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Didática e Educação: Abordagens e Tendências

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CAP 1 – PRÁTICA DE ENSINO I - DIDÁTICA

A aprendizagem ocorre a partir de vivências diversas, ocasionais ou sistemáticas. Tais vivências, sejam elas
ocasionais ou sistemáticas, fazem parte do processo educacional, que apesar de ser eminentemente social
é, ao mesmo tempo, individual.

A educação é um processo, ao mesmo tempo, social e individual. Do ponto de vista social, a educação pode
ser vista como a interferência que a sociedade exerce no desenvolvimento dos indivíduos, com o objetivo
de se manter e de se reproduzir. Essa interferência é feita por meio de um conjunto de estruturas,
influências, processos, ações.

Revolução Francesa, houve um cuidado com a “Educação para Todos”, momento de mudança na ordem
social. Passava-se do Feudalismo para o Capitalismo

a Educação tem a função de manter e reproduzir a sociedade, ela colabora com a sua transformação, pois
vai permitindo que os indivíduos se desenvolvam e ampliem a capacidade de pensar e, individualmente ou
em grupo

Do ponto de vista individual, a Educação é o desenvolvimento da pessoa no que diz respeito às suas
características de ser humano, ao seu potencial e à sua participação na sociedade.

A Educação só existe porque existe sociedade

A educação acontece no seio de uma sociedade em diferentes espaços e tempos, de maneira formal e não
formal, sistemática (instituições escolares) e assistematicamente (igrejas, família, sindicatos, meios de
comunicações etc.).

Numa visão histórica da educação sistemática, o homem é “um ser situado”

Este homem existe num meio que influencia o desenvolvimento de suas possibilidades existenciais e
materiais permitindo, que ele obtenha os meios para sobrevivência. Por isto ele é levado a
“valorizar os elementos do meio ambiente: a água, a terra, a fauna, a flora etc. e as instituições, as ciências,
as técnicas etc.

Não podemos falar de cultura sem falar de conhecimento e educação e do homem valorativo
(aquele que avalia) e educado.

A educação visa à promoção do homem educado que saiba agir em sociedade; ela necessita de objetivos
definidos e de ações cuidadosamente planejadas com bases filosófica e científica e, de conhecimento
técnico e especializado

A Licenciatura é uma habilitação do curso superior destinado a formar professores em áreas específicas
para atender a estas necessidades

Surge da necessidade da disciplinarização do conhecimento da educação sistematizada, com vistas graduar


o futuro professor para atuar em diferentes níveis de ensino, de forma especializada através do domínio de
sua ciência, ajudando a formar o homem valorativo e cidadão, capaz de melhor compreender os elementos
da realidade e poder intervir sobre eles.

A educação sistematizada visa à promoção do homem educado que saiba agir em sociedade e, para isto ela
necessita de objetivos definidos e de ações cuidadosamente planejadas com bases filosófica e científica e,
ainda, com conhecimento técnico

Educar na forma sistemática implica ‘dominar conhecimentos sobre o ensino’, dominar a atividade
educacional e pedagógica que constituem objetos de tratamento da Pedagogia, bem como as
especificidades conceituais das diferentes áreas das ciências.

A Didática é um ramo da Pedagogia que tem como objeto de estudo o processo de ensino e de
aprendizagem.
O didático refere-se especificamente à teoria e prática do ensino e aprendizagem, considerando-se o ensino
como um tipo de prática educativa

Outras disciplinas pedagógicas servem de base à Didática como a Psicologia , a Sociologia , a Filosofia
todas da Educação entre outras..

educação é a ação que as gerações adultas exercem sobre as mais jovens, orientando sua conduta, por
meio da transmissão do conjunto de conhecimentos, normas,valores, crenças, usos e costumes aceitos pelo
grupo social (HAIDT, 1998

Como processo individual, a Educação consiste na progressiva assimilação, pelo indivíduo, dos valores,
conhecimentos, crenças, ideais e técnicas existentes no patrimônio cultural, úteis e selecionados da cultura
e da vida humana civilizada (MATTOS, 1977).

educação, Como possibilidade do homem discutir corajosamente a sua problemática (…) que o levasse a
uma nova postura diante dos problemas de seu tempo e de seu espaço (FREIRE, 1967

Educação pode ser entendido no seu sentido amplo, significando qualquer processo de aprimoramento do
ser, seja no aspecto físico ou no aspecto psicológico (WERNECK, 1999).

Educação - conjunto de atividades mediante as quais um grupo assegura que seus membros adquiram a
experiência social historicamente acumulada e culturalmente organizada (COLL, 1996)

CAP 2

educadores são todos os membros de uma sociedade.

Na educação sistemática, planejada com objetivos definidos e realizada através do ensino, que é um tipo de
prática educativa, exige um profissional da Educação com formação adequada

Paulo Freire, a Educação é um ato político: um ato que sempre é praticado a favor de alguém,

mesmo sendo um progressista, o professor pode adotar uma metodologia própria da tendência
escolanovista, considerando sempre as premissas básicas da abordagem que privilegia em sua PRÁXIS

Didática Magna de COMÊNIO, considerado o pai da Didática, que, no século XVII, procurou um método que
pudesse ensinar tudo a todos. Esta é a Didática Tradicional, “cuja grande contribuição é ter chamado a
atenção para a organização lógica do processo ensino-aprendizagem, nos seus aspectos mais gerais

A Didática na tendência tradicional tem por base a transmissão cultural, concebendo o aluno como um ser
passivo, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdosbde ensino e percebendo o professor como figura
principal do processo ensino- aprendizagem, por isso a Exposição Oral tem privilégio sobre qualquer método
de ensino.

A supervalorização do método, que foi peculiar na Teoria do Método Único, abstrato e formal, estava
embasada em uma psicologia tipicamente racionalista. “...Comênio, PESTALOZZI e H ERBART formularam
um método que acreditavam ser dotado de valor universal, ser capaz de imprimir ordem e unidade em todos
os graus do saber

Herbart estruturou um método de ensino tendo por base a ordem psicológica de aquisição do conhecimento.
Este método foi organizado de acordo com as seguintes etapas: preparação, apresentação, associação,
sistematização e aplicação.

o Brasil, desde os jesuítas, prevaleceu a tendência pedagógica tradicional


A Didática, nessa tendência, está embasada na transmissão cultural, concebendo o aluno como um ser
passivo, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos de ensino e percebendo o professor como figura
principal do processo ensino-aprendizagem

nos anos 20, a tendência tradicional começa a sofrer críticas com o despontar da tendência Liberal
Renovada Progressivista (Escola Nova)

Estrutura-se, então, uma nova tendência educacional – a Liberal Progressivista ou Escola Nova –, já
conhecida nos Estados Unidos e que chega ao nosso país na década de 1920, sendo formalizada,
exatamente em 1932, com o manifesto dos pioneiros da Escola Nova.

Na tendência renovada progressivista, a Didática fundamenta-se muito na Psicologia, entendendo que o


aluno deve participar diretamente do seu processo de aprendizagem. Assim, o aluno é o foco do processo
de ensino – aprendizagem, a metodologia é ativa, os conteúdos são meios para o desenvolvimento de
habilidades e atitudes.

somente em 1960 que ela atingiu o auge, refluindo logo depois.

No final do século XIX e início do século XX, a Psicologia desponta como ciência independente Traz como
novidade : o indivíduo que aprende, a aprendizagem se dá na pessoa. Portanto, o processo ensino-
aprendizagem tem de estar centrado no aluno, e não no professor.

, em vez da “exposição oral”, deve-se dar preferência aos “métodos ativos”

os conteúdos devem ser os meios para o desenvolvimento de habilidades e os sentimentos também devem
ser trabalhados, fato justificado pela grande influência da Psicologia. A avaliação passa a ter
conotação QUALITATIVA e começa a ser considerada pelo professor, que passa a valorizar, não mais a
quantidade de conhecimento

abordagem Liberal Progressivista ou Escolanovista (Escola Nova) poderia ser denominada didaticista, em
virtude da grande importância atribuída aos aspectos didáticos

a Didática da Escola Nova centra-se na preocupação de como facilitar o processo ensino-aprendizagem de


forma a possibilitar ao aluno uma participação ativa neste processo

não-diretiva. abordagem psicologizante redundou em radicalismos na prática docente. Alguns professores


passaram a desconsiderar o pedagógico, priorizando o psicológico do aluno.

CARL ROGERS trabalho pedagógico acaba por confundir-se com o psicológico e torna-se secundário; o
importante é ajudar o aluno a se conhecer, a se relacionar, a se auto-realizar

Na segunda metade do século XX, com o crescimento da sociedade industrial, fortemente calcada na
tecnologia, desponta uma outra tendência: a TECNICISTA.

TECNICISTA - aprender é uma questão de modificação do desempenho: o bom ensino depende


de organizar eficientemente as condições estimuladoras, de modo que o aluno saia da situação de
aprendizagem diferente de como entrou

foco dessa tendência é a supervalorização dos meios tecnológicos, dos métodos de ensino, que se tornam
extremamente sofisticados, com uma preocupação de garantir a eficiência e eficácia no processo de ensinar
nas escolas brasileiras.

