3 - Endodontia
3 - Endodontia
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Anatomia Dental Interna
Método de Clark
Objeto por palatino
Desvio distoangular ------->
Deslocamento do objeto para distal ------>
Características Gerais
O dente possui no seu interior uma cavidade denominada cavidade pulpar, ocupada pela polpa dental. Essa
cavidade é totalmente circundada por dentina, a dentina coronária e pela dentina radicular, com exceção da
área do forame apical, na extremidade radicular. A cavidade pular divide-se em:
- Câmara pulpar: porção da cavidade pulpar correspondente à coroa dental;
- Canal radicular: porção da cavidade pulpar correspondente à raiz ou raízes dentais.
Câmara Pulpar
É limitada por paredes que recebem os nomes iguais aos das faces que estão voltadas. O número de faces que
compõe a câmara pulpar depende do número de canais que o dente contém e do grupo dental a que pertence.
Dente Unirradiculado: parede vestibular, lingual, mesial, distal, teto da câmara pulpar;
Dente Multirradiculado: parede vestibular, lingual, mesial, distal, teto e assoalho da câmara pulpar.
1. Canal principal: muitas vezes é sinônimo de canal radicular. É o mais importante e percorre todo o eixo
longitudinal da raiz até o ápice radicular.
3. Canal lateral: parte do canal principal à superfície externa da raiz, no terço cervical ou médio.
4. Canal secundário: parte do canal principal à superfície externa da raiz, no terço apical.
5. Canal acessório: deriva de um canal secundário para terminar na superfície externa da raiz.
7. Canal recorrente: é um canal que sai e retorna ao canal principal após percorrer um pequeno trajeto
dentinário.
8. Canal cavo inter-radicular: é um canal que deriva da câmara pulpar e atinge a superfície externa da raiz,
na zona de bi ou trifurcação.
9. Delta apical: são múltiplas ramificações do canal principal nos milímetros apicais.
Para simplificação, denominamos genericamente ‘canal acessório’ todo aquele que possa estar presente, exceto
o canal principal.
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Conclusões de Hess
1. Formação de paredes dentinárias: a presença delas divide um canal originalmente único em dois canais, que
por sua vez podem terminar em dois forames apicais distintos ou se unir e terminar forame único.
3. Alterações no volume da cavidade pulpar com o evoluir da idade, pela deposição de dentina secundária.
4. Alterações no volume da cavidade pulpar com o evoluir da idade, pela formação de dentina reparadora.
Conclusões de Kutler
1. O canal possui a forma de 2 cones truncados, unidos por suas bases menores.Um dos canais é externo,
revestido por dentina e denominado canal dentinário. O outro é curto e revestido por cemento, o canal
cementário.
2. O canal cementário não acompanha a mesma direção do canal dentinário, mas se desvia para a distal.
Características Radiculares
A lima só vai até o cone dentinário. O cemento forma tecido osteóide. Se
entrar material no cemento, pode ser reconhecido como corpo estranho.
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Cirurgia de Acesso
É a fase operatória inicial do tratamento endodôntico, que nos permite o acesso à câmara pulpar e ao sistema
de canais radiculares.
Objetivos:
1. Acesso mais direto possível;
2. Remoção completa do teto;
3. Respeito ao assoalho.
4. Deverá oferecer acesso direto ao canal radicular
5. O limite deverá incluir: cornos pulpares, saliências e retenções
6. O assoalho da câmara não deverá ser tocado
7. Limpeza e anti-sepsia da cavidade.
Precede à abertura:
Profilaxia oral
Bochecho com digluconato de clorexidina à 0,12%;
Isolamento absoluto
Etapas Operatórias
Remover tecido cariado;
Remover esmalte sem suporte;
Remover restaurações imperfeitas.
Verificar presença de: cáries, restaurações metálicas, aparelhos ortodônticos, pino intra-radiculares.
Direção de trepanação: é a direção que damos ao trépano, a partir do ponto de eleição, para alcançar a parte
mais volumosa da polpa.
- Dente unirradicular: longo eixo do dente.
- Dente multirradicular: direção ao canal de maior volume.
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Etapas do Tratamento Endodôntico
- Na polpa viva e inflamada pode entrar com a lima de uma vez: exploração.
Exploração do canal radicular: entrar com a lima direto no canal radicular com a medida do CAD – 3 mm sem a
utilização do hipoclorito de sódio assim removendo a polpa viva e inflamada (pulpectomia).
