Supervisão e Inspeção Escolar
Supervisão e Inspeção Escolar
Brasília-DF.
Elaboração
Produção
Apresentação................................................................................................................................... 4
Introdução...................................................................................................................................... 7
Unidade i
função social da escola no mundo contemporâneo............................................................ 11
Capítulo 1
A Função Social da Escola............................................................................................. 12
Capítulo 2
Escola, democracia e cidadania: Escola Pública e Educação para a Democracia. 18
Capítulo 3
A Escola como Organização Aprendente: Escola e Cultura...................................... 24
Unidade iI
gestão de qualidade na escola................................................................................................... 27
Capítulo 1
Conceitualização: Gestão e Qualidade.......................................................................... 28
Capítulo 2
Qualidade na Escola como Construção Coletiva...................................................... 31
Capítulo 3
Escola Democrática........................................................................................................ 36
Unidade iII
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar........................................................... 40
Capítulo 1
A Supervisão Escolar e a Legislação.............................................................................. 41
Capítulo 2
A Inspeção Escolar e a Legislação................................................................................. 44
Capítulo 3
A Ação Pedagógica do Supervisor e do Inspetor Escolar.......................................... 46
Referências..................................................................................................................................... 50
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade
de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos
a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma
competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para
vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de to rná-la subsídio valioso, de modo a facilitar
sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a
como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
4
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de
forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões
para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e
pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos
e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Praticando
Atenção
5
Saiba mais
Sintetizando
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não
há registro de menção).
Avaliação Final
6
Introdução
A seguir, leia o texto de Lívia Alves Branquinho e realize as atividades propostas.
[...] O princípio de que a educação é dever do Estado, não implica o imobilismo da população
e de cada indivíduo: a educação é também dever de todos, pais, alunos, comunidade. Com essa
mobilização da população em defesa do ensino público, é possível pressionar ainda mais o Estado
para que cumpra o seu dever de garantir a educação pública, gratuita e de bom nível para toda a
população. Uma população acostumada a receber um bom serviço se mobilizará para continuar a
tê-lo. (GADOTTI, 1995, p. 7-8).
Novamente, o tema é alvo de especulação política, em que uma necessidade para a viabilização do
desenvolvimento do país se resume em promessas miraculosas de campanha. Nesse aspecto, Darcy
Ribeiro em seu texto publicado como prólogo da Revista “Carta: Falas, Reflexões Memórias” (1995),
Educação e a Política, afirma que, a rica direita brasileira, desde sempre no poder, sempre soube
dar, aqui ou lá fora, a melhor educação a seus filhos. Aos pobres, dava a caridade educativa mais
barata que pudesse, indiferente à sua qualidade (...). (RIBEIRO, 1995, p. 2).
É fato, que para conseguirmos alcançar a solução de diversos problemas enfrentados em nosso
país, é necessário que se façam investimentos reais no processo educacional, mas a situação é
muito mais complexa do que se pensa, pois não se implanta uma política de educação investindo
somente em Ensino Superior, sendo que a realidade que mais afeta o país nesse sentido está na
qualidade do ensino dispensado ainda no processo de escolarização básico, e em quantos alunos
concluem esse ensino.
[...] A baixa qualidade de nossa educação pode ser observada sob diversos aspectos, cujo principal
personagem é o aluno, que vive a margem da discriminação social por depender de uma escola
pública que não satisfaz a necessidade de escolarização para sua inserção de forma igualitária na
sociedade, que cada dia tem se tornado mais competitiva. A realidade das instituições públicas
de ensino é assustadora, visto que, em muitas instituições, nem profissionais preparados para
professarem o ensino possuem, e quando os tem, não valorizam nem o tempo que é dispensado
para o exercício de sua profissão, quanto mais a qualidade daquilo que ensinam. Salários
7
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo
baixos, conteúdos retrógrados, falta de infraestrutura, são algumas das dificuldades enfrentadas
pela educação brasileira, e que entra governo e sai governo continua no mesmo patamar de
desenvolvimento. Simplesmente acabar com o analfabetismo não resolve o problema, pois
visão crítica de mundo não se adquire assinando o nome ou fazendo contas, desenvolve-se
por meio de discussões mais maduras sobre a realidade que acontece à sua volta, mas penso que o
problema está justamente no medo da conscientização [...].
Diante disso, cabe uma discussão sobre o atual padrão de atendimento no ensino brasileiro, bem
como uma reflexão sobre alguns aspectos do padrão de qualidade que almejamos para assegurar
o direito à educação, não apenas do ponto de vista do acesso. (OLIVEIRA ARAÚJO, 2005, p. 17).
É louvável que se invista em inserção do jovem no Ensino Superior, mas grande parte deles não
consegue concluir no Ensino Fundamental, pois precisam colocar o pão em casa, e a necessidade
fala mais alto do que a vontade de continuar na escola, mesmo porque a escola nem sempre traz
consigo atrativos para a permanência de seus alunos, e isso pode ser observado pelo grande número
de menores em idade escolar envolvidos em situações de violência e criminalidade, sem contar a
expansão do uso de drogas na realidade vivida por eles.
Com efeito, os números apresentados indicam que, apesar da ampliação do acesso à etapa
obrigatória de escolarização observada nas últimas décadas, o direito à educação tem sido mitigado
pelas desigualdades tanto sociais quanto regionais, o que inviabiliza a efetivação dos dois outros
princípios basilares da educação entendida como direito: a garantia de permanência na escola e com
nível de qualidade equivalente para todos (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2005, p.13).
Diante da realidade que nossa sociedade vive e dos resultados que estamos colhendo em nosso
dia a dia, é evidente que a educação discutida não está sendo priorizada, pois, a cada dia, estamos
perdendo ainda mais nossos valores morais, o que pode ser observado por tantos escândalos
políticos, que também estão sendo vivenciados por nossos jovens. Investir em educação é muito
mais do que abrir vagas, é ter responsabilidade com a formação de um novo cidadão que integrará o
processo social, e será o principal personagem na busca pelo desenvolvimento e pela transformação
da realidade vergonhosa que nosso país tem vivido, e esse investimento só trará frutos se for feito a
partir da semente, ou seja, a educação é um todo, e só alcançará sua finalidade se valorizada em sua
totalidade. [...].
Extraído de:[Link]
[Link] – Acesso em 6/4/2009.
8
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
Objetivos
»» Refletir sobre as relações existente entre Escola, Cotidiano Escolar e Sociedade.
