CEREAIS E
LEGUMINOSAS
Técnica Dietética
O que a agricultura representa
no consumo de cereais e
leguminosas
Os cereais compõem de 50 a 60 %
do volume total de alimentos que as
populações consomem diariamente.
Estes alimentos estão ligados ao
surgimento das civilizações.
(Babilônia, Egito, Grécia, China,
Japão e das Américas).
Formam partes de ritos e
cerimônias.
AMIDO: É obtido a partir dos
cereais através da
separação do endosperma
da casca ou farelo e do
germe, depois é separado
da parte protéica.
Hoje todos são chamados amidos, mas
antigamente:
Quando o amido é extraído das partes
aéreas comestíveis dos vegetais
(sementes), a fécula é extraída das partes
subterrâneas (tubérculos, raízes e rizomas).
o produto amiláceo extraído do milho é
chamado amido e o da batata é chamado
fécula.
GELATINIZAÇÃO:
Os grânulos de amido formam uma suspensão na água fria mas não
se dissolvem com o aquecimento;
Através da membrana permeável os grânulos se dilatam, ou seja,
absorvem água (hidrófilo), aumentando de tamanho em até 3 vezes.
PROCESSO
60o C: torna-se menos fluida.
70o C: com intumescimento do grânulo de amido o líquido
torna-se viscoso.
80o C: corpo sólido gelatinoso, os grânulos se aderem
uns aos outros, sem água.
95o C: ponto máximo de gelatinização, massa
translúcida, goma de amido.
No resfriamento formam géis firmes (polenta, curau de
milho, arroz)
> 95o C: rompem-se as membranas que envolvem o grão
libera dextrina, que é semi-solúvel.
A preparação torna-se cada vez mais líquida, hidrólise do
amido (mingau desandou).
O amido em solução ácida
A envoltura do grão se rompe;
O amido não retém o mesmo volume de água;
Reduz a viscosidade, produzindo um gel mais
macio;
Portanto em preparações com sucos ácidos de
frutas, deve-se aumentar a quantidade de amido.
DEXTRINIZAÇÃO:
Ocorre durante o aquecimento prolongado;
Industrialmente utilizado na fabricação de
cereais pré cozidos (“corn flakes”) ou
parcialmente dextrinizados (farinha de
aveia);
Durante a hidrólise parcial do amido há o
rompimento gradativo das membranas que
envolvem os grãos, liberando dextrina;
Produzem soluções menos consistentes,
portanto, de baixa viscosidade;
Mais solúveis em água, este é o principio
da formação dos molhos com roux.
PROTEÍNAS DOS CEREAIS
Possuem proteínas de natureza variada mas as que predominam
são as prolaminas e glutelinas;
Tem valor biológico limitado devido a presença de aminoácidos
limitantes;
No trigo existem duas proteínas predominantes, são elas:
Glutenina (glutelina)
Gliadina (prolamina)
O valor da panificação é dado pela qualidade destas proteínas em
formar o glúten (uma nova proteína dado pela presença de água
e amassado).
O glúten possui propriedades físicas diferentes das outras proteínas;
Proporciona elasticidade à massa, resistência à distensão na presença
de água e CO 2.
Ao assar a coluna de glúten se funde deixando um esqueleto e
formando um miolo elástico homogeneamente distribuído, o que
distingue um bom pão.
Para um glúten de boa qualidade a farinha de trigo deverá ter aprox.
11% de proteína e a relação gliadina/glutelina 3:1.
Existem outras proteínas análogas em outros cereais:
Zeina - milho
Orizeina - arroz
Hordenina - cevada
Formação de glúten
amido
Camada de
proteína
umedecida,
se expande
proteína
A proteína forma
Por ação uma rede elástica,
da água e resistente, com
força características
mecânica especificas para a
farinha de trigo
Armazenamento
Os cereais devem ser armazenados em
local seco e arejado, sem receber luz
solar, à temperatura ambiente, em
estrados de madeira e livre de insetos e
roedores.
Usos:
Pré-preparo
Devem ser selecionados e retiradas as
possíveis impurezas;
Em seguida é necessário lavar para eliminar
o pó da superfície;
Para alguns grãos é necessário uma panela
de pressão ou remolho;
Deve-se cozinhar em panelas com tampas de
bom ajuste.
Preparo
A panela deve conter um pouco de óleo para evitar que os
grãos grudem no fundo;
Dependendo do cereal deve-se destampar a panela para evitar
que derramem os líquidos;
Após o cozimento a fogo alto com a panela aberta (ver tabela
de tempo de cozimento), abaixar o fogo, a panela deve ser
novamente tampada até que todo o líquido tenha sido
parcialmente absorvido;
Depois de apagar o fogo é conveniente misturar os grãos da
parte superior com os da parte inferior para obter um
cozimento homogêneo.
Pode-se também refogar em óleo antes da adição
de água quente especialmente no caso da cevada,
arroz e sorgo.
