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História da Idade Média- Sardinha

Conteúdo
I. Panorama geral ...................................................................................................... 2
I. Povos Germânicos ................................................................................................. 3
II. Visigodos ............................................................................................................... 4
III. Merovíngios e o pré-Carolíngio ............................................................................. 7
IV. O Mundo Carolíngio .............................................................................................. 8
V. Renascimento Carolíngio ..................................................................................... 10
VI. Economia Rural Carolíngia .................................................................................. 11
VII. Os inícios do freudismo ....................................................................................... 12
VIII.O ano mil e as suas mudanças.............................................................................. 13
IX. Revolução agrícola dos séc. XI-XIII .................................................................... 14
X. Mundo Urbano na Europa no séc. XI a XIII ......................................................... 15
XI. O papado medieval: História da construção de um poder...................................... 17
I. Panorama geral

No estudo da Idade Média, há algo que temos de ter sempre em consideração, isto é,
a continuidade e rutura de certas culturas durante esta época, nomeadamente, o Império
Romano, a Cristandade, o Mundo Islâmico e a Germanidade. Tomando como exemplo o
Império Romano, há que ter a noção de que o mesmo, efetivamente, não acabou em 476,
maioritariamente porque ele realmente continua no Oriente, como o Império Bizantino,
mas também porque muito dos seus vetores culturais vão persistir ao longo desta Idade,
chegando mesmo a ultrapassá-la. A matriz romana é a que vai em grande parte moldar
esta época, e até mesmo o Islão nas suas fases iniciais, dado que o mesmo era
profundamente romanizado, tendo em conta que Damasco, era uma cidade
profundamente romanizada.

Relativamente ao mundo islâmico, o mesmo começa por volta do séc. VI/VII,


expandindo-se para o mundo Ocidental por volta dessa mesma época, com uma política
expansionista muito semelhante aquela da romana. No processo de conquista das cidades,
os mesmos não tentavam inúmeras vezes até conseguirem a conquista, desistindo após
uma tentativa falhada, poupando homens e moeda. Caso conquistassem a cidade, a língua
e a religião não eram impostas, mas apenas oferecidas como uma opção, permitindo o
culto de qualquer outra religião, desde que fosse pago um imposto. O líder seria o califa,
uma figura que teria tanto o poder político como o religioso da religião, sendo considerado
o sucessor de Maomé. Foi também durante esta época, antes do surgimento do islão mais
extremista, que se fundou a casa do conhecimento em Bagdad, pelos abássidas.

A descrição dos reis e dos califas desta época é brutalmente detalhada, havendo
descrições físicas, dos seus hábitos e das suas qualidades intelectuais. Também sabemos
que se rodeariam de sábios e intelectuais, nas suas cortes, de maneira a aconselhá-los em
temáticas como a da guerra e a administração do território.

O “imperium” seria um título concedido aos generais, quase como uma blessing,
dando-lhes o poder sobre a vida e a morte em campanha, sendo daí que provêm a
expressão império. Este império romano, antes da sua queda, terá chegado a uma fase de
tal extensão territorial que se tornou ingovernável, caindo então numa intensa guerra-
civil, em que em 50 anos, houveram 50 imperadores, grosso-modo. De maneira a aliviar
a pressão desta época, instaurou-se a tetrarquia, que de certa maneira foi assistida pelo
crescente Cristianismo. Os primeiros Cristãos seriam essencialmente outcasts por
vontade própria, no sentido em que não se misturavam com o resto do povo, não iam à
guerra, não cultuavam o rei, não iam aos jogos, sendo esses os fatores que eventualmente
levaram à sua perseguição. Com a queda de Roma e o posterior reconhecimento da cidade
como a sede do Cristianismo e a afirmação do poder do papa dentro da religião cristã,
vemos o mesmo a concentrar vários poderes na sua figura, assemelhando-se ao do
imperador, tendo o próprio título de pontiféx maximus, de certa maneira confirmado por
um documento forjado, chamado da “Declaração de Constantino”, em que o Imperador
concede ao papa todos os seus poderes e património, após a queda de Roma.

I. Povos Germânicos

Apesar de não termos completa e absoluta certeza da sua origem, assumimos que são
povos provenientes da Escandinávia, que em 750 a.C., começam a descer para o Sul da
Europa, em grande parte por causa da pressão neles aplicadas por outro povo, os Hunos,
vindos da Ásia. Com o descer desses povos, vemos a formação de diferentes culturas,
nomeadamente: os “godos”, os Ostrogodos, do Este, e os Visigodos, do Oeste; os Suevos;
os Alanos; os Francos; e os Vândalos. Com esta pressão e o seu constante push para o
Sul, os germânicos pedem entrada no Império, algo que não vai ser concedido pelo
Imperador, levando a vários conflitos, militares e povoais, através do estabelecimento de
arraiais. Como tal, o Império eventualmente cede, e concede-lhes os “foedus”, locais onde
o estabelecimento destes povos seria permitido, na Dácia, durante a época de Diocleciano,
estabelecendo contratos de federação com o Império, de maneira a serem reconhecidos
como reino “ilha” dentro do Império. Estas promessas não foram cumpridas na sua
totalidade, algo que levou a mais ataques a Roma, em 410. Com a queda do Império
Romano, e a consequente ascensão destes reinos, vemos os Ostrogodos com sede em
Ravena, os Francos em Syagrius, os Suevos no Norte da Hispânia, na atual zona de Braga,
os Alanos e Vândalos no Sul, e o Reino Visigótico, que se estende desde a Aquitânia até
Toledo, com a sua capital em Toulouse. Com o tempo, e em 585, os visigodos destroem
o reino Suevo, conquistando todo o Norte da Península.

