Objetivo principal: elementos celulares normais, ▪ características citoplasmáticas (pigmentos,
processos reativos e inflamatórios ≠ Lesões vacuolização, etc.)
malignas O conhecimento dos padrões normais é
▪ Citologia esfoliativa fundamental para reconhecimento de
- Estudo das células que descamam/esfoliam características citomorfológicas de anomalia
de forma natural ou artificial das cavidades ▪ Processo benigno
corporais - Uniformidade do arranjo celular, do tamanho
▪ Citologia aspirativa e da forma e número de núcleos e nucléolos
- Estudo das células que são colhidas/aspiradas ▪ Processo maligno
com recurso a sucção/extração com agulha e - Desorganização do arranjo celular, marcada
seringa irregularidade do tamanho e da forma dos
núcleos, alteração do padrão da cromatina e do
número de nucléolos (mas há exceções)
Citologia esfoliativa não ginecológica
a. Derrames das cavidades serosas: Causas de erros na interpretação:
1. Exsudados ▪ Processos de reparação e degeneração
2. Transudados - Fixação, meio de colheita, erros técnicos
b. Escovados ▪ Processos hiperplásicos
1. Brônquicos - Reação Arias-Stella
2. Esofágicos, gástricos, cólon, cúpulas ▪ Processos de metaplasia
diafragmáticas, . . - Metaplasia tubar/tubular
c. Secreções brônquicas e expetorações ▪ Processos inflamatórios
d. Lavados brônquicos, bronquíolo-alveolares, ▪ Alterações iatrogénicas
peritoneais, . . O núcleo é “a chave do diagnóstico”!
e. Urina Citoplasma e fundo - auxiliam e complementam
Líquido cefalorraquidiano – LCR o diagnóstico
Citologia aspirativa por agulha fina (CAAF)
Importância da correlação com
informação clínica e diagnóstico prévio
▪ Citopatologia - meio de diagnóstico muito útil
Importante:
- Reduzir ao máximo o tempo entre a colheita e
a fixação e/ou processamento
- Usar protocolos laboratoriais bem definidos e
standardizados: técnicas de colheita; fixação e
processamento; coloração.
Sensibilidade e especificidade muito próximas das
da histologia em alguns órgãos
Achados morfológicos
Principais características a avaliar:
▪ Celularidade
▪ Arranjo e organização celular
▪ Presença e características do fundo
▪ Detalhe nuclear (intensidade e distribuição da
cromatina, membrana nuclear, etc.)
Núcleo ▪ Características importantes:
- Tamanho • Forma
- Forma • Tamanho (e variação)
- Número • Número de nucléolos por núcleo (e variação)
- Distribuição e condensação da cromatina ▪ Processos malignos (regra geral):
- Cromasia - Nucléolos proeminentes, pleomórficos, com
- Presença de nucléolos bordos angulares e com maior variabilidade em
- Presença de inclusões nº por núcleo
Forma do núcleo/alteração da membrana - Presença de nucléolo essencialmente
nuclear relacionam-se com: relacionada com tumores pouco diferenciados
▪ o arranjo dos cromossomas; integridade do ou adenocarcinomas
citoesqueleto; atividade oncogénica
• Alterações morfológicas – alteração do Citoplasma
tamanho nuclear, irregularidade da membrana Características citoplasmáticas relevantes:
nuclear, indentações/fendas - Volume (variação)
• Fatores que podem alterar a forma do - Proporção relativamente ao núcleo (relação
núcleo- stress celular, atividade de síntese e de N/C)
transcrição de DNA - Conteúdo (inclusões, queratina, hialina, muco)
• (há exceções) - Forma (herniação, vilosidades, formações
intercelulares)
Cromatina - Coloração (homogeneidade)
▪ Processos reativos e malignos - alterações na ▪ Células normais (regra geral):
quantidade e distribuição do DNA e das • Citoplasma homogéneo com raras pontuais
proteínas nucleares → Variações na intensidade inclusões ou grânulos
da coloração ▪ Cor e presença de substâncias no citoplasma
pode variar (consoante o tipo celular e o estado
• Intensidade de coloração da cromatina de diferenciação)
- Hipercromasia ou hipocromasia
- (Modificações químicas – podem simular A avaliação das características citoplasmáticas
hipercromasia) só deve ser feita numa amostra bem
• Distribuição da cromatina preservada e íntegra
