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Supervisão e Inspeção Escolar

O documento discute a função social da escola no mundo contemporâneo e a necessidade de investimentos reais no processo educacional brasileiro para solucionar diversos problemas do país. No entanto, é necessário pensar em uma política de melhoria da qualidade de ensino que articule insumos e processos, não apenas investindo no ensino superior, mas também na educação básica e em aumentar a taxa de conclusão escolar. A baixa qualidade da educação brasileira afeta principalmente os alunos da rede pública, que dependem de escolas com problemas como salários e conteúdos
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Supervisão e Inspeção Escolar

O documento discute a função social da escola no mundo contemporâneo e a necessidade de investimentos reais no processo educacional brasileiro para solucionar diversos problemas do país. No entanto, é necessário pensar em uma política de melhoria da qualidade de ensino que articule insumos e processos, não apenas investindo no ensino superior, mas também na educação básica e em aumentar a taxa de conclusão escolar. A baixa qualidade da educação brasileira afeta principalmente os alunos da rede pública, que dependem de escolas com problemas como salários e conteúdos
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Supervisão e Inspeção Escolar

Brasília-DF.
Elaboração

Mariana Leme Belchior

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário

Apresentação................................................................................................................................... 4

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa...................................................................... 5

Introdução...................................................................................................................................... 7

Unidade i
função social da escola no mundo contemporâneo............................................................ 11

Capítulo 1
A Função Social da Escola............................................................................................. 12

Capítulo 2
Escola, democracia e cidadania: Escola Pública e Educação para a Democracia. 18

Capítulo 3
A Escola como Organização Aprendente: Escola e Cultura...................................... 24

Unidade iI
gestão de qualidade na escola................................................................................................... 27

Capítulo 1
Conceitualização: Gestão e Qualidade.......................................................................... 28

Capítulo 2
Qualidade na Escola como Construção Coletiva...................................................... 31

Capítulo 3
Escola Democrática........................................................................................................ 36

Unidade iII
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar........................................................... 40

Capítulo 1
A Supervisão Escolar e a Legislação.............................................................................. 41

Capítulo 2
A Inspeção Escolar e a Legislação................................................................................. 44

Capítulo 3
A Ação Pedagógica do Supervisor e do Inspetor Escolar.......................................... 46

Para (não) Finalizar....................................................................................................................... 48

Referências..................................................................................................................................... 50
Apresentação
Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade
de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos
a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma
competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para
vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de to rná-la subsídio valioso, de modo a facilitar
sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a
como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

4
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de
forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões
para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e
pesquisas complementares.

A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos
e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer


o processo de aprendizagem do aluno.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

5
Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Exercício de fixação

Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não
há registro de menção).

Avaliação Final

Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso,


que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber
se pode ou não receber a certificação.

Para não finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

6
Introdução
A seguir, leia o texto de Lívia Alves Branquinho e realize as atividades propostas.

Atualmente, a educação brasileira encontra-se em transformações, tanto na questão teórica e


prática, quanto ao que tange suas políticas educacionais, tornando-se instrumento de promoção em
épocas eleitorais.

[...] O princípio de que a educação é dever do Estado, não implica o imobilismo da população
e de cada indivíduo: a educação é também dever de todos, pais, alunos, comunidade. Com essa
mobilização da população em defesa do ensino público, é possível pressionar ainda mais o Estado
para que cumpra o seu dever de garantir a educação pública, gratuita e de bom nível para toda a
população. Uma população acostumada a receber um bom serviço se mobilizará para continuar a
tê-lo. (GADOTTI, 1995, p. 7-8).

Novamente, o tema é alvo de especulação política, em que uma necessidade para a viabilização do
desenvolvimento do país se resume em promessas miraculosas de campanha. Nesse aspecto, Darcy
Ribeiro em seu texto publicado como prólogo da Revista “Carta: Falas, Reflexões Memórias” (1995),
Educação e a Política, afirma que, a rica direita brasileira, desde sempre no poder, sempre soube
dar, aqui ou lá fora, a melhor educação a seus filhos. Aos pobres, dava a caridade educativa mais
barata que pudesse, indiferente à sua qualidade (...). (RIBEIRO, 1995, p. 2).

É fato, que para conseguirmos alcançar a solução de diversos problemas enfrentados em nosso
país, é necessário que se façam investimentos reais no processo educacional, mas a situação é
muito mais complexa do que se pensa, pois não se implanta uma política de educação investindo
somente em Ensino Superior, sendo que a realidade que mais afeta o país nesse sentido está na
qualidade do ensino dispensado ainda no processo de escolarização básico, e em quantos alunos
concluem esse ensino.

Assim, embora a redefinição de políticas de financiamento e alocação de recursos para a educação


brasileira seja urgente e necessária, é preciso pensar de forma articulada num conjunto de
indicadores que permita configurar uma escola e um ensino de qualidade numa perspectiva que
abranja insumos, clima e cultura organizacional e avaliação, ou seja, é preciso pensar numa política
de melhoria da qualidade de ensino que articule insumos e processos. (OLIVEIRA ARAÚJO,
2005:20) [...].

[...] A baixa qualidade de nossa educação pode ser observada sob diversos aspectos, cujo principal
personagem é o aluno, que vive a margem da discriminação social por depender de uma escola
pública que não satisfaz a necessidade de escolarização para sua inserção de forma igualitária na
sociedade, que cada dia tem se tornado mais competitiva. A realidade das instituições públicas
de ensino é assustadora, visto que, em muitas instituições, nem profissionais preparados para
professarem o ensino possuem, e quando os tem, não valorizam nem o tempo que é dispensado
para o exercício de sua profissão, quanto mais a qualidade daquilo que ensinam. Salários

7
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo

baixos, conteúdos retrógrados, falta de infraestrutura, são algumas das dificuldades enfrentadas
pela educação brasileira, e que entra governo e sai governo continua no mesmo patamar de
desenvolvimento. Simplesmente acabar com o analfabetismo não resolve o problema, pois
visão crítica de mundo não se adquire assinando o nome ou fazendo contas, desenvolve-se
por meio de discussões mais maduras sobre a realidade que acontece à sua volta, mas penso que o
problema está justamente no medo da conscientização [...].

Diante disso, cabe uma discussão sobre o atual padrão de atendimento no ensino brasileiro, bem
como uma reflexão sobre alguns aspectos do padrão de qualidade que almejamos para assegurar
o direito à educação, não apenas do ponto de vista do acesso. (OLIVEIRA ARAÚJO, 2005, p. 17).

É louvável que se invista em inserção do jovem no Ensino Superior, mas grande parte deles não
consegue concluir no Ensino Fundamental, pois precisam colocar o pão em casa, e a necessidade
fala mais alto do que a vontade de continuar na escola, mesmo porque a escola nem sempre traz
consigo atrativos para a permanência de seus alunos, e isso pode ser observado pelo grande número
de menores em idade escolar envolvidos em situações de violência e criminalidade, sem contar a
expansão do uso de drogas na realidade vivida por eles.

Com efeito, os números apresentados indicam que, apesar da ampliação do acesso à etapa
obrigatória de escolarização observada nas últimas décadas, o direito à educação tem sido mitigado
pelas desigualdades tanto sociais quanto regionais, o que inviabiliza a efetivação dos dois outros
princípios basilares da educação entendida como direito: a garantia de permanência na escola e com
nível de qualidade equivalente para todos (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2005, p.13).

Diante da realidade que nossa sociedade vive e dos resultados que estamos colhendo em nosso
dia a dia, é evidente que a educação discutida não está sendo priorizada, pois, a cada dia, estamos
perdendo ainda mais nossos valores morais, o que pode ser observado por tantos escândalos
políticos, que também estão sendo vivenciados por nossos jovens. Investir em educação é muito
mais do que abrir vagas, é ter responsabilidade com a formação de um novo cidadão que integrará o
processo social, e será o principal personagem na busca pelo desenvolvimento e pela transformação
da realidade vergonhosa que nosso país tem vivido, e esse investimento só trará frutos se for feito a
partir da semente, ou seja, a educação é um todo, e só alcançará sua finalidade se valorizada em sua
totalidade. [...].

Extraído de:[Link]
[Link] – Acesso em 6/4/2009.

Após a leitura, registre sua reflexão sobre a importância da conscientização e da


participação da sociedade nestas questões políticas.

8
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

Objetivos
»» Refletir sobre as relações existente entre Escola, Cotidiano Escolar e Sociedade.
Debater e analisar os obstáculos e a valorização do papel social da educação na
sociedade contemporânea, de forma a familiarizar o ambiente escolar como espaço
aprendente.

»» Analisar o sistema educacional brasileiro nos seus diversos níveis e modalidades,


considerando os aspectos administrativos, qualitativos, didáticos e financeiros.

»» Analisar alguns conceitos-chave para a pesquisa de administração da educação


e da escola pública: democracia e desigualdades, administração pública e gestão
democrática, autonomia, saber e relações de poder no cotidiano escolar.

»» Instrumentalizar o Inspetor e o Supervisor Escolar com formação humanística e


competências técnicas específica à sua atuação, por meio do desenvolvimento e do
aprimoramento de sua capacidade de gerar soluções aos desafios do contexto social,
mediante sua atuação dentro das normas do sistema e unidades de ensino, segundo
as políticas educacionais vigentes.

9
função social
da escola Unidade i
no mundo
contemporâneo
“A boa educação é moeda de ouro, em toda parte tem valor.”

(Padre Antônio Vieira)

A sociedade brasileira é marcada pelas desigualdades sociais, econômicas e culturais, tendo como
resultado um processo histórico de disputa segundo os interesses sociais.

Desse modo, cabe aos cidadãos exercer seu papel perante esta sociedade construída por todos,
exigindo de seus governantes uma educação de qualidade acessível a todos, segundo os direitos e as
leis que asseguram tal medida, como a LDB, o FUNDEB e o FUNDEF.

O momento atual coloca-nos as seguintes questões:

Qual a função da escola?

A escola pode ser compreendida como um espaço formado?

11
Capítulo 1
A Função Social da Escola

“O homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela Educação. Ele é
aquilo que a educação dele faz.”

(Immanuel Kant)

Quando falamos em ”escola” necessariamente, pensamos em sua função social, histórica e prática.
Entretanto, a priori, é necessário que se faça uma retrospectiva histórica, sobre as transformações
que influenciaram, o cenário educacional ao longo dos anos, para que possamos definir qual o papel
desempenhado pela escola no contexto educacional e social dos últimos anos.

Após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas tentavam reorganizar suas vidas mesmo com a
confiança abalada, elas buscavam um novo significado querendo viver intensamente a liberdade e
a construção da sociedade planejada. Contudo, três décadas depois, a produção editorial da época
demonstrava que em vários campos relacionados a atividade humana, falava-se em uma “situação
pós”, ou seja, chegava-se ao fim a Era Moderna. A partir daí, tornou-se possível identificar o duplo
sentido da palavra história,

“[...] corresponde às tramas objetivas criadas pelos homens no trabalho,


sistemático ou assistemático, de transmissão de vários tipos de conhecimento,
valores etc. Ao mesmo tempo, significa o estudo científico e a exposição dessas
tramas [...]” (GHIRALDELLI, 2001, p.11).

