Departamento de Formação: Primeiros Socorros
Departamento de Formação: Primeiros Socorros
Primeiros socorros
Índice
Introdução _______________________________________________________________ 4
Primeiros socorros_________________________________________________________ 5
Sistema de emergência em Portugal __________________________________________ 6
A Cadeia de sobrevivência __________________________________________________ 7
Paragem cardiorespiratória _________________________________________________ 8
Suporte básico de vida ____________________________________________________ 10
Obstrução da via aérea ____________________________________________________ 15
Posição lateral de segurança________________________________________________ 19
Feridas _________________________________________________________________ 21
Primeiros socorros ______________________________________________________________ 22
Hemorragia _____________________________________________________________ 23
Primeiros socorros ______________________________________________________________ 24
Intoxicações _____________________________________________________________ 26
Primeiros Socorros______________________________________________________________ 26
Queimaduras ____________________________________________________________ 28
Primeiros Socorros______________________________________________________________ 29
Diabetes ________________________________________________________________ 33
Primeiros Socorros______________________________________________________________ 36
Enfarte do miocárdio______________________________________________________ 37
Acidente Vascular Cerebral _________________________________________________ 39
Convulsão (Epilepsia) _____________________________________________________ 43
Primeiros Socorros______________________________________________________________ 43
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Manual Atlanticare
de Primeiros socorros
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Introdução
A saúde ocupacional engloba a totalidade das ações médicas, de enfermagem e outros técnicos, que
visam a proteção e a promoção da saúde dos trabalhadores no local de trabalho. A saúde ocupacional
apresenta como objetivos assegurar a saúde dos trabalhadores e contribuir para melhorar a qualidade de
vida dos indivíduos, além de favorecer a produtividade.
No local de trabalho podem ocorrer lesões ou doenças súbitas, potencialmente fatais. Posto isto, o
local de trabalho apresenta-se como a área de intervenção prioritária, e deverá abranger a promoção da
saúde, a prevenção primária de riscos ocupacionais, desenvolvimento de um local saudável, bem como o
acesso aos serviços de saúde ocupacionais adequados.
Acrescentando ao anteriormente referido, o serviço de Saúde do Trabalho ou de Saúde Ocupacional
(ST/SO) deve incorporar os primeiros socorros como um dos principais objetivos de funcionamento (alínea
b, do Artigo 97º do DECRETO-LEI nº 102/2009) e promover o desenvolvimento das condições essenciais
para a aplicação das medidas de prevenção (n.º 9 do Artigo 15º do DECRETO-LEI nº 102/2009). Assim, a
formação de primeiros socorro terá como objetivo dotar os formandos, que intervirão em situações de
acidentes no contexto de trabalho, dos conhecimentos básicos de primeiros socorros que lhes permitam
atuar e minimizar as suas consequências.
O resultado de doenças e lesões ocupacionais depende da gravidade da lesão, dos cuidados de
primeiros socorros e tratamento médico disponível. Primeiros socorros correta e prontamente efetuados
podem representar a diferença entre uma recuperação rápida ou prolongada, incapacidade temporária ou
permanente, e até mesmo a vida ou a morte.
Em praticamente todos os ambientes ocupacionais estão presentes situações que permitem a
ocorrência de eventos de urgência, quer em virtude de acidentes, quer decorrentes de contactos
irrefletidos com substâncias ou formas de energia capazes de causas lesões e traumatismos nos
trabalhadores. Depreende-se, deste modo, a importância dos primeiros socorros na empresa e a formação
da mesma.
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Primeiros socorros
Os primeiros socorros são os primeiros cuidados prestados à vítima no local do acidente. Estes cuidados
têm como objetivo preservar a vida, diminuir a incapacidade e minorar o sofrimento.
No contexto de saúde ocupacional, os primeiros socorros referem-se ao atendimento de emergência
prestado no local de trabalho em situação de lesão ou de doença súbita, que ocorre antes da chegada de
equipa de emergência especializada, visando evitar/minimizar o agravamento do estado de saúde do
trabalhador e/ou assegurar as suas funções vitais.
Este conceito engloba os procedimentos primários e simples aplicados numa situação de emergência, e
integra o processo de ativação do pedido de socorro, comunicação e encaminhamento das situações de
maior gravidade para atendimento especializado por profissionais de saúde.
Considera-se também, que a pessoa que presta os primeiros socorros no local de trabalho é um
trabalhador formado na matéria e apto a prestar os procedimentos de emergência primários, que usa uma
quantidade limitada de equipamentos para proceder à primeira avaliação da vítima e para a necessária
intervenção, enquanto aguarda a chegada do serviço de emergência que presta cuidados especializados.
Qualquer pessoa pode e deve ter formação e deverá prestar os primeiros socorros. Contudo, a
implementação não poderá substituir a ativação dos serviços de emergência médica. Os primeiros socorros
deverão impedir ações imprevistas, alertar e ajudar, evitando o agravamento do acidente ou doença.
Assim, o socorrista tem como funções fundamentais a manutenção da vítima estável, até à chegada de
ajuda médica especializada e prevenção do agravamento da situação e o aparecimento de novas lesões.