Debater e analisar os obstáculos e a valorização do papel social da educação na
sociedade contemporânea, de forma a familiarizar o ambiente escolar como espaço
aprendente.
9
função social
da escola Unidade i
no mundo
contemporâneo
“A boa educação é moeda de ouro, em toda parte tem valor.”
A sociedade brasileira é marcada pelas desigualdades sociais, econômicas e culturais, tendo como
resultado um processo histórico de disputa segundo os interesses sociais.
Desse modo, cabe aos cidadãos exercer seu papel perante esta sociedade construída por todos,
exigindo de seus governantes uma educação de qualidade acessível a todos, segundo os direitos e as
leis que asseguram tal medida, como a LDB, o FUNDEB e o FUNDEF.
11
Capítulo 1
A Função Social da Escola
“O homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela Educação. Ele é
aquilo que a educação dele faz.”
(Immanuel Kant)
Quando falamos em ”escola” necessariamente, pensamos em sua função social, histórica e prática.
Entretanto, a priori, é necessário que se faça uma retrospectiva histórica, sobre as transformações
que influenciaram, o cenário educacional ao longo dos anos, para que possamos definir qual o papel
desempenhado pela escola no contexto educacional e social dos últimos anos.
Após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas tentavam reorganizar suas vidas mesmo com a
confiança abalada, elas buscavam um novo significado querendo viver intensamente a liberdade e
a construção da sociedade planejada. Contudo, três décadas depois, a produção editorial da época
demonstrava que em vários campos relacionados a atividade humana, falava-se em uma “situação
pós”, ou seja, chegava-se ao fim a Era Moderna. A partir daí, tornou-se possível identificar o duplo
sentido da palavra história,
Segundo Gadotti (2000), as duas últimas décadas do Século XX, foram determinantes as
transformações políticas e culturais, tanto na questão socioeconômicas, quanto no âmbito da ciência
e da tecnologia. Sem dúvida, grandes movimentos marcaram o final dos anos 1980, com a queda
do muro de Berlim e o surgimento da globalização capitalista da economia, das comunicações e da
cultura, surgindo, assim, a Era da Informação.
Estas manifestações foram de grande influência sobre a história da educação, principalmente aqui
no Brasil, pois,
[...] nem bem tínhamos já consolidada uma produção razoável em história social
da educação e da pedagogia e já fomos apanhados de surpresa por uma ideia que
se generalizou, ou seja, a de que não cabe mais à História, muito menos à história
da educação, elaborar macroexplicações e procurara ver o sentido de uma
problemática-objeto, no caso, uma problemática educacional e pedagógica da
época. (...)Todavia, o que propuseram no lugar, não raro, era a volta a uma
descrição, talvez um pouco literária, mas bastante ignorante quanto aos seus
condicionamentos teórico-metodológicos. [...] (GHIRALDELLI, 1996, p.16).
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função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
Podemos dizer, que tanto no Brasil, quanto na Europa e nos Estados Unidos, a historiografia em
geral durante o Século XX, surge como uma nova “maneira” para o pensar, o produzir e o agir
dentro deste contexto histórico e social no qual a história da educação esta inserida.
A escola deve fundamentar-se em um saber integrado que permite aos alunos o desenvolvimento da
autonomia e a participação neste processo social como cidadão. Nesse sentido, a escola ganha uma
importante função representativa em nossa realidade histórica, econômica e social.
A questão que se coloca atualmente, segundo Tedesco (1998), diferencia-se da “crise da educação”
até meados da década de 1980 do Século XX, pois essa crise, ao contrário da que se instaurou no
final dos anos 1940, não provem da deficiência de como a educação cumpre os objetivos sociais que
lhe são atribuídos, mas, sim, do fato de não saber qual a finalidade que ela deve cumprir e como deve
orientar suas ações. (apud GIORGI, 2005, pp. 73 e 74).
Nos últimos anos, a sociedade tem avançado significantemente em vários aspectos e a educação
deve estar conectada a essas transformações, de modo que ela acompanhe e evolua de acordo com
o contexto social. Ou seja, a sociedade globalizada economicamente, caracteriza-se pela difusão
e redimensionamento de conhecimentos em rede, o papel e a função social da escola. O papel da
educação nesse novo cenário, tende a ser retomado, implicando novas visões distintas sobre a
escola. Pois, a relação sociedade/escola, para Vieira (2001), abriga, a grosso modo, três posturas:
O processo educacional deve favorecer o acesso desses novos conhecimentos aos estudantes que
compõem essa nova sociedade que, para Durkheim, pode ser compreendida como um conjunto
de seres sociais e não de indivíduos, ou seja, a sociedade é formada por um conjunto de seres
13
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo
socializados e adaptados a normas e valores deste grupo transmitidos por um processo social de
adaptação que somente a educação pode desempenhar.
A educação, sob essa nova perspectiva, deixa de ser um processo que ocorre apenas no interior
da escola, ao contrário, utiliza-se desse meio para interagir e modificar todo o contexto social.
Portanto, a educação é uma socialização metódica das novas gerações com a função de uniformizar
e diferenciar os indivíduos, por meio da integração social.
Segundo Perrenoud (apud ALMEIDA, 1999), não cabe ensinar somente a ler, a escrever e a contar,
mas também a tolerar, a raciocinar, a comunicar, a mudar, a agir e a respeitar as diferenças,
coexistindo de maneira eficaz.
([Link]
Hoje há uma tendência mundial em que é possível reconhecer a necessidade de se firmar essa
escola educativa, contudo, por outro lado, existe uma ideia predominante sobre a “função da
escola”, a qual ainda compreende esse espaço de maneira estreita e tradicional destinada apenas
ao aperfeiçoamento dos indivíduos em relação a sua função trabalhista, visando ao crescimento
econômico.
14
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
Nos dias atuais, existe uma certa pressão em relação a escolarização. Acredita-se que a vida escolar,
desde a pré-escola até a universidade, não deve priorizar apenas a transmissão de informações ou
dados, o saber deve ser compartilhado por meio da troca e da socialização com o outro e com o
mundo, tornando-se muito mais significativo, ágil, eficiente e eficaz aos envolvidos.
Assim, podemos dizer que uma das funções da escola é formar cidadãos, seres humanos, enfim,
pessoas que consigam interrogar-se sobre saberes e métodos apresentados, criando novas
possibilidades por meio do gosto pela leitura, pelo estudo e, fundamentalmente, pelo conhecimento.
Segundo Arendt (1992), o “educar” pode ser compreendido como a nossa contribuição, ação e
participação na sociedade em que vivemos, a partir de nossa compreensão em relação ao mundo
como tal, por meio da convivência em sociedade.
