ANÁLISE EMPÍRICA DA PROCURA DE MOEDA EM MOÇAMBIQUE.
UMA
ABORDAGEM ECONOMÉTRICA (2015 – 2022)
Projecto de Pesquisa
Nicolau Miguel Armando
2023
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO
1.1 Introdução
Em qualquer parte do mundo a moeda exerce um papel fundamental mo funcionamento de
uma economia, pois, ela possui uma importância estratégica, ela serve como o motor da
economia. A mesma sofreu varias alterações no que tange a sua real designação. A
primeira foi a de troca de mercadorias por outras (escambo), onde a coincidência de
desejos era fundamental para que as trocas ocorressem, nesta fase as sociedades
deparavam-se com um grande problema ao tentar efectuar as trocas visto que dificilmente
encontravam alguém disposto a efectuar as trocas, dada a incompatibilidade dos desejos.
Depois veio a fase em que era considerada moeda tudo que fossem metal precioso. Nesta
época a maior dificuldade era o custo de transporte dos metais para a área onde seriam
efectuadas as trocas bem como garantia da qualidade desses metais. Dai por diante a tese
chegou a forma definitiva que temos hoje, que é a de papel e moeda com função monetária
garantida pelo monopólio do governo.
Apesar dessas várias alterações na designação do que poderia ser chamado de moeda, as
sociedades ainda continuam a procurar este bem. E continua a ser um dos bens mais
procurados no mundo. Vários foram os cientistas que se dispuseram a explicar os motivos
ou os determinantes que levam a uma procura persistente deste bem. Tal como acontece
com os outros países, também em Moçambique ela já vem desempenhando um papel de
extrema importância, tendo passado por vários estágios que acompanharam as mudanças
dos ambientes políticos e históricos do País, (BATISTA, 2001).
1.2 Justificativa do Tema
Tomando em consideração a importância das funções que a moeda desempenha (unidade
de valor, meio de troca e reserva de valor) torna-se de extrema importância saber quais são
os factores que para os Moçambicanos determinam a procura deste bem. E, em que
quantidades os determinantes desta procura explicam as possíveis alterações que teriam
ocorrido na procura da moeda durante o período em analise.
Este projecto de pesquisa também é motivada pela necessidade de procurar uma resposta
empírica sobre os determinantes da procura de moeda em Moçambique, como instrumento
fundamental para a tomada de decisão e definição de uma política monetária que
corresponda com as reais quantidades demandadas.
1.3 Problematização.
As pequenas economias sobre tudo, as economias dos países subdesenvolvidos que para
além de possuírem uma grande dependência externa, encontra-se em rápidas mudanças
na tentativa de transitarem de uma economia centralmente dirigida para uma economia de
mercado, têm sido alvo de mudanças constantes na estrutura económica. O período em
análise foi marcado por viárias alterações nos indicadores macroeconómicos causando
deste modo variações na procura de moeda.
Moçambique tem estado a implementar políticas com vista a alcançar o desenvolvimento,
essas políticas consistem em reformas de vários sectores incluindo o sector financeiro e
bancário, não deixando de referir que as mudanças nos agentes econômicos que é o caso
do preço dos países estrangeiros continuam tendo uma grande influência sobre a economia
do País. Todos estes factores citados acabam influenciando nos determinantes da procura
de moeda e provavelmente poderá fazer com que a procura de moeda ganhe uma outra
sustentação teórica não prevista. Durante o período em análise, registaram-se várias
alterações nas variáveis que serão tomadas como determinantes da procura de moeda
essas alterações podem ser conferidas na tabela 1.1. Dado a isso, o problema que se
levantou nesta pesquisa foi o de apurar se apesar da existência dos factores a cima
referenciados e as diversas variações ocorridas nas variáveis, a realidade Moçambicana
tem um enquadramento prático na teoria monetarista de Keynes. Ou melhor, será que
apesar de terem se registado várias alterações nos indicadores da procura de moeda, ainda
pode se usar a teoria monetarista Keynes como sustentação da função da procura de
moeda para a economia Moçambicana durante o período de 2015:1 a 2022:4?
