0% acharam este documento útil (0 voto)
43 visualizações19 páginas

Métodos e Distribuição Global da Precipitação

O documento discute o tema da precipitação, abordando sua distribuição mundial, métodos de Thiessen e isoietas, determinação da curva média de uma área, processamento e preenchimento de dados, e chuvas intensas. A compreensão da precipitação em bacias hidrográficas é ampla devido às muitas variáveis espaciais e temporais envolvidas.

Enviado por

Rabi Putthiya
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
43 visualizações19 páginas

Métodos e Distribuição Global da Precipitação

O documento discute o tema da precipitação, abordando sua distribuição mundial, métodos de Thiessen e isoietas, determinação da curva média de uma área, processamento e preenchimento de dados, e chuvas intensas. A compreensão da precipitação em bacias hidrográficas é ampla devido às muitas variáveis espaciais e temporais envolvidas.

Enviado por

Rabi Putthiya
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

Precipitação
i. Distribuição da Precipitação a Nível Mundial
ii. Comparação Entre o Método de Thiessem e o Método das Isoietas
iii. Determinação da Curva Média de Uma Área
iv. Processamento de Dados da Chuva
v. Preenchimento da Falha em Série de Precipitação
vi. Chuvas Intensas, Intensidade, Duração e Frequência

Oriente Jaime de Castro Pirai


([email protected], 603560, Licenciatura em Engenharia Civil)
Danila Danilo
([email protected], 576040, Licenciatura em Engenharia Civil)
Juel Renato
([email protected], 552389, Licenciatura em Engenharia Civil)
Anselmo Manda

([email protected], 602106, Licenciatura em Engenharia Civil)

Nampula, 2023

RESUMO:
O ciclo hidrológico desempenha um papel crítico no fornecimento contínuo de precipitação de água doce para a
terra, mantendo os níveis de água, tanto na superfície da terra como em aquíferos subterrâneos. A consistência do
ciclo é necessária para manter a vida. Naturalmente, cada uma das regiões da terra recebe uma quantidade diferente
de precipitação. A compreensão da precipitação numa bacia hidrográfica é muito ampla, pois há muitas variáveis de
tempo e espaço envolvidas na área estudada. A precipitação dificilmente segue um padrão físico idêntico e a
variação espacial muda rapidamente. Nisso, o presente trabalho propomos abordar o tema sobre a precipitação e nele
vai-se a abordar a distribuição da precipitação a nível mundial; a comparação entre o método de Thiessen e o
método das isoietas; determinação da curva média de uma área; processamento de dados da chuva; preenchimento
da falha em série de precipitação e chuvas intensas, intensidade, duração e frequência.

Palavras-chave: Precipitação, Métodos de Thiessem das isoietas, Chuvas intensas e Falhas em série.
2

1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho aborda o tema “precipitação” e nele vai-se a abordar a distribuição da
precipitação a nível mundial; a comparação entre o método de Thiessen e o método das isoietas;
determinação da curva média de uma área; processamento de dados da chuva; preenchimento da
falha em série de precipitação e chuvas intensas, intensidade, duração e frequência. O ciclo
hidrológico desempenha um papel crítico no fornecimento contínuo de precipitação de água doce
para a terra, mantendo os níveis de água, tanto na superfície da terra como em aquíferos
subterrâneos. A consistência do ciclo é necessária para manter a vida. Naturalmente, cada uma
das regiões da terra recebe uma quantidade diferente de precipitação.

O conhecimento sobre as variáveis climáticas, independente da escala de abordagem, constitui


importante ferramenta aliada ao processo de planeamento das actividades que estruturam os
espaços, FERNANDEZ (2007). A precipitação, uma das componentes do clima, exerce papel
fundamental na organização das actividades humanas, na dinâmica hidrológica, agrícola,
socioeconómica, urbana e muitos outros.

A compreensão da precipitação numa bacia hidrográfica é muito ampla, pois há muitas variáveis
de tempo e espaço envolvidas na área estudada. A precipitação dificilmente segue um padrão
físico idêntico, a variação espacial muda rapidamente, pois o núcleo de chuva se modifica a todo
momento e a variação temporal é extremamente aleatória-chuvas podem ser de alguns minutos
até várias horas ou dias e com uma grande amplitude de intensidade.