Nesse sentido, é fundamental que façamos uma reflexão criteriosa sobre o tipo de trabalho que
vem sendo desenvolvido nas escolas e quais os resultados e os efeitos desta postura presente no
cenário escolar, pois a escola desempenha uma função social muito importante na sociedade e,
principalmente, na formação de crianças e jovens, pois colabora diretamente na construção de um
indivíduo participativo e crítico, capaz de modificar sua existência e sua postura como como cidadão
perante a sociedade.
Mediante essas transformações sociais, culturais, políticas e econômicas, não podemos mais
compreender o ensino como uma simples técnica, em que se transmite os saberes e os conhecimentos
por meio de informações contidas na forma de conteúdos, que devem ser apresentados e assimilados
pelos alunos. Ao contrário, a ideia de uma escola democrática e participativa que tem, como função
central, a formação de todos os alunos em seres humanos, sujeitos de sua ação e situação, tornando-
os cidadãos conscientes e participativos, nos remete aos “agentes” responsáveis por este processo de
15
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo
Não há dúvidas de que a escola possui uma grande capacidade de interagir com a comunidade
e dialogar com outros setores sociais. Devemos, pois, compreender a escola como uma pequena
comunidade da grande sociedade em que vivemos, capaz de proporcionar aos indivíduos as
orientações necessárias à sua realidade. Ou seja, tratados para saber lidar com novas situações-
problema, por meio do desenvolvimento da capacidade de pensar e aprender a resolvê-las em sua
realidade prática. (LEITE; GIORGI, 2004, p. 6).
Ainda falando sobre a função da escola no Brasil, verifique o texto de Sofia Lerche
Vieira “Escola – função social, gestão e política educacional” in: Gestão da educação.
A autora apresenta um breve tratado histórico e conceitual sobre o papel da escola,
a partir das tendências pedagógicas, no cenário educacional brasileiro.
»» Processo coercitivo.
Para concluir, podemos dizer que a escola tem desempenhando uma importante função social,
histórica, política e cultural aos indivíduos como um todo, como “instrumento modificador”,
pois, situa-se nas diretrizes da sociedade, ultrapassando os limites de suas estruturas geográficas
mediante uma nova perspectiva antropológica e histórica.
Gadotti, (2000, p. 4) afirma que [...] “algumas perspectivas teóricas que orientaram
muitas práticas poderão desaparecer, e outras permanecerão em sua essência. Quais
teorias e práticas se fixaram no ethos educacional, criaram raízes, atravessaram o
milênio e estão presentes hoje? Para entender o futuro, é preciso revisitar o passado.
No cenário da educação atual, podem ser destacados alguns marcos, algumas
pegadas que persistem e poderão persistir na educação do futuro. [...]”
A seguir, abordaremos o papel da escola como espaço prático dos princípios democráticos e formador
de cidadãos, e a repercussão dessa nova postura dentro do espaço público.
16
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
[Link]/dppg/revista/arqRev/[Link]
[Link]/olhardeprofessor/pdf/revista21_artigo02.pdf -
[Link]/perspectiva_2004_01/04_artigo_canario.pdf -
[Link]
[Link]/.../concepcao-critico-emancipatoria-no-estagio-curricular-
supervisionado-em-edu... - 51k -
17
Capítulo 2
Escola, democracia e cidadania:
Escola Pública e Educação para a
Democracia
(Nicola Abbagnano)
Segundo, Bolívar (2006), essas transformações sociais, tanto relacionadas a questão do meio
ambiente, quanto do homem, representaram um grande impacto no contexto social, desestabilizando
toda uma tradição social e cultural, exigindo dos indivíduos e de suas instituições – como a escola
– um processo de transformação mediante hábitos e valores. Ou seja, caberia a essa nova escola,
criar possibilidades de interação entre esses referenciais e a aquisição do conhecimento, por meio
de sua metodologia e organização, pois, além da aquisição do conhecimento, ela proporcionaria ao
indivíduo uma nova postura diante dessa sociedade, onde caberia a ele, desenvolver-se de modo
mais crítico e dinâmico.
As teorias, as práticas e as leis que regem a educação nacional e a melhoria do processo de ensino
e de aprendizagem em nosso país buscam garantir uma escola de qualidade capaz de atender a
todos, visando à autonomia intelectual. Assim, diante dessa diversidade, a escola, por meio da
compreensão e do respeito, alcança a qualidade do ensino por meio de uma estruturação educacional,
proporcionando um novo paradigma a essa sociedade, tradicionalmente, exclusiva.
Art. 206 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (Alterado
pela EC-000.019-1998).
18
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
Fonte: ([Link]
Esse processo de reinvenção da escola, trata-se de uma proposta contemporânea, com um único
propósito: tornar-se um espaço destinado à formação do indivíduo, competente o suficiente para
a realização dos seus projetos, autônomo e crítico. Contudo, para que esse novo indivíduo consiga
desempenhar sua cidadania, é necessário que a escola crie alternativas viáveis de participação –
tanto nas questões relacionadas a comunidade, quanto na gestão escolar, de modo aberto e acessível,
tal como se espera de uma gestão democrática.
De acordo com Garcia (1980), existe uma pequena articulação entre as relações de convivência
social instituídas pela escola e pela cidadania, pois somente com a diversidade e no exercício da
convivência entre os diferentes é que se aprende a sobreviver em sociedade.
19
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo
Esses são alguns princípios que devem ser trabalhados dentro do âmbito escolar, para que possamos
aprimorar o conceito de democracia e igualdade. Referem-se aos processos de conscientização de
educadores e educandos, para a construção coletiva de um novo saber, que para Freire, refere-se
a um “... um processo que nasce da prática humana na transformação da realidade social”. (apud
KUNZ, 1991, p. 146).
Para compreender essa nova concepção democrática de escola, devemos definir alguns conceitos
fundamentais a essa discussão, tais como democracia, cidadania, educação e público.
O uso do termo Democracia, atualmente, adquiriu uma dimensão que ultrapassa o significado específico
de forma de governo – governo do povo, pelo povo e para o povo, para indicar um modo de ser e de
pensar. [...] No seu significado propriamente político, é preciso distinguir uma acepção tradicional e
uma moderna. Na Antiguidade e na Idade Média, a Democracia, mesmo que com outro nome, era uma
das três formas positivas de governo. [...] Na Idade Moderna, pode ser vista como a atitude política que se
opõe ao absolutismo, segundo uma perspectiva liberal ou social. Na Idade Contemporânea, apresenta-se
como alternativa ao totalitarismo seja ideológico, seja tecnológico. [...] Parece claro que o conceito
de Democracia vai além da representação de forma de governo para mostrar-se como um verdadeiro
estilo de vida individual e social. (ABBAGNANO, 2007, pp. 277-279).