Apesar de terem-se registado vairas alterações nos indicadores da procura de moeda
ainda pode se usar a teoria monetária de Keynes como sustentação da função de
procura de moeda para a economia Moçambicana durante o período de 2015 à 2022?
1.4 Delimitação do Tema
A pesquisa centra-se numa análise empírica da procura de moeda em Moçambique. Para
se fazer o estudo serão usados dados que respeitem a procura dos saldos dos encaixes
reias que em Moçambique se identifica no agregado monetário M2, que é o agregado
monetário mais amplo, que é composto por M11 e quase moeda (somatório dos depósitos
com aviso prévio e a prazo) correspondentes ao período de 2015 – 2022.
1.5 Relevância da pesquisa
O conhecimento da procura de moeda é uma condição fundamental para o desenho de
programas monetários das economias. Neste sentido, este projecto de pesquisa é movida
pela necessidade de procurar uma resposta empírica sobre os determinantes da procura
por encaixes reais em Moçambique. Ademais, com este projecto de pesquisa, procurar-se-
á em que quantidades as determinantes desta procura explicam as possíveis variações que
teriam ocorrido na procura de moeda durante o período em análise. Nesta ordem de ideia,
com o projecto poderá trazer aos olhos da sociedade informações detalhadas sobre qual
foi a real tendência da procura de moeda para o país.
O facto de existirem poucos estudos feitos a respeito do tema em análise, torna importante
a efetivação de uma pesquisa sobre o mesmo, pois, ela irá servir de fonte preciosa de
consulta para pesquisas futuras.
1.6 Viabilidade
O pesquisador acredita que com os recursos disponíveis (financeiro, material e temporal),
o projecto de pesquisa poderá seguir em frente.
1.7 Objectivo da Pesquisa
1.7.1 Objectivo Geral
Este projecto de pesquisa terá com foco, estimar uma função de procura de moeda para
Moçambique que corresponde ao período de 2005 à 2015, e verificar se os resultados
encontrados estão em conformidade com o postulado na abordagem monetarista de
Keynes.
1.7.2 Objectivos Específicos
Aplicar o teste de Dick Fuller (ADF) para analisar a estacionaridade das variáveis;
Verificar o equilíbrio no longo prazo entre a procura de moeda, a taxa de juros, o
rendimento e o preço através da cointegração de Angle e Grange.
Analisar o equilíbrio entre as variáveis explanatórias no curto prazo através do
Mecanismo de Correção de Erro (MCE);
1
Segundo MISHIKIN (1998), contempla a quantidade de moeda de Metical em posse das empresas e
particulares e o total dos Depósitos à Ordem (DO) que os agentes económicos detêm no Sistema bancário
doméstico, quer em moeda nacional como estrangeira.
Certificar que não houve violação das premissas do método dos Mínimos Quadrados
Ordinários (Normalidade, Heterocedasticidade, Multicolinearidade e
Autocorrelação).
1.8 Hipótese de Pesquisa
Hipótese nula H0 : A abordagem keynesiana encontra um enquadramento prático na
realidade Moçambicana durante o período em análise;
Hipótese alternativa H1 : A abordagem Keynesiana não encontra um enquadramento prático
na realidade Moçambicana durante o período em análise.
CAPÍTULO 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Literatura Teórica
Neste ponto encontram-se os principais conceitos teóricos para o desenvolvimento da
presente pesquisa, analises e reflexões sobre os dados e informações coletadas,
verificando até que ponto a questão em análise pode ser explicada pelas teorias já
construídas e à disposição.
2.1.2 Moeda por Definição
Segundo alguns economistas, a moeda é definida como sendo qualquer coisa que seja
geralmente aceite em pagamentos por bens ou serviços ou no pagamento final de dívidas.
Esta definição foi contestada por vários cientistas, isto porque ela seria definida pelo
comportamento das pessoas.
A definição mais precisa da moeda foi dada pelo Sistema de Reservas Federais que a
definiu como sendo papel, moeda, depósitos e cheques (Mishkin, 1998).
