SOFONIAS
SOFONIAS
O DIA DO SENHOR
JULGAMENTO GLOBAL
O homem e a mensagem
A reforma ocorrida em Judá no ano 621 a.C. (as dez tribos já estavam no cativeiro
havia um século) atingiu somente o pequeno restante; a massa do povo de Israel
estava na condiçã o descrita aqui no capítulo primeiro e na profecia de Jeremias.
Com o ú ltimo grupo era tudo exterioridade e aparência, e depois da reforma
seguiu-se uma forte reaçã o. O povo estava amadurecido para o juízo. E de
estranhar que Sofonias nã o mencione a reforma de Josias.
Nosso profeta tem sido considerado um dos mais difíceis do câ non profético, mas
sua mensagem tem um ponto focal definido, a saber, o Dia do Senhor. Ele usa a
expressã o mais vezes do que qualquer outro profeta do Antigo Testamento. No
primeiro capítulo ele anuncia sua palavra de juízo, concentrando-se em particular
sobre Judá ; no segundo, ele prediz juízo contra diversos povos, apó s exortaçã o ao
arrependimento, e no ú ltimo capítulo, apó s uma breve palavra concernente ao
juízo sobre Jerusalém, ele promete gló ria futura para o restante restaurado de
Israel nos ú ltimos dias. Sã o abrangentes as suas profecias de julgamento mundial e
salvaçã o final para o povo de Deus.
Um escritor do décimo sexto século disse: “Se alguém deseja que todos os orá culos
secretos dos profetas sejam apresentados num breve compêndio, basta ler esse
conciso Sofonias.” Ele tem afinidades em sua profecia com a mensagem dos
profetas anteriores, e expressõ es similares encontram-se em Isaías e Jeremias.
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No tempo de Sofonias, o inimigo de Israel era o caldeu, e nã o o assírio, como no
caso de Naum e de outros.
Juízo universal
O profeta dá início a seu livro com uma declaraçã o de destruiçã o universal. Deus
consumirá e destruirá tudo sobre a face da terra, seja homem, seja animal. As aves
dos céus e os peixes do mar estarã o incluídos na mesma visitaçã o. Animais, aves e
peixes têm interesses comuns com o homem e sofrem com ele. A enumeraçã o
pormenorizada tem em mira expressar tanto o terror como a universalidade da
puniçã o. Deus destruirá tudo por completo. A destruiçã o universal por causa do
pecado do homem já ocorreu antes na histó ria do mundo (Gênesis 6:7). O Senhor
punirá especialmente os maus com suas pedras de tropeço, ou seja, os objetos e
ritos de sua adoraçã o idó latra (Ezequiel 14:3-4, 7).
Até aqui o pronunciamento de juízo tem sido de natureza universal, mas agora se
restringe a Judá e Jerusalém, que tinham a revelaçã o da vontade de Deus. O juízo
contra toda a terra recairá por fim sobre Judá e Jerusalém.
O reinado de Manassés foi notó rio por esse culto (2 Reis 2 1:3, 5, 7; 2 Crô nicas
33:3, 7). O piedoso Josias o destruiu (2 Crô nicas 34:4).
A divindade feminina em geral associada com Baal era Astarote, cujo culto era uma
adoraçã o da natureza e cheia de prá ticas imorais. O restante de Baal refere-se a
tudo o que sobrou desse deus e da idolatria em geral. Infere-se desse versículo que
Josias já havia iniciado sua reforma e posto um freio à flagrante idolatria da naçã o.
Até o ú ltimo vestígio da ímpia adoraçã o de Baal devia ser exterminado, e isso se
cumpriu em Judá apó s o cativeiro babilô nico.
O pró prio nome dos quemarins desapareceria também. Eles eram os sacerdotes do
ídolo (Oséias 10:5), a quem Josias destituiu (2 Reis 23:5). A raiz hebraica significa
“preto” (dos mantos pretos que eles usavam), ou “zeloso” (por seu fanatismo na
idolatria). Os outros sacerdotes mencionados no versículo quatro sã o
exteriormente sacerdotes de Deus, mas descuidados acerca da lassidã o espiritual
do povo.
Outra classe em Judá destinada ao juízo era a dos que adoravam o exército do céu
nos eirados das casas. A adoraçã o era realizada nos eirados planos que permitiam
uma vista mais clara do céu e principalmente em altares para a queima de incenso
(Jeremias 8:2; 19:13; 32:29).
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Essa adoraçã o, chamada sabeísmo, desde muito cedo predominava no Oriente.
