THAMIRES JUNGER – 4D - INFECTOLOGIA
TUBERCULOSE PULMONAR TRANSMISSÃO
TUBERCULOSE - Via aérea: pessoa com tuberculose pulmonar ou laríngea
- Descrita como tísica, peste branca (século XIX) elimina bacilos no ambiente (caso fonte) outra pessoa (exalação
- Redução a partir da metade do século XX de aerossóis oriundos da tosse, fala ou espirro) – Gotículas de
- No início da década de 1980, houve recrudescimento global da Pfluger.
tuberculose - Termo “bacilífero” se refere a pessoas com tuberculose pulmonar
- Paises de alta renda devido principalmente á emergência da ou laríngea que tem baciloscopia positiva no escarrro. Com
infecção pelo HIV tuberculose ativa e está eliminando.
- Países de baixa renda, devido a miséria e processo de urbanização - Acomete o pulmão que também é a porta de entrada para outros
descontrolada, além de desestruturação dos servições e dos casos.
programas de controle da tuberculose. - Se deve realizar precaução por aerossóis.
- Gotículas de Pfluger rapidamente se tornam secas e se
AGENTE ETIOLÓGICO transformam em partículas menores (núcleos de Wells) com 1 a 2
- Espécies que integram o complexo Mycobacterium bacilos.
tuberculosis Suspensão no ar por muitas horas e são capazes de alcançar
M. Bovis, M. Africanum, M. Canetti, M. Microti, M. Pinnipedi os alvéolos, onde podem se multiplicar e provocar a
e M. Caprae. chamada primo infecção (depende dos fatores exógenos e
M. Tuberculosis (mais importante – Bacilo de Koch) endógenos)
- M. Tuberculosis é fino, ligeiramente curvo - Outras vias de transmissão (pele e placenta) são raras e
É uma bacilo álcool ácido resistente (BAAR) desprovidas de importância epidemiológica.
Aeróbio, com parede celular rica em lipídios Os bacilos que se depositam em roupas, lençois, copos e
- Outro grupo de micobactérias, as micobactérias não outros objetos.
tuberculosas (MNT), compreendem diversas espécies como:
M. Avium, M. Kansasii, M. Intracellulare e M. Abcessus. - Probabilidade de infecção depende de fatores exógenos
Infectividade do caso fonte: tem individuos muitos
bacilíferos e os falsi bacilares.
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Duração do contato: paciente que está infectado e FISIOPATOLOGIA
outras pessoas que passam tendo muito contato por
tempo prolongado com este indivíduo.
Tipo de ambiente partilhado
- Fatores endógenos: está associado ao TCD4+ em conseguir
destruir a bactéria.
- Pacientes com exame bacteriológico de escarro positivo sustem a
cadeia de transmissão da doença
- Pessoas com baciloscopia positiva infecta de 10 a 15 pessoas em
média
- Baciloscopia de escarro negativa, mesmo com TRM – TB ou
cultura positiva no escarro, tem infectividade menor.
- Pessoas com cultura de escarro negativa e as com
tuberculose extrapulmonar exclusivamente são desprovidas
de infectividade, ou seja, não transmitem. - O bacilo é inalado, ocorre a primo infecção, e a primo infecção vai
- Pacientes coinfectados com HIV podem ter menos acometimento evoluir, principalmente em crianças que não são vacinadas, e
pulmonar e apresentação cavitária, além de menor infectividade, quando o bacilo penetra ocorre a fagocitose pelos macrófagos
devido a redução das células TCD4+. alveolares que são os pneumófilos, e esse bacilo fica quiescente e
- Bacilo é sensível á luz solar, e circulação de ar possibilita a causa a infecção por tuberculose que é a latente. E se o macrófago
dispersão de partículas infectantes não conseguir conter a infecção através do inflitrado inflamatório, e
- Ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de a necrose caseosa e calcificar o nódulo o paciente pode fazer a
transmissão. reativação, e dessa reativação pode ter tuberculose pulmonar, pode
ter disseminação hematogênica e linfática, e pode causa
tuberculose extra pulmonar. Toda tuberculose extra pulmonar tem
que investigar o pulmão.
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PATOGENIA ESTÁGIOS DA TUBERCULOSE
1. TUBERCULOSE PRIMÁRIA
- Após ser inalado é fagocitado por macrófagos pulmonares
- Duas semanas após ocorre resposta tipo celular mediada por
leucócitos (linfócitos TCD+)
- TCD4 secretam interferom que ativam macrófagos
- Linfócitos TCD8 lisam os macrófagos infectados
- O nódulo tuberculoso primário (nódulo de Ghon) regride e calcifica
- Forma primária: crianças não vacinadas para BCG, indígenas e
adultos que vivem em locais com baixa incidência de tuberculose.