Com a sua transformação num reino sediado, terão de deixar a sua estrutura de
governo anterior, isto é, a cultura seminómade composta por uma assembleia de
guerreiros entre os quais estaria um primus interpares, o melhor dos seus, o rei, e também
a sua economia de saque para algo mais relacionado com agricultura e comércio. Não só
isso, mas estes povos viviam essencialmente da guerra, e com todos estes fatores,
observamos algo de interessante, que é o facto de estes povos, organizarem-se de seguida,
exatamente como a Roma monárquica se organizaria, ou seja, com um líder, neste caso,
o rei, que nomeia um grupo de delegados pelo poder (juízes, colecionadores, etc.),
assistido por um senado (corte), composto por aristocratas. Par além disso, após a divisão
do império em dioceses, causou com que o bispo dessa diocese funcionasse como uma
espécie de poder absoluto regional, algo que certamente afetaria mais diretamente esses
novos reinos do que sua relação com o próprio imperador.

Estes povos guerreiros deixam de viver do saque em grande parte porque agora têm
terras, que lhes dão lucro, vão integrar as suas elites locais no seu sistema político, e o rei
continua a ser eleito de entre um grupo. Contudo, esta chegada, com base nos autores
romanos, é uma questão algo divergente, havendo autores que os louvam por trazerem
uma mudança de ares e outros que os excluem porque são um sinal do fim dos tempos.

Isto é visível, por exemplo, no autor Hidácio, o Bispo de Chaves, que é pró-romano
e anti-bárbaro, escrevendo-nos sobre isso na sua obra, regida pela Era Hispânica, a era de
César, sendo possível assumir-se que este homem é de origem hispânica, relatando com
algum horror a entrada dos bárbaros na Península Ibérica em 411. Para além disso, seria
um homem relativamente culto, pois sabe quem são os imperadores atuais da tetrarquia,
algo que certamente não seria do conhecimento geral.

II. Visigodos

Como vimos, o reino visigodo instaura-se perto de 411, indo desde a Aquitânia até
Toledo, com a sua capital em Tolosa. Em 413 é eleito o rei Vália, o primeiro da dinastia
de Tolosa, passando por Teodorico I (418 – 451), Teodorico II (453 – 466) e finalmente,
morto em batalha contra os francos no início da sua política expansionista agressiva,
Alarico II que, com isto, os visigodos se vêm forçados a abdicar de Toulouse, e descer
para a Península Ibérica, sediando-se em Toledo. É no processo disto, em 455, que
Teodorico II cessa o pacto com Roma e decide atacar o reino Suevo, onde o seu rei
Requiário é morto, apesar de continuarem a haver conflitos entre estes dois reinos até aos
finais do séc. seguinte. Fast-forward para 555, com Atanagildo (555-568), que agora num
reino visigodo muito mais estável, decide aplicar várias reformas no reino, concedendo
mais poder aos Bispos das dioceses, reformulando as mesmas para novas extensões. Após
a sua morte, divide o reino em dois para os seus dois filhos, Leova e Leovigildo, que após
a morte de Leova, Leovigildo (569 – 586) torna-se o rei do todo o reino, um dos míticos
reis visigodos. Vai acabar com os suevos de vez, diminuir o poder dos bizantinos na P.I.
unificando o poder militar da península contra povos estrangeiros, debelando também os
bascos. Contundo, enfrenta alguns problemas:

• População hispano romana católica (o mesmo era germânico e ariano)


• Elites germânicas arianas, que não gostam de reis muito poderosos
• População indígena com focos de rebelião, apesar de haver uma estabilidade
geral, existem estes pequenos pontos de dissidência

É apenas durante o reinado do seu filho, Recaredo, que o reino visigodo se catoliciza
na sua totalidade, chegando mesmo ao ponto de dizer que seu pai estava enganado, quase
como se difamando-o. Mas antes disso, Leovigildo, alia-se à igreja romana, uma aliança
extremamente poderosa, que dá início aos primeiros concílios eclesiásticos, que seriam
convocados pelo rei, onde as primeiras leis visigóticas foram formadas, e legitimadas,
pela presença dos bispos das dioceses da Hispânia. É com ele que se desenvolve um
estado centralizado, com vários planos:

• Plano Político:
o Passa a usar os títulos Rex Omnis Hispania (rei de todas as hispânias)
o Usa símbolos como o diadema, duplo-manto púrpura e a coroa cerimonial
o Vai cunhar moeda
o Ideais teocráticos do Império Tardo-Romano
o Elite Católica vinculada a esta tradição
o Conflito entre o Arianismo e o Catolicismo (ele não os resolve, os filhos
sim)
▪ Predomínio da nobreza germânica, levando a uma fragmentação
do poder e uma estrutura proto-feudal
o Monarquia centralizada à romana
▪ Associação ao trono do herdeiro
▪ Coroa e púrpura
▪ Unção régia
▪ Cerimonial de entronização complexo
• Plano Jurídico
o Reforma jurídica, com 324 leis, usada até à época medieval plena, o
Codex Revisus, onde revê e compila várias leis anteriores, tanto válido
para os godos como para os não godos
o Potencia o “Efeito concílio”
• Plano administrativo – organização administrativa
o Mantém as Províncias (dioceses)
▪ Rector provincie (Civil) + Dux (Militar) = Duques e Condes, com
poder militar, fiscal e jurisdicional
o Decadência das civitas, em prol dos territorium, onde reside o núcleo
urbano, submetido ao duque, que teria funções administrativas

Com isto, o rei também estabelece as posições na sua cúria régia como algo de
prestigioso, criando posições para um duque do exército, da tesouraria e da administração.

