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SOFONIAS

O documento descreve o profeta Sofonias e sua mensagem de juízo contra Judá e outras nações por causa de sua idolatria e pecados. Sofonias anuncia o Dia do Senhor, quando Deus julgará o mundo de forma universal e punirá especialmente Judá.

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Márcia Lima
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SOFONIAS

O documento descreve o profeta Sofonias e sua mensagem de juízo contra Judá e outras nações por causa de sua idolatria e pecados. Sofonias anuncia o Dia do Senhor, quando Deus julgará o mundo de forma universal e punirá especialmente Judá.

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SOFONIAS

O DIA DO SENHOR

JULGAMENTO GLOBAL

O homem e a mensagem

O nome “Sofonias” significa “o Senhor esconde”, ou “aquele a quem o Senhor


esconde”. Nada além de 1:1 se conhece definitivamente acerca da vida do profeta.
A genealogia constante da inscriçã o da profecia é dada para quatro geraçõ es.
Nenhum outro profeta tem suas origens tã o recuadas no tempo. Nã o é uso comum
do Antigo Testamento notar os antepassados de um homem além de seu avô , a nã o
ser com finalidade especial. Ele era de sangue real: tetraneto do piedoso rei
Ezequias. Os argumentos apresentados contra esse ponto de vista nã o sã o
convincentes.

Nosso profeta exerceu o ministério cerca de meio século depois de Naum, no


reinado de Josias. Manassés e Amom haviam sido reis Ímpios, mas Josias era
governante temente a Deus (2 Reis 22 e 23). Em sua maioria os estudiosos do livro
pensam que a reforma promovida por Josias já havia começado (2 Crô nicas 34:3-
7).

A reforma ocorrida em Judá no ano 621 a.C. (as dez tribos já estavam no cativeiro
havia um século) atingiu somente o pequeno restante; a massa do povo de Israel
estava na condiçã o descrita aqui no capítulo primeiro e na profecia de Jeremias.
Com o ú ltimo grupo era tudo exterioridade e aparência, e depois da reforma
seguiu-se uma forte reaçã o. O povo estava amadurecido para o juízo. E de
estranhar que Sofonias nã o mencione a reforma de Josias.

Nosso profeta tem sido considerado um dos mais difíceis do câ non profético, mas
sua mensagem tem um ponto focal definido, a saber, o Dia do Senhor. Ele usa a
expressã o mais vezes do que qualquer outro profeta do Antigo Testamento. No
primeiro capítulo ele anuncia sua palavra de juízo, concentrando-se em particular
sobre Judá ; no segundo, ele prediz juízo contra diversos povos, apó s exortaçã o ao
arrependimento, e no ú ltimo capítulo, apó s uma breve palavra concernente ao
juízo sobre Jerusalém, ele promete gló ria futura para o restante restaurado de
Israel nos ú ltimos dias. Sã o abrangentes as suas profecias de julgamento mundial e
salvaçã o final para o povo de Deus.

Um escritor do décimo sexto século disse: “Se alguém deseja que todos os orá culos
secretos dos profetas sejam apresentados num breve compêndio, basta ler esse
conciso Sofonias.” Ele tem afinidades em sua profecia com a mensagem dos
profetas anteriores, e expressõ es similares encontram-se em Isaías e Jeremias.

1
No tempo de Sofonias, o inimigo de Israel era o caldeu, e nã o o assírio, como no
caso de Naum e de outros.

Juízo universal

O profeta dá início a seu livro com uma declaraçã o de destruiçã o universal. Deus
consumirá e destruirá tudo sobre a face da terra, seja homem, seja animal. As aves
dos céus e os peixes do mar estarã o incluídos na mesma visitaçã o. Animais, aves e
peixes têm interesses comuns com o homem e sofrem com ele. A enumeraçã o
pormenorizada tem em mira expressar tanto o terror como a universalidade da
puniçã o. Deus destruirá tudo por completo. A destruiçã o universal por causa do
pecado do homem já ocorreu antes na histó ria do mundo (Gênesis 6:7). O Senhor
punirá especialmente os maus com suas pedras de tropeço, ou seja, os objetos e
ritos de sua adoraçã o idó latra (Ezequiel 14:3-4, 7).

Até aqui o pronunciamento de juízo tem sido de natureza universal, mas agora se
restringe a Judá e Jerusalém, que tinham a revelaçã o da vontade de Deus. O juízo
contra toda a terra recairá por fim sobre Judá e Jerusalém.

Os versículos 4 a 6 mostram um avanço da idolatria crua, externa, para uma


idolatria interna, desenvolvida. Quando o Senhor prediz que estenderá a mã o
contra Judá e Jerusalém, está indicando alguma obra especial de castigo (Isaías
5:25; 9:12, 17, 21). O culto de Baal será desarraigado e destruído. Baal era o deus
dos cananeus, já adorado por Israel em sua apostasia no tempo dos Juízes (2:13).

O reinado de Manassés foi notó rio por esse culto (2 Reis 2 1:3, 5, 7; 2 Crô nicas
33:3, 7). O piedoso Josias o destruiu (2 Crô nicas 34:4).

A divindade feminina em geral associada com Baal era Astarote, cujo culto era uma
adoraçã o da natureza e cheia de prá ticas imorais. O restante de Baal refere-se a
tudo o que sobrou desse deus e da idolatria em geral. Infere-se desse versículo que
Josias já havia iniciado sua reforma e posto um freio à flagrante idolatria da naçã o.
Até o ú ltimo vestígio da ímpia adoraçã o de Baal devia ser exterminado, e isso se
cumpriu em Judá apó s o cativeiro babilô nico.

