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Idade Média Ok

Este documento descreve a Idade Média na Europa, dividindo-a em Alta e Baixa Idade Média. Apresenta os fatores que levaram à queda do Império Romano e à formação de reinos germânicos, além de detalhar o sistema feudal que caracterizou a organização social, política e econômica nesse período.

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Idade Média Ok

Este documento descreve a Idade Média na Europa, dividindo-a em Alta e Baixa Idade Média. Apresenta os fatores que levaram à queda do Império Romano e à formação de reinos germânicos, além de detalhar o sistema feudal que caracterizou a organização social, política e econômica nesse período.

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Idade Média

(Séculos V - XV)

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


Idade Média, uma Idade das Trevas?

Por muito tempo, a Idade Média foi caracterizada como um período de

obscurantismo, atraso, domínio da religião e violência devido às guerras constantes,

desorganização do comércio e enfraquecimento de instituições políticas e das cidades.

Segundo essa visão, criada na época do Renascimento (séculos XV e XVI), o período

medieval na Europa seria uma "Idade das Trevas", uma fase intermediária entre aqueles que

eram, então, considerados os principais períodos da História: a Antiguidade greco-romana e

a Idade Moderna.

No entanto, essa é uma caracterização preconceituosa do período e não representa

toda a sua história. Em realidade, durante a Idade Média, vários foram os avanços no campo

da técnica e da cultura que marcaram a vida dos homens, mulheres e sociedades que vieram

depois. É desse período, por exemplo, a criação do arado de ferro, dos moinhos e da

rotação de culturas (no campo), das universidades, mosteiros e catedrais (arquitetura), do

carnaval (cultura popular), dos óculos e de tantas outras inovações.

Periodização da Idade Média

De maneira geral, os historiadores definem a Idade Média como um período de quase

mil anos de História iniciado com a Queda do Império Romano do Ocidente e terminado

após a tomada da cidade de Constantinopla, capital do Império Bizantino (ou Império

Romano do Oriente). É comum, também, dividir o período em Alta e Baixa Idade Média de

acordo com mudanças ocorridas na Europa ao longo desses mil anos. Observe as linhas do

tempo:

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


A "Alta" Idade Média marca o fim do Império Romano e o surgimento do feudalismo,

um novo modo de organização da vida na Europa Ocidental caracterizado por uma economia

rural em torno de grandes propriedades de terra, os chamados feudos. Já a partir da

"Baixa" Idade Média, a Europa passou por grandes transformações como o

fortalecimento do comércio e das cidades e, também, a crise do feudalismo. Observe a

divisão desses principais pontos na linha do tempo abaixo:

Antecedentes:

A crise e queda do Império Romano do Ocidente.

No século V d.C., o Império Romano do Ocidente chegou ao fim após longa crise

interna e uma série de invasões e migrações de povos estrangeiros ("bárbaros", na visão dos

romanos, pois não falavam o latim). No lugar do Império, esses povos fundaram diversos

reinos germânicos. Vejamos a seguir a sequência de alguns fatores que, com o passar do

tempo, levaram à queda da Roma Antiga e à formação do mundo medieval.

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


Fatores Internos:

➔ Fim do expansionismo romano: o fim das conquistas territoriais romanas levou à

redução da população escrava, principal mão-de-obra do Império, o que resultou na

queda da produção agrícola e aumento dos preços dos produtos. Começava, assim, uma

crise econômica nas cidades e uma fuga de sua população para o campo.

➔ Ruralização: a crise levou a um esvaziamento das cidades pelas pessoas que fugiam

para o campo em busca de refúgio, sustento e proteção dos proprietários de terras.

Como consequência, nesse período, o comércio e as cidades se enfraqueceram.

➔ Novas formas de trabalho: uma vez no campo, o escravo e o camponês livres e sem

posses passaram a trabalhar a terra de grandes proprietários para obter seu

sustento e, em troca, pagavam tributos ao dono da terra na forma de parte de sua

produção. Por sua vez, cabia ao dono da terra proteger os seus colonos. Surgia, então,

o colonato, regime de trabalho que, durante a Idade Média, substituiu a escravidão

pela servidão.
Caos

➔ militar: generais romanos disputavam entre si, utilizando seus exércitos para

marchar sobre Roma e tomar o poder à força. Nesses confrontos, diversos

imperadores foram assassinados desestabilizando ainda mais o Império.

