AULA 6
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO MOTOR
Prof.ª Tatiane Calve
INTRODUÇÃO
Nesta aula, vamos explorar o processo de desenvolvimento das crianças
com deficiência, assim como a caracterização de algumas deficiências
intelectuais, sensoriais e físicas. Também será abordado o processo de ensino e
aprendizagem, treinamento e características dos esportes adaptados para
pessoas com deficiência.
TEMA 1 – FATORES QUE AFETAM O DESENVOLVIMENTO MOTOR
O desenvolvimento motor é um processo contínuo e influenciado por
inúmeros fatores (Gallahue; Ozmun, 2005). A sequência desenvolvimentista foi
proposta inicialmente por Gesell (1954, citado por Gallahue; Ozmun, 2005).
Segundo Gallahue e Ozmun (2005), o desenvolvimento motor é
influenciado por um sistema que é dinâmico, ou seja, fatores biológicos
(genéticos), ambientais (estímulos) e de tarefa (mecânica do movimento),
havendo fatores intrínsecos e extrínsecos.
Para Gallahue e Ozmun (2005), o princípio da maturação pode ser usado
para explicar o processo de desenvolvimento motor durante o ciclo vital, fazendo
parte dos fatores intrínsecos ao indivíduo, que são:
Desenvolvimento céfalo-caudal – no desenvolvimento fetal, ocorre primeiro
a formação da cabeça e depois do restante do corpo e dos membros. Além
disso, o controle e a coordenação motora ocorrem no sentido da cabeça
em direção aos pés;
Desenvolvimento próximo-distal –o controle e a coordenação motora
ocorrem no sentido do centro do corpo para as extremidades;
Índices de crescimento – o crescimento segue um padrão e não recebe
interferências externas diretas. Caso haja alguma influência que provoque
interrupção do processo de crescimento, esse é compensado pela
autorregulação, que proporciona compensação dos desvios no padrão de
crescimento, fazendo com que ele atinja o crescimento normal novamente;
Entrelaçamento recíproco – é a melhora na execução dos movimentos
devido ao desenvolvimento e interação entre os sistemas nervoso e motor
(diferenciação e integração);
Prontidão – é um conceito que está relacionado à maturação biológica e a
condições ambientais, para o desenvolvimento das aptidões motoras, ou
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seja, a capacidade de estar pronto para receber estímulos que facilitem o
processo de aprendizagem e emergência de novas habilidades motoras;
Períodos de aprendizado críticos e suscetíveis – estão relacionados com
os períodos em que as pessoas estão mais preparadas ou suscetíveis a
receber estímulos para aprendizagem de determinadas habilidades.
Diferenças individuais – mesmo o desenvolvimento motor tendo uma
sequência universal, cada indivíduo possui suas características ímpares
(hereditárias) e utiliza de maneira diferente os fatores ambientais.
Filogenia e ontogenia – a filogenia explica o processo de desenvolvimento
com base em uma sequência previsível e automática. Já a ontogenia indica
que o desenvolvimento ocorre devido às oportunidades de aprendizado
provindas do ambiente.
Gallahue e Ozmun (2005) indicam os seguintes fatores ambientais que
influenciam o processo de crescimento e desenvolvimento motor:
Vínculo – ligação emocional entre pais e filhos, que pode ser iniciado
durante o período de desenvolvimento pré-natal e se prolongar por toda a
vida;
Estímulo e privação – os estímulos ambientais são extremamente
importantes para desenvolver e ampliar a bagagem motora do indivíduo.
Uma pessoa privada de estímulos pode apresentar atraso ou dificuldade
de aquisição motora.
Outro fator que influencia o processo de crescimento e desenvolvimento
motor é a tarefa, ou seja, as características mecânicas da habilidade motora a ser
aprendida ou treinada. Assim, Gallahue e Ozmun (2005) afirmam que os fatores
abaixo podem influenciar nesse processo:
Prematuridade – bebês que nascem pré-termo, ou seja, antes de 37
semanas de gestação e com peso entre 1,5 e 2,5 kg;
Desordens alimentares – a alimentação é um fator de influência no
processo de desenvolvimento motor, sendo indicado aqui a obesidade, a
bulimia e a anorexia;
Níveis de aptidão – capacidades físicas que são determinadas pelas
características hereditárias e ambientais. São elas: aptidão física
relacionada a saúde e aptidão física relacionada ao desempenho;
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Biomecânica – é o fator relacionado ao reconhecimento e uso do centro de
gravidade, base de apoio, força, entre outros fatores que determinam a
realização dos movimentos.