Contudo, o reinado de Leovigildo acaba, graças as pressões religiosas e em grande


parte por causa do seu filho, Hermenegildo, que cria uma grande rebelião contra ao pai
por este ser ariano, e o filho porque se casou recentemente com uma católica e converteu-
se. O pai manda assassinar o seu filho, algo que não lhe cai bem, tendo em conta que
ambos os seus filhos eram católicos, e ele era ariano. Quando morre, Recaredo ascende
ao trono, convocando o III Concílio de Toledo em 580, onde estabelece o catolicismo
como a corrente do reino visigótico, unificando-o ainda mais o que o seu pai. Contudo,
este novo reinado também tem os seus próprios problemas:

• Rei vs Nobreza germânica e aristocracia hispano-romana


• Tensões internas derivadas da centralização e retrocesso do poder régio
• Incompatível com:
o Dinastização do poder real
o Patrimonialização dos ofícios e funções políticas e administrativas
o Autonomia política da nobreza
o Crescimento do poder da nobreza
o Imensas conjuras, rebeliões e deposições levam a instabilidades
endémicas
Isto tudo, leva à fragmentação e nuclearização dos territórios, que por sua vez leva-nos a
uma dinâmica social com base nas tensões entre a monarquia, o clero e a nobreza:

• Latifundia acrescentados
• Exércitos privados
• Rebeliões

Os concílios eclesiásticos passam a ser a base da legitimação do rei e do seu poder,


com base legal e num consenso entre esses três poderes referidos anteriormente,
discutindo-se no IV Concílio de Toledo as regras para a eleição do rei, e no VIII Concílio
de Toledo que os nobres têm de estar sempre presentes nos concílios. Apesar do aparente
poder reduzido do rei, é o mesmo quem convoca estes concílios.

III. Merovíngios e o pré-Carolíngio

Os merovíngios são a base dos francos, tendo o seu legado, governo, e uma profunda
ligação entre a sua fundação como uma cultura e a merovíngia.

Os merovíngios são um conjunto de tribos que em 406 possuem o Reno, divididos em


duas culturas, os sálios, que avançam e conquistam mais (futuros francos) e os ripuários,
que se assentam próximos de Roma.

Na base da sua dinastia, temos um rei mítico, o Meroveu, pai de Childerico e avô de
Clóvis, o “primeiro rei francês”, que se converte do paganismo diretamente para o
catolicismo. É com base nisto que se cria uma família, que governa todo o reino
Merovíngio, durante 3 séculos, apesar de um constante clima de conflito dentro da
mesma. Brunilda e Fredegunda, ambas rainhas Merovíngias, planeiam o assassinato dos
maridos de uma da outra, Fredegunda do de Brunilda, e Brunilda de Childerico, marido
de Fredegunda. É o filho de Fredegunda e Childerico, Clotário II que termina o conflito
dinástico em 613. A seguir a Clotário II, temos Dagoberto, que teve um reinado curto,
mas estável, dividindo o reino em 2. É nesta época em que os prefeitos do palácio ganham
cada vez mais poder e a figura do rei torna-se cada vez mais num fantoche, algo que foi
certamente influenciado pela repartição do reino.

Com isto, temos Pepino III, pai de Carlos Magno, filho de Carlos Martel, um dos
prefeitos do palácio que eventualmente se torna rei, passando o seu poder após a sua morte
a seu filho, o tal de Pepino
Voltando atrás, e à importância de Clóvis, nas fases primordiais do reino franco.
Apesar de ter fortes conflitos com a sua nobreza, tem um longo reinado de 30 anos,
morrendo aos 45, conseguindo uma aliança entre o reino e os bispos da Gália, antes da
sua morte. Foi um rei que soube separar bem administração do reino, controlando a
nobreza através da redistribuição do saque e terras por todas após uma conquista e
racionalizando da administração do reino e da corte, transformando esses nobres em
condes e magnatas, que controlam e exploram o território, mediando disputas.

É também durante esta época em que temos uma corte itinerante, o rei vai de palácio
em palácio, estabelecendo contacto com esses prefeitos, de maneira a manter a ordem,
algo que mais tarde, Carlos Magno também vai fazer, mas no seu próprio palácio. São
organizadas também cortes anuais, onde todos os nobres têm de estar.

Forma-se assim, de certa maneira, o reino franco, que em grande parte, vai aproveitar
as elites romanas locais, tornando-se assim um reino já profundamente romanizado.

A riqueza do rei teria como base um imposto de propriedade, um imposto de


circulação (portagens e afins) e, claro, o saque

Relativamente ao palácio real, era onde podíamos encontrar a guarda pessoal do


residente do palácio e os oficiais que juram fidelidade, nomeadamente o semechal, que
dirige o palácio, o marechal, que dirige a guerra e os cavalos, o mordomo e o defendário.

IV. O Mundo Carolíngio

O povo dito carolíngio, é essencialmente composto pelas culturas bárbaras chamadas


de francas, que eventualmente se estabelecem na zona da atual França e Alemanha. É
com mundo que vemos o nascer do Sacro Império Romano-Germânico, com o seu
primeiro e lendário imperador, Carlos Magno.