No início do socorro à(s) vítima(s) deverão ser estabelecidas prioridades consoante a gravidade das
situações. Os socorros subdividem-se em primários e secundários. Os primários dizem respeito às situações
que colocam a vítima em risco imediato de vida, ou seja, comprometem as funções vitais, apresentando-se
como exemplo:
Paragem Cardíaca;
Paragem Respiratória;
Hemorragias;
Choque;
Traumatismos.
Por sua vez, os Socorros Secundários referem-se às situações que devem apenas ser socorridas após as
primárias estarem estabilizadas, tendo como exemplos:
Feridas;
Fraturas;
Queimaduras.
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Sistema de emergência em Portugal
O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) representa o conjunto de meios e ações extra-
hospitalares, hospitalares e inter-hospitalares. Possibilitam uma ação rápida, eficaz em situações de doença
súbita, acidentes ou catástrofes, nas quais o atraso de medidas adequadas, diagnóstico e terapêutica, pode
acarretar graves riscos ou prejuízo ao doente.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da Saúde que tem
como principal o mais objetivo a coordenar o funcionamento do SIEM, de forma a garantir às vítimas em
situação de emergência, a pronta e correta prestação de cuidados de saúde. Além efetua a articulação
entre os vários intervenientes no SIEM (hospitais, bombeiros, polícia, etc.).
O INEM, através do Número Europeu de Emergência - 112, dispõe de vários meios para responder, a
qualquer hora, com eficácia a situações de emergência médica. As chamadas são atendidas em Centrais de
Emergência da PSP/GNR. Atualmente as chamadas que dizem respeito a situações de saúde são
encaminhadas para os CODU do INEM em funcionamento em Lisboa, Porto, Coimbra, e Faro.
O CODU – Centro de Orientação a Doentes Urgentes é assegurado por médicos e operadores de central
com formação específica, aos quais compete:
O atendimento e triagem dos pedidos de socorro;
O aconselhamento de pré-socorro, sempre que indicado;
A seleção e acionamento dos meios de socorro adequados;
O acompanhamento das equipas de socorro no terreno;
O contacto com as unidades de saúde, preparando a receção hospitalar dos doentes.
Os CODU coordenam os diversos veículos, tais como ambulâncias SBV e SIV, motas de emergência,
VMER e Helicópteros.
O INEM presta também orientação e apoio noutros campos da emergência tendo, para tal, criado
vários subsistemas:
O Centro de Informação Antivenenos (CIAV) é um centro médico de informação toxicológica. Presta
informações referentes ao diagnóstico, sinais e sintomas, toxicidade, tratamento e prognóstico da
exposição a tóxicos em intoxicações agudas ou crónicas. O CIAV presta um serviço nacional, cobrindo a
totalidade do país.
O Subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco é um serviço de transporte inter-
hospitalar de emergência, que permite o transporte de recém-nascidos em situação de risco e bebés
prematuros para hospitais com Unidades de Neonatologia e/ou determinadas especialidades ou valências.
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A Cadeia de sobrevivência
A Cadeia de Sobrevivência é constituída pelas ações que relacionam a vítima de paragem cardíaca
súbita com a sobrevida.
O primeiro elo desta cadeia representa a importância do reconhecimento do indivíduo em risco de
Paragem Cárdio-Respiratória e a utilidade de pedir ajuda na expectativa de que o tratamento precoce
possa prevenir a paragem. Os elos do meio ilustram a integração do Suporte Básico de Vida (SBV) e
desfibrilhação como componentes fundamentais da reanimação precoce na tentativa de salvar vidas.
O início imediato de SBV permite duplicar ou triplicar a probabilidade de sobrevida na Paragem Cárdio-
Respiratória, sendo que fazer apenas compressões torácicas é melhor do que não fazer qualquer
reanimação. Assim, o SBV permite-nos ganhar tempo.
Por cada minuto de atraso na desfibrilhação a probabilidade de sobrevida, à data da alta hospitalar,
reduz-se em 10% – 12% e tem como finalidade recuperar o coração.
Presentemente, no hospital encontra-se bem assente a importância do reconhecimento precoce do
doente em risco de vida seguida de ativação do sistema de emergência ou da equipa de resposta rápida,
com a intenção de prevenir a Paragem Cárdio-Respiratória.
O último dos elos da cadeia de sobrevivência, refere-se aos cuidados pós-reanimação eficazes, centra-
se na preservação das funções em particular cerebral e cardíaca, sendo considerado Suporte Avançado de
Vida. Este elo tem como principal objetivo a recuperação da qualidade de vida.
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Paragem cardiorespiratória
Na Europa, as doenças cardiovasculares, contribuem para 38,4% de todas as mortes em indivíduos com
idade inferior a 75 anos. O início imediato de Suporte Básico de Vida (SBV) pode triplicar a sobrevivência
das vítimas de Paragem Cárdio-Respiratória (PCR).
A PCR constitui umas das situações emergentes, que necessita de uma correta e atempada resposta. As
doenças cardiovasculares, que constituem a principal causa de morte por PCR, representam, igualmente, a
principal causa de morte em Portugal, segundo dados de 2011 do INE-DGS/MS, correspondendo a 30,7%
das mortes ocorridas nesse ano (Gráfico 1).
Além de associada a doenças cardiovasculares, a PCR pode ocorrer no contexto de problemas primários
da via aérea (nomeadamente por obstrução da via aérea) ou problemas respiratórios. A maior parte das
doenças que implicam risco de vida, levam a compromisso respiratório ou cardiovascular, pelo que
aumentam o risco de ocorrência de PCR. Por outro lado, os sistemas cardiovascular e respiratório estão
intimamente ligados. Assim, a falência cardíaca pode ser consequência de falência respiratória e a vice-
versa.
