Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação a Distância
Centro de Recurso de Quelimane
Célia Adão Eriasse
Código: 708207272
Problemas Sócio-ambientais Resultante da Destruição do Ecossistema do Mangal na cidade de
Quelimane: Caso do Bairro Icidua, Estudo compreendido entre 2020-2022
Quelimane, Maio de 2023
Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação a Distância
Centro de Recurso de Quelimane
Célia Adão Eriasse
Código: 708207272
Problemas Sócio ambientais Resultante da Destruição do Ecossistema do Mangal na cidade de
Quelimane: Caso do Bairro Icidua, Estudo compreendido entre 2020-2022
Proposta de projecto científico a ser apresentada na Universidade
Católica de Moçambique, Instituto de Educação a Distância,
Centro de Recursos de Quelimane, como requisito exigido para a
obtenção do Grau Académico de Licenciatura em Ensino de
Geografia.
Proponente: Dr. Agnaldo Germano
Quelimane, Maio de 2023
Índice
CAPITULO I – INTRODUÇÃO............................................................................................................3
1.1. Introdução.........................................................................................................................................3
1.2. Problematização...............................................................................................................................4
1.3. Objectivos.........................................................................................................................................5
1.3.1. Geral..............................................................................................................................................5
1.3.2. Específicos....................................................................................................................................5
1.5. Questões norteadoras........................................................................................................................5
1.5. Justificativa e Relevância do estudo.................................................................................................5
1.6. Delimitação do estudo......................................................................................................................6
CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA....................................................................................7
2.1. Definição de conceitos.....................................................................................................................7
2.1.1. Ecossistema...................................................................................................................................7
2.1.2. Mangal...........................................................................................................................................7
2.1.3. Ecossistema de Mangal.................................................................................................................8
2.2. Factores de degradação do ecossistema do mangal.........................................................................9
2.2.1. Factores naturais da degradação do ecossistema do mangal.......................................................10
2.2.2. Factores humanos ou antrópicos de degradação do mangal.......................................................10
2.3. Consequências da degradação dos ecossistemas de mangais.........................................................10
2.4. Importância do ecossistema do mangal..........................................................................................11
CAPITULO III – METODOLÓGIA.....................................................................................................13
3.1. Método da pesquisa........................................................................................................................13
3.2. Tipo de pesquisa.............................................................................................................................13
3.4. Universo e amostra.........................................................................................................................14
3.4.1. Universo......................................................................................................................................14
3.4.2. Participantes da pesquisa.............................................................................................................14
3.5. Tipo de Amostragem......................................................................................................................14
3.6. Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados..............................................................................15
3.7. Técnicas e Instrumento e Análise e Validação dos Dados.............................................................15
3.8. Limitações do estudo......................................................................................................................16
3.9. Aspectos Éticos..............................................................................................................................16
3.10. Resultados Esperados...................................................................................................................16
CAPITULO I – INTRODUÇÃO
1.1. Introdução
Muito se tem debatido sobre a destruição dos ecossistemas do mangal, destruição esta que acaba
criando o aumento do aquecimento global, e colocando o solo ao intemperismo, bem como a má
qualidade do ar inspirado. Entretanto, quando se faz uma análise reflexiva, sobre a destruição dos
mangais em Moçambique, verifica-se que as zonas costeiras apresentam uma aceleração enorme
destruição culminando com a erosão, desaparecimento de espécies nativas marinhas, e exposição do
solo devido as actividades humanas.
De referir que muitas as actividades humanas causam mudanças tão intensas e tão rápidas, que os
mecanismos naturais não conseguem neutralizar a tempo seus efeitos nocivos. Uma das
consequências prejudicial à natureza é o desmatamento do ecossistemas dos mangais devido o
crescimento populacional que se verifica nos novos locais de afluência ocasionado assim problemas
socioambientais.
Será nesta ordem de ideias que o presente projecto faz menção sobre: “Problemas Sócio ambientais
Resultantes da Destruição do Ecossistema do Mangal na cidade de Quelimane: Caso do Bairro Icidua,
Estudo compreendido entre 2020-2022” procurando compreender os problemas socioambientais que
resultam da destruição do ecossistema do mangal do bairro Icidua de modo a propor mecanismos para
o reaproveitamento da área do mangal degradada no bairro em estudo, sendo o mangal, um dos
ecossistemas marinho de muita importância para a estabilidade dos animais, assim como para o meio
ambiente.