A seguir estão relacionadas as fases em que os fatores intrínsecos e
extrínsecos podem afetar o processo de desenvolvimento motor de um indivíduo.
1.1 Fatores pré-natais
O desenvolvimento humano é iniciado a partir da concepção, isto é, da
fecundação do gameta feminino (óvulo) pelo gameta masculino (espermatozoide).
Assim, esse o processo desenvolvimentista pode sofrer influências hereditárias e
ambientais durante o período intrauterino, provocando alterações metabólicas,
sistêmicas, neurológicas, motoras, cognitivas e comportamentais. Entre os fatores
de risco pré-natais, temos fatores maternos e paternos.
1.1.1 Fatores maternos
Os fatores maternos são aqueles relacionados com as características da
mãe, que afetam o processo de desenvolvimento dos bebês, durante o período
gestacional. Entre eles, podemos citar os seguintes (Gallahue; Ozmun, 2005;
Mauerberg-Decastro, 2011; Gabbard, 2000 citado por Holderbaum, 2012):
Gestação de múltiplos;
Tempo de gestação (prematuridade e pós maturidade);
Doenças maternas que surgem durante a gravidez;
Idade da mãe;
Uso de medicamentos;
Uso de drogas lícitas e ilícitas.
1.1.2 Fatores paternos
O desenvolvimento dos bebês também é influenciado pelas características
paternas, tais como:
Uso de drogas lícitas e ilícitas;
Exposição à produtos químicos.
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1.2 Fatores neonatais
O nascimento, assim como os primeiros 27 dias de vida do bebê (Alberto,
2011), é também um momento de preocupação, em que podem ocorrer
complicações, ocasionando danos à saúde física e mental dos bebês.
Entre os fatores que podem prejudicar o processo de desenvolvimento
(Hadjkacem, 2016), temos:
Pré-eclâmpsia;
Tipo de parto (normal, natural, cesárea, com fórceps);
Sofrimento fetal agudo e peso ao nascer (<2,5 kg e >4,0 kg);
Anóxia neonatal.
1.3 Fatores pós-natais
Após os primeiros 27 dias de vida do bebê, outros fatores podem interferir
no processo de desenvolvimento. Entres os principais fatores que influenciam o
processo de desenvolvimento do bebê estão os seguintes (Mauerberg-deCastro,
2011):
Nutrição;
Estímulo e privação;
Traumas.
Como foi visto acima, os fatores pré-natais, neonatais e pós-natais
influenciam o processo de desenvolvimento e podem também ser fundamentais
na incidência de deficiências, como as cognitivas, sensoriais e motoras, as quais
serão descritas a seguir.
TEMA 2 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
A deficiência intelectual é o tipo de deficiência mais comum e cujas
diretrizes para diagnóstico, tratamento e metodologias educacionais são difíceis
de indicar devido à grande diversidade e aos níveis de comprometimento
(Mauerberg-deCastro, 2011).
As deficiências intelectuais podem ser provocadas por fatores pré-natais
(alterações cromossômicas), neonatais (prematuridade) e pós-natais (nutrição).
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Mauerberg-deCastro (2011) indica que quando há a presença de apenas
algumas células com material genético anormal (mosaicismo), os sintomas de
deficiência são mais brandos, porém, quando há ausência de um autossoma
(monossomia), é mais grave e, em sua maioria, os bebês não sobrevivem.
Entre as anormalidades cromossômicas, podemos citar a trissomia 18
(Síndrome de Edward), a trissomia 13 (Síndrome de Patau) e uma das mais
comuns, a trissomia 21 (Síndrome de Down); além das alterações cromossômicas
ligadas ao sexo, como Síndrome de Turner, Síndrome de Klinefelder e Síndrome
do X frágil.