Na tendência tradicional, o processo ensino-aprendizagem estava centrado no professor, ao passo que na


Escola Nova centrava-se no aluno. Agora, na tendência tecnicista, os meios passam a ser o foco,

momento em que surgiram novas profissões na área educacional: o Administrador Escolar, o Orientador
Educacional e o Supervisor Escolar (este responsável pelo controle do currículo.

O planejamento didático, com base neste modelo “fabril”, estabelecia os objetivos de forma bem
operacionalizada
Nas escolas surgiram os métodos individualizados, como a instrução programada e o módulo instrucional,
entre outros, tendo como principais características o respeito ao ritmo próprio do aluno e às diferenças

A legislação brasileira, nesse momento, admitia a possibilidade de qualificar o professor em nível superior e
o conteúdo dos cursos de Formação de Professores não seria mais que a versão do tecnicismo educacional

A Didática, na tendência tecnicista, enfatizou o caráter prático- técnico do ensino, desconsiderando, como as
tendências anteriores, os condicionantes sociais

Saviani , a vida dos professores ficou mais complicada quando a tendência tecnicista foi implantada
oficialmente com a promulgação da Lei nº 5.692/71

O tecnicismo exigia a aplicação de uma metodologia sofisticada e distante da realidade da maioria dos
professores . Além do que, a ênfase na técnica, no processo de ensino, gerou um grande esvaziamento nos
conteúdos, o que contribuiu enormemente para a desestruturação da educação no nosso país

Esse processo de apropriação do conhecimento enfatiza ora os fatores de interação internos (endógenos),
ora os externos (ambientais), ao que os estudiosos denominam de abordagens inatistas (importância dos
fatores endógenos) ou ambientalistas (ação do meio e da cultura sobre a conduta humana)

até o advento do tecnicismo, a Didática na Formação de Professores enfatizava mais o processo de ensinar
do que o contexto. Daí a denominação não-crítica que se dá às tendências Tradicional, Liberal Escolanovista
ou Progressivista, Liberal Não-Diretiva e Liberal Tecnicista,

1980 - A Didática sofre grande influência das Teorias Críticas da Educação. Esta orientação se deu a partir
dos diferentes enfoques e confrontos de seus pesquisadores, em um pluralismo de ideias

preocupações que orientaram a área giravam nas seguintes questões: ideologia, poder, alienação,
conscientização, reprodução, contestação do sistema capitalista, classes sociais, emancipação, resistências,
relação teoria-prática, educação como prática social, o educador como agente de transformação, articulação
do processo educativo com a realidade.

crítico libertadora - didática implícita na orientação do trabalho escolar. Esta prática é viabilizada pelo
diálogo amoroso entre professor e aluno, tendo em vista um ensino centrado na realidade social e na
emancipação dos sujeitos

TEORIAS CRÍTICO -R E P R O D U T I V I S T A S: críticas porque postulam não ser possível compreender


a educação senão a partir dos seus condicionantes sociais e reprodutivistas, porque acreditam que a função
própria da escola é reproduzir o sistema vigente: a teoria do sistema de ensino, enquanto violência simbólica
desenvolvida ; a teoria da escola, enquanto aparelho ideológico de Estado: a teoria da escola dualista

a Pedagogia crítica Libertadora de PAULO FREIRE atribui à educação o papel de denúncia das condições
alienantes do povo, passando a fundamentar as críticas dos professores que apontavam os mecanismos
de opressão da sociedade de classes.

“é uma didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos
sociais e por isso o professor é coordenador das atividades que se organizam sempre pela ação conjunta
dele e dos alunos”

Outras correntes antiautoritárias apareceram no Brasil contra-pondo-se ao sistema de exploração e


dominação ideológica, tais como a Pedagogia Histórico-Crítica e Pedagogia Crítico-social dos Conteúdos.

A Pedagogia Histórico-Crítica fundamenta-se em uma teoria crítico-pedagógica capaz de orientar a prática


cotidiana dos professores, assumindo a pedagogia como ciência da educação e para a educação.

A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos atribui grande importância à Didática,

Na tendência crítico social de conteúdos, os conteúdos universais são muito considerados, mas devem ser
trabalhados de modo crítico, permitindo que os alunos, com base nesses conteúdos e na análise de suas
experiências, possam dispor das ferramentas necessárias à participação na sociedade em que vivem.
A Pedagogia de CÉLESTIN FREINET tinha como preceito a reflexão, a experimentação e o compromisso
com uma escola democrática e popular, procurando proporcionar aos filhos do povo os instrumentos
necessários à sua emancipação, através da "autogestão e educação pelo trabalho"

como atividades: produção de textos livres, imprensa escolar, correspondência interescolar, a biblioteca de
trabalho, o fichário escolar cooperativo, a horta, o uso do tear, os ateliers de artes.

Mais recentemente, a Didática volta-se para as correntes interacionistas, com base em autores como
Piaget, Vygostky, entre outros, priorizando um trabalho que possibilite ao estudante construir e interagir com
o conhecimento, participando de atividades em que seja eminentemente ativo, criando, trocando,
comparando idéias, fenômenos, fatos, conceitos, operando mentalmente

Os estudos de JEAN PIAGET preocupação na epistemologia (teoria do conhecimento) em uma perspectiva


interdisciplinar e construtivista

elaborou a Teoria Psicogenética, que procurava mostrar por quais mudanças qualitativas a criança passa,
desde o estágio inicial de uma inteligência prática até o pensamento formal.

A aprendizagem depende do estágio de desenvolvimento atingido pela criança. se modifica como resultado
da maturação biológica, das experiências, das trocas interpessoais e das transmissões culturais.

A teoria de VYGOTSKY baseou-se no vínculo histórico-cultural,em uma nova relação entre sujeito e objeto
no processo de construção do conhecimento

a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais e começa desde que a criança nasce.
O conhecimento se dá a partir da ação ativa e interativa da criança sobre a realidade.

A aprendizagem escolar deve favorecer o desenvolvimento real (possibilidades que os alunos têm para
realizarem sozinhos as tarefas) e o proximal (possibilidades que as crianças revelam quando as atividades
são mediadas por um professor ou colegas mais experientes).

1990 - pesquisas na área da Didática Crítica, em geral, voltaram-se para o interior da escola de ensino
fundamental, com o objetivo de compreender melhor o seu cotidiano e o fazer pedagógico.

R Á T I C A RE F L E X I V A - Visa ao desenvolvimento da capacidade reflexiva dos professores de


forma a pensarem a própria ação na e durante o seu desenrolar – reflexãona ação e após sua consecução –
reflexão sobre a ação.

Shön (autor) defende a existência nas ações dos profissionais competentes, de um saber de referência
sobre o ensino que ministram e da própria formação

O ensino, por esta perspectiva, era encarado como uma forma de investigação e experimentação.

A cultura é então percebida como espaço de produção cultural e de política cultural. Questões como a
diversidade cultural e a pedagogia da diferença constituíram os temas da educação e de um currículo
multicultural, debatidos nos cursos de formação de professores.

CAP3

O acesso à informação, o acesso ao conhecimento, à qualidade do ensino nas escolas são desafios
importantes que os educadores precisam enfrentar.

O novo século é também denominado por alguns autores de pós-modernidade, com as diferentes
interpretações que o termo sugere.
O professor ao mesmo tempo que se sentem ameaçados pela nova configuração, têm de lidar com a
explosão da informação, com as questões da subjetividade humana, das diferenças, da diversidade cultural,
da linguagem digital, além de outras questões cotidianas de trabalho.
Quaisquer que sejam os significados e os problemas sinalizados pela educação brasileira na atualidade,
devemos considerar as articulações e os compromissos assumidos pela Didática Crítica dos anos 80 em sua
perspectiva emancipadora

a realidade exerce grande influência na prática didática dos professores, seja em contexto “macro”, externo
(histórico, sociopolítico e cultural), seja em contexto “micro”, interno (cotidiano das escolas, relações e
trabalho).

Dessa forma, os professores devem estar preparados para discutir essas relações e outras ligadas
à aprendizagem e aos os processos internos da aquisição do conhecimento, do aperfeiçoamento e
das competências profissionais

Em qualquer função ou nível de ensino, trabalhar a consciência e a autonomia profissional e


pessoal não é tarefa fácil.

Para algumas escolas, é sempre um processo muito desgastante solicitar a participação de


determinadas pessoas, mesmo que seja em
reuniões pedagógicas ou de pais, em discussões sobre o projeto político pedagógico,ou ainda em
um projeto de aprendizagem interdisciplinar. Alguns dos professores alegam falta de tempo e de
salário.

é preciso trazer para o debate dos futuros professores, a ideia de “pertença social”, a importância
de “vestir a camisa da escola” tendo em vista a realização profissional e coletiva

É dever da educação dar conta das diferenças, seja no âmbito escolar institucional da sala de aula, seja no
âmbito mais pulverizado
das diferenças individuais.