A província da Zambézia destaca-se como sendo a que apresenta maior cobertura de floresta de
mangal em Moçambique com destaque para os distritos de Pebane, Mocubela, Maganja da Costa,
Namacurra, Quelimane, Inhassunge e Chinde, totalizando uma área de cerca de 155,757 hectares
distribuídos ao longo da costa (Saket, 1994), área que nos últimos anos tem vindo a registar uma
grande perda devido ao elevado índice de desmatamento, facto que acelera a sua destruição, causada
pelo crescente aumento da população e as inúmeras dificuldades económicas que se fazem sentir no
seio da população (Câmara, 2013).
Para melhor percepção do estudo, de salientar que o trabalho esta estruturado de seguinte forma: No I
capítulo faz menção as notas introdutórias do trabalho sendo ele composto por introdução,
problematização, objectivos sendo eles geral e específicos, justificativas, significância ou relevância
3
do estudo, perguntas de pesquisa e a delimitação do estudo. No II capítulo esta patente a revisão
bibliográfica, onde serão apresentados conceitos chaves que versam sobre a temática estudada na
visão de vários autores e por fim o III capítulo, esta delineado os procedimentos metodológico
terminando com uma referência bibliográfica.
1.2. Problematização
Em Moçambique tem-se discutido muito sobre a problemática da destruição do ecossistema de
mangal, fruto de actividades antropogénicas, onde cada dia que passa, vão-se intensificados mais
questões da destruição do ecossistema criando problemas sérios na vida dos moradores que ocuparam
as áreas de riscos, sendo propensos a inundações nas épocas chuvosas. Esta situação é o resultado das
ocupações de área inadequadas para habitação, e a problemática de acesso à terra aos cidadãos
moçambicanos estão além das suas capacidades, optando desse jeito a ocupação das áreas de
preservação ambiental perigando a vida do ecossistema local e dos moradores.
A problemática da destruição do ecossistema mangal para construção de habitações tem contribuído
sobre a demanda populacional a procura de um pedaço de terra para erguer as suas habitações, isto na
província da Zambézia em particular no bairro Icidua, cidade de Quelimane. O potencial apresentado
pelo mangal de Icidua, em termos de recursos poderá não ser promissor futuramente, devido à forma
como tem sido utilizado pela população que lá habita.
Portanto, demonstra claramente a perda deste ecossistema que está sendo invadida pela população
maioritariamente de baixa renda implicando muita pressão sobre o ecossistema devido o aumento da
população. Deste modo, pelo benefício que ele proporciona à natureza, torna-se necessário preservá-
lo, dada a fragilidade deste ecossistema, traz consigo consequências muito graves. Em função das
inquietações acima descritas, levanta-se a seguinte questão:
Quais são os problemas socioambientais resultantes da destruição do ecossistema do
mangal do bairro Icidua na cidade de Quelimane?
1.3. Objectivos
1.3.1. Geral
Compreender os problemas socioambientais resultantes da destruição do ecossistema do
mangal do bairro Icidua na cidade de Quelimane.
4
1.3.2. Específicos
Identificar as causas da destruição do ecossistema do mangal no bairro Icidua;
Mencionar as consequências que advêm da destruição do mangal em área de estudo;
Propor mecanismos para o reaproveitamento da área do mangal degradada no bairro em
estudo.
1.5. Questões norteadoras
Segundo Castells (2005, p.23) as questões de partida são uma abordagem formuladas a partir dos
objectivos específicos que respondem as indagações da problematização. Nesta vertente, olhando a
natureza do trabalho que possui a pesquisa qualitativa, optou-se em usar a questão de partida fora das
hipóteses. Assim sendo, as questões norteadoras são as seguintes:
1. Quais são as causas da destruição do ecossistema do mangal do bairro Icidua?
2. Que consequências advém da destruição do ecossistema do mangal da área em estudo?
3. Quais são as possíveis soluções que devem ser adoptados para a recuperação do mangal no
bairro Icidua?