Técnica: pegar o raio-x de diagnóstico, ver o CAD e subtrair 3mm. Quando subtrair os 3mm obtém-se o CRI.
Pega a lima, coloca no canal. Primeiro, coloca no terço cervical, e agita a lima. Depois coloca no terço médio e
por último no terço apical. Antes de colocar a lima, irrigar o canal com liquido de Dakin. O líquido de Dakin é
solvente, bactericida, tem cloro e lubrifica.
Após a remoção da polpa (limpeza do canal) ocorre o alargamento do canal (modelagem) e preenchimento com
guta-percha.
2 – Preparo Cervical: é o desgaste realizado a partir da entrada do canal radicular e que se estende pelo
terço cervical, podendo chegar no máximo até o final do terço médio.
Indicação: todos os canais, sendo particularmente útil nos dentes que apresentam canais atresiados e/ou
curvos.
Materiais:
- Instrumentos (limas tipo K) de números 08, 10, 15 e 20
- Hipoclorito de sódio
- Brocas de Gates Glidden números 1 e 2
- Broca de Largo número 1
- Brocas devem atuar no máximo até terços médios de canais retos e na porção reta de canais curvos.
Sequência técnica:
- Instrumentar o canal com os instrumentos de números 08 até 20, com a medida estabelecida pelo CAD -
3mm.
- Emprego das brocas de Gates Glidden e de Largo apenas no terço cervical e médio ou na porção reta dos
canais com curvatura.
- Recapitular a lima de número 15 ou 20 no CAD - 3mm, entre o emprego de cada broca.
- Irrigação e aspiração abundante com Hipoclorito de sódio durante todo o procedimento.
Vantagens:
Facilitar o acesso e a ampliação do terço apical de canais curvos;
Permitir a manutenção da forma e a posição do forame apical;
Auxiliar no desenvolvimento da forma cônica do preparo do canal radicular;
Otimizar a irrigação e aspiração;
Contribuir para a desinfecção de dentes com polpa mortificada;
Facilitar a aplicação da medicação intra-canal;
Facilitar a adaptação do cone principal de guta percha.
Cuidados
O baixa rotação deverá estar funcionando no sentido horário;
A broca deverá entrar e sair do canal radicular girando;
A broca não deverá ser forçada no sentido apical;
Deve-se fazer somente movimentos de entrada e retirada, evitando-se movimentos pendulares;
O canal deverá sempre estar preenchido por uma substância irrigadora;
E a cada troca de broca ou lima deverá ser realizada a irrigação e aspiração;
3 - Odontometria
Tem como objetivo a obtenção do comprimento real do dente (CRD) e, a partir dele, determinar o comprimento
real de trabalho (CRT) que é até onde a instrumentação e a obturação serão realizadas, a fim de que o
tratamento endodôntico respeite os limites biológicos preconizados.
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Sequência técnica:
- estabelecer o CAD na radiografia de diagnóstico e comparar com a tabela de médias
- subtrair 3mm do CAD e esta medida colocar em um instrumento (CRI).
- introduzir um instrumento que fique justo no canal e realizar uma tomada radiográfica
- medir a diferença na radiografia entre a ponta do instrumento e o vértice radiográfico.
- realizar uma tomada radiográfica de forma que um instrumento fique apenas 1mm do vértice radiográfico, e
assim obtermos o CRD e o CRT.
TÉCNICA DE INGLE
Objetivo: transformar o canal radicular anatômico em um canal cirúrgico, o qual teria a mesma forma do
original.
- Limitar a instrumentação dentro do canal dentinário
- Não deslocar o conteúdo do canal para os tecidos apicais
- Eliminar todos os restos de tecidos
Materiais:
- Instrumentos endodônticos manuais
- Hipoclorito de sódio a 0,5 ou 1%
- Endo PTC
- EDTA
- Material para irrigação e aspiração
* Importância do degrau apical: para que o cone, na hora da obturação tenha um apoio.
A lima tem que esta justa no canal para cortar a dentina e alargar o canal
Seqüência PQC
- acesso ao CRT
- alargamento com movimentos circulatórios
- formação de degrau
Sempre respeitando o CRT
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- Movimento de limagem com penetração passiva e retirada ativa com tração oblíqua contra todas as paredes.
5. Obturação
É o preenchimento tridimensional, completo e hermético do canal tanto no seu comprimento quanto na sua
largura.