O termo cultura é percebido como sendo um dos mais enganadores e equivocados. Daí a dificuldade em
defini-lo. No sentido antropológico, cultura aparece, no dicionário de Língua Portuguesa, como “conjunto de
experiências humanas (conhecimentos, costumes, instituições, etc.) adquiridas pelo contato social e
acumuladas pelos povos através dos tempos”

Diferenciação entre Cultura Escolar e Cultura da Escola como fundamental para aprofundar as relações
entre escola e cultura(s). Para ele, a Cultura da Escola é representada por seus ritmos e seus ritos, sua
linguagem, seu imaginário, seus modos próprios de regulação e de transgressão, e a Cultura Escolar é
entendida como conjunto de conteúdos cognitivos e simbólicos e como objeto de transmissão no contexto
escolar.

A questão cultural vem sendo apontada por educadores críticos como valiosa fonte de enriquecimento para
o processo de ensino na sala de aula e na escola, visto que a socialização e a humanização decorrentes
dessas práticas são funções educativas básicas da escola

As práticas educativas dos professores, precisam ser cada vez mais plurais, articulando a igualdade e a
diferença no trabalho escolar,
Além do intercultural, do pluralismo de vozes e ideias, dos estilos e dos sujeitos socioculturais no
enriquecimento dos debates em sala.

cada indivíduo é afetado diferentemente pelas ações e relações que se constroem nos grupos: familiar,
social e escolar. Por isso, precisamos valorizar a dimensão afetiva, física, social, ética, artística de cada
pessoa, fortalecendo sua auto-estima e, com isso, ampliando as possibilidades reais de novas expressões
culturais.

Considerando os resultados de muitas pesquisas sobre a eficiência dos professores junto a alunos oriundos
de minorias, chegou-se à conclusão de que havia a necessidade:
a) da crença dos professores em que todos os alunos podem ser bem-sucedidos e devem falar isto a eles;
b) do empenho profissional diário em torno do progresso dos alunos;
c) da criação de um ambiente na sala de aula propício para que os alunos se sintam valorizados

princípios de atuação docente que fi zeram a diferença


para o sucesso da aprendizagem:
a) os professores conhecem e respeitam a formação cultural e lingüística dos alunos e comunicam-lhes esse
respeito de uma forma pessoal;
b) o programa escolar possibilita e incentiva os alunos a desenvolverem experiências e outras maneiras de
pensar que lhes são pouco familiares;
c) as suposições, as expectativas e as formas de fazer as coisas na escola são dadas a conhecer aos
alunos na medida em que os professores explicam e modelam estas dimensões da aprendizagem escolar.

A terceira forma de apropriação do conhecimento se dá pela linguagem digital, no espaço das novas
tecnologias eletrônicas de comunicação e informação.

Green e Bigun, "cada geração de jovens 'cyborg' está associada às características de velocidade do
ecossistema digital na qual ela nasceu"

O professor atua como mediador do conhecimento, admite as possibilidades do ensino além do presencial e
escolar; do semipresencial, a distância, ou em outros espaços, o que circula é a informação.

Metáfora arbórea
Metáfora clássica de conhecimento, simbolizada pela árvore. Nesta visão temos o mito representado nas
raízes, a filosofia no tronco e as ramificações nos galhos, indicando as diferentes ciências e suas
especialidades. Há uma visão hierárquica do conhecimento a partir do percurso do fluxo por entre esses
saberes que é predefinido; os caminhos são poucos e predeterminados.
Metáfora da rede
A metáfora da rede tem sido utilizada como uma outra possibilidade de se pensar o conhecimento, formado
por múltiplos fios e nós de interconexões. É mais caótica que o modelo arbóreo e não é hierárquico, é mais
libertário

Na atualidade, o ensino conta com outro desafio que é a linguagem digital; esta vem revolucionando a
maneira de ver, de sentir e de compreender dos seres humanos, assim como redimensiona o tempo e o
espaço escolar

CAP 4
atividade

CAP5
A identidade saberes que lhes são próprios, e valores que, uma vez organizados, lhes servem de base para
entender o mundo, a vida, o homem, a educação, resultando em caminhos para trilhar

no inicio com os jesuítas, “contavam com professores de formação filosófica, teológica e didática, sendo que
os professores secundários, se especializavam na Europa e os primários contavam com o seu próprio saber

Com a expulsão dos jesuítas pelo marquês de Pombal, uma série de aulas régias , foram instaladas no
Brasil colônia. Eram aulas autônomas, isoladas não se vinculando a outras e nem a nenhuma escola.

Os professores eram improvisados e, mal preparados. Eram nomeados pelos bispos ou sob a concordância
destes.

com a chegada de D. João VI, foram criados os primeiros cursos superiores, que se restringiram a direito,
medicina, engenharia e artes, “

As escolas normais, principais responsáveis pela formação de professores, até então, foram instituídas
durante o Império. “Data de 1835 a criação da primeira escola normal

Até a década de 1930, inexistia, no Brasil, a formação de professores em nível superior”

O currículo das Escolas Normais era de base humanista, de “caráter religioso e normativo , voltado para o
domínio dos conteúdos considerados o aspecto fundamental da Educação. a prática vivenciada nessas
escolas veiculava a subserviência das mulheres em relação aos homens, inclusive no que dizia respeito ao
provimento do lar, levando a uma aceitação dos baixos salários da categoria.
O avanço científico que promove o despertar da Psicologia como ciência independente, no final do século
XIX e início do século XX, modifica as concepções de aprendizagem gerando mudança no foco do processo
ensino. O saber docente deixa de ocupar o centro do ato pedagógico, que se transfere para o estudante

Estas modificações chegam ao Brasil no ano de 1920, momento de efervescência política, em que a escola é
vista como instrumento de transformação social,

Os currículos dos cursos de Formação de Professores tinham como enfoque as técnicas de ensino. A teoria
de que o aluno aprende fazendo leva ao estudo de metodologias ativas e das propostas de educadores
como Montessori, Decroly, Cousinet entre outros

Em 1932, Anísio Teixeira propõe a criação da Escola de professores no Instituto de Educação do Rio de
Janeiro, incorporada em 1935 à Universidade do Distrito Federal. Foi a primeira experiência de formação de
professores em nível universitário;

Com o início do processo de industrialização, a população cresce nas cidades e os municípios são
chamados a criar redes de ensino primário e pré- escolar para fazer face à demanda. Multiplicam-se as
escolas normais e se fundam as faculdades de Filosofia, Ciência e Letras com cursos de Pedagogia

a legislação federal de 1939 mantém a formação do professor primário na escola normal, a do professor
secundário em nível de 3ºgrau sob forma de três anos de bacharelado mais um acréscimo de carga didática

A Lei Orgânica do Ensino Industrial criou dois ciclos para o ensino técnico industrial: o primeiro correspondia
ao antigo ginásio, denominação da época dada ao nível posterior ao primário e o segundo ciclo
correspondente ao colégio (Ensino Médio hoje). Este último com os cursos técnicos objetivando o ensino de
técnicas próprias à indústria.

Na ditadura, época de grande repressão, a Filosofia foi substituída pelos estudos de OSPB no 2º grau, e no
1º grau incluiu-se Moral e Cívica nos currículos, significando que o desenvolvimento da capacidade de
pensar estava sendo substituído pela doutrinação dos valores que permeavam a sociedade brasileira
naquele momento.

Novas Leis de Ensino foram promulgadas para orientar a organização da Educação no país, como a Lei
5.692/71 que passou a denominar as escolas normais de cursos profissionalizantes com habilitação para o
magistério

O Parecer 252/69 do Conselho Federal de Educação que "admite a possibilidade de formar em nível
superior o professor das séries iniciais do ensino básico" e ainda a Lei 5.540/68 que traça as diretrizes para
o ensino superior, entre estas, o sistema de créditos

No final de 1970, com a abertura democrática, há maior mobilização popular, com educadores progressistas
ocupando o cenário nacional e a veiculação de teorias estrangeiras, como a violência simbólica de
Bourdieu e Passeron, autores bastante lidos, cuja teoria gera uma grande crítica à educação brasileira.

