Termometria / Calorimetria
Escalas termométricas
Vamos abordar três escalas. A escala Celsius desenvolvida pelo físico
sueco Anders Celsius (1701 - 1744), a escala Fahrenheit desenvolvida por
Daniel G. Fahrenheit (1685 - 1736). A terceira é a escala absoluta Kelvin
desenvolvida por William Thomson (1824 - 1907). É importante salientar
que a escala Kelvin não utiliza em seu símbolo o grau o.
Para relacionar as escalas e determinar
uma relação de conversão entre elas,
basta elaborar uma expressão de
proporção entre elas, da seguinte forma:
θC θ F −32 θ K −273
= =
5 9 5
Ou ainda utilizar os dados da seguinte tabela:
Conversão de: Para: Fórmula:
o
Celsius Fahrenheit F=oC . 1,8 + 32
o
Fahrenheit Celsius C=(oF-32) / 1,8
Celsius Kelvin K=oC + 273
o
Kelvin Celsius C=K - 273
o
Fahrenheit Kelvin K=( F + 460) / 1,8
Kelvin Fahrenhei oF=K . 1,8 - 460
t
De salientar que o zero absoluto ou 0 K corresponde a -273,15 oC e a
-459,67 oF.
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Variação de temperatura
Na imagem das escalas podemos observar que a escala Celsius e a escala
Kelvin possuem a mesma variação de temperatura.
O
Variação da escala Celsius: Δθ C =100−0=100 C
Variação da escala Kelvin: Δ θ K =373−273=100 K
Já a escala Fahrenheit é dividida em 180 partes e não corresponde à
mesma variação nas outras duas escalas.
Δ θ F =232−32=180 o F
Relação de conversão de variações
Δ θC Δ θ F Δ θ K
= =
5 9 5
Dilatação térmica dos sólidos
A dilatação térmica dos sólidos aparece em três tipos: dilatação linear
(aquela que ocorre em apenas uma dimensão), dilatação superficial
(ocorre em duas dimensões) e dilatação volumétrica (ocorre em três
dimensões).
Dilatação linear
A dilatação linear é dada pelas seguintes fórmulas:
Δ L=L−L0
Δ L=L0 . α . Δ θ
Onde α é coeficiente de dilatação linear
do material, diferente para cada tipo de material. Sua unidade de medida
é oC-1 e Δ θ em oC
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O comprimento final L é dado pelas seguintes fórmulas:
L= Δ L+ L0
L=L0 (1+ α . Δθ)
Dilatação superficial
A dilatação superficial é dada pelas seguintes fórmulas:
Δ A= A−A 0
Δ A= A0 . β . Δ θ
Onde β é o coeficiente de
dilatação superficial.
A área final A é dado pelas seguintes fórmulas:
A=Δ A+ A 0
A=A 0 (1+ β . Δθ)
A relação do coeficiente de dilatação superficial com o linear é dada por:
β=2 . α
Dilatação volumétrica
A dilatação volumétrica é dada pelas seguintes fórmulas:
Δ V =V −V 0
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Δ V =V 0 . γ . Δ θ
Onde γ é o coeficiente de dilatação volumétrica.
O volume final V é dado pelas seguintes fórmulas:
V = Δ V +V 0
V =V 0 (1+γ . Δ θ)
A relação do coeficiente de dilatação volumétrica com os outros
coeficientes é dada por
γ =3 . α
γ =α + β
γ =2 . β
Tabela de dilatação linear de algumas substâncias
Substância α (oC-1) Substância α (oC-1)
Chumbo 27.10-6 Platina 9.10-6
Zinco 26.10-6 Vidro (comum) 8.10-6
Alumínio 22.10-6 Tungsténio 4,3.10-6
Prata 19.10-6 Vidro (pyrex) 3.10-6
Cobre 17.10-6 Ferro 12.10-6
Ouro 15.10-6 Cromo 4,9.10-6
Dilatação térmica dos líquidos
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A dilatação de um líquido deve levar em consideração a dilatação
aparente (extravasada) e a do recipiente, considerando o recipiente cheio.
