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Direitos da Personalidade no Direito Civil

O documento discute os direitos da personalidade no direito civil brasileiro, incluindo sua aquisição, características e extinção. Também aborda questões relacionadas a domicílio, residência e desconsideração da personalidade jurídica.
Direitos autorais
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Direitos da Personalidade no Direito Civil

O documento discute os direitos da personalidade no direito civil brasileiro, incluindo sua aquisição, características e extinção. Também aborda questões relacionadas a domicílio, residência e desconsideração da personalidade jurídica.
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DIREITO CIVIL – PARTE 2

MÓDULO 1- DIREITO DA PERSONALIDADE

 A personalidade jurídica é a aptidão genérica para titularizar direitos e deveres. Neste


ponto, a teoria adotada pelo Código Civil é a natalista.
 No tocante à aquisição dos DIREITOS DA PERSONALIDADE, ela se dá a partir da
CONCEPÇÃO. Portanto, adota-se a teoria CONCEPCIONISTA.
 Uma coisa é ter personalidade jurídica, outra coisa é ter direitos da personalidade. O
nascituro pode sofre dano moral – (RECURSO ESPECIAL N. 399.028 – SP).
 Mas e o natimorto? Em virtude de adotarmos uma teoria concepcionista, entende-se
que ao natimorto se estendem os direitos da personalidade. Assim, ele tem direito a
nome, imagem, sepultura.

• 1. Os direitos de personalidade são adquiridos na concepção uterina;

• 2. Os direitos de personalidade são reconhecidos ao natimorto;

• 3. O embrião laboratorial não dispõe dos direitos da personalidade; − 3.1. O embrião


laboratorial pode ter presunção de paternidade, quando os pais forem casados; − 3.2. O
embrião laboratorial terá direito sucessório se já tiver sido concebido, quando da morte do seu
pai.

CARACTERÍSTICAS DIREITO DA PERSONALIDADE:

• 1. Absolutos: são oponíveis erga omnes; • 2. Inatos: são inatos, pois são inerentes à condição
humana; • 3. Extrapatrimoniais: o conteúdo dos direitos da personalidade, em essência, não
tem valor econômico, pecuniário; • 4. Impenhoráveis: isso significa que não se admite
constrição judicial sobre direitos da personalidade; • 5. Imprescritíveis: Falar que os direitos da
personalidade são imprescritíveis, significa dizer que não há prazo extintivo para o exercício de
um direito de personalidade; • 6. Vitalícios: Dizer que os direitos da personalidade são
vitalícios significa dizer que se extinguem com a morte do titular; • 7. Indisponíveis: vale dizer
que são irrenunciáveis e intransmissíveis, conforme artigo 11 do CC. Contudo, trata-se de uma
indisponibilidade relativa. Muito cuidado, pois eventual ação de indenização prescreve em 3
anos, conforme o artigo 205, § 3º do CC.

Mas quando acabam os direitos da personalidade? Eles se extinguem com a morte. Por isso
dissemos que os direitos da personalidade são vitalícios e não perpétuos.

Todavia, existe uma projeção dos direitos da personalidade para após a morte. Imagine que
João, alcoolizado, dirigiu um carro e atropelou Maria, que, embora tenha sido socorrida por
ele, faleceu no hospital. Os herdeiros de Maria poderiam ajuizar ação contra João? Sim! O
dever de reparar e o poder de exigir a reparação são transmitidos aos herdeiros, nos limites da
herança. Isso é tema tanto do direito sucessório quanto de responsabilidade civil. Nesse caso,
tanto os herdeiros de João podem responder, nos limites da herança, com a obrigação de
indenização, como os herdeiros de Maria podem exigir a reparação.
Art. 943, CC: O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmite-se com a
herança.

Os mortos sofreram dano moral? A resposta é NÃO, sofre o dano moral quem fica! são os
denominados “lesados indiretos”. artigos no Código Civil para denominar quem são os lesados
indiretos

Art. 12, CC. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e
reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Parágrafo único. Em
se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge
sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. Aplica-se o
mencionado artigo a qualquer direito de personalidade do morto que tenha sido violado.
Incluem-se, portanto, o cônjuge/companheiro, os ascendentes, os descendentes e os
colaterais até o quarto grau.

Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da


ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem
prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a
respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. Parágrafo único. Em se tratando de
morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os
ascendentes ou os descendentes.

Art. 943, CC: O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a
herança.