Apesar das doenças cardiovasculares serem a causa de morte mais frequente, várias são as causas de
Paragem Cardíaca:
Perturbações na condução elétrica do coração (arritmias; fibrilhação);
Hemorragia grave;
Problemas respiratórios (asfixia; embolia pulmonar; infeções graves)
Efeitos de drogas;
Choque.
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As principais doenças cardiovasculares que causam morte em Portugal são o Enfarte Agudo do
Miocárdio (EAM) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Apesar das doenças cardiovasculares serem a causa de morte mais frequente, várias são as causas de
Paragem Respiratória:
Aspiração de líquidos, vómito, sangue;
Edema;
Presença de corpo estranho;
Paragem cardíaca;
Doenças pulmonares em fase aguda (pneumonias, embolia pulmonar, asma).
As vítimas de PCR necessitam do início imediato do SBV, uma vez que este promove uma menor mas
suficiente circulação para o coração e o cérebro e permite ao coração o recomeço de um ritmo e uma
perfusão sistémica eficaz.
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Suporte básico de vida
As vítimas de PCR necessitam do início imediato do SBV, uma vez que este permite, em caso de
disfunção, fornecer oxigénio e manter uma circulação menor, mas suficiente para prolongar a vida das
células dos órgãos principais do nosso organismo (cérebro, coração, etc.) até à chegada de ajuda
qualificada.
O SBV tem, assim, como objetivo a manutenção de algum grau de ventilação e de circulação de modo a
manter a vítima viável até apoio médico diferenciado. O gráfico 2 indica a importância de se iniciar o SBV o
mais precocemente, a fim de aumentar a probabilidade de sucesso, não apenas na manutenção da vítima
estável, como também diminuir a possibilidade de ocorrência de lesões ou complicações.
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ALGORITIMO SBV
Inicialmente deverá avaliar as condições de segurança, tanto da vítima, como do socorrista e do local
que rodeia.
A vítima deverá ser colocada em decúbito dorsal, isto é, de barriga para cima, no chão ou em plano
duro. Se a vítima estiver noutra posição, rodar, mas ter em atenção possíveis lesões. Acidentes com alguma
gravidade, nomeadamente de mota, com uso de capacete ou vítimas encarceradas, não deverão ser
removidas do local, mas sim aguardar pela chegada de ajuda médica especializada.
Após a certificação da segurança, deverá avaliar se a vítima está ou não consciente, isto é, avaliar se a
vítima responde.
Deverá abanar os ombros e perguntar em voz alta: “Está bem? Sente-se bem?”
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Se a vitima responder, deverá deixá-la na posição que a encontrou, avaliar a situação e pedir ajuda, se
for necessário e ir reavaliando periodicamente.
Se a vítima não responde deverá seguir para o passo seguinte, ou seja, gritar por ajuda.
Enquanto aguarda pela chegada de ajuda, deverá permeabilizar a via aérea, ou seja, verificar se
existem corpos estranhos dentro da boca. Se existirem corpos estranhos deverá removê-los mas apenas se
for alcançável com os dedos. Posteriormente deverá fazer a extensão da cabeça e elevação do maxilar
inferior, como representado na Figura 3 procedendo da seguinte forma:
1. Colocar uma mão na testa;
2. Inclinar cabeça ligeiramente para trás;
3. Dois dedos colocados no maxilar inferior, fazendo uma ligeira tração para cima.
Após a permeabilização da via aérea deverá verificar se respira normalmente, colocando-se na posição
indicada na Figura 4, através da realização do VOS, durante 10 segundos, isto é:
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Se a vítima respirar normalmente:
Colocar a vítima em Posição Lateral de Segurança (PLS);
Ligar 112;
Continuar a vigiar a respiração.
Se estiver sozinho GRITE – para que uma segunda pessoa possa tomar a responsabilidade de chamar o
serviço de emergência adequado, sem o socorrista ter de deixar a vítima. Certifique-se de que essa pessoa
compreendeu bem a mensagem que deve transmitir e para onde.
Se não obtiver resposta, execute os primeiros socorros indispensáveis e deixe a vítima o mínimo de
tempo até alertar a pessoa mais próxima. Se deixar a vítima sozinha, caso ela esteja inconsciente, deve ser
colocada em posição lateral de segurança.
A informação a transmitir é também muito importante para adequar à gravidade e tipo de acidente o
socorro que será prestado, não atrasar a chegada desse socorro e receber entretanto recomendações úteis.
Indique:
Local exato do acidente;
Número de vítimas e o seu estado;
Sexo e idade aproximada da (s) vítima (s);
Possibilidade de existência de fatores agravantes (Incêndio; Explosão; Vítimas encarceradas;
Afogamento);
Não desligue antes do interlocutor.
Efetuar as compressões torácicas da seguinte forma:
Colocar a palma da mão no centro do tórax
Colocar a outra mão por cima;
Entrelaçar os dedos;
Braços esticados na vertical, sem fletir os cotovelos, ombros na perpendicular;
Comprimir o tórax aproximadamente 100/120 vezes por minuto, com uma profundidade de 4 a 5
cm.