1.5. Justificativa e Relevância do estudo
A motivação na escolha deste tema tem a ver pelo facto da autora ter observado que a população do
bairro Icidua ignora as futuras consequências ecológicas, e que a coabitação do mangal com a
população, suscitou na autora interesse pelo estudo um estudo de forma a aferir os resultados das
acções dos factores naturais e humanos que ao longo dos anos propostos nesta pesquisa e verificar a
intensidade da destruição dos ecossistemas da área em destaque.
Acredita-se que este estudo poderá trazer a superfície alguns problemas que poderão estar por detrás
da destruição do ecossistema de mangal no bairro de Icidua. Ao nível científico, servirá de um
instrumento muito importante para que se aprofundem ainda mais os métodos ou estratégias que
possam inverter esta situação que de alguma forma poderá comprometer o desenvolvimento do país,
tendo em conta que qualquer estado ou nação desenvolve-se com base nos recursos naturais.
Portanto, o mangal tem sido explorado pela comunidade local, sem considerar a gestão dos recursos
sustentáveis, por sua vez a pressão sobre esse ecossistema no bairro Icidua na cidade de Quelimane, e
ela trás benefícios para a população local extraindo lenha e material de construção. Com este tema
pretende-se chamar a responsabilidade a todo e qualquer cidadão, acerca da ocupação das áreas de
5
preservação ambiental na cidade de Quelimane, tendo em conta o factor humano como o principal
pela destruição do mangal.
Portanto, espera-se que o estudo ajude no melhoramento das condições que estes moradores se
encontram expostos, importa ainda que os resultados esperados justifiquem a implementação de
projectos de diversificados para aliviar a pressão sobre o ecossistema do mangal e possível
recuperação de áreas perdidas.
1.6. Delimitação do estudo
O estudo será desenvolvido sobre Implicações sócio-ambientais resultantes da destruição do
ecossistema do mangal será desenvolvido no bairro Icidua. Bairro este que fica localizado nas
margens do Estuário dos Bons Sinais, na zona centro do país, na Província da Zambézia, no Distrito
de Quelimane num período compreendido entre 2020-2022.
6
CAPÍTULO II – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Definição de conceitos
2.1.1. Ecossistema
Golley (1993) define ecossistema como sendo um conjunto formado por todas comunidades bióticas
que vivem e interagem em determinada região e pelos factores abióticos que actuam sobre essas
comunidades, enquanto Odum (1988) define como sendo um conjunto dos factores bióticos e
abióticos de uma determinada região.
2.1.2. Mangal
Segundo Kathiresan e Bingham (2001, p.16.) os mangais são um grupo muito diverso de árvores não
relacionadas umas com as outras, como as palmeiras, arbustos, plantas trepadeiras ou rastejantes de
caule delgado e fetos, que partilham a capacidade de viverem em solos alagadiços e salinos sujeitos a
uma inundação regular.
De acordo com Santos (2008), referem o mangal ou floresta de mangal como um termo para
caracterizar uma variedade de comunidades costeiras da zona tropical e subtropicais dominadas por
uma variedade de árvores e arbustos sempre verdes que crescem em regiões com água de elevada
salinidade.
De acordo com Litulo (2008), “refere-se ao mangal ou floresta de mangal como um termo para
caracterizar uma variedade de comunidades costeiras da zona tropical e subtropicais dominadas por
uma variedade de árvores e arbustos sempre verdes que crescem em regiões com água de elevada
salinidade”. As florestas de mangal encontram-se em áreas relativamente protegidas entre o
continente e o mar onde a energia das ondas do mar é reduzida.
O mangal é um ecossistema costeiro, situado nas regiões tropicais e subtropicais, ocorrendo junto a
desembocadura de rios, estuários e lagunas costeiras, até onde houver influência de marés. Os
mangais são ecossistemas de transição entre os ambientes oceânicos e terrestre, (Schaeffer, 1989).
Os mangais desenvolvem-se melhor em áreas expostas a um abastecimento contínuo em água doce
como as regiões de elevada pluviosidade, infiltração de água doce e nos deltas dos rios. Para Langa
(2007) “considera os mangais espinha dorsal das costas dos oceanos tropicais, muito importante para
a biosfera do oceano global e acrescenta que as suas raízes pneumatóforas protegem as zonas
7
húmidas costeiras contra o oceano, formam um importante habitat, berçário para inúmeras espécies
de peixes, crustáceos, mamíferos, aves e insectos”.
