conclusões. Você deve relatar com clareza, obje-
tividade, coerência e precisão suas pesquisas e suas investigações, de modo que elas possam ser
compreendidas e reproduzidas por pesquisadores que tomem o seu trabalho como referência.

2.1 Objetividade e coerência


Andrade (2010) destaca que a objetividade é um requisito básico e essencial na articulação
entre conteúdo e linguagem de um trabalho científico. Uma vez que a linguagem científica é fun-
damentalmente informativa, técnica e racional, ela dispensa figuras de retórica, frases de efeito
e formas literárias. Privilegiam-se frases curtas, simples e com vocabulário adequado. Os termos
técnicos e expressões estrangeiras só devem ser utilizados quando indispensáveis no desenvolvi-
mento do raciocínio proposto.

Outro fator fundamental para a construção do sentido do texto é a coerência, que não é
uma marca textual, mas diz respeito aos aspectos lógicos e semânticos que permitem a união dos
elementos textuais. Expliquemo-nos: um texto é considerado coerente quando apresenta uma
configuração conceitual compatível com o conhecimento de mundo do recebedor. Seu sentido é
construído não só pelo produtor como também pelo recebedor, que precisa deter os conhecimen-
tos necessários à sua interpretação. Essa interferência do interlocutor na construção do sentido do
texto não só não é ignorada pelo produtor como ele conta com ela. É por causa dessa capacidade
de o interlocutor participar da construção dos sentidos que muitos dos elementos necessários
para se entender um texto nem sempre vêm explícitos, mas dependem das pressuposições/in-
ferências do recebedor.

Vejamos o exemplo a seguir:

TEXTO COM BAIXO PADRÃO DE COERÊNCIA

DROGAS

Antes seus pais davam-lhe tudo o que queria: roupas, comida e dinheiro. Não lhe deixa-
vam faltar nada, mas tudo que é bom dura pouco. Além de seus pais pagarem colégios caros
para ele estudar, ele nunca se interessou em aprender nada.

Quando se apaixonou por uma garota e poucos meses ela ficou grávida aí precisou ar-
rumar um emprego, tinha perdido seus pais num acidente e seu pai passava por varias dificul-

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dades financeira e tinha grandes dividas e não o deixou nada em bens financeiros.

Mais os empregos que conseguia não lhe ofereciam melhores condições aí que ele per-
cebeu o quanto lhe fazia falta o estudo naquele momento.

Para a piora do seu estado ele perdeu o emprego, já ganhava pouco, passavam-se os dias
só piorava a situação, quando no dia bem cedo saiu a procura emprego passou a manhã e a tar-
de, quando retornava para sua casa ao atravessar a rua ele viu um velho amigo que logo convi-
dou para ir na sua casa. Ao chegar, ele convidou para acender o cachimbo. Ele muito revoltado
da vida ele acendeu, logo se viciou. Como tinha o corpo muito fraco para aquela droga, apenas
6 meses foram suficientes para cometer suicídio e pôr um fim por causa dessa maldita droga.

...........................................................................................................................................................................................

O texto surpreende, mesmo antes de uma análise mais aprofundada, pela extrema di-
ficuldade do aluno em utilizar aceitavelmente a modalidade escrita da língua portuguesa.
Os desvios em nível formal, especialmente no tocante à ortografia, à acentuação gráfica e à
pontuação, são graves, mas foram regularizados, por não serem objeto deste trabalho. Além
da desestruturação formal, há problemas no aspecto lógico-semântico. De fato, é possível lo-
calizar infrações das quatro metarregras, ao longo do texto.

Uma leitura global revela uma quase total desarticulação entre o texto e o tema propos-
to no título “Drogas”. Apenas no último dos quatro parágrafos do texto é mencionado o fato
de que a pessoa de quem se fala no texto “se viciou” numa droga cujo nome não é dado e, por
causa disso, cometeu suicídio.

O texto começa com um indicador temporal (“antes”) que logo faz surgir a pergunta pelo
antecedente: antes de quê? Como se notará no decorrer do texto, o autor faz referência a um
período anterior à morte dos pais de seu personagem, onde a vida era tranquila e confortável.

Do mesmo modo, “seus pais” levanta a pergunta: pais de quem? A pronominalização,


característica do uso da metarregra de repetição (MR1), foi pouco efetiva, neste caso, por ter
sido usada cataforicamente num período longo onde o sintagma “ele” aparece muito tardia-
mente. E, sobretudo, porque “ele” já remete a um referente que não foi expresso.

“...quando retornava para sua casa, ao atravessar a rua, ele viu um velho amigo que logo
convidou para ir na sua casa. Ao chegar, ele convidou para acender o cachimbo...”

