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Clínica Médica de Ruminantes
01-Intoxicação por Cobre
-Definição: doença crônica de manifestação aguda, caracterizada pela hemólise
intravascular causando uma icterícia e hemoglobinúria.
-Epidemiologia:
-Qualquer raça de ovinos é suscetível (merino é mais resistente);
-Afeta geralmente ovinos, mas pode afetar também bovinos e bubalinos;
-Intoxicação se da por alimentos concentrados (excesso de cobre) e sal
mineral;
-Áreas com pouco molibdênio;
-Etiologia:
-Intoxicação primária: excesso de consumo de cobre (acima de
10mg/kg).
-Intoxicação secundária concentração de cobre normal, mas se tem baixa
concentração de molibdênio, sulfato e zinco ou presença de plantas hepatotóxicas.
-Causas:
-Oferecimento de sal mineral bovinos para ovinos;
-Consumo de cama de frango (alta concentração de uréia e cobre) ou
polpa cítrica;
-Erro na formulação do sal;
-Solos com baixa concentração de molibdênio;
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-Pomares de macieiras, pêssegos e videiras;
-Ração com excesso de cobre;
-Patogenia:
Tem-se a ingestão de cobre, o qual se acumula no fígado e juntamente
com algum fator de estresse (parto, transporte e superlotação, por exemplo) o cobre é
liberado na corrente sanguínea causando uma hemólise intravascular provavelmente por
ação dos radicais livres e pode causar uma nefrose (pela hemoglobinúria – insuficiência
renal aguda).
-Sinais Clínicos:
-Anemia hemolítica, icterícia (mucosas amareladas, principalmente a
mucosa vulvar e esclera), dispnéia, aumento das freqüências cardíaca e respiratória
(causado pela anemia – mecanismo compensatório), temperatura corpórea normal,
hemoglobinúria (pela hemólise intravascular), intolerância ao exercício, decúbito e
morte.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
-Exames Complementares:
-Hemograma: verifica-se anemia e hemoglonbinemia.
-Cobre sérico: aumentado na fase aguda;
-Cobre hepático: aumentado em qualquer fase;
-Necropsia: icterícia, hepatomegalia, fígado amarelado e rins
enegrecidos;
-Diagnóstico Diferencial:
-Leptospirose: diferenciar na sorologia e tem-se leucocitose e aumento da
temperatura corpórea.
-Tratamento:
-Molibdato de Amônia 100g e Sulfato de Sódio 1g por 21 dias VO SID;
-D-penicilamina 52mg/kg por 6 dias IM SID;
-Tetratiomolibdato de Amônio 3-4mg/kg SC a cada 48h e 3
administrações;
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-Prognóstico:
-Desfavorável;
-Prevenção e Controle:
-Evitar pastos com excesso de cobre;
-Evitar ingestão de plantas hepatotóxicas;
-Relação Cu/Mo: 6/10;
-Evitar que ovinos se alimentem de sal mineral bovino;
02-Dermatofitose
-Definição: afecção fúngica superficial da pele que afeta ruminantes e eqüinos;
-Etiologia:
-Trychophytum verrucosum (bovinos);
- Trychophytum equinum (eqüinos);
- Trychophytum mentagrophytes (eqüinos);
-Epidemiologia:
-Atinge geralmente animais jovens (até 1 ano de idade), por falta de
contato prévio e pela baixa imunidade (estresse, desmame, transporte, superpopulação,
verminose, castração, mochação e deficiência alimentar);
-Fatores ambientais como a umidade, alta temperatura e baixa incidência
solar são fatores predisponentes;
-Imunidade dura por 1 ano;
-Dermatofitose recorrente (é o maior problema);
-Sinais Clínicos:
-Lesão circular alopécica (alopecia difusa), lesões focais e multifocais, os
locais mais afetados são a face, pescoço, escápula, dorso e membros, o prurido é pouco
freqüente, em bezerros há alopecia periocular, em vacas afeta o úbere e membros e
touro a barbela e região submandibular, esta enfermidade não afeta no estado geral do
animal;
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
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-Exames Complementares:
-Microbiológico: colheita de pêlos e juntamente com NaOH
(exame direto ou cultura);
-Diagnóstico Diferencial:
-Dermatite bacteriana (Staphylococcus aureus): normalmente purulenta;
-Pênfigo foliáceo
-Dermatofilose: há a formação de crostas com secreção purulenta;
-Tratamento:
-Isolar o animal;
-Tópico:
-Iodo 2% SID por 5 dias e a cada uma semana até a cura;
-Hipoclorito de sódio 0,5% por 5 dias e a cada uma semana até a
cura;
-Ambiente e Equipamentos:
-Hipoclorito de sódio 5%;
-Sistêmico:
-Isofuxina;
-Iodeto de sódio;
-Doença auto-limitante;
-Prevenção:
-Evitar a baixa de imunidade;
-Instalações adequadas;
03-Dermatofilose
-Definição: infecção bacteriana da pele que afeta ruminantes e eqüinos,
provocada pelo Dermatophylus congolensis.
