0% acharam este documento útil (0 voto)
46 visualizações2 páginas

Princípio da Fungibilidade Recursal no CPP

O documento discute o princípio da fungibilidade recursal que permite que um recurso interposto erroneamente seja considerado como o recurso correto desde que atendidos certos requisitos. Ainda trata de um caso específico sobre apelação de decisão que rejeitou denúncia e determina o prazo e formalidades para interposição do recurso de apelação.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
46 visualizações2 páginas

Princípio da Fungibilidade Recursal no CPP

O documento discute o princípio da fungibilidade recursal que permite que um recurso interposto erroneamente seja considerado como o recurso correto desde que atendidos certos requisitos. Ainda trata de um caso específico sobre apelação de decisão que rejeitou denúncia e determina o prazo e formalidades para interposição do recurso de apelação.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

a)
O princípio recursal aplicado nesse caso foi o princípio da fungibilidade recursal. Esse
princípio prevê que, em caso de dúvida quanto ao recurso adequado a ser interposto, o juiz
pode admitir o recurso interposto erroneamente e considerá-lo como se fosse o recurso
correto, desde que atendidos os requisitos de admissibilidade do recurso correto. No caso em
questão, o juiz entendeu que o recurso interposto por Graciliano poderia ser considerado
como se fosse o recurso correto, apesar de não ser o prazo adequado, e decidiu receber o
recurso para dar seguimento ao processo.

b)
De acordo com a doutrina, para que seja aplicado o princípio da fungibilidade recursal, devem
ser observados os seguintes requisitos:
1. Dúvida objetiva: É preciso que exista uma dúvida objetiva quanto ao recurso correto a
ser interposto. Essa dúvida deve ser razoável e fundada em argumentos jurídicos
consistentes.
2. Boa-fé: O recorrente deve agir com boa-fé, ou seja, não pode ter interposto o recurso
errado de forma deliberada ou com o objetivo de protelar o processo.
3. Inexistência de prejuízo: A aplicação da fungibilidade recursal não pode causar
prejuízo às partes ou comprometer o contraditório e a ampla defesa.
4. Atendimento aos requisitos do recurso correto: O recurso interposto erroneamente
deve atender aos requisitos de admissibilidade do recurso correto. Isso significa que
devem ser observados os prazos, formalidades e pressupostos processuais previstos
para o recurso correto.
5. Ausência de recurso protelatório: O recurso interposto erroneamente não pode ser
considerado um recurso protelatório ou utilizado com o objetivo de atrasar o processo.
Assim, para que seja aplicado o princípio da fungibilidade recursal, é preciso que esses
requisitos sejam atendidos de forma cumulativa. Caso contrário, o recurso interposto
erroneamente não poderá ser admitido como recurso correto.

Nesse caso, o recurso cabível é o recurso de Apelação, conforme previsto no artigo 593, I, do
Código de Processo Penal. O prazo para interposição do recurso é de 5 dias, contados a partir
da intimação da decisão que rejeitou a denúncia, nos termos do artigo 593, caput, do Código de
Processo Penal.
Além disso, o recorrente deverá apresentar as razões de apelação no prazo de 8 dias, nos
termos do artigo 600, § 4º, do Código de Processo Penal. É importante lembrar que, caso o
Ministério Público não apresente as razões de apelação dentro do prazo legal, o recurso será
considerado deserto e não será conhecido.

l)
A frase está correta. O efeito devolutivo do recurso permite que o tribunal, em sua dimensão
vertical (profundidade), analise toda a matéria e corrija eventuais vícios na sentença proferida
pelo juízo a quo. Ou seja, ao julgar uma apelação, o tribunal tem a possibilidade de reexaminar
todas as questões suscitadas pelas partes no processo, inclusive aquelas que não foram
apreciadas pela sentença recorrida. Nesse sentido, é possível que o tribunal modifique o
enquadramento típico da conduta do réu, como ocorreu no caso narrado.
Vale lembrar que o efeito devolutivo do recurso é limitado pelas razões apresentadas pelo
recorrente. No caso em questão, a defesa do réu recorreu exclusivamente para corrigir o tipo
penal a que o réu estaria incurso, limitando, portanto, a possibilidade de revisão pelo tribunal.
Caso a defesa tivesse apresentado outras questões, o tribunal poderia analisá-las também.
ll)
O princípio processual penal que pode ser invocado para a resolução do caso é o princípio da
correlação ou congruência entre a acusação e a sentença. Esse princípio determina que a
sentença deve estar fundamentada na acusação que foi apresentada pelo Ministério Público e
discutida pelas partes durante o processo. Ou seja, a sentença deve guardar relação de
correspondência com a acusação, em seus termos e limites, sob pena de nulidade.
No caso narrado, a defesa recorreu exclusivamente para corrigir o tipo penal a que o réu
estaria incurso, limitando, portanto, a possibilidade de revisão pelo tribunal. No entanto, o
tribunal, ao modificar o enquadramento típico da conduta, agiu dentro dos limites do princípio
da correlação, pois a sentença recorrida discutiu a conduta do réu e a acusação de falsidade
ideológica, e o tribunal apenas adequou o tipo penal de acordo com a conduta efetivamente
praticada.

4
a) O recurso adequado para atacar essa decisão é o recurso de apelação.

b) O prazo para interposição do recurso de apelação é de 5 (cinco) dias, conforme o artigo 593,
caput, do Código de Processo Penal. Como a intimação pessoal ocorreu em 31/03/22 (quinta-
feira), o prazo para interposição do recurso começou a correr em 01/04/22 (sexta-feira) e se
encerrará em 05/04/22 (terça-feira).

A decisão dos desembargadores em dar provimento à apelação e determinar um novo


julgamento pelo plenário do júri está correta. O artigo 593, II, b do CPP prevê que a apelação
pode ser interposta pelo Ministério Público ou pela defesa quando a decisão do júri for
contrária à lei expressa ou à evidência dos autos. Nesse sentido, se a defesa entendeu que a
decisão dos jurados não observou a lei ou as provas produzidas, é cabível a interposição do
recurso de apelação.
Cabe destacar que o novo julgamento determinado pelo Tribunal de Justiça deverá seguir as
regras e procedimentos previstos em lei para a realização do júri, garantindo-se ao réu todas
as garantias processuais previstas em lei. Além disso, é importante que os jurados sejam
imparciais e isentos para a tomada de decisão, baseando-se apenas nas provas produzidas em
juízo.

Você também pode gostar