Documento criado pelo Comitê Científico da Associação Brasileira
de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN) com vistas a atender
demanda do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional (COFFITO).
Clynton Lourenço Corrêa
16 de agosto de 2013
Em resposta à solicitação do Sr. Presidente do COFFITO, Dr.
Roberto Mattar Cepeda, solicitando à ABRAFIN emissão de parecer acerca
da regulamentação do procedimento fisioterapêutico PediaSuit®
informamos que:
Primeiramente, é importante salientar que o Método PediaSuit®
está vinculado a uma marca empresarial, a ”Therapies 4 kids”, com sede
na Flórida, Estados Unidos da América (EUA). Portanto, ressaltamos que
ao fazer referencia ao Método PediaSuitTM, faz-se menção a uma marca
empresarial específica. Ocorre que existem disponíveis no mercado
(nacional ou internacional) programas e equipamentos semelhantes ao
Método PediaSuitTM, como os do Método TheraSuit® (Therasuit LLC
company, EUA) e Adeli Suit®, República Eslováquia.
Adicionalmente, os TheraSuits® e o Método de Terapia utilizando
Suits (TheraSuit Método®) são marcas registradas da empresa TheraSuit
LLC. Os TheraSuits® estão protegidos sob a patente de número 7153246
(Estados Unidos da América). Nesse contexto, a aquisição e a
utilização de TheraSuits® sem a autorização da empresa TheraSuit LLC
podem estar sujeitas à violação desta patente. Pela fala da própria
empresa, a TheraSuit LLC encerrou toda e qualquer relação comercial
com a empresa “Therapies 4 Kids‟ e afirma que a mesma não é
certificada ou autorizada pela TheraSuit LLC para oferecer treinamento
no TheraSuit Método®. Por fim, a TheraSuit LLC também não se
responsabiliza por qualquer questão legal, financeira, terapêutica
e/ou qualquer outros assuntos relacionados a empresa “Therapies 4
Kids” e/ou seus proprietários.
De acordo com a empresa ”Therapies 4 kids”, o Método PediaSuitTM
tem como conceito o uso de órtese de retificação postural, o qual foi
estudado inicialmente na Polônia, na década de 70, diante do
conhecimento que astronautas russos, após passarem mais de 300 dias no
espaço, evoluíram com perda de força muscular devido à falta de
gravidade. Em 1971, o programa espacial da Rússia desenvolveu o "terno
de pinguim" usado pelos astronautas em vôos espaciais para neutralizar
os efeitos nocivos da ausência de gravidade e hipocinética sobre o
corpo, que incluem: a perda de densidade óssea, a integração alterada
das respostas sensoriais, a atrofia muscular, a integração alterada
das respostas motoras, as alterações cardiovasculares, e os
desequilíbrios de fluidos corporais. Nesse contexto, a empresa defende
que o primeiro passo para essa terapia moderna teria sido dado pelo
programa espacial russo, com limitação ao movimento dos astronautas.
Por outro lado, o seu design ortopédico dinâmico parece ter sido um
sucesso assim como o fato do uso prolongado de tempo.
Mais tarde, a tecnologia da “terapia de terno” começou a ser
compartilhada com os profissionais de reabilitação. Eles perceberam
que os efeitos da ausência de peso foram semelhantes aos problemas
físicos observados em pacientes com paralisia cerebral (PC). Por esta
razão, eles decidiram adaptar este „terno‟ para pacientes com PC. Em
meados dos anos 90, uma clínica na Polônia deu mais um passo e
desenvolveu o Adeli Suit®, a primeira veste usada em crianças com PC.
A Therasuit LLC também reconhece que a veste (suit) original era
chamada de Pinguim. Seu design original tinha como intuito contrapor
os efeitos negativos da falta de ação da gravidade vivenciados pelos
astronautas (atrofia muscular e osteoporose), durante os longos
períodos de viagens pelo espaço. Adicionalmente, tal empresa confirma
que foi nos anos 90 que a veste foi usada em crianças com disfunções
neuromusculares, tendo sido a veste utilizada nas crianças norte
americana em 1997 e o TheraSuit Método® desenvolvido e registrado com
o “FDA” em 2002.