-Etiologia:
-Dermatophylus congolensis (bactéria gram positiva);
-Não penetra na pele (necessita de lesões, como a picada de um inseto);
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-Relacionada à umidade (época de chuvas);
-Não induz boa resposta imune;
-Sinais Clínicos:
-Pequena pápulas, pústulas que podem se romper e liberar a secreção,
lesões alopécicas, lesões circulares de coloração avermelhada ou esverdeada (lesão em
forma de ‘escovinha’), lesões extensas (linfoadenopatia, febre e apatia), localizam-se
mais na região do dorso, pescoço e membros, no touro acomete a região inguinal e
escrotal também e em bezerros geralmente na face e pescoço.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
-Exames Complementares:
-Colheita de crostas e secreções para cultura (coloração de gram)
e antibiograma;
-Diagnóstico Diferencial:
Dermatofitose (não tem presença de crostas), dermatite estafilocócica
(maior quantidade de vesículas e crostas) e papilomatose em casos crônicos.
-Tratamento:
-Tópico: mesmo tratamento empregado para dermatofitose;
-Para casos crônicos: lavar lesões com iodo-degermante juntamente com
administração de antibióticos sistêmico (penicilina com estreptomicina IM ou
tetraciclina IM);
-Prevenção e Controle:
-Controle da umidade;
-Observar o estado geral do animal;
-Desinfecção dos materiais e instalações;
04-Ectima Contagioso
-Definição: causada por um Parapoxvirus epiteliotrófico que causa lesões nos
lábios, vagina, prepúcio e úbere. Afeta ovinos e caprinos.
-Sinônimos: dermatite pustular contagiosa
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-Epidemiologia:
-Zoonose;
-Surtos em cordeiros confinados (pelo estresse da separação, desmame e
superpopulação);
-Cosmopolita;
-Há liberação de crostas no ambiente, as quais são infecciosas depois de
meses ou anos;
-Transmissão se dá pelo contato direto;
-PI: entre 4 dias e 2 semanas;
-Doença autolimitante
-Etiologia:
-Parapoxvirus (epiteliotrófico);
-Patogenia:
Há a infecção e o vírus causa lesões (pápulas avermelhadas que
progridem para vesículas as quais se rompem e há a formação de crostas) nos lábios,
membros, vulva, prepúcio e úbere.
-Sinais Clínicos:
-Pápulas, vesículas e pústulas cutâneas, crostas amarronzadas espessas
nas comissuras orais, claudicação e cordeiros apresentam anorexia, perda de peso e
desidratação (não conseguem se alimentar por dor). Cura em 2-3 semanas.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
-Exames Complementares:
-Biópsia: verifica-se proliferação epitelial, degeneração, bolhas e
inclusões intracitoplasmáticas eosinofílicas;
-Microscopia Eletrônica: observa-se partículas virais;
-Diagnóstico Diferencial: dermatofilose (as lesões são disseminadas pelo corpo
inteiro);
-Tratamento:
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-Não se trata (doença auto-limitante);
-Apenas enfermagem (terapia com fluídos, tratamento das lesões e
alimentação);
-Tratamento das lesões: sulfato de cobre 5% ou Iodo 7%.
-Aciclovir (anti-viral que inibe ou diminui a replicação viral);
-Prognóstico:
-Favorável;
-Prevenção e Controle:
-Isolamento dos positivos;
-Vacinação: somente em surtos (vacina viva);
-Zoonose: deve-se usar luvas para a manipulação;
05-SCRAPIE
-Definição: grupo de enfermidades infecciosas crônicas que acometem ovinos e
caprinos ‘encefalopatia espongiforme transmissível’. Doença degenerativa crônica,
progressiva, afebril que acomete o SNC de ovinos e às vezes de caprinos.
-Ocorrência:
-Ovinos (Suffoke e Hampshire Down) e caprinos;
-Animais mais velhos;
-Etiologia:
-Prion (PrPC e PrPSC) proteína auto-replicante
- PrPC pela ação da PrPSC não consegue ser degradado no interior do
neurônio, acumulando-se e causando degeneração.
-Sinais Clínicos:
-Excitação e isolamento, prurido intenso e queda da lã, diminuição do
peso, agressividade, incoordenação motora, ataxia progressiva e paralisia de membros,
decúbito, hipertonia, cegueira, convulsões e incapacidade de deglutição.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
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-Exames Complementares:
-Necropsia;
-Histopatologia: degeneração do SNC
-Microscopia Eletrônica: PrPSC alterado
-Imunohistoquímica: com amostrar de tecido linfóide e pálpebra
pela biópsia;
-Diagnóstico Diferencial:
-Dermatite bacteriana (tem-se secreção purulenta), dermatite parasitária
(sarna deve-se diferenciar pelo raspado e piolho pela inspeção), polioencefalomalácia e
deficiência de cobre.
-Tratamento:
-Não tem, doença fatal.
-Notificação obrigatória MAPA;
-Sacrifício do rebanho contaminado;
-Prognóstico:
-Desfavorável;
-Prevenção e Controle:
-Eliminação dos positivos, ascendentes e descendentes (ligado ao
genótipo);
-Destruição das carcaças;
-Genotipagem (verificar o risco);
-Zoonose: doença de Creutzfeldt–Jakob (em humanos).
06-Acetonemia Bovina
-Definição: desequilíbrio metabólico-energético que afeta vacas leiteiras de alta
produtividade, caracterizada por hipoglicemia, hipercetonemia e cetonúria.
*Eritrócitos, neurônios e glândula mamária são células/tecidos que necessitam
exclusivamente de glicose.