PESSOA JURÍDICA

A pessoa jurídica é, portanto, proveniente desse fenômeno histórico e social. Consiste num
conjunto de pessoas ou de bens dotado de personalidade jurídica própria e constituído na
forma da lei para a consecução de fins comuns. Pode-se afirmar, pois, que pessoas jurídicas
são entidades a que a lei confere personalidade, capacitando-as a serem sujeitos de direitos e
obrigações.

Neste ponto, veja que a redação do artigo 49-A do Código Civil é, exatamente, no sentido de
que a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou
administradores. A pessoa jurídica só passa a existir a partir da inscrição do ato constitutivo no
respectivo registro. Portanto, a natureza é CONSTITUTIVA e o efeito ex nunc.

A pessoa jurídica de direito público NÃO tem direito à indenização por danos morais
relacionados à violação da honra ou imagem. (RC esp 1.258.389/PB).

Duas modalidades de pessoas jurídicas são extremamente relevantes: associações – conjunto


de pessoas, e fundações – conjunto de bens.

Os bens que integram a fundação vêm do que chamamos de “instituidor”, que pode ser uma
pessoa física ou jurídica (de direito público ou privado). Quando falamos em “fundação pública
de direito privado”, é o poder público destinando parte de seu patrimônio para instituir uma
fundação. Se for uma fundação de direito público, segue as normas de direito público: a lei
autoriza a criação de uma fundação pública de direito privado (ato constitutivo realizado por
meio de decreto).

No Direito Civil, é o particular que destina uma parte de seus bens para a criação de uma
fundação. Isso pode ser feito mediante escritura pública ou testamento. Se for por testamento
(seja ele público, particular, cerrado ou uma das formas especiais), o particular vai dispor de
seus bens para que, após a sua morte, seja instituída a fundação.

Para as provas, é também importante saber sobre desconsideração da personalidade jurídica.


A desconsideração da personalidade jurídica NÃO a extingue! Aliás, desconsideração da
personalidade jurídica trata de uma doutrina que pretende o afastamento temporário da
personalidade da pessoa jurídica com o objetivo de atingir o patrimônio pessoal do sócio ou
administrador que cometeu o ato abusivo. Em suma, a teoria da desconsideração da
personalidade jurídica se aplica aos atos praticados com o objetivo de fraudar credores.
Embora estejamos falando do Código Civil, é interessante que você saiba que essa teoria
também se aplica no Direito Ambiental e no Direito do Consumidor.

Quando o credor busca o Judiciário para pedir a desconsideração da personalidade jurídica, ele
deve atender a alguns requisitos. Aí, entra o artigo 50 do CC, o art. 28 do CDC, as questões
ambientais... Uma vez demonstrados os requisitos, há uma consequência processual. Temos
duas teorias a cerca da desconsideração da personalidade jurídica que apresentam os
requisitos:

TEORIA MAIOR -> É preciso que o credor demonstre dois requisitos:

– subjetivo: comportamento abusivo dos sócios, caracterizado pelo desvio de finalidade ou


confusão patrimonial (misturar o patrimônio da pessoa natural com o da pessoa jurídica)

. – objetivo: o dano (a pessoa jurídica não tem dinheiro para pagar a dívida)

TEORIA MENOR -> É a adotada no Direito Ambiental e no Direito do Consumidor (art. 28, CDC).
Exige que o credor demonstre apenas um requisito, que é o objetivo.

• Desconsideração direta – responsabilidade dos sócios pelas dívidas da pessoa jurídica.


Desconsidera-se a pessoa jurídica para atingir os sócios. É a desconsideração tradicional;

• Desconsideração inversa ou invertida – a responsabilidade da pessoa jurídica por dívidas dos


sócios e administradores. O sócio é o devedor inicial e é desconsiderado para atingir a pessoa
jurídica. Costuma ocorrer em dívidas alimentares e em ações de divórcio ou de
reconhecimento e dissolução de união estável, quando há partilha de bens. Isto porque é
comum que um dos cônjuges camufle seu patrimônio, colocando-o no nome da empresa. É
admitida pela doutrina conforme enunciado 283 da IV JDC, bem como no INFORMATIVO 440
do STJ. Esse entendimento doutrinário foi positivado no CPC de 2015, que trabalha a
desconsideração da personalidade jurídica como sendo uma forma de intervenção de
terceiros. Com a modificação do art. 50 do CC, no ano de 2019, passamos a ter, também, a
previsão legal da desconsideração inversa ou invertida.
MÓDULO 2 DOMICÍLIO E RESIDÊNCIA

Bom lembrar que a pessoa natural passa a existir a partir do seu nascimento com vida,
enquanto, a pessoa jurídica, a partir do seu registro.