Segundo Gadotti (2000), as duas últimas décadas do Século XX, foram determinantes as
transformações políticas e culturais, tanto na questão socioeconômicas, quanto no âmbito da ciência
e da tecnologia. Sem dúvida, grandes movimentos marcaram o final dos anos 1980, com a queda
do muro de Berlim e o surgimento da globalização capitalista da economia, das comunicações e da
cultura, surgindo, assim, a Era da Informação.

Estas manifestações foram de grande influência sobre a história da educação, principalmente aqui
no Brasil, pois,

[...] nem bem tínhamos já consolidada uma produção razoável em história social
da educação e da pedagogia e já fomos apanhados de surpresa por uma ideia que
se generalizou, ou seja, a de que não cabe mais à História, muito menos à história
da educação, elaborar macroexplicações e procurara ver o sentido de uma
problemática-objeto, no caso, uma problemática educacional e pedagógica da
época. (...)Todavia, o que propuseram no lugar, não raro, era a volta a uma
descrição, talvez um pouco literária, mas bastante ignorante quanto aos seus
condicionamentos teórico-metodológicos. [...] (GHIRALDELLI, 1996, p.16).

12
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

Podemos dizer, que tanto no Brasil, quanto na Europa e nos Estados Unidos, a historiografia em
geral durante o Século XX, surge como uma nova “maneira” para o pensar, o produzir e o agir
dentro deste contexto histórico e social no qual a história da educação esta inserida.

A escola deve fundamentar-se em um saber integrado que permite aos alunos o desenvolvimento da
autonomia e a participação neste processo social como cidadão. Nesse sentido, a escola ganha uma
importante função representativa em nossa realidade histórica, econômica e social.

O processo de institucionalização da organização-escola representa uma


tendência universal inscrita na longa duração, profundamente normativizada e
reproduzida nas formações sociais contemporâneas. Naturalizada e dada como
certa e óbvia, a dimensão institucional da escola, [...] constitui uma realidade
consistente, evidenciando regularidades, marcas estruturais e morfológicas,
modos de organização, relações de poder; elementos arbitrários, produzidos
e reproduzidos em termos históricos e socioculturais, e desta feita traduzindo
não apenas invariantes institucionalizadas, mas também cambiantes políticas,
configurações estruturais contingentes, formas de governação distintas, ações
polifonicamente afirmadas e localmente construídas. Mesmo quando do ponto
de vista formal-legal a imagem que sobressai é a da estabilidade, a cristalização
de estruturas, regras e relações de poder, ignorando outros textos e regras,
e outras orientações e ações, que as perspectivas formalistas e racionalistas
singularmente diluem e invisibilizam. (LIMA, 2001, pp. 93 e 94).

A questão que se coloca atualmente, segundo Tedesco (1998), diferencia-se da “crise da educação”
até meados da década de 1980 do Século XX, pois essa crise, ao contrário da que se instaurou no
final dos anos 1940, não provem da deficiência de como a educação cumpre os objetivos sociais que
lhe são atribuídos, mas, sim, do fato de não saber qual a finalidade que ela deve cumprir e como deve
orientar suas ações. (apud GIORGI, 2005, pp. 73 e 74).

Nos últimos anos, a sociedade tem avançado significantemente em vários aspectos e a educação
deve estar conectada a essas transformações, de modo que ela acompanhe e evolua de acordo com
o contexto social. Ou seja, a sociedade globalizada economicamente, caracteriza-se pela difusão
e redimensionamento de conhecimentos em rede, o papel e a função social da escola. O papel da
educação nesse novo cenário, tende a ser retomado, implicando novas visões distintas sobre a
escola. Pois, a relação sociedade/escola, para Vieira (2001), abriga, a grosso modo, três posturas:

[...] o otimismo ingênuo, que atribui à escola uma missão salvífica; o


pessimismo ingênuo, onde esta nada mais é do que instrumento de dominação
e; o otimismo crítico, onde ela é percebida como instituição contraditória que
comporta, ao mesmo tempo, a conservação e a inovação, podendo servir para
reproduzir as injustiças, mas, concomitante [...] funcionar como instrumento
para mudanças [...] (CORTELLA, apud VIEIRA, 2001, p. 133).

O processo educacional deve favorecer o acesso desses novos conhecimentos aos estudantes que
compõem essa nova sociedade que, para Durkheim, pode ser compreendida como um conjunto
de seres sociais e não de indivíduos, ou seja, a sociedade é formada por um conjunto de seres

13
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo

socializados e adaptados a normas e valores deste grupo transmitidos por um processo social de
adaptação que somente a educação pode desempenhar.

[...] A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações


que ainda não se encontrem preparadas para a vida social; tem por objetivo
suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais
e morais reclamados pela sociedade no seu conjunto e pelo meio social a que a
criança particularmente se destina [...] (DURKHEIM, 1975, p. 45).

A educação, sob essa nova perspectiva, deixa de ser um processo que ocorre apenas no interior
da escola, ao contrário, utiliza-se desse meio para interagir e modificar todo o contexto social.
Portanto, a educação é uma socialização metódica das novas gerações com a função de uniformizar
e diferenciar os indivíduos, por meio da integração social.

[...] “A educação é ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para


assumirmos a responsabilidade por ele e, como tal gesto, salvá-lo da ruína que seria
inaceitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens” [...](ARENDT,
1992, apud GIANOLLA, 2006, p. 42).

Segundo Perrenoud (apud ALMEIDA, 1999), não cabe ensinar somente a ler, a escrever e a contar,
mas também a tolerar, a raciocinar, a comunicar, a mudar, a agir e a respeitar as diferenças,
coexistindo de maneira eficaz.

Para saber mais:

O Relatório da UNESCO, em concordância a este processo de transformação e


atualização do processo educacional, afirma que a educação deve se apoiar em
quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e
aprender a ser.

([Link]

Acesse o site da UNESCO, leia o Relatório Sobre os Quarto Pilares da Educação e


participe de nosso Fórum com sua opinião.

Hoje há uma tendência mundial em que é possível reconhecer a necessidade de se firmar essa
escola educativa, contudo, por outro lado, existe uma ideia predominante sobre a “função da
escola”, a qual ainda compreende esse espaço de maneira estreita e tradicional destinada apenas
ao aperfeiçoamento dos indivíduos em relação a sua função trabalhista, visando ao crescimento
econômico.

Na Reunião Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED),


Singer (1996) apresentou duas grandes tendências que permeiam o debate educacional atualmente:
a civil (democrática) e a produtivista. A tendência civil atribui à educação e aos professores um papel

14
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

amplo e significativo nesse processo educacional, enquanto, a tendência produtivista apresenta-se


de maneira mais tecnicista e estreitando o papel do professor. Ou seja, nesta nova escola, a função
deve ir além do tradicional, cabendo ao professor uma importante tarefa como formador do processo
de construção do conhecimento. (apud LEITE; GIORGI, 2004, p. 6).

Procure entender quais os objetivos do processo educacional na atualidade. Será que


a “escola” tem clareza da sua função social e da sua importância, como instrumento
de formação do cidadão? Qual a postura da escola perante a sociedade?

Registre suas reflexões sobre este tema.

Nos dias atuais, existe uma certa pressão em relação a escolarização. Acredita-se que a vida escolar,
desde a pré-escola até a universidade, não deve priorizar apenas a transmissão de informações ou
dados, o saber deve ser compartilhado por meio da troca e da socialização com o outro e com o
mundo, tornando-se muito mais significativo, ágil, eficiente e eficaz aos envolvidos.

[...] o saber será ensinado como realidade viva, provocante, apaixonante,


expressão de buscas, tropeços, de equívocos e de achados realmente novos
e interessantes, feitos por seres humanos finitos e limitados, mas estudiosos
e que, em sua época e contexto, duvidaram, interrogaram e questionaram o
saber e os métodos consagrados como verdadeiros, produzindo outros que
os superaram. Assim, as ciências, a tecnologia, a filosofia, as letras e as artes
perderam o suposto caráter de realidades enfadonhas e entediantes, alheios
ao mundo dos homens, das crianças e dos jovens, recuperando seu sentido e
gênese historicamente determinados [...] (COELHO, 2003, p. 50).

Assim, podemos dizer que uma das funções da escola é formar cidadãos, seres humanos, enfim,
pessoas que consigam interrogar-se sobre saberes e métodos apresentados, criando novas
possibilidades por meio do gosto pela leitura, pelo estudo e, fundamentalmente, pelo conhecimento.
Segundo Arendt (1992), o “educar” pode ser compreendido como a nossa contribuição, ação e
participação na sociedade em que vivemos, a partir de nossa compreensão em relação ao mundo
como tal, por meio da convivência em sociedade.

Nesse sentido, é fundamental que façamos uma reflexão criteriosa sobre o tipo de trabalho que
vem sendo desenvolvido nas escolas e quais os resultados e os efeitos desta postura presente no
cenário escolar, pois a escola desempenha uma função social muito importante na sociedade e,
principalmente, na formação de crianças e jovens, pois colabora diretamente na construção de um
indivíduo participativo e crítico, capaz de modificar sua existência e sua postura como como cidadão
perante a sociedade.

Mediante essas transformações sociais, culturais, políticas e econômicas, não podemos mais
compreender o ensino como uma simples técnica, em que se transmite os saberes e os conhecimentos
por meio de informações contidas na forma de conteúdos, que devem ser apresentados e assimilados
pelos alunos. Ao contrário, a ideia de uma escola democrática e participativa que tem, como função
central, a formação de todos os alunos em seres humanos, sujeitos de sua ação e situação, tornando-
os cidadãos conscientes e participativos, nos remete aos “agentes” responsáveis por este processo de

15
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo

transformação ao qual o indivíduo se depara no cenário educacional (a direção, os professores, os


funcionários que cuidam da supervisão e a inspeção do ambiente escolar).

Não há dúvidas de que a escola possui uma grande capacidade de interagir com a comunidade
e dialogar com outros setores sociais. Devemos, pois, compreender a escola como uma pequena
comunidade da grande sociedade em que vivemos, capaz de proporcionar aos indivíduos as
orientações necessárias à sua realidade. Ou seja, tratados para saber lidar com novas situações-
problema, por meio do desenvolvimento da capacidade de pensar e aprender a resolvê-las em sua
realidade prática. (LEITE; GIORGI, 2004, p. 6).

Ainda falando sobre a função da escola no Brasil, verifique o texto de Sofia Lerche
Vieira “Escola – função social, gestão e política educacional” in: Gestão da educação.
A autora apresenta um breve tratado histórico e conceitual sobre o papel da escola,
a partir das tendências pedagógicas, no cenário educacional brasileiro.

Durkheim, atribui a educação as seguintes funções.

»» Influência das gerações mais velhas aos mais jovens.

»» Instrumento de constituição e manutenção da sociedade.

»» Transformação do ser egoísta por natureza (homem) em ser social.

»» Processo coercitivo.

Para concluir, podemos dizer que a escola tem desempenhando uma importante função social,
histórica, política e cultural aos indivíduos como um todo, como “instrumento modificador”,
pois, situa-se nas diretrizes da sociedade, ultrapassando os limites de suas estruturas geográficas
mediante uma nova perspectiva antropológica e histórica.