TUBERCULOSE PULMONAR
- Os sinais, sintomas e as menifestações radiológicas dependem do
tipo de apresentação da tuberculose
- Principais formas de apresentação
Primária
Pós primária (ou secundária)
Miliar
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- Sintomas clássicos 3. TUBERCULOSE MILIAR
Tosse persistente seca ou produtiva Aspecto radiológico pulmonar específico, que pode
Febre vespertina ocorrer tanto na forma primária quanto na forma
Sudores noturna secundária da tuberculose
Emagrecimento Na tuberculose pulmonar miliar em que na imagem
radiológica apresenta imagem tipo “millium”
1. TUBERCULOSE PRIMÁRIA Tuberculose miliar disseminada: pulmonar + pleural
Após o primeiro contato do indivíduo + renal, ou seja, pode ter vários orgãos
Manifestações clinicas podem ser insidiosas, com o paciente comprometidos.
apresentando irritadiço, com febre, sudores noturas e Pode ser aguda ou subaguda, mais frequente em crianças
inapetência. (primária) e jovens adultos (secundária de reativação) , a
Nem sempre a tosse está presente tuberculose miliar pulmonar também devido coinfecção por
HIV.
2. TUBERCULOSE PÓS PRIMÁRIA OU SECUNDÁRIA Sintomas como febre, astenia, emagrecimento e tosse
É a reativação ocorrem em 80% dos casos
Mais comum em adolescente e no adulto jovem Baciloscopia é pobre, BAAR é negativo, porque BAAR
Caracteristica principal: tosse seca ou produtiva, positivo em pacientes com formas cavitárias, aqui tem mais
febre moderada, sudorese noturna, anorexia e comprometimento intersticial. TRM TB pode estar
emagrecimento indetectável. Neste caso se realiza broncoscopia com lavado
Em locais com elevadas taxas de incidência de tuberculose, bronco alveolar, e pede BAAR e TRM TB do lavado bronco
toda pessoa que procura a unidade de saúde devido á tosse alveolar. Pode ser feito também lavado gástrico e se deve
prolongada (busca passiva) deve ter a tuberculose solicitar BAAR e TRM TB também em crianças e idosos com
incluída na sua investigação diagnóstica. comprometimento neurológico que façam micro aspiração.
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4. TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR
TUBERCULOSE PLEURAL TUBERCULOSE GANGLIONAR PERIFÉRICA
Comum em pessoas não infectadas pelo HIV Comum em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e em
Ocorre mais em jovens e cursa com dor torácica do tipo crianças
pleurítica (macicez na percussão, murmúrio vesicular Aumento subagudo, indolor e assimétrico das cadeias
abolido, fremito toraco vocal abolido e no raio x tem ganglionares cervicais anterior e posterior, além da
obstrução do seio costro frênico). supraclavicular
Faz toracocentese e pesquisa bacilo no líquido Em PVHIV tende ser bilateral
pleural. Mas muitas vezes da negativo, e assim Gânglios endurecidos ou amolecidos, aderentes entre si e
solicita a enzima ADA. aos planos profunfos, podendo evoluir para flutuação e/ou
Triade: astenia, emagrecimento e anorexia (70%) dos fistulização espontânea, com a inflamação da pela
pacientes, e febre com tosse seca, em 60% adjacente.
Líquido pleural tem características de baixo Diagnóstico é obtido por meio de aspirado por agulha
exsudato, predomínio de linfócitos e baixo e/ou ressecção ganglionar, para realização de
rendimento tanto da pesquisa de BAAR. exames bacteriológicos e histopatológicos. Faz TRM
TB e baciloscopia.
EMPIEMA PLEURAL TUBERCULOSO Biopsia de gânglio pode cursa com fístula no pós operatório.