Segundo Kulima (1999), “os mangais são ecossistemas formados por plantas e animais que
colonizam a região entre-mares de costas obrigadas banhadas pelos rios e inundações de marés e
crescem no limite entre o habitat terrestre e aquático marinho”. Para tal as plantas de mangal tiveram
que desenvolver adaptações com ênfase a aquisição de pneumatóforas e vivi pária que lhes permitem
viver em condições extremas e instáveis da acção das marés, períodos variados de submersão e
variação de salinidade.
De acordo com Baia (2004) o mangal é uma comunidade vegetal que coloniza as lagoas costeiras, os
estuários e as depressões dos deltas. São comunidades adaptadas as condições elevadas salinidade e
por isso podem substituir submersas em águas marinhas. As árvores de mangal são apenas um dos
componentes do complexo ecossistémico do mangal que inclui: corpos associados a água e solos bem
como uma variedade de outras plantas, animais e microrganismo.
Em função as definições apresentadas acima, ficou claro que o ecossistema dos mangais contribui
para protecção das áreas costeiras contra a erosão e intrusão salina, sendo elementos estabilizadores e
protectores da linha da costa e contribuem para a formação dos solos: Com a deposição e captura de
sedimentos aluvionais na franja dos mangais, criam-se condições ecológicas que permitem o avanço
de solos do continente em direcção ao mar.
2.1.3. Ecossistema de Mangal
Segundo Litulo et al (2008) citado por Luís (2011, p.33), ecossistema de mangais é uma variedade de
comunidades costeiras das zonas tropicais e subtropicais banhadas por uma variedade de árvores e
arbustos sempre verdes que crescem em regiões com água de elevada salinidade.
Para Costa et al, (2011, p.11), ecossistemas dos mangais são florestas de espécies lenhosas que
ocorrem nas zonas costeiras das regiões tropicais e subtropicais dos oceanos Índico, Atlântico e
Pacifico. Os autores acima, quando se referem ao ecossistema de mangais, notabilizam-se uma
tendência de consciência de ideias, mas não seu todo, diferentemente do Schaeffer-Novelli1989,
citado por Mitader, (2015, p.7), que ao se referir dos ecossistemas dos mangais, aventa serem
“ecossistemas de transição entre os ambientes oceânicos e terrestres”.
8
Mas para Augustinus (1999), citado por Fernandes (2005, p.14), ecossistema dos mangais são
verdadeiras florestas desenvolvidas em ambientes salinos a salobros salgados. Para FAO (1994, p.37)
os ecossistemas dos mangais “são formações características de plantas litorais que ocorrem ao longo
das costas tropicais e subtropicais que habitam uma área sujeita ao regime de marés em litorais planos
e que marcam uma lenta transição entre a plataforma continental e o mar”.
Na mesma senda Bezerra, (2005, p.12), preferi enfatizar a sua importância ao afirmar que elas
constituem um ecossistema de extrema importância para toda a faixa costeira, sob ponto de vista de
sua capacidade de oferta de bens e serviços para a mesma.
No entendimento da autora, o ecossistema de mangal pode ser entendido como uma espécie florestal
que se desenvolve nas encostas dos rios, marés e oceanos, nas regiões tropicais e subtropicais nas
áreas de alta salinidade constitui um importante elemento na protecção da linha da costa sobre a acção
das marés bem como oferece abrigo de várias espécies de animais até mesmo peixes para a sua
reprodução.
Portanto os autores demonstram claramente que o ecossistema do mangal são conjuntos de espécies
quer flora e faunas, que necessitam de um controle e protecção de modo a garantir a estabilidade do
ecossistema, sendo este que serve como barreira de linha de costa entre o talude continental e
oceânico.
2.2. Factores de degradação do ecossistema do mangal
Vários são os agentes que concorrem para a degradação das características do ecossistema do mangal
como apontam os estudos feitos por Soerianegara (1982), citado por (Camara, 2013, p.4), onde se
destaca a pobreza e a falta da própria educação da população local, como factores que influência
sobremaneira na destruição das florestas de mangais.
Nesta busca pelo entendimento dos factores de transformação e/ou degradação do ecossistema do
mangal, assentámo-nos nos pronunciamentos de (Semesi & Howell, 1985) e (FAO, 1994), citado por
Guedes, (2002, p.54), que destacam factores naturais e humanos ou antrópicos como principais
agentes de destruição ou degradação dos mangais.