Gadotti, (2000, p. 4) afirma que [...] “algumas perspectivas teóricas que orientaram
muitas práticas poderão desaparecer, e outras permanecerão em sua essência. Quais
teorias e práticas se fixaram no ethos educacional, criaram raízes, atravessaram o
milênio e estão presentes hoje? Para entender o futuro, é preciso revisitar o passado.
No cenário da educação atual, podem ser destacados alguns marcos, algumas
pegadas que persistem e poderão persistir na educação do futuro. [...]”

A seguir, abordaremos o papel da escola como espaço prático dos princípios democráticos e formador
de cidadãos, e a repercussão dessa nova postura dentro do espaço público.

16
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

Sobre este tema, verifique os sites:

[Link]/dppg/revista/arqRev/[Link]

[Link]/olhardeprofessor/pdf/revista21_artigo02.pdf -

[Link]/perspectiva_2004_01/04_artigo_canario.pdf -

[Link]

[Link]/.../concepcao-critico-emancipatoria-no-estagio-curricular-
supervisionado-em-edu... - 51k -

17
Capítulo 2
Escola, democracia e cidadania:
Escola Pública e Educação para a
Democracia

“Na base da educação atual existe a preocupação de respeitar o homem em sua


dignidade (universal) e em sua especificidade (individual).”

(Nicola Abbagnano)

O mundo atual, mediante o processo de globalização e dos avanços sociológico, tecnológico e


científico, sofreu grandes transformações nas últimas décadas ocasionando verdadeiras revoluções
no contexto social, por meio da instituição de novos princípios nas relações humanas, culturais
(nacionais e internacionais) e no ambiente de trabalho.

Segundo, Bolívar (2006), essas transformações sociais, tanto relacionadas a questão do meio
ambiente, quanto do homem, representaram um grande impacto no contexto social, desestabilizando
toda uma tradição social e cultural, exigindo dos indivíduos e de suas instituições – como a escola
– um processo de transformação mediante hábitos e valores. Ou seja, caberia a essa nova escola,
criar possibilidades de interação entre esses referenciais e a aquisição do conhecimento, por meio
de sua metodologia e organização, pois, além da aquisição do conhecimento, ela proporcionaria ao
indivíduo uma nova postura diante dessa sociedade, onde caberia a ele, desenvolver-se de modo
mais crítico e dinâmico.

Atualmente, o grande debate que envolve o contexto educacional é sobre a


qualidade do ensino que a escola proporciona. Ou seja, a escola atual está preparada
a atender a individualidade e a heterogeneidade que a comunidade apresenta?
Existe uma escola de qualidade para todos?

As teorias, as práticas e as leis que regem a educação nacional e a melhoria do processo de ensino
e de aprendizagem em nosso país buscam garantir uma escola de qualidade capaz de atender a
todos, visando à autonomia intelectual. Assim, diante dessa diversidade, a escola, por meio da
compreensão e do respeito, alcança a qualidade do ensino por meio de uma estruturação educacional,
proporcionando um novo paradigma a essa sociedade, tradicionalmente, exclusiva.

Acesse e saiba mais sobre:

Art. 206 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (Alterado
pela EC-000.019-1998).

1. igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.

18
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

2. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte


e o saber.

3. pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de


instituições públicas e privadas de ensino.

4. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.


(obs. [Link].2: Art. 242, Disposições Constitucionais Gerais – CF).
([Link].5: Cobrança de Taxa de Matrícula nas Universidades Públicas
– Constitucionalidade – Súmula Vinculante no 12 – STF).

5. valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma


da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso
público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Alterado pela EC-
000.053-2006).

6. gestão democrática do ensino público, na forma da lei.

7. garantia de padrão de qualidade.

8. piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar


pública, nos termos de lei federal. (Acrescentado pela EC-000.053-2006).

Fonte: ([Link]

Esse processo de reinvenção da escola, trata-se de uma proposta contemporânea, com um único
propósito: tornar-se um espaço destinado à formação do indivíduo, competente o suficiente para
a realização dos seus projetos, autônomo e crítico. Contudo, para que esse novo indivíduo consiga
desempenhar sua cidadania, é necessário que a escola crie alternativas viáveis de participação –
tanto nas questões relacionadas a comunidade, quanto na gestão escolar, de modo aberto e acessível,
tal como se espera de uma gestão democrática.

De acordo com Garcia (1980), existe uma pequena articulação entre as relações de convivência
social instituídas pela escola e pela cidadania, pois somente com a diversidade e no exercício da
convivência entre os diferentes é que se aprende a sobreviver em sociedade.

Visando a garantir uma educação direcionada à cidadania, os Parâmetros Curriculares Nacionais


(1998) instituíram alguns princípios orientadores da educação escolar, tais como dignidade,
igualdade, participação e responsabilidade pela vida social. No terceiro e quarto ciclos do
Ensino Fundamental, na introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais, podemos encontrar
fundamentações teóricas sobre os seguintes assuntos.

»» Dignidade da pessoa humana, que implica o respeito aos direitos humanos,


repúdio à discriminação de qualquer tipo, acesso a condições de uma vida digna,
respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas.

19
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo

»» Igualdade de direitos, que se refere à necessidade de garantir que todos tenham


a mesma dignidade e possibilidade de exercício da cidadania. Para tanto, há de se
considerar o princípio da equidade, isto é, que existam diferenças (éticas, culturais,
regionais, de gênero, etárias, religiosas etc.) e desigualdades (socioeconômicas) que
necessitam ser levadas em conta para que a igualdade seja efetivamente alcançada.

»» Participação, que, como princípio democrático, traz a noção de cidadania


ativa, isto é, da complementaridade entre a representação política tradicional e a
participação popular no espaço público, compreendendo que não se trata de uma
sociedade homogênea e, sim, marcada por diferenças de classe, étnicas, religiosas
etc.

»» Corresponsabilidade pela vida social, que implica partilhar com os poderes


públicos e os diferentes grupos sociais, organizados ou não, a responsabilidade
pelos destinos da vida coletiva.(BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais, 1998,
p.174).

Esses são alguns princípios que devem ser trabalhados dentro do âmbito escolar, para que possamos
aprimorar o conceito de democracia e igualdade. Referem-se aos processos de conscientização de
educadores e educandos, para a construção coletiva de um novo saber, que para Freire, refere-se
a um “... um processo que nasce da prática humana na transformação da realidade social”. (apud
KUNZ, 1991, p. 146).

Para compreender essa nova concepção democrática de escola, devemos definir alguns conceitos
fundamentais a essa discussão, tais como democracia, cidadania, educação e público.

O uso do termo Democracia, atualmente, adquiriu uma dimensão que ultrapassa o significado específico
de forma de governo – governo do povo, pelo povo e para o povo, para indicar um modo de ser e de
pensar. [...] No seu significado propriamente político, é preciso distinguir uma acepção tradicional e
uma moderna. Na Antiguidade e na Idade Média, a Democracia, mesmo que com outro nome, era uma
das três formas positivas de governo. [...] Na Idade Moderna, pode ser vista como a atitude política que se
opõe ao absolutismo, segundo uma perspectiva liberal ou social. Na Idade Contemporânea, apresenta-se
como alternativa ao totalitarismo seja ideológico, seja tecnológico. [...] Parece claro que o conceito
de Democracia vai além da representação de forma de governo para mostrar-se como um verdadeiro
estilo de vida individual e social. (ABBAGNANO, 2007, pp. 277-279).

Podemos dizer que a democracia não pode ser compreendida, somente, como um sistema político
ou uma organização do Estado, mas, sim, como uma forma de participação dos membros da
sociedade em todos os processos cotidianos, tais como, a eleição de um representante, no governo
ou no bairro, ou mesmo sua participação em decisões que envolvam um pequeno grupo de pessoas,
como o bairro, a escola, a sua casa etc.

Para Dewey, “[...] Democracia não é apenas uma ideia e um ideal a atingir, mas é um modo concreto
de vida, um processo de experiência que vai enriquecendo o próprio processo, o qual, desta forma,
avança...” (Apud NEUTZLING, 1984, p. 87). Uma formação social, para que possa ser considerada
democrática, deve considerar as relações e as práticas sociais desenvolvidas por esse grupo de

20
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

pessoas, de acordo com o desenvolvimento da autonomia democrática, ou seja, todos os envolvidos


devem conhecer, praticar e desenvolver seus princípios democráticos desde a infância.

Atualmente, fala-se muito em diversidade cultural, que de acordo com sua definição, pode ser
entendido como o direito a ser diferente. Nesse sentido, quando falamos em autonomia democrática,
estamos assegurando a todos esse direito de ser, escolher e respeitar o modo de viver, as aptidões, os
desejos e os valores segundo a individualidade de cada um.

A democracia, no contexto social, só pode ser considerada real, na medida em que


seus princípios são incorporados à vida cotidiana por meio da prática e da interação
social que envolve o processo de cidadania.

Enquanto na Antiguidade a ideia de Cidadania estava ligada essencialmente à de deveres, e na


modernidade a de direitos, hoje, a ideia de Cidadania resume-se a direitos e deveres. (ABBAGNANO,
2007).

Assim, para que o indivíduo pudesse reivindicar seus direitos como cidadão, ele deveria conquistar
sua autonomia democrática, por meio da sua conscientização sobre a sua capacidade de tomar
decisões, construir e refletir a respeito das possíveis consequências de seus atos, assumindo sua
parcela de responsabilidade perante o grupo social no qual está inserido.

Diante desse novo desafio, a Educação, desempenha um papel fundamental. A exigência de


universalização do direito à Educação traz à luz o nexo entre Educação e Democracia que não
poucos pensadores do Século XX evidenciaram (tais como J. Dewey, J. Maritain, S. Hessen e R.
Dottrens), e que constitui outra peculiaridade ao discurso contemporâneo sobre a Educação, que se
configura em termos pessoais e idiográficos. Ou seja, na medida em que a educação precisa garantir
a esses indivíduos uma formação de qualidade que priorize a cidadania, por outro lado, ele deve
reestruturar suas bases e fundamentações, de acordo com os novos paradigmas, para que possa se
tornar um espaço democrático e participativo. (ABBAGNANO, 2007).

A comunidade, os meios de comunicação e as pessoas costumam criticar as instituições escolares


com mensagens negativas, especialmente quando o assunto se relaciona à democratização do
ensino e às repercussões deste processo educacional no cenário nacional. Entretanto, no cenário
educacional brasileiro, somente após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996,
iniciou-se um processo de transformação dentro das escolas, garantindo a criação e a formação de
ambientes democráticos e autônomos.

Nos últimos anos, o acesso à escola pública tem sido marcante ao contexto histórico e social, pois
a escola pública, que no passado era destinada a poucos, passa a dar lugar a uma nova concepção,
em que há uma grande expansão de atendimento a quase todas as crianças do Ensino Fundamental.
Ou seja, não existe dúvida de que essa expansão representa um avanço democrático essencial à
população. Contudo, Arroyo (2001) vê a necessidade de se considerar a escola pública, como um
espaço de direito, tanto aos gestores, professores e funcionários, quanto aos alunos.