A dilatação volumétrica real do líquido é dada pelas seguintes fórmulas:
Δ V real= Δ V rec + Δ V ap
Δ V real=V 0 . γ real . Δ θ
A dilatação do recipiente:
Δ V rec=V 0 . γ rec . Δ θ
A dilatação aparente:
Δ V ap=V 0 . γ ap . Δ θ
Δ V ap=Δ V real −Δ V rec
O coeficiente aparente:
γ ap=γ real −γ rec
Quando se fala em Δ V real, Δ V ap, γ realou γ ap , estamos sempre a referirmo-nos
ao líquido.
Capacidade térmica e calor específico
Definimos capacidade térmica C (unid: g/oC) de um corpo como sendo a
quantidade de calor necessária por unidade de variação da temperatura
do corpo.
Q
C= C=c . m
Δθ
A capacidade térmica é uma característica do corpo e não da substância.
Portanto diferentes blocos de um certo material têm capacidades
térmicas diferentes, apesar de serem constituídos da mesma substância.
Quando consideramos a capacidade térmica da unidade de massa, temos
o calor específico c da substância considerada.
C Q
c= c=
m m . Δθ
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Calor específico é uma característica da substância e não do corpo.
Portanto, cada substância possui o seu calor específico.
Eis uma tabela do calor específico de algumas substâncias
Calor específico
Substância
(cal/goC)
Água 1,000
Álcool 0,580
Alumínio 0,219
Chumbo 0,031
Cobre 0,093
Ferro 0,550
Mercúrio 0,033
Prata 0,056
Gelo 0,500
Vidro 0,200
Vapor de água 0,480
A unidade de medida do calor específico c e da capacidade térmica C é
cal/[Link]
Equação fundamental da calorimetria
Combinando os conceitos de calor específico e capacidade térmica, temos
a equação fundamental da calorimetria.
Q=m. c . Δ θ
Que também pode tomar as seguintes formas:
C Q
Q=m. .Δ θ Q=m. . Δθ
m m. Δ t
Trocas de calor
Se vários corpos, no interior de um recipiente isolado termicamente,
trocam calor, os de maior temperatura cedem calor aos de menor
temperatura, até que se estabeleça o equilíbrio térmico. E de acordo com
a conservação, temos:
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Q1 +Q2 +Q3 +Qn=0
Se o calor recebido é Q R e o calor cedido é QC temos que Q R >0 e QC <0
Mudança de estado físico
Toda a matéria, dependendo da temperatura, pode se apresentar em
quatro estados. Sólido, líquido, gasoso e plasma. Vamos abordar os três
primeiros.
Fusão: Passagem do estado sólido para líquido.
Solidificação: Passagem do estado líquido para sólido.
Vaporização: Passagem do estalo líquido para vapor. Esta pode ser de três
tipos. Evaporação (processo lento). Calefação (líquido em contacto com
superfície a uma temperatura elevada). Ebulição (formação de bolhas).
Liquefação (ou condensação): Passagem do estado de vapor para o estado
líquido.
Sublimação: Passagem do estado sólido directamente para o estado de
vapor e vice-versa.
Calor latente
Calor latente (unid: cal/g) de mudança de estado é a quantidade de calor,
por unidade de massa, que é necessário fornecer ou retirar de um corpo ,
a dada pressão, para que ocorra a mudança de estado, sem variação de
temperatura. Matematicamente:
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Q
L=
m
Eis a tabela de calor latente da água em todos os seus estados.
Designação Temperatura Símbolo Valor
Fusão do gelo 0 oC LF 80 cal/g
Solidificação da
0 oC LS - 80 cal/g
água
Vaporização da
100 oC LV 540 cal/g
água
Condensação do
100 oC LC - 540 cal/g
vapor
Falou-se aqui que a unidade de calor é representada em calorias (cal), mas
também pode ser representada em Joule (J) 1 J = 0,24 cal e 1 cal = 4,18 J.
Nesse caso o calor específico (c) é representado por J/g 0C ou J/KgoC,
dependendo da unidade de massa (m). A capacidade térmica (C) será
representada por J/oC e o calor latente (L) por J/g ou J/Kg.