1.1. Precipitação

Entende-se por precipitação a água proveniente do vapor de água da atmosfera depositada na


superfície terrestre sob qualquer forma: chuva, granizo, neblina, neve, orvalho ou geada.
Representa o elo de ligação entre os demais fenómenos hidrológicos e o fenómeno do
escoamento superficial, sendo este último o que mais interessa ao engenheiro.

1.1.1. Formação das Precipitações

Para que haja precipitações é necessários os seguintes elementos:


 Humidade Atmosférica: (devido à evapotranspiração);
3

 Mecanismo de Resfriamento do Ar: (ascensão do ar húmido): quanto mais frio o ar,


menor sua capacidade de suportar água em forma de vapor, o que
culmina com a sua condensação.
1.1.2. Tipos de Precipitação
1.1.2.1. Precipitações Ciclónicas
Estão associadas com o movimento de massas de ar de regiões de alta pressão para regiões de
baixa pressão. Essas diferenças de pressões são causadas por aquecimento desigual da superfície
terrestre. Podem ser classificadas como frontal ou não frontal.
 Frontal: tipo mais comum, resulta da ascensão do ar quente sobre o ar frio na zona de
contacto entre duas massas de ar de características diferentes. Se a massa de ar se move
de tal forma que o ar frio é substituído por ar mais quente, a frente é conhecida como
frente quente, e se por outro lado, o ar quente é substituído por ar frio, a frente é fria,
conforme a figura 1.
 Não frontal: é resultado de uma baixa barométrica, neste caso o ar é elevado em
consequência de uma convergência horizontal em áreas de baixa pressão. As
precipitações ciclónicas são de longa duração e apresentam intensidades de baixa a
moderada, espalhando-se por grandes áreas.

Figura 1: Seção Vertical de Uma Superfície Frontal (FERNANDEZ 2007 )

1.1.2.2. Precipitações Convectivas


São típicas das regiões tropicais. Conforme nos ensina COUTINHO (2018), o aquecimento
desigual da superfície terrestre provoca o aparecimento de camadas de ar com densidades
diferentes, o que gera uma estratificação térmica da atmosfera em equilíbrio instável. Se esse
equilíbrio, por qualquer motivo (vento, superaquecimento), for quebrado, provoca uma ascensão
4

brusca e violenta do ar menos denso, capaz de atingir grandes altitudes, segundo a figura 2. As
precipitações convectivas são de grande intensidade e curta duração, concentradas em pequenas
áreas (chuvas de verão). São importantes para projectos em pequenas bacias.

Figura 2: Chuva de Convecção (COUTINHO, 2018)

1.1.2.3. Precipitações Orográficas


Resultam da ascensão mecânica de correntes de ar húmido horizontal sobre barreiras naturais,
tais como montanhas, figura 3. As precipitações da Serra do Mar são exemplos típicos.

Figura 3: Chuvas Orográficas (COUTINHO, 2018)

1.1.2.3. Medições das Precipitações

Expressa-se a quantidade de chuva (h) pela altura de água caída e acumulada sobre uma
superfície plana e impermeável. Ela é avaliada por meio de medidas executadas em pontos
previamente escolhidos, utilizando-se aparelhos denominados pluviómetros (figura 4) ou
pluviógrafos (figura 5), conforme sejam simples receptáculos da água precipitada ou registem
essas alturas no decorrer do tempo. As medidas realizadas nos pluviómetros são periódicas,
geralmente em intervalos de 24 horas (sempre às 7 da manhã).
5

As grandezas características são:


 Altura Pluviométrica: lâmina de água precipitada sobre uma área. As medidas
realizadas nos pluviómetros são expressas em mm;
 Intensidade de Precipitação: é a relação entre a altura pluviométrica e a duração da
precipitação expressa, geralmente em mm.h-1 ou mm.min-1;
 Duração: período de tempo contado desde o início até o fim da precipitação (h ou min).

Figura 4: Pluviómetro Figura 5: Pluviógrafo

2. METODOLOGIA
2.1. Procedimento

Quanto a metodologia, adoptamos uma pesquisa bibliográfica, realizado por meio de livros,
revistas, artigos científicos, monografias e bem como material disponível na internet e
principalmente os documentos que falam sobre o tema.

3. DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Nesta parte, reserva-se a discussão de resultados e traremos as ideias e conceitos que falam sobre
o tema, concretamente, precipitação; distribuição da precipitação a nível mundial; comparação
entre o método de Thiessem e o método das isoietas; determinação da curva média de uma área,
processamento de dados da chuva; preenchimento da falha em série de precipitação e chuvas
intensas, intensidade, duração e frequência.