O pró prio nome dos quemarins desapareceria também. Eles eram os sacerdotes do
ídolo (Oséias 10:5), a quem Josias destituiu (2 Reis 23:5). A raiz hebraica significa
“preto” (dos mantos pretos que eles usavam), ou “zeloso” (por seu fanatismo na
idolatria). Os outros sacerdotes mencionados no versículo quatro sã o
exteriormente sacerdotes de Deus, mas descuidados acerca da lassidã o espiritual
do povo.

Outra classe em Judá destinada ao juízo era a dos que adoravam o exército do céu
nos eirados das casas. A adoraçã o era realizada nos eirados planos que permitiam
uma vista mais clara do céu e principalmente em altares para a queima de incenso
(Jeremias 8:2; 19:13; 32:29).

2
Essa adoraçã o, chamada sabeísmo, desde muito cedo predominava no Oriente.
Moisés advertiu contra ela em Deuteronô mio 4:19. Nã o obstante, era tã o praticada
em Israel que fazia quase de cada lar um santuá rio do ídolo (2 Reis 21:3, 5; 23:5-6;
Jeremias 7:17-18; 44:17-19, 25).

Ainda outros em Judá tinham um sistema conciliató rio de culto que incluía a
adoraçã o de Deus e de Camos, o mesmo que Moloque (Amó s 5:26), e de Milcom,
deus de Amom (1 Reis 11:33).

Por fim, sã o escolhidos os que de início ouviram a exortaçã o de Josias para o


arrependimento e depois recuaram, e os que desde o início se mostraram
indiferentes a tudo. Tal era o libelo acusató rio do Deus vivo em sua justa ira contra
a perversidade de Judá . Todo tipo de iniqü idade está anotado e exposto. Todas as
coisas estã o descobertas perante aquele com quem havemos de ajustar contas.

Visitação contra Judá

Antes que o profeta se estenda sobre o juízo que acaba de ser indicado, ele chama a
todos para calar-se diante do Senhor (Habacuque 2:20). Ele anuncia que o Dia do
Senhor, o dia do juízo, está pró ximo. Esse final Dia do Senhor será precedido por
julgamentos preliminares como fases do processo.

Sofonias fala do mesmo ú ltimo Dia do Senhor que Joel profetizou (Joel 1:15 e
Obadias 15). O sacrifício especial em vista aqui é o juízo contra o povo de Deus,
Judá . Os convidados consagrados sã o os caldeus (Isaías 13:3; 34:6; Jeremias 46:10;
Ezequiel 39:17). O quadro final é apresentado em Apocalipse 19:17-18. Quã o
torturante deve ser o juízo quando Deus santifica os pagã os babilô nios como seus
sacerdotes para matar os animais do sacrifício!

A primeira puniçã o é para os príncipes que seguem os costumes dos pagã os e


oprimem o povo, O juízo cairá sobre a família real porque esta, em vez de ser líder
de retidã o, tornou-se guia do mal.

A expressã o “os filhos do rei” nã o se refere aos filhos de Josias. Ele nã o poderia ter
tido filhos com idade suficiente para incorrer em tal culpa. Os visados aqui sã o ou
os príncipes da casa real ou filhos do rei que estivesse governando quando a
profecia se cumprisse. (2 Reis 25:7 e Jeremias 39:6 referem-se aos filhos de
Zedequias, que foram mortos, e do pró prio rei, que teve os olhos vazados.) O rei
Josias nã o está incluído porque ele devia ser poupado ao juízo em virtude de sua
vida piedosa.

Alguns pensam que a referência a traje estrangeiro indica as vestimentas estranhas


trazidas das terras pagã s, nas quais os ímpios de Israel adoravam os ídolos. Com as
vestes estrangeiras vieram os costumes e a adoraçã o estrangeiros, especialmente a
idolatria.

3
O versículo nono destaca o juízo contra aqueles que saqueiam e roubam seus
concidadã os. De acordo com 1 Samuel 5:5, era prá tica na adoraçã o a Dagom em
Asdode saltar o limiar, por isso no entender de alguns o profeta está aqui
denunciando um rito idó latra. O final do versículo mostra que este ponto de vista é
insustentá vel. A referência é ao zelo com que os servos dos ricos saíam à s pressas
de seus lares para saquear a propriedade alheia a fim de enriquecer seus senhores.
Eles entravam nos lares dos pobres mediante força para despojá -los de seus bens.
Assim, os lares dos ricos estavam cheios do que havia sido ganho por meio de
violência e fraude.

Nos versículos 10 e 11 o profeta adverte os negociantes desonestos que se


tornaram ricos mediante prá ticas iníquas.

Sofonias retrata em seguida a agonia de Jerusalém na invasã o de Nabucodonosor.


Este rei entrou pela Porta do Peixe, no lado norte da cidade, que era vulnerá vel a
ataque. Esse nome provém de sua proximidade do mercado de peixes, o produto
que recebia do lago de Tiberíades e do rio Jordã o. Ela corresponde à que agora se
chama Porta de Damasco. A cidade Baixa era o segundo distrito da cidade sobre a
colina de Acra, onde morava a profetisa Hulda (2 Reis 22:14). Junto com o clamor
proveniente da Porta do Peixe e o lamento oriundo da Cidade Baixa ouvir-se-á um
estrépito vindo dos outeiros Siã o, Moriá e Ofel, dentro dos muros. O versículo
indica o progresso do inimigo até ocupar posiçã o proeminente na cidade.

A palavra traduzida por Mactés é gral, pilã o, e nã o um nome pró prio. Atlas recentes
indicam que o lugar é desconhecido. Pensa-se que seja um bairro de Jerusalém
localizado na depressã o — para alguns, o Vale de Tiropeom — onde os negociantes
faziam suas transaçõ es.