Podemos dizer que a democracia não pode ser compreendida, somente, como um sistema político
ou uma organização do Estado, mas, sim, como uma forma de participação dos membros da
sociedade em todos os processos cotidianos, tais como, a eleição de um representante, no governo
ou no bairro, ou mesmo sua participação em decisões que envolvam um pequeno grupo de pessoas,
como o bairro, a escola, a sua casa etc.
Para Dewey, “[...] Democracia não é apenas uma ideia e um ideal a atingir, mas é um modo concreto
de vida, um processo de experiência que vai enriquecendo o próprio processo, o qual, desta forma,
avança...” (Apud NEUTZLING, 1984, p. 87). Uma formação social, para que possa ser considerada
democrática, deve considerar as relações e as práticas sociais desenvolvidas por esse grupo de
20
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
Atualmente, fala-se muito em diversidade cultural, que de acordo com sua definição, pode ser
entendido como o direito a ser diferente. Nesse sentido, quando falamos em autonomia democrática,
estamos assegurando a todos esse direito de ser, escolher e respeitar o modo de viver, as aptidões, os
desejos e os valores segundo a individualidade de cada um.
Assim, para que o indivíduo pudesse reivindicar seus direitos como cidadão, ele deveria conquistar
sua autonomia democrática, por meio da sua conscientização sobre a sua capacidade de tomar
decisões, construir e refletir a respeito das possíveis consequências de seus atos, assumindo sua
parcela de responsabilidade perante o grupo social no qual está inserido.
Nos últimos anos, o acesso à escola pública tem sido marcante ao contexto histórico e social, pois
a escola pública, que no passado era destinada a poucos, passa a dar lugar a uma nova concepção,
em que há uma grande expansão de atendimento a quase todas as crianças do Ensino Fundamental.
Ou seja, não existe dúvida de que essa expansão representa um avanço democrático essencial à
população. Contudo, Arroyo (2001) vê a necessidade de se considerar a escola pública, como um
espaço de direito, tanto aos gestores, professores e funcionários, quanto aos alunos.
[...] Uma escola pública preocupada em realizar uma verdadeira inclusão social
deve educar todas as crianças e os jovens com qualidade, proporcionando-
21
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo
lhes uma consciência cidadã que lhes assegure condições para enfrentarem os
desafios do mundo contemporâneo. Da mesma forma, será preciso, a partir da
análise e da valorização das práticas existentes, criar novas práticas no trabalho
em sala de aula, na elaboração do currículo, na gestão e no relacionamento
entre equipe escolar, alunos, pais e comunidade. [...] (LEITE; GIORGI, 2004,
p. 6).
A escola pública deve garantir ao seu trabalho a qualidade necessária para o bom desenvolvimento
das práticas cidadãs, por meio do respeito, da tolerância e pelo compromisso em aceitar, reconhecer,
participar e cooperar com cada indivíduo, afim de desenvolver sua autonomia e sua liberdade
participativa como cidadão.
[...] Há uma relação muito próxima entre a noção de direitos e cidadania. Uma relação
de constituição recíproca. Para Marshall, a natureza da cidadania está associada
ao aparecimento do Estado social no moderno Estado-Nação em uma evolução
histórica. Se na primeira fase do capitalismo a cidadania parecia minar os privilégios
consuetudinários de classe e herança do passado feudal, ao mesmo tempo
consolidava as incipientes relações capitalistas de classe, baseada na produção e
na troca de artigos. Assim, “ao destruir um tipo de sistema de classe, a cidadania
promoveu e assegurou um segundo.” (BARBALET, 1989, p. 21).
22
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
Desse modo, fica evidente que tanto as instituições públicas quanto as privadas devem buscar
a construção desse novo espaço democrático fundamentado na necessidade de (re) invenção
e (re) significação de espaços, conceitos e funções que estavam intrínsecos a nossa prática
cotidiana. Entretanto, mediante esta nova concepção, é possível esperar desta nova escola – como
espaço público, democrático e formador de cidadãos, mais do que uma simples transmissão de
conhecimentos, espera-se desse modelo, uma nova prática, novos gestores, novos profissionais e,
fundamentalmente, uma nova relação e interação com a comunidade e os diferentes setores sociais,
muito mais participativa, democrática e colaborativa.
Assista ao filme “Entre os Muros da Escola” e “Sociedade dos Poetas Mortos”. Nesses
dois filmes, a questão da diversidade cultural no contexto educacional será de
grande evidência.
Neste Capítulo, podemos concluir, que existe uma articulação entre as relações instituídas pela
escola por meio da vivência social entre os diferentes, promovendo junto ao processo de ensino e de
aprendizagem uma nova consciência de socialização com base na democracia, na cidadania e nos
valores éticos.
Assista ao filme “Escritores da Liberdade”, e encaminhe suas reflexões, via e-mail para
seu tutor, sobre os ensinamentos que o professor propõe e as transformações nessa
pequena comunidade.
23
Capítulo 3
A Escola como Organização
Aprendente: Escola e Cultura
A educação, no sentido em que a entendo, pode ser definida como a formação, por
meio da instrução, de certos hábitos mentais e de certa perspectiva em relação à
vida e ao mundo. Resta indagar de nós mesmos, que hábitos mentais e que gênero
de perspectiva pode-se esperar como resultado da instrução? Um vez respondida
essa questão, podemos tentar decidir com o que a ciência pode contribuir para a
formação dos hábitos e da perspectiva que desejamos.
(Bertrand Russell)
A partir da década de 1980, surge um novo conceito histórico e cultural sobre a instituição escolar,
ou seja, não cabe neste novo ambiente escolar a ideia de um ambiente de reprodução que visa à
funcionalidade, segundo as análises macroestruturais, ao contrário, busca superar a dicotomia por
meio das ciências sociais e da diversidade cultural e social que ela apresenta.
A escola, como espaço sociocultural, tem como finalidade promover o desenvolvimento das
potencialidades cognitivas, físicas e afetivas dos indivíduos por meio de um processo de ensino-
aprendizagem sistemático (conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) (LIBÂNEO; OLIVEIRA;
TOSCHI, 2003, p. 19).