Por fim, vale ressaltar que não foram encontradas informações
online de registro de patente do PediaSuitTM.
O protocolo terapêutico PediaSuitTM tem sido proposto como uma
alternativa à fisioterapia convencional, por proporcionar melhor
estimulação sensorial e permitir o aprendizado do movimento, a postura
ereta e estratégias de equilíbrio.
Segundo os criadores do método, o PediaSuitTM seria o
desenvolvimento de uma unidade de suporte para o corpo, que estabelece
alinhamento biomecânico e proporciona a descarga de peso, os quais
seriam fundamentais na regulação do tônus muscular e da função
sensorial e vestibular1.
O protocolo terapêutico do PediaSuitTM é uma terapia intensiva,
com uma abordagem holística para o tratamento de indivíduos com
distúrbios neurológicos. O mesmo pode ser dito do TheraSuit Método®,
criado por Richard e Izabela Koscielny (fisioterapeutas e pais de uma
filha com PC), uma abordagem muito holística para tratamento daqueles
que sofrem com distúrbios neurológicos, como a PC, o atraso no
desenvolvimento neuropsicomotor e as lesões cerebrais traumáticas. O
TheraSuit Método® baseia-se num programa de exercício intenso e
específico.
CARACTERÍSTICAS DO PROTOCOLO DE TRATAMENTO PEDIASUITTM:
O Protocolo de Tratamento PediaSuitTM caracteriza-se por
utilizar um programa de fisioterapia intensiva que consiste de até 4
horas de tratamento por dia, cinco dias por semana, durante 3 ou 4
semanas. Acredita-se que esta intensidade resulta em melhorias
alcançadas mais cedo do que com a fisioterapia tradicional (com
duração que varia de ½ a 1 hora por dia, 1 a 3 dias por semana).
O Protocolo PediaSuitTM é composto por quatro etapas, incluindo:
aquecimento e alongamento, „terno‟ (suit), „gaiola do macaco‟ chamada
de “Monkey”, e a „gaiola da aranha‟ chamada de “Spider”.
Um dia típico de um programa genérico intensivo consiste de
aquecimento e massagem profunda, técnicas de redução do tônus e
integração sensorial, diminuindo padrões de movimento patológicos,
aumentando os padrões adequados de movimento ativos, alongamento/
fortalecimento de grupos musculares específicos responsáveis pelo
movimento funcional, exercícios de resistência progressiva,
equilíbrio/coordenação e treinamento de resistência, e transferência
das atividades funcionais e treino de marcha.
Segundo os fabricantes, o protocolo inicial seria composto por
alongamentos, massagem, mobilizações articulares, exercícios de
aquecimento, co-contração nas articulações, escovação de membros
superiores e inferiores, além de cinesioterapia ativo-assistida1.
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS PARA O PROTOCOLO DE
TRATAMENTO PEDIASUITTM:
São utilizados equipamentos específicos como:
„terno‟ (SUIT), uma vestimenta ortopédica macia e dinâmica,
consiste em chapéu, colete, calção, joelheiras e calçados
adaptados, com ganchos e cordas elásticas, que “ajudam a contar
ao corpo como ele deveria se mover no espaço. Os terapeutas
usam o PediasuitTM para manter o corpo em alinhamento físico
adequado. Durante exercícios especializados, os terapeutas
ajustam os conectores elásticos que se espelham
topograficamente pelos músculos flexores e extensores,
rotadores do tronco e dos membros inferiores. Acessórios
adicionais corrigindo a posição dos pés, cabeça e outras áreas
do corpo também foram projetados. O conceito básico do
PediasuitTM é a criação de uma unidade de suporte para o corpo,
estabelecendo alinhamento biomecânico e sobrecarga/descarga de
peso que são fundamentais na funcionalização do tônus muscular,
da função sensorial e vestibular. É produzida uma carga
vertical dirigida de aproximadamente 15 a 40 kg.