O Senhor julgará o seu povo como o milho é triturado num pilã o. O povo de Canaã
aqui mencionado sã o os negociantes de Judá que realizavam seus negó cios como
os cananeus ou como os fenícios. Oséias 12:7 emprega a mesma designaçã o. Suas
riquezas perecerã o com eles.

Os perversamente indiferentes dentre eles serã o os pró ximos chamados em juízo.


O profeta prediz que o Senhor esquadrinhará de modo minucioso — como o faz um
homem com lanternas — a mais oculta maldade. Depois de tal esquadrinhar, o
castigo cairá sobre os que estã o apegados à sua borra, figura proverbial para a
indiferença e a ociosidade (Jeremias 48:11). Na superfície\de bebidas fermentadas
forma-se uma crosta dura, quando tais bebidas nã o sã o agitadas durante algum
tempo. Assim acomodados em sua indolência, negam a providência controladora
de Deus no Universo e sua atividade e organizaçã o no mundo, como se ele nã o
causasse nem o bem nem a calamidade. Por tal maldade e impudência Deus trará
sobre eles as maldiçõ es da Lei: nã o gozarã o de sua riqueza, nem de suas casas, nem
de suas vinhas (Levítico 26:32-33; Deuteronô mio 28:30, 39; Amó s 5:11; Miquéias
6:15).

4
O Dia do Senhor

Toda calamidade dos reinados ímpios dos sucessores de Josias era mais um passo
ou prefiguraçã o da calamidade final do Dia do Senhor. Para mais detalhes sobre
esse dia, o leitor deve consultar o livro de Joel. O dia é chamado grande em virtude
de seus tremendos efeitos (Joel 2:11). Tã o mortal seria o ataque caldeu que até os
poderosos se desesperariam e se entregariam à afliçã o para a qual nã o há
esperança (Isaf as 66:6). Nos versículos 15 e 16 temos uma descriçã o muitíssimo
enfá tica da escuridã o e terror do dia.

Tomá s de Celamo escreveu em 1250 seu famoso hino de juízo, baseado no


versículo 15: “Dies irae, dies illa”, que significa “Esse dia é dia de ira”. É dia de ira,
de perturbaçã o, de angú stia, de desolaçã o, de devastaçã o (as palavras hebraicas
traduzidas por desolaçã o e devastaçã o — sho’ah e umesho’ah — sã o idênticas no
som e dã o idéia da monotonia da destruiçã o), de escuridade, de negrume, de
nuvens, de densas trevas, de trombeta, de alarme contra as cidades fortificadas e
contra as torres altas.

Incapaz de achar uma via de escape de sua aflitiva calamidade, o povo de Judá
andará como cegos (Deuteronô mio 28:29). Como se nada valessem, sua carne e
sangue serã o jogados fora como pó e refugo. Nessa hora de catá strofe, nem prata
nem ouro valerã o coisa alguma para preservar da ira do Deus santo. O juízo
incandescente de Deus consumirá toda a terra e conduzirá a um triste final todos
os que nela habitam. Os juízos de Deus sã o terríveis, mas quã o doce é sua graça
manifestada a pecadores culpados!

Os que não buscam ao Senhor

Nos dias de Josias e do profeta Sofonias, havia em Judá os que nã o buscavam ao


Senhor por causa de perversa indiferença. Mas também é possível nã o buscar ao
Senhor porque a mensagem de sua graça redentora nã o foi clara e amorosamente
apresentada. Paulo diz no capítulo 10 da carta aos Romanos que nã o se pode
buscar ao Senhor enquanto a mensagem do evangelho nã o for ouvida.

O GOLPE CAI SOBRE TODOS

Chamado ao arrependimento

Depois daquela terrível proclamaçã o do juízo no capítulo primeiro, talvez o leitor


ache que nada mais há que dizer, que toda a histó ria já foi narrada.

Deus nã o proclama o juízo vindouro sem indicar ao mesmo tempo os meios de


evitar a provaçã o. Verificamos, assim, que o segundo capítulo começa com uma
urgente exortaçã o ao povo de Deus para que se arrependa. A partir desse chamado
ao arrependimento o profeta passa a predizer juízo contra as naçõ es
circunvizinhas de Israel, especialmente aquelas que a têm afligido.

5
Sofonias convoca a naçã o a concentrar-se. A idéia é acentuada pelo duplo emprego
do mesmo verbo. A reuniã o nã o tem em mira incentivá -los a congregar-Se ou a
concentrar seus pensamentos, conforme tem sido proposto, mas reunir-se em uma
assembléia religiosa para solicitar o favor do Senhor a fim de que, mediante a
oraçã o, ele desvie seu juízo (Joel 2:16). A palavra traduzida por “congregar” em
geral significa ajuntar restolho ou combustível para queimar. Aqui, congregar-se
em multidã o.

A naçã o é exortada de uma maneira depreciativa por causa do seu pecado, e


chamada naçã o que nã o tem vergonha. Eles nã o se esquivavam de pecar
continuamente. Nã o se trata aqui de que nã o eram desejados, como alguns supõ em,
ou que nada havia na naçã o para recomendá -la a Deus, mas que eles estavam
mortos para a vergonha. O pecado sempre endurece as sensibilidades.

Mas nã o há tempo para delongas, porque o decreto se aproxima depressa como se


estivesse prestes a nascer. O decreto é aquele que Deus determinou, neste caso,
ajustar contas com os pecadores da naçã o. O dia do arrependimento é uma gloriosa
oportunidade, mas ele passa tã o depressa como a palha é levada de improviso por
uma forte rajada de vento. Eles devem valer-se dessa oportunidade agora. Depois
dela vem o dia da ira furiosa do Senhor. Três vezes repete-se o apelo para buscar o
Senhor, a justiça e a mansidã o.