A ambiguidade é completa. O verbo “convidou”, se aceitarmos a frase como está, tem


como sujeito um elíptico “ele”, que só podemos identificar como sendo o nosso personagem
central. O mesmo se aplica aos outros termos destacados (“sua” e “ele”): ambos se referem ao
personagem de quem o texto fala. No entanto, uma visão global do texto deixa claro que o
sujeito de “convidou” é, na verdade, o “velho amigo”, a quem também se referem os termos
“sua” e “ele”.

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Outra sequência mal construída, ainda no segundo parágrafo, diz que “tinha perdido
seus pais num acidente”, mas imediatamente nos surpreende com a afirmação de que “seu pai
passava por varias dificuldades finaceira”, configurando uma nova e gravíssima contradição. A
recuperação da real intenção do escritor se dá no final do parágrafo com a afirmação de que
o pai “não o deixou nada em bens finaceiro”, quando se entende que ele tinha dificuldades
financeiras antes de morrer em um acidente.

(Disponível em <[Link]
[Link]>. Acesso em 23/07/2012)

Como dissemos anteriormente, a coerência refere-se à construção de sentidos pelo recebe-


dor. Entretanto, a coerência pode manifestar-se linguisticamente. Isso significa que um texto ob-
jetivo também é coerente e coeso. Coesão é o modo como ligamos os elementos textuais numa
sequência, articulação esta responsável pela unidade formal do texto.

Mas além ser construída por mecanismos gramaticais e lexicais, a coesão também pode
ocorrer simplesmente pelas relações semânticas que se estabelecem entre as orações. Veja o ex-
emplo de Mino Carta:

Como se conjuga um empresário

Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-se. Perfumou-se. Lan-


chou. Escovou. Abraçou. Beijou. Saiu. Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou. Advertiu. Che-
gou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convo-
cou. Leu. Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Conferiu. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou.
Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu. Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu.
Assinou. Sacou. Depositou. Depositou. Depositou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. De-
positou. Despachou. Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Or-
denou. Telefonou. Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou. Elo-
giou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou. Saiu. Chegou. Despiu-se. Abraçou. Deitou-se. Mexeu.
Gemeu. Fungou. Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se. Presenteou.
Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Justificou-se. Dormiu. Roncou. Son-
hou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu.
Irritou-se. Temeu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Dormiu.
Dormiu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se...

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2.2 Clareza
Clareza diz respeito à qualidade de uma mensagem que não deixa margem para dúvidas
sobre o seu sentido. Logo, um texto claro é entendido de maneira mais imediata.

Ideias claras são expressas por frases objetivas que privilegiam a ordem direta e palavras
claras. Assim, as frases longas tendem a comprometer a concordância gramatical e, consequente-
mente, a clareza do raciocínio.

De forma geral, a concisão deve acompanhar a clareza. Um texto repetitivo, que apresenta a
mesma ideia em mais de um parágrafo ou frase, por mais bem escrito que seja, torna-se cansativo.
É necessário, portanto, evitar o prolongamento da explicação de uma ideia que já está suficiente-
mente esclarecida, bem como a repetição desnecessária de informações que não são relevantes
para o trabalho.

2.3 Impessoalidade
A impessoalidade é um aspecto de grande contribuição para a objetividade do texto científ-
ico, pois pode promover certo distanciamento do autor (ANDRADE, 2010).

2.4 A revisão
Finalizado o texto, o autor assume uma outra posição: a de revisor. Ao “fingir” ser o leitor do
seu texto, você deve buscar as lacunas não previstas na preparação do seu texto, de forma crítica,
distanciada. Escrever é um exercício. Se após uma leitura rápida você percebeu que não atingiu
seu objetivo, é preciso recomeçar. Uma vez sanados os desvios da primeira versão, é hora de escul-
pir sua criação: suprir palavras deslocadas, incluir explicações, ajustar a ortografia e a acentuação
e reescrever períodos extensos demais.

Se o seu texto não tem um prazo urgente de entrega, uma opção que pode facilitar a visu-
alização dos erros e das incoerências é deixar o texto de lado por algumas horas ou dias. Com a
mente e a visão tranquilos, o autor pode aprimorar seu trabalho de forma a deparar-se com ele
como se fosse a primeira vez.

Resumindo...

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30 dicas para escrever bem

Professor João Pedro da UNICAMP

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal


prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??... então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição
da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encon-
tra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem
ideias próprias”.

