3.2.
Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3) Endurecimento por redução de tamanho de grão
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3 Endurecimento por redução do tamanho de grão
As fronteiras de grão funcionam como barreiras para o movimento de discordâncias.
Isto porque:
▪ Ao passar de um grão com uma certa orientação para outro com orientação
diferente (fronteiras de alto ângulo) a discordância tem que mudar de direção, o
que envolve muitas distorções locais na rede cristalina.
▪ A fronteira é uma região desordenada, o que faz com que os planos de
deslizamento sofram descontinuidades.
Como um material com grãos menores tem mais fronteiras de grão, ele será mais
resistente.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3 Endurecimento por redução de tamanho de grão
A redução do tamanho de grão causa aumento da área dos contornos e acarreta o
aumento das propriedades mecânicas.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3 Endurecimento por redução de tamanho de grão
d (mm)
O efeito da redução do tamanho de grão
Limite de escoamento (kpsi)
Limite de escoamento (MPa)
sobre o limite de escoamento dos metais é
descrito pela equação de Hall-Petch:
−1
y = 0 + yd 2
Latão
(70Cu-30Zn)
σ0 = tensão de fricção da rede se opondo ao
movimento das discordâncias.
κy = medida da resistência média dos contornos
d-1/2 (mm-1/2) ao deslizamento
4
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3 Endurecimento por redução do tamanho de grão
O endurecimento por redução de tamanho de grão é obtido por aquecimento do
material após deformação a frio.
O material deformado tem uma alta densidade de discordâncias e, portanto, alta
energia interna – energia de deformação – associada às discordânicas.
O aquecimento a uma temperatura entre 0,5Tf > T > 0,3Tf causa rearranjo da
microestrutura do material.
Latão 33%CW 3 segundos a 580ºC 4 segundos a 580ºC
deformado a frio início da recristalização avanço da recristalização
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3 Endurecimento por redução do tamanho de grão
A seqüência da evolução da microestrutura é:
Recuperação - uma parte das deformações acumuladas é eliminada através do
movimento de discordâncias, facilitado por maior difusão a altas temperaturas
Recristalização - formação de novos grãos, não deformados, que substituem
completamente o material deformado original.
Latão 33%CW 8 segundos a 580ºC 15 minutos a 580ºC
deformado a frio recristalização total crescimento de grão
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.3 Endurecimento por redução de tamanho de grão
Limite de escoamento (kpsi) d (mm)
Em função do tempo de permanência em uma
Limite de escoamento (MPa)
dada temperatura é possível controlar o
tamanho de grão final e controlar as
propriedades mecânicas.
Latão
(70Cu-30Zn)
d-1/2 (mm-1/2)
−1
y = 0 + yd 2
7
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
Os tratamentos térmicos das ligas não ferrosas podem ser sub-divididos em:
✓Tratamentos térmicos de envelhecimento (ou de precipitação)
✓Tratamentos térmicos por têmpera
O endurecimento por tratamento térmico ocorre devido a modificações introduzidas na
microestrutura, que resultam em obstáculos ao movimento de discordâncias.
Precipitação: Têmpera:
precipitados em martensita em uma
uma liga Al-Cu liga Cu-Al
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
Esse tratamento térmico tem por objetivo gerar uma estrutura de precipitados
homogeneamente distribuídos dentro dos grãos.
Para alcançar esse objetivo, esse tratamento consiste das seguintes etapas:
✓Solubilização
✓Homogeneização
✓Têmpera
✓Envelhecimento
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
Os tratamentos térmicos de envelhecimento podem ser realizados nas ligas que apresentam
transformação de fases no estado sólido.
𝛼 ↔𝛼+𝛽
TT TT
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico Exemplo: liga Al-Cu
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
Exemplos de ligas comerciais importantes tratáveis
termicamente:
Al 2024 – indústria aeronáutica
Al 7075 – forjados estruturais
AZ61A – fundidos
Ti-6Al-4V – turbinas
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
Essas ligas, quando resfriadas nas taxas de resfriamento usuais dos processos de fabricação,
apresentam uma estrutura bifásica formada por grãos da fase predominante – aquela em
maior quantidade – e uma distribuição da segunda fase, que normalmente está nos
contornos de grão da fase predominante.
Essa microestrutura não favorece o bloqueio das
discordâncias.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
Exemplo: liga Al-Cu
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Solubilização
Essa etapa consiste em aquecer a liga até o campo
monofásico, de modo a solubilizar a segunda fase.
Obs: A temperatura de solubilização não deve
ultrapassar a temperatura da isoterma do eutético para
evitar qualquer possibilidade de haver a formação de
uma fase líquida.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Solubilização
Obs: A temperatura de solubilização não
deve ultrapassar a temperatura da isoterma
do eutético para evitar qualquer
possibilidade de haver a formação de uma
fase líquida.