Agora, por certo, se tem em vista o restante da naçã o, pois sã o chamados os


mansos da terra que cumprem as ordenanças do Senhor. Devem lembrar-se de que
Nebuzaradã deixou os pobres da terra para vinheiros e lavradores no tempo do
cativeiro (2 Reis 25:12). Embora mansos, eles devem buscar crescer nesse bem-
aventurado aspecto. Havendo observado com diligência as exigências da lei do
Senhor, eles sã o incentivados a buscar a justiça ainda mais. Se for do agrado do
Senhor, talvez sejam escondidos, preservados, no dia da ira do Senhor (Isaías
26:20). No entender de alguns, temos aqui um trocadilho com relaçã o ao nome do
profeta Sofnias na palavra escondidos. A porta do arrependimento estava até entã o
escancarada para qualquer pessoa entrar.

Juízo contra a Filístia

Se a ira do Senhor varre como uma tempestade na terra do seu povo, podemos
estar seguros de que ele nã o fará vista gorda ao pecado em parte alguma. Deus nã o
pode ignorar o pecado na vida do seu povo, mas nã o permitirá que as naçõ es
aflijam os seus escolhidos e escapem à puniçã o. Naçõ es dos quatro pontos do globo
estã o incluídas para indicar de novo a universalidade do juízo. O Deus de Israel é e
sempre foi o Deus do Universo, o Deus das naçõ es.

O versículo quatro começa com o motivo por que os ímpios devem arrepender-se e
os mansos animar-se. A Filístia ao oeste é a primeira visada para o juízo. Das suas
cinco cidades mencionam-se Gaza, Ascolam, Asdode e Ecrom, e omite-se Gate.

6
Amó s 1:6-8 também omite a quinta. Uzias e Ezequias haviam mantido Cate em
sujeiçã o (2 Reis 18:8; 2 Crô nicas 26:6).

Fora do hebraico é impossível retomar o jogo das palavras originais sobre o


desamparo de Gaza e o desarraigamento de Ecrom. Asdode será expulsa numa
hora muitíssimo incomum — ao meio-dia. É a hora mais quente do dia, quando em
geral se está sesteando no Oriente. Portanto, nã o é tempo prová vel para se tentar
uma invasã o. Porém, quando menos o esperam, o golpe cairá sobre eles (2 Samuel
4:5; Jeremias 6:4).

O profeta pronuncia um ai contra os filisteus que viviam na costa da regiã o


marítima. Sã o chamados quereítas, ou povo dos cretenses, porque alguns dentre
eles tinham vindo de Creta (Caftor de Amó s 9:7). A guarda pessoal de Davi
compunha-se de quereítas e de peleteus (2 Samuel 8:18; 1 Reis 1:38, 44),
considerados como os dois ramos formadores do povo filisteu.

O nome filisteu significa emigrante. Originariamente, o nome Canaã significava a


terra costeira plana. Esta parte da terra ficaria sem habitante. Em vez de ser muito
populosa, a regiã o se prestaria apenas para terra de pastagem para nô mades. Tudo
isso se cumpriu literalmente contra a Filístia. Contudo, ela nã o permaneceria
desabitada em cará ter permanente: o restante da casa de Judá (Israel estava
exilado já havia bastante tempo, conforme vimos no capítulo um) devia herdar a
terra da Filístia quando o povo filisteu fosse desapossado no juízo. Deus ia visitar o
seu povo com misericó rdia e o traria de volta do cativeiro para usufruir os lares e a
terra da Filístia. Esta parte estava incluída na primitiva concessã o da terra que o
Senhor fizera a Abraã o. Ele cumprirá fielmente a sua aliança.

Juízo contra Moabe e Amom

É importante conhecer a origem dos filhos de Moabe e dos filhos de Amom,


encontrada no relato de Gênesis 19:30-38. Embora de descendência incestuosa e
vergonhosa, esses povos se caracterizavam por grande arrogâ ncia. Devido à queda
do Reino do Norte e ao declínio da monarquia do Sul, aumentou grandemente o
orgulho dessas naçõ es situadas ao oriente de Israel. Elas censuravam e insultavam
o povo de Deus. Apó s cada calamidade de Israel, essas naçõ es buscavam beneficiar-
se apoderando-se de parte da sua terra. Sempre que tinham oportunidade, esses
povos mostravam sua inimizade pelo povo de Deus (Nú meros 22; 24:17; Juízes 3;
10; 1 Samuel 11:1-5; 2 Samuel 12:26-31). Os insultos dos moabitas e amonitas nã o
se restringiam ao tempo do cativeiro, mas ocorriam em outras ocasiõ es em que
Israel estava em situaçã o angustiosa. Os profetas Isaías e Jeremias condenaram seu
orgulho (Isaías 16:6; 25:11; Jeremias 48:29-30).

Da conexã o dos versículos 8 a 10 com o versículo 11 pode-se ver que o


cumprimento final dessas profecias é ainda futuro com relaçã o ao nosso tempo.

7
Moabe e Amom se tornarã o como Sodoma e Gomorra. Seu pró prio territó rio
sofrerá como as cidades que foram destruídas nos dias de seu antepassado Ló . A
terra dessas naçõ es se converterá em campo de urtigas e em covas de sal,
indicando esterilidade e desolaçã o. E elas têm estado desoladas (Jeremias 17:6)
como as regiõ es do mar Morto.