Objetivos:
- Preencher o espaço anteriormente ocupado pela polpa, permitindo uma reparação biológica e possibilitando a
volta do dente às suas funções normais.
- Impedir a infiltração de exsudatos
- Impedir a reinfecção
- Criar ambiente favorável para a cicatrização periapical
Limite da obturação:
- Deve ser estritamente limitada ao segmento do canal radicular preparado
Momento oportuno:
- 48 a 72 horas após o PQC
- Ausência de dor
- Ausência de mobilidade
- Ausência de edema
Ausência de exsudato
Técnica de Obturação
- Anestesia
- Isolamento absoluto
- Embrocamento
- Remoção do selamento provisório
- Novo embrocamento
- Remoção da medicação intracanal
- Irrigação / Aspiração
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Testes:
- Visual: mede o cone principal de acordo com a medida da ultima lima e leva no conduto.
- Táctil: tem que ficar 1mm do ápice e travar o cone.
- Radiográfico: ver se o cone parou no limite instrumentado.
Onde cortar o penacho: abaixo do colo clínico do dente, com condensador mais fino.
Início da Obturação
- Placa de vidro
- Espátula 24 flexível
- Cimento (pó e líquido)
- Espaçadores digitais (calibrados)
- Cones secundários
- Espatulação:
- Cimento em “Ponto de Fio”
- Pincelamento das paredes do canal
- Colocação do cone principal
- Colocação dos cones secundários
- Penacho
- Rx do penacho
- Corte do penacho com condensadores de paiva
- Limpeza da entrada do canal
- Selamento provisório: camada fina de guta-percha em bastão / Cimpat, OZE, Fosfato de Zinco ou Ionômero
de Vidro
- Rx final
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Canais Curvos
Limas do tipo K flexíveis pré-curvadas. (o instrumento usado na exploração do canal deve ter sua ponta
ligeiramente pré-curvada, com o objetivo de ampliar a sua área de atuação e dificultar que se prenda em
irregularidades das paredes do canal).
Movimentos oscilatórios de ¼ de volta à direita e à esquerda, com suave pressão no sentido apical. Se
encontrar resistência, alternar com movimento de retirada linear de pequena amplitude 2 a 3mm.
Quando comparada com a mesma fase do PQC de canais retos e amplos, podemos observar que por
trabalharmos com canais curvos e finos, tem-se mais dificuldade de atingir o CRT.
Só passar para a próxima lima quando a ultima lima que usamos estiver larga no canal.
Quanto recuar?
Depende da anatomia do canal, ou seja, penetra-se com lima de recuo até que ela se prenda nas paredes do
canal.
Deve-se aumentar o calibre e recuar sucessivamente até atingir o comprimento em que o preparo cervical foi
realizado. (recuo anatômico)
Dessa maneira, une-se o preparo apical com o preparo cervical
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Recapitular com a lima-memória, amplia o canal de forma regressiva de 1 em 1mm a menos.
Escalonamento pode ser feito também para canais retos nas seguintes situações:
Dentes muito longos, onde o preparo cervical fica muito longe do preparo cervical. (Ex:canino superior).
Dentes com ápice radicular muito finos (ex: incisivos inferiores).
Nos preparos dos canais radiculares curvos as dificuldades anatômicas impõem, necessariamente, mais
concentração, respeito a técnica e adestramento por parte do operador. A falta disso pode acarretar em erros
de difícil solução. Alguns ERROS são: cirurgia de acesso inadequada; irrigação e aspiração insuficientes; uso de
limas muito calibrosas que são menos flexíveis. É importante o uso da LIMA-GUIA, que irá acompanhar todo o
tratamento, em especial nos momentos em que, por algum motivo, haja algum problema para se atingir o CRT.
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MEDICAÇÃO INTRACANAL
O que usa para medicar?
- Não existe uma medicação única para todos os casos, isso irá depender da situação, se há dor, etc.
MEDICAÇÃO IDEAL
1. PRP
- Anti-séptico e anti-microbiano;
- Protetor tecidual.
- não tem corticosteróide.
- Serve mais para polpa morta.
- Polpa morta após penetração desinfetante.
2. NDP: contém um corticosteróide (Fosfato de Dexametasona), por isso tem ação antiinflamatória.
- Anti-séptico
- Anti-microbiano;
- Protetor tecidual.
- Polva viva após pulpectomia ou PQC.
- Polpa morta após PQC.