[...] Uma escola pública preocupada em realizar uma verdadeira inclusão social
deve educar todas as crianças e os jovens com qualidade, proporcionando-

21
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo

lhes uma consciência cidadã que lhes assegure condições para enfrentarem os
desafios do mundo contemporâneo. Da mesma forma, será preciso, a partir da
análise e da valorização das práticas existentes, criar novas práticas no trabalho
em sala de aula, na elaboração do currículo, na gestão e no relacionamento
entre equipe escolar, alunos, pais e comunidade. [...] (LEITE; GIORGI, 2004,
p. 6).

A escola pública deve garantir ao seu trabalho a qualidade necessária para o bom desenvolvimento
das práticas cidadãs, por meio do respeito, da tolerância e pelo compromisso em aceitar, reconhecer,
participar e cooperar com cada indivíduo, afim de desenvolver sua autonomia e sua liberdade
participativa como cidadão.

[...] Há uma relação muito próxima entre a noção de direitos e cidadania. Uma relação
de constituição recíproca. Para Marshall, a natureza da cidadania está associada
ao aparecimento do Estado social no moderno Estado-Nação em uma evolução
histórica. Se na primeira fase do capitalismo a cidadania parecia minar os privilégios
consuetudinários de classe e herança do passado feudal, ao mesmo tempo
consolidava as incipientes relações capitalistas de classe, baseada na produção e
na troca de artigos. Assim, “ao destruir um tipo de sistema de classe, a cidadania
promoveu e assegurou um segundo.” (BARBALET, 1989, p. 21).

A cidadania, definida como um status e como um conjunto de direitos, possibilita


às pessoas capacidades ou oportunidades em consequência de seu status, tais
como o reconhecimento pelas autoridades públicas de direitos. Assim, lutas sociais
caracterizam-se pela conquista de um estabelecimento legal de seu status. Um
direito ou um status há de ser publicamente reconhecido como legítimo: uma
incontestabilidade que a vida social requer e, portanto, assume (ibidem, p. 33).
Há, portanto, um teor intersubjetivo dos direitos e uma consideração recíproca de
direitos e deveres, em proporções simétricas de reconhecimento. (HABERMAS, 2002,
p.281).

À medida que os indivíduos, suas sociedades e seus governantes reconhecem certas


exigências como básicas para os seres humanos, essas reivindicações passam a ser
pensadas em um esquema ordenados de direitos. De acordo com Pizon (1998),
primeiro foram as exigências relacionadas à vida e à liberdade ou à autonomia
individual; em seguida, com as liberdades políticas, o direito de participar do governo
da sociedade. Para o autor, há então três gerações de direitos. A primeira geração inclui
os direitos civis e políticos; a segunda, os direitos econômicos, sociais e culturais, ou
somente, direitos sociais; e a terceira geração, denominada direitos difusos em que a
titularidade não está muito explícita – direito à paz, à autodeterminação dos povos,
ao meio ambiente, ao patrimônio cultural da humanidade [...] (ALBUQUERQUE,
2007).

Verifique o texto na íntegra em nossa biblioteca.

22
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

Desse modo, fica evidente que tanto as instituições públicas quanto as privadas devem buscar
a construção desse novo espaço democrático fundamentado na necessidade de (re) invenção
e (re) significação de espaços, conceitos e funções que estavam intrínsecos a nossa prática
cotidiana. Entretanto, mediante esta nova concepção, é possível esperar desta nova escola – como
espaço público, democrático e formador de cidadãos, mais do que uma simples transmissão de
conhecimentos, espera-se desse modelo, uma nova prática, novos gestores, novos profissionais e,
fundamentalmente, uma nova relação e interação com a comunidade e os diferentes setores sociais,
muito mais participativa, democrática e colaborativa.

Assista ao filme “Entre os Muros da Escola” e “Sociedade dos Poetas Mortos”. Nesses
dois filmes, a questão da diversidade cultural no contexto educacional será de
grande evidência.

Neste Capítulo, podemos concluir, que existe uma articulação entre as relações instituídas pela
escola por meio da vivência social entre os diferentes, promovendo junto ao processo de ensino e de
aprendizagem uma nova consciência de socialização com base na democracia, na cidadania e nos
valores éticos.

Assista ao filme “Escritores da Liberdade”, e encaminhe suas reflexões, via e-mail para
seu tutor, sobre os ensinamentos que o professor propõe e as transformações nessa
pequena comunidade.

No próximo Capítulo, abordaremos a relação escola e cultura, a partir dessas fundamentações


iniciais e dos interesses das classes sociais, sob as funções políticas e sociais que a escola representa
no contexto social e histórico.

Algumas escolas, como a Escola da Ponte de Portugal, colocaram em prática esses


novos paradigmas, transformando suas estruturas e o ambiente educacional,
propiciando uma revolução no cenário educacional ao disponibilizar uma educação
de qualidade.
Verifique no site: [Link]

23
Capítulo 3
A Escola como Organização
Aprendente: Escola e Cultura

A educação, no sentido em que a entendo, pode ser definida como a formação, por
meio da instrução, de certos hábitos mentais e de certa perspectiva em relação à
vida e ao mundo. Resta indagar de nós mesmos, que hábitos mentais e que gênero
de perspectiva pode-se esperar como resultado da instrução? Um vez respondida
essa questão, podemos tentar decidir com o que a ciência pode contribuir para a
formação dos hábitos e da perspectiva que desejamos.

(Bertrand Russell)

A partir da década de 1980, surge um novo conceito histórico e cultural sobre a instituição escolar,
ou seja, não cabe neste novo ambiente escolar a ideia de um ambiente de reprodução que visa à
funcionalidade, segundo as análises macroestruturais, ao contrário, busca superar a dicotomia por
meio das ciências sociais e da diversidade cultural e social que ela apresenta.

A escola, como espaço sociocultural, tem como finalidade promover o desenvolvimento das
potencialidades cognitivas, físicas e afetivas dos indivíduos por meio de um processo de ensino-
aprendizagem sistemático (conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) (LIBÂNEO; OLIVEIRA;
TOSCHI, 2003, p. 19).

Outro papel da escola refere-se ao fato de esta ser uma organização aprendente, caracterizada por
sua emancipação cultural, baseada nas experiências e nas vivências de um processo contínuo em
seu projeto educativo. Para isso, é necessária uma reformulação nas práticas adotadas, criando,
assim, um novo paradigma cultural no cenário educacional contemporâneo.

[...] A escola é a instância integrante do todo social, sendo afetada pela estrutura
econômica e social, pelas decisões políticas e pelas relações de poder em vigor
na sociedade. [...] Isso mostra que há uma relação de influência mútua entre a
sociedade, o sistema de ensino, a instituição escolar e os sujeitos – ou seja, as
políticas e as diretrizes do sistema de ensino podem exercer forte influência e
controle na formação da subjetividades de professores e alunos[...] (LIBÂNEO;
OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 17).

A escola deve ser compreendida como um espaço democrático, dialógico e crítico, ou seja, uma
organização aprendente, capaz de estimular a interação entre os alunos, constituindo-se em um
ambiente aberto, dinâmico e flexível.

A instituição educativa deve promover a formação cultural dos indivíduos por meio do processo de
aprendizagem junto a sociedade. Do ponto de vista antropológico, cultura pode ser considerada como
tudo o que nos cerca, pois, é composta por interpretações cognitivas e representativas, individuais

24
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I

e coletivas. Ou seja, não existe culturas particulares, mas, sim, um processo social. Assim, podemos
dizer que a cultura organizacional é uma cognição coletiva.

[...] A cultura é um conjunto de conhecimentos, valores, crenças, costumes,


modos de agir e de se comportar adquiridos pelos seres humanos como
membros de uma sociedade. Esse conjunto constitui o contexto simbólico que
nos rodeia e vai formando o nosso modo de pensar e de agir, isto é, nossa
subjetividade [...] (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 29).

A escola deve estar atenta aos anseios da comunidade, buscando participação nos diferentes grupos,
tornando-se um espaço de construção e vivência à cidadania. Assim, a escola, que se apresenta
como um local de vivência e cidadania, deve pautar-se na contextualização e na apreensão dos
conhecimentos teóricos, sistemáticos e práticos. Cabe a escola incentivar a cidadania, por meio da
convivência, aceitação a diversidade, a estimular indivíduos reflexivos, responsáveis, comprometidos
e participativos.

A escola pode ser compreendida como uma organização que promove a interação
entre as pessoas. Assim, a organização escolar poderia ser definida como uma
unidade social?

O processo educativo pode ser compreendido como um procedimento social que objetiva contribuir
com o procedimento real do cultivo histórico que a vivência humana possibilita. Nesse sentido,
a escola desempenha papel importante na fundamentação histórica da sociedade, promovendo a
interação por meio da convivência e da construção individual de cada um.

A escola aprendente baseia-se no conhecimento coletivo das diferentes trocas e situações de


aprendizagem do grupo. Para tal, esse espaço tem necessidade de profissionais flexíveis e atentos
a formação continuada, como agente mediador e facilitador do conhecimento, criando novas
possibilidade de interação social.

[...] “A organização escolar é um espaço de compartilhamento de significados,


de conhecimento e de ações entre as pessoas [...] transforma a escola em lugar
de compartilhamento de valores e de práticas, por meio do trabalho e da
reflexão conjunta” [...] (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 24).

A educação, atualmente, pode ser considerada um veículo de promoção ao


desenvolvimento individual e coletivo, por meio de sua inserção histórica e cultural
no sistema educacional. Neste sentido, falar em uma cultura global significa
considerar os aspectos transversais que caracterizam a cultura escolar.

Pesquise na Internet um texto, um artigo ou uma reportagem sobre a importância


da escola no contexto sociocultural. Faça uma breve apresentação sobre o trabalho
e poste em nossa biblioteca.

25
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo

Diante das leituras dos Capítulos 1, 2 e 3, podemos concluir que a escola tem uma grande
representatividade perante a sociedade. Assim, devemos repensar o trabalho desenvolvido nas
escolas nos dias atuais, pois cabe a seus representantes, alunos e sociedade, estabelecer uma
reflexão criteriosa sobre a funcionalidade e a importância desse ambiente como espaço de formação
e aprendizagem.

[Link]

[Link]
viva/escola_viva/

[Link]

26
gestão de
qualidade na Unidade iI
escola

“A boa educação é moeda de ouro, em toda parte tem valor”.

(Paulo Antonio Vieira)

Pesquisas, recentes, revelam que uma gestão educacional de qualidade tem apresentado reflexos
positivos tanto no que se refere ao corpo estrutural da instituição (docentes, funcionários e técnicos),
quanto ao desempenho dos alunos. De acordo com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica (SAEB), nas instituições onde o diretor e os professores apresentam uma boa qualificação
acadêmica, o desempenho dos alunos é melhor.

Neste novo cenário educacional, a escola pública, que representa a maioria das
instituições de Ensino Médio, deve requerer seus direitos, buscando novos estímulos
por meio de políticas sociais, que garantam aos profissionais melhores condições de
trabalho e formação, para que essas escolas possam ter uma gestão de qualidade
que torne possível a recriação do espaço público e social.