-Ocorrência:
-Vacas leiteiras de alta produtividade;
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-Alta demanda de glicose (lactose);
-Pico de lactação de 3 a 4 semanas e pico da ingestão de alimentos de 7 a
8 semanas;
-Balanço energético negativo;
-Etiologia:
06.1-Cetose Primária
-Dieta com alto teor de proteína bruta (> de 15%), pois há a necessidade de
energia para degradação de proteínas;
-Tipo de Silagem (conversão de ácido butírico para β-hidroxibutirato);
-Erros de manejo (falha na ingestão de alimento);
-Vacas gordas no final da gestação (score ideal entre 3 e 4);
-Restrição de exercício (Free-stall, Tie-stall e semi-extensivo);
06.2-Cetose Secundária
-Afecções que diminuem a ingestão de alimentos: deslocamento de abomaso,
indigestão simples, paresia puerperal hipocalcêmica e acidose láctica aguda.
-Patogenia:
As causas da Cetose primária e secundária ocorrem em função de um
balanço energético negativo necessitando de grande quantidade de glicose para o
metabolismo. Então há diminuição da via glicolítica e um aumento da via lipolítica.
Pela via lipolítica há um aumento na produção de corpos cetônicos (acetoacetato, β-
hidroxibutirato e acetona) causando uma hipercetonemia, cetonúria, presença de corpos
cetônicos no leite e na saliva. O hepatócito apresenta-se aumentado com gordura
acumulada, ocorrendo uma degeneração gordurosa.
No caso da forma nervosa (10% dos casos) pela hipoglicemia e pelo
aumento da concentração de corpos cetônicos e derivados (álcool isopropil) ocorre uma
lesão no SNC.
-Sinais Clínicos:
1-Forma Consuntiva (90% dos casos)
-Diminuição do apetite (prefere alimento volumoso – sinal clínico semelhante ao
deslocamento de abomaso), diminuição da produção leiteira, apatia, temperatura
corpórea, freqüência respiratória e cardíaca normais, hipotonia ruminal, constipação e
hálito de acetona (pode ou não estar presente).
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2-Forma Nervosa (10% dos casos)
-Sinais de encefalopatia, sialorréia, diminuição do apetite, alteração do
comportamento (head-pressing e andar em círculos), bruxismo, lambe objetos e
animais, temperatura corpórea, freqüência respiratória e cardíaca normais, leve ataxia,
episódios curtos e recidivantes de mioclonias, excitabilidade e tetania.
-Diagnóstico Diferencial:
1-Forma Consuntiva:
-Deslocamento de abomaso à esquerda e à direita e indigestão simples.
2-Forma Nervosa:
-Polioencefalomalácia, intoxicação por chumbo, listeriose, raiva e babesiose
cerebral.
-Diagnóstico:
-Anamnese e Histórica Clínica;
-Sinais Clínicos;
-Exames complementares:
-Glicemia: o normal é entre 40-50mg/dL (animal apresenta
hipoglicemia)
-Presença de corpos cetônicos (cetonúria) na fita de urinálise;
-Tratamento:
-Tratar inicialmente a causa primária;
-Glicose 50% 500ml IV BID ou QID;
-Glicerol, Propionato de Sódio e Propileno Glicol (precursores da
glicose): 125 – 250g VO BID;
*Pode-se usar glicerina também;
-Corticóide: dexametasona 10mg (dose única) IV ou SC
-Estimula a gliconegênese;
-Estimula a mobilização de aminoácidos;
-Prognóstico:
-Favorável mesmo sem tratamento, apenas trata-se para não perder o pico
da produção leiteira.
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-Prevenção e Controle:
-Manejo nutricional adequado;
-Evitar alterações na alimentação nesta fase;
-Evitar obesidade;
-Exercício;
-Drench (bomba calórica);
07-Laminite em Bovinos
-Definição: é umas das principais causas não infecciosas ou metabólicas da
lâmina do cório, de etiologia multifatorial, associada à distúrbios da microcirculação do
casco e que leva a alteração da função da derme/epiderme e mal formação da camada
córnea.
-Sinônimos: pododermatite asséptica difusa, degeneração laminar aguda ou
coriose.
-Conseqüências para o casco: hemorragia na sola, talão e linha branca,
alterações de cor dos apêndices córneos, lesões na linha branca, úlceras de sola e da
pinça, aparecimento de sola dupla, fissuras da muralha e erosões do talão.
*Más condições de higiene ajudam o aparecimento do Fusobacterium necrophorum.
-Resultado: claudicação e deformidade do casco.
-Etiologia:
-Multifatorial;
-Associado a ingestão excessiva de grãos, umidade do local, falta de
exercício, fatores genéticos, idade e toxemia;
-Em bovinos demora bastante tempo para desenvolver e em eqüinos é
rápido.
-Epidemiologia:
-Freqüente em bovinos;
-Associado a regime alimentar com alta quantidade de concentrados
(devido ao aumento do uso de sistemas intensivos) e baixa qualidade e quantidade de
fibras (a saliva é responsável pelo tamponamento rumenal e a salivação é estimulada
por alimentos fibrosos);
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-Lesões mais comuns em períodos próximos a parição e nos 2-3 meses
pós-parto (inicio de lactação). São mais prevalentes em primíparas por causa do
complexo elástico (maior quantidade de tecido fibro-elástico).
-Algumas linhagens parecem ser mais suscetíveis, devido as
características de conformação do casco herdadas pelo animal.
-Pisos ásperos e irregulares são fatores predisponentes.