4. HIDRÓXIDO DE CÁLCIO: Só usa após PQC completo. Utilizado principalmente em casos de polpa morta,
retratamento, etc.
- Anti-microbiano + Anestésico (veículo)
- Íons Ca+ induzem a mineralização.
- Seu ph alcalino torna o meio desfavorável para microorganismos.
- Desvantagem: Dificuldade de aplicação;
- Polpa morta após PQC.
- Polpa viva com rizogênese incompleta.
5. OTOSPORIN
- polpa viva após pulpectomia ou PQC.
ANESTÉSICO
- Veículo para manipular com o pó de hidróxido de cálcio → Pasta.
Anestésico provoca:
- Maior velocidade de dissociação;
- Maior concentração de íons de cálcio;
- Saturação em menor período de tempo.
CIMENTOS PROVISÓRIOS
OBS: Os cimentos provisórios não devem ter contato prematuro, pois podem fraturar ou causar dor.
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SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS AUXILIARES
PROPRIEDADES CLÍNICAS:
Possuir Baixa tensão superficial: aumenta a capacidade de molhamento. Para penetrar na dentina é
melhor uma solução aquosa porque abre os túbulos dentinários e deixa a dentina permeável. É a chama AÇÃO
UMECTANTE (canal úmido melhora a desinfecção).
Ex: Liquido de Dakin.
1. LUBRIFICANTE: diminuir o atrito entre o instrumento e a parede do canal. - Ex: ENDO PTC
2. SOLVENTE TECIDUAL: agir sobre tecido pulpar vivo ou morto (necrosado), favorecer a remoção ou
dissolução do magma dentinário. - Ex: Dakin.
5. REMOÇÃO DO MAGMA DENTINÁRIO: Lima e substancia química auxiliar juntas removem o magma e
deixam a dentina permeável com túbulos abertos para o cimento aderir.
6. LIMPEZA: Promover a limpeza dos canais radiculares, removendo detritos e diminuindo o numero de
bactérias.
Propriedades:
Baixa tensão superficial (ação umectante)
Lubrificante
Ph alcalino de 11,8 (desfavorável para bactéria)
Solvente de matéria orgânica
Desodorizante (ajuda a neutralizar possíveis maus odores da polpa necrosada)
Clareador (libera oxigênio)
Biocompatível
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RECURSOS SEMIOTÉCNICOS
Reversí
Reversível
Reversível Transiç
Transição
Transição Irreversí
Irreversível
Caracterí
Característica da dor
Característica Irreversível
Espontânea
Espontânea Não
Não ààs
s vezes
vezes Sim
Sim
Condiç
Condições
Condições
de
de Sim
Sim ààs
s vezes
vezes Não
Frio
Frio Não
aparecimento
aparecimento Provocada
Provocada
Calor
Calor Não
Não Sim
Sim Sim
Sim
Curta
Curta Sim
Sim Não
Não Não
Não
Duraç
Duração
Duração
Prolongada
Prolongada Não
Não Sim
Sim Sim
Sim
Localizada
Localizada Sim
Sim Sim
Sim Raramente
Raramente
Sede
Sede
Difusa
Difusa ee irradiada
irradiada Não
Não Não
Não Sim
Sim
Intermitente
Intermitente Sim
Sim Sim
Sim Não
Não
Freqü
Freqüência
Freqüência
Contí
Contínua
Contínua Não
Não Não
Não Sim
Sim
Palpação apical (região do ápice do dente): alteração de volume, consistência, limites, sensibilidade,
textura, mobilidade, flutuação.
Percussão: Feita com o cabo do espelho clínico. Nunca deve-se executar a percussão em apenas um dente.
É importante fazer em mais de um dente.
Define a localização do dente algógeno (dente causador da dor).
Por exemplo, quando uma dor é difusa, ao encostar o cabo do espelho no dente causador da dor, a dor se
manifesta.
Mobilidade: verificar o grau de mobilidade, pois pode caracterizar uma lesão endo-perio.
3. Exames complementares
a) TESTES TÉRMICOS: avaliação da vitalidade pulpar, avaliação da dor e localização do dente algógeno.
Instruir o paciente a levantar as mãos quando houver dor pelo estimulo e abaixar quando a dor passar.
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*CALOR - Bastão de guta percha: Avalia a vitalidade pulpar e localiza a dor.
Este teste só é executado quando o diagnostico não pôde ser fechado.