3.1. Distribuição da Precipitação a Nível Mundial

De acordo com COUTINHO (2018), a falta de informações quanto à distribuição de dados


pluviométricos torna-se uma limitação frequente para se modelar e compreender as
características pluviométricas e a variabilidade espaço temporal da precipitação, sendo que séries
6

temporais sem falhas e contínuas é uma condição essencial para análises ambientais e de
cenários socioeconómicos consistentes e confiáveis. A obtenção desses dados pode ser através de
diversos dispositivos, como estações meteorológicas, sensores, satélites, balões e radares
(COUTINHO et al., 2018).

Estudos relacionados à distribuição espacial da precipitação mostram que se a precipitação total


anual fosse distribuída uniformemente sobre a superfície da Terra, a média anual seria de 840
mm. Entretanto, a quantidade média anual, em determinadas áreas, varia de menos de 250 mm a
mais de 2540 mm. Essas áreas são consideradas como regiões de déficit ou superávit de
precipitação.

3.1.1. Regiões Áridas


As regiões áridas do mundo ocorrem em grandes faixas distribuídas da seguinte forma:
 Num cinturão aproximadamente descontinuo entre 20 e 30 N e S estão localizados os
grandes desertos tropicais. A aridez desses desertos tem como causa principal a
circulação de grande escala da atmosfera. A convergência de ar superior nessa faixa
latitudinal cria correntes descendentes que se aquecem adiabaticamente, devido à
subsidência de ar tropical continental.
Os desertos tropicais litorâneos que ocorrem em latitudes similares estão localizados no sector
leste das células de alta pressão semi-estacionárias, sob o domínio das massas de ar marítima
(mT), estáveis. As características da massa de ar (mT) diferem levemente da Tropical
continental.
 No interior dos continentes estão localizados os desertos continentais. Esses desertos
devem sua aridez as suas distâncias em relação ao mar; a maior fonte de vapor de água.
Dominados principalmente pelas massas de ar (cP) no inverno, durante o verão são a
fonte de ar (cT), podendo ser influenciados pelas massas de ar marítimas que, por causa
da distância percorrida, são relativamente secas.
 Nos desertos polares, que constituem a terceira grande área caracterizada por baixa
precipitação. A baixa temperatura dessas regiões é provavelmente o factor predominante
para a baixa humidade da área.
7

Os limites actuais dos desertos como mostram os mapas, são tentativas para mostrar os
problemas existentes na definição dos limites dos desertos. Muitas fórmulas empíricas foram
desenvolvidas para expressar a aridez de uma área.

Os problemas relacionados à aridez estão relacionados não só com a grande variabilidade da


precipitação, que ocorre ano a ano, mas também com os efeitos altamente localizados da
distribuição da precipitação.

3.1.2. Regiões de Elevado Índice Pluviométrico

As regiões de elevado índice pluviométrico ocorrem em grandes faixas distribuídas da seguinte


forma:
 Áreas na faixa equatorial influenciadas pela zona de convergência intertropical (ZCIT)
todos os anos. Essas áreas, embora recebam incrementos variáveis mensalmente,
apresentam precipitação total elevada;
 Regiões costeiras da faixa tropical onde as massas de ar (mT) predominam a maior
parte dos anos.
 O sector oeste dos continentes nas latitudes médias onde a precipitação resulta de
constantes penetrações dos ventos predominantes de oeste com frequente actividade
ciclónica.
As barreiras montanhosas desempenham importante papel na modificação das massas
de ar, influenciando significativamente a distribuição espacial da precipitação. O sector a
barlavento das montanhas recebe os maiores totais de precipitação, (BALLARI et al 2018). No
sector a sotavento
dessas áreas, a precipitação decresce marcadamente, ocorrendo o efeito sombra de chuva.

Na maior parte, a precipitação aumenta com a altitude nas latitudes médias, especialmente, nas
montanhas próximas aos mares. Entretanto, esse efeito parece ser modificado nas faixas tropicais
e subtropicais. A razão para essas diferenças são as diferentes concentrações de humidade nos
diferentes níveis nas latitudes médias e faixa tropical. Muita precipitação orográfica nos trópicos
é derivada de nuvens cumuliformes que têm seus limites superiores em torno de 2743 m. A
concentração de gotas de água ocorre próximo ao nível médio da base das nuvens.