Outro papel da escola refere-se ao fato de esta ser uma organização aprendente, caracterizada por
sua emancipação cultural, baseada nas experiências e nas vivências de um processo contínuo em
seu projeto educativo. Para isso, é necessária uma reformulação nas práticas adotadas, criando,
assim, um novo paradigma cultural no cenário educacional contemporâneo.
[...] A escola é a instância integrante do todo social, sendo afetada pela estrutura
econômica e social, pelas decisões políticas e pelas relações de poder em vigor
na sociedade. [...] Isso mostra que há uma relação de influência mútua entre a
sociedade, o sistema de ensino, a instituição escolar e os sujeitos – ou seja, as
políticas e as diretrizes do sistema de ensino podem exercer forte influência e
controle na formação da subjetividades de professores e alunos[...] (LIBÂNEO;
OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 17).
A escola deve ser compreendida como um espaço democrático, dialógico e crítico, ou seja, uma
organização aprendente, capaz de estimular a interação entre os alunos, constituindo-se em um
ambiente aberto, dinâmico e flexível.
A instituição educativa deve promover a formação cultural dos indivíduos por meio do processo de
aprendizagem junto a sociedade. Do ponto de vista antropológico, cultura pode ser considerada como
tudo o que nos cerca, pois, é composta por interpretações cognitivas e representativas, individuais
24
função social da escola no mundo contemporâneo│ UNIDADE I
e coletivas. Ou seja, não existe culturas particulares, mas, sim, um processo social. Assim, podemos
dizer que a cultura organizacional é uma cognição coletiva.
A escola deve estar atenta aos anseios da comunidade, buscando participação nos diferentes grupos,
tornando-se um espaço de construção e vivência à cidadania. Assim, a escola, que se apresenta
como um local de vivência e cidadania, deve pautar-se na contextualização e na apreensão dos
conhecimentos teóricos, sistemáticos e práticos. Cabe a escola incentivar a cidadania, por meio da
convivência, aceitação a diversidade, a estimular indivíduos reflexivos, responsáveis, comprometidos
e participativos.
A escola pode ser compreendida como uma organização que promove a interação
entre as pessoas. Assim, a organização escolar poderia ser definida como uma
unidade social?
O processo educativo pode ser compreendido como um procedimento social que objetiva contribuir
com o procedimento real do cultivo histórico que a vivência humana possibilita. Nesse sentido,
a escola desempenha papel importante na fundamentação histórica da sociedade, promovendo a
interação por meio da convivência e da construção individual de cada um.
25
UNIDADE I │função social da escola no mundo contemporâneo
Diante das leituras dos Capítulos 1, 2 e 3, podemos concluir que a escola tem uma grande
representatividade perante a sociedade. Assim, devemos repensar o trabalho desenvolvido nas
escolas nos dias atuais, pois cabe a seus representantes, alunos e sociedade, estabelecer uma
reflexão criteriosa sobre a funcionalidade e a importância desse ambiente como espaço de formação
e aprendizagem.
[Link]
[Link]
viva/escola_viva/
[Link]
26
gestão de
qualidade na Unidade iI
escola
Pesquisas, recentes, revelam que uma gestão educacional de qualidade tem apresentado reflexos
positivos tanto no que se refere ao corpo estrutural da instituição (docentes, funcionários e técnicos),
quanto ao desempenho dos alunos. De acordo com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica (SAEB), nas instituições onde o diretor e os professores apresentam uma boa qualificação
acadêmica, o desempenho dos alunos é melhor.
Neste novo cenário educacional, a escola pública, que representa a maioria das
instituições de Ensino Médio, deve requerer seus direitos, buscando novos estímulos
por meio de políticas sociais, que garantam aos profissionais melhores condições de
trabalho e formação, para que essas escolas possam ter uma gestão de qualidade
que torne possível a recriação do espaço público e social.
Pensando um pouco sobre essas questões, nesta Unidade, trataremos da questão da gestão e da
qualidade do ensino, por meio de um novo paradigma: a escola democrática. No primeiro no
Capítulo, abordaremos a Conceitualização de Gestão e Qualidade; no segundo, a Qualidade na
Escola como Construção Coletiva e, por fim, no último capítulo, as Concepções e as Características
da Gestão Democrática na Escola.
Capítulo 1
Conceitualização: Gestão e Qualidade
Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com
adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho,
inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda.
(Paulo Freire)
Estudos demonstram que a escola, atualmente, pode ser compreendida como ponto de referência,
pois as políticas educacionais têm favorecido o aprimoramento e o aperfeiçoamento da autonomia
e da descentralização, por meio de propostas curriculares, leis e resoluções que estimulem essa
nova prática organizacional, visando a uma gestão centrada na escola e na qualidade do processo de
ensino-aprendizagem.
Ao longo dos anos, a tradição histórica nos remete à gestão de cunho centralizador, herança que
vem desde os primórdios da Colônia, passando pelo Império, seguindo até as primeiras formas
de organização da República, um modelo de gestão altamente centralizador. Ou seja, essa ideia
centralizadora está tão inserida no sistema educacional brasileiro quanto no interior da própria
escola. Entretanto, a partir de 1995, com a recentralização das decisões federais sobre os governos
estaduais, rompe com o antigo paradigma, cedendo, assim, o lugar ao novo conceito de gestão.
Atualmente, podemos entender a gestão educacional sob dois aspectos teóricos (LIBÂNEO;
OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 16).
28
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II
O modelo de organização e de gestão do sistema de ensino parece convergir com o novo cenário
social, em que a flexibilidade dos processos de trabalho deve acompanhar a dinâmica de um mercado
cada vez mais exigente.
As diferentes concepções de gestão escolar refletem a posição política de uma sociedade, ou seja, a
maneira como a escola se organiza e se estrutura, fundamenta sua dimensão pedagógica segundo
a relação e as transformações sociais. Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2003), seguindo uma linha
histórica e conceitual, poderíamos classificar as concepções de gestão em quatro tipos: técnico-
científica, autogestionária, interpretativa e democrático-participativa.
Ênfase na administração pautada Ênfase na auto-organização do Valorização das percepções Qualificação e competência
em normas, regras, procedimentos grupo, por meio de eleições e e significados subjetivos, profissional
burocráticos e controle de funções. por meio do caráter formal,
atividades. estrutural e normativo.
Comunicação linear (de cima para Recusa a normas e ao sistema Objetividade nas questões de
baixo). de controle (responsabilidade organização e de gestão (coleta de
coletiva). informações).