Resposta pulpar:
• Positiva: quando responde aos testes térmicos. Significa que ainda é Polpa Viva
• Negativa: quando não responde aos testes térmicos. Significa que já houve necrose pulpar, por isso é uma
Polpa Morta.
c) TESTE DE CAVIDADE: Recurso extremo utilizado para determinar vitalidade pulpar. É feito quando todos os
outros recursos não tenham chegado ao diagnóstico de qual dente dói.
Remoção lenta do esmalte e dentina sem anestesia para determinar a vitalidade. Normalmente abre-se o dente
restaurado, para não desgastar estrutura sadia.
d) TESTE DE ANESTESIAa: localizar dor primária. Localiza pelo menos o Quadrante da dor difusa.
Não dá pra ser muito utilizado em dentes inferiores.
Pode ser utilizado quando o paciente relata dor no dente antagonista. Neste caso, anestesiando o superior,
descobre-se qual dos 2 dentes era o causador da dor.
e) TRANSILUMINAÇÃO: faz com o fotopolimerizador. Para observar cáries, orifícios de entrada, perfurações
na câmara, fraturas, trincas.
g) Mapeamento de fístula: feito somente em dente com polpa morta (pois são os únicos casos onde há
fístula). Serve para saber qual dente deu origem à fistula.
Sem anestesiar, introduzir um cone de guta percha na gengiva e este se desloca para o dente causador da
fístula, o que irá ser visto na radiografia.
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Diagnóstico e Tratamento das Doenças Pulpares
* Paciente com fístula: 2 dentes estão sensíveis aos exames complementares. Qual o dente que dói?
NÃO é o da fístula porque já está necrosado. De todos os exames complementares, o mapeamento de fístula
não será feito em dente com fístula porque já está necrosado.
Análise do fenômeno doloroso: a análise de diagnóstico é PROVÁVEL porque existe a fase de transição.
Zonas de Fish
* Não espera a lesão regredir para obturar o dente. Faz o controle porque a reparação pode demorar até um
ano. Polpa morta, principalmente com lesão, não obtura no mesmo dia.
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Alterações Pulpares
1. Inflamatórias
I) Agudas
Vasodilatação, aumento da permeabilidade, hiperemia, liberação de agente algógenos = ocorre dentro de
paredes inelásticas = dor.
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Aspecto da polpa
Se qualquer um dos itens não estiver presente, quer dizer que o diagnóstico estava errado e não era
polpa viva
Ex: Sangramento abundante que não passa, quer dizer que há uma inflamação grande, portanto, a polpa já
não pode ser considerada polpa viva.
Evolução Clínica
AGUDAS
* Pericementite secundária aguda: polpa mortificada – infecciosa – existem microrganismos que causam
dor.
- Dor localizada e intensidade contínua.
- Sensibilidade de dente crescido: quando tem inflamação no periápice e o dente extrusa um pouco por causa
do exsudato.
- Exacerbada por percussão vertical, toque, mastigação e palpação apical.
- Mucosa do terço apical levemente hiperemiada.
Tratamento de urgência: penetração desinfetante no CAD –3mm. Pode fazer odontometria e PQC, mas não é
o ideal. O ideal é fazer Medicação Intracanal com Clorexidina, Hipoclorito de sódio, PRP. Tratamento em 3
sessões: Urgência + PQC + Obturação.
Aspectos Radiográficos
- Periodonto apical normal ou com espessamento.
- Trabeculado adjacente normal.
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- Dor intensa.
- Presença de células inflamatórias e exsudato.
Vias de drenagem:
2 – Via ligamento periodontal: paciente com bolsa periodontal, com perda óssea acentuada.
3 – Via transóssea: o exsudato tenta caminhar pelo trabeculado ósseo, para diminuir a pressão, mas não
drena. Quando for através da via intra-óssea, o abcesso será classificado em fases:
- Fase Inicial / Intra-óssea: é a pior fase. O osso é inelástico, gerando muita pressão nas
terminações nervosas.
Sinais e sintomas:
- Dor pulsátil, espontânea, intensa e contínua.
- Localizada ou difusa.
- Mobilidade e extrusão do dente (sensação de dente crescido).
- Exacerbada à percussão vertical, toque, palpação.
- Imagem radiolúcida apical ou não.
- Sintomas de ordem geral (febre, insônia).
- Pode ou não estar com rarefação óssea.
- Abaulamento apical (distensão da tábua óssea).