-Patogenia:
-Não bem definida;
-Geralmente por excesso de carboidratos facilmente assimiláveis levando
a uma alta produção de ácidos graxos voláteis (ácido acético, propiônico e butírico)
fazendo com que haja redução do pH rumenal com conseqüente morte de bactérias
gram negativas, havendo liberação de suas endotoxinas juntamente com proliferação de
bactérias gram positivas (Streptococcus bovis e Lactobacillus) produtoras de ácido
láctico. As endotoxinas e o ácido láctico atingem a circulação sistêmica levando à uma
acidose metabólica com posterior liberação de histamina que causa vasodilatação
arterial e aumento da pressão sanguíneo no interior do casco. Então há dificuldade do
retorno venoso (por vaso constrição venosa), levando a um edema, hiperemia, dor e
necrose.
-Ou ainda por mudanças mecânicas no estojo córneo de vacas em
diferentes períodos pré e pós-parto (alterações bioquímicas de tecidos conectivos do
aparelho suspensório digital), por mudanças hormonais no parto (estrógeno age como
vasodilatador periférico e intensifica a mediação de catecolaminas, as quais causam
vasoconstrição vascular, intensificando a laminite) e hormônios lactentes (interferem na
queratinização do casco) e por deficiência de minerais como o enxofre (mineral
importante na formação de cisteína e metionina), o zinco (mineral importante na
integridade dos tecidos e do sistema imune), cobre (mineral responsável pela síntese de
colágeno e pela ligação de ponte de enxofre), molibdênio e selênio (minerais
importantes para manutenção da integridade dos cascos), cálcio e fósforo (auxiliam na
renovação do tecido ósseo), vitamina D e E (relacionados com osteomalácia e distrofias
musculares) e intoxicação por flúor.
-Sinais Clínicos:
-Claudicação (principal sinal clínico), distanciamento da coroa do casco,
hiperemia, sensibilidade dolorosa e tumefação (sinais observados as vezes antes da
claudicação),
1-Forma Aguda:
-Forma pouco comum, sendo mais observada em touros em confinamento (por
serem mais pesados – devido a relação tamanho do casco: tamanho do animal);
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-Dor e expressão de ansiedade;
-Tremores musculares e sudorese;
-Anorexia;
-Decúbitos prolongados e relutância em se mover
-Aumento da freqüência respiratória e cardíaca;
-Alterações hemodinâmicas e desequilíbrio ácido-base (acidose metabólica);
-Postura antiálgica;
-Em vacas leiteiras a enfermidade é geralmente subclínica;
2-Crônica:
-As enfermidades subclínicas geralmente tornam-se crônicas;
-Observa-se crescimento dos cascos em comprimento;
-Solas tornam-se quebradiças devido a sua perda de elasticidade e densidade;
-Unhas tortas (deformidade de úngula);
-Claudicação pode ser intermitente;
3-Lesões secundárias à laminite:
-Hemorragia e hematoma da sola, úlcera de sola, sola dupla, erosões dos talões,
doença da linha branca, fissuras e deformações do estojo córneo.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica (histórico de superalimentação, mudanças
nutricionais, proximidades do parto, vacas velhas ou com lactação longa, observar a
postura e o local onde os animais se encontram, tipo de piso)
-Sinais Clínicos (averiguar se há aumento de temperatura nas paredes do
casco, pulso digital, grau de claudicação e lesões secundárias)
*Para realizar o exame do casco, deve-se limpar e lavar o casco, observar o formato
(verificar se há achinelamento, presença de sulco ou rachaduras) e deve-se ter atenção
às paredes, a sola e outras estruturas anatômicas.
-Tratamento:
*Na forma aguda o tratamento é considerado de emergência.
-Promover a mudança na alimentação (não fornecer concentrado)
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-Transferir os animais para locais secos, com cama macia, piquete com
água abundante e com espaço para movimentação do animal.
-Cirúrgico (extirpação) com terapia de suporte*;
-Analgesia: Dipirona e Ácido Acetil Salicílico
-Antiinflamatórios: Flunixim-Meglumine IV SID, Fenilbutazona IV ou
VO BID;
-Antihistamínicos: Prometazina IM ou IV;
-Antibióticos: Florfenicol (quando necessário, em infecções secundárias)
-Terapia de Suporte*:
-Laxantes e purgantes (para animais que sabidamente ingeriram
grande quantidade de concentrado);
-Terapia com fluído com adição de 1% de NaHCO3 (para
tratamento da acidose);
-Inclusão de vitamina (biotina), aminoácido (metionina –
necessária para queratinização) e microelementos (cobre, zinco e selênio);
-Adição de monensina na ração (inibe a proliferação de bactérias
gram positivas) diminuindo a incidência de laminite.
-Limpeza do casco e casqueamento;
-Para processos purulentos, deve-se fazer a drenagem e limpeza do
exsudato e aplicação de antibiótico (florfenicol);
-Rotação de Falange: tenotomia (secção do tendão) do tendão flexor
profundo (mantém o animal em pé);
-Profilaxia e Controle:
-Medidas sanitárias;
-Preparação dos cascos antes da entrada de animais em ambientes novos;
-Desinfecção dos cascos por meio de passagem em pedilúvio com sulfato
de cobre 10% ou aldeído fórmico 3%.
-2 a 4 casqueamentos por ano;
-Colocação de estrados de madeira para animais em confinamento sem
cama;
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-Exercício dos animais durante o pré e pós-parto com mudança gradativa
da alimentação;
-Acesso à volumoso de boa qualidade;
-Oferecimento de sal (estimula a salivação que faz o tamponamento
rumenal);
-Adição de NaHCO3 e monensina em rações;
-Prognóstico: favorável havendo intervenção rápida
08-Paresia Puerperal Hipocalcêmica
-Definição: doença metabólica emergencial de vacas leiteiras de alta
produtividade que ocorre até 48 horas após o parto, caracterizada pela deficiência aguda
de cálcio, determinando progressiva disfunção neuromuscular com paralisia flácida e
depressão.