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, bas-
ta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia
várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido

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especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas
contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo
acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-las nos seus diversos componentes de
forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da
leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre
e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai
estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar
lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando
aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta
maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por de-
nunciar a região onde tu moras, carajo!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu, bichin-
ho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é
insuportável o mesmo final escutar.

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3 RESUMO
Se pararmos para pensar, resumimos frequentemente em nosso dia a dia: o filme ao qual
assistimos, o livro que lemos, uma história, uma notícia. O mesmo processo de síntese prática tam-
bém é mobilizado no contexto escolar/acadêmico: destacamos os elementos mais importantes
de um período literário, da matéria para a prova ou das regras gramaticais. É preciso apresentar,
ainda, no mundo universitário, o resumo das pesquisas que desenvolvemos para apresentar em
eventos ou apenas como um elemento formal que compõe o trabalho monográfico/dissertativo
final.

Percebemos que cada um dos exemplos citados implica em um objetivo diferente. Isso nos
leva a inferir que cada situação comunicativa confere características específicas ao tipo de resumo
produzido. Logo, produzir um resumo não é uma tarefa tão simples como muitos imaginam. O
ato de reduzir um texto a seus elementos fundamentais e, ao mesmo tempo, construir um resumo
coeso e coerente, exige muita leitura e muita prática. Algumas técnicas também podem auxiliar.
São essas peculiaridades desse gênero textual que pretendemos expor a partir de agora.

3.1 Definições e tipos


Em linhas gerais, entre as várias definições de resumo que circulam no meio educacional,
esse gênero textual pode ser definido como uma apresentação concisa dos elementos essenciais
de um texto. O que muitos confundem, entretanto, é que resumimos as ideias de um texto, e não
suas palavras. Isso porque muitos alunos iniciantes ou não orientados adequadamente tendem a
sublinhar as “partes principais” do texto original e depois reproduzi-las no que chamam de resu-
mo. Ideia equivocada, que deve ser modificada com a experiência. Resumir significa ter a capaci-
dade de sintetizar com fidelidade as ideias do autor, porém com suas próprias palavras.

A Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), na versão de 2003, norma NBR 6038,
aplica a seguinte definição para resumo: “[...] apresentação concisa dos pontos relevantes de um
documento”. Para efeitos da norma, classifica-se o resumo em três tipos:

a. Resumo Crítico: resumo redigido por especialistas com análise crítica de um documento,
também chamado de resenha.

b. Resumo Indicativo: Indica apenas os pontos principais do documento. Por não apre-
sentar dados qualitativos e quantitativos, não dispensa a consulta ao original. Frequente em tra-
balhos de conclusão de curso, artigos, monografias, dissertações e teses.

c. Resumo Informativo: informa ao leitor as finalidades, a metodologia, os resultados e as


conclusões do documento, de modo que o leitor possa até dispensar a consulta ao original. Po-
demos pensar em duas situações em que esse tipo de resumo é utilizado:

(I) ocasiões em que o aluno deve resumir o conteúdo de um material lido, por exemplo, para
a apresentação oral ou para uma prova e;

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(II) ocasiões em que o aluno deve realizar um fichamento de uma obra que não poderá dis-
por no futuro, por exemplo, de um livro que tomou como empréstimo de uma biblioteca.

Essa versão da ABNT prevê, ainda, orientações gerais de apresentação do resumo. Vejamos:

3.1 O resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do docu-


mento. A ordem e a extensão destes itens dependem do tipo de resumo (informativo ou
indicativo) e do tratamento que cada item recebe no documento original.
3.2 O resumo deve ser precedido da referência do documento, com exceção do resumo
inserido no próprio documento.
3.3 O resumo deve ser composto de uma sequência de frases concisas, afirmativas e não
de enumeração de tópicos. Recomenda-se o uso de parágrafo único.
3.3.1 A primeira frase deve ser significativa, explicando o tema principal do documento.
A seguir, deve-se indicar a informação sobre a categoria do tratamento (memória, estudo
de caso, análise da situação etc.).
3.3.2 Deve-se usar o verbo na voz ativa e na terceira pessoa do singular.
3.3.3 As palavras-chave devem figurar logo abaixo do resumo, antecedidas da expressão
Palavras-chave:, separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto.
3.3.4 Devem-se evitar:
a) símbolos e contrações que não sejam de uso corrente;
b) fórmulas, equações, diagramas etc., que não sejam absolutamente necessários; quando
seu emprego for imprescindível, defini-los na primeira vez que aparecerem (ABNT, NBR
6038, 2003).

É importante destacar, entretanto, que há normas específicas, dependendo do objetivo e do


meio de divulgação do resumo. Por exemplo, ao submeter um artigo e, consequentemente, seu
resumo a uma revista, temos que seguir as normas estabelecidas pela editoração.