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Copyright Nolan et al, 2010 - European Resuscitation Council
Figura 5: Compressões Torácicas
Continuar o SBV numa sequência de 30 compressões alternadas com 2 insuflações, ou seja, um ciclo.
Ao fim 5 ciclos ou 2 minutos, alternar de socorrista.
As únicas situações em que se deixa de fazer o SBV:
A vítima começar a respirar normalmente, mexer-se abrir os olhos ou acordar;
A equipa médica especializada chegar ao local;
O socorrista estiver exausto!
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Obstrução da via aérea
A obstrução da via aérea por corpo estranho é uma causa de morte acidental rara, que pode,
potencialmente, ser tratada. É uma emergência absoluta que, se não for reconhecida e resolvida, leva à
morte em minutos.
Uma das causas mais frequentes de obstrução da via área – obstrução mecânica – é resultante de uma
causa externa à via aérea, como por exemplo alimentos, sangue, vómito ou qualquer outro objeto sólido,
que pode funcionar como corpo estranho e obstruir a via aérea. A água não é considerada um corpo
estranho, pelo que estão desaconselhadas as manobras de desobstrução, dado que podem causar
complicações e atrasar o início do SBV.
Outra das causas de obstrução da via aérea - obstrução patológica – resulta de edema dos tecidos da
via aérea, nomeadamente: reação anafilática (alergia); neoplasia (cancro) e inflamação da epiglote
(epiglotite).
Nos adultos, a obstrução da via aérea por corpo estranho ocorre habitualmente durante as refeições.
Constantemente encontra-se associada a alcoolismo ou tentativa de engolir grandes pedaços de comida,
mal mastigados. Os doentes idosos com problemas de deglutição estão também em risco de obstrução da
via aérea por corpo estranho, pelo que deve ser mantida maior vigilância. A obstrução da via aérea,
especialmente quando ocorre num local público, por exemplo num restaurante, é repetidamente
confundida com um ataque cardíaco.
A obstrução da via aérea pode ser total ou parcial. A obstrução parcial precede, usualmente, a
obstrução total e pode conduzir rapidamente a PCR. A tosse é a forma de reconhecimento da obstrução. Na
obstrução parcial a tosse encontra-se presente, a vítima verbaliza dificuldade respiratória e apresenta um
“fácies” de angústia. Na obstrução total, a vítima é incapaz de falar e a tosse apresenta-se ineficaz ou
mesmo ausente, com descida progressiva do nível de consciência. Na tabela 1 apresenta-se a forma de
diferenciar se a tosse é ou não eficaz.
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A tosse espontânea é mais eficaz e segura do que qualquer outra manobra de desobstrução. Se a tosse
não for eficaz ou mesmo ausente, o socorrista deverá iniciar manobras de desobstrução.
É importante distinguir os diversos tipos de obstrução da via aérea dada a abordagem ser distinta. Na
obstrução mecânica da via aérea podem ser efetuadas várias manobras com o objetivo de desobstruir que,
caso bem-sucedidas, podem evitar a paragem respiratória.
As manobras de desobstrução permitem a expulsão de objetos estranhos, por aumento da pressão
intratorácica. As manobras de desobstrução são pancadas interescapulares, compressão abdominal e
compressão torácica. Em cerca de 25% dos episódios de obstrução são necessárias mais do que uma
manobra para desobstruir. Não existem dados que indiquem quando deverá ser usada e por qual ordem.
Se uma não é eficaz, deverá tentar-se uma outra manobra até que o objeto saia.
Os socorristas não devem colocar-se em perigo e devem escolher a manobra mais segura. Se a vítima
estiver a tossir não é necessária outra manobra externa. Deverá incentivar-se a vítima a tossir e vigiar
continuamente. Se a tosse começar a ser ineficaz, chamar por ajuda e verificar o nível de consciência.
O objetivo das pancadas interescapulares é manter ou recuperar a respiração da vítima. Proceder da seguinte
forma:
I. Colocar-se por detrás da vítima;
II. Suster o tórax da vítima com uma mão e inclinar para a frente;
III. Aplicar cinco pancadas intercostais entre as omoplatas.
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Se não resultar, efetuar compressões abdominais ou manobra de Heimlich. Proceder da seguinte
forma:
I. Colocar-se por trás da criança, colocando os braços por baixo dos braços da criança e envolver a
zona abdominal;
II. Cerrar o punho e colocar entre o umbigo e o apêndice xifóide;
III. Segurar a mão em punho com a outra mão e aplicar uma pressão para dentro e para cima;
IV. Este movimento deverá ser repetido 5 vezes.
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Se a vítima está ou ficou inconsciente, colocar a vítima numa superfície plana e dura, gritar por ajuda,
não a abandonando nesta fase.
Proceder da seguinte forma:
Abrir a boca para verificar a existência de objetos;
Se houver objetos, tentar retirar com os dedos;
Não tentar remover o objeto sem observar a boca, ou introduzir, repetidamente, os dedos, dado
que pode promover a entrada do objeto para a faringe e causar danos;
Abrir a via aérea através da extensão da cabeça e elevação do maxilar;
Efetuar 2 tentativas de ventilação;
Confirmar se as ventilações foram eficazes - se não ocorreu aumento da caixa torácica, reposicionar
a cabeça e tentar novamente uma ventilação;
Ligar para o 112 e iniciar SBV.