Fluxo de calor
Consideremos uma barra
condutora de comprimento L e
cuja secção transversal tem área A,
cujas extremidades são mantidas
em temperaturas diferentes, como
ilustra a figura. Nesse caso, o calor
fluirá através da barra, indo da
extremidade que tem maior
temperatura para a extremidade que tem menor temperatura. A
quantidade de calor Q que atravessa uma secção recta da barra, num
intervalo de tempo ∆ t é chamado fluxo de calor e representa-se por:
Q
Φ=
Δt
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O fluxo de calor (ou fluxo térmico) Φ através de uma superfície de área A é
definido como a quantidade de calor por unidade de tempo ( Q/t ) por
unidade de área:
Q
t
Φ=
A
A unidade do fluxo de calor no SI é W/m2
Lei da condução térmica ou lei de Fourier
A lei de condução do calor (ou lei de Fourier) estabelece que o negativo do
fluxo de calor entre essas faces é diretamente proporcional à diferença de
temperatura e inversamente proporcional à espessura:
Δθ
Φ=−λ
l
O sinal negativo dá coerência com a
segunda lei da Termodinâmica (calor só
passa da temperatura mais alta para a mais
baixa).
l O factor de proporcionalidade λ é
denominado condutividade térmica. É uma
grandeza que depende do material e da sua
temperatura.
A unidade SI da condutividade térmica é W/(m.K) ou W/(m.°C) porque
diferenças de temperatura em K e °C são numericamente iguais.
Em alguns casos é utilizada a letra k para a condutividade térmica.
O calor por unidade de tempo φ pode ser calculado através de:
ΔQ Δθ
φ= =− λ . A
Δt Δl
A unidade de medida do calor por unidade de tempo é o W .
Φ = Fluxo de calor Q = Quantidade de calor Δ t = Intervalo de tempo
λ = Coeficiente de condutibilidade térmica A = Área da superfície Δθ
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= Diferença de temperatura l = Comprimento ou espessura Δθ /l
= Gradiente de temperatura (oC/m) φ = Calor por unidade de tempo = φ /t
Quanto maior for o valor do coeficiente de condutibilidade térmica ( λ ) do
material, melhor será a condução térmica, ou seja, o material é um bom
condutor térmico. Já, no caso dos materiais isolantes térmicos, o
coeficiente de condutibilidade térmica ( λ ) apresenta um valor
comparativamente menor.
Exemplo: Um circuito integrado (chip) quadrado de silício ( λ =150W/m.K)
possui w=5mm de lado e uma espessura t=1mm. O chip está alojado no
interior de um substrato de tal modo que as superfícies laterais e inferior
estão isoladas termicamente, enquanto sua superfície superior encontra-
se exposta a uma substância refrigerante. Se 4W estão sendo dissipados
pelos circuitos que se encontram montados na superfície inferior do chip,
qual a diferença de temperatura que existe entre as suas superfícies
inferior e superior, em condições de regime estacionário?
Δθ Δθ
φ=λ . A .
l
4=150.0 , 00 5 2
0,001
Δθ 0,001.4
4=¿0,00375. Δ θ= 0,00375 Δ θ=1,067oC
0,001
A condutância térmica é a grandeza extensiva à condutividade térmica e é
definida por:
λ. A
K=
Δl
A unidade SI da condutância térmica K é W /(m2 . K ) ou W /¿ oC)
Resistência térmica é o inverso da condutância térmica.
Δl b
R=
λ. A
A unidade SI de resistência térmica Ré m2 . K /W ou m2 .oC /W
Em algumas fontes, a condutividade térmica é expressa em quilocaloria
por metro, por hora e por grau Celsius. A equivalência das unidades é:
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1 Kcal/¿ .oC ¿=1,163 W /¿ .oC ¿
Condução em tubo
Para o cálculo da condução de calor através de paredes não planas, usa-se
a forma diferencial da igualdade.
ΔQ Δθ
Φ= =−λ . A
Δt e
Seja, conforme a figura, um tubo de comprimento l, raio interno r 1 e raio
externo r 2. As temperaturas nas superfícies interna e externa são
supostamente θ1 e θ2, para uma camada cilíndrica fina de raio r e
espessura e .