Uma das síndromes que provoca deficiência intelectual é a trissomia 21
(Síndrome de Down), a qual será descrita a seguir.
Não há causas específicas para a presença da trissomia 21, mas há mais
prevalência quando a mãe possui idade avançada (Bunch, 1999, citado por
Mauerberg-deCastro, 2011).
Durante o desenvolvimento intrauterino, é possível detectar a Síndrome de
Down, por meio do exame de translucência nucal (pele flácida na nuca).
As pessoas com Síndrome de Down possuem características físicas e
intelectuais específicas, tais como (Mauerberg-Decastro, 2011):
QI (Coeficiente Intelectual) em torno de 50 (lembrando que nem todos
possuem dificuldades intelectuais);
Baixa estatura, braços curtos, pés e mãos largos e inexistência de arcos
plantares;
Características faciais específicas (fronte baixa, nariz pequeno, boca
entreaberta, língua grande e fissurada, pregas epicantais no canto interno
dos olhos);
Hipotonia, hiperflexibilidade articular e alterações posturais;
Alterações cardiorrespiratórias.
Sincinesias, dificuldade no desenvolvimento perceptivo-motor, de
coordenação motora global e fina e baixo desempenho das aptidões físicas são
algumas outras características do comportamento motor dessa população.
Em relação ao processo de desenvolvimento do indivíduo com Síndrome
de Down, podemos apresentar algumas peculiaridades.
Ao nascimento, os bebês são hipotônicos, calmos e com pouca incidência
de choros (Mauerberg-Decastro, 2011). Durante a infância, esses indivíduos
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apresentam comportamento amigável e cooperativo, mas, durante a adolescência,
podem apresentar comportamento mais intempestivo e desafiador. Na vida adulta,
podem se tornar pessoas sedentárias, com comorbidades metabólicas. Seu
envelhecimento é precoce e há incidência de demências senis, como doença de
Alzheimer.
TEMA 3 – DEFICIÊNCIAS SENSORIAIS
As deficiências sensoriais são aquelas que dificultam a recepção das
informações originadas do ambiente, como as sugestões verbais e visuais.
3.1 Deficiência auditiva
Deficiência auditiva é a perda da audição de maneira que incapacite a
pessoa de maneira permanente (OMS), podendo ser causada por alterações
externas, internas e neurais do sistema auditivo. A deficiência auditiva é
classificada em:
Deficiência auditiva condutiva – qualquer interferência na transmissão do
som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna (cóclea);
Deficiência auditiva sensório-neural – ocorre quando há uma
impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da
cóclea ou do nervo auditivo;
Deficiência auditiva mista – ocorre quando há uma alteração na condução
do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial
ou do nervo auditivo;
Deficiência auditiva central – esse tipo de deficiência auditiva manifesta-se
por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações
sonoras.
A deficiência auditiva pode ser adquirida durante o processo de
desenvolvimento intrauterino, devido a doenças da mãe ou, ainda, durante o
desenvolvimento pós-natal, por doenças hematológicas ou traumas.
O desenvolvimento da criança com deficiência auditiva fica prejudicado e
pode ser detectada pela ausência de reações a sons, gerando comportamento
diferente do usual (a criança fica muito quieta, dorme muito e, em qualquer
ambiente, não se assusta com sons intensos) e, um pouco mais velha, não
desenvolve linguagem.
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Em relação ao comportamento motor, a criança surda pode apresentar
dificuldade de equilíbrio, baixa coordenação motora e dificuldade em realizar
algumas habilidades motoras globais, por falta de estímulos, já que são
superprotegidas pelos pais e responsáveis.
3.2 Deficiência visual
De acordo com a OMS (WHO, S.d.), há aproximadamente 314 milhões de
pessoas com deficiência visual no mundo.
A deficiência visual, assim como a auditiva, pode ser adquirida durante o
processo de desenvolvimento pré-natal, devido a doenças da mãe ou, ainda,
durante o desenvolvimento pós-natal, por doenças hematológicas, como diabetes
ou traumas no globo ocular ou na cabeça.