Moisés advertiu contra ela em Deuteronô mio 4:19. Nã o obstante, era tã o praticada
em Israel que fazia quase de cada lar um santuá rio do ídolo (2 Reis 21:3, 5; 23:5-6;
Jeremias 7:17-18; 44:17-19, 25).
Ainda outros em Judá tinham um sistema conciliató rio de culto que incluía a
adoraçã o de Deus e de Camos, o mesmo que Moloque (Amó s 5:26), e de Milcom,
deus de Amom (1 Reis 11:33).
Antes que o profeta se estenda sobre o juízo que acaba de ser indicado, ele chama a
todos para calar-se diante do Senhor (Habacuque 2:20). Ele anuncia que o Dia do
Senhor, o dia do juízo, está pró ximo. Esse final Dia do Senhor será precedido por
julgamentos preliminares como fases do processo.
Sofonias fala do mesmo ú ltimo Dia do Senhor que Joel profetizou (Joel 1:15 e
Obadias 15). O sacrifício especial em vista aqui é o juízo contra o povo de Deus,
Judá . Os convidados consagrados sã o os caldeus (Isaías 13:3; 34:6; Jeremias 46:10;
Ezequiel 39:17). O quadro final é apresentado em Apocalipse 19:17-18. Quã o
torturante deve ser o juízo quando Deus santifica os pagã os babilô nios como seus
sacerdotes para matar os animais do sacrifício!
A expressã o “os filhos do rei” nã o se refere aos filhos de Josias. Ele nã o poderia ter
tido filhos com idade suficiente para incorrer em tal culpa. Os visados aqui sã o ou
os príncipes da casa real ou filhos do rei que estivesse governando quando a
profecia se cumprisse. (2 Reis 25:7 e Jeremias 39:6 referem-se aos filhos de
Zedequias, que foram mortos, e do pró prio rei, que teve os olhos vazados.) O rei
Josias nã o está incluído porque ele devia ser poupado ao juízo em virtude de sua
vida piedosa.
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O versículo nono destaca o juízo contra aqueles que saqueiam e roubam seus
concidadã os. De acordo com 1 Samuel 5:5, era prá tica na adoraçã o a Dagom em
Asdode saltar o limiar, por isso no entender de alguns o profeta está aqui
denunciando um rito idó latra. O final do versículo mostra que este ponto de vista é
insustentá vel. A referência é ao zelo com que os servos dos ricos saíam à s pressas
de seus lares para saquear a propriedade alheia a fim de enriquecer seus senhores.
Eles entravam nos lares dos pobres mediante força para despojá -los de seus bens.
Assim, os lares dos ricos estavam cheios do que havia sido ganho por meio de
violência e fraude.
A palavra traduzida por Mactés é gral, pilã o, e nã o um nome pró prio. Atlas recentes
indicam que o lugar é desconhecido. Pensa-se que seja um bairro de Jerusalém
localizado na depressã o — para alguns, o Vale de Tiropeom — onde os negociantes
faziam suas transaçõ es.
O Senhor julgará o seu povo como o milho é triturado num pilã o. O povo de Canaã
aqui mencionado sã o os negociantes de Judá que realizavam seus negó cios como
os cananeus ou como os fenícios. Oséias 12:7 emprega a mesma designaçã o. Suas
riquezas perecerã o com eles.
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O Dia do Senhor
Toda calamidade dos reinados ímpios dos sucessores de Josias era mais um passo
ou prefiguraçã o da calamidade final do Dia do Senhor. Para mais detalhes sobre
esse dia, o leitor deve consultar o livro de Joel. O dia é chamado grande em virtude
de seus tremendos efeitos (Joel 2:11). Tã o mortal seria o ataque caldeu que até os
poderosos se desesperariam e se entregariam à afliçã o para a qual nã o há
esperança (Isaf as 66:6). Nos versículos 15 e 16 temos uma descriçã o muitíssimo
enfá tica da escuridã o e terror do dia.
Incapaz de achar uma via de escape de sua aflitiva calamidade, o povo de Judá
andará como cegos (Deuteronô mio 28:29). Como se nada valessem, sua carne e
sangue serã o jogados fora como pó e refugo. Nessa hora de catá strofe, nem prata
nem ouro valerã o coisa alguma para preservar da ira do Deus santo. O juízo
incandescente de Deus consumirá toda a terra e conduzirá a um triste final todos
os que nela habitam. Os juízos de Deus sã o terríveis, mas quã o doce é sua graça
manifestada a pecadores culpados!