Substituindo na equação acima:
e −2 π . λ . l
= Δθ
r Φ
Integrando de a e de a
e r1 r2 ΔT T1 T2
2 π . λ .l
Φ= (θ1−θ 2)
¿
( )
r2
r1
Exemplo: Numa refinaria de petróleo, o vapor de água em temperatura de
120 0C é conduzido por uma canalização de raio igual a 30 cm. A
canalização é envolvida por uma capa cilíndrica de cortiça com raios
internos e externos, respectivamente iguais a 30 cm e 50 cm. A superfície
externa está em contacto com o ar à temperatura de 10 0C. λ (cortiça) =
0,04 J/ s.m .oC
a) Qual a temperatura num raio de 40 cm?
b) Qual a taxa de transmissão de calor para o exterior, supondo que
a canalização tem 10 m de comprimento?
r
¿( )
a ( 0 ,3 )
0,4
¿
θ=θ2− ∆θ θ=120− 0 ,5 (120−10)
¿(
0 ,3 )
b
¿( )
a
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0,288
θ=120− 0,511 .110 θ=58 , 05 oC
2 π . λ .l(T 2−T 1) 2 π .0 , 04.10(120−10)
Φ=
b
¿( )
Φ=
¿(
0,5
)
Φ= 276 , 46
0,511
a 0,3
Φ=541,018 W
Condução em esfera oca
Seja, conforme a figura, uma esfera oca de raio interno r 1 e raio externo r 2.
As temperaturas das superfícies interna e externa são respectivamente θ1
e θ2 , para uma casca fina de raio r e espessura e
e −4 π . λ
= ΔT
r2 Φ
De forma similar à anterior, integrando e de
r 1 a r 2 e ΔT a T 1 a T 2 , chega-se a:
4 π .λ
Φ= (θ −θ )
1 1 1 2
−
r1 r2
Exemplo: Um reservatório metálico de
processo tem forma esférica com diâmetro 2 metros e uma camada de
isolamento térmico de 10 cm de espessura e condutividade térmica
0 , 1W /(m. K) . Determinar a perda de calor, sabendo que as temperaturas
das superfícies externas do metal e do isolamento são respectivamente
200°C e 50°C.
4 π .λ 4 π .0 ,1
Φ= (θ −θ ) Φ= (200−50)
1 1 1 2
−
1
−
1
r1 r2 1 (1+0 , 1)
1,257
Φ= 0,091 .150 Φ=2072 W
Ou ainda:
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4 π . γ ( r + e) . r . Δ θ 4 π .0 ,1 ( 1+0 , 1 ) .1 .(200−50)
Φ=
e
Φ=
0,1
Φ=2073 W
Condução em camadas
A condução de calor através de camadas de materiais de diferentes
condutividades térmicas é uma situação comum na prática. Exemplo:
paredes de construções, tubos com isolamento térmico, etc.
No exemplo da figura, uma parede plana de área A é formada por três
camadas com espessuras e condutividades distintas. Usando o conceito da
resistência térmica, temos:
∆ θ=θ3 −θ0=Rt .Φ
Onde Rt é a resistência térmica do
conjunto das três camadas. Desde que a
quantidade de calor por unidade de
tempo Φ passe por cada camada, as
relações individuais são:
θ3 −θ2=−R3 . Φ
θ2−θ 1=−R2 .Φ
θ1−θ 0=−R1 . Φ
Considera-se agora a igualdade:
θ3 −θ0=( θ 3−θ2 ) + ( θ 2−θ1 ) +(θ1−θ 0)
Substituindo e simplificando:
Rt =R1 + R2 + R3
Ou seja, a resistência térmica total de camadas sobrepostas é igual à soma
das resistências individuais, de forma análoga às resistências eléctricas em
série.
A resistência térmica de cada camada é calculada da seguinte maneira:
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∆ e1 ∆ e2 ∆ e3
R 1= R 2= R 3=
λ . A1 λ . A2 λ . A3
O procedimento acima pode ser estendido a camadas cilíndricas ou
esféricas, chegando-se ao mesmo resultado. As resistências térmicas
dessas camadas podem ser deduzidas a partir das fórmulas abaixo.
r2
¿( )
Camada cilíndrica: r1
Rcil =
2 π .λ.l
1 1
−
Camada esférica: Resf =
r1 r2
4 π .λ
Transmissão de calor por convecção
Seja, conforme a figura, uma parede sólida de
temperatura superficial θ s em contacto com um fluido de
temperatura θ f , em local próximo à superfície. A lei de
Newton para o resfriamento estabelece:
Φ=−h(θf −θs )
Onde Φ é o fluxo de calor trocado por convecção e h é o
coeficiente de convecção, que depende do fluido, da temperatura e
geometria do contacto entre sólido e fluido. O coeficiente de convecção
também pode ser representado pela letra grega alfa (α ).