Neste procedimento pode-se também agregar
colorantes, vegetais, verduras e outros condimentos,
especialmente açafrão, alho, coentro e cebola.
Quando se mistura cereais, tais como arroz com
trigo ou cevada obtém-se resultado mais
consistente e saboroso.
ARROZ (Oryza
sativa)
• O arroz é o cereal mais
antigo.
Arroz
parbolizado
Arroz grão
Longo
Flocos de
arroz
Arroz
Arroz integral vermelho
Arroz basmati
Arroz
arbóreo
Arroz
jasmim
Métodos de cocção
Método de absorção: procedimento no qual a
medida de água é totalmente absorvida.
Após o refogado, adiciona-se água em ebulição,
abaixa-se a temperatura e abafa-se, para que a
gelatinização do amido se faça lenta e
uniformemente, cozinhando no próprio vapor.
Exemplos: risotos e paellas, arroz Pilaf.
ARROZ
PILAF
RISOT
O
Método de água quente: cocção em grande
quantidade de água, depois de cozido escorre-
se e lava-se para retirada do excesso de
amido. Deixa os grãos soltos e secos, o arroz
pode esfriar e ser re-aquecido sem grudar.
Exemplos: Arroz nordestino (utensílio
especifico, escorredor de arroz).
O TRIGO Triticum vulgare
O trigo comum ou candeal --- Europa. É de fácil cozimento, altamente
nutritivo sempre e quando tenha-se mantido o gérmen.
O trigo duro é ideal para a confecção de pastas alimentícias e pães.
Durante a moagem proporciona uma farinha amarela granulosa chamada
sêmola. Também prepara-se cuscuz marroquino e o quibe.
MILHO
O principal método de
cocção para o milho e
a canjica é o calor
úmido, como
observado para os
cereais de forma geral.
Exceções: milho
assado e pipoca.
AVEIA
Os grãos de aveia têm um dos
mais altos teores protéicos,
com valores médios entre 15 e
20% de qualidade protéica.
Quanto aos carboidratos, pode-
se citar a presença de beta-
glucanas.
Quinua e
amaranto
Quinua
Para os incas, é uma planta sagrada.
Para o homem moderno, é uma
alternativa alimentar altamente
nutricional, e ecologicamente viável.
A quinua é cultivada nas regiões andinas
há pelos menos 5 mil anos, e que
continua a ser produzido principalmente
no Peru e na Bolívia e no planalto da
região centro-oeste do Brasil.
Valor nutricional
O valor protéico da quinua real é superior ao dos demais
cereais. As sementes contêm 23% de proteínas e grande
quantidade de vitaminas, tais como B1, B2, B3, B6, C e E.
É rica também em minerais como o ferro (9,5 mg/100 g), o
fósforo (286 mg/100 g) e o cálcio (112 mg/100 g).
Da mesma forma, o valor calórico está calculado em 350
Kcal/100gr, o que faz da quinua um alimento apropriado para
áreas altas e épocas mais frias.
Aplicação dos diversos cereais em Técnica
Dietética
Cereal Preparações
Milho Doces: canjica, pamonha, pão, bolos, mingau,
sorvete, biscoito, doces.
Salgadas: cuscuz, pipoca, creme, saladas,
snacks (petiscos), espiga, grãos, molhos.
Arroz Doces: arroz doce, mingau.
Salgadas: arroz à grega, salada de arroz
selvagem, baião-de-dois (arroz com feijão), arroz
de carreteiro, bolinho de arroz, rocambole,
risotos, com temperos (açafrão), paella.
Trigo (farinha Doces: bolo comum, tortas, pão-de-ló, biscoitos.
de trigo) Salgados: pães, tortas, pizza.
Aveia Doces: mingaus, biscoitos, bolos, creme,
vitaminas de frutas.
Salgadas: pão, sopa.
Centeio Doces: bolo, biscoito.
Salgadas: pão, torrada.
Em bebidas: uísque, vodca e álcool.
Cevada Em bebidas: cerveja (malte), infusão (parecida
com o café).
Salgadas:sopas, pão (natural).
Quinua e
amaranto Sopas, saladas, “atamalados”, sobremesas
LEGUMINOSAS
Técnica Dietética
DEFINIÇÃO
❖ São chamadas de leguminosas as plantas cujas sementes
ficam encerradas dentro de vagens.
❖ Na culinária dá-se o nome de leguminosas às sementes
comestíveis destas plantas. São exemplos: feijão, soja,
ervilhas, lentilhas, grão de bico.
❖ As vagens das leguminosas são ricas em tecido fibroso.
Em algumas espécies, estas estruturas podem ser
consumidas quando verdes, como é o caso das ervilhas e
vagens.
ORIGENS
∙ O feijão é originário da América, constituindo com o
milho a base da alimentação dos astecas, maias e
incas.