-Epidemiologia:
-Idade (5 a 10 anos – relacionado com os receptores de PTH)
-Raríssimo acontecer em vacas de primeira lactação;
-Geralmente ocorre entre a 3ª e 7ª lactação;
-Raças:
-Jersey e Holandês;
-Holstein e Pardo Suíço;
-Ayrshire e Bovinos de Corte (não tem paresia puerperal
hipocalcêmica, mas têm hipocalcemia por outros motivos);
-Indicência:
-3% no pré-parto;
-6% no parto: pode acarretar distocia
-75% até 24 horas após o parto: pode acarretar distocia com retenção de
placenta;
-12% entre 24 e 48 horas após o parto;
-4% além de 48 horas após o parto (até 8 dias);
-Fisiologia (homeostase do cálcio):
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-Reguladores de cálcio e fósforo:
-Hormônio da Paratireóide (PTH): ativado quando se tem
hipocalcemia. Quando se tem hipocalcemia há células na paratireóide que percebem
essa diminuição e produzem e liberam PTH o qual agirá:
-Nos ossos: ativando os osteoblastos que produzem uma
enzima colagenase a qual destrói a matriz cartilaginosa (osso não calcificado) para
depois haver a ação dos osteoclastos, o qual irá fazer a reabsorção óssea, aumentando a
concentração de cálcio na circulação sanguínea.
-Nos rins: fazendo a reabsorção de cálcio no rim, não
eliminando-o (diminuição de cálcio na urina) e também eliminação de fósforo, para
manter a relação Ca:P normal.
-Ativando a 1α-hidroxilase, enzima a qual ativará a
vitamina D em 1,25-dihidroxicalciferol que aumenta a absorção de cálcio no intestino.
-Calcitonina (células C da tireóide): ativada quando se tem
hipercalcemia.
-Vitamina D: relacionada à absorção intestinal e reabsorção de
cálcio nos ossos. A grande parte da Vitamina D do organismo é proveniente de uma
substância (7-dihidrocolesterol) ativada pelo sol a qual se transformará em Vitamina D3
(inativa), que receberá radicais do fígado e do rim (pelo PTH), transformando-se em
1,25-dihidroxicalciferol.
-Etiologia:
-Multifatorial;
-Colostro: para a formação do colostro, há uma demanda muita alta de
cálcio;
-Idade: animais com alta produção leiteira e diminuição dos receptores
de PTH, ou estes, encontram-se menos responsivos.
-Dieta: grande indutora de paresia puerperal hipocalcêmica.
1-Dietas com grande quantidade de cálcio (100g/dia) são problemáticas, pois a
absorção de cálcio é de forma ativa (necessitando de energia para funcionar – então esta
forma ativa torna-se inativa e também tem-se diminuição dos níveis de PTH e vitamina
D. Assim o organismo não consegue absorver o cálcio intestinal como deveria e quando
houver necessidade de cálcio, o organismo não vai disponibilizá-lo).
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2-Dietas com grande quantidade de fósforo (80g/dia) tem-se inibição da 1α-hidroxilase
(não havendo transformação da vitamina D inativa em ativa);
3-Dietas com baixa quantidade de magnésio faz com que as células fiquem menos
responsivas ao PTH
4-Equilíbrio de Ânions:
-Dieta mais alcalina: por excesso de sódio e potássio, há tendência à paresia
puerperal hipocalcêmica. Pelo pH alcalino tem-se uma pequena mudança na
conformação do receptor e também há diminuição da concentração do cálcio ionizável
(cálcio livre);
-Dieta mais ácida: por excesso de cloretos ou enxofre, tem-se diminuição da
incidência de paresia puerperal hipocalcêmica. Pelo pH baixo a conformação do
receptor se mantém.
-Estrógeno: no parto há o aumento na concentração de cortisol e
estrógeno (não se sabe ao certo o efeito sobre os receptores);
-Defeito nos receptores hormonais:
-Pela idade;
-Genético (transmissão de mãe para filha);
-Patogenia: 3 estágios
1-Estágio I: o cálcio é importante para manter o potencial de membrana da
célula. Com a diminuição do cálcio, tem-se diminuição do limiar e aumento da
condução dos impulsos nervosos e assim, há produção espontânea de impulsos
nervosos, acarretando tetania e hiperestesia (responde exacerbamente ao toque), tem-se
aumento da temperatura corpórea por causa das contrações musculares ‘febre do leite’.
Dura em torno de 1 a 2 horas.
2-Estágio II: há maior diminuição da concentração de cálcio e o cálcio é
responsável pela movimentação das vesículas de ACh para exocitose e isso faz com que
se tenha menor liberação de ACh nas fendas, acarretando um bloqueio dos impulsos
nervosos, com posterior diminuição das contrações (paralisia flácida);
3-Estágio III: o mecanismo de diminuição da concentração de ACh é maior e há
maior depleção dos níveis de cálcio que não desloca a actina/miosina (deslocamento da
cabeça da troponina) e há diminuição da contração muscular.
-Sinais Clínicos:
1-Estágio I: aparecimento súbito dos sinais com duração de até 2 horas. Tem-se
anorexia, tetania, hiperestesia, excitação, mugir, tremores musculares, aumento da
temperatura corpórea e taquicardia
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2-Estágio II: flacidez muscular, decúbito esternal, autoauscultação, depressão,
anorexia, diminuição dos sons cardíacos (hipofonese), taquicardia, diminuição da
temperatura corpórea, pulso fraco, distocia (no pré-parto e parto), retenção de placenta
(no parto), atonia rumenal (timpanismo gasoso) e midríase. Sinais duram entre 1 e 12
horas e estes sinais são semelhantes ao de botulismo.