Ability Exercise Unit (A.E.U.), que é o dispositivo mais eficaz
para melhorar a força muscular, e também permite o isolamento
do grupo muscular desejado. O que isto significa é que sempre
que uma pessoa com um distúrbio neurológico é convidada a
realizar certo movimento, devido ao tônus muscular e falta de
coordenação, força e equilíbrio, ela tentará realizar o
movimento com ambas as extremidades (superior e inferior) ao
mesmo tempo. A A.E.U., juntamente com exercícios específicos
realizados no mesmo, permite a seletividade do movimento do
paciente para isolar uma extremidade da outra e movê-la de
forma independente.
É um dispositivo único e dinâmico que consiste em um
espaço fechado dimensionado com estrutura metálica com
abertura anterior, composto por um sistema de cordas,
polias e pesos para executar uma variedade de exercícios.
A versatilidade da A.E.U. favorece a diversão do paciente
bem como permite a substituição do trabalho de duas
pessoas adicionais.
O A.E.U. pode ser trabalhado com uma maca no centro (ou
não) ou, ainda, com barras paralelas instaladas no seu
interior, permite o treino de marcha, habilidades
funcionais e transferências.
PÚBLICO A QUEM SE DESTINA O PROTOCOLO DE TRATAMENTO PEDIASUITTM:
Teoricamente o método beneficiaria especificamente indivíduos
com comprometimento motor por afecções neurológicas e/ou
musculoesqueléticas. De acordo com os criadores do Método PediaSuitTM,
o seu uso é destinado às seguintes condições2: traumatismo crânio-
encefálico; atraso no desenvolvimento; ataxia; atetose; hipertonia ou
hipotonia; autismo; epilepsia; distúrbios de integração sensorial;
Síndrome de Down; pós-acidente vascular cerebral (AVC; pós-trauma;
distúrbios do sistema nervoso central; doenças mitocondriais;
hidrocefalia; artrite reumatoide; lesões desportivas; pacientes
ortopédicos; distúrbios vestibulares; queimaduras; Fraturas - estágios
iniciais da reabilitação; e Espinha Bífida.
BENEFÍCIOS DO PROTOCOLO DE TRATAMENTO PEDIASUITTM:
Os seguintes benefícios poderiam ser atribuídos ao Método
PediaSuitTM:
re-treinamento motor e consequente reaprendizado motor; restauração do
desenvolvimento ontogenético; fornecer estabilização externa;
regulação do tônus muscular; alinhamento do corpo o mais próximo
possível do normal; fornecer correção dinâmica; normalizar (corrigir)
o padrão de marcha; fornecer estimulação tátil; influências do sistema
vestibular; melhora do equilíbrio; melhora da coordenação; diminuição
do movimento descontrolado ataxia e atetose; melhora do corpo e da
consciência espacial; suporte para os músculos fracos; oferece
resistência aos músculos fortes para aumentar ainda mais a força;
melhorar a produção da fala e sua fluência através da cabeça e do
apoio do tronco; promover o desenvolvimento de habilidades motoras,
tanto finas e grossas; melhora a densidade óssea; ajudar a diminuir
contraturas e melhorar o alinhamento do quadril2.
SOBRE O MÉTODO THERASUIT®:
Ao fazer o levantamento bibliográfico sobre o TheraSuit®, nos
bancos de dados eletrônicos (PubMed, PEDro, Scielo, LILACS, BIREME),
obtivemos três textos científicos que versam sobre o equipamento
TheraSuit®.
O artigo publicado na revista Pediatric Physical Therapy
2010;22(1):76-85 teve como objetivo investigar, por meio de relato de
caso, os efeitos da terapia intensiva utilizando o Método Therasuit®
na marcha, tarefas funcionais, assistência do cuidador e habilidade
motora grosseira em crianças com Encefalopatia Crônica Não-Progressiva
(ECNP). Participaram desse estudo duas crianças que realizaram o
tratamento pelo método TheraSuit®, 4 horas por dia, 5 dias por semana
por 3 semanas consecutivas. Os autores relatam que muito pouca melhora
foi observada na funcionalidade que consta na dimensão D do GMFM e no
domínio de auto-cuidado do PEDI, com função diminuída em outras áreas
desses instrumentos de avaliação. Foram observadas melhoras nos
seguintes itens relacionados à marcha: velocidade, cadência, simetria,
mobilização articular e postura. Os autores concluem que são
necessários mais estudos sobre o equipamento do TheraSuit® e de
programas terapêuticos intensivos aplicados em crianças com ECNP3.