Chamado ao arrependimento
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Sofonias convoca a naçã o a concentrar-se. A idéia é acentuada pelo duplo emprego
do mesmo verbo. A reuniã o nã o tem em mira incentivá -los a congregar-Se ou a
concentrar seus pensamentos, conforme tem sido proposto, mas reunir-se em uma
assembléia religiosa para solicitar o favor do Senhor a fim de que, mediante a
oraçã o, ele desvie seu juízo (Joel 2:16). A palavra traduzida por “congregar” em
geral significa ajuntar restolho ou combustível para queimar. Aqui, congregar-se
em multidã o.
Se a ira do Senhor varre como uma tempestade na terra do seu povo, podemos
estar seguros de que ele nã o fará vista gorda ao pecado em parte alguma. Deus nã o
pode ignorar o pecado na vida do seu povo, mas nã o permitirá que as naçõ es
aflijam os seus escolhidos e escapem à puniçã o. Naçõ es dos quatro pontos do globo
estã o incluídas para indicar de novo a universalidade do juízo. O Deus de Israel é e
sempre foi o Deus do Universo, o Deus das naçõ es.
O versículo quatro começa com o motivo por que os ímpios devem arrepender-se e
os mansos animar-se. A Filístia ao oeste é a primeira visada para o juízo. Das suas
cinco cidades mencionam-se Gaza, Ascolam, Asdode e Ecrom, e omite-se Gate.
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Amó s 1:6-8 também omite a quinta. Uzias e Ezequias haviam mantido Cate em
sujeiçã o (2 Reis 18:8; 2 Crô nicas 26:6).
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Moabe e Amom se tornarã o como Sodoma e Gomorra. Seu pró prio territó rio
sofrerá como as cidades que foram destruídas nos dias de seu antepassado Ló . A
terra dessas naçõ es se converterá em campo de urtigas e em covas de sal,
indicando esterilidade e desolaçã o. E elas têm estado desoladas (Jeremias 17:6)
como as regiõ es do mar Morto.
O sal é usado no Antigo Testamento como figura de esterilidade e ruína (Jó 39:6). A
vergonha e a censura lhes sobrevirã o por causa do seu orgulho que os levou a
censurar a Israel e a engrandecer-se a si pró prios contra os escolhidos do Senhor.
As naçõ es sã o excessivamente estú pidas para aprender o quanto desagradam ao
Senhor ao mostrarem-se soberbas contra a naçã o que o Senhor escolheu como
veículo de bênçã o para o mundo todo.
Nã o temos como encarecer demais que o alvo e propó sito supremos de Deus nã o
sã o punir e destruir, mas vencer o mal com o bem e trazer paz em meio ao caos e
ao desespero. Em sua ira ele será terrível para com as naçõ es pecadoras,
aniquilando assim, de maneira sumá ria, os deuses que eles adoravam.
Diz-se que Deus exterminará pela fome todos os deuses da terra, isto é, ele fará que
emagreçam, diminuam e sejam destruidos. O Senhor destruirá seus deuses quando
ele trouxer juízo contra as naçõ es que os adoraram. Os ídolos nã o têm nenhuma
existência real à parte das pessoas que a eles servem (1 Coríntios 8:4-6). Paralela-
mente à completa destruiçã o das naçõ es idó latras será exterminada de toda a terra
a adoraçã o do ídolo. Entã o os homens adorarã o o ú nico e verdadeiro Deus, cada
um de seu lugar, isto é, cada um no lugar onde mora, tornando assim universal a
adoraçã o do Senhor.
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Juízo contra Etiópia e Assíria
Da Etió pia a sentença de juízo passa para a Assíria, que ao tempo dessa profecia
ainda nã o havia caído. A enumeraçã o de ai e juízo chega ao climax com relaçã o à
Assíria, que era a mais forte potência política da época.
Ao concluir sua mensagem de condenaçã o, o profeta inicia uma sá tira, como a que
era cantada sobre um inimigo derrotado. Nínive caracteriza-se como a cidade
alegre que vivia de forma descuidada.
A grandeza e gló ria da Assíria eram conhecidas em todo o mundo. Cerca de 225
anos antes, Israel sentiu a mã o de ferro da Assíria na batalha de Carcar (854-853
a.C). Mais de um século antes dessa batalha seus exércitos invadiram a Palestina e
por mais de 50 anos dominaram Judá . Agora, a pró pria Assíria estava madura para
o apropriadíssimo castigo.