3-Estágio III: decúbito lateral permanente, hipofonese, taquicardia
(>120bat/min), pulso indetectável, atonia gastrointestinal, timpanismo grave, perda da
consciência, coma e colapso circulatório. Morte em poucas horas.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
-Terapêutico (cálcio EV – administração de gluconato de cálcio);
-Exames Complementares:
-Cálcio Sérico:
-Estágio I: 5,5 – 7,5mg/dL
-Estágio II: 3,5 – 6,5mg/dL
-Estágio III: <2,0mg/dL
-Normal: 10mg/dL
*Complicações: síndrome da vaca caída;
-Diagnóstico Diferencial:
-Toxemia (mastite, metrite, peritonite e pneumonia);
-Paralisia Obstétrica Materna (geralmente ocorre em novilhas);
-Lesões Osteo-musculares (luxação coxofemoral e fraturas);
-Hipomagnesemia (tetania das pastagens – confunde-se com o estágio I);
-Síndrome da Vaca Caída;
-Tratamento:
-Cloreto ou Propionato de Cálcio: 25-100g VO (no estágio I);
-Gluconato ou Borogluconato de Cálcio: 100-200g ou administrar até
vaca levantar e deve ser administrado EV diluído em solução fisiológica ou ringer.
(deve-se monitorar a função cardíaca antes e depois da administração);
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-Fosfato Ácido de Sódio: 50g/L fisiológico VO (para hipofosfatemia);
-Enfermagem: levantar o animal;
-Ingestão no pós-parto de carbonato de cálcio ou fosfato bicálcio.
-Cuidado: com a síndrome da vaca caída e a cardiotoxicidade do cálcio;
-Animais podem apresentar recidivas, deve-se avaliar a cada 8/12 horas;
-Prognóstico:
-Favorável: casos não complicados;
-Desfavorável: casos complicados (CK > 2.000UI/L)
-Prevenção e Controle:
-Dieta: baixa ingestão de cálcio (<15g/dia) por 10 dias antes do parto;
-Dietas aniônicas:
-Sulfato e Cloreto;
-Avaliar pH urinário;
-Ingestão de Potássio: feno de alfafa há grande quantidade de
potássio e é um grande indutor de paresia puerperal.
-Administração de fosfato bicálcio VO ou IM pós-parto.
09-Síndrome da Vaca Caída
-Definição: complicação do decúbito, determinando necrose isquêmica dos
grandes músculos dos membros pélvicos e dos nervos isquiáticos.
-Etiologia:
-Causas Sistêmicas:
-Paresia Puerperal Hipocalcêmica;
-Mastite, Metrite, Peritoite e outras;
-Causas Não Sistêmica:
-Paralisia Obstétrica Materna;
-Fraturas;
-Luxações;
-Linfossarcoma;
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-Patogenia:
Animal em decúbito esternal e com os membros pélvicos embaixo do
corpo, após 4 horas tem-se isquemia e necrose muscular (medialmente) e lesão do nervo
ciático (lateralmente). Há também aumento de volume, edema, hemorragia dos
músculos mediais da coxa (semitendinoso e semimembranoso) e lesão nervosa
causando uma incapacidade de se levantar e manter-se em estacão.
Decúbito Primário: por doenças que causam decúbito;
-Decúbito Secundário: pela síndrome da vaca caída;
-Decúbito Terminal: vaca levanta-se e rompe-se a musculatura
(principalmente o gastrocnêmio);
-Prognóstico:
-Favorável: dependendo do período de decúbito;
-Desfavorável: com decúbito acima de 72 horas;
-Prevenção e Controle:
-Prevenção das doenças que causam decúbito.
10-Mastite
-Definição: é o processo inflamatório de origem infecciosa ou não, que atinge a
mucosa, tecido secretor ou intersticial da glândula mamária.
-Manifestações:
-Mastite Clínica: possui alterações visíveis no leite, alterações na
glândula mamária e envolvimento sistêmico;
-Mastite Subclínica: sem alterações visíveis no leite, baixa produção
leiteira, aumento da CCS, Cl-, Na+ e proteínas, diminuição de gorduras, lactose, caseína
e cálcio.
*Leite alcalino: leite mastítico
-Duração:
-Mastite aguda;
-Mastite crônica;
-Fatores Predisponentes:
-Fisiologia da Glândula Mamária:
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-Descida do leite (animais estressados, em ambientes agitados,
altera a liberação de ocitocina);
-Leite residual (somente deve permanecer um pouco);
-Velocidade de ordenha (deve-se ordenhar em 6 a 10 minutos);
-Condições Anatomo-Traumáticas:
-Morfologia do úbere e tetos
-Forma da porção glandular (alterações na sustentação – dilatações,
pendulares, etc.)
-Forma e cúpula dos tetos (de acordo com a espécie, volumosos,
dilatados e assimétricos – convergentes ou divergentes)
-Número de tetos (aumento no número – politelia/polimastia ou
diminuição – fusão/agenesia)
-Aumento do volume da mama (generalizado – edemas ou inflamatórios,
localizados ou circunscritos, abscessos, cistos, hematomas e neoplasias).
-Diminuição do volume da mama e tetos (fisiológica – novilhas e vacas
secas ou patológica – hipoplasia e atrofia).