SENSO COMUM Na filosofia romana, e posteriormente no pensamento moderno, pode ser entendido como
o conjunto de opiniões, ideias e concepções que, prevalecendo em um determinado contexto social, se
impõem como naturais e necessárias, não evocando geralmente reflexões ou questionamentos; consenso

Entramos na década de 1990 com um mundo que se deparava com a vitória do capitalismo sobre os outros
regimes políticos; vitória
consolidada com a desestruturação da União Soviética e a queda do muro de Berlim na década anterior

Em 1996, vimos promulgada uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei 9.394/96,
bem dentro das diretrizes do Banco Mundial que entende ser apropriado, aos países do terceiro mundo, um
modelo de ensino superior que se faça em menos tempo e menos custos do que aqueles próprios das
universidades européias

Lei 9.394/96 - Artigo 45 - A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior, públicas
ou privadas, com variados graus de abrangência ou especialização.
Decreto nº 3.276 de 6 de dezembro de 1999, assinado pelo presidente da República, em que ficou
determinado que a formação dos professores para a Educação Infantil e para as primeiras séries do Ensino
Fundamental seria feita exclusivamente nos Institutos Superiores de Educação, explicitando que não
interessava formar professores que produzissem conhecimento, que fizessem pesquisa

A indignação e perplexidade tomaram conta dos educadores que contestaram veementemente tal decreto. A
partir do Fórum Nacional em Defesa da Formação de Professores, a categoria foi se articulando contra a
medida autoritária do governo, tentando contatos com os poderes legislativo e judiciário, mandando cartas a
todas as autoridades envolvidas e participando de eventos

na 52ª Reunião da SBPC, a pressão dos educadores junto ao governo surtiu efeito, pois logo depois o
Conselho Nacional de Educação trocou, no Art. 3º do já citado Decreto, a palavra exclusivamente por
preferencialmente. Agora os professores das séries iniciais e da Educação Infantil deverão ser formados
preferencialmente nos Institutos Superiores de Educação,

Parecer nº 133/01, - determina que as Faculdades isoladas e as Escolas Superiores isoladas só poderão
formar professores de Educação Infantil e das séries Iniciais do Ensino Fundamental se criarem, no seu
interior, Institutos Superiores de Educação com um Curso Normal Superior

É importante que se ressalte que, com a criação dos Institutos Superiores de Educação , foi a primeira vez
que os cursos de licenciatura foram vistos de forma separada do bacharelado.

Do Império (1835) até o final da Primeira República (1930), o currículo das escolas normais era de base
humanista e voltado para o domínio de conteúdos. Inexistiamcursos superiores de formação de professores.

De 1930 até o início da década de 1960, o currículo dos cursos de formação de professores tinha como
enfoque principal as técnicas de ensino. Valorizava a metodologia ativa baseada em autores como
Montessori, Decroly, entre outros.

Os professores continuavam a ser formados como profissionais que deveriam conhecer o fazer pedagógico
da escola, sem discutir as questões sociais. Nesta década,1939, a Universidade do Brasil, criada em 1937,
passa a ser chamada de Faculdade Nacional de Filosofia, agrupando os cursos de Filosofia, Letras,
Ciências, Pedagogia e Didática.

É a primeira vez que se pensa em formar professores, em nível superior, para lecionar nos cursos
Fundamental e Médio, incluindo o Normal.

Em 1964, com o esgotamento do modelo econômico “Substituição de Importações”, o Brasil passa a ser um
país industrializado, fazendo uso da tecnologia em toda a sociedade, inclusive na educação.

A década de 1980 é caracterizada pelo papel que os educadores progressistas desempenham no cenário
nacional. Os cursos de formação de professores foram fortemente influenciados pela sociologia, chegando-
se a extremismos como o aspecto didático-pedagógico sendo colocado em segundo plano, dando vez ao
exercício da crítica ao social.

De 1990 até os dias de hoje, os cursos de formação passam por grandes questionamentos, havendo,
conforme a nova lei de ensino, a exigência para que todos os professores sejam formados em nível superior.
Surgem os Institutos Superiores de Educação com os Cursos Normais Superiores.

A consciência crítica adquirida pelos professores, a partir da década de 1980, não se perdeu e doravante
temos que apostar na capacidade crítica e inventiva das novas gerações de professores.

CAP 6
Didática como disciplina que trata da teoria geral do ensino, ao se preocupar com a orientação didática do
professor em relação ao processo ensino-aprendizagem, não desconsidera o seu preparo técnico, político,
muito menos o humano e cultural.

Se se quer levar os professores a compreenderem e dominarem as regras que organizam os processos de


formação, como aqui se sugere, é preciso que esse processo passe pelo conhecimento ou pela consciência
das suas próprias experiências da vida escolar e as formas pelas quais eles próprios foram iniciados nas
suas relações com o conhecimento, a aprendizagem ou a leitura
Maurice Halbwachs, discípulo de Émile Durkheim, demonstrou, além de outras coisas, a importância da
relação entre o trabalho da memória e a constituição de identidades.

Na educação, as autobiografias, as histórias de vida passaram a ser adotadas, não apenas como um
instrumento de investigação, mas também, como de formação

para LINS a memória, é, por um lado, fugitiva, feita de fragmentos dispersos e, por vezes, sem nexos,
estando submissa aos caprichos da reminiscência, elaborada pelo jogo da lembrança e do esquecimento;
por outro, é também considerada: “uma espécie de antecâmara da alteridade onde cada um constrói sua
própria história e se confronta com a história dos outros membros da família, amigos, amantes, inimigos,

Bourdieu (2000), é pela memória que se instauram as continuidades e as rupturas nos vínculos, sejam
familiares, amorosos ou sociais, nas formas de transmissão e nos conteúdos da “distinção” e da “herança”.

A memória informal na escola pode ser percebida através das músicas, das linguagens, rituais, relações,
festividades, hábitos e mitos, histórias compartilhadas através de interações entre professores, alunos e
demais partícipes.

A memória educativa é específica da escola e se constrói pelo conteúdo curricular das diferentes disciplinas
das áreas do conhecimento, das técnicas, hábitos, atitudes, habilidades, ritos pedagógicos, num grande
acervo valorizado tanto pelo sistema educacional como pela sociedade.

A memória na sociedade digital se propõe mudar a escola, transformando-a em um espaço aberto,


cooperativo, de intercâmbio de informações, e de conhecimentos, com diferentes pessoas e instituições no
mundo todo.

o professor enquanto agente de memória informal,educativa e na sociedade digital, é capaz de realizar


interações e intercâmbios entre linguagens, espaços, tempos e conhecimentos (pontes sociais, temporais,
tecnológicas) diferenciados”.

Como agente de memória social informal, o professor propicia espaços para interações espontâneas entre
alunos, estimula um clima na sala de aula favorável a troca de ideias e comportamentos, cria momentos
para música, histórias, onde se possa fortalecer atitudes positivas, hábitos saudáveis e valores
compartilhados.

O professor, como agente de memória na sociedade digital e que trabalha em sala de aula ou em formas
não presenciais, possibilita, via redes, atividades interativas com outras realidades e grupos sociais,
dinamizando sua ação didática através de ações orientadas de busca , pesquisa , ordenação, organização,
refl exão e crítica dos dados, transformando-os em acervo informativo.

A evolução dos estudos na área da Didática possibilitou que fosse incluído no seu programa o tema
“Memória Docente”, como resgate do sentido e significado do trabalho e da profissão de professor. O
objetivo é verificar como os professores usam sua experiência passada nos casos presentes e futuros.

As histórias de vida, as autobiografias, os memoriais, as representações, os relatos sobre a formação e as


experiências profissionais dos docentes são alguns dos estudos, invocados, de modo geral, pela memória.

O professor é um agente de memória. Como agente de memória social informal, o professor cria espaço
para trocas, para músicas, histórias entre outros.

A temática da memória, além de contribuir com a reflexão e construção das identidades profissionais dos
professores, integra experiências e trajetórias aos desejos, preferências e às possibilidades de ações
transformadoras dos docentes.

CAP 7

A formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através
de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade
pessoal. Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência
Os problemas da prática social não podem ser reduzidos a problemas meramente instrumentais, em que a
tarefa profissional se resume a uma acertada escolha e aplicação de meios e procedimentos.

De um modo geral, na prática não existem problemas, mas sim situações problemáticas, que se apresentam
frequentemente como casos únicos que não se enquadram nas categorias genéricas, identificadas pela
técnica e pela teoria existentes. Por essa razão, o profissional prático não pode tratar estas situações como
se fossem meros problemas instrumentais, susceptíveis de resolução através da aplicação de regras
armazenadas no seu próprio conhecimento científico-técnico

Na visão tradicional da prática educativa, o conhecimento profissional dos professores é acumulado,


saturado de senso comum, impregnado de vícios e de “achismos” induzidos e formados pelas pressões da
cultura e ideologia dominantes.

A atitude de responsabilidade docente implica que cada um reflita sobre, pelo menos, três tipos de
consequências do seu ensino: "consequências pessoais – os efeitos do seu ensino nos autoconceitos dos
alunos; consequências acadêmicas – os efeitos do seu ensino no desenvolvimento intelectual dos alunos;
consequências sociais e políticas – os efeitos do seu ensino na vida dos alunos.

“será preciso rever a visão de que a prática dos professores não é somente um espaço de aplicação de
saberes provenientes da teoria, mas também um espaço de produção de saberes específicos oriundos
dessa mesma prática”

a universidade deve desenvolver em seus cursos e disciplinas dispositivos específicos, tais como: análise de
práticas, estudos de caso, técnicas de auto-observação e de esclarecimento, treinamento para o trabalho
sobre o próprio habitus e sobre seu inconsciente profissional.