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Em sua impia vangló ria de auto-suficiência a Assíria havia alegado que nã o tinha
rival. Esta foi, também, a alegaçã o da Babilô nia, registrada em Isaías 47:8 (cp.
Apocalipse 3:17). Auto-suficiência é atributo pró prio de Deus (Isaías 45:21-22).
Por causa dessa arrogâ ncia aquela naçã o é reduzida à mais vil desolaçã o, lugar
apenas para animais. A magnitude e subitaneidade de sua destruiçã o farã o dela
objeto de escá rnio e desdém de todos os que por ali passarem. Eles farã o sinal com
a mã o dando a entender que ela trouxe o juízo sobre si pró pria.
Quando o grego Xenofonte passou pelo sítio de Nínive no ano 401 a.C., verificou
que outrora existira ali uma grande cidade, destruí da porque Zeus havia privado
seus habitantes de suas faculdades mentais. Que insensatez e insanidade do
insignificante homem arrogar-se prerrogativas e atributos divinos!
O Senhor os provará
IRA E BÊNÇÃO
Depois da série d ais contra as naçõ es, registrada no capítulo dois, o profeta
retorna, no capítulo três, à sua mensagem a Jerusalém. Esta, por ser tã o favorecida
e privilegiada, muito mais se esperava dela na forma de fé e obediência ao Senhor.
A naçã o vista coletivamente tem contra si quatro acusaçõ es: Nã o obedecia à voz de
Deus na Lei e pela boca dos profetas. Nã o aceitava a disciplina e, quando os
castigos de Deus a atingiam, nã o aprendia as liçõ es intencionadas. Nã o confiava no
Senhor, mas em si pró pria, em seus ídolos e em seus aliados. Nã o se aproximava do
seu Deus em fé, adoraçã o e arrependimento, mas alienava-se dele embora ele
buscasse estar perto dela (Deuteronô mio 4:7).
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Tal como o povo, assim eram os dirigentes. Três classes nacionais — os príncipes,
os profetas e os sacerdotes — sã o selecionadas para condenaçã o especial. Nã o há
denú ncia alguma contra o piedoso rei Josias. Os príncipes, porém, eram como leõ es
rugidores no meio da naçã o. Andavam sempre em busca de mais presa.
Os que deveriam ser pastores do rebanho eram seus devoradores (1:8-9; Miquéias
2:2; Zacarias 11:4). Os juízes eram gananciosos insaciá veis, devorando tudo
repentinamente em sua fome voraz. Nada deixavam até ao amanhecer.
No versículo quatro temos a ú nica denú ncia contra os profetas nesse livro. Eles
eram culpados de frivolidade, tratando com leviandade os assuntos mais sérios.
Nã o havia seriedade ou firmeza em sua vida ou ensino. Eram traiçoeiros porque
infiéis à quele a quem alegavam representar, antes incentivando o povo em seu
afastamento do Senhor. Por meio de seus atos ímpios eles profanavam o santuá rio
e tornavam profanas as coisas sagradas. Violentavam a Lei, distorcendo seu claro
intento e significado quando ensinavam o povo (Cp. Ezequiel 22:26). Príncipes,
profetas e sacerdotes eram todos culpados de contaminar as naçõ es por seus maus
caminhos e exemplos.
A despeito das iniqü idades e corrupçõ es de Jerusalém, o justo Senhor está no seu
meio. A presença de Deus no meio dela assegura, com maior razã o, seu juízo pelo
pecado. Ele nunca está envolvido com a iniqü idade.
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Por mais que o Senhor os tivesse destinado para juízo por causa dos seus pecados,
ainda assim, se eles se arrependessem, ele lhes perdoaria e nã o destruiria a cidade.
Eles, porém, contestando e desagradando ao Senhor, levantavam-se de madrugada,
indicando assim que estavam decididos a continuar em seus caminhos
pecaminosos e corrompidos. Bem cedinho, no Oriente, é a melhor hora para se
fazer negó cios. Com grande zelo e diligência eles perseguiam seu curso
pecaminoso. Grande é a seduçã o do pecado e grande é a pena que ele acarreta, mas
o homem, nã o obstante, corre de maneira precipitada para ele.
Tem-se entendido a presa como aqueles que, dentre as naçõ es, se inclinarã o para
ele como sua parte na salvaçã o (Isaías 53:12; 52:15; 49:7). Mas deve haver
destruiçã o e extermínio antes que isso se concretize.