Pensando um pouco sobre essas questões, nesta Unidade, trataremos da questão da gestão e da
qualidade do ensino, por meio de um novo paradigma: a escola democrática. No primeiro no
Capítulo, abordaremos a Conceitualização de Gestão e Qualidade; no segundo, a Qualidade na
Escola como Construção Coletiva e, por fim, no último capítulo, as Concepções e as Características
da Gestão Democrática na Escola.
Capítulo 1
Conceitualização: Gestão e Qualidade

Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com
adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho,
inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda.
(Paulo Freire)

No mundo contemporâneo, vem acontecendo muitas transformações – sociais, políticas e


econômicas, que conduziram a sociedade atual a uma nova realidade, em que a questão da qualidade
tem papel fundamental. Assim, este capítulo procura demonstrar como, ao longo da última década,
a escola tornou-se foco de discussão e de reflexão da política educacional.

A globalização, as mudanças políticas institucionais, técnico-econômicas e culturais, a


competitividade nas diferentes áreas foram determinantes para a centralização do papel que a
educação e a produção de conhecimentos perante a sociedade contemporânea exercem.

[...] Com a transnacionalização do capital, ultrapassando as fronteiras


nacionais e globalizando todos os espaços físicos e sociais, o planejamento
central aparece como um objeto anacrônico, ultrapassado, demonstrando sua
inadequação frente às novas mudanças[...]. (OLIVEIRA, 1997, p. 99).

O cenário educacional volta ao eixo central dessa discussão, pois, a sociedade, a


comunidade, a família e os próprios alunos criaram expectativas sobre o que esperar
da escola.

Estudos demonstram que a escola, atualmente, pode ser compreendida como ponto de referência,
pois as políticas educacionais têm favorecido o aprimoramento e o aperfeiçoamento da autonomia
e da descentralização, por meio de propostas curriculares, leis e resoluções que estimulem essa
nova prática organizacional, visando a uma gestão centrada na escola e na qualidade do processo de
ensino-aprendizagem.

Ao longo dos anos, a tradição histórica nos remete à gestão de cunho centralizador, herança que
vem desde os primórdios da Colônia, passando pelo Império, seguindo até as primeiras formas
de organização da República, um modelo de gestão altamente centralizador. Ou seja, essa ideia
centralizadora está tão inserida no sistema educacional brasileiro quanto no interior da própria
escola. Entretanto, a partir de 1995, com a recentralização das decisões federais sobre os governos
estaduais, rompe com o antigo paradigma, cedendo, assim, o lugar ao novo conceito de gestão.

Atualmente, podemos entender a gestão educacional sob dois aspectos teóricos (LIBÂNEO;
OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 16).

»» O primeiro apoia-se na perspectiva neoliberal. Acredita-se que, ao colocar a escola


no centro das políticas, ocasiona grande deliberação ao Estado como agente

28
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II

determinante. Ou seja, retira-se da comunidade e da escola, sua participação efetiva


no planejamento, na organização e na avaliação dos serviços educacionais.

»» O segundo, sob a perspectiva sociocrítica, por meio do desempenho dos serviços


educacionais prestados pelos profissionais, da interação e participação, caberia a
escola valorizar e impulsionar essas ações de acordo com os interesses públicos
– não desobrigando o Estado de suas responsabilidades, tornando-se, assim,
instrumento dessas políticas educacionais, mediante a construção de um ambiente
educativo de formação e aprendizagem.

O modelo de organização e de gestão do sistema de ensino parece convergir com o novo cenário
social, em que a flexibilidade dos processos de trabalho deve acompanhar a dinâmica de um mercado
cada vez mais exigente.

As diferentes concepções de gestão escolar refletem a posição política de uma sociedade, ou seja, a
maneira como a escola se organiza e se estrutura, fundamenta sua dimensão pedagógica segundo
a relação e as transformações sociais. Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2003), seguindo uma linha
histórica e conceitual, poderíamos classificar as concepções de gestão em quatro tipos: técnico-
científica, autogestionária, interpretativa e democrático-participativa.

CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR


Técnico-Científica Autogestionária Interpretativa Democrático- -Participativa
Divisão técnica do trabalho escolar, Poder coletivo na escola para A escola é uma realidade Objetivos sociopolíticos e
prescrição de tarefas e funções. preparar formas de autogestão social subjetivamente pedagógicos da escola e da equipe.
social no plano político. construída.
Poder centralizado no diretor, Decisões coletivas, eliminação da Privilegia a ação Articulação entre a direção e a
destacando as relações de poder autoridade. organizadora por meio da iniciativa das pessoas da escola.
e subordinação. prática compartilhada.

Ênfase na administração pautada Ênfase na auto-organização do Valorização das percepções Qualificação e competência
em normas, regras, procedimentos grupo, por meio de eleições e e significados subjetivos, profissional
burocráticos e controle de funções. por meio do caráter formal,
atividades. estrutural e normativo.
Comunicação linear (de cima para Recusa a normas e ao sistema Objetividade nas questões de
baixo). de controle (responsabilidade organização e de gestão (coleta de
coletiva). informações).
Mais ênfase nas tarefas do que nas Crença no poder instituinte da Acompanhamento e avaliação
pessoas. instituição, por meio da prática da sistemáticos com finalidade pedagógica.
participação e da autogestão.
Ênfase nas inter-relações, mais do que Todos dirigem e são dirigidos.
nas tarefas.
Ênfase tanto nas tarefas quanto nas
relações pessoais.

EO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 34).

Desse modo, as orientações administrativas da escola parecem sugerir uma nova realidade. Somente
por meio de uma aprendizagem de qualidade é possível envolver a todos de maneira participativa e
consciente neste novo contexto educacional, que as demandas sociais apresentadas pela comunidade
exigem. (OLIVEIRA, 1997).
[...] As escolas são, pois, ambientes formativos, o que significa que as práticas
de organização e de gestão educam, isto é, podem criar ou modificar os modos

29
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola

de pensar e agir das pessoas. Por outro lado, também a organização escolar
aprende com as pessoas, uma vez que sua estrutura e seus processos de
gestão podem ser construídos pelos próprios membros que a compõem [...]
(LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 16).

Cabe a escola priorizar a melhoria desse processo, por meio da construção de um processo formador,
capaz de atender à demanda social. As transformações estruturais que descentralizam a autoridade
e reduzem a hierarquia acabam privilegiando a qualidade com base em princípios inovadores e
empreendedores que estimulam os vários segmentos sociais.

Quais os benefícios desse novo paradigma no cenário educacional?

Pesquise na Internet trabalhos/atividades que comprovem os benefícios deste novo


paradigma.

Podemos dizer que a escola deve ser compreendida como um ambiente formador constituído por
práticas, rotinas, estratégias e procedimentos que educam, por meio de uma gestão participativa,
coerente e responsável com sua comunidade e com a formação educacional oferecida, capaz de
modificar os modos de pensar e agir do indivíduo.

30
Capítulo 2
Qualidade na Escola como Construção
Coletiva

“A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de


uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade?”

(Mahatma Gandhi)

Na segunda metade do Século XX, o Brasil seguiu por um processo de escolarização massiva de grande
repercussão populacional, com a finalidade de atender às classes economicamente desfavorecidas.
Entretanto, essa expansão se deu de modo acelerado e precário. Não se trata, apenas, de bancos
escolares, pois, com a ampliação dos números de vagas, considerou-se os dados quantitativos e não
os qualitativos, afetando, assim, a qualidade prática do sistema de educação.

[...] De um ponto de vista histórico, na educação brasileira, três significados


distintos de qualidade foram construídos e circularam simbólica e
concretamente na sociedade: um primeiro, condicionado pela oferta limitada
de oportunidades de escolarização; um segundo, relacionado à ideia de
fluxo, definido como número de alunos que progridem ou não dentro de
determinado sistema de ensino; e, finalmente, a ideia de qualidade associada
à aferição de desempenho mediante testes em larga escala [...] (OLIVEIRA;
ARAÚJO, 2005, p. 8).

O primeiro significado apresentado por Oliveira e Araújo (2005) trata de um tópico bastante
difundido na educação nacional, pois não se questiona mais o direito à escolarização. Contudo, o
segundo e o terceiro significados ainda se encontram em discussão no cenário educacional, pois a
questão da qualidade proporcionada pelos estabelecimentos públicos ainda não foi superado.

[...] Nunca houve, de fato, um debate público consistente sobre a melhoria da


qualidade do ensino oferecido pela escola pública brasileira. Os nossos políticos
primaram pela construção de escolas para toda a população, sem que fosse
dada a ênfase necessária na questão da qualidade do ensino a ser oferecido por
essas escolas [...] (OLIVEIRA; ARAUJO, 2005, p.9).

Na universalização do acesso à Educação Básica, uma grande preocupação é a questão da qualidade


e os desafios que essa política educacional representa no País. Nos últimos anos, com o grande
aumento do número de vagas para os alunos dos ensinos Fundamental e Médio, é possível
diagnosticar uma enorme defasagem no processo de ensino-aprendizagem, já que essa expansão não
garantiu o aumento da qualidade no ensino. Por isso a necessidade de se pensar possíveis soluções
qualitativas para o problema e de que maneira as ações de governamentais tendem a atender e a
interferir na expansão da escolarização.
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola

[...] Para garantir o objetivo de universalização do acesso ao Ensino Fundamental,


o Brasil implementou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), criado pela Lei no 9.424,
de 24/12/1996. Esse fundo tem como principal objetivo distribuir recursos a
estados e municípios, tomando por base um valor por aluno matriculado no
Ensino Fundamental regular. A prioridade dada ao acesso das crianças de 7
a 14 anos à escola produziu uma significativa melhora na taxa de frequência.
Essa taxa era de 80,9%, em 1980, passou a ser de 96,4%, em 2000, e 96,9%,
em 2002 [...] (ARAÚJO; LUZIO, 2005, p. 14).

A partir de 1o de janeiro de 2007, os recursos que financiam a Educação Básica são repassados pelo
o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação, regulamentado pela Medida Provisória no 339, posteriormente convertida na Lei no
11.494/2007. Assim, atualmente, o Fundeb substitui Fundef, que garantia recursos somente para o
Ensino Fundamental.

[...] Os recursos do Fundo destinam-se a financiar a Educação Básica (creche,


pré-escola, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos).
Sua vigência é até 2020, atendendo, a partir do terceiro ano de funcionamento, 47
milhões de alunos. Para que isso ocorra, o aporte do governo federal ao Fundo, de
R$ 2 bilhões em 2007, aumentará para R$ 3 bilhões em 2008, R$ 5 bilhões em 2009
e 10% do montante resultante da contribuição de estados e municípios a partir de
2010[...].

([Link]

A educação desempenha um importante papel no futuro dos indivíduos, pois, mediante o processo
de ensino e de aprendizagem, auxilia no aprimoramento de habilidades e percepções cognitivas
e sensíveis, afetando diretamente os indivíduos, tanto no mercado de trabalho quanto na
esfera social.

O Ministério da Educação, a partir de 1999, tem demonstrado um enorme esforço com o


desenvolvimento de sistemas nacionais que instituem um processo de avaliação educacional, com
o objetivo de fornecer elementos que possibilitem a reforma educacional, visando a melhorar a
qualidade do ensino. Segundo dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica
(SAEB), existe, no cenário atual, uma tendência a baixa efetividade do ensino e da aprendizagem
em disciplinas básicas, o que demonstra um desacerto entre o que é indicado pelos currículos e o
desempenho real dos alunos na prática.