Tratamento:
- Anestesia -> bloqueio.
- Abertura coronária.
- Penetração desinfetante,
- Debridamento foraminal -> TENTATIVA de drenagem via canal. Às vezes, o fato de abrir o canal não drena.
Após a penetração desinfetante, ultrapassar o forame com uma lima fina (10, 15) para facilitar a saída do
exsudato.
- Irrigação e aspiração com Hipoclorito de Sódio a 1%
- Alívio articular
- Medicação sistêmica (antibiótico / antiinflamatório / analgésico)
* Quando o abcesso não drenar, o jeito é medicação sistêmica. Se o abcesso drenar, também irá medicar.
* E se tiver drenando e não parar de drenar não fechar o dente. Pedir para o paciente colocar bolinha de
algodão quando for se alimentar. Depois tirar a bolinha de algodão e fazer bochecho com antiséptico.
- Fase em evolução / Subperióstea: quando o paciente demora para procurar auxílio profissional. A
dor já é menor nesse ponto.
Sinais e sintomas:
- Dor espontânea, intensa e difusa.
- Extrusão do dente (sensação de dente crescido).
- Acentuada mobilidade.
- Dor à palpação – região apical.
- Dor à percussão vertical e horizontal.
- Sintomas de ordem geral (febre, insônia).
- Edema intra-oral sem flutuação (área mais amolecida).
Tratamento:
- Anestesia -> bloqueio.
- Abertura coronária.
- Penetração desinfetante,
- Debridamento foraminal -> TENTATIVA de drenagem via canal.
- Irrigação e aspiração com Hipoclorito de Sódio a 1%
- Alívio articular
- Incisão – NÃO FAZ! Tentativa de drenar através do canal e se não der, medicação intracanal, selamento e
medicação sistêmica.
- Medicação sistêmica (antibiótico / antiinflamatório / analgésico)
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- Fase evoluída / Submucosa:
Sintomas:
- Dor menor, intensa, espontânea, difusa.
- Extrusão dentária.
- Acentuada mobilidade.
- Dor à palpação – região apical.
- Dor à percussão vertical e horizontal.
- Edema intra ou extra-oral com flutuação.
Tratamento:
- Anestesia -> bloqueio.
- Abertura coronária.
- Penetração desinfetante,
- Debridamento foraminal -> TENTATIVA de drenagem via canal.
- Irrigação e aspiração com Hipoclorito de Sódio a 1%
- Alívio articular
- Incisão interna: se o paciente não conseguir abrir a boca (trismo), medica e espera. Se der, faz a incisão.
- Medicação sistêmica (antibiótico / antiinflamatório / analgésico)
Para realizar a obturação o paciente não deve apresentar dor e o canal tem que estar limpo, sem exsudato.
CRÔNICAS
b) Crônica
- Sempre em paciente jovem
- Estímulo de baixa intensidade
- Longa duração
- Se caiu o curativo do dente, ou pega o dente aberto e exposto ao meio externo (depois de feito o acesso)
tratar como polpa morta.
- Pólipo pulpar: proliferação do tecido de granulação / polpas jovens. É a única forma de polpa viva que é
tratado como polpa morta.
b1) Granuloma
O granuloma é uma massa de reação de granulação (tecido conjuntivo neoformado com inflamação crônica),
localizado ao redor do ápice radicular. O granuloma surge em resposta a estímulo nocivo de baixa intensidade,
proveniente do canal radicular. Possui excelente capacidade de regeneração e rapidamente se converte em
tecido periapical normal, quando o irritante é removido, ou seja, o canal radicular é tratado. É a evolução
crônica da Pericementite e é um processo lento.
Características:
- Reabsorção óssea (principal característica);
- Tecido de granulação -> proliferação de fibroblastos tentando repara a lesão;
- Aumento do numero de vasos e fibras;
- Células de defesa;
- A lesão não vai regredir enquanto não fizer a endo.
Tratamento:
Esta lesão não regredirá enquanto não fizermos a endodontia. Porém, o tratamento endodôntico destes casos é
complicado, pois dependendo da instrumentação, o caso que era crônico pode se tornar agudo. Temos que
chamar o paciente de 3 em 3 meses para fazer controle, verificar se fibroblastos e osteoblastos conseguiram
reparar a reabsorção óssea. O tratamento pode não ser eficaz, portanto o caso irá para cirurgia, onde será feita
a curetagem da lesão, é a chamada Lesão Refratária.