A distribuição da precipitação, tanto no espaço como no tempo, está longe de ser uniforme. As
variações observadas têm carácter eventual, quando associadas a uma escala temporal pequena
8

(horária, diária ou semanal) condicionadas por condições climáticas locais, ou carácter


sistemático, condicionadas pelo clima global, onde a escala temporal será totalizadora das
precedentes (mensal, semestral, anual ou multianual), figura 6.

Tabela 1: Variações espaço temporais da precipitação (Rodrigues, 1986)

A precipitação numa dada região cresce com a altitude até valores da ordem dos 2000 a 3000
metros. Este efeito é mais notório numa cadeia de montanhas que num pico isolado e resulta
das precipitações de origem orográficas, já anteriormente referidas (RODRIGUES, 1986). Com o
aumento da altitude diminui, em termos relativos, a precipitação na forma de chuva e passa a ter
mais importância a precipitação na forma sólida, normalmente neve. A distribuição da
precipitação representa-se através de linhas isoéticas ou isoetas: linhas que unem pontos de igual
valor de precipitação

Os valores mais elevados de precipitação ocorrem nas áreas mais montanhosas do centro e do
noroeste, originando precipitações orográficas; No sul, menos acidentado, a precipitação é
inferior. Latitude A precipitação diminui de Norte para Sul. As perturbações da frente polar
afectam com maior frequência a região Norte do país. Nas regiões montanhosas as precipitações
frontais são reforçadas pelas orográficas; O Sul é mais influenciado pelos anticiclones
subtropicais.
9

Os valores mais elevados registam-se no litoral. Esta diminuição do litoral para o interior, deve
se à influência do Atlântico, à medida que se avança para o interior o ar perde humidade que
transporta; O fenómeno da continentalidade é reforçado pela influência do relevo. As montanhas
que se encontram a noroeste impedem a penetração dos ventos húmidos vindos do Atlântico,
barreira de condensação (BRUBACHER et al, 2012).

A distribuição no tempo do total precipitado, permite definir o hietograma (gráfico da variação


temporal da precipitação) de projecto fundamental para a determinação dos hidrogramas de
cheia. A forma mais simples, mas também menos realista, de distribuir a precipitação no tempo,
consiste em assumir uma distribuição uniforme do volume precipitado durante a duração da
chuvada. Nestas condições o hietograma resultante tem intensidade constante pelo que a
quantidade de precipitação resulta do produto da duração pela correspondente intensidade.

Todavia, e na sequência do que foi referido acima, é de supor que a intensidade de precipitação
decresça com a duração, obrigando à decomposição do volume precipitado ao longo da chuvada
de forma não constante.

A distribuição temporal da precipitação pode ser realizada segundo três metodologias distintas:
 Recorrendo a hietogramas, em que cada ordenada representa a precipitação ou a
intensidade ocorrida em cada incremento de tempo;
 Através da curva cumulativa da precipitação, tal que cada ordenada indica a precipitação
ocorrida até ao instante considerado;
 Recurso às curvas de Huff, onde cada ordenada representa a fracção da precipitação total
da chuvada até ao instante considerado.

3.2. Comparação entre o Método de Thiessem e o Método das Isoietas

3.2.1. Método de Thiessem

O método de Thiessen subdivide a área da bacia em áreas delimitadas por rectas unindo os
pontos das estações, dando origem a vários triângulos. Traçando perpendiculares aos lados de
cada triângulo, obtêm-se vários polígonos que encerram, cada um, apenas um posto de
observação. Admite-se que cada posto seja representativo daquela área onde a altura precipitada
é tida como constante.
10

Cada estação recebe um peso pela área que representa em relação à área total da bacia. Se os
polígonos abrangem áreas externas à bacia, essas porções devem ser eliminadas no cálculo. Se a
área total é A e as áreas parciais A1, A2, A3, etc., com respectivamente as alturas precipitadas P1,
P2, P3, etc., a precipitação média é:

Precipitações Área do Polígono Percentagem da Área Precipitação Ponderada


Observadas (km2) total (1) x (3)
(1) (2) (3)
68,0 0,7 0,01 0,68
50,4 12,0 0,19 9,57
83,2 10,9 0,18 14,97
115,6 12,0 0,19 21,96
99,5 2,0 0,03 2,98
150,0 9,2 0,15 22,50
180,3 8,2 0,13 23,44
208,1 7,6 0,12 24,97
62,6 100
Tabela 2: Precipitação Média
Pm = 121,07mm

O método de Thiessem apesar de ser mais preciso que o aritmético, também apresenta
limitações, pois não considera as influências orográficas; ele simplesmente admite uma variação
linear da precipitação entre as estações e designa cada porção da área para estação mais próxima.