Mais ênfase nas tarefas do que nas Crença no poder instituinte da Acompanhamento e avaliação
pessoas. instituição, por meio da prática da sistemáticos com finalidade pedagógica.
participação e da autogestão.
Ênfase nas inter-relações, mais do que Todos dirigem e são dirigidos.
nas tarefas.
Ênfase tanto nas tarefas quanto nas
relações pessoais.
Desse modo, as orientações administrativas da escola parecem sugerir uma nova realidade. Somente
por meio de uma aprendizagem de qualidade é possível envolver a todos de maneira participativa e
consciente neste novo contexto educacional, que as demandas sociais apresentadas pela comunidade
exigem. (OLIVEIRA, 1997).
[...] As escolas são, pois, ambientes formativos, o que significa que as práticas
de organização e de gestão educam, isto é, podem criar ou modificar os modos
29
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola
de pensar e agir das pessoas. Por outro lado, também a organização escolar
aprende com as pessoas, uma vez que sua estrutura e seus processos de
gestão podem ser construídos pelos próprios membros que a compõem [...]
(LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 16).
Cabe a escola priorizar a melhoria desse processo, por meio da construção de um processo formador,
capaz de atender à demanda social. As transformações estruturais que descentralizam a autoridade
e reduzem a hierarquia acabam privilegiando a qualidade com base em princípios inovadores e
empreendedores que estimulam os vários segmentos sociais.
Podemos dizer que a escola deve ser compreendida como um ambiente formador constituído por
práticas, rotinas, estratégias e procedimentos que educam, por meio de uma gestão participativa,
coerente e responsável com sua comunidade e com a formação educacional oferecida, capaz de
modificar os modos de pensar e agir do indivíduo.
30
Capítulo 2
Qualidade na Escola como Construção
Coletiva
(Mahatma Gandhi)
Na segunda metade do Século XX, o Brasil seguiu por um processo de escolarização massiva de grande
repercussão populacional, com a finalidade de atender às classes economicamente desfavorecidas.
Entretanto, essa expansão se deu de modo acelerado e precário. Não se trata, apenas, de bancos
escolares, pois, com a ampliação dos números de vagas, considerou-se os dados quantitativos e não
os qualitativos, afetando, assim, a qualidade prática do sistema de educação.
O primeiro significado apresentado por Oliveira e Araújo (2005) trata de um tópico bastante
difundido na educação nacional, pois não se questiona mais o direito à escolarização. Contudo, o
segundo e o terceiro significados ainda se encontram em discussão no cenário educacional, pois a
questão da qualidade proporcionada pelos estabelecimentos públicos ainda não foi superado.
A partir de 1o de janeiro de 2007, os recursos que financiam a Educação Básica são repassados pelo
o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação, regulamentado pela Medida Provisória no 339, posteriormente convertida na Lei no
11.494/2007. Assim, atualmente, o Fundeb substitui Fundef, que garantia recursos somente para o
Ensino Fundamental.
([Link]
A educação desempenha um importante papel no futuro dos indivíduos, pois, mediante o processo
de ensino e de aprendizagem, auxilia no aprimoramento de habilidades e percepções cognitivas
e sensíveis, afetando diretamente os indivíduos, tanto no mercado de trabalho quanto na
esfera social.
Mediante a democratização da escola pública, no final do Século XX, grandes transformações foram
sentidas no sistema educacional, assim como na questão da qualidade. O esvaziamento da qualidade
32
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II
na escola pública vem acompanhado de uma nova necessidade que, segundo Rios (2001), pode ser
compreendida como a de “qualificar a qualidade, refletir sobre a significação de que ela se reveste
no interior da prática educativa”.
Acesse ao site do MEC, confira os dados quantitativos e registre suas reflexões sobre
o índice de aprovação no Brasil.
([Link])
A ineficiência do sistema de ensino é preocupante, pois prejudicam as crianças e os jovens que não
conseguem concluir a Educação Básica, ou quando conseguem concluí-la, já se encontram defasados
em relação a outros indivíduos – se considerarmos a relação idade-série/ano.
Neste contexto, por meio da reestruturação do espaço público e da qualidade prática de sua função
formadora, surge um redimensionamento do papel da escola pública, pois a questão relativa à
qualidade do ensino surge como elemento primordial a democratização do saber.
Pesquisas revelam que o baixo desempenho apresentado pelos alunos da Educação Básica no
cenário educacional deve-se à combinação de diferentes fatores.
33
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola
»» A falta de apoio dos órgãos públicos: mesmo com programas que incentivem
a melhoria da qualidade do ensino, muitos programas não concluem seus objetivos.
Analisando as diferentes situações de cada região do País, podemos constatar dados alarmantes
que nos revelam uma realidade marcada pela desigualdade. Contudo, o ambiente escolar pode
ser compreendido como instrumento de formação, assim, cabe a esse local, tornar-se um espaço
democrático e acessível a todos, promovendo a interação, a troca e o respeito.
No índice que mede a qualidade do ensino, o País está em 87o lugar, a pior
performance. Ainda assim, o relatório da UNESCO elogia algumas iniciativas
brasileiras de promover a qualidade de ensino, como o Programa Bolsa-Escola, o
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério (Fundef ) e a capacitação de professores por meio de ensino a distância.
Entre os 16 países da América Latina, o Brasil está em 10o lugar no ranking.
A discussão que envolve a educação brasileira não pode se basear na oposição simplista entre
reprodução e transformações, não cabendo a escola tornar-se instrumento de reprodução ideológica,
mas, sim, espaço para a pluralidade e a diversidade, mediante um ensino de qualidade, capaz de
utilizar-se dessas questões culturais, que são de extrema relevância a consolidação da sociedade
brasileira, como instrumento de formação e conscientização.
Dessa maneira, para que se possa garantir um ensino de qualidade, independentemente da forma
como se organiza o espaço escolar, é necessário que a unidade escolar assegure os direitos dos alunos
e atenda às necessidades individuais e coletivas. Segundo a UNESCO são os seguintes.
2. Professores com formação superior, satisfeitos com sua remuneração e que não
precisem dividir sua carga horária entre duas ou mais escolas.
A instituição escolar não pode ser considerada um ambiente em que se reproduzem estruturas
culturais, ideológicas e econômicas de uma elite dominante, ao contrário, toda esta reflexão histórica
e antropológica, nos leva a crer que este ambiente deve ser um espaço participativo e democrático
eficiente em sua principal finalidade: ensinar.
34
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II
Neste novo cenário, cabem aos seus envolvidos – gestores, professores, profissionais, alunos e a
comunidade, (re)pensarem a escola, segundo a demanda social industrial e urbana, a fim de garantir
a exigência qualitativa que a demanda social deseja.