Domicílio é uma forma de individualização do sujeito. Acaba sendo um complemento dos


direitos da personalidade, servindo como elemento identificador não só da pessoa natural,
como também da pessoa jurídica (que também tem domicílio). O domicílio é o lugar que vai
definir a SEDE, tanto da pessoa natural, quanto da pessoa jurídica.

É a sede dos negócios, de onde ela mantém seus interesses... é onde a pessoa presume -se
presente. Portanto, falamos de espaço físico onde a criatura é habitualmente encontrada.

Art. 70, CC. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com
ânimo definitivo.

Assim, concluímos que o conceito de domicílio envolve o conceito de residência com ânimo de
definitividade. DOMICÍLIO = Residência + Definitividade. Há duas espécies de domicílio: o
voluntário e o necessário.

 VOLUNTÁRIO: (FIXADO PELA MANIFESTAÇÃO DEVONTADE)

- COMUM: 70 E 71

- PROFISSIONAL: 72

- ESPECIAL: CONTRATUAL 78

 NECESSÁRIO

- OCASIONAL: APARENTE 73

- OBRIGATÓRIO: 76

- AGENTE DIPLOMÁTICO: 77

Domicílio especial (contratual) é diferente de foro de eleição, este é a cláusula inserida dentro
dos contratos para definir competência para questões processuais. Domicílio contratual é o
local onde a obrigação deve ser cumprida. Exemplo: eu estou em Brasília e você em Recife. Eu
te contrato para que você possa fazer um serviço de arquitetura no Recife. Eu posso definir
Brasília como foro de eleição. Perceba que nós estamos falando de um contrato que tem um
foro de eleição em relação a demandas processuais, mas existe um local de cumprimento da
obrigação. Vale lembrar que foro de eleição em contrato de adesão é tido como NULO! É
cláusula abusiva.

Um tema já cobrado em prova é a natureza jurídica da vontade na fixação do domicílio – eu


moro em Brasília porque eu escolhi. Trata-se de um ato jurídico (lícito) em sentido estrito. Nós
temos a vontade humana direcionada para uma finalidade e as consequências estão na lei.
Não há como mudar as consequências. Por isso é que estamos diante de um ato jurídico em
sentido estrito.

Mas e o conceito de HABITAÇÃO? Diferentemente da residência, a habitação tem caráter


provisório. Exemplo: pernoite em motel. Já a RESIDÊNCIA é o local físico em que a pessoa
habitualmente é encontrada. Quando acrescentamos o ânimo de definitividade, ela se torna
um domicílio.

A partir de então, não há como alterar as consequências, porque elas estão na lei. Exemplo: o
CPC define que a ação deverá tramitar no domicílio do réu quando versar sobre bens móveis,
direitos reais sobre bens móveis ou direitos pessoais. A pessoa não terá como definir algo
diverso do que está na lei. Assim, a vontade só é capaz de definir qual será o domicílio da
pessoa, mas as consequências disso apenas poderão ser as previstas em lei.

Código Civil. Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o
marítimo e o preso. Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou
assistente; o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do
militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se
encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o
do preso, o lugar em que cumprir a sentença.

NÃO é possível abdicar do domicílio legal! O art. 185 do CC prevê que o ato jurídico seguirá
algumas regras do negócio jurídico. Dentre elas, temos o art. 166, que diz que é nulo o negócio
jurídico (e, consequentemente, o ato jurídico) que viole a lei. Então, não é possível afastar o
domicílio necessário, mas é possível cumulá-lo com o domicílio voluntário. Exemplo: em
Brasília, trabalham pessoas que moram em Formosa (município do Goiás). Dentre essas
pessoas, algumas podem ser servidoras públicas do TJDFT, por exemplo. O domicílio voluntário
delas será em Formosa e, o necessário, em Brasília. Então, quando for possível (porque o
preso, por exemplo, não tem como), poderá haver cumulação do domicílio voluntário com o
necessário. Porém, não é possível abrir mão, uma vez que o domicílio necessário é
INDERROGÁVEL.

As pessoas jurídicas podem ser inseridas dentro da categoria do domicílio comum. Porém,
quando se tratar de pessoa jurídica de direito público, ela terá domicílio necessário.

Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I – da União, o Distrito Federal; II – dos
Estados e Territórios, as respectivas capitais; III – do Município, o lugar onde funcione a
administração municipal; IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as
respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto
ou atos constitutivos (domicílio estatutário). § 1º Tendo a pessoa jurídica diversos
estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os
atos nele praticados. § 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-
se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das
suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
MÓDULO 3:BENS

 “coisas” são gênero, e, “bens”, espécie.


 Bens: Coisas com interesse econômico e/ou jurídico.

Corpóreos: bens materiais ou tangíveis; possuem existência corpórea; suscetíveis ao toque.


Exemplos: celular, carro, dinheiro...

Incorpóreos: Possuem uma existência abstrata; são insuscetíveis ao toque. Ainda assim, não
deixam de ser considerados bens. Exemplos: ações de empresas, programa de computador,
direitos autorais.

O estudo de “Bens” deve acompanhar o Código Civil e é dividida em três capítulos: • Dos
bens considerados em si mesmos (que se dividem, basicamente, em bens móveis e imóveis,
incluindo outras classificações secundárias); • Dos bens reciprocamente considerados; • Dos
bens públicos (aqui, abordaremos, também, os bens particulares, que é um conceito residual).

DOS BENS CONSIDERADOS EM SI MESMO:

BENS IMÓVEIS artigos 79 a 81 São os bens que não podem ser removidos sem destruição total
(perecimento) ou parcial (deterioração). Quando são dados em garantia para o cumprimento
de uma obrigação, sofrem HIPOTECA.

Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Art.
80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I – os direitos reais sobre imóveis e as ações
que os asseguram; II – o direito à sucessão aberta. Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: I
– as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas
para outro local; II – os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se
reempregarem.

POR NATUREZA OU POR ESSÊNCIA (art. 79, CC): Se incorporam ao solo ou nascem sem a
intervenção humana. Exemplo: árvore que cresce sem ter sido plantada por humanos.POR
ACESSÃO FÍSICA INDUSTRIAL OU ARTIFICIAL (art. 79, CC): A mão humana imobiliza o bem.
Exemplos: uma edificação em determinada área e a árvore que nasce por intervenção
humana.

POR ACESSÃO INTELECTUAL: Alguns autores entendem que não há cabimento no CC/02. Já
outros, como o prof. Flávio Tartuce, entendem que essa classificação ainda é cabível. Há
enunciado da JDC sobre o tema – (Enunciado 11, JDC). Tem a ver com os bens reciprocamente
considerados, “acessórios”. Seriam as pertenças. São bens móveis tornados imóveis pelo
proprietário. São imobilizados por uma ficção jurídica.

POR DETERMINAÇÃO LEGAL (art. 80, CC): Previstos especificamente no CC/02. São situações
que o legislador julgou merecerem mais atenção. Exemplo: direito à sucessão aberta (herança
é considerada bem imóvel), direitos reais sobre imóveis e ações correspondentes. Como
exemplo de que bens imóveis recebem um tratamento diferenciado, podemos mencionar a
parte de regime de bens, no art. 1.647.
CC: Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I – alienar ou gravar de ônus
real os bens imóveis;

Isso também se aplica aos bens imóveis por disposição legal, cujos exemplos são o direito à
sucessão aberta, os direitos reais sobre bens imóveis e suas ações correspondentes. Aliás, no
que tange à herança e, sendo ela um bem imóvel, é imprescindível a anuência do cônjuge em
caso de cessão de direitos hereditários, conforme dicção do artigo 1.647 do CC. Merece
registro aqui o REsp 274.432, decidido pela 4ª turma do STJ, de relatoria do Ministro Aldir
Passarinho Junior, o qual menciona que “a ausência de outorga uxória na cessão de direitos
hereditários de bem imóvel inventariado acarreta a invalidade do ato em relação à alienação
da parte dos esposos e a ineficácia quanto à meação de suas esposas, casadas pelo regime da
comunhão universal.”

Observe, ainda, que na categoria dos bens imóveis por disposição legal, há os direitos reais
sobre imóveis e ações correspondentes. Direitos reais são aqueles estudados no campo do
direito das coisas, ao lado da posse e da vizinhança. Eles gravitam em torno da propriedade,
que é o primeiro direito elencado no rol do artigo 1.225 do CC. Então, quando você estiver
tratando de um direito real sobre um bem imóvel, ele goza da mesma natureza do próprio
bem imóvel, por disposição legal.