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Posição lateral de segurança
A Posição Lateral de Segurança (PLS) é utilizada apenas quando a vítima respira, para proteção das vias
aéreas e prevenção da aspiração pelo vómito ou secreções. Devemos colocar a vítima sempre nesta
posição, exceto se houver lesões na coluna.
Retirar os óculos e objetos volumosos dos bolsos da vítima;
Ajoelhar-se ao seu lado;
Verificar se a vítima tem as pernas estendidas;
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Com a outra mão agarre a coxa
mais afastada, logo acima do joelho
e levante-a, mantendo o pé no
chão;
Mantendo a mão encostada à
bochecha, puxe pela perna rolando
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a vítima de lado, na sua direção;
Council
Figura 13: PLS - Passo 3
Ajuste a perna que ficar por cima, de tal modo que tanto a anca como o joelho fiquem dobrados
em ângulo reto;
Incline a cabeça para trás de modo a manter aberta a via aérea, colocando a mão sob a face e para
baixo.
A PLS é essencial para manter a via aérea desobstruída numa pessoa inconsciente e para a vítima não
correr risco de asfixia com vómito, sangue. Mantém a cabeça em declive descendente, que impede
aspiração por vómito e não faz pressão sobre o tórax, o que evita o comprometimento da respiração.
As feridas apresentam-se como soluções de continuidade da pele, que ativam respostas de cicatrização
tecidual.
As feridas podem ser classificadas dependendo do tempo de cicatrização ou de acordo com a
profundidade. Assim sendo, quanto ao tempo de cicatrização podem ser agudas, cuja cicatrização ocorre
sem complicações num espaço de 2 a 3 semanas ou crónicas, cuja cicatrização não ocorre no período de
tempo esperado ou estão associadas a complicações.
De acordo com a profundidade podem ser superficiais ou profundas.
As feridas profundas podem acometer além da epiderme e derme, músculos e células nervosas. Dado
que quer os músculos quer as células nervosas não têm capacidade de regeneração, o tecido é substituído
por tecido fibroso, ou cicatriz, que restaura a continuidade da pele.
Quando ocorre uma lesão na pele, a sua função como barreira protetora é interrompida, sendo
necessários vários processos para que a cicatrização ocorra e que a pele volte a funcionar como protetora.
Contudo, existem diversos fatores que podem retardar o processo de cicatrização:
Doenças, como a diabetes;
Corpos estranhos;
Infeção;
Anti-sépticos;
Medicamentos;
Deficiências nutricionais.
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Primeiros socorros
Os cuidados à ferida vão depender do tipo de ferida. De forma geral, os cuidados a ter com a ferida
implicam:
Lavar as mãos e, de preferência, usar luvas;
Controlar a hemorragia;
Lavar abundantemente a zona lesada com água ou Soro Fisiológico;
Cobrir com uma compressa esterilizada;
Não retirar objetos, nem fazer pressão direta no local.
No caso das feridas profundas abertas, deverá ser colocado um curativo, de forma a proteger. O
curativo deverá ser removido com precaução, para proteger a pele intacta circundante. O curativo não
necessita de ser substituído frequentemente, pois a sua remoção constante aumenta a probabilidade de
infeção.
Se houver sinais de infeção, tal como, eritema intenso, especialmente no tecido circundante, edema,
exsudado purulento, dor e temperatura elevada, deverá procurar o médico. Por poder ser absorvido e
provocar infeção, o uso de algodão já não é aconselhável.
Por atrasarem a cicatrização da ferida, não será aconselhável a utilização de:
Álcool;
Água Oxigenada;
Tintura de Iodo.
O Betadine tem como funções:
Desinfeção da pele externa intacta;
Desinfeção de mucosas, tal como antes de cirurgias, injeções, punções, colheitas de sangue;
Desinfeção das mãos em cirurgias;
Infeções agudas e colonizadas.
Por ser um anti-séptico e poder ser tóxico para leucócitos, glóbulos vermelhos e fibroblastos, deverá
ser utilizado apenas em casos esporádicos, na presença de feridas com sinais de infeção.
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Hemorragia
Uma hemorragia é a saída de sangue derivada da rutura de um vaso sanguíneo. Uma hemorragia pode
ser classificada quanto à sua origem ou quanto à sua localização.
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Primeiros socorros
Nas hemorragias externas utilizam-se dois métodos para efetuar o controlo da hemorragia:
O garrote, dado o seu potencial elevado de causar lesões, é colocado somente quando as outras
técnicas de controlo de hemorragias não resultaram ou quando se está perante a destruição de um
membro. Quando se recorre ao garrote, deve registar-se a hora da sua colocação.
De forma a melhorar o resultado destes métodos, deverá associar-se a aplicação de frio, a elevação ou
a imobilização do membro afetado.
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A aplicação de frio leva a contração dos vasos, reduzindo a hemorragia. A sua aplicação requer cuidados.
Assim, deve proceder-se da seguinte forma:
Envolver o gelo num pano limpo ou em compressas e colocá-lo sobre a lesão;
Não aplicar por períodos de tempo superiores a 10 minutos.
A elevação do membro consiste em utilizar a força da gravidade para reduzir a pressão de sangue na zona
da lesão.
A imobilização reduz a hemorragia e facilita os mecanismos de cicatrização das lesões dos vasos.