Características:
- Presença de fistula como via de drenagem;
- Ausência de dor;
- Teste de vitalidade negativo;
- Percussão ausente;
- Pode ser sensível á palpação;
- Apresenta fístula;
- Rarefação óssea periapical.
Fazer rastreamento da fístula: coloca um cone de guta-percha para ver em qual dente é a
fístula. Caso endodontico com fístula é polpa morta.
Tratamento: técnica para polpa mortificada, pois assim elimina a causa da infecção, portanto, não formará
mais exsudato e não precisará da fístula como via de drenagem.
Aspectos clínicos:
- Maioria é assintomático;
- Crescimento lento;
- 1ª manifestação clinica: rarefação óssea com deslocamento das raízes dos dentes vizinhos;
- Aumento de volume: expansão da cortical óssea externa, tumefação dura e indolor (exceto à palpação);
- Pode haver drenagem extra-oral.
Tratamento: quase 100% dos casos são cirúrgicos. Mas mesmo para realizar a cirurgia, precisa fazer o
tratamento endodôntico.
DEGENERATIVAS
c1) Calcificação
Calcificação Nodular: pedrinha que fica na câmara pulpar e, por esse motivo, não se faz a endo. Mas se o
tratamento endodôntico estiver indicado, tem que remover o nódulo calcificado.
Interna: é um defeito raro a polpa reconhece a dentina como ser estranho e começa a reabsorver. Pode
ocorrer uma comunicação com o periodonto. Quando a reabsorção interna se dá mais cervicalmente = mancha
rósea. Neste caso se preenche com guta percha. No RX, se vê falta de dentina.
Origem: idiopática.
Tratamento: a endo é suficiente para parar o processo de reabsorção. O prognóstico é bom.
Origens:
- Inflamação periapical;
- Tumores e cistos;
- Trauma;
- Tração ortodôntica;
- Dentes impactados.
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URGÊNCIAS EM ENDODÔNTIA
CONTROLE DA DOR:
Estresse e medo;
Técnica anestésica correta;
Anestésicos eficientes.
1. Dor PMSE (quente, frio e doce); Espontânea; Declínio lento; Resposta positiva ao uso de analgésicos; Ao
exame clínico, manchas brancas na coroa; Teste térmico com o frio, positivo com declínio lento.
Diagnóstico clínico provável: Lesão inflamatória pulpar em fase de transição.
Tratamento de Urgência:
- Remoção da cárie (remoção do agente agressor);
- Tratamento expectante;
- Curativo com material provisório.
2. Adolescente relatou dor forte, sangrante quando mastigava sobre o dente. Radiograficamente ocorreu
comunicação direta da câmara pulpar com a cavidade de cárie.
Diagnostico clinico provável: Inflamação pulpas crônica – Pólipo pulpar.
3. Paciente com dor de grande intensidade e irradiada RMID, o uso de analgésico não tem efeito, ao exame
clínico nota-se a presença de fístula entre o 46 e 47 e cárie extensa na mesial do 47. A dor piorava com o calor
e aliviava com o frio. Radiograficamente, cárie extensa no 47 e 46 com imagem radiolúcida apical.
Diagnósticos clínico provável: Lesão inflamatória pulpar irreversível.
Tratamento: Pulpectomia.
5. Paciente relata que está com muita dor e passou o dia anterior em consulta e deixam seu dente aberto.
Não dormiu a noite e o edema aumentou. Não estava tomando medicamentos. Palpação e percussão horizontal
e vertical com dor no dente 12.
6. Paciente procurou o setor de urgência da Unisa e relatando dor de grande intensidade e irradiada no HIE.
Ao exame clínico nota-se a presença de fístula na vestibular entre os dentes 35 e 37 (36 ausente). Ambos
apresentavam cárie extensa. Teste térmico com frio: 35 negativo e 37 alívio da dor.
Diagnóstico clínico provável: Lesão inflamatória pulpar irreversível.
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RETRATAMENTO ENDODÔNTICO
Sucesso:
Ausência de dor;
Ausência de sinais de infecção: fistula ou edema;
Mobilidade normal;
Dente em função.
Sucesso questionável:
Dor esporádica;
Sensação de pressão;
Pequena sensibilidade à percussão, palpação e mastigação;
Necessidade ocasional de analgésico.