A dinastia carolíngia começa com Carlos Martel, que após a sua morte do seu neto
Carlos Magno em 814, somos deixados num mundo muito diferente daquele anterior à
sua época. Ao chegar ao poder, Carlos Magno, neto de Martel e filho de Pepino o Breve,
depara-se com um poderoso califado em Bagdad, o Emirato de Córdoba no Al-Andaluz,
um reino das Astúrias, e agora no seu poder, um poderoso e extenso reino unificado, que
terá de manter durante a sua vida. Carlos Magno apresenta-se, em várias representações,
com elementos eclesiásticos, para além de reais, nomeadamente uma aurela por cima da
coroa, uma espada e um orbe, reunindo em si o poder religioso (não total, mas seria um
rei santo), o militar, e da administração (o orbe simboliza o mundo e universo).

Daquilo que sabemos de Carlos Magno, grande parte provem de um dos homens da
sua corte, Eginhardo, que o acompanhou durante o seu dia-a-dia de maneira muito
próxima, tendo em conta a sua detalhada biografia do rei. Para além disso, tem várias
escrituras referentes a legislações do império.

Carlos Magno terá nascido em 742/748, e sobe ao poder em 768, dividindo o reino
com o seu irmão Carlomano, que morre não muito depois, herdando assim a metade de
seu irmão. Nesta altura, é rei dos francos, mas quando decide proteger o papa e Roma dos
Lombardos em 774, é declarado como rei dos Lombardos e dos Francos. Contudo, Carlos
Magno procura afirmar-se como um rei legislador e político, e é por isso que em 779
emite o Capitular de Herstal, procurando afirmar a sua posição como rei, biologicamente
e pela igreja. Vindo de uma matriz essencialmente guerreira até então, seria-lhe difícil
impor esta nova reforma política e administrativa. Como tal, vai espalhar homens da sua
confiança pelo território, tornando-os duques regionais, de maneira a impor essas novas
legislações nesses territórios. Em 780 cria o padrão da libra como base para qualquer
outra moeda, isto é, com base na libra, estimar-se-ia o valor de qualquer outra moeda feita
de outro metal. Em 791 trava e termina o conflito com os avaros, e em 800, enquanto
passava por Roma, dia 25 de dezembro, o papa decide coroá-lo como o novo imperador
do império romano, algo que Carlos Magno não apreciou muito, dado que não sentia a
necessidade de receber uma coroa dada “porque sim”, e porque esta aclamação poderia
chocar fortemente com o facto do Império Bizantino ainda existir, algo que acabou por
acontecer. Em grande parte, a intenção do papa seria centralizar mais uma vez o poder
político em Roma, com um grande Império por de trás de si, e também afirmar Roma
como a sede da Cristandade. Desta época para a frente, a vida de Carlos é
maioritariamente composta por relações diplomáticas com o califado e os seus vizinhos
mais próximos e pela sua preocupação, em 806, pelo seu legado, preparando o império
para os seus 3 filhos, após a sua morte. Carlos Magno morre a 814, com 71 anos, pico
antes da morte de dois dos seus filhos, deixando todo o seu império ao seu filho Luís O
Piedoso, que como o seu pai, vai procurar afirmar-se como um grande diplomata, um
grande guerreiro e em geral um grande imperador (não tem assim tanto sucesso).

Um dos fatores para o sucesso da administração de Carlos Magno foi a sua estratégia
de administração do território, pois vemos algo extremamente importância. O imperador,
como vimos, espalhou homens da sua confiança pelo território com o título de duques, de
maneira a ter administradores territoriais em que sabe que pode confiar. Contudo, ele tem
noção de que rebeliões são uma realidade. Por isso, faz com que os governadores dessas
terras viessem, 3 vezes por ano, ao seu palácio, de maneira a prestarem contas e para
discutirem questões administrativas. De maneira a não sair de dentro da zona que está
efetivamente sobre o seu domínio, vai construir palácios apenas dentro do território
efetivamente franco, fazendo com que esses duques saiam das zonas em que têm mais
poder para entrarem na zona em que ele tem mais poder. Temos aqui um exemplo da sua
administração, relativamente a outros cargos:

V. Renascimento Carolíngio

Apesar de ser uma temática ainda debatida, há que afirmar que o império carolíngio
criou um grande shift na vivência da época, agora se pode ser chamado de um total
renascimento, a questão é ambígua (mas é, por amor de deus eles comiam lama e
passaram a ter um sistema político bem hierarquizado com arte e educação bem
institucionalizado) (kinda)

Toda esta reforma surge de uma grande lógica por de trás do pensamento de Carlos
Magno e da sua vontade de se afirmar um grande líder, pois porque só nesse momento é
que realmente poderia concentrar todo o poder numa só figura sem haverem conflitos
entre as várias elites do império. Como tal, procurar reformular a religião, estabelecendo
clausulas, mandando copiar texto clássicos e dos padres das igrejas, monta uma
biblioteca, cria uma base de educação com o trivium e o quadrivium e estabelece a letra
carolina como a escrita do império. Isto seria extremamente poderoso, pois em grande
parte garantia a assistência da igreja em várias questões, agradando-a de várias maneiras,
reformulando também a liturgia. Para além disso, faz uma extensa reforma na arte e
arquitetura, onde vai buscar elementos de várias culturas, desde a bizantina e romana
ocidental, até à islâmica e germânica. Isto é visível em várias joias e cruzes de procissão
que têm a sua origem nesta época, como a cruz Domm Essen (falar das joias encrustadas,
tipicamente germânico, e o que de resto parece romano). Ligado em certa parte à liturgia
e arte, promove a atividade dos scriptoria, que durante esta época, e em estilo divergentes,
produzem várias peças relacionadas com episódios deste mundo, visíveis em sítios como
capelas e diferentes cópias da bíblia. Finalmente, e como era também um grande
apreciador da mesma, reformula a música, formando assim a “música carolíngia”, com
caraterísticas muito próprias, como foi possível analisar em aula através das recriações
contemporâneas.