2.1.3 Função da Moeda
A moeda funciona como:
Meio de troca: como meio de troca surgiu da evolução econômica onde os
indivíduos se especializavam em produções isoladas, ou seja, não tinha a
capacidade de atender a todas as suas necessidades. Dessa forma seria necessário
recorrer a outros agentes por meio da troca para obter as demais mercadorias para
sua subsistência.
Unidade de conta: como unidade de conta fornece um padrão para que os demais
bens expressem seus valores. Estas passam a desempenhar a função de ser a
expressão geral de valor fornecendo o referencial para que os demais bens contem
valores. O preço relativo entre os diferentes bens passa a ser definido pela relação
entre os respectivos preços monetários (Mishkin, 1998).
Reserva de Valor: como reserva de valor decorre da função como meio de troca. O
individuo do vender um produto pode não comprar imediatamente o outro. Pode
optar por deixar reservado o valor obtido na intenção de gerar riqueza, (Mishkin,
1998).
2.1.4 Motivos da Demanda por Moeda
Á semelhança de muitas outras, as teorias de procura de moeda tem evoluído no decorrer
do tempo, desde o seu estabelecimento por Irving Fisher em 1911, tendo passado por
quatro diferentes versões, nomeadamente a clássica, a de Cambridge, a Keynesiana e a
Moderna. As várias versões diferem basicamente nas variáveis em relação às quais os
seus proponentes entendem que a procura de moeda depende.
Teoria quantitativa da Moeda de Irving Fisher
De acordo com MISHIKIN (1998), esta teoria foi defendida pelos clássicos FISHER do Séc.
XIX e XX, para FISHER o valor das vendas é igual ao número de transações (𝑌)
multiplicado pelo nível dos preços (𝑃) ao mesmo tempo em que o valor das compras é igual
ao montante da economia (𝑀ˢ) multiplicado pelo número de vezes que esta muda de mãos
ao longo do mesmo período (𝑉𝑡) que considera-se velocidade de transação de moeda de
modo que:
𝑀𝑠𝑉𝑡 = 𝑃𝑌
Onde a velocidade é igualmente constante. E o nível de preços seria determinado
unicamente pela quantidade de moeda, dada a isso a equação de trocas em teoria da
moeda, que é a determinação do nível de preços poderia ser escrita como:
𝑀𝑠 𝑉𝑡 = 𝑃𝑌̅
𝑀𝑑 = 𝐾, 𝑃𝑌̅
Em equilíbrio, teremos:
𝑀𝑑 = 𝑀𝑠
1
𝑀𝑠 = 𝑀𝑠 𝑉𝑡 = 𝑃𝑌̅
𝐾𝑡
1
Onde, 𝑉𝑡 = 𝐾
𝑡
FISHER assume que a velocidade da moeda não muda no curto prazo, e concluiu que a
procura de moeda também é suposto não mudar pelo menos no curto prazo, e a longo
prazo as mudanças são lentas e acompanharão as mudanças nos factores que a
determinam (Laider, 1977).
Versão Keynesiana da Teoria Quantitativa da Moeda
John Maynard Keynes concorda com os economistas clássicos de Cambridge, onde a
moeda é uma reserva de valor. Também concorda que a riqueza esta estreitamente ligada
à renda, mas divergem de facto de os de Cambridge tem ignorado a componente de taxa
de juros. Segundo Keynes existem três motivos pelos quais as pessoas demandam a
moeda, uns procuram a moeda por motivos transacionais, alguns por motivos especulativos
e outros pelo motivo precaucional (Mishkin, 1998).
Abordagem de Cambridge da demanda por Moeda
Estes por sua vez desenvolveram um modelo da demanda por moeda e as suas análises
1
levaram-lhes a uma equação idêntica a equação encontrada por FISHER (𝑀𝑑 = 𝑘 ∗ 𝑃𝑌).
Mas, admitem que as taxas de juro têm uma influencia na demanda da moeda e que as
decisões a cerca do uso do dinheiro para estocar a riqueza depende dos rendimentos e
retornos esperados sobre os activos que também funcionam como stock de riqueza,
(Mishkin, 1998).
Para estes o principal determinante do gasto que as pessoas têm de possuir dinheiro seria
o facto de este ser um activo conveniente de possuir, sendo universalmente aceite como
meio de troca.