Nas hemorragias internas invisíveis, com sinais de alarme, com presença de alguns sinais e sintomas atrás
referidos, encaminhar para a urgência hospitalar.
Nas hemorragias internas visíveis, com saída de sangue pelo nariz:
Colocar a vítima sentada, com a cabeça direita, no alinhamento do corpo;
Fazer compressão com o polegar e indicador em pinça, durante cerca de 10 minutos;
Aplicar gelo no redor do nariz;
Se não resultar, promover o transporte para o hospital.
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Intoxicações
Uma intoxicação é uma alteração do organismo, provocada por uma substância que pode causar a
morte.
Podem ser classificadas de acordo com o tempo de exposição à substância ou de acordo com a via. De
acordo com o tempo podem ser:
Agudas – se ocorrem no momento ou poucas horas após o contacto com a substância. Por
exemplo, após ingestão de alimento contaminado ou medicamentos.
Crónicas – se ocorrem meses ou anos após o contacto com a substância. Por exemplo, contacto
com substâncias químicas ou óxido de chumbo nos passageiros de cabine.
Primeiros Socorros
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Seguir as instruções indicadas, respondendo às seguintes questões do médico do CIAV:
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Queimaduras
As queimaduras são lesões da pele e/ou tecidos subjacentes, que resultam do contacto com agentes
exteriores, como por exemplo:
Energia elétrica;
Líquidos ou objetos quentes;
Fogo;
Sol;
Produtos químicos;
Frio;
Fricção.
As queimaduras apresentam-se como um dos acidentes mais comuns, ocorrendo em todas as idades,
por diversas circunstâncias.
De forma a poder determinar-se a gravidade da queimadura é essencial ter em conta os fatores:
Extensão, profundidade, localização e idade. De acordo com a profundidade, as queimaduras dividem-se
em:
Queimadura do 1º Grau
Lesão superficial da pele, atingindo a primeira camada da pele, a epiderme. A pele apresenta-se
vermelha, quente, seca e dolorosa. Cicatrizam, normalmente, entre 3 e 6 dias.
Queimadura do 2º Grau
Lesão da pele, atingindo a derme, com formação de flictenas (bolhas). A pele apresenta-se quente, seca
e muito dolorosa. Cicatrizam-se, normalmente, entre 7 e 21 dias.
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Queimadura do 3º grau
Numa queimadura de 3º grau ocorre destruição dos tecidos e terminações nervosas. A pele apresenta-
se esbranquiçada ou carbonizada. Geralmente não são dolorosas. Necessitam de um maior tempo de
cicatrização, podendo por vezes, necessitar de cirurgia para colocar excerto de pele.
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Lesões articulares, musculares e ósseas
O corpo humano é constituído por músculos, ósseos e articulações. O seu correto funcionamento
permite o movimento de todo o corpo.
Quando ocorre uma lesão, de origem articular, muscular ou óssea pode haver deformação do
movimento ou mesmo incapacidade de movimento.
Lesões articulares
A luxação apresenta-se como a perda do contacto do osso com as superfícies articulares provocada por
um movimento violento. Os sinais e sintomas principais são:
Dor;
Edema;
Hematoma;
Deformação;
Incapacidade funcional.
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Repouso;
Aplicação de gelo;
Imobilização;
Transporte para o hospital.
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Lesões musculares
Algumas das principais lesões musculares que podem ocorrer são a distensão e a cãibra.
A distensão consiste no estiramento brusco e significativo de um músculo, para além dos limites
normais do movimento. Podem ser provocadas por traumatismos e gestos violentos. Os seus principais
sinais e sintomas estão a seguir descritos:
Dor;
Inflamação;
Edema;
Dificuldade ou impossibilidade de movimento.
A Cãibra, por sua vez, consiste numa contração involuntária e dolorosa de um músculo devido a
exercício físico intenso e manutenção de posturas incorretas. Os sinais e sintomas são:
Dor;
Edema;
Rigidez muscular.
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Na distensão muscular:
Repouso;
Aplicação de gelo;
Imobilização;
Transporte para o hospital.
Na cãibra
Repouso;
Massagem.
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Lesões ósseas (Fraturas)
A principal lesão óssea que pode ocorrer é a fratura. Consiste na interrupção parcial ou total de um
osso. Pode ser classificada em:
Exposta, quando ocorre ferida na pele.
Não exposta, quando não ocorre ferida.
Os principais sinais e Sintomas:
Dor;
Edema;
Perda da função normal ou deformidade.
Primeiros Socorros
Imobilização;
Controlo da hemorragia;
Aplicação de saco de gelo para controlo da dor e do edema.
Procedimentos a evitar
Devem ser evitados os seguintes procedimentos nas lesões articulares, musculares e ósseas, a fim de
não prejudicar a correta cicatrização das lesões:
Calor – provoca aumento da circulação local, provocando assim aumento de edema e hematoma;
Álcool – possui características vasodilatadoras;
Massagem (Exceto na cãibra) – na fase aguda provoca edema e derrame, pondo em causa a
recuperação dos tecidos.
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Diabetes
A diabetes é uma doença crónica, que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) do
sangue, a que se dá o nome de Hiperglicemia. Esta hiperglicemia ocorre, por vezes, relacionado com a
insuficiente produção ou com a ação insuficiente de uma hormona produzida pelo Pâncreas (Insulina) e,
frequentemente, pela combinação destes dois fatores.