3.2.2. Método das Isoietas

No mapa da área (Figura 6), são traçadas as isoietas ou curvas que unem pontos de igual
precipitação. Na construção das isoietas, o analista deve considerar os efeitos orográficos e a
morfologia do temporal, de modo que o mapa final represente um modelo de precipitação mais
real do que o que poderia ser obtido de medidas isoladas (COUTINHO et al, 2018). Em seguida
calculam-se as áreas parciais contidas entre duas isoietas sucessivas e a precipitação média em
cada área parcial, que é determinada fazendo-se a média dos valores de duas isoietas.
Usualmente se adopta a média dos índices de suas isoietas sucessivas.

A precipitação média da bacia é dada pela equação:


11

Figura 6: Traçado das Isoietas na Bacia em Estudo – (COUTINHO, 2018)

Isoietas Área entre as Isoietas (km2) Precipitação (mm) (2) x (3)


25 - 30 - - -
30 - 35 1,9 34,5 66
35 - 40 10,6 37,5 398
40 - 45 10,2 42,5 434
45 - 50 6,0 47,5 285
50 - 55 15,0 52,5 788
55 - 60 8,4 57,5 483
60 - 65 4,7 62,0 291
56,8 2.745
Tabela 3:Demostração de Áreas de Isoietas - (COUTINHO, 2018)

Este método é considerado o mais preciso par avaliar a precipitação média em uma área.
Entretanto, a sua precisão depende altamente da habilidade do analista. Se for usado uma
interpolação linear entre as estações para o traçado das isolinhas, o resultado será o mesmo
daquele obtido com o método de Thiessem.

3.3. Determinação da curva média de uma área

A caracterização das precipitações intensas pode ser realizada de duas maneiras: uma puramente
descritiva; outra recorrendo ao tratamento estatístico dos dados.

Na forma descritiva são identificados, na série de dados, os valores relativos ao primeiro máximo
na unidade de tempo em análise e em unidades de tempo múltiplas, ajustando-se-lhe, depois,
uma função do tipo h=atn, onde h é altura em milímetros, t o tempo e a e n são constantes
característicos de cada local, obtidos pelo método dos mínimos quadrados após logaritmização
(log h = log a + n log t), e corresponde à implantação dos valores máximos de precipitação
associados à duração segundo uma recta traçada em papel logaritmo.
12

A função h = h(t) é designada por curva de possibilidade udométrica (altura-duração-


frequência).

Na abordagem estatística, os máximos de precipitação em cada intervalo de tempo, começam por


ser ajustados a uma lei de densidade de probabilidade (normalmente a lei de Gumbel), para
depois se ajustar a curva de possibilidade udométrica, aos valores gerados para cada frequência e
duração. As curvas assim obtidas acabam por ser uma derivação das curvas de altura-duração-
frequência, e são conhecidas como curvas IDF (intensidade-duração-frequência).

A área de influência possui um peso perante a área total, expresso pela equação 1:

Wi = Ai x A
Onde:
Wi – é o factor de peso;
Ai – é a área de influência da estação;
A – é a área total da bacia hidrográfica.
A precipitação média é expressa na equação 2:

Pm = ∑ Ai x Pi x A
Onde:
Pm – é a precipitação média na bacia (mm);
Pi – é a precipitação na estação (mm);
Ai – é a área de influência da estação;
A – é a área total da bacia.
3.4. Processamento de Dados da Chuva

A precipitação é um processo aleatório. A sua previsão, na maioria dos problemas, é realizada


com base na estatística de eventos passados. Os estudos estatísticos permitem verificar com que
frequência, as precipitações ocorreram com uma dada magnitude, estimando as probabilidades
teóricas de ocorrência das mesmas.

O conhecimento estatístico das características das precipitações apresenta grande interesse


de ordem técnica na engenharia, por sua frequente aplicação nos projectos associados ao
aproveitamento de recursos hídricos. Por exemplo, o conhecimento da magnitude das enchentes
que poderiam ocorrer com uma determinada frequência é importantes para:
 Projectos de vertedores de barragens;
13

 Dimensionamento de canais;
 Definição das obras de desvio de cursos de água;
 Determinação das dimensões de galerias de águas pluviais;
 Cálculo de bueiros, etc. Por outro lado, nos projectos de irrigação e de abastecimento de
frequência ocorreriam.