BENS MÓVEIS artigos 82 a 84 São os que podem ser transportados sem destruição – total
(perecimento) ou parcial (deterioração), ou alteração da sua substância, ou destinação
econômico-social. Quando são dados em garantia para o cumprimento de uma obrigação,
sofrem PENHOR, via de regra.

Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia,
sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. Art. 83. Consideram-se
móveis para os efeitos legais: I – as energias que tenham valor econômico; II – os direitos reais
sobre objetos móveis e as ações correspondentes; III – os direitos pessoais de caráter
patrimonial e respectivas ações. Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção,
enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa
qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.

POR NATUREZA OU ESSÊNCIA: Pode ser transportado sem qualquer dano, por força própria
(semoventes – animais) ou força alheia (ex.: celular)

POR ANTECIPAÇÃO (art. 84, CC): Eram imóveis, mas foram mobilizados, por uma atividade
humana. É uma situação oposta à dos bens imóveis acessão física artificial. No caso de
demolição, os bens imóveis podem ser mobilizados, ocorrendo a antecipação. No caso de
plantação, ela será considerada bem imóvel até que haja a colheita, quando os bens se
tornarão móveis por antecipação. Isso justifica, por exemplo, o penhor agrícola.

POR DETERMINAÇÃO LEGAL (art. 83, CC): São considerados móveis pela própria lei. Exemplos:
energias com valor econômico (elétrica, por exemplo), os direitos reais sobre bens móveis
(penhor, por exemplo) e as ações correspondentes e os direitos pessoais (devem ter aspectos
patrimoniais, como direitos autorais).
Para o Código Civil, os animais são considerados bens móveis. Inclusive, são passíveis de
penhora (no processo de execução, quando o devedor não paga a sua dívida). Vale ressaltar
que o Direito Civil sofre constantes transformações e, entre elas, podemos dizer que estamos
caminhando para uma atribuição de personalidade aos animais. Hoje, já vemos processos de
divórcio, por exemplo, onde é definida a “guarda” de animais. Eles vêm, cada vez mais,
gozando de proteção. Porém, na letra fria da lei, ainda não há qualquer modificação nesse
sentido. Os animais continuam sendo considerados bens móveis – semoventes, na letra fria da
lei.

Geralmente, os bens podem ser dados em garantia para o cumprimento de determinadas


obrigações. Temos três formas de garantias relacionadas aos bens: hipoteca, penhor e
anticrese.

A anticrese é um instituto em desuso, mas ela consiste em um devedor que entrega um bem a
um credor para que ele retire os frutos desse bem e se pague.

Já a hipoteca ocorrerá quando você der um bem imóvel em garantia. Exemplo: você pede um
empréstimo junto à Caixa Econômica para adquirir um apartamento e o banco pede o próprio
imóvel como garantia de adimplemento.

No penhor, a referida garantia é um bem móvel. Um exemplo de penhor é quando você pede
um empréstimo à Caixa Econômica no valor de R$ 10.000,00, e entrega suas joias como
garantia.

Embora, em regra, os bens imóveis sejam passíveis de sofrer hipoteca e, os móveis, de


penhor, há exceções. São elas: navios e aeronaves. Eles são classificados como bens móveis,
mas são regidos por uma legislação especial, que manda que eles tenham registro próprio e
permite que sofram hipoteca. Portanto, eles não são empenhados e, sim, hipotecados

CC, Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca: VI – os navios; VII – as aeronaves.

DOS BENS FUNGÍVEIS E CONSUMÍVEIS Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se
por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Art. 86. São consumíveis os bens
móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também
considerados tais os destinados à alienação.

Sobre os bens fungíveis, encontramos a classificação positiva da fungibilidade no artigo 85, que
os define como aqueles que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e
quantidade. Assim, evidentemente, a infungibilidade decorre da impossibilidade de
substituição do bem.

