Nome:___________________________________ Nº____ Série:_____ Data:_________
Disciplina: Língua Portuguesa Professor(a): Juliana Boeira Trimestre: 1º
Leia o texto atentamente.
Texto 1
Aquele estranho animal
1 Os do Alegrete dizem que o causo se deu em Itaqui, os de Itaqui dizem que foi no Alegrete,
outros juram que só poderia ter acontecido em Uruguaiana. Eu não afirmo nada: sou neutro.
Mas, pelo que me contaram, o primeiro automóvel que apareceu entre aquela brava indiada, eles
o mataram a pau, pensando que fosse um bicho. A história foi assim como já lhes conto, metade
pelo que ouvi 5 dizer, metade pelo que inventei, e a outra metade pelo que sucedeu às deveras.
Viram? É uma história tão extraordinária mesmo que até tem três metades... Bem, deixemos de
filosofança e vamos ao que importa. A coisa foi assim, como eu tinha começado a lhes contar. 1
Ia um piazinho estrada fora no seu petiço – tropt, tropt, tropt – (este é o barulho do trote) –
quando de repente ouviu – fufufupubum! Fufufupubum chiiiipum!
10 E eis que a “coisa”, até então invisível, apontou por detrás de um capão, bufando que nem
touro brigão, saltando que nem pipoca, chiando que nem chaleira derramada e largando fumo pelas
ventas como a mula-sem-cabeça.
“Minha Nossa Senhora!”
O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca rumo da cidade, com os olhos do
tamanho 15 de um pires e os dentes rilhando, mas bem cerrados para que o coração aos
corcoveios não lhe saltasse pela boca.
É claro que o petiço ganhou luz do bicho, pois no tempo dos primeiros autos eles perdiam
para qualquer matungo.
Chegado que foi, o piazinho contou a história como pôde, mal e mal e depressa, que o tempo
era
20 pouco e não dava para maiores explicações, pois já se ouvia o barulho do bicho que se
aproximava.
Pois bem, minha gente: quando este apareceu na entrada da cidade, caiu aquele montão de
povo em cima dele, os homens uns com porretes, outros com garruchas que nem tinham tido
tempo para carregar de pólvora, outros com boleadeiras, mas todos de a pé, porque também nem
houvera tempo para montar, e as mulheres umas empu nhando as vassouras, outras as suas pás
de mexer marmelada, e os guris, de longe, se 25 divertindo com os seus bodoques, cujos tiros iam
acertar em cheio nas costas dos combatentes. E tudo abaixo de gritos e pragas que nem lhes
posso repetir aqui.
Até que enfim houve uma pausa para respiração.
O povo se afastou, resfolegante, e abriu-se uma clareira, no meio da qual se viu o auto
emborcado, amassado, quebrado, escangalhado, e não digo que morto, porque as rodas ainda
giravam no ar, nos últimos 30 transes de uma teimosa agonia. E quando as rodas pararam, as
pobres, eis que o motorista, milagrosamente salvo, saiu penosamente engatinhando por debaixo
dos escombros de seu ex-automóvel.
– A la pucha! – exclamou então um guasca, entre espantado e penalizado – o animal deu
cria.
QUINTANA, Mario. Prosa e Verso. Porto Alegre:
Ed. Globo, 1978.
VOCABULÁRIO DO TEXTO.
Deveras: realmente, na verdade.
Petiço: cavalo pequeno, baixo.
Capão: porção de mata isolada no meio do campo.
Rilhando: rangendo, ringindo, produzindo rangido com os dentes.
Corcoveios: corcovos; dar saltos, arqueando o lombo (o cavalo).
Ganhou de luz: ultrapassou, abriu vantagem.
Matungo: cavalo ruim.
Boleadeiras: pedras esféricas, forradas de couro e presas à extremidade de tiras de couro,
antigamente usadas para laçar bois e cavalos.
Bodoque: atiradeira, estilingue.
Resfolegar: respirar com dificuldade, por grande esforço ou cansaço.
Guasca: gaúcho morador do campo.
1. A expressão aquela brava indiada (linha 3) está se referindo
A ) aos índios que presenciaram o fato sucedido numa pequena cidade.
B ) às pessoas que primeiro avistaram o estranho animal.
C ) aos que se assemelhavam aos índios por não conhecerem o progresso.
D ) aos moradores do Alegrete que narraram o causo sobre a chegada do automóvel.
E ) aos covardes habitantes do lugar onde, possivelmente, teria acontecido a história narrada no
texto.
2. Segundo as informações do texto, a história da “morte” (destruição) do estranho animal
A ) é apenas uma lenda criada pelo povo gaúcho.
B ) apresenta um tanto de veracidade e outro tanto de inventividade.
C ) realmente aconteceu como nos foi narrado.
D ) é meramente fruto da imaginação daquela indiada.
E ) aconteceu, mas diferente do que o narrador nos conta.
3. Na linha 5, quando o narrador pergunta: Viram? Ele está se dirigindo aos
A ) possíveis leitores do texto. B ) que mataram o animal. C)
moradores do lugar.
D ) que lhe contaram o causo. E ) que não creem no seu causo.
4. No 4º parágrafo, o automóvel é comparado a outros seres, porque
A ) o automóvel era formado por uma mistura de tudo que eles já conheciam.
B ) o carro era um objeto completamente desconhecido, e a melhor maneira de caracterizá-lo era
compará-lo às coisas já conhecidas.
C ) não sabiam como descrevê-lo, nunca o tinham visto, mas o carro, em tudo, era igual ao touro, à
chaleira e à pipoca.
D ) o narrador quer provocar compaixão no leitor que hoje lê a história do “estranho animal”.
E ) o automóvel não se parecia mesmo com um touro brigão, com a pipoca saltando, com a
chaleira chiando.
5. Assinale a alternativa que melhor expressa os sentimentos do piazinho (linha 13-16) quando viu
pela primeira vez um automóvel.
A ) Piedade. B ) Hesitação. C ) Espanto. D ) Curiosidade. E)
Indecisão.
6. O narrador afirma que o motorista foi “milagrosamente salvo”. Esse fato pode ser visto como um
milagre porque
A ) havia a expectativa de que alguém estivesse dirigindo a coisa.
B ) um montão de povo – homens, mulheres e crianças – atacaram o “bicho” até matá-lo
completamente.
C ) o “bicho” não conseguiu, para surpresa geral, dar cria mesmo depois de morto.
D ) Nossa Senhora protegeu o motorista de uma morte certa.
E ) parecia impossível alguém sobreviver dentro do carro que foi amassado e destruído pelo povo.
7. “(...) as rodas ainda giravam no ar, nos últimos transes de uma teimosa agonia”. (linha 34)
Podemos substituir as palavras destacadas, respectivamente, sem alterar-lhes o sentido, por
A ) minutos de tremor - doença. B ) dias de vida - angústia. C ) momentos de dor -
atitude.
D ) momentos de sofrimento - aflição. E ) dias de tortura - amargura
8. “O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca rumo da cidade”. Se
reescrevermos a frase acima no plural, quantas palavras serão alteradas?
A ) Oito. B ) Sete. C ) Cinco. D ) Três. E ) Quatro.
9. “Mas, pelo que me contaram, o primeiro automóvel que apareceu entre aquela brava
indiada, eles o mataram a pau, (...)” As palavras destacadas são, respectivamente,
A ) advérbio – substantivo – adjetivo.
B ) verbo – adjetivo – adjetivo.
C ) preposição – substantivo – pronome oblíquo.
D ) numeral – adjetivo – substantivo.
E ) preposição – substantivo – substantivo.
Texto 2
Os computadores 7 Eu, tão humana e burra criatura,
1 Confesso estarrecida: 8 só não tenho medo de telefone,
2 para mim as máquinas 9 pois quando bate aquela solidão
3 são monstros ou coisa parecida. 10 fininha
4 Vivo deslocada neste tempo, 11 uma voz amiga é acalanto.
5 e os computadores me assustam, 12 Do que é que estava falando
6 nada entendo do que dizem. mesmo?
MURRAY, Roseana. Artes e Ofícios. São Paulo: FTD, 2007.
VOCABULÁRIO DO TEXTO.
Estarrecida: assustada, aterrorizada, apavorada.
Acalanto: ato de embalar, aconchegar ao peito.
10. A pessoa que fala no poema faz uma confissão:
A ) os computadores, para ela, são máquinas assustadoras e incompreensíveis.
B ) os computadores assustam humanos menos inteligentes.
C ) não aceita a influência maléfica das máquinas modernas.
D ) sente-se em pânico por considerar-se mais inteligente do que os monstros virtuais.
E ) pensa que o mundo seria melhor sem os computadores.
11. Segundo a autora, o telefone é um aparelho
A ) que possui som fininho e solidário.
B ) desprezado pelos internautas.
C ) que perdeu espaço para os computadores.
D ) que afasta as pessoas da realidade.
E ) que proporciona aproximação e carinho.
12. No verso “Eu, tão humana e burra criatura,” temos uma quantidade de adjetivos igual a
A ) 1. B ) 2. C ) 3. D ) 4. E)0
Marque as respostas na grade. (A – B – C – D – E)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12