Fatores Externos:

Além da crise interna, Roma sofria com

migrações e invasões das suas fronteiras

pelos povos "bárbaros" (observe o mapa à

direita). Enfraquecido e incapaz de se

defender, em 395 d.C., o imperador

romano Teodósio dividiu o Império em

dois: uma parte Ocidental com capital em

Roma e outra parte Oriental com capital

em Constantinopla (Bizâncio). No entanto,

em 476 d.C., a cidade de Roma foi tomada

pelos germânicos, colocando fim ao

Império no Ocidente.

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


A Alta Idade Média (séc. V-X)

Reinos Germânicos e o Império Carolíngio (séc. V-IX):

Com a queda do Império após as invasões "bárbaras", a

unidade do antigo território romano se desfez, dando origem a

diversos reinos germânicos marcados por uma grande

instabilidade (veja o mapa abaixo). Dentre os reinos e povos

que ocuparam a Europa nesse período, destacaram-se os

francos, antigos aliados dos romanos que, entre os séculos


VIII e IX, construíram um poderoso império na região da atual

França sob o reinado de Carlos Magno (representado à direita).

Os francos foram o primeiro povo germânico a se

converter ao cristianismo, aproximando-se da Igreja Católica e fortalecendo-a com doações

de terras conquistadas na Península Itálica. Ao mesmo tempo, para administrar o Império,

Carlos Magno e seus sucessores também doaram territórios para nobres que lutaram a seu

lado em troca de apoio. Dessa forma, os francos não só contribuíram para fortalecer o

cristianismo na Europa como também difundiram as relações de fidelidade e dependência

pessoal que passaram a caracterizar a sociedade feudal durante a Idade Média.

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


O Feudalismo

Com a morte de Carlos Magno (814 d.C), o Império Carolíngio entrou em declínio e se

dividiu, iniciando uma grande fragmentação territorial e política na Europa. A continuidade

dos conflitos e migrações de povos vindos de fora da Europa Central entre os séculos VIII

e X (como os vikings, por exemplo) agravaram o cenário de enfraquecimento do poder real,

esvaziamento das cidades e diminuição do comércio.

No lugar dos carolíngios, fortaleceu-se o poder local da nobreza dona de grandes

terras: os senhores feudais. Em suas propriedades rurais, chamadas de feudos, os senhores

exerciam o poder político, militar e econômico, sendo sustentados pelo trabalho de

camponeses e servos que lhes deviam obrigações e impostos. Essa forma de organizar a

sociedade, política e economia durante o período medieval ficou conhecida comofeudalismo e

pode ser definido como:

"Sistema de organização econômica, social e política baseado nos

vínculos de homem a homem, no qual uma classe de guerreiros

especializados - os senhores -, subordinados uns aos outros por uma

hierarquia de vínculos de dependência, domina uma massa campesina que

explora a terra e lhes fornece com que viver".

(LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente Medieval, II, p. 29).

Em resumo, o feudalismo tinha como principais características:

➔ Política: fortalecimento do poder local dos senhores feudais e enfraquecimento do

poder dos reis.

➔ Sociedade: acordos de dependência e fidelidade entre nobres (suserania e

vassalagem) e entre nobres e servos (servidão).

➔ Economia: agrária e voltada para a subsistência e autossuficiência do feudo.

➔ Cultura: grande poder espiritual e cultural detido pela Igreja Católica.