São consideradas pessoas com deficiência visual, todas que fazem uso de
lentes corretivas para melhorar a visão, entretanto o cego é aquele incapaz de
enxergar totalmente.
A OMS (WHO, S.d.), classifica a função visual em:
Visão normal
Deficiência visual moderada
Deficiência visual severa
Cegueira
O processo de desenvolvimento perceptivo-motor de um indivíduo cego
depende, ainda, do tipo de cegueira, congênita ou adquirida. Para Mauerberg-
deCastro (2011), a pessoa que teve alguma experiência com a visão possui
melhores condições de desenvolvimento (aquisição da linguagem e motricidade,
interação socioafetiva), principalmente durante a infância.
Mauerberg-deCastro (2011) indica que a criança cega pode apresentar
alguns prejuízos em relação ao seu desenvolvimento, como aquisição de
lateralidade, equilíbrio, mobilidade, percepção e orientação espacial, esquema
corporal, expressão corporal, coordenação motora e valências físicas.
Alguns comportamentos diferentes da criança podem ser úteis para
identificar a deficiência visual durante a infância, tais como:
Desvio dos olhos e não perseguição visual de objetos;
Baixo aproveitamento escolar (aproximação de papel junto ao rosto para
ler e escrever e dificuldade para ler o quadro negro);
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Dificuldade em brincadeira de encaixe e atividades que exijam boa
coordenação óculo-manual;
Tropeços frequentes e problemas de equilíbrio.
TEMA 4 – DEFICIÊNCIAS FÍSICAS
Segundo Gorgatti e Costa (2005), a deficiência física, também denominada
de motora, refere-se às alterações osteomusculares ou função do corpo, que
interferem na execução dos movimentos.
Assim como as deficiências sensoriais, as deficiências físicas também
podem ter origem congênita ou adquirida. Devido ao grande número de acidentes
automobilísticos e de trabalho, além de ferimento por armas de fogo e branca, a
deficiência física adquirida é predominante. Entre as deficiências físicas
congênitas estão as anomalias neurológicas e más-formações cerebrais
(anencefalia, más-formações dos hemisférios cerebrais, hidrocefalia) (Mauerberg-
Decastro; Romani, 2011).
Os tipos de deficiências físicas são: amputação, lesão medular e paralisia
cerebral.
4.1 Amputação
Mauerberg-deCastro (2011) conceitua amputação como a perda parcial ou
total de um membro, decorrente de alterações congênitas ou ocorrência de
traumas e acidentes.
Segundo Mauerberg-deCastro, Romani (2011, p. 137):
A amputação congênita ocorre quando o desenvolvimento transverso ou
longitudinal é afetado por inibição do crescimento intrauterino primário,
ou secundário por destruição de tecido embrionário.
Geralmente, a amputação congênita ocorre devido ao uso de
medicamentos ou outras substâncias ilícitas, ocasionado a ausência total ou parte
de membros do corpo.
As amputações adquiridas podem provocar alterações no organismo. Tais
como:
Edema – inchaço;
Deformidade – encurtamento muscular e contraturas articulares proximais
ás amputações;
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Membro fantasma – sensação de que o membro amputado ainda existe;
Dor fantasma – dor no membro fantasma;
Neuromas – reparação de um nervo periférico.
Tanto na amputação congênita quanto na adquirida, muitas pessoas fazem
uso de próteses para substituir o membro amputado e, assim, ter maior mobilidade
e independência. São inúmeros os modelos e funções das próteses, que
melhoram a realização das atividades diárias e prática esportiva.
4.2 Lesão medular
Lesão medular é um termo utilizado para caracterizar a deficiência física
causada por lesões na medula espinhal, que pode ocorrer em diferentes níveis,
categorizando a lesão em tetraplegia (região cervical) ou paraplegia (região
torácica, lombar ou sacral) (Cavicchia, 2011).
A lesão também pode ser parcial, quando há secção parcial da medula ou
total, quando a lesão provoca secção medular total. Nesse segundo caso, a
pessoa perde totalmente a sensibilidade e movimento do local da lesão para baixo.