O sal é usado no Antigo Testamento como figura de esterilidade e ruína (Jó 39:6). A
vergonha e a censura lhes sobrevirã o por causa do seu orgulho que os levou a
censurar a Israel e a engrandecer-se a si pró prios contra os escolhidos do Senhor.
As naçõ es sã o excessivamente estú pidas para aprender o quanto desagradam ao
Senhor ao mostrarem-se soberbas contra a naçã o que o Senhor escolheu como
veículo de bênçã o para o mundo todo.

Adoração universal do Senhor

Nã o temos como encarecer demais que o alvo e propó sito supremos de Deus nã o
sã o punir e destruir, mas vencer o mal com o bem e trazer paz em meio ao caos e
ao desespero. Em sua ira ele será terrível para com as naçõ es pecadoras,
aniquilando assim, de maneira sumá ria, os deuses que eles adoravam.

Diz-se que Deus exterminará pela fome todos os deuses da terra, isto é, ele fará que
emagreçam, diminuam e sejam destruidos. O Senhor destruirá seus deuses quando
ele trouxer juízo contra as naçõ es que os adoraram. Os ídolos nã o têm nenhuma
existência real à parte das pessoas que a eles servem (1 Coríntios 8:4-6). Paralela-
mente à completa destruiçã o das naçõ es idó latras será exterminada de toda a terra
a adoraçã o do ídolo. Entã o os homens adorarã o o ú nico e verdadeiro Deus, cada
um de seu lugar, isto é, cada um no lugar onde mora, tornando assim universal a
adoraçã o do Senhor.

O fato de alguns oriundos de todas as naçõ es adorarem o Senhor nã o cumpre essa


Escritura em nossa época (Joã o 4:21-24; 1 Coríntios 1:2). O profeta está falando
daquele tempo quando o mundo das naçõ es se converter à adoraçã o do Deus vivo
e verdadeiro. Malaquias 1:11 expressa com muito vigor uma idéia semelhante, ao
referir-se aos ú ltimos dias da histó ria de Israel e nos conduzir diretamente aos
tempos messiâ nicos e à s condiçõ es mileniais.

Na verdade, trata-se do outro lado do quadro apresentado em algumas passagens


proféticas, como Isaías 2:2; Miquéias 4:1-2; Zacarias 8:22-23 e 14:16. Essas
passagens devem ser estudadas em seus contextos para termos a verdadeira
estrutura cronoló gica. Tais condiçõ es existirã o apó s a segunda vinda do Senhor
Jesus Cristo à terra. Todas as naçõ es estarã o unidas naquele dia, nã o para fazer sua
pró pria vontade ou adorar as obras de suas perversas mã os, mas para adorar e
servir o ú nico Deus. E a hora pela qual o crente espera ansioso e nesse sentido ele
labora enquanto vive.

8
Juízo contra Etiópia e Assíria

Até aqui Sofonias predisse o juízo de Deus contra as naçõ es ao oriente e ao


ocidente de Judá . Agora, porém, ele dirige nossa atençã o para a Etió pia e a Assíria,
naçõ es ao sul e ao norte da Terra Santa. Os etíopes sã o ameaçados de morte pela
espada do Senhor. Muita coisa se diz nos livros proféticos do Antigo Testamento
com referência à espada do Senhor, e é assunto que compensa estudar. A Etió pia
(Cuxe) está situada ao sul da primeira catarata do Nilo e governou o Egito desde
cerca de 720 até 654 a.C. (Isaias 11:11; 18:1). O cumprimento dessa profecia
ocorreu quando Nabucodonosor invadiu e conquistou o Egito. Os haveres da
Etió pia estavam fortemente ligados aos do Egito, que era sú dito das dinastias
etíopes (Jeremias 46:9; Ezequiel 30:5, 9). Há motivo para crer que o pró prio Egito
está incluído no termo etíopes.

Da Etió pia a sentença de juízo passa para a Assíria, que ao tempo dessa profecia
ainda nã o havia caído. A enumeraçã o de ai e juízo chega ao climax com relaçã o à
Assíria, que era a mais forte potência política da época.

Para um estudo mais completo da condenaçã o da Assíria o leitor deve consultar a


profecia de Naum, na qual o Senhor é incisivo ao declarar que destruirá a Assíria e
desolará Nínive, tornando-a tã o seca quanto o deserto. Este ú ltimo aspecto é mais
digno de nota quando percebemos que, no tempo mesmo da prediçã o, a irrigaçã o
abundante da poderosa cidade era sua grande ostentaçã o e alegria.

Sofonias trata agora da condiçã o desolada da cidade em ruínas. A outrora populosa


e célebre Nínive servirá apenas para animais e rebanhos. O pelicano e o porco-
espinho (ou ouriço-cacheiro) alojar-se-ã o nas ruínas da cidade. Essas criaturas sã o
encontradas em outro quadro de desolaçã o dado por Isaías em 34:11. Eles se
alojarã o nos capitéis ou ornamentos dos magníficos edifícios hoje derrubados, que
lhes servem de esconderijo. O canto melancó lico de algum pá ssaro solitá rio será
ouvido das janelas dos palá cios e das casas. Os lares estã o desabitados, e ninguém
cruzará jamais os seus limiares. Os belos lambris e a fina obra de entalhe das
paredes e dos tetos das casas serã o arrancados e tudo será desnudado.

Ao concluir sua mensagem de condenaçã o, o profeta inicia uma sá tira, como a que
era cantada sobre um inimigo derrotado. Nínive caracteriza-se como a cidade
alegre que vivia de forma descuidada.