A Insulina é a hormona que faz com que o açúcar presente no sangue passe para as células do corpo.
O diagnóstico da Diabetes faz-se de acordo com os níveis de açúcar no sangue, a que se dá o nome de
Glicemia. O diagnóstico de diabetes faz-se se houver a presença de sintomas ou se o valor da glicemia em
jejum for de 126 miligramas por decilitro ou superior em dois momentos de colheita separadas por um
curto espaço de tempo ou se o valor da glicemia ocasional for de 200 miligramas por decilitro.
A diabetes classifica-se em diversos tipos, sendo as principais a Diabetes tipo 1, tipo 2 e Diabetes
Gestacional. Existem ainda outros tipos de Diabetes, mas ocorrem muito raramente.
A Diabetes tipo 1 é causada pela destruição das células que produzem a insulina do Pâncreas,
normalmente relacionada com uma reação auto-imune do organismo. Assim, as células do Pâncreas
produzem pouca ou nenhuma Insulina. Pode afetar pessoas de qualquer idade, mas ocorre com mais
frequência em crianças e adultos jovens. O aparecimento da Diabetes tipo 1 ocorre de forma repentina e
dramática e inclui os seguintes sintomas:
Sede anormal;
Cansaço fácil;
Perda de peso repentina;
Infeções frequentes;
Secura da boca;
Fome constante;
Cicatrização de feridas lenta;
Visão turva.
A Diabetes tipo 1 é menos frequente do que a Diabetes tipo 2, aparecendo apenas em 5 a 10% dos
casos totais de Diabetes.
O tratamento da Diabetes tipo 1 baseia-se na administração de Insulina, relacionado com a destruição
das células produtoras de Insulina.
A Diabetes tipo 2 é causada pela não produção de Insulina suficiente pelo Pâncreas ou quando o
organismo não é capaz de utilizar de forma eficaz a Insulina que é produzida. Ocorre geralmente após os 40
anos de idade, podendo, contudo, ocorrer mais cedo, associada a Obesidade. Tem uma forte componente
de hereditariedade, no entanto, não foram ainda identificados os genes que predispõem a Diabetes. A
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Diabetes tipo 2 é, geralmente, assintomática, sendo a maioria das vezes diagnosticada após aparecimento
de complicações, ou de forma acidental, através de resultados anormais dos valores da glicose no sangue
ou na urina.
Ao contrário do que ocorre na Diabetes tipo 1, as pessoas com Diabetes tipo 2 não são dependentes da
Insulina. No entanto, se a alimentação e a atividade física, por vezes associadas a antidiabéticos orais, não
forem suficientes para o controlo dos níveis de glicose, a Insulina poderá ser necessária.
A Diabetes Gestacional é causada por uma anomalia do metabolismo da glicose ocorrido e
documentado, pela primeira vez, aquando da gravidez. O controlo dos níveis da glicose é fundamental,
dado que poderá resultar em complicações para o recém-nascido. As mulheres que tiverem Diabetes
Gestacional apresentam um risco de desenvolver Diabetes tipo 2 superior. Além disso, poderá estar
associada a um risco aumentado de desenvolvimento de Obesidade e perturbações do metabolismo da
glicose na infância e vida adulta dos descendentes.
A persistência de níveis elevados de glicose no sangue, mesmo com a ausência de sintomas, pode
resultar em lesões nos tecidos, resultando em diversas complicações.
Crónicas:
Retinopatia;
Pé Diabético;
Neuropatia;
Nefropatia
Doença macrovascular.
Agudas:
Hiperglicemia;
Hipoglicemia.
A Diabetes é a principal causa de cegueira, insuficiência renal e amputação dos membros inferiores,
constituindo umas das principais causas de morte. A Diabetes implica um risco significativamente
aumentado de Acidente Vascular Cerebral e de doença coronária, como Enfarte Agudo do Miocárdio.
O não controlo dos níveis de glicose, especialmente nas crianças, pode resultar num défice no
desenvolvimento, além de ocorrência de hipoglicemias graves e hiperglicemias graves, resultando em
internamentos hospitalares.
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Controlar a Diabetes significa ter os níveis de açúcar no sangue dentro de certos limites próximos da
normalidade. Estes limites são definidos individualmente de acordo com vários fatores, como idade, tipo de
vida, atividade ao longo do dia, existência de outras doenças. O método mais rápido de efetuar o controlo
dos níveis de açúcar no sangue é através de testes de glicemia capilar, que consiste numa picada no dedo
para avaliar os níveis de açúcar. Este controlo poderá ter de ser efetuado diariamente e várias vezes ao dia,
antes e depois das refeições.
O método habitual de avaliação do controlo da Diabetes é a determinação da hemoglobina A2c, através
de análise ao sangue, que fornece uma avaliação da compensação da Diabetes nos últimos três meses. Os
níveis normais deverão ter um valor inferior a 6,5%.
O controlo da Diabetes implica frequentemente o controlo da Tensão Arterial e do Colesterol, dado que
existe uma forte associação da Diabetes com a Hipertensão Arterial e Colesterol elevado.
A hiperglicemia é a subida do nível de açúcar acima do normal. Pode provocar estados de inconsciência
mas, a curto prazo não provoca risco de vida. O doente deverá contactar o seu médico assistente ou ser
encaminhado para uma unidade de saúde.