A Sociedade feudal

A sociedade feudal era dividida em ordens ou estamentos rígidos, camadas com

atribuições fixas, determinadas pelo nascimento e justificadas pela religião para manter a

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


hierarquia social. Ou seja, baseando-se na fé católica, acreditava-se que "cada membro da

sociedade tinha que cumprir funções em sua passagem pela Terra". Além disso, ser ou não

dono de terras determinava a posição do indivíduo na sociedade feudal. De acordo com

esses aspectos, podemos dividir a sociedade feudal em três principais estamentos (observe

a pirâmide ao lado):

➔ CLERO: membros da Igreja Católica (papa,

bispos, abades, monges e párocos),

divididos entre alto e baixo clero, que

ministravam sacramentos como batismo e

casamento e cobravam por eles. Muitos

clérigos eram senhores feudais, possuíam

grandes extensões de terra e tiravam seu

sustento dos tributos pagos pelos

camponeses. Não por acaso, a Igreja

Católica era a maior proprietária de terras

na Europa Ocidental. Os clérigos eram

conhecidos como oratores ("os que oram").

➔ NOBREZA: nobres e senhores feudais (reis, duques, marqueses, condes, viscondes,

barões), ligados uns aos outros por relações de dependência e fidelidade. Eram

sustentados pelos camponeses aos quais ofereciam proteção e terras, pois detinham

o controle das armas, da guerra e a posse da propriedade rural. Detinham o poder

político e econômico nos feudos, exercendo a administração, cobrando tributos dos

camponeses, aplicando a justiça e garantindo a ordem. Dedicavam-se à guerra,

caçadas bellatore
s
e torneios de cavaleiros, sendo conhecidos como ("os que guerreiam").

➔ CAMPESINATO: os trabalhadores rurais realizavam o trabalho manual que

sustentava a sociedade medieval e que era considerado desonroso pelos outros

estamentos. Esses trabalhadores dividiam-se entre servos que estavam presos à

terra não podendo deixá- vilões

la; trabalhadores livres chamados que instalavam-se nas terras do seu senhor, as

vilas; e alguns poucos escravos remanescentes. Como um todo, esse grupo era chamado
Leitura Complementar Idade Média – 7º ano
de ("os que trabalham").
laboratore
s

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


Suseranos e vassalos

A sociedade feudal estabeleceu-se sobre uma extensa rede de obrigações, lealdades

e proteção mútua entre seus membros pelas quais os nobres acordavam direitos e deveres

entre si. Os nobres mais ricos que possuíam

exército e vastas propriedades rurais eram

chamados de suseranos ou senhores. Esses

senhores distribuíam os feudos (geralmente

lotes dentro da sua propriedade, mas

também podiam ser um benefício como o

direito de cobrança de impostos, por

exemplo) a outros nobres que se tornavam

seus vassalos e, por sua vez, senhores das terras recebidas. Em troca, os vassalos juravam

lealdade aos seus suseranos, oferecendo serviços

militares e apoio, entre outras tarefas, em uma

cerimônia denominada de homenagem (observe as

imagens). Esse acordo entre nobres, estabelecido

oralmente e pela tradição, era chamado de contrato

vassálico e organizava os laços sociais, militares e

econômicos do mundo feudal.

A Servidão

Nas terras senhoriais, estabeleciam-se,

também, relações entre senhores feudais e servos

muitos dos quais eram os antigos colonos do final do

Império Romano mencionados anteriormente. Essa

forma de trabalho, denominada de servidão, obrigava o

camponês

a cultivar a terra, prestar serviços e pagar taxas ao senhor em troca de proteção, além de

pagar o dízimo à Igreja. Dentre os tributos existentes destacavam-se:

➔ Corveia: 2 ou 3 dias de trabalho gratuito para o senhor feudal seja no cultivo ou em

outros serviços como a construção, manutenção da propriedade feudal e no transporte.

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➔ Banalidades: taxas pagas pelo camponês pelo uso da infraestrutura do feudo (moinhos,

Leitura Complementar Idade Média – 7º ano


forno, pontes, celeiros, dentre outros) que eram de propriedade do senhor feudal.

➔ Talha: pagamento de parte da colheita do servo (30-40%) produzida no manso servil.

➔ Dízimo: pagamento de taxa de 10% da produção do servo à Igreja Católica.

➔ Mão-morta: taxa cobrada para permitir que o filho de um camponês falecido tivesse o

direito de permanecer trabalhando na terra cedida ao seu pai.

ATENÇÃO!

ESCRAVISMO é diferente de SERVIDÃO!