VI. Economia Rural Carolíngia

Entremos, então, naquilo que é o mundo rural carolíngio, relativamente àquilo que
podemos chamar da continuação das villae e do trabalho do camponês sobre um senhor.

Grande parte das fontes atuais para estes casos em específico provêm de legislações
entre grandes senhores donos das terras e de inventários de propriedade (políptico). A vila
carolíngia é praticamente um herdeiro direto daquilo que é o latifúndio romano,
partilhando grande parte das suas caraterísticas

Relativamente à vila, e às estruturas encontradas na mesma, temos:

• Reserva – teria uma estrutura reservada ao senhor (castelo ou casa); uma parte que
manda cultivar diretamente pelos servos, casa dos servos, meios de produção,
armazéns, e de vez em quando, uma igreja
• Manso – parcelas de território que o senhor vai arrendar a colonos para a
agricultura, os colonos usam a terra e paga x da produção dessa terra ao senhor.
Apesar de serem homens livres, submetem-se voluntariamente aos senhores
• Baldios/Florestas – é de lá que vem a caça e a madeira para construção, que é um
bem essencial para estas vilas
• Para além da parte agrícola, assume-se que haveria uma boa quantidade de
artesanato praticado no local, como produção de cerâmica e tecelagem

(Relembrar a cena da época em que se faz o quê relativamente à agricultura)

VII. Os inícios do freudismo

É durante esta época em que verificamos uma espécie de proto-feudalismo no reino


visigótico e no franco, dado que a prática de oferecer feudos (um bem dado) a um nobre,
assegurando uma espécie de aliança entre os dois, já seria comum. Contudo, seriam
ligações interpessoais entre estes homens, e não apenas com base num acordo entres os
dois, algo diferente daquilo que vemos em época plena medieval. A cerimónia de
vassalagem seria algo essencial para esta ligação, sendo selada com um beijo, entre o
homem que concede o feudo e o vassalo que assiste as necessidades do seu senhor, a
obrigação de auxilium e consilium. A cadeia de vassalagem não parava na régia, pois
teríamos vassalos de vassalos, and so on. O senhor, ao conceder um feudo ao seu vassalo,
concedia-lhe também o direito de Ban dessa terra, isto é, o controlo do quem está na terra,
o que se faz na terra, quem pode estar na terra, etc. Em teoria, este sistema de vassalagem
deveria funcionar, dado que em certa parte, todos seriam vassalos do rei, direta ou
indiretamente, mas isto não está de nenhuma maneira próximo da realidade, pois haveria
pactos laterais nesta cadeia de vassalos, dificultando o seguimento reto de aliança,
tornando-se mais numa teia de ligações vassalicas, com inúmeros interesses cruzados.

Esta mentalidade é extremamente caraterística da época, e como tal, temos dois


modelos, produzidos por dois eclesiásticos, Adalberão de Laon e Gerardo de Cambr, que
embora diferentes, são extremamente elucidativos em relação a essa mesma mentalidade.

• Adalberão propões um círculo entre as classes sociais, com a classe guerreira no


centro, que protege a classe dos que trabalham e os bispos e clérigos. Os que
trabalham alimentam as outras duas, e os bispos e clérigos alimentam
espiritualmente os outros.
• Gerardo propõe algo mais equitativo, isto é, sem uma classe claramente acima das
outras (no caso de Adalberão é a dos bispos e clérigos), e mostra-nos algo mais
tripartido, embora extremamente semelhante, com a classe guerreira que protege,
a classe dos oratores que alimentam espiritualmente e a classe trabalhadora que
alimenta “biologicamente”, podemos dizer. Uma particularidade deste modelo é
a ideia de que o rei necessita de ser consagrado para integrar o esquema.

Vemos também vários progressos na direção de regulamentar estas classes sociais,


com o Édito de Pistes, em 864, em que Carlos o Calvo decide abordar a questão de quem
pode cunhar moeda e onde podem, e também a punição de banqueiros e monetários que
cometam fraude. Relativamente à relação entre o camponês e o senhor, temos dois
capitulares que nos falam dos direitos e deveres de um senhor para com a sua terra e
habitantes, e que um homem livre deve procurar um senhor de maneira a estabelecer
vassalagem ou ao menos trabalhar sob ele.

VIII. O ano mil e as suas mudanças

Ao entrarmos nesta época, temos um forte declínio, que é essencialmente causado por
uma junção de diversos fatores. Primeiro, a fragmentação do grande Império Carolíngio
certamente dificultou a comunicação e comércio entre locais, porque com o sucessivo
repartimento do reino de geração em geração por causa dos filhos e netos e bisnetos, leva-
nos à criação de diversos reinos (a igreja é imune a isto, pois o seu património mantem-
se imutável e apenas enriquece). Para além disto, temos as invasões normandas,
essencialmente dividas em dois grupos, um grupo que procura novas terras para agricultar
dado que as terras do norte eram muito pobres, e um outro grupo, ao qual podemos chamar
de “vikings” (tipo, literalmente, eram os vikings, aqueles que toda a gente já ouviu falar),
que viviam essencialmente do saque, e como praticavam uma tática invasora tão diferente
daquela que os reinos do Sul estavam habituados, tiveram grande sucesso, dado que seria
essencialmente o chegar, saquear, destruir, violar, arder e bazar. Este medo dos ataques
normandos, em grande parte, também afetou o comércio, dado que ninguém arriscava sair
das cidades, com medo de serem atacados por bandidos. Nem nas suas próprias povoações
estavam seguros, quanto mais lá fora. Isto é visível pois nos povoados identificados como
sendo dos séc. IX e X, vemos o surgir de várias estruturas para a fortificação do povoado
em si. Como a moeda não viaja, produtos também não viajam, em grande parte
inviabilizando o comércio nesta época.