Muitas escolas não têm energia elétrica, no caso da região Norte, isso representa
19,6% e 14,6% no Nordeste. Outro dado relevante, é a questão das escolas sem
abastecimento básico de água, no Nordeste este número chega a atingir 8,4% dos
alunos e , ainda nesta região, 9,3% sofre com a falta de esgoto sanitário.
Dessa maneira, podemos concluir que a inclusão de ações assistenciais (financeiras e técnicas) ao
espaço escolar é um dos requisitos básicos à educação, para que se tenha um processo de ensino
e aprendizagem de qualidade. Assim, é necessário que as políticas educacionais priorizem as
especificações e as diferenças, pautadas em um compromisso com a democracia, os direitos e a
liberdade, visando a garantir e a promover o acesso e a melhoria da qualidade educacional.
CURIOSIDADE:
35
Capítulo 3
Escola Democrática
(Platão)
[...] essa nova forma de administrar a educação constitui-se num fazer coletivo,
permanente em processo. Processo que é mudança contínua e continuada.
Mudança que está baseada nos paradigmas emergentes da nova sociedade
do conhecimento, que, por sua vez, fundamentam a concepção de qualidade
e definem também, a finalidade da escola. [...] (BORDIGNON; GRACINDO,
2001, p. 149).
Nesse sentido, para que se coloque em prática nas escola a gestão democrática, fazem-se necessárias
mudanças estruturais e de paradigmas, capazes de formar cidadãos. Entretanto, para que se
desenvolva no educando a capacidade de inovação e criação, devemos considerar o saber como
instrumento de transformação, desta maneira, é necessário que se priorize um novo currículo e uma
nova formação aos professores. (BORDIGNON; GRACINDO, 2001).
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II
Para que se coloque em prática esse novo modelo de gestão, e devido a sua complexidade em relação
a estruturação, organização e gestão escolar, é necessário que alguns princípios referentes a esse
modelo sejam incorporados.
37
UNIDADE II │gestão de qualidade na escola
A escola do regime democrático deve ser espaço para a cidadania, promovendo a inclusão social,
tanto na sociedade quanto no conhecimento. Assim, a escola precisa ser um ambiente democrático
e acessível, capaz de favorecer a aquisição de valores éticos. Segundo Bordignon e Gracindo (2001),
esse novo modelo de gestão, coloca em prática novos paradigmas, como:
1. inclusão social.
2. modelo cognitivo/afetivo.
4. ações transparentes.
5. processo autoavaliativo.
Nesse sentido, a gestão democrática, deve ser compreendida não apenas como princípio de um
novo paradigma, mas, sim, um processo de estratégias das ações práticas para alcançar os objetivos
definidos, centrados na competência e credibilidade. Assim, esse novo paradigma propõe novos
enfoques e atitudes.
Enfoques e Atitudes
Aspectos de gestão
Paradigma tradicional Paradigma emergente
Relações de poder Verticais Horizontais
Estruturas Lineares/segmentadas Circulares/integradas
Espaços Individualizados Coletivos
38
gestão de qualidade na escola│ UNIDADE II
Verifique o texto de Maria Eloisa Velosa Mortatti sobre esse tema, em: [Link]
[Link]/teses/disponiveis/48/48134/tde-21062007-155119/.
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Após a leitura do texto de Maria Eloisa Velosa Mortatti, expresse sua opinião sobre
algumas questões:
Por fim, ao longo desta unidade, podemos concluir que mediante a incorporação desses princípios
básicos, esse novo modelo de gestão democrático, o modelo de escola cidadã, luta por espaço e
pela reconstrução do paradigma de gestão, em que a autonomia e a cidadania se tornam requisitos
indissociáveis para a melhoria da qualidade do ensino.
39
princípios e
métodos da
supervisão Unidade iII
e inspeção
escolar
A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas
novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que
sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar
mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas
se propõe.
(Jean Piaget)
Como visto anteriormente, nos últimos anos, a escola pública ganha destaque nos meios de
comunicação, nas pesquisas e nas campanhas eleitorais. Atualmente, chegou-se à conclusão de que
esse espaço é capaz de desempenhar um papel fundamental no contexto social e histórico.
Nesse sentido, essa nova estruturação organizacional, prática e teórica, reivindica uma série de
transformação dentro do contexto educacional. Ou seja, além de novas políticas, a sociedade busca
por novos profissionais, muito mais qualificados e preparados para atuar junto a essa sociedade.
Mediante toda essa nova necessidade, abordaremos no próximo Capítulo o papel do supervisor e do
inspetor escolar nesse novo ambiente. Assim, estudaremos, a Supervisão Escolar e a Legislação, a
Inspeção Escolar e a Legislação, a Ação Pedagógica do Supervisor e Inspetor Escolar nesse cenário.
Capítulo 1
A Supervisão Escolar e a Legislação
(Friedrich Froebel)
A partir da década de 1950, o Estado inicia seu processo de qualificação do ensino primário, contudo,
mesmo com algumas reformulações educacionais, houve um aumento considerável no número de
matrículas, e a procura por professores foi significativa, contudo, não havia profissionais suficientes
para atender esta demanda.
[Link]
arttext.
[Link]
29842&tipo=ob&cp=000000&cb=
Nos anos 1980, os profissionais e os especialistas da educação foram muito criticados, sendo
considerados os responsáveis pelo insucesso do ensino da época. Em meados dos anos 1990, o
contexto educacional redescobre a necessidade e a finalidade da supervisão escolar.
Durante algum tempo, no processo educacional, considerou-se que o sentido do termo supervisão
tem, como referência, a atividade técnica, segundo sua utilização na organização industrial. Tal ação
tinha como funcionalidade intermediar as relações entre operários e administração, incorporando,
assim, a função de acompanhamento controlado na execução do trabalho.
41
UNIDADE III │princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar
O conceito de supervisão escolar vem sofrendo alterações ao longo dos anos, entretanto, os objetivos
continuam sendo os mesmos. A supervisão escolar baseia-se na relação entre as ciências da educação
e sociais, por meio do desenvolvimento dos grupos organizados – socialmente – para a realização de
funções e atividades. (ALONSO, 1999).
Repensar a atuação do supervisor significa considerar toda a trajetória conceitual e histórica que
acompanha a utilização do termo no processo educacional. Analisando-se epistemologicamente o
termo, temos os prefixos “super” e “visão”, que podem ser compreendidos como uma visão ampla,
geral ou completa.