Dito isso, propomos voltarmos nossa atenção para o processo de produção do resumo,
que gera, em muitos casos, como já vimos, dúvidas e enganos aos mais desavisados.

FIQUE POR DENTRO

Você estudará na unidade 3 sobre a importância de você participar de eventos em sua


vida acadêmica. Independente do tipo de evento, para que seu trabalho seja aceito
para exposição, você deve submeter um resumo indicativo. Portanto, preste atenção
nesta unidade, pois ela dialoga com a última unidade.

27
3.2 Questões metodológicas de leitura e produção do
gênero resumo
De forma geral – sem nos determos em um determinado tipo de resumo –, o primeiro passo
para a produção de um bom resumo é a delimitação das condições de produção. Isso significa
determinar o autor, o objetivo, o interlocutor e o local em que circulará. Se estivermos situados,
por exemplo, no meio acadêmico/escolar, o aluno é o autor, o interlocutor provável é o professor
e o objetivo principal é apresentar a compreensão global de um texto.

O segundo passo é desenvolver uma boa leitura do texto a ser resumido. Severino (2007)
destaca algumas etapas pelas quais deve passar essa fase de leitura. São elas:

a. Delimitação da unidade de leitura: identifique os elementos básicos da situacionali-


dade do texto – autor, data de publicação, fonte, formato (é um capítulo? Um livro? Um artigo?).

b. Análise textual: nessa etapa, procure responder:

• Do que o texto trata? (título, subtítulo, capa, orelha, resumo, bibliografia...)


• O que você sabe sobre o assunto tratado?
• Qual é o objetivo do texto?
• Quais os elementos gráficos (imagens, gráficos, fotos, tabelas) que contribuem para formu-
lar previsões sobre o texto?

c. Análise temática: leia o texto, em sua totalidade, procurando traçar um panorama do


raciocínio do autor para definir e defender seu tema. Faça, nesse momento, um levantamento do
vocabulário, fatos e conceitos que confirmam ou não as previsões feitas anteriormente.

d. Análise interpretativa: identifique as relações entre as ideias apresentadas no texto e


selecione as mais importantes em cada parágrafo. Duas estratégias podem contribuir nessa eta-
pa: sublinhar a oração principal do parágrafo ou sintetizar em uma expressão/frase que indique
a sua compreensão do parágrafo. Essa etapa pode resultar em um esquema, isto é, um mapa de
palavras e/ou expressões que ilustra a organização global de um texto.

e. Diálogo com o texto: nessa etapa, tome uma posição frente às ideias do texto. Isso sig-
nifica situar as ideias do texto no conjunto mais amplo do pensamento teórico, estabelecendo
relações entre as teorias. O próximo passo é a formação de um juízo crítico frente ao texto lido,
que pode ser feito a partir de duas perspectivas: (I) levando-se em conta sua coerência interna,
isto é, se o texto atinge o objetivo a que se propôs, se seus argumentos são sólidos e se foi eficaz
na demonstração da tese e (II) sua originalidade, validade e contribuição do texto na esfera maior
da teoria em que se encaixa.

Vamos nos deter agora na etapa da escrita do resumo. Munidos das sinalizações realizadas
no texto, do esquema e das anotações feitas durante a leitura e interpretação do texto, chega-se
ao momento de registrar, com palavras próprias, as ideias mais relevantes do texto.

É muito importante que, frequentemente, o produtor do resumo mencione no resumo o


autor do texto “original”, atribuindo a ele as ideias e argumentos. Alguns verbos que podem ser

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utilizados para apontar as ações realizadas pelo autor são os que indicam:

a. a posição do autor: afirma, nega, acredita, duvida...


b. o conteúdo geral: aborda, trata de...
c. a organização das ideias do texto: define, classifica, enumera, argumenta...
d. a relevância de uma ideia do texto: enfatiza, ressalta...
e. a ação do autor em relação ao leitor: incita, busca leva a...

Outros exemplos de verbos: apresentar, definir, descrever, ressaltar, confrontar, comparar,


criticar, acreditar, afirmar, exemplificar, questionar, negar, abordar, defender, comprovar, esclare-
cer, argumentar, relatar, concluir, mostrar, tratar de, sugerir, deduzir, iniciar, explicar, reforçar, intro-
duzir, classificar.

3.3 O resumo acadêmico/indicativo


Apontaremos, a partir de agora, algumas considerações sobre o resumo acadêmico, tipo de
resumo que objetiva transmitir ao leitor uma ideia completa do teor do documento analisado,
fornecendo os dados necessários para que o leitor seja capaz de fazer uma avaliação do texto lido,
sem consultar o texto integral.