- Marginação – agregação da cromatina à
membrana nuclear
A importância da coloração
- Aglomeração/formação de grumos
(contraposição com clareiras)
Hipercromasia + distribuição irregular
= alerta para MALIGNIDADE
Nucléolo
(Corpos basofílicos contendo essencialmente
genes para RNAr responsáveis pela síntese
proteica da célula)
▪ Nucléolo proeminente → elevada atividade
metabólica
▪ Presença de nucléolo, per si, não permite
distinguir um processo reativo de uma neoplasia
maligna
Arranjo celular e arquitetura Fundo da amostra
▪ Para além da avaliação individual das células, • Inflamatório: interpretar no contexto e situação
importa avaliar o arranjo e a relações entre as clínica
células: • Hemático: indicativo de lesão/hemorragia
– Coesão celular recente
– Arranjo/organização celular • Necrótico: diátese tumoral (malignidade) ou
– Moldagem necrose coagulativa (alguns tumores benignos)
• Outras substâncias: coloide, muco, corpos
Coesão celular psamoma, material mixoide, cristais, glóbulos
• Células epiteliais benignas – tendência à hialinos eosinófilos e material lipídico
agregação/coesão
- Escassas células isoladas Efeito do processamento – Citologia de
• A coesão tende a ser menor em processos base líquida
neoplásicos, mas varia consoante: • Células podem aparecer mais pequenas
- Grau de diferenciação • Menos células em toalha/manto ou agrupadas
- Método de colheita e de processamento do (mais células isoladas) – CBL provoca
material citológico desagregação dos aglomerados celulares
Importância da execução da técnica na • Formação glandular menos evidente, com
coesão dos grupos celulares observados perda de algumas conformações “arquiteturais”
microscopicamente • Diátese tumoral menos evidente, localizada nas
proximidades dos grupos celulares
Arranjo celular
• Formação de arranjos/ grupos de células:
– Ácinos
– Ductos
– Papilas • Imunocitoquímica
– Estruturas tipo pérola • Histoquímica
– Células em remoinho/novelos/ball-like • Citogenética
Cell block → melhora a visualização de • Citometria de fluxo
estruturas papilares e acinares • Biologia molecular
• Microscopia eletrónica
Estruturas ball-like
- Presença de células endometriais normal até Imunocitoquímica – particularmente útil para:
14º dia após a UM • Caracterização de neoplasias – diagnósticos
- “Anormais” /suspeitas em mulheres com idade
diferenciais
superior a 45 anos
• Determinação da origem do tumor primário
Estruturas papilares (amostras de urina) • Definição de terapias dirigidas
- Normais em amostras obtidas por • Identificação de agentes infeciosos
cateterização Atualmente pode ser aplicada em todos os
- Indicativas de patologia numa urina de micção tipos de preparações/fixadores
- Associada a processos de litíase (sem - Esfregaço/cytospin
relevância clínica) - Citobloco
- Citologia de base líquida
Moldagem celular - Esfregaço previamente corados
• A proliferação celular condiciona o normal
crescimento das células Histoquímica
- Rearranjo e disposição caótica das células • Identificação de estruturas, pigmentos e
- Perda da orientação e polaridade do núcleo – agentes infeciosos
mais acentuadas em processos malignos
Citometria de fluxo
• Fenotipagem de gânglios
• Alta aplicabilidade em doenças do foro
hematológico – linfomas e leucemias
• Derrames pleurais constituem uma boa
amostra para aplicação da técnica
• Atualmente pode ser aplicada em qualquer
amostra desde que as células se encontrem em
suspensão
Biologia molecular e citogenética
• Captura Híbrida
• Técnicas de CISH, FISH e SISH (mama,
pulmão, urina)
• DNA microarrays
• Análise de microsatélites
• Estudo de translocações (gene Myc no linfoma
de Burkitt)
• Análise molecular (mama, pulmão)
• Métodos com base na PCR
Microscopia eletrónica
• Identificação da histogénese em tumores
indiferenciados
• Exemplos mais comuns:
- Líquidos pleurais com células atípicas;
- Tumores hepáticos e pulmonares;
- Massas retroperitoneais;
- Rabdomiossarcoma;
- Infeções em efusões corporais.