Segundo Rangel (1999), no cenário educacional atual, podemos afirmar que a supervisão escolar
tem como finalidade atuar em serviços administrativos e pedagógicos, paralelamente ou junto com
a gestão. Ou seja, por meio de objetivos específicos como adequação de currículo, planejamento,
programas, métodos de ensino e avaliação, desenvolvendo junto à equipe ações coordenadoras e
orientadoras, capazes de unir prática e teoria por meio do desenvolvimento de troca e interação.
A Supervisão Escolar passa, então, a ser uma ferramenta de atuação que tem como princípio o fazer,
o agir, o movimentar, o envolver-se, o modificar e, para isso, é necessário que esteja firmado em
nossa essência o querer moldar pessoas. [...] (MACHADO, 2007, p. 2).
Portanto, a escola atual desempenha uma nova função mediante uma transmissão de conhecimento
mais acessível, qualitativo e formador. Assim, nesse novo ambiente, a figura do supervisor deve ir
além do trabalho técnico-pedagógico, tornando-se agente político e mediador nessa organização.
[Link]
[Link]
42
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar│ UNIDADE III
[Link]
desafios-e-propostas/[Link].
[Link]
Itemid=72.
Art. 1o Fica instituída e regulamentada, nos termos desta Lei, a profissão de Supervisor
Educacional.
Parágrafo único. O diploma referido no caput deste artigo pode ser obtido em:
2. as instituições de ensino.
Art. 5o Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. (Substitutivo ao Projeto de
Lei no 4.412, de 2001). (Lei no 4.412, 2001). Obs.: Na verdade, esse projeto de lei foi
vetado.
Fonte: ([Link]/sileg/[Link]?CodTeor=136401)
43
Capítulo 2
A Inspeção Escolar e a Legislação
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
(Nelson Mandela)
Apesar das transformações políticas e acadêmicas, esta nova qualificação não conseguia atender
à demanda social, ou seja, essa nova fase educacional, necessitava de profissionais especializados,
não somente nas disciplinas básicas de formação, mas, sim, em diferentes áreas de atuação, como
gestão, organização, coordenação e acompanhamento.
Podemos dizer que, historicamente, uma das grandes preocupações com relação à educação é a
questão da gestão, pois os modelos administrativos tendem a reproduzir os modelos empresariais
fundamentados em concepções tayloristas e faylorista. Contudo, essa forma administrativa centrada
na racionalidade, técnica e mecânica, foi superada por um novo conceito de gestão: a democrática.
44
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar│ UNIDADE III
A gestão escolar promove o desenvolvimento, direto ou não, nas políticas educacionais, tornando-se
fundamental para as novas políticas públicas. Assim, em resposta a esta proposta de mudança,
surge a inspeção escolar, “[...] como uma das condições, ao lado da formação específica do professor,
indispensável”. (REIS FILHO, 1995, p. 206).
Este novo modelo de gestão propõe participação, socialização e funcionalidade, assim, não teremos
mais um único gestor deste ambiente, mas, sim, vários gestores que trabalham junto de maneira
organizada e sistemática, visando à qualidade da escola.
[Link]
=listaass&ASSUNTO=INSPETOR%20ESCOLAR.
[Link]
208&dq=inspe%C3%A7%C3%A3o+escolar++legisla%C3%A7%C3%A3o&so
urce=bl&ots=tNnaD9vDfO&sig=LvRdCEgnh2RGt3nyC5BE2WMZEZE&hl=pt-
BR&ei=4bbcSeyzFJmstgf-psj9DA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2#PPA
208,M1.
[Link]
Todos devem estar atentos às necessidades do cenário educacional, pois a incorporação dessa prática
democrática, participativa e reflexiva a esse novo contexto está diretamente ligada a uma nova
estruturação organizacional dessa instituição e dos profissionais que atuam dentro nesse ambiente.
45
Capítulo 3
A Ação Pedagógica do Supervisor e do
Inspetor Escolar
(Pitágoras)
O contexto social e educacional não comporta mais algumas definições, funções e centralizações.
Ou seja, o termo gestão, atualmente, implica a descentralização do poder, por meio da prática
compartilhada e participativa.
A este novo modelo de gestão, exige-se ação, reação, competência e articulação com os demais
profissionais. Cabe ao gestor escolar,
Nesse sentido, podemos dizer que tanto a supervisão quanto a inspeção escolar vem de encontro
a esta nova necessidade. Essas funções foram e, ainda são, expressões políticas que podem ser,
facilmente, confundidas entre si, pois ambas relacionam-se com elementos administrativos e
gestores.
Cabe ao supervisor e ao inspetor assessorar a equipe escolar. Entretanto, o supervisor atua mais
próximo à equipe de determinada instituição escolar, em especial, aos professores, enquanto que
o inspetor escolar trabalha em conjunto com a Diretoria de Ensino, com a resolução de assuntos
pertinentes à área de atuação.
46
princípios e métodos da supervisão e inspeção escolar│ UNIDADE III
HORA, Dinair Leal da. Gestão democrática na escola: artes e ofícios da participação
coletiva. Campinas: Papiros, 1996.
PARO, Vitor. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997.
47
Para (não) Finalizar
Neste novo cenário político, ideológico, cultural e histórico, o papel da escola torna-se fundamental,
pois o acesso a ela tem sido alvo de campanhas eleitorais e, consequentemente, o ambiente escolar
tende a adaptar-se a esta nova demanda, por meio de capacitação dos profissionais e da qualidade
do ensino disponibilizado à população.
Diante dessa conscientização, a sociedade passa a exigir novas políticas educacionais, tanto de
seus governantes quanto da própria gestão escolar. Atualmente, a gestão escolar posiciona-se de
maneira democrática, participativa e acessível à comunidade, segundo suas necessidades e suas
particularidades.
48
para não finalizar
Mediante este cenário político, carregado de princípios ideológicos, o acesso à escola e a sua função
qualitativa e formadora tornam-se ícones do movimento democratizante.
O mundo de trabalho atual é marcado pela competitividade e sua exigência, tanto no ambiente de
trabalho quanto no contexto educacional. Assim, cabe à escola, e aos seus dirigentes, implantar uma
nova postura pedagógica que propicie uma vivência qualificada. A escola deve estar em consonância
com as demandas sociais e com os desafios que os diferentes níveis de escolaridade, diversidade,
informações e leituras que apresentam a comunidade contemporânea.
49
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desenvolvimento profissional, 1999 (Tese de Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação,
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