A grandeza e gló ria da Assíria eram conhecidas em todo o mundo. Cerca de 225
anos antes, Israel sentiu a mã o de ferro da Assíria na batalha de Carcar (854-853
a.C). Mais de um século antes dessa batalha seus exércitos invadiram a Palestina e
por mais de 50 anos dominaram Judá . Agora, a pró pria Assíria estava madura para
o apropriadíssimo castigo.

9
Em sua impia vangló ria de auto-suficiência a Assíria havia alegado que nã o tinha
rival. Esta foi, também, a alegaçã o da Babilô nia, registrada em Isaías 47:8 (cp.
Apocalipse 3:17). Auto-suficiência é atributo pró prio de Deus (Isaías 45:21-22).
Por causa dessa arrogâ ncia aquela naçã o é reduzida à mais vil desolaçã o, lugar
apenas para animais. A magnitude e subitaneidade de sua destruiçã o farã o dela
objeto de escá rnio e desdém de todos os que por ali passarem. Eles farã o sinal com
a mã o dando a entender que ela trouxe o juízo sobre si pró pria.

Quando o grego Xenofonte passou pelo sítio de Nínive no ano 401 a.C., verificou
que outrora existira ali uma grande cidade, destruí da porque Zeus havia privado
seus habitantes de suas faculdades mentais. Que insensatez e insanidade do
insignificante homem arrogar-se prerrogativas e atributos divinos!

O Senhor os provará

A promessa do profeta anunciava que o Senhor se voltaria em misericó rdia para o


seu povo e o traria de volta do cativeiro. Tudo isso se cumprirá para Israel nos
tempos proféticos. E que Deus já visitou o seu povo em graça mediante a vinda do
Messias de Israel em Jesus de Nazaré, predito pelos profetas. Pla simples fé na obra
suficiente do Redentor, o Espírito de Deus visita o coraçã o disposto a regenerar-se
e comunica-lhe nova vida para todo o sempre. Esta é a maior necessidade de Israel,
à luz da qual todas as demais perdem em significado.

IRA E BÊNÇÃO

Ai contra a ímpia Jerusalém

Depois da série d ais contra as naçõ es, registrada no capítulo dois, o profeta
retorna, no capítulo três, à sua mensagem a Jerusalém. Esta, por ser tã o favorecida
e privilegiada, muito mais se esperava dela na forma de fé e obediência ao Senhor.

Embora nã o conste o nome da cidade à qual se dirige o versículo primeiro, o


versículo segundo esclarece que se trata de Jerusalém. Ela é acusada de rebeldia,
de contaminaçã o e de opressã o. Era rebelde porque nã o queria submeter-se à
conhecida vontade de Deus; era contaminada por causa da longa continuaçã o no
pecado a despeito de realizar com exatidã o as cerimô nias exteriores; era opressora
porque nã o levava em conta os direitos dos pobres, dos ó rfã os e das viú vas.

A naçã o vista coletivamente tem contra si quatro acusaçõ es: Nã o obedecia à voz de
Deus na Lei e pela boca dos profetas. Nã o aceitava a disciplina e, quando os
castigos de Deus a atingiam, nã o aprendia as liçõ es intencionadas. Nã o confiava no
Senhor, mas em si pró pria, em seus ídolos e em seus aliados. Nã o se aproximava do
seu Deus em fé, adoraçã o e arrependimento, mas alienava-se dele embora ele
buscasse estar perto dela (Deuteronô mio 4:7).

10
Tal como o povo, assim eram os dirigentes. Três classes nacionais — os príncipes,
os profetas e os sacerdotes — sã o selecionadas para condenaçã o especial. Nã o há
denú ncia alguma contra o piedoso rei Josias. Os príncipes, porém, eram como leõ es
rugidores no meio da naçã o. Andavam sempre em busca de mais presa.

Os que deveriam ser pastores do rebanho eram seus devoradores (1:8-9; Miquéias
2:2; Zacarias 11:4). Os juízes eram gananciosos insaciá veis, devorando tudo
repentinamente em sua fome voraz. Nada deixavam até ao amanhecer.

No versículo quatro temos a ú nica denú ncia contra os profetas nesse livro. Eles
eram culpados de frivolidade, tratando com leviandade os assuntos mais sérios.
Nã o havia seriedade ou firmeza em sua vida ou ensino. Eram traiçoeiros porque
infiéis à quele a quem alegavam representar, antes incentivando o povo em seu
afastamento do Senhor. Por meio de seus atos ímpios eles profanavam o santuá rio
e tornavam profanas as coisas sagradas. Violentavam a Lei, distorcendo seu claro
intento e significado quando ensinavam o povo (Cp. Ezequiel 22:26). Príncipes,
profetas e sacerdotes eram todos culpados de contaminar as naçõ es por seus maus
caminhos e exemplos.

Castigos e advertências de Deus

A despeito das iniqü idades e corrupçõ es de Jerusalém, o justo Senhor está no seu
meio. A presença de Deus no meio dela assegura, com maior razã o, seu juízo pelo
pecado. Ele nunca está envolvido com a iniqü idade.

No Oriente, a manhã é a hora para a administraçã o da justiça, por isso todas as


manhã s ele traz sua justiça à luz. Sua conduta reta se faz conhecida por intermédio
de seus verdadeiros profetas que exortam à piedade, e por meio de seus juízos faz
conhecidos os ímpios da naçã o.

Mediante castigos e advertências ele continua a manifestar sua justiça. Ele nã o


falha, mas os iníquos nã o sentem vergonha que os leve ao arrependimento. A
intençã o de Deus era que, por meio de seus juízos contra outras naçõ es, seu
pró prio povo fosse advertido e a ele se convertesse.