Consequência da ruptura de uma cavidade tuberculosa
para o espaço pleural TUBERCULOSE MENINGOENCEFÁLICA
Faz toracocentese e o líquido pleural é rico em 3% dos casos de tuberculose
bacilos. Apresentação: meningite basal exsudativa
Clinicamente, é indistinguível de um empiema pleural por Clinicamente: subaguda ou crônica (sinais e sintomas
bactéria comum com duração superior a quatro semanas)
Baciloscopia direta e da cultura para tuberculose no Forma subaguda: cefaleia holocrania, irritabilidade,
líquido do empiema tuberculoso positivo alterações de comportamente, sonolência á fevbre,
fotofobia, rigidez de nuca, podendo ainda apresentar
sinais focais relacionados a síndromes isquêmicas
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locais ou ao envolvimento de pares cranianos (pares Raro ocorrer tamponamento cardíaco
II, III, IV, VI e VII) e hipertensão intracraniana Quando tem associação procuro o bacilo no líquido
Forma crônica: cefalei há vária semanas, apresenta pleural, quando não tem associação tem que realizar
doença pulminar em até 59% dos casos pericardiocentese, onde tem exsudato com
Forma localizada (tuberculomas): processo predominio de linfócitos, ADA aumentado, além de
expansivo intracraniano de crescimento lento, com fazer baciloscopia e TRM TB.
sinais e sintomas de hipertensão intracraniana, Paciente pode evoluir insuficência cardíaca
sendo que a febre pode estar presente. Forma que o diastólica.
bacilo fica localizado apenas no tecido cerebral,
individuo precisa ter a imunidade muito boa. TUBERCULOSE ÓSSEA
Vai pesquisar no líquor cefalo raquidiano, através da Coluna vertebral e as articulações coxofemoral e do joelho,
punção lombar. Porém, tem individuos que é contra embora possa ocorrer em outros locais
indicado realizar, principalmente com hipertensão A tuberculose de coluna (Mal de Pott) é responsável
craniana, sinal focal: convulsão, hemiparesia e por cerca de 1% de todos os casos de tuberculose e
rebaixamento do nivel de consciência e então nesse até 50% de todos os casos de tuberculose óssea.
caso pesquisa no pulmão e trata com corticoide para Afeta mais a coluna torácica baixa e a lombar
depois realizar punção lombar. Comprime medula e causa uma síndrome radicular
Quadro clínico: tríade – dor lombar, dor á palpação
TUBERCULOSE PERICÁRCDICA local e sudorese noturna.
Clínica subaguda
Geralmente não se associa a tuberculose pulmonar DIAGNÓSTICO BACTERIOLÓGICO
Pode ocorrer simultaneamente com tuberculose EXAME MICROSCÓPICO DIRETO –
pleural BACILOSCOPIA DIRETA
Sintomas: dor torácica, tosse seca e dispneia, febre, Método simples e seguro
emagrecimento, astenia, tontura, edema de membros Pesquisa do bacilo ácool ácido resistente – BAAR,
inferior, dor no hipocondrio direito (congestão hepática) e pelo método de Ziehl Nielsen
aumento do volume abdominal (ascite)
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Baciloscopia do escarro permite detectar de 60% a 80% Sensibilidade é de cerca de 90%
dos casos de tuberculose pulminar em adultos Detecta a resistência á rifampicina (sensibilidade de
Em crianças, a sensibilidade da baciloscopia é 95%)
bastante diminuida pela dificuldade de obtenção de Indicação
uma amostra com boa qualidade Diagnóstico de casos novos de tuberculose
Indicada nas seguintes condições: 2 amostras pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes
Sintomático respiratório Diagnóstico em populações de maior
Suspeita clínica e/ou radiologica de vulnerabilidade
tuberculose pulmonar Diagnóstico de tuberculose extrapulomnar nos
Acompanhamento e controle de cura em casos materiais biológicos já validados
pulmonares com confirmação laboratorial Triagem de resistência á rifampicina
CULTURA PARA MICOBACTÉRIA,
IDENTIFICAÇÃO E TESTE DE SENSIBILIDADE
Cultura é um método de elevada especificidade e
sensibilidade no diagnóstico da tuberculose
Casos pulmonares com baciloscopia negativa, a cultura do
escarro pode aumentar em até 30% o diagnóstico
bacteriológico da doença.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
TESTE RÁPIDO MOLECULAR PARA
RADIOGRAFIA DE TÓRAX
TUBERCULOSE (TRM TB)
- Escolha na avaliação inicial e no acompanhamento da
Teste de amplificação de ácidos nucléicos utiloizados para
tuberculose pulmonar
detecção de DNA dos bacilos do complexo M. Tuberculosis e
- Padrões sugestivos: cavidades, nódulos, consolidações, massas,
triagem de cepas resistentes á rifampicia
processos intersticial (miliar), derrame pleural e alargamento de
Resultado em cerca de 2h – somente 1 amostra de
mediastino
escarro
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- Pacientes com diagnóstico bacteriológico tem como principais DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO
objetivos excluir outra doença pulmonar associada, avaliar a - Fragmento de tecido obtido por biópsia com investigação de
extensão do acometimento e sua evolução radiológica durante o tuberculose.
tratamento.