[...] “O primeiro impasse do Ensino Fundamental público no Brasil diz


respeito à necessidade de se criar um novo modelo de referência de qualidade
escolar, em que o ensino para todos possa significar, genuinamente, ensino de
qualidade para todos” [...] (ARELARO, 2005, pp.1047-1048).

Mediante a democratização da escola pública, no final do Século XX, grandes transformações foram
sentidas no sistema educacional, assim como na questão da qualidade. O esvaziamento da qualidade

32
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II

na escola pública vem acompanhado de uma nova necessidade que, segundo Rios (2001), pode ser
compreendida como a de “qualificar a qualidade, refletir sobre a significação de que ela se reveste
no interior da prática educativa”.

Dados qualitativos e quantitativos do Ministério da Educação (MEC) revelam que no


Brasil, apesar da universalização do Ensino Fundamental de 7 a 14 anos, os dados
quantitativos revelam que a obrigatoriedade dessa oferta não tem apresentado
um resultado satisfatório, pois a maioria dos jovens não consegue dominar os
conhecimentos básicos e necessários que possam garantir a continuidade do ensino.

Acesse ao site do MEC, confira os dados quantitativos e registre suas reflexões sobre
o índice de aprovação no Brasil.

([Link])

A ineficiência do sistema de ensino é preocupante, pois prejudicam as crianças e os jovens que não
conseguem concluir a Educação Básica, ou quando conseguem concluí-la, já se encontram defasados
em relação a outros indivíduos – se considerarmos a relação idade-série/ano.

[...] A taxa de distorção idade-série no Ensino Fundamental caiu em todos os


anos de 1999 a 2003, de forma linear, mas ainda é considerada muito elevada
para qualquer padrão internacional. O abandono continua sendo um problema
sério, principalmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O problema é mais
grave a partir da 7ª série, mas a taxa é ainda muito elevada na 1ª série do Ensino
Fundamental, período importante para a continuidade com competência do
ensino [...] (ARAÚJO; LUZIO, 2005, p. 64).

Neste contexto, por meio da reestruturação do espaço público e da qualidade prática de sua função
formadora, surge um redimensionamento do papel da escola pública, pois a questão relativa à
qualidade do ensino surge como elemento primordial a democratização do saber.

Pesquisas revelam que o baixo desempenho apresentado pelos alunos da Educação Básica no
cenário educacional deve-se à combinação de diferentes fatores.

»» A heterogeneidade dos sistemas de ensino: reforça a desigualdade entre as


regiões mais pobres.

»» O aproveitamento escolar e a distorção da idade-série: dados do Censo


de 2000, revelam que cerca de 8,5 milhões de alunos que foram retidos no Ensino
Fundamental, que apresentam idade igual ou superior a 15 anos, já deveriam estar
cursando o Ensino Médio.

»» A escolaridade dos professores: segundo a SAEB, o desempenho médio dos


alunos é melhor quando a escolaridade do professor for maior.

»» A questão socioeconômicas dos alunos: sem dúvida, a renda familiar e as


condições socioeconômicas influenciam o desempenho escolar.

33
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola

»» A falta de apoio dos órgãos públicos: mesmo com programas que incentivem
a melhoria da qualidade do ensino, muitos programas não concluem seus objetivos.

Analisando as diferentes situações de cada região do País, podemos constatar dados alarmantes
que nos revelam uma realidade marcada pela desigualdade. Contudo, o ambiente escolar pode
ser compreendido como instrumento de formação, assim, cabe a esse local, tornar-se um espaço
democrático e acessível a todos, promovendo a interação, a troca e o respeito.

No índice que mede a qualidade do ensino, o País está em 87o lugar, a pior
performance. Ainda assim, o relatório da UNESCO elogia algumas iniciativas
brasileiras de promover a qualidade de ensino, como o Programa Bolsa-Escola, o
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério (Fundef ) e a capacitação de professores por meio de ensino a distância.
Entre os 16 países da América Latina, o Brasil está em 10o lugar no ranking.

A discussão que envolve a educação brasileira não pode se basear na oposição simplista entre
reprodução e transformações, não cabendo a escola tornar-se instrumento de reprodução ideológica,
mas, sim, espaço para a pluralidade e a diversidade, mediante um ensino de qualidade, capaz de
utilizar-se dessas questões culturais, que são de extrema relevância a consolidação da sociedade
brasileira, como instrumento de formação e conscientização.

Dessa maneira, para que se possa garantir um ensino de qualidade, independentemente da forma
como se organiza o espaço escolar, é necessário que a unidade escolar assegure os direitos dos alunos
e atenda às necessidades individuais e coletivas. Segundo a UNESCO são os seguintes.

1. Biblioteca com materiais instrucionais e livros em quantidade e qualidade


suficientes.

2. Professores com formação superior, satisfeitos com sua remuneração e que não
precisem dividir sua carga horária entre duas ou mais escolas.

3. Professores que não atribuam os resultados de aprendizagem às famílias, mas, sim,


ao seu próprio desempenho ou ao desempenho dos estudantes.

4. Prática formal de avaliação de desempenho dos alunos.

5. Agrupamento de alunos por critérios de heterogeneidade.

6. Ambiente de aula adequado com respeito e convivência harmônica.

7. Envolvimento dos pais no cotidiano escola.(Apud. OLIVEIRA; ARAÚJO, 2005,


p.20).

A instituição escolar não pode ser considerada um ambiente em que se reproduzem estruturas
culturais, ideológicas e econômicas de uma elite dominante, ao contrário, toda esta reflexão histórica
e antropológica, nos leva a crer que este ambiente deve ser um espaço participativo e democrático
eficiente em sua principal finalidade: ensinar.

34
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II

Neste novo cenário, cabem aos seus envolvidos – gestores, professores, profissionais, alunos e a
comunidade, (re)pensarem a escola, segundo a demanda social industrial e urbana, a fim de garantir
a exigência qualitativa que a demanda social deseja.

A sociedade deve estar consciente da importância que a educação representa ao desenvolvimento


individual e coletivo, exigindo do poder público ações e inovações nas políticas públicas, de modo
que se possa reverter essa situação, garantindo a todos uma educação de qualidade, mediante o
acompanhamento do cotidiano escolar e da melhoria do espaço público e da liberação de verbas,
afim de superar a desigualdade regional, cultural e educacional

Pesquisas recentes mapearam as instituições escolares do Brasil e, nessa pesquisa,


comprovou-se que algumas escolas apresentam alta precariedade em suas
instalações, como nas regiões Norte e Nordeste.

Muitas escolas não têm energia elétrica, no caso da região Norte, isso representa
19,6% e 14,6% no Nordeste. Outro dado relevante, é a questão das escolas sem
abastecimento básico de água, no Nordeste este número chega a atingir 8,4% dos
alunos e , ainda nesta região, 9,3% sofre com a falta de esgoto sanitário.

Dessa maneira, podemos concluir que a inclusão de ações assistenciais (financeiras e técnicas) ao
espaço escolar é um dos requisitos básicos à educação, para que se tenha um processo de ensino
e aprendizagem de qualidade. Assim, é necessário que as políticas educacionais priorizem as
especificações e as diferenças, pautadas em um compromisso com a democracia, os direitos e a
liberdade, visando a garantir e a promover o acesso e a melhoria da qualidade educacional.

CURIOSIDADE:

O Saeb utiliza várias metodologias de coleta e de análise dos dados, sistematizadas e


instrumentalizadas por meio da utilização de matrizes de referência: a) na elaboração
de testes psicométricos; b) na estruturação de cadernos de testes utilizando-se a
técnica denominada Blocos Incompletos Balanceados (BIB); c) na aplicação de testes
padronizados para descrever o que os estudantes sabem e são capazes de fazer nas
disciplinas de Língua Portuguesa (com foco em leitura) e Matemática em momentos
conclusivos do seu percurso escolar (4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª série
do Ensino Médio); d) na coleta de informações sobre diversos fatores escolares e de
contexto que possam interferir na qualidade e efetividade do ensino ministrado,
utilizando a aplicação de questionários a alunos, professores e diretores; e) no uso
da Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo matemático e estatístico que permite
comparar o desempenho dos alunos em diferentes períodos; e, f ) na seleção de uma
amostra probabilística dentro da população que se quer investigar e na utilização de
escalas de proficiência para interpretação e descrição do desempenho dos alunos.
(ARAÚJO; LUZIO, 2005, p. 14).

35
Capítulo 3
Escola Democrática

“O objetivo da educação é a virtude e o desejo de converter-se num bom cidadão.”

(Platão)

Como vimos no Capítulo anterior, ao tratarmos da questão da qualidade na educação, notamos


que essa qualidade está diretamente relacionada ao paradigma escolhido que direcionará as ações
educacionais, pois a qualidade na educação,

[...] não é um conjunto de critérios que hermeticamente a delimita. Isso


porque ela é frequentemente definida como reflexo da concepção de mundo
e de sociedade, retratada na busca da formação de um tipo de indivíduo que
seja compatível com aquela concepção. A partir de então a escola procura
desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes que irão encaminhar a
reforma através da qual os indivíduos vão se relacionar com a sociedade, com
a natureza e consigo mesmo. [...] (GRACINDO, 1994, p. 253).

Refletir sobre a gestão da educação significa analisar cuidadosamente as políticas educacionais,


tal como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que aborda a questão da gestão
da educação, determinando alguns princípios básicos que devem reger o ensino, um deles seria a
gestão democrática.

[...] essa nova forma de administrar a educação constitui-se num fazer coletivo,
permanente em processo. Processo que é mudança contínua e continuada.
Mudança que está baseada nos paradigmas emergentes da nova sociedade
do conhecimento, que, por sua vez, fundamentam a concepção de qualidade
e definem também, a finalidade da escola. [...] (BORDIGNON; GRACINDO,
2001, p. 149).

Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2001), a concepção democrático-participativa baseia-se na


relação entre direção e membros da equipe, acentuando a importância de se estabelecer objetivos
comuns. Contudo, apesar de defender a decisão coletiva, todos os membros devem assumir funções
neste trabalho junto com a administração.

Nesse sentido, para que se coloque em prática nas escola a gestão democrática, fazem-se necessárias
mudanças estruturais e de paradigmas, capazes de formar cidadãos. Entretanto, para que se
desenvolva no educando a capacidade de inovação e criação, devemos considerar o saber como
instrumento de transformação, desta maneira, é necessário que se priorize um novo currículo e uma
nova formação aos professores. (BORDIGNON; GRACINDO, 2001).
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II

Segundo os objetivos sociopolíticos da ação dos educadores, o processo de ensino e aprendizagem


deve servir como instrumento para aquisição do saber, por meio de novas alternativas e possibilidades
que contribuam a formação de cidadãos reflexivos, críticos e participativos.

[...] O conceito de participação fundamenta-se no princípio da autonomia, que


significa a capacidade das pessoas e dos grupos para a livre determinação de si
próprios, isto é, para a condução da própria vida [...] A participação significa,
portanto, a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e
pais) na gestão da escola [...] (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2001).

Nesse processo, a grande exigência é a participação de professores, funcionários,


alunos, pais e representantes da comunidade, visando à interação, à troca, ao
diálogo e à participação.