Durante o reinado de Josias a Judéia desfrutou paz, ainda que as guerras


atormentassem outros povos. Ela foi poupada durante a invasã o devastadora dos
citas na regiã o ocidental da Asia. Nem mesmo o triste destino das dez tribos
dissuadiu do pecado o Reino do Sul.

O versículo seis descreve as desolaçõ es que o Senhor causou entre as naçõ es


vizinhas da Judéia, desolaçõ es que tinham por intento servir-lhe de advertência.
Mas a Judéia nã o se deu por avisada. Deus tencionava, mediante essas visitaçõ es,
que Judá aprendesse a temê-lo e aceitasse a correçã o, a fim de evitar que o lugar de
sua habitaçã o fosse destruído.

11
Por mais que o Senhor os tivesse destinado para juízo por causa dos seus pecados,
ainda assim, se eles se arrependessem, ele lhes perdoaria e nã o destruiria a cidade.
Eles, porém, contestando e desagradando ao Senhor, levantavam-se de madrugada,
indicando assim que estavam decididos a continuar em seus caminhos
pecaminosos e corrompidos. Bem cedinho, no Oriente, é a melhor hora para se
fazer negó cios. Com grande zelo e diligência eles perseguiam seu curso
pecaminoso. Grande é a seduçã o do pecado e grande é a pena que ele acarreta, mas
o homem, nã o obstante, corre de maneira precipitada para ele.

Ira contra as nações

A fim de completar o ciclo de profecias da ira de Deus, Sofonias volta, no versículo


oitavo, ao tema do primeiro capítulo, o juízo de Deus contra todas as naçõ es. Os
piedosos dentre o povo do Senhor sã o exortados a esperar por ele, a confiar nele.
Como a fera preparada para o ataque, o Senhor ainda surpreenderá a presa.

Tem-se entendido a presa como aqueles que, dentre as naçõ es, se inclinarã o para
ele como sua parte na salvaçã o (Isaías 53:12; 52:15; 49:7). Mas deve haver
destruiçã o e extermínio antes que isso se concretize.

Os piedosos devem esperar o juízo de Deus contra as naçõ es, pois isso, em ú ltima
aná lise, resultará na sua redençã o. O Senhor está decidido a congregar as naçõ es
(Zacarias 14:2) e remos para derramar sobre eles, em um grande ato de juízo, sua
indignaçã o, sua ira furiosa e o fogo do seu zelo. As palavras sã o vívidas e retratam
uma cena de grande importâ ncia profética. Veja também Joel 3:1-3 e 3:12-16. (De
acordo com os eruditos massoréticos, que trabalharam fielmente no texto do
Antigo Testamento, o versículo oito é o ú nico do Antigo Testamento em que
ocorrem todas as letras do alfabeto hebraico, mesmo as letras finais).

A conversão das nações

O restante do capítulo três trata dos tempos messiâ nicos. Nesses versículos temos
radiosas promessas de bênçã o e restauraçã o para o povo de Deus e para as naçõ es.
Sofonias esboça agora os resultados dos juízos divinos sobre as naçõ es. Depois de
derramar sua ira contra os ímpios entre as naçõ es, entã o, no programa de suas
misericó rdias, o Senhor concederá aos gentios uma língua pura a fim de que eles
possam invocar-lhe o nome e servir-lhe de comum acordo.

O profeta nã o está predizendo uma língua universal (no dizer de alguns a língua
hebraica, como se houvesse um inverso de Babel), mas que o falar impuro das
naçõ es será purificado. Será um linguajar purificado, incontaminado, em vez de
uma fala clara, facilmente entendida. (Note Isaías 6:5 com relaçã o ao pensamento
oposto.) A impureza, da qual eram antigamente culpados, provinha de suas
imprecaçõ es e de suas oraçõ es a deuses falsos.

12
O restante das naçõ es é, por conseguinte, indicado como convertido ao Senhor. As
naçõ es aprendem a justiça mediante o julgamento. Todas invocarã o o nome do
Senhor, o que significa restauraçã o das condiçõ es indicadas em Gênesis 4:26. Elas
nã o apenas adorarã o o Senhor de lá bios, mas também o servirã o de comum acordo
(literalmente, ombro).

A figura é tomada do jugo ou carga levada por dois, ajudando um ao outro.


Compare essa expressã o com a de 1 Reis 22:13, “a uma voz”. Nã o existe aqui base
alguma para ensinar a restauraçã o dos dons pentecostais. O versículo nã o tem essa
restauraçã o em vista. Em sua condiçã o convertida, as naçõ es se demonstrarã o
dispostas a serem usadas pelo Senhor a favor de Israel. Dalém dos rios da Etió pia
elas trarã o os dispersos de Israel para sua pró pria terra como oferta ao Senhor
(Isaías 49:22-23; 60:4-9; 66:20).

Os rios da Etió pia sã o braços do Nilo: o Atbara, o Astasobas, o Nilo Azul e o Nilo
Branco. A terra é a pró pria Etió pia (Isaías 18:1).

Alguns acham que o que se pretende por adoradores sã o os judeus dispersos na


Etió pia. Eles apontam para o oeste da Abissínia, onde vivem os bem conhecidos
falashas (a palavra provém da mesma raiz semítica de filisteu, que significa
emigrante). Diz-se que eles vinculam sua origem com a Palestina e com a religiã o
judaica. Pensa-se que os cristã os abissínios eram originariamente em parte crentes
hebreus. Preferimos, com outros, entender as palavras “meus adoradores, que
constituem a filha da minha dispersã o” como objeto do verbo e nã o como sujeito.
Em outras palavras, o povo do Senhor disperso na Etió pia será trazido pelos
gentios à sua terra natal como oferta ao Senhor. As passagens de Isaías acima
indicadas atestam esta verdade. Tal é o significado e nã o que os dispersos trazem
uma oferta ao Senhor. O efeito da conversã o dos gentios será alinhá -los com o
propó sito de Deus para Israel em sua restauraçã o à Palestina.