“ensino como atividade prática”, onde se deve “aprender mediante a ação”. Não é um conjunto de passos ou
procedimentos específicos utilizados pelos professores, ao contrário, é uma maneira de encarar e responder
aos problemas, uma forma de ser professor e, para isso, estão implicadas sua intuição, emoção e paixão.

Dewey- três atitudes necessárias para ação reflexiva: Abertura de espírito (ouvir), Responsabilidade
(ponderação das consequências), Empenhamento (enfrentar a atividade)

SHON – buscou uma nova epistemologia para a prática profissional, a reflexão acontece antes e depois da
ação e em certas medidas durante, assim propõe 3 conceitos:

a. Conhecimento na ação - É o componente inteligente do saber-fazer competente que os profissionais


demonstram na execução da ação. É fruto da experiência e da reflexão passada. Trata-se de um saber
tácito, não sistematizado como o saber escolar, que se manifesta na espontaneidade de uma ação bem
desenvolvida

b. Reflexão na ou durante a ação É um processo de investigação e de aprendizagem significativa para o


professor, pela via do diálogo simultâneo com a situação problematizada. Esse saber é limitado no espaço e
no tempo, assim como pelas necessidades psicológicas e sociais do contexto em que se atua. A reflexão na
ou durante a ação pode ser alcançada quando o professor, ao intervir numa situação, adquire novos
conhecimentos, a partir do diálogo e da intervenção diante de um fato ou situação que demande uma
resposta criativa e inovadora para a situação-problema apresentada.

c. Reflexão sobre a ação e sobre a reflexão na ação possibilita ao professor, no decurso da própria ação
e sem interrompê-la, uma avaliação da situação, distanciando-se de forma breve para analisá-la e buscando,
a sua reformulação. É uma reconstrução mental da ação para observá-la retrospectivamente.

O processo de reflexão na ação pode ser desenvolvido em quatro momentos combinados, numa prática de
ensino
1 - um professor reflexivo permite ser surpreendido pelo que o aluno faz;
2 - reflete sobre esse fato e, simultaneamente, procura compreender a razão por que foi surpreendido;
3 - reformula o problema, tendo em vista a situação apresentada;
4 - efetua uma experiência para testar a sua nova hipótese em relação à aprendizagem do aluno; por
exemplo, coloca uma nova questão, ou estabelece uma nova tarefa para testar a hipótese que formulou
sobre o modo de pensar do aluno
Um professor reflexivo busca compreender as representações dos alunos, isto é, o que estabelecem a partir
das suas experiências cotidianas em relação ao saber formal escola

Um professor reflexivo deve não só encorajar e reconhecer essa etapa por que passam os alunos no
processo ensino-aprendizagem, como dar valor à sua própria confusão, isto é, o professor deve prestar
atenção aos caminhos que os alunos constroem para então reconhecer o ponto que necessita de
explicação.

Os professores devem buscar construir na escola espaços com maior integração dos seus partícipes, em
que seja possível ouvir seus alunos e refletir na ação sobre o que estes estão aprendendo

Zeichner - investiga a questão do professor reflexivo proposta por Shön, porém afirma que os professores
devem estar atentos às investigações feitas por terceiros e propõe que estes atuem como “consumidores
críticos capazes de participar na sua criação”.

O autor aponta importantes perspectivas decorrentes de seus estudos sobre diferentes tradições da prática
reflexiva:
• a atenção do professor é tanto dirigida para o interior, para a sua própria prática, como para o exterior, para
as condições sociais nas quais se situa essa prática;
• existe na reflexão uma tendência democrática, emancipadora e uma importância dada às decisões do
professor quanto as questões que levam a situações de desigualdade e injustiça dentro da sala de aula;
• o compromisso da reflexão enquanto prática social.

Grimmett - apresenta três orientações conceituais sobre a prática reflexiva de Shön :


a reflexão como instrumento de mediação da ação, na qual se usa o conhecimento para orientar a prática;
a reflexão como modo de Optar conscientemente entre visões do ensino em conflito, na qual se usa o
conhecimento na informação da prática; a reflexão como Uma experiência de reconstrução, na qual se
usa o conhecimento como forma de auxiliar os professores a aprender a transformar a prática

Perrenoud - admite que a prática reflexiva deve estar aliada à participação crítica e à profissionalização
docente. Para ele, estas são orientações prioritárias para a formação de professores, pois “vão além do
‘saber fazer’ profissional de base, mas supõem sua aquisição prévia”, isto é, exigem “competências”.

O autor afirma que determinados professores, por terem desenvolvidas frágeis competências disciplinares,
didáticas e transversais, arriscam-se a perder o domínio de sua aula, numa tentativa de ensaio e erro
atuando com práticas defensivas

é incisivo ao afirmar que esse paradigma “profissionalização, prática reflexiva e participação crítica não
corresponde nem à identidade ou ao ideal da maioria dos professores em função, nem ao projeto ou à
vocação da maioria daqueles que se dirigem para o ensino”

Ancora a prática reflexiva sobre uma base de '‘dez competências profissionais’'


1. Organizar e animar situações de aprendizagem;
2. Gerir o progresso das aprendizagens;
3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;
4. Envolver os alunos nas suas aprendizagens e no seu trabalho;
5. Trabalhar em equipe;
6. Participar da gestão da escola;
7. Informar e envolver os pais;
8. Servir-se de novas tecnologias;
9. Enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão;
10. Gerir sua própria formação contínua

prática reflexiva só deve incorporar-se ao habitus profissional caso esteja “no centro do plano de formação e
se estiver integrada a todas as competências profissionais visadas, tornando-se o motor da articulação
teoria-prática”

Carvalho e Perez apontam três áreas de saberes para o desenvolvimento de uma sólida formação teórica :
a) Os saberes conceituais e metodológicos da área que o professor atuará
b) Saberes integradores - oriundos das pesquisas realizadas na área de ensino do conteúdo.
c) Saberes pedagógicos - estão relacionados ao ensino dos conteúdos escolares provenientes dos
campos da Didática Geral e da Psicologia da Aprendizagem

a profissão de professor se caracteriza pelas ações práticas que realiza e pelo domínio de suas regras e
saberes.

Na educação, porém, estas regras não podem ser fixas, havendo a necessidade de um permanente
processo de reflexão dos professores diante de suas ações.

A atuação docente está ligada a uma variedade de funções que os professores desempenham em sala de
aula e no ambiente escolar e que vão desde o atendimento individual a cada aluno, preparação das aulas,
realização de avaliações, organização do tempo escolar, elaboração de trabalhos com outros colegas até o
relacionamento no espaço da sala de aula, diálogo com os pais, etc

a profissão de professor sofre fortes influências de variáveis, como: contextos históricos, políticos,
econômicos, sociais, culturais e que interferem na sua atuação, colaborando ou não para o sucesso do
trabalho. Portanto, os professores, ao longo de sua trajetória profissional, acumulam saberes e estão,
continuamente, a criar outros no seu cotidiano.

CAP 8
avaliação

CAP 9
A formação continuada inclui todas as atividades desenvolvidas pelos professores em exercício, após a
formação inicial. Segundo Candau, esta formação é feita numa perspectiva clássica ou numa perspectiva
atual.

Na perspectiva clássica, estão as iniciativas de instituições e órgãos governamentais que enfatizam a qualifi
cação, reciclagem e especialização, como “voltar e atualizar a formação recebida

A maneira informal consiste nos saberes adquiridos por contato e interações sociais, principalmente no
âmbito profissional. Nessa dinâmica, o professor aprende na troca com os colegas e na observação do
trabalho realizado por eles. São os saberes. Adquiridos por contacto, por imitação, na companhia de um
colega ou de um mestre. Solicitando conselhos e truques, observando-os a trabalhar e imitando-os

Na perspectiva clássica, há vários modos de se efetivar a formação continuada: a universidade oferecendo


cursos de atualização; as próprias Secretarias de Educação, de Ciência e Tecnologia tomando a iniciativa

A escolha da escola como local adequado para a formação continuada dos professores valoriza o saber
docente, possibilita a socialização desse saber, assim como propicia que este seja construído em bases
científicas, por meio de pesquisa.

Professor não é um mero aplicador de técnicas, mas um "ser pensante" capaz de recriá-las e criar
procedimentos que sejam adequados à turma que leciona, assim como tem que enfrentar situações cujas
soluções não estão nas teorias estudadas.

A formação continuada na perspectiva clássica é a mais comum, por questões históricas. Acostumamo-nos a
buscar aperfeiçoamento através de novos cursos, novos conhecimentos e acabamos por esquecer que,
através do debate, da análise crítica, da troca, construímos novos saberes.

A educação continuada pode ser feita numa perspectiva clássica ou atual, de maneira formal ou informal.

Na perspectiva clássica, as iniciativas partem de órgãos governamentais, como Secretarias de Educação,


universidades e outras instituições, que propõem de maneira formal a atualização dos docentes,

Mas esta perspectiva pode acontecer, também, informalmente, ou seja, através de trocas eventuais entre
colegas, observações e imitações.