Essa classificação acerca da fungibilidade é importante para nos ajudar a distinguir os


contratos de empréstimo (mútuo X comodato). Veja: se eu te empresto um celular, você vai
ter que devolver o mesmo bem; quando a empresa de TV a cabo deixa o aparelho na sua casa,
findado o contrato, você deve devolver o mesmo aparelho. Esses são exemplos de comodato,
pois o bem envolvido é infungível – insubstituível. Bom a gente lembrar também do comodato
de ostentação (comodatum ad pompam vel ostentationem): digamos que você tenha várias
notas de 100 reais e eu peço que você me empreste só para que eu possa ostentá-las. Assim
que eu atingir a finalidade (mostrar o “bolo” de dinheiro aos amigos), te devolvo as mesmas
notas. Nesse caso, embora dinheiro seja fungível, neste caso, devo eu lhe devolver as mesmas
notas. No caso de mútuo, então, temos o empréstimo de coisas fungíveis. O exemplo mais
palpável é o empréstimo de dinheiro. Ora, se eu te empresto mil reais, você vai gastar esse
valor e vai me pagar com outras notas de dinheiro, correto?

Bom, veja que o artigo 86 ainda trata da questão dos bens consumíveis – São consumíveis os
bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também
considerados tais os destinados à alienação.

Aqui estamos estudando a modalidade de bens quanto a consuntibilidade.

BENS CONSUMÍVEIS: São aqueles cujo uso normal (o fim a que os bens se destinam) ocasiona
a sua destruição. Exemplo de bens consumíveis é a comida, a gasolina... enfim, o uso normal
ocasiona a imediata destruição do bem. Neste ponto, temos duas modalidades de
consuntibilidade – consumíveis:

• CONSUNTIBILIDADE FÍSICA/FATO/FÁTICA: Há a destruição do bem. Se eu bebo um copo de


água, esta é consumível, porque é para esse fim que ela se destina. O seu consumo gera a sua
destruição. O mesmo se aplica à gasolina usada como combustível e ao lanche que você
compra;

• CONSUNTIBILIDADE JURÍDICA: Aqui, só se considera a finalidade do uso do bem. Aplica-se


aos bens destinados a alienação. Isto porque, para o alienante, o bem desaparece após a
alienação;

BENS INCONSUMÍVEIS: são os bens cujo uso, levando em consideração o fim a que se destina,
não gera a destruição dos bens . Exemplo: se eu te empresto um celular, por meio de um
comodato, ele é infungível e inconsumível. Não confunda as duas classificações!

Por fim, em alguns momentos, o sujeito pode determinar uma inalienabilidade (como as
cláusulas de inalienabilidade). Sendo assim, mesmo se tratando de uma situação específica,
podemos ter uma inconsuntibilidade jurídica, por exemplo um bem objeto de testamento, que
não pode ser alienado pelo recebedor (herdeiro) por estipulação do testador.

DOS BENS DIVISÍVEIS Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na
sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. Art.
88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou
por vontade das partes.

DIVISÍVEIS: Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância,
diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. Há um critério tríplice
– sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso.
INDIVISÍVEIS: Não podem ser fracionados. Isto porque, caso isso ocorra, os bens sofrerão
desvalorização. Haverá perda da qualidade, assim como prejuízo ao fim a que se destinam os
bens. Por exemplo o cavalo – como dividir o cavalo e ele permanecer vivo? No plano da
indivisibilidade encontramos três modalidades:

• INDIVISIBILIDADE NATURAL: Exemplos: cavalo, casa, celular. Havendo divisão, haverá a


diminuição do valor ou inutilidade do bem;

• INDIVISIBILIDADE LEGAL: Imposta pela lei. Exemplos: herança (art. 1.784, CC), que é
indivisível até a conclusão do inventário; hipoteca; servidões;

• INDIVISIBILIDADE CONVENCIONAL: O bem torna-se indivisível por definição das partes, por
razões como a segurança jurídica. Exemplo: Art. 1.320, CC: A todo tempo será lícito ao
condômino exigir a divisão da coisa comum, respondendo o quinhão de cada um pela sua
parte nas despesas da divisão. §1º Podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa
comum por prazo não maior de cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior. § 2º Não poderá
exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador ou pelo testador.

Veja que essa noção de divisibilidade e indivisibilidade será muito utilizada no direito das
obrigações. Para classificar uma obrigação em divisível ou indivisível, leva-se em consideração
a pluralidade de credores ou devedores e a divisibilidade ou indivisibilidade do bem em
questão. E, por exemplo, temos dois devedores que devem 2 mil reais a um mesmo credor,
cada um pagará mil. Mas, e se eu tiver dois devedores que devem um cavalo? Aplicar-se-ão as
regras de indivisibilidade obrigacional.