Como visto, durante o Período Medieval, o regime de trabalho transformou-se

significativamente em relação à Idade Antiga anterior. Se na Grécia e, principalmente, no

Império Romano, predominou o escravismo, a Idade Média foi caracterizado pela servidão.

Mas quais as diferenças entre elas? No escravismo greco-romano, o escravo não

possuía direitos e era considerado propriedade do seu senhor, podendo ser comprado, vendido

ou alugado como mercadoria para funções domésticas, rurais ou urbanas. Já o servo

medieval, mesmo não sendo um trabalhador livre (já que estava preso à terra e era obrigado

a trabalhar para o seu senhor), não era negociado como propriedade e possuía alguns

direitos como receber proteção, usar as terras comunais do feudo em benefício próprio,

dentre outros.

A Economia Feudal

Os constantes conflitos ocorridos desde o fim do Império Romano até o final da Alta

Idade Média (século X) levaram a um recuo das atividades comerciais e ao predomínio da

agricultura de subsistência. O comércio era reduzido e majoritariamente em espécie (troca

de produtos), pois havia escassez de moedas e, em muitos casos as transações eram

dificultadas, já que frequentemente cada feudo definia suas próprias moedas e medidas.

Os feudos (também chamados de senhorios) eram as unidades de produção básica do

período medieval, onde era confeccionado quase tudo de que os seus habitantes precisavam:

alimentos, roupas, ferramentas, tecidos, dentre outros. A economia, portanto, eravoltada à

subsistência e a produção baseava-se no cultivo de trigo, cevada, ervilha, uva e no pastoreio

bois, porcos, cavalos, carneiros e cabras para o consumo local. Tendo em vista essas

atividades, as terras do feudo se dividiam em quatro partes principais (observe a imagem a

seguir):
Leitura Complementar Idade Média – 7º ano
➔ Terras comunais:

florestas e pastagens

utilizadas por todos os

habitantes do feudo.

Servos poderiam soltar

animais, coletar

madeira e alimentos. A

caça, no entanto, era

exclusividade do senhor.

➔ Manso servil: terras

arrendadas pelos servos

junto ao senhor para cumprir com suas obrigações ao senhor.

➔ Manso senhorial: terras exclusivas do senhor, onde tudo o que era produzido

destinava- se a ele.

➔ Castelo: símbolo do poder exercido localmente pelos senhores feudais, o castelo era

residência fortificada dos senhores e da sua família visando a proteção contra

ataques e invasões. De lá, os nobres recebiam convidados, estabeleciam alianças e

governavam seus dependentes.

A Igreja, religião e cultura:

A cultura letrada e popular na Idade Média

Durante a Idade Média, a fé cristã e a Igreja Católica passaram de um grupo e

instituição minoritários surgidos no Império Romano e consolidaram-se como uma força

poderosa que passou a exercer grande domínio sobre a vida espiritual, cultural, política e

econômica dos homens e mulheres medievais. Vejamos como essa transformação ocorreu.

Cristianismo: origens, perseguição e aceitação no Império Romano

Segundo os Evangelhos, o cristianismo surgiu a partir dos ensinamentos de Jesus

Cristo. Nascido no ano 1 na região da Palestina, à época uma província do Império Romano,

Cristo pregava uma mensagem de igualdade entre os homens, criticando a injustiça e a

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 10


violência do Império Romano. Por isso, e pelo fato de ser uma religião monoteísta que

negava a divindade do imperador romano, os cristãos foram perseguidos por mais de três

séculos.

Contudo, apesar da perseguição, a nova religião conquistava cada vez mais adeptos

entre a população pobre do Império Romano que buscava na promessa cristã da existência

de um paraíso um apoio diante das duras condições de vida enfrentadas. Dado o seu

crescimento, o cristianismo acabou aceito pelos imperadores, tendo sua liberdade de culto

concedida por Constantino (313 d.C.) e, posteriormente, tornando-se religião oficial durante

o governo de Teodósio (391 d.C.). Após a queda de Roma, o cristianismo expandiu-se pela

Europa, sendo incorporado por reis, nobres medievais e povos germânicos convertidos à

nova fé.