Considerando a definição de fluxo de calor:
Q. t
Φ=
A
E adoptando para calor por unidade de tempo:
ΔQ
φ=
Δt
A relação anterior pode ser escrita na forma mais usual:
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Φ=−h . A .(θ f −θ s)
Onde A é a área da superfície em contacto com o fluido. A unidade SI do
coeficiente de convecção h é W /m2 . K ou W /m2 .oC
Usando o conceito de resistência térmica já visto anteriormente:
∆ θ=−R . Φ
Onde R é a resistência térmica da troca por convecção.
1
R= h . A
Exemplo: Um aquecedor eléctrico que apresenta fluxo de calor Φde
6000 W /m está a 120 oC e é resfriado pela passagem de um fluido a 70 oC.
2
Calcule o coeficiente de convecção. Se a potencia do aquecedor for
diminuída de maneira que Φ=2000 W /m2, qual será a temperatura do
aquecedor?
6000
Φ=−h(θf −θs ) 6000=−h ( 70−120 ) h= 50 h=120 W /m2 .oC
2000=−120(70−θs ) 2000=−8400+120 θ s
10400
120 θ s=2000+8400 θ s= 120 θ s=86 , 7 oC
Convecção e condução em camadas
No exemplo da figura, o calor é
transmitido por convecção de
um fluido na temperatura θ fa
para uma superfície de três
camadas (onde ocorre a
condução) e, finalmente, por
convecção, dessa superfície
para um outro fluido na
temperatura θ fb. Nessa hipótese
θ fa >θ fb
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O procedimento adoptado no tópico condução em camadas, pode ser
estendido para este caso, com resultado similar, isto é, a resistência
térmica do conjunto é igual à soma das resistências individuais.
R=R a + R1 + R2 + R3 + Rb
E a variação total de temperatura é:
θ fa −θfb =R . Φ
As resistências individuais são:
Δ e1 Δ e2 Δ e3
R 1= R 2= R 3=
λ1. A λ2. A λ3. A
Onde A é a área do sólido e λ são as condutividades térmicas dos mesmos.
1 1
Ra = Rb =
ha. A hb. A
Onde h a e h b são os coeficientes de convecção para cada lado.
As equações anteriores podem ser combinadas da seguinte forma:
1
Φ= A .¿
1 Δ e 1 Δ e2 Δ e3 1
+ + + +
h a λ1 λ2 λ 3 hb
Portanto:
Φ=U . S ( θ fa −θ fb ) =−U . A . ∆ θ
Onde:
1 1 ∆ e1 Δ e2 Δ e 3 1
= + + + +
U ha λ1 λ2 λ 3 hb
A grandeza U é denominada de coeficiente global de transmissão de calor
para o conjunto. A unidade SI é W/m2.K ou W/[Link]. Naturalmente, a
formulação para três camadas sólidas, pode ser adaptada para qualquer
número.
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Para o caso de camada de ar, existem dados obtidos experimentalmente
conforme tabela abaixo.
Δ e (cm) Hermética Espelhamento R (m2.0C/W)
1 Não Não 0,066
2 Não Não 0,075
1 Não Sim 0,192
2 Não Sim 0,227
1 Sim Não 0,125
2 Sim Não 0,143
5 Sim Não 0,143
1 Sim Sim 0,238
2 Sim Sim 0,357
5 Sim Sim 0,500
Os valores englobam todos os meios de transmissão e devem ser válidos
na faixa de ar condicionado.
Exemplo de uso: Se na figura acima, a camada 2 for de ar, usa-se R da
Δ e2
tabela no lugar de λ .
2
No caso de um tubo de n camadas, comprimento l , temperatura interna
do fluido θ fa e temperatura externa do fluido θ fb, vale a fórmula:
'
Φ=U .l(θ fa −θ fb )
Consideram-se : r 0 = Raio interno. r i = Raio maior da camada i. λ i =
Condutividade térmica da camada i. h a e h b = Coeficientes de convecção
interno e externo.