Os restantes de Israel

Agora o profeta descreve-nos a condiçã o do povo de Israel purificado, restaurado e


regozijando-se em sua terra. Quando forem trazidos das naçõ es, eles nã o terã o por
que envergonhar-se, visto que o Senhor terá retirado deles a impiedade e os
ímpios. Todo ato vergonhoso terá sido purificado. As antigas transgressõ es serã o
postas de lado. Especialmente será eliminado o orgulho. O orgulho farisaico será
coisa do passado. O monte do Templo nã o estará sujeito à arrogâ ncia que se
encontrava ali outrora. Em vez dos soberbos o Senhor deixará no meio da terra os
afligidos e os pobres, os mansos e os humildes, os que verdadeiramente encontram
seu refú gio tã o só no nome do Senhor. A iniqü idade, a falsidade e o dolo serã o
purgados do restante de Israel. Nessa condiçã o espiritual, eles encontrarã o
prosperidade física e paz também.

13
Nem o opressor interno nem o estrangeiro os importunarã o. Eles desfrutarã o as
ricas bênçã os de Deus sem que sejam molestados e perturbados (Miquéias 4:4;
7:14). Eles cumprirã o seu chamado divino (Exodo 19:6).

Glória e alegria mileniais

Mas a histó ria completa de bênçã o e restauraçã o nã o foi contada com minú cias. O
profeta descreve-a agora com mais pormenores. Em face do alegre dia que se
aproxima eles sã o exortados a cantar, gritar, alegrar-se e rejubilar-se. Deus nunca
multiplica palavras como essas sem intencionar uma declaraçã o enfá tica.

O motivo do regozijo é dado no versículo 15. O dia de juízo e de castigo de Israel


passou, e todos os adversá rios foram expulsos. O Senhor, o Rei de Israel, está no
seu meio. Nã o admira, pois, que a naçã o já nã o tenha motivos para temer. O
afrouxamento das mã os por nã o haver ansiedade e medo será uma experiência do
passado.

As promessas parecem atingir o climax com o versículo 17. Repete-se a presença


do Senhor em seu meio (v. 15), e esta é a fonte de toda bem-aventurança. Ele é o
poderoso Salvador. Como o noivo se regozija com a noiva, assim o Senhor se
rejubila com o seu povo. O contrato de matrimô nio entre o Senhor e Israel será
restabelecido (Isaías 62:5; 65:19; Oséias 2:19-20). Entã o ele descansará
(literalmente, calar-se-á ) em seu amor.

Esta é uma das mais ousadas afirmativas da Bíblia. Declara-se que Deus descansará
em êxtase silente em seu povo, Israel. Que tranqü ilidade para Israel! O amor é
grande demais para ser expresso por meio de palavras. O Senhor descansará nele
com satisfaçã o. A idéia de que Deus já nã o tem oportunidade de reprovar e
denunciar só pode ocupar aqui lugar secundá rio. Ele tem alegria silenciosa em seu
amor. Entã o se rompe o silêncio com câ ntico. Leia o que diz o Salmo 29:3-9 sobre a
voz do Senhor, e imagine, se puder, que cançã o de jú bilo será .

Uma vez que nã o podiam celebrar as festas do Senhor no exílio, os piedosos se


entristeciam pela ausência da reuniã o festiva solene. A esses o Senhor trará de
volta à terra de sua herança e os congregará . Eles pertenciam à terra como
cidadã os no pleno gozo de seus direitos. Eles haviam sentido muito, como um peso,
a censura que havia caído sobre o povo de Deus. Congregados de novo e
restaurados, a naçã o será uma fonte de bênçã o para todo o mundo.

Nesse tempo, no dia milenial, precedido primeiro pelo juízo sobre os inimigos de
Israel, o Senhor exterminará aqueles que afligiram o seu povo. Ele lhes dará a paga
que mereceram. Os coxos e os que foram expulsos representam todos os da
dispersã o, e todos serã o redimidos e restaurados. Em vez de serem alvo de
vergonha e de escá rnio entre todas as naçõ es, Deus lhes dará um nome celebrado
em toda a terra.

14
Israel realizará o que foi seu destino desde o princípio (Deuteronô mio 26:19). O
Senhor exercerá seu cuidado pastoral sobre eles, recolhendo-os e congregando-os
ao seu redor, trazidos do cativeiro. Será tã o maravilhoso que eles mal poderã o crer.
Nã o obstante, o fato se concretizará diante de seus olhos. Bendito e alegre dia para
Israel jogado de um lado para outro pela tempestade.

O Rei de Israel no meio do seu povo

A mensagem de Sofonias gira em torno do juízo, e especialmente aquele do terrível


Dia do Senhor. Nenhuma naçã o está isenta. Mas fazemos-lhe injustiça se
pensarmos nele somente à luz do castigo. Ele conclui sua profecia com palavras de
bênçã o e promessa para as naçõ es e para Israel. Tais promessas à s naçõ es, porém,
só poderã o realizar-se quando as bênçã os de Deus recaírem sobre Israel. O Rei de
Israel no seu meio é o pró prio Senhor Deus. Prouvera a Deus que já estivessem
cumpridas! Cada dia que chega mais perto a salvaçã o de Israel, também chega mais
perto a salvaçã o do mundo (Salmo 67).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Livro:- Os Profetas Menores – Charles L. Feinberg

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