Já o artigo publicado na revista Pediatric Physical Therapy
2011;23(2):136-42, intitulado “The effect of suit wear during na
intensive therapy program in children with Cerebral Palsy” teve como
objetivo examinar os efeitos da indumentária do TheraSuit® durante um
programa de fisioterapia intensivo na função motora nas crianças (3-8
anos de idade) com ECNP. Vinte crianças foram randomizadas e incluídas
no grupo experimental (Método TheraSuit®) ou no grupo controle
(indumentária-controle) e participaram de um programa de terapia
intensivo. As crianças foram avaliadas antes e depois (4 e 9 semanas
de treinamento) por meio do PEDI e GMFM-66. Os autores não encontraram
diferenças entre os grupos e não houve relato de eventos adversos
durante o uso das indumentárias, tais como: luxação de quadril,
escoriação cutânea e/ou fraturas. Os autores concluem que as crianças
que usaram o TheraSuit® durante o programa de terapia intensiva não
apresentaram melhora da função motora quando comparadas às crianças do
grupo controle durante o mesmo programa. Os autores também concluem
que os resultados desse estudo não podem ser generalizados para
crianças com ECNP de outras idades, outros níveis de GMFCS e/ou
combinação com outras intervenções, tal como: toxina botulínica. Esse
artigo apresenta, segundo os autores, as seguintes limitações: 1)
número da amostra pequeno; 2)amostra não homogênea; 3)Não foi
considerada avaliação qualitativa da marcha referente à mudança de
equipamento assistivo para a marcha; a falta de grupo controle que não
tenha participado de qualquer terapia para comparação com o grupo
experimental4.
Em relação ao artigo citado anteriormente houve uma publicação,
sob forma de comentário, publicado na revista Pediatric Physical
Therapy 2011;23(2):143. A autora tece comentário sobre a importância
dos fisioterapeutas realizarem uma análise específica para cada
paciente em relação ao uso da indumentária durante a consulta. Segundo
a autora, os fisioterapeutas não devem considerar esse recurso
terapêutico de forma reducionista, isto é, como pacotes de métodos e
programas prontos e fechados (protocolos que não consideram a
necessidade de cada paciente). A autora menciona que o estudo em
questão agrega informações no campo da ciência sobre a importância da
realização de terapia intensiva em crianças. A autora destaca a
importância de considerar que a melhora funcional não é observada em
crianças antes de 3 semanas de prática de terapia intensiva. A
referida autora comenta que talvez haja a possibilidade de crianças
classificadas como GMFCS nível III tenham mais dificuldades em
atividades funcionais em postura ereta quando comparadas às crianças
classificadas como GMFCS nível I e II. Nesse sentido, o TheraSuit®
talvez tenha melhores resultados para crianças GMFCS nível I e II. A
autora finaliza enfatizando que é importante a condução de novos
estudos para determinar os efeitos da frequência da fisioterapia nessa
população5.
SOBRE O MÉTODO ADELI SUIT®:
De acordo com a pesquisa nos bancos de dados eletrônicos
relativos aos artigos científicos da área da saúde, foi possível
encontrar dois artigos que tratam do Adeli Suit®.