O coeficiente U ' é dado por:
r1 r2
.∈ + ¿……………..
π 1 1 1
= + .∈ +
U ' 2. h a . r 0 2. λ 1 r 0 2. λ 2 r 1
Radiação térmica
Na radiação térmica, o calor é transmitido entre dois corpos em diferentes
temperaturas, mesmo sem meio físico entre elas. Essa parcela de
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transmissão é denominada radiação térmica, que são ondas
electromagnéticas.
A quantidade de calor por unidade de tempo (φ) emitida por um radiador
perfeito (corpo negro), é dada por :
4
φ=σ . A .θ
Onde σ é a constante de Stefan-Boltzmann (5 , 67.1 0−8 W /(m2 . K 4 )¿ e θ é a
temperatura absoluta do corpo (em Kelvin elevado à quarta potência).
Para corpos reais, a igualdade anterior tem o acréscimo de um parâmetro:
4
φ=ε . σ . A .θ
Onde ε é emissividade do corpo. É uma grandeza adimensional que
depende do material, do tipo de superfície e da temperatura. Para o corpo
negro ideal, ε =1.
O calor trocado por radiação entre dois corpos de mesma área e
diferentes emissividades e temperaturas pode, em principio, ser calculado
por:
4 4
σ . A (θ1 −θ2 )
φ=
1 1
+
ε1 ε 2
Entretanto, esta fórmula é apenas uma referência. Não deve indicar a
realidade porque não considera a forma das superfícies nem a orientação
entre elas. Uma fórmula prática para cálculo da potência térmica trocada
por radiação entre dois corpos é dada por:
[( ) ( ) ]
4 4
' θ1 θ2
φ=σ . A − Fs . Fe
100 100
Onde σ ' = 5,67, F s é o factor de superfície (adimensional) e F e é o factor de
emissividade (adimensional)
Exemplo 1: Uma garrafa térmica (vaso de Dewar) tem as superfícies
espelhadas com prata. Verificar a potência térmica transmitida por
radiação por unidade de área, considerando as faces com temperaturas de
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298 K e 358 K. Dados: Coeficiente de emissividade da prata ε =0 , 02 , factor
( )
−1
1 1
de superfície F s=1 e factor de emissividade F e = + −1
ε1 ε2
( )
−1
( )
−1
1 1 1 1
F e = + −1
ε1 ε2
F e= + −1 F e =0,0101
0 , 02 0 , 02
[( ) ( ) ]
4 4
φ θ1 θ2
=σ
'
− Fs . Fe
A 100 100
[( ) ( ) ]
4 4
φ 358 298
=5 , 67 − 1.0,0101
A 100 100
φ φ
A
=5 , 67 ( 164 , 27−78 , 86 ) 0,0101 A
=4 , 89W /m
2
Neste caso pode-se supor que a transmissão ocorre apenas por radiação
porque, no vaso de Dewar, é feito vácuo entre as paredes para evitar a
convecção. Em outros casos, essas duas parcelas precisam ser calculadas
como no exemplo a seguir.
Exemplo 2: Um trecho de 30 m de tubulação de vapor não isolada tem
diâmetro externo de 115 mm e temperatura superficial constante de 150 oC.
A temperatura do ambiente, também constante, é de 21 oC. Considerando
que a emissividade (ε ¿ da superfície do tubo é 0,7 e o coeficiente de
convecção (h ¿7,95 W([Link]), determine a perda de calor na tubulação.
Para a convecção:
Φ conv =−h . A .(θf −θ s)
Φ conv =−7 , 95. ( π .30 .0,115 ) .[ ( 21+273 ) −( 150+273 ) ]
Φ conv =11115 , 4 W
Para a radiação:
[( ) ( ) ]
4 4
θ1 θ2
'
Φ rad =σ . A
100
−
100
e
[( ) ( ) ] 0 ,7
4 4
150+273 21+ 273
Φ rad =5 , 67 ¿) −
100 100
Página 19 de 20
Φ rad =10558 ,5 W
Perda total de calor:
Φ=Φ conv +Φ rad Φ=11115 , 4 +10558 ,5=21673 , 9 W
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