Para que se coloque em prática esse novo modelo de gestão, e devido a sua complexidade em relação
a estruturação, organização e gestão escolar, é necessário que alguns princípios referentes a esse
modelo sejam incorporados.

»» Autonomia da escola e da comunidade: o conceito de autonomia é o


fundamento da concepção democrático-participativa, consiste no desenvolvimento
de “autogovernar-se”. Uma instituição autônoma é aquela que consegue desenvolver
uma melhor organização e decisão de poder, mantendo-se independente do poder
central e administrativo.

»» Relação orgânica entre direção e a participação dos membros da equipe


escolar: resume-se ao exercício compartilhado da direção com os membros da
equipe, por meio da participação individual para a melhoria do coletivo.

»» Envolvimento da comunidade no processo escolar: visando garantir a


autonomia, a gestão escolar deve estar ligada à comunidade, a fim de garantir um
exercício democrático e participativo.

»» Planejamento das atividades: as instituições escolares devem planejar-se de


acordo com as propostas administrativas e ações pedagógicas.

»» Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional


dos integrantes da comunidade escolar: essa nova forma de gestão prioriza
a qualificação, o aprimoramento e o desenvolvimento das competências técnicas,
tanto na questão profissional quanto pessoal.

»» Utilização de informações concretas e análise de cada problema em


seus múltiplos aspectos, com ampla democratização das informações:
cabe a esta gestão, coletar dados e informações relacionados à realidade dessa
comunidade, para que se possa pensar atuações (pedagógicas e administrativas)
segundo suas necessidades.

37
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola

»» Avaliação compartilhada: todos os procedimentos, administrativos, pedagógicos


e organizacionais devem ser acompanhados e avaliados constantemente.

»» Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de


objetivos comuns: este item ressalta a importância das relações interpessoais
para a qualidade do trabalho desenvolvido nesse ambiente. (LIBÂNEO; OLIVEIRA;
TOSCHI, 2001).

A escola do regime democrático deve ser espaço para a cidadania, promovendo a inclusão social,
tanto na sociedade quanto no conhecimento. Assim, a escola precisa ser um ambiente democrático
e acessível, capaz de favorecer a aquisição de valores éticos. Segundo Bordignon e Gracindo (2001),
esse novo modelo de gestão, coloca em prática novos paradigmas, como:

1. inclusão social.

2. modelo cognitivo/afetivo.

3. processos decisórios participativos.

4. ações transparentes.

5. processo autoavaliativo.

6. objetivo de formar cidadãos.

Nesse sentido, a gestão democrática, deve ser compreendida não apenas como princípio de um
novo paradigma, mas, sim, um processo de estratégias das ações práticas para alcançar os objetivos
definidos, centrados na competência e credibilidade. Assim, esse novo paradigma propõe novos
enfoques e atitudes.

Enfoques e Atitudes
Aspectos de gestão
Paradigma tradicional Paradigma emergente
Relações de poder Verticais Horizontais
Estruturas Lineares/segmentadas Circulares/integradas
Espaços Individualizados Coletivos

Decisões Centralizadas/imposição Descentralizadas/diálogo/negociação

Formas de ação Autocracia/paternalismo Democracia/autonomia


Centro Autocentrismo/individualismo Heterocentrismo/grupo-coletivo
Relacionamento Competição/apego/independência Cooperação/cessão/interdependência
Meta Eliminação de conflitos Mediação dos conflitos
Tipo de enfoque Objetividade Intersubjetividade
Visão Das partes Do todo
Objetivo Vencer de – Convencer Vencer com – Co-vencer
Consequência Vencedores – perdedores Vencedores
Objetivo do trabalho Informação Conhecimento
Base A-ética Ética
Ênfase No TER No SER

(BORDIGNON; GRACINDO, 2001, pp.152 e 153).

38
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II

Verifique o texto de Maria Eloisa Velosa Mortatti sobre esse tema, em: [Link]
[Link]/teses/disponiveis/48/48134/tde-21062007-155119/.

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

Após a leitura do texto de Maria Eloisa Velosa Mortatti, expresse sua opinião sobre
algumas questões:

Qual o papel da educação nesse processo de formação da cidadania?

Quais os princípios da cidadania nessa nova gestão?

Participe de nosso fórum colocando suas análises e críticas.

Por fim, ao longo desta unidade, podemos concluir que mediante a incorporação desses princípios
básicos, esse novo modelo de gestão democrático, o modelo de escola cidadã, luta por espaço e
pela reconstrução do paradigma de gestão, em que a autonomia e a cidadania se tornam requisitos
indissociáveis para a melhoria da qualidade do ensino.

39
princípios e
métodos da
supervisão Unidade iII
e inspeção
escolar
A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas
novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que
sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar
mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas
se propõe.

(Jean Piaget)

Como visto anteriormente, nos últimos anos, a escola pública ganha destaque nos meios de
comunicação, nas pesquisas e nas campanhas eleitorais. Atualmente, chegou-se à conclusão de que
esse espaço é capaz de desempenhar um papel fundamental no contexto social e histórico.

A educação no cenário brasileiro, ainda, não consegue acompanhar as políticas educacionais de


países desenvolvidos economica e culturalmente, contudo, mesmo que lentamente, busca atingir
este novo conceito de educação, em que se busca a qualidade do ensino e a formação de cidadãos.

Nesse sentido, essa nova estruturação organizacional, prática e teórica, reivindica uma série de
transformação dentro do contexto educacional. Ou seja, além de novas políticas, a sociedade busca
por novos profissionais, muito mais qualificados e preparados para atuar junto a essa sociedade.

Mediante toda essa nova necessidade, abordaremos no próximo Capítulo o papel do supervisor e do
inspetor escolar nesse novo ambiente. Assim, estudaremos, a Supervisão Escolar e a Legislação, a
Inspeção Escolar e a Legislação, a Ação Pedagógica do Supervisor e Inspetor Escolar nesse cenário.
Capítulo 1
A Supervisão Escolar e a Legislação

“A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana, com


todos os seus poderes funcionando com harmonia, e completa, em relação à natureza
e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como
um todo, elevando-se do plano animal e continuaria a desenvolver até sua condição
atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal”.

(Friedrich Froebel)

No cenário educacional brasileiro, a supervisão escolar surgiu na Primeira República, designada


exclusivamente ao ensino primário, com o objetivo de controlar a ação do professor, segundo uma
perspectiva administrativa fundamentada na lei.

A partir da década de 1950, o Estado inicia seu processo de qualificação do ensino primário, contudo,
mesmo com algumas reformulações educacionais, houve um aumento considerável no número de
matrículas, e a procura por professores foi significativa, contudo, não havia profissionais suficientes
para atender esta demanda.

Sobre este processo de estruturação, verifique o artigo sobre os programas


promovidos pelo Programa Americano-Brasileiro de Apoio ao Ensino Elementar
(PABAEE):

[Link]
arttext.

[Link]
29842&tipo=ob&cp=000000&cb=

Nos anos 1980, os profissionais e os especialistas da educação foram muito criticados, sendo
considerados os responsáveis pelo insucesso do ensino da época. Em meados dos anos 1990, o
contexto educacional redescobre a necessidade e a finalidade da supervisão escolar.

Durante algum tempo, no processo educacional, considerou-se que o sentido do termo supervisão
tem, como referência, a atividade técnica, segundo sua utilização na organização industrial. Tal ação
tinha como funcionalidade intermediar as relações entre operários e administração, incorporando,
assim, a função de acompanhamento controlado na execução do trabalho.

É fundamental que se reconsidere o sentido e a função do supervisor no cenário educacional:

[...] “A figura do supervisor desponta como elemento de intermediação


associada à ideia de mudança, entendida, algumas vezes, como mera aplicação
de ‘novas propostas’ curriculares amplamente divulgadas pelos órgãos oficiais.”
[...] (ALONSO, 1999, p. 88).

41
UNIDADE III │princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar

O conceito de supervisão escolar vem sofrendo alterações ao longo dos anos, entretanto, os objetivos
continuam sendo os mesmos. A supervisão escolar baseia-se na relação entre as ciências da educação
e sociais, por meio do desenvolvimento dos grupos organizados – socialmente – para a realização de
funções e atividades. (ALONSO, 1999).

Repensar a atuação do supervisor significa considerar toda a trajetória conceitual e histórica que
acompanha a utilização do termo no processo educacional. Analisando-se epistemologicamente o
termo, temos os prefixos “super” e “visão”, que podem ser compreendidos como uma visão ampla,
geral ou completa.

[...] a supervisão, torna-se clara a mudança de paradigma, uma vez que a


supervisão perde o seu caráter normativo, prescritivo, para tornar-se uma
ação crítico-reflexiva junto ao professor. O papel do supervisor ganha novas
dimensões, passando de controlador e direcionador para estimulador e
sustentador do trabalho docente [...] (ALONSO, 1999, p. 94).

Atualmente, a educação é compreendida como um processo sistemático e orientado, que visa a


desenvolvimento, aprimoramento e realização individual e social dos envolvidos neste processo – o
educando.

Segundo Rangel (1999), no cenário educacional atual, podemos afirmar que a supervisão escolar
tem como finalidade atuar em serviços administrativos e pedagógicos, paralelamente ou junto com
a gestão. Ou seja, por meio de objetivos específicos como adequação de currículo, planejamento,
programas, métodos de ensino e avaliação, desenvolvendo junto à equipe ações coordenadoras e
orientadoras, capazes de unir prática e teoria por meio do desenvolvimento de troca e interação.

[...] O supervisor faz a transposição da teoria para a prática escolar, reflete


sobre o trabalho em sala de aula, estuda e usa as teorias para fundamentar
o fazer e o pensar dos docentes. Um bom supervisor deve apresentar em seu
perfil as seguintes características: auxiliador, orientador, dinâmico, acessível,
eficiente, capaz, produtivo, apoiador, inovador, integrador, cooperativo,
facilitador, criativo, interessado, colaborador, seguro, incentivador, atencioso,
atualizado, com conhecimento e amigo.

A Supervisão Escolar passa, então, a ser uma ferramenta de atuação que tem como princípio o fazer,
o agir, o movimentar, o envolver-se, o modificar e, para isso, é necessário que esteja firmado em
nossa essência o querer moldar pessoas. [...] (MACHADO, 2007, p. 2).

Portanto, a escola atual desempenha uma nova função mediante uma transmissão de conhecimento
mais acessível, qualitativo e formador. Assim, nesse novo ambiente, a figura do supervisor deve ir
além do trabalho técnico-pedagógico, tornando-se agente político e mediador nessa organização.

[Link]

[Link]

42
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar│ UNIDADE III

[Link]
desafios-e-propostas/[Link].

[Link]
Itemid=72.

Após as leituras sugeridas, registre suas reflexões sobre a funcionalidade do


Supervisor no ambiente escolar.

Verifique o que a Lei diz sobre o Supervisor Escolar

Art. 1o Fica instituída e regulamentada, nos termos desta Lei, a profissão de Supervisor
Educacional.

Art. 2o O exercício da profissão de Supervisor Educacional é prerrogativa dos


portadores de diploma de curso de graduação obtido em instituição de Ensino
Superior devidamente autorizada e credenciada pela autoridade competente do
sistema de educação nacional.