Os principais sinais e sintomas que ocorrem na hiperglicemia são:
Inconsciência;
Sonolência;
Pele vermelha e quente;
Hálito acetónico.
A hipoglicemia é a descida do nível de açúcar para níveis abaixo do normal (inferior ou igual a 70
mg/dL). As causas mais comuns de hipoglicemia ocorrem em doentes diabéticos e decorrem por:
Falha numa refeição
Refeição pobre em hidratos de carbono
Vómitos
Insulina em excesso.
Os principais sinais e sintomas são os que a seguir se apresentam:
Sudorese;
Palpitações;
Tremores;
Palidez;
Fraqueza;
Sensação de fome;
Inquietude/Irritabilidade;
Dificuldade de concentração.
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Primeiros Socorros
Se nesta fase não forem tomadas medidas pertinentes para controlar os níveis de glicemia, a doença
vai intensificar-se e evidenciar sinais de problemas graves no sistema nervoso central, tais como períodos
de confusão, dificuldade de locomoção e delírios, que evoluem rapidamente para a perda de consciência,
convulsões e coma.
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Enfarte do miocárdio
O enfarte agudo do miocárdio (EAM) é a morte do tecido do músculo cardíaco - miocárdio, devido ao
bloqueio do fluxo de sangue para o coração.
A morte do miocárdio ocorre por diminuição ou paragem total do fluxo sanguíneo. As artérias
coronárias que alimentam o músculo cardíaco ficam bloqueadas por gordura, colesterol ou outras
substâncias – placa. Este processo lento denomina-se aterosclerose. Quando a placa rompe, acumula-se
um trombo à volta da placa. O trombo bloqueia a passagem do fluxo sanguíneo, que causa isquemia.
O enfarte do miocárdio não resulta necessariamente em morte.
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Modificáveis:
Tabaco;
Colesterol sanguíneo elevado;
Pressão Arterial elevada;
Inatividade física;
Excesso de peso e obesidade;
Diabetes Mellitus.
O EAM pode ser prevenível através da redução da exposição aos fatores de risco. Assim, é
aconselhável:
Diminuição ou cessação do tabaco;
Dieta saudável;
Redução do colesterol sanguíneo;
Redução da pressão arterial;
Atividade Física;
Manutenção do peso correto;
Controlo da Diabetes;
Redução do Stress;
Limitação do álcool.
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Acidente Vascular Cerebral
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma doença cardiovascular, que ocorre quando os vasos
sanguíneos que transportam o oxigénio e nutrientes para o cérebro são obstruídos por um coágulo.
Existem 2 tipos de AVC:
Isquémico;
Hemorrágico.
Embolismo cerebral:
Coágulo sanguíneo que se forma numa outra localização do sistema circulatório,
usualmente grandes artérias do coração, parte superior do peito e região do
pescoço;
Parte do coágulo solta-se entra na corrente sanguínea e viaja até atingir vasos mais
pequenos na região cerebral.
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Figura 26: Trombo que se desloca - êmbolo
Malformação arterio-venosa:
Conjunto de vasos sanguíneos malformados
Podem romper a qualquer momento, por aumento da pressão do fluxo sanguíneo, causando
uma hemorragia cerebral.
Por vezes, um coágulo bloqueia temporariamente o fluxo sanguíneo cerebral, originando um Acidente
Isquémico Transitório (AIT). É também designado “Mini-derrame”. Tem uma duração inferior a 5 minutos e
apresenta os mesmos sinais de aviso de um AVC.
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Principais sinais de alarme:
Desvio da comissura labial:
Pedir à pessoa para sorrir;
Fraqueza no braço:
Pedir à pessoa para erguer ambos os braços;
Verificar se há um desvio superior num dos braços;
Dificuldade na fala:
Pedir à pessoa para repetir uma frase simples;
Verificar se repete a frase corretamente.
Modificáveis:
Tabaco;
Colesterol sanguíneo elevado;
Pressão Arterial elevada;
Inatividade física;
Excesso de peso e obesidade;
Diabetes Mellitus;
Outras doenças cardíacas, como doença das artérias coronárias, fibrilhação auricular.
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O AVC, à semelhança do EAM, pode ser prevenível através da redução da exposição aos fatores de
risco. Assim, é possível prevenir através de:
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Convulsão (Epilepsia)
Uma convulsão apresenta-se como atividade muscular involuntária, associada a perda de consciência,
que pode ser generalizada ou localizada a um membro ou região.
Podem ser causadas por várias situações como:
Epilepsia;
AVC;
TCE;
Neoplasias cerebrais;
Febre nas crianças.
A epilepsia é uma doença neurológica crónica que provoca descargas elétricas descontroladas a nível
cerebral. Estas podem levar a diversas reações do corpo, nomeadamente movimentos musculares
involuntários – convulsão. As crises convulsivas são, normalmente, de curta duração, raramente
ultrapassando os 15 minutos.
Os sinais e sintomas que podem auxiliar na identificação de uma convulsão são os seguintes:
Imobilização repentina da vítima, com ranger de dentes;
Referência a luzes coloridas;
Queda súbita;
Cianose;
Salivação excessiva (“espumar pela boca”);
Inconsciência (com recuperação progressiva após a ocorrência da crise).
Primeiros Socorros
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