∙ A soja, ou feijão soja, junto com o arroz é a base da
alimentação das populações asiáticas.
∙ No Brasil, a leguminosa mais consumida é o feijão,
havendo uma regionalização do consumo de
determinadas variedades.
Embriã
o
Tegument
o
Cotilédone
Hil
o
VALOR NUTRITIVO
As leguminosas contém aproximadamente:
▪ 7 a 12 mg de ferro
▪ Apreciável quota de vitaminas do complexo
B
▪ 50% de carboidrato
▪ cerca de 23% de proteínas
Os grãos apresentam uma envoltura de
celulose que representa de 2 a 5% dos
mesmos.
PRINCIPAIS GRÃOS
Feijões
Dois grupos principais:
• os que são consumidos verdes junto com o favo ([Link].
ervilhas e feijão de corda)
• os que são consumidos apenas as sementes.
- subdivididos em feijões miúdos e graúdos:
Feijões
graúdos
Feijão Feijão jalo
branco
Feijões
Miúdos
Feijão preto Feijão fradinho Feijão azuki Feijão carioca
Feijão bico
Feijão mulatinho Feijão rosinha
de ouro Feijão roxinho
Ervilha
❖ Existem inúmeras variedades de ervilha.
❖ Da maioria delas só se aproveitam as sementes,
desprezando-se as vagens.
❖ As ervilhas devem ser brilhantes e firmes e sua
vagem sem manchas.
❖ Podem ser preparadas cozidas, ensopadas, em
saladas ou acompanhando outros pratos.
Vagem e ervilha torta
❖ Ervilha de vagem macia, porém firme e brilhante.
❖ Geralmente é utilizada inteira, por ser desprovida de
grãos. Pode ser salteada ou cozida al dente.
Lentilhas
❖ São utilizadas há cerca de oito mil anos, primeiramente
pelos egípcios.
❖ Há muitas variedades, e as lentilhas podem ser
consumidas quentes ou frias, em saladas , sopas,
cremes ou ensopados, ou ainda acompanhando arroz
ou massas.
Grão de bico
É um ingrediente comum em pratos árabes, franceses,
espanhóis e italianos, tais como humus, couscouz e puchero,
entre outros.
Também é muito freqüente em toda a cozinha mediterrânea.
A farinha de grão de bico, besan, é muito utilizada para fazer
panquecas e frituras.
Soja
❖ Existem mais de mil variedades.
❖ É muito rica em proteínas.
❖ São produzidos a partir da soja: o extrato de soja,
semelhante a leite, tofu, misso, proteína texturizada de
soja, óleo, margarina, e farelo de soja, entre outros.
❖ O farelo foi muito utilizado na alimentação dos
soldados durante a Segunda Guerra Mundial.
❖ A soja possui um sabor suave, que não sobressai
entre outros alimentos.
PREPARO
❖ Todas as leguminosas são cozidas em água até
ficarem macias. Quando ainda verdes, as vagens
são tratadas retirando-se a fibra endurecida que
se encontra ao longo dos bordos.
❖ Durante o preparo, as leguminosas secas, como
são consumidas com maior freqüência, absorvem
água e se tornam mais macias; a digestibilidade
aumenta e o sabor se desenvolve.
PREPARO
❖ O processo de reidratação e cocção depende de
diversos fatores:
✔ período de tempo de armazenamento
✔ variedade da leguminosa
✔ dureza da água em que as leguminosas serão
cozidas
❖ O tempo de cocção aumenta conforme aumenta o
tempo de armazenamento.
❖ O sal de cozinha, se a água não for dura, não
altera o tempo de cocção, sendo indiferente colocar
no início ou final do cozimento.
REIDRATAÇÃO DE LEGUMINOSAS
SECAS
❖ Antes da cocção as leguminosas secas têm que
ser reidratadas.
❖ O tempo de cocção é aumentado, gerando um
desperdício de combustível.
❖ No entanto, pode-se acelerar o processo de
reidratação fervendo-se os grãos por dois minutos
e em seguida deixá-lo de molho na mesma água
por uma hora.
❖ O ácido endurece a celulose e as substâncias
pépticas das cascas.
❖ Para a cocção podem ser utilizados panela de barro, ferro ou
alumínio. É importante que a panela tenha uma tampa que se
ajuste bem para diminuir a evaporação. A panela de pressão
pode ser utilizada.
❖ Quando se cozinha com a panela de pressão, alguns
cuidados devem ser tomados: não se deve enche-la mais de
1/3 de sua capacidade, para não causar entupimento e
explosão.
❖ Pode-se adicionar uma pequena quantidade de gordura para
evitar o aparecimento de espuma, que também pode entupir
as válvulas.
ARMAZENAMENTO
❖ Os grãos devem ser armazenados
preferencialmente em recipientes herméticos,
colocando-se uma etiqueta com a data de validade.
❖ Não se devem misturar grãos novos e antigos.