Uma das críticas a perspectiva clássica é o fato de um determinado grupo, desvinculado dos interesses e
realidade dos professores das bases, pensar tal atualização. a um grupo cabe teorizar e produzir
conhecimentos enquanto a outros, somente, os aplicar na prática.
A perspectiva atual, que pode ocorrer, também, de maneira formal ou informal, se dá no interior da escola.

CAP 10

A preparação do educador é permanente e não se confunde com a aquisição de um tesouro de


conhecimentos que seus discípulos. É um fato humano
que se produz pelo encontro de consciências livres, dos educadores entre si e os destes c m os educandos

O professor deverá estar constantemente levantando questões, pesquisando, fazendo perguntas, pois,
assim, contribuirá para o avanço do conhecimento.

Não são tantos os negligentes, mas, principalmente os autossuficientes que estacionam no caminho de sua
formação profissional. Julgar que sabem todo o necessário, considerar que seu papel na educação
elementar nada mais exige deles, é uma noção que paralisa a consciência do educador e o torna inapto
para progredir

o progresso não consiste na aquisição de novos dados de saber, mas muito mais na aquisição de sua
realidade como servidor social, de seu papel como interlocutor necessário no diálogo educacional.

Freire - Uma qualidade indispensável a um bom professor é ter a capacidade de começar sempre, de fazer,
de reconstruir, de não se entregar, de recusar burocratizar-se mentalmente, de entender e viver a vida como
processo. O professor tem o dever de reviver, de renascer a cada momento da sua prática docente

CAP 11

a afetividade é o motor propulsor do ato educativo, visto que implica atenção, sensibilidade, acolhimento,
cordialidade e estes são valores fundamentais e de base para formar cidadãos felizes, seres humanos mais
indulgentes e uma sociedade mais justa

O diálogo é um ponto fundamental na relação professor-aluno, como preconizava Paulo Freire. É por meio
do diálogo amoroso que há uma verdadeira troca entre os atores do ato de aprender.

a cumplicidade entre professor e alunos, que trocam de lugar em algumas circunstâncias e que têm
objetivos muito bem definidos, gera um interesse real de ambas as partes, levando ao respeito mútuo e à
autodisciplina.

Freire - Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender


segundo Libâneo, a escola apresenta uma prática tradicional em que os conteúdos são trabalhados a partir
da ótica do professor, e não do aluno, de maneira desvinculada da realidade, dificultando sua construção
pelo estudante e gerando desinteresse
Cabe ao professor conduzir os trabalhos na sala de aula. É ele que está investido de autoridade por seus
conhecimentos intelectuais, morais e técnicos. não estamos querendo dizer que é o professor o único
responsável pelos problemas enfrentados hoje na escola, tais como a falta de respeito à autoridade do
mestre e demais profissionais ou a violência nas dependências da escola
Diante das questões de violência e de outras, como a desvalorização da profissão, os baixos salários,
condições de trabalho precárias, alguns professores se sentem estressados, apáticos e são levados a uma
desistência simbólica (Síndrome de Bournout).

A síndrome se caracteriza, principalmente pela exaustão emocional, o baixo comprometimento com o


trabalho e a despersonalização, ou seja, o professor deixa de considerar o aluno como sujeito.

Há outras situações, em que crianças e jovens com sérios comprometimentos psicológicos exercem uma
liderança negativa sobre os colegas provocando situações de violência. Nesses casos, é preciso recorrer à
ajuda de profissionais especializados na área, porque tais situações fogem à competência dos educadores

A consciência de que é uma autoridade deve ser clara para o professor, para que faça jus a essa
competência profissional, tendo domínio pleno do conteúdo a ensinar e de como ensinar; respeitando e
fazendo-se respeitar; conseguindo exercer a sua autoridade sem ser autoritário e sem licenciosidade
As relações entre professor e aluno e entre os próprios alunos, na sala de aula, são sempre envolvidas por
sentimentos, sendo que a afetividade constitui o motor propulsor do ato educativo.

O sentimento dos alunos pelo professor refletirá sempre a forma como são tratados; responderão com
respeito e amor à estima e ao respeito do mestre por eles.

O diálogo é o ponto fundamental na relação professor-aluno. Ambos ganham muito com a troca advinda do
diálogo amoroso, o que facilita todo o processo ensino -aprendizagem.

O professor exerce a sua autoridade trabalhando com a competência que lhe é devida, tanto no que diz
respeito ao domínio dos conteúdos quanto ao domínio dos procedimentos de ensino, como também
respeitando e fazendo-se respeitar, sabendo dosar um ambiente democrático sem cair no espontaneísmo.

CAP 12

cultura - "o legado social que o indivíduo adquire do seu grupo", "uma forma de pensar, sentir e acreditar",
"um conjunto de orientações padronizadas para os problemas recorrentes", "um conjunto de técnicas para
se ajustar tanto ao ambiente externo como em relação aos outros homens"

A cultura constitui-se em: “um núcleo radical da identidade dos diferentes grupos sociais e povos e não pode
ser ignorada nem reprimida sem que consequências, algumas vezes de ampla repercussão, se manifestem,
a curto e ou a longo prazo, de modo imprevisível e, muitas vezes, dramático

A formação de uma cultura nacional contribuiu para criar padrões de alfabetização universais, generalizou
uma única língua vernacular como o meio dominante de comunicação em toda a nação, criou uma cultura
homogênea e manteve instituições culturais nacionais, como, por exemplo, um sistema educacional
nacional. Dessa e de outras formas, a cultura nacional se tornou uma característica chave de
industrialização e um dispositivo da modernidade

A educação tem servido à sociedade, ao mesmo tempo e de uma forma geral, para a formação de uma
cultura nacional, seja pela criação de um sistema educacional nacional, seja para atender às diferenças
culturais.

Existe entre educação e cultura uma relação íntima, orgânica, visto que a educação, no seu sentido amplo,
pretende a formação e socialização do indivíduo e esta é sempre feita de alguém para alguém, supondo
para isso a comunicação, a transmissão, a aquisição de conhecimentos, informações, hábitos, valores,
crença

a cultura precisa do trabalho da educação para ser transmitida e perpetuar-se. Por isso, educação, cultura,
apesar de usos diversificados, possuem características complementares

O multiculturalismo e o interculturalismo são termos que têm sido, muitas vezes, utilizados como sinônimos
em muitos países. O primeiro tem sido mais aplicado na
bibliografia de língua inglesa e o segundo, pelos pesquisadores da Europa.

Sedano - o interculturalismo como a inter-relação entre diferentes culturas em uma mesma sociedade. Já o
multiculturalismo e pluriculturalismo são entendidos por muitos autores como a existência de diferentes
culturas em uma mesma sociedade.

Ensinar é querer fazer alguém ascender a um grau ou a uma forma de desenvolvimento intelectual e pessoal
que se considera desejável, como declara Forquin

As diferentes tendências pedagógicas que permearam a educação brasileira até a década de 1980 sempre
tomaram como referência a cultura dominante. Nas tendências progressistas, a forma de trabalhar, em sala
de aula, a cultura dominante tem dividido os educadores críticos: uns defendem o trabalho com o
conhecimento do universal para o particular e outros do conhecimento particular para o universal.

Tática é: "…um cálculo que não pode contar com um próprio, nem, portanto, com uma fronteira que
distingue o outro como totalidade visível". Tem constantemente que "...jogar com os acontecimentos para os
transformar em 'ocasiões'… de modo mais geral, uma grande parte as '‘maneiras de azer': vitória do '‘fraco’'
sobre o mais '‘forte’'"
Nas escolas, as práticas e jogos também podem acontecer, caso o contato estabelecido entre as múltiplas
identidades microculturais de estudantes e professores, que lá convivem, não forem respeitadas em suas
variâncias culturais específicas, de gênero, raça, classe social, língua e religião.

em nosso país a pluralidade de culturas é fruto de um longo processo histórico de integração entre aspectos
políticos, econômicos e sociais. Porém, percebemos que estas questões já começaram a ser enfrentadas
em alguns estados, antes mesmo dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs

as escolas ainda têm sido percebidas como um espaço de normalização de padrões culturais curriculares,
ao contrário de visões mais plurais e diversificadas, mesmo se falando na autonomia de um projeto político-
pedagógico, conforme propõe a Lei 9.394/96.

Uma educação multicultural deve ser um imperativo de nossas escolas, não só em relação aos grupos
discriminados, como também aos grupos dominantes, de forma a reconhecer a pluralidade étnico-cultural
como enriquecimento para a sociedade como um todo, destituindo assim de preconceitos as novas
gerações, conforme defende Canen

O que já se sabe é o impacto que essa dificuldade docente acarreta para os discentes em termos de
desinteresse escolar, evasão e repetência. Para alguns professores, essa dificuldade pode estar relacionada
a uma organização curricular desvinculada das grandes temáticas atuais e, em níveis mais específicos, na
seleção dos conteúdos desses programas pelas disciplinas.