-Lesões cutâneas da mama e tetos (lesões de pele).
-Edema de úbere (antes do parto é normal);
-Congestão mamária;
-Enfermidades Sistêmicas ou da Mama:
-Afecções (papilomas, tumores e abscessos);
-Infestações (carrapatos e estefalofilariose);
-Infecções (febre aftosa e cowpoxvirus);
-Patógenos:
-Bactérias, micoplasmas, vírus, fungos e algas;
-Etiologia:
-Mastite Contagiosa:
-Principais patógenos: Staphylococcus aureus e Staphylococcus
agalactiae;
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-Agentes secundários: Arcanobacterium pyogenes e Mycoplasma
spp;
-Mastite Ambiental:
-Coliformes: Escherichia coli, Klebsiella spp e Enterobacter
-Streptococcus spp: Streptococcus uberis e Streptococcus
dysgalactiae;
10.1-Mastite Contagiosa
-Epidemiologia:
-Baixa incidência de casos clínicos;
-Alta incidência de casos subclínicos;
-Geralmente de longa duração (crônicos);
-Alta da CCS;
-Os principais causadores são microorganismos que vivem no interior da
glândula mamária e na superfície da pele dos tetos;
-Transmissão se dá durante ordenha (pela mão do ordenhador, panos ou
esponjas de multiuso, teteiras e moscas);
-Injúria na pele dos tetos (por papilomas ou carrapatos);
-Deficiência nutricional (vitamina A, vitamina E, β-caroteno, selênio,
cobre e zinco – são antioxidantes e a suplementação melhora o sistema imune);
-Controle:
-Diminuição da exposição dos tetos aos patógenos pelo manejo adequado
da ordenha, utilizando toalhas descartáveis, fazendo o treinamento dos ordenhadores,
desinfecção das teteiras (método automático e método manual – do balde), desinfecção
da superfície dos tetos com pré-dipping (iodo 0,3% ou clorexidina 0,3%), pós-dipping
(iodo 1% e clorexidina 1%) e oferecer ração pós ordenha para evitar que os animais
deitem.
-Aumentar a resistência imunológica do animal com uma nutrição
adequada (proteínas, energia, vitamina E, vitamina A, β-caroteno, e minerais como
selênio, cobre e zinco), vacinação contra mastite (Mastaph e Mastiplus, contra
Staphylococcus aureus), uso de antibióticos em vaca secas para prevenir a ocorrência de
novas infecções, para tratamento dos casos clínicos durante a lactação e para o
tratamento de novilhas no pré-parto.
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10.2-Mastite Ambiental
-Epidemiologia:
-Patógenos no habitat (nas fezes, urina e cama);
-Alta incidência de casos clínicos;
-Curta duração (agudo) no pré e pós parto imediatos;
-Ocorrência no período entre ordenhas;
-Todos os animais estão em risco (lactentes, vacas secas e novilhas);
-Rebanho bem manejados com baixa CCS (até 250.00 células);
-Descarte do leite (impróprio para consumo), queda na produção, risco de
morte e perda do quarto acometido (fibrose);
-Controle:
-Diminuição da exposição dos tetos aos patógenos pelo controle e
conforto do ambiente, usando camas inorgânicas (evitando o crescimento de
microorganismos);
-Evitar o fenômeno do gradiente da pressão reversa, evitando que a
teteira caia durante a ordenha;
-Manejo da ordenha, deixando tetos sempre secos e limpos e realizando o
pré-dipping (tem efeito contra Streptococcus spp);
-Aumentar a resistência do animal, mantendo a integridade do esfíncter
do teto, dieta balanceada e com vacinação (J5 mutante – Escherichia coli e Re17
mutante – Salmonella typhimurium);
-Antibióticos para o tratamento de vacas secas (efetivo para
Streptococcus spp) e para o tratamento dos casos clínicos durante a lactação;
-Tratamento em Vacas Secas:
-Alta taxa de cura;
-Necessita de altas doses de antibióticos;
-Antibióticos com alto tempo de retenção no úbere;
-Deve-se fazer cultura e antibiograma;
-Procedimento:
-Lavagem dos tetos;
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-Pré-dipping e secagem;
-Desprezar os primeiros jatos;
-Anti sepsia local com álcool 70%;
-Administração de antibióticos intramamários (pela introdução de
cânula curta);
-Tratamento em Vacas em Lactação:
-Identificar e tratar nos casos clínicos. Nos casos subclínicos não é
recomendado tratar, apenas terapia blitz (tratamento contra Streptococcus agalactiae
pode ser efetuado durante a lactação).
-Deve-se analisar a relação custo/benefício (vacas que sempre
apresentam mastite);
-O tratamento depende da duração da infecção;
-Descarte nos casos crônicos:
-3 casos clínicos na mesma lactação;
-5 casos clínicos na vida;
-5 meses com CCS acima de 500.000 cél/ml;
Formas Clínicas da Mastite:
-Mastite Catarral:
-Staphylococcus spp e Streptococcus spp;
-Mastite Flegmosa ou Gangrenosa:
-Staphylococcus β-hemolíticos principalmente;
-Mastite Apostematosa:
-Arcanobacterium pyogenes principalmente;
-Sinais Clínicos:
-Mastite Catarral:
-Aguda: inflamação da mucosa da glândula mamária, diminuição
da produção leiteira, sinais clínicos de inflamação e alteração característica do leite.