O entrar no ano mil termina efetivamente esta fase, entramos numa fase de paz,
estabilidade e crescimento económico, com grandes transformações e inovações em
técnicas, uma revolução agrícola e um grande crescimento demográfico.

IX. Revolução agrícola dos séc. XI-XIII

É na continuação desta fase de paz em que, através das novas técnicas de agricultura
que vão ser descritas de seguida, vemos um grande crescimento demográfico por toda a
Europa, em grande parte causado por todas essas novas técnicas e alterações, dado que
algumas fontes referem que a paisagem está profundamente alterada desde os últimos
anos e que “não há árvores”, algo que sugere um intenso desbravamento. Relativamente
ao crescimento demográfico, temos o caso da zona da atual Itália, em que foi tão
acentuado, que a população se queixou de sobrepopulação. Para além disso, a esperança
média de vida aumentou brutalmente para os 30/35 anos para os homens, algo que parece
relativamente pouco, mas há que ter em consideração que estas estatísticas são afetadas
por outros fatores, nomeadamente a mortalidade infantil.

Dentro das revoluções agrícolas, a mais importante, será a da adoção da prática do


triafolheamento bianual ou trianual, que consistia na prática de ter um terreno, dividi-lo
em dois, em que num se pratica o cultivo e no outro o pousio, e após cada colheita,
trocava-se. No local cultivado, divida-se em 3 zonas, uma para cereais, outro para pasto
e outro para leguminosas, e como cada um desses tipos de produção consumiria tipos
diferentes de nutrientes, seria possível ir trocando essas zonas entre si após cada colheita
sem se praticar o pousio. Surge também o arado de Aiveca, que revolve e areja a terra,
promovendo o futuro cultivo, assistido pelo arnês que seria colocado em cima do cavalo,
permitindo que o mesmo puxe o arado com 5x a força. Finalmente, temos o
desenvolvimento dos moinhos de água e de vento, facilitando o trabalho humano e
abrindo mais o tempo do homem para desenvolver outras práticas.

Outra das componentes importantes do mundo rural medieval é o mosteiro, que nesta
fase, serviriam como um centro da vila que estaria em torno de si. Teria um refeitório, um
dormitorium, um claustro e um hospital, não tão ligado à cura (para isso havia uma
enfermaria), mas sim ao albergo de viajantes, fornecendo-lhes sítio onde dormir e comida,
que seria maioritariamente carne. Normalmente, estes mosteiros também armazenariam
as produções locais, reservando uma pequena parte para subsistência da própria estrutura.
Finalmente, haveriam, em alguns casos, estruturas senhoriais imponentes nestas vilas,
nomeadamente, torres, que servem mais uma função simbólica do poder do senhor e não
tão militar, e possivelmente motas. Há que ter em consideração que grande parte das
estruturas defensivas desta época seriam em madeira, daí não as vermos hoje em dia.

X. Mundo Urbano na Europa no séc. XI a XIII

A revolução do mundo urbano surge como uma causalidade daquilo que foi a
revolução agrícola do mundo rural, que por sua vez causou um grande crescimento
demográfico. Este aumento demográfico certamente vai levar a mais gente a praticar
atividades de cariz comercial fazendo o dinheiro mexer, e que melhor sítio para comerciar
do que uma cidade. O comércio que passa a ser praticado nessas cidades e o influx de
gentes causa o crescimento e enriquecimento da própria cidade, levando a este novo
mundo urbano.

Vemos o surgimento de 4 espaços urbanos, com diferentes matrizes, dependendo da


sua localização:

• Mediterrâneo – mesma matriz, vêm de tradições clássicas como a herança


islâmica, cidades que se vão expandir muito
• França do Norte/Países Bixos/Alemanha – manutenção do espaço urbano antigo,
romano e carolíngio
• Alemanha e Escandinávia – Antecedentes urbanos, mas romanos, reanimam
• Eslavo – tudo novo

O rápido crescimento de uma cidade leva à criação rápida de novas ruas e estruturas
do género, algo que podemos imaginar como um grande labirinto entre casas e
estabelecimentos.

Causas para o boom urbanístico:

• Incremento demográfico (mais gente, mais comida precisa, evolução do mundo


agrário*)
• Evolução do mundo agrário*
• Animação da moeda (reanimação do comércio)
• Reanimação do comércio (animação da moeda)
o Local/regional (mercados, feiras, etc.)
o Longo curso (para Inglaterra, cidade Italianas, etc.)
• Fatores de desenvolvimento (que dão vida à cidade, evoluindo-a)
o Peregrinações / santuários
o Mercados e feiras
o Universidades e centros de poder régio/senhorial

O que faz uma cidade:

• Densidade populacional
• As suas fuções
• Complexidade/mobilidade social – várias figuras e profissões/mobilidade
permanente deles
• Regime jurídico específico
• Novo papel em relação a cidades do Mundo Antigo
• Atividade mercantil/artesanal
• Atividade artesanal

Por mais que se ame a terrinha, há um desejo inerente de agitação no ser humano,
cobiçando-se a cidade, que é para onde estas pessoas vão praticar as suas atividades
artesanais. Com isto, estes indivíduos vão se organizar em bairros que pratiquem todos a
mesma profissão, que tenham família e comum ou sejam oriundos do mesmo sítio. Com
isto, vemos o surgir de autênticas oligarquias dentro de uma cidade, porque uma família
de uma profissão monopolizou completamente os ganhos da mesma nessa cidade.