O resumo acadêmico constitui-se de algumas características específicas, entre elas sua ex-
tensão1 e seu formato em parágrafo único. O conteúdo deve ser exposto de forma objetiva, ou
seja, não deve conter observações avaliativas do resumidor, nem explicações mais amplas sobre o
conteúdo. Segundo Severino (2007), o resumo acadêmico deve responder às seguintes questões:

a. De que natureza é o trabalho analisado (pesquisa empírica, teórica, levantamento docu-


mental...)?
b. Qual é o objeto pesquisado/estudado?
c. O que se pretendeu demonstrar ou constatar?
d. Qual foi o embasamento teórico em que o desenvolvimento do raciocínio do autor se
apoiou?
e. Quais procedimentos metodológicos foram utilizados?
f. Quais os resultados alcançados?

Observe o exemplo a seguir:

1 Quanto à extensão, a NBR 6038 estabelece:


a) de 150 a 500 palavras os de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios técnico-científicos;
b) de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos;
c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves.
Os resumos críticos, por suas características especiais, não estão sujeitos a limite de palavras.

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É importante destacar que, por ser um resumo de um projeto de pesquisa que ainda vai
ser desenvolvido, não contém resultados ou conclusões, mas apresenta elementos fundamentais
como o tema, a problemática, o objetivo, a metodologia, o contexto, o sujeito e os instrumentos
de pesquisa.

Estudiosos da área, na contemporaneidade, defendem que o processamento da construção


de um texto passa por três grandes etapas: o planejamento, a execução e a revisão. Muitas vezes
pulamos etapas e, depois de lido o texto a ser resumido, centramos nossos esforços na execução,
e esquecemos o quão importante são todas as etapas para que nosso texto tenha a consistência
e coerência com a situação comunicativa solicitada.

Dito isso, esperamos que você não se contente com esse texto. Crie estratégias próprias
para desenvolver seu texto, (I) compreendendo que tipo de resumo você tem que fazer e suas
especificidades, (II) desenvolvendo uma boa leitura do texto – para isso, sugerimos alguns passos
baseando-nos em Severino (2007) -, (III) escrevendo, com suas próprias palavras, as ideias prin-
cipais do texto, lembrando-se sempre de remeter aos autores do teto original e (IV) revisando o
texto produzido, quantas vezes forem necessárias, verificando se todos os passos foram seguidos.
Machado (2005, p. 57) propõe a seguinte ficha de autoavaliação:

30
4 RESENHA
Como vimos no item anterior, resumir é uma tarefa cotidiana que decide, em boa medida, a
maneira como delimitamos aquilo que é essencial nos diferentes gêneros textuais com e por meio
dos quais nos relacionamos (sejam eles escritos, orais ou multimodais). Todavia, nem sempre a
tarefa de resumir é e/ou deve ser desenvolvida de maneira imparcial, isto é, nem sempre a tarefa
de resumir é determinada pela identificação, seleção e reescrita das ideias principais de um texto.
Para sermos mais precisos, falamos daqueles resumos em que não apenas as ideias do autor do
texto fonte mas, principalmente, as ideias do autor do ‘resumo’ figuram como importantes para o
atendimento das demandas de estilo, padrão composicional e objetivo do gênero a que vamos
nos dedicar nesse capítulo: a resenha.

4.1 Definição e características


Em linhas gerais, a resenha é uma espécie de resumo crítico, no qual, além de destacar as
ideias principais do autor do texto, deve-se exprimir a opinião do sujeito ‘resumidor’. A resenha
compreende uma abordagem objetiva (por meio da qual se descreve o assunto ou algo que foi
observado, sem emitir juízo de valor) e uma abordagem subjetiva (na qual é esboçada uma apre-
ciação daquilo que fora resumido, demonstrando o posicionamento do elaborador da resenha
em relação ao texto/objeto que está sendo resenhado). Por isso, deve-se expor de maneira clara o
conteúdo daquilo que será resenhado (tema, objetivos, o método utilizado pelo autor do texto a
ser resumido), bem como a apresentação tipográfica da obra (trata-se de uma situação, um filme,
um livro, capítulo de livro, artigo, número de páginas etc.).