O artigo publicado na revista Developmental Medicine and Child
Neurology 2006;48:325-330, intitulado “Comparison of efficacy of Adeli
suit and neurodevelopmental treatments in children with cerebral
palsy” teve por objetivo comparar a eficácia do método Adeli Suit® com
a abordagem neurodesenvolvimental em crianças com ECNP. Participaram
desse estudo 24 crianças, nível II a IV de acordo com GMFCS. Ambos os
grupos fizeram 4 semanas de tratamento, 2 horas diárias, 5 dias por
semana, totalizando 20 consultas. O GMFM-66 e o Índice de Eficiência
Mecânica (IEM) durante a subida de escadas foram medidos antes da
intervenção, imediatamente após 1 mês do tratamento e 10 meses depois
da primeira avaliação. Análise estatística indicou que houve um maior
aumento no IEM, predominantemente nas crianças com maior função motora
(nível II e III do GMFCS), após 1 mês(p=0,16)e 10 meses(p=0,004) nas
crianças atendidas pelo Método Adeli Suit® do que nas crianças
atendidas com a abordagem neurodesenvolvimental. De acordo com os
autores o Método Adele Suit® pode melhorar a eficiência mecânica sem
um ganho correspondente nas tarefas motoras grosseiras, especialmente
nas crianças com maior nível de função motora6.
Em relação ao artigo citado anteriormente houve uma publicação,
sob forma de comentário, publicado na revista Developmental Medicine
and Child Neurology 2006;48:3247. A autora destaca que é pertinente a
pesquisa cujo objeto de estudo seja o Adeli Suit®. Contudo, destaca
que os profissionais da saúde não tem suporte científico adequado para
difundir esse método, pelo menos, para a população estudada no artigo
acima, isto é, nas crianças com ECNP. A teoria fisiológica dos
idealizadores do Método Adeli Suit® é que uma vez o corpo alcance
alinhamento apropriado, o movimento intensivo pode ser realizado e
resultará em reeducação do cérebro para corrigir o movimento realizado
pelos músculos. Além disso, os idealizadores creditam que essa
interface cérebro-músculo ocorra pelo aumento do fluxo sanguíneo, das
funções eletroencefalográficas e calcificação óssea, enquanto nos
casos de ataxia e disartria o que ocorre é uma melhora dessas
condições. A autora faz algumas reflexões acerca do uso do Adele
Suit®, tais como:
1) Tendo em vista que a eficácia do método Adeli Suit® foi
aparentemente melhor no nível III do GMFCS, quais as diferenças
dos resultados entre os níveis II, III e IV?
2) Considerando a análise do gasto de energia, a deambulação não
seria uma medida mais eficaz que o teste de subida de escada,
(considerando que as crianças classificadas no nível IV tem
extrema dificuldade de subir escadas)?
3) Os autores Bar-Haim e cols.(2006) relataram que houve diferença
estatística significativa comparando os tratamentos, contudo é
questionado se essas diferenças são clinicamente importantes.
A autora Anne Turner é enfática ao escrever em seu artigo que
famílias que tem crianças com disfunção moderada-grave correm o risco
de gastos financeiros em terapias alternativas desprovidas de
comprovação científica. Além disso, a autora relata que os
profissionais devem ser cautelosos ao encorajar as famílias a
continuar com essas técnicas que estão em fase inicial de pesquisa
científica para comprovação ou não de sua eficácia7.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
Em relação ao TheraSuit® a indicação é para crianças e adultos,
pois existem 6 diferentes tamanhos da órtese de retificação
disponíveis no mercado8. As indicações e as possíveis vantagens
terapêuticas são semelhantes às atribuídas ao PediaSuit®. Todavia, de
acordo com o fabricante existe relato de contraindicações para o uso
do TheraSuit®, a saber: Subluxação do quadril ≥ 50o;Escoliose grave8. O
fabricante do TheraSuit® atribui também cautela do uso do equipamento
nas seguintes situações: doenças cardíacas; epilepsia não-controlada;
hidrocefalia (válvula ventrículo-peritoneal); diabetes; hipertensão
arterial; doenças renais3.Já o equipamento Adeli Suit® é utilizado no
método que recebe o mesmo nome e é baseado em exercícios específicos9.