O surgimento e organização da Igreja Católica

A expansão do cristianismo durante a Idade Média somente foi possível graças ao

fortalecimento da Igreja Católica. Segundo a tradição, a Igreja teria sido fundada pelo

próprio Cristo que teria encarregado o apóstolo Pedro de desenvolvê-la, tornando-se o

primeiro bispo de Roma. Tempos depois, no século V d.C., o bispo de Roma passou a ter

autoridade sobre os demais bispos, recebeu o título de papa e passou a ser escolhido por

cardeais.

Surgia, então, a hierarquia da que permanece com algumas mudanças até os


Igreja
atuais: de um lado, havia o clero secular dias (bispos, sacerdotes/padres) que realizava

missas, clero regular

batismos, casamentos, entre outros sacramentos; de outro, o (abades e

abadessas, monges ou

monjas que viviam isolados

do mundo em mosteiros)

dedicado a uma vida de

orações, seguindo votos de

castidade, pobreza e de

caridade. Observe a

imagem ao lado:

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 11


Ordens religiosas e o domínio da cultura letrada

Com o passar do tempo, alguns cristãos passaram a recusar a vida de luxo e riquezas

do alto clero, criando ordens religiosas dedicadas a levar o Evangelho à prática através de

uma vida de orações e privações de acordo com uma rígida disciplina. Recolhendo-se em

mosteiros e abadias, monges e monjas atuavam na conversão dos diversos povos germânicos

ao cristianismo, mantinham obras de caridade (orfanatos, leprosários, escolas e asilos) e

empenhavam-se no trabalho intelectual. Assim, a partir de 529 d.C., a vida em mosteiros

espalhou-se pelo Europa Ocidental com a fundação da Ordem dos Beneditinos e o

surgimento de outras ordens religiosas como os dominicanos, agostinianos e franciscanos.

Em um período no qual a grande maioria da população

era analfabeta, os religiosos da Igreja Católicacontrolavam a

educação (exclusiva do clero) e a "cultura letrada" (a leitura

e escrita em latim e grego), desempenhando um importante

papel intelectual. Recolhidos nas bibliotecas dos mosteiros e

abadias, monges copistas transcreviam textos do Evangelho e

da Antiguidade greco-romana em manuscritos decorados

com iluminuras, ilustrações e pinturas decoradas a ouro e

pedras preciosas (observe as imagens). O trabalho dos

monges com os livros manuscritos permitiu preservar esse

conhecimento

da Antiguidade para os dias atuais, evitando com que desaparecesse.

O poder da Igreja Católica

Controlando a leitura e a escrita, a Igreja

detinha a autoridade de interpretação das

escrituras e da fé, impondo suas explicações,

tradições e visão de mundo teocêntrica1 à vida

medieval. Essas perspectivas não deveriam ser

1
Teocentrismo ("Deus" / "centro"): perspectiva defendida pela Igreja de que Deus e a fé estavam "no
centro do universo", determinando toda a vida. Segundo essa visão, a natureza e a sociedade funcionavam
de acordo com leis divinas imutáveis explicadas pelas doutrinas e tradições da Igreja que não deveriam

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 12


ser contestadas.

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 13


questionadas sob o risco de acusação de heresia (doutrina considerada falsa pela Igreja) e

até punição pelo Tribunal da Inquisição . Assim, a religião cristã influenciava diretamente a
2

visão de mundo das pessoas da Idade Média. Pobres ou ricos, clérigos ou não, acreditavam

em milagres e se preocupavam com a vida após a morte e a ida ao paraíso ou ao inferno.

Por outro lado, o poder da Igreja Católica não se limitou apenas a aspectos culturais

e religiosos. Ao longo da Alta Idade Média, ela acumulou uma enorme riqueza através da

doação de terras por nobres e reis (como fizeram os francos mencionados anteriormente) e

pela cobrança de tributos dos servos. Assim, os papas católicos, inicialmente lideranças

religiosas, tornaram-se, também, chefes econômicos, políticos e militares dos Estados, do

patrimônio e dos territórios da Igreja. Em resumo, o poder da Igreja durante a

Idade Média
espiritual, era
cultural terreno

e (econômico, político), atravessando os mais diversos aspectos da

vida medieval.