DOS BENS SINGULARES E COLETIVOS Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se
consideram de per si, independentemente dos demais. Art. 90. Constitui universalidade de
fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação
unitária. Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de
relações jurídicas próprias. Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações
jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico

SINGULARES: Também chamados de individuais. Conforme artigo 89 temos: São singulares os


bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais. Podem
ser objeto de relação jurídica individual, exemplo: as maçãs de uma árvore, as garrafas de
vinho...

COLETIVOS: São as universalidades.

UNIVERSALIDADE DE FATO: Art. 90, CC: Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens
singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. Parágrafo único. Os
bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias.
Exemplos: rebanho, biblioteca...

UNIVERSALIDADE DE DIREITO: Art. 91, CC: Constitui universalidade de direito o complexo de


relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico. Exemplos: o patrimônio de
alguém, herança deixada por alguém.
DOS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS:

A capa de um celular é um bem acessório, em relação ao celular, que é um bem principal. É


importante que você saiba essa distinção para, posteriormente, no direito das obrigações,
você saber diferenciar o que é dar o principal e dar o acessório, quando ler o art. 233 do
Código Civil, A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não
mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. Também é
importante para o estudo da posse, no caso da indenização pelas benfeitorias realizadas pelo
possuidor de boa-fé e de má-fé, bem como no caso dos frutos colhidos pelo possuidor de boa-
fé e de má-fé. Frutos são acessórios! Aqui, então, estudaremos a dependência de um bem em
relação a outro bem.

BEM PRINCIPAL > S ão bens independentes, ou seja, têm uma existência autônoma. Essa
autonomia pode se dar de duas maneiras: 1. Concreta 2. Abstrata

Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja
existência supõe a do principal.

BEM ACESSÓRIO > São bens dependentes, uma vez que dependem de outro bem (bem
principal), via de regra. Sua dependência se dá em relação à existência e à finalidade. Quando
falamos em bens acessórios, falamos em frutos, produtos, benfeitorias e pertenças.

Em relação aos acessórios podemos encontrar frutos: decorrem da essência do bem principal,
mas possuem renovação periódica.

• Frutos naturais: por exemplo, as maçãs de uma árvore.

• Frutos industriais: decorrem da atividade humana. Exemplos: materiais de uma fábrica .

• Frutos civis: são os rendimentos. Exemplos: aluguéis, juros etc.

Quando você estudar a posse, vai ver os chamados “frutos pendentes” (que não foram
colhidos), “frutos colhidos” (que já foram retirados), “frutos percipiendos” (que deveriam ter
sido colhidos e não foram), “frutos estantes” (estocados), “frutos consumidos” (destruídos)...

PRODUTOS não possuem renovação periódica. Quanto mais se tira, mais a quantidade
diminui. Exemplo: pedras preciosas de uma mina; à medida que as pedras são extraídas, a
quantidade de pedras disponíveis vai diminuindo. Art. 95. Apesar de ainda não separados do
bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico.

BENFEITORIAS: são acréscimos feitos pela mão humana. Não confunda benfeitorias com as
regras de acessões naturais da aquisição da propriedade móvel (aluvião, avulsão, formação de
ilhas e abandono de alvo), nem com as acessões artificiais (construções e plantações), que são
meios de aquisição da propriedade imóvel, que você vai estudar no direito das coisas. Art. 97.
Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a
intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.

Benfeitorias úteis: utilizadas para o melhoramento da coisa, para torná-la mais agradável e
facilitar o uso do bem.

Benfeitorias necessárias: para a conservação do bem.

Benfeitorias voluptuárias: para mero deleite, recreio, lazer. Não aumentam o uso habitual do
bem.

PERTENÇAS: são bens acessórios que se destinam a servir o principal. A TV que está na sua
residência, por exemplo, é uma pertença. Nossa casa é cheia de pertenças! Trata-se de bens
móveis que são introduzidos em um imóvel com tamanha definitividade, que acabam sendo
imobilizados. Os móveis da sua casa são pertenças. Art. 93. São pertenças os bens que, não
constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao
aformoseamento de outro. Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal
não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade,
ou das circunstâncias do caso.

No caso de uma fazenda que produz soja, por exemplo, o trator que auxilia na produção é
uma pertença. Outro caso, se eu quiser vender o meu apartamento a você, seguidos todos os
trâmites legais, e, após o pagamento, você vai receber as chaves. Todas as benfeitorias feitas
por mim no apartamento (uma janela trocada, as paredes pintadas, os azulejos trocados)
estarão inclusas na venda. As pertenças não estarão, se eu assim não quiser. Entende isso?