Além disso, as lesões podem ser congênitas ou adquiridas.
Espinha bífida é um tipo de lesão medular congênita e é caracterizada pelo
fechamento defeituoso da espinha dorsal, devido à falta de ácido fólico na nutrição
da mãe durante o período de gestação (Mauerberg-Decastro; Romani, 2011). Os
tipos de espinha bífida podem variar dos mais brandos, como a oculta, em que a
medula espinhal e as meninges permanecem dentro do canal vertebral e não
provocam alterações neuromotoras, porém existem casos mais graves em que a
medula espinhal e as meninges saem do canal espinhal, formando um saco ou,
até mesmo, ficam expostos sem a pele. Os tipos mais graves de espinha bífida
são:
Meningocele;
Mielocele;
Mielomingocele.
A espinha bífida pode ser detectada pelo exame pré-natal dos níveis altos
de alfa-fetoproteica, presentes no soro materno e líquido amniótico e também por
meio da ultrassonografia, identificando alterações ósseas e dos tecidos moles
(Mauerberg-Decastro; Romani, 2011).
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O processo de desenvolvimento motor de crianças e adolescentes com
espinha bífida é prejudicado nos casos mais graves, devido a paralisia causada
abaixo da lesão, problemas ortopédicos e posturais (Mauerberg-Decastro;
Romani, 2011).
4.3 Paralisia cerebral
A paralisia cerebral (PC) é descrita como distúrbios permanentes e não
progressivos de desenvolvimento dos movimentos e da postura, que surgiram no
encéfalo em desenvolvimento fetal ou infantil (Rosenbaum et al., 2007). Assim, a
paralisia cerebral pode ocorrer durante o desenvolvimento pré-natal, neonatal ou
pós-natal (Mauerberg-Decastro; Romani, 2011).
A classificação da PC é feita quando ocorre a topologia (comprometimento
de partes do corpo) neuromotora (espástica, atetósica, atáxica ou mista) e
funcional (capacidade de executar os movimentos).
Segundo Gordon, Chumlea e Roche (1991), a pessoa com paralisia
cerebral pode apresentar contraturas musculares, hipertônus, reflexos patológicos,
fadiga muscular e dificuldade na coordenação motora durante a posição estática,
locomoção e realização de movimentos voluntários.
TEMA 5 – INICIAÇÃO ESPORTIVA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM
DEFICIÊNCIA
O planejamento e a aplicação de atividade física e treinamento esportivo
para crianças e adolescentes necessitam de atenção especial. Tratando-se de
indivíduos nessa faixa etária, com algum tipo de deficiência, os cuidados devem
ser ainda maiores. Por isso, poucos são os programas de atividade física e
esportes adaptados oportunizados a essa população (Gorgatti, 2010).
Para Silva (2010), muitos profissionais da área da educação física e
esportes não têm conhecimento e segurança suficientes para desenvolver
programas esportivos para pessoas com deficiência, privando crianças e jovens
da prática de esportes adaptados.
A prática esportiva para crianças e adolescentes com deficiência poderia
ser incentivada, inicialmente, dentro do âmbito escolar e, em seguida, em projetos
de cunho social, até que esses pudessem alcançar um alto rendimento.
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Pensando nisso, o CPB e a Special Olympics (S.d.) oferecem a crianças e
adolescentes programas de iniciação esportiva e capacitação de professores e
técnicos esportivos que queiram trabalhar com esportes adaptados, além de
organizar e promover campeonatos escolares de esportes paraolímpicos.
5.1 Deficiência intelectual e iniciação esportiva
Os professores que trabalham com atividade física para essa população
devem ter alguns cuidados, por exemplo (Mauerberg-Decastro, 2011):
Demonstrar as atividades;
Oferecer instruções com frases curtas e claras;
Apresentar algumas dicas e oferecer feedback rápidos sobre a atividade;
Adaptar as tarefas e utilizar auxílio quando necessário.
A prática esportiva para os deficientes intelectuais, assim como para outros
grupos que possuem necessidades especiais, traz inúmeros benefícios
psicomotores.