-Crônica: fibrose;
-Mastite Flegmosa:
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-Processo mais grave, atinge todos os tecidos das glândulas e tem-
se comprometimento sistêmico, ocorre pós-parto e observa-se uma linha de necrose no
úbere.
-Mastite Apostematosa:
-Inflamação profunda com formação de abscessos, atinge
novilhas e vacas secas recém paridas, tem-se sinais clínicos sistêmicos e metástase de
abscessos (para o fígado e articulações), deformidade da glândula e fibrose com perda
das características do leite.
-Tratamento:
-Mastite Catarral:
-Aguda:
-Esgotamento do animal;
-Antibióticos intramamários:
-Benzilpenicilina, neomicina BID se a produção
for maior que 15kg/dia e o tratamento deve durar entre 3 e 5 dias;
-Para casos rebeldes deve-se utilizar: cloxacilina,
lincomicina, sulfonamidas ou cefalosporinas;
-Cloridrato de bromexina (na glândula);
-Flunixim-Meglumine;
-Ocitocina: 10UI para auxiliar o esgotamento da glândula;
-Levamisol: imuno-estimulante (utilizar a metade da dose
de vermífugo);
-Mastite Flegmosa:
-Antibióticos sistêmico e intramamário por 5 dias:
-Gentamicina BID ou QID: IM ou IV;
-Canamicina TID: IM ou IV;
-Glicose 10% IV (enfermagem);
-Gluconato de cálcio;
-Flunixim-Meglumine;
-Sulfatrimetoprim;
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-Mastite Apostematosa:
-Antibióticos sistêmico e intramamário por 7 dias:
-Penicilina IM ou IV;
-Secagem do teto com iodo 2% BID ou nitrato de prata
(causam a destruição do teto) – aplicação intramamária;
-Amputação do teto;
11-Ceratite Infecciosa Bovina
-Etiologia:
Principal: Moraxella bovis
-Patogenicidade é determinada pela quantidade de fimbrias e pelo tipo
(tipo I e Q conferem maior aderência e assim são as mais patogênicas);
*Fímbria do tipo Q adere a bactéria à córnea, impedindo a remoção pelas secreções
oculares (lágrima – filme lacrimal) e pela ação mecânica da pálpebra. Este tipo Q
também possui a β-hemolisina a qual produz lesão corneal.
Secundários: Ricketsia, Chlamydia spp, Mycoplasma spp (Mycoplasma
buvoculi aumenta a colonização de Moraxella bovis);
-Epidemiologia:
-Fatores predisponentes: radiação solar, moscas, poeira, dispigmentação
ao redor dos olhos (geralmente em Hareford), hipovitaminose A, aerossóis, contato
direto com contaminados, maior ocorrência entre o verão e outono pela maior
quantidade de moscas (Musca autumnalis e Musca domestica) e também pelo aumento
da incidência de raios UV, e no inverno pelo confinamento (geralmente de bezerros);
-Animais podem ser portadores por mais de um ano;
-Bactéria é carreada na conjuntiva, narinas e vagina;
-Prévia exposição confere imunidade significativa (geralmente 1 ano),
por anticorpos na lágrima;
-Vacinas polivalentes conferem proteção e são menos imunogênicas que
as monovalentes;
-Vacinas monovalentes são ineficazes, pois o agente pode modificar sua
antigenicidade e não há reação cruzada entre os grupos de Moraxella bovis.
-Patogenia:
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Tem-se a adesão da Moraxella bovis mediada pelas fímbrias ao epitélio
corneal. Após 12 horas do início da infecção há ulceração corneal por ação citotóxica de
enzimas, havendo degeneração dos queratinócitos e invasão do estroma corneal. Então
há a instalação de um processo inflamatório que resulta no aumento das úlceras,
causando edema corneal e neovascularização.
-Sinais Clínicos:
-Diminuição da produção, diminuição da condição corporal pelo
incomodo das moscas, anorexia, congestão dos vasos corneais, edema de conjuntiva,
lacrimejamento abundante, blefarospasmo, fotofobia, febre (leve a moderada),
opacidade de córnea, córnea ulcerada (que pode progredir para lesão pontiaguda –
ceratocone), supuração da córnea e cegueira temporária ou permanente dependendo do
caso.
-Diagnóstico:
-Anamnese e História Clínica;
-Sinais Clínicos;
-Exames Complementares:
-Teste da Flurosceína (para verificar a úlcera);
-Microbiológico: cultura e antibiograma;
-Diagnóstico Diferencial:
-Conjuntivite traumática (tem-se ponto de proliferação ou corpo estranho
no local), Pasteurella multocida, Mycoplasma bovis e IBR.
-Tratamento:
-Doença auto-limitante;
-Pomadas e soluções oftálmicas com antibióticos;
-Terapia subconjuntival com corticóide (apenas utilizar corticóides se
não houver ulceração, pois retarda o processo de cicatrização) e antibióticos;
-Terapia parenteral com antibióticos:
-Sulfadimidina: dose única;
-Oxitetraciclina de longa ação: duas doses com intervalo de 72
horas;
-Oxitetraciclina oral: por 10 dias;
-Manter o animal em local escuro;
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-Anestésicos locais oftálmicos e atropina;
-Em casos graves: flap de 3ª pálpebra;
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Referências Bibliográficas
D.C. BLOOD, O.M. RADOSTITS. Clínica Veterinária. 7 ed. Rio de Janeiro: Editora
Guanabara Koogan, 1991.
FEITOSA F.L.F. Semiologia Veterinária: A arte do diagnóstico. 2 ed. São Paulo:
Roca, 2008.
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