Nos projectos de obras hidráulicas, as dimensões da obra são determinadas em função de


considerações de ordem económica. Portanto, corre-se um risco de que a estrutura venha a falhar
durante a sua vida útil. É necessário, então, conhecer este risco. Para isso, analisam-se
estatisticamente as observações realizadas nos postos hidrométricos, verificando-se com que
frequências elas assumiriam cada magnitude. Em seguida, pode-se avaliar as probabilidades
teóricas.
A análise de frequência dos dados de chuva pode ser feita considerando-se os tipos seguintes
de séries:
 Série total: os dados observados são considerados na sua totalidade;
 Série parcial: constituída por alturas pluviométricas superiores a um valor-base, tomado
como referência, independentemente do ano em que possa ocorrer;
 Série anual: constituída pelas alturas pluviométricas máximas de cada ano, no caso de
série anual de chuvas máximas diárias, ou pelos totais anuais precipitados caso a série
seja de totais anuais.

As séries de dados de precipitação necessitam de ser validadas quanto á sua consistência e


homogeneidade. Séries revelando inconsistências nos seus registos devem ser corrigidas ou,
eventualmente, eliminadas nas caracterizações posteriores da precipitação. As inconsistências
verificadas nos registos anuais relativas a um posto udométrico, repercutem-se também às outras
escalas temporais (mês, dia, hora, etc).

3.5. Preenchimento da Falha em Série de Precipitação

Após a análise preliminar dos dados, é possível que as séries apresentem falhas ou lacunas.
Contudo, dada a necessidade de se trabalhar com séries contínuas, estas falhas deverão ser
preenchidas. Um método simples para a estimativa do valor para a correcção da falha é o
chamado método de ponderação regional.
14

O método, utilizado para o preenchimento de séries mensais ou anuais de precipitações, toma por
base os registos pluviométricos de pelo menos três estações climaticamente homogéneas (com
um mínimo de dez anos de dados) e localizadas o mais próximo possível da estação que
apresenta falha nos dados de precipitação. Assim, por exemplo, para um posto Y que apresenta
falha, esta será preenchida com base na equação:

Onde:

 PY – é a precipitação a ser estimada para o posto Y; P são as precipitações X1, PX2 e PX3
correspondentes ao mês ou ano5 que se deseja preencher, observadas respectivamente nas
estações vizinhas X1, X2 e X3; P é a precipitação média do posto Y; e YP são as
precipitações X1 , PX2 e PX3 médias nas três estações circunvizinhas.

Um método mais aprimorado de preenchimento de falhas consiste em utilizar as regressões


lineares, simples ou múltipla. Na regressão linear simples, as precipitações do posto com falha e
de um posto vizinho são correlacionadas. As estimativas dos dois parâmetros da equação de
regressão podem ser obtidas gráfica ou numericamente, através do critério de mínimos
quadrados.

O preenchimento de falhas em séries temporais de precipitação é um importante processo para


aplicações em hidrologia, visando o aproveitamento de longas séries, evitando que as mesmas
sejam descartadas.

Estudos com séries temporais de precipitação para espacializar chuvas são cada vez mais
importantes considerando suas aplicações em estudos hidrológicos, fundamentais para o
desenvolvimento social e económico (ICHIYANAGI et al., 2018; BALLARI et al., 2018). Séries
de precipitação têm aplicações directas em climatologia, agricultura, hidrologia e gestão de
desastres, bem como no planeamento e gestão de recursos ambientais e urbanos (MEKIS et al.,
2018).

Métodos para preencher falhas podem contribuir na compreensão da variação climática e na


previsão de fenómenos que venham a se repetir por influência do clima (FERNANDEZ, 2007).
15

O preenchimento de falhas é necessário para aproveitar séries longas de precipitação, evitando


que as mesmas sejam descartadas (BRUBACHER et al., 2012).

