Biópsias
A biópsia incisional é mais indicada para lesões de maiores dimensões. De maneira geral a
opção por esta pode (e deve) ser feita sempre que o profissional não conseguir estabelecer
clinicamente o diagnóstico, sendo um recurso que permite uma melhor definição terapêutica
para cada doença. A biópsia incisional não está contraindicada para lesões de origem vascular
e lesões negras. No caso de lesões de componente majoritariamente vascular, o especialista
deve definir o risco cirúrgico e, se necessário, em conjunto com outras especialidades do
campo da saúde. Nas suspeitas de hemangioma, definir o tamanho e grau de invasividade da
mesma é imprescindível. Referências e discussão do caso junto a equipes de cirurgia vascular
podem ser necessárias (ver item hemangioma). No caso de suspeita de melanoma intrabucal, a
biópsia incisional é o único recurso seguro e disponível para definição diagnóstica precisa e
instituição do tratamento adequado. Lesões negras, com características de melanoma, devem
ser examinadas histologicamente através de biópsia incisional. Já a biópsia excisional é
indicada para lesões menores e também pode ser realizada quando o profissional tem
convicção de não estar frente a uma lesão maligna ou quando está muito óbvia a natureza
localizada e não invasiva da doença. Indicações: Qualquer lesão inflamatória que não responde
ao tratamento após 2 semanas, Todas as lesões de mucosa que apresentam mudanças
persistentes e significantes de coloração (lesões brancas, vermelhas ou pigmentadas) ou
mudanças de aparência, como ulcerações, proliferações e situações em que há presença de
massas espessas e profundas à palpação; Lesões potencialmente malignas de mucosa
diagnosticadas e que durante o acompanhamento mostram piora, como líquen plano e
leucoplasia Processos infecciosos a fim de se estabelecer o agente etiológico; Lesões que
inferferem na função normal, como hiperplasias e exostoses; Identificação de algumas
situações sistêmicas como lúpus, amiloidose, escleroderma e síndrome de Sjögren. Qualquer
lesão da boca presente por mais de dez dias, cuja história clínica e aspecto não permitam o
diagnóstico conclusivo, deve ser imediatamente biopsiada.
Sequência de intervenção:
Antissepsia do local. 1
Anestesia da área
Coleta do tecido com materiais adequados. 2
Sutura Simples interrompida
Fixação do material em formol 10%, o volume de fixador deve ser de
aproximadamente 10 vezes maior que o volume da peça 3
Identificação do recipiente onde está contida a peça com nome do paciente, nome do
operador, data e local de origem, e descrição da lesão. Na sequência, deve-se registrar
todas as características da lesão (aparência clínica, presença de outras lesões e a
hipótese de diagnóstico clínico). 4
Terapia medicamentosa:
O uso de analgésicos não-opiáceos, por um período não superior a 7 (sete) dias é suficiente
como medicação pós-operatória, desde que respeitadas as normas de biossegurança e os
cuidados descritos abaixo com manipulação cuidadosa dos tecidos. 5
Cuidados:
O tamanho da amostra deve ser adequado
A amostra deve ter boa profundidade devendo ser avaliada de acordo com o sítio
anatômico a ser incisado. Obviamente biópsias incisionais são mais conservadoras em
ventre do que em dorso lingual, por exemplo
Evitar perfurar ou macerar o material cirúrgico. Dê preferência para pinças mais
delicadas e não perfurantes (pinça de adson-brown). 6
Evitar que a infiltração anestésica deforme a área a ser operada
Usar preferencialmente anestésico com vasoconstritor, que possibilita um campo
operatório com menor sangramento
Evitar áreas de necrose que impeçam visualização microscópica de células viáveis
Evitar a exposição de tecidos ósseos em pacientes irradiados na região a ser incisada
Avaliar através de exames pré-operatórios, todos os pacientes cuja história clínica ou
exame clínico indique risco cirúrgico 7 de sangramento ou cicatrização deficiente.
Solicitar, nestes casos, os exames de RNI, TP, TTPA, plaquetograma e taxas glicêmicas.
8
Condutas em caso de urgência/emergência
Em casos de hemorragia, verificar a origem da hemorragia e, de acordo com a causa
considerar compressão, sutura ou uso de agentes anti-hemorrágicos (Ácido tranexâmico)
9.
Preparo prévio a ser realizado na Atenção Básica
Em casos de lesão promovida por trauma evidente, cuidar da remoção do trauma
(desgaste de próteses removíveis, interrupção de uso de próteses, interrupção de hábitos
de mordiscamento, desgaste de bordos cortantes de dentes e/ou restaurações
fraturadas). Solicitar que o paciente leve ao CEO todos os resultados de exames
previamente solicitados e lista de medicamentos em uso. Desmistificar para o paciente a
prática de biópsia como procedimento diagnóstico exclusivamente de lesões malignas.
Proservação
A proservação deve ser feita em conjunto entre a Atenção Primária e Secundária com
prioridade para esta última. Observação: Por ser um procedimento amostral, quanto mais
seca e visível estiver a região operada, melhores serão as possibilidades de obtenção de
amostras que facilitem o trabalho do patologista. Imediatamente após obtenção do
tecido, o material deverá ser fixado para não sofrer deterioração. O fixador de rotina é o
formol a 10%. Normalmente encontra-se no mercado o formol a 40% que deverá ser
diluído em água destilada ou filtrado na proporção de 1(uma) parte para 3(três) partes de
água. O recipiente de coleta e acondicionamento da peça deve conter um volume de
líquido suficiente para que a peça cirúrgica obtida fique completamente submersa, não
mais do que isso.
Materiais, medicamentos e documentos:
1: Digluconato de clorexidina 0,12% bochecho e Digluconato de clorexidina 2% extra oral.
2: Geralmente inclui cabo e lâmina de bisturi, tesouras comuns e para divulsão do tecido,
pinças clínicas, pinças hemostáticas, porta agulha, fio de sutura. EPI.
3: Formol 10% e frasco para armazenar a peça.
4: Documento nº 2, referente a como etiquetar e como realizar a ficha de envio ao laboratório.
5: Documento n° 4.
6: Pinça Adson Brown:
7: Documento n° 5.
8: Documento n° 6.
9: Ácido Tranexâmico 250mg, macerado com soro fisiológico e inserido no local de
sangramento ou solução injetável 50 mg/ml.
10: Documento n° 7. Termo de consentimento livre e esclarecido para biópsia
11: Exemplo de caso: Relato de caso