é preciso que o professor compreenda que a sua aprendizagem é fortemente influenciada pela sociedade. À
vista disso, é preciso ampliar, cada vez mais, a sua visão sobre esta sociedade, para entender os seus
determinantes diante da questão cultural e, a partir disso, repensar suas atitudes e práticas.

a questão multicultural na educação é um grande desafio para as próximas décadas, visto que esta questão
acolhe signifi cações que admitem objetivos diversos, fundamentos ideológicos específicos, cujos limites
nem sempre são claros e transparentes, não podendo também dissociar a questão das condições sociais e
econômicas concretas de cada sociedade.

ao relembrar os fundamentos da Didática Fundamental, afirma que um dos seus componentes básicos é o
caráter multidimensional do processo ensino aprendizagem e, nesta perspectiva, acredita que hoje se faz
cada vez mais necessário a incorporação da dimensão cultural na prática pedagógica.

o sucesso pedagógico, numa visão multicultural, implica a capacidade dos professores abrirem-se a esta
questão, numa perspectiva sócio-histórica, e da escola em estimular esse trabalho, reconhecendo e
respeitando a identidade cultural dos seus alunos.

No final do século passado e neste início do novo século, as questões culturais, principalmente a questão da
diversidade, vêm desafiando a educação no mundo todo. Essas preocupações vão desde as reformulações
dos sistemas de ensino, propostas de reorganizações curriculares até mesmo a revisão de cursos de
formação de professores.

É preciso sensibilizá-los e orientá-los para uma educação multicultural, capaz de dar conta de atender à
diversidade de sua clientela nas suas variâncias culturais de gênero, raça, credo, sexualidade, dentre outras.

CAP 13
atividade

CAP 14
Nas nossas primeiras aulas, tratamos do que é educação e ensino.
o ensino é uma forma de se educar, uma maneira sistemática de se possibilitar que a aprendizagem ocorra.
É uma ação deliberada, planejada, organizada, tendo em vista algumas aprendizagens, alguns objetivos.

são os objetivos que vão direcionar todo o processo de ensino e de aprendizagem. Quando se está
planejando, a primeira pergunta que se faz é: aonde se pretende chegar? Ou seja, quais são os objetivos a
alcançar?
Castanho , os objetivos são mudanças esperadas como consequência da ação educacional nas pessoas e
grupos sociais, nas instituições dedicadas ao ensino e nas organizações de âmbito mais largo responsáveis
por políticas educacionais(...) dizem respeito ao produto final

Não podemos pensar em educação sem entendê-la no contexto das relações sociais de que se origina. Com
o avanço das sociedades e suas consequências, como a necessidade de organização, devido ao seu
crescimento, a divisão de trabalho culminou numa sociedade complexa, como a que vivemos, a capitalista.
Neste sentido, a educação se viu obrigada a se organizar em termos de atividades de planejamento, o que
indica traçar objetivos e os meios para atingi-los.

Uma educação que esteja voltada para a formação de indivíduos críticos, conscientes da importância de sua
participação na sociedade como cidadãos, com seus direitos e deveres, desejando uma boa qualidade de
vida para todos os brasileiros. Uma educação que pretenda formar cidadãos, no verdadeiro sentido da
palavra, para participarem de uma sociedade democrática, não pode tomar, como referência, objetivos
simplesmente operacionalizados, pois estes limitam a capacidade de pensar, de criar, de “voar.”
Os objetivos são traçados em diferentes níveis.

Os amplos são chamados gerais. São aqueles que vão ser alcançados a longo prazo, como ao final do
Ensino Fundamental ou ao final de uma série, ou, ainda, ao final de uma disciplina. Os objetivos específicos
são para o curto prazo e, também, são chamados imediatos. Para alcançar os objetivos gerais, são
traçados vários objetivos específicos.

Os objetivos gerais e específicos podem ser gerais em uma situação e específicos em outra. Exemplos:
• Interpretar textos de autores nacionais. → objetivo geral
• Identificar a ideia central de um texto. → objetivo específico
• Assumir uma atitude crítica diante do que lê poderá ser específico em relação a
• Desenvolver o gosto pela leitura.
• Compreender as diferentes tendências da prática docente. → objetivo geral
• Caracterizar a tendência tradicional de educação. → objetivo específico

Outra classificação é a de Bloom e seus colaboradores que dividem os objetivos por domínios: domínio
cognitivo – ligados a conhecimentos, possibilitando desenvolver habilidades de pensamento, como a
memorização, a compreensão, a aplicação e outras mais complexas; afetivos – relacionados a sentimentos,
possibilitando desenvolver habilidades de sentir, de ouvir o outro, de respeitar opiniões... e os psicomotores
– enfatizam a coordenação motora, possibilitando desenvolver nos alunos habilidades de correr, saltar,
nadar…

sobre objetivos de ensino, poderíamos dizer que são as ações, os comportamentos que esperamos do aluno
em relação aos conteúdos de ensino. Os objetivos nos mostram quais os domínios do conhecimento e
outros, de ordem prática ou de sentimentos que estaremos desenvolvendo nos alunos. Possibilitam ao
professor saber o que é que ele estava proporcionando ao aluno com os conteúdos trabalhados.

Quando o professor não tem claro os seus objetivos, muitas vezes detém-se em aspectos do conteúdo que
só proporcionam a memorização, sem desenvolver outras operações que envolvam raciocínios mais
complexos nos alunos.

Na formulação de objetivos, seja num plano, em projetos e trabalhos, encontramos professores que
preferem recorrer a critérios operacionalizados:
• verbos com múltiplas interpretações, mais amplos, tipo: compreender, saber, conscientizar,
gostar, entender, valorizar (para formular objetivos gerais),
• verbos de ação de maior especificidade: desenhar, escrever, definir, citar, identificar, apontar,
comparar, analisar (para formular objetivos específicos).
Essa opção é válida, mas não é uma "camisa de força". Deve ficar a cargo de cada um. Na atualidade não é
uma exigência, porém sabemos que permite maior clareza na hora da formulação e da avaliação.

Na formulação de objetivos mais específicos, destacamos a proposta de Gandin e Cruz. que inclui o binômio
ação-finalidade, no que considera importante verificar:
1. O QUE SE VAI FAZER é a indicação da ação que será realizada.
2. PARA QUE FAZÊ-LO é a indicação do resultado que se pretende alcançar, sempre uma finalidade
retirada da disciplina,

a primeira parte desta formulação deva ser proposta utilizando-se do verbo no infinitivo, indicando uma
ação. Essa ação deve ser limitada, muito precisamente expressa, e perfeitamente exequível para o tempo
previsto (O QUÊ). Em seguida, para que vire um verdadeiro objetivo, deve incluir a finalidade, a razão, o
sentido daquilo que se faz, no que o autor denomina de PARA QUÊ da ação indicada.

os objetivos específicos, bem elaborados, têm as seguintes funções:


• facilitam a definição de conhecimentos, as habilidades e os valores que vai constituir os conteúdos
• norteiam a seleção de procedimentos de ensino a serem utilizados e as consequentes atividades ;
• facilitam o estabelecimento de critérios e orientam a construção de instrumentos de avaliação;
• possibilitam aos alunos perceberem o desenvolvimento de sua aprendizagem;
• especificam o nível de alcance do objetivo geral.

o professor traça seus objetivos, ele dever tomar cuidado para não colocar o que ele, professor, vai fazer. Os
objetivos são os resultados esperados dos alunos, ao final do processo de aprendizagem. Exemplo:
Fazer uma demonstração da técnica X na presentação da aula. → É uma atividade do professor,
Ao final da demonstração, o aluno deverá identificar os passos da técnica X. → é um objetivo de ensino

A cada objetivo específico devem ser envolvidas operações mentais mais complexas em relação ao
conteúdo, como análise, síntese, avaliação. Esses domínios devem fazer relação com o que o professor
acredita ser importante que os alunos alcancem em relação a um conhecimento.

Objetivos de ensino são as ações que o educador está esperando dos alunos ao final das experiências
de aprendizagem.

Os objetivos podem ser traçados em dois níveis: os objetivos gerais, alcançáveis a longo prazo e os
específicos a curto prazo. E podem, ainda, enfatizar aspectos afetivos, psicomotores ou cognitivos.

A questão de níveis é relativa, porque os objetivos podem ser gerais em uma situação e específicos
em outra.

Os objetivos têm como foco o comportamento do aluno e não o do professor.

CAP 15
A sociedade, de um modo geral, elege a escola, como espaço de ensino sistematizado, para preparar
homens e as novas gerações, no que se refere ao domínio de conhecimentos, hábitos, valores e
habilidades necessários à sua sobrevivência.