A equação de Cambridge foi especificada da seguinte forma:
𝑀𝑑 = 𝐾𝑃𝑌
De acordo com LAIDER (1977), apesar de a versão de Cambridge não incluir a variável de
taxa de juro, a verdade é que uma das maiores contribuições desta escola é a chamada de
atenção para o facto de que variáveis como esta podem ser determinantes importantes da
procura da moeda.
Teoria Quantitativa de Milton Friedman (1956 – 1959)
À semelhança dos clássicos, Milton Friedman afirma que a teoria quantitativa de moeda é
unicamente uma teoria de demanda por moeda. Mas, para ele a demanda por moeda é
influenciada pelas variáveis que se relacionam aos rendimentos esperados por cada activo.
As taxas de juro (de curto e longo prazo) remuneram os activos financeiros, e o capital
humano têm rendimentos que podem ser medidos através da taxa esperada de inflação.
Outras variáveis devem entrar na função de demanda por moeda, como por exemplo, as
preferências e os gostos dos agentes, o progresso tecnológico e os rendimentos
alternativos de cada activo, que em conjunto, serão representadas pela letra u na seguinte
função de demanda por encaixes nominais (Mishkin, 1998).
𝑀𝑑 = 𝑓(𝑃, 𝑟𝑓, 𝑟, 𝜋 𝑒 , 𝐻, 𝑌, 𝑢)
CAPÍTULO 3. METODOLÓGIA DE PESQUISA
A elaboração de qualquer pesquisa científica requer a definição dos procedimentos
metodológicos tendo em conta a definição da natureza do estudo, as características da
amostra ou do universo, as variáveis a serem utilizadas e analisadas no estudo, as técnicas
da colecta e análise dos dados e as possíveis limitações do estudo.
3.1 Tipo de Pesquisa
Segundo Gil (2002) citado por KUMER, Haniret et al. (2007, p. 11-12), distingue os tipos de
pesquisas em função dos objectivos a atingir.
Para a presente pesquisa, usar-se-á o tipo de pesquisa quantitativa.
3.2 Desenho de Pesquisa
O presente projecto de pesquisa tem como objectivo estimar uma função de procura de
moeda para Moçambique durante o período de 2005 à 2015, e verificar se os resultados
alcançados estão em conformidade com o postulado na teoria de Keynes. Para se poder
alcançar este objectivo, serão empregues vários testes econométricos com principal ênfase
para os testes de estacionaridade, co-integração, mecanismo de correção de erro (MCE) e
finalmente o teste de validação do modelo formulado.
3.2.1 Teste de Estacionaridade
O maior desafio do uso de séries temporais é o de identificar o equilíbrio das variáveis no
longo prazo de modo que as estimações sejam realizadas, mas o desafio é restringido pelos
dados não estacionários. Normalmente os dados de séries temporais têm pouco valor no
âmbito das previsões, (Gujarati, 2000).
Diz Gujarati (2000) que, a estacionaridade é averiguada quando a média e a variância são
constantes ao longo do tempo.
Pode-se concluir que uma série temporal é estacionária quando é integrada na ordem zero
I (0) e se for não estacionária traduz-nos que a série temporal terá a média e variância ou
ambos flutuando nos diferentes períodos. Entretanto, caso não seja estacionária é
necessário que se faça a diferenciação da série para evitar a disparidade entre as variáveis.
De acordo com Gujarati (2000), quando a serie é diferenciada uma vez significa que será
integrada na ordem 1, I (1), e se é diferenciada duas vezes, diz-se que foi integrada na
ordem 2, I (2).
De modo a não quebrar o significado das variáveis usando as diferenças com o objectivo
de corrigir o fenómeno da não estacionaridade aplica-se o conceito de co-integração. A
relação de co-integração das series é representada matematicamente pela seguinte
equação:
Y = β0 + β1 X1 + ⋯ + βn Xn + μt
Onde:
Y – é a variável dependente;
X1 , … , Xn – são as variáveis independentes;
β0 , β1 , … , βn – são os parâmetros da regressão;
μt – é o termo de erro, efeitos de outras variáveis para explicar a variável dependente, mais
que não está explicita no modelo de regressão.