Os piedosos devem esperar o juízo de Deus contra as naçõ es, pois isso, em ú ltima
aná lise, resultará na sua redençã o. O Senhor está decidido a congregar as naçõ es
(Zacarias 14:2) e remos para derramar sobre eles, em um grande ato de juízo, sua
indignaçã o, sua ira furiosa e o fogo do seu zelo. As palavras sã o vívidas e retratam
uma cena de grande importâ ncia profética. Veja também Joel 3:1-3 e 3:12-16. (De
acordo com os eruditos massoréticos, que trabalharam fielmente no texto do
Antigo Testamento, o versículo oito é o ú nico do Antigo Testamento em que
ocorrem todas as letras do alfabeto hebraico, mesmo as letras finais).
O restante do capítulo três trata dos tempos messiâ nicos. Nesses versículos temos
radiosas promessas de bênçã o e restauraçã o para o povo de Deus e para as naçõ es.
Sofonias esboça agora os resultados dos juízos divinos sobre as naçõ es. Depois de
derramar sua ira contra os ímpios entre as naçõ es, entã o, no programa de suas
misericó rdias, o Senhor concederá aos gentios uma língua pura a fim de que eles
possam invocar-lhe o nome e servir-lhe de comum acordo.
O profeta nã o está predizendo uma língua universal (no dizer de alguns a língua
hebraica, como se houvesse um inverso de Babel), mas que o falar impuro das
naçõ es será purificado. Será um linguajar purificado, incontaminado, em vez de
uma fala clara, facilmente entendida. (Note Isaías 6:5 com relaçã o ao pensamento
oposto.) A impureza, da qual eram antigamente culpados, provinha de suas
imprecaçõ es e de suas oraçõ es a deuses falsos.
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O restante das naçõ es é, por conseguinte, indicado como convertido ao Senhor. As
naçõ es aprendem a justiça mediante o julgamento. Todas invocarã o o nome do
Senhor, o que significa restauraçã o das condiçõ es indicadas em Gênesis 4:26. Elas
nã o apenas adorarã o o Senhor de lá bios, mas também o servirã o de comum acordo
(literalmente, ombro).
Os rios da Etió pia sã o braços do Nilo: o Atbara, o Astasobas, o Nilo Azul e o Nilo
Branco. A terra é a pró pria Etió pia (Isaías 18:1).
Os restantes de Israel
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Nem o opressor interno nem o estrangeiro os importunarã o. Eles desfrutarã o as
ricas bênçã os de Deus sem que sejam molestados e perturbados (Miquéias 4:4;
7:14). Eles cumprirã o seu chamado divino (Exodo 19:6).
Mas a histó ria completa de bênçã o e restauraçã o nã o foi contada com minú cias. O
profeta descreve-a agora com mais pormenores. Em face do alegre dia que se
aproxima eles sã o exortados a cantar, gritar, alegrar-se e rejubilar-se. Deus nunca
multiplica palavras como essas sem intencionar uma declaraçã o enfá tica.
Esta é uma das mais ousadas afirmativas da Bíblia. Declara-se que Deus descansará
em êxtase silente em seu povo, Israel. Que tranqü ilidade para Israel! O amor é
grande demais para ser expresso por meio de palavras. O Senhor descansará nele
com satisfaçã o. A idéia de que Deus já nã o tem oportunidade de reprovar e
denunciar só pode ocupar aqui lugar secundá rio. Ele tem alegria silenciosa em seu
amor. Entã o se rompe o silêncio com câ ntico. Leia o que diz o Salmo 29:3-9 sobre a
voz do Senhor, e imagine, se puder, que cançã o de jú bilo será .
Nesse tempo, no dia milenial, precedido primeiro pelo juízo sobre os inimigos de
Israel, o Senhor exterminará aqueles que afligiram o seu povo. Ele lhes dará a paga
que mereceram. Os coxos e os que foram expulsos representam todos os da
dispersã o, e todos serã o redimidos e restaurados. Em vez de serem alvo de
vergonha e de escá rnio entre todas as naçõ es, Deus lhes dará um nome celebrado
em toda a terra.
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Israel realizará o que foi seu destino desde o princípio (Deuteronô mio 26:19). O
Senhor exercerá seu cuidado pastoral sobre eles, recolhendo-os e congregando-os
ao seu redor, trazidos do cativeiro. Será tã o maravilhoso que eles mal poderã o crer.
Nã o obstante, o fato se concretizará diante de seus olhos. Bendito e alegre dia para
Israel jogado de um lado para outro pela tempestade.
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