Mauerberg-deCastro (2011) sugere alguns métodos para facilitar o
processo de ensino e aprendizagem motora e a integração desses indivíduos com
seus pares sem deficiência. Entre os inúmeros métodos de ensino para pessoas
com deficiência intelectual, podem ser citados:
Estações de aprendizagem – divisão do grupo em estações com atividades
diferentes;
Ensino por pares de idades diferentes – utilização de pares (tutores) para
o auxílio das crianças com DM durante as atividades;
Participação parcial – assistência parcial durante as atividades.
5.2 Deficiência sensorial e iniciação esportiva
Portanto, a prática regular de exercícios deve ser oferecida à criança surda,
principalmente atividades que desenvolvam:
Coordenação global e fina;
Equilíbrio, seja em movimento (dinâmico), seja parado (estático);
Ritmo, por exigir uma ordenação mais precisa dos movimentos numa
determinada atividade, além de possuir grande relação entre espaço e
tempo, básico e essencial para o desenvolvimento do surdo;
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Expressão corporal –deve ser dada ênfase ao esquema corporal, para que
a criança surda obtenha a consciência de seu corpo e da sua unidade, da
relação de seu corpo com as diferentes partes que o constituem, bem como
da relação de seu corpo com o espaço e os objetos à sua volta, formando
a imagem de seu próprio corpo, para posteriormente (ou juntamente)
desenvolver a expressão corporal, que, por sua vez, torna-se indispensável
para a compreensão e transmissão da comunicação;
Exercícios aeróbios – para melhorar a respiração das pessoas surdas que
têm respiração “curta”.
Para aplicar atividades motoras para alunos surdos, devem-se aplicar
algumas estratégias, como falar de frente para o aluno, falar lentamente, utilizar
material escrito, utilizar sinais visuais como cartelas coloridas ou bandeiras, que
podem substituir comandos de voz (figuras podem indicar o movimento a ser feito)
e demonstração (professor ou dos outros alunos).
O professor deve pedir para que o aluno retire o aparelho auditivo para a
realização das atividades, com o intuito de evitar lesões ou danos ao aparelho.
A iniciação esportiva de crianças com deficiência visual pode ocorrer ainda
em idade escolar, basta adaptar materiais com sons, espaço físico e metodologia,
em que são usados outros canais sensoriais (auditivo, tátil-cinestésico e háptico)
para auxiliar aluno e professor no processo de ensino e aprendizagem. Além disso,
o professor/técnico deve procurar não limitar o indivíduo da prática esportiva com
outras pessoas, auxiliar na mobilidade (se necessário), narrar todas as atividades
detalhadamente, ensinar conceitos de orientação de percepção espacial e sempre
perguntar se há necessidade de auxílio.
Uma das modalidades praticadas por cegos é o judô. Segundo o site Portal
Iniciação Desportiva (2011), a iniciação do judô para crianças e adolescentes
cegos deve ocorrer de forma lúdica, estimulando-se a locomoção, a orientação
espacial, a mobilidade, o esquema corporal, o sistema tátil-cinestésico e auditivo,
as valências físicas, além da interação social.
5.3 Deficiência física e iniciação esportiva
O exercício físico regular ou a prática esportiva para crianças e
adolescentes com deficiência física proporcionam melhoras nas funções vitais,
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como maior resistência cardiovascular e respiratória, além, é claro, de melhora de
fatores psicossociais, porém alguns cuidados devem ser tomados, como:
Exposição ao calor e uso de roupas leves (termo regulação);
Dosagem do esforço durante o dia e ingestão de líquido.
Para crianças e adolescentes com PC, atividades de integração sensório-
motora e perceptivo-motora levam ao desenvolvimento de coordenação motora e
das reações posturais e a melhora das capacidades funcionais, que são alguns
objetivos a serem alcançados com a prática regular de atividade física e esportes
por essa população.
Além das modalidades paraolímpicas, o polybat, a capoeira e a petraBike
race running são algumas atividades esportivas praticadas por crianças e
adolescentes que proporcionam melhora das capacidades físicas e da autoestima.
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REFERÊNCIAS
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