3.2.1.1 Teste Visual
Segundo Gujarati (2000), o presente teste resume-se numa apresentação do diagrama do
tipo Scatter Plot das variáveis em estudo, com especial ênfase na análise de tendência das
médias e variâncias das respectivas variáveis. Para a identificação da não estacionaridade
no teste de exame visual, nota-se nas series uma tendência crescente ou decrescente ao
longo dos tempo.
3.2.1.2 Teste de Dickey-Fuller Aumentado
Segundo Gujarati (2000, p. 757), o teste de ADF analisa se a variável em estudo tem raiz
unitária ou não, e caso tenha, é muito provável que se tire a primeira diferencial antes de
incluir na análise. A regra de decisão da variável é comparado entre o valor do coeficiente
do teste de ADF que deve ser maior que o valor critico à um nível de significância de 5%,
porque só assim pode-se observar a não estacionaridade da variável.
Um outro aspecto importante neste teste é a questão da aplicação da raiz unitária de ADF
para a estacionaridade com o critério de desfasagem “lag length criterial”, isto é, quando
houver uma mudança numa da variável em questão (independente), o seu resultado não
afectará imediatamente a variável dependente, pois este processo irá levar algum tempo.
Segundo Dickey-Fuller, explica que quando isso acontece recorre-se ao uso da fórmula do
critério de desfasagem como ilustra a equação:
3
Lag = √n
Onde:
n – é o número de observações.
3.2.2 Mecanismo de Correção de Erro (MCE)
O MCE é utilizado para verificar o comportamento das variáveis no curto prazo, o modelo
pode ter um equilíbrio no longo prazo mas no curto prazo não apresentar o equilíbrio
desejado. Utiliza-se para atribuir o comportamento das variáveis no curto prazo com base
nos resíduos do longo prazo (Gujarati, 2000).
O coeficiente ou o parâmetro do resíduo deve ser negativo e significante em relação a
variável dependente. O resíduo deverá estar estacionaria a um nível abaixo do nível das
variáveis, devido a estacionaridade no mesmo nível das variáveis. O MCE para o curto
prazo é representado matematicamente pela seguinte equação:
∆Y = β0 + β1 ∆X1 + β2 ∆X2 + ⋯ + βn ∆Xn + (1 − α)RESIDYt−1 + μt
Onde:
∆Y – representa a diferença da variável dependente;
∆X1 , … , ∆Xn – são as diferenças das variáveis independentes;
(1 − α) – é a velocidade de ajustamento;
RESIDYt−1 – resíduo de longo prazo de um período de desfasamento;
μt – é o termo de erro.
3.2.3 Normalidade
Se uma determinada variável apresenta um Plot em forma de sino no histograma e com o
p value de Jaque-Bera (JB) maior que o valor critico de 5%, imediatamente rejeita-se a
hipótese alternativa, (GUJARATI, 2000).
3.2.4 Teste de Normalidade
Pode-se detectar a autocorrelação entre as variáveis através de dois métodos: através do
teste de Durbin Watson (DW), onde o estatístico deve ser maior que o crítico de modo a
rejeitar a hipótese da existência de autocorrelação. Esta pode ser também detectada
baseada numa fórmula especial da existência de resíduos. Deste modo, teremos:
2
AC = ±
√n
Onde:
n – é o número das observações.
3.2.5 Teste de Heterocedasticidade
Como forma de detectar se a variância é constante ou não, usa-se o método gráfico e o
teste White em E-views. Segundo a regra de decisão, rejeita-se a hipótese nula de que a
variância seja constante se a probabilidade (p-value) do F estatístico for menor que o nível
de significância de 5%, concluindo assim que a suposição da homoscedasticidade não foi
satisfeita.
3.3 Coleta de Dados
Dada a natureza da pesquisa, será importante fazer-se o uso de dados primários, mas em
algum momento poderá usar-se também dados secundários. Esses dados darão um
impulso significante para a realização da dissertação. Os dados serão coletados nos
relatórios anuais do Banco de Moçambique (BM) e no Instituto Nacional de Estatística (INE).