Insucessos:
Presença de dor continua;
Mobilidade;
Presença de edema – aparece 1 mês depois;
Presença de fistula.
ACHADOS RADIOGRÁFICOS
Sucesso:
Ligamento periodontal normal;
Ausência de reabsorção óssea apical;
Obturação tridimensional compacta dentro dos limites do canal.
Radiograficamente questionável:
Ligamento periodontal espessado;
Área radiolúcida apical semelhante;
Material obturador além do ápice anatômico;
Espaço na densidade da obturação.
Radiograficamente inaceitável:
Ligamento periodontal rompido;
Ausência de reparação óssea ou aumento da área radiolúcida;
Espaços vazios nos canais radiculares.
EXAMES HISTOLOGICOS:
- reparação tecidual?
- células inflamatórias?
- presença de bactérias?
1. Cone principal:
- travamento;
- posição.
2. Secagem inadequada:
4. Condensação lateral:
- espaçador;
- cones secundários.
5. Corte da Obturação:
- calcador;
- temperatura.
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QUANDO OPTAR PELO RETRATAMENTO?
1. Historia do caso:
- há quanto tempo?
- Comparar radiografias;
- Sintomatologia;
- Tipo de tratamento realizado (feito por um endodontista ou não?).
2. Avaliação radiográfica:
Nível ósseo:
- Possível calcificação;
- Rarefação periapical;
- Reabsorção interna ou externa.
4. Próteses:
- Coroas;
- Retentores;
- Pinos intra-radiculares.
5. Iatrogenias:
- Fraturas de instrumentos;
- Desvios / perfuração;
- Formação de degrau;
- Transporte foraminal;
- Obturação: material, limite e qualidade;
- Restauração do elemento dental.
6. Condições sistêmicas
7. Habilidade profissional
2. Presença de canais com obturação aparentemente adequada, com ou sem sintomatologia, com
lesão periapical.
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INSTRUMENTAÇÃO ROTATÓRIA
Indicações:
- Raízes com grandes curvaturas
Antes de utilizar o instrumento rotatório, o instrumento manual precisa ser bem utilizado. O ideal é ir até a lima
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Propriedades:
Ultraflexibilidade – aço inox. Quanto maior o ângulo helicoidal, maior a flexibilidade.
Grande resistência a deformação plástica
Grande resistência a fratura
Grande resistência a corrosão
Superelasticidade
Efeito memória de forma
Quanto mais ativa for a ponta da lima, maior a chance de ocorrerem trepanações, degrau em lugar errado, etc.
Características básicas:
Trabalha em terços
Lima sx: - trabalha o terço cervical. Simula a Gates. Tem função de alargar
Limas S1 e S2: aumentam o conduto.
Lima f1,f2, f3: - trabalha no terço médio e apical
- Acabamento/alargamento do terço médio
O desenho de corte transversal da lima, faz com que a dentina que foi cortada saia do canal.
Recomendações:
Vmotor: 250-350rpm
Torque: variável
Etapas:
1. Iniciar a odontometria – obter CRI (CAD – 3mm)
2. Irrigação/ aspiração
3. Penetração # 15 até CRI
4. Irrigação/ aspiração
5. Preparo cervical
5.1 Com lima SX– até início 1/3 médio
ou
5.2 Com broca Gates 01- até 1/3 médio
Irrigação/ aspiração
Recapitulação com a lima inicial
Irrigação/ aspiração
Preparo cervical com broca Gates 02 – até início 1/3 médio
6. Irrigação/ aspiração
7. Terminar a odontometria – obter CRT
8. # S1 até CRT (ou #20 até CRT e #S1 até CRT)
9. # S2 até CRT (ou #25 até CRT e #S2 até CRT)
10. # F1 até CRT (ou #30 até CRT e #F1 até CRT)
11. # F2 até CRT (ou #30 até CRT e #F2 até CRT)
Obturação:
Cone único
Condensação lateral/vertical
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TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA EM ENDODONTIA
AINES: causam muitos efeitos colaterais, como as lesões gástricas, pois diminuem a produção de muco
gástrico.
COXIB’s: são inibidores específicos da COX 2, fazendo com que se tenha os efeitos dos AINES diminuídos.
Inflamação Pulpar em Fase de Transição: pode ou não usar analgésico e ele pode ou não ter efeito.
Abscesso Dento-alveolar CRÔNICO: não medicar. Porém, em casos de pacientes de risco, é necessário
fazer profilaxia antibiótica.
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