A cultura popular na Idade Média

Para além da cultura letrada, cristã e dominada pela Igreja, havia, também, umacultura

popular relacionada a ritos, crenças, festividades e elementos pagãos (não-cristãos) herdados

dos antigos germânicos ("bárbaros"). Ao longo do tempo, homens e mulheres medievais

passaram a combinar essas duas manifestações, formando umacultura intermediária, entre a

letrada e a popular. Um importante exemplo dessa mistura entre elementos da cultura de

elite e das camadas populares é o carnaval, manifestação de rua que tem sido alvo de

numerosos estudos pelos historiadores medievalistas.

Acredita-se que a festa tenha se originado ainda no Império Romano nas comemorações

ao Deus Dionísio (do vinho, colheita e das celebrações) e depois foi adaptada ao calendário

e às tradições cristãs. No Período Medieval, o Carnaval passou a anteceder a Quaresma,

período de privações durante o qual os Cristãos fazem penitências como jejum de carne

vermelha e bebidas alcóolicas, orações, dentre outros.

2
Tribunal da Inquisição (ou do "Santo Ofício"): instituição criada pela Igreja no século XIII para reprimir
seitas e movimentos religiosos que contestassem as ideias e práticas do clero católico como o enriquecimento,
ganância, a venda de indulgências (perdão dos pecados), etc. Utilizando de métodos de tortura, a Inquisição
julgava e punia os hereges, em alguns casos condenando-os à fogueira. Protestantes, judeus e mulheres

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 14


acusadas de bruxaria foram alvo do Tribunal.

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 15


Conhecido como "Festa dos

Loucos", o carnaval medieval era

um momento de liberdade de

comportamento no qual as pessoas

aproveitavam para se divertir,

cometer excessos, ridicularizar a

Igreja, os nobres e até inverter a

ordem existente na sociedade,

fantasiando-se de animais e

usavando máscaras. A nobreza,

inclusive, chegou a adotar o costume popular das máscaras, realizando "bailes de máscaras"

- alguns dos quais duram até hoje como o da cidade italiana de Veneza. Embora inicialmente

combatesse essas festividades, a Igreja passou a tolerá-las e incorporá-las ao calendário

cristão, utilizando-as como uma "válvula de escape", um "respiro" para a rigidez dos

costumes da época.

A cultura na Idade Média – Conclusão:

Em outras palavras, a cultura na Idade Média era rica, surgiu da combinação entre

letrado (erudito) e popular, romano e germânico, cristão e pagão. Isso se fazia presente em

diversas áreas da vida cultural medieval como, por exemplo:

➔ Música: introdução dos ritmos dos cantos e danças populares ao canto gregoriano

tradicional da Igreja Católica;

➔ Literatura: a combinação do latim (falado em toda a Europa) às línguas "bárbaras",

levando ao surgimento de idiomas modernos como o português, francês, inglês,

italiano, o que deu grande impulso à literatura;

➔ Arquitetura: os castelos, igrejas e mosteiros da Alta Idade Média foram influenciados

pelos arcos, horizontalidade e solidez das construções romanas, dando origem à

arquitetura de estilo românico. Por sua vez, a partir do século XII surgiu o

estilo gótico (marcado pela verticalidade, vitrais coloridos paredes finas, interiores
iluminados) que caracterizou as grandes catedrais da Baixa Idade Média. Veja os

estilos românico (à esquerda) e gótico (à direita) abaixo:

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 16


Mosteiro de Paço de Sousa (Porto, Portugal) Catedral de Notre-Dame (Paris)

A Baixa Idade Média (séc. X - XV)

A partir do século XI (passagem da Alta para Baixa Idade Média), o feudalismo

passou por grandes transformações, como o desenvolvimento do comércio e o crescimento

das cidades. Isso não significou que os feudos, produções agrícolas, relações de servidão ou

manifestações culturais do período tenham desaparecido, mas sim que houveram

transformações e o surgimento de novas características e movimentos a partir do século

XI.