Destaca-se que não existem, até o presente momento, na
literatura científica evidências que confirmem a validação do
PediaSuit®. Além disso, também não existem evidências científicas para
as vantagens terapêuticas atribuídas ao equipamento, bem como, para as
indicações patológicas. Não foram encontradas possíveis
contraindicações de forma explícita e/ou riscos que podem ser
atribuídos ao uso do equipamento pelo fabricante. Também não foi
possível encontrar dados científicos que confirmem a indicação da
frequência e duração da aplicação da técnica.
O Estado de São Paulo, por meio de sua Secretaria Estadual de
Saúde, publicou no Diário Oficial do Estado de São Paulo (104, pág
14), em 02 de junho de 2012, o projeto de Lei 383 que institui o
Programa de Fisioterapia Pedia Suit® na rede pública estadual de
saúde. Todavia, o referido projeto não menciona as necessidades de
infra-estrutura para implantação e oferta do serviço à população10.
PARECER TÉCNICO:
Até o presente momento, os métodos que utilizam o traje
específico para promover o alinhamento corporal (Pedia Suit®, Thera
Suit® e Adeli Suit®) não possuem evidências científicas para comprovar
a eficácia no espectro de condições patológicas apresentadas pelos
seus fabricantes.
Os poucos artigos disponíveis sobre os métodos destacam que a
fisioterapia intensiva é um importante componente, isto é, a aplicação
do método 5 vezes por semana, cada consulta com duração de 2-4 horas
para obter os resultados descritos nos manuscritos citados
anteriormente. Nesse sentido, é importante destacar que os resultados
obtidos ocorreram mediante o emprego da fisioterapia intensiva.
Embora não haja, ainda, regulamentação para a aplicação da
intervenção em questão, salientamos que é necessário considerar:
1)Espaço físico para a colocação do cercado de estrutura metálica;
2)Oferta de atendimento intensivo aos pacientes que serão submetidos à
essa terapia, ou seja, frequência semanal e duração de cada consulta
deve ser diferenciada do que ocorre costumeiramente nos serviços de
Fisioterapia (30min a 1 hora)que atendem aos pacientes com disfunções
neurológicas; 3) Formação específica do profissional que trabalhará
com o recurso.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1)PediaSuit, USA. Disponível em: [Link]
2)PediaSuit, Brasil. Disponível em: [Link]
clinics/brazil/method-pt
3) BAILES AF; GREVE K; SHMITT L. Changes in two children with cerebral
palsy after intensive suit therapy: a case report. Pediatric Physical
Therapy 2010;22(1):76-85.
4) BAILES AF; GREVE K; BURCH CK; REDER R, LIN L; HUTH M. The effect of
suit wear during an intensive therapy program in children with
Cerebral Palsy. Pediatric Physical Therapy 2011;23(2):136-42.
5) CHRISTY JB. Clinical bottom line: The effect of suit wear during an
intensive therapy program in children with Cerebral Palsy. Pediatric
Physical Therapy 2011;23(2):143.
6) BAR-HAIM S, HARRIES N, BELOKOPYTOV M; FRANK A; COPELIOVITCH L;
KAPLANSKI J; LAHAT E. Comparison of efficacy of Adeli suit and
neurodevelopmental treatments in children with cerebral palsy.
Developmental Medicine and Child Neurology 2006;48:325-330.
7)TURNER AE. Commentary: The efficacy of Adeli suit treatment in
children with cerebral palsy. Developmental Medicine and Child
Neurology 2006;48:324.
8)TheraSuit, USA. Disponível em:
[Link]
9)Adeli Suit. Disponível em: [Link]
10)SÃO PAULO. Projeto de Lei [Link]ÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO
PAULO, São Paulo, 02 de junho de 2012.
Participaram da elaboração desse documento:
Prof. Dr. Clynton Lourenço Corrêa, PhD/UFRJ
Dra. Carla Trevisan, PhD/IFF-FioCruz
Profa. Dra. Cristiane Baez, PhD/IFRJ
Profa. Dra. Doralucia Pedrosa de Araujo, PhD/UEPB
Dra. Miriam Calheiros, PhD/IFF-FioCruz
Profa. Dra. Sheila Schneiberg, PhD/UFS
Qualquer parte deste documento pode ser reproduzido desde que citada a
fonte.