3.4 Descrição das Variáveis
3.4.1 Variável Dependente
Segundo SPIGEL (1979), são variáveis dependentes, todas aquelas que são alvo de
manipulação das variáveis independentes. Esta variável localiza-se à esquerda do sinal de
igualdade. No projecto de pesquisa é tomada como variável dependente a variável
monetária M2.
3.4.2 Variável Independente
Segundo SPIGEL (1979), as variáveis independentes são aquelas que podem ser
manipuladas para alcançarem-se os níveis desejados da variável dependente e, estas por
sua vez localizam-se a direita do sinal de igualdade. No estudo serão usadas como
variáveis independentes o Produto Interno Bruto Real (Y), o Índice de Preço ao Consumidor
(IPC) e a Taxa de Juro (r).
3.5 Especificação do Modelo
Apesar de haver divergências nos estudos teóricos, mas todos afirmam que a procura de
moeda está positivamente relacionada com a taxa de juros, rendimento e preço dos bens
ou serviços, (Mishkin,1998). Nesta pesquisa será usado um modelo que respeita a
abordagem monetarista de Keynes excluindo a variável riqueza (𝑊), que representa a
procura de moeda por motivos precaucionais. Nesta abordagem assume-se que a procura
de moeda (M d ) é influenciado positivamente pela Taxa de Juro (𝑟), Rendimento (𝑌),
Preços dos bens e serviços (𝑃) e Riqueza (𝑊). a função que respeita a teoria monetarista
de Keynes é expressa da seguinte forma:
M d = [KY + α(r)W]p
A especificação que será usada é: Log-log devido ao facto de este fornecer-nos a prior a
elasticidade. Empiricamente o modelo de procura de moeda estará especificado da
seguinte forma:
LnM d = β0 + β1 lnY + β2 lnIPC + β3 r + μt
Onde:
LnM d – é o logaritmo natural da procura d moeda;
β0 , β1 , β2 e β3 - são os parâmetros estimados;
lnY (lnPIBR), lnP (lnIPC) – logaritmo natural do rendimento e preço, respectivamente,
r – taxa de juro;
μt – termo de erro.
3. 6 Cronograma de Actividades
Actividade Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro
Levantamento
Bibliográfico X X X X X
Colecta de Dados X X
Tubulação dos X
Dados
Análise dos
Resultados X
Discussão X
Redação da
Dissertação X
Submissão da
Dissertação X
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BLANCHARD. O, Macroeconomia. USA, Third Editions. prentice Hall, (2003);
2. BATISTAC.J. Modelo de Procura de Moeda. (Tese de Licenciatura em economia.
Faculdade de Economia. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, 2001;
3. Centro de Documentação e Informação do Banco de Moçambique. Relatorio Anual
de 2015 – 2022;
4. GIL, António Carlos. Metodologia de Ensino Superior. 3ª Edição SP, Editora Atlas,
2002;
5. GUJARATI, D. N. Econometria Básica. Tradução da 4ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier,
2006;
6. GUJARATI, D. N. Econometria Básica. Tradução da 3ª Ed. Makron Books: São
Paulo, 2000;
7. Instituto Nacional de Estatística. Índice de Preços do Consumidor por Categoria.
Disponível em:<http://www.inw.gov.mz
8. KUMER, et al., Metodologia de Investigação (Manual do Estudante), Beira, 2007;
9. LAIDLER, D. The Demand for Money. Theories and Evidence. ITC, 1970;
10. MISHKIN, F.S Moedas Bancos e Mercados Financeiros, Rio de Janeiro, 5ª Ed, Livros
Técnicos e Científicos Editora, 1998;
11. REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Decroto Lei nº 2/80 que cria a unidade monetária
designada metical. República de Moçambique: 16/1980. 16 de junho de 1980;
12. SPIEGEL, M. R. (1979). Estatística. Editora Mc Graw-Hill;
13. SAMELSON, P. A. e NORDHAUS, W. D: Economia, 16ª Edição. Mc Graw-Hill:
Portugal, 1999.