Essas transformações foram possível graças a uma série de fatores como:

à relativa estabilidade nos reinos cristãos pelo declínio das invasões bárbaras;

à crescimento da produção agrícola, acompanhado do desenvolvimento de técnicas de

plantio, como o arado de ferro e moinhos hidráulicos;

à aumento populacional e formação de um grande número de marginalizados, que não

tinham moradia nos domínios feudais.

Esses fatores, por sua vez, deram origem a movimentos como as Cruzadas e o

Renascimento urbano e comercial, detalhados a seguir.

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 17


Cruzadas (Séc. XI ao XIII)

As Cruzadas foram expedições militares organizadas pela Igreja Católica e pela

nobreza que resultaram em grandes mudanças para a Europa medieval. Motivadas pela

expansão da fé católica e pelo combate aos

chamados "infiéis" (principalmente os

muçulmanos, mas também os "hereges",

isto é, seitas e grupos que se opunham às

doutrinas e às interpretações da Igreja),

as expedições tinham como principal

objetivo reconquistar Jerusalém, a Terra


3
Santa para as três religiões , que vinha

sendo ocupada por povos de religião

muçulmana desde o século VII.

A religião muçulmana ou islamismo teve origem na região da Península Arábica, com

Maomé que, segundo a tradição islâmica, teria recebido uma aparição do arcanjo Gabriel

trazendo ensinamentos de Deus (Allah, em árabe). Considerando-se profeta e mensageiro

de Deus, Maomé passou a pregar a nova religião, o islamismo, tendo os ensinamentos

reunidos no livro sagrado, o Alcorão. Nascido na cidade de Meca, mas expulso em 622 (ano

que marca o início do calendário islâmico) por líderes de tribo rival, Maomé e seus

seguidores fugiram em direção à cidade Medina, retornado à Meca em 630.

Após a morte de Maomé, em 632, a disputa pela sucessão dividiu os muçulmanos em duas

vertentes, xiitas e sunitas, que se alternavam no poder. Em pouco mais de um século (632-

750), os sucessores do profeta expandiram a nova fé ( jihad, a "Guerra Santa") e formaram

um poderoso Império ao conquistarem a Palestina (Jerusalém), Ásia, Norte da África e

Oeste da Europa (Península Ibérica). Com isso, os muçulmanos não só passaram a deter o

controle de Jerusalém, a "Terra Santa" das três religiões, como também do comércio

realizado pelo Mar Mediterrâneo (veja o mapa sobre a expansão do islamismo).

3
Tradição cristã: Jerusalém seria o local no qual Jesus foi crucificado, sepultado (hoje, o templo do Santo Sepulcro) e, no
terceiro dia, ressuscitado. Tradição islâmica: local em que Maomé teria ascendido aos céus. Tradição judaica: Jerusalém
seria parte da "Terra Prometida" por Deus ao patriarca Abraão e aos seus descendentes hebreus.

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 18


Diante desse controle da “Terra Santa”, bem como do comércio na região do Mar

Mediterrâneo, o papa Urbano II, em 1095 convocou todos os cavaleiros, religiosos e fiéis

para participar das Cruzadas, por eles chamadas de “Guerras Santas”. Essas deveriam

expulsar os muçulmanos dos lugares sagrados e em troca os participantes ganhariam a

libertação dos pecados. Além dos motivos religiosos e da grnade influência da Igreja

Católica no período, outros fatores motivaram a participação nessas expedições como:

interesse dos nobres em ampliar seus domínios; mercadores que buscavam retormar o

comércio com o Oriente; servos e camponeses em busca de riquezas.

Entre 1096 e

1270, foram

realizadas oito

Cruzadas oficiais

em direção ao

Oriente (ver mapa

ao lado com as

principais rotas),

visando

conquistar a cidade

de Jerusalém dos

muçulmanos.