Não podemos falar em aprendizagem sem falar em conteúdo, ou seja, quem aprende aprende alguma
coisa. A aprendizagem só se dá a partir de um determinado conteúdo, de determinado conhecimento.
Mas esta ideia está certa, apenas, em parte

Conteúdos de aprendizagens não são somente os conhecimentos que fazem parte do corpo de
disciplinas ou de áreas do conhecimento, mas, também, hábitos, habilidades, atitudes, valores que
fazem parte das experiências de aprendizagem possibilitadas aos alunos

Conteúdo é “tudo aquilo que é passível de integrar um programa educativo com vistas à formação das
novas gerações etc.”

Libâneo “os conteúdos de ensino se compõem de três elementos: conhecimentos sistematizados;


habilidades e hábitos; atitudes e convicções”

Amorim e Gomes categorizam os conteúdos em: “conceituais; procedimentais e atitudinais”

Os conteúdos conceituais são aqueles referentes a conceitos, fatos, fenômenos, princípios, teorias
das ciências para explicar o cotidiano.

Os conteúdos procedimentais são os que se relacionam às habilidades que serão desenvolvidas nos
alunos e que funcionarão como instrumentos necessários ao processo de construção de conhecimentos.
Os conteúdos atitudinais envolvem, a nosso ver, os hábitos, as atitudes e convicções. Estão ligados
à formação de valores que orientarão a conduta dos alunos, “a tomada de posição frente a tarefas da
vida social”

o conteúdo de ensino, entendido também como conhecimento, saber, é subdividido em: empírico,
científico, filosófico e teológico.
O conhecimento empírico é o senso comum, é o conhecimento do povo.
O conhecimento científico é aquele que se sustenta na experimentação e na demonstração.
o conhecimento teológico é aquela relativo a Deus, aceito pela fé e não por meio da inteligência
humana.

Os conhecimentos elaborados como o científico e filosófico sofrem tratamento didático para serem
trabalhados na escola.

a Lei 9.394/96, Artigos 26 e 27 e respectivos parágrafos, que dão as diretrizes dos currículos
do Ensino Fundamental e Médio, no tocante à base comum e à parte diversificada, sendo que
as recomendações relativas a esta última apontam para o respeito às características regionais
e locais, à faixa etária dos estudantes e às condições da população escolar.

Os parâmetros curriculares, que funcionam como guia, traçam, em linhas gerais, “os fins e os
conteúdos da ação educativa para um determinado grau de ensino, definindo os conceitos básicos
e as habilidades fundamentais a serem desenvolvidos. O guia curricular oficial é, em geral,
elaborado ao nível de sistema oficial de ensino”

Um saber ou conhecimento não é considerado legítimo quando é arbitrário, porque é propriedade de grupos
distintos, que os selecionou ou produziu a partir das necessidades desses grupos. Logo, a validade universal
desse saber é negada

É importante lembrar o quanto é fundamental que os professores tenham um tempo inicial de contato com a
turma antes de partir para organização dos seus planos, de forma a fazer uma sondagem com os alunos
para ver se os conteúdos conceituais indispensáveis na série e nas áreas do conhecimento foram
dominados por eles, para, só então, organizar os seus planejamentos de ensino, num plano de curso ou
outros, com os conteúdos programáticos adequados à realidade.

No eixo vertical, os conteúdos devem seguir uma seqüência e continuidade nos anos subseqüentes.
A continuidade se refere à permanência de um mesmo tópico de um conteúdo nos diferentes anos. E a
seqüência significa trabalhar um mesmo tópico de conteúdo nos anos subsequentes, de forma cada vez
mais ampliada e aprofundada.

No eixo horizontal, a relação estabelecida é aquela que é feita em um mesmo ano, mas em áreas ou
disciplinas diferentes, por exemplo: entre Matemática e Ciências Biológicas.

A relação horizontal entre os diferentes componentes curriculares, ou seja, entre os conteúdos das diversas
disciplinas traz, inegavelmente, várias vantagens aos alunos, pois os possibilita: “a) estudar os conteúdos
culturais mais relevantes; b) alcançar maior visibilidade de valores, ideologias e interesses em todas as
questões sociais e culturais; c) adaptar-se aos atuais processos de trabalho e à crescente mobilidade de
empregos; d) analisar problemas e buscar soluções”

Alguns autores defendem uma organização curricular por temas ou por projetos, aglutinando conteúdos de
diferentes disciplinas. Mas essa forma de organização curricular também é alvo de muitas críticas, a
começar pelo fato de se ter poucas experiências práticas com essa maneira de estruturação curricular e de
os professores não se sentirem seguros para as desenvolverem

Conteúdos de ensino estão diretamente ligados às situações de aprendizagem, quer dizer, o aprender
significa aprender algo, algum conteúdo, algum tipo de conhecimento.

Os conteúdos não se restringem às informações, conhecimentos (conteúdo conceitual), mas abarcam, também, habilidades (conteúdos
procedimentais) e valores, atitudes (conteúdo atitudinal).
Exercicio

ATIVIDADE 1
Analise os casos relatados abaixo e escreva, a partir de cada um deles, se a Didática
que lhes é implícita contempla os enfoques tradicional; liberal escolanovista ou
progressivista e liberal não-diretiva; liberal tecnicista (tendências não-críticas) ou
o enfoque progressista libertador, libertário; crítico-social dos conteúdos
(tendências críticas), justificando sua resposta.
1º caso
O professor da Escola X prioriza o ensino dos valores já consagrados pela sociedade,
tendo por objetivo a sua acumulação, memorização e preservação.
Disciplina, tradição, honra, obediência aos mais velhos são alguns desses valores,
trabalhados pelo professor por meio da Exposição Oral. Tem por hábito transcrever
toda a aula no quadro, exigindo silêncio e total atenção dos alunos durante sua
explanação. Quando isso não ocorre, ameaça os alunos com provas mais difíceis
e castigos, como copiar frases sobre a atitude que devem ter na sala de aula.
Enfoque:
Justificativa:
2º caso
Um professor do Ensino Fundamental prepara suas turmas para trabalhar na Feira
de Ciências que se realizará na escola.
A organização da Feira exige tarefas em grupos e a participação ativa dos alunos.
Caberá a cada um a responsabilidade pelo que mais lhe interessar, havendo, assim,
um grande respeito às diferenças individuais, proporcionando o desenvolvimento
do potencial dos alunos e já os preparando para as funções que poderão
desempenhar na vida adulta.
Enfoque:
Justificativa:
AULA MÓDULO 12
C E D E R J 37
3º caso
A Escola Y tem como objetivo dar aos alunos oportunidade de acesso aos conteúdos
universais. Assim sendo, os professores trabalham os seus conteúdos programáticos
sempre do ponto de vista crítico e utilitário, de forma que os alunos possam adquirir
maior consciência da realidade e passem a atuar na sociedade de maneira mais
crítica e produtiva.
Enfoque:
Justificativa:
4º caso
Um grupo de alfabetizadores, num país de língua portuguesa, da África, iniciou
o processo de alfabetização de seus alunos utilizando um desenho da própria
comunidade que era uma ilha de pescadores.
No primeiro plano, aparecia um pescador segurando um peixe no qual estava
escrito a palavra BONITO – um peixe muito bem comercializado na região.
A partir do desenho, os alunos começaram a discutir os problemas da comunidade,
até o momento em que o professor teve a oportunidade de lançar a palavra
BONITO, iniciando o processo de alfabetização, que foi todo desenvolvido de
forma crítica com base na vivência dos alunos e no diálogo.
Enfoque:
Justificativa:
5º caso
Um professor de Ensino Médio profissionalizante, visando a dinamizar e garantir
a aprendizagem dos alunos, resolveu trabalhar os conhecimentos referentes à
mecânica, apenas do ponto de vista prático, sem discutir suas implicações sociais.
Para facilitar o domínio da fundamentação teórica indispensável, o professor,
orientado pela Supervisão Pedagógica, passou a incluir no seu planejamento de
aula vários meios, além da instrução programada, uma técnica de ensino com
base na teoria do reforço.
Enfoque:
Justificativa:
Desenvolver o sentimento de solidariedade, de amor ao próximo → seria um objetivo afetivo.
• Nadar de forma sincronizada. → um objetivo psicomotor.

os objetivos específicos, bem elaborados, têm as seguintes funções:


• facilitam a definição de conhecimentos, as habilidades e os valores que vai constituir os conteúdos
• norteiam a seleção de procedimentos de ensino a serem utilizados e as consequentes atividades ;
• facilitam o estabelecimento de critérios e orientam a construção de instrumentos de avaliação;
• possibilitam aos alunos perceberem o desenvolvimento de sua aprendizagem;
• especificam o nível de alcance do objetivo geral.

b) Um professor de Didática trabalha os seguintes conteúdos: o planejamento de ensino, habilidades de leitura e de estudo em geral e
atitude de busca constante de auto desenvolvimento da consciência crítica, entre outros
b) Situação
Conteúdo conceitual: planejamento de ensino.
Conteúdo procedimental: habilidade de leitura e de estudo em geral.
Conteúdo atitudinal: autodesenvolvimento da consciência crítica.

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