Importa destacar que a resenha atende a uma finalidade social: apresentar ao público (seja
ele qual for) as principais informações a respeito do objeto/coisa/obra resenhado, bem como uma
apreciação sobre ele, permitindo a esse mesmo público o acesso àquilo que fora resenhado, bem
como a impressão que alguém especializado (ou não) teve sobre esse objeto/coisa ora resenha-
do. Nesse sentido, deve ficar claro para você, aluno(a), que a finalidade de uma resenha, seja
ela do tipo que for, é mais ou menos a mesma sempre. Contudo, o papel social assumido pelo
resenhista, o suporte em que vai circular a resenha e o público a que se destina pode transformar
a forma como a seleção dos dados mais importantes do objeto a ser resenhado vai ocorrer.

Comumente, é consenso entre autores que o gênero resenha pode ser dividido em alguns
tipos, como a descritiva e a crítica, distintas pelas características que mantém do texto fonte. A
fim de não confundir você, leitor(a), com algumas minúcias não tão importantes, trabalharemos
com um tipo de resenha que, na verdade, figura como o mais usual, dada a função social e suas
condições de produção: a resenha acadêmica/escolar.

Por abarcar uma sequência descritiva/narrativa acerca de um texto/objeto fonte, seguido


de uma apreciação, vários gêneros podem ser abarcados por essa definição. Destacamos, para
seu conhecimento, a sinopse de filmes, a crítica de livros, de filmes, peças teatrais, gastronômicas
entre outras. Via de regra, essas produções circulam na esfera midiática e são produzidas por espe-
cialistas no assunto (cheffs de cozinha, críticos de arte, cinéfilos renomados, articulistas de jornais
ou revistas, escritores etc.).

31
Entretanto, para não perder o fio da meada proposto em nosso objetivo, vejamos como a
resenha acadêmica/escolar se distingue, sobretudo, em função do suporte em que é veiculada.

4.2 Resenha acadêmica/escolar


Também conhecida como resenha escolar, a resenha acadêmica é aquela produzida no
ambiente acadêmico a fim de cumprir demandas desse mesmo ambiente: apresentar, divulgar e
apreciar as ideias apresentadas por um objeto/obra fonte, na maioria das vezes, com o objetivo de
demonstrar a capacidade de síntese e de compreensão global do texto lido pelo aluno. Assim sen-
do, na esfera acadêmica, o gênero resenha é investido de um caráter técnico, pois deve atender
às orientações dadas pelo suporte e espaço no qual circulará (as laudas de provas e trabalhos de
avaliação), assim como pelas condições de sua produção (destinadas a informar ao professor a
globalidade e alcance da leitura realizada pelo aluno).

Mas, você, caro(a) aluno(a), pode estar se perguntando: Se todo gênero deve possuir uma
função social, por que a resenha acadêmica é escrita para o professor? Respondemos: Embora ten-
hamos dito que o interlocutor direto da resenha acadêmica seja o professor, devemos considerar
o fato de toda a produção escrita escolar/acadêmica ser envolvida por comandos que visam levar
o aluno a compreender a relação de sua escrita com uma finalidade social “encenada”, na qual o
aluno resenhista, ao escrever uma resenha, deve observar sua maior finalidade, independente do
contexto a que se destine: relatar, de maneira minuciosa, as particularidades de um texto/objeto
fonte, posicionando-se, criticamente, em relação a ele.

É por isso que, ao escrever uma resenha escolar/acadêmica, “[...] você deve levar em consid-
eração que estará escrevendo para seu professor que, se indicou a leitura, deve conhecer a obra.
Portanto, ele avaliará não só sua leitura da obra, através do resumo que faz parte da resenha, mas
também sua capacidade de opinar sobre ela” (MACHADO; LOUSADA; ABREU-TARDELLI, 2008, p.
31).

Sabendo, então, que a resenha compreende uma abordagem objetiva e uma abordagem
subjetiva sobre um texto/objeto fonte, então ela pode atender ao roteiro que apresentamos a
seguir, sobretudo porque partimos de uma proposta ampla que abarca aspectos imprescindíveis
(porém introdutórios) da estrutura e padrão composicional de uma resenha acadêmica. Esper-
amos que, a partir desses encaminhamentos, você, aluno(a), possa buscar a especialização de
sua produção escrita, aprimorando, cada vez mais, sua compreensão no que se refere ao gênero
resenha.

4.3 Da estrutura da resenha acadêmica


Segundo a NBR 14724:2005 (apud CANONICE, 2007), a resenha acadêmica deve ser digitada
com fonte Times New Romam ou Arial, em tamanho 12, espaçamento 1,5 entre linhas, excetuan-
do-se as referências, que deverão ser escritas em espaçamento simples.

32
Os itens listados a seguir dizem das partes constituintes de uma resenha. Entretanto,
recomendamos que eles sejam componentes de um texto do tipo “corrido”, sem subdivisões
como seções demarcadas por títulos, tal como, costumeiramente, encontramos em livros, revistas
e artigos científicos.