Leitura Complementar Idade Média – 1ª Etapa – 7º ano - 2021 19


Apesar de nenhuma ter conseguido atingir esse objetivo religioso, as Cruzadas tiveram

consequências econômicas, culturais e políticas. O contato gerado entre Oriente e Ocidente

através dessas expedições favoreceu o aumento do comércio entre essas regiões e o

enriquecimento das cidades portuárias e da burguesia italiana que passou o controlar as

rotas do Mediterrâneo. O contato com o saber Oriental e Antigo (grego) preservado e

traduzido pelos muçulmanos também contribuiu para o desenvolvimento da ciência, arte e

técnica na Europa Ocidental. Por fim, as Cruzadas contribuíram para o enfraquecimento e

endividamento da nobreza feudal e consequentemente aumento do poder e prestígio dos

reis, fundamental para a centralização do poder na figura dos reis na transição da Idade

Média para a Idade Moderna.

Renascimento Comercial e Urbano

Como mencionado anteriormente, a partir do século XI, a interrupção dos conflitos e

a introdução de inovações técnicas no campo resultaram em um aumento da produção

agrícola e, por sua vez, o surgimento de um excedente de produção que passou a ser

negociado entre os feudos e as cidades. Essas trocas impulsionaram o revigoramento da

economia comercial enfraquecida na Alta Idade Média, quando os feudos produziam o que

era necessário para subsistência e as poucas trocas eram feitas com os próprios produtos.

Com o aumento das trocas, além

da dinamização do comércio, o uso das

moedas também voltou a ser uma

prática utilizada exatamente para

facilitar os negócios agora muito mais

intensos. Junto com a monetarização

da economia surgiu, também, um novo

grupo, os banqueiros (imagem ao lado),

que trocavam as diferentes moedas

utilizadas nos comércios e faziam

empréstimos. Apesar do crescimento do

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comércio nesse período, é importante ressaltar que os feudos não desapareceram. Pelo

contrário, eram eles que abasteciam as cidades com os produtos agrícolas, de forma que

feudos, comércio e cidades coexistiam.

O aumento da produção de

alimentos e a relativa paz vivenciada no

período também contribuíram para o

aumento populacional e consequente

êxodo rural, ou seja, saída do campo

para a cidade (exemplo de cidade

medieval na imagem). Tendo em vista a

possibilidade de novas atividades

econômicas através do comércio, parte

dessa população crescente saiu dos

feudos e passou a viver nas cidades favorecendo o crescimento e urbanização das mesmas,

que tinham sido abandonadas desde a crise do Império Romano.

Combinados, o crescimento do comércio e da urbanização eram alimentados pelo

surgimento de rotas comerciais de longa distância (ver rotas abaixo) e de feiras medievais,

trazendo comerciantes dos mais distintos

pontos da Europa para vender seus

produtos, interligando o continente de

norte a sul, leste a oeste e conectando-o

à Ásia e ao norte da África. No

cruzamento dessas rotas e feiras,

margens de rios, abadias e castelos

surgiram novas cidades e núcleos urbanos

murados chamados de burgos, e uma nova

classe social, a burguesia (habitantes dos

burgos).

Nas cidades, vivendo do comércio ou da produção de manufatureira, surgiram

associações tanto de comerciantes e mercadores, como a Liga Hanseática, destinada a

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garantir vantages e lucros para os mercadores que dela faziam parte, quanto associações de

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artesãos, as Corporações de Ofício. Essas corporações eram divididas de acordo com a

categoria profissional (sapateiros, carpinteiros, padeiros, etc) e apresentavam uma rígida

hierarquia: no topo estava o mestre, dono da oficina, que, junto a outros mestres,

controlava a corporação. Abaixo destes encontravam-se os companheiros ou oficiais e por

fim os aprendizes.

Conclusão das mudanças na Baixa Idade Média:

Referências
BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História Sociedade & Cidadania: 6 ano. 4 ed. São Paulo: FTD, 2018.

. História Sociedade & Cidadania: 7 ano. 4 ed. São Paulo: FTD, 2018.

PAIS, Marco Antônio de Oliveira. A Formação da Europa: a Alta Idade Média. 4 ed. São Paulo:

Atual, 1994.

. O Despertar da Europa: a Baixa Idade Média. 13 ed. São Paulo: Atual, 1992.

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, José Bruno. Teláris História - 6º ano. São Paulo: Ática, 2019.

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