- Na criança pontua no score DIAGNÓSTICO DE INFECÇÃO LATENTE (ILTB)
- No adulta apenas é uma avaliação para saber como o paciente vai - Pessoas infectadas, em geral, permanecem saudáveis por muitos
evoluir a doença. anos, com imunidade parcial do bacilo – infecção latente
pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB)
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE TÓRAX - Não apresentam nenhum sintoma e não transmitem a
- Mais sensível para demonstrar alterações anatômicas dos órgãos doença
ou tecidos comprometidos - Antes de se afirmar que um individuo tem ILTB, é fundamental
- Indicada na suspeita de tuberculose pulmonar quando a excluir a tuberculose ativa, por meio da anamnese, exame
radriografia inicial é normal, e na diferenciação com outras doenças clínico e radiografia de tórax
torácixas, especialmente em pacientes imunossuprimidos. - Pessoa saudável tem 30% de chance de infecção dependendo:
Grau de exposição: proximidade, condições do ambiente e
tempo de convivência.
Infectividade do caso índice: quantidade de bacilos
eliminados, presença de caverna da radiografia de tórax
Fatores imunológicos individuais
Fatores de risco: doenças ou tratamentos com
imunossupressores, idade (menor que 2 anos ou
maior do que 60 anos), diabete mellitus e
desnutrição.
Cerca de 5% das pessoas não conseguem impedir a
multiplicação dos bacilos e adoecem na sequência da
primo infecção
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Outros 5% apesar de bloquearem a infecção nessa ILTB – DIAGNÓSTICO PELA PROVA TUBERCULÍNICA
fase, adoecem posteriormente por reativação desses (PPD)
bacilos ou em consequência de exposição a uma - Utilizada para diagnóstico de ILTB e auxiliar o diagnóstico de
nova fonte de infecção tuberculose ativa.
- Entra no score de crianças com menos de 12 anos com TB ativa
- Consiste na inoculação intradérmica de um derivado protéico
purificado do M. Tuberculosis para medir a resposta imune celular a
esses antígenos.
- PT positiva não confirma o diagnóstico de tuberculose
ativa e PT negativa não o exclui
- Indicação
Identificar casos de ILTB em adultos e crianças
Auxiliar no diagnóstico de tuberculose ativa em
crianças
- Indivíduos com PT documentada e resultada ≥ 5mm não
dever ser retestados, mesmo diante de uma nova exposição ao
M. Tuberculosis.
- Leitura: Realizada 48 a 72h após aplicação, máximo de 96h.
Medior o maior diâmetro transverso da área do endurado
palpável, com régua milimetrada transparente
- Procedimento para PPD
Resultado em milímetros. Se não houver enduração: ZERO
mm
0 a 4mm não reator: não infectado ou com
hipersensibilidade reduzida
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5 a 9 mm reator fraco: vacinado com BCG ou TUBERCULOSE (ILTB) – VANTAGENS E
infectado DESVANTAGENS DO DIAGNÓSTICO PELA PROVA
10mm ou mais, reator forte: infectado doente ou não TUBERCULÍNICA (PPD) x IGRA
ou vacinado com BCG nos últimos 2 anos.
ILTB – DIAGNÓSTICO PELO IGRA
- Ensaios de liberação do interferon gama (Interferon-Gamma
Release Assays – IGRA)
- Se baseiam na premissa de que as células anteriormente
sensibilizadas com os antígenos da tuberculose produzem altos
TRATAMENTO
níveis de interferon gama
- Disponivel no SUS para indígenas e profissionais da saúde.
- Indicações do IGRA (semelhantes á PT)
Identificar casos de ILTB em adultos e crianças
Auxiliar no diagnóstico de tuberculose ativa em
crianças
- Interpretação dos resultados
Positivo – ILTB presente
Negativo – ILTB ausente
Indeterminado – repetir o teste
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TRATAMENTO TUBERCULOSE ATIVA TRATAMENTO ILTB
- Isoniazida: é o principal esquema preferencial de 6 meses.
- Isoniazida + Rifapentina: o esquema é curto, porém a
quantidade comprimidos é maior.
- Se associa corticoide obrigatoriamente nos primeiros 2 meses.