Entre os métodos para o preenchimento de falhas destacam-se a ponderação a partir de


Regressão Linear Múltipla (RLM), em que a precipitação no posto com falhas é correlacionada
estatisticamente com a precipitação de postos vizinhos. Muitas observações pluviométricas
apresentam falhas em seus registos devido à ausência do observador ou por defeitos no aparelho.
Entretanto, como há necessidade de se trabalhar com dados contínuos, essas falhas devem ser
preenchidas.
Existem vários métodos para se processar o preenchimento:
 Regressão Linear: explica o comportamento de uma variável em função de
outra. PB = a + b. PA

A estima a precipitação no posto B a partir do valor de precipitação no posto A. Os


coeficientes da equação linear (a e b) podem ser estimados plotandose os valores de
precipitação de dois postos em um papel milimetrado ou com a utilização do método dos
mínimos quadrados.

 Média Aritmética dos postos vizinhos (Métodos das Médias Aritméticas).

Esses dois métodos só devem ser utilizados em regiões hidrologicamente homogéneas, isto é,
quando as precipitações normais anuais dos postos não diferirem entre si em mais de 10%. Para
isso devem ser consideradas séries históricas de no mínimo 30 anos.

 Método das razões dos valores normais (Métodos das Médias Ponderadas). Um método
bastante utilizado para se fazer esta estimativa tem como base os registos pluviométricos
de três estações localizadas o mais próximo possível da estação que apresenta falha nos
dados de precipitação.
3.6. Chuvas Intensas, Intensidade, Duração e Frequência

GOULART et al. (1992) consideraram que chuvas intensas são as que, com determinadas
durações, se encontrem dentro dos limites mínimos fixados na Tabela 7.
16

Duração (min) Precipitação (mm)


30 20
45 23
60 25
90 28
120 30
240 35
360 38
720 44
1080 50
1440 55
Tabela 4: Limites Mínimos para Considerar Uma Chuva Intensa - GOULART et al. (1992)

Esse autor ainda afirmou que quando ao limite mínimo de lâmina precipitada estabelecida para
ser chuva intensa não for superada para nenhuma das durações, pode-se considerar a maior
precipitação como chuva intensa. As chuvas intensas, também conhecidas como precipitações
máximas, são fenómenos de ocorrência extrema que ocorre em uma bacia hidrográfica. São estas
responsáveis por inundações, falhas de obras hidráulicas e contribui para erosão do solo (SOUSA
& SILVA, 1998).

Para projectos de obras hidráulicas, tais como vertedores de barragens, sistemas de drenagem,
galerias pluviais, dimensionamento de bueiros, conservação de solos, etc., é de fundamental
importância se conhecer as grandezas que caracterizam as precipitações máximas: intensidade,
duração e frequência.

A chuva intensa (precipitação máxima) é entendida como a ocorrência extrema, com


determinada duração, distribuição temporal e espacial crítica para uma área ou bacia
hidrográfica. A precipitação tem efeito directo sobre a erosão do solo, em inundações em áreas
urbanas e rurais, obras hidráulicas, entre outras. O estudo das precipitações máximas é um dos
caminhos para conhecer-se a vazão de enchente de uma bacia. As equações de chuva intensa
podem ser expressas matematicamente por equações da seguinte forma:

As chuvadas intensas são caracterizadas por três parâmetros:


 Duração: A análise da precipitação segundo a sua duração, é fundamental para o
dimensionamento das obras hidráulicas onde a determinação dos caudais de cheia é
requerida. O período de tempo a considerar pode variar desde poucos minutos (colectores
17

águas pluviais) a algumas horas (obras em rios com pequenas bacias hidrográficas) ou,
até mesmo, alguns dias (obras em rios com grandes bacias hidrográficas);
 Intensidade: Já se referiu que a intensidade traduz quociente entre a altura de chuva e o
tempo de duração do evento.

A intensidade das chuvas é medida por meio da relação entre o volume e seu tempo de duração,
expressa em milímetros por hora. Várias escalas e critérios são usados para a classificação da
intensidade das chuvas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estabelece os seguintes
intervalos:

a) Chuva Fraca: menos de 2,5 mm/h;


b) Chuva Moderada: de 2,5 até 10 mm/h;
c) Chova Forte: de 10 até 50 mm/h;
d) Chuva Muito Forte (violenta): a partir de 50 mm/h.
 Frequência: Representa a probabilidade de ocorrência de uma chuvada conhecida a sua
duração e intensidade, normalmente expressa em termos de período de retorno, (T).