Parágrafo único. O diploma referido no caput deste artigo pode ser obtido em:

1. curso de Pedagogia, Habilitação em Supervisão Educacional ou


Supervisão Escolar.

2. Iinstituição estrangeira de Ensino Superior, revalidado e registrado como


equivalente ao diploma mencionado no inciso I.

3. curso de pós-graduação em Supervisão Educacional ou Supervisão


Escolar.

Art. 3o O campo de atuação do Supervisor Educacional abrange:

1. os órgãos centrais e regionais dos sistemas de ensino.

2. as instituições de ensino.

3. todas as áreas que desenvolvem ação de formação.

Art. 4o Compete ao Supervisor Educacional coordenar, planejar, pesquisar, programar,


supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, controlar, acompanhar, orientar, executar
e avaliar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de
auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados, participar
de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes e pareceres
técnicos, científicos e pedagógicos, na área educacional.

Art. 5o Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. (Substitutivo ao Projeto de
Lei no 4.412, de 2001). (Lei no 4.412, 2001). Obs.: Na verdade, esse projeto de lei foi
vetado.

Fonte: ([Link]/sileg/[Link]?CodTeor=136401)

43
Capítulo 2
A Inspeção Escolar e a Legislação

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

(Nelson Mandela)

A história da educação brasileira, de acordo com as leis e os documentos, o cenário educacional


buscam novas possibilidades de aprimoramento de seus profissionais. Neste novo paradigma, surge
a inspeção escolar, que assim como outras medidas educacionais, ocorrer na década de 1950, com a
intenção de melhorar a qualidade do ensino.

Entretanto, na escola primária da época, a elevação qualitativa do ensino, encontrava-se diretamente


relacionada ao papel do professor e a sua falta de qualificação acadêmica. Somente a partir dos anos
1980, a constituição passa a delibera sobre a “formação” do profissional na área educação.

Apesar das transformações políticas e acadêmicas, esta nova qualificação não conseguia atender
à demanda social, ou seja, essa nova fase educacional, necessitava de profissionais especializados,
não somente nas disciplinas básicas de formação, mas, sim, em diferentes áreas de atuação, como
gestão, organização, coordenação e acompanhamento.

Nesse sentido, atendendo às necessidades e aos princípios constitucionais, o contexto educacional


viu-se envolvido em novas transformações, agora, no âmbito da organização e gestão das escolas.

Podemos dizer que, historicamente, uma das grandes preocupações com relação à educação é a
questão da gestão, pois os modelos administrativos tendem a reproduzir os modelos empresariais
fundamentados em concepções tayloristas e faylorista. Contudo, essa forma administrativa centrada
na racionalidade, técnica e mecânica, foi superada por um novo conceito de gestão: a democrática.

O discurso da democratização não é completamente afastado, mas antes


reconvertido e subordinado à ideologia da modernização, e com ela
compatibilizado dado os elevados ganhos simbólicos e de legitimidade que daí
provêm. Nesse sentido, as prioridades políticas tendem a ser estabelecidas em
função da segunda, e não do primeiro, ao mesmo tempo que se constrói uma
nova semântica da modernização que permite utilizar as mesmas palavras
(democratização, participação, autonomia, descentralização, justiça social
etc.) com novos significados. (LIMA, 2001, p. 124).

A gestão democrática opõe-se ao autoritarismo da administração escolar, por meio da socialização


do poder e da participação da comunidade ao longo do processo de construção deste novo ambiente
escolar. Segundo Paro (1998), “[...] na sociedade atual, a escola é uma das únicas instituições para
cujo produto não existem padrões definidos de qualidade”.

44
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar│ UNIDADE III

A gestão escolar promove o desenvolvimento, direto ou não, nas políticas educacionais, tornando-se
fundamental para as novas políticas públicas. Assim, em resposta a esta proposta de mudança,
surge a inspeção escolar, “[...] como uma das condições, ao lado da formação específica do professor,
indispensável”. (REIS FILHO, 1995, p. 206).

Este novo modelo de gestão propõe participação, socialização e funcionalidade, assim, não teremos
mais um único gestor deste ambiente, mas, sim, vários gestores que trabalham junto de maneira
organizada e sistemática, visando à qualidade da escola.

Neste novo modelo de administração, enquadra-se a necessidade de trabalhar-se com a inspeção


escolar, que tem as seguintes funções.

»» Orientar e analisar nos processos de autorização e/ou reconhecimento das Unidades


Escolares.

»» Realizar encontros para Secretários Gerais das Unidades de Ensino.

»» Coletar, manter atualizar a Legislação e Normas de Ensino.

»» Elaborar, analisar e discutir os instrumentos norteadores do trabalho das Unidades


Escolares.

»» Assessorar às Escolas Municipais, por meio de acompanhando e orientação.

»» Assessorar os departamentos da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e


Tecnologia em assuntos inerentes à Legislação sempre que solicitados.

Ainda, sobre este tema, verifique a constituição:

[Link]
=listaass&ASSUNTO=INSPETOR%20ESCOLAR.

Consulte, também, outros textos e trechos para enriquecimento do contéudo.

[Link]
208&dq=inspe%C3%A7%C3%A3o+escolar++legisla%C3%A7%C3%A3o&so
urce=bl&ots=tNnaD9vDfO&sig=LvRdCEgnh2RGt3nyC5BE2WMZEZE&hl=pt-
BR&ei=4bbcSeyzFJmstgf-psj9DA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2#PPA
208,M1.
[Link]

Todos devem estar atentos às necessidades do cenário educacional, pois a incorporação dessa prática
democrática, participativa e reflexiva a esse novo contexto está diretamente ligada a uma nova
estruturação organizacional dessa instituição e dos profissionais que atuam dentro nesse ambiente.

45
Capítulo 3
A Ação Pedagógica do Supervisor e do
Inspetor Escolar

Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”

(Pitágoras)

O cenário educacional e suas mudanças intencionais, planejadas e votadas, em uma perspectiva


pedagógica, são resultados de avaliações e análises, tanto por parte dos profissionais da educação
quanto pela comunidade. A sociedade contemporânea que propõe a igualdade e a queda das relações
hierárquicas tende a se tornar cada vez mais presente.

O contexto social e educacional não comporta mais algumas definições, funções e centralizações.
Ou seja, o termo gestão, atualmente, implica a descentralização do poder, por meio da prática
compartilhada e participativa.

Ao final dos anos 1980, a legislação consolida a expressão gestão democrática, na


Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no 9.394/1996 de 20/12/1996,
art. 3o.

A este novo modelo de gestão, exige-se ação, reação, competência e articulação com os demais
profissionais. Cabe ao gestor escolar,

[...] “uma designação que indica um comportamento dialético, inteligente,


de atuação e compreensão da situação, envolvendo manejo de todos os
recursos especialmente os cognitivos, que o indivíduo dispõe bem como suas
capacidades de relação interpessoal.” (WERLE, 2001, p. 73).

Nesse sentido, podemos dizer que tanto a supervisão quanto a inspeção escolar vem de encontro
a esta nova necessidade. Essas funções foram e, ainda são, expressões políticas que podem ser,
facilmente, confundidas entre si, pois ambas relacionam-se com elementos administrativos e
gestores.

Cabe ao supervisor e ao inspetor assessorar a equipe escolar. Entretanto, o supervisor atua mais
próximo à equipe de determinada instituição escolar, em especial, aos professores, enquanto que
o inspetor escolar trabalha em conjunto com a Diretoria de Ensino, com a resolução de assuntos
pertinentes à área de atuação.

Aprofunde-se mais no assuto, consulte os livros sugeridos a seguir.

ASSMANN, Hugo. Reencantar a Educação – Rumo à Sociedade Aprendente. São


Paulo: Vozes, 1998.

46
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar│ UNIDADE III

DEMO, Pedro. Participação é conquista: noções de política social participativa. São


Paulo: Cortez, 1998.

HORA, Dinair Leal da. Gestão democrática na escola: artes e ofícios da participação
coletiva. Campinas: Papiros, 1996.

PARO, Vitor. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997.

47
Para (não) Finalizar

Parabéns! Você chegou ao final do Caderno de Estudos e Pequisa da disciplina Fundamentos da


Supervisão e da Inspeção Escolar.

Pensamos cuidadosamente sobre cada Capítulo, visando a desenvolver o aprofundamento dos


conteúdos e o aprimoramento dos conhecimentos, a fim de garantir novas possibilidades de
construção e referenciais teóricos e práticos.

Como vimos, a sociedade organiza-se em instituições, visando a reconquistar a democracia, ou


seja, a democracia representativa é instrumento de manifestação e emancipação, assim, cabe aos
cidadãos a execução e a exigência de tais direitos junto aos seus governantes.

Constantemente nos deparamos com indagações do tipo: quem colocou este


sujeito no poder? Quem pensa no povo? Eles só querem garantir os seus direitos,
mas e os deveres com o povo?

Neste novo cenário político, ideológico, cultural e histórico, o papel da escola torna-se fundamental,
pois o acesso a ela tem sido alvo de campanhas eleitorais e, consequentemente, o ambiente escolar
tende a adaptar-se a esta nova demanda, por meio de capacitação dos profissionais e da qualidade
do ensino disponibilizado à população.

Mediante o processo de globalização, os avanços tecnológicos, as novas exigências do mundo


de trabalho e as transformações sociais têm exigido da escola e, consequentemente das direções
escolares, o desenvolvimento de novas habilidades e competências, visando a atender situações
mediante ao aprimoramento do trabalho educacional.

O mundo de trabalho atual é marcado pela competitividade e exigência, tanto no ambiente de


trabalho quanto no contexto educacional. Assim, cabe à escola e aos seus dirigentes, implantar uma
nova postura pedagógica que propicie uma vivência qualificada. A escola deve estar em consonância
com as demandas sociais e com os desafios que os diferentes níveis de escolaridade, diversidade,
informações e leituras apresentam à comunidade contemporânea.

Diante dessa conscientização, a sociedade passa a exigir novas políticas educacionais, tanto de
seus governantes quanto da própria gestão escolar. Atualmente, a gestão escolar posiciona-se de
maneira democrática, participativa e acessível à comunidade, segundo suas necessidades e suas
particularidades.

Esses processos influenciaram o contexto educacional, assim, diante dessas transformações, a


sociedade volta a se unir e a se organiza em instituições, visando a utilizar-se de seus direitos para
com a intenção de reconquistar a democracia.

48
para não finalizar

Mediante este cenário político, carregado de princípios ideológicos, o acesso à escola e a sua função
qualitativa e formadora tornam-se ícones do movimento democratizante.

O mundo de trabalho atual é marcado pela competitividade e sua exigência, tanto no ambiente de
trabalho quanto no contexto educacional. Assim, cabe à escola, e aos seus dirigentes, implantar uma
nova postura pedagógica que propicie uma vivência qualificada. A escola deve estar em consonância
com as demandas sociais e com os desafios que os diferentes níveis de escolaridade, diversidade,
informações e leituras que apresentam a comunidade contemporânea.

A estruturação organizacional, prática e teórica reivindica uma série de transformações no contexto


educacional, ou seja, além de novas políticas, a sociedade busca por novos profissionais, muito mais
qualificados e preparados para atuar junto a esta sociedade.

49
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