Marcadores de uma cidade:

• Fortificações (muros e castelo)


• Mercado – junto à catedral ou portas da ciade
• Portos
• Catedrais
• Vias
• Mosteiros dentro e fora dos muros
• Bairros – de habitação ou trabalho, ou ambos:
o Casas de sobrado – parte do baixo é loja, a de cima é habitação, parte de
trás é a oficina
o Confrarias
o Tabernas
o Lojas
o Loggias – grandes lojas
• Casa de concelho/câmara
• Centro e periferia: cidade e termo
• Marginalidade e divertimentos: tabernas, putas, etc.

XI. O papado medieval: História da construção de um poder

O papado surge e evolui par algo semelhante à própria monarquia, tendo de percorrer
um longo caminho até chegar àquela conceção que temos do papado medieval. É
certamente, e foi, a instituição mais bem-sucedida da época medieval e da atualidade, em
grande parte por causa da sua capacidade adaptativa, permitindo-lhe sobreviver durante
mais de 2000 anos, tendo o efeito de definir o Dogma e a Lei, e de implantar a Harmonia.

O papa, com os seus símbolos (cruz, espada, anel, tiara, orbe, etc.) reunia em si o
poder sobre todos os fiéis, ordens militares inclusive.

Como sabemos, o cristianismo sai do judaísmo, tendo em grande parte vários


paralelos com essa religião. Como tal, o nome “papa” deriva da palavra grega para líder
da comunidade, e seria usada para todos os bispos do judaísmo. (Freezar que Jesus não
fundou nenhuma igreja, era apenas um nigga de chinelos que fazia cenas bacanas)

Após a ascensão de Cristo, o trabalho dos apóstolos começou espalhando-se por


várias cidades do mundo clássico, partindo da Palestina, indo para cidades essencialmente
do Oriente, como o Egipto, exceto S. Pedro, que vai para Roma. É neste momento em que
os primeiros grupos de cristãos surgem nestes núcleos populacionais, com 70 d.C. sendo
o primeiro momento em que temos a referência de um Novo Testamento, ou seja, no séc.
I d.C., já tínhamos uma religião mediamente consolidada. Estas comunidades que vão
receber os novos cristãos já estavam algo habituadas a religiões monoteístas, mas como
muitos destes cristãos isolavam-se da sociedade, chegando mesmo a virarem eremitas,
serão perseguidos pelo estado romano. Passado um século, estas comunidades aumentam,
e recusam-se a conviver com os romanos, recusam-se a cultuar o imperador e não vão
para a guerra, algo que certamente não contrastou bem com as entradas dos bárbaros no
império, ou seja, já chega de emigrantes. Isto levou a grandes perseguições por decreto
imperial, tudo isto fatores que nos levam a pensar que o cristianismo eventualmente
desapareceria. Contudo, com a cristianização das mulheres nas elites, Constantino em 313
e Teodoro em 378, o cristianismo was here to stay.

Com a queda de Roma, a igreja de nenhuma maneira cai, e por isso, as dioceses vão
se impor aos conventos, e as arquidioceses vão se impor às províncias, criando um novo
regime administrativo territorial, nas mãos da igreja cristã, de certa maneira assistido pelo
império do oriente, onde a igreja era muito mais forte. Por isso, se todos os grandes atores
da religião estava em Bizâncio, porque é que Roma tornou-se a sede da cristandade? Bem,
isto porque Roma sempre foi um grande símbolo para o império, já há alguns anos que
terá deixado de ser a capital do império, mas continuava a ser a capital simbólica, o local
de nascimento, algo certamente reforçado pelo culto a S. Pedro e o simbolismo por de
trás do apóstolo (primeira pedra da igreja).

Antes do bispo Vítor I, não conhecemos bem os papas, mas é na continuidade deste
em que podemos ver a continua tentativa de afirmação de Roma como a sede da
cristandade, começando por cortar relações com todas as igrejas que obedecem aos
bispados do Oriente, seguido de outros dois papas que, com base na claim de que como
são sucessores de S. Pedro e S. Paulo, são eles que merecem ser a cabeça da cristandade
na terra. Com a conversão da religião do império para o cristianismo, o imperador precisa
de abandoar o seu título como pontífice máximo, algo que o bispo de Roma vai passar a
adotar, as apenas em 440. Este fator foi extremamente importante para a formação daquilo
que é o papado romano. Entretanto, com Constantinopla a tentar afirmar-se como a Nova
Roma, temos o Dâmaso em 381, que contesta com toda a força esta ideia, evocando
novamente a concessão de cristo a S. Pedro como base de legitimação, e o seguinte Bispo
de Roma Sirício, que determina que os rescritos papais tenham a mesma intensidade que
um código legal. São estes dois, e Inocêncio I, que define que qualquer confusão de maior
ordem deve ser resolvida pelo bispo de Roma, que vão dar os maiores passos na direção
de afirmação do bispado de Roma como o mais importante.