CONCLUSÕES

Para projectos de obras hidráulicas, tais como vertedores de barragens, sistemas de drenagem,
galerias pluviais, dimensionamento de bueiros, conservação de solos, etc., é de fundamental
importância se conhecer as grandezas que caracterizam as precipitações máximas: intensidade,
duração e frequência. Com relação à conservação do solo, além das precipitações máximas com
vistas ao dimensionamento de estruturas de contenção do escoamento superficial, a erosividade
das chuvas tem grande importância, pois está directamente relacionada com a erosão do solo.

O método de Thiessem apesar de ser mais preciso que o aritmético, também apresenta
limitações, pois não considera as influências orográficas enquanto, o método das isoietas é
considerado o mais preciso par avaliar a precipitação média em uma área. Entretanto, a sua
precisão depende altamente da habilidade do analista.

O cálculo de precipitação média em uma determinada área é usualmente utilizado em estudos de


escoamentos superficiais, evaporação, infiltração e escoamento subterrâneo. Assim, uma melhor
estimativa desse valor de precipitação média é essencial para que os valores obtidos por meio
dela sejam os mais próximos da realidade. Os estudos estatísticos permitem verificar com que
18

frequência as precipitações ocorreram com uma dada magnitude, estimando as probabilidades


teóricas de ocorrência das mesmas. Em fase de estudos estão novas aplicações desse método em
outras bacias hidrográficas.

O preenchimento de falhas em séries temporais de precipitação é um importante processo para


aplicações em hidrologia, visando o aproveitamento de longas séries, evitando que as mesmas
sejam descartadas. No entanto, para projectos de obras hidráulicas, tais como vertedores de
barragens, sistemas de drenagem, galerias pluviais, dimensionamento de bueiros, conservação de
solos, etc., é de fundamental importância se conhecer as grandezas que caracterizam as
precipitações máximas: intensidade, duração e frequência.
19

REFERÊNCIAS

RODRIGUES R. R. (1986). Avaliação das disponibilidades hídricas superficiais com base na


precipitação. Introdução ao Planeamento e Gestão de Recursos Hídricos, vol. 4, série
Metodologias para a Avaliação de Políticas de Recursos Hídricos. NATO-POWATERS, LNEC,
Lisboa.
SOUSA, F. A. S.; SILVA, V. P. R.. ANÁLISE DE INTENSIDADE DE CHUVA PELA
ICHIYANAGI, K.; YAMANAKA, M.D.; MURAJI, Y.; VAIDYA, B.K. Precipitation in Nepal
between 1987 and 1996. Int. J. Clim., v. 27, p. 1753-1762, 2018.
MEKIS, E.; DONALDSON, N.; REID, J.; ZUCCONI, A.; JEFFERY, H.; LI, Q.; NITU, R.;
MELO, S. An overview of surface-based precipitation observations at environment and climate
change Canada. Atmosphere-Ocean Journal, v. 56, p. 1-25, 2018.
GOULART, J. P.; MAESTRINI, A. P.; NEIBEL, A. L. Relação intensidade-duraçãofrequência
de chuvas em Pelotas, RS. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 7, n. 1, p. 543-552, 1992.
FERNANDEZ, M.N. Preenchimento de Falhas em Séries Temporais Dissertação (mestrado em
Engenharia Oceânica) - Fundação Federal Universidade de Rio Grande, Rio Grande, 106 p. ,
2007.
CURVA NORMALIZADA DA PRECIPITAÇÃO. Revista brasileira de engenharia agrícola e
ambiental. 1998, vol.2, n.3, pp.319-323.
COUTINHO, Eluã Ramos et al. Application of artificial neural networks (ANNs) in the gap
filling of meteorological time series. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 33, n. 2, p. 317-328,
2018.
BRUBACHER, J.P. ; OLIVEIRA, G.G.; GUASSELLI, L.A. Identificação e análise de eventos
extremos de precipitação na bacia hidrográfica do rio dos Sinos/RS. In: I Congresso Brasileiro
Sobre Desastres Naturais, Rio Claro, 2012. CD-ROM.
BALLARI, D.; GIRALDO, R.; CAMPOZANO, L.; SAMANIEGO, E. Spatial function al data
analysis for regionalizing precipitation seasonality and intensity in a sparsely monitored region:
Unveiling the spatio-temporal dependencies of precipitation in Ecuador. Int. J. Clim., v. 38,
p. 3337-3354, 2018.
https://slideplayer.com.br/slide/10699534/.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuva.

Você também pode gostar