Aqui, eu te pergunto: qual motivo de as benfeitorias estarem na venda e as pertenças não?


Atente-se ao PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO JURÍDICA, que estabelece que o ACESSÓRIO SEGUE A
SORTE DO PRINCIPAL. Porém, isso não se aplica às pertenças.

Isto porque podemos classificar os bens acessórios em dois grupos:

BENS ACESSÓRIOS:

 PARTES INTEGRANTES: FRUTOS; PRODUTOS; BENFEITORIAS


 PARTES NÃO INTEGRANTES: PERTENÇAS

Portanto, o princípio da gravitação jurídica não é absoluto, se aplicando apenas às partes


integrantes. A relevância prática disso será vista na posse, nos contratos, na obrigação de dar...

DOS BENS PÚLICOS:


É um conceito trabalhado pelo Direito Administrativo. São bens pertencentes à pessoa jurídica
de direito público. Portanto, o critério utilizado para sabermos se é ou não um bem público é
o da propriedade. Todos os outros bens são particulares.

Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito
público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Por que não podemos afirmar que o bem destinado à administração pública é um bem
público? Porque existem bens particulares que são utilizados para esse fim, por meio das
concessões e permissões de serviço público, por exemplo. Quando se dá o término da
prestação dos serviços públicos, os bens continuam sendo particulares. O critério definidor é o
da propriedade.

O proprietário deve ser uma pessoa jurídica de direito público. Você deve se lembrar quem são
as pessoas jurídicas de direito público, que vimos: UNIÃO, ESTADOS, DF, MUNICÍPIOS E
AUTARQUIAS. As fundações públicas de direito público são verdadeiras autarquias, chamadas
de autarquias fundacionais ou fundações autárquicas. O Código Civil não traz o conceito de
bem particular, uma vez que o critério para a sua definição é residual. Todos os bens que não
forem públicos serão particulares.

Art. 99, CC. São bens públicos:

I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;

II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento


da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
(também chamados de patrimônio administrativo)

III – os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como
objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. (também chamados de
dominiais)

Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens


pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito
privado.

Os bens de uso comum do povo podem ter restrições de horário e o poder público pode
cobrar pelo seu uso. Embora o particular não necessite de autorização do poder público para o
uso normal (indistinto) dos bens de uso comum do povo, a autorização será exigida para
alguns casos específicos, para o uso anormal (distinto), como, por exemplo: para tomar banho
de praia, a autorização não é necessária; para casar-se na praia, porém, ela se torna
necessária. Aqui, entram as definições de concessão, autorização e permissão de uso de bens
públicos, estudadas no Direito Administrativo.

Concessão é contrato e, portanto, necessita de licitação. Permissão e autorização de uso de


bens públicos não são contratos administrativos, mas, sim, atos administrativos. Não se
confundem com concessão e permissão de serviços públicos (que são contratos e precisam de
licitação)!
Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for
estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

Um ponto bacana e que vale lembrar é o direito de reunião, que é assegurado


constitucionalmente a todos, não necessita de autorização, mas, apenas, de comunicação ao
órgão responsável. Acaso o poder público informe que a reunião não será viável naquela data,
horário e local, deverá designar outro local de igual viabilidade e acesso para assegurar o
direito de reunião. Ainda, podemos classificar os bens públicos em dois grupos relacionados à
destinação:

AFETAÇÃO/CONSAGRAÇÃO: USO COMUM DO POVO ; USO ESPECIAL

DESAFETAÇÃO/DESCONSAGRAÇÃO: DOMINICAL

Devemos, ainda, apontar as características desses bens:

• Inalienáveis: não podem ser alienados, nem de forma gratuita (como doação), nem de forma
onerosa (venda). Essa é a regra, mas existem exceções, vistas no Direito Administrativo, que
permitem que bens públicos em desuso, que estejam desafetados, sejam alienados. – Art. 100.
Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.; Art. 101. Os bens públicos
dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei;

• Imprescritíveis: não sofrem usucapião – Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a
usucapião;

• Impenhoráveis: não sofrem penhora judicial. Por isso, quando a Fazenda Pública é executada
judicialmente, emite-se precatório ou RPV (Requisição de Pequeno Valor), diante da
impenhorabilidade dos bens públicos;

• Não oneráveis: não podem ser dados em garantia (penhor, hipoteca e anticrese)

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