FIQUE POR DENTRO

Gêneros multimodais são os textos constituídos pela sobreposição de diferentes códi-


gos: verbal, visual e sonoro.

Título

O título da resenha deve ser conciso e de autoria do resenhista. Criatividade e atenção à


temática do texto/objeto fonte são quesitos importantes na composição desse item.

Referência

Item obrigatório de toda resenha acadêmica. Disposto na sequência do título da resenha, a


referência do texto/objeto fonte deve obedecer às diretrizes da ABNT (NBR 6023:2002), incluindo,
se possível, os elementos complementares, como os itens descrição física, número de páginas,
ilustração etc.

Credenciais do autor

Nesse item, o resenhista faz um levantamento da vida do autor do texto fonte, destacando,
de maneira concisa, informações importantes, como formação, outras obras publicadas, área de
atuação e se ainda está vivo.

Introdução

O outro foco a ser dado logo no início de sua resenha deverá ser o resumo ou digesto da
obra. É importante destacar que o papel dessa seção do texto é primordial, pois, mais do que pro-

33
ceder ao levantamento e descrição das ideias mais importantes do texto fonte (conforme já dis-
cutido na unidade anterior), o resenhista irá explicitar, de maneira minuciosa, todas as partes que
compõem o texto fonte, na sequência em que elas aparecem. Caso existam, ao serem descritos, os
capítulos devem ser nominados.

Por se tratar de uma parte importantíssima, mas que ainda está no nível descritivo e não
no apreciativo, o resenhista deve organizar as ações do autor com verbos da terceira pessoa do
singular ou plural, dependendo do número de autores do texto fonte, e, em muitos casos, tam-
bém em sua forma reflexiva, sendo necessário o acréscimo da partícula – se.

Verbos importantes para destacar o trabalho intelectual efetuado pelo autor do texto fonte
também podem ser verificados a seguir:

Verbos do nível descritivo


(3.ª pessoa do singular/plural)
(incidência da partícula –se)
ser – estar – estruturar – apresentar – encontrar – dividir – encontrar – constituir – desen-
volver – separar – organizar – tratar – debater - guiar
Verbos do nível apreciativo
(1.ª pessoa do singular/plural)
parecer – concordar – discordar – determinar – eleger – destacar – comentar – defender
– propor – analisar – apontar – relatar – concluir – determinar – opor(-se) – criticar – suste-
ntar – objetivar - justificar

Apreciação da obra

A apreciação crítica deve ser feita em termos de concordância ou discordância, evitando-se


“chavões” do tipo gostei ou não gostei, uma vez que o leitor de uma resenha busca informações
a respeito do texto fonte a fim de saber se vale ou não a pena ler o texto na íntegra. Sendo assim,
o resenhista precisa situar sua apreciação na materialidade do texto fonte e em argumentos que
justificam seu posicionamento em relação a ele. Contam como recursos importantes elementos
qualificadores (adjetivos e locuções adjetivas), figuras de linguagem etc.

Considerando seus interlocutores encenados (uma vez que o interlocutor real de uma re-
senha acadêmica é, na maioria das vezes, o seu professor!), bem como a validade ou aplicabilidade
do que foi exposto pelo autor do texto fonte, para fundamentar sua apreciação, sugerimos ao
resenhista que leve em conta a opinião da comunidade científica profissional, a visão de mundo e
a história do país. Dessa maneira, sua resenha estará na ordem do discurso da época.

Indicação do resenhista

Caso o resenhista conclua que o texto/obra fonte seja uma boa leitura, ele deverá indicá-la.
Nesse caso, é interessantes destacar, realçar, relembrar pontos importantes da obra e apontar um
possível público-alvo.

34
FIQUE POR DENTRO

Reproduzimos, a seguir, do texto “Gênero(s) resumo na perspectiva bakhtiniana”, um


quadro interessante no qual a autora, Maria Salete, resume as categorias existentes
dentro do conceito geral de “resumo”. Recomendamos a leitura completa do artigo, di-
sponível em: <[Link]
ais/G%C3%8ANERO(S)%20RESUMO%20NA%20PERSPECTIVA%[Link]>.

LEITURA COMPLEMENTAR

Os livros abaixo fazem parte da coleção “Leitura e produção de textos técnicos e


acadêmicos”. Todos são muito didáticos em sua metodologia e nos conteúdos que
abordam. Têm caráter de oficina, ou seja, o leitor tem a oportunidade de praticar e
refletir sobre o que produz.