9
2.2.1. Factores naturais da degradação do ecossistema do mangal
Guedes, (2002, p.54), aponta como fenómenos naturais que concorrem para a destruição do mangal,
as (tempestades, actividades vulcânicas, furacões, pestes, doenças, cheias, movimento de sedimentos
provocados pela erosão), enquanto MICOA (2007, p.17) destaca cheias, as secas extremas e híper-
salinização dos pântanos de mangal, subida dos níveis dos rios e acção de ondas, como agentes
naturais de degradação dos mangais.
Para a autora, os agentes naturais como cheias, a acção das marés e a erosão são uns dos agentes
naturais visíveis que se destacam em grande medida na transformação das áreas de ocorrência de
mangal na área de estudo.
2.2.2. Factores humanos ou antrópicos de degradação do mangal
Autores como Semesi & Howell, (1985) e FAO (1994), citados por Guedes (2002, p.54), destacam
como factores humanos na degradação do mangal, a acção humana descontrolada, mudanças
ecológicas, políticas e fiscalização inadequada, falta de coordenação e insuficiência de medidas
institucionais.
Comparativamente ao Mitader (2015, p.4), para Saket & Matusse, (1994) citado por Guedes et al,
(2002, p.49) apontam como principais causas da degradação dos mangais em Moçambique:
Extracção de combustível lenhoso e material de construção que acontece ao longo de toda
costa, mas com maior incidência nas cidades de Maputo e Beira devido à alta densidade
populacional.
Abertura de áreas para construção de salinas, principalmente na zona norte do País.
Degradação provocada pelas mudanças ecológicas.
Abertura de áreas para prática da agricultura, mais frequente na zona centro e norte do país.
(Guedes, 2002, p.49).
2.3. Consequências da degradação dos ecossistemas de mangais
As acções predatórias contra o ecossistema do mangal resultam de certa medida em grandes perdas
deste ecossistema e dos seus múltiplos valores que elas têm para as comunidades. Entretanto, autores
como (Semesi & Howell, 1985, p.45), nos seus escritos apontam como resultado de consequências da
degradação das áreas dos mangais:
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Redução da fauna e flora dependente dos mangais com notável decrescimento da pesca de
camarão;
Incremento da erosão costeira, que pode ter efeitos muito negativos para as construções das
vilas tais como residências locais, hotéis, etc;
Incremento de sedimentação de recifes e corais que resulta na redução da produtividade de
peixes.
2.4. Importância do ecossistema do mangal
Para Coutinho, (2004, p.19), a importância de um ecossistema está directamente ligada as suas
características naturais (ambiente físico, fauna, flora, etc.) bem como o papel que o mesmo exerce
num contexto local, regional e global.
Deste modo, o mangal pode enquadrar-se, sob ponto de vista de que estas características também
estão neles presentes devido à notabilidade de factores que fazem com que ela se torne um ambiente
exclusivamente único.
Alinhando a isso, do ponto de vista faunístico, o mangal possui uma imensa quantidade de espécies
que buscam e encontram neste ambiente, um local ideal para a coexistência até de espécies de
interesse económico para uma nação, como é o caso de camarões, os diferentes tipos de crustáceos e
caranguejos.
Para Badola, et al, (2005, p.32), os mangais desempenham um papel importante na protecção das
vidas e propriedades das comunidades costeiras na medida em que podem servir de barreiras naturais
contra tempestades e ciclones.
Pereira Filho & Alves (1999), citado pelo Rebelo (2001, p.13), corroboram com o pensamento de
(Coutinho, 2004, p.19), ao afirmar que o mangal desempenha muitas funções naturais de extrema
importância no meio ecológico bem assim como no meio económico, na medida em que:
“Serve de protector da linha de costa e da vegetação contra a acção erosiva das ondas,
águas das marés, dos ventos bem como serve de renovação da biomassa costeira, isto
é, áreas de águas calmas e ricas em alimento, os mangais apresentam condições ideais
para reprodução e desenvolvimento de várias espécies, incluindo de interesse
económico, como é o caso dos crustáceos e peixes”. (Pereira Filho & Alves, 1999),
citado pelo Rebelo (2001, p.13).