Temos Leão I, que é o que assume o tal título de pontifex maximus, afirma que a igreja
é como uma monarquia governada pelo bispo e diz que é o representante de S. Pedro.
Ainda mais conveniente, é que o Imperador Valentiano III pede apoio a Leão I no suporte
das suas políticas imperiais, garantindo o seu suporte de volta contra o Bispo Hilário de
Poitiers.

Após Leão I, temos Gelásio, que emite a Doutrina Gelasiana, que ainda hoje é usada,
a tal ideia de “meu caro imperador, tu tens absoluto poder no mundo material, mas em
grande parte, sou em quem decide quem vai para o paraíso, por isso porta-te bem. Tu és
o poder político, eu o espiritual, e o meu é mais importante”. Apesar do Imperador
responder mal, não há muito a fazer, pois é ele quem legitima o Imperador.

Contudo, o papado só se afirma como tal após Adriano I, que forja um documento
intitulado da “Doação de Constantino”, em que o Imperador concede uma grande porção
de património ao Papa Silvestre I, antes da queda do Império Romano, de certa maneira
legitimando o controlo sobre o território da zona de Roma, que com o evoluir dos tempos,
tornou-se essencialmente num reino. Este documento, no séc. XVI, verificou-se que seria
falso.

É neste panorama que o papado vai evoluir, uma instituição semelhante a um reino,
com uma figura que é eleita por poder divino e que reclama toda a igreja para si. Tem
uma chancelaria, mas não é propriamente dono de territórios, mas tendo ma grande esfera
de ação que em teoria lhe dá controlo sobre qualquer cristão, sobre a legitimação de
qualquer rei e qualquer indivíduo que ingresse na igreja cristã. Contudo, o poder do papa
vai continuar a ser questionado ao longo dos tempos, mas o que importa, é que a sede é
Roma. Como tudo o que pertencia à tutela da igreja, estava isenta de pagar impostos e ao
poder secular dos monarcas, algo que vai gerar problemas, maioritariamente ao papa.
Como sabemos, esta instituição vai espalhar-se quase de maneira tentacular por todo o
mundo, enviando emissários e diplomáticos para cumprirem a vontade do papa.

Visto isto, e na primeira metade do séc. XI, temos a Reforma Gregoriana

Para além de ser pedido para que não lutem durante certas alturas sagradas do ano,
um dos aspetos mais caraterísticos da Reforma Gregoriana é o abolimento da simonia, e
maneira a que nenhum ilegítimo chegue a uma posição de poder dentro da igreja.
Henrique III, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, pede ao papa Clemento
II para acabar com as práticas da simonia, algo que Leão IX, mais tarde, vai levar muito
a sério, criando uma comissão inteiramente dedicada a isso mesmo.
Em 1056, ascende Henrique IV ao trono do Império, e Umberto Silva Candido, um
dos membros dessa comissão, escreve como a simonia é horrível, e que os laicos de
nenhuma maneira têm votos na matéria da igreja, nem nas suas eleições. Mais tarde, outro
decreto de um sínodo diz-nos que é o colégio de Cardeais quem elege o Papa, e mais
ninguém. Até então, o imperador tinha voto na matéria, mas com estes novos decretos,
confusão estava para vir. Em 1073, é feita a primeira eleição do colégio de cardeais, e
Gregório VII é eleito, um cardeal que já andava a trabalhar nas reformas de Henrique III
há algum tempo, que são impostas de seguida, incluindo a remoção total do poder secular
na matéria temporal, no decreto de 1074 “Didactuts Papae”, entre outras questões, como
o do seguimento dos rituais impostos pela igreja, e a proibição da vida em celibato.

(Este episódio chama-se a “Controvérsia das Investiduras”) Com isto, Gregório VII
consegue a má vontade do imperador Henrique IV, causando um grande conflito entre os
dois, dado que o papa Gregório VII basicamente disse a Henrique IV que ele agora é
quem manda e que o imperador tem é de estar caladinho. Henrique IV é excomungado,
vai de rastos até ao palácio do papa em Canossa em 1075, aparentemente, de farrapos e
de joelhos para pedir perdão ao papa, Gregório VII perdoa-o, Henrique volta para o seu
império e depara-se com uma guerra-civil contra o Rodolfo, um novo imperador eleito.
Henrique IV ganha, e como está extremamente irritado com o papa, elege um antipapa,
Gregório VIII, algo a que o Gregório VII responde com uma segunda excomunhão em
1084. Henrique IV, ainda mais enervado, cerca o palácio do papa em Roma,
conquistando-a, coloca o antipapa na posição do anterior, o antipapa legitima Henrique
IV como imperador mesmo antes da ameaça normanda, aliada de Gregório VII chegar,
algo que faz o imperador levantar as suas tropas da cidade e fugir, um bocado tarde de
mais, porque Henrique IV é legitimado e Gregório VII não pode fazer nada, que no seu
caminho para a Sicília, a 1085, morre.

Com isto, é eleito um novo papa, Urbano II, que faz alguma paz com o imperador,
promovendo a conquista de Jerusalém durante as cruzadas. Contundo, Henrique IV fica
irritado com a nova proclamação e decide invadir novamente a Itália, uma Itália muito
mais bem preparada, com comunas aliadas entre si, todas em oposição aos abusos do
imperador. Isto leva à morte de Henrique IV, que é sucedido por Henrique V, que
continua em conflito com o papado, até 23 de setembro de 1122, em que a Concordata de
Worms é estabelecida, entre Henrique V e o papa Pascoal II.

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