RESENHA

Autoras: Anna Rachel Machado (coordenação), Eliane Lousada, Lília Santos Abreu-Tar-
delli

35
Idioma: Português
Editora: Parábola
Assunto: Metodologia de Pesquisa
Edição: 4ª
Ano: 2011

Resumo: Este segundo volume da coleção ‘Lei-


tura e produção de textos técnicos e acadêmicos’
trata da leitura e da produção de resenhas, tendo
como objetivo suprir a falta de material didático
para a produção desse gênero textual utilizado
na escola e no meio universitário. Assim, esta
obra abrange grande parte dos procedimentos
envolvidos em sua leitura e produção, desde a
identificação inicial do contexto de produção e
recepção até a avaliação e revisão final.

Fonte: LIVRARIA CULTURA, 2017

RESUMO

Autoras: Anna Rachel Machado (coordenação),


Eliane Lousada, Lília Santos Abreu-Tardelli
Idioma: Português
Editora: Parábola
Assunto: Metodologia de Pesquisa
Edição: 1ª
Ano: 2004

Resumo: Este primeiro volume da coleção ‘Lei-


tura e produção de textos técnicos e acadêmicos’
trata da leitura e da produção de resumos, tendo
como objetivo suprir a falta de material didático
para a produção desse gênero textual utilizado
na escola e no meio universitário. Nas escolas de
ensino fundamental e médio e na universidade, por exemplo, o resumo é constan-
temente pedido aos alunos por professores das mais diversas disciplinas. Assim, esta
obra abrange grande parte dos procedimentos envolvidos em sua leitura e produção,
desde a identificação inicial do contexto de produção e recepção até a avaliação e re-
visão final.

Fonte: LIVRARIA CULTURA, 2017

36
CONCLUSÃO

Esta unidade teve como finalidade introduzir o leitor a uma instrumentalização para a escrita
acadêmica, sobretudo para a realização de resumos e de resenhas, no meio acadêmico. Acredita-
mos que, com as orientações destacadas, o leitor tenha percebido a necessidade de criar estraté-
gias para o desenvolvimento da habilidade de produção desses gêneros textuais e, sobretudo, a
necessidade de praticar a escrita acadêmica para que seu texto fique adequado à modalidade,
respeitando as particularidades de cada tipologia. Ressaltamos a importância de leituras comple-
mentares, que possam ajudar o leitor a aperfeiçoar, cada vez mais, sua produção acadêmica.

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REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração


de trabalhos na graduação. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6038: Informação e documentação.


Resumo. Apresentação. São Paulo: ABNT, 2003. Disponível em <[Link]>.

CANONICE, B. C. F. Roteiro para elaboração de resenhas. In.: ______. Normas e padrões para a
elaboração de trabalhos acadêmicos. 2. ed. rev. e at. Maringá: EDUEM, 2007, p. 65-67. (Coleção
Fundamentum, 13).

MARCONI, Maria de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 7.


ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MACHADO, A. R.; LOUSADA, E.; ABREU-TARDELLI, L. S. Resenha. 5. reimpr. São Paulo: Parábola,
2008. (Coleção Leitura e Produção de textos técnicos e acadêmicos).

RESENHA. In: Livraria Cultura. Disponível em: <[Link]


odologia-de-pesquisa/resenha-779605>. Acesso em: 25 jul. 2017

RESUMO. In: Livraria Cultura. Disponível em: <[Link]


odologia-de-pesquisa/resumo-779604>. Acesso em: 25 jul. 2017.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atual. São Paulo:
Cortez, 2007.

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INSTITUIÇÃO
Mantenedora
União das Faculdades Metropolitanas de Maringá
Forma Jurídica
Instituição com fins lucrativos

Diretor Presidente
Evandro Buquera de Freitas Oliveira
Diretora Geral
Maria da Conceição Buquera de Freitas Oliveira
Diretora de Ensino
Professora Doutora Adriana dos Santos Souza Crevelin
Diretora de Pesquisa e Extensão e Pós-Graduação
Professora Doutora Juliana Orsini da Silva

Comissão Editorial
Adriana dos Santos Souza Crevelin (UNIFAMMA)
Celso Leopoldo Pagnan (UNOPAR)
Juliana Orsini da Silva (UNIFAMMA)
Patrícia Aparecida Ferreira (UFLA)

Coordenador do Núcleo de Educação a Distância


Professor Mestre Givago Dias Mendonça

Revisão Linguística
Tatiane Caldeira dos Santos Bernardo

Projeto Gráfico e Diagramação


Deborah Busko
Mariana Pereira de Novaes

Normalização
Carmen Torresan

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4.0 Internacional.

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