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Estudos recentes sobre mangais destacam os benefícios de ecossistemas e funções ecológicas de
sistemas de vegetação costeira, incluindo os serviços de sequestro de carbono fornecidos por
mangais. (Chevallier, 2013).
Gilman, et al (2007, p.161) avança que a redução de mangais ou a sua degradação põem em perigo o
seu papel de protector contra os riscos costeiros, como erosão, inundações, ondas de tempestades e
tsunamis. Para a autora desta pesquisa, o papel do ecossistema do mangal vai desde a protecção da
linha da costa sobre a acção das marés e erosão.
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CAPITULO III – METODOLÓGIA
Neste capítulo, estão patentes os procedimentos metodológicos que serão usados para a elaboração da
pesquisa. Na visão de Gil (2010, p.17) “A metodologia é parte fundamental para o desenvolvimento
do trabalho académico e visa esclarecer os caminhos que serão percorridos para se chegar aos
objectivos propostos”. Para a elaboração deste trabalho de pesquisa e o cumprimento dos objectivos,
serão usados vários métodos:
3.1. Método da pesquisa
Para a elaboração deste trabalho será usado o método indutivo “sendo indução um processo mental
por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma
verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas”. (Prodanov & Freitas, 2013, p.28),
sendo assim, a pesquisa partira das constatações particulares sendo do bairro Icidua inferir para uma
verdade geral das zonas propensa a degradação do ecossistema do mangal da cidade de Quelimane, e
noutros pontos que apresentam as mesmas situações.
3.2. Tipo de pesquisa
Quanto a forma de abordagem
Quando a abordagem, será usada a pesquisa qualitativa onde na visão de Silva, (2001, p.20) “O
ambiente natural é a fonte directa para colecta de dados de um pesquisador sendo instrumento-chave
para descrever os fenómenos observados”. Este método permitiu a recolha e a análise dos dados
indutivamente, isto é, as informações obtidas não serão quantificadas. Sendo assim, esta pesquisa
ajudara a analisar a situação do tema em estudo, buscando entrar em contacto com os sujeitos com
vista a entender a vida social dos residentes do bairro Icidua e ter noção sobre quais as implicações da
destruição do ecossistema do mangal trazem para a comunidade e para o meio ambiente.
Quanto aos objectivos da pesquisa
Para tal, do ponto de vista dos objectivos a pesquisa será de carácter descritivo, Segundo Selltiz et al.
(1965), busca descrever um fenómeno ou situação em detalhe, especialmente o que está ocorrendo,
permitindo abranger, com exactidão, as características de um indivíduo, uma situação, ou um grupo,
bem como desvendar a relação entre os eventos. Pois esta pesquisa, será utilizada na medida em que o
estudo procurou entender por meio de várias fontes “orais e escritas”, sobre a questão em análise, e na
formulação das perguntas de partida e a validação das mesmas e outras informações sobre o tema em
estudo ou em destaque.
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Quanto ao procedimento técnico
Como o estudo é qualitativo, a pesquisa teve como método a pesquisa bibliográfica, sendo assim,
segundo Vergara (2000), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado,
constituído, principalmente, de livros e artigos científicos e é importante para o levantamento de
informações básicas sobre os aspectos directa e indirectamente ligados à nossa temática. Portanto, a
pesquisa consistiu na fundamentação dos aspectos com mais substâncias relacionadas com os
propósitos do tema proposto para a pesquisa através de obras literárias que abordam sobre conteúdos
relacionados com o tema em estudo, incluindo artigos, teses, dissertações e electronicamente como: a
internet. Pois a autora terá a oportunidade de se colocar em contacto com o material já publicado que
abordam sobre o tema em menção.
3.4. Universo e amostra
3.4.1. Universo
É considerado universo conjunto de indivíduos que possuem as mesmas características e a amostra é
a pequena parte do universo do local de estudo. Nesta lógica de raciocínio, a pesquisa possui como
universo todos os moradores do Icidua e funcionários do Conselho Autárquico da cidade de
Quelimane, e funcionários de Serviços Provinciais de Geografia e Cadastro num total de 11.643 de
habitantes.
3.4.2. Participantes da pesquisa
Para recolha de dados trabalhamos com uma amostra de 50 participantes dos quais fizemos a
distribuição equitativa sendo 45 moradores do bairro Icidua sem discrição de sexo, 1 líder
comunitário da área de estudo, 2 técnico do Conselho Autárquico da cidade de Quelimane que
trabalham na área de Mapeamento, 2 técnicos de Serviços Provinciais de Geografia e Cadastro.
3.5. Tipo de Amostragem
Para a realização deste trabalho, a autora usará o critério de amostragem não probabilística por
acessibilidade, onde de acordo com Malhotra (2001), a amostragem não-probabilística por
acessibilidade confia no julgamento pessoal do pesquisador e não na chance de seleccionar os
elementos amostrais. Sendo assim, a escolha deste tipo de amostragem oferecerá boas estimativas das
características da população, mas não permitirá uma avaliação objectiva da precisão dos resultados
amostrais.
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3.6. Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados
Para fazer face aos objectivos preconizados nesta pesquisa, serão utilizados os seguintes
instrumentos: a observação directa e entrevista semi-estruturada.
Observação direita
Este instrumento será usado durante o período de realização do trabalho de campo. Um dos aspectos
fundamentais da observação participante é o estabelecimento de relações existente entre o autor e o
local em estudo. Sendo que, será importante seguir o modo de vida dos informantes (Bervian, 2002).
Portanto, a observação directa será aplicada com o intuito de identificar as áreas com maior
incidência de destruição do mangal e os problemas que daí advêm. Para tal efectuou-se uma
deslocação ao bairro em estudo, onde serão realizadas algumas actividades de recolha de dados que
permitiu o alcance de cada um dos objectivos apresentados.
Entrevista semi-estruturada
A técnica de entrevista semi-estruturada ajudou a recolha de informações dos moradores do bairro em
estudo e os respectivos responsáveis do Município na área de planeamento territorial para além de
facilitar bastante para a autora a confrontar o dito com o visto acerca da informação do local. Através
da entrevista semi-estruturada, serão colectadas informações de alguns intervenientes envolvidos na
degradação do mangal e exploradoras dos recursos de mangal, figuras do governo de SPGC, e
CMCQ, onde deram o seu parecer em relação ao assunto pesquisado. Optaremos por esta técnica, por
reconhecermos que houve ocasiões em que a autora adaptou as questões pré-elaboradas às realidades
dos entrevistados, à medida que serão decorrendo as entrevistas.
3.7. Técnicas e Instrumento e Análise e Validação dos Dados
Em princípio os dados colectados em campo serão introduzidos, organizados no Microsoft após a
compilação dos mesmos, de seguida forma agrupados as respostas semelhante dados um sentido
igual, sendo que os resultados do presente estudo serão apresentados sob forma de conversa
apoiando-se com alguns dizer dos autores conceituais e terminado com a compreensão da autora.
Como técnicas e instrumento e análise e validação dos dados a autora usara o método de triangulação
onde após a recolha de dados optar-se-á em discutir os dados colhidos dos entrevistados culminando
com alguns autores que fazem menção sobre o tema em estudo e terminado com o comentário da
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autora, sendo assim a triangulação submeter-se-á em explicar as argumentações dos entrevistados e
discutir com autores referenciais sobre a questão e por fim a ideia da autora.
3.8. Limitações do estudo
Quanto ao factor de limitação do estudo será constatado a ausência de materiais que aborda sobre o
estudo, sendo eles artigos científicos, monografias, teses de mestrados e outros matérias que serviria
para a elaboração do trabalho.
3.9. Aspectos Éticos
De modo a proteger as questões éticas em estudo científicos, o/a pesquisador/a deve garantir que o
anonimato ao entrevistador/a, devendo os mesmos serem identificados/as por código (letra ou
número), que o recomenda a questão relativa ao respeito as questões éticas numa pesquisa. Portanto
para a presente pesquisa usar-se-ão: professores (Prof), director e director adjunto (Dr, DAE) e
Alunos (Al).
3.10. Resultados Esperados
Com a presente pesquisa, espera-se que sejam alcançados os objectivos da pesquisa e que exista uma
colaboração dos entrevistados no levantamento de dados de modo que se obtenha dados confiáveis de
modo que se possa compilar melhor para obter informações mais precisas. Espera-se também que o
estudo sirva de base de consulta para pesquisas posteriores no âmbito de investigação para
impulsionar novos conhecimentos nesta temática
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