Nas taxas de resfriamento usadas na
prática, as linhas do diagrama de
equilíbrio de fases podem estar
deslocadas.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Homogeneização
A liga deve ser mantida na temperatura de solubilização por um tempo suficiente para
que ocorra homogeneização da composição em todos os seus pontos.
Por exemplo: Para a liga com composição 95,8%Al
e 4,2% Cu, na temperatura ambiente as fases e
têm, respectivamente as seguintes composições:
2%Cu-98%Al
53,5%Cu-46,5%Al
Mas no campo monofásico a fase deve ter 4,2%
Cu. É preciso tempo para que ocorra difusão e a
composição fique homogênea.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Têmpera
Consiste em fazer um resfriamento brusco da liga, desde a temperatura de solubilização.
O objetivo é “congelar” a microestrutura de alta
temperatura na temperatura ambiente.
Obtém-se uma solução sólida supersaturada– ou seja, há
excesso de átomos de soluto na fase – e metaestável.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Têmpera
A composição da liga na temperatura de Mas as fases em equilíbrio são:
solubilização era:
2%Cu-98%Al
4,2%Cu-95,8%Al
53,5%Cu-46,5%Al
que será a composição retida na têmpera.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
Nessa etapa ocorrerá a precipitação da segunda fase dentro dos grãos da fase matriz.
Se o tratamento de homogeneização foi
bem feito, a precipitação ocorrerá de
maneira uniforme por todo o volume dos
grãos.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
Os precipitados são um meio efetivo de aumentar as propriedades mecânicas, pois
eles criam barreiras ao movimento das discordânicas devido:
i) ao contorno de interfase que é
criado entre eles e o grão;
ii) a distorção causada na rede
cristalina pelo precipitado
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
O envelhecimento é sub-dividido em:
✓Envelhecimento artificial
Que é aquele no qual a precipitação só ocorre quando há aquecimento da liga
dentro do campo bifásico.
Exemplo: Al- 2024
Temperaturas de:
homogeneização: 495oC
Envelhecimento: 190oC
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
O envelhecimento é sub-dividido em:
✓Envelhecimento natural
No qual a precipitação ocorre à temperatura ambiente, sem ser preciso
fazer aquecimento.
Ex: liga Al 2014; Al 6063
No processo de envelhecimento natural não há um bom controle da formação dos
precipitados e os tempos para a geração desses precipitados são mais longos quando
comparados aos do envelhecimento artificial.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
O tempo de envelhecimento é um parâmetro fundamental para a obtenção das
propriedades mecânicas desejadas.
Se o tempo for menor do que o ideal, os precipitados serão
pequenos e menos efetivos em termos de bloqueio das
discordâncias. As propriedades mecânicas obtidas não
serão as máximas possíveis.
Por outro lado, se o tempo de envelhecimento passar do
ideal, as precipitados vão crescer em demasia, haverá o
superenvelhecimento e as propriedades vão cair.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
Evolução microestrutural com o tempo de envelhecimento.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
Variação das propriedades com o tempo de envelhecimento.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico de envelhecimento
✓Envelhecimento
Variação das propriedades com o tempo de envelhecimento.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico por têmpera
Embora bem menos numerosas, algumas ligas não-ferrosas podem ser
endurecidas por têmpera.
Exemplo: bronze ao alumínio
Região das ligas monofásicas,
até 7% Al
Reação eutetóide: + 1 a 567 oC
A partir de 8% Al há formação de uma
fase (CCC) em alta temperatura
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico por têmpera
Resfriamento lento a partir do campo forma uma
Exemplo: bronze ao alumínio microestrutura perlítica de + 1
Liga eutetoide: estrutura 100% perlítica
(lamelas de + 1)
Liga hipoeutetoide: proeutetoide
+ perlite (lamelas de + 1)
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico por têmpera
Exemplo: bronze ao alumínio No resfriamento brusco a partir do campo monofásico
ocorre uma reação martensítica:
(CCC) → ’ (HC)
Estrutura acicular típica da martensita.
3.2. Métodos de aumento das propriedades mecânicas das ligas
não-ferrosas
3.2.4 Endurecimento por tratamento térmico
[Link] Tratamento térmico por têmpera
Exemplo: bronze ao alumínio
As ligas temperadas tem alta dureza (250 HB). O revenimento da liga produz uma
estrutura com melhor equilíbrio de resistência mecânica e ductilidade.
No revenimento a estrutura
acicular é destruída.